Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

UM POUCO DE RECORDAÇÃO

PEDRO ESMERALDO

Recordamos as belezas naturais do Crato de antigamente. Era uma cidade pacata, cheia de belezas naturais e ainda um pouquinho das belezas artificiais. Recordamos as obras d’arte como a fonte luminosa da Praça Francisco Sá, o prédio da Estação Ferroviária, a Estátua da Samaritana nessa referida praça que nos deslumbrava com o farfalhar das águas da fonte luminosa. Muita gente ficava admirada pelo crescimento da sua economia, já que o homem de outrora era um gigante no seu trabalho.
Trouxeram para o Crato grande progresso que ao mesmo tempo tínhamos prestígio para adquirir melhoramentos, como: a expansão técnica da agricultura da época, éramos enaltecidos por uma cultura bem elevada e foi daqui que surgiram grandes líderes intelectuais que todos ficavam embevecidos por sua força de intelecto, que tinha poderes de sobressaírem-se, trazendo para o Crato uma força de equilíbrio moral que nos deixava bem fortalecido com a ética e prestígio.
Por essa razão, pedimos a todos que nos recordemos do passado, forçando a recuperação da antiga fonte luminosa e da estátua samaritana que foi oferecida ao município pelo ex-jogador de futebol Mundinho. Também queremos que nos tragam mais empenho e force o homem a trabalhar com galhardia e espírito de justiça.
Hoje em dia, após a permanência de políticos inadequados que invadiram a zona urbana da cidade, vimos um Crato apático com um povo desanimado, sem esperança de trabalhar permanece, com o fito de ver a cidade desrespeitada pelos algozes dos inimigos que querem levar ou já levaram em parte os nossos bens materiais que conquistamos com força, trabalho, suor e lágrimas.
Infelizmente, não estamos atentos porque fomos atingidos pelas peçonhas das cobras inimigas que invadiram a cidade com palavras mansas dizendo que todos somos iguais. Mas os maiorais só são somente eles, os perversos urubus.
Esses políticos arredios ao progresso permanecem omissos e deixam tudo correr frouxo e não levantam sequer uma palha a fim de defender a cidade das garras desses felinos predadores que vêem aqui surrupiar tudo o que é nosso.
Felizmente, encontramos pessoas corajosas que querem lutar e trabalhar para ver se ao menos conservamos em parte alguma coisa que sobra no decorrer do período.
Não queremos marchar à toa, mas queremos usufruir dos desígnios do passado porque somos humanos e queremos sobrelevar com magnificência de homem sério a fim de evitar os embustes que constantemente ocorrem no decorrer do tempo.
O que notamos é que esses homens de mente curta não se interessam pelo progresso dessa cidade, marcham sem rumo e sem ânsia de progredir.
Também queremos lembrar que o Crato sofre há anos e sempre causado pela apatia de seus filhos que pouco a pouco entregam o Crato aos inimigos. Esses homens pouco endinheirados só pensam no vil metal e deixam o Crato ao léu.

Crato-CE, Setembro de 2011.


Pela Janela
- Claude Bloc -

Vista da Serra Verde - pela janela

Sigo em frente. Ando em volta. Apresso o passo. Dobro a esquina. Vou depressa, paro um pouco. Para onde vou?

 Se eu abrir um pouco a minha janela e olhar para dentro, descubro que estou lá! Só que a janela nem sempre está aberta ou eu nem sempre me lembro de espreitar.

Então, sigo em frente. Apresso o passo. Dobro a esquina.Vou depressa. O tempo corre depressa. Ou melhor, nós corremos depressa sobre um tempo que é só um. 
.
Chegam as notícias pelas frestas da porta e deixam marcas nos nossos subconscientes. Abro de novo a minha janela e olho para dentro. Eu continuo lá, espreitando com atenção, a vida passar, o tempo passar...

 E vou ficando por lá. Lá onde a felicidade se deixa espreguiçar. Estou lá. Lá onde a alegria me acena com mil cores. Com um doce, macio e cúmplice sorriso. Vários sorrisos. Milhões...


Claude Bloc

Duas faces de uma só natureza - Emerson Monteiro


A mulher e o homem são aspectos distintos, porém integrais, da natureza que os dois formam e se repetem ao infinito. Houvesse ausência de um, e deixaria vazio de não ter tamanho, a ponto da total interrupção dos acontecimentos biológicos que representam a longa história de todos nós.

No decorrer do tempo, contudo, devido aos motivos dos que buscam aprender das condições normais, invés de somar, excluem e criam divisões, a pretexto de reinar a fria competição, a concorrência desleal, da selvageria de um dos sexos, quando eles mesmos sozinhos se completam.

As características da mulher e do homem representam perfeição em termos de organização social, na elaboração da célula mãe da família e dos grupos. De sã consciência, ninguém levantará bandeira de superioridade entre esses dois aspectos essenciais do casal humano à procriação e educação das gerações, no sentido da construção ideal de uma sociedade justa.

As definições de cada um desses distintos elementos compõem a vida e pedem apenas que se respeitem no tanto certo de estabelecerem a felicidade ideal das pessoas. Exemplos haverá aos turbilhões de quem compreendeu tais características próprias da mulher e do homem, frutos da ciência universal. Isso põe a pensar no quanto ainda precisam conhecer dos segredos da paz, até rezar do jeito correto nas cartas das existências coletivas.

A riqueza dessas peculiaridades dos sexos rasga vistas dos que querem aprender o objetivo da lei da Criação, seus sabores e suas normas dignas da mais lúcida exatidão matemática.

Ao observar, pois, a ação amistosa entre os irmãos, o viajante das estrelas conclui que sem a mãe ou sem o pai nada existiria para merecer nome de filhos, e nenhuma história nasceria antes de tudo para se conhecer.

Eis, por isso, qual a solução das crises que sustentam a ilusão de serem opositores as duas manifestações dos que vierem morar algum tempo neste chão comum de dois.

Não Vou Sair - Celso Viáfora

Não Vou Sair - Celso Viáfora


A geração da gente
Não teve muita chance
De se afirmar, de arrasar, de ser feliz
Sem nada pela frente pintou aquele lance
De se mudar, de se mandar desse país
E aí você partiu pro Canadá
E eu fiquei no "já vou já"
Pois quando tava me arrumando
Pra ir
Bati com os olhos no luar
E a lua foi bater no mar
E eu fui que fui ficando...

Distante tantas milhas
São tristes os invernos
Não vou sair, tá mal aqui, mas vai mudar
Os velhos de Brasília
Não podem ser eternos
Pior que foi, pior que está, não vai ficar
Não vou sair
Melhor você voltar pra cá
Não vou deixar esse lugar
Pois quando tava me arrumando
Pra ir
Bati com os olhos no luar
E a lua foi bater no mar
E eu fui que fui ficando...

Postado por Aloísio

Entre “tapas e beijos” ... o “morde e assopra” - José Nilton Mariano Saraiva

Transmitido ao vivo pela TV Assembléia, semana passada (15/09/11), o plenário da Assembléia Legislativa do Estado do Ceará acolheu os participantes de um seminário abordando o tema “Um basta na corrupção”, promovido pelo Instituto de Estudos e Pesquisas para o Desenvolvimento do Estado do Ceará (Inesp) e solicitado pelo Deputado Estadual Fernando Hugo (ao qual fizemos questão de comparecer).
Além do próprio, dentre os componentes da eclética mesa figuravam: a jornalista Adisia Sá, o presidente da Câmara Municipal de Fortaleza Tim Gomes, o jurista Almir Pinto, a conselheira do TCE Soraia Vitor, o presidente da OAB-CE Valdetário Monteiro, o representante do Ministério Público promotor Romério Pinheiro, o bispo emérito de Limoeiro do Norte Dom Edmilson Cruz; o procurador-chefe da Fazenda Nacional Luiz Martins e o Deputado Federal Raimundo Gomes de Matos, que foram unânimes em condenar, sob aplausos, o atual estágio de corrupção vigente no país.
Vale ressaltar o reconhecimento de quase todos para com a presidenta Dilma Roussef que, segundo Tim Gomes "...dá exemplo à sociedade com a demissão sumária de ministros envolvidos em atividades irregulares”; já a jornalista Adísia Sá foi direto ao ponto, ao contundentemente declarar: "Fala-se muito de combate à corrupção. Por que não se diz onde estão? Estou cansada de ouvir a mesma coisa. Temos que dar o nome dos responsáveis. Apontar nomes, provar e punir", cobrou Adísia, elogiando a presidente Dilma Roussef, "...que já pôs na rua vários ministros. Isso é um exemplo para governadores e prefeitos".
A surpresa, entretanto, deu-se quando a palavra foi facultada a algumas pessoas que antecipadamente se haviam inscrito. Foi então que, o Deputado Estadual Moésio Loiola surpreendeu (agradavelmente) a todos. Após as saudações de praxe, manifestou seu profundo desconforto com as recorrentes acusações assacadas contra os políticos em geral e os componentes do legislativo estadual, em particular (embora nas as desmentisse), mas que estariam sendo injustiçados e, dirigindo-se diretamente ao presidente da OAB-CE Valdetário Monteiro, - olho-no-olho - chamou-o de querido, simpático, inteligente, mas...
Mas que ele tomasse providências (e urgentes) porque o poder Judiciário pouco diferia dos poderes Executivo e Legislativo em matéria de mordomia, nepotismo, fisiologismo e que as maracutaias são tantas que tornam praticamente impossível identificar os envolvidos; acusou peremptoriamente (com todas as letras, pontos, vírgulas, acentos e exclamações) a existência de desvio de conduta, fraude, estelionato, negociação de sentenças, venda de liminares, manipulação na distribuição de processos, grilagem de terras, favorecimento na liberação de precatórios, contratos ilegais e malversação de dinheiro público e – muito mais grave - que tinha conhecimento, de fontes fidedignas, que muitos juizes não se davam ao trabalho de sequer ler os processos, manusear os autos, a fim de emitir as sentenças respectivas, dependendo do figurão que estaria por trás e da propina liberada.
Não é preciso dizer que foi aplaudido de pé. Surpreso, o presidente da OAB-CE Valdetário Monteiro (que já houvera usado da palavra) pediu e conseguiu replicar (ou treplicar) e, entre “tapas e beijos, morde e assopra”, os dois se comprometeram a ter uma conversa esclarecedora, a posteriori.
Você, aí do outro lado da telinha, acredita que mudará alguma coisa ???
Ou será que os três poderes (Legislativo, Executivo e Judiciário) que se rotulam de autônomos e independentes, aqui se igualam e continuarão, convenientemente, defecando pra humanidade ???
Façam suas apostas.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O Micróbio - José do Vale Pinheiro Feitosa

José Roberto é professor de odontologia em Recife, escreveu um livro e publicou esta história. O Hélder Gurgel é dentista cearense e repassou-me por via oral, pois não li o livro do Zé.

Vinha o Zé Roberto de Recife para o Cariri onde faria uma Conferência. Lá pelas tantas, em Serra Talhada, param para fazer um lanche numa churrascaria de beira de estrada. Enquanto lanchavam viam numa mesa próxima uma pessoa, no meio da tarde, bem relaxada tomando uma cerveja. Estava com a roupa branca dos profissionais de saúde.

Enquanto o Zé ralava pelos sertões, o colega estava ali num bem bom. Lá pelas tantas o “colega” acabou a geladinha e veio na direção deles e de repente parou e cumprimentou o Zé com manifesta alegria. Sem lembrar-se de quem se tratava, este o chamava professor com orgulho de aluno, o Zé foi levando o desconhecimento em “banho Maria”.

O “colega” estava feliz com a situação vivida, contava ao Zé que tinha boa clientela de odontologia, possuía fazendas e uma boa criação. Estava casado, morando numa mansão digna de coronel do sertão, onde a boa vida se estendia aos seus. E foi neste contato que uma pulga acordou a memória do Zé. Agora sabia quem era o “colega”.

Era o Micróbio. E o apelido do “colega” vem a ser o miolo desta história. Aos eventos.

O Micróbio chegou com a casca grossa dos sertões no primeiro ano da faculdade de odontologia. Com as botas de vaqueiro cheirando a couro cru, um cigarro no bico, protuberância abdominal das cervejas. Estava nas cadeiras básicas da faculdade. Naqueles idos do Micróbio ainda existia prova oral. Com o irascível professor de microbiologia.

O aluno era questionado diante dos colegas, numa prova transparente a todos. Chegou a vez do nosso Micróbio. Ele veio pela sala como um boi laçado resistindo ao laçador. Ao sentar-se na cadeira de examinado, foi como um malho batendo na piçarra das estradas de então.

O professor examina aquele “animal” indócil e os olhos do mestre faíscam de estranhamento. Olhou para a lista com o nome do aluno e quase soletrando cada letra dele, perguntou ao aluno de chofre: O que é um micróbio?

O examinado tomou um susto pela pergunta e logo tratou de puxar um cigarro da amassada e suada carteira de sua blusa manchada.

Não deu tempo e o professor vociferou: O senhor não pode fumar aqui. Pode devolver o cigarro para o lugar de onde veio. O aluno se encolheu um pouco, mas como todo bom sertanejo bateu firme com os dois pés com as botas cheirando a couro cru, como a esperar o ataque do mestre.

O professor subiu um tom no mal estar que aquele matuto lhe provocava e tascou a pergunta: Seu fulano o que é um micróbio?

Silêncio constrangedor na platéia. O pessoal das últimas cadeiras ainda ousou um riso de mangofa pelos cantos da boca. O nosso examinado quase fica escornado com a manobra perversa do mestre.

Um micróbio é....E um grande intervalo a subtrair conteúdo à resposta. O mestre a esperar e o aluno com a voz interrompida por um bolo na garganta. O mestre tenta desatolar a vaca no brejo: Um micróbio é o que mesmo seu fulano?

Um olhar para o teto altíssimo do salão e de lá nenhum caibro a lhe soprar a resposta. Olhou para um lado e para o outro até que o movimento do pescoço parece ter soltado o bolo que interrompia a resposta e de lá ela saiu a penetrar fundo as ouças do professor: Um micróbio é uma coisa bem pequenininha. E fez assim: juntado o indicador e o polegar como a espremer alguma coisa muito pequena. Assim como se mata piolho.

O mestre só faltou saltar da cadeira de indignação e gritou: Pequenininha como seu fulano?!...

O coitado do aluno estava num canto de cerca, cercado pelos dois lados, pelas costas e pela frente. E o mestre com o vozeirão, a faces rubras de ódio, repetiu a pergunta a querer saber o quanto o micróbio era pequenininho.

Animal preso e sem saída não tem outro jeito. É negociar uma saída, baixar o fogo da broca do patrão e dar pelo menos uma franguinha de presente. Foi como o aluno presenteou ao mestre: Assim como um mucuim!

Um mucuim seu Fulano? Um mucuim seu Fulano? Como do tamaaanho de um mucuiiiim?! Se antes o vulcão estava aos estrondos, agora havia entrado em erupção.

Eita com os seiscentos mil demônios! A coisa andava quente pru lado do examinado e ele vai cedendo. É preciso fazer mais concessões aos limites do infinitamente pequeno. E ele foi rápido para vencer o desastre da ira vulcanoclástica: Do tamanho do ôi do mucuim! Se for menor do que o ôi do mucuim, eu não acredito!

Agora o Zé Roberto lembrava-se do causo completo. Ao se despedir do “colega”, o Zé na sua ironia nunca abandonada perguntou-lhe: E o micróbio?

Ao que o “colega” respondeu: Nunca precisei dele!

Senhores, Porquê não Revitalizar o Largo da RFFSA em Crato ?? - Por: Dihelson Mendonça

Tudo parado e Morto...

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Tem coisas que custam muito caro. Concordamos que o município não tenha verbas para refazer todo o asfalto da cidade, não possa refazer as pontes nos distritos, a Estrada de Santa Fé, etc, mas há muitas coisas no Crato que só precisa mesmo de BOA VONTADE; DE INICIATIVAS. Será que faltam idéias ou será falta de criatividade ?

Por exemplo: Eu não consigo entender porque a prefeitura ainda não revitalizou há 2 anos, aquele espaço do Largo da RFFSA. Eu não me conformo em ver um grande espaço daqueles entregue às traças, ou melhor, aos traficantes, aos delinquentes, ao nada!

Ali bem que poderia funcionar restaurantes de comidas típicas, dezenas ou centenas de barracas com vendas de artesanato, lembranças, atrações musicais, shows, espetáculos, um espaço aonde o povo do Crato pudesse frequentar e se divertir. Eu imagino aquilo ali cheio de crianças sorrindo, de velhos, de pessoas de todas a idades conversando, trocando idéias...Um espaço aonde os turistas poderiam frequentar, sabe ? Pra que lugar mais aprazível do que o Largo da RFFSA e o Centro Cultural do Araripe ? Aliás, eu não entendo porque o próprio Centro Cultural do Araripe que leva o nome de ARARIPE, símbolo maior da nossa cidade vive parado.

Já imaginou que coisa boa seria, um local que faz bem à alma da gente, que traz paz ao interior das pessoas ? Quando existiu lá o "Café Estação", eu até imaginei que a coisa fosse melhorar, pois era o ponto de encontro da cidade. Ou ruim ou bom, o "Café Estação" era o que havia na cidade. Agora não tem mais nada! Nem café, nem estação e nem nada!

Volto a dizer: Ali é uma grande área que está desprezada, uma área nobre que poderia ser usada como na cidade de GUARAMIRANGA, para barracas com artesanato do Crato, do Cariri. É fomentar o turismo, atrair pessoas, parar com esse marasmo que existe no Crato de toda noite depois das 20 horas não existir mais pessoas no centro. Isso é um absurdo! Vamos revitalizar a nossa cidade, gente!

Agora: Custa caro fazer isso ? Será que custa caro trazer as banquinhas de artesanato ? Não!
Parece que o que é mais caro na cidade, é ter visão das coisas; É ter idéias boas e que não precisam de muita verba para por em prática. É desta auto-crítica que estamos precisando. Perdemos muitos projetos grandiosos, monumentais para a vizinha cidade de Juazeiro, mas não podemos jamais perder a nossa inteligência, a nossa capacidae em descobrir novos caminhos para tornar muito melhor a vida de todos os Cratenses!

Senhores, eu tiro o meu chapéu para tanto Marasmo!


A Cidade de Guaramiranga-CE, cidade 100 vezes menor que o Crato e que Funciona:

Alegria estampada em cada lugar...o dinheiro corre...comerciantes, turismo, incentivo...

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Artesanato local para turista ver e comprar...

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Sempre existem shows, e quando não tem, a própria população faz o seu show, aqui um grupo tocando chorinho numa mesa enquanto espera a refeição. Muito aprazível!

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As barracas vendem coisas interessantes e não sujam a cidade. Olha só o chão limpinho...

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As pessoas se alimentam, se divertem, se reencontram, é ISSO que tá faltando no Crato!

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Aonde os amigos de encontram e se divertem:

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Será que custa caro fazer tão pouco ? Será que não falta o mínimo de força de vontade ?

EU QUERO VER 200 ÓTIMOS NESSA POSTAGEM NO BLOG DO CRATO. VAMOS LÁ, POVO DO CRATO, DEMONSTREMOS A NOSSA FORÇA ? já estamos com 100 votos em poucas horas. Que tal levarmos uma cópia protocolada ao Sr. Prefeito quando atingirmos 200 votos ? É o equivalente a 200 assinaturas, gente! Vamos lá...

Por: Dihelson Mendonça

Pensamento para o Dia 21/09/2011


“A mente concebe um objeto e brinca com ele um pouco, mas logo o descarta e corre atrás de outro que acha mais atraente! O Sadhaka (aspirante espiritual) tem que estar sempre atento a essa tendência da mente. Quando a mente pula de um lado para o outro, ela deve ser trazida de volta para o caminho e objeto corretos através da concentração e meditação. Essa é a prática espiritual correta. Se o aspirante não se esforça para alcançar esta unidirecionalidade e permite que a mente siga seus caprichos, esta prática merece ser chamada de "meditação macaco", um tipo de meditação que é realmente muito prejudicial ao progresso espiritual. Você deve redirecionar a mente para se concentrar, focar e ser unidirecionada. Concentração lhe confere alegria divina, sabedoria além da medida, visão interior, introspecção às verdades mais profundas, compreensão mais clara e união com Deus.”
Sathya Sai Baba

Vale conferir - José Nilton Mariano Saraiva

Duas horas e quarenta e cinco minutos de projeção (durante os quais você não consegue tirar o olho da telinha), um roteiro inteligente e uma fotografia soberba. O resultado é um “faroeste” daqueles (só visto nos nossos “tempos de menino”), enfocando a importância da “ferrovia” no desbravamento e afirmação do oeste norte-americano, com seus ônus e bônus (e o mais importante, sem nenhum índio por perto), além de uma novidade em filmes da espécie: a ganância humana e o surgimento do tema corrupção, já àquela época.
Tendo por protagonistas a jovem, belíssima e exuberante italiana Cláudia Cardinale (exalando beleza por todos os poros, embora que discretamente), Charles Bronson (como o mocinho durão, esbelto e praticamente em começo de carreira) e Henry Fonda (como o vilão da trama e numa atuação soberba, com o seu olhar frio e implacável), o filme ERA UMA VEZ NO OESTE é algo de magistral e digno de ser visto por quem aprecia um “faroeste” diferente de tudo que você imagina - inclusive e principalmente o “duelo final” entre os personagens Bronson X Fonda é de arrepiar - quando finalmente Fonda tem a resposta que o incomoda e o persegue durante toda a trama: quem na realidade era Bronson (na realidade, testemunha ocular do assassinato de um irmão, perpetrado por Fonda, lá atrás). De quebra, num segundo DVD, a opinião de consagrados diretores sobre o filme e a história/bibliografia de todos os principais personagens. Vale conferir.

Adendo:

O ator norte-americano Charles Bronson foi uma das vítimas do Mal de Alzheimer. Perto de perder a vida, aos 81 anos, em 2003, o ator de ERA UMA VEZ NO OESTE praticamente havia esquecido a sua identidade e não se lembrava de nada de seu passado como astro de Hollywood.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Linguajar e Sotaques - Por A. Morais

Enquanto viviamos, parcialmente, isolados do mundo e da civilização, sem jornais, radio, televisão, telefone e outras progresseiras, o sotaque permaneceu o mesmo, naquele modo de dizer as coisas, mansa, suave, arrastada e docemente.
 
Era nquele tempo:


Aquela gostosura de nêga, nêguinho, padim, madinha, prumode, pruvia, purriba, purbaixo, nem mode coisa, avexado, disimpaciente, ingrisia, vigemaria, cadê, quêde, entonce, frivioca, xumbregage, preguntar, percurar, currulepo, nojenteza, pendença, sustança, bulandeira, triscado, desmastriado, desapear, arripunar, grunguzado, sarneia, pauta com o diabo, balseiro, bicho da peste, biroba, indagorinha, dernantonte, comer tampado, caquear, versidade, lambança, patuá, lambuja, piloura, quicé, teréns, sobrosso, miunçaia, munganga, batecum, caçuá, tresvariar, mãe do corpo, manquejar, estrupiado, bunda canastra, encangar grilo, impilicança, cumbuca,piar jegue, xilique, cambão, zonzeiras, barbicacho, cangapé, escruvitiar, ingasopar, caritó, cafuné, mandapolão, bralha, sacramentado, derrengado, cassaco, derna que, entramelado, malassombrado, estrupicio, grumitar, marmota, empazinado, entrambicar, desconchavado, estrupicio, grumitar e mil outros termos que dicionarios não registram. 

E não-é-sem-quê-nem-pra-quê, que lembro nosso velho linguajar.Era o varzealegrense autentico, sem miscigenação estrangeira,  de qualquer especié. Lingua pura de gente pura.
 
Fonte: Blog do Sanharol
Autor: A. Morais
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Não sei, não sei...
- Claude Bloc -



A paisagem me diz tanta coisa
Mas o poema queima a paisagem
Rasga o céu, corta a imagem
E não sei, não sei, nem suponho
Se a poesia é árvore ou fruto
Se o verso é rumo ou prumo
Escrito na folha em branco.

O poema traga a memória
Rabisca na alma
A própria história
E (d)escreve por linhas tortas
As palavras, janelas e portas...

O poema retorna ao giz, ao lápis, à cor
Retoma a arte de ser aprendiz
E em cada elemento um nó
O  pó, a brisa quente
Um rio em sua vertente
Um verso, uma (p)rosa...

Claude Bloc

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Brasil em alta

Dilma Rousseff é capa da revista ‘Newsweek’


Chamada de 'Dilma dinamite', presidente estampa capa da prestigiada revista norte-americana

Chamada de 'Dilma dinamite', presidente estampa capa da prestigiada revista norte-americana


A presidente Dilma Rousseff é capa da próxima edição da revista ‘Newsweek’ internacional e da edição nacional americana. É a primeira vez que há destaque em mais edições da publicação para uma capa sobre o Brasil. A revista deve chegar às bancas nesta semana.

Com o título ‘Don’t mess with Dilma’ (em tradução literal ‘Não mexa com a Dilma’), a reportagem principal aborda o governo, a história política e também a vida pessoal da presidente.

A revista cita detalhadamente o crescimento econômico do Brasil e a participação de Dilma nesse processo de mudanças, iniciado com a gestão Lula. O assunto é endossado pela frase do presidente dos EUA, Barack Obama, quando esteve no Rio de Janeiro em março deste ano, dizendo que o Brasil era o país do futuro. Dilma será a primeira mulher a abrir uma Assembleia Geral da ONU, fato descrito como positivo e influente.

Na matéria, a presidente afirma saber do potencial brasileiro e pergunta ao repórter da ‘Newsweek’ se ele sabe qual é a diferença entre o Brasil e o resto do mundo. A própria Dilma responde dizendo que, em nosso País, os instrumentos de controle políticos existentes são fortes o bastante para combater um crescimento mais lento ou até a estagnação da economia mundial – diferente de outros países. Segundo Dilma, o Brasil pode cortar as taxas de juros porque fez um empréstimo cauteloso e tem um Banco Central rígido.

Na entrevista, Dilma confessa que, quando criança, queria ser bailarina ou bombeira. Para ela, uma menina querer ser presidente é um sinal de progresso. Dima também fala sobre sua passagem pela prisão, época em que fazia parte de um grupo revolucionário político, e que, por conta disso, aprendeu a ter esperança e paciência.

A presidente Dilma Rousseff vai receber o prêmio Woodrow Wilson Public Service Award, na próxima terça-feira, 20, em jantar no Hotel Pierre, em Nova York. A premiação também já foi concedida a Lula, em 2009.

OBJETO SUJEITO - PAULO LEMINSKY

OBJETO SUJEITO 



você nunca vai saber
quanto custa uma saudade
o peso agudo no peito
de carregar uma cidade
pelo lado de dentro
como fazer de um verso
um objeto sujeito
como passar do presente
para o pretérito perfeito
nunca saber direito

você nunca vai saber
o que vem depois de sábado
quem sabe um século
muito mais lindo e mais sábio
quem sabe apenas
mais um domingo

você nunca vai saber
e isso é sabedoria
nada que valha a pena
a passagem para pasárgada
xanadu ou shangrilá
quem sabe a chave
de um poema
e olhe lá

PAULO LEMINSKY
Cariri Cangaço 2011


Abertura Oficial amanhã, terça-feira,

dia 20 às 19 horas no

Teatro Municipal de Crato


Você é nosso Convidado.

PARABÉNS, ARMANDO RAFAEL!


... PARABÉNS, ARMANDO! ...

O CARIRICATURAS TE ABRAÇA 
E AGRADECE TUA PRESENÇA.

  DEUS TE ABENÇOE E CUBRA DE GRAÇAS.

Parabéns Armando Rafael - Blog do Sanharol

Parabéns Armando Rafael - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Ainda hoje eu me lembro como se assistisse a um filme que passasse à minha frente. Vivíamos no dia 6 de março de 1961, uma segunda-feira, primeiro dia de aula no velho e tradicional Colégio Diocesano do Crato. Recém saído do seminário, onde durante dois intermináveis anos, eu repetira pela terceira vez a 1a série do antigo curso ginasial, sentia-me como um estranho no meio daqueles novos colegas, quase todos, dois anos mais novos do que eu. Era a segunda vez que eu voltava a estudar naquela casa, que norteou a vida de tantos jovens, fazendo com que nossas esperanças se tornassem realidade nos dias atuais. 

Ao escolher uma carteira na primeira fila da classe, sentou-se ao meu lado, um rapazinho esguio, muito calmo e educado, que me cumprimentou perguntando meu nome e se apresentando. Chamava-se Armando Rafael. A partir daquele dia, dividi por mais de dois anos com ele, aquela antiga carteira preta, cuja parte do assento era móvel e fixado na carteira de trás. E a partir daquele momento, formou-se entre nós uma grande amizade, que mantém-se firme através dos anos.

À noite, eu encontrava Armando na Praça Siqueira Campos e sentávamos num dos bancos para conversarmos. Com o exemplo de Armando, criei gosto pela leitura e com ele muito aprendi, pois ele discutia sobre diversos assuntos: religião, política, geografia, e sabia de coisas sobre países, muito dos quais eu nunca ouvira falar. Àquela época, Armando já era um admirador da monarquia e um crítico dos sistemas de governos comunistas, para todos nós daqueles anos já distantes, tão ameaçadores. Um perigo iminente de por o mundo todo ao chão. Ele permanece fiel às suas idéias, há sessenta anos. Entretanto sabe como ninguém, respeitar as opiniões contrárias às suas. Já era então, um projeto quase que pronto do ser humano exemplar; intelectual, historiador e um grande pesquisador de nossa história que, muito honra nossa cidade.  

Hoje Armando está aniversariando e, através desta breve mensagem, externo meu desejo e votos de muitas felicidades para o amigo e toda sua família, tão bem estruturada. Que você, meu amigo, viva cada dia renovado, como se fosse o primeiro dia, quando tudo é novidade e nosso ímpeto por realizações encontra-se no mais alto dos níveis. Que Deus o abençoe e continue sendo este homem exemplar que você sempre foi, desde criança. Um grande abraço para você e toda sua família.

Foto: Dihelson Mendonça
Texto: Carlos Eduardo
Postado  no Blog do Sanharol  por Magnolia

Ciência da alimentação ideal - Emerson Monteiro


Em face dos excessos gerados pela indústria, que só prioriza os lucros em detrimento da qualidade de vida e da saúde, mais que antes o cidadão médio precisa desenvolver o conhecimento daquilo que utiliza para se alimentar. Isto, quando bem respeitado, possibilitará tipo saudável e maior aproveitamento da existência. Caso contrário, viver se transforma em um calvário constante à medida que passa o tempo e os resultados, no corpo, do que utilizamos de alimento mostra os seus reais efeitos.

Um tanto dos produtos vendidos em lojas e supermercados não estão próprios para o consumo humano, apesar dos órgãos oficiais assim atestarem. Na verdade, essa propriedade para consumo é relativa ao que a febre do lucro ditar, pois esses cuidados para com os valores da saúde andam afastados de qualquer conceito ideal de alimentação adequada.

Primeiro de tudo, os conceitos alimentares do Ocidente guardam pouca ou nenhuma identificação com a natureza original da vida. Vender sempre foi a lei da tradição alimentar ocidental. Tudo começou quando traziam das Índias as famosas especiarias para comerciar nos mercados europeus, dentro das leis da oferta e da procura do Mercantilismo dominante. A regra básica, pois, seria lucrar a todo custo.

Mudadas as rotas do Caminho das Índias, os impérios chegaram às Américas, e o que trataram de desenvolver, as usinas de açúcar, elaborando substância hoje considerada o principal agente cancerígeno utilizado pelas pessoas humanas, o açúcar refinado, destruidor do equilíbrio orgânico. Enquanto dizimaram as populações nativas, incorporando poucos ou nenhum dos conceitos de uma culinária trazidos no correr dos tempos de uma tradição do uso correto dos elementos naturais, acumulada pelos séculos.

Por isso, os orientais vivem em mais harmonia com a saúde. Buscaram aprender dos antigos o bom uso dos alimentos. Melancólico se entregar aos braços dos industriais e comerciantes sem usar a consciência da boa alimentação, o que evitaria milhares dos males físicos que enchem hospitais e destroem vidas desde o nascedouro.

O Pensamento do Dia - Como dominar um Idiota !


"A mulher mais idiota pode dominar um sábio. Mas é preciso uma mulher extremamente sábia para dominar um idiota."

Rudyard Kipling

domingo, 18 de setembro de 2011

A Carmem e a Acrofobia - José do Vale Pinheiro Feitosa

A acrofobia não é da Carmem, mas a narrativa é do mesmo personagem que me contou as duas histórias.

Mas pensando melhor o medo de ser Carmem é assim como um medo de altura. Saltar da pose de psicóloga até o abismo dos lenços enfeitiçados no pescoço do moreno sedutor. Com uma dança a oferecer pelas costas o fascínio das montanhas duplas do corpo.

Bem que merece. Uma noite no Teatro Municipal do Rio para ouvir Nelson Freire no virtuosismo de uma audição de piano e orquestra. Um sobrinho para comprar os ingressos. Qual a condição? Eu vou comprar no lugar que posso pagar. Está bem. Ficamos todos juntos!

Algumas garrafas de cachaça transportadas da cidade até o alojamento em chalés num meio semi-rural. Um baile à fantasia e todos juntos. Alto nível. Analisando o contexto do imaginário humano em sociedade. O baile fazia parte do relaxamento após tensas rodas de autoconhecimento.

Ninguém vai ao Teatro Municipal sem uma roupa de gala. Além de tudo era o aniversário dela. E a comemoração acontecia nos salões art-nouveau do teatro com seus candelabros e a elegância dos salões, assentos das poltronas, e belíssimo e iluminado palco.

O fogo da aguardente com a doçura do mel de abelhas surripiado da despensa dos padres. O alojamento era da Diocese. Não existe um drama espanhol que resista a tal cruzamento. A Carmem não estava ali para seduzir apenas um. A todos: fosse em grupo ou com alguma individualidade seduzida.

O lugar a que pode pagar não daria outro. Cadeiras marcadas nas galerias do municipal. Naquelas poltronas laterais quase despencando no abismo da platéia. Ali naquela fronteira em que o corpo treme o drama de saber-se se irá pular voluntariamente ou congelar-se de pavor.

As noites de baile a fantasia abrem, mas o recato feminino procurou o leito para apascentar as dúvidas das cenas vividas. Mas enquanto as companheiras de quarto dormiam, a madeira da cama do chalé ao lado rangia como uma velha caravela no centro de uma tempestade.

Eu sou psicóloga. Eu não vou saltar. Eu sou resolvida, não tenho medo de altura. Mas as leis da gravidade são outra matéria, pertencem à física embora a psicologia entenda as leis da atração. E foi isso que o diabinho dizia: pula. Que psicóloga que nada, abraça-te ao vazio pelo qual tua vida escapa.

Entre o lenho e madeiras rangidas surgiram as conseqüências dos ruídos audíveis. São ais, expressões que pedem mais, um gemido enganador, pois não se fala da dor. E no êxtase do momento naquele chalé, não teve quem compreendesse por que Deus tem que tão ardorosamente ser chamado. Carmem em ação.

Menino pega meu braço e me tira deste abismo. Calma! Calma que nada, eu vou pular, me tire daqui. As mãos geladas, prenúncio da morte iminente, agarraram os braços do sobrinho. E lá vai com ele até os batentes das galerias, ali mesmo de onde a acrofobia permitiu-lhe as notas musicais de Nelson Freire.

No dia seguinte no café da manhã os incômodos das ouças agredidas por tantos rogos a Deus. A palavra mais comentada foi que: mas que coisa mais inconveniente. Um dos seduzidos, o moreno em quem todos apostavam, não levou o troféu da noite e logo tratou de desmentir qualquer hipótese de ménage à trois.

Nelson Freire assistido dos batentes das galerias por uma simples fobia de altura e todas as demais pessoas incomodadas por igual medo desta ligação entre a carne e Deus.

Na leva do vento

- Claude Bloc - 
 

É domingo.
(re)vejo-me em casa
cansada, silente...
E bem sei que aos domingos a vida gira,
e tudo volta ao princípio.
E sei também que este é mais um domingo
em que meu olhar corre o asfalto sem pauta...
Neste domingo
a música calou-se por entre as pedras do calçamento
e levou consigo a festa das flores,
a imagem dos dias em que sorri
na leva no vento...
Lá onde deixei ficar
meu olhar perdido num novo aceno.
As ruas dormem neste domingo
Dormem também as horas,
os sonhos
Dormem as cores do domingo.

Claude Bloc

Nascem flores no pântano – por Gaudêncio Torquato (*)



(Transcrito de “O Estado de S.Paulo”)

A flor de lótus nasce no pântano. Exibe beleza e força. Das águas lodosas desabrocham flores brancas, imaculadas, uma perfeição da natureza. A imagem da flor foi usada, faz bom tempo, neste espaço para expressar a crença de que no meio do caos há uma réstia de esperança. A frase era: "A política chegou ao fundo do poço em matéria de moral. Mas não morreu a esperança de nascer uma flor no pântano". Saulo Ramos, jurista e sábio, e também um incréu, pinçou a alegoria em seu livro Código da Vida para atribuí-la aos "puros, os poetas, os idealistas", não sem fazer votos para que "eles tenham razão" na pregação.

Pois bem, a política continua cercada de lama por todos os lados, mas são inegáveis as flores que nascem aqui e ali, sob os cuidados atentos de uma gente de fé que junta forças e motivação para deixar o conforto de sua casa e organizar uma “Marcha Contra a Corrupção”, dando-se as mãos, erguendo faixas, ecoando palavras de ordem, clamando por decência. As manifestações começaram no dia 7 de setembro, em Brasília e em outras regiões. Amanhã, dia 19, será a vez do Rio de Janeiro fazer a sua “Marcha Contra a Currupção”. Elas mostram que o Brasil está longe de ser um gigante adormecido em berço esplêndido. Fazia tempo que não se distinguiam, em rostos juvenis, as cores verde e amarela, traços da estética cívica que o Brasil tem gravados desde os tumultuados idos do impeachment de Collor.

Há uma chama iluminando parcela considerável da consciência social. Ou, para usar outra imagem, um rastilho de pólvora se infiltra em numerosos espaços, pronto para receber o fósforo da explosão. A escalada ética que se descortina neste instante é emoldurada, de um lado, pelo desenho da assepsia que a presidente Dilma Rousseff realiza em estruturas críticas da administração federal e, de outro, por atos corporativos como o da Câmara ao inocentar a deputada federal Jaqueline Roriz, flagrada em indecoroso gesto de receber dinheiro suspeito.

A mobilização social pela moralização de costumes e práticas na política ganha volume ao impulso das redes sociais, sendo este, aliás, um fenômeno que se amolda ao modo de pensar e agir das correntes da sociedade. O fato é que os milhões de internautas que usam cotidianamente as redes tecnológicas da comunicação - beirando 50 milhões de pessoas - configuram um poderoso núcleo irradiador de informações e visões e, como tal, funcionarão como pulmões a oxigenar o coração da opinião pública. Não há mais como deixá-los à margem do processo comunicacional brasileiro. Doravante deverão ser avaliados sob o prisma da articulação e da mobilização, sendo demonstração cabal de seu poderio a convocação da Marcha Contra a Corrupção, sob a égide exclusiva das teias sociais.

O fato auspicioso é que a consciência cívica dá sinais de alerta nestes tempos de intensa mudança de quadros, troca de ministros e de mutirões de mobilização, destinados a permanecer nas redes sociais. No dia 12 de outubro, a convocação pela via eletrônica sinalizará uma nova marcha, desta feita pela educação e contra a corrupção.

Não há por que deixar de crer - e ver - que resplandecem flores no pântano.

(*) Gaudêncio Torquato é jornalista. Professor titular da USP e consultor político e de comunicação





sábado, 17 de setembro de 2011

O Pensamento do Dia - "Deus está no Comando..."











Imagina se não estivesse...

"O Diabo é o chefe deste mundo"

Jesus Cristo

Soldadinho a perigo

16/09/2011 17h56 - Atualizado em 16/09/2011 18h03

Plano nacional tenta evitar extinção de ave que existe apenas no Ceará

Soldadinho-do-Araripe vive em pequena área de Mata Atlântica no estado.
Estima-se que há apenas 800 exemplares do pássaro endêmico.

Eduardo CarvalhoDo Globo Natureza, em São Paulo

O risco de desaparecimento do soldadinho-do-Araripe (Antilophia bokermani), um pássaro endêmico do Ceará e que vive em uma região conservada de Mata Atlântica encravada no semi-árido do estado, movimenta ambientalistas e instituições federais de preservação.

Eles estão envolvidos na revisão do Plano de Ação Nacional, liderado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que tem como meta a criação de uma Unidade de Conservação (UC). A reserva vai proteger os animais, os rios e ajudar no combate ao desmatamento.

Segundo Weber Girão, um dos responsáveis pela descoberta da espécie de ave há 15 anos e coordenador do projeto de proteção, existem aproximadamente 800 exemplares do soldadinho-do-Araripe nas proximidades da cidade de Crato.

“Esses exemplares vivem na Chapada do Araripe, região onde existem cerca de 300 nascentes de água, habitat dessas aves e onde são feitos os ninhos. Entretanto, devido ao mau uso dos recursos hídricos, tais fontes estão sumindo, prejudicando o soldadinho-do-Araripe”, afirma.

Girão complementa que uma em cada quatro aves desta espécie desapareceu da natureza devido ao desmatamento e a canalização das nascentes. “Eles perderam o habitat e sua classificação está no nível criticamente em perigo”, disse.

Exemplar macho de soldadinho-do-Araripe, espécie existente apenas no Ceará e que corre o risco de desaparecer (Foto: Divulgação/Ciro Albano)Exemplar macho de soldadinho-do-Araripe, espécie existente apenas no Ceará e que corre o risco de desaparecer (Foto: Divulgação/Ciro Albano)

Plano
Original de 2006, o plano nacional foi revisado e tenta envolver a sociedade para conservar uma área de 31 km² de Mata Atlântica existente entre as cidades de Crato, Barbalha e Missão Velha. “A criação da unidade de conservação integral preservaria o pássaro e auxiliaria na recuperação de seu habitat”, afirma Girão.

De acordo com Eliana Maria Corbucci, analista ambiental do ICMBio e coordenadora da área de criação das unidades de conservação, processos como o estudo fundiário da região, consulta pública à população e a órgãos federais precisam serão concluídos em um prazo de dois anos. “A partir deste ponto, o documento de criação da UC passará por análise na Casa Civil, onde terá mais um tempo para análise”, disse Eliana.

Para Weber Girão, se as metas programadas não forem cumpridas em cinco anos, o risco de extinção se torna real. “Esse período será decisivo”, disse.

Espécime fêmea de soldadinho-do-Araripe em um ninho, em região preservada no Ceará (Foto: Divulgação/Ciro Albano)Espécime fêmea de soldadinho-do-Araripe em um ninho, em região preservada no Ceará (Foto: Divulgação/Ciro Albano)


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