Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

ENVIE SUA FOTO E COLABORE COM O CARIRICATURAS



... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
.....................
claude_bloc@hotmail.com

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

O sol e o tempo

 - Claude Bloc -


Quando pequena, observava as formas assombradoras que as sombras dos galhos das árvores formavam em minha parede. Seguia o movimento moroso dessas imagens. A parede parecia um cenário de personagens medievais: monstros, armaduras, fantasmas que lutavam entre as sombras e a luz do velho gerador...
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O tempo escorria pelo meu quarto sem que eu me desse conta, enquanto eu ouvia o som baixo e, ao mesmo tempo, ensurdecedor da pia gotejando a noite inteira... Seriam passos? Os cangaceiros iriam querer romper o assoalho para virem me assombrar? Medos, medos que metiam na cabecinha inocente daquela criança que fui, criança do tempo em que contavam histórias mal assombradas, para me fazer dormir, ou me manter na cama... Medos que, invariavelmente, povoavam as mentes infantis dessa época, deixando um rastro de cismas tão concretas quanto assustadoras.
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À noite, vez por outra eu ouvia o latido dos cachorros soltos lá fora. Era a única coisa que eu podia fazer naquela escuridão. Ouvir e esperar. Esperar o sono vir ou a luz voltar, mesmo que fosse a luz de uma lamparina a querosene. Esperar o sono vir ou a luz voltar, o que acontecesse primeiro.
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Bem mais tarde o galo cantava. Era um novo dia. Se era julho ou dezembro não importava. Não me ocupava em olhar o calendário para saber se o tempo estava passando, porque para mim isso não fazia diferença. O tempo parecia apenas aderir-se à vida infinitamente. Era sutil, leve e eu não tinha idade suficiente para ocupar-me  com a sua passagem pelos meus dias. Só sabia quando era inverno por causa da chuva e porque era o tempo de fazer canteiros e de plantar feijão e milho no jardim da casa grande da fazenda.  Só sabia que era julho por causa da moagem, do alfenim, da garapa e das rapaduras. Não ligava para o meu crescimento nem  entendia o que aquilo representava diante das marcas que papai fazia, a cada ano, na parede do alpendre, com um lápis de ponta grossa. Mesmo assim eu sabia que ainda era uma criança. Pelo menos na estatura.
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A comida lá em casa era farta. Simples. Tivemos, meus irmãos, amigos e eu, que nos habituar a comer verduras no almoço. Era um hábito herdado dos meus pais. Nas férias, a mesa era sempre uma festa, um mundo de crianças. De vez em quando, Mamy (minha avó) vinha fazer uma supervisão nos nossos hábitos e posturas. Nada de cotovelos na mesa, nem dedos nos pratos. Logo eu que adorava pegar aqueles ossinhos de galinha com os dedos e roer uns bons caroços de pequi!!  Quando a fiscalização cessava, a bagunça recomeçava. Bolinhas de pão voavam pra todo lado e sempre havia um choramingando porque lhe acertavam um olho, uma orelha...
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Não se olhava o relógio nesse tempo. Tudo parecia ser eterno. Horas passavam-se, dias, meses ou quem sabe, anos, isso não importava. Hoje, ainda posso sentir as alegrias que deixei pintadas nas paredes do meu quarto azul. A sombras não mais me assustam. Já não sinto mais a insegurança que tinha e nem o medo. Ao chegar à minha casa, olho para o céu e lá está o sol nem sempre tímido como fui, mas quase sempre saindo detrás das nuvens, para depois dormir no Alto do Caboclo.
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É verão!
 Claude Bloc

Dr. Raimundo Bezerra e o Primeiro Site do Crato na Internet - Por: Dihelson Mendonça


Memórias...


E
m 1993 eu comecei a acessar a internet. Fui das primeiras pessoas do Brasil a usar a grande rede, com os primeiros provedores que existiram em São Paulo. No mesmo ano, implantei no Crato um sistema que fornecia E-mail para os usuários, o primeiro serviço de internet do Cariri, chamado MEGA-STAR BBS. Os BBS, também conhecidos por "Boletim Board Systems", foram os precursores dos atuais serviços de internet. Era uma época primitiva, mas já tínhamos comunicação em tempo real com o resto do mundo, e eu cheguei a ter mais de 120 clientes cadastrados nesse sistema. Anos depois é que surgiu outra BBS aqui no Crato, e 4 anos depois surgia a BaydeJBC em Juazeiro. Em 1996 os sistemas se aperfeiçoaram e fizemos planos para um grande provedor para o Crato em reuniões com Nezim Patrício e outros, a fim de calcular os custos e o material necessário. Crato sempre marcando pioneirismo...

Ainda em 1996 me tornei webdesigner, trabalhava também com programas gráficos como o photoshop ( que era novidade ), retoques de fotos antigas, etc, e me associei a outras pessoas, como Josane Garcia, Sérgio Bastos e Haoni Caiena, que na época, era um garotinho inteligente.

Um dos nossos primeiros trabalhos além do design de um site para uma indústria de Mel da região, foi a criação do site da cidade do Crato. Levamos a idéia ao Dr. Raimundo Bezerra ( então prefeito ), que ficou muito empolgado para que o Crato fosse pioneiro ( Vejam que essa história de "O Crato na Internet" que o Blog do Crato utiliza, vem desde aquela época ). Dr. Raimundo foi um homem visionário, tinha grande noção das potencialidades que a internet traria ao futuro. Assim é que com a equipe acima mencionada, e com revisões de Huberto Cabral, surgia em meados de 1997, o primeiro "Crato na Internet", que foi o site Crato Virtual.

Numa época em que ele foi criticado por alguns retrógrados da cidade, que achavam que "esse negócio de internet não ia dar em nada", e investia numa "coisa sem futuro", ele, que sempre me tratou carinhosamente de "O professor", escreveu a seguinte mensagem de abertura para nosso o site há 14 anos atrás:

"Temos a responsabilidade de criar condições favoráveis para nossa gente, garantindo a todos o pleno direito de exercício da cidadania, buscando o objetivo maior, que é a vida tranquila, de boa qualidade. A plenitude desse direito é revigorada no acesso do homem aos meios da saúde, a educação e ao mercado de trabalho. Crato por tradição histórica, política, social e cultural, sempre se destacou por seu potencial natural e sua exuberante paisagem que encanta quantos o visitam. É nosso dever como poder público manter acesa a chama da história deste município que sempre se destacou como geo-centro do Nordeste do Brasil com suas particularidades e seu forte potencial produtivo. O reconhecimento do cidadão nas ações públicas está na segurança de poder nascer, crescer e construir uma família com a certeza de demonstrar, que lhe foi permitido garantias reais a esse mister, e, finalmente justificar seu dever como cidadão participativo que contribui para o engrandecimento da sociedade. Cabe a todos esse direito de participar, para que o futuro seja o resultado do nosso presente. O Crato, no seu histórico pioneirismo, não poderia ficar de fora dos modernos avanços da tecnologia das comunicações eletrônicas e do já existente aldeamento global. Com o advento da Internet, podemos projetar ao mundo de maneira rápida, realista, e moderna, o legado dos nossos antepassados gloriosos de suas causas nobres, que tornam o Crato um ponto referencial único dentro da história sócio - política do nordeste brasileiro, e as suas projeções altivas para a cultura e a CyberCultura do próximo milênio. Sejam bem vindos, "nesta terra há lugar para todas as pessoas de boa vontade. "

Aqui está uma imagem da página de abertura do nosso primeiro site do Crato, o "Crato Virtual":
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhnrjdXfe8aMKpFACQ4okMymLTi0caLjLw_zirRkcB1jcDmry1sKxL_lwBzftgsM2VagLiLIw3n-AcSofO7BFLS51S_8M6KqpiGrJlttWrq1JzQsLTlHHCoh5iEtqiti2_xtCaNrRD-90ST/s1600/crato_virtual.jpg

Aproveito aqui para saudar esta grande figura da sociedade cratense, Dr. Raimundo Bezerra, um homem de muita visão, que sempre teve por mim, um tratamento e aprêço especiais, sempre que nos encontrávamos. Nos deixou saudades.

Por: Dihelson Mendonça

Filhos, dádivas de Deus - Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

Muitos pais e mães esquecem dos valores morais recebidos de suas famílias na infância e adolescência. E criam seus filhos bem distantes do mais importante na educação, que é a formação integral. A responsabilidade dos pais é preparar o homem como um todo, sem separar o corpo da alma. Será incompleta a orientação dos filhos, se os pais se preocuparem somente com a formação física, intelectual e social, esquecendo de incutir nos filhos o amor e o respeito ao próximo, a honestidade, a ausência de preconceito e discriminação de qualquer tipo. Esse conjunto de valores deve fazer parte do aprendizado das crianças, desde os primeiros anos.

Os filhos são dádivas de Deus. Portanto, os pais têm o dever de colocar na sociedade pessoas de bem para que o mundo seja transformado. Educar os filhos no amor, no diálogo é o caminho para construção de uma família ajustada e uma sociedade mais humana e mais justa. No lar onde existe tudo isso, com os pais sabendo impor limites, dizendo “não” quando necessário, com certeza se formarão adultos ajustados.

Vivemos em uma sociedade em que predomina o TER, em lugar do SER. Os meios de comunicação social através da propaganda incentivam o consumismo e levam as pessoas a acharem que a felicidade está no dinheiro, numa roupa cara, num carro do ano. Muitos para ter dinheiro e adquirir esses bens de consumo, procuram acumular riqueza desonestamente. Em consequência vemos aí uma sociedade injusta, violenta cheia de problemas: como as drogas, a corrupção e a injustiça social. Cabe aos pais darem testemunho aos filhos e colaborarem com uma sociedade onde exista justiça e paz.

De acordo com as palavras proferidas por Dom Rafael Lhano Cifuentes, Bispo Emérito de Nova Friburgo, no VII Congresso Nacional da Pastoral Familiar, realizado em Belém do Pará, em 1996: "A tarefa educacional dos filhos deve ser solidária. A firmeza e disciplina própria do homem têm que fundir-se à ternura e a amabilidade própria da mulher, de tal modo que a autoridade não parta somente do pai, e o carinho exclusivamente da mãe. A melhor pedagogia é o exemplo. Os pais devem ser para os filhos, guias que indiquem as passagens mais seguras. Têm que experimentar antes, as virtudes que os filhos devem encarar depois."

Dom Cifuentes acrescentou ainda em sua palestra, trechos de uma carta, que um delinquente juvenil alemão enviou aos seus pais. "Porque sois fracos no bem, nos destes o nome de fortes no mal... nós vos concedemos dois decênios para nos fazerdes fortes no amor, vós porém nos fizestes fortes no mal, porque sois fracos no bem."

A missão dos pais como colaboradores de Deus em sua infinita obra criadora é colocar no mundo pessoas honestas, ajustadas e que possam fazer os outros felizes.

Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

"A política é dinâmica" - José Nilton Mariano Saraiva

O então Governador do Ceará, Luiz de Gonzaga Fonseca Mota, que fora ungido ao cargo por indicação dos “coronéis” políticos cearenses Virgílio Távora, César Cals e Adauto Bezerra, acabou traindo-os espetacularmente ao escolher o então desconhecido empresário Tasso Ribeiro Jereissati para sucedê-lo; para justificar seu ato ignóbil e traiçoeiro, Gonzaga Mota cunhou uma expressão (ou raciocínio) que passou a fazer parte dos anais (ou do folclore) da política cearense: como “a política é dinâmica”, comportaria quaisquer atos, desabonadores ou não, a fim de alcançar os objetivos colimados (posteriormente, ele provaria do próprio remédio, quando Tasso Jereissati o “aniquilou” politicamente, transformando-o sem dó nem piedade em algo parecido com “sulfato de merda”).
Pois bem, eleito, reeleito, padrinho e responsável pela eleição do sucessor e, posteriormente, sucedâneo deste em mais uma eleição, o senhor Tasso Ribeiro Jereissati passou incríveis dezesseis (16) como Governador do Estado do Ceará (12 efetivos e 04 do afilhado, já que este o consultava sempre nas questões substantivas); pra não largar o osso, já que quem se acostuma com o poder encontra dificuldades em largá-lo, tantas são as benesses, vantagens e mordomias (mesmo para um empresário podre de rico), referido senhor ainda passou oito (08) anos como Senador da República; foram, portanto, 24 anos na “crista-da-onda”, quando mandou e desmandou, casou e batizou, traficou influência e impôs seu estilo arrogante e prepotente. Tanto é que durante todo esse tempo Tasso Jereissati dirigiu o PSDB com mão-de-ferro, não permitindo que ninguém lhe fizesse sombra ou atrapalhasse seus planos, a ponto de ser comum se dizer que, tal qual a sombra de uma frondosa mangueira, aonde ele pisava também não nascia mais grama.
Toda uma família interiorana, no entanto, caiu nas graças e privou do afeto de Sua Excelência: os Ferreira Gomes, de Sobral. À frente o senhor Ciro Gomes (o mais velho dos irmãos), seu “líder” na Assembléia Legislativa e a seguir eleito Governador do Estado por sua influência (chegou até a assumir o Ministério da Fazenda, num ato insano do exótico presidente Itamar Franco), também foram beneficiados os irmãos Cid Gomes e Ivo Gomes (transformados em apagados Deputado Estadual) e até a mulher do próprio Ciro, a inexpressiva Patrícia Gomes, eleita primeiramente vereadora de Fortaleza, depois Deputada e, alfim, Senadora da República (que se notabilizou pela improdutividade, por onde passou). E já se fala que a filha Lívia Gomes (desempregada ???) será candidata a vereadora em Fortaleza, nas próximas eleições
Pois bem, após o término (08 anos) do seu mandato de Senador da República, o senhor Tasso Jereissati houve por bem candidatar-se à reeleição, certo de que levaria fácil, fácil (afinal, já estava mamando há 24 anos e no horizonte as nuvens aparentemente eram tranqüilas e o céu de brigadeiro). E aí, como uma praga avassaladora, o “A POLÍTICA É DINÂMICA” de Gonzaga Mota (que fora traído por Tasso), se fez presente: os Ferreira Gomes traíram “com gosto de gás” aquele que os lançara e os construíra politicamente, ao optarem por um bancário e sindicalista desconhecido (José Pimentel) atendendo a um pedido do presidente Lula da Silva (a rigor, como eram duas vagas de Senadores, os Ferreira Gomes, se gratos fossem, bem que poderiam apoiar um deles e descarregar os demais votos no antigo aliado). A derrota foi humilhante, doída e acachapante (dizem até que o insensível Tasso Jereissati chegou ás lágrimas ante tamanha “consideração”).
Hoje, pra tirar o braço da seringa e tentar uma reaproximação com o ex-tutor, o espertalhão Ciro Gomes soltou a seguinte pérola, numa manifestação pública em Quixeramobim: “O Tasso não merecia passar o que está passando, por tudo que fez pelo Ceará. Não merecia ficar com dois deputados estaduais, um porque é parente e outro porque é doido e ninguém quer” (observação: o parente é o João Jaime e o “doido” o Fernando Hugo).
Só esqueceu de dois pequenos detalhes: 1) que, a debandada de deputados (do PSDB, de Tasso Jereissati) é rumo ao partido que os Ferreira Gomes de apossaram (PSB), certamente que em razão das vantagens oferecidas; 2) que, como a traição perpetrada é de conhecimento público, Ciro Gomes bem que poderia questionar o ex-aliado Fernando Hugo, que o rotulou de “desocupado profissionalmente” e que “Tasso Jereissati foi apunhalado traiçoeiramente pelos Judas Escariotes que estão no poder” (aqui, leia-se família Ferreira Gomes).
E aí, Ciro, vai encarar ??? Ou faltam argumentos ???

domingo, 9 de outubro de 2011

Se Ligue !

"Cão de Briga" - José Nilton Mariano Saraiva

O “click” do destravamento da estranha coleira mecânica (e sua posterior remoção do pescoço) representava a senha para que aquele aparentemente tímido e frágil ser humano se transmutasse numa fera ensandecida, capaz de aniquilar quem encontrasse à frente. Na verdade, desde a meninice o pacato e “desligado” Danny (Jet Li) que experimentara precocemente a orfandade, fora exaustivamente treinado e programado (por um suposto “tio”) com um objetivo específico: nas arenas da vida, tornar-se uma potente arma de guerra, autentico matador profissional, capaz de trucidar o adversário em segundos, em troca de algum dinheiro. Ao final de cada combate, dinheiro no bolso do “empresário” e o retorno à jaula que lhe servia de moradia, à comida racionada e às humilhações de sempre. Um cachorro vadio e desprezível, na completa acepção do termo.
Mas quando, em razão de um grave acidente (e a presumível morte do seu “tutor-tio”), o “encoleirado” Danny se vê sozinho no mundo, perambulando sem rumo pelas ruas, repentinamente é atraído pelo som de um piano; e aí ele conhece Sam (Morgan Freeman) que, apesar de cego, é um exímio afinador do instrumento.
Desprovido da visão, mas dono de uma apurada acuidade extra-sensorial, Sam detectara a presença de Danny no ambiente, estimulara-o a aproximar-se, pedira sua ajuda no manuseio de algumas teclas do piano e, ao final da conversa que fizera questão de provocar, convencido de que tratava de alguém de boa índole (mas sozinho no mundo, sem eira e nem beira), convidara-o para ir morar em sua casa. Lá, o encontro com Victória, enteada de Sam, aluna-concludente de um dos mais respeitáveis conservatórios de música (piano) dos Estados Unidos.
Pacientemente, os dois deixam que Danny aos poucos se liberte dos seus medos e apreensões, das suas angústias e temores e finde por integrar-ser à “nova família”, até porque, segundo ouviria de Sam a posteriori, “as famílias devem permanecer unidas”; e assim, aos poucos, acompanhado por Sam ou Victória, Danny começa a descobrir os prazeres da vida, em coisas e situações aparentemente banais ao mortal-comum: tomar um sorvete e saber que é gelado, ir a um supermercado, detectar quando uma fruta se acha madura e, até, que um beijo na face, lhe dado por Victória em forma de saudação, é “molhado” e “gostoso”. Definitivamente, aquela era a “sua família”.
De outra parte, os ensaios de Victória ao piano, em pleno recinto familiar, além de deixá-lo embevecido e extasiado, repentinamente o levam de volta ao passado e, via fragmentos memoriais, imagens começam a “pintar no pedaço”. E aí ele obtém a resposta do “porque” da sua atração pelo piano: sua mãe fora pianista. Ajudado por Sam e Victória (através de um “retrato” que guardara e pesquisas posteriores), descobre não só a identidade materna, mas que fora uma pianista consagrada e famosa.
Nisso, numa prosaica visita a um supermercado, eis que Danny é reconhecido por um dos comparsas do “tio” (que ele julgara morto e que o transformara num autentico animal); descobre, então, que o próprio havia sobrevivido ao acidente e se vê “convidado” a comparecer à sua presença, imediatamente (sob a ameaça de que, não o fazendo, descobririam seu endereço e seus atuais protetores sofreriam as conseqüências).
Volta, é obrigado a recolocar a coleira e, mesmo afirmando não mais querer matar ninguém, é jogado numa arena onde cinco profissionais, usando instrumentos contundentes, começam um autentico “massacre”; por instinto de sobrevivência, a “fera” ressurge em todo o seu esplendor e assim Danny acaba com todos eles. Foge e, ferido, arquejante e cambaleante procura o abrigo de Sam e Victória, até porque “as famílias devem permanecer unidas”.
Surpreso, descobre que os velhos amigos (o “tio” à frente), já haviam descoberto seu “esconderijo” e, agora, subiam os lances de escada dispostos a trucidar com todos eles. Após colocar Sam e Victória num local presumivelmente seguro, dá-se a última batalha: um a um os comparsas são abatidos, impiedosamente, só restando o “tio”; já caído ao chão após uma luta sangrenta, incitando-o a que ele (Danny) mostre ser o que realmente é - “só um assassino” – provoca-o mais ainda ao afirmar que sua mãe fora uma prostituta que lhe servira sexualmente em ocasiões diversas; e aí, em feedback Danny revive a cena em que o “tio” matara sua mãe, à queima roupa, com um tiro na cabeça. Ainda assim, naquele momento crucial, o humano se sobressai, a fera sucumbe e Danny terminantemente se recusa a assassiná-lo; não, ele não é “aquilo”. Pressentindo o perigo, Sam sai do esconderijo e acaba com o marginal, ao acertá-lo com um vaso de plantas, na cabeça.
Cena final: no conservatório, ao receber seu diploma de melhor pianista, Victória, ao ser convidada pra mostrar suas habilidades, toma do microfone e anuncia que a música a ser executada é dedicada a alguém muito especial, que se encontra na platéia; alguém cuja vida transformou-se quando encontrou a música.
Haja coração.
Um filmão !!!

A Brisa do Salgado - Emerson Monteiro


Este o título de outro livro do autor Dimas Macedo, telúrico lavrense de quatro costados e raízes fincadas às margens do rio de nosso querido rincão. Devotado à vida de Lavras da Mangabeira de tantos acontecidos e personagens, aprofunda ação no amor à terra, em estudos e registros do universo que lhe convida a momentos definitivos das páginas que escreve com ânimo acendrado. Prolífico, incansável, preserva as relíquias desse lugar, consagrado aos irmãos de uma terra reconhecida pelas letras, de inúmeros títulos, poetas, contistas, cronistas, romancistas, memorialistas, nascidos ou vividos no seio do tórrido continente.

E Dimas se entregou à função de maestro da orquestra multiforme... Escriba primoroso, dedicado, proficiente, recolhe peças elaboradas pelo esmero daqueles heróis da pena, e constitui o acervo da literatura que descobre aos filões na alma dessa gente... Traça rumos, pesquisa, referenda, artífice intelectual da Academia Lavrense de Letras, exemplo vivo de cultor da arte a quem oferta sonhos de inteira devoção.

O livro que hoje nos traz, edição da Imprece Editorial, Fortaleza CE, 2011, consolida posições por meio de crônicas e ensaios inspirados, visando significar o rumo saboroso dos quintais férteis do Rio Salgado, cujas águas acariciam os morenos pés das musas da pátria ressequida. Ainda que envolto nos afazeres profissionais, se permite a instantes preciosos de laborar espelhos de sapiência e monta e totalidade lógica dos discursos textuais coletivos.

Converge, pois, linhas do tempo e do espaço lavrenses na colcha de retalhos dos filhos próximos ou distantes, vivos ou eternos, presentes ou para sempre destacados pela fraternidade, instrumentos afeitos à batuta do grande amigo que resolveu doar genialidade aos amantes das letras interioranas, literatura ao natural.

Um inesquecível cronista das terras alencarinas, poeta, ensaísta e historiógrafo, Dimas Macedo assim subscreve a legenda de que Lavras da Mangabeira se reveste qual cidade fenômeno das letras cearenses, pela incidência privilegiada na relação autores/habitantes no decorrer da sua história, satisfação e honra dos apreciadores da cultura.

CRATO - Um Tesouro que nunca poderão tirar de nós !


Pensamento do Dia

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjEbTMpqNf0_7-EWOLL3S2auJaWklWhyonpqEviUrUDzrDmlKXZczrUQcjb00q2cmNDem2ohegfL0N9UVu7hcO0Ur4ArtRR9mrg-XOx1QGKXArAC7is2sqJMznLFof6itHajRgtR3mwjLvO/s1600/chapada_do_araripe_Crato400.jpg


"O Crato tem belezas naturais, tem a linda Chapada do Araripe, tem verde, tem fontes, balneários... Coisas que cidade nenhuma pode tirar de nós. Eles podem até levar o SESI, podem levar o SENAI, podem levar as nossas Universidades. Os governos podem negar verbas para que nossa cidade possa crescer como deveria, mas eles jamais poderão tirar os nossos maiores tesouros: Primeiro, a nossa dignidade, e a nossa querida Chapada do Araripe. Hoje é Domingo: Nós Cratenses, como fazemos há mais de 200 anos, vamos para nossos pés de Serra tomar Banho nas Nascentes, nessa agradável temperatura que o Crato possui. Enquanto isso, certas cidades gananciosas, que não tem sequer qualidade de vida, num belo dia de Domingo como esse vão amargar no calor, e tomar banho só se for de AREIA ou numa poça de lama. Salve a nossa Chapada do Araripe, um patrimônio que cidade nenhuma pode tirar dos Cratenses!"

Por: Dihelson Mendonça

Eu Vou Pro Crato
( Luiz Gonzaga
)

Eu vou pro Crato
Vou matar minha saudade
Ver minha morena
Reviver nossa amizade

Eu vou pro Crato
Tomar banho na nascente
Na subida do Lameiro
Tomo uns trago de aguardente

Eu vou pro Crato
Comer arroz com pequi
Feijão com rapadura
Farinha do Cariri

Eu vou pro Crato
Vou matar minha saudade
Ver minha morena
Reviver nossa amizade

Eu vou pro Crato
Pois a coisa melhorou
A luz de Paulo Afonso
O Cariri valorizou

Eu vou pro Crato
Já não fico mais aqui
Cratinho de açucar
Coração do Cariri

Eu vou pro Crato
Vou matar minha saudade
Ver minha morena
Reviver nossa amizade

Eu vou pro Crato
Vou pra casa de seu Pedro
Seu Felício é velho macho
Tô com Pedro, tô sem medo

Eu vou pro Crato
Vou viver no Cariri
Cratinho de açucar
Tijolo de buriti

sábado, 8 de outubro de 2011

Continuam as Privatizações - CUT faz protesto contra privatização de aeroportos


CUT é contra a Privatização dos Aeroportos Brasileiros

São Paulo – A Central Única dos Trabalhadores (CUT) fez uma manifestação na tarde de hoje (7), no Aeroporto Internacional de Guarulhos, contra a transferência parcial de parte dos aeroportos brasileiros à iniciativa privada. A privatização dos terminais de Guarulhos (SP), Viracopos (Campinas) e Brasília deve começar em dezembro. Em agosto deste ano, o Aeroporto de São Gonçalo do Amarente, na região metropolitana de Natal, foi privatizado. O governo também estuda transferir para o setor privado a exploração de outros aeroportos, como o Galeão, no Rio, e Confins, em Minas Gerais.

“Entendemos que isso vai encarecer as tarifas e piorar a qualidade dos serviços. Com certeza, poderíamos atrair o capital privado para expandir os aeroportos sem a necessidade de privatizar a Infraero [Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária]”, disse o presidente da CUT, Artur Henrique. Mais de 100 pessoas participaram da manifestação. Entre elas, delegados da CUT de quase todo o país, que estavam reunidos em uma plenária em Guarulhos, funcionários da Infraero e de sindicatos de aeroportuários e aeroviários.

De acordo com os sindicalistas, o governo precisa manter o controle acionário da Infraero, mesmo que decida abrir o capital da empresa estatal. O governo quer que a iniciativa privada fique com 51% de participação dos aeroportos privatizados. As entidades sindicais consideram alto esse percentual.

“O ganhador da licitação terceiriza ou quarteiriza e diminui a qualidade do serviço. Estamos vendo o que está acontecendo em várias obras do PAC [Programa de Aceleração do Crescimento]”, disse o presidente da CUT. Os manifestantes percorreram todos os terminais do aeroporto gritando palavras de ordem contra a privatização. Por alguns instantes, as duas faixas de acesso ao desembarque do aeroporto foram fechadas.

“A privatização vai trazer a elitização dos aeroportos e o aumento das tarifas. O que incomoda a elite do país é que os aeroportos começaram a ser frequentados pelo povão. Um governo eleito pelos trabalhadores com discurso contra a privatização não pode privatizar um patrimônio do país como é a Infraero”, disse o presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil (Fentac), Celso Klafke.

Edição: João Carlos Rodrigues
Bruno Bocchini
Repórter da Agência Brasil

Um caririense no vácuo - José do Vale Pinheiro Feitosa

O Armando Rafael bem que pegou no pulso deste caririense de quatro costados. Que olha para o amanhecer e já pensa o quanto o dia tem de possibilidades, que se emociona no crepúsculo emoldurado pela chapada, olha para o sul como o mais profundo dos sertões e para o norte assim como para o sentimento do imenso. A imensidão da Amazônia.

Aí ele me deixa de papilas paladares a buscar os sabores ancestrais. Os sabores de uma era inteira. Aqueles sabores que se juntam do local e todo o hinterland do qual somos o umbigo: os sertões semi-áridos. Não pensamos no caririense sem as manadas de gado vindas da caatinga, que as cargas de queijo cheguem, sem que os caminhões subam a ladeira levando mercadoria.

Eu quase que dizia as cargas de rapadura transportadas para os sertões, mas a moagem anda tão escassa e o açúcar refinado é mais do gosto. O queijo dos currais históricos ficou uma coisa meio assim, o colesterol entope e a velhice moderna tem que comer o queijo de outros lugares. Aí você passa numa esquina e vê uma panela de mugunzá salivando deste a tampa até nossas bocas, convida o amigo e ele olha apavorado com o rosto cheio do veneno da comida.

Há um ano, senti muito, o Armando estava convalescente e não o vi. Mas me fartei da genuína gente do cariri. Da melhor estirpe num Buffet de alto nível todo à moda internacional. Tome whisky, cervejas importadas, algumas canções da nossa época todas em língua estrangeira, mas o caririense há muito que gosta disso.

Aí para o máximo que um dia é capaz vou a um dos restaurantes mais lindo que conheço. Fica acima da nascente e dele se descortina todo o lindo vale do Cariri. E estávamos no regime das chuvas tinha tanto verde que Deus nem sabia que havia criado tal variedade. O panorama era comparável a qualquer outro acidente geográfico do mundo de igual natureza. Falo da beleza.

E tinha algo mais intenso. Era um restaurante com varanda, juntando todos os elementos das varandas que vêm desde os trezentos anos avocados pelo Armando. Aquelas varandas que não apenas nossos olhares contemporâneos esfriaram a vida, mas toda a nossa geração de avós. E as plantas em volta com babaçuais, mangueirais, sirigueleiras, cajaraneiras e um intrincado de matos e suas flores gentis a emoldurar toda a alma do olhar caririense.

Estava completo e examinei o cardápio. Como nossos cardápios. Uma lista imensa de possibilidades. Fica até difícil escolher. Desço o olhar de cima abaixo da lista e retorno ao topo. O quê escolher? Vou matar uma fome cubana. Pensei eu. Para melhorar o clima peço uma cerveja gelada de quebrar os dentes da ex-governadora Sarah Palin do Alasca.

Pronto eu estava pachorrento como o espírito de Fernando Henrique Cardoso. Não digo satisfeito, afinal com aquele cardápio à minha frente a pachorra era apenas aparente, igual ao “ex” quando sente o cargo ocupado por outro que não ele. E tem mais apesar da variedade, eu não me perdi no cipoal de ofertas. Havia algo a se destacar no todo e meu espírito caririense foi certeiro sobre ele: eu quero esta buchada anunciada no cardápio.

Comemorei com outra gelada e o entusiasmo da paisagem tomou um vigor novo. A lábia estava molhada e poderia falar à vontade sobre tudo. Absolutamente tudo, daí a pouco a santidade que guarda toda esta chapada iria me servir uma buchada. Uma buchada a me transportar ao original ser qual era antes destas transmigrações urbanas. Uma buchada com sabores capazes de reconhecer todo o meu corpo como aquele mesmo que a provou pela primeira vez e jamais esqueceu
.
Aí vem o prato fumegante da buchada. Meus olhos eram faróis de reconhecimento. A moça depositou a iguaria bem no centro da mesa e nem bem o prato se assentara sobre a tábua, já estava com faca e gafo pronto para partir o sabor de um mundo vasto e apenas explicado pelo gosto. Avancei mais que os outros e já tinha meu quinhão sobre o meu prato.

A antecipação era tão forte que qualquer suspeição ficaria relegada ao rabo da fila das negações. Os bocados estavam prontos para se transformar na comunhão do meu espírito caririense.

Hummmmm. Ihhhhh. Não. Não. Não. Que gosto estranho. Uma antítese de se perder o rumo. Olho para o prato dos companheiros de mesa e os rostos eram iguais em decepção. O que havia?

Minha filha que buchada é essa?

Senhor?

Que buchada é essa?

Buchada? – a expressão de incompreensão da moça que nos servia.

Essa que você nos serviu.

Ah! É de tilápia.

A paisagem desabou. A moldura rachou. Eu quase saia correndo de ladeira abaixo e me abraçava à carcaça do motor da luz.

Mas tem mais. Não saia ainda não. No restaurante não tinha piqui e estávamos na safra. Meu marido não tem comprado o povo não pede mais, explicou-me a dona. Bom eu vou ao mais tradicional dos tradicionais do meu querido Crato e como piqui no Pau do Guarda. Qual o quê!

O Pau do Guarda é uma steak house, piqui o povo não gosta. Quase que corro para o Juazeiro. Esperem um pouco que o mesmo poderia acontecer por lá. Era para pegar o avião e me refugiar na Feira de São Cristóvão. Aqui no Rio.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Caririensidade -- por Armando Lopes Rafael

   O povoamento do Cariri, dizem os historiadores, teve início provavelmente por volta de 1703. Foi quando criadores baianos e sergipanos – seguindo o caminho dos rios –  chegaram a esta região vindo – com seus rebanhos – pela ribeira do Rio Salgado e Riacho dos Porcos. Alguns desses colonizadores se fixaram inicialmente na povoação de São José dos Cariris Novos, atual cidade de Missão Velha.
Só depois apareceu por aqui o lendário frei Carlos Maria de Ferrara, responsável pelo surgimento da Missão do Miranda do Brejo Grande, atual cidade de Crato. São, portanto, mais de 300 anos.  Tempo no qual a população sul-cearense construiu sua história, saberes e fazeres, usos e costumes, enfim plasmou uma identidade cultural própria. 
  
Temos raízes. A mim me parece, no entanto, que o atual e  globalizado caririense ainda conserva – lá no recôndito da alma – quando nada, a nostalgia dessa caririensidade.  Perguntinha ingênua: existiria ainda –  num mundo tão globalizado como o nosso – e, particularmente, numa região tão eclética como o Cariri, espaço para defendermos a existência do sentimento que se convencionou chamar de “caririensidade”?
   
Hoje falamos o linguajar que nos foi imposto pela televisão gerada a partir do sudeste. Vestimo-nos como a população se veste nas demais regiões do mundo: calça jeans, camisa polo ou xadrez. Calçamos o tênis. Igualzinho ao palestino, ou ao arqui-inimigo deste, o israelense. Este, por sua vez, traja igualzinho aos manifestantes que derrubaram as ditaduras no Egito, na Tunísia e na Líbia. Sabemos todos, que o sonho de consumo da paupérrima população cubana é vestir-se igual aos “decadentes” capitalistas norte-americanos. Por isso, o promissor comércio da prostituição cubana fez da calça jeans uma  moeda de conversão.
   
 E as comidas que consumimos no Cariri? Se formos a um restaurante caro (ou mesmo a um bom self service) o cardápio destaca logo: Pizza, Spaghetti, lasanha, risoto, Paella... Se optamos por um fast-food, existem dezenas de sugestões, que vão desde o sandwich de salsicha simples,  ao hambúrguer com batatas fritas e a inevitável Coca-Cola (e aí meu chefe? vai de light, diet ou KS?).
Sem esquecer outras sugestões como o Beirute, ou as esfihas. As de bacon são as mais consumidas. Como sobremesa, uma boa pedida  é o  mousse de maracujá. Suprema humilhação: hoje no Cariri se vende mais queijo mussarela do que o de coalho.
              
Agora experimente numa festa tocar um autêntico forró Pé-de-Serra. A pista de dança fica logo cheia! Ou mande um caririense escolher entre as sugestões do cardápio e um sarapatel... Sugira uma panelada, galinha cabidela, cozido com pirão de farinha, paçoca pilada no pilão com cebola roxa, buchada de bode, baião-de-dois com carne de sol e queijo de coalho...
               
Aí, meu irmão, prevalecerá a caririensidade...
(Texto e postagem: Armando Lopes Rafael)

Edilma Rocha - em resposta ao texto "A Casa Grande" de Claude Bloc

Eu sou...
- Edilma Rocha -


Fiquei ali quieta a esperar, sem me dar conta das luzes que se iam e vinham num tempo infinito.

Mesmo de longe, sabia do sentimento que chegava de mansinho no pisar de cada passo quieto. Na volta todos são crianças à procura de algum brinquedo esquecido em algum canto da casa. Ficar quieta e sentir o respirar compassado na subida de cada batente antigo, é reviver os momentos de alegria de um passado distante. Sinto o bater apressado de um coração latente a procura de alívio para o sentimento sufocado, me faz bem...

Ao chegar no alpendre cada passo reviveu um momento nos olhos fechados da menina do passado, tateando com as mãos feito brincadeira de cobra-cega. Era hora de ser criança outra vez e procurar pelo cheiro bom da memória das coisas que não voltam mais.

Procurei em cada canto um objeto querido para sentir novamente o toque de suas mãos. E eles se foram, levando um pedaço de cada vida, no seu destino misterioso. Se ainda restou uma lembrança num pedaço qualquer, foi como se reunisse todos os sentimentos em um só objeto.

Os papeis se foram no vento levando palavras que não foram escritas. Mas ficaram os ecos dos medos da noite em que corria para os braços maternos à procura de alento. Na antiga banheira os mesclados da estampa se empregnaram na louça esquecida.

E na poltrona da sala, continuo ali à espera de cada um, que de vez em quando penetra no passado de mil silencios. Estou a esperar poemas e contos no relato do livro dos sonhos embalados pelo murmurar das águas do açude e no bailar das lembranças da menina feliz por estar de volta mais uma vez na casa grande.

Eu sou a saudade...

Digníssimo Povo do Crato - Por Helder Macário


Eu não sou filho do Crato, mas considero-me tão cratense quanto os que aqui nasceram.

Não sou político, nem candidato, mas gostaria de lhes falar um pouco sobre política.

Tampouco sou escritor, mas gostaria de escrevendo, lhes dizer algo que, considero de suma importância para todos nós.

Meus amigos e amigas – acho e, com certeza, muitos também acharão que o nosso município já teve em sua já um tanto longa existência, momentos de glória, momentos históricos, momentos outros quando éramos considerados referência em educação, em saúde, em cultura, em comércio, enfim, em muitas e importantes atividades. Já fomos um município que dominou uma vasta região, que já contou com fortes lideranças políticas, tinha deputado estadual, federal e até senador nós já tivemos, teve força política, poder, prestígio, influência e autonomia e, por isso, teve condições de conseguir junto aos governos o tudo que precisava e queria. Dispunha, realmente de tudo e aparecia no topo, às vistas dos governos e isto porque um município só é bem visto pelos governos quando dispõe de tudo o que o Crato dispunha: força política, poder, autonomia e por isso, muito prestígio e influência.

Que governo irá prestigiar um município que não tenha suas lideranças, seus próprios deputados, que não tenha união, nem autonomia e por isso não terá também força política? Realmente nenhum! Pois foi exatamente quando o Crato deixou de eleger os seus próprios deputados, votando em candidatos de outros lugares que começamos a cair, a perder prestígio, chegando ao ponto de não termos quem “levante uma palha” por nós, quem dê “uma mãozinha” sequer, ao prefeito para que, pelo menos, resolvamos problemas urgentes e simples, imaginem os grandes ou os que nos tragam benefícios, sejam quais forem.

Sim porque aqueles em que votamos não tem o mínimo interesse por nós, desejam mesmo é que o Crato se esvazie cada vez mais, se torne, por completo, dependente de outras plagas e deles mesmos que, naturais de outros lugares, aqui encontraram guarida, receberam o respaldo que precisavam, em votos, que lhes deram poder e prestígio, utilizados, não a nosso favor, mas ás vezes, contra nós, como é o caso atual, quando alguém quer nos presentear com algo que, dizem, de grande benefício mas que, ao invés de benefício nos trará literalmente o sobejo, as migalhas, os restos, o lixão dos outros municípios do Cariri, verdadeiro “presente de grego.”

Nenhum cratense de sã consciência deixará de se indignar por isso e eu lhes pergunto: qual daqueles candidatos aqui votados já se empenhou em conseguir, para nós algum benefício? Qual deles, por exemplo, se empenhou na luta pela vinda da Universidade Federal para o Crato? Qual deles teve interesse em nos defender, quando daqui tiraram tantos órgãos importantes, há muito aqui instalados? Qual deles interferiu na resolução do gravíssimo problema do nosso canal do Rio Granjeiro? Em qual deles deveremos confiar quando falam em retirar a nossa Exposição do seu parque atual? Qual deles já agradeceu pelos votos que aqui receberam? Qual deles ainda merece o nosso voto? Qual deles merece o nosso respeito? Sinceramente, eu acho que nenhum. Mas existe um ponto que precisa ser considerado. É que eles aqui gastaram dinheiro, algum cratense negociou votos e se os candidatos pagaram, não restou nenhum compromisso. Então, não deveríamos mesmo esperar nada deles. Eles pagaram os votos ou em dinheiro ou em favores para alguém e em contrapartida não nos trouxeram o que atenderia ao município e seu povo, de maneira geral.

Temos que ter consciência e pensar, que votar em candidato de fora, nesses que compram votos, é votar contra o Crato, é votar contra nós mesmos, é, antes de tudo um contra-senso.

Então, em quem votaremos para deputados nas próximas eleições? Não é nada fácil responder a esta pergunta, por algumas razões: uma é que os políticos andam mesmo em muito baixa cotação, outra, é que nós não contamos realmente com nomes fortes que possam ser apontados como candidatos a deputado estadual e federal ou porque, desde muito tempo ninguém preparou-se suficientemente para isso ou porque não houve interesse por alguém que tivesse condições ou porque tal interesse foi prejudicado (este foi o caso do nosso amigo e conterrâneo Valberto) pelo interesse de alguém que só desejava ver o Crato dependente ou ainda e isto é muito importante, porque não tivemos consciência de que teremos que fazer valer a nossa autonomia.

Aliás, povo do Crato, onde anda a nossa autonomia? Precisamos tê-la de volta, precisamos, nós mesmos, resolver os nossos problemas domésticos, precisamos, nós mesmos, tomar as nossas decisões, precisamos, nós mesmos, escolher os nossos candidatos, sejam a prefeito ou deputados e, estes, que sejam pessoas do nosso meio, pessoas sérias, dignas, honestas, capazes, prudentes, empreendedoras, que conheçam os nossos problemas e anseios, comprometidas com o nosso município, em quem reconheçamos sinceridade nos pronunciamentos e atitudes. Nunca pessoas que, com dinheiro ou demagogia tentem ludibriar a consciência dos mais ingênuos, pessoas impostas por quem quer que seja, que nos sejam colocadas de “goela abaixo” como se fossem purgante, no que, de fato, eles sempre se tornam.

Teremos que tomar muito interesse pelas próximas eleições municipais, porque, além de estarmos elegendo pessoas que dirigirão os nossos destinos durante alguns anos, delas poderão depender medidas que venham solucionar, a meu ver, o maior problema do nosso município, que é o de não termos representantes legítimos, nem a nível estadual, nem federal, o que, diga-se de passagem, é uma grande vergonha.

Os deputados, são elos de ligação entre o prefeito e os governos, através deles que por sua vez são muito úteis aos interesses, tanto do governo estadual como do federal, inclusive permitindo a eles o poder da barganha, os prefeitos conseguem fazer as suas reivindicações. Então, se o município não conta com deputados legítimos ou em quem possa confiar, fica marcando passo, vendo a “carruagem passar” rumo a outros municípios que contem com seus representantes.

Ainda bem que surgem, às vezes, oportunidades de o governo e o próprio prefeito conseguirem algo, como por exemplo, o calçadão da Rua Dr. João Pessoa, e reforma das praças, a Escola Profissionalizante e a recuperação de parte do canal do Rio Granjeiro, que, por sinal, teria que ser uma obra de prioridade máxima, que estivesse pronta antes das primeiras enxurradas, os cratenses sabem por quê.

Se nós eleitores pensarmos bem, acabaremos concluindo que a nossa responsabilidade é muito grande, de nós depende a eleição de cada candidato, de nós, portanto, dependerá o nosso próprio destino e se a nós cabe tamanha responsabilidade, temos a obrigação e o dever de nos empenharmos de corpo e alma no processo.

No meu entender o ideal seria participarmos com absoluta seriedade de uma união (A UNIÃO PELO CRATO) que seria formada entre nós eleitores mas, também, antes e principalmente entre candidatos e lideranças partidárias que tomariam a frente de tudo, acolhendo a importante, necessária e indispensável participação de todos os segmentos da sociedade, esquecendo questões de qualquer ordem em favor do propósito de ser formado um grande grupo que, marchando junto e forte, indicaria, já nas próximas eleições municipais, o nome do candidato a prefeito, aliás, já estão surgindo nomes, alguns muito bons, realmente. Juntos a este o nome do vice-prefeito e vereadores, nomes estes que seriam ratificados por nós, eleitores, nas eleições e depois, na eleição seguinte, para deputados se procederia da mesma maneira com relação a deputado estadual e federal para, então, o grupo e nós cratenses, cheios de confiança e otimismo, termos aquela força política, há algum tempo perdida, finalmente renovada, o que nos daria poder, prestígio, influência e por isso, nos daria condições para conseguirmos junto aos governos o tudo que precisamos e queremos, aquilo que hoje não conseguimos, exatamente porque, desorientados, sem a devida união, sem a mínima noção de dimensão da nossa responsabilidade, votamos em pessoas erradas para deputado, alheios a nosso municípios, a nossa gente e o pior, sem compromisso para conosco, daí porque, já deixamos de receber muito do que precisávamos, perdemos muito do que tínhamos e corremos o risco de perder ainda mais, inclusive a nossa Exposição, ela que ainda nos promove, criada pelo povo do Crato, orgulho para todos nós e muito ambicionada por outros municípios.

A quem falei sobre a idéia da união, quase todos foram unânimes em dizer que é muito difícil acontecer mas, seria o ideal e eu, o que possa até parecer um sonho, me arrisco a publicar, na esperança que algum outro sonhador como eu, concorde comigo, ache que nem tudo o que é difícil, é impossível de acontecer, principalmente, quando se trata de assunto tão importante e sério, que diz respeito ao futuro do nosso município, da nossa cidade, da nossa gente, que deverá ser tratado por pessoas de alto nível, a quem interessa também, e muito diretamente.

Realmente, temos que acordar, temos que encarar o grande problema que temos por não contar com representantes legítimos nem na Assembléia Legislativa, nem na Câmara Federal, com muita seriedade e a meu ver, mesmo que possa realmente parecer um sonho, só através da união teremos a solução e ela nos trará força política, com esta, o poder,  a influência e o prestígio para conseguirmos o que desejarmos e precisarmos.

Eu torço, então, para que os nossos líderes se entendam e façam do que tantos acham ser difícil, mas ideal, a grande “UNIÃO PELO CRATO”, uma realidade para o bem de todos.

 Sou o visionário que assina.

 Helder Macário.

Crato-CE, 27/09/2011.

Porque deixamos nosso partido

Pedro Esmeraldo

Porque somos democráticos e patriotas. Não desejamos usar acordos escusos. Não comungamos com os pensamentos negativos de seus dirigentes, visto que aceitam com passividade, sem reagir, o desgaste político do Crato.

Fiquem sabendo senhores, saímos de um partido porque nós, cratenses, não concordamos com as atitudes discriminatórias, visto que somos considerados “um município desprezado” pela corrente administrativa do Estado do Ceará. Com certeza empregam contra nós palavras amarguradas, como sendo uma cidade inexpressiva, isto é, fora da orla do poder executivo do Estado.

Antes, nunca pensamos que esses políticos fossem tão passivos assim, procuram nos acomodar num quadro sombrio, jogando-nos para o lado da discórdia, da intriga e do desprezo.

A maioria desses homens públicos contempla-se com o progresso de somente um município que desejem fortalecer, e apenas um, que é o município de Juazeiro do Norte. Os outros municípios que caiam na cesta do lixo.

Esperávamos que os filhos desta terra reagissem e empurrassem o barco para o caminho da concórdia e compreensão mútua. Precisamos criar coragem e ir em frente com o pensamento positivo, a fim de convencer as autoridades governamentais que todos os outros municípios merecem ser enaltecidos com obras avançadas através de uma tecnologia que satisfizesse o cidadão comum, galgando o píncaro da glória.

Infelizmente, a maioria desses políticos cratenses entrega facilmente os pontos. Não enxergam um palmo diante de seu nariz, só criam discordância entre si. Mesmo assim, há deles que tem um pouquinho de coragem de enfrentar o barco, mas caem numa traição fora do comum, já que, vêem-se homens perversos e egoístas impedindo o crescimento econômico do nosso município.

Vêm sempre nos procurar nos tempos de maré baixa, mas quando conseguem alguma coisa, dão com os burros n’água, fogem da terra e levam tudo para si.

Vejamos bem, não culpamos somente os políticos. A maioria do povo tem sua parcela de culpa, pois muitos dizem que votam em pessoas de fora porque estes deram-lhe apoio com facilidade e os da “terrinha” não têm dinheiro para gastar.

Por isso, estamos lutando para ver se mudamos a mente desse povo, que anda distorcida. Seria bom que todos nos ouvissem e compreendessem que, segundo o ditado popular, “ruim com eles, pior sem eles”.

Mas, depois de tanta luta, perguntamos aos imprudentes: que podemos fazer?, visto que esses ditos eleitores desvairados não nos trazem alegrias, apenas descontentamento, já que preferem entregar o barco ao município de Juazeiro do Norte, que não nos traz nada a não ser espinhos de mandacaru. Nós cratenses seremos enganados pela massa faminta e desconexa que só deseja nos empurrar o barco, com o fito de nos afundar nas águas revoltas do desespero.

Agora tornamos a perguntar: e o cratense permanecerá triste, desconcertado, esperando que algum dia apareça um superhomem que venha reagir e mude o nosso destino?

Autor: Pedro Esmeraldo

Encontro da SOBRAMES - Programação Hoje !


P R O G R A M A Ç Ã O



Sala J u a z e i r o



07 de outubro , 6ª. feira



09:30-10:15h – Palestra: “Bárbara de Alencar”


Presidente: Dr. José Maria Chaves


Palestrante: Dr. Geraldo Bezerra



10:15-11:00h – Palestra: “O ritmo na criação do soneto”


Presidente: Paulo Camelo (PE)


Palestrante: Prof. Lucarocas



11:00-12:00h - Palestra: “O Príncipe da Medicina”


Presidente: Dr. Francisco Tomaz Ribeiro Ramos


Palestrante: Dr. Vladimir Távora Fontoura Cruz



12:00-14:00h - Intervalo para o almoço



14:00-15:30h - Temas Livres


Presidente: Jorn. Vicente Alencar


Secretária: Jorna. Margarida Alencar



15:30-15:45h - Cafezinho



15:45-16:45h - Conferência: “Ritmo na Poesia”


Presidente: Dr. Walter Gomes de Miranda Filho


Conferencista: Dr. Paulo Camelo (PE)



16:45-17:45h – Temas Livres


Presidente: Dr. José Maria Chaves


Secretário: Dr. Luiz de Araújo Barbosa



20:00h - Conferência Magistral: “Mozart Cardoso de Alencar – Vida e Obra”


Presidente: Dr. Francisco Flavio Leitão de Carvalho


Conferencista: Dr. Gualter Alencar


Coquetel

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Porque Steve Jobs foi Genial - Por: DIhelson Mendonça



Steve Jobs não inventou o computador, decerto. Ele já havia sido inventado décadas antes, nos longínquos anos 40. Mas eram máquinas gigantescas que funcionavam apenas para as grandes corporações. Coube ao gênio singular de Jobs a tarefa de inventar as formas como o mundo moderno passou a funcionar, quando criou o primeiro computador pessoal portátil do mundo.


Poderíamos separar a história contemporânea em duas fases distintas, antes e depois de Steve Jobs ( AJ - DJ ). Jobs foi o cara que criou o primeiro computador estritamente direcionado para o POVO, revolucionando o mundo. O seu legado para a modernidade é incomensurável e acima de qualquer consideração trivial. Trabalhando em uma garagem com poucos sócios na década de 70, Jobs conseguiu quebrar a hegemonia da toda-poderosa IBM quando criou a primeira máquina portátil inteligente que o grande público era capaz de levar para casa, ligar a um TV qualquer e usar. Algo impensável para a época. Com isso ele iniciou uma revolução tecnológica que persiste até os dias de hoje, e mudou para sempre a forma como vemos o mundo.

Steve Jobs praticamente reinventou o computador. Ele fez o que ninguém antes havia feito. E não parou por aí; Seus inúmeros projetos posteriores, como o Imac, o Iphone, o iPod, e agora o iPad continuam mudando drasticamente a tecnologia da informação e com isso, a vida do ser humano no planeta. Porque outros não inventaram essas coisas antes dele ? - Muitos querem desmerecer a obra de Jobs, mas falar depois que algo é inventado, é sempre fácil. Difícil é criar algo novo, ou reinventar-se. Isso fez Steve Jobs durante toda a sua vida, e a sua grande paixão, a Apple.

Jobs não foi apenas um tecnólogo. Foi um verdadeiro artista da Informática. Perfeccionista ao extremo em cada detalhe dos seus projetos, queria sempre unir tecnologia à arte.

Sem ele, talvez alguém em um dado ponto da história poderia até ter criado um computador pessoal, décadas mais tarde, não se sabe, como também da mesma forma, alguém poderia ter inventado a lâmpada elétrica sem Thomas Edison, ou sem Einstein, a Teoria da Relatividade. Mas depois que Steve Jobs fez o que ninguém mais fez antes, qualquer um pode dizer que foi fácil.

Em 1988 eu mesmo participei e assisti com um amigo, da criação de um microprocessador para um computador pessoal que possuía 1Kbyte de memória, coisa grande para a época, mas nem de longe poderíamos comparar aquilo com o que a APPLE havia feito uma década atrás nos Estados Unidos. Portanto, a César o que é de César. Steve Jobs tem o mérito de ter trazido a público o primeiro computador portátil que realmente funcionou.

E se isso em si não for genial, não temos mais qualquer definição que possa caber nesse lugar. Salve grande Steve Jobs! Obrigado por todo o legado da informática que você nos deixou, que sem isso, nem estaríamos aqui agora escrevendo esta mensagem a fim de que milhares de pessoas possam ler, partilhar e interagir no conforto dos seus lares por todo o planeta! Isso não é Fantástico ? Que invenção maior para o mundo moderno poderia ser, além do computador pessoal ???

Por: Dihelson Mendonça

O Samba do Galego Doido

O Brasil tem um código de regras próprio que se foi solidificando com o passar dos anos e que, hoje, é praticamente impossível revogar. O costume do cachimbo terminou por entortar a boca do país. É como se, em pleno Século XXI , ainda folheássemos o Código de Hamurabi para solucionar as querelas do dia a dia. Basta observar os nossos políticos, todos afeitos a obras de fachada, onde possam dependurar o nome em alguma placa comemorativa e, com certeza, levar de quebra alguma comiçãozinha -- que ninguém é de ferro! Todos fogem de obras de saneamento, como o satanás da água benta. Que importância tem uma coisa enterrada, invisível aos olhos comuns da população? Que relevância tem isso, mesmo com todo benefício que traria à saúde da população, se não tem onde sapecar o nome e dar visibilidade ao trabalho realizado? Vade retro Belzebu ! Vamos asfaltar as ruas, mesmo com que o excrementos fluam, livremente, ladeira abaixo! Vamos reconstruir o Canal do Rio Grangeiro , sem qualquer interferência sanitária, para que corte toda a Cidade—residências, Escolas, Mercado Público--- como uma chaga aberta, exalando o mesmo cheiro que rescende da consciência da nossa classe política !

Estas disparidades são visíveis nas três esferas de Governo. Agora mesmo o Congresso Nacional se vê na premente necessidade de votar a Emenda 29 da Saúde que já bola pelo Planalto , de gaveta em gaveta, há mais de 20 anos. Esta Emenda é simplesmente imprescindível para minorar o terrível caos que é a Saúde brasileira. Ela determina com quanto deve arcar o Governo Federal, os Estados e Municípios com o financiamento do SUS. Criado há mais de duas décadas, com a brilhante perspectiva de dar uma Saúde Universal e Integral a todos os brasileiros, o SUS nunca pode se firmar por conta de sub-financiamento e vive assoberbado de denúncias contínuas em todos os meios de comunicação. Hoje, gastamos menos de R$ 2,00 por habitante / dia para proporcionar à população o que está garantido na Carta Magna. Já pensaram numa loucura dessas? Na hora de resolver o problema, no entanto, cadê o Congresso? Cadê a agilidade que se vê na hora de votar os próprios aumentos de salário ou as emendas de orçamento? Ou tiramos o SUS da inanição ou acabamos, definitivamente, com essa obra de ficção que é a Saúde Pública Brasileira.

Stanislaw Ponte Preta, nos anos 60, criou o “Samba do Crioulo Doido”. Pois bem, no Ceará, atualmente, entoamos o “Samba do Galego Doido”. Basta observar o atual governo para perceber que é pródigo em obras: Estádios construídos para a Copa, Hospitais Regionais, Escola Profissionalizante, Centro de Convenções, CEASA de Barbalha, Centro de Exposições de Sobral e projeto de mudança para o do Crato, apenas para citar alguns. Aparentemente o estado está nadando em dinheiro, acompanhando o boom no ritmo de crescimento brasileiro dos últimos anos. Pois bem, amigos, os professores estaduais estão em greve há mais de sessenta dias, em luta por salários minimamente dignos e até agora o que conseguiram foi serem massacrados pela polícia militar dentro da casa deles próprios : A Assembléia Legislativa. Mas a loucura não pára aí. Os professores estão na rua reivindicando o Piso Salarial que já foi determinado legalmente pelo Supremo Tribunal Federal. O governo do Ceará se nega a pagar. Isso não configura crime de responsabilidade ? Parece que não, meus amigos, porque, pasmem vocês, a Greve foi considerada pela justiça estadual, como ilegal. O juiz determinou multa diária aos que não retornarem ao trabalho e o governador ameaça abrir processo administrativo e demitir os grevistas que já foram esmurrados e esbofeteados dentro da própria casa. Mesmo que sujigados e escoriados sejam obrigados a retornar, que educação teremos? Os mais capacitados mudarão rapidamente de profissão : concursos pululam por todo lado, país afora. Os que precisarem permanecer terão que motivação? Como esperaremos melhorar os terríveis níveis educacionais do estado, tratando professores , como nem marginais podem ser tratados ? O pior é que atingimos um estágio de desenvolvimento no país, nos últimos dez anos, que só poderemos saltar, através do estilingue da educação. O estado sobrevive sem governador, sem deputado, sem prefeito e sem vereador; país nenhum do planeta , no entanto, jamais será nação, sem uma educação de qualidade.

Num dos seus reiterados destemperos, o governador soltou uma frase antológica: “ Professor tem que trabalhar é por amor e não por salário”. Pois já trabalham sim, por amor ! Não fosse isso não estariam alguns enfurnados trezentas horas por mês, em escolas, ganhando um salário que mal lhes cobre a sobrevivência. O problema está justamente do outro lado, do lado dos nossos políticos que , na sua maioria, não conhece essa palavrinha e trabalha sempre por verbas obscuras, por propinas, por comissõezinhas escusas, por falsas promessas. A grande diferença é que os professores , se assim o quiserem e suportarem, serão mestres por toda a vida. Já os políticos não! Precisam sempre de um filtro chamado eleição e quem controla a malha do filtro é a educação que é proporcionada justamente por aqueles que hoje estão sendo maltratados e espancados no meio da rua.

J. Flávio Vieira