Criadores & Criaturas
"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata."
(Carlos Drummond de Andrade)
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segunda-feira, 20 de junho de 2011
Dom Corleone: o verdadeiro Ethos dos EUA - José do Vale Pinheiro Feitosa
Irmãos amigos para sempre
A "graviola podre" do Zé do Vale - José Nilton Mariano Saraiva
Bem que poderiam refletir sobre o que nos diz o Zé do Vale (postagem “Manter a mensagem e o debate”, aqui veiculada dias atrás), antes de rebolar “graviolas podres” em quem tem a coragem e responsabilidades devidas de se abrir para o mundo. Sem receios ou temores. Preto no branco e assinando ao final.
Vejam que autenticas pérolas do nosso Zé:
“A verdade é que ninguém precisa saber do meu quintal, mas é importante que alguém compreenda a minha busca de compreensão do mundo. Não concorde com ela, mas saiba que assim imagino. Não tem problema que aponte meus erros, mas sem jogar graviola podre em cima de mim” _________________________________
“No dia em que um assunto não puder ser tratado por um cidadão, este assunto não existe. Isso é coisa de sociedade secreta, de iluminados, de mensagens cifradas.(...) Se estamos todos aqui discutindo política, cultura, economia, filosofia e o cotidiano o mais certo é que as visões se multipliquem”.
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“E quando abordo qualquer assunto, mesmo que não seja do agrado de outras pessoas, não imagino a concordância, mas, no mínimo, o brilho do contraditório”.
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“Quando não gostamos da abordagem de alguém, tratemos de analisar, refletir e se estiver com o conteúdo que julgue importante contrapor-se tem por sentido a obrigação de fazê-lo. E também se não tiver interesse em participar de eventuais querelas não o faça. O que não é legal é ficar com raiva, querendo jogar frutas em quem discorda”.
Feridas abertas - Emerson Monteiro

Algo que revira entranhas feito brasa acesa nesses tempos convulsos caracteriza o despreparo da Humanidade para solucionar graves desafios em séculos seguidos. Apenas uma banda de mundo aparenta tranquilidade do ponto de vista social. A outra, amargura marcas profundas em termos de desencanto e desesperança. Espécie de sistema injusto transfere, de geração a geração, fortes heranças deixadas pelas guerras, em desatenção ao mínimo padrão da boa convivência, quando tudo serviu de pretexto à ganância dos menos escrupulosos. O cinismo diplomático ainda representa a regra básica dos povos e países, na conquista dos mercados e escravos.
Trilhões financeiros da riqueza da Terra alimentam a máquina infernal de quantias imensas que movimentam a indústria das armas, o comércio das drogas, os jogos, a prostituição. Praticar respeito entre as criaturas humanas deixou de significar progresso e demonstra fraqueza. Há que se andar tantos caminhos até contar história diferente, de alegria e positividade.
O canteiro de obras desses sonhos bons, no entanto, espera trabalhadores melhor qualificados, pois agora os exemplos torpes de autoridades infiéis aos compromissos coletivos querem fixar modelos perdidos. E o que se vê são caravanas de complicações no resultado parcial da farra política.
A cena dos palcos mostra limitações de não ter tamanho. Atores fantasiados encenam quais marionetes abobalhadas em meio aos gritos desesperados da miséria moral que predomina.
Nisso existem aqueles vendilhões da miséria alheia que usam a bilheteria em favor particular, os ditos ratos de monturo. Sugam as energias das populações de armas em punho, descaradamente qual sendo só seu o que a todos pertence.
Querer narrar a condição humana noutros cadernos mais organizados, ou pintar o barco nas cores amenas, eis o desejo de qualquer sobrevivente do mundo atual. Porém as telas que a realidade oferece quase que em nada mudaram, nos panoramas tristes elaborados desde a antiguidade dos pintores medievais.
Fanatismos, corrupção, distorções legais, administrativas, pornografia, epidemias, poluição, palavras do poema histérico escrito nos ares cinzentos e transcrito nas páginas rudes da civilização.
Esperar por mudanças favoráveis, mesmo que isto represente conscientização e trabalho, nunca é tarde, e recomeçar sempre a jornada. Cada personagem da crise desse chão detém o poder de transformar sonhos em acontecimentos, desde que reconheça disso a enorme necessidade presente.
VÍDEO - Cineasta e Cinegrafista Catulo Teles fala sobre a sua relação com o Cinema e a I Mostra Crato de Cinema e Vídeo
Um artista Global
O.B.S - Para evitar ouvir 2 sons ao mesmo tempo, pare antes o player da Rádio Chapada do Araripe, no canto superior direito, no topo do Blog.
Produção: Dihelson Mendonça
TV CHAPADA DO ARARIPE - WEBTV
www.tvchapadadoararipe.com
domingo, 19 de junho de 2011
O que é a Missa?

Sobre a missa assim se pronunciaram alguns santos:
Toda Santa Missa diminui teu purgatório." (São Bernardo)
(Pesquisa feita por Armando Lopes Rafael)
SERTÃO POP REALIZA SÃO JOÃO COM FORRÓ AUTÊNTICO

Além do clima do verdadeiro São João que teremos através da música, a festa terá comidas típicas, quadrilha improvisada, fogueira, concurso de traje típico e muito forró autêntico.
A difícil arte de viver de arte
A Difícil Arte de Viver de Artes
Um Artista não nasce pronto, mas nasce com o dom artístico.
E é esse dom que lhe faz acreditar que é possível!
Mas a realidade não é tão fácil assim, sou artista plástico desde 1981, só agora venho colher um pouco do que gastei em que acreditei, não falo aqui de dinheiro, que é essencial para sobreviver, mas sim de reconhecimento e valor ao meu trabalho. São anos de dedicação e aprimoramentos, anos difíceis que poucos caminham nessa estrada, me dou crédito e o luxo de nunca ter chegado com um pires nas mãos na porta do Governo Estadual ou local, também nunca fui procurado por ambos, que lamento muito, mas não por mim, mas sim por muitos e muitos talentos que temos aqui em nossa terra e não é dado o devido valor, e sendo assim muitos desistem no meio do caminho perdendo-se um sonho e “ um artista”.
A Arte é um patrimônio da humanidade, ela por si só conta sua História, pena daqueles que não dão valor a sua própria cultura e como sempre vem a política suja, que os braços são estendidos para os seus e os mais favorecidos,mais uma vez é “Lamentável”.
Fica aqui o meu protesto e meus agradecimentos aos meus clientes, amigos e toda sociedade caririense que tem dado reconhecimento pelo o meu trabalho, mesmo sem apoio represento o meu amado Crato com minhas obras até mesmo no exterior.
Ateliê Artessetra
Artes indo e vindo para você
Av. Pedro Felício Cavalcante 2274
Parque Grangeiro- Crato-Ce
Se você não pode ir ao Ateliê Artessetra, ele vai até você
Ligue
(88) 8821 3731 -9991 5770
Veja minhas obras no endereço do meu Orkut
daniel_bloc@yahoo.com.br
Crato abre Semana do Município com assinatura de órdens de 10 milhões de reais em obras para a cidade
CRATO EM FESTA!
O prefeito do Crato, Samuel Araripe, abriu oficialmente, na manhã de ontem ( sábado ), no Teatro municipal Salviano Arraes Saraiva, a Semana do Município. O evento começou com uma palestra proferida pelo prefeito por título: “Os Desafios e Potencialidades do Município do Crato” e contou com a projeção de slides em Datashow, mostrando as realizações da administração Samuel Araripe. O teatro estava lotado, inclusive na galeria superior. Em seguida, o prefeito assinou várias ordens de serviço. Os investimentos em novas obras e melhoria de infraestrutura da cidade do Crato são de mais de R$ 10 milhões.
LISTA DE OBRAS:
Neste dia 18, será autorizada a construção da quadra poliesportiva coberta do Sítio Malhada; Reforma das praças centrais: Praça Juarez Távora, Praça Francisco Sá, Praça Cruz do Século, Praça Antônio Esmeraldo, Praça Francisco Zábulon, Praça Dr. Joaquim Fernandes Teles e Praça Teodorico Teles.
Além da construção de uma praça no bairro Belmonte, construção do CREAS – Centro de Referência Assistência Social e construção de 104 unidades habitacionais; o Governo do Crato fará recuperação de estradas vicinais e colocação da sinalização turística indicatória. Será realizado calçamento em pedra tosca nos bairros: Seminário, Muriti, Barro Branco, Novo Horizonte, Novo Lameiro, Parque Grangeiro, Sossego, São Bento, Zacarias Gonçalves, Palmeiral, Gisélia Pinheiro, Recreio, Santa Rosa, São Miguel, Baixio das Palmeiras, Ponta da Serra, Santa Fé e Distrito de Monte Alverne. Também serão solicitadas licitações para a construção de postos de saúde do Pantanal, Independência, quadras do Pantanal, Mutirão, e Conjunto Vitória Nossa, no bairro Seminário.
Hoje, ( domingo ), será realizada a 15ª corrida de pedestrianismo “Cidade do Crato”, a partir das 8 horas, na Praça da Sé.
Por Dihelson Mendonça, com informações da Assessoria de Imprensa da PMC
sábado, 18 de junho de 2011
Padre Vieira terá Museu
Publicado em 18 de junho de 2011
Equipe DA SECULT e de Várzea Alegre faz levantamento do acervo para o projeto de concepção memorial que deverá viabilizar a instalação do centro sobre a vida de Pe. Vieira
FOTOS: HONÓRIO BARBOSA
CASARÃO HISTÓRICO foi alugado pela Prefeitura de Várzea Alegre para ser sede do novo espaço cultural da cidade
Várzea Alegre O acervo pessoal do padre e escritor, Antônio Vieira, vai ganhar um espaço apropriado, nesta cidade, localizada na região Centro-Sul. Parceria firmada entre a Prefeitura e a Secretaria de Cultura do Estado (Secult) viabilizará em breve a instalação de um centro cultural, com museu, biblioteca, salas de pesquisa, leitura e vídeo. Nesta semana, começaram os trabalhos para catalogação de peças e livros e para a elaboração do projeto de concepção do memorial.
Desde terça-feira passada, três técnicas da Secult trabalham na seleção de objetos, fotos, livros e documentos do acervo pessoal do Padre Vieira. "Era preciso o trabalho de uma equipe especializada em instalação de museu", observou o secretário de Cultura do Município, Hélio Batista. "Inicialmente, está sendo feito um diagnóstico do material histórico".
O padre Antônio Batista Vieira nasceu em Várzea Alegre em 1919 e morreu em abril de 2003, aos 84 anos. Morava em Messejana, bairro de Fortaleza, onde havia instalado um sítio e um espaço próprio para conservação de seu acervo pessoal e pesquisa. Em 1986, criou o Instituto de Arte e Cultura que tem a sua denominação. "Após a sua morte, o acervo ficou abandonado e era preciso revitalizar a diretoria do instituto", explicou o secretário, Hélio Batista.
A Prefeitura alugou um imóvel no Centro de Várzea Alegre para instalação do espaço cultural. "É uma casa apropriada, antiga e que tem tudo a ver com a proposta do Instituto", frisou Batista. O passo seguinte foi solicitar, por meio de ofício à Coordenadoria de Patrimônio Histórico e Cultural (Cophc) da Secult, o apoio necessário para a implantação do espaço cultural. O coordenador da Cophc, Otávio Menezes, atendeu a solicitação do Município e enviou uma equipe técnica, que tem a participação da museóloga e arquiteta, Lídia Sarmiento, e as historiadoras, Jana Rafaella e Janaina Cavalcante. O clima entre os envolvidos no trabalho de catalogação do acervo é de expectativa e empolgação.
A denominação oficial do espaço ainda não está definida, mas a tendência é que seja Centro Cultural Padre Vieira, e terá espaços diversos. "Será um equipamento fundamental para elevar o nível cultural da cidade", observa Lídia Sarmiento.
Jana Rafaella observa que a cidade precisava reconhecer a importância histórica do filho ilustre. "Os moradores devem valorizar e ter consciência da produção cultural do Padre Vieira", disse. Para Janaina Muniz, o espaço cultural deverá ser um centro de "construção da memória da cidade" e do homenageado. "Queremos ajudar a construir essa identidade".
O secretário de Cultura avalia que a instalação do centro vai preservar um importante acervo histórico. "Queremos revitalizar esse passado, fazer com que a produção cultural e a memória do Padre Vieira fiquem eternizadas, seja uma referência e um lugar de pesquisa", destaca.
O sonho do secretário Hélio Batista, com o apoio do prefeito José Hélder, começa a se tornar realidade. "É o Município que vai ganhar com esse espaço", frisou. "Não queremos que seja um depósito de coisa velha, mas um ambiente de pesquisa e de atração da juventude".
Além de sacerdote e de escritor, Padre Vieira foi político, eleito deputado federal na década de 1960, foi cassado, após o golpe militar de 1964.
A partir da década de 1970, começou a luta em defesa do jumento, que eram mortos em massa por frigoríficos. Mostrou intensa preocupação com o meio ambiente, preservação e consciência ecológica.
Acervo
No acervo há centenas de cartas trocadas entre amigos, parentes, governos e instituições internacionais. Objetos pessoais, peças artesanais, quadros, e dezenas de livros de sua autoria e centenas de publicações que compunham a biblioteca pessoal. O Centro Cultural deverá contar com uma biblioteca, sala de leitura, pesquisa, de exibição de vídeo, espaço para produção de peça artesanal de réplicas de jumentinhos, cordéis, xilogravura e até um ambiente cênico.
Fique por dentro
História
Padre Vieira nasceu na Serra dos Cavalos, em Várzea Alegre, no dia 14 de junho de 1919. Filho de pais pobres que viviam no campo, conheceu na infância limitações e privações peculiares à situação de pobreza. Trabalhou na roça. Estudou no Seminário do Crato e de Fortaleza, onde concluiu Filosofia e Teologia. Ordenou-se em 1942. Em 1964, cursou Administração de Empresas na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. Depois, cursou Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Escrevia em jornais e publicou dezenas de livros: "100 Cortes Sem Recortes" (1963); "O Jumento, Nosso Irmão" (1964); "O Verbo Amar e Suas Complicações" (1965); "Mensagem de Fé, Para Quem Tem Fé" (1981); "Pai Nosso" (1983) e "Bom Dia, Meu Irmão Leitor" (1984).
Honório Barbosa
Repórter
Conheço Zé Flávio desde menino - José do Vale Pinheiro Feitosa
O PSDB do Ceará e o futuro do Estado - José do Vale Pinheiro Feitosa
Programação de encerramento da I Mostra Crato de Cinema e Vídeo - 18/06/11 ( Sábado)
Crato encerra hoje Mostra de Cinema e Vídeo
Reportagem de Antonio Vicelmo (Diário do Nordeste)
Ode fluvial
sexta-feira, 17 de junho de 2011
música
cantam ou é barulho de água
nas pedras de um riacho
que passaria entre as mãos
não fosse tão grande
o lugar que fabrica solidão
pássaro ou gente
um canto onde
em cada canto se esconde
semente de solidão
a solidão se abre
maior do que a vista alcança
deserto que não sabe
quando começa e acaba
a música vai para perto
de quem acredita
na real possibilidade
de romper as arestas
desse deserto
cada vez mais perto
apertando por todos os lados
acabando com nossas conversas
qualquer um pode caminhar
nessas areias sem vê-las
tão duras, pode ouvir esse canto
sem saber de onde vem
para onde vai nem quando
voltará ondulando ondulando
num dizer om shanti shanti om
As mudanças de Generéia

As transformações apareceram de forma insidiosa, assim como o cupim destroçando pouco a pouco uma biblioteca. Quando Matozinho, muitos anos depois, olhou para trás é que percebeu a inexorável ação do tempo. Não só a vila havia pouco a pouco mudado seu leiaute – bastava ver as antigas fotos do lambe-lambe Zèzinho do Papouco – os costumes tinham ido junto. Certamente a chegada da televisão foi um dos propulsores daquela reviravolta. Depois da TV , Matozinho nunca mais foi a mesma. Travestiu-se de ares modernosos embora, no fundo, ainda permanecesse profundamente provinciana. As mocinhas já não mais aceitavam roupas de costureira, queriam as pré-fabricadas com os últimos modelitos das novelas. E os adereços seguiram a mesma tendência: nada mais de gigoletti, de travessa no cabelo e de cara sem maquiagem. Até as velhas já ousavam abandonar os véus, os califons, as combinações e as anáguas. Os rapazes já se espelhavam nas bandas de rock e comentava-se que até mesmo alguns baseados já muitos tinham experimentado. E de nada adiantava o sermão do padre, o esporro dos mais experientes: o mundo velho estava perdido no mato e sem cachorro. Os matozenses recobriram-se de um ar de fidalguia, como se a vida de todos houvesse saltado de uma novela: cada um passou a se achar mais importante que o outro e estabeleceu-se uma epidemia de pabulagem desenfreada.
E foi exatamente nesta época que D. Generéia , que morava no centro, resolveu mudar-se para uma outra casa, numa rua mais afastada. O marido havia perdido uma sinecurazinha que mantinha na prefeitura e a coisa apertara. Viu-se Generéia numa sinuca de bico. Primeiro não podia passar por baixo ( e isso lá era papel de atriz de novela!) e aceder que saía por pura liseira e , mais, que estava se mudando para uma casa mais pobre sita num cuvioco , próxima à famigerada Rua do Caneco Amassado. Uma notícia dessas não carregava nenhum glamour, nem era digna de um script de mini-série. Espalhou, de peito aberto, que havia sido recomendação de Janjão da Botica, uma tentativa, de mudando de clima, melhorar a asma feroz e o chiado de peito de que Generéia assumiu ser acometida. “É uma questão de tempo, vou mais prá veranear e quando voltar não venho morar perto dessa rafaméia aqui, não, já estamos pensando em fazer um palacete na nossa chácara no pé da serra da Jurumenha” , disse uma Generéia orgulhosa e cheia de si , com cara de Odete Roitman.
Após a enfática declaração de Generéia, pulou no meio do terreiro um outro problema: a mudança. É que não existe neste mundo de meu Deus uma coisa mais desmantelada que mudança de pobre. Imaginem uma carroça repleta de cacarecos velhos, soltando , como uma medusa, perna prá tudo quanto é lado. E mais: tendo que ser providenciada em várias viagens, durante o dia, já que no escuro não há nenhuma condição de se fazer o translado. É como se , de repente, a família expusesse suas entranhas à execração pública. A necessidade de uma mudança com essas características, certamente contradizia os atuais padrões globais da cidade de Matozinho. Se ao menos houvesse um caminhão baú, levando os teréns tudo entocado no breu da madrugada! Mas carroça!
Manhãzinha chega o carroceiro “Paçoca” com sua carrocinha, acompanhado de uns três moleques para assessorar no penoso mister. Os vizinhos observavam de longe, mantendo distância regulamentar, esperando de dentes e língua afiados, o momento de pinicar o oratório da pábula companheira de rua. Generéia postou-se na janela e começou a irradiar a mudança, em voz alta. Era uma desesperada tentativa de minorar um pouco a caótica visão dos cacarecos dependurados, utilizando alguns recursos da publicidade. Quando “Paçoca” pegou a Tevezinha preto-e-branco de umas quatorze polegadas, Generéia gritou para que todos ouvissem:
--- Meu povo ! Cuidado com a TV de Plasma !
Logo depois, os assessores recolheram os brinquedos dos filhos e colocaram numa caixa de sapato : uma peteca, duas bolas de gude, um triângulo, uma carrapeta e um pião. Quando traziam para a carroça, Generéia alarmou:
--- Epa ! Cuidado prá não quebrar o Videogame dos meninos, viu?
Quando “Paçoca” pegou a chaminé do fogão de lenha, repleta de pucumã e arrumou aquele cone preto retinto no meio da carga, Generéia saltou de lá e alarmou:
--- Preste atenção, seu Paçoca ! Vê se não arrebenta minha coifa, joviu?
Logo depois, os três moleques, com uma dificuldade imensa, pegaram a jarra de barro cheinha de água e, cambaleando pelo peso, começaram a levar até à carroça para colocar em cima da cantareira que lá já estava acomodada, com uns quatro canecos pendendo pelas beiras. De repente, o pote liso escorregou e lascou-se no chão. Foi água para tudo quanto é lado. Do outro lado da rua, Zé Fubuia que observava tudo: o fato e a versão bradou a todos pulmões:
--- Acode minha gente ! O Gelágua de Generéia partiu-se no meio !
J. Flávio Vieira

