Criadores & Criaturas
"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata."
(Carlos Drummond de Andrade)
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sábado, 25 de fevereiro de 2012
Uma tristeza infinda – por Pedro Esmeraldo
FIM DE TARDE - I Wanna Rock!
Depois
de um longo período, estamos retomando o projeto "FIM DE TARDE", uma
forma diferente e super bacana de curtir a balada mais cedo. Além de ser
um diferencial pelo horário, esse projeto tem como maior bandeira o
respeito às pessoas, aos vizinhos do TERRAÇUS e principalmente o
cumprimento do que determina a lei. Queremos diversão e arte e com esse
projeto achamos que dá para conciliar diversão, arte e respeito às
pessoas. A SERTÃO POP tem essa preocupação e queremos mostrar que vale a
pena.
O evento acontecerá no próximo sábado, dia 3, a partir das 18h, com as maravilhosas bandas REI BULLDOG - tocando BEATLES sem parar, e LOS THE OS, com seus rocks, blues e o carisma que lhe é peculiar.
Vamos nessa. Acabou o carnaval, agora "Eu quero Rock!"
Os ingressos antecipados custarão 10 reais e serão vendidos nos seguintes locais:
CRATO - LOJA LARAS (Praça da Sé - em frente ao Museu) - 3521.2820
JUAZEIRO - PORÃO ROCK (Rua Carlos Gomes, 441 - ao lado de Prefeitura) - 3511.7527
OS INGRESSOS NA PORTARIA SERÃO COBRADOS A 15 REAIS
https://www.facebook.com/events/242523919169430/?context=create#
O evento acontecerá no próximo sábado, dia 3, a partir das 18h, com as maravilhosas bandas REI BULLDOG - tocando BEATLES sem parar, e LOS THE OS, com seus rocks, blues e o carisma que lhe é peculiar.
Vamos nessa. Acabou o carnaval, agora "Eu quero Rock!"
Os ingressos antecipados custarão 10 reais e serão vendidos nos seguintes locais:
CRATO - LOJA LARAS (Praça da Sé - em frente ao Museu) - 3521.2820
JUAZEIRO - PORÃO ROCK (Rua Carlos Gomes, 441 - ao lado de Prefeitura) - 3511.7527
OS INGRESSOS NA PORTARIA SERÃO COBRADOS A 15 REAIS
https://www.facebook.com/events/242523919169430/?context=create#
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Diante da vida - Emerson Monteiro
Tamanho das dores varia ao sabor dos infinitos. No entanto há que se vencer indiscriminadamente o que vier e ganhar na alegria outras tantas vezes quantas despontamentos aflorarem e sumirem nos instantes da dor. Que fazer, contudo? As respostas, no seio do coração, existem intensas na profusão da fé ao sabor das maiores necessidades. Livres de perder a cor, tintar o horizonte das ações renovadoras das bênçãos.À hora do desânimo perante o caldo grosso das adversidades revelaria o Amor em seu potencial imenso guardado a sete chaves durante os longos anos da religiosidade pura. Naquelas horas tortas dos tonéis da mágoa, despontaria o valor dos créditos adquiridos na potente oração cotidiana, e confiar acima de quaisquer obstáculos. O segredo de Deus assim transcrito no coração, que distingue sua cor poderosa das outras mais, rompe barreiras das tristezas no mapa da alegria. Portas e janelas abertas aos quatro ventos.
Quantas e tantas situações transpostas sumiram nas noites tempestuosas... Desistir nunca, jamais. Segurar com fervor os cimos da Glória inominável, o transporte do valor a trazer os dias das certezas da coragem por demais vitoriosa, sabor inesquecível das verdades eternas, o prazer da felicidade transposto dos trilhos nos caminhos e tocar em frente.
Força de convicção reclama, portanto, atitudes positivas, apego aos valores inabaláveis do sentimento verdadeiro desse gosto a Quem pode, no íntimo de milhões de expectativas, conceder propósitos definitivos de sonhos bons. A potencialidade, pois, do Deus herói supremo das aventuras inúmeras, o caudal da Paz nos lares harmoniosos da alma de coisas e seres, de nós seus filhos em crescimento.
Na sequência de acontecimentos do painel das gerações desfilamos nossa construção do território coletivo e palco dos dramas e sucessos. Receber os enigmas e revelá-los em nossas faces, demonstrar firmeza e trazer definições.
Quantas vidas, quantos desejos de acertar o passo no ritmo organizado das leis superiores, alento de animais e lugares. Andar ao som da tranquilidade, senhores de si e dos céus. Sustentar a luz dos amigos a oferecer lições inesperadas, aulas e palavras só nas mãos do Eterno Pai.
Não importa minha cor
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Devaneios - Por Celso J.de B. Siébra
Devaneios
O pensamento estava firme e recordações lhe traziam vivas memórias.
Sua mente era a própria existência, seu corpo inerte apenas acompanhava o pulsar compassado do coração, enquanto a respiração lenta, quase nada, mantinha o sopro da vida.
Neste
raro momento, absorvido pela relativização do espaço/ tempo, ele não estava
ali.
Imagens
eram sentidas e sensações de calor ou frio não estavam presentes naquele mágico
instante.
Lá,
estava ele: Adulto, porém Criança.
Sua
infância, em projeção mental, estava sendo repassada como em uma fita de um
longa metragem com movimentos e cores.
Ela o
observava e, intrigada, se perguntava: Onde estará ele? Aqui em realidade ou em
sonhos e devaneios? Seria possível deixar de existir, ainda existindo? Seria
apenas um processo mental ? Ou seria aquele o momento do espírito? O tornar-se
presente e mostra-se, sem ser percebido ?
Assim, possuída pelo pensamento, em sonhos ou devaneios, se projetava como personagem de investigação e se tornava a essência das idéias. Em seu mundo, abstraída da realidade material, não percebia o brilho nos olhos dele que nesse instante falava:
Quero nesse momento
voar em teu sonho
E no balanço do teu
coração feliz ancorar
Em sensações que me
levem risonho
Ao sublime êxtase de
te encontrar.
Celso J.de B. Siébra
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
MOMENTO DA POESIA Por Claude Bloc
Delírio
Retiro meu vestido branco
Dispo-me nua e crua
Deito as margens do infinito
Me acalentando com o silêncio
Nessa escuridão de pecado
O vento não enxuga meus olhos
Pois a noite é de prazer
Revelo a cor rubra do meu amor
Pra já mais me esquecer
Dispo-me nua e crua
Deito as margens do infinito
Me acalentando com o silêncio
Nessa escuridão de pecado
O vento não enxuga meus olhos
Pois a noite é de prazer
Revelo a cor rubra do meu amor
Pra já mais me esquecer
Daniel Boris (Jacques)
Por uma pedagogia da calçada... — por Anair Holanda Cavalcante
Quero falar um pouco sobre o final de semana, onde me encontrava em Limoeiro junto aos meus pais. A nossa casa se encontra em reforma, sendo adaptada ao atual ciclo de vida deles. Além da cozinha com uma mesa enorme adquirida para uma família de doze filhos, tem ainda seis quarto, quintal com cachorros, frutas e aves. Mas existe um espaço externo que confunde com o que é privativo à família e ao público: É a calçada que têm mosaicos lembrando o calçadão de Copacabana e árvores. No final da tarde, quando o vento Aracati sopra os nossos rostos, colocam-se cadeiras, onde meus pais ficam sentados e por alguns momentos, quase que imóveis. Com cabelos branquinhos, olhares perdidos e gestos muitos lentos sussurram alguma coisa que quase não entendo e que daqui a pouco a minha mãe pergunta: Já fizeram a janta do seu pai?
Trabalhadores, jovens, folclóricos personagens da cidade e moradores de rua passam pela calçada. O volume de sons de carros e motos substituiu as tradicionais bicicletas. Aos poucos, as pessoas acomodam-se em cadeiras ou no batente do portão com a noite. Outros vizinhos se acolhem também, enquanto alguns apenas cumprimentam e seguem. Posso ainda ouvir as conversas sobre mais um dia de trabalho, o calor e a sensação de estranhamento diante das mudanças da casa pelos meus pais.
Mas a calçada continua do mesmo jeito sendo, ainda, um espaço, onde as principais decisões familiares são tomadas e discussões políticas são colocadas. Dias desses, quase que ficou vazia. A violência com chacinas e crimes de pistolagem assustou os meus pais e a vizinhança. O medo paralisou as conversas, os saberes e as crenças partilhadas ao longo da nossa história. Já não era permitido sentar, narrar e ouvir estórias que ensinam e experiências que despertam em partilhas na calçada. São bisavós, avós, homens, mulheres, crianças que se sentam, se olham em círculo e riem da própria vida. Às vezes, em silencio, sabendo que de alguma forma, palavras são ditas e escutadas nos pequenos gestos, nos movimentos dos corpos e no olhar.
Assim, a calçada manifesta as narrativas, presenças e celebrações. No período eleitoral, é o lugar onde se defende o seu candidato escolhido, distribuem panfletos, ideias e pedem votos. As eleições no interior representam uma quebra do espaço público e privado. E as calçadas, o exercício do limite destes. Algum vizinho adversário já não cumprimenta, já não olha direito. Apenas colocam as suas decisões nos muros retratadas em cartazes e bandeiras coloridas de candidatos ou partidos. Em outros momentos, como final de ano, é grande o movimento e encontro na calçada com parentes e amigos distantes se reconhecendo no ciclo de vida transformado e transmutado, como um rito de passagem.
O conhecimento não tem tempo, nem espaço definido, nem sujeitos e objetos. Naquele instante, todo mundo aprende e ensina algo com alguém, como se as relações afetivas de vínculos e vizinhança materializasse diplomas de sabedoria retratada nas linhas de vida dos rostos dos meus pais e nos sorrisos e brincadeiras ainda inocentes das crianças.
Agostino Balmes Odísio, um civilizador no Cariri – por Armando Lopes Rafael
(1ª Parte)
Tempos tranquilos e difíceis, aqueles do final da década 30 do século XX... Os dias corriam devagar, A inexistência dos meios de comunicação, como os existentes hoje, aliada à precariedade das estradas carroçáveis, contribuía para que as populações do hinterland cearense só tomar conhecimento dos acontecimentos, ocorridos alhures, vários dias depois da ocorrência.
Os jornais de Fortaleza, por exemplo, chegavam ao Cariri com um atraso de dois dias, pois eram transportados nos barulhentos trens da Rede de Viação Cearense – puxados pela Maria Fumaça (assim denominado, por nossa população, o vagão da caldeira a vapor, alimentada por carvão ou lenha) – que faziam o percurso Fortaleza–Crato, e vice- versa, em dias alternados da semana.
A edição do jornal “O Nordeste”, órgão oficial da Arquidiocese de Fortaleza, edição da terça-feira, 28 de novembro de 1939, chegou, certamente, atrasado a Crato. E desta veio trouxe um longa e pouco elucidativa manchete: “Imitando o Cardeal de Paris, no seu programa de “estaleiros” para Igrejas”. Logo abaixo da manchete, em letras menores, o complemento explicativo: “O grande surto renovador das matrizes da Diocese de Crato”. Ilustraram a matéria da primeira página, duas fotos: uma de Dom Francisco de Assis Pires, bispo diocesano de Crato, a outra, a fachada do novo Palácio Episcopal, recém-construído. Perdido na vasta matéria este pequeno trecho: “Graças ao espírito iluminado do virtuoso prelado que governa os destinos da Diocese de Crato, as velhas matrizes vêm se remodelado em belos e majestosos templos”. E depois de citar as igrejas dotadas de “embelezamento”, descrevendo as melhorias nela introduzidas, “O Nordeste” esclareceu: “Sua Excia. Revdma. o Sr. Dom Francisco e os Revdmos. Vigários encontraram na pessoa do professor Agostinho Balmes Odisio, o complexo de aptidões para a realização dos trabalhos acima descritos”.
Tempos tranquilos, aqueles...
Mas, quem seria esse Agostino Balmes Odísio, no qual os vigários encontraram um “complexo de aptidões"? Tratava-se, na verdade, de talentoso artista, nascido na Itália, escultor, arquiteto, autor de peças teatrais e que, nas horas vagas, gostava de escrever e fotografar. Agostino Balmes Odísio viveu apenas seis anos no Cariri, entre 1934 e 1940. Neste curto espaço de tempo produziu bom número de obras de arte, fincadas no Sul do Ceará, sendo a mais conhecida a Coluna da Hora, -- foto ao lado -- com 29 metros de altura, encimada pela estátua do Cristo Redentor, esta com 6 metros – totalizando 35 metros – localizados na Praça Francisco Sá (também projetada pelo escultor italiano), em Crato, ainda hoje considerado o ícone daquela cidade e o cartão-postal mais conhecido da Princesa do Cariri.
O Cariri da década 30
Quando chegou ao Cariri, Agostino encontrou uma região promissora, embora atrasada “ano-luz” em relação ao Sudeste brasileiro, onde ele vivera os últimos vinte anos. Em Juazeiro do Norte, onde se fixou, a quase totalidade das casas não dispunha de energia elétrica, e a iluminação noturna, nas residências, era proporcionada por candeeiros com pavios, alimentados por querosene. Não havia água encanada nas casas. As famílias utilizavam grandes potes de barro para armazenar o líquido, que era transportado no lombo de jumentos. A maioria das residências era de taipa e chão batido. E mesmo as construídas com tijolo possuíam cômodos escuros, com pouca ventilação. Além disso, as residências eram destituídas de instalações sanitárias. As mais aquinhoadas possuíam, no quintal, uma “sentina”, a latrina, com um buraco aberto no chão para as necessidades fisiológicas dos seus habitantes. O mau cheiro dali exalado, vez por outra, invadia o ambiente domiciliar. Banhos? Só os “de cuia”, como eram conhecidos os asseios corporais, feitos com água contida numa lata de flandre, cujo líquido era tirado por meio de pequeno caneco de alumínio.
Não existiam hospitais no Cariri. Além do mais, a região possuía um dos maiores focos de “tracoma” do Brasil, a doença da inflamação da conjuntiva (o revestimento delgado e resistente que reveste a parte posterior da pálpebra) causada por vírus e bactérias, penalizando com a cegueira a muita gente do Cariri.
Tempos difíceis, aqueles...
(continua abaixo)
Agostino Balmes Odísio, um civilizador no Cariri -- por Armando Lopes Rafael
(2ª Parte)
A arte de Agostino
Pois foi neste cenário que Agostino construiu monumentos, reformou as igrejas, fez plantas modernas e estéticas para construções, fabricou e introduziu artísticos mosaicos de pisos, muitos, ainda hoje, embelezando os templos e residências do Sul do Ceará. Ele foi também pioneiro na introdução do marmorite no Cariri.
Em Crato, esse italiano foi autor de importantes projetos, como o Palácio Episcopal (foto ao lado, no aspecto atual com a escultura do Bom Pastor dominando a fachada do prédio) ; busto de Dom Quintino, na Praça da Sé; o altar-mor e o altar da capela do Sagrado Coração de Jesus da Catedral; gruta de Nossa Senhora de Lourdes e estátua de São Geraldo, no Colégio Santa Teresa de Jesus; altar-mor da capela do Seminário Diocesano São José, dentre outros.
Em Juazeiro do Norte, ele trabalhou na reforma da Igreja-Matriz de Nossa Senhora das Dores (hoje Santuário Diocesano e Basílica Menor) onde projetou altares e esculpiu estátuas, medalhões e painéis, a maioria até hoje conservados naquele templo, um dos mais visitados do Nordeste brasileiro.
Na sua arte, Agostino Balmes Odísio utilizava o estilo “Art Déco”, movimento das artes decorativas cultivado pela sociedade de massa que influenciou as artes plásticas e arquitetura. A “Art Déco” surgiu na década vinte do século XX e ganhou força nos anos 30, na Europa e Américas. O estilo arquitetônico mistura os princípios do cubismo como elementos clássicos. Edifícios, esculturas, joias, luminárias e móveis são geometrizados. Sem perder o requinte, os objetos adquirem decoração moderna. A “Art Déco” chegou ao Brasil em 1929, com a construção do edifício A Noite, em Copacabana, na Zona Sul carioca. Algumas obras feitas nesse estilo: o monumento do Cristo Redentor e a Estação Central do Brasil, no Rio de Janeiro; o Elevador Lacerda, em Salvador, e o Viaduto do Chá, em São Paulo.
Traços biográficos
Nascido em 1881, em Turim, Norte da Itália, Agostinho Odísio formou-se pela Escola de Belas Artes daquela cidade. Na infância, foi aluno da Escola Profissional Domingos Sávio, mantida por São João Bosco. Uma curiosidade: Agostinho assistiu – com sete anos de idade – ao enterro de Dom Bosco, falecido em 31 de janeiro de 1888. Em 1912, ele esculpiu um busto do Rei da Itália, Vito Emanuel II, conquistando o 1º lugar numa disputa por uma bolsa de estudo em Paris. Na capital francesa, foi discípulo de August Rodin, considerado, ainda hoje, o maior escultor contemporâneo. Em 1913, com 32 anos de idade, Agostinho Odísio resolveu emigrar para a Argentina, onde residia um irmão seu. Entretanto, por motivos ignorados, desembarcou no Porto de Santos, em São Paulo. De lá seguiu para Minas Gerais, onde conheceu Dosolina Frateschi (filha de italianos) por quem se apaixonou e casou, decidindo ficar no Brasil.
Durante 20 anos, produziu dezenas de obras de arte nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Em 1934, devido a problemas de saúde, foi aconselhado a residir no Nordeste, por causa do clima quente da região. Por acaso, leu na imprensa sobre a morte do Padre Cícero, e, vislumbrando oportunidade de negócios – por conta da religiosidade da população daquela cidade – veio para Juazeiro do Norte, onde residiu até 1940. Transferiu-se, em seguida, para a capital cearense, onde veio a falecer, em 1948, deixando para a posteridade diversos trabalhos que imortalizam seu nome, em mais de trinta cidades do Ceará, dentre as quais: Fortaleza, Crato, Juazeiro do Norte, Lavras da Mangabeira, Missão Velha, Barbalha, Viçosa do Ceará, Acaraú, Sobral, Baturité, Ubajara, Canindé, Bela Cruz, Quixadá, Senador Pompeu, Várzea Alegre, Iguatu, Granja e Guaramiranga.
Não padece dúvida de que, na sua passagem pelo Sul do Ceará, Agostinho Balmes Odisio desempenhou o papel de um civilizador, nesta vasta área do interior nordestino.
(Texto, foto e postagem de Armando Lopes Rafael)
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Um tempo, uma prosa - por Claude Bloc
MINHA
RUA ERA UM RIO
E lá volto eu ao tema da minha rua. A rua Irineu Pinheiro onde morei, onde muitos moraram...
Lida a história assim de fora, talvez nem
desperte a saudade de quem morou no Pimenta, em meio àquele mundo de crianças
que se juntavam em suas brincadeiras, mas espero que compreendam que escrever
sobre isto não é pieguice, mas prazer que a minha rua me dá compelindo-me falar
dela.
A Irineu
Pinheiro corre do poente para o nascente (e vice-versa). Nesta semana, um
fim-de-semana prolongado, lembrei-me mais uma vez dela e da vida que hoje corre
por ela alterando-lhe o aspecto, o movimento, a vivência.
Ontem
era uma rua quase silenciosa, mas cheia de vida. Cheia de trinados de aves e
gatos ronronando nos muros dos quintais, pontilhada, de onde em onde, por casas
(remanescentes do meu tempo de criança), dialogando entre si.
Ontem
também a via toda bordejada, nas margens, por carros adormecidos. Por entre as
calçadas, quando chovia, corria um “rio” que descia lá do Sossego e
desassossegava a vida da gente... Lá também passava nossa vidinha do dia-a-dia,
nossas estripulias infantis.
Estranhamente,
o silêncio da tarde tecido rua abaixo, descia pela minha alma tão aconchegante
que nem as brincadeiras abandonadas pelas calçadas conseguiam romper a magia.
Havia momentos para se estar só, para se adivinhar o que havia de ser amanhã:
missa, cinema, passeio pelo Granjeiro, matinal no Tênis Clube...
Certos dias, depois da chuva, o Crato se iluminava. No ar eu sempre percebia o sussurro da luz e de bandos de pequenos, quase invisíveis, insetos flutuando nos raios de sol. Todos em suspensão, em estranhas danças... Tudo na minha rua tinha um ar de encantamento. Sentia-se a magia do tempo. Sentia-se os laços de amizade apertando-se. Sentia-se a vida deslizando plácida pela nossa janela.
Deslocava-me
continuamente, por umas horas, a percorrê-la de forma total, pra lá e pra cá, em
qualquer das suas margens. Sim, nas margens, pois é disso que se trata: a minha
rua era um rio de sol, de luz que ainda se estende, desliza e corre, por onde
se pode navegar como quem desliza num sonho dourado pela saudade.
Desse
rio, sou apenas afluente, assim como todos que ali moraram nesses tempos idos.
(Re)nasço no poente de minha vida e vago pelos pontos cardeais que só eu vejo.
Insisto no verbo amar, onde tudo começou. Passo hoje pela Irineu Pinheiro e me
revigoro. Semeio o dia.
Claude Bloc
Momento da Prosa - Por Claude Bloc
Amigos e Estradas
Em muitos episódios de nossa vida
caminhamos incertos. Traçamos nossos rumos, mas nem sempre seguimos as rotas
que queremos trilhar. Essas estradas que
percorremos são como amigos: alguns indispensáveis, simples como aquela
estradinha de terra no interior, com nossos rastros marcados pelo chão. Subimos
então no alto da serra e, lá de cima, podemos avistá-la inteirinha. É aí, então,
que vislumbraremos nossos sonhos e saberemos para onde podemos ir e onde
podemos chegar. São como amigos que consideramos límpidos e confiáveis.
Outros amigos, aqueles que acabaram
de chegar, são como estradas que ainda não desbravamos: vamos nos aventurando
sem saber muito bem os seus limites... é um caminho desconhecido, mas que
sempre vale a pena trilhar.
Há amigos que parecem aquelas
estradas periféricas, aquelas que pouco usamos, pouco vemos, mas sabemos que
quando precisarmos, elas estarão lá. Que poderemos passar e cortar caminho,
mesmo que distante... Essas sempre estão em nossa memória.
E existem ainda os amigos que são
como aquelas estradas que não existem mais, mas que sempre fazem um elo entre a
nossa emoção e uma imensa saudade. Saudade de uma paisagem, de um trecho de
estrada, de um momento que deixou marcas profundas em nosso coração. Essas
estradas se foram, mas ficaram impregnadas em nossa alma...
Então, nessa viagem que é a vida,
podemos dizer que os amigos são mais do que simples estradas, são placas que
indicam a direção, são o vento que nos traz alento, são o sol que nos faz viver
e, naqueles momentos em que mais precisamos, são por vezes o nosso próprio
chão.
Claude Bloc
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