Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

ENVIE SUA FOTO E COLABORE COM O CARIRICATURAS



... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
.....................
claude_bloc@hotmail.com

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Pelas fibras da alma - Emerson Monteiro

Essas tardes cinzentas que emolduram o tempo chuvoso mexem com a gente. Mexem por dentro da gente feitas brocas revirando as entranhas onde transitam escondidos pensamentos de querer ver coisas diferentes acontecerem invés de algumas outras que sacudiram os derradeiros dias, na semana anterior. Entortar os acontecimentos, eis o tal desejo principal desses bichos vivos mexendo por dentro, a querer dominar a natureza, uma espécie de coisa animada impacientando as outras coisas vivas que moram nas entranhas da pessoa. Ondas de coisas vivas invisíveis, imateriais até, digamos assim, sem ter medo de errar, são o que, por que quiséssemos dominar os momentos fugitivos, a gente, parece perseguir, como quem corre atrás de sombras, e não consegue agarrar, que vai embora na correnteza barrenta; e o velho costume de procurar fantasmas apressados nas lamas escorregadias do passado; ou mesmo estirar o pescoço, pretendendo enxergar lá adiante, depois da linha do horizonte; longe; muito longe para obter o menor sucesso. Isto é, esquecer o momento especial do presente, único ser acontecimento que, na verdade, tem valor, nos interessaria com certeza, perante todas as demais frioleiras deste mundo de passados mortos e futuros ainda de vez, na semente.
Caso haja boa vontade para concentrar esforços no presente, acham-se todos os demais fatores que empurram a manada para o curral, nas jornadas individuais ou coletivas dos rebanhos. Ninguém permanece no passado, nem pisará o futuro por conta própria antes da hora. O minuto seguinte já ficou atrás quando virou presente. Essas intenções desesperadas dos ledores da sorte habitam só as casas de jogos, nas travessas da ilusão. Quem, não fossem os filmes, garantirá, um instante depois, o placar final do jogo, deixando de lado o polvo alemão da Copa do Mundo. Quem garantirá com a absoluta segurança isso de depois?
Apertar o cinto do agora, no entanto, qualquer cidadão pode, fora de cair da cama ou botar burros na água. Reger a valsa do instante torna-se, pois, a profissão universal do senso do realismo, nas empresas produtivas.
Diga-se bem isso tudo, quando perguntarem pelo pai da criança em face das tragédias da história. Alguém houvesse de sair na dianteira e as coisas mostrariam outra cara. Pisar maneiro, ordenhar as vacas na hora certa; fechar as portas e janelas antes do pior acontecer; saber escolher as opções ideais; bater na bola da vez; substituir peças e cuidar da revisão no prazo; essas ações inevitáveis aos bons resultados servem de aviso, nos casos posteriores.
Aprender, por isso, as lições, às vezes de preços elevados, porém ainda com os pés no caminho e no tempo do presente, oferece os braços aos estudantes atenciosos. Dias melhores virão, no suor da reconstrução. E a casa pertencerá sempre aos que souberem dela utilizar as oportunidades da milenar sabedoria.

Uma lição de civilidade – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Vivíamos no Crato, em outubro de 1958, eleições disputadíssimas. Concorriam ao cargo de prefeito o senhor Pedro Felício Cavalcante pelo PSD e José Horácio Pequeno pela UDN. Os comícios eram concorridíssimos de cada lado. Os udenistas chamavam os pessedistas de “gogó”, e eu nunca soube o porquê, e estes replicavam que os udenistas eram os “carrapatos”, talvez numa referência a esse partido ter vencido várias e sucessivas eleições. O meu pai concorria ao cargo de vice-prefeito na chapa da UDN. Era a primeira vez que esse cargo, desnecessário ainda hoje, era disputado.

Gerson Moreira, um dos meninos mais udenistas que conheci, desde criança um líder natural, organizou um comício dos meninos que a cada dia ganhava mais adeptos. À medida que as eleições se aproximavam mais gente acorria ao comício dos futuros políticos da nossa cidade. Surgiram palanques, sistema de som, todo requinte que os comícios dos políticos de verdade tinham.

Pedro Felício concorria pela quarta vez e compuseram uma paródia musical cujo refrão eu guardo na memória: (“hei Pedro Felício, hei seu teimosão, hei esta será a quarta decepção...”).

Certa noite, houve um desses comícios dos meninos defronte a casa do senhor José Honor de Brito, na Rua José Carvalho, bem perto de onde eu morava. Gerson, quando me viu, me convidou para o palanque e após alguns oradores falarem muito bem, me surpreendeu dizendo: “Agora vamos ouvir o filho do futuro vice-prefeito do Crato!” E de súbito, eu me vi engasgado, com o microfone nas mãos, todo trêmulo e sem saber o que falar. Então cochichei para o Gerson: “O que é que eu digo?” E alguém não identificado respondeu: “Diga que Pedro Felício é um ladrão!” Repeti como uma marionete esse recado, sem ao certo imaginar o que estava dizendo e fui muito aplaudido pela platéia que enchia a rua defronte do palanque.

Ao final daquele comício mirim que se encerrava cedo, provavelmente às oito horas da noite, voltei para casa satisfeito, crente que havia colaborado para eleição do meu partido. Mas por cerca das dez horas daquela mesma noite, eu fui bruscamente acordado pelo meu pai. Após a aplicação do corretivo usual para a educação daquele tempo, uma expressão que meu pai usou ficou para sempre no meu íntimo: “Pedro Felício é um homem de bem, é muito honesto e meu amigo. Eu não admito que você volte a falar o que falou dele! E está proibido de ir a esses comícios.” Realmente observava que papai se dava bem com todos os políticos do PSD e com seus eleitores também. Certa vez ele viajou com Pedro Felício, Jósio Araripe e outros amigos a Minas Gerais para comprarem gado da raça gir e nelore, ainda não existentes na nossa região. Muitos dos primos e primas do meu pai, da família Pinheiro eram do PSD e jamais houve inimizade entre eles.

Terminada a apuração da cidade, naquela época apuravam-se em primeiro lugar os votos das urnas da cidade e depois a votação dos distritos, Pedro Felício vencia o pleito com uma boa maioria, algo em torno de mil votos, se não me falha a memória. Para vice-prefeito, votava-se em separado, meu pai tinha quase a mesma votação que seu Pedro. Os “pessedistas” já comemoravam a eleição como certa. Diziam que aquela diferença não daria para os currais udenistas desfazerem.

Assistíamos ansiosos os resultados dos distritos e zona rural. Estávamos nas últimas urnas e a diferença cada vez mais sendo desfeita. Encerrada a apuração registrou-se a vitória do prefeito José Horácio Pequeno por uma pequena maioria, creio que 58 ou 63 votos, não lembro ao certo, só que foi por um valor muito pequeno. Eu estava presente ao encerramento daquela apuração, observando de longe a reação dos derrotados. Pedro Felício colocou o chapéu na cabeça, desceu humildemente as escadas da antiga prefeitura, onde hoje fica o museu do Crato, e se dirigiu à Rua Nelson Alencar, residência de José Horácio Pequeno.

A molecada acompanhava cantando o hino do “teimosão”. Vi quando ele entrou na casa do prefeito eleito, cumprimentou-o efusivamente, desejou os maiores êxitos para sua administração, bebeu o que lhe foi oferecido pelo anfitrião, participou da alegria dos vitoriosos por alguns minutos e, em seguida rumou para nossa casa para cumprimentar meu pai. Aquela atitude foi uma das maiores demonstração de urbanidade que eu já presenciei num homem público.

Quatro anos mais tarde, a UDN foi derrotada, e o Senhor Pedro Felício elegeu-se prefeito do Crato, na quinta tentativa.
Em 1972, candidatou-se uma segunda vez e mais foi reconduzido à prefeitura.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Do baú de Stela







Por de sol ao som de Bolero de Ravel

Ontem eu vi o sol se deitar diferente do que vejo todo dia. Foi de um jeito muito especial: o sol foi se deitar ao som do Bolero de Ravel. O homem vestido de branco, em pé dentro de um barco remado por um pescador, tocava no sax aquela música bela, tornando o momento mais grandioso. A música, o sol, as águas do rio, a vegetação, estavam unidos na doce harmonia do universo, reverenciando o Sagrado.

Ao som da melodia o sol se despedia, espalhando nas águas do rio seu brilho dourado. O céu também estava dourado. E aquela luz amarela tão especial era mensageira da luz divina maior, de amor, de cura, de fé, do brilho que aquece e que banha, que dá nova cor ao céu, às águas e aos corações contemplativos.
Quando o sol se deita no poente, levando sua luz e seu calor, a terra vai aos pouquinhos mudando de cor. As águas refletem novos tons, a luz se vai aos poucos, o crepúsculo matiza o mundo com nova cara. As cores vão escurecendo para dar lugar à senhora das sombras. A noite pede passagem com seu manto de escuridão. É hora de silenciar, aquietar o coração, contemplar, apenas contemplar. Unir-se a este momento de sagrada beleza e deixar que o silêncio se faça na alma, que assim, calada, escutará a voz interior, para que a ausência da luz externa acenda nossa luz interna, possibilitando ouvirmos outra canção. O silêncio e as sombras são caminhos para dentro da alma. Ela precisa silenciar, contemplar, receber a dádiva divina da beleza curativa do por do sol. É o momento de guardar a luz dentro de nós, para que no silêncio ele retorne no outro dia com um brilho maior, mais intenso, irradiando o amor que alimentamos no silêncio do recolhimento.
Momento de silêncio, momento de reverência, momento de gratidão.
(Olinda, 08/12/2003)


Quase 10 anos depois lembro esse momento de beleza com muita alegria.

Dedico esta postagem ao amigo Zé Nilton Figueiredo

ÚLTIMAS NOTÍCIAS - Artista Internacionalmente reconhecido, Bruno Pedrosa recebeu o título de Cidadão Cratense no Teatro Municipal Salviano Saraiva


George Macário condena o DESCASO da Imprensa do Cariri por não divulgar informações culturais e reclama do pouco público presente

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Acima: Bruno Pedrosa posa para fotos ao lado do Pres. da Câmara Florisval Coriolano

Aconteceu ontem ( 2 ) às 19 horas, no Teatro Municipal Salviano Saraiva, uma sessão especial da Câmara de vereadores de Crato, que concedeu o título de cidadão Cratense ao artista internacionalmente reconhecido Bruno Pedrosa, nascido em Lavras da Mangabeira, que há muitos anos reside na Europa, onde tem mais de 200 trabalhos expostos em galerias, e é dos principais artistas cearenses a brilhar no mundo das artes.

Bruno Pedrosa está no Crato também por ocasião da exposição dos trabalhos restaurados do Museu de Arte Vicente Leite, que acontece de 30 de janeiro até o dia 03 de Fevereiro. A idéia do título de cidadão cratense foi proposta pelo ex-vereador "Tutu", que também se fez presente na solenidade. Após uma Sessão do ICC - Instituto Cultural do Cariri, presidida por Manoel Patrício de Aquino ( Nezim ) , que criou a cadeira Bruno Pedrosa e empossou o então Presidente da Fundação J. de Figueiredo Filho, George Macário ( foto abaixo ), como seu primeiro ocupante, a câmara de vereadores do Crato, presidida por Florisval Coriolano outorgou o título de cidadão Cratense a Bruno Pedrosa, que agora o é de fato e de direito.

O Pres. da Fundação J de Figueiredo Filho George Macário, reclamou em seu discurso, da escassez de público no teatro, e do DESCASO com que a imprensa caririense, principalmente o Rádio e a TV dão aos eventos culturais da região, questionando que o título "Crato, Capital da Cultura" não é um título outorgado pelo poder Público, mas uma consequência das manifestações do povo. George lamentou profundamente a falta de interesse do público em frequentar os museus, em interessar-se por arte em geral, e enfatizou a própria decadência tão apregoada pelo mau gosto musical das estações de Rádio não só do Cariri, mas do Ceará.

Na solenidade, alguns vereadores da oposição criticaram a escassez de representantes do governo Municipal, alegando que a administração não estaria dando a seriedade necessária aos eventos culturais, muito embora estivesse presente representando o prefeito Samuel Araripe, o seu vice Raimundo Bezerra Filho, que em discurso, rebateu todas as críticas sozinho, já que a bem da verdade, não haviam secretários de governo na reunião, justificado pelo vice-prefeito pelo fato de esta coincidir com outra reunião a acontecer no mesmo dia e horário promovida pelo Prefeito do Crato Samuel Araripe, a fim de tratar de assuntos relativos às últimas chuvas e à enchente do canal do Rio Grangeiro.

Já em seu discurso emocionado, Bruno Pedrosa disse entre outras coisas, que desde cedo aprendeu que quando se falava em Cultura e Arte no Cariri, estava associado à palavra Crato, e que o valor desta comenda era incomensurável. Visivelmente emocionado, confessou não saber fazer discursos, muito embora seu discurso foi um dos que mais emocionou a platéia. O artista Bruno Pedrosa se revela um ser humano de grande inteligência e excepcional humildade. Segundo o Vice-Prefeito Raimundo Bezerra Filho, é o tipo de solenidade em que o valor da pessoa supera em muito o valor da própria comenda recebida. A cerimônia foi conduzida pelo memorialista Huberto Cabral. Estiveram presentes na mesa de honra, a restauradora Edilma Rocha, o escritor Emerson Monteiro, e diversos vereadores do Crato.

Mais informações, logo mais no Blog do Crato, inclusive com a cobertura fotográfica completa e parte transcrita dos discursos dos vereadores e do próprio Bruno Pedrosa. O Blog do Crato gravou toda a solenidade em áudio e parte em vídeo.

Edição: Dihelson Mendonça
Para o Blog Cariricaturas

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

UM DIA NA CASA DE GEORGE MACÁRIO - Por Claude Bloc

O anfitrião (George Macário) esmerou-se em cuidados. Entre os convidados, Ignez Fiuza, que veio ao Crato especialmente para assistir à entrega do título de cidadão cratense ao grande artista plástico Bruno Pedrosa.

Era a "festa do pequi" e Bruno Pedrosa mostrava sua euforia por estar na terrinha, entre tantos amigos. Em primeiro plano Dr. Humberto Macário de Brito.

Bruno Pedrosa em plena conversa com as pessoas à sua volta. Não é só de arte que ele entende. Sabe a história das raízes das famílias com datas e nomes, além da origem.

Aqui todos já haviam atacado a tigela que foi posta na mesa cheinha de pequi. Houve concurso para os roedores de pequi, mas não vou dizer quam ganhou.... (risos)

Salete Libório ensinava como apreciar o pequi.

Neste ponto um destaque para duas pessoas muito queridas. Dr. Humberto Macário de Brito foi um dos maiores amigos de meu pai. Uma amizade que ele mantém, cheia de recordações. Dr. Humberto se comove cada vez que conta os fatos que viveram juntos. As inúmeras vezes que Hubert Bloc trouxe pessoas de Serra Verde para serem "receitadas" pelo grande médico, o mais humano deles.

Bruno que eu chamo de Pedrosa, foi amigo de infância, vizinho da Irineu Pinheiro. Uma pessoa que mantém suas qualidades de outrora e que acrescenta a cada palavra uma simplicidade cativante. 


E... a estrada linda, acolhedora, nos levando pela serra em seu frescor de todos os dias, exalando a umidade e o cheiro inconfundível de mato e paz sonhada por todos nós.Agradecemos esta dádiva ao casal George Macário e por tamanha gentileza e acolhimento.




Claude Bloc

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A estrutura familiar - Emerson Monteiro

Os seres humanos reclamam cuidados imensos quando chegam ao mundo e superam os demais seres no esforço inicial de formação e sobrevivência, até dispor dos meios necessários a seguir com as próprias pernas a jornada de habitar este mundo. Antes dos sete anos, os filhos do bicho gente exigem, dos pais e da sociedade, extremos arranjos, a ponto de depender, em caráter quase absoluto, dos outros para limpeza, alimentação, vacinas, alojamento, vestimenta, primeiros passos, fala, pensamentos, repouso, formação moral, intelectual, etc.
Esse grau de dependência da nossa raça representa o empenho da família em dirigir suas baterias na sobrevivência e no zelo dos filhos, salvaguarda e herança cultural da sociedade. Ninguém foge dos valores trazidos pela família e que lá adiante não venha a defrontar dificuldades e traumas de adaptação perante o desconhecido, nas dobras do caminho.
Por isso, os sábios dão importância inestimável à saúde dos laços familiares, para considerar a célula doméstica a mãe das comunidades e resposta aos desafios de todo tempo. Desorganizada a família, as outras instituições perdem o prumo e a paz perde a razão. Os abalos nesta fonte original implicam nos desmanches que a história registra, no caos das guerras medonhas verificadas em turnos diversos, custando preço astronômico de sofrimento, desespero e trabalho.
A bandeirada desses primeiros passos humanos, dada pelos pais já na infância, reserva sobremodo a esperança possível dos adultos e das suas circunstâncias posteriores, vindas desde a escola filial, nos sentimentos, lembranças e emoções que lhe marcam o modelo de personalidade depois vivenciado no decorrer das gerações.
Conhecimento de padrões fundamentais vindos no começo apresenta frutos na humanidade, o que demonstra as ameaças constantes de que é vítima a família, nesse jogo de dor e prazer da sua experiência. O mal e o bem, que organizam os porões e a bagagem, nessa viagem de seres humanos, na sombra e na luz das situações, trabalham os tais valores de formação das pessoas em movimento, nos grupos sociais.
Tiradas, pois, essas e algumas conclusões mais, a razão do abalo nos países vem do descaso para com os atores do drama ainda na gravação dos letreiros iniciais das consciências, no berço de vilões e mocinhos junto dos responsáveis pela sua formação. Nisso, entra em cena a família para constituir cidadãos com a mesma face dos tempos sonhados e vividos que irão acontecer logo ali adiante, num futuro imediato.

Mas que pato pesado! – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

O competente advogado Leopoldo Martins Filho apresentou em bem elaborada crônica, aspectos jurídicos sobre a responsabilidade do desastre que recentemente ocorreu em nossa cidade.
No meu modesto entendimento, nada adianta encontrar culpados pelas cheias que devastaram grande parte da cidade do Crato. E se existe possibilidade de se apontar um responsável, este é a extrema pobreza da nossa subdesenvolvida região. Quase sempre não existem recursos para nada.

Em primeiro lugar, eu considero o canal mal dimensionado. Talvez devido ao fato de não ter sido elaborado estudos sobre os índices pluviométricos da bacia do Rio Grangeiro a montante da cidade do Crato. Possivelmente não existe nem registros dos volumes das cheias máximas. A calha do canal ficou muito estreita para o volume d’água que desce em grande velocidade, devido à diferença de nível da área onde incidem às chuvas até a cidade. Mas não vamos colocar a culpa no canal, pois muito antes dele existir já havia problemas de transbordamento das águas de chuvas de maior intensidade, tanto no leito natural do Rio Gangeiro, quanto na Rua da Vala. Lembro-me bem que em 1955 ou por ai, houve uma cheia tão intensa que arrastou um enorme tronco de árvore até a esquina onde hoje se encontra a Caixa Econômica Federal. Possivelmente as pessoas da minha idade se lembrarão dessa cheia. Naquela época não havia residências às margens do leito do rio, e sim uma pequena mata, onde as crianças caçavam de baladeira e as mulheres lavavam roupas numa água cristalina que descia mansamente pelo leito do Grangeiro, quando este não estava de cheia.

Nos dias atuais, nas fraldas da Serra do Araripe, partindo do final do Bairro Caixa D’àgua até bem próximo das nascentes do Rio Grangeiro, onde existia uma extensa mata nativa, existe hoje um elegante bairro residencial, com inúmeras mansões e largas ruas devidamente pavimentadas. Com isso, parte das águas de chuva que antes eram absorvidas pelo solo e pela copa das árvores, hoje corre para o Rio Grangeiro, atingindo a cidade do Crato numa velocidade que será tanto maior, quanto o produto do volume da massa d’água, pela diferença de cota entre a área da bacia do rio e a cidade.

Se for para encontrar um culpado, vamos verificar onde estavam as autoridades que permitiram a devastação daquela mata? Os proprietários desejavam vendê-la, e era um direito deles. Mas a prefeitura não possuía recursos para comprar o terreno, que estava em projeto de loteamento. Isto ocorreu em 1975, quando o prefeito do Crato era um cidadão reconhecido por toda a comunidade de uma honestidade a toda prova. E o Ibama, por que permitiu ou aprovou o desmatamento?

Mas devemos olhar para o futuro. Existem recursos para demolir o atual canal e refazer outro, com melhor dimensionamento? Se tal resposta for positiva, mesmo diante de outras prioridades dos governos, como o caos existente na serra fluminense, mesmo assim, algumas providencias deverão ser tomadas. Eu, particularmente, vejo com bons olhos uma idéia externada pelo atual prefeito: a construção de duas pequenas represas no leito do Rio Granjeiro, a montante da cidade, com barragens de concreto armado, bem dimensionadas e, construídas criteriosamente para evitar danos ainda piores. Além de barrar as cheias, tal providência serviria para reforçar o abastecimento d’água da cidade, além de propiciar a irrigação do vale do rio abaixo da cidade do Crato. Os recursos para elaboração de tal projeto e sua execução, acredito possível de serem aportados pela própria prefeitura. Afinal, muitos proprietários rurais da região, constroem com recursos próprios esses pequenos empreendimentos em suas propriedades.

Vamos esperar?

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Nossas Fotos - Exposição das obras restauradas do Museu de Arte Vicente Leite


E
u atrasei somente 2 horas, como de costume. Estava resolvendo 1002 coisas, mas ainda consegui pegar o melhor da festa: Uma galeria inteiraaaa apenas para os bons amigos. Lá encontrei a nossa querida restauradora e artista plástica Edilma Rocha, a nossa querida Poetisa maior Claude Bloc, o nosso querido ( É tudo querido mesmo ) fotógrafo Wilson Bernardo, o nosso querido Bruno Pedrosa ( agora é querido também, porque o conheci ontem mesmo e selamos uma grande amizade ). E outros queridos e queridas que lá se encontravam.

No Hall do Teatro Municipal Salviano Saraiva em Crato, aconteceu na noite do último dia 30 de janeiro, a abertura de uma exposição dos trabalhos restaurados do museu de arte Vicente Leite:

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A nossa restauradora Edilma Rocha e seu sorriso inconfundível:

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Tive o prazer de conhecer "Uma Figura"... o internacionalmente renomado Bruno Pedrosa. Para resumir..Um gênio !

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E aí, fazendo de conta que está escrevendo no livro, pois já havia escrito, ela novamente...Edilma Rocha e Claude Bloc - rs rs

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A turma que ficou para o final, com destaque para Claude Bloc

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A grande estrela posa ao lado dos fãs: Com Dihelson Mendonça...Ela não é linda ?

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Com George Macário...

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Com Wilson Bernardo...

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Com Bruno Pedrosa...

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Que estava irradiando felicidade !

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Rindo à toa, como esse rapazinho aqui apreciando a "La maja desnuda"

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Depois da exposição, fomos ao Café "Lá na Praça", por sinal, um ambiente agradabilíssimo, onde conversamos e rimos por horas com as estórias e histórias do Bruno Pedrosa, saboreando muitas guloseimas... E Por enquanto é só, pessoal! - Há muitas outras fotos, inclusive de todos os quadros, mas nem tudo pode ou deve ser publicado. Depois eu repasso as fotos para Claude ou Edilma.

Abraços e Bjus!

Dihelson Mendonça

Ode a Antonio Vicelmo do Crato - Por: José Cícero



Acho que Nelson Rodrigues estava errado
quando um certo dia disse;
que toda unanimidade é burra.
Puro equívoco do seu intelecto
cosmopolitano e melodramático.
Isso porque, cá entre nós:
- Antonio Vicelmo do Crato
É uma unanimidade de carne e osso
que temos e nos orgulhamos.
Humanamente edificada
pelos anos adentro.
Guerreiro visceral do rádio
empunhando o microfone
como uma bandeira de luta
em favor dos pequenos.
Depuração do melhor vinho ítalo-lusitano
há muito plantado,
como metáforas soltas
em desafio hipocorístico a própria vida
no solo fértil do pé da serra do Crato.
Antonio Vicelmo é uma unanimidade,
que nos orgulha há tempo.
Como um pequizeiro da floresta, centenário.
Fincado no alto da Araripe cearense.
Fazendo a nossa voz e grito
chegarem longe...
Muito além do nosso velho sonho caboclo
de herói provinciano.
O Cariri inteiro sabe disso.
E tem motivos
para bater no peito e dizer bem alto
para que o mundo todo escude.
Que Vicelmo é nosso...
Vicelmo é povo sofrido e forte
sinônimo comunicativo
de um Cariri alvissareiro
que se fez grande para ser ouvido
e nunca mais ser escravo.
Antonio Vicelmo é unânime.
Símbolo magno, pioneiro do rádio:
- Cultura, tradição, história e folclore.
Educadora do Crato.
Falando alto do Araripe ao mundo.
Aplaudamos sem mais delonga Vicelmo!
Tal qual o Cariri inteiro em uníssono,
disposto a construir seus sonhos de pedras
por si mesmo.
Acaso Vicelmo não existisse
teria de algum modo que ser inventado.
Vicelmo é nosso patrimônio histórico.
Palavra de ouro.
A voz que não se cala.
Grito forte a retumbar na rosa dos ventos.
Das serras do Crato para o mundo inteiro.
A partir de Vicelmo,
o Cariri passou a ser ouvido.
Com Vicelmo o interior, dantes esquecido,
encheu seu o peito de orgulho
e falou com altivez bem alto
para o litoral lá de baixo.
Antonio Vicelmo é uma unanimidade
inconteste.
Utopia que nos anima alma e o espírito.
O embaixador do povo Cariri
no além-fronteira do próprio Globo.
Em todo canto do Crato,
e onde quer que viva um caririense.
__________
(*) José Cícero
Secretário de Cultura
Aurora-CE.

Prefeito do Crato institui auxílio social de R$120,00 para os desabrigados


O prefeito do Crato, Samuel Araripe, instituiu o "aluguel social" para atender às famílias desabrigadas pelas chuvas, que não têm para onde ir. O valor do auxílio social é R$ 120,00 e vai durar o tempo que for necessário à recuperação de suas casas. O prefeito baixou o decreto de nº 2801001/2011, colocando o município em situação de emergência. Com a enxurrada, cinco casas desabaram totalmente e outras sete tiveram partes danificadas. As famílias já estão sendo assistidas pela administração e algumas casas já foram alocadas para os desabrigados. A vítima da enchente deve procurar a secretaria de Ação Social do município, para requisitar o benefício. Um técnico vai ao local para fazer a avaliação e elaborar o laudo. O cadastro já pode ser feito. O aluguel será pago as famílias que estão em abrigos e àquelas que precisam ser removidas de áreas de risco.

3.200 pessoas afetadas pela enchente em Crato


Uma notificação preliminar de desastre foi apresentada por meio dos levantamentos realizados pela Defesa Civil, diante dos estragos causados com a tempestade que se abateu sobre o Crato, na madrugada da última sexta-feira. O prefeito do Crato, Samuel Araripe, estima prejuízos para a cidade de mais de R$ 50 milhões na cidade. O documento foi apresentado ainda no último final de semana, com número relacionado às vítimas diretas da enchente. O relatório preliminar dá conta de 3.200 pessoas afetadas pelas chuvas. Nove famílias que ficaram sem abrigo, com suas casas totalmente destruídas, foram encaminhadas para prédios públicos e casas alugadas pela administração municipal. Segundo o Sistema Preliminar de Desastre, feito pela equipe da Defesa Civil no município, ficaram desalojadas 111 pessoas.

Prefeito vai à Brasília onde se encontra com o Ministro da Integração Social

Uma audiência com o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, deverá acontecer ainda esta semana, juntamente com parlamentares da região. O deputado federal, Arnon Bezerra, esteve ontem no Ministério, no intuito de marcar a reunião. O prefeito do Crato, na ocasião, irá apresentar projeto que promete uma solução definitiva para o local. A chuva de 200mm milímetros ( medidos na Chapada do Araripe ) foi o suficiente para arrastar parte considerável do canal. Com o transbordamento, parte da cidade ficou inundada, principalmente no centro, invadindo centenas de residências e casas comerciais. Ainda segundo os dados do relatório preliminar foram invadidas pelas águas 103 residências, cinco delas públicas, uma comunitária e 10 ficaram totalmente destruídas. A precipitação pluviométrica registrada, segundo o relatório, esteve acima da média verificada pelo município, especialmente na área urbana, em canais de drenagem.

Fonte: ASCOM - PMC

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

OS CARTÕES NAUFRAGADOS NA ENXURRADA-Wilson Bernardo.

Se toda mulher tem um preço
O que fariam as bonecas
remarcação de etiquetas
Remarcação
Cartas na mesa
O preço de uma noite não satisfaz
O ego
Homens amanhecidos de fruteiras
Mangas podres sobre a mesa.
Wilson Bernardo(Poema & Fotografia)

Saudade e realidade - Por José de Arimatéa dos Santos


Comemorou-se o dia da saudade. Palavra que significa muito para todos nós. Quem de vez em quando não sente saudade de momentos vividos ou épocas que já eram e ficaram só na lembrança! Enumerar nossas lembranças seria preciso muito espaço, pois cada um de nós temos as boas e as não tão boas lembranças. Mas quem não se pega a lembrar de muita coisa? Da infância, amigos e conhecidos que não vemos a um bom tempo. Saudades de momentos mágicos como do nascimento do filho ou quando passamos no vestibular e consequentemente da nossa formatura.
É isso! E janeiro é um mês bem diferente dos demais por ser o mês das férias e o início do ano e as perspectivas e anseios se renovam. A realidade é premente e devemos colocar nossos planos em primeiro lugar lutando dia a dia para que tudo planejado possa dar certo. E dessa maneira procurar fazer de cada momento a hora e a vez de atitudes positivas. Digo isto porque a cada momento que vemos o noticiário as notícias ruins se sobressaem, infelizmente. E não é para menos, pois as tragédias, principalmente naturais, a cada ano parecem aumentar. Todos nós somos sabedores do porquê de todos esses acontecimentos no planeta. Somos também responsáveis quando não damos o devido destino ao lixo e não respeitamos as leis da natureza. O homem se sente o soberano quando na verdade é só um dos entes dessa engrenagem tão perfeita e bela. E é tão importante sempre analisar de todas as maneiras nossos atos e procurar respeitar o ecossistema em que vivemos. Assim, cada vez mais agora e no futuro a vida na terra precisa ser mais respeitada. Analisar friamente como cada um de nós estamos a cuidar dessa nossa casa. Eu, você e todos os outros devemos agir no coletivo e pensando coletivamente para a sobrevivência nossa e dos nossos descendentes. Sustentabilidade é a palavra e o caminho.
Foto: José de Arimatéa dos Santos

Quem paga o pato ?

A RESPONSABILIDADE DO MUNICÍPIO DO CRATO PELOS PREJUÍZOS SOFRIDOS PELOS PARTICULARES EM DECORRÊNCIA DAS ENCHENTES NO RIO GRANJEIRO

Salientamos de pronto que, neste artigo eminentemente de cunho jurídico propositalmente iremos deixar de lado o aspecto político da questão que envolve o problema previsível das enchentes no canal do Rio Granjeiro, por ser de todo impertinente e inoportuno, na espécie.
Para uma melhor compreensão da responsabilidade do Município do Crato pelos prejuízos acarretados aos particulares em conseqüência do transbordamento do canal do Rio Granjeiro não devemos olvidar que: primeiro, é público e notório que o canal alhures mencionado muito antes da quadra invernosa estava sofrendo um altaneiro processo de assoreamento por conta da sujeira acumulada no seu leito, bem como por restos da obra anteriormente executada na encosta do canal, destarte, tendo sua capacidade de escoamento bastante diminuída; segundo, nos albores de 2003/2004 o Poder Municipal Cratense, verificando a necessidade premente da realização de obras em boa parte da extensão do canal do Rio Granjeiro, bem como, nas encostas que lhe circundam, e prevendo a iminência de um acontecimento calamitoso, abriu processo de licitação para execução de obras, sem, contudo funcionar eficazmente o escoamento das águas, por déficit ou até mesmo por omissão na fiscalização da qualidade do serviço, já que em menos de um ano as obras vieram a se desfazer; terceiro, que as mazelas encontradas no canal do Rio Granjeiro se protraíram no tempo com isto agravando os problemas sem que os administradores públicos dessem a devida atenção e efetiva solução.

Sendo os danos sofridos oriundos de obra mau executada e omissão de fiscalização das obras de contenção e limpeza do canal do Rio Granjeiro, desta forma, consubstanciando-se em um fato administrativo, não faz sentido deixar de responsabilizar o Município pelos danos acarretado aos particulares.

Ademais, não se pode alegar que seja a enchente do canal do Rio Granjeiro conseqüência de fato da natureza, pois, esta alegação haveria que ter todos os elementos configuradores da absoluta inevitabilidade da eficácia lesivas a terceiros, porquanto na espécie haveria um quê de evitabilidade exsurgindo a insuficiência e deficiência do serviço, de modo a não ser dado cogitar do fortuito pré-excludente da responsabilidade civil por parte do Município.

No caso do transbordamento que ocorreu no canal do Rio Granjeiro, em Crato/CE, e, suas conseqüências danosas daí advindas eram evitáveis, inclusive porque previsíveis.
Tanto é verdade que o próprio Prefeito Municipal e o Secretário de Desenvolvimento do Crato, em inúmeras entrevistas concedidas, verbi gratia, ao Diário do Nordeste em data de 25 de março de 2005, deixou claro que eram previsíveis as enchentes e reconhece que o Município necessitava de obras e serviços de limpeza no leito do canal do Rio Granjeiro.

Fica claro cm as entrevistas por parte das autoridades municipais que a enchente ocorrida com seus consectários não se deve exclusivamente ao acréscimo pluviométrico, mesmo porque já foi registrado em anos anteriores até com morte e perda material.

Responde a administração pública, pela conduta culposa, ou seja, pela má escolha dos agentes para a realização de obras e/ou pela falta de fiscalização eficiente na realização de obras construídas fora dos melhores parâmetros técnicos, afastados das cautelas recomendáveis, em dimensões inconciliáveis com as circunstâncias do local e o volume de vazão, portanto, sendo imprudente incidindo na cuppa in eligendo, oriunda da má escolha.

Outrossim, não aleguem que por ter sido a obra de contenção do canal realizado na gestão de ex-prefeito o município não responde, pois, como é de comum sabença na administração pública vige o princípio da impessoalidade, onde, os atos administrativos representam o ente ou o órgão que o realizou, a eles devem sempre ser imputados, pouco importando a pessoa física que o realizou. Ademais, não devemos olvidar que a causa do transbordamento e enchente do canal do Rio Granjeiro foi uma seqüencia causas somado e agravado por omissões e imprudências, tanto, do ex-gestor como do atual prefeito que deixou se prolongar por dois mandados consecutivos os problemas do assaz citado canal, inclusive, dando prioridade a outros projetos como reforma de praças e asfaltamento de várias artérias da cidade, destarte, diminuindo a capacidade de infiltração das águas e aumentando o escoamento das águas para o canal do Rio Granjeiro, sem falar da omissão do serviço de limpeza e desassoreamento do canal.

Como muito bem resume o administrativista José Cretela Júnior, o Estado/Município caracteriza-se por seu dinamismo como o lendário príncipe de Argos, deve ter cem olhos, dos quais cinqüenta permanecerão sempre abertos, quando os outros cinqüenta se fecham, durante o sono. Por isso, entre as funções ativas do Município, que se dividem em espontâneas e provocadas, as primeiras são exercidas pela administração, sempre, continuamente, independentemente de solicitação de quem quer que seja, sob pena de faltar a seus deveres.
Não resta dúvida que por parte dos últimos administradores do Crato sobrou olhos para politicagem e projetos pessoais e faltou olhos para projetos e iniciativas que colocassem a população a salva das mazelas das constantes enchentes no canal do Rio Granjeiro.

Francisco Leopoldo Martins Filho
Pós-graduado em Responsabilidade Civil

Sobre as ondas - Emerson Monteiro

Com este título, Rita Guedes, no dia 28 de janeiro de 2011, lança em Crato, no auditório do Instituto Cultural do Cariri, romance de sua autoria, cuja ação se desenrola nesta cidade durante a primeira metade do século que passou. A autora, graduada no curso de Letras pela anterior Faculdade de Filosofia do Crato, gérmen da atual Universidade Regional do Cariri, exercita a competência de escritora neste livro, ficção calcada em lances da história regional do Nordeste, desenvolvendo trama familiar que apresenta o espírito urbano dos que viveram no tempo considerado pela obra, revivendo valores e conceitos da sociologia da cidade, trabalho preenchido de surpresas e denotando mensagens úteis à religiosidade humana.
Rita Maria Lopes Guedes Santos nasceu em Crato, filha de José Guedes de Sena e Juracimira Lopes Guedes. Nesta cidade formalizou a sua educação, por intermédio do Ginásio São Pio X e do Colégio Santa Teresa de Jesus. Quando se graduou em Letras, especializou-se na Língua Inglesa e lecionaria em escolas públicas e particulares cratenses durante dez anos.
Casada com Felizardo Mendonça Santos, é mãe de três filhas, Osnyeide, Michele e Karenn, e avó de dois netos, Luanna e Thiago.
Em 1985, transferiu-se para Fortaleza, onde seguiu ensinando inglês e, também, português.
Escreve poesia e artigos, com publicações na imprensa da capital cearense, além de participações em revistas acadêmicas e literárias, como Letras em (Re)vista, da Faculdade de Filosofia do Crato, e Nordeste Salesiano, e nos livros Versos diversos e Antologia do Amor.
O desenho e a pintura são outras habilidades artísticas que Rita exercita, das quais utiliza no presente volume, cuja capa e páginas internas trazem ilustrações de sua autoria.
O argumento que conduz a história do livro, encetado com propriedade, revela vivências e pensamentos próprios da formação da autora, com que brinda seus conterrâneos e contemporâneos, familiares e amigos, predicados que perenizam frutos adquiridos e repassados nos protagonistas, espelhos da comunidade interiorana de tempos os quais tantos guardam na memória e nas saudades. Por meio desses retalhos de época rica, movidos em tramas leves e afetivas, testemunhas de perto deste seu primeiro romance, um êxito que lhe consagrar a geração, pelo poder da literatura folhetinista do sertão cearense.
Ensejamos, pois, boa repercussão ao carinho que transmite, ora lançado à apreciação dos leitores da região do Cariri, fonte original desta criação.

UM AVISO AO PESSOAL DA ASFAC

Pedro Esmeraldo

Hoje estava observando uma crônica do cratense amigo José do Vale Pinheiro Feitosa, intelectual residente no Rio de Janeiro, que fez elogios a minha pessoa, pelos quais expresso meus sinceros agradecimentos.

Quisera que houvesse outras pessoas de sua estirpe que viessem ajuntar-se a todos aqueles que desejam modificar o pensamento dos políticos desta cidade, para que tenham a capacidade de governar o Crato com objetividade e amor à terra comum.

Infelizmente, hoje aparecem um bando de aventureiros que só pensam neles mesmos, esquecem a cidade como um todo e procuram entregar-se a uma horda de desinteressados que por ora tomam conta da cidade, desviando do apoio do povo que lhe favoreceu na campanha eleitoral.

Ninguém pensa em solucionar os problemas que há em áreas de risco, como: as casas construídas nas encostas dos morros e das voçorocas, provocadas pelas águas pluviais que constantemente ocorrem nos períodos de chuvas torrenciais, ou seja, de fevereiro a março, que deixa todo mundo preocupado por medo do desabamento de suas residências.

Por isso, alertamos as autoridades com frequência para que cuidem com os poderes centrais a fim de sanar esse problema desta cidade.

Por esse momento, aguardo que hajam outros defensores do tipo José do Vale, Wellington Alves, Armando Rafael, Jurandir Temóteo e outros que deixamos de mencionar por não lembrar neste momento, mas com toda certeza aparecerão outros com muita confiança e arrojo para defender a terrinha esquecida e modificar o comportamento desses políticos junto à sociedade. Com o pensamento positivo elevem a cidade reconquistando todo patrimônio perdido por falta de orientação técnica e não tiveram o pensamento voltado para o futuro.

Desejo oferecer esta crônica ao pessoal da ASFAC (Associação dos Filhos e Amigos do Crato) que não se movimenta com expressão de força de trabalho para defender o Crato com sentimento de afeto já que, nessa ocasião, a cidade precisa de uma reação singela a fim de manifestar-se juntos as pessoas que praticam reação isolada, mas possuem poucos adeptos que só se estacionam em barcos frágeis que mal segura em águas brandas e não atinge as expectativas de trabalho unido e o desejo de expansão econômica e cultural desde município.

Crato-CE, 27/01/2011.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Uma Tarde maravilhosa ao lado do casal Almeidinha e Valdênia - Por: Dihelson Mendonça

Uma tarde inesquecível. Foi o que aconteceu ontem, dia 29 de Janeiro, quando o casal Almeidinha e Valdênia nos convidou para um excelente almoço e uma tarde juntos. Lá estavam também nosso querido amigo Antonio Morais, o casal Dr. Sávio Rolim e sua simpática esposa Fran, além de outros amigos não menos queridos, que passaram rapidamente pelo local.

Cobertura Fotográfica:

Num local abençoado por Deus, de uma beleza incrível, cercado por flores de todas as cores...

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Formando quadros coloridos à espera de olhos atentos que os possam observar

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Existe um mini-paraíso ao Sopé da Chapada do Araripe

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Ali mora o simpático Casal Almeidinha e Valdênia

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Olha que turma boa estava lá ( na foto cabe apenas uma parte )

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Eu quase apareci nessa foto... rs rs mas o Morais ficou bem...

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Para quem aspira a PAZ, melhor lugar, impossível...

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A Ninha aí fazendo pose ao lado do golfinho na piscina de hidromassagem...

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D. Claude Bloc e o Casal...felicidade total, né Claude ? Tenho ainda muitas fotos...

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Flores no jardim...

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E flores no Jardim...

Dr Savio

Olhaí a turma... eu estou por trás da câmera, Ah! um espelho...

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Como é bom rever amigos de verdade, reunir...conversar depois de tantos anos...

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Almeidinha me disse a melhor frase do ano. Depois que o pessoal todo saiu, às 17:00, eu e a Ninha ficamos ainda até 19:00 ou mais conversando. Ele me disse: "Dihelson, eu estou te segurando aqui para te tirar daquela loucura toda. Para você ter um momento de paz. Eu não sei como é que você aguenta tantos trabalhos e manter tudo funcionando"

Meu querido Almeida, meu Irmão, nossa conversa ontem foi maravilhosa. Temos tanto em comum, assuntos diversos, compartilhamos de tantos pensamentos, que uma vida é insuficiente para conversarmos. Você que já deve ter lido aí uns 400 livros, e sempre em busca do conhecimento. Quero beber muito nessa sua fonte aí. Muito obrigado a você e a Valdênia pelo convite e apareceremos mais vezes, finais de tarde para conversarmos e como você acertou em cheio, "sair um pouco dessa vida conturbada aqui do centro do Crato".

Um grande abraço a todos, Claude, Morais, e os demais amigos que lá estiveram.
Obrigado por tudo!

Dihelson Mendonça e Ninha

Um sábado com amigos...

O dia amanhceu ensolarado. Cedo recebi uma comunicação de Vicente Almeida. Era a confirmação do convite feito anteriormente. Às 11 horas segui para o "esconderijo" do casal: Vicente e Valdênia. Gente finíssima de uma simplicidade cativante.

O lugar foi acolhedor e agradou-me sobretudo pelo verde, pelas flores, pelo cheiro de serra. Logo estava eu explorando os arredores da casa na companhia de Raquel e Lilo (o coelho). Foi um momento de pureza e espontaneidade.
A casa exala paz e harmonia. Cada recanto guarda espaço para uma beleza ímpar.
Numa pequena latada a sombra acolhedora para uma boa prosa.  Dr. Savio e Fran foram motivos de descontraída conversa recheada de risadas.
Morais e seus causos nos levou a gargalhadas. Foi o maior consumidor de mungunzá com pequi. Também pudera, esse mungunzá estava um manjar dos deuses.
 Chegaram Dihelson e Ninha e a prosa foi sendo registrada pelas fotos. Fotógrafo não aparece a menos que seja flagrado, né?

Pois sim, podem crer, o sábado foi espetacular. E para completar Mundim do Vale nos ligou na hora do almoço enchendo-nos de alegria com seu bom humor e engrossando a lista de amigos reunidos ali para esse momento de integração e amizade.

O lugar é idílico. Creio que todos ali saíram em estado de graça.

Claude Bloc