Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


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terça-feira, 24 de novembro de 2009

25 de novembro de 1960 e "Las Mariposas"


Irmãs Mirabal

Patria Mercedes Mirabal (27 de fevereiro de 1924 —25 de novembro de1960 ), Minerva Argentina Mirabal (12 de março de 1926 — 25 de novembro de 1960) e Antonia María Teresa Mirabal (15 de outubro de 1936 — 25 de novembro de 1960) foram dominicanas que se opuseram à ditadura de Rafael Leónidas Trujillo.

Patria Mercedes: nasceu em 27 de Fevereiro de 1924, data da Independência da República Dominicana, motivo pelo qual recebeu o nome de Patria. Artista por natureza, desde pequena tinha afeição pela pintura, na qual se refugiava nos momentos íntimos e trágicos de sua vida, criando obras de singular beleza, ternura e harmonia. Terminou seus estudos de ensino médio e se graduou em datilografia. Apesar de não haver frequentado a Universidade, a sólida base de educação familiar a converteu em uma mulher culta e desenvolta socialmente. Casou-se muito jovem, com 17 años, e dessa união nasceram: Nelson Enrique, Noris Mercedes, Raúl Ernesto e Juan Antonio, que morreu com cinco meses. Sofreu todo o rigor e a brutalidade da tirania, vendo destruído seu lar, mas seu caráter doce e terno não a arrastou à amargura. Estava consciente de sua luta.

Minerva Argentina: nasceu en 12 de Março de 1926 e desde a infância se destacou por sua inteligência. Em 1946 graduou-se em Bacharel em Letras e Filosofia. Seus amigos a admiravam e a queriam por seu caráter jovial, alegre e sincero e a respeitavam por sua inteligência e amplos conhecimentos culturais. Graduada em Direito, a quem Trujillo não queria entregar o diploma e quando o fez não le permitiu exercer sua carreira, era uma estudante fora de série. Tinha um caráter firme e decidido. Na Universidade conhece seu marido, se casa em 1955, e tem seus filhos, Minu e Manolito. Havia sido presa já em 1949 e 1951, e foi também em janeiro de 1960 junto com seu esposo, Manolo - lider do Movimento político "14 de Junho" - e seus cunhados. Nesse mesmo ano foi libertada,mas voltou a ser presa, com sua irmã María Teresa. Foi condenada a 5 anos de prisão, pena que foi rebaixada a 3 em apelação. En 8 de Agosto de 1960 foi libertada. Hoje a Facultade de Ciências Jurídicas da Universidade Autônoma de Santo Domingo, a mais antiga do Novo Mundo, leva seu nome.

Antonia María Teresa: a mais jovem, nasceu em 15 de Outubro de 1936. Mimada por seus pais e irmãs, inteligente e abnegada aos estudos, em 1954 se gradua bacharel em Matemáticas, no Liceo de San Francisco de Macorís. Esse mesmo ano ingresa na Facultade de Matemáticas da Universidade de Santo Domingo e obtém o título de Agrimensora, a inteligentíssima Engenheira Civil. Em 1958 se casa, e no ano seguinte, nasce sua filha, Jaqueline. Tenaz, valente e atrevida, foi presa pela primeira vez en 20 de Janeiro de 1960, levada à fortaleza militar de Salcedo, foi posta em liberdade nesse mesmo dia, para ser presa novamente, no dia seguinte. Foi libertada em 7 de Fevereiro. Em 18 de Março, mesmo sofrendo de uma bronquite aguda, é presa novamente. Junto com Minerva e outros companheiros, é condenada a cinco anos de prisão, pena que foi rebaixada em apelação para três anos.

As irmãs Mirabal cresceram em uma zona rural, no município de Salcedo (hoje província). Quando Trujillo chegou ao poder, a família das irmãs perdeu a casa e todo o seu dinheiro. As irmãs acreditavam que Trujillo levaria o país ao caos econômico e, então, formaram um grupo de oposição ao regime se tornando conhecidas como "Las Mariposas" ( As Borboletas ).



Foram presas e torturadas várias vezes. Apesar disso, continuaram na luta contra a ditadura. Trujillo decidiu acabar com Las Mariposas em 25 de novembro de 1960, enviando homens para interceptar as três mulheres quando iam visitar seus maridos na prisão. "Las Mariposas" foram pegas desarmadas e levadas para uma plantação de cana-de-açúcar, onde foram apunhaladas e estranguladas.

Trujillo acreditou que havia eliminado um grande problema, mas o assassinato teve péssima repercussão. A morte de Las Mariposas causou grande comoção na República Dominicana e levou o povo dominicano a ficar cada vez mais inclinado a apoiar os ideais de Las Mariposas. Esta reação contribuiu no despertar da consciência do povo, e culminou no assassinato de Trujillo em maio de 1961.

No Primeiro Encontro Feminista Latino-Americano e Caribenho de 1981, realizado em Bogotá, Colômbia, a data do assassinato das irmãs foi proposta pelas feministas para ser o dia Latino-Americano e Caribenho de luta contra a violência à mulher.

Em 17 de dezembro de 1999, a Assembleia Geral das Nações Unidas declarou que 25 de novembro é o Dia Internacional da Eliminação da Violência Contra a Mulher, em homenagem ao sacrifício de Las Mariposas.



Em 1995, a escritora dominicana Julia Álvarez publicou o livro No Tempo das Borboletas, baseada na vida de "Las Mariposas", e que em 2001 se tornou um filme. A sua história é também recordada no livro A Festa do Chibo, do peruano Mario Vargas Losa.



Obtido em "http://pt.wikipedia.org/wiki/Irm%C3%A3s_Mirabal

25 de Novembro: Dia Internacional contra a violência a mulheres e meninas*
Terça-feira, 25 de novembro de 2008 - 14h33min
por Adital

O que aconteceu no dia 25 de novembro de 1960 ?

Minerva e Maria Teresa foram visitar seus esposos na prisão, em companhia de sua irmã Pátria. Foram interceptadas em um lugar solitário do caminho pelos agentes do Serviço Militar de Inteligência. Conduzidas a um canavial próximo, foram objeto das mais cruéis torturas, antes de ser vítimas do que foi considerado o crime mais horripilante da história dominicana. Cobertas de sangue, destroçadas a golpes, estranguladas, foram colocadas novamente no veículo em que viajavam e jogadas em um precipício, com a finalidade de simular um acidente. O assassinato das irmãs Mirabal produziu um grande sentimento de dor em todo o país. Porém, serviu para fortalecer o espírito patriótico de um povo desejoso de estabelecer um governo democrático que garantisse o respeito à dignidade humana.

A memória dessas valentes irmãs mártires que arriscaram suas vidas e as ofereceram efetivamente pela causa da mulher nos enche de esperança e nos dá força para continuar lutando por uma sociedade igualitária na qual mulheres e homens possamos viver em fraternidade humana.


* Publicado em Coyuntura 63 - Enviado por Carlos Morales Monzón, Diretor The Media Services.

Pedro Mir, o grande poeta nacional dominicano, em seu poema "Amém de Mariposas", de 1969, expressa de forma singular, única e poeticamente eternizada, o que significou a tragédia do assassinato das três heroínas (em espanhol).

http://www.cladem.org/portugues/regionais/Violenciadegenero/Circ2002/violen09p.asp

Imagens

Google - Imagens

PS.Vale a pena assistir ao filme que tem o mesmo nome do livro, " No Tempo das Borboletas",pois,embora romanceado, nos dá uma idéia do que foi a Ditadura de Trujillo.

Um comentário:

socorro moreira disse...

Matéria Espetacular !!!
Abraços, menina.