Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

ENVIE SUA FOTO E COLABORE COM O CARIRICATURAS



... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
.....................
claude_bloc@hotmail.com

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

OLHARES E TEARES - Claude Bloc


Olhares
teares
presos até o fim do livro
presos até o cansaço
presos até o bater das asas
de um anjo de olhar castanho.

Café
cheiro de café
sons matutinos
névoa distinta
e as palavras rodopiando
nos sentidos.

Palavras sussurradas
sustando a sinfonia
bocejam alegres
quase infantis e ela soletrava
a lembrança das notas
e ela se enfeitava
todas as manhãs
guardando as notas dos risos
e o tempo dos compassos
tempo de nenhuns
tempo de viver o encontro
nesse preciso momento
ponto de sol brilhante
ponto diminutivo
ponto.


KARINA PEREZ A ARTISTA PLÁSTICA - Por Edilma Rocha

Karina Perez que está no ar na reprise de "Mulheres de Areia", na Globo, abandonou a carreira de atriz e se tornou artista plástica.
Ela, que na novela interpretou "Andreia Sampaio", a noiva de "Marcos", (Guilherme Pontes).
Artista plástica por formação, decidiu depois do casamento, montar um atelier e se dedicar 100% a este trabalho.
Curiosidades no mundo das novelas, em que uma atriz decide mudar o seu destino artístico.
Afirma que, ama o que está fazendo.

Fonte: Curiosidades dos artistas

Quilômetros de engarrafamento - Emerson Monteiro


Início do feriadão da República e noticiários indicavam até 245 km de engarrafamentos na saída de São Paulo ao litoral, com televisões mostrando filas imensas de veículos de faróis acesos às margens do Rio Tietê. Lembrei quando vivi em Salvador, ainda na década de 70 do século anterior, e do tempo que gastava, nos finais de semana, à espera de embarcar no ferry-boat a caminho da Ilha de Itaparica, onde curtíamos horas de lazer à beira mar.

Todos, neste mundo, buscamos a salvação da alma, conceito religioso que admite existência além do tempo deste chão... Chegaremos, um dia, à santidade, na chance da perfeição absoluta de superar o limite das experiências materiais.

E ao observar o sofrimento comum a todo vivente, calculamos a perspectiva das oportunidades para crescer interiormente em face dos testes agora recebidos.
Essa prova mesma dos engarrafamentos das grandes cidades, hoje em dia, quer representar das experiências severas a que o espírito se submete, porquanto horas e horas dentro de automóveis feitos gaiolas de luxo, aguardado deslocamento milimétrico, e depois retornar sob iguais condições, não deixa de comprimir a paciência da alma ao extremo, lição importante de constrangimento e realidade, no apuro das naturezas dos indivíduos.

Habitantes de metrópoles, eles sofrem miséria no sentido de sobreviver às oportunidades restritas, nessa escola aberta dos aglomerados e moradias reduzidas; nas arbitrariedades artificiais do sistema rígido das calçadas de ferro e cimento; em fábricas desumanas, mecânicas, automáticas; no atrito entre as pessoas; nos transportes abarrotados; na solidão das multidões indiferentes; nos descansos esfumaçados e tristes das janelas escuras; universo melancólico de jornadas industriais que parecem nunca revelar finais possíveis.

Santos em potencial são todos, contudo há os que adiantam o carro mediante respostas sábias à gravidade dos bloqueios e traumas das histórias grupais, sem um jeito melhor quase hora nenhuma. E lembrar, ainda, o quanto padecem das ingratidões de semelhantes que explodem desencantados, no decorrer do processo coletivo de evoluir, nas manadas reunidas e saraus barulhentos das noites aflitas.

Tudo isso lembra, pois, o tanto necessário aos dias felizes, no itinerário do drama que guarda em si as sempiternas esperanças dos dias quando, suaves, as ruas do destino ofereçam instantes de deslocamentos harmoniosos e justos.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

A Chaminé 

(Claude Bloc)

Minhas aulas muitas vezes pareciam poemas bordados na tela. Preparava textos para inserir no contexto e gostava de provocar alguns temas, instigar a reprodução de algum escrito de autores reconhecidamente versados em poesia ou literatura. Naquele dia eu também escrevia algo de meu e falava exatamente sobre a solidão...até me inspirei num texto de Cecília Meireles, onde ela dizia que a solidão não existe.

Esse era um tema recorrente e nessa aula, nesse dia, eu explorava a solidão, uma palavra um tanto quanto complexa, mas bem sugestiva visto que poderia ser abordada sob alguns dos seus variados aspectos.

Diante desse mal da solidão que corrói o mundo e que, de alguma forma, faz as pessoas se fecharem num individualismo planejado, me lembrei de uma imagem que fotografei na Serra Verde. Nela uma chaminé... Tudo o que resta do engenho que lá existia. Uma chaminé imponente e solitária que hoje se ergue mostrando as marcas impiedosas do tempo. O mato já toma conta de seus arredores e a cada ano, o tempo a consome mais um pouco e a distancia dos dias gloriosos em que soltava a fumaça da lenha e do bagaço de cana que eram lançados na fornalha.

O mês de julho na Serra Verde era um mês festivo. Férias! Primos e amigos engrossavam o rol de crianças na Fazenda. A primeira garapa cheirava em nossas narinas como um convite às delicias do mês. Íamos ao engenho em bando, de manhã e sobretudo à tarde. De casa levávamos uma lata de óleo bem lavada, com as beiradas devidamente batidas para não machucar as bocas ávidas pelo néctar da cana de açúcar.

A meninada chegava no engenho animada. Havia uma espécie de concurso para saber quem agüentava beber um litro de garapa de uma lapada só...  Quem ganhasse, pegava o primeiro alfenim.

Pedíamos a Josa, para raspar algumas canas tortas, apropriadas para “colher” o mel na gamela, antes que Redondo começasse a mexer aquele líquido cheiroso e fervente fazendo com que ele açucarasse até dar o ponto da rapadura.

Com o mel já “colhido”, íamos rodando as canas para ele não escorresse e para que ele pudesse esfriar, de forma que pudéssemos pôr a mão e puxá-lo até que virasse alfenim. A cor viscosa e dourada ia embranquecendo, o mel soltando da mão, até que fôssemos capazes de degustar aquele “puxa-puxa” que era para nós um manjar delicioso. Depois de açucarado o sabor não era o mesmo.

Hoje a chaminé continua lá em pé, incólume. Solitária. Esquecida. No seu topo um mandacaru “fulora” na seca. Mas fica aqui uma pena imensa dessa solidão em que hoje se encontra e das ruínas em que serpenteiam as saudades da vida e das alegrias que sentíamos quando a fumaça dessa chaminé exalava o cheiro da moagem. 

Claude Bloc

FATOS PARA RELEMBRAR - Por Edilma Rocha


Tínhamos o Brasil governado por D. Pedro II e os movimentos dos republiicanos já se espalhavam por  toda a parte entre reuniões secretas por idealistas, escritores, jornalistas, estudantes e artistas.
O país, após a abolição dos escravos concedida pela Princesa Isabel em 1888, vivia um clima de revolta por parte dos grandes fazendeiros pela falta de mão de obra. Grandes tinham sido os investimentos na compra de escravos que a preço de hoje valeriam cada um , hum carro zero. Os imigrantes chegavam em navios a busca de trabalho remunerado e aos poucos foram ocupando o lugar dos escravos nas plantações, principalmente de café. Os grandes coronéis insatisfeitos com o governo por não terem sido idenizados pela perda de seus patrimônios, os caros escravos.
Outro fato que também contribuiu para a luta contra o regime monárquico no Brasil, foi a guerra do Paraguai entre 1864 até 1870. Muitos brasileiros se juntaram aos exércitos do Uruguai e Argentina, crescendo os ideias para se inplantar a republica no Brasil.
Com os movimentos republicanos cada vez maiores através da imprensa, se instalava uma politização também na população civil, unindo forças pela luta contra os domínios de Portugal. E assim, vários partidos foram criados desde 1870, incluindo também a participação da Igreja, fato este que causou a indiginação de D. Pedro II, com punições severas.
Com tantos movimentos republicanos que aumentavam as tensões contra a realeza, a família decide subir a serra e se acomodar na residência de férias, em Petrópoles. Com este afastamento da cidade do Rio de Janeiro, tudo favoreceu para o golpe militar conspirado pelo Marechal Deodoro da Fonseca. Ainda surgiram boatos de que os responsáveis seriam presos e  o plano recebeu o apóio de mais de 600 soldados, fazendo a armada acontecer.
E exatamente no dia 15 de Novembro do ano de 1889, o Marechal Deodoro da Fonseca empunhando uma espada declarou que a apartir daquele dia o Brasil seria uma republica. Os movimentos republicanos caíram em festas comemorando o sonho de um ideal realizado, enquanto D. Pedro II recebia a notícia de que havia sido derrubado com um decreto de expulsão do país junto a todos os seus familiares.
Para montar um governo provisório tendo como presidente do Brasil o Marechal Deodoro da Fonseca, foram escolhidos para ministros brasileiros, Rui Barbosa, Benjamim Constant, Campos Sales, dentre outros.

15 de Novembro, nada a comemorar -- Armando Lopes Rafael

Empurrada goela abaixo da população, a imposição da forma de governo republicana no Brasil ocorreu por meio de um golpe militar. O primeiro, aliás, de uma série que os brasileiros vivenciariam nas décadas seguintes...

Mas, enfim, hoje ocorre mais um aniversário da “proclamação” da República. E, como sempre, a maioria do povo não sabe, sequer, o motivo deste feriado. Um fato sintomático: neste 15 de novembro haverá -- em várias capitais de estados – mais uma rodada das marchas contra a corrupção que tomou conta do país.

Na verdade, o Brasil nasceu sob a monarquia. E sob a monarquia viveu 389 anos de sua história, de 1500 a 1889. Libertado do domínio português – em 7 de setembro de 1822 – o Brasil continuou como monarquia. O império consolidou o Brasil como uma grande nação, enquanto a América espanhola era fatiada em muitas republiquetas, algumas delas – ainda hoje – dominadas por caudilhos.

Como monarquia, o Brasil, teve sua mais longa Constituição, a que vigorou entre 1824 e 1889 e nunca foi violada. Possuía uma moeda estável e forte (o mil réis), tinha a segunda Marinha de Guerra do Mundo, teve os primeiros Correios e Telégrafos da América, foi uma das primeiras Nações a instalar linhas telefônicas e o segundo país do globo a ter selo postal. Na política era administrado pelo civilizado regime parlamentarista. E o Parlamento do Império ombreava com o da Inglaterra. A diplomacia brasileira era uma das primeiras do mundo, tendo o Imperador Pedro II sido árbitro em disputas ocorridas entre a França, Alemanha e Itália. Aliás, o imperador Pedro II era a segunda autoridade moral do mundo de então, logo depois do Papa.

E o que tem sido a República nestes 122 anos desde que foi instaurada sem consulta popular? Um ex-governador de São Paulo, Franco Montoro, gostava de lembrar que República vem de “res-publica” (coisa pública) e não de “Cosa Nostra”, o que ela virou nos últimos anos... Em recente artigo, o historiador Marcos Antônio Villa definiu bem os dias atuais da república brasileira:

“Constituições, códigos, leis, decretos, um emaranhado legal caótico. Mas nada consegue regular o bom funcionamento da democracia brasileira. Ética, moralidade, competência, eficiência, compromisso público simplesmente desapareceram. Temos um amontoado de políticos vorazes, saqueadores do erário. A impunidade acabou transformando alguns deles em referências morais, por mais estranho que pareça.

“Vivemos uma época do vale-tudo. Desapareceram os homens públicos. Foram substituídos pelos políticos profissionais. Todos querem enriquecer a qualquer preço. E rapidamente. Não importam os meios. Garantidos pela impunidade, sabem que se forem apanhados têm sempre uma banca de advogados, regiamente pagos, para livrá-los de alguma condenação.
“São anos marcados pela hipocrisia. Não há mais ideologia. Longe disso. A disputa política é pelo poder, que tudo pode e no qual nada é proibido. Pois os poderosos exercem o controle do Estado - controle no sentido mais amplo e autocrático possível. Feio não é violar a lei, mas perder uma eleição, estar distante do governo.
“Neste universo sombrio, somente os áulicos - e são tantos - é que podem estar satisfeitos”.

Precisa dizer mais?

Missa lembra cem anos de falecimento do Dr. Leandro Bezerra Monteiro


Convite Missa
Familiares e admiradores do Dr. Leandro Bezerra Monteiro convidam para a Santa Missa que será celebrada – às 17 horas deste 15 de novembro de 2011, na Catedral de Nossa Senhora da Penha, na cidade de Crato – pelo centenário do falecimento deste ilustre homem público, nascido em Crato em 11 de junho de 1826 e falecido em Niterói (RJ) em 15 de novembro de 1911.

“Sereno aguardarei no meu jazigo
A justiça de Deus na voz da História”

(de um soneto de Dom Pedro II)


segunda-feira, 14 de novembro de 2011

TROVAS ÀS RUAS DO CRATO - Simeão Luna Machado


Eu gosto muito de ler
Tudo que fala do Crato,
É um bom modo de ter
Presente o seu retrato.
Em uma revista antiga,
Leio bonito trabalho
Do Brito, pessoas amiga,
E o Amarilho Carvalho.

Relembraram nossas ruas
Com muita propriedade,
Para mim, deixaram duas
Que trago na minha saudade.

Por isso peço anuência
Pra completar sua fala,
Uma lembra independência,
A outra é a rua da Vala.

Travessa da Liberdade,
Onde morei muitos dias
Belo nome, na verdade
Hoje Duque de Caxias.

Bela ou feia? Não se fala,
Mas tinha areias suaves,
A nossa rua da Vala
Hoje é Tristão Gonçalves.

Fonte: A Província, Julho de 2000

Somos todos portugueses? - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

De tantas e tantas vezes escutar anedotas sobre a "pressuposta" pouca inteligência dos nossos descobridores, deu-me uma falsa impressão de verdade, a um ciúme ou quem sabe, uma revolta, provavelmente ambos iniciados nos tempos coloniais. Mas ao residir numa cidade, e aqui abro um parêntese e peço licença para usar uma palavra da moda, numa cidade com índice de "mobilidade" cada vez menor, onde construíram um viaduto para desafogar o trânsito e colocaram um semáforo por baixo; onde já encontrei uma rua cujo já mencionado sinal luminoso foi colocado cerca de dez metros após o cruzamento, impedindo os carros circularem pela rua transversal; onde uma de suas universidades oferece "curso de verão" em pleno mês de julho, quando oficialmente é inverno no hemisfério sul, é que cheguei à conclusão que não poderemos jamais zombar da inteligência dos fundadores do Vasco da Gama. Se precisasse de uma prova da sabedoria portuguesa, bastaria a fundação do meu "Vascão" para colocar por terra qualquer argumento contrário.

Entretanto, convém lembrar que os portugueses detêm a maior e melhor tecnologia em Engenharia Civil do mundo, sendo inigualáveis no domínio das Mecânicas dos Solos e das Rochas. É da responsabilidade dos engenheiros portugueses do Laboratório Nacional de Engenharia Civil de Lisboa o projeto e construção das grandes barragens norte americanas.

Será que falamos a mesma língua? De nada adianta os governantes dos países de língua portuguesa desejarem unificar o idioma. Nós brasileiros, jamais passaremos a chamar o concreto armado de betão e time de futebol de "equipa".

É bom lembrar que nós temos nossos vícios de linguagens que atropelam qualquer estrutura do idioma de Camões. Além, é claro, de desafiar a lógica. Um amigo, foi conhecer Portugal. Lá chegando alugou um carro e saiu pelo interior do país, pouco maior que o nosso Ceará. Com o mapa rodoviário à bordo, e admirado com a perfeição de suas estradas, esse amigo desejava conhecer um cidadezinha lá existente de nome Almeida, de onde vieram seus bisavós. Ao chegar a uma pequena vila, onde a estrada se bifurcava, resolveu perguntar a um velhinho que se aquecia ao sol da manhã:
- "Onde é que fica Almeida?" - Quis saber. E o velhinho, com muita simplicidade, respondeu:
- "Primeiramente deseje-me um bom-dia!"
- "Ah, desculpe-me, bom-dia!"
- "Muito bem, agora podes perguntar!" - Ordenou o português:
- "Onde é que fica Almeida?"
- "Ora que pergunta mais tola: Almeida fica em Almeida, pois!"

De outra feita, outro brasileiro, viajando pela Europa, alugou um carro em Lisboa para ir até Madri. Na saída da cidade, perguntou a um frentista de um posto de gasolina:
- "Esta estrada aqui vai para Madri?" - Quis saber, se expressando no nosso dialeto.
- "Pelo visto, quem estar a viajar para Madri és tu, pois essa estrada é nossa e se ela for para lá irá nos fazer muita falta, pois só temos ela!" - Zombou o bombeiro lusitano.

Afinal, os portugueses também sabem nos dar um merecido troco! No meu primeiro ano na Escola Politécnica da Bahia, apareceu por lá um colega português, o Braguinha, cuja família acabara de se mudar para o Brasil. De tanto a turma lhe encher as medidas, ele nos contou essa, com carregado sotaque:

Um português, recém chegado ao Brasil quis entrar num clube onde se realizava animado baile de carnaval. Na entrada, foi barrado pelo porteiro que alegava a festa ser exclusivamente para brasileiros. Insistiu uma segunda vez, uma terceira, até que viu um jumentinho a pastar junto ao meio fio da calçada. Arrastou-o até a portaria do clube, onde já se encontrava o presidente para impedir a entrada do português:
- Você já foi informado várias vezes que somente entra aqui os brasileiros! - E o português, empurrando o jumento para o interior do clube, gritou:
- Então vás tu, que és brasileiro!

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

15 de Novembro: há cem anos falecia o advogado cratense Dr. Leandro Bezerra Monteiro – por Armando Rafael

Este dia 15 de novembro de 2011 traz à memória o centenário da morte de um ilustre brasileiro, Leandro Bezerra Monteiro, falecido em Niterói em 1911.
Fica aqui consignado esta singela homenagem a quem foi um magistrado honestíssimo, um político de destaque no Brasil Império, um líder católico que se destacou na defesa dos bispos Dom Vital e Dom Antônio Macedo -- ambos encarcerados pela fidelidade à Igreja Católica -- enfim uma homenagem a um cratense valoroso e ao grande homem que foi Leandro Bezerra Monteiro.

Nasceu ele na cidade de Crato, no dia 11 de junho de 1826, filho primogênito do Coronel José Geraldo Bezerra de Menezes e de Jerônima Bezerra de Menezes, sendo seu avô o Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, de quem herdou o nome. Descendia de uma família que se transportou de Portugal para o Brasil, acompanhando o primeiro donatário da capitania de Pernambuco, aí fixando residência. Tempos depois, membros dessa família, já nascidos no Brasil, migraram para o Ceará. Aqui, à custa de trabalho e honradez, atributos que sempre caracterizaram o clã, ganharam destaque na vida sócio-econômico-política da terra cearense.

Abaixo uma síntese cronológica da vida deste ilustre cratense:
1826 – Nasce na cidade de Crato.
1847 - Inicia o curso de Ciências Sociais e Jurídicas, na Academia de Direito de Pernambuco, com vinte anos de idade.
1851 – Recebe o título de Bacharel, aos vinte e cinco anos de idade.
1852 – Fixa residência em Sergipe, onde se casa, em 31 de janeiro, com uma parenta, Emerenciana de Siqueira Maciel Bezerra.
1860 – Eleito deputado geral (hoje deputado federal), por Sergipe mandato interrompido em 1863 por dissolução da Câmara.
1864 – Fixa residência na cidade de Paraíba do Sul, estado do Rio de Janeiro.
1872 – Eleito, mais uma vez, deputado geral por Sergipe. Nessa legislatura ganha destaque nacional pela defesa que faz dos bispos de Olinda, dom frei Vital Maria Gonçalves de Oliveira e do Pará, dom Antônio Macedo Costa, processados e presos pelo Governo Imperial.
1877 – Eleito, novamente, deputado geral, agora pelo Ceará, mandato interrompido em 1878 pela ascensão do Partido Liberal.
1880 – Em 31 de julho é iniciada construção da Casa de Caridade de Paraíba do Sul, que foi concluída e inaugurada em 4 de abril de 1883.
1889 – No dia 15 de novembro um golpe militar, comandando pelo Marechal Deodoro, derruba do trono o Imperador Dom Pedro II e instaura a forma de governo republicana no Brasil.
1911 – No dia 15 de novembro morre no bairro Fonseca, em Niterói.
Sobre Dr. Leandro assim se expressou o intelectual Carlos de Laet, em artigo publicado no jornal do Brasil em 15 de novembro de 1914:
“Quando entre festejos, salvas e foguetes, galas e aparatos, está o mundo oficial celebrando o jubileu de prata da República, peço vênia para conduzir os leitores ao túmulo quase esquecido desse grande católico e convicto monarquista, que foi o Dr. Leandro Bezerra Monteiro. Nem por isso me chamem de excêntrico. Há não raro na solidão dos túmulos umas lições mais salutares do que as que se podem colher no bulício da cortesania insincera e bajuladora”.

domingo, 13 de novembro de 2011

TEXTO DEDICADO A ARMANDO RAFAEL - Por Edilma Rocha

CHILENO NATURALIZADO BRASILEIRO - HENRIQUE BERNADELLI

Uma família de artistas chilenos instala-se no Rio de Janeiro, precisamente no bairro Copacabana.
Nasceu Henrique Bernadelli em Valparaiso, no Chile, no dia 15 de Julho do ano de 1857. Chegou muito pequeno junto aos irmãos, Rodolfho e Felix.
Os pais artistas famosos no Chile, dos quais o trio herdou os valores artísticos da família. Cresceram dentro do mais famoso atelier de Copacabana. Ali se encontravam, paisagens, naturezas mortas, retratos, esculturas, produzidas pela família inteira.
Em 1870, Henrique Bernadelli, ingressa na Academia Imperial de Belas Artes, sendo aluno do mestre Pedro Américo e João Zeferino da Costa. Foi condecorado com todas as medalhas honrosas, ouro, prata e bronze, que um artista poderia almejar.
Em 1878, viaja para a Europa para se encontrar com o irmão Rodolfho que já se especializava na Itália. Nesse período executou as mais belas paisagens de Capri e Roma, tipos populares e composições. No seu regresso realizou uma exposição de grande impacto pelas obras apresentadas, e entre elas a famosa, "Tarantela" pertencente hoje ao Museu Nacional de Belas Artes do MEC. Realizou uma coletânea de aquarelas com incrível técnica e colorido maravilhoso, transformando-se um inovador na sua época. Era a fama impondo o artista ao mundo carioca.
Em 1881, naturaliza-se brasileiro para gozar do prémio de viagem ao estrangeiro, passando a estudar em Paris por 4 anos com bolsa de estudos concedida pelo governo do Brasil. Radicalizando-se na França, conquista a medalha de bronze na Exposição Universal de Paris. No ano seguinte recebe a primeira medalha de ouro da Exposição Geral de Belas Artes no Rio de Janeiro, ano em que foi nomeado professor de pintura na Escola Nacional de Belas Artes.
Foi decorador do Teatro Municipal do Rio, da Biblioteca Nacional de Belas Artes e do Museu Paulista, com seus notáveis arabescos.
Produziu obras espetaculares em todos os estilos e muito realizou em seu atelier junto aos irmãos, Rodolfho e Felix. Retratou o irmão Rodolfho Bernadelli com uma tela fiel e quase real, que hoje se encontra no Museu Nacional do Rio de Janeiro.
No Museu de Arte Vicente Leite do Crato, encontra-se no seu acervo um retrato da escultora Celita Vacani, pintado por Henrique Bernadelli.
Falece em 6 de Abril do ano de 1936. Era possuidor de um talento privilegiado e deixou obras de grande valor artístico no Brasil e na Europa, fazendo valer a cidadania brasileira.

Edilma Rocha

Como a República foi proclamada – por Fernando Mascarenhas Silva de Assis (*)

O marechal Deodoro, velho e doente, foi arrancado às pressas de seu leito para falar à tropa amotinada. Os militares, descontentes com a atuação do Conselho de Ministros que governava o Brasil, exigiam a substituição desses ministros. Na realidade, o que a tropa exigia já estava decidido.

O Imperador, sempre atento ao bom andamento das questões de governo, havia decidido efetuar a troca do ministério. “O marechal, ciente da decisão do Imperador, foi ao encontro dos revoltosos e, após dar a notícia da substituição do Conselho dos Ministros, em cena que ficou imortalizada na magnífica tela de Henrique Bernadelli, levantou o quepe e gritou:” Viva o Imperador ”.

Outro “viva”, em resposta, foi dado pelos soldados que, já desarmados os espíritos, logo voltaram aos quartéis. Estes fatos ocorreram na cidade do Rio de Janeiro, no dia 15 de novembro de 1889, data em que não foi proclamada a República.

A melhor descrição da participação do povo no incidente do dia 15 foi dada por Aristides Lobo, um dos poucos republicanos que presenciaram os acontecimentos, que sentenciou: “ O povo assistira a tudo bestializado”. O que o povo viu e ouviu foi um desfile de tropas (não mais do que seiscentos militares), um marechal doente falando aos soldados, e o grito de “Viva o Imperador” que, junto com os militares, também foi respondido pelos populares.

A viúva Adelaide, a verdadeira causa da “proclamação”

A república não foi proclamada em praça pública. Veio a lume por um decreto cuja história nada tem de gloriosa. Nela aparece uma personagem quase desconhecida pelos brasileiros, escondida a sete chaves pela historiografia oficial, mas que foi a verdadeira causa da pseudo proclamação: a viúva Adelaide.
Depois da parada que terminou com um "Viva o Imperador", já em casa, de volta à cama, o Marechal recebeu a visita de um grupo de traidores republicanos que tentou fazer com que Deodoro assinasse o documento que viria a ser o decreto Nº 1 da república. O velho militar, que ainda não era um traidor, se recusou: havia jurado fidelidade ao Imperador.
De má fé, os traidores disseram ao Marechal que o Visconde de Ouro Preto seria substituído por Silveira Martins, conhecido político gaúcho. Sabiam da inimizade entre os dois. Anos antes, Deodoro havia se apaixonado pela viúva Adelaide. Durou pouco tal paixão. A viúva logo trocou os seus favores pelos do citado Silveira Martins.
Tresloucado, como sempre ficava quando se lembrava de sua antiga amada, Deodoro disse:
  – “Deixe-me assinar esta porcaria”.

"Esta porcaria", era o Decreto nº 1, preparada pelos golpistas onde constava: “Fica proclamada provisoriamente a República no Brasil”. E assim a República foi proclamada...

(*)Fernando Mascarenhas Silva de Assis, engenheiro, historiador e professor em Belo Horizonte (MG).
Aos sábados...
- Claude Bloc -


Tinha chovido. Quis sentir de novo a estrada de terra e seus solavancos novos... Despertar, assim, minhas intuições e meus desejos de vida nova. O sol hoje sorria, mas as poças de lama ainda brincavam de respingar pelos pneus recém lavados.

Seguimos. Crato foi ficando pra trás. O som dos pneus percorria todos os ligamentos nervosos de meu ouvido, excitando-os a tal ponto, que alegria foi tomando conta do meu humor abalado. Meus olhos procuravam atentamente o verde de todos os lados, resultado das poucas chuvas de novembro. Fiquei pensando em minhas últimas estações de chuva e já nem sei há quantos sábados procurei esse oásis de paz... se mil ou dois mil ou sei lá quanto, só sei que se demorasse um pouco mais, meu coração que tem nem sei quantos mil sábados não suportaria continuar a procura e eu teria de desistir de todos os sábados que se seguiriam em minha vida.

Na viagem, lembrei-me de não sei quantos sábados passados. Mantive os sentidos aguçados, a visão restrita à paisagem e à estrada. Em compensação, meus olhos viam e imaginavam uma coisa e a boca(desordenadamente) falava outra, desbancando qualquer possibilidade de me fazer entender. Minha alma era puro júbilo.

E sei que depois disso será apenas um sábado atrás do outro, e de lá para cá ou de cá pra lá, e vai sempre estar em mim esta eterna ciranda na busca de mais sorrisos como se a alegria fosse um baile onde eu tivesse um espaço imenso para dançar.

Chegando à Fazenda, meus olhos entraram em sintonia com a boca e trabalharam incessantemente. Olhei para a casa como se nunca mais a tivesse visto. Desbravei-a. Olhei para a frestas do telhado ainda não consertados. Para as rachaduras das paredes e quase chorei. Por que as coisas têm que se desgastar? Deviam permanecer como as guardamos na memória. Imaculadas !

Um sábado atrás do outro, pensei.  E a imaginação voltou a acontecer em mais um sábado. Meus olhos já foram se perdendo nos detalhes de quem procura sem medo e a boca, diante da saudade, finalmente aprendeu a se calar, emudeceu. Deixou que meus olhos implorassem pelas lembranças para que elas voltassem a bailar pelos cantos da casa onde as marcas se depositaram, embaixo e ao lado de meus olhos.

Aí, meus olhos fizeram descer um gota de água salgada e entraram em compasso com meu coração. Por diversas vezes eu ouvi o som de uma cigarra atiçando meus nervos.

Era verdade. Eu voltava ali aos sábados e abundantemente degustava o sabor desse sábado, mas o relógio não parava.  Vi-me atrás de um par de olhos preocupados com o tempo, mas meu coração clamava por felicidade.


Claude Bloc



sábado, 12 de novembro de 2011

RETRATO DO IRMÃO DE VAN GOGH - Por Edilma Rocha

Um comunicado do Museu Van Gogh de Amsterdam, revelou que o retrato de Vicent Van Gogh é na realidade do seu irmão Theo que se pensava o artista nunca o ter pintado.
O retrato é datado de 1887, e a figura aparece um pouco assimétrico, vestindo um casaco azul e um chapéu amarelo.
Segundo o pesquisador Louis Van Tilborgh, no retrato se observa que a barba é menos vermelha que os outros auto-retratos, diferente do que costumava usar. Ele afirma ser o retrato de Theo Van Gogh porque a orelha no outro é mais redonda do que a do pintor.
O retrato faz parte de outras 93 obras do artista pintadas em Amberes, Bélgica e em Paris.
Estas curiosidades sobre os grandes pintores são reveladas nos momentos atuais pelas minuciosas pesquisas e aprofundamento nos estudos das artes.

Fonte: Artes na atualidade

Crato "republicano" ? algumas considerações -- por Armando Lopes Rafael

(Excertos de um artigo publicado há 11 anos na revista A Província – nº 18, 2000)
Alguns escritores locais citam, vez por outra, a “tradição republicana” de Crato. Não acredito nessa alardeada “tradição”. Mas quero deixar claro que receberei com naturalidade, toda correção que vierem a fazer a este meu pensamento.

Começo por lembrar que o aniversário do golpe militar que implantou a República nunca foi comemorado em Crato. Nesta cidade o povo comemora datas como o 7 de setembro, 21 de Junho, Nossa Senhora da Penha, São José, São Francisco, dentre outras. Comemoração no dia 15 de Novembro – data da “Proclamação da República” – nunca vi.

O Crato, durante 149 anos (de 1740 quando foi fundado a 1889, quando houve o golpe militar que introduziu a forma de governo republicana) viveu sob a Monarquia. Não se apaga facilmente um século e meio na vida de um povo. No imaginário popular persiste a idéia de que a Monarquia é algo bom. O historiador cratense Denizard Macedo escreveu[1] :

“O povo tinha apego aos soberanos e aversão às manobras revolucionárias. Diferente do que alguns tentam demonstrar existia uma tradição moldada na fé católica e na monarquia absoluta, com seus princípios, escala de valores, hábitos, usos e costumes, não sendo fácil remover esta herança cultural profundamente enraizada no tempo”.

Isso é verdade, ainda hoje quando o povo reconhece numa pessoa certos méritos ou qualidades acima do comum, costuma dar-lhe o título de “Rei”. Por isso temos ou tivemos; “O Rei Pelé”, “O Rei Roberto Carlos”, “O Rei do Baião”, “O Príncipe dos Poetas Populares” (o repentista Pedro Bandeira) etc. E o que dizer dos concursos que se realizam para escolha da “Rainha do Colégio”, “Rainha da Exposição”? e de nomes de lojas como “O Rei da Feijoada”, “O Império das Tintas”? Ou nomes como “Rádio Princesa FM”, “Colégio Pequeno Príncipe”?

Portanto, é um mito sem consistência essa alardeada “tradição republicana” de Crato. Precisamos ter coragem para proclamar isto, pois ela não reflete a realidade. Ainda não se conseguiu sensibilizar as camadas populares para comemorar, em Crato, o golpe militar que impôs no Brasil a República. Sempre foi assim. Vai ser assim, também, na próxima 3ª feira, dia 15 de novembro, quando o país vai parar – num feriado nacional – em comemoração à “Proclamação da República”.

“República” para o povo é sinônimo de casa de estudante, com a desorganização e improvisação comum aos jovens. Ou serve para lembrar as notícias que vêm da Capital da República como os escândalos de corrupção na Casa Civil ou a demissão dos ministros corruptos  recebidos por Dilma como "herança maldita". “República” continua a ser, no imaginário popular, a lembrança da falta de segurança, a falência da saúde pública, a precariedade da educação pública, a fila dos aposentados (expostos ao sol e à chuva) na fila das calçadas dos Bancos para receber suas míseras aposentadorias, os políticos corruptos, as obras públicas inacabadas, a demagogia e a falta de respeito para com a população…

Acima, a primeira bandeira oficial dos Estados Unidos do Brasil (nome da República até 1967). Imitação barata da bandeira norte-americana essa bandeira só durou 4 dias...

Notas:
[1]Notas Preliminares no livro “Vida do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro”, de J.dias da Rocha, 2ª Ed. Secretaria de Cultura do Ceará, 1978.

Texto e postagem de Armando Lopes Rafael

Relembrando a Princesa Isabel -- por Hermes Rodrigues Nery (*)

Há 90 anos, em 14 de novembro de 1921, morria a princesa Isabel. Morreu distante do Brasil que tanto amava, no mais penoso e longo exílio já  impingido a um governante brasileiro. Esta, uma página de dor em nossa história que ainda hoje comove aos que estudam com seriedade os documentos – há tanto tempo esquecidos e evitados por aqueles que a detrataram e procuraram diminuir a importância da vida da princesa Isabel. Uma vida de inequívocas virtudes heróicas e cívicas, que honrou a primeira mulher a governar o Brasil.
Dona  Isabel Cristina de Orléans e Bragança foi uma das que melhor compreenderam a alma do povo brasileiro, por isso foi tão querida no tempo em que governou, e não fraquejou em tomar decisões acertadas e corajosas, de feliz memória, dentre elas a que culminou no 13 de maio de 1888, com a abolição da escravatura em nosso País.

Destinada a dirigir os destinos da Nação (de personalidade forte e resoluta, mas humaníssima em sua compaixão pelos sofredores); preparou-se como nunca antes outra autoridade política havia cuidado com tanto zelo em corresponder aos desafios e as incumbências do governo. Ao contrário do avô e do pai, afetados por uma infância de tão grandes turbulências, a princesa Isabel teve ambiente propício para desenvolver seus talentos e assumir seu imperativo vocacional. Não apenas com dedicação aos estudos, mas ainda com percepção aguda dos problemas do seu tempo, desejando dar ao Brasil soluções sociais pautadas em princípios e valores humanos e cristãos.

A sua fé – catolicíssima – deu-lhe força para fazer com alegria tudo o que empreendia (como mãe e esposa exemplar, como filha e amiga leal, como governante mulher) e a confortou nas horas de amargura, que não foram poucas.
Sofreu as angústias de ver o Brasil em guerra externa, com o risco de tornar-se viúva, ainda recém-casada, ou ter de ser forçada ao arranjo nupcial urdido pelo ditador paraguaio Solano Lopez. Pesou-lhe tanto a pressão de grandes proprietários rurais, que resistiram e dificultaram a aprovação da libertação dos escravos, criando obstáculos no parlamento, ameaças e um temor infundado de desestabilização social.

Foi preciso então agir com sabedoria, mas de modo perseverante, para ver bem sucedido o movimento abolicionista. Desde 1810 o Brasil comprometera-se em acabar com a escravidão, mas o processo político não foi fácil, porque era preciso preparar o País para tão significativa mudança. O movimento foi lento e gradual, exigiu mobilização e prudência, mas que poderia ser postergado ainda mais não fosse a precisão decisória da princesa em seus períodos de regência, que tudo fez para que a vitória do abolicionismo fosse obtida pela via institucional, e sem derramamento de sangue.

Com a Lei Áurea, a princesa Isabel visava não apenas a assinar o fim da escravidão, mas preparar os meios concretos de indenização e suporte social para oferecer aos libertos condições de dignidade para o exercício da liberdade, com acesso a educação e o trabalho com justa remuneração. Atestam os historiadores a visão de estadista da princesa Isabel, que não viu acontecer por completo seu projeto de promoção social do povo brasileiro, especialmente os libertados pela Lei Áurea. Isso porque tal relevante iniciativa foi solapada pelos republicanos positivistas, que temiam o 3º Reinado tendo à frente uma mulher de tão profundas convicções cristãs.

Pois justamente o catolicismo da princesa Isabel (e sua atuação pública e pessoal coerente com a doutrina social e moral da Igreja) levou os republicanos a forçarem a quartelada de Deodoro e ao cruel banimento (exigindo que ela e sua família deixassem o País em 24 horas), exílio este que se prolongou por 32 anos, até a sua morte.

O fato é que, apesar do patrulhamento ideológico e a conspiração do silêncio por mais de um século, a princesa Isabel não está no inteiro esquecimento, pelo contrário, seu nome ressoa luminoso em nossa história. O nevoeiro ideológico que a vitimou ao pior dos ostracismos, parece agora começar a ser dissipado, especialmente quando a Arquidiocese do Rio de Janeiro recebeu oficialmente, no mês passado, o pedido para a abertura do seu processo de beatificação. Isso comprova que a Princesa Isabel haverá de perdurar como estrela fulgurante no coração dos brasileiros, ad eternum.

(*) Hermes Rodrigues Nery e-mail: hrneryprovida@uol.com.br
São Bento do Sapucaí (SP)

Caldeirão Cultural: Começa a Mostra SESC de Culturas do Kariri - Wilson Bernardo

Providencial a desistência de Tom Zé,o que ele poderá esta aqui em outras edições da mostra Sesc,mas presenciar e sentir a magnitude da musica de Elza Soares,foi divino,simplesmente a mulher e sua voz nos faz rasgar qualquer significado e por que não dizer o que seria e foi fantástico.Oitenta e um anos de uma voz instigantes e inconfundível,em que o mundo aprendeu a ouvir como sendo uma das vozes negras, mais supimpas de uma magia suingada,onde a mesma flutua por varias tendências.Ela faz uma salada entre o antigo e o novo,mesclando o fank,samba e o rep dos morros cariocas,passando pela avenida da miséria onde nega do cabelo pixaim detona toda uma estrutura musical negra américana e nos devolve o jazz Blues dos tupiniquis brasilis.O Sesc acerta e nos presenteia pela grata oportunidade de termos Elza Soares,antes do seu limar eterno.


Abertura da mostra Sesc com as boas vindas de Gastão Bittencourt,com a presença de Raimundo Bezerra Filho vice-prefeito da Cidade do Crato.


A bela de sua voz se confunde com sua própria estética


Infinitamente fantástica a mulher de Oitenta


Bem mais cedo perfeccionista ao passar o som


Wilson Bernardo (Texto & Fotografia)

Sutilezas...

Flor do mato - Subida da Serra - Fazenda Serra verde

Você pode encontrar alegria nas coisas mais simples da vida. 
É só saber olhar pra elas...

(Claude Bloc)

Poema torto – Aloísio & Claude Bloc

A - Poema torto
C - Estrada torta
A - De luto nasceu
C - Na terra morta
A - Quando veio à luz
C - Sofreu
A - O poeta morreu

A – Aloísio
C – Claude Bloc

Aceitação - Emerson Monteiro

... Uma reação igual e em sentido contrário, princípio da Lei de Ação e Reação. Depois que acontecer de pisar na bola, cabe aceitar as consequências. Conciliar as respostas naturais em relação aos atos de seguir em frente, atitude por demais justa consigo mesmo, ser falível no estado atual. Caso diferente, agiria como que treme diante das circunstâncias, o que nada representaria em termos de racionalidade; o errar só para não dar a mão à palmatória.

Baixar a cabeça depois que falhar nas escolhas das ações, ainda que pela ignorância de conhecer o jeito exato de cumprir o papel perante a vida, eis o modo espontâneo de se render às evidências. Levantar a cabeça pode reduzir os prejuízos e abrir um espaço de perdão dentro da gente, isto no sentido de evitar danos à saúde física e abrir mão das vaidades; deixar de lado a suposição antiga de se ser senhor absoluto da razão.

Quantas e tantas vezes o errar humano pisar no território da solidão... Contar apenas com os elementos de quem ousa sonhar demasiado com a perfeição e cai da cama... Se achar acima do bem e do mal, quando Deus impera acima dos seres menores, Sua criação apenas... Nós, os viventes...

Viver a vida sem se punir a todo instante... Quando o sucesso domina a cena, as pessoas vibram de euforia. No entanto, perante as cobranças dos erros, afundam na lama quais juízes impiedosos de si, cruéis parceiros da autovingança. E dói e mata e pune contra as ordens mínimas da compaixão.

Aceitar a condição de relativos nas malhas humanas; admitir a retratação, invés das normas rígidas do combate interno às inferioridades, doutores de leis impiedosas e totalitárias. Persistir vivos para preservar a espécie dos aprendizes, senhores da fé nos dias melhores. Render homenagem ao impossível, em noites e dias sempre adoráveis. Ninguém é o senhor do destino além do Poder superior aos poderes limitados deste mundo. Existe o conceito da religiosidade natural que demonstra ordens eternas que a tudo comanda.

Haverá meios de reagir às trevas, aos tombos, às turras, atabalhoadamente... Haverá, sim; nenhuma dúvida resta. Creio, entretanto, significar apenas desespero e frustração assumir o erro e querer eliminar à força as consequências, modos de desencontrados exércitos perdidos em retiradas infames, que as histórias contam. Que glória há nas perdidas as ilusões? Também as personagens individuais, que andam pelas ruas, equivalem aos exércitos de si próprios, por vezes batendo cabeça em jornadas dolorosas. O fazer nesses instantes pede alternativas de sabedoria. De deixar de lado os valores equivocados e marchar firmes para os verdes campos da satisfação interior, no amar e se amar quais motivos da experiência, esquecendo vícios e abandonos, mágoas e rancores. Sorrir aos instantes menos felizes, que somem e deixam o perfume da solidariedade, resposta indiscutível de viver bem.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Poema torto - Aloísio

Poema torto
De luto nasceu
Quando veio à luz
O poeta morreu

Aloísio

VOZ PRÓPRIA - Claude Bloc


Enquanto isso, o mundo gira
como criança em dia de festa.
Enquanto isso,
vamos perdendo a inocência
perdendo o tempo
em busca de respostas.
Enquanto isso,
saímos do prumo
em busca de um rumo
sem nexo.
Enquanto isso,
vamos perdendo a poesia,
o toque sutil e a mão tão leve.
Enquanto isso,
damos milhões de voltas
procurando o prumo
em busca de um rumo
entre sentimentos
e o que é certo.
Enquanto isso,
cá estamos perplexos.

No mais, é o coração que não cala
o sentimento, a voz própria,
e o tempo presente.

SER CRIANÇA - Por Edilma Rocha

Tudo começou com a chegada de Seu Augusto da Serra Verde, carpinteiro caprichoso, um exelente profissional preparado pelo seu pai. Era um negro fino e educado que passaria a viver conosco por um bom tempo trabalhando nos famosos quadros de formaturas com seus retratinhos pequenos.
Eu, Ricardo e Roberto, formamos uma comitiva para pedir a Seu Augusto que realizasse o nosso sonho de criança, construindo uma casinha para as nossas férias no velho pé de Sapota.
Ele aceitou prontamente.
A imensa árvore cobria o pequeno quintal com  sua sombra e os seus galhos que passavam do telhado da casa do meu avô. Desde o desaparecimento do bicho "Preguiça" que morava por lá, subir na árvore tinha ficado sem graça.
Mãezinha concordou com a ideia, imaginando que ficaríamos brincando em casa, aos olhos de todos.
Aos pouco velhas portas e janelas foram se transformando em piso, paredes e telhado para a nossa casa da árvore. Era um sonho! As férias chegaram junto com a finalização do arrojado projeto arquitetônico do carpinteiro. Era um sobe e desce o dia inteiro e a minha avó falava à toda a hora:
_ Telma, quando der fé, cai um menino!
Seu Augusto resolveu rapidamente o problema construindo um bandejão içado por uma corda que levava e trazia tudo que precisávamos lá em cima. Bem abaixo na varanda, ele ouvia nossas vozes nas brincadeiras de criança. Eu desenhava no caderno e preparava as comidinhas, Ricardo e Roberto jogavam xadrez, dominó e liam o almanaque do Tio Patinhas e Edilsinho por ser menorzinho, não ficava quieto, pulando de galho em galho, gritando:
_O voo de Tarzan !
Gritava bem alto batendo no peito magrelo enquanto olhávamos boquiabertos  a sua agilidade nos saltos.  Subia cada vez mais alto e um dia resolveu realizar um voo que intitulou, "O voo da Morte".  Subiu até avistar as palmeiras da Praça Siqueira Campos. Os galhos fininhos sustentavam as recentes folhagens da velha Sapota e ele se preparando para a mais audaciosa das façanhas.
_É hum, é dois, é três... Já!
E voou  feito  um macaco a procura de outro galho para se segurar, mas o galho fininho quebrou e assistimos a descida em dois tombos. O primeiro em cima do telhado onde Seu Augusto trabalhava e o segundo no chão do antigo quintal. E ainda o despencar de algumas telhas... Foi um barulho que correu todo mundo. Seu Augusto, mesmo mancando, pegou rapidamente o menino nos braços fortes e o levou até minha mãe, que disse:
_ Coloquem na cama de Edilma e vamos chamar Dr. Humberto!
Edilsinho muito sério e franzindo a testa, assistia a correria com um ar de abusado. Verificado que por milagre o menino não tinha sofrido nem um arranhão, mas estava sem fala, mãezinha gritava;
_ Fala menino... fala menino...!
Ele saltou da cama e disse:
_ Eu estou é só vendo a frescura de vocês !
Diante de tal exclamação, estava são e salvo.
Imediatamente, meu avó mandou chamar dois homens armados de facão e ordenou que botassem abaixo a velha Sapota com o nosso sonho de criança junto.

Edilma Rocha