Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Show da banda Al Capone Tá Bebo: sexta, 28

Al Capone não vê mais sentido em armar o circo para os outros. Agora Al Capone quer diversão e rock’n’roll. Na presente data Al Capone não quer resgatar nem cultura e nem arte. Isso não é problema dele. AL Capone não pertence a nenhuma ONG; a nenhuma milícia; a nenhum coletivo; e muito menos a nenhum fundamentalismo religioso. Al Capone não reconhece nenhuma espécie de gueto e acredita que as fronteiras devem ser destituídas de seus ícones, dos seus poderes e de suas glórias. Enquanto isso ele está lendo, nas horas sagradas do banheiro, uma tese sobre o poder enigmático das páginas de relacionamentos sociais na rede mundial de computadores. Diante da pós-modernidade e da horda constante de imigrantes tudo anda meio confuso e reduplicado. Assim, Al Capone não encontra sobriedade suficiente na realidade nem mesmo para conceituar o que é patrimônio da humanidade, mas ele se sente como tal. Essa é uma urgência, a outra é tocar rock’n’roll e se divertir muito no circo armado pelos outros.


Banda Al Capone Tá Bebo: show imperdível

A Importância do Ato de Ler‏ - Por Paulo Viana


O mundo é a expressão da Natureza, sua linguagem, mensagens, discurso, enfim, a forma como ela se comunica. Nós humanos, embora façamos parte dessa expressão, temos a capacidade de decodificar esses dados sensíveis, para, não só enxergá-los, mas compreendê-los. Portanto, temos a capacidade de ler o mundo.

Considerando, no entanto, que essa leitura, em um primeiro momento, é muito limitada, faz-se necessária a complementação dela através da interpretação dos outros, para, em um consenso de várias impressões, ter-se a melhor leitura possível.

A melhor leitura possível vem com a inclusão dos sentimentos, da experiência, a sensibilidade e profundidade inerentes a cada um. Cada visão é enriquecida pelas outras, acumulando informações, ampliando contextos, incrementando conhecimentos, revelando segredos, acrescentando, sobretudo, à expressão da natureza, a forma como os humanos a recebem e a transmitem.

E assim nasceu a escrita. O registro da experiência intelectual e emocional, em sua forma original, sem as perdas da oralidade, servindo definitivamente como reserva de aprendizado, documentação histórica e informações que facilitariam a vida de todos.

Leio o mundo, em minha individual capacidade. Preciso ler o mundo lido também por outros. Por isso é importante ler. Estimular o intelecto, o pensamento, a imaginação. Incutir na alma o desejo de evoluir, de saber, compreender, descobrir, realizar e, principalmente, sentir.

Ler é quase uma necessidade natural. É um alimento indispensável ao espírito. Sem leitura o espírito é ansioso, faminto, grudado na superfície, como uma pedra, que, em sua imobilidade, necessita de forças alheias para movê-la. Falta-lhe a liberdade. É dependente da energia e do saber de outros. Está, permanentemente, suscetível ao engano.

Uma das mais maravilhosas criações dos homens é a literatura. A história, a ficção, os estudos científicos, a mitologia e a poesia. A trajetória humana, em sua amplitude de sentimentos, de feitos, de desejos e realizações. A grandeza, as contradições, as epopéias, as sagas de toda a civilização em seu transcurso pelas linhas do tempo. Todo um complexo de alimentos para o engrandecimento da alma. Ler é procurar-se no mundo e encontrar-se em si mesmo.

Paulo Viana

Curimã


Zé Curimã, matuto do pé rachado, começou a sentir umas coisas estranhas quando ia para roça. Pelo olho direito via a imagem duplicada. No início, até brincava, apontando para o órgão defeituoso: “Este olho aqui é para cubar moça bonita e receber o apurado do patrão no fim de semana”. Com o passar dos dias, no entanto, começou a se preocupar: a vista começou a ficar meio borrada e depois de umas três topadas em bico do toco, no roçado, resolveu procurar ajuda. Morava nos canfundós do Judas, numa cidadezinha do Rio Grande do Norte, de nome poético e voluptuoso : Caiçara do Rio do Vento. Dirigiu-se ao boticário Filismino, homem versado nos mistérios das raízes de pau e contou suas queixas. O homem lhe receitou uma garrafada que englobava um sem número de meizinhas : malva, jalapa, boldo, carqueja, jurubeba,alecrim, alfavaca,arnica, babosa, capim santo, marcela, meio litro de aguardente, tudo isso colocado junto em uma garrafa e enterrado no chão por quatro dias. Depois de exumada a beberagem foi tomado parcimoniosamente em jejum: uma colherinha no primeiro dia, duas no segundo, três no terceiro, indo num crescendo até o nono dia, quando deveria fazer o movimento contrário pelo mesmo período, subtraindo uma medida do medicamento a cada tomada. Curimã assim o fez, mas ao final, sabe-se lá porque, não teve melhora. Valeu-se, então, de um sobrinho que trabalhava em Recife e para lá partiu, pegando carona em caminhões, até que, uns cinco dias depois, chegou à Veneza Brasileira. Quase não encontra a casa do parente que se escondia em Brasília Teimosa.

Valderedo, o sobrinho, já vivia há mais de dez anos por lá e era fiteiro com uma pequena banquinha próximo ao Mercado São José. Versado nos ínvios caminhos da pobreza, encaminhou Curimã ao Hospital Pedro II que , na época, era o hospital escola da Universidade Federal de Pernambuco. Zé , talvez por conta do estranho da sua doença, teve um atendimento muito humanizado. Os estudantes o internaram e começaram a fazer uma quantidade enorme de exames, até chegar ao diagnóstico. Um tumor benigno que comprimia o nervo óptico do lado direito e que precisava ser operado. Zé teve a sorte de ter como neurocirurgião a sumidade nordestina da época : Dr. Manoel Caetano de Barros. Recuperou-se bem e uns dois meses depois Valderedo o encaminhou de volta à sua Caiçara.

Lá chegou um pouco mais magro e mais falante, com o cocuruto ainda pelado, mas já empenando. Cidadezinha sem meios de comunicação, rapidamente Curimã se transformou na celebridade do lugar : uma espécie de Neymar na Vila Belmiro. Recolheu-se um pouco, fez mistério, mas à noite, não pode resistir à tietagem. Reuniu uma centena de curiosos no oitão da casa e começou a narrar sua peregrinação às terras de Manuel Bandeira. Botou um pouco de tempero na história, exagerou daqui, esticou dacolá. Às duas horas da manhã não tinha chegado nem em Recife ainda. A seção foi então suspensa e, no dia seguinte, reabriram-se os trabalhos, com a mesma audiência. Como não temos a intenção de fazer um romance, vamos resumir a história de Curimã, centrando no mais interessante do relato: os detalhes da investigação diagnóstica e do tratamento.

Curimã necessitou fazer vários exames especializados. Dentre eles, uma punção na coluna para recolher e estudar o líquido que por ali existe e que tem o nome complicado de Céfalo-Raquidiano. Assim descreveu Zé , suas agruras naquele dia, para uma platéia volumosa e boquiaberta.

--- Me botaram dobrado dentro de uma cumbuca. Aí chegou um carcará com uma suvela e começou a enfiar no meu cangote, sem pena, meu sinhô!Parecia que enviava a gaita em saco de milho. Vuco-vuco-vuco ! Só não caguei porque não tinha merda pronta! Quando ele parou, pensei que tinha acabado , mas nada ! Começou a chupar um negócio do meu Tum-tum, tanto, tanto que até os cabelos arrepiados se pentearam em procura do xunxo! Quando terminou parece que eu tinha botado Brilhantina Glostora na cabeleira !

No dia seguinte, Curimã foi encaminhado a uma Clínica Radiológica especializada em exames neurológicos. Fico na sala de espera, meio cabreiro, observando a clientela: um com a boca torta, outro com a banda morta, aquele cego, este mouco, aquele tresvariando. Pelo carrego dos companheiros imaginou que sua situação não era das melhores. Lá para as tantas, saiu uma mocinha numa maca, da sala de radiologia, toda se contorcendo, em plena crise convulsiva. Zé, espantado, fez a pergunta que lhe pareceu mais cabível naquelas horas:

--- Espere ! Todo que entra lá dentro, sai assim ?

Curimã teceu loas intermináveis ao Dr. Manoel Caetano. Aquilo sim é que era um médico ! Salvou minha vida, sem qualquer pagamento! Deus te dê fartura e felicidade e te livre do mal vizinho! Perguntado como estava pela multidão de curiosos, disse que estava muito bem, graças a Deus e ao Dr. Manoel Caetano. Precisava agora só pagar a promessa que havia feito com os Nove Reis Magros. Algum dos circunstantes achou aquilo estranho :

--- Ainda bem que você se recuperou, Zé ! Devia ser muito chato aquilo de tá vendo tudo duplicado. Mas você não tá enganado, rapaz ? Os Reis Magros são apenas três !

--- Três ? Mas rapazes , é mesmo ? Pois acho que foi isso! Eu tava vendo tudo dobrado, pois depois da cirurgia do Dr. Manoel Caetano , curei : comecei a ver tudo triplicado !

J. Flávio Vieira

CONVITE - União das Associações dos Filhos e Amigos do Cariri em Fortaleza

 CONVITE

A União das Associações dos Filhos e Amigos do Cariri convida Vossa Senhoria e Excelentíssima família para o II ENCONTRO (BAILE DE CONFRATERNIZAÇÃO)

Data: 05.11.2011
Local: Náutico Atlético Cearense
Hora: 22:00h
Banda: Brasas Seis
Convite: R$ 15,00

Contatos:

Wagner Dantas - 9603-2220
Wilton Soares(DEDÊ) (85) 9613-3936
Pedro Jorge: 8785-6582
José Alexandre:8872.8308
Delano Freitas: 9903.2283
Paceli Luna:8895.9032
Leto Rocha: 9603.0750

PRESSÁGIOS - a Exposição de Bruno Pedrosa no Espaço Cultural UNIFOR

O momento foi de alegria pura. Bruno Pedrosa repartiu-se entre sorrisos e atenções. Vindo da Itália, debulhou suas obras mais recentes entre os que admiram sua arte e aportou em Fortaleza para essa exposição denominada "PRESSÁGIOS". 

Até dezembro, seus trabalhos estárão expostos no Espaço Cultural da UNIFOR. Portanto, ainda será possível, para quem não viu a mostra de sua arte, ter a oportunidade de apreciar os trabalhos abstratos, banhados das cores quentes que percorrem a alma desse sempre nordestino - Bruno Pedrosa.

Admiração e respeito pelo trabalho no corredor do tempo
A sempre presente Ignez Fiuza

O entusiasmo de Bruno Pedrosa
George Macário e João Cândido Portinari
A reflexão diante da obra
A amizade de sempre - Edilma e Bruno Pedrosa - dois artistas plásticos irretocáveis
A admiração evidente pelo trabalho de um gigante em seus Presságios


Claude Bloc

Junto com Kadhafi quem mais morrerá? José do Vale Pinheiro Feitosa

De todas as conveniências e soluções que o assassinato de Muammar Kadhafi resultar, uma é inegável. Existe uma população armada pelas potências ocidentais, Europa, mais a Inglaterra e os EUA. A morte de Kadhafi foi uma ação de intervenção estrangeira na Líbia.

A intervenção estrangeira foi executada pelos povos mais envolvidos neste tipo de ação desde o século XV. A base do colonialismo é Européia e a estrutura do imperialismo é da junção pós-segunda guerra dos EUA com a Europa ocidental, até o fim da União Soviética.

A destruição física da Líbia promovida pela OTAN e com o armamento entregue aos rebeldes por ela não é um capítulo terminal de uma ditadura. Pelo contrário é o capítulo mais evidente do princípio de guerras em consequência da crise do capitalismo. Quem acompanhou o fim das colônias na África e os movimentos de libertação da Ásia bem sabe o quanto são processos destrutivos e pendulares. Situações políticas contraditórias se sucedem em hegemonia em questão de horas.

A morte de Kadhafi já deu o réquiem deste momento: o assassinato dos inimigos políticos do império. Só em 2011 os EUA e a Europa estiveram envolvidos em três grandes e evidentes assassinatos. Esta prática pode se ampliar de modo a tornar a política algo parecido com as máfias em luta. Nada impede, por exemplo, que um presidente americano ou europeu sofra atentado.

O outro lado é o cinismo que todo assassinato “mafioso” trás e o quanto afasta a sociedade da democracia e da construção de síntese nos ambientes contraditórios. Ora a morte comemorada do inimigo é a mesma comemorada pelo inimigo sobre nossos mortos. Quem não tem medida para evitar tais assassinatos, sabe disso tudo, resta-lhe o cinismo.

Querem observar algo cínico? A Arábia Saudita e o Marrocos, alguém tem visto alguma catilinária televisiva ou jornalista contra tais regimes? Está bem podem alegar que o povo não se encontra nas ruas, mas o Yemen? Qual a razão da sobrevivência do regime? Há uma aliança entre EUA e o regime, tai a morte eleitoral daquele líder da Al Qaeda. As imagens na televisão são absolutamente cínicas: a multidão na rua e o presidente restabelecido dos tiros levados, cercado por uma enorme assembléia de membros do regime.

Retornando ao efeito pendular e instável desta ordem. Como ficam os interesses da China, do Brasil e de muitos outros países que foram estimulados a investir na unidade territorial e produtiva da Líbia? Vão ter que pagar pedágio para Europeus e Americanos? E aí todo mundo vai aceitar barato tais medidas?

Quem acompanhou toda emergência do fim destes regimes fechados e a longo prazo, especialmente em populações ávidas por uma boa qualidade de consumo, sabe o quanto são instáveis. Existe em todo o norte da África, a rondar as forças em luta, a possibilidade que desta primavera logo surja um outono, com o crescimento de regimes religiosos fundamentalistas. A possibilidade de regimes autoritários de viés fascista aumenta muito nestes momentos. Além, é claro, uma desagregação nacional como ocorreu na Somália, por exemplo.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Farinhada na Serra dos Bois - José do Vale Pinheiro Feitosa

Arte e Exibicionismo - Dihelson Mendonça


"Porque os poetas sempre falam de si ? Que desejo insaciável esse de mostrar ao mundo o que sente ( ou o que deveras sente... ). De apreender um momento para transformá-lo em mera ilusão ?

Seria a poesia alguma espécie de vaidade artística, de catarse, de desejo de arreganhar as entranhas e exibi-las ao cosmos ? Que arte estranha, a poesia! Mas a arte, de maneira geral, tem mesmo essa característica de exibicionismo.

De fazer para se tornar belo. Para no ápice, igualar-se ao criador. Ser talvez, um mini-criador.

Mas...porque SER artista ? Para exibir dotes ? E como seria num universo sem apreciadores... porventura existiriam artistas ?"

Dihelson Mendonça

Sou Pataxó, sou Xavante, Cariri....José do Vale Pinheiro Feitosa

Secretária de Cultura Danielle Esmeraldo diz que o Centro Cultural do Araripe já está revitalizado.


DISCORDAMOS VEEMENTEMENTE !!!



Há poucos dias publicamos uma matéria, solicitando que a administração municipal e principalmente a secretaria de cultura do município, que gerencia o Centro Cultural do Araripe, olhasse com mais carinho para a idéia de se revitalizar o Largo da RFFSA, que na nossa opinião é um excelente espaço aberto, que poderia estar sendo utilizado de diversas maneiras positivas, com vendas de artesanato do Crato, logo o Crato que é um celeiro do Cariri, uma referência em termos de Arte e Cultura no Nordeste, coisa pra turista ver mesmo, além de elaborar um calendário anual de eventos, convocar os artistas da cidade e do Cariri para reuniões e promover shows e eventos com esses artistas o ano inteiro...

Pelo Contrário, ao invés de encampar esta idéia, que é suportada por grande parte da população, a Secretária Danielle Esmeraldo vem pela contramão do público, e lançou nota dizendo que o Largo da RFFSA já está revitalizado. Fica o nosso questionamento: Como revitalizado ?, se ali se tornou, segundo muitos, um ponto de venda de drogas, de prostituição, de namoros desenfreados, sem segurança, sem vida noturna decente ?

Concordamos que lá foi revitalizado FISICAMENTE. A estrutura foi revitalizada, mas a bem da verdade, todo aquele espaço é sub-utilizado. Que tal fecharmos uns convênios com BNB, SESC, SEBRAE, etc, e fazer o intercâmbio cultural entre os artistas do Cariri e do Sul do país ? Conheço centenas de artistas que teriam prazer em vir fazer seus shows aqui no Crato por preços ótimos. São artistas de renome, que tem seus trabalhos publicados. Que tal criarmos o nosso próprio Festival de Jazz ? E que tal darmos oportunidades aos artistas locais, já que eles não tem mais sequer, um palco local na Exposição do Crato para se apresentarem ? Como eu disse antes, idéias não faltam. O que falta é boa vontade.

Agora, se a nossa querida secretária ( E aqui faço questão de separar a pessoa do Cargo, pois Danielle é uma grande amiga ), vem a público dizer que ali, que hoje se tornou ( segundo muita gente ), repito, um ponto de venda de drogas, já está revitalizado, a conversa já deve parar por aqui, porque falar com as paredes não é comigo. Estamos talvez jogando palavras ao vento. Quem sabe um dia, quando exergarmos as imensas potencialidades que um Largo do tamanho daquele ali poderia trazer em Exposições, em Arte, em Cultura! - Garanto que nas menores cidades de São Paulo teríamos mais dedicação. Mesmo aqui no Ceará, na cidade de Guaramiranga, as coisas acontecem. O que falta ao Crato, é visão das coisas.

Mas se tudo já está bom do jeito que está, então, que viva os Marginais que ocupam o espaço à noite, que morra o gramado amarelo sem cuidados, que continuem com os vândalos a depredarem o patrimônio público, pois já não está mais aqui quem falou.

Aliás, porque falar de coisas ruins da cidade, não é verdade ? Ô povo pra falar de coisa ruim, parecemos até oposição desmedida, nós que reivindicamos é que estamos errados. Devemos ficar mudos, fiquemos calados, falemos apenas no amor e na paz, das nascentes e no Grangeiro, e deixemos que os problemas do Crato o destruam, e fiquemos nós artistas, sem trabalho, sem guarida, porém rindo como Nero, quando viu Roma incendiar-se sem nada fazer!

Dihelson Mendonça

NOTA: Secretária diz que Centro Cultural já está revitalizado:

"A secretária de cultura, esporte e juventude do Crato, Danielle Esmeraldo discorda das informações dando conta que o Centro Cultural do Araripe (Lago da RFFESA) esteja abandonado e precisando de revitalização. Ela esclarece que aquele patrimônio foi restaurado recentemente e é o maior espaço cultural do interior do Ceará onde são desfrutados diversos serviços ao mesmo tempo, como por exemplo, o centro de internet que oportuniza aos jovens e famílias inteiras a se conectarem com o mundo, fazendo suas pesquisas, treinamentos para cursos e outras atividades. Uma biblioteca em boas instalações, totalmente climatizada e recentemente modernizada. Aberta diariamente, inclusive aos sábados.

No Centro Cultural da RFFSA, disse ela, existe uma galeria aberta aos artistas plásticos locais, um auditório disponível para lançamento de livros, debates, exibição de filmes e outras atividades culturais. Para os próximos dias, segundo Danielle, vai ser reaberto o espaço do café que se constituirá em mais um atrativo para as famílias que poderão levar seus filhos para brincarem. Explicou também que existe um calendário anual com datas das festas mais tradicionais como o carnaval, são João, abril pra juventude, cariri da canção, doce natal e outras.

No Centro Cultural do Araripe, continua a secretária, são oferecidas oportunidades para os grupos de hip-hop, capoeira, danças diversas e até o final de 2011 estará sendo instalada uma academia popular com aulas nos finais de tarde para as pessoas que passam no local. E em parceria com a secretaria municipal de saúde vai ser implantado um projeto que objetiva realizar acompanhamento de saúde aos desportistas e praticantes de atividades esportivas. A secretária informou que o Centro Cultural do Araripe está inteiramente a disposição para receber os artistas e suas produções culturais, basta procurar a secretaria de cultura que está de braços abertos para apoiá-los no esforço de que as suas criações e suas artes possam ser vistas e reconhecidas. Danielle explicou, no entanto que, está prevista a realização de um fórum com os artistas cratenses para discutir o edital de ocupação dos espaços existentes. Ressaltou que a secretaria está esperando o artista procurá-la, pois ele, o artista, sempre foi e será a principal prioridade. Desta forma, disse a secretária, o espaço sempre esteve e estará aberto a população e aos que fazem a cultura."

Por: Dihelson Mendonça, com informações da Secretaria de Cultura, Esporte e Juventude do Crato.

Melquíades Pinto Paiva - Emerson Monteiro


Neste dia 21 de outubro de 2011, sexta-feira, às 20h, será a vez do agrônomo cearense Melquíades Pinto Paiva preencher uma das cadeiras do Instituto Cultural do Cariri, em sessão solene que ocorrerá na sede da agremiação em Crato, de portas abertas ao público.

Natural de Lavras da Mangabeira, filho de José Rodrigues Tavares Paiva e Creusa Pinto Paiva, Melquíades nasceu em 06 de março de 1930. Pertence ao clã dos Augustos, núcleo familiar originário da matriarca sertaneja Fideralina Augusto Lima.

Nos anos 1957 e 1958, ele estagiou no Museu Nacional, no Rio de Janeiro, especializando-se em Ictiologia. Cientista respeitado, obteve o título de doutor em Ciências, através do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo. Na Universidade Federal do Ceará, foi o diretor-fundador do atual Instituto de Ciências do Mar (1961 a 1976) - Labomar, e o primeiro chefe do Departamento de Engenharia de Pesca (1973 a 1976), havendo contribuído para a implantação do curso de Engenharia de Pesca da UFC. Agora, é diretor-emérito do Instituto de Ciências do Mar (desde 2003).

Outros títulos de sua vida acadêmica: Professor visitante na Universidade Federal do Rio de Janeiro, lotado no Departamento de Biologia Marinha (1992 a 1998); pesquisador bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (1993 a 2003); e coordenador da equipe responsável pelo levantamento dos dados pretéritos referentes a recursos pesqueiros, estuarinos e marinhos do Brasil, junto ao Programa de Recursos Vivos da Zona Econômica Exclusiva, conduzido pelo Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal (1996). Permanece desenvolvendo atividades de natureza científica e técnica.

No ano de 1944, Melquíades Paiva estudou no Cariri, sendo aluno do então Ginásio Diocesano do Crato.

Intelectual e escritor de largo prestígio, são de sua autoria centenas de artigos científicos e obras quais: Nordeste do Brasil, Terra e Gente; Ecologia do Cangaço; Conservação da Fauna Brasileira; Administração Pesqueira do Brasil; Represas e os Peixes Nativos do Rio Grande; As Bacias do Paraná – Brasil; Breves Memórias do Espaço e do Tempo; A Contribuição Portuguesa para o Estudo das Ciências Naturais do Brasil Colonial; Fauna do Nordeste do Brasil; Grandes Represas do Brasil; Os Naturalistas e o Ceará; e Trabalhos Esparsos, Agora Reunidos; isto para citar apenas algumas das publicações desse autor destacado, que representou o País em 19 missões científicas internacionais e desempenhou importantes delegações junto a órgãos da comunidade mundial em nome da Ciência brasileira.

Melquíades Pinto Paiva ocupa cadeira também no Instituto do Ceará e na Academia Lavrense de Letras, dentre outras instituições culturais.

Diocese de Crato ganha novo sacerdote nesta 6ª feira

A diocese de Crato ganhará nesta sexta-feira, dia 21, o seu mais novo sacerdote. Em solenidade às 17:00 horas,  na Catedral de Nossa Senhora da Penha,  – presidida por dom Fernando Panico –  e com a presença  de vários sacerdotes das dioceses de Crato, Iguatu e Quixadá e Zé Doca (MA) – será ordenado presbítero o diácono Francisco Wesley Barbosa Barros.

Biografia

O Diácono Wesley, nasceu em 23 de julho de 1985, na cidade de Quixadá (CE). É o filho primogênito de Antônio Jocélio Barbosa Barros e de Hilda Maria Barbosa Barros numa prole de quatro filhos. Recebeu o batismo aos 25 de maio de 1986, na Sé Catedral da Sagrada Família, em Quixadá, e foi crismado aos 11 de dezembro de 1999 na mesma Igreja.

Ingressou no Seminário Diocesano Pio XII, em Quixadá, sob recomendação da Paróquia Jesus Maria e José (Catedral), aos 16 de fevereiro de 2003. Concluiu os estudos seminarísticos de Filosofia em 2005, obtendo o bacharelado em Teologia pela Faculdade Católica Rainha do Sertão, em Quixadá, aos 28 de dezembro de 2009. Foi admitido às Sagradas Ordens aos 18 de maio de 2006 por dom Adélio Tomasin e recebeu o ministério de leitor aos 24 de fevereiro de 2008, conferido por dom Ângelo Pignoli.

Por desígnio da Divina Providência passou a residir na Diocese de Crato aos 11 de março de 2010, sendo acolhido pelo Bispo Diocesano, em comum acordo com o Conselho Presbiteral no dia 7 de abril do mesmo ano, data em que foi acolhido nesta Paróquia e Igreja Catedral para o estágio pastoral em vista do ministério ordenado, em cujo decurso foi instituído no ministério de acólito por dom Fernando Panico aos 27 de março de 2011.

Recebeu nesta Catedral a Sagrada Ordem do Diaconado aos 7 de abril de 2011, das mãos de Dom Fernando Panico. Na ocasião foi designado, pelo bispo, como vigário paroquial da Paróquia da Sé, lugar onde exerceu seu ministério diaconal em preparação para o sacerdócio.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Nuvens

- Claude Bloc - 


Sob as mãos invisíveis do tempo
O pensamento esculpe toda a mágica do céu...
Nuvens em cenas fantásticas
Passeios brancos
Em tempos sem tempo
Quadrante onde o sonho fica à espera
De mais uma nuvem passar.


Não sei bem por que
Nem sei bem pra que
Mas creio haver por aí
Em muitos (re)cantos do mundo
Nuvens assim: com um pouco de mim
Viajando comigo
Até onde eu possa recolhê-las
E para (re)conhecê-las
Me (re)faço
Para me tornar, quem sabe...
Completa


Claude Bloc


terça-feira, 18 de outubro de 2011

Wilson Fadul - José do Vale Pinheiro Feitosa

Hoje, 18 de outubro de 2001, às sete horas da manhã, rachou-se a estrutura sólida do mundo bio-psicoquímico e cibernético desta era. A era ainda colada à metafísica da dualidade humana do corpo e da alma. A era que mecanizou a alma em mente e a tornou apenas a função de performance na produção capitalista.

Naquelas primeiras horas da manhã, aqui no Rio de Janeiro, numa Casa de Saúde, assistido pela mecânica de aparelhos médicos digitais, morria o médico e político brasileiro Wilson Fadul. Morria em consequência de um procedimento médico justificado pela necessidade de salvar-lhe a vida. Pediu para sair dali, estava cansado, queria ir para casa. A casa que é o princípio a negar a tal estrutura sólida com a qual comecei este texto.

Antes do atestado de morte cerebral, tivera uma parada cardíaca, certamente foi “ressuscitado” e ficou em coma profundo até o ato de retirada dos aparelhos e quando a família recebe a notícia. Naturalmente entre o “negócio” de solubilidade do corpo, as razões sociais e principalmente políticas toda a família se mobiliza pelo resto do dia.

Além da notação histórica o que interessa é este homem e tudo que mobilizou num longo processo de existência no movimento. Ora como movimento da existência e noutra com a existência no movimento. Por isso mesmo é história: o mundo Greco-romano, a civilização ocidental, o sentido tribal de suas origens árabes, as fazendas de café do novo mundo e um profundo respeito pelo mundo francês do século XX.

Wilson Fadul nascido em fevereiro de 1920, como ele disse: eu nasci...na estação da estrada de ferro Sul de Minas, que não existe mais. Isso em Conservatória, distrito de Valença no Rio de Janeiro. Fadul, com mais de 91 anos de idade, falava de sua história, do mundo e do pensamento humano como de fato somos os humanos: um todo não mecânico. Dessa forma ele rechaçou peremptoriamente a visão de um mundo petrificado e pasteurizado imposto pela mídia desta pós-modernidade vazia.


Naquela idade, isso ainda foi há menos de uma semana, ele não dependia da bioquímica cerebral, das teorias que articulam computadores com a malha neuronal e nem do sistema circulatório para expressar a existência. Nenhum sinal demente ou qualquer atributo perfomático que reduz a idade avançada a um mero desempenho.

Na verdade ele viveu intensamente o século XX. Viveu num Brasil monopolista do café até um país industrializado, diversificado e urbano. Fez jornadas incríveis no pantanal de Mato Grosso do Sul, em pastagens de bovinos selvagens e perigosos e com água na cintura em coleções compartilhadas com sucuris enormes. Andou e foi alvo de grandes manifestações nas colinas do Líbano e passeou pelas paragens italianas em busca do passado romano.

Ele viveu o ambiente essencialmente político do Rio de Janeiro, desde as escaramuças da UDN para derrubar Getúlio e Juscelino até a transferência para Brasília. Conviveu com Flores da Cunha e todas as tardes até certas horas da noite estavam numa roda de convivência da elite política do Rio de Janeiro na casa de Osvaldo Aranha. Foi contemporâneo de todos os políticos da UDN, PSD e PTB dos anos 50 até os tempos da ARENA e do PMDB. Tinha apreço enorme pela memória de Santiago Dantas, com quem trocava análises com frequência.

Fadul junto com Ênio da Silveira, Edmundo Muniz e outros companheiros fundaram a Editora Paz e Terra que tantas publicações interessantes traduziu no Brasil na época da ditadura. Ele foi um dos grandes artífices da Frente Ampla que conseguiu juntar Jango, Juscelino e Lacerda contra o regime militar. Estava se preparando para um almoço com Rubens Paiva quando foi avisado por José Aparecido que ele havia sido preso pela ditadura.

Toda esta história e muitos fatos ainda não publicados sobre os acontecidos nos bastidores da política de então nos foram revelados em longas tardes de gravações. E com tal riqueza de detalhes, datas e citações, testadas por outras fontes que, enfim nos remete para o que apontamos no início. O ser humano não é esta dualidade mecânica de corpo e mente, ele é uma dinâmica histórica, interativa e construtiva de uma realidade que ao mesmo tempo o empurra e é empurrada por ele.


segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A cólera, um shopping sobre gás explosivo e a indústria têxtil com lixo hospitalar - José do Vale Pinheiro Feitosa

Por volta de 1991 entrou pela calha do Amazonas, vinda do Peru, uma epidemia de cólera que, rapidamente, atingiu o nordeste e aí provocou enormes prejuízos e ceifou vidas. Uma das grandes tragédias da epidemia foi uma trombada da notícia sobre o turismo nordestino. Que era uma das principais fontes econômicas da região.

A trombada da notícia foi pior do que os fatos tipicamente epidêmicos. De alguma forma o país estava despreparado para a epidemia. Há anos que não se verificava ocorrência do vibrião colérico em nosso meio. As autoridades não tinham medidas imediatas e, claro, a mídia também estava perplexa em como tratar a notícia. Além de tudo havia e ainda há um enorme problema de saneamento básico no país, especialmente no nordeste, sobretudo por precária oferta de água tratada. A epidemia jamais atingiu o Sudeste e o Sul e a diferença foi a água tratada. Lembro daquela tragédia em Fortaleza num ano de seca e quando foi aberto o Canal do Trabalhador. Sem os olhos dos eleitores os políticos dançavam para botar a culpa no outro: se no Ciro Governador ou no Juraci Magalhães Prefeito (com agente federal tive que chegar junto do nosso Raimundo Bezerra então Secretário Municipal).

Mas certamente algo além do desconhecimento acontecia para promover a trombada noticiosa em rede nacional. A notícia que tirava dos nordestinos sua fonte: os peixes e as praias. Foi um Deus nos acuda, mas o pior sobre bases falsas do comportamento do agente infeccioso da cólera. A mídia começava a sangrar o Collor de Mello e a epidemia era um bom extravasamento de energia governamental

Aconteceu que as autoridades locais, especialmente no Maranhão e em Pernambuco tomaram providências exageradas que atingia o turismo irreversivelmente. A epidemia pulou (por um fato que tem paralelo com hoje que é Santa Rita do Capibaribe) do norte para o nordeste na rota do pólo de roupas pernambucano, Foi aí que fui testemunho do que ocorreu. Adib Jatene acabara de assumir o Ministério da Saúde e eu fazia parte Comissão Nacional Contra a Cólera, presidida por Dr. Claudio Amaral quando foi estancada a hemorragia no turismo nordestino.

Não tinha sentido algum proibir o banho de mar e nem pedir para a população não comer peixe. Fizemos tudo para reverter a situação, inclusive após uma reunião com o Ex-Governador de Pernambuco, Joaquim Francisco, que inclusive comeu peixe e tomou um belo banho de mar em Boa Viagem. O Ministério da Saúde começava a desmontar a trombada na notícia. Um adendo: em guerras comerciais as agressões são o móvel da interpretação e não os fatos que analisem o embate. Pois foi aí que vi gente comemorando a cólera na praia dos outros e estava na Paraíba quando comemoraram um assalto a um ônibus de turistas no Rio de Janeiro. Imaginem só: logo o Rio de Janeiro que era a porta de entrada, então, para o turismo estrangeiro no país.

Vou aproveitar para ponderar sobre duas possíveis trombadas da notícia em guerras comerciais. Em primeiro lugar foi o episódio do fechamento daquele shopping em São Paulo. Aquilo queimou a imagem do pólo comercial, causou prejuízo direto sobre centenas de lojistas. E agora vem a evidência da trombada: igualmente não retiraram a população do Conjunto Cingapura (feito por Maluf e Pitta) que se encontra em risco maior e após poucas horas a interdição do shopping acabou com medidas tão rápidas que não justificariam os anos em que ele funcionou sem tais medidas aos olhos das autoridades municipais e estaduais.

A outra trombada é desta semana: os tais tecidos hospitalares que alimentam os negócios sujos de uma empresa de confecção de roupas. Isso virou uma denúncia geral que vai atingir em cheio o pólo de roupas Pernambucano. Existe um crime evidente de uma empresa e todas em conjunto pagarão como se os lençóis e jalecos dos hospitais americanos fossem a base da indústria de confecção pernambucana.




Sindicato dos Bancários do Cariri convoca categoria para deliberar sobre proposta de Acordo dos bancos

O Sindicato dos Bancários do Cariri convoca todos os bancários para a Assembleia Geral Extraordinária com fins de avaliar a proposta de Acordo apresentada pela FENABAN, Banco do Brasil, Banco do Nordeste e Caixa Econômica Federal, a ser realizada hoje, segunda-feira, dia 17 de outubro, as 19:30h, na sede do Sindicato, situada na Rua Glicério Benicio Pinheiro, 141, Bairro Pimenta - Crato-CE.

13ª edição da Mostra SESC Cariri de Cultura acontece de 11 a 16 de novembro

Um diversificado palco das mais variadas manifestações artísticas e culturais, contendo espetáculos de teatro, dança, exposições, shows, instalações, rodas literárias, performances poéticas e mostras de cinema e vídeo é o panorama da 13ª edição da Mostra SESC Cariri de Cultura. O circuito está programado para acontecer de 11 a 16 de novembro na região do Cariri, passando por Juazeiro, Crato, Nova Olinda e Barbalha. Realizado pelo Departamento Nacional do SESC e pelo SESC Ceará, a mostra se espalha por teatros, galerias de arte, galpões e clubes, em ruas e praças.

Na 12ª edição a Mostra reuniu desde grupos tradicionais, que representaram a memória cultural da região - como reisados, bandas cabaçais, maneiro pau, lapinhas, pastoris, guerreiros e congadas – até produções experimentais de arte contemporânea, abrangendo tendas literárias, ações formativas, mostras de ruas, e outros infindáveis acontecimentos. Durante os dias do evento, cerca de 430 mil pessoas conferiram as apresentações.

Fonte: SESC Ceará

domingo, 16 de outubro de 2011

CULTURA DO CARIRI - I





Lá vem os guerreiros Cariris.
Eles vêem com seus laços de fitas, com suas espadas de ponta, coroas brilhantes e seus aventais de espelhos.
Eles cantam uma musica alegre. Dançante. Eles brilham como o sol. Reluzem quando a luz bate nos espelhos dos seus aventais. Eles chegam trazendo alegria.

Como pergunta o sociólogo Oswald Barroso: QUEM SÃO ESSES GUERREIROS?

São guerreiros e defensores da nossa cultura. São guardiões da nossa história. São os nossos mestres; delatores do que fomos e do que somos. São os nossos espelhos duplamente reais, porque nos enxergamos e nos vemos literalmente internalizados nos espelhos colados em seus coloridos e brilhantes aventais.

Mas o que é o Reisado?

Trata-se de um Auto Popular, que passeia entre no profano e o religioso, O reisado é formado por grupos de brincantes dançarinos, acompanhados por músicos e cantores, que saem, geralmente à noite, de porta em porta, no período que vai entre o dia 24 de dezembro até o dia 6 de janeiro(quando o catolicismo comemora o Dia de Reis), anunciando a Chegada do Salvador, em algumas regiões é tratada como “A Chegada do Messias”, para homenagear os Três Reis Magos, Belchior, Baltazar e Gaspar, e louvar os donos das casas onde eles dançam.

“A tradição é portuguesa. Em Portugal era costume os grupos de Janereiros e Reiseiros saírem pelas ruas pedindo que lhes abrissem as portas e recebessem a nova do Nascimento de Cristo. Os donos das casas recebiam os grupos e a eles ofereciam alimentos e dinheiro. Os personagens eram Rei, Rainha, Mestre ou Secretário de Sala, Contra-mestre, Mateus e Palhaços e o figurá. Em outros grupos são: Rei, Rainha, Mestre ou Secretário de Sala, Contra-Mestre ou Vassalo, dois Embaixadores, Contra-Guia, Contra-Passo, Moçambiques, Bandeirinhas, Palhaços e Mateus.
Com vestimenta composta por Saiote de cetim colorido, adornado de gregas douradas ou prateadas. Chapéu de abas largas, guarnecidas de espelhos redondos, flores artificiais e fitas variadas. Tocam peças como: Marchas de Rua, Pedido de Abrição de Porta, Marchas de Entrada de Sala, Louvação aos donos da casa, Louvação ao Divino, Guerra e Retirada. O auto é entremeado com danças dramáticas como a Guerra e Totêmicas*, como a Farsa do Boi com a Característica: morte, repartição e ressurreição. Farsa do Jaraguá, do Diabo e da Alma, além de outros. Existem ainda as peças (danças cantadas) com motivos românticos e circunstânciais e as Embaixadas, que são partes declamadas. (* Crença no parentesco entre o homem e certos animais e plantas) (http://apotheka.wordpress.com).

“Dia de Reis, Festa de Reis ou "Epifania do Senhor", significa o dia em que Jesus se manifesta para outros povos. Infelizmente aqui no Brasil esse dia perdeu seu significado religioso sendo mais lembrado com o dia em que se desmonta a árvore de Natal. Segundo a tradição, foi nesse dia que os três reis Magos foram orientados pela "Estrela de Belém",até a gruta onde Jesus havia nascido para presenteá-lo com ouro, incenso e mirra”( http://wikipédia).

Belchior, Baltazar e Gaspar, segundo a historia cristã, foram três os três Reis que atravessaram terras e terras, impulsionados por uma visão, para presenciar o nascimento do Messias. Os três levavam presentes para o Salvador.

"A simbologia religiosa tem o ouro como representação da nobreza, tendo sido presenteada pelo Rei Belchior. O incenso representava a divindade de Jesus, sendo presenteada por Gaspar. A mirra, sendo uma erva muito amarga, simbolizava o sofrimento que Jesus enfrentaria na Terra enquanto Salvador da Humanidade, também simbolizava Jesus quando homem e foi presenteado por Baltazar".(http://apotheka.wordpress.com

"Segundo a tradição, um era negro (africano), outro branco (europeu) e o terceiro moreno (assírio ou persa) e representavam toda a humanidade conhecida daquela época. Quanto ao nome dos três, quem deu nome aos magos foi Beda, um cronista inglês que viveu entre 673 a 735 d.C. Em outros países, principalmente na Europa, essa data tem um significado tão importante quanto a do Natal, sendo feriado em todo o continente". (idem)

O Brasil, pela sua resultante missigenada, tem em suas festas nmatalinas uma representação da sua particular mistura de raças (Indígena, Africana e Européia). Nos Reisados ou Folias de Reis, clarifica-se todas as influência recebidas das tres raças que formaram a raça Brasil. As celebrações natalinas em muito assumem formas, significados, brilhos, cores e sons particulares e próprios do povo brasileiro. São exemplos de folguedos natalinos os Reisados, Moçambiques, Congos, Cavalhada, Chegança, Fandango, Guerreiro, Maracatu, Pastoril, etc.

’Os Reisados brasileiros envolvem música, dança, celebração religiosa, orações, com elementos específicos mais marcantes dependendo da região do país, e acrescenta a tradição de que aqueles que recebem a visita do Reisado em suas casas (na realidade, o simbolismo representa a visita dos Reis Magos a Jesus) devem oferecer graciosamente comida a seus integrantes, que realizam toda sua performance de tradição folclórica-religiosa local, enaltecem o hospedeiro, agradecem pela comida e seguem para o próximo destino’.( http://www.velhosamigos.com.br)

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