Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


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domingo, 8 de maio de 2011

Reconhecimento de um filho – Por Carlos Eduardo Esmeraldo.

Neste “Dia das mães” me emocionei por demais ao ler esta mensagem de um filho à sua querida mãe: “Mamãe, devo muito do que sou a você, que com bondade, sensibilidade e senso de justiça, me ensinou a ser justo e ético com as pessoas e com o mundo. Obrigado e feliz dia das mães.”
Como seria bom se todos os filhos tivessem esse nível de reconhecimento! Foi isso mesmo que senti com minha saudosa mamãe, mas não escrevi um texto tão bonito quanto esse e hoje já não mais a tenho para dizer algo semelhante!

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

sábado, 31 de julho de 2010

Como entender um mistério? – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Há alguns dias, eu e Magali fomos convidados para falar para um grupo de jovens casais que se preparavam para a cerimônia de seus casamentos. É claro que além da nossa experiência pessoal, consultamos alguns livros. Num deles, vi algo que muito me emocionou e me transportou aos meus oito anos de idade, nas aulas de catecismo da minha querida e saudosa tia Esmeraldina, a irmã mais velha da minha mãe. Naquela época, eu me preparava para fazer a minha primeira comunhão. De repente, minha memória me fez ouvir a voz da tia Esmeraldina me perguntando sobre o mistério da Santíssima Trindade: O Pai é Deus? O Filho é Deus? O Espírito Santo é Deus? A cada uma dessas perguntas eu respondia sim, sem nada entender. E acredito que ninguém ainda hoje entenda tais mistérios. Mas lendo o livro “Os Sacramentos” de Dom Hilário Moser*, encontrei uma definição de Deus que satisfaz a quem pensa como eu, em aceitar a existência desse mistério principal da nossa fé. Abaixo, tomo a liberdade de compartilhar com aqueles que se deram ao trabalho de ler até aqui o que rabisco, a mesma emoção que eu senti ao ler as palavras de Dom Hilário.

“O nosso Deus não é um Deus solitário, é um Deus-Família. Ele é Pai que tem um Filho. E o amor que vai do Pai ao Filho e do Filho ao Pai é tão perfeito que é uma Pessoa, o Espírito Santo. Assim, em Deus há uma contínua corrente de amor entre as três Pessoas divinas. O Pai está todo voltado para o Filho, o Filho está todo voltado para o Pai, e o Espírito Santo mantém Pai e Filho voltados um para o outro. Este é o grande mistério da Santíssima Trindade. É difícil para nós, criaturas, entender esse mistério, mas assim é o nosso Deus e é assim que a Bíblia nos fala de Deus.”

Descobrimos que essas sábias palavras têm tudo a ver com a formação de uma família, onde o amor deve fluir entre o casal e os filhos, da mesma forma que circula na suprema divindade. O amor do marido para a mulher, o amor da mulher para o marido deve ser tão intenso quanto o amor dos pais para com os filhos e dos filhos para com os pais. Isto nada mais é que o reflexo do amor de Deus atuando sobre a família. Se todas as famílias do mundo colocassem esse mistério em suas vidas, vivendo sob o influxo do Espírito Santo, certamente não existiria tantas agressões entre os seres humanos, não haveria guerras, exploração do homem pelo homem e a pobreza; não somente a pobreza material, mas principalmente a pobreza moral, a maior de todas as misérias.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

* (Dom Hilário Moser é bispo emérito de Tubarão SC)

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Ajuda humanitária - Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

É bom saber que a humanidade, apesar de todos os problemas como violência, individualismo, fome, miséria, drogas e muitas outras mazelas, não está perdida. A esperança no ser humano nos anima a acreditar que o mundo pode ser transformado através do amor. A solidariedade das pessoas neste momento de grande sofrimento dos moradores das cidades de Alagoas e de Pernambuco, vítimas das enchentes, que perderam além de familiares, tudo que adquiriram durante toda uma vida de trabalho, é sinal da presença de Deus no coração humano. Deus está sempre presente na vida dos sofredores e oprimidos.

Quando um fariseu perguntou a Jesus qual era o maior mandamento da Lei, Jesus respondeu: “Ame ao Senhor seu Deus com todo seu coração, com toda a sua alma e com todo seu entendimento. Esse é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a esse: Ame ao seu próximo como a si mesmo. Toda a Lei e os Profetas dependem desses dois mandamentos.” (Mt 22, 34-40). Os fariseus estavam questionando sobre leis, deveres e obrigações. Jesus respondeu falando de amor. Sabemos que o amor não é obrigação, é sentimento que nasce do coração e gera satisfação pessoal. Na época de Jesus, o povo judeu estava subjugado a mais de 600 leis, das quais 365 eram proibições. Era um fardo pesadíssimo que nem os próprios sacerdotes cumpriam. Jesus queria que os fariseus entendessem que o ser humano deve trocar a lei opressora pelo amor e em conseqüência a obrigação pela satisfação. Ele desejava que os fariseus compreendessem que além de amar e entregar a nossa vida a Deus, nós devemos amar ao próximo como a nós mesmo. Se amarmos a Deus com total entrega, também nos entregaremos àqueles que são a sua imagem e semelhança. É no momento dessa tragédia, que ocorreu com os moradores de algumas cidades de Alagoas e Pernambuco, que devemos refletir sobre o exercício da solidariedade, que é o amor que Jesus nos mostrou através desses dois mandamentos citados acima.

Muito me sensibilizei ao assistir o noticiário e ouvir uma menina de três anos nos braços do pai, dizendo ao repórter: “eu quero a minha casinha”. Sabemos que o governo já tomou as primeiras medidas para reconstruir as cidades e a vida daquelas pessoas, mas cada brasileiro pode fazer a sua parte.

É animador saber que todo o Brasil está se unindo para ajudar as pessoas desabrigadas por tão grande tragédia. Quando o ser humano se liberta do egoísmo, acontece o milagre da abundância. Ninguém morre de fome por ajudar a matar a fome de alguém. Ao contrário, a sabedoria popular diz que quando nos doamos a alguém, recebemos em dobro, embora não devamos fazer a caridade pensando em receber algo em troca. Como diz o Evangelho segundo Mateus: “Quanto a ti, ao dares esmola, ignore a tua mão esquerda o que faz a direita, a fim de que tua esmola fique no segredo; e teu pai, que vê no segredo te retribuirá.” (3,6-4).

Quando nos dispomos a ajudar alguém sentimos o nosso coração leve pela alegria de servir. Por isso vamos nos dirigir ao um posto de coleta da nossa cidade, e doar com o coração o que podermos partilhar. Não importa a quantidade, até um quilo de alimento serve. O importante é que a “união faz a força”, e o pouco se torna muito quando é ofertado com amor.

Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Um Brinde a Amizade - Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

A amizade é muito importante na vida das pessoas. Ninguém vive sozinho. O ser humano precisa do outro. A amizade verdadeira, sincera e madura é aquela em que aceitamos os amigos com defeitos e qualidades e vice–versa. Os amigos verdadeiros sempre nos apóiam nos momentos alegres e tristes. Quem tem bons amigos, mesmo que sejam poucos, deve agradecer a Deus essa dádiva que Ele nos oferece.

Sempre procuro agradecer a Deus os amigos que tenho. Recentemente passei por um momento triste com o falecimento da minha mãe. E os meus amigos me apoiaram e me confortaram. Serei eternamente grata a todos. Tantos os amigos de Crato como os de Fortaleza se solidarizaram comigo através da presença, dos e-mails, dos comentários nos blogs e dos telefonemas. Amigos de verdade se alegram com a nossa felicidade e nos consolam nos momentos tristes.

Participando aqui dos blogs da região, reencontrei amigos e amigas de infância e construí novas amizades, que prezo muito. E o que é mais importante, a amizade está acima das diferenças de opinião. Nada impede de que eu seja amiga de alguém que tenha o pensamento político diferente do meu, professe outras religiões ou não tenha crenças. É fundamental que respeitemos a pessoa e suas diferenças.

A sabedoria popular nos ensina que: “quem tem um amigo tem um tesouro”, “mais vale um amigo na praça, do que dinheiro na caixa”.

Na Bíblia há muitas passagens sobre a amizade. No livro dos provérbios encontramos as seguintes citações: “Assim como os perfumes alegram a vida, a amizade sincera dá ânimo para viver." (Pv27,9), “Algumas amizades não duram nada, mas um verdadeiro amigo é mais chegado que um irmão”( Pv18,24).

Em todos os tempos as pessoas se preocuparam com a convivência fraterna. E nos dias atuais isso é muito importante, pois nossa sociedade está muito violenta. Não poderia ser diferente com as pessoas que viveram na época em que a Bíblia foi escrita.

Jesus em toda a sua vida viveu cercado de amigos. Chorou quando Lázaro morreu (Jo 11,35). Chorou pelo amigo e veio lhe trazer a vida de volta. Jesus quando ressuscitou Lázaro pediu aos presentes que o desamarrassem soltando os panos que o envolvia. Com essa ação libertadora Jesus nos convida a continuar a sua pratica, desamarrando todos os laços que prendem as pessoas a uma a situação de morte.

Jesus nos disse ainda: “O meu mandamento é este: amem-se uns aos outros, assim como eu amei vocês. Não existe amor maior do que dar a vida pelos os amigos. Vocês são meus amigos, se fizerem o que eu estou mandando. Eu já não chamo vocês de empregados, pois o empregado não sabe o que o seu patrão faz; eu chamo vocês de amigos porque eu comuniquei a vocês tudo o que ouvi do meu pai.” (Jo 15, 12-15). Jesus nos convida ainda hoje a desenvolver o amor e, quer de cada um de nós uma adesão livre, de amigos, não de servos. Jesus é o amigo que dá a vida pelo amigo. A amizade é dom de Deus e a vontade de Jesus é que testemunhemos o amor de Deus.

Todos nós que temos bons amigos somos privilegiados. Convido a todos a brindar a amizade e homenagear os amigos sinceros, que nos alegram, animam nossa vida e contribuem para a nossa felicidade.

Por Magali de Figueiredo Esmeraldo


sexta-feira, 4 de junho de 2010

E os cobras, onde estão? – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Dedicado ao primo e amigo José Flávio Pinheiro Vieira
Não faz muito tempo que as cidades do Cariri não tinham uma universidade. Muitos cratenses, por falta de recursos, não conseguiram concluir um curso superior por não existir na região aquele que correspondesse à opção desejada. Outros concluíam os cursos de Economia e Direito, ou os de formação para professores até então existentes no Crato, como História, Letras, Geografia e Ciências. Para os pais era um sacrifício incalculável manter os filhos estudando em um grande centro. Muitas famílias cratenses foram forçadas a migrar do Crato para Recife, Salvador, Natal, Fortaleza, João Pessoa e outros centros universitários para acompanharem os filhos que para lá seguiam, a fim de obterem uma formação profissional. Isso representava um grande prejuízo para a região, que se empobrecia com a partida de preciosos valores humanos.

O professor Manoel Batista Vieira, carinhosamente conhecido por Vieirinha por todos os cratenses, fazia parte da linha de frente de excelentes mestres que consagraram o Crato como cidade pioneira na educação no interior do Estado e centro cultural do sertão nordestino. Durante muitos anos ele lecionou latim e português em vários colégios do Crato.

A história a seguir me foi narrada pelo primo e cunhado Huberto Esmeraldo Cabral e confirmada pelo filho do Professor Vieirinha, o médico José Flávio Pinheiro Vieira.

Quando os filhos do velho Vieirinha precisaram ingressar na universidade, ele decidiu acompanhá-los. Requereu a aposentadoria e mudou-se para capital pernambucana.

Para o professor Vieira, homem afeito às coisas do sertão, acostumar-se a viver numa grande cidade foi uma dificuldade indescritível. Sua vida ali, no meio de tantos rostos estranhos, fazia com que para ele, os dias se arrastassem como se fossem séculos. Até que um dia, viu um aviso para seleção de professor de português para um colégio da rede pública. Após muito matutar, e incentivado pelo amigo Monsenhor Rubens Lócio, resolveu se inscrever. Ao chegar à mesa de inscrição, a funcionária perguntou de onde ele era e se possuía experiência como professor. Ele mostrou toda a documentação comprobatória, afirmando que era cearense de Várzea Alegre e lecionara por alguns anos nos colégios do Crato, conforme ela poderia observar em sua documentação. Ao verificar que ele era do interior cearense, a funcionária encheu-se de superioridade e desejando intimidá-lo perguntou: “O senhor vai ter coragem de se inscrever? Aqui só tem cobra!” E o professor Vieirinha respondeu: “É moça, não custa nada “os minhocas” enfrentarem ‘os cobras’.” As palavras daquela funcionaria encheram de brios o professor Vieira, que fez uma revisão apurada de todo latim e português, que havia aprendido em anos de estudos no Seminário do Crato e no Seminário Maior de Fortaleza, onde concluíra teologia.

Após prestar as provas exigidas pelo concurso, no dia marcado para divulgação do resultado, o professor Vieira voltou ao local onde fizera a inscrição e procurou a mesma funcionária. Ela começou a consultar a lista dos aprovados, procurando encontrar o nome dele de baixo para cima. E ele observava: “Olhe mais em cima, moça”. E ela continuava olhando os nomes em ordem decrescente. Quando já percorria a metade da folha, ela lhe disse: “É, parece que o senhor não passou!” E o nosso Vieirinha insistia: “Mas moça, olhe mais em cima, por favor. Bem mais em cima!” Ela, a contragosto, obedeceu, até que chegou ao topo da lista. E tomada de grande surpresa, exclamou: “Puxa! O senhor foi aprovado em primeiro lugar!” E nosso Vieirinha com a humildade e misto de bom humor que lhe eram característicos, perguntou: “Moça, e os cobras onde estão?”

Por Carlos Eduardo Esmeraldo