Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

ENVIE SUA FOTO E COLABORE COM O CARIRICATURAS



... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
.....................
claude_bloc@hotmail.com

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Diga-me o que pensas e te direi quem és – por Raúl Candeloro


Como já dizia o sábio, ‘diga-me com quem andas e te direi quem és’. Ele provavelmente estava referindo-se aos amigos, parceiros, sócios, etc. da pessoa em questão, mas certamente podemos aplicar a mesma lógica aos nossos pensamentos. Por mais que vivamos rodeados de gente, passamos muito mais tempo sozinhos com nossos pensamentos. E podemos certamente transformar a frase acima em ‘diga-me com que pensamentos andas e te direi quem és’.

Nossos maiores amigos e nossos piores inimigos são justamente nossos próprios pensamentos. Pensamentos podem ser melhores do que um doutor ou podem machucar mais do que uma pedra. Muita gente culpa forças externas pelos seus fracassos, quando na verdade deveria entender que pode estar sendo enfraquecido constantemente pelos seus próprios pensamentos. Nietzsche já dizia que muitas vezes a cabeça é o caixão dos nossos maus pensamentos.

Você conhece suas fraquezas? Você está disposto a aceitá-las e admiti-las? O que tem freado sua vida, impedindo-o de viver exatamente da forma que gostaria? Quando você é honesto consigo mesmo sobre suas fraquezas, e disposto a dedicar-se a trabalhar para melhorá-las, você acaba identificando um excelente caminho para melhorar e alcançar o sucesso.

Se você é criativo e tem ideias arrojadas, prepare-se para o fato de que a maioria das pessoas vai dizer constantemente que você está errado. Aí justamente reside um grande problema: por mais que tentemos evitar, temos a tendência de nos moldar à visão que os outros têm de nós.

A coisa mais fácil do mundo é ser você mesmo. A coisa mais difícil do mundo é ser a pessoa que você acha que os outros querem que você seja. A imagem que você tem de si próprio vai influenciar todos as decisões, momentos e atos do seu dia. Cada uma dessas decisões vai moldar e dar contorno à sua vida e ao mundo ao seu redor. Se você fizer apenas o que acha que deve fazer por causa dos outros, vai viver sempre insatisfeito e cheio de pensamentos conflitantes.

Um dos principais componentes da sabedoria é conhecer os limites do seu conhecimento. É preciso saber o que se sabe, e também saber o que não se sabe. As pessoas realmente inteligentes são aquelas que sabem e entendem que elas não têm todas as respostas. Pessoas realmente inteligentes estão sempre dispostas a perguntar, aprender e crescer, vendo as coisas como deveriam ser, não apenas como são.

Se você quer mudar seu mundo deve mudar seus pensamentos, disse Norman Vincent Peale, pois você acabará inevitavelmente transformando-se em tudo aquilo em que acredita. Se você acredita alguma coisa sobre si mesmo, podia nem ser verdade antes de você começar a acreditar, mas com o passar do tempo com certeza vai ser. Isso pode ser tanto uma boa notícia quanto uma má, dependendo da imagem que tiver de si próprio.

Você transforma seu amanhã pelas ações que toma hoje. Por isso você tem que tomar tanto cuidado com o que você pensa sobre si mesmo, porque você investirá todo seu tempo, esforços e tudo o que tem (e faz) buscando alcançar esse resultado – positivo ou negativo, seja ele qual for.

Citando Dale Carnegie: “Qualquer tolo pode criticar, condenar e reclamar – e a maioria faz exatamente isso”. Se você deixar seu amanhã chegar sem sua participação ativa, existem grandes possibilidades que você não goste do resultado final.

Já dizia Aristóteles que a excelência não é um ato, mas sim um hábito, porque somos o que fazemos repetidamente. Parte importante da sua autoestima é responsabilizar-se pelos próprios atos. Por mais desculpas que possamos inventar, somos o que pensamos e fazemos.
Todas as pessoas podem ser divididas em 3 grupos: os imóveis (ou imexíveis), os móveis, e os que se movem. Para sair da zona de conforto e fazer alguma coisa muitas vezes precisamos de coragem. Infelizmente tem muita gente que acha que coragem é só para super-heróis. Mas isso não é verdade. Como escreveu Robert Louis Stevenson, todo dia a verdadeira coragem tem poucas testemunhas. Mas sua coragem não é menos nobre só porque não tem uma banda tocando ou a torcida gritando seu nome.

Seja corajoso e faça o que acha que tem que fazer. Esqueça o que os outros vão pensar ou dizer. Faça o que é certo. Se for diferente, já sabemos que vai ter sempre alguém criticando. Mas somente assim você romperá barreiras e estabelecerá novos limites. Você só pode descobrir um mundo novo arriscando-se a sair do velho.

Não tem muita coragem? Não sabe por onde começar? Não tem problema. Faça como os japoneses – aplique a filosofia do Kaizen: pequenas melhorias contínuas que no final dão um grande resultado.
Existem 3 coisas que todo ser humano deve saber: o que é demais para ele, o que é de menos, e o que é certo. Encontre alguma coisa que esteja dando certo na sua vida e tente melhorá-la só um pouquinho. Não é necessário fazer alguma coisa grandiosa ou revolucionária – basta um simples detalhe, algo que você pode fazer agora mesmo. Veja só que coisa interessante: hoje é justamente um dia excelente para você melhorar só um pouquinho alguma área da sua vida.

Gandhi resumiu bem quando disse que a diferença entre nossa capacidade de fazer e o que realmente fazemos poderia resolver todos os problemas do mundo. Basta termos a coragem de pensar de forma diferente – e depois agir. Um passo por vez, um pouquinho todos os dias, e com certeza você conquistará qualquer objetivo em sua vida.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Grande caririense -- por Geraldo Menezes Barbosa (*)



Os homens se personalizam pelos seus valores positivos direcionados ao bem, ao próximo e ao amor de Deus. Fazem história.

Nesta semana, o Cariri abre o sodalício dos seus homens ilustres, por solicitação da Academia Cearense de Medicina, a fim de convidar um dos seus mais antigos profissionais, Dr. Napoleão Tavares Neves para, em Fortaleza, receber o título de Membro Honorário, "como exemplo marcante de amor ao paciente e homem de cultura invejável". Esse ato envolve a benquerença de todos os caririenses que acompanham o apostolado profissional e humanístico do decano da medicina regional e um dos mais válidos pesquisadores da história do coronelismo da região e testemunha da passagem de Lampião em terras do seu avô. Radicado em Barbalha, casado, filhos formados, participou da evolução das ciências médicas da terra dos canaviais, na construção do Hospital S. Vicente, o maior do interior do Ceará, chamado de "transatlântico branco da saúde" e, aos 80 anos de idade Dr. Napoleão vai ao consultório como um anjo da medicina e um medicador da paciência, humanismo e amor cristão a uma clientela que já se sente curada após a consulta.

Vários livros e publicações em revistas e jornais sobre história caririense, este meu velho companheiro de hotel e lutas universitárias, para sermos alguém no futuro, nos anos 40, em Fortaleza, será homenageado no dia l7 próximo, no Auditório da Reitoria da Universidade Federal do Ceará.
Nem sei como explicará sua ausência de 3 dias, aos clientes, como médico de Cristo, para tantas dores.

(*) Geraldo Menezes Barbosa
jornalista e escritor

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Rebu em Mauriti: crise da Delta promove calote e desemprego

(Reportagem publicada no jornal “Estado de S.Paulo” desta 2ª feira)

O escândalo da máfia dos caça-níqueis abalou Mauriti, uma cidade cearense de 45 mil moradores, a quase 500 quilômetros de Fortaleza. Nesse município do sertão do Cariri fica um dos principais canteiros da transposição das águas do Rio São Francisco e da Delta, construtora citada no esquema do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.


Wilson Pedrosa/AE
Animais andam livremente onde antes era o canteiro de obras da Delta

Há três anos, a empresa iniciou a obra de um trecho de 39 quilômetros de canal e passou a dar o ritmo do comércio, da política e até da agricultura local. Quando o escândalo veio à tona, no começo de abril, a construtora demitiu 80% dos seus mil operários no município, encostou os 145 caminhões, escavadeiras e tratores e rompeu contrato com as empresas agregadas, que saíram da cidade sem pagar as contas nas oficinas, lojas de autopeças e imobiliárias familiares.

Por causa do calote, a Delta e suas agregadas estão com nome sujo na feira da praça central, nas farmácias, nas mercearias e no setor mecânico. Vendas para diretores das empresas, só à vista. Na Autopeças Mauriti, o dono proibiu a entrada dos homens do consórcio. Ericon Gomes de Lima, o proprietário, diz que sofreu um calote de R$ 27,6 mil, o que o teria obrigado a demitir um dos quatro funcionários da casa.
"Não foi uma surpresa ver a Delta envolvida nessa história na TV. Eu já tinha recebido cano no ano passado. Voltei a dar bobeira e negociar. Agora, o consórcio me deu um calote de R$ 27 mil", relata Lima. "Todas as agregadas chegavam para comprar em nome da Delta, que se nega a nos ajudar a receber. É um absurdo porque foi a Delta que trouxe para cá esse comboio de ladrões", diz. "Se meu funcionário rouba, eu sou o culpado."

Tratores

Antes da chegada da Delta a Mauriti, o mecânico João Alberto Rodrigues Silva, o Dedé do Crente, e o filho João viviam do conserto da patrola da prefeitura e de máquinas dos poucos fazendeiros da região. Nos últimos anos, pai e filho passaram a consertar 35 tratores por mês. A oficina São José se estendeu para a rua, para atender à nova demanda.
Desde a interrupção das obras do canteiro do Lote 6, a 20 quilômetros do centro, o serviço na oficina se reduziu. As empresas agregadas deram calote. Dedé e o filho ainda tentaram prender um trator para garantir o pagamento, mas a empresa pressionou e teve de liberar a máquina. "Vou começar tudo de novo", lamenta Dedé. João vive a mesma angústia do pai. "O cabra ficou sem as pernas", diz.
A oficina amarga um prejuízo de R$ 10,3 mil, segundo os donos. João afirma que, na cidade, logo que o escândalo estourou, ninguém lamentou pela Delta. "Pela construtora, a gente não está achando ruim, não. A nossa vontade é que uma outra empresa venha tocar a obra", ressalta.
Há um mês, um diretor do consórcio pediu a João e a Dedé para intermediar o aluguel de cinco casas na cidade. Pai e filho bateram nas portas dos vizinhos, mas, diferentemente de anos anteriores, os moradores só aceitaram contratos com pagamento à vista e de curta temporada. "Eu respondi para os diretores da Delta que a empresa não tem mais nome limpo e só terá aluguel com dinheiro na mão", conta Dedé.

Em Quixabinha, povoado mais próximo do canteiro da Delta, a queda nas vendas chega a 80%. "Eu faturava R$ 100 por dia, mas agora não tiro R$ 20", afirma Jacinta Dantas, dona de uma pequena mercearia. O agricultor João Barbosa, que vende feijão e milho para a comerciante, diz que três filhos e dois genros perderam o emprego que tinham no canteiro. "Um bocado de filho meu foi cortado. O Chico, o Zilvan e o Erinaldo e os meus genros Valdério e Dodô não trabalham mais."
O prefeito Isaac Gomes Junior (PT) mobilizou, nos últimos dias, colegas dos municípios da região leste do Cariri para cobrar da gerência do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) informações claras sobre as obras do canal do São Francisco. Ele pretende ir junto com outros prefeitos em breve ao Ministério do Planejamento. "Precisamos de respostas mais concretas para tranquilizar as pessoas", afirma ele.

Desde abril, a prefeitura de Mauriti (CE) virou centro de peregrinação de demitidos das obras do consórcio da transposição das águas do Rio São Francisco, que repassou R$ 1 milhão em impostos, no ano passado, para a prefeitura. Nas primeiras horas da manhã, trabalhadores chegam para pedir passagem de volta a seus Estados, bilhetes para São Paulo, cestas básicas e remédios. O prefeito diz que preferia perder os impostos do que as ofertas de trabalho. "O impacto é grande não apenas na economia, mas especialmente na área social", afirma. "Não tenho otimismo de resolver o problema das pessoas sem o retorno das obras."

Até Hospital pode fechar

Sem dinheiro na praça, o hospital filantrópico da cidade que dependia de contribuições corre risco de fechar. Dos 135 leitos, 80 ainda estão em funcionamento. A chegada de trabalhadores de fora só aumentou a demanda do hospital. O prefeito Isaac Gomes avalia que as invasões e saques no comércio e escolas de agricultores famintos em tempos de seca parecem ser imagens do passado. "Não podemos deixar de enaltecer os avanços ocorridos nos últimos anos, mas a figura do boia-fria é uma realidade visível", observa o prefeito.
O canteiro da Delta em Mauriti ainda não é alvo de investigação. O Ministério Público Federal, no Ceará, já avalia possíveis irregularidades cometidas pela empresa nas obras de asfaltamento e recuperação das BRs 020, 222 e 116 e na construção das pontes sobre os Rios Jaguaribe e Cocó. As primeiras conclusões indicam que a construtora causou um prejuízo de pelo menos R$ 5 milhões apenas em fraudes nas licitações das rodovias federais que cortam o Estado.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

MENINO CAÇADOR - Marcos Barreto de Melo



Vou falar de peito aberto
Da maldade que já fiz
Porque fui menino esperto
E também muito traquino
A minha melhor brincadeira
Foi caçar de baladeira

Matei tanto passarinho
Que nem me lembro da conta
Alguns até foi no ninho
Na chegada pra dormida
Outros matei no riacho
Quando vinham pra bebida

Com a minha baladeira
Matei rolinha e campina
Quase fiz uma chacina
Pois também a lavadeira
Que serviu Nosso Senhor
Morreu de atiradeira

Até mesmo a sabiá
Tida como a majestade
Sofreu a perseguição
Pois lhe matei sem piedade
Por troféu ou vaidade
Sem ter fome ou precisão

Hoje ando arrependido
Desse tempo de horror
Por ter morto o passarinho
Que cantava inocente
Descuidado, alegremente
Atraindo o caçador




quarta-feira, 9 de maio de 2012

A rosa e os espinhos -- por José Antônio Dominguez


Quem nunca feriu os dedos ao segurar, sem o devido cuidado, um formoso "buquê" de rosas? A reação é instintiva: uma curta exclamação de dor, seguida de um leve balançar da mão. Se a picada tiver sido suficientemente profunda, logo se verá o brilho de um ponto vermelho, o qual se avoluma até se transformar num filete de sangue que vai traçando o seu caminho ao longo do dedo.

Na mente da vítima pode nascer certa perplexidade: uma flor tão bela, a rainha das flores, e com esses espinhos tão pontiagudos!... Deus não poderia ter criado a rosa sem espinhos? A pergunta é compreensível. A resposta virá mais adiante.

Já nos primeiros séculos da Igreja, a rosa passou a ser tomada, por sua beleza, como um símbolo da Virgem Maria. No hino "Akathistos Paraclisis", das Igrejas do Oriente, se canta: "Maria, Tu, Rosa Mística, da qual saiu Cristo como milagroso perfume". Também, no Ocidente, na Ladainha Lauretana, rezamos: "Rosa Mística, rogai por nós!"

Por que rosa? Por que mística? E será com espinhos?! .....

A rosa, como todos sabem, é constituída por pétalas que se sobrepõem e se envolvem numa harmonia perfeita. À medida que ela vai se abrindo, mostra gradativamente suas belezas, ocultas no interior, onde encerra o melhor de seu perfume. Se fixarmos a atenção na textura das pétalas, veremos que são de uma suavidade sem igual, evocando o modo de ser afável e acolhedor com que Nossa Senhora trata seus filhos e filhas.

As flores não emitem sons, mas, se a rosa falasse, como seria o tom de sua voz, para representar Nossa Senhora? Sem dúvida, teria analogia com o aveludado de suas pétalas...

Também, ao longo da História, o aprofundamento no conhecimento de Maria cresceu, à medida que a Igreja foi desvendando os tesouros de sua alma imaculada, tal como descobrimos a beleza encantadora da rosa enquanto vai desabrochando.

Entre as riquezas que Maria guarda no interior de seu coração virginal - tal como o encanto da rosa se esconde no âmago de suas pétalas - há graças e dons do Espírito Santo que elevam sua alma à mais íntima união com Deus.

Aos que se aproximam da Rosa Mística com admiração e devoção, Ela os faz generosamente participar de suas graças e de seus dons, inebriando- os com a fragrância de seu odor, que não é senão o próprio perfume de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Mas, e os espinhos? Não são o contrário da suavidade e delicadeza próprias à Virgem das Virgens?

São eles uma imagem eloquente da rejeição ao pecado. Lembram-nos a existência do mal.

Como nem a mais leve sombra de mancha ou imperfeição obscureceu a alma de Maria, por sua completa rejeição ao mal, Ela é o terror dos demônios, sendo representada em muitas de suas imagens calcando aos pés a Serpente. Sem perder nada da suavidade maternal com que acolhe os que Lhe pedem proteção, Ela a pisa com firmeza e superioridade esmagadora, sem baixar o olhar, sequer, para o réptil que rasteja a seus pés.

A rosa é, pois, um belo e adequado símbolo de Nossa Senhora, evocando a mais alta contemplação de Deus e, ao mesmo tempo, a repulsa intransigente ao mal. Se a rosa tivesse sido criada sem espinhos, que flor conseguiria representar tão bem essas virtudes contrárias, mas harmônicas, da alma puríssima de Maria?



Vertigem - Emerson Monteiro


Certa vez, em plena manhã de um final de ano, novembro ou dezembro, na brisa fria e suave do sopé da Serra, lia Ilusões (As aventuras de um Messias indeciso), de Richard Bach, quando fui surpreendido no peito por sentimento de abismo que invadiu a alma do mesmo frio lá de fora daquela manhã; extático, entrou pelos corredores do tórax qual visitante calmo e silencioso; e agora retorna para ser lapidado nas palavras que nascem aqui comigo. 

Mexeu, sim, por dentro, e, descuidado, acionou qualquer botão, que abriu fenda descomunal de solidão, espécie de lava gelada dos vulcões cósmicos, escorrendo medo intenso pelas encostas da montanha do ser, extrato das ausências múltiplas, misto de todas as presenças, eco de galáxias sem aparente final, porta de mergulhos individuais distantes, longe, bem longe, fora das distâncias, nos subúrbios de nossa Via Láctea. Esse tal silêncio de solenidade exótica falava nos meus ouvidos de outras eras, outros planos, dimensões estapafúrdias. Confesso medo aterrador naquele momento, vontade enorme de mais companhia, gentes aos milhares, sede das multidões, das festas, zoada, movimento, quermesses animadas, pois a dor contundia numa condição e velocidade incontidas, lâminas cortantes da matéria, espécies de chamamento às origens dos vários elementos, amálgamas de esferas rolando em plenitude. 

Busquei calor, o calor dos sóis abertos lá em cima. As pálpebras da consciência, contudo, fechavam de falta de sentido os cômodos da personalidade, para virar, logo adiante, na energia fluída de calor na pele, sem, no entanto, alimentar novas chances quanto a retornar ao presente, salvar o passado conhecido, durante a só e única Eternidade que cresceu e abraçou o mundo em torno. 

Olhava o horizonte aberto na essência de mim absorto na grandiosidade da total integração, e fatores internos convergiam, crise das individualidades postas na mesa de planície colossal, e inúmeras tradições fugiram qual névoa desfeita. Sumidas as referências até então preservadas a sete chaves, cigano das estrelas, o eu vagava desarmado pelas espirais do salão imenso, no turbilhão da queda livre, através do antigo espaço indiferente que fugiu. Palco aberto e folhas jogadas ao firmamento, mãos sangrando de absurdo e sonhos, recebiam marcas de saudades profundas, emoções avassaladoras, moléculas e perfumes, soltas pelos ares rasgados em Si próprio. Uma dor translúcida e disforme devorou, assim, doces e ferventes reações inúteis de preservação dos valores arcaicos. Guardei das lembranças o inexplicável desse testemunho, notícia maior da experiência de ver bem perto o mistério abissal das idades, razões primeiras e derradeiras dos fundamentais motivos da existência. Naquele instante, isso veio à tona na voz de forte berro aos céus, entre as letras que dançavam soltas na vista do livro, em meio ao pudor das palavras e no clarão poderoso dos raios do Sol.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Crato pede justiça -- por Pedro Esmeraldo

Não é mais de se estranhar. E todos notam a desqualificação que esse governador do Ceará dá ao Crato, uma vez que faz vista grossa aos problemas desta cidade. Haja vista que, ultimamente, nossa cidade vem sendo agastada pela falta de sensibilidade  desse ilustre político cearense.
Tudo faz crer que o eminente homem público faz vista grossa ao desejo de um povo celerado que tem raiva do Crato. Pois não seria com a complacência  do ilustre governador do estado que muita coisa foi retirada de Crato? Que estamos incorrendo – aqui no Cariri –  no mesmo erro da Região Metropolitana de Fortaleza, esta com uma cabeça enorme e o resto do Ceará  formando um corpo raquítico? 

Começa a acontecer aqui uma desigualdade, econômica e  social, visto que há desinteresse desses políticos que vem surrupiar nossos votos em defender o Crato. E a   fraqueza dos nossos eleitores impedem a projeção política da nossa terra, além de baixar a cabeça para a força do poder econômico.

Houve época que um senhor governador do estado, mostrando gabolice, querendo enaltecer o povo do Crato, disse abertamente com toda responsabilidade de homem fanfarrão, em praça pública: “Do Crato cuido eu”. Essas palavras, nunca cumpridas,  mostraram desrespeito. Lembro-me  também que houve outro cidadão – este inimigo número 1 desta cidade – o governador Plácido Castelo. Tudo fez por cidades vizinhas e deu as costas a nossa cidade. Daí se nota que os inimigos do Crato estão acordados; usam de toda artimanha para nos lograr; omitem-se em relação a algumas pessoas detentoras de poder que vivem a provocar intriga, perfídia, e, algumas vezes, até a calúnia.

Essa questão de política desqualificada vem ocorrendo há anos. Observem-se, portanto, que essa medida de desrespeito a nossa cidade é sempre mancomunada por poderosos chefões. Às vezes com palavras mentirosas, dado o aumento descomunal do seu poder, conseguem dilacerar o Crato estimulando o desprezo de algumas autoridades competentes.

Hoje, observa-se que uma horda de inimigos aparecem por aqui, no tempo das eleições, com mentiras esfarrapadas, dizendo que são amigos da cidade e que vão mudar o atual estado de desprezo a que foi relegada nossa terra.

Mas com essa conversa atoleimada pensam eles em enganar o povo com bananas e bolos, o que não entra mais na nossa mente. Já é tempo de dizer:  se não for para trabalhar em favor do Crato pedimos que não venham mais aqui.

Deixem o Crato para os cratenses! Saberemos descascar o abacaxi apodrecido que eles nos legaram. Chega de tanta lenga lenga demagógica. Chega de falsidade. Não queremos mais sofrer tanto desespero e tantas derrotas.

Senhores políticos, não queiram zombar do Crato. Não somos terra de índios. Somos uma cidade de gente civilizada, ordeira e eficiente. Fiquem sabendo senhores políticos que um pai de família quando tem uma prole numerosa, por dever de responsabilidade e cidadania, cuida dos filhos com carinho igual para com todos. Se assim não o fizer não deixará somente sequelas psicológicas nos outros filhos. Provocará um desacerto social em sua família.

Por isso, pedimos um tratamento igual ao que vem sendo dado a outras cidades. O povo do Crato está ficando amargurado com o desprezo, que vem motivando desânimo. Confiamos que isso mude. E que o Crato seja tratado com eficiência e respeito.


 

domingo, 6 de maio de 2012

Encontro de Zootecnia acontecerá em Crato


“Sua Mãe, minha Mãe” – por Maria Angélica Iamasaki

Quem me contou esta história garantiu-me ser ela verídica. Diz tê-la lido em um jornal alemão sob o título acima. Era noite, todos dormiam na apertada trincheira alemã, em plena Primeira Guerra Mundial. Todos, menos um jovem soldado. Fora extremamente fatigante aquele dia, nada mais desejava ele que descansar como os seus companheiros do batalhão, que caíram num pesado sono. Contudo, uma preocupação o impedia de dormir.

Não o inquietavam os perigos de um ataque noturno do inimigo, nem os riscos da batalha no dia seguinte, mas sim o fato de ter perdido seu escapulário de Nossa Senhora do Carmo, dado por sua mãe quando partia para a guerra.

Ele se lembrava bem que naquela tarde, depois de passar por uma cidade abandonada pelas tropas inimigas, os veículos do batalhão avançaram até uma antiga casa de fazenda localizada nas proximidades, e ali acamparam. Atrás da casa havia uma torneira e um tanque de água, oferecendo ótima oportunidade para lavar-se após um dia inteiro de combates.

O jovem pendurou calmamente a jaqueta ao lado da torneira, pôs em cima o escapulário e começou a ensaboar as mãos quando… soou o alarme, estouraram tiros de morteiro, o batalhão recebeu ordem de avançar e desalojar o inimigo entrincheirado três quilômetros adiante. Mais uma hora de combate, e ei-lo ali, alojado na trincheira recém-conquistada. Mas seu precioso escapulário tinha ficado junto ao tanque.

Voltar agora para buscá-lo, era impensável. Tentou não pensar mais no assunto e dormir um pouco, mas, não conseguindo, decidiu enfrentar o risco: levantou-se discretamente, esgueirou- se por entre as sentinelas e correu até a casa da fazenda. Lá chegando, apalpou, na escuridão da noite, a torneira, os canos e objetos ao redor, o chão… nada encontrou! Quando procurava no bolso a caixa de fósforos, ouviu uma terrível explosão. O inimigo atacava, seu dever era voltar logo ao posto de combate.

Ao chegar junto à trincheira, deparou- se com uma cena espantosa: no exato lugar onde, poucos minutos atrás, dormiam seus companheiros, havia apenas uma enorme cratera. Antes de abandonar o local, o inimigo tinha armado ali uma bomba-relógio de grande poder destrutivo. Do improvisado dormitório restavam apenas objetos irreconhecíveis, lodo e rolos de arame farpado.
Era ali que ele, há pouco, estivera deitado! Se não tivesse saído para procurar seu escapulário, também ele teria sido destroçado. Nossa Senhora do Carmo lhe havia salvo a vida!

* * *
Na manhã seguinte, qual não foi sua surpresa ao encontrar na cozinha do acampamento um companheiro de trincheira.
- Eu pensei que você também tivesse voado pelos ares!
O outro, não menos espantado de vê-lo vivo, explicou:
- De fato, eu já tinha me deitado, mas logo me levantei e fui procurar você. Enquanto andava pelo acampamento à sua procura, ocorreu a explosão.
- Bem, eu escapei por um fio de cabelo também. Mas… por que motivo você me procurava àquela hora da noite?
- Para entregar-lhe isto que você esqueceu junto ao tanque de água ontem à tarde.
Assim dizendo, devolveu ao jovem soldado o escapulário recolhido por ele na velha casa de fazenda…

(Revista Arautos do Evangelho, Agosto/2005, n. 44, p. 47)

São João - Aloísio


São João


Vou fazer uma longa prece
Aos santos do mês junho
Se precisar eu escrevo
Uma carta do próprio punho

Nesta prece eu vou pedir
A volta do meu São João
Com canjica, milho e licor
E a música de Gonzagão

E não esquecer a quadrilha
Que aqui não é palavrão
É muita dança, é festa
Completando a animação

Quero ouvir Luiz Gonzaga,
Dominguinhos e Severino
Jacinto Silva e Jackson,
O primeiro Trio Nordestino

Vamos escutar Maciel Melo,
Targino Godim, Irah Caldeira
Petrúcio Amorim, Elba Ramalho
Que é uma grande cantadeira

Zabumba, triângulo e sanfona
São os instrumentos principais
E um cantador com talento
Fazem a festa boa demais

Por isso vou agradecer
Aos santos, a Mãe Maria,
Aos que fazem o São João
Sem nos deixar nostalgias.


Aloísio 
Foto: Internet

sábado, 5 de maio de 2012

Vernissage em prol da APAE

.


 Três Artistas Plásticos,  que  representam  o  Crato  para  o  mundo sem  receber nada em troca se encontram . Cada um, em seu degrau sabe que foi com muita luta, esforço e perseverança em não desistir nessa profissão digna e tão árdua.


Parabéns pela iniciativa do artista plástico George Macário de Brito em fazer uma vernissage em prol da APAE. 


Parabéns pela  presença, do nosso grande  amigo Artista Plástico " Internacional", Bruno Pedrosa, sempre  nos  dando  força e mostrando que vale a pena acreditar no que fazemos e nunca desistir. 


Parabéns  a  APAE do Crato, pelo seu projeto de vida, que a cada dia nos mostra que  somos  todos  iguais, capazes, mas que cada ser humano é diferente. A apresentação musical dos seus alunos nos mostrou a beleza e sintonia de aprendizagem no compromisso do trabalho desenvolvido e isso nos faz acreditar na dedicação e amor desse trabalho sério.


Parabéns ao público presente que prestigiou o Artista plástico George Macário de Brito e sensibilizou - se pela causa da APAE. Eu e os artistas de todos os segmentos são convidados pelo artista plástico George Macário de Brito a doarem uma obra de arte, para ser vendida em nova e futura exposição, com 100% em prol da APAE. Agradeço ao artista fotográfico e advogado, Ricardo Saraiva "Pai Véi", por essa foto acima, e a todos blogs que prestigiam as minhas postagens.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Banda Jardim Suspenso se apresenta no Cariri em comemoração ao Dia das Mães

Banda Jardim Suspenso se apresenta no Cariri em comemoração ao Dia das Mães

A banda cearense Jardim Suspenso, fará seu primeiro show na Região do Cariri, na cidade do Crato no próximo dia 12, a partir das 22h, no Terraçus Bar e Petiscaria. A festa organizada pela Sertão Pop Produções homenageia as mães caririenses, pois acontece na véspera do Dia das Mães. Para isso está trazendo duas bandas onde a mulher é destaque: para abrir o evento Banda Godivas, do Crato, formada por mulheres e o show que elas nos apresentarão é em cima da obra de Roberto Carlos. A outra, de Fortaleza, é a Jardim Suspenso, que faz uma releitura da obra da Rainha Rita Lee. "Naturalmente será um grande evento e em um momento muito especial, pois achamos que as mães são a mola-mestra da família e portanto merecem essa grande homenagem através da música", afirma Kaika Luiz, produtor do evento. A banda Jardim Suspenso está na cena musical cearense desde 2010 e desde então vem realizando show de releitura da obra de Rita Lee e de seu ex-grupo, Os Mutantes. A banda tem se apresentado em importantes espaços culturais, eventos de Fortaleza e programas de TV. Fora da capital, já se realizaram show na Região Metropolitana e na cidade Sobral. O grupo é formado por Joanice Sampaio (vocal), Pedro de Farias (guitarra), Victor Fontenele (baixo) e Carlinhos Perdigão (bateria). Serviço: Festa do Rei e da Rainha Tributo à Rita Lee, com a banda Jardim Suspenso (Fortaleza) Tributo a Roberto Carlos, com a banda Godivas (Crato) Terraçus - Bar e Petiscaria Dia 12 de maio, a partir das 22h Av. Pedro Felício Cavalcanti - 1969, 63106-010 Crato-CE Info: (88) 9666.9666 (88) 3521.5398 (88) 8824.2131

Matéria publicada no blog Sobreart do jornalista Marcus Peixoto.
http://sobrearte-marcuspeixoto.blogspot.com.br/2012/05/banda-jardim-suspenso-se-apresenta-no.html

quarta-feira, 2 de maio de 2012

RECADO DOS PÁSSAROS - Marcos Barreto de Melo


chegado o mês de São João
os pássaros do baião
fizeram uma reunião
pra discutir a questão

procuraram Gonzagão
e numa noite enluarada
o nosso Rei do Baião
recebeu a passarada

estavam lá reunidos
acauã, o assum preto
asa branca, o sabiá
galo campina, o carão
a peitica e o bacurau
todos pra guerra munidos

a prosa foi demorada
e depois de muito acerto
mandaram dar um aperto
nessa turma enjoada
junto com este recado
um tanto desaforado

que pra ser bom forrozeiro
tem que entender do riscado
dançar baião e xaxado
e que esse povo interesseiro
que canta só por dinheiro
respeite o rei do baião

Caixa de boas novidades - Emerson Monteiro






O fotógrafo Augusto
Pessoa, paraibano com trânsito livre e constante pelas terras cearenses, é quem
traz o presente, essa caixa contendo o livro Nordeste desvelado, de fotografias suas colhidas nas andanças nesta
Região do Brasil, e o cd Nordeste oculto,
que contém peças musicais do grupo Crabuêra, da mais fina flor de sonoridade do
âmbito desta parte de mundo, numa embalagem primorosa de cores e desenho.




Eis a Arte em momento apreciável
de real importância. Nordeste desvelado
transmite fiel a face da nossa gente com vigor e propensão, algo no nível
técnico da qualidade dos meios modernos da comunicação gráfica, qual o que se
espera dos artistas em tempo de tecnologia avançada. Isso visto de fora para
dentro, do espectador para a cena posta no palco das imagens recolhidas e do
objeto mercantil. No sentido inverso, do conteúdo ao prazer de quem olha /
escuta, olhará / escutará, grata surpresa lhes aguarda, apreciadores da melhor
Arte (de letra maiúscula e tudo).




Um presente digno de
nota alta revela a caixa do Nordeste Oculto / Desvelado, pelo bom produto que
carrega no seu interior. Do livro de fotografias de Augusto Pessoa, que testifica
a viagem transcendental das visões (Visagens, como o Autor denomina) através do
sagrado das tradições, dos benditos, das festas populares e religiosas, da
religiosidade perene de um povo sertanejo nordestino, virtuoso nos sonhos e na confiança
do Deus dos simples, e doutras partes do mundo, o que se pode viver / ver intensamente,
pela profusão das tonalidades, imagens, dos movimentos e ângulos desse jovem já
reconhecido mestre da fotografia brasileira. 




Augusto César Cunha Pessoa
nasceu em 1974, em Campina Grande PB. Jornalista e fotógrafo, atua
profissionalmente desde 1994, integrando equipes de diversos jornais
nordestinos. Atualmente trabalha como free-lancer para tais revistas National
Geographic
, Vida Simples, Caminhos da Terra, Horizonte
Geográfico
, entre outras. Prêmios: Abril de Jornalismo (2008); Um
olhar sobre a cultura popular nordestina
(2007); Pérsio Galembeck de
Fotografia
(2010); Paraíba dos seus olhos (2007-2009); AETC
Jornalismo
(2006 e 2007). Publicações: Capital iluminada [com a
arquiteta Lis Cordeiro Alves]; INTI (fotografias sobre os Andes, 2009).
Exposições: Casa Grande, uma viagem aos encantos da Chapada do Araripe (Nova
Olinda-CE, 2010); Fotografia em revista (0 anos de fotografia da Editora
Abril) (São Paulo, 2009); Guajás, os últimos nômades (Maranhão, 2008); X
Fenart
(Funesc, 2004). 




Quanto ao grupo
musical Cabruêra, parceiro de Augusto Pessoa nesta caixa de fábulas
inesquecíveis, dele trataremos em breve.


Desejo, por agora, no
entanto, aos agraciados com tamanha oportunidade de viver bom gosto o melhor
dos prazeres culturais...  


terça-feira, 1 de maio de 2012

Força maior do Universo - Emerson Monteiro

Há, sim, novidades entre o céu e a Terra, dentre as quais uma grandiosa, que se destaca por seu valor descomunal. Maior que tudo, de todas, e maior das imaginações; amálgama e poder agregador infinito nas composições dos ingredientes; o Amor, que nutre as engrenagens desse fluir imenso e monumental Universo.
Na concepção da poesia, das religiões, dos calendários, o Amor bem representa nas palavras esse termo do que não pode ser dito, porém muitos se aventuram no propósito da ânsia incontida do dizer indizível. A porta das tradições, revela o panorama dessa força poderosa, transformadora, que neutraliza inutilidades e contradições dessa raça de sábios impacientes. Amor, luz das emergências, alimento dos deuses, sonho dos profetas. 
Andasse na sombra dos laços e das armadilhas deste mundo, e o Amor sacralizaria o palmilhar das estradas. Salvaria qual nenhuma outra poção por mais mágica fosse e panacéia que servissem de curar todos os males. Viajaria o tempo e mergulharia os mares, transmitindo a vitalidade das vidas, o ordenamento dos sistemas, revelando capacidade indestrutível dos heróis e o carinho abençoado das mães.
Amor, que sobreviverá aos milênios das fugas, na absoluta serenidade dos crentes, e penetrará a órbita dos derradeiros astros das galáxias, sem fronteira que lhe contenha a sede insaciável das distâncias, foco maravilhoso dos sóis. 
Amor, assim, claridade exponencial, perfeita e verdadeira. Esse hálito que envolve as crianças, os anciões e as manhãs da pura transcendência dos santos no instante das iluminações. Fala dos pássaros, perfume das flores, cores maviosas dos nasceres e pores do Sol sempre belo e perfeito. Amor dos seres, das moléculas, do eterno abraço do movimento das marés inesgotáveis.
Algumas frases que só tornariam suficiente contar a história da geração das tantas pessoas, nesse caudal das vivências e suas experiências imortais, caminho das famílias e dos grupos na escola das eras. 
Sentir, por isso, a lembrança do paladar dos melhores sabores, o gosto auspicioso desse alimento Maior de todos eles. O sentimento da excelência, do sucesso. Amor que rompe os inevitáveis e eleva a Esperança nos dias supremos que chegam suaves pelas malhas deliciosas do vento. Simplesmente o Amor, rei das emoções e Senhor dos amores, seus filhos queridos.