Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
.....................
claude_bloc@hotmail.com

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

PELEJA NOS BASTIDORES...

Claude Bloc disse...

Aloísio,

Sou assim de improviso,
Na rima vou me esconder
No verso eu me deleito
Com vontade de escrever.

Agora é você (risos)

Claude

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Aloísio disse...

Claude,

Você pediu, entonce leia, este meu "Improviso":

Minha amiga Claude Bloc
Este tema de improviso
Pr’eu poder te acompanhar
Vou ter que ter muito siso

Mas não vá me aperrear
Não tenho o dom do repente
Senão eu busco uma semente
Que eu encontrei no Ceará

Meus versos são sementes
Brotadas em terras duras
São como águas nascentes
Limpas, brilhantes e puras

Pra vingar esta semente
Tem que ser muito cuidada
Com arado, foice e enxada
E regada regularmente

Aqui deixo meu recado
Eu daqui você de lá
Mais um dia ‘inda volto
Pras bandas do Ceará

Abraços
Aloísio

===================================

Edilma disse...


Claude e Alísio,

Valha me Deus o que faço
com o talento desse povo
vou mandar um abraço
Nem que seja de novo

Um posta daqui
outro de acolá
e eu roendo pequi
sem poder falar

Gente da França poeta
da Bahia ao Ceará
e eu procurando uma meta
pra poder improvisar

Vou logo arranjando um jeito
de conseguir terminar
este verso mal feito
pra confusão não causar

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Nicodemos disse...


No improviso
o Tempo se manifesta imperioso
a fluidez do verbo marcado
pelo ritmo...
os silêncios em seus lugares
as tônicas tonificando o movimento...


belo, belo, belo!!!


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Aloísio

Quem sou eu? Não sou profeta,
Não faço rimas e nem esgrimo
Como dialogar sobre o tempo?
com esses dois grandes poetas?
Se me ponho a versejar.
O tempo não vai passar!

Hora da Ave Maria - Emerson Monteiro

No ano de 1958, morando com a família em Crato, meu pai seguia, ainda por certo tempo, vinculado aos negócios do sítio, em Lavras da Mangabeira, onde deixara animais e eito de cana, de que renovava o cultivo e participava das moagens, nas épocas próprias. Nesse sentido, ia lá quase todo mês, através da rodagem de terra que cruzava a Serra de São Pedro, cheia de trechos estreitos e arriscados, conhecidos pela periculosidade e acidentes fatais que provocava, percurso que agora abriga a Rodovia Padre Cícero e reduzirá em dezenas de quilômetros a distância para Fortaleza.
Houve uma ocasião, nessas viagens, quando, já próximo do distrito de São Francisco (hoje Quitaiús), o caminhão em que viajava, de propriedade de Seu Severino Medeiros, tombou em trecho de curvas fechadas e piçarrentas. Dentre as vítimas mais graves se achava meu pai.
Machucara uma das pernas à altura do tornozelo, fraturando ossos em três lugares e sofrendo profunda contusão, o que lhe custou séria perda de sangue e demorou um tanto para cicatrizar. Veio trazido ao Hospital São Francisco, em Crato, onde permaneceria pelo período de um mês, ou pouco mais.
Durante esse turno, não poucas vezes lhe visitei e permaneci junto dele. Era eu portador constante das encomendas entre nossa casa e o hospital.
Nunca antes havia estado naquela construção de tantos corredores, salas, lugares sombrios, silenciosos, ruídos típicos; de pessoas diferentes, agitação incessante. Andava onde podia. Menino aceso, observava as movimentações e acompanhava os acontecimentos diários.
Relembro de enfermeiras, médicos, amigos de meu pai que lhe visitavam; das áreas internas e solitárias do casarão escurecido; as rampas; os portões vetustos quase nunca abertos; e da calma da capela, que tocava o íntimo da criança de nove anos com melancolia intensa, sobretudo aos finais das tardes, quando deixava ouvir os acordes da Ave Maria, de Schubert. Misto de saudade e distanciamento fervilhava meu ser; algo de uma solene paz que envolvia o ar no véu luminoso da penumbra e, aos poucos, vinha decrescendo os restos das tardes, modificando, nas notas suaves da música, a noite e seus aspectos quase adormecidos, afastando de vez, com mãos veludosas, os clarões retardatários do outro dia.
Essas marcas especiais daqueles instantes passados costumam, depois, preencher minha memória, quando ouço o canto da Ave Maria, às 18h, nas emissoras de rádio, que tocam o disco nas suas programações, avivando em mim emoções que, nessa quadra, tomaram conta de nossa família, permitindo, no entanto, que tudo chegasse a bom termo, com o restabelecimento de meu pai, o ponto forte na condução de todos nós.

Nos leilões do Padre Onofre - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Esta é uma das muitas histórias que o meu amigo Leofredo Pereira costumava contar. Um dos seus companheiros de infância, nos anos cinqüenta, tinha um estranho apelido: De Bronze. Não cheguei a conhecê-lo, mas de tanto ouvir Leofredo contar suas peripécias, imaginei que De Bronze não poderia ser nenhum santo. Depois de haver aprontado muito no Juazeiro, De Bronze foi trabalhar na construção de Brasília, onde imagino que até hoje esteja radicado. Na época, correu a notícia de que De Bronze havia se transformado num homem, para contentamento geral e alívio de toda a população juazeirense. Dois ou três anos depois da sua ida para Brasília, De Bronze voltou de férias, justamente na época das festas de São Miguel. Na primeira noite do leilão, De Bronze reuniu os amigos, Leofredo entre eles e partiram para uma noitada de diversão na quermesse do padre Onofre. De Bronze trazia os dois bolsos laterais de suas calças completamente cheios. Salientava-se de seu interior algo parecido com dois volumosos maços de cédulas de dinheiro vivo. A toda hora, De Bronze batia sobre os bolsos emitindo um som fofo e dizia: “Hoje nós vamos deitar e rolar. Trabalhei duro em Brasília e vamos gastar, beber e comer como reis. Esta é a minha lei”. De Bronze e os amigos ocuparam umas três mesas que foram ajuntadas no centro da quermesse e começaram a arrematar tudo que era posto em leilão: perfumes, quinquilharias diversas e galinhas fritas. O padre Onofre esfregava as mãos de contentamento e dizia para seus auxiliares: “Atendam bem àquele jovem, ele está muito animado e veio de Brasília com os bolsos cheios de dinheiro!” De Bronze parece que intuíra o estado de espírito do padre e a cada instante voltava a bater sobre os dois pacotes que trazia em seus bolsos laterais, repetindo: “Vamos beber e nos divertir pessoal! Tudo aqui é por minha conta. Vou gastar como um príncipe árabe!” E continuava arrematando tudo que era oferecido no leilão. Depois que eles e os amigos estavam fartos de comida e bebida, passou a oferecer as prendas por ele arrematadas às mesas das autoridades presentes àquela festa. O prefeito, o juiz, a sua primeira professora, juntamente com o marido dela, os vizinhos foram todos contemplados. Não esqueceu nem mesmo do delegado, seu velho conhecido de outras noitadas insones que passara na prisão. A admiração era geral. Todos eram unânimes em afirmar que o jovem voltara realmente muito mudado. Ficara rico em Brasília! Tava aí um novo homem! Exclamavam uns para os outros. Finalmente, tarde da noite, já quase às duas horas da madrugada, todos já haviam se retirado, menos De Bronze e os amigos. Alguns já emborcados sobre as mesas dormiam o sono dos justos embriagados. Outros pensativos, sem ao menos saberem ao certo onde estavam. Finalmente o padre Onofre chegou com a conta e disse: “Meu filho, a festa de hoje foi muito animada, graças a você e a seus amigos. Mas infelizmente chegou ao fim e aqui está a sua continha. Deu três mil e novecentos e cinqüenta cruzeiros, o que para um jovem como você, que voltou endinheirado de Brasília, não representa nada.” De Bronze levantou a cabeça e com os olhos semi-cerrados respondeu: “Padre, pode mandar me prender que eu não tenho um tostão!” E surpreso, o Padre Onofre indagou: “Então o que é isto que você traz nos bolsos?” E o De Bronze prontamente lhe respondeu: “São dois pão doce, para eu comer na cadeia!”

Por Carlos Eduardo Esmeraldo
(Condensado do livro: “Histórias que vi, ouvi e contei.”)

o sertão

o sertão salta das linhas da mão
e percorre a lâmina dos olhos
sua água imprópria à sede

com ela se mede a distância
do vivido ao sonhado
e hoje se funde numa só certeza

o sertão antes do outro lado
agora sua paisagem exposta nesta mesa
o sertão, irmão, sou eu enluarado

no presente sua presença perfumada
que se acerca e não consola mais
da tão grande diferença dada
entre a areia e as cercas das estradas
agora em mim vestidas de metais

o sertão sou eu secando no lajeiro
de sílabas mal contadas
de rimas todas tortas
o sertão, irmão, sou eu quando é janeiro
e fecharam-se todas as portas

de não se poder encontrar uma saída
aprisionado numa triste esfera
semente no interior da pedra
o sertão maior do que o que era
no momento de sua despedida

o sertão, irmão, sou eu por toda a vida...

Pensamento para o Dia 11/01/2011


“Deus é como fogo e você é como carvão. Quando o carvão entra em contato com o fogo, ele torna-se um com o fogo. Da mesma forma, quando você entra em contato com Deus, você se torna um com ele. Manifestações do Amor Divino! Todos vocês são mensageiros de Deus. Somente Deus é importante. O zero obtém valor somente quando um número o precede. A lua é zero, o sol é zero, o mundo é zero, somente Deus é o Herói*. Tudo fracassa na ausência desse Herói. Tenha total fé no Herói, Deus. Um herói se torna zero se ele se esquece de Deus. Nunca dê margem a qualquer dúvida sobre Deus. Então você estará fadado ao sucesso. (*Trocadilho de Sai Baba entre as palavras Zero (zero) e Hero (herói) em inglês). ”
Sathya Sai Baba

EXPOSIÇÃO VIRTUAL DE BRUNO PEDROSA EM HOMENAGEM AO SEU ANIVERSÁRIO













Raimundo Pinheiro Pedrosa, filho de Lavras da Mangabeira, da Fazenda "Catingueira". Iniciou os seus estudos no Crato aos 6 anos onde começou a sua vida artística. Seguiu para o Rio de Janeiro e concluiu  as faculdades de : Belas Artes, Filosofia e Arqueologia. Passou no Mosteiro de São Bento 6 anos,  chamando-se "Bruno".  Transfere-se para a Europa depois do seu casamento com "Lila" (filha de italianos) e se radicaliza em "Bassano Del Grapa". Expôs em diversos Estados Brasileiros e exterior (com apenas algumas citações devido ao imenso currículo): Estados Unidos, México, Nicarágua, Argentina, Itália, França, Suíça, Áustria,  Holanda, Inglaterra, Alemanha, Japão e Portugal. É um artista consagrado com um currículo brilhante, além das galerias de arte que possui espalhadas pelo mundo, é escritor, escultor, fabrica tapetes assinados, cristais especiais em Murano e jóias exclusivas. Exímio desenhista, as obras de Bruno Pedrosa são um exemplo de um percurso orientado por uma motivação reflexiva e culta. Passou do desenho para as telas com uma predileção pelos pigmentos naturais onde se revela o seu equilíbrio na velocidade em se constituir um artista abstrato moderno contemporãneo. Estes trabalhos são os mais recentes da sua carreira em óleo sobre tela, mas entre eles se destaca  um desenho à lápis com total domínio e precisão do seu punho num rico matiz de cores. Posso afirmar que Bruno Pedrosa é um amante do nosso Nordeste Brasileiro deixando ver isso claramente nas cores fortes das suas telas e na segurança de um pintor versátil e que sempre nos surpreendende a cada trabalho.

Edilma Rocha

1º ENCONTRO DE CONTADORES DE HISTÓRIAS DE TRANCOSO

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Mando-te um doce - Por: Alexandre Lucas



Mando-te um doce
temperado em azeite
Para oferenda de orixá
Mando-te águas de Iemanjá
A fita do padim
O cheiro do jasmim
Os colares de guia
Para saudar a sabedoria
Mando-te a foice
Para abrir caminho
O manifesto comunista
Para sentir o cheiro pisado da terra
E a sensibilidade que nos impera
Mando-te um do doce...
Coberto de prazer
Recheado de quererquerer
Até o galo cantar pra o amanhecer.

Alexandre Lucas

( O autor permitiu a publicação deste texto e qualquer outro de sua autoria)

PARABÉNS, BRUNO PEDROSA !

Para o amigo de tantas ARTES


A arte maior de fazer AMIGOS


Parabéns, Bruno Pedrosa. 
Daqui do Brasil ,
lhe mandamos nosso abraço e a amizade de sempre...

Sempre Sucesso!
Sucesso sempre!

Pérola nos Bastidores - por Claude Bloc

O tempo tecendo o tempo
O tempo tecendo a hora
Não sei se tenho mais tempo
Não acho mais tempo agora...

Não sei se há contratempo
Na hora de escrever
Mas na hora que escrevo
O tempo passa a correr...


Claude Bloc

Curtas - XVIII - Aloísio

Enquanto tropeço em meus problemas,
O tempo corre.
Quando ando me divertindo,
O tempo voa.
Aloísio

Jornal O Povo chega com força ao Cariri Cangaço



JORNAL O POVO CHEGA COM FORÇA AO CARIRI CANGAÇO
Aderbal Nogueira, Manoel Severo e Diretores do O Povo: Plínio Bortolotti - Institucional e Mariza Quinderé - Comercial
Aconteceu na última semana, dia 04, reunião de trabalho entre os representantes do Cariri Cangaço; Manoel Severo - Curador, Aderbal Nogueira - Conselheiro; e a Diretoria do jornal O Povo; jornalista Plínio Bortolotti - Diretor Institucional, Mariza Quinderé - Diretora Comercial e Linda Tavares - Gestora de Mercado Nacional e Projetos Comerciais.
Na oportunidade foi fechada a parceria entre o jornal O Povo e o Cariri Cangaço em sua edição 2011. O evento que acontece no próximo mês de setembro , na Região Metropolitana do Cariri, promete reunir mais de 150 personalidades do universo da pesquisa de temas nordestinos para mais seis dias de intensa programação de conferências, visitas tecnicas, apresentações artísticas, oficinas, mostra de teatro, cinema e vídeo, lançamento de livros, Latada Cariri Cangaço, dentre outras atividades.

Na oportunidade os Diretores do Jornal O Povo conheceram o Projeto Inicial para 2011; o tema principal, os sub temas e todos os desdobramentos do evento em sua terceira edição, com Conferências , Debates, Oficinas, Visitas Técnicas, Mostra de Vídeo Documentário, Lançamento de Livros, além da tradicional Latada do Livro Cariri Cangaço e as mais tradicionais manifestações da arte e floclore do cariri cearense. A parceria se dará tanto a nível institucional, como a nível editorial.



Para Manoel Severo, curador do evento, "nossa responsabilidade aumenta e muito com a chegada do O Povo, um dos grandes veículos de comunicação do nosso país, isso tudo  nos enche de satisfação e alegria, agora é continuar trabalhando, sempre acreditando que podemos efetivamente construir um grande instrumento de debate, aprofudamento, fortalecimento e acima de tudo divulgação das coisas de nosso nordeste, O Povo é uma conquista de toda família Cariri Cangaço".


VEM AÍ A REVISTA CARIRI CANGAÇO 2011 - EDIÇÃO DE LUXO!
Linda Tavares, Manoel Severo e Mariza Quinderé
Um dos pontos altos do Cariri Cangaço 2011 será o lançamento da Revista de Luxo - Cariri Cangaço; uma publicação comemorativa ao evento; editada pelo Grupo O Povo de comunicação. A revista trará a história da criação do Cariri Cangaço, suas várias etapas, os parceiros, os  principais momentos; matérias de pesquisadores e escritores renomados, de todo o Brasil, além de tudo o que acontece no mundo do Cariri Cangaço.
Para o Conselheiro do Cariri Cangaço, Aderbal Nogueira, "sem dúvidas nenhuma que o O Povo vem acrescentar ainda mais credibilidade ao já consagrado Cariri Cangaço, a cobertura editorial e o apoio institucional é muito importante para continuarmos a consolidar o Cariri Cangaço como um grande fórum de debates e estudos de temas da região, e ainda contando com o lançamento da espetacular revista Cariri Cangaço, toda produzida pela editoria do jornal O Povo, será sem dúvidas um marco em nosso evento".


tudo isso e muito em: cariricangaco.com

Gabriel Henrique
Produção Cariri Cangaço

                                                          


(recebido por e-mail)

Uma questão de tempo – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Umas das desculpas mais esfarrapadas que, se costuma dar quando não se deseja realizar alguma tarefa, principalmente por falta de interesse é “não tenho tempo.” Como se o tempo fosse uma propriedade nossa ou um vilão a comandar nossa vontade. Alguns dizem que o tempo não existe. Se assim fosse teríamos que inventá-lo. Aliás, eu acredito que o tempo, assim como a Geometria realmente não existiam na terra em formação, sem seres vivos. Foi uma criação do homem. Se com o conhecimento geométrico edificamos o mundo como hoje o conhecemos, com o tempo movimentamos nossas vidas. O tempo é uma grandeza física referencial na quantificação do movimento. Mas o tempo varia de acordo com a percepção sensorial de cada pessoa. Quando crianças, o ano letivo demorava muito a passar. Já as férias de fim de ano esvaiam-se em um piscar de olhos. Depressa o tempo voltava a se arrastar, como um carro de boi carregado de cana de açúcar subindo uma ladeira.

À medida que vamos envelhecendo a nossa percepção de tempo muda e, este nos parece passar mais rapidamente. Recentemente soube por notícias, que o tempo não está mais rápido, o que alterou foi o movimento da terra em torno do sol, e o deste, arrastando a terra em sua viagem ao infinito. E é isto que nos dá a idéia dessa rapidez. Será? Por via das dúvidas, o sol poente do mês de julho que incidia na janela do meu quarto formando um ângulo reto há dez anos, projeta agora uma sombra com ligeira inclinação.

Há pessoas que dependem do tempo. Entre elas o relojoeiro. Mas não há um meio onde o tempo seja mais precioso do que na televisão. Um minuto de anúncio comercial custa uma fortuna. Aliás, em um minuto a televisão nos castiga com quatro propagandas, a maioria delas um “saco.” Um exemplo mais ilustrativo da eternidade de um minuto para a televisão, eu ouvi do saudoso dom Helder Câmara. Segundo ele, diretores da Rede Globo o convidaram para uma entrevista em sua sede no Rio de Janeiro. Pagaram suas passagens na primeira classe de um vôo internacional que fazia escala em Recife, hospedaram-no no melhor cinco estrelas da Barra da Tijuca, com mordomias que jamais o despojado Dom Hélder fora tratado. No dia seguinte, quando Dom Hélder chegou à estação da Globo, conduziram-no à sala de maquiagem. Antes de entrar no estúdio o diretor de jornalismo lhe avisou: “o senhor terá dois minutos para expor todo o conteúdo da sua mensagem.” Diante desse aviso Dom Hélder reagiu: “Mas meu amigo, vocês me trouxeram do Recife, gastaram um fábula com passagens aéreas, pagaram minha hospedagem num hotel caríssimo, com transporte à minha disposição aqui na cidade, tudo isso para eu falar apenas dois minutos?” – “Mas Dom Hélder são cento e vinte segundos!” – Valorizou o diretor da Rede Globo.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

PACIÊNCIA - Enviado por Roberto Jamacaru (por e-mail)



No parque, uma mulher sentou-se ao lado de um homem.
Ela disse:
- Aquele ali é meu filho, o de suéter vermelho deslizando no escorregador.

- Um bonito garoto - respondeu o homem - e completou: - Aquela de vestido branco, pedalando a bicicleta, é minha filha.

Então, olhando o relógio, o homem chamou a sua filha.

- Melissa, o que você acha de irmos?

Mais cinco minutos, pai. Por favor. Só mais cinco minutos!

O homem concordou e Melissa continuou pedalando sua bicicleta, para alegria de seu coração

Os minutos se passaram, o pai levantou-se e novamente chamou sua filha:
- Hora de irmos, agora?

Mas, outra vez Melissa pediu:
- Mais cinco minutos, pai. Só mais cinco minutos!

O homem sorriu e disse:
- Está certo!

- O senhor é certamente um pai muito paciente - comentou a mulher ao seu lado.

O homem sorriu e disse:

- O irmão mais velho de Melissa foi morto no ano passado por um motorista bêbado,
quando montava sua bicicleta perto daqui. Eu nunca passei muito tempo com meu filho e agora eu daria qualquer coisa por apenas mais cinco minutos com ele.

Eu me prometi não cometer o mesmo erro com Melissa.  Ela acha que tem mais cinco minutos para andar de bicicleta. Na verdade, eu é que tenho mais cinco minutos para vê-lá brincar...

Em tudo na vida estabelecemos prioridades.
Quais são as suas?

Lembre-se: nem tudo o que é importante é prioritário, e nem tudo o que é necessário é indispensável!

RODA-VIVA - CHICO BUARQUE

Dedicado a Aloísio e Zé Nilton Figueiredo

 

FALANDO DE FLORES - Por Edilma Rocha


GIRASSOL- Helianthus annus.
A dourada flor do Sol. Venerada pelos índios americanos e pelos astecas. No século XV, os astecas coroavam as sacerdotisas do sol com suas flores para as cerimonias sagradas. Hoje, da semente às pétalas de sua flor, tudo no girassol é utilizado, na alimentação ou na cura. Na culinária, os botões das flores podem ser adicionados crus às saladas ou cozidos como alcachofras. As sementes germinadas podem ser usadas em saladas e sanduiches. O óleo de girassol também é largamente empregado na indústria alimentícia.


Planta da família das compostas, atinge 3 metros de altura. Originada dos Estados Unidos e cultivado há mais de 3 mil anos pelos índios americanos. Foi introduzido na Europa no século XVI e sua cultura, em larga escala, teve início na Rússia onde até hoje suas sementes são oferecidas em restaurantes e vendidas nas ruas. Por sua grande capacidade de absorver água do solo, a planta foi utilizada para recuperar as terras pantanosas da Holanda.

Pensamento para o Dia 10/01/2011


“Você se sente feliz quando sabe que este corpo físico é seu, não é? E se você soubesse que dois corpos são seus, não deveria estar duplamente feliz? Da mesma forma, com o conhecimento de que tem um número crescente de corpos, a experiência de felicidade aumentará. Quando o universo inteiro for conhecido por ser um corpo, e a consciência universal se tornar parte do entendimento, então a bem-aventurança (Ananda) será completa. Para obter essa consciência universal, os muros limitantes da prisão egocêntrica devem ser destruídos. Quando o próprio ego se identificar com a alma individual (Jivi) ou Atma, a morte cessará. Quando o próprio ego se identificar e fundir-se com a bem-aventurança de Deus, o sofrimento cessará. Quando ele se fundir com Jnana ou Sabedoria Superior, o erro cessará.”
Sathya Sai Baba

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“A mente muda de rumo o tempo todo. A meditação (Dhyana) é o processo pelo qual ela é treinada a adquirir concentração. Quando sua verdade básica é conhecida, a mente não será iludida pelo evanescente, falso e desprovido de bem-aventurança. Em vez disso, ela acolherá o florescimento da alegria, felicidade e verdade, e não será afetada por tristeza e dor. Sua vida também assumirá um novo esplendor quando você visualizar e perceber a bem-aventurança na consciência da Realidade Suprema. O sabor do fruto é evidente quando todo ele for comido, sem deixar nenhuma parte para trás. Do mesmo modo, quando o sabor da meditação for, então, descoberto, você descartará toda dúvida e discussão e se envolverá totalmente nela. Portanto, inicie a meditação, cada um de vocês, a partir de hoje - até mesmo a partir deste momento!”
Sathya Sai Baba

Imediações da paciência - Emerson Monteiro

Diz-se que a pessoa tem pavio curto quando, com facilidade, deixa disparar o instinto agressivo, pondo pés no lugar das mãos, ao menor estímulo. Por motivo dos mais insignificantes, chuta o pau da barraca, na linguagem popular. Muitos fazem disso profissão, ganham no grito situações as quais bem poderiam conduzir do jeito amistoso, com educação, aproveitando as chances que surgem, toda hora, de criar relacionamentos produtivos, e construir lugar melhor de viver entre habitantes deste mundo nem sempre tão fácil de atravessar.

Há, entretanto, diversos amigos que contribuem nesse trabalho de aperfeiçoar o trato com os demais moradores das imediações da virtude, no âmbito social e consigo mesmo, nas criaturas humanas. Um deles, a valiosa paciência.
Quanto maior o uso da paciência, melhor o seu desempenho, semelhante ao amaciamento das máquinas e dos sapatos. Paciência não esgota, ao contrário de quem perde as estribeiras e quer se justificar. Pois ela pertencer à qualidade interna dessa virtude, a capacidade para ser inesgotável. Se não, caso esgotasse, perderia sua característica principal e viraria outro estado de espírito, fraco e descartável.

Bom, perto da paciência, nas imediações, residem alguns valores apreciáveis pela riqueza que transmitem aos que deles lançam mão. A esperança, por exemplo, uma dessas personagens da infinita misericórdia, parceira valente dos instantes de aflição. A feliz esperança, mãe bondosa das preciosas noites de sono dos aperreados, passageiros das agonias desse chão quente de travessias escuras. A que jamais esquece e nunca morre, apesar dos que dizem que morreria por último, conversa de quem a desconhece. Caso assim ocorresse, porém, também perderia sua principal qualidade, invés da rica essência, nutrição dos aflitos.
Uma outra cidadã do bairro onde mora a paciência recebe o nome de fé, palavra pequena de potencial esplendoroso. Ela veio habitar aqui por perto trazendo a energia dos contatos imediatos da divindade, linha aberta de escutar, dentro do coração, os sussurros do Universo. Fé, procedente das florestas virgens da religiosidade, na fibra íntima das emoções puras, moradora inabalável dos edifícios que rodeiam a paciência, que remove montanhas, alimenta famintos da luz verdadeira, mitiga a sede dos desvalidos, clareia passos aos cegos, alegra lares infelizes e transforma pesadelos em sonhos de paz.

No recenseamento dos habitantes desse território onde mora a paciência, na cidade das almas humanas, precisa, ainda, visitar a casa de outros moradores ilustres, o otimismo, sujeito de valor apreciável em qualquer empreendimento, sem esquecer de entrevistar seu irmão mais velho, o senso da realidade, para evitar cair da cama nos excessos de fantasia. Ouvir outro, um senhor entroncado, musculoso, calmo, persistente e simpático, o respeitado professor de nome trabalho, companhia necessária todo tempo, com intervalo só aos finais de semana. E novos e úteis viventes daqui de perto, onde existe a fiel paciência, em tudo por tudo a líder comunitária do sucesso.

"Gravidez masculina" - José Nilton Mariano Saraiva

Alguma vez você já parou pra pensar sobre o impacto demolidor e mortífero de um cruzado de direita na mandíbula, desferido por uma daquelas deformadas montanhas de músculos americanas, tipo Myke Tyson ou Evander Hollifield ??? Já se deu ao trabalho de sequer imaginar qual o potencial descomunal da força liberada por um daqueles “coices”, verdadeiras “patadas” eqüinas, aproveitando a “guarda baixa” do adversário ???
Pois bem, mesmo sem nunca tendo tido a experiência de subir num ringue (embora apreciador de um bom combate), passamos por algo que, imaginamos, deva ter alguma coisa a ver.
Oito anos se passaram (2003, até aqui) e, no entanto, parece que foi ontem.
Após rotineiros exames de sangue, um dos resultados ( PSA ) fugira - e muito - aos padrões culturalmente estabelecidos pela Medicina. Providenciada com urgência a competente biópsia, o “petardo” na cara (ou, se preferirem a linguagem boxeana, aquele golpe sujo, abaixo da linha de cintura), através de um diagnóstico apavorante: “temos um tumozinho maligno na próstata, de um milímetro, que necessita de cuidados especiais”, sentenciou o Doutor, frio, impassível, voz suave, mas segura, sem maiores cerimônias e sem aparentar qualquer surpresa ou sequer mover um músculo da face (como se fosse a coisa mais natural do mundo).
Pois foi assim, abruptamente, que tomamos conhecimento da nossa indesejada “gravidez masculina”, ou melhor, de que em nossas entranhas repousava um “ser vivo”, pulsante e... repulsivo.
E muito embora já estivéssemos um tanto quanto desconfiados com o número apresentado pelo exame, a verdade é que a bordoada foi grande, o golpe dolorido, o impacto demolidor, a dor profunda: fomos a nocaute técnico, literalmente. Tanto é que, dirigindo no trajeto de volta do consultório para casa, cerca de seis quilômetros, simplesmente ignoramos semáforos, limites de velocidade, sinalização esquerdo-direita, o escambau, tantas e tão copiosas eram as lágrimas a rolarem pela face. Mas, chegamos... e vivo.
Adeptos e absolutamente convictos da existência de um “ser superior”, mas um “milenar” descrente de santidades, papas, bispos, diáconos, padres e por aí vai, ao tempo em que um aliado de primeira hora da Igreja Católica em relação ao Padre Cícero Romão Batista (não passa de um grande charlatão), evidentemente que o caminho a seguir não poderia jamais contemplar a excrescência de incluir terços, promessas, figas, orações e rezas (ao contrário de muita gente, “cristão roxo”, que delas só se lembra em tais oportunidades).
Assim, após uma noite insone e reflexiva (se isso era possível naquele momento), a decisão preliminar: poupar os dois filhos (adolescentes), mas abrir o jogo para a esposa (em Fortaleza) e transmitir a notícia para pelo menos um dos membros da família (no Crato); pai e mãe, por motivos óbvios e em razão da idade avançada, nem pensar. E assim foi feito.
Ao contrário da gravidez feminina (onde “ele” é execrado e sequer mencionado) e como o nosso “fetozinho querido” media apenas “um milímetro”, de comum acordo com o Doutor chegamos à conclusão que a opção mais apropriada e recomendável de eliminá-lo seria através do temível “aborto”, via tratamento de choque (paradoxalmente menos invasivo): portanto, “radioterapia” nele, intensiva, maciça, durante ininterruptas trinta e sete seções diárias, de segunda à sexta (dois meses). Religiosamente. Toda manhã.
Durante o processo, dois momentos que marcaram indelevelmente: a) lá pelo meio do tratamento, como que para mostrar a fraqueza do ser humano, um brabo e caudaloso sangramento irrompeu, provocado pelo rompimento de uma artéria atingida pela radiação; haja sangue, expectativa e temor (a medicação prescrita, entretanto, incontinente debelou-o); e b) de partir o coração (numa cena comovente), testemunhar numa mesma sala dezenas de pessoas (políticos de alto coturno, empresários, faxineiras, socialites e por aí vai) repentinamente irmanadas por uma tragédia, tentando se ajudar uma às outras as mostrarem confiança, exercitar a solidariedade em toda a sua essência, extraírem otimismo de quem já se mostrava descrente, mesmo que para tanto tivessem, vez por outra, que recorrer ao uso de uma pitada de humor negro (mas sem nenhuma maldade), através da simplória frase: “onde é o teu” (tumor) ??? E haja detalhamentos (foi aí, por exemplo, que tomamos conhecimento que o ex-prefeito do Crato, Ossian Araripe, por lá houvera passado, meses antes, em tratamento, antes de morrer num incêndio em seu apartamento).
Fato é que já se passaram oito anos e os exames do PSA, antes trimestrais, hoje passaram a ser semestrais, com seus percentuais sempre na faixa tranqüilizadora do zero ponto alguma coisa, indicando que, mui provavelmente, vencemos, sim, o temido câncer (claro que há espaço para uma indesejável recidiva; é torcer para que não pinte no pedaço).
Evidentemente que quem passa por situação tão crítica jamais será o mesmo. A “coisa” marca profundamente, deixando seqüelas e cicatrizes inenarráveis, físicas e psicológicas. Assim, por mais precisa e cirúrgica que haja transcorrido a intervenção radioterápica, a demolidora radiação atingiu o entorno dos órgãos sexuais, limitando a prática da atividade sexual, posteriormente (agora, por exemplo, tanto com uma “ninfeta”, com uma “mulher da vida” ou com uma “miss mundo”, pra conseguir alguma coisa em termos de sexo só com o uso da pílula e se houver o imprescindível “estímulo-complementar” da parceira; e não adianta reclamar, estrebuchar, ficar zangado, porque você fica literalmente a “meio-pau” e tem mesmo é que adaptar-se).
De outra parte, por mais “cabeça” que você seja, por mais arejada que seja sua mente, por mais despreocupado que se pareça, sempre que pinta uma “dorzinha no pé da barriga”, uma simples pontada na região tratada, a tendência é se pensar que a “coisa” acordou, ta viva, ameaça voltar. Há que se controlar os nervos.
Alfim, um esclarecimento que reputamos necessário: como não conhecemos e não somos conhecidos pessoalmente por quase ninguém dos blogs que participamos (Cariricaturas e Cariricult), você, do outro lado da telinha, curioso, há de indagar: o que é que nós temos a ver com o drama do Mariano, pra ele vir com esse papo furado, com esse lero fúnebre, com essa conversa sinistra ???
É que entendemos ser preciso acabar de vez com esse preconceito idiota de que alguém que tem ou teve câncer se acha condenado a viver no isolamento completo, tornar-se um pária social, ser tratado como um leproso incomunicável e evitado a todo custo, além de ter que “guardar segredo” para o resto da vida e mais algum tempo. Como se fosse algo degradante, contagioso, imoral e vergonhoso. E nada melhor para debelar e evitar isso do que exercitar o jogo aberto, limpo, transparente, sem frescuras ou tergiversações, abrindo a mente e o coração (mesmo que para desconhecidos).
Nem que isso implique no iminente risco de, durante a Exposição do Crato, repentinamente alguém mais liberal e expansivo venha a cumprimentá-lo com a exótica saudação: “diga lá, seu canceroso brocha”.
Vida que segue...

domingo, 9 de janeiro de 2011

Professorinha
- Claude Bloc -

Sou professora desde que eu tinha 14 anos. Algo a estranhar? Pode ser, para as gerações mais novas que não conhecem e não sabem como era difícil, nessa época, se conseguir um professor que dominasse a Língua Francesa.

Quando comecei a dar aulas, eu tinha estado e na França por um ano - havia pouco tempo – e, estando lá, tinha estudado num colégio de freiras que eram amigas de minha avó Germaine, a quem eu carinhosamente chamava de Mamie Menotte. Isso me trouxe a experiência de conhecer a escrita do Francês e entender as “peripécias” da Língua no que tange às suas peculiaridades. Pois é, chegou o dia de enfrentar a primeira aula. No início, sem experiência tudo era difícil. Eu, professora, aos 14 anos, sozinha diante dos alunos, tentando captar a atenção deles... Bom, mas era uma tentativa. Madre Feitosa havia posto em minhas mãos um voto de confiança e eu teria que superar minha timidez e dar conta do recado.

Felizmente nessa época as salas de aula não pareciam, como hoje, um salão de festas com crianças barulhentas, parecendo “Gremlins” ou coisa assim. Não havia ninguém voando ou gritando pela sala, apenas vários pares de olhos me olhando esperando o desfecho daquele momento. Não posso dizer que foi esse o pior dia de minha vida, pois hoje sei o que pode ser bem pior, mas foi um passo difícil, pois tive que me superar, imitando meus mestres.

O fato é que acabei conquistando aquela turma e a pouca diferença de idade foi motivo de interação e não de afastamento. Eu e eles havíamos dado um passo à frente, todos aprendemos.

Hoje acredito ser muito importante na vida de um professor o momento em que ele vê que algo deu certo e com isso concluir que pode seguir adiante. Foi isso que fiz e nunca me esquecerei dessa lição e ao mesmo tempo de como trabalhar tão cedo foi útil e benfazejo para mim.

Nunca esquecerei igualmente de como, era nessa época, estar do outro lado da sala, sentada passivamente, como aluna, apenas bebendo da fonte. A simples menção do nome de algum professor mais austero já me provocava medo e fazia as cordas do meu coração darem um nó cego por dentro. Minha timidez era um verdadeiro fardo. Eu por exemplo, morria de medo de Alderico Damasceno. Não conseguia abrir a boca para falar palavra alguma perto dele. Se um dia eu tivesse tido a oportunidade de ter sido sabatinada por esse mestre acho que desabaria desmaiada aos pés dele. Ridículo, mas verdadeiro.

Daí porque decidi nunca agir com firmeza excessiva em relação aos meus alunos. Não quis adotar essa retaliação para não deixá-los exasperados. Creio que a idéia de nunca esquecer como é estar no lugar do aluno fez bem ao meu processo educativo. Mesmo diante de minha pouca experiência tirei minhas próprias conclusões. Aprendi com isso. Sem esquecer de como é gratificante ler o reconhecimento nos olhos de quem nos ouve.

Diante disso, concluí nesse processo, que todo professor não deve entrar em sala sem ter preparado sua aula. Essa é a regra primordial. O resto a gente aprende com o tempo, mas é sempre útil imaginar e supor como será a aula que preparamos e manter os pés no chão. Incentivar a aprender pelo prazer de aprender e não pela obrigação.

Enfim, posso dizer que embora nem tudo sejam flores, amo meu trabalho, sou apaixonada pela minha profissão. Dedico-me. E afirmo: continuo aprendendo, afinal tudo na vida é  um aprendizado. 

Claude Bloc

Pérola nos Bastidores - por Claude Bloc

Claude Bloc disse... sobre a poesia "Lua Atrevida" de Marcos Barreto de Melo postada aqui no Cariricaturas:


A lua espia de riba
Você espia de baixo
Procurei sua morena
Cacei muito mas não acho

Só a lua atrevida
Sabe onde ela está
Enquanto ela segue a vida
O que lhe resta é sonhar.

Claude Bloc

SE AQUELE FUSCA FALASSE - Por Edilma Rocha

Ele chegou nas mãos do Ernesto através de uma grana ganha como prêmio da corrida ciclista "Piocerá". Fusca 1980, branco que mais parecia côr de burro fugido de tanta sujeira. Todo descascado e cheio de rachaduras na pintura, aqui e ali ocorreu um crakelê com descamação que para cobrir a lataria, muitos adesivos do torneio "6 horas de Mountain Bike". A porta do motorista só abria por fora, a alavanca da marcha parecia uma cobra embriagada sem saber onde parar, 1ª, 2ª, 3ª, 4ª ou ré. Quem sabia ? Os bancos detonados pelo calor do sol, mas de couro, um bagaço, o piso mais parecia uma cocada baiana soltando lascas de ferrugem a qualquer contato. O revestimento do teto estava bom e o painel funcionando todas as indicações, mas a direção ficava grudando os pedaços  na nossa mão. Tudo original ! Por incrível que pareça, todo durinho e aprumado. De bom mesmo só 4 pneus "Michelym", novinhos. Esta "Pereba" passou 5 anos na garagem exposto a sol e chuva por causa do gerador que comeu 3 baterias zero. Como Ernesto não tinha grana sobrando, abandonou o coitado.
Em 2010 apareceu um maluco disposto a comprar o fusca 1980 para uma reforma total, Celso. Acho que até passará a fazer parte do " Clube do Fusca" em Fortaleza. Dois mil reais foi o preço acertado pelo negócio, mas teria que passar uns dias antes da viagem na oficina do Valdemar para uma rápida revisão no translado do Crato para Fortaleza. Foram feitos uns arranjos, bateria nova e o fusca funcionou.
- Imaginem quem foi a navegadora da corrida maluca?
- Eu, euzinha mesma!
Dia 2 de Janeiro de 2011 às 9:30hs saímos pela Vilalta para pegar a estrada do "Algodão" até o nosso destino. Bagagem até o teto, incluindo: ventilador, lanche, refrigerante, comida de cachorro e o próprio no meio da "fusaca". Tínhamos tudo a bordo, menos: estepe, chave de rodas, macaco e qualquer ferramenta. Foi colocado 20 reais de gasolina para testar algum possível vazamento no tanque e bem sentados na frente Celso e eu amarrados por um só nó pois os cintos não tinham mais as fivelas de segurança. Documento certinho, transferido em Dezembro por ocasião da compra, IPVA em dia, vamos nós e que Deus nos proteja.
Por segurança estávamos escoltados pelo meu filho Pedro Julio com a turma jovem a bordo da "Eco Sport 2010". O "Pereba" corria aos  80 e nem sentia a trepidação da estrada sem asfalto da "Ponta da Serra" até "Dom Quintino". A poeira era enorme e se fechasemos os vidros não suportávamos o calor e se abrisse comia pó e cabelo ao mesmo tempo. Era o jeito seguir fechado mesmo.
De repente um alarme.
- Depressa Edilma, se baixa aí e tenta soltar o cabo do acelerador que emperrou e a ladeira abaixo é grande !
Meu coração cheio de pavor  e eu enfiada nos pedais tentando soltar o cabo acelerador...
- Pronto consegui, ufa ! Foi por pouco !
Ao olhar pelo retrovisor vi os faróis e lanternas da "Eco Sport" dando sinal para  encostar... O que será agora ?  Era para avisar que se continuasse a cair mais pedaços como os da descarga e para-lamas pelo caminho, ia chegar em Fortaleza apenas o chassis, o câmbio e os quatro pneus, pois o para-choques traseiro estava se arrastando já fazia um tempo.
Paramos o "Pereba" e não tínhamos nada para prender o para-choques, nem uma cordinha, nem um arame, nada... Celso rapidamente tirou o cinturão das calças e deu várias voltas até conseguir prender a fivela, e tome estrada de novo... O ponteiro do combustível já dava sinal que era hora de reabastecer e paramos em Iguatú.
- Encha o tanque, é gasolina aditivada. Aqui está a chave!
E no outro carro Pedro Julio recomendou:
- Encha o tanque, é gasolina comum e aquele cara do "Fusca" ali paga a nota.
E saiu para a lanchonete e a moça frentista deu uma risada pensando ser uma piada pois o motorista do "Fusca" depois de se deitar na estrada de barro para o conserto estava um lixo.
Carro abastecido, tanque cheio e vamos nós outra vez. O cheiro forte de gasolina embrulhou o meu estômago e o faro do cachorro o deixou inquieto. O que será agora ? Ora, um carro que fazia tanto tempo que não via tanto combustível azul no seu tanque, vazava por cima dos meus pés e  escorria pelo piso. Agora não tinha jeito, era consumir para acabar o vazamento. Nariz entupido com "Vick Vaporub" e a cara coberta com a minha toalha, fazer o que ? Eu cheirava  a gasolina da cabeça aos pés que se tivesse alguém por perto dando umas baforadas de fumaça acho que explodiria.
Por onde passava a "Pereba" chamava à atenção. O carro mais feio do Ano Novo correndo feito uma bala: 100, 80, 80, 100.
E entre paradas para prender o capô, os para-lamas, a tampa do motor, o para-choques e soltar o cabo do acelerador, chegamos à Fortaleza precisamente às 16:45 minutos, tempo recorde para um carro que estava parado a cinco longos anos...
- Outra aventura dessas ? Nunca mais !
Se aquele "Fusca" falasse ...

Edilma Rocha

PÉROLA NOS BASTIDORES - POR EDILMA ROCHA

  Edilma disse ...


Claude,

Por onde andaste na infância
fui sua sombra amiga
Aprendemos o linguajar do matuto
o dançar buliçoso,
a comer no tacho capitão com farinha

Aprendemos a montar no cavalo
a pescar no açude,
a plantar hoje para colher amanhã
folhas e legumes no lugar do jardim

Aprendemos a ouvir no escuro
historias do outro mundo
a pisar de mansinho e respirar fundo

Aprendemos o gosto da simplicidade
vivida no matuto fora da cidade
na sua roupa surrada
nos seus pés no chão
no seu colo amigo
que ensinou o perdão

Aprendemos que matar é morrer
cada sentimento antes mesmo de nascer
Que a vida é bela
quando se é feliz
e que fica a saudade
plantada no coração
de alguem que viveu a mais pura ilusão.

Edilma Rocha

São longos
os dias e as noites
que escondem
meus desejos proibidos.
Ninguém vê
meu corpo despido
do íntimo pudor.
Revela-se a imagem
pura e intocável.
Como por encanto,
cerro os olhos
inundados de lágrimas
por migalhas de amor.
E aguardo
pacientemente
por novas emoções
na descoberta por encanto,
que ainda vive
por debaixo do meu ser.

Cabras Pastando - Sérgio Sampaio


CABRAS PASTANDO
(Letra e música: Sérgio Sampaio)

Eu tenho
um dom de causar consequências
um ar de criar evidências
um sapato novo no lixo
vem cá,
vem me lembrar
que eu venho
de um bando de cabras pastando
de um ninho de cobras me olhando
de herói, de poeta e bandido
Eu vejo
um simples carneiro no pasto
cachorros latindo pra lua
e eu distraído e sem medo
indo pra rua
em tempo
de ver os cordeiros
que amam fechados nos quartos
e pagam pecados a Deus.
.
P.S.: Esta letra me veio à memória lendo o texto de Edilma - POR ENTRE SAUDADES, postado mais embaixo.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Ser Transparente
- Claude Bloc -


As vezes me pergunto por que é tão difícil ser transparente... Quando falo “ser transparente” não é simplesmente e apenas ser sincero/a, não enganar os outros. É muito mais do que isso... É a pessoa ter coragem de se expor, de se mostrar frágil, de chorar, de ajudar, de se doar, de perdoar, de ser solidário/a, de falar o que  sente...

Ser transparente é desnudar a alma e deixar cair as “máscaras”, baixar as armas, destruir os muros enormes que insistimos tanto em levantar... Ser transparente é ir à luta em busca de um sonho, é permitir que toda a nossa doçura, nosso amor, desabroche e até transborde.

O que podemos perceber é que infelizmente, quase sempre, a maioria de nós decide não correr esse risco. De um modo geral se prefere a dureza da razão à leveza que exporia toda a nossa fragilidade humana.

Muitas vezes preferimos o “nó na garganta” às lágrimas que vêm nos socorrer trazendo alívio. Preferimos nos perder numa busca insana por respostas imediatas a simplesmente nos entregar diante da verdade e admitir que não sabemos de tudo, que temos medo.

Muitas vezes construimos uma “máscara” que nos distancia cada vez mais de quem realmente amamos e preferimos manter essa imagem que nos dá a sensação de proteção, mas que nos esvazia e nos dilacera. E assim, vamos nos afogando mais e mais em falsas palavras, em falsas atitudes, em falsos sentimentos. Não porque sejamos pessoas mentirosas, mas porque somos como folhas secas, nos perdemos e já não sabemos onde está nossa brandura, nosso amor mais intenso e não-contaminado.

Com o passar do tempo, acabamos por nos envolver num vazio frio e escuro e quando acordamos percebemos que já não sabemos dar e nem pedir o que de mais precioso temos a compartilhar: a doçura, a compreensão, o amor, a amizade, a doação, a solidariedade, o perdão, a ajuda...

E, no entanto, tudo isso pulsa e grita dentro de nós, só que já não temos coragem de mostrar, pois aprendemos que é mais fácil simplesmente dizer: “Você está me machucando, me magoando”.

Aprendemos, que ser fraco, é ser bobo, é ser menos. Mas, na verdade o que devemos fazer é deixar explodir toda a doçura que sentimos sem prender o choro, sem conter a gargalhada, sem esconder tanto o nosso medo, sem desejar parecer invencíveis. Simplesmente sendo transparentes.

Claude Bloc
Adaptação do texto de Rosana Braga 
http://www.rosanabraga.com.br/index.php?pagina=artigos

(INTER)TEXTUALIZANDO COM CHAGAS - Por Claude Bloc


* Chagas
* Claude


despe-se na noite
em fuga
e em retalhos se desdobra

nuvens desenham um céu
que mal cabe no coração
de quem escreve por temor
de que o dia resulte em palavras estropiadas
poesia no escuro
poesia no espaço
céu de cetim em lábios exangues
véus de promessas,
silêncios apagados

olhos castanhos de um nada casto
no horizonte não vislumbram
senão a certeza de uma cidade
toda feita de memórias
de lembranças opostas
impostas
dispostas
no vazio da obscuridade

com a palavra saudade
escreveria seu nome
mas saudade é uma coisa que consome
e deixa marcas dessas que se fazem com fogo
para nunca mais
com saudade
escreveria o mistério
os traços, os sinais
dessa chama que arde e
se extingue ao amanhecer


vinho
cigarros
livros
poemas
aí se faz uma morada
acima do tom sombrio
dessa tarde toda de ocre
criando raízes num coração oco
com todos os seus enganos
dúvidas mas também vozes
desfilando canções
porque nem tudo é triste
e a tarde é tudo
nessa sede infinita
nessa “promessa de sol
contra a solidão”.