Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Patrimônio Histórico de Crato: a capela de Santa Teresa -- por Armando Lopes Rafael

No dia 31 de outubro de 1923, há mais de 87 anos, era inaugurada na cidade do Crato a capela de Santa Teresa de Jesus, felizmente conservada, até hoje, como originalmente foi entregue ao povo católico da “Cidade de Frei Carlos”. A data da inauguração – 31 de outubro – foi escolhida por ser o aniversário de nascimento e de sagração episcopal de dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva, primeiro bispo de Crato e idealizador da edificação da mencionada capela.

Devemos a construção dessa capela à Cruzada Carmelitana, uma associação religiosa existente em Crato, fundada em 1914, pelo então vigário da Paróquia de Nossa Senhora da Penha, padre Quintino, um ano depois eleito primeiro bispo da nossa diocese.

A Cruzada Carmelitana era formada por senhoras e jovens da sociedade cratense. Além da parte religiosa, seus membros desenvolviam uma grande ação social na comunidade. Na prática religiosa, basta destacar que as festas de Nossa Senhora do Carmo (16 de julho) e Santa Teresa d’Ávila (15 de outubro) eram comemoradas com grande pompa, precedidas de Tríduo Festivo e encerradas com uma missa solene. Tudo acompanhado pelo Coral das Teresinas, onde se sobressaía a maravilhosa voz de Iraídes Gonçalves. De tudo isso só nos resta as gratas lembranças e os registros históricos...

Foi notável o empenho da Cruzada Carmelitana na construção da sua capela. As ricas obras talhadas em madeira de lei (altar-mor, quatro nichos laterais, confessionário, sólio episcopal, bancada e grade do altar) foram esculpidas por Mestre José Lucas, conhecido artista cratense. Tão bonito é o sólio episcopal que, posteriormente, ele foi cedido à Sé Catedral, onde ainda hoje está, tendo servido aos cinco bispos da diocese do Crato.

As imagens da capela foram adquiridas na Itália. No altar-mor está o “Trio Carmelitano”: Santa Teresa d’Ávila pontifica como padroeira, tendo ao seu lado Nossa Senhora do Carmo e São José. Os quatro nichos laterais abrigam as estátuas de São João da Cruz, Santa Teresinha do Menino Jesus, São Geraldo e São Quintino.

Toda a construção e acervo da capela de Santa Teresa foram viabilizados no primeiro quartel do século passado, quando o Crato vivia longe (quase isolado) dos grandes centros do Brasil. Naqueles tempos, as estradas e os meios de comunicação eram precários e a nossa economia dependia unicamente do produzido nas fainas agrícolas e na incipiente pecuária da época. Mas o importante é que o povo tinha fé!
Tanta, que este pequeno templo aí está, para atestar essa fé...

A capelinha - talvez por desígnio da Divina Providência - resistiu às más administrações públicas do Crato, responsáveis pela destruição de prédios históricos, a exemplo de todo o quarteirão da Rua Miguel Limaverde. Resistiu às falsas ideias de modernismo, que tiveram como auge a medíocre década 60, após a construção de Brasília. Resistiu até aos tempos confusos pós Concílio Ecumênico Vaticano II, tempos esses felizmente encerrados com a eleição do Papa João Paulo II, para a Cátedra de São Pedro, em 1978.

Pouca gente sabe: essa capela é propriedade da diocese do Crato, e está, há longos anos, sob a custódia da Congregação das Filhas de Santa Teresa, que souberam conserva-la em toda a sua originalidade.
                                                                                                                                                                                                  

Agostinho Balmes Odísio -- por Antônio Vicelmo

Estátua do Cristo Redentor, em Crato, é uma de suas mais conhecidas criações de Agostinho Balmes no Cariri (Foto: Antônio Vicelmo).

O livro “Agostinho Balmes Odísio — Memórias do Juazeiro do Padre Cícero”, de autoria de Vera Odísio Siqueira foi publicada sob o patrocínio do Museu do Ceará dentro do projeto Resgate da Memória Cearense. A apresentação foi feita pelo escritor de Juazeiro do Norte, Renato Casimiro.
Italiano de nascimento, Agostinho Balmes Odísio foi um escultor e arquiteto que viveu seis anos no Cariri, entre 1934 e 1940. Neste curto espaço de tempo, ele foi autor de bom número de obras de arte implantadas no Cariri, sendo a mais conhecida a Coluna da Hora, com 29 metros de altura, onde está a estátua do Cristo Redentor, com seis metros — totalizando 35 metros —  hoje oficializado como  o ícone da cidade de Crato.

Biografia

De acordo com pesquisa feita pelo historiador Armando Lopes Rafael, Agostinho Balmes nasceu em 1881, em Turim, norte da Itália, e formou-se pela Escola de Belas Artes daquela cidade. Na infância, foi aluno da Escola Profissional Domingos Sávio, mantida por São João Bosco.
Em 1912, ele esculpiu um busto do Rei da Itália, Vito Emanuel II, conquistando o 1º lugar numa disputa por uma bolsa de estudo em Paris. Na Capital francesa, foi discípulo de August Rodin, considerado, ainda hoje, o maior escultor contemporâneo. Em 1913, com 32 anos de idade, Agostinho Odísio resolveu emigrar para a Argentina, onde residia um irmão seu. Entretanto, por motivos ignorados, desembarcou no Porto de Santos, em São Paulo e permaneceu no Brasil até sua morte.

Durante 20 anos, produziu dezenas de obras de arte nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Em 1934, devido a problemas de saúde, foi aconselhado a residir no Nordeste, por causa do clima quente da região. Por acaso, leu na Imprensa sobre a morte do Padre Cícero e, vislumbrando oportunidade de negócios – por conta da religiosidade da cidade – veio para Juazeiro do Norte, onde residiu até 1940. Agostinho Balmes foi também responsável pelo projeto do Palácio Episcopal de Crato, Coluna da Hora, na Praça Padre Cícero, e reforma do Santuário Diocesano Nossa Senhora das Dores, os dois últimos localizados em Juazeiro do Norte.
( Matéria publicada no "Diário do Nordeste", edição de 19/11/2006)

PARA REFLETIR - O Brasil teve realmente um Golpe Militar ou Revolução ? Análise dos Fatos


Brasil, Corrupção, Mentiras... Golpe Militar ?

ORDEM DO DIA DO Cmt INTERINO DA 3ª Bda CMec - Bagé-RS
Cel Mário Luiz de Oliveira, Ch EM da 3ª Brigada de Cavalaria Mecanizada!

Seu discurso não poderia ser mais verdadeiro, direto e oportuno.

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REVOLUÇÃO DEMOCRÁTICA DE 31 DE MARÇO DE 1964
Soldados da 3ª Brigada de Cavalaria Mecanizada !

Há 46 anos atrás, o presidente da República, João Goulart, era deposto.

Uns chamam esse acontecimento de golpe militar, outros, de tomada do poder. Para nós, brasileiros, ocorreu a Revolução Democrática de 1964, que afastou nosso querido país de uma ditadura comunista, cruel e sanguinária, que só os irresponsáveis, por opção ou por descuido, não querem enxergar.

A grande maioria de vocês, principalmente os mais jovens, foram cansativamente expostos à idéia transmitida pela propaganda política, inserida nas salas de aula, nos ditos livros didáticos, nos jornais, programas de rádio e de TV, que os militares tomaram o poder dos civis para impedir que reformas moralizantes fossem feitas; que para combater os "generais que usurparam o poder" os jovens da época uniram-se e lutaram contra a ditadura militar e que muitos deles morreram, foram mutilados, presos e torturados na luta pela redemocratização do país; que jovens estudantes, idealistas, embrenharam-se nas matas do Araguaia para lutar contra a ditadura. Erro! O nome de arquivo não foi especificado.

Mas qual é a verdade sobre o Movimento de 31 de março ?

Para responder a esta pergunta, basta tão simplesmente voltarmos nossas vistas para aquela conturbada época da vida nacional. O país vivia no caos. Greves políticas paralisavam os transportes, as escolas, os bancos etc. Filas eram feitas para comprar alimentos. A indisciplina nas Forças Armadas era incentivada pelo governo. João Goulart queria implantar suas reformas de base à revelia do Congresso Nacional. Os principais jornais da época exigiam a saída do presidente, em nome da manutenção da democracia. Pediam para que os militares entrassem em ação, a fim de evitar que o Brasil se tornasse mais uma país dominado pelos comunistas. O povo foi às ruas pedindo o fim daquele desgoverno, antes que fosse tarde demais.

E, assim, aconteceu o 31 de março !

Naqueles dias seguintes, editoriais e mais editoriais exaltando a atitude patriótica dos militares eram publicados, nos mesmos jornais que, hoje, caluniam a Revolução... Os comunistas que pleiteavam a tomada do poder não desanimaram e passaram a insuflar os jovens, para que entrassem numa luta contra seus irmãos, pensando que estariam lutando contra a ditadura. E mentiram tão bem que muitos acreditam nisso até hoje.

E foi com essa propaganda mentirosa que eles iludiram muitos jovens e os cooptaram para as suas organizações terroristas. A luta armada havia começado. Foram vários atos terroristas: atentados a bomba no aeroporto de Recife, em quartéis do Exército, em instalações diplomáticas de outros países; seqüestros e assassinatos de civis, militares e autoridades estrangeiras em solo brasileiro.

A violência revolucionária havia se instalado.

Naquela época, os terroristas introduziram no Brasil a maneira de roubar dinheiro com assaltos a bancos, a carros fortes e a estabelecimentos comerciais. Foram eles os mestres que ensinaram tais táticas aos bandidos de hoje. Tudo treinado nos cursos de guerrilha em Cuba e na China. As polícias civil e militar sofriam pesadas baixas e não conseguiam, sozinhas, impor a lei e a ordem.

Para não perder o controle da situação, o governo decretou medidas de exceção, pelas quais várias liberdades individuais foram suspensas. Foi um ato arbitrário, mas necessário. A frágil democracia que vivíamos não se podia deixar destruir.

Graças ao Bom Deus e Senhor dos Exércitos, vencemos a besta-fera !

Os senhores sabiam disso ? Com quantas inverdades fizeram "a cabeça de vocês" ! Foi a maneira que os comunistas encontraram para tentar justificar a sua luta para implantar um regime do modelo soviético, cubano ou chinês no Brasil. Por intermédio da mentira, eles deturparam a História e conseguiram o seu intento. Alguns de vocês que não nasceram naquela época, chegam mesmo a acreditar no que eles dizem...

E por que essas mentiras são repetidas até hoje ?

Por que passado quase meio século, ainda continuam a nos caluniar? Qual será o motivo desse medo e dessa inveja?

Esta resposta também é simples:

É porque eles sabem que nós, militares, não nos deixamos abater pelas acusações contra as Forças Armadas, porque, na verdade, apenas cumprimos o dever, atendendo ao apelo popular para impedir a transformação do Brasil em uma ditadura comunista, perigo esse que já anda ao derredor do nosso Brasil, só que com outra maquiagem.

É porque eles sabem que nós, militares, levamos uma vida austera e cultivamos valores completamente apartados dos prazeres contidos nas grandes grifes, nas mansões de luxo ou nas contas bancárias no exterior, pois temos consciência de que é mais importante viver dignamente com o próprio salário do que realizar orgias com o dinheiro público.

É porque eles sabem que nós, militares, temos como norma a grandeza do patriotismo e o respeito sincero aos símbolos nacionais, principalmente a nossa bandeira, invicta nos campos de batalha, e o nosso hino, jamais imaginando acrescentar-lhes cores ideológico-partidárias ou adulterar-lhes a forma e o conteúdo.

É porque eles sabem que nós, militares, temos orgulho dos heróis nacionais que, com a própria vida, mantiveram íntegra e respeitada a terra brasileira e que esses heróis não foram fabricados a partir de interesses ideológicos.

É porque eles sabem que se alguma corrupção existiu nos governos militares, ela foi pontual e episódica, mas jamais uma estratégia política para a manutenção do poder ou o reflexo de um desvio de caráter a contaminar por inteiro um ideal.

É porque eles sabem que nós, militares, somos disciplinados e respeitamos a hierarquia, ainda que tenhamos divergências com nossos chefes, pois entendemos que eles são responsáveis e dignos de nossa confiança e que não se movem por motivos torpes ou por razões mesquinhas.

É porque eles sabem que nós, militares, não nos dobramos à mesquinha ação da distorção de fatos que há mais de 40 anos os maus brasileiros vem impondo à sociedade, com a clara intenção de impor-lhe a idéia de que os guerrilheiros de ontem (hoje corruptos e ladrões do dinheiro público) lutaram pela democracia, quando agora já está mais do que evidente que o desejo por eles perseguido há anos,' sempre foi - e continua sendo – o de implantar no país um regime totalitário, uma ditadura mil vezes pior do que aquela que eles afirmam ter combatido.

É porque eles sabem, enfim, que todo o mal que se atribui a nós, militares, e às Forças Armadas - por maiores que sejam os nossos defeitos e limitações - não tem respaldo na Verdade histórica que um dia há de aflorar.

Soldados da Brigada Patrício Corrêa da Câmara ! Pertencemos ao Exército Brasileiro, brasileiro igual a todos nós e com muito orgulho no coração.

Exército invicto nos campos de batalha, onde derrotamos comunistas, nazi-fascistas, baderneiros, guerrilheiros, sabotadores, traidores da Pátria, conspiradores, predadores do patrimônio público, bandidos e terroristas.

Mas retornemos agora nossas vistas para o presente... O momento é decisivo para o Brasil, e por conseguinte, para todos nós, brasileiros. Mas será que estamos realmente conscientes disso ?

Parece que não ! O País vive em um clima de oba-oba, tipo "deixa a vida me levar, vida leva eu"... O dinheiro público é distribuído em alguns tipos de bolsas, umas de indisfarçável cunho ideológico revanchista e, outras, voltadas ao assistencialismo, nunca na história desse País visto em tão larga escala... A mídia satura a grande massa, "coincidentemente" o grande colégio eleitoral, com programas televisivos de baixíssima qualidade cultural, de cunho nitidamente apelativo, fabricando falsos heróis, que corroem os valores cristãos do nosso povo... como que distraindo-o, a fim de impedi-lo de enxergar o que anda acontecendo por aqui e ao nosso redor : situações idênticas ocorridas no Brasil e em outros países são tratadas de formas diferenciadas, conforme a simpatia ideológica; a palavra empenhada, as posições firmadas e documentos estratégicos são trocados ou modificados conforme a intensidade da reação da opinião pública, tornando transparente a falta de seriedade no trato dos destinos do Brasil, ou pior, revelando as verdadeiras intenções, ocultas e hediondas. Senão bastasse, serviçais de plantão vem à mídia tentar explicar o inexplicável, isso quando não jogam a culpa na opinião pública, dizendo que foi ela quem entendeu de forma errada ou procuram fazer-se de vítimas face à suposta campanha difamatória, quando na verdade os fatos estão aí, as claras …

No entanto, parece que as pessoas encontram-se anestesiadas, apenas "vivendo a vida", discutindo qual a melhor cerveja, ou quem deve ser eliminado da casa, se tal jogador deve ser convocado...

O que vemos hoje já era utilizado nos tempos do antigo Império Romano, a estratégia do "pão e circo: dê ao povo comida e diversão de graça e ele esquecerá seus problemas..."

Porém, ao longo da História da civilização, diversas personalidades já apontavam para os perigos desses momentos de desesperança, destacamos : Martin Luther King - "O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons..." ; Burke - "Para o mal triunfar, basta os homens de bem não fazerem nada..." ; Mario Quintana - "O que mata um jardim não é o abandono ! O que mata um jardim é esse olhar vazio de quem passa indiferente por ele" ; e Rui Barbosa - "De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto" .

Não ! Não deixaremos que os inimigos da Pátria venham manchar sua honra ou deturpar seus valores cristãos. Não envergonharemos nossos antecessores, os quais nos legaram esse Brasil-Continente, livre e soberano !

Soldados da 3ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, estaremos sempre atentos e, se o Bom Deus e Senhor dos Exércitos assim o desejar, cumpriremos nossa sagrada missão de defender a Pátria. Que seja isso, ou que o sol, sem eflúvio, sem luz e sem calor, nos encontre no chão a morrer do que vivo sem te defender...

ASSINA, MARIO LUIZ DE OLIVEIRA Cmt INTERINO DA 3ª BDA CMEC
Texto recebido por E-mail

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A maldição de Dom José – por Armando Lopes Rafael

Dom José Tupinambá da Frota foi o primeiro bispo de Sobral. Governou aquela diocese de 1916 a 1959. Por 43 anos. Ele foi o maior benfeitor de Sobral e de toda região norte do Ceará. Tudo que existe de relevante em Sobral, nas áreas de educação, saúde, comunicação, dentre outros,  se deve a iniciativas de dom José Tupinambá.

Corre uma lenda que aquele bispo trazia melhoramentos para Sobral, mas certos seguimentos da elite (sempre existem os anticlericais que só sabem criticar) em troca viviam falando mal do bispo.

Qualquer semelhança com Crato não é mera coincidência…

Dizem que antes de morrer dom José teria dito:
– Deixa estar. Quando eu morrer Sobral vai estagnar por cerca de 30 anos... Aí vão sentir minha falta…

Não deu outra.

De 1960 até 1990, Sobral cresceu de forma lenta, e seu progresso não condizia com o potencial da cidade. Trinta anos se passaram. Somente em 1990, Ciro Gomes foi eleito governador do Ceará e olhou com muito carinho para sua cidade. De lá pra cá – Sobral voltou a receber grandes investimentos – privados e públicos – retornando ao crescimento do tempo de dom José. Hoje aquela cidade tem outro aspecto. 

Bem diferente de Crato, cidade  onde também seu maior benfeitor –  dom Vicente de Paulo Araújo Matos – foi (e continua) sendo um injustiçado. Sequer tem seu nome numa rua da cidade.
Será que Crato está vivendo uma “maldição” semelhante à vivida por Sobral durante  30 anos?

Há quem afirme que sim...

O RESPEITO QUE É BOM E TODOS GOSTAM, É DEVIDO OU NÃO



Respeito - Do latim: respectu. Substantivo masculino, 1 - agir com respeito, reverência. 2 - consideração. 3 - apreço. (Excetuo aquelas palavras sinônimas que geralmente se enquadram em locuções prepositivas para ter o valor de referência, se referir a, como no caso de dizer respeito a.)

O que você entende como respeito? Para mim é mais do que a definição do AURÉLIO ou do PRIBERAM, ou de qualquer grande Koogan Houaiss, mas será que o respeito que merecia ser devido a todos os seres é bem empregado e/ou exercitado?

Respeito para muita gente é só ser baseado na educação que é válido, mas essa 'validade' compete a quem? Se a educação vem de berço, saibamos que nascemos em berços diferentes! Não existem padrões de educação e modos, mas existem padrões de falta de educação e falta de modos. Sabemos quando a pessoa é mal-educada e isso é falta de respeito, mas quero me referir quando ela acha que foi educada e faltou com o respeito. O respeito não acontece com a melhor das intenções, pois, por exemplo, um menino tem por costume sempre tocar a cabeça das meninas quando as cumprimenta e isso para muitas é falta de respeito. Mas afinal, o que é o respeito!? Aquele que se pode construir como sociedade?

Acho que nunca acharemos a resposta para o respeito, mas é melhor preservar a antiga teoria e andar sempre com o bom "perdoe-me" na boca.

Mas será que devemos ser respeitosos com aqueles comentários que pedem respeito, desrespeitando os que são de opinião contrária?

Ridículo isso, não? Sou horrível para explicar e parece que estou falando só asneiras...

Se tivermos o bom senso, perceberemos que o respeito não atua com as pessoas que dizem prezar por ele, mas não contam com eles em seus pensamentos. Analisem esse exemplo clássico para entender o que eu quero dizer:

Um homem abre a boca e diz:

-Eu respeito todas as outras religiões, mas a minha é a melhor!

Cá entre nós, eu não consigo entender isso e quero, por favor, que se alguém pensa assim, me explique!

Acontece, ao meu ver, falta de respeito nessa situação também:

-Ah, eu respeito os homossexuais e bissexuais, mas quero-os longe de mim e dentro de minha casa nem pensar!

Tá legal, agora eu confesso! Esses dois exemplos não foram hipotéticos. Aconteceram e um de seus autores já foi meu melhor amigo, e outro é um parente. Essas duas frases ao meu ver já fogem do "campo do respeito" desde a definição, quanto mais aos sentimentos. Isso para mim foi o antônimo do respeito, e mesclado com uma hipocrisia bem mentirosa!

Acredito que um dia conseguiremos respeitar a todos, desde os micro-organismos até o universo, mas isso independe de um indivíduo e sim da ação conjunta e massiva de uma comunidade.

A educação para mim já perdeu essa referência, pois vejo alguns "educados" que falam sobre o respeito sem usar do respeito.

AGORA! Tenhamos um senso né! Flexibilidade é algo útil para impelir o desrespeito, como por exemplo no exemplo acima do menino que alisa a cabeça das damas. Se elas não se importassem com a atitude que ao meu ver não tem nada demais, o desrespeito não aconteceria, mas como muitas foram doutrinadas a ver essa atitude como um ato de safadeza, o desrespeito aconteceu. Já nem sei mais quem está errado aí no caso. Nem sei se existem errados ou certos em muitos casos simples como esses, mas isso já é outra discussão!

Por fim, espero por uma resposta que me "acerte o queixo de vez", e me faça agir com respeito em relação a todos aqueles que prezo. Sei que devo faltar o respeito com muitos, pois não é possível agradar a todos, mas desagradar a todos é possível. Contudo, como disse, ando com o "perdoe-me na boca" para esses casos. Quero saber como muitos aqui fazem para respeitar os outros, e tentar tomar parte de seus ensinamentos, em minha própria vida.

P.s. Clássico: Acho que praticamente todos concordarão que a falta de respeito acontece naqueles exemplos acima, pois eles são casos de discriminação, que começa com a mesma letra que desrespeito.

Como sempre: Abraços a todos que são de bem!

João Maurício Alexandre da Silva Sobral
SITE: http://textolivre.com.br/

Salete Libório em destaque...

  Salete Libório  entrevistada quando adere à Campanha
BRASIL SEM CIGARRO


SIGA O LINK:

http://g1.globo.com/videos/ceara/v/cearense-entra-na-campanha-brasil-sem-cigarro/1698634/

Carlos Drummond de Andrade


quarta-feira, 16 de novembro de 2011

OLHARES E TEARES - Claude Bloc


Olhares
teares
presos até o fim do livro
presos até o cansaço
presos até o bater das asas
de um anjo de olhar castanho.

Café
cheiro de café
sons matutinos
névoa distinta
e as palavras rodopiando
nos sentidos.

Palavras sussurradas
sustando a sinfonia
bocejam alegres
quase infantis e ela soletrava
a lembrança das notas
e ela se enfeitava
todas as manhãs
guardando as notas dos risos
e o tempo dos compassos
tempo de nenhuns
tempo de viver o encontro
nesse preciso momento
ponto de sol brilhante
ponto diminutivo
ponto.


KARINA PEREZ A ARTISTA PLÁSTICA - Por Edilma Rocha

Karina Perez que está no ar na reprise de "Mulheres de Areia", na Globo, abandonou a carreira de atriz e se tornou artista plástica.
Ela, que na novela interpretou "Andreia Sampaio", a noiva de "Marcos", (Guilherme Pontes).
Artista plástica por formação, decidiu depois do casamento, montar um atelier e se dedicar 100% a este trabalho.
Curiosidades no mundo das novelas, em que uma atriz decide mudar o seu destino artístico.
Afirma que, ama o que está fazendo.

Fonte: Curiosidades dos artistas

Quilômetros de engarrafamento - Emerson Monteiro


Início do feriadão da República e noticiários indicavam até 245 km de engarrafamentos na saída de São Paulo ao litoral, com televisões mostrando filas imensas de veículos de faróis acesos às margens do Rio Tietê. Lembrei quando vivi em Salvador, ainda na década de 70 do século anterior, e do tempo que gastava, nos finais de semana, à espera de embarcar no ferry-boat a caminho da Ilha de Itaparica, onde curtíamos horas de lazer à beira mar.

Todos, neste mundo, buscamos a salvação da alma, conceito religioso que admite existência além do tempo deste chão... Chegaremos, um dia, à santidade, na chance da perfeição absoluta de superar o limite das experiências materiais.

E ao observar o sofrimento comum a todo vivente, calculamos a perspectiva das oportunidades para crescer interiormente em face dos testes agora recebidos.
Essa prova mesma dos engarrafamentos das grandes cidades, hoje em dia, quer representar das experiências severas a que o espírito se submete, porquanto horas e horas dentro de automóveis feitos gaiolas de luxo, aguardado deslocamento milimétrico, e depois retornar sob iguais condições, não deixa de comprimir a paciência da alma ao extremo, lição importante de constrangimento e realidade, no apuro das naturezas dos indivíduos.

Habitantes de metrópoles, eles sofrem miséria no sentido de sobreviver às oportunidades restritas, nessa escola aberta dos aglomerados e moradias reduzidas; nas arbitrariedades artificiais do sistema rígido das calçadas de ferro e cimento; em fábricas desumanas, mecânicas, automáticas; no atrito entre as pessoas; nos transportes abarrotados; na solidão das multidões indiferentes; nos descansos esfumaçados e tristes das janelas escuras; universo melancólico de jornadas industriais que parecem nunca revelar finais possíveis.

Santos em potencial são todos, contudo há os que adiantam o carro mediante respostas sábias à gravidade dos bloqueios e traumas das histórias grupais, sem um jeito melhor quase hora nenhuma. E lembrar, ainda, o quanto padecem das ingratidões de semelhantes que explodem desencantados, no decorrer do processo coletivo de evoluir, nas manadas reunidas e saraus barulhentos das noites aflitas.

Tudo isso lembra, pois, o tanto necessário aos dias felizes, no itinerário do drama que guarda em si as sempiternas esperanças dos dias quando, suaves, as ruas do destino ofereçam instantes de deslocamentos harmoniosos e justos.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

A Chaminé 

(Claude Bloc)

Minhas aulas muitas vezes pareciam poemas bordados na tela. Preparava textos para inserir no contexto e gostava de provocar alguns temas, instigar a reprodução de algum escrito de autores reconhecidamente versados em poesia ou literatura. Naquele dia eu também escrevia algo de meu e falava exatamente sobre a solidão...até me inspirei num texto de Cecília Meireles, onde ela dizia que a solidão não existe.

Esse era um tema recorrente e nessa aula, nesse dia, eu explorava a solidão, uma palavra um tanto quanto complexa, mas bem sugestiva visto que poderia ser abordada sob alguns dos seus variados aspectos.

Diante desse mal da solidão que corrói o mundo e que, de alguma forma, faz as pessoas se fecharem num individualismo planejado, me lembrei de uma imagem que fotografei na Serra Verde. Nela uma chaminé... Tudo o que resta do engenho que lá existia. Uma chaminé imponente e solitária que hoje se ergue mostrando as marcas impiedosas do tempo. O mato já toma conta de seus arredores e a cada ano, o tempo a consome mais um pouco e a distancia dos dias gloriosos em que soltava a fumaça da lenha e do bagaço de cana que eram lançados na fornalha.

O mês de julho na Serra Verde era um mês festivo. Férias! Primos e amigos engrossavam o rol de crianças na Fazenda. A primeira garapa cheirava em nossas narinas como um convite às delicias do mês. Íamos ao engenho em bando, de manhã e sobretudo à tarde. De casa levávamos uma lata de óleo bem lavada, com as beiradas devidamente batidas para não machucar as bocas ávidas pelo néctar da cana de açúcar.

A meninada chegava no engenho animada. Havia uma espécie de concurso para saber quem agüentava beber um litro de garapa de uma lapada só...  Quem ganhasse, pegava o primeiro alfenim.

Pedíamos a Josa, para raspar algumas canas tortas, apropriadas para “colher” o mel na gamela, antes que Redondo começasse a mexer aquele líquido cheiroso e fervente fazendo com que ele açucarasse até dar o ponto da rapadura.

Com o mel já “colhido”, íamos rodando as canas para ele não escorresse e para que ele pudesse esfriar, de forma que pudéssemos pôr a mão e puxá-lo até que virasse alfenim. A cor viscosa e dourada ia embranquecendo, o mel soltando da mão, até que fôssemos capazes de degustar aquele “puxa-puxa” que era para nós um manjar delicioso. Depois de açucarado o sabor não era o mesmo.

Hoje a chaminé continua lá em pé, incólume. Solitária. Esquecida. No seu topo um mandacaru “fulora” na seca. Mas fica aqui uma pena imensa dessa solidão em que hoje se encontra e das ruínas em que serpenteiam as saudades da vida e das alegrias que sentíamos quando a fumaça dessa chaminé exalava o cheiro da moagem. 

Claude Bloc

FATOS PARA RELEMBRAR - Por Edilma Rocha


Tínhamos o Brasil governado por D. Pedro II e os movimentos dos republiicanos já se espalhavam por  toda a parte entre reuniões secretas por idealistas, escritores, jornalistas, estudantes e artistas.
O país, após a abolição dos escravos concedida pela Princesa Isabel em 1888, vivia um clima de revolta por parte dos grandes fazendeiros pela falta de mão de obra. Grandes tinham sido os investimentos na compra de escravos que a preço de hoje valeriam cada um , hum carro zero. Os imigrantes chegavam em navios a busca de trabalho remunerado e aos poucos foram ocupando o lugar dos escravos nas plantações, principalmente de café. Os grandes coronéis insatisfeitos com o governo por não terem sido idenizados pela perda de seus patrimônios, os caros escravos.
Outro fato que também contribuiu para a luta contra o regime monárquico no Brasil, foi a guerra do Paraguai entre 1864 até 1870. Muitos brasileiros se juntaram aos exércitos do Uruguai e Argentina, crescendo os ideias para se inplantar a republica no Brasil.
Com os movimentos republicanos cada vez maiores através da imprensa, se instalava uma politização também na população civil, unindo forças pela luta contra os domínios de Portugal. E assim, vários partidos foram criados desde 1870, incluindo também a participação da Igreja, fato este que causou a indiginação de D. Pedro II, com punições severas.
Com tantos movimentos republicanos que aumentavam as tensões contra a realeza, a família decide subir a serra e se acomodar na residência de férias, em Petrópoles. Com este afastamento da cidade do Rio de Janeiro, tudo favoreceu para o golpe militar conspirado pelo Marechal Deodoro da Fonseca. Ainda surgiram boatos de que os responsáveis seriam presos e  o plano recebeu o apóio de mais de 600 soldados, fazendo a armada acontecer.
E exatamente no dia 15 de Novembro do ano de 1889, o Marechal Deodoro da Fonseca empunhando uma espada declarou que a apartir daquele dia o Brasil seria uma republica. Os movimentos republicanos caíram em festas comemorando o sonho de um ideal realizado, enquanto D. Pedro II recebia a notícia de que havia sido derrubado com um decreto de expulsão do país junto a todos os seus familiares.
Para montar um governo provisório tendo como presidente do Brasil o Marechal Deodoro da Fonseca, foram escolhidos para ministros brasileiros, Rui Barbosa, Benjamim Constant, Campos Sales, dentre outros.

15 de Novembro, nada a comemorar -- Armando Lopes Rafael

Empurrada goela abaixo da população, a imposição da forma de governo republicana no Brasil ocorreu por meio de um golpe militar. O primeiro, aliás, de uma série que os brasileiros vivenciariam nas décadas seguintes...

Mas, enfim, hoje ocorre mais um aniversário da “proclamação” da República. E, como sempre, a maioria do povo não sabe, sequer, o motivo deste feriado. Um fato sintomático: neste 15 de novembro haverá -- em várias capitais de estados – mais uma rodada das marchas contra a corrupção que tomou conta do país.

Na verdade, o Brasil nasceu sob a monarquia. E sob a monarquia viveu 389 anos de sua história, de 1500 a 1889. Libertado do domínio português – em 7 de setembro de 1822 – o Brasil continuou como monarquia. O império consolidou o Brasil como uma grande nação, enquanto a América espanhola era fatiada em muitas republiquetas, algumas delas – ainda hoje – dominadas por caudilhos.

Como monarquia, o Brasil, teve sua mais longa Constituição, a que vigorou entre 1824 e 1889 e nunca foi violada. Possuía uma moeda estável e forte (o mil réis), tinha a segunda Marinha de Guerra do Mundo, teve os primeiros Correios e Telégrafos da América, foi uma das primeiras Nações a instalar linhas telefônicas e o segundo país do globo a ter selo postal. Na política era administrado pelo civilizado regime parlamentarista. E o Parlamento do Império ombreava com o da Inglaterra. A diplomacia brasileira era uma das primeiras do mundo, tendo o Imperador Pedro II sido árbitro em disputas ocorridas entre a França, Alemanha e Itália. Aliás, o imperador Pedro II era a segunda autoridade moral do mundo de então, logo depois do Papa.

E o que tem sido a República nestes 122 anos desde que foi instaurada sem consulta popular? Um ex-governador de São Paulo, Franco Montoro, gostava de lembrar que República vem de “res-publica” (coisa pública) e não de “Cosa Nostra”, o que ela virou nos últimos anos... Em recente artigo, o historiador Marcos Antônio Villa definiu bem os dias atuais da república brasileira:

“Constituições, códigos, leis, decretos, um emaranhado legal caótico. Mas nada consegue regular o bom funcionamento da democracia brasileira. Ética, moralidade, competência, eficiência, compromisso público simplesmente desapareceram. Temos um amontoado de políticos vorazes, saqueadores do erário. A impunidade acabou transformando alguns deles em referências morais, por mais estranho que pareça.

“Vivemos uma época do vale-tudo. Desapareceram os homens públicos. Foram substituídos pelos políticos profissionais. Todos querem enriquecer a qualquer preço. E rapidamente. Não importam os meios. Garantidos pela impunidade, sabem que se forem apanhados têm sempre uma banca de advogados, regiamente pagos, para livrá-los de alguma condenação.
“São anos marcados pela hipocrisia. Não há mais ideologia. Longe disso. A disputa política é pelo poder, que tudo pode e no qual nada é proibido. Pois os poderosos exercem o controle do Estado - controle no sentido mais amplo e autocrático possível. Feio não é violar a lei, mas perder uma eleição, estar distante do governo.
“Neste universo sombrio, somente os áulicos - e são tantos - é que podem estar satisfeitos”.

Precisa dizer mais?

Missa lembra cem anos de falecimento do Dr. Leandro Bezerra Monteiro


Convite Missa
Familiares e admiradores do Dr. Leandro Bezerra Monteiro convidam para a Santa Missa que será celebrada – às 17 horas deste 15 de novembro de 2011, na Catedral de Nossa Senhora da Penha, na cidade de Crato – pelo centenário do falecimento deste ilustre homem público, nascido em Crato em 11 de junho de 1826 e falecido em Niterói (RJ) em 15 de novembro de 1911.

“Sereno aguardarei no meu jazigo
A justiça de Deus na voz da História”

(de um soneto de Dom Pedro II)


segunda-feira, 14 de novembro de 2011

TROVAS ÀS RUAS DO CRATO - Simeão Luna Machado


Eu gosto muito de ler
Tudo que fala do Crato,
É um bom modo de ter
Presente o seu retrato.
Em uma revista antiga,
Leio bonito trabalho
Do Brito, pessoas amiga,
E o Amarilho Carvalho.

Relembraram nossas ruas
Com muita propriedade,
Para mim, deixaram duas
Que trago na minha saudade.

Por isso peço anuência
Pra completar sua fala,
Uma lembra independência,
A outra é a rua da Vala.

Travessa da Liberdade,
Onde morei muitos dias
Belo nome, na verdade
Hoje Duque de Caxias.

Bela ou feia? Não se fala,
Mas tinha areias suaves,
A nossa rua da Vala
Hoje é Tristão Gonçalves.

Fonte: A Província, Julho de 2000

Somos todos portugueses? - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

De tantas e tantas vezes escutar anedotas sobre a "pressuposta" pouca inteligência dos nossos descobridores, deu-me uma falsa impressão de verdade, a um ciúme ou quem sabe, uma revolta, provavelmente ambos iniciados nos tempos coloniais. Mas ao residir numa cidade, e aqui abro um parêntese e peço licença para usar uma palavra da moda, numa cidade com índice de "mobilidade" cada vez menor, onde construíram um viaduto para desafogar o trânsito e colocaram um semáforo por baixo; onde já encontrei uma rua cujo já mencionado sinal luminoso foi colocado cerca de dez metros após o cruzamento, impedindo os carros circularem pela rua transversal; onde uma de suas universidades oferece "curso de verão" em pleno mês de julho, quando oficialmente é inverno no hemisfério sul, é que cheguei à conclusão que não poderemos jamais zombar da inteligência dos fundadores do Vasco da Gama. Se precisasse de uma prova da sabedoria portuguesa, bastaria a fundação do meu "Vascão" para colocar por terra qualquer argumento contrário.

Entretanto, convém lembrar que os portugueses detêm a maior e melhor tecnologia em Engenharia Civil do mundo, sendo inigualáveis no domínio das Mecânicas dos Solos e das Rochas. É da responsabilidade dos engenheiros portugueses do Laboratório Nacional de Engenharia Civil de Lisboa o projeto e construção das grandes barragens norte americanas.

Será que falamos a mesma língua? De nada adianta os governantes dos países de língua portuguesa desejarem unificar o idioma. Nós brasileiros, jamais passaremos a chamar o concreto armado de betão e time de futebol de "equipa".

É bom lembrar que nós temos nossos vícios de linguagens que atropelam qualquer estrutura do idioma de Camões. Além, é claro, de desafiar a lógica. Um amigo, foi conhecer Portugal. Lá chegando alugou um carro e saiu pelo interior do país, pouco maior que o nosso Ceará. Com o mapa rodoviário à bordo, e admirado com a perfeição de suas estradas, esse amigo desejava conhecer um cidadezinha lá existente de nome Almeida, de onde vieram seus bisavós. Ao chegar a uma pequena vila, onde a estrada se bifurcava, resolveu perguntar a um velhinho que se aquecia ao sol da manhã:
- "Onde é que fica Almeida?" - Quis saber. E o velhinho, com muita simplicidade, respondeu:
- "Primeiramente deseje-me um bom-dia!"
- "Ah, desculpe-me, bom-dia!"
- "Muito bem, agora podes perguntar!" - Ordenou o português:
- "Onde é que fica Almeida?"
- "Ora que pergunta mais tola: Almeida fica em Almeida, pois!"

De outra feita, outro brasileiro, viajando pela Europa, alugou um carro em Lisboa para ir até Madri. Na saída da cidade, perguntou a um frentista de um posto de gasolina:
- "Esta estrada aqui vai para Madri?" - Quis saber, se expressando no nosso dialeto.
- "Pelo visto, quem estar a viajar para Madri és tu, pois essa estrada é nossa e se ela for para lá irá nos fazer muita falta, pois só temos ela!" - Zombou o bombeiro lusitano.

Afinal, os portugueses também sabem nos dar um merecido troco! No meu primeiro ano na Escola Politécnica da Bahia, apareceu por lá um colega português, o Braguinha, cuja família acabara de se mudar para o Brasil. De tanto a turma lhe encher as medidas, ele nos contou essa, com carregado sotaque:

Um português, recém chegado ao Brasil quis entrar num clube onde se realizava animado baile de carnaval. Na entrada, foi barrado pelo porteiro que alegava a festa ser exclusivamente para brasileiros. Insistiu uma segunda vez, uma terceira, até que viu um jumentinho a pastar junto ao meio fio da calçada. Arrastou-o até a portaria do clube, onde já se encontrava o presidente para impedir a entrada do português:
- Você já foi informado várias vezes que somente entra aqui os brasileiros! - E o português, empurrando o jumento para o interior do clube, gritou:
- Então vás tu, que és brasileiro!

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

15 de Novembro: há cem anos falecia o advogado cratense Dr. Leandro Bezerra Monteiro – por Armando Rafael

Este dia 15 de novembro de 2011 traz à memória o centenário da morte de um ilustre brasileiro, Leandro Bezerra Monteiro, falecido em Niterói em 1911.
Fica aqui consignado esta singela homenagem a quem foi um magistrado honestíssimo, um político de destaque no Brasil Império, um líder católico que se destacou na defesa dos bispos Dom Vital e Dom Antônio Macedo -- ambos encarcerados pela fidelidade à Igreja Católica -- enfim uma homenagem a um cratense valoroso e ao grande homem que foi Leandro Bezerra Monteiro.

Nasceu ele na cidade de Crato, no dia 11 de junho de 1826, filho primogênito do Coronel José Geraldo Bezerra de Menezes e de Jerônima Bezerra de Menezes, sendo seu avô o Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, de quem herdou o nome. Descendia de uma família que se transportou de Portugal para o Brasil, acompanhando o primeiro donatário da capitania de Pernambuco, aí fixando residência. Tempos depois, membros dessa família, já nascidos no Brasil, migraram para o Ceará. Aqui, à custa de trabalho e honradez, atributos que sempre caracterizaram o clã, ganharam destaque na vida sócio-econômico-política da terra cearense.

Abaixo uma síntese cronológica da vida deste ilustre cratense:
1826 – Nasce na cidade de Crato.
1847 - Inicia o curso de Ciências Sociais e Jurídicas, na Academia de Direito de Pernambuco, com vinte anos de idade.
1851 – Recebe o título de Bacharel, aos vinte e cinco anos de idade.
1852 – Fixa residência em Sergipe, onde se casa, em 31 de janeiro, com uma parenta, Emerenciana de Siqueira Maciel Bezerra.
1860 – Eleito deputado geral (hoje deputado federal), por Sergipe mandato interrompido em 1863 por dissolução da Câmara.
1864 – Fixa residência na cidade de Paraíba do Sul, estado do Rio de Janeiro.
1872 – Eleito, mais uma vez, deputado geral por Sergipe. Nessa legislatura ganha destaque nacional pela defesa que faz dos bispos de Olinda, dom frei Vital Maria Gonçalves de Oliveira e do Pará, dom Antônio Macedo Costa, processados e presos pelo Governo Imperial.
1877 – Eleito, novamente, deputado geral, agora pelo Ceará, mandato interrompido em 1878 pela ascensão do Partido Liberal.
1880 – Em 31 de julho é iniciada construção da Casa de Caridade de Paraíba do Sul, que foi concluída e inaugurada em 4 de abril de 1883.
1889 – No dia 15 de novembro um golpe militar, comandando pelo Marechal Deodoro, derruba do trono o Imperador Dom Pedro II e instaura a forma de governo republicana no Brasil.
1911 – No dia 15 de novembro morre no bairro Fonseca, em Niterói.
Sobre Dr. Leandro assim se expressou o intelectual Carlos de Laet, em artigo publicado no jornal do Brasil em 15 de novembro de 1914:
“Quando entre festejos, salvas e foguetes, galas e aparatos, está o mundo oficial celebrando o jubileu de prata da República, peço vênia para conduzir os leitores ao túmulo quase esquecido desse grande católico e convicto monarquista, que foi o Dr. Leandro Bezerra Monteiro. Nem por isso me chamem de excêntrico. Há não raro na solidão dos túmulos umas lições mais salutares do que as que se podem colher no bulício da cortesania insincera e bajuladora”.

domingo, 13 de novembro de 2011

TEXTO DEDICADO A ARMANDO RAFAEL - Por Edilma Rocha

CHILENO NATURALIZADO BRASILEIRO - HENRIQUE BERNADELLI

Uma família de artistas chilenos instala-se no Rio de Janeiro, precisamente no bairro Copacabana.
Nasceu Henrique Bernadelli em Valparaiso, no Chile, no dia 15 de Julho do ano de 1857. Chegou muito pequeno junto aos irmãos, Rodolfho e Felix.
Os pais artistas famosos no Chile, dos quais o trio herdou os valores artísticos da família. Cresceram dentro do mais famoso atelier de Copacabana. Ali se encontravam, paisagens, naturezas mortas, retratos, esculturas, produzidas pela família inteira.
Em 1870, Henrique Bernadelli, ingressa na Academia Imperial de Belas Artes, sendo aluno do mestre Pedro Américo e João Zeferino da Costa. Foi condecorado com todas as medalhas honrosas, ouro, prata e bronze, que um artista poderia almejar.
Em 1878, viaja para a Europa para se encontrar com o irmão Rodolfho que já se especializava na Itália. Nesse período executou as mais belas paisagens de Capri e Roma, tipos populares e composições. No seu regresso realizou uma exposição de grande impacto pelas obras apresentadas, e entre elas a famosa, "Tarantela" pertencente hoje ao Museu Nacional de Belas Artes do MEC. Realizou uma coletânea de aquarelas com incrível técnica e colorido maravilhoso, transformando-se um inovador na sua época. Era a fama impondo o artista ao mundo carioca.
Em 1881, naturaliza-se brasileiro para gozar do prémio de viagem ao estrangeiro, passando a estudar em Paris por 4 anos com bolsa de estudos concedida pelo governo do Brasil. Radicalizando-se na França, conquista a medalha de bronze na Exposição Universal de Paris. No ano seguinte recebe a primeira medalha de ouro da Exposição Geral de Belas Artes no Rio de Janeiro, ano em que foi nomeado professor de pintura na Escola Nacional de Belas Artes.
Foi decorador do Teatro Municipal do Rio, da Biblioteca Nacional de Belas Artes e do Museu Paulista, com seus notáveis arabescos.
Produziu obras espetaculares em todos os estilos e muito realizou em seu atelier junto aos irmãos, Rodolfho e Felix. Retratou o irmão Rodolfho Bernadelli com uma tela fiel e quase real, que hoje se encontra no Museu Nacional do Rio de Janeiro.
No Museu de Arte Vicente Leite do Crato, encontra-se no seu acervo um retrato da escultora Celita Vacani, pintado por Henrique Bernadelli.
Falece em 6 de Abril do ano de 1936. Era possuidor de um talento privilegiado e deixou obras de grande valor artístico no Brasil e na Europa, fazendo valer a cidadania brasileira.

Edilma Rocha

Como a República foi proclamada – por Fernando Mascarenhas Silva de Assis (*)

O marechal Deodoro, velho e doente, foi arrancado às pressas de seu leito para falar à tropa amotinada. Os militares, descontentes com a atuação do Conselho de Ministros que governava o Brasil, exigiam a substituição desses ministros. Na realidade, o que a tropa exigia já estava decidido.

O Imperador, sempre atento ao bom andamento das questões de governo, havia decidido efetuar a troca do ministério. “O marechal, ciente da decisão do Imperador, foi ao encontro dos revoltosos e, após dar a notícia da substituição do Conselho dos Ministros, em cena que ficou imortalizada na magnífica tela de Henrique Bernadelli, levantou o quepe e gritou:” Viva o Imperador ”.

Outro “viva”, em resposta, foi dado pelos soldados que, já desarmados os espíritos, logo voltaram aos quartéis. Estes fatos ocorreram na cidade do Rio de Janeiro, no dia 15 de novembro de 1889, data em que não foi proclamada a República.

A melhor descrição da participação do povo no incidente do dia 15 foi dada por Aristides Lobo, um dos poucos republicanos que presenciaram os acontecimentos, que sentenciou: “ O povo assistira a tudo bestializado”. O que o povo viu e ouviu foi um desfile de tropas (não mais do que seiscentos militares), um marechal doente falando aos soldados, e o grito de “Viva o Imperador” que, junto com os militares, também foi respondido pelos populares.

A viúva Adelaide, a verdadeira causa da “proclamação”

A república não foi proclamada em praça pública. Veio a lume por um decreto cuja história nada tem de gloriosa. Nela aparece uma personagem quase desconhecida pelos brasileiros, escondida a sete chaves pela historiografia oficial, mas que foi a verdadeira causa da pseudo proclamação: a viúva Adelaide.
Depois da parada que terminou com um "Viva o Imperador", já em casa, de volta à cama, o Marechal recebeu a visita de um grupo de traidores republicanos que tentou fazer com que Deodoro assinasse o documento que viria a ser o decreto Nº 1 da república. O velho militar, que ainda não era um traidor, se recusou: havia jurado fidelidade ao Imperador.
De má fé, os traidores disseram ao Marechal que o Visconde de Ouro Preto seria substituído por Silveira Martins, conhecido político gaúcho. Sabiam da inimizade entre os dois. Anos antes, Deodoro havia se apaixonado pela viúva Adelaide. Durou pouco tal paixão. A viúva logo trocou os seus favores pelos do citado Silveira Martins.
Tresloucado, como sempre ficava quando se lembrava de sua antiga amada, Deodoro disse:
  – “Deixe-me assinar esta porcaria”.

"Esta porcaria", era o Decreto nº 1, preparada pelos golpistas onde constava: “Fica proclamada provisoriamente a República no Brasil”. E assim a República foi proclamada...

(*)Fernando Mascarenhas Silva de Assis, engenheiro, historiador e professor em Belo Horizonte (MG).
Aos sábados...
- Claude Bloc -


Tinha chovido. Quis sentir de novo a estrada de terra e seus solavancos novos... Despertar, assim, minhas intuições e meus desejos de vida nova. O sol hoje sorria, mas as poças de lama ainda brincavam de respingar pelos pneus recém lavados.

Seguimos. Crato foi ficando pra trás. O som dos pneus percorria todos os ligamentos nervosos de meu ouvido, excitando-os a tal ponto, que alegria foi tomando conta do meu humor abalado. Meus olhos procuravam atentamente o verde de todos os lados, resultado das poucas chuvas de novembro. Fiquei pensando em minhas últimas estações de chuva e já nem sei há quantos sábados procurei esse oásis de paz... se mil ou dois mil ou sei lá quanto, só sei que se demorasse um pouco mais, meu coração que tem nem sei quantos mil sábados não suportaria continuar a procura e eu teria de desistir de todos os sábados que se seguiriam em minha vida.

Na viagem, lembrei-me de não sei quantos sábados passados. Mantive os sentidos aguçados, a visão restrita à paisagem e à estrada. Em compensação, meus olhos viam e imaginavam uma coisa e a boca(desordenadamente) falava outra, desbancando qualquer possibilidade de me fazer entender. Minha alma era puro júbilo.

E sei que depois disso será apenas um sábado atrás do outro, e de lá para cá ou de cá pra lá, e vai sempre estar em mim esta eterna ciranda na busca de mais sorrisos como se a alegria fosse um baile onde eu tivesse um espaço imenso para dançar.

Chegando à Fazenda, meus olhos entraram em sintonia com a boca e trabalharam incessantemente. Olhei para a casa como se nunca mais a tivesse visto. Desbravei-a. Olhei para a frestas do telhado ainda não consertados. Para as rachaduras das paredes e quase chorei. Por que as coisas têm que se desgastar? Deviam permanecer como as guardamos na memória. Imaculadas !

Um sábado atrás do outro, pensei.  E a imaginação voltou a acontecer em mais um sábado. Meus olhos já foram se perdendo nos detalhes de quem procura sem medo e a boca, diante da saudade, finalmente aprendeu a se calar, emudeceu. Deixou que meus olhos implorassem pelas lembranças para que elas voltassem a bailar pelos cantos da casa onde as marcas se depositaram, embaixo e ao lado de meus olhos.

Aí, meus olhos fizeram descer um gota de água salgada e entraram em compasso com meu coração. Por diversas vezes eu ouvi o som de uma cigarra atiçando meus nervos.

Era verdade. Eu voltava ali aos sábados e abundantemente degustava o sabor desse sábado, mas o relógio não parava.  Vi-me atrás de um par de olhos preocupados com o tempo, mas meu coração clamava por felicidade.


Claude Bloc