Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
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claude_bloc@hotmail.com

quinta-feira, 9 de junho de 2011

MATEMÁTICA DE MENDIGO...

MATEMÁTICA DE MENDIGO

Tenho que dar os parabéns ao estagiário que elaborou  essa pesquisa, pois o resultado que ele conseguiu obter é a mais pura  realidade..

Preste  atenção!!
Num sinal de trânsito muda de estado em média a cada  30 segundos (trinta segundos no vermelho e  trinta no verde). Então, a cada minuto um  mendigo tem 30 segundos para pedir a 5 motoristas e receber pelo menos de dois deles R$ 0,20 e faturar em media pelo menos R$ 0,40 o que numa hora dará: 60 x R$ 0,40 =  R$ 24,00.
Se ele trabalhar 8 horas por dia, 25 dias por mês, num mês terá  faturado: 25 x 8 x R$ 24,00 = R$ 4.800,00.
Será  que isso é uma conta maluca?
Bom, R$ 24,00 por hora é uma conta bastante razoável  para quem está no sinal, uma vez que, quem doa nunca dá somente R$ 0,20 e sim R$ 0,30, R$ 0,50  e  às  vezes até R$ 1,00.
Mas tudo bem, se ele faturar a metade: R$ 12,00 por hora terá R$ 2.400,00 no final do mês.
Ainda  assim, quando ele consegue uma moeda de R$ 1,00 (o que não é raro), ele pode até descansar tranquilo debaixo de uma árvore por mais 9 viradas do sinal de trânsito, sem nenhum chefe para lhe censurar por causa disto.
Mas considerando  que é apenas teoria, vamos ao mundo real.
De posse destes dados fui entrevistar uma mulher que pede esmolas, e que sempre vejo trocar seus rendimentos numa conceituada padaria. Então  lhe perguntei quanto ela faturava por dia. Imaginem o que ela respondeu?
É isso mesmo!! De R$ 120,00 a R$ 150,00 em média, o que dá (25 dias por mês) x R$ 120,00 = R$ 3.000,00. E ela disse que não mendiga 8 horas por  dia.

Moral  da História.
É  melhor ser mendigo do que estagiário (e muito menos PROFESSOR), e pelo visto, ser estagiário e professor, é pior que ser mendigo...
Se esforce como mendigo e ganhe mais do que estagiário ou professor!!
Estude a vida toda e peça esmolas. É mais fácil e melhor que arrumar emprego.

E  lembre-se...
Mendigo não paga 1/3 do que ganha ao governo.

Recebido por e-mail

Um celular de estimação - Emerson Monteiro

Ele possui a barriga estreita. Diariamente deverá passar algumas horas pendurado na tomada recebendo carga habitual, senão na rua logo me deixa na mão, de comum nas situações inesperadas. Acostumei com isso, indócil mania paraguaia de celular cuja carga dura pouco. De dois chips, atende com fidelidade às operadoras, mesmo sabendo que dormirá cedo, bem no início da noite. Segue comigo, acima e abaixo, nas pelejas dos comportamentos animais, dócil e inevitável. Mas sei que traz guardado nas estranhas o grave defeito de ter a bateria curta. Ainda assim cumpre seu papel de comunicador estratégico desta fase do tempo quando quase ninguém escapa de transportar, no bolso ou na bolsa, esse treco bisbilhoteiro, facilitador de circunstâncias e redutor das fronteiras.

O noticiário da semana passada, por exemplo, falou dos riscos e prejuízos à saúde do alienígena, quando usado com regularidade e maior intensidade, estudos ora desenvolvidos a confirmar, em face das ondas que emite e recebe. Maquininha familiar, depois dele mudaram costumes e medidas. Poucos passam impunes diante das artimanhas do monstrinho, que hoje, no Brasil, já ultrapassa o número de habitantes. Quanto crime sujeita incentivar. Quanta vida salvará, antes do pôr do sol. Misto de brinquedo traquina e lâmpada maravilhosa, o propulsor da civilização contemporânea desmancha os obstáculos ao progresso, artefato nunca visto com tamanha força de vulgarização nas classes sociais; e, máquina de tais proporções transformadoras, pois facilita que é uma beleza tudo em volta, conquanto demonstração do engenho humano às raias do infinitamente pequeno, sem fugir aos encantos que proporciona, estreitando amores apaixonados, monitorando filhos e sequenciando negócios. Aonde chegar ser humano, alguém buscará sinais abençoados dos equipamentos digitais.

Traçado que democratizou o poder da ciência, o celular serve de símbolo do quanto andaram os circuitos eletrônicos a serviço da sociedade, agora desenvolvida através de novos aparelhos dotados das inúmeras funções, espécies de computadores populares transpostos de mão em mão.
Daí a pergunta crítica de saber quem manda, se o homem ou a máquina, tabu da Era Industrial. Tipo fertilizador das emoções, pouco pesa saber a resposta do invasor que criou dependência e raros dele escapam.

No entanto armam-se paralelos. As recargas todo dia que humanos também necessitam, e no dormir carregamos a bateria. No sonho, na oração, na esperança, alimentamos a viva vontade dos sentimentos, neste frio das relações mecânicas para vencer as interrogações da existência, apesar dos muitos meios que o homem desenvolveu e quase nada melhorou em termos da própria fraternidade.

"Raridades" - José Nilton Mariano Saraiva

Depois de duzentos anos alguns meses e poucos dias morando em Fortaleza, eis que recentemente fomos surpreendidos agradavelmente, ao tomar conhecimento da existência de uma locadora (perto de casa, no Bairro de Fátima) onde literalmente qualquer um é capaz de “desenterrar” (ou “ressuscitar”), de acordo com o gosto do freguês, grandes e épicas produções cinematográficas “do tempo do bumba”, na perspectiva de desejar compor um respeitável acervo particular (tanto que já tomamos a iniciativa).
Ao razoável preço de R$ 10,00 a unidade, os CD/DVDs são entregues em sua própria casa e possuem uma qualidade muito boa (com alguns guardando as características originais, evidentemente, como a projeção em preto e branco), permitindo-nos empreender uma inolvidável “viagem de retorno” às origens (meninice/adolescência) e reviver momentos mágicos, via agradáveis “sessões nostálgicas”... e solitárias (os meninos e a mulher acham tudo isso muito “cafona”).
Fato é que, de posse de autênticas “raridades” (abaixo), adquirimos a propriedade de nos autotransportar às salas do Moderno, Cassino e Educadora, aí do Crato, onde tudo começou: No Tempo da Diligências (John Waine), Uma Rua Chamada Pecado (Marlon Brando), Gata em Teto de Zinco Quente (Paul Newman), Candelabro Italiano (Troy Donahue), A Bela da Tarde (Catherine Deneuve), A Piscina (Alain Delon), Crepúsculo dos Deuses (William Holden), Os Desajustados (Clark Gable), Bem Hur (Charlton Heston), A Face Oculta (Marlon Brando), Os Imperdoáveis (Clint Eastwood), Juventude Transviada (James Dean), Paixão de Fortes (Henry Fonda), Flechas de Fogo (James Stewart), Os Girassóis da Rússia (Sophia Loren), Doutor Jivago (Omar Sharif), Os Canhões de Navarone (Gregory Peck), Cidadão Kane (Orson Welles), A Ponte do Rio Hway (Willian Holden), A Escolha de Sofia (Meryl Streep), Fugindo do Inferno (Steve McQueen), Guerra e Paz (Audrey Hepburn), Casablanca (Ingrid Bergman), dentre outros.
Apesar de todas serem “jóias raras”, particularmente torcíamos e tínhamos uma verdadeira obsessão por rever dois “filmaços” que assistimos no Moderno e que ficaram como que “encastelados” em nossa mente: Sayonara (Marlon Brando) e 36 Horas (James Garner), aos quais teremos oportunidade de nos referir, a posteriori.
Acreditamos que tal tipo de resgate expressa com fidedignidade o “IR LONGE PRA FICAR MAIS PERTO”, porquanto, ao forçar a memória a ir procurar lá na sua parte mais recôndita (longe) a lembrança de momentos inolvidáveis, implicitamente estamos a querer manifestar o nosso desejo de ficar “mais perto” do Crato de outrora (de imorredouras recordações).
Haja coração !!!

Com essa discórdia não acreditamos em paz

Pedro Esmeraldo

Não podemos suportar as intrigas palacianas provocadas pela mídia inimiga.

Não acreditamos mais que haja uma suspensão permanente de paz harmônica, pois esses inimigos são semelhantes a uma cobra cascavel que desejam dar o bote em seus adversários a fim de esperar ocasião satisfatória na presa desmerecida de seus conterrâneos vizinhos que não possuem prestigio e são sempre desmerecidos por esses políticos que desejam aparecer com o intuito de retirar desta cidade seu patrimônio histórico administrativo e cultural. O pior é que esses inimigos Cratenses, a maioria é filho legítimo da cidade que quer aparecer na surdina, entregando os pontos,dizendo amem e ainda se considera que faz bem a terra.

Não suportamos mais tanto desprezo que nos vem atormentar com idéias fantasiosas e desrespeitosas.

Há anos esses políticos cratenses desavergonhados querem entregar o Crato sem dó e piedade, ansiando o menosprezo total, sem valentia, deixando tudo entregue à própria sorte.

Às vezes, pensamos que o Crato não tem mais aqueles homens vibradores e lutadores, a não ser com raríssimas exceções. Não sabemos o que pensam esses ditos homens, mas repugnamos suas idéias estapafúrdias que vem assolar a mente alquebrada dos filhos ilustres do Crato.

Não queremos permanecer nesse estado de coisa, com pensamento absurdo e de idéias estarrecedoras que nos levam ao desequilíbrio econômico , já que lutamos com forças totais sem precisar utilizar a pieguice que acompanha esses homens malditos que desejam destruir o Crato.

Queremos lembrar que não usamos de artimanhas embusteiras, lutamos com forças equilibradas, mas tudo que vem é a custa do nosso suor e não solapamos o patrimônio alheio.

Observando o comportamento de alguns políticos cratenses que andam em marcha a ré, permanecem alheios aos problemas da cidade.

Não reagem perante o desprezo das autoridades da capital. Não prevalecem o direito de reação. São submissos aos tênues gritos dos chefões políticos e ficam cabisbaixos quando surgem os problemas sérios.

Assim pedimos a esses políticos cheios de medo, afastem-se desse caminho e entreguem o barco a outros que tenham vontade de trabalhar.

Por isso admiramos os cratenses que dizem: para crescer é preciso que haja vozes autênticas a fim de reagir os insultos desses megalomaníacos e que vivem usurpando o patrimônio alheio dizendo lorotas, intrigando os outros porque querem tudo para si.

Com o fito de fugirmos dessa discórdia é necessário que haja preparo de pessoas valentes e que possam assumir com coragem as rédeas do poder cratense. Se por acaso, não reconquistarmos nosso poder de equilíbrio de forças igualitárias, somos favoráveis a uma campanha plebicitária com o desejo de passar o Crato ao vizinho estado de Pernambuco. Só assim fugiremos da desigualdade dos desmerecimentos trazidos por esse povo aventureiro que só deseja tudo para si.

Crato-CE, 07/06/2011

Esquerda, direita e ideologia - José do Vale Pinheiro Feitosa

Para usar um termo da teoria dos conjuntos de Georg Cantor, matemático russo falecido em 1918, é comum se ouvir, inclusive entre nós aqui nos blogs que a questão de esquerda e direita em política é um conjunto vazio. Isso mesmo, não tem nenhum elemento.

Outra defesa é que a ideologia é um vício de espírito que tende a levar a pessoa para a irracionalidade. Isso representando que existe uma possibilidade de razão fora da ideologia em que a realidade do mundo, mesmo transformada pela compreensão individual, chegaria a uma espécie de denominador comum que seria a forma essencial de expressão da realidade.

Antes de andar nesta trilha peguemos uma variante do assunto. Não é incomum que perfis ideológicos conservadores usem destas afirmativas com a finalidade de negar o que entendem existir, mas precisam combater. Portanto a negação é a o outro, que, portanto, existe, mas precisa ser desnorteado com mágicas do não existir.

Retornando à trilha vamos encontrar a idéia (já estamos a falar da segunda afirmativa) de que o conjunto da separação política no mundo atual é vazio. Acontece que tal afirmativa é normal acontecer no calor das contradições políticas, no embates desta seara, já demonstrando que existem elementos no conjunto da política.

Em seguida é importante encontrar a matriz que cria os elementos do conjunto da separação política: esquerda e direita (claro que aí necessariamente surge um centro). A clivagem não poderia ser vazia, pois pertence a um conjunto maior: que são as classes sociais e o domínio de classes sobre a produção e distribuição econômica.

Para quem domina os meios econômicos, o discurso e o conjunto das idéias são no sentido de imobilizar movimentos, de conservar instituições, de manter o status quo social. Este é um perfil que não é xingamento, é historicamente marcado desde a revolução francesa e ainda hoje no parlamento americano.

A alternativa política aos conservadores (direita) é a ruptura do status quo e a redistribuição das riquezas produzidas, além, é claro, do controle dos meios de produção. A distribuição favorece as mudanças e, portanto ao progresso material e assim a um número maior de mudanças. Isso é a esquerda. A alternativa de centro é modular, reduzir a velocidade e os impactos do movimento. O centro não acredita em saltos qualitativos na história enquanto a direita e esquerda ambas sabem disso e têm a referência histórica das revoluções inglesa e americana, além, é claro, da revolução francesa.

A ideologia, em nome da qual tantas atrocidades foram e podem ser feitas, não implica em vícios de irracionalidade. Especialmente se as idéias estão sobre a forja da realidade. A realidade é transformadora das idéias. Todo projeto que se tenha uma vez posto em execução passa por obstáculos maiores ou menores para a sua realização e ao resolver os obstáculos, o projeto original já foi modificado.

Na verdade o que existe lá na origem dos dois primeiros parágrafos é o enrijecimento dos conceitos: esquerda e direita são clivagens da política e não um conjunto vazio e a ideologia tem duas dinâmicas possíveis: apresentar as idéias para a sociedade e submeter as idéias ao poder transformador da realidade.

Quanto mais as idéias ou teorias sobre realidade aceitarem a transformação pela realidade menos dogmáticas serão. Aí, sim, reside uma irracionalidade inerente: o dogma.


Coisas nossas, por Zé Nilton



De Pedro Honório e da agonia do mundo rural.

Para o professor Carlos Rafael Dias.

Este é o famoso Pedro Honório Carlos de Melo, ou só Pedro Honório, conhecido por todas as gentes espalhadas pelos quadrantes da Chapada do Araripe.

Sua família chegou ao Juazeiro quando ainda estavam bem quentes os acontecimentos turbulentos originados pelo fato de a beata Maria de Araújo derramar sangue da boca, enquanto tomava a comunhão. O acontecimento calou fundo nos corações e mentes dos nordestinos, e eles acorreram para o Juazeiro, a terra santificada. Era o começo do Século XX, e o início da inventiva engenharia de Juazeiro como cidade destino das almas em busca de salvação.

Pe. Cícero, segundo a História, procurou acomodá-los pelas terras da Serra de S. Pedro e, em seguida, pelas terras devolutas da Chapada do Araripe. Não teria sido fácil. Romeiros relutaram ao enfrentar matas virgens cheias de onças, de cobras e de caça.

Os avoengos de Pedro Honório, vindos do Rio Grande do Norte, acreditaram no padrinho, e subiram a serra. Ocuparam grandes porções de terras. Ali se reproduziram social e economicamente. Fundaram uma grande família – os Honório – que ainda hoje estão por lá, embora muitos tenham arribados rumo ao Brasil de cima, à procura de dias melhores.

Pedro Honório ficou, e fincou raízes. Homem muito disposto, empreendedor e pessoa de rara sabedoria. Tem posições próprias sobre a vida, a natureza, a política e tudo o mais. Discute com o interlocutor sobre qualquer assunto, e rebate, e debate à sua maneira. E quando se pensa que ele não entendeu, engoliu a isca dos “homens da cidade”, ou foi vencido pelos argumentos, qual o quê; nada disso. Ele fica certo tempo a matutar – olha que verbo adequadíssimo para o caso de Pedro Honório. E o homem matuta mesmo, sem matutagem, porque ele não é matuto.

Mas tudo o que está escrito atrás é para falar também do desmoronamento do mundo rural. A cada dia os tentáculos do capitalismo, através de seu maior e eficiente instrumento – o Estado -, adentram a vida campesina, e ela vai se transformando, ou tomando um jeito meio “esquizóide”, entre ser ou não ser camponesa.

E o velho Pedro Honório, quase noventão, faz tempo vem cismando sobre isto. E quando fala do passado, diz de um tempo de abundância, de sua condição de camponês “forte”, de um mundus criado e vivido por todos sob a cultura do dar, receber e retribuir.

Hoje, só lembranças, em meio as perdas de quase tudo o que fora no passado.

Ele faz seu lamento em forma de poesia, forma detestada pela “besta fera”, onde tudo é dissolução.

Eu tinha muita mandioca
Fazia muita farinha
Possuía muita besta
Um cavalo e uma poltrinha
Também tinha muito gado
Tinha vaca, bezerrinha
Também tinha muito porco
Criava muita galinha
Também tinha muito negro
Muitos negros e negrinhas

Deu um morfo na mandioca
E a crueira na farinha
Deu uma roda no cavalo
E um escancho na poltrinha
Deu um mal triste na vaca
Caruá na bezerrinha
E deu um ronco nos porcos
Um incruge nas galinhas
E deu sarampo nos negros
Catapora nas negrinhas

Baixou a desgraça em riba
E acabou tudo que eu tinha...(
Pedro Honório).

Coisas nossas falar do passado e das pessoas que encontramos pela vida. O mundo rural agoniza e pode mudar, e como anda mudando depressa, mas as pessoas que nos tocam, em qualquer dos mundos, continuam as mesmas em nossas recordações...

Mudando de assunto, hoje, no programa Compositores do Brasil, começando às 14 horas, na Rádio Educadora do Cariri: www.radioeducadora1020.com.br, diremos um pouco de Aldir Blanc e de suas letras musicadas por grandes compositores.

Um bom final de semana.

Lançado o site "A História do Cariri"


Originalmente publicada no dia 24 de maio

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhLGgFCT-RqaJl3GzA80RdEZH_2Y93c2oeXCxhlF6oDy3KFiotchzNPnfGYENES5YUHMbVvssb6c4HjHsfE6AyvEGyNLjO36y1jCxJMaxAKy1ZwwFF_k4JTQ1GBY3AdyAMv91fzB8gLSfi1/s1600/historia_do_cariri.jpg


Há 6 anos atrás nascia o Blog do Crato, o primeiro website dedicado a uma cidade cearense ( e talvez do Nordeste ). 3 milhões e 400.000 acessos depois, cerca de 18.000 artigos já escritos, em maio de 2011, temos a satisfação de lançar o site "A História do Cariri", um repositório de dados, artigos, fotografia e tudo que se relaciona à história do Cariri cearense. Esperamos que o novo espaço sirva para pesquisas, e para todos aqueles que se interessam em conhecer a região do Cariri.

Inicialmente, adicionei como escritores, diversos professores e cronistas do Cariri, que têm intimidade com a nossa história, a saber: Armando Lopes Rafael, Carlos Rafael, Wilton Dedê, Cacá Araújo, Claude Bloc, Emerson Monteiro, Antonio Correia Lima, Edilma Rocha, José Cícero, Roberto jamacaru, Pachelly Jamacaru, e Manoel Severo ( dentre outros que me falha a memória no momento ). Outros escritores virão depois, mas nesse site, prezamos muito a seriedade e o conteúdo. Não é um site de bate-papos nem de variedades, e os escritores precisam ter uma história de vida relacionada ao ensino ou ao estudo da História do Cariri, além de já haverem escrito vários artigos sobre o assunto em sites ou revistas do Cariri.

O site já está no ar e com domínio próprio definitivo:


Espero poder contribuir para enriquecer o seu conteúdo, trazendo aos poucos, as centenas de artigos que nossos outros escritores já postaram acerca da História do Cariri nos outros Blogs e sites. O trabalho, certamente servirá para enaltecer e manter sempre acesa a chama da nossa história, das tradições e da cultura caririense.

Artigos sobre a História do Cariri por outros escritores renomados serão sempre bem-vindos, e quem tiver algum artigo que julgue útil para enriquecer o conteúdo, estamos à disposição no e-mail: blogdocrato@hotmail.com

Dihelson Mendonça

Programação Oficial da I Mostra de Cinema & Video de Crato



HORA

DESCRIÇÃO

Duração

19h

Abertura Oficial

· Leitura Dramática “Os Primórdios do Cinema no Crato” - com Luiz Carlos Salatiel e Kelvya Maia”

· Homenageados com o Selo Cultural do Araripe – Troféu Vittorio di Mayo;

1. AVANT PREMIÈRE do tele-conto “O Cinematografo Herege” - de Jefferson de Albuquerque Jr, numa livre adaptação do conto homônimo de José Flavio Vieira;

· Coquetel

28´

14/06, Terça-feira


HORA

DESCRIÇÃO

Duração

19h

2. Exibição do curta: “As Sete Almas Santas Vaqueiras”- de Jackson Bantim

3. Exibição do Longa:“Ave Poesia”- de Rosemberg Cariry”



30’

82’

15/06, Quarta-feira


HORA

DESCRIÇÃO

Duração

9h

4. Exibição do Curta: “Dona Cíça do Barro Cru” – de Jefferson de Albuquerque Jr.;

5. Exibição do Curta: “A ordem dos Penitentes”- de Petrus Cariry;

6. Exibição do Curta: “Também sou teu Povo”- de Franklin Lacerda e Orlando Pereira;

7. Exibição do Curta: “Água pra que te quero?”- de Nívea Uchoa;

12’

25’

15’

16’


14h

8. Exibição do Curta: “Os Olhos da Chapada”- de Franciolli Luciano;

9. Exibição do Curta: “ Drama”- de Franklin Lacerda, Ana Rosa Borges (Roteiro);

10. Exibição do Curta: “DZU´NHURAE- O Filho das Águas ‘, de Pachelly Jamacaru;

11. Exibição do Curta: “Crato” – de Virgínia Soares – Produção IMAGO (URCA)

15’

20’

28’

50’

19h

12. Exibição do Curta: “O Auto de Leidiana”- de Rosemberg Cariry;

13. Exibição do Longa: “Fronteira das Almas” - de Hermano Penna;

26’

90’

16/06, Quinta-feira


HORA

DESCRIÇÃO

Duração

9h

14. Curta da ONG ” VERDE VIDA” I –

Mestres da Cultura de Genivan Brasil e Paulo Fuísca

15. Curta da ONG ” VERDE VIDA” II –

Box de Vídeos do Verde Vida

14h

´

15h10

16. Exibição do Curta: “Matando a Fome”, de Franciolli Luciano;

17. Exibição do Curta: “Músicos Camponses”- de Jefferson de Albuquerque Jr.;

18. Exibição do Curta: “Chapada do Araripe - Como foi, como será? (parte III)”, de Jefferson de Albuquerque Jr.;

19. Exibição de Curta: “Seu Mundô – O Guardião da Floresta” – de Laerto Xenofonte;

Roda de Conversa: “Estórias de Cinema- Colóquio com cineastas, produtores, atores e cinéfilos. Reativação do Cine-clube Crato”;

5’

12’

30’

16´

19h

20. Exibição do Média: “Formação Romualdo, o Milagre Paleontológico”- Documentário de Jackson Bantim e Álamo Feitosa;

21. Exibição do Longa: “Corisco e Dadá” -de Rosemberg Cariry;

22’’

90’

17/06, Sexta-feira


HORA

DESCRIÇÃO

Duração

9h

22. Exibição de Curta: “Caldeirão do Beato Zé Lourenço” – de Catulo Teles e Franciolli Luciano;

23. Exibição de Curta: “Cerca” – de Glauco Vieira;

24. Exibição de Média: “A Enchente do Crato”- de Joaquim dos Bombons;

15´

15´

1h

14h

25. Exibição de Média: “Lua Cambará” – de Ronaldo Correia de Brito;

26. Exibição de Curta:“Cabaré-Memória de Uma Vida”- Alexandre Lucas / Coletivo Camaradas;

27. Exibição de Curta:“Catadores de Pequi”- de Zuiglio Brito e LaislaYanael;

1h

15´

12´

19h

28. Exibição do Curta: Dez anos do Chá de Flor “- de Cristina Diogo e Maria Dias/Juriti Produções;

29. Exibição de Longa: “O Grão”, de Petrus Cariri;

15’

90´

18/06, Sábado


HORA

DESCRIÇÃO

Duração

17h

30. Exibição de Longa: “Sargento Getúlio“- de Hermano Penna;

90´

19h

31. Exibição de Longa: “Padre Cícero” – de Helder Martins;

90´

20h30

Encerramento

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Blaue Nacht am Hafen - José do Vale Pinheiro Feitosa




No Brasil falarmos em parentes se contaminou com os arranjos do nepotismo. Uma espécie de valorizar apenas o que é nosso sem considerar a dimensão geral ou não desta pessoa. Mas como tudo que se levanta o fazemos com especificidade e tende para generalizar-se, existem parentes que se dimensionam de tal modo que necessariamente dispensam o currículo público.

É o caso de José Libório Cavalcante, nascido e passado parte da vida em Iguatu, mas que estudou no Seminário São José e tem o Crato como uma espécie de capital de sua vida. Fala mais na cidade do que na sua Iguatu. Talvez por aqui passar a parte maior de sua adolescência e não guarde rancor da vida confinada de um seminário.

Hoje dava notícias de um mês que esteve na Alemanha. Na casa de um sobrinho, numa única cidade e com algumas incursões a Berlim, Strasburgo e Munique. A verdade é que assim viveu as ruas do dia-a-dia, os hábitos rotineiro da vida. Bem verdade que se tentarmos tomar o pulso do povo com a Eschericia Coli e com a crise econômica, ele responda que não sabe. Não entende alemão.

Por certo que lá não ouviu Lale Andersen. Há muito esquecida na memória alemã. Se bem que Fassbinder fizesse um filme muito bom baseado na vida desta cantora dos anos 30: Lili Marlene. Aliás, o filme tem muito da canção e com as intolerâncias da época, em ambos os lados. Separavam vidas e inventavam ícones populares.

O José Libório, nas horas solitárias alemãs, passeava na tela de computador a ler sobre o Brasil, seus e-mails e principalmente ouvindo Vicelmo na Rádio Educadora, uma Rádio de Iguatu e outra para ouvir ao programa do seu amigo Getúlio numa rádio de Quixeramobim.

Uma das músicas mais belas cantadas pela Lale Andersen, especialmente por que lembra a Alemanha dos anos 30 e 40 não pelo lado da guerra, mas pelo estilo romântico (no sentido amoroso e bucólico da vida) da grandeza cotidiana. A música que se encontra nesta postagem é Blaue Nacht am Hafen e desliza pelo conduto auditivo, acaricia o tímpano e se funde à cóclea como uma extensão do coração.

O José Libório disse-me, falando da Alemanha ainda, que um dos prazeres que tinha era ouvir a Rádio Chapada do Araripe. E a preferência não se devia apenas à empatia que tem pela região, mas pela bem escolhida e qualificada seleção musical do Dihelson Mendonça. Fica o registro. Quem faz, merece saber como seu produto é sentido.

Só de passagem...

Conta-se que no século passado, um turista americano foi à cidade do Cairo no Egito, com o objetivo de visitar um famoso sábio. 
 O turista ficou surpreso ao ver que o sábio morava num quartinho muito simples e cheio de livros. 
 As únicas peças de mobília eram uma cama, uma mesa e um banco. 
 - Onde estão seus móveis? Perguntou o turista. 
 E o sábio, bem depressa olhou ao seu redor e perguntou também: 
 - E onde estão os seus...? 
  - Os meus?! Surpreendeu-se o turista. 
 - Mas estou aqui só de passagem! 
 - Eu também... - concluiu o sábio. 
  
"A vida na Terra é somente uma passagem... No entanto, alguns vivem como se fossem ficar aqui eternamente, e se esquecem de ser felizes."

Pensamento para o Dia 08/06/2011


“Educação significa Vidya, que é o conhecimento do Eu Superior. Esse é o fundamento da educação. Os alunos devem adquirir uma educação sagrada, começando com pensamentos sobre Deus. Mesmo um motorista analfabeto na Índia reverencia o volante antes de ligar o veículo. Da mesma forma, um músico oferece saudação ao instrumento musical antes de tocá-lo. Assim, todo tipo de aprendizagem deve começar com o nome de Deus e da oração a Ele, e cada atividade deve ser realizada como uma oferenda a Deus, sem nenhuma artificialidade e ostentação. Graus adquiridos sem a essência da educação são apenas pedaços de papel. Os estudantes devem ter um coração puro e sagrado e a bondade da educação deve ser refletida em seus rostos. Na verdade, cada indivíduo deve estar imbuído de sentimentos divinos.”
Sathya Sai Baba

"Sayonara" - José Nilton Mariano Saraiva

Se você, aí do outro lado da telinha, ainda não sabe, a palavra japonesa “Sayonara” significa “adeus” e serviu pra titular um dos grandes filmes românticos já rodados (vencedor de três Oscar’s). Tanto que naquela oportunidade a imprensa foi pródiga em elogios, destacando: “Um gigante entre os filmes” (The Film Daily), “Um filme de beleza e sensibilidade” (Variety), “Uma encantadora história de amor; um dos melhores filmes do ano” (Los Angeles Mirror News).
No filme, Marlon Brando (numa atuação soberba), interpreta o Major Lloyd Gruver, herói da Força Aérea americana, envolvido na guerra com a Coréia, e que repentinamente, após pousar, vindo de mais uma batalha aérea, toma conhecimento da sua transferência para a Base Militar Americana, no Japão; é que o futuro sogro (General Webster, comandante da base) já lá se encontra com toda a família e, temendo pela vida do futuro genro, parece pretender “agilizar” a união da filha com o “Major-herói”. Como os militares americanos eram terminantemente proibidos de se relacionar com as mulheres orientais, e o Major Gruver um dos mais ardorosos defensores de tal (pre)conceito, o caminho praticamente estava pavimentado.
As coisas começam a mudar quando o Major é convidado pelo amicíssimo recruta Joe Kelly (seu subordinado e a quem não podia faltar), pra ser padrinho do seu casamento... com uma japonesa, numa cerimônia simples em pleno recinto da Embaixada americana, lá no Japão (por tal atitude, posteriormente foi advertido pelo futuro sogro).
Enquanto no convívio diário com a noiva as coisas começam a “azedar” em razão das diferenças só agora descobertas, a função burocrática, à qual não estava acostumado, começa a lhe “encher o saco” (e a paciência). Pra espairecer, e como não tinha mesmo nada pra fazer, ele aceita o convite de um colega pra visitar na cidade vizinha a cerimônia de “passagem” por uma trilha, rumo ao teatro, das jovens mulheres componentes do balé feminino mais famoso do Japão, o Matsubayashi. E foi aí que o “cupido o flechou”, ao colocá-lo à frente da beleza suave e ao mesmo tempo estonteante de Hana-Ogi, a principal estrela da companhia. Tentou chamar-lhe a atenção, sem sucesso, mesmo envergando a vistosa e bela farda militar (as mulheres japonesas eram também proibidas de se relacionar com os americanos). Assistiu ao espetáculo no teatro, voltou nos dias seguintes e, sempre do mesmo posto de observação, tentava pelo menos conseguir algum olhar piedoso de Hana-Ogi. Nadica de nada. Já cansado e desestimulado com tanto desprezo, resolve observa-la de um outro ponto. E aí, a surpresa. Enquanto dava autógrafos aos fãs, Hana-Ogi timidamente levanta a vista e dirige seu olhar para onde ele sempre ficava; não o encontrando, permite-se um giro de 180 graus com a cabeça, à sua procura.
Xeque-mate (sim, havia esperança).
Através da esposa japonesa do amigo Joe Kelly, consegue marcar um encontro secreto com Hana-Ogi (na casa do recruta); na oportunidade, fala, fala, fala e ela, bela e angelical, sem pronunciar um pio, uma única palavra. Visivelmente encabulado, ele lhe diz que não sabe mais o que fazer e, só então, ela “abre o verbo”: que seus pais foram mortos pelos americanos, que ela mesma fora criada com a quase obrigação de detestar os americanos, mas que, agora... estava apaixonada por ele, um americano. E a partir de então passam a se encontrar às escondidas e viver intensamente aquela paixão explosiva.
Com o suicídio do recruta Joe Kelly e a esposa (grávida), em razão da sua remoção ex-offício para os Estados Unidos (desacompanhado da mulher), o Major Gruver “chuta o pau da barraca”: acaba o noivado com a filha do General, lhe diz da sua intenção de também casar com uma japonesa e recrimina aquele preconceito absurdo (do qual ele era um dos defensores, lembremo-nos); de pronto é ameaçado de expulsão da Aeronáutica pelo ex-quase futuro sogro (que ainda teve o dissabor de ver a filha, ex-noiva do Major, sair de casa anunciando que iria viver com o principal dançarino de um dos balés do Japão).
Para não prejudica-lo, Hana-Ogi foge para uma outra cidade, sem comunicar-lhe, deixando-o ensandecido. Ao descobrir onde ela se acha, vai ao seu encontro e, após o espetáculo, no camarim, lhe diz que renuncia a tudo por ela e, principalmente, que está pra ser aprovada uma Lei americana acabando com tudo aquilo; lhe dá um prazo de alguns minutos para que decida se topa ou não ir com ele para a América, naquele mesmo dia. Retira-se e, do lado de fora, cercado pelos principais integrantes da mídia nipônica, aguarda ansioso que ela apareça. Tensão, expectativa...
No último segundo, Hana-Ogi surge risonha, belíssima e esplendorosa e corre para os seus braços; quando os repórteres e jornalistas pedem pra o Major Gruver deixar alguma mensagem ao povo japonês, sucintamente ele responde: “diga-lhes que eu lhes disse... SAYONARA”. The End.
Nota 1000. Um "filmaço".

VEM AÍ a nossa I MOSTRA DE CINEMA E VÍDEO!


Começa dia 13 de junho, segunda-feira. A gente quer comemorar festivamente os 100 anos do Cine Paraíso instalado aqui no Crato, em 3 de junho de 1911 pelo italiano Victorio di Mayo. Divulgaremos a programação aqui no blog. Aguardem! (Por Luiz Carlos Salatiel).

terça-feira, 7 de junho de 2011

A nova ministra da casa civil num filme de 1937


Trata-se da atriz de musicais de Hollywood com duas curiosidades: era amiga de Carmem Miranda e trabalhou em mais de um filme com ela e a outra é que gravou Youll Never Now num musical dos anos 30 e que se tornou sucesso brega na voz de Waldick e Antonio Marco nos anos 60.

Eu, tu, eles - José do Vale Pinheiro Feitosa


As cenas iniciais deste filme foram tomadas no que era um distrito rural de Juazeiro da Bahia. O nome do distrito é Salitre e num raio de alguns quilômetros se tem de terra irrigada produtora de frutas e cana até o semi-árido como tais cenas vistas neste vídeo. Foi na foz do rio Salitre nos idos do século XVII que uma excursão da família D´Ávila, da Casa da Torre, dizimou quase quinhentos índios aldeados.

São cenas do filme Eu, Tu, Eles. Uma deliciosa comédia com um quadrado amoroso representado pelo melhor que grandes atores podem encenar. A história se baseou em retalhos de fatos reais da vida de uma cearense Maria Marlene Silva Sabóia. Falei de comédia, mas o drama permeia toda a trama: a pobreza, o trabalho duro e a divisão do pouco que se há para dividir.

O mais delicioso do filme é sua trilha sonora. Especialmente este “Esperando na Janela” que tinha por conta de ter sido composta por Targino Gondim, mas que na verdade surge com mais três parceiros, incluindo Gilberto Gil.

Esperando na Janela é uma lição de esperança. O estilo não morreu. O forró ainda tem respiração para muito mais história. Quando seu Luiz começou, a letra forró e muitas notas já eram de indivíduos urbanos e letrados. Zé Dantas e Humberto Teixeira, um era médico e outro advogado e exerciam suas profissões no Rio de Janeiro.

Portanto o nosso forró das rádios, dos discos de cera e dos long play já eram de pessoas urbanizadas e vivendo a vida com o que a cidade produzia. Poderiam ter a nostalgia da vida rural, até mesmo como um brasileiro bem sucedido ter uma fazenda, mas em absoluto viviam da roça e da criação.

O que está acontecendo em Fortaleza e no resto do nordeste com o forró é uma decadência maior. Não é que tudo se explique pelo componente urbano dos personagens. O buraco é um pouco mais profundo. É a nova geração consumista, alçada de uma periferia cruenta de grandes cidades para um sucesso de minutos, com muita grana, uso e fruto desenfreado, exibição de luxo e grosseria. É um forró rude, casca grossa, do pior que a volúpia do fugaz tem para a cultura.

Não é diferente em angústia do pior que vida tem nas grandes cidades brasileiras. Por isso não é diferente de um funk (não no sentido musical) em seu desespero de se humilhar para esconder a humilhação de todos os dias: nos trens de periferia, nos baixos salários, contas a pagar e um desejo de consumo sem meios para consegui-lo.

Em ambos as mulheres se deliciam como objetos de machos exibicionistas. Valentões cheirados e com garrafas das bebidas mais baratas em goladas pelo gargalo. Na periferia de Fortaleza existe um negócio chamado Lual, verdadeira festa rave, só que com forró eletrônico numa babel de centenas de bolhas de som, formadas por paredões de caixas, tocando coisas diferentes, mas todas iguais na mesmice tediosa que a surdez de decibéis parece revelar.

Isso cansa. A sociedade urbana vai mudar, mas é neste mesmo arrasto que se mata por um par de tênis ou por um celular. Que o crack forma zumbis nas cidades pequenas. Que a municipalidade parece pequena para tantos problemas. A luta pela crítica ao forró de plástico passa por muitas críticas ao próprio modelo de acumular e consumir na modernidade ou na pós-modernidade vá lá ao que isso seja.

Tudo que já é ruim, pode piorar - Vejam a Bela Cultura musical Cearense de que eu falo:


É disso que eu falo. É o que rola 24Hs nas rádios do Ceará. Veja e caia de costas:





O.B.S - As gatinhas são lindas, mas a música...

Palavras São Milagres Migratórios...Um Poema-Wilson Bernardo.

NÃO SE DEVE TOTALMENTE SANTIFICAR!
Que Deus seja justo
posso até concordar


mas depois da benevolência
o homem reinventou
os pregos em forma de parafusos.

Wilson Bernardo(Poema & Fotografia)

Sobre a "aposentadoria" - José Nilton Mariano Saraiva

Preparar-se antecipadamente, focando principalmente os aspectos psicológico (ocupação do ocioso tempo disponível) e financeiro (capacidade de atendimento às novas demandas), sob pena de não o fazendo, à frente colher frustrações e desenganos, eis aí a tarefa prioritária dos que rompem as amarras do vínculo empregatício e se aposentam após anos e anos de labuta diária, almejando, a partir de então, compreensivelmente, o “aproveitar a vida” com intensidade, qualidade e sem pressa.
Há, no entanto, óbices a serem vencidos: 1) em razão do “teto-limite” estabelecido pelo Governo Federal (INSS) para o “benefício previdenciário” jamais equiparar-se à remuneração percebida por aqueles que têm uma renda um pouco mais expressiva que o salário mínimo, corre-se o risco de “sobrar dias ao final do mês” (faltar grana pra pagar as contas); 2) como o índice de reajuste desse mesmo “benefício previdenciário” já se nos apresenta defasado há bastante tempo, não guardando consonância com os índices de reajuste dos preços dos produtos em geral, torna-se evidente que a remuneração do aposentado brasileiro experimenta dia-a-dia um corrosivo desgaste ou achatamento, via diminuição do seu poder de compra; 3) por conseqüência, fica ele impossibilitado de levar uma velhice serena, tranqüila e sem problemas, como mereceria (e aqui os gozadores de plantão se aproveitam para, num misto de ironia e sarcasmo, cunhar a expressão “melhor idade”, ao se referirem ao período pós laborativo - a aposentadoria).
Pois é exatamente nesse estágio que se destaca, por fazer a diferença em favor dos que dela fazem uso, a questão da “Previdência Complementar” (gerenciada pelos chamados Fundos de Pensão) que tem por objetivo a fundação de reservas para benefícios futuros e (como o próprio nome sugere) possibilita um necessário “complemento da renda” aos seus usuários (para se ter uma idéia da defasagem, normalmente o “benefício complementar” é maior que o “benefício previdenciário”).
A questão é tão importante, que o próprio Governo Federal trata de estimular a adesão aos Fundos de Pensão (nas empresas estatais a adesão é compulsória), principalmente tendo em vista a sua pujança e capacidade de indução na formação de poupança, assegurando um grande volume de recursos internos (a custos baixos e de longo prazo), adequados ao financiamento de obras estruturantes pelo setor público; isso aquece a economia, estimulando a geração de emprego e renda (só pra exemplificar, a Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, é hoje um dos principais parceiros do Governo Federal em obras de grande vulto).
Só que, apesar de tal estímulo governamental, lamentavelmente, no Brasil como um todo, os números ainda não são lá tão animadores: apenas e tão-somente 2,3 milhões de pessoas, das 92,3 milhões que compõem a População Economicamente Ativa (PEA) se encontram ao abrigo da Previdência Complementar (posição de maio/2010), numa demonstração inequívoca do pouco caso ou desconhecimento da sua necessidade por parte daqueles que deveriam ser os seus maiores interessados: os empregados.
E a demonstração de que ainda engatinhamos no manuseio e uso efetivo de tão importante ferramenta econômica pode ser facilmente constatada quando observamos a frieza dos números, em relação aos países desenvolvidos: enquanto aqui a aplicação no setor contempla pífios R$ 510 bilhões, correspondente a 16,0% do PIB (posição de maio/2010), na Holanda o montante atingido representa 110% do PIB e em países como o EUA, França, Inglaterra, Espanha, Canadá e Japão o volume desses recursos chega a 60% dos PIBs respectivos.
No entanto, como o rincão é promissor e de retorno garantido para quem nele investir, a esperança é que as campanhas educativas sobre o tema surtam o efeito desejado, possibilitando uma maior adesão dos empregados vinculados às empresas particulares a essa nova realidade, de forma que a Previdência Complementar cumpra com os seus dois nobres objetivos sociais: complemente o ganho dos que se aposentam, possibilitando-lhes uma melhora na qualidade de vida; e, atue como forte indutor do processo desenvolvimentista do país, aliando-se a governo no atendimento aos grandes projetos geradores de emprego e renda.