Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

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sábado, 17 de outubro de 2009

Meu Pé de Pequi Mora Comigo!





Entre 8 a 9 anos atrás quando nos mudamos para nossa casa definitiva, encontramos no quintal um pequeno sitio. E para minha alegria lá encontrei um famoso Pequizeiro. Fizemos a brincadeira de cada filho escolher sua fruteira preferida. Eu, por motivos óbvios e degustativos escolhi o Pé de Pequi. Suas ramagens ( algumas ) se arrastam pelo chão, invadem a casa do vizinho, as vezes faz disparar até a cerca.

Só não colho o próprio com a mão porque existe uma ciência que diz o seguinte: se arrancarmos o pequi antes dele cair naturalmente, ele vai “amargar”. Então tenho que esperar a “despencagem” de cima; ou que caiam dessa galha beirando o chão.

Resolvi gravá-la em fotos, pois pode-se ver as flores e os primeiros pequis ainda criança. Eles possuem o sabor do Pequi do Arisco, como falam os especialistas no assunto: Os ilustres Pequizeiros.

Gostar de pequi tem uma particularidade: ou você gosta definitivamente ou não gosta! Não existe a possibilidade de gostar mais ou menos, ou gostar só um pouquinho.

Eu sou uma autêntica apreciadora do fruto. Portanto, breve teremos Pequizada aqui em casa!

Quem são esses garotos?

Aleatoriamente, capturei esta imagem que reune uma então garotada do Crato. A época, deve ser início dos anos 80. Pela legenda, identifiquei três deles, irmãos entre si. Socorro Moreira sabe muito bem de quem se trata.

Crédito da foto: www.inovavox.com

Canção do Amanhecer

Cadeiras na calçada

Travessa da Penha
..."A ruazinha modesta
É uma paisagem de festa
É uma cascata de luz"
.
"Eu sou plebeu ela é nobre
Não vale a pena sonhar"...

"Mas se fui pecador
Condeno a lua
Que abandonou a rua
E fugiu com o luar"

"Nos cigarros que eu fumo
Te vejo nas espirais
Nos livros que eu tento ler
Em cada frase tu estás"


..."Eu não sei por que razão
a gente precisa acordar
Quando o sonho é tão bom"

Fotos por Claude Bloc e Socorro Moreira

"...vem olhar
Esta noite amanhe.....cer
Iluminar...
Aos nossos passos tão sozinhos
Todos os caminhos
Todos os carinhos
Vem raiando a madrugada
Música no céu... "

Balada na Calçada


Serenata...
Travessa da Penha para o Cariricaturas

Vale a pena esperar para ouvir e ver o vídeo. Demora um pouco a abrir .
.
**************
Rua enluarada
Vozes na calçada
Estrada da poesia...
.
Hugo Linard
Visão em todos os dedos
Tons em todas as cores
Ouvido absoluto.
.
Peixoto, voz de veludo
E o contraponto do grupo:
Socorro, Claude,
Rosineide, Edmar
Luiza, Ronaldo
Lourdes...
.
Vizinhos no silêncio
Música de acalanto
E a noite
foi passando.
.
*****************
.
Texto por Socorro Moreira
Vídeo por Claude Bloc

Respondendo ao desafio - foto por Claude Bloc

O que sentes ao olhar a imagem?


Ângela Lôbo disse...

Uma vontade enorme de cantar: "Senhor, meu Deus, quando eu maravilhado, fico a pensar nas obras de Tuas mãos: o céu azul, de estrelas pontilhado e o Teu poder mostrando a criação.

ENTÃO MINH’ALMA CANTA A TI, SENHOR, QUÃO GRANDE ÉS TU, QUÃO GRANDE ÉS TU!!!

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Maria Amélia Castro disse...


Uma sensação de protenção:Um vale coberto de nuvens brancas, cinzas e azuis protegendo o verde e o relevo.
maria amélia

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Corujinha Baiana disse...

Paz
Quietude
Meditação

Ilusão de Ótica .

Aquecimento global
Efeito estufa
Alterações climáticas
Elevação do nível dos mares
Tormentas
Extinção de espécies.

A “borboleta” ameaça
Nova Era Glacial.

A “Grande Estrela” apagará
Trevas
Um novo “Big Bang”
Luz.

“Gaia” pede socorro!

Será a Des – Ordem no Caos ?!!!

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ANTROPOFAGIA BANGUELA disse...

FOTOGRAMA I
PÉ DE MOLEQUE


Quando vejo uma nuvem
Pesando o azul do céu
Lembro-me da grande vaia
Que o sol levou ao léu
Na praça do Ferreira
Nunca vi tanta asneira
Ver na vaia um troféu

Sendo assim vou defender
O meu Astro Rei querido
Que sempre teima em nascer
Alheio a todo alarido
Do cearense moleque
Que teima em abrir oleque
Do alienar preferido

FOTOGRAMA II
ABOBRINHAS METAFÍSICAS

Montanhas são catedrais
Que deixam a gente miudinho
Na raridade da paz
Do nosso lindo mundinho
Flutuando no vazio
Enfrentando o desafio
De ser somente um pontinho

Ulisses Germano

Frédéric François Chopin




Chopin nasceu no dia primeiro de março de 1810 em Zelazowa Wola, cerca de 10 quilômetros de Varsóvia, capital da Polônia, recebendo o nome de Fryderyk Francizek.

Quando Chopin tinha dez meses, o pai mudou-se para Varsóvia, onde passou a lecionar no liceu da nobreza e numa escola militar.

A educação musical de Chopin começou em seu próprio lar, onde todos apreciavam cantar e tocar: sua mãe e sua irmã Luísa dedicavam-se ao piano; o pai , ao violino. Aos seis anos o menino tentava reproduzir o que ouvia e criar novos sons; aos sete, após receber algumas lições de sua irmã Luísa, pôde ter seu primeiro mestre: Wojciech Zywny. Um ano após, Chopin já se apresentava em público, dada a sua extraordinária facilidade para o piano. Desta época datam os seus primeiros trabalhos: duas polonaises, mazurcas, variações e um rondó.

Os estudos comuns foram feitos em casa até 1823, quando contava treze anos. Nesse ano seu pai o matriculou no liceu, onde seus interesses dirigiram-se para a História, Literatura e o Teatro. Mas o que mais lhe interessava era a música. Em 1826 ingressou no Conservatório de Varsóvia, tendo aulas de composição com Joseph Elsner.

Em 1829 viaja à Viena, onde faz sua estréia internacional, com grande sucesso, embora tenha causado certa surpresa pôr seu toque delicado.

Um mês depois, de volta a Varsóvia, apaixona-se pôr Constancia Gladkowska, estudante de canto do conservatório. Timidez e acanhamento fizeram-no cultivar esta paixão em segredo.

O movimento lento do Concerto para Piano e Orquestra N.2 foi composto com o pensamento voltado para Constancia. Mas, logo depois, ela desapareceria de sua vida.

Em 1830,a opressão do Czar Nicolau I sobre a Polônia chegara a um ponto insuportável, provocando a famosa insurreição de novembro. Seguiu-se uma guerra, com a vitória final dos russos. Milhares de poloneses foram obrigado a exilar, muitos do quais antes de estourar o conflito. Entre eles, Chopin.

Não tendo condições para continuar sua carreira em Varsóvia e aconselhado pôr seus amigos, o compositor deixou a terra natal. Parte para Viena e, na despedida, seus amigos lhe entregam uma taça com terra polonesa, gesto que o comove. Chopin não poderia supor que em breve estouraria uma guerra, impedindo-o de voltar para sempre. Em novembro de 1830 chegou a Viena, onde ficou até 1831.

Em Viena, sua tristeza por ter deixado Varsóvia foi agravada com o pouco caso dos vienenses em relação aos patriotas poloneses e o desinteresse dos editores em editar suas obras. Era obrigado a percorrer os gabinetes burocráticos na tentativa de obter passaporte para a França, onde acreditava poder viver bem melhor.

Finalmente consegue seu visto e parte para Paris, passando antes pela Alemanha, onde encontra Schumann. Contam que na primeira vez que visitou a casa do compositor ele não estava em casa. Sua esposa, Clara, o recebeu. Ela não falava francês, Chopin não falava alemão. Diz a história que ele se sentou ao piano e tocou algumas composições suas. Clara fez o mesmo com as músicas do marido.

Se isso é verdade ou não, não se sabe. O que há de concreto é um artigo e Schumann na Nova Gazeta Musical, que dizia, a respeito de Chopin: "Tirem os chapéus, senhores, um gênio".

Chegando em Paris em setembro de 1831, Chopin impressiona-se com o tamanho da cidade, seus contrastes. Respira-se em Paris uma atmosfera liberal, com a burguesia conduzindo as rédeas da nação

Em Paris, encontra rapidamente a fama e o sucesso. Fino, elegante, gentil, ele possui todos os predicados para ser aceito na sociedade francesa. Além disso, os poloneses contam com a simpatia do povo francês, o que lhe facilita ainda mais a estadia em seu novo país.

Bem recebido pôr sua condição de exilado polonês, Chopin trava contato com muitas personalidades do meio artístico. Seu ambiente mais chegado, no entanto, seria constituído pela nova geração de compositores, jovens como ele: List, Berlioz e Mendelsonhn.

Como professor, Chopin consegue logo se firmar, dando aulas para os filhos das famílias aristocráticas e fazendo desta atividade seu principal meio de sobrevivência. Ao mesmo tempo desenvolve-se como compositor.

Em 1835 visita seus pais, exilados em Karlsbad, Alemanha. Depois viaja para Dresden, a fim de visitar a família Wodzinska, e surpreende-se com a beleza e os dotes artísticos da jovem Maria Wodzinska, que conhecera ainda criança. Os dois se amam profundamente e planejam casar-se. Mas a mãe de Maria apavora-se com a saúde delicada do compositor e impede o noivado. Abatido com o término do romance, Chopin volta a Paris.

Chopin encontra George Sand pela primeira vez em 1836, junto a Liszt e outros membros de seu círculo de artistas e escritores. A primeira impressão é desfavorável:

"Como é antipática essa Sand! Será mesmo uma mulher? Estou começando a duvidar." Para Chopin, sempre tão educado e polido, os modos de George Sand eram horríveis: vestia roupas de homem, fumava charutos, chamava os desconhecidos pôr "tu", era separada do marido e desafiava os padrões da moral vitoriana; tinha idéias socialistas.

A escritora, no entanto, se apaixona imediatamente pôr aquele "pobre anjo muito triste", seis anos mais jovem que ela, carente de cuidados, doente, desamparado... Propõe -lhe viverem juntos. Durante muito tempo o compositor evita que isso aconteça, temia desagradar seus pais com uma ligação ilícita.

Entretanto, em 1838, os argumentos de George Sand contra os escrúpulos morais de Chopin - que considerava ingênuos , acabam pôr surtir efeito. Chopin escreve em seu diário:

" Vi-a três vezes. Ela olhava-me profundamente nos olhos, enquanto eu tocava. Era uma música um pouco triste, lendas do Danúbio; o meu coração dançava com o dela no país longínquo. E os seus olhos nos meus, olhos escuros, singulares, que diziam? Apoiava-se sobre o piano e os seus olhares abrasadores inundavam-me Flores à nossa volta. O meu coração estava preso. Voltei a vê-la duas vezes...".

George Sand preocupou, em primeiro lugar, com a precária saúde do pianista. Queria tratar do amante, viver com ele e, ao mesmo tempo, desejava afastar-se de seu ex-marido e seus amantes anteriores. Resolvem viajar para a ilha de Maiorca, no litoral da Espanha. Acompanham o casal os dois filhos da escritora: Maurice, de quinze anos e Solange, de oito.

Passam uma temporada idílica em uma casa simples, até que Chopin adoece. Rumores de que estava tuberculoso levaram o proprietário da casa a mandá-los embora. Procuram refúgio em um convento abandonado, em Valdemosa, nas montanhas da ilha, habitado unicamente pelo sacristão, um farmacêutico, um trabalhador braçal, varrido pêlos ventos da montanha e tendo como personagens principais uma romancista e um músico tuberculoso terrivelmente apaixonados, o local compõe um autêntico cenário do romantismo.

Aí George Sand inspira-se para escrever sua novela "Espiridião"e Chopin conclui seus 24 Prelúdios, o Scherzo em Dó sustenido menor e a Polonaise em Dó menor.

Contudo a umidade, o frio e a alimentação precária agravam o estado de saúde do compositor. Em março de 1839, Sand se convence de que só a imediata partida poderia salvar o amante. Durante a viagem de volta, Chopin teve uma hemorragia que quase lhe custou a vida. Viajam para Marselha, onde Chopin consegue se recuperar depois de três meses.

De volta a Paris, alugam dois apartamentos - nem muito perto, nem muito longe - de modo a possibilitar que Chopin e Sand se visitem à vontade, sem provocar mexericos. Seu ganha pão volta a ser a atividade de professor. Suas apresentações como pianista são raras: " Não tenho temperamento para dar concertos: o público intimida-me, sinto-me asfixiado pela impaciência, paralisado pêlos seus olhares curiosos, mudo perante essas fisionomias desconhecidas" - escreve a seu amigo Liszt.

De tempos em tempos sua saúde piora. Sand mostra-se cada vez mais maternal e, quase todos os verões, o leva para sua casa de campo. A tuberculose provocava nele mudanças apreciáveis de estado de espírito, que iam da mais viva excitação nervosa a um desânimo angustiante. O convívio com um ser tão sensível, doente, e, pôr vezes caprichoso não era fácil para a paciente Sand. Toda complicação vem de que ele ainda a ama com verdadeiro amor, ao passo que ela há muito tempo se aquartelou na afeição. Seu pequeno Chopin, ela o ama, o adora como, porém, a Solange e a Maurício. Nos meses em que vivem separados, pôr ocasiões de viagens, está sempre inquieta pela saúde dele: " Aí tem o meu pequeno Chopin" - escreve à dona de uma pensão - "confio-lho, cuide dele mesmo contra sua vontade. Quando não estou com ele, é de trato difícil". Escreve a uns e outros, recomendando-lhes uma vigilância discreta. Que não se esqueça de tomar seu chocolate pela manhã, seu caldo às dez horas. Que o obriguem a cuidar-se, a não sair sem agasalho...

Com o tempo, o caráter de Chopin tornou-se insuportável. A relação entre os dois começa, pouco a pouco a se deteriorar. Suspeitando de que a amante o trai com outro homem, Chopin torna-se cada vez mais petulante, mal humorado e desagradável. A esse quadro negativo, acrescentam-se problemas domésticos e brigas pôr causa dos filhos de George Sand. No verão de 1847,os dois resolvem se separar.

No ano seguinte, Chopin entra em fase de grande depressão. Desolado e abatido, aceita o convite da aluna Jane Stirling para visitar a Inglaterra e a Escócia, onde toca para a Rainha Vitória. Apresenta-se em Manchester, Edimburgo e Glasgow, mas o faz sem o menor prazer, apenas para ganhar seu sustento. Novamente em Londres dá um concerto beneficente para exilados poloneses, seu último concerto.

Seu estado de saúde é alarmante. Volta a Paris. À sua débil saúde vieram acrescentar-se os problemas econômicos, que se resolverão graças ao generoso donativo de Jane Stirling, que lhe enviou, anonimamente, 25.000 francos.

No princípio de 1849, chega sua irmã Luisa, que ele mandara chamar, provavelmente pôr sentir que o fim estava próximo: " Você sabe que os ciprestes têm seus caprichos: hoje, meu capricho é tê-la comigo."

Nos primeiros dias de outubro teve uma crise que anunciava a morte. Seus fieis amigos se revezavam junto a sua cama para cuidá-lo. A princesa Czartoryska e seu amigo fiel Gutmann são os seus enfermeiros. Na noite de 14 de outubro, murmurou: " Entretanto, ela me havia dito que eu não morreria senão em seus braços". Antes de falecer, quase sem poder respirar, escreveu: " Como esta terra me asfixiará, peço-vos que meu corpo seja aberto, a fim de não ser enterrado vivo".

Assim, ele morreu na madrugada de 17 de outubro. O corpo de Chopin foi enterrado no cemitério de Père-Lachaise, exceto seu coração, que foi enviado para Varsóvia e depositado na Igreja de Santa Cruz.

Nos minutos de recolhimento que se seguiram à descida do ataúde, foi vista uma certa mão amiga atirar sobre o caixão aquela terra polonesa que havia sido entregue a Chopin no dia em que deixara sua Pátria.

Obras

Falar em Chopin é falar em piano. A maioria esmagadora de suas obras são para esse instrumento, e mesmo suas obras orquestrais o incluem.

A música de Chopin é intensamente pessoal, pela grande força espiritual, pela extrema sensibilidade, pelo amor à sua Pátria. Foi mestre nas formas musicais breves.

Chopin foi menos feliz nas grandes formas tradicionais: seus dois concertos para piano e orquestra são obras da mocidade. Suas três sonatas não passam pôr impecáveis, o que não impediu a glória da Sonata em si bemol menor, cujo terceiro movimento é a conhecida Marcha Fúnebre.

Os Prelúdios:

Sabemos que O Cravo bem Temperado de J.S. Bach constituía para Chopin, um estudo diário. Passava as horas que antecediam a um concerto entregue a Bach.

Os prelúdios de Chopin nasceram como uma "reelaboração" do conceito de improvisação de Bach. São um conjunto de vinte e quatro peças, cuja duração dura entre meio e pouco mais de cinco minutos. Com estas peças, Chopin abriu um mundo inédito para o piano.

Os Estudos:

Chopin compôs os Estudos Op.10 dedicados a F .Liszt e os Estudos Op.25, dedicados a condessa D’Agoult, entre os anos de 1828 a 1836. Chopin não pretendia apenas ensinar a prática das oitavas, o trilo ou as escalas em terças. Os estudos são, acima de tudo, poemas musicais, e para os executar, o pianista deve recorrer a meios que ultrapassam o domínio puramente técnico. Para além da mera função didática, Chopin procurava um aperfeiçoamento que servisse para exprimir, para ajudar a cantar. A função técnica é transcendida nestas obras. Cortot caracterizou muito bem esses estudos ao dizer que o pianista não virtuoso tinha tão pouco acesso a eles como o virtuose que carecesse de sentido musical.

As Valsas:

Chopin foi um renovador que deu traços novos a gêneros já existentes, chegando pôr vezes a modificá-los. Os contemporâneos do autor não souberam encontrar nas valsas qualquer relação com as valsas de Strauss ou Schubert. Não se procuram, portanto, nestas peças, o caráter dançante.Todos os temas são possíveis nas íntimas e humaníssimas valsas do nosso músico, desde o amor, cantado na Valsa N.3 Op.70, dedicada a Constancia, ou a Valsa em lá bemol maior ( O Adeus), dedicada a Maria, até a ligeireza da N.1 Op.68,ou a melancolia da Valse du Regret (n.2 Op.38).

Os Noturnos:

Em Chopin, Noturno significa um canto livre da sua intimidade, pôr meio da qual conta uma história íntima que o músico não poderia exprimir de outra forma. Chopin baseou-se num modelo próximo, os noturnos do irlandês Field, mas submeteu-os a tal modificação que apenas poderemos notar um vago parentesco entre os dois músicos. Nos últimos noturnos encontramos sonoridades e uma escrita pianística próximas do impressionismo.

Os Scherzos:

Chopin escreveu quatro Scherzos. Separa o Scherzo da sonata e da sinfonia e dá-lhe um caráter autônomo. Não procuraremos nestas obras o caráter lúdico: do scherzo tradicional retira-se apenas a medida e não o conteúdo.

As Polonaises:

Inicialmente era uma dança tradicional da nobreza, de forma lenta e majestosa, surgida no século XVI. Estas polonaises eram totalmente desprovidas de ritmos e temas folclóricos. Chopin começou a cultivar este modelo, desde a infância, introduzindo-lhe temas populares do folclore polonês.

Chopin ainda compôs baladas, mazurcas, improvisos, fantasias e outras peças diversas. Na história da música é importante o papel de Chopin como inventor de novas harmonias e criador de uma nova técnica para o piano, revolucionária na época

Em suma, a obra de Chopin é muita mais extensa do que se imagina; ele escreveu um pouco mais de duzentos obras entre Baladas, Noturnos, valsas, Estudos, Mazurcas, Polonaises, Prelúdios, e Sonatas.



Chiquinha Gonzaga




Francisca Edwiges Neves Gonzaga era filha do militar José Basileu Neves Gonzaga e da mulata Rosa Maria de Lima. Ganhou um piano de seu pai aos 9 anos e compôs a sua primeira música aos 11 anos.

Casou-se com o oficial da Marinha Mercante Jacinto Ribeiro do Amaral aos 13 anos. Aos 16, nasceu o primeiro filho, João Gualberto. No ano seguinte, teve Maria.

Três anos depois, já seduzida pela música, decidiu separar-se do marido, o que provocou o rompimento das relações com o seu pai.

Chiquinha passou a viver com João Baptista de Carvalho, um bon-vivant com quem teve a filha Alice Maria. Em 1876, o casal decidiu mudar-se para o interior de Minas Gerais. Ao surpreender o amado com outra mulher, Chiquinha deixou-o, com a filha, que ainda não havia completado um ano, e partiu de vez para a carreira artística, compondo e dando aulas para se sustentar.

O flautista Antônio da Silva Calado a introduziu nas rodas de chorões do Rio de Janeiro. Num desses encontros de músicos, em 1877, ela compôs, de improviso, a polca "Atraente", seu primeiro sucesso. Depois musicou operetas e dirigiu concertos, tornando-se a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil.

Além da música, Chiquinha participava ativamente do movimento pela libertação dos escravos. Vendia de porta em porta suas partituras, a fim de angariar fundos para a causa. Com o dinheiro que conseguiu ao vender a partitura de sua música "Caramuru", Chiquinha Gonzaga comprou, em 1888, a alforria do escravo e músico José Flauta, antecipando-se poucos meses à Lei Áurea. Foi também uma participante ativa da campanha pela proclamação da República.

Em 1897, compôs o tango "Gaúcho", lançado na peça "Zizinha Maxixe", de Machado Careca que, quatro anos mais tarde, faria uma letra para a composição, que passaria a se chamar "Corta-Jaca". Essa música fez tanto sucesso que foi incluída na revista luso-brasileira Cá e Lá, encenada em Portugal e executada numa audição no Palácio do Catete, feita por Nair de Tefé, a esposa do presidente . O evento foi considerado uma quebra de protocolo e um escândalo nas altas esferas do poder brasileiro.

Enquanto ouvia o ensaio do Cordão Rosa de Ouro, no Andaraí, em 1899, Chiquinha compôs a sua primeira marcha carnavalesca, "Ó Abre Alas". Em 1902, fez uma viagem à Europa, mudando-se para Lisboa em 1906. Voltou acompanhada por João Batista (Joãozinho Gonzaga), um rapaz 36 anos mais jovem, que havia conhecido ainda no Rio.

Em 1912, Chiquinha assistiu à estréia de "Forrobodó", opereta que musicara, escrita por Luiz Peixoto e Carlos Bittencourt. Três anos depois, Chiquinha musicou a peça "A Sertaneja", de Viriato Correia.
Participou da fundação da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (SBAT), em 1917, e lançou campanha de fundos destinados à construção de uma nova sepultura para Francisco Manuel da Silva, compositor do Hino Nacional Brasileiro, dois anos depois.

Em 1933, aos 85 anos, escreveu sua última partitura, "Maria".
Chiquinha morreu em 1935. Durante a sua vida, musicou aproximadamente 77 peças de teatro. Sua obra reúne mais de 2.000 composições, entre valsas, polcas, tangos, maxixes, lundus, fados, serenatas, músicas sacras. Entre suas inesquecíveis criações estão "Ó Abre Alas", "Atraente", "Casa de caboclo", "Faceiro", "Falena" e "Lua branca", entre outras.



uol Educação



Luiz Bonfá -grande músico brasileiro



Luiz Floriano Bonfá (Rio de Janeiro, 17 de outubro de 1922 — Rio de Janeiro, 12 de janeiro de 2001) foi um cantor, violonista, compositor brasileiro.

Bonfá nasceu no dia 17 de Outubro de 1922 no Rio de Janeiro. Aprendeu sozinho, quando criança, a tocar violão, quando completou 13 anos passou a ter aulas com o Uruguaio Isaías Sávio. Tais aulas se tornaram muitos cansativas para Bonfá, que tinha de sair de sua casa na periferia do Rio, andar uma grande porção do caminho a pé e depois pegar um bonde para santa teresa, onde morava o professor. devido à estraordinária dedicação de Bonfá, Isaías não lhe cobrava as aulas.
Um dos integrantes do primeiro grupo de músicos da bossa nova, compositor de clássicos como "Manhã de Carnaval" e "Samba do Orfeu" (ambas com Antônio Maria), Bonfá começou a tocar violão de ouvido, na infância, no Rio. Aos 12 anos passou a ter aulas de violão clássico com o uruguaio Isaias Savio. Na década de 40 tocou na Rádio Nacional, ao lado de Garoto. Participou de alguns conjuntos, como o Quitandinha Serenaders, até começar a carreira solo, como violonista. Teve atuação destacada como compositor, e seus primeiros sucessos foram gravados por Dick Farney, em 1953. A peça "Orfeu da Conceição", de Vinicius de Moraes, foi um marco em sua carreira. Tocou violão na gravação do disco da peça em 1956 e, três anos depois, compôs algumas das faixas que compunham a trilha sonora do filme de Marcel Camus ("Orfeu do Carnaval") inspirado na peça. Participou do Festival de Bossa Nova no Carnegie Hall em Nova York, 1962, sempre respeitado como compositor refinado e exímio violonista. Uma de suas características é tocar fazendo amplo uso do recurso das cordas soltas, o que confere uma sonoridade ampla e grandiosa. Gravou diversos discos nos EUA que não foram lançados no Brasil. Voltou a gravar no Brasil no fim dos anos 80 e anos 90, lançando discos bem-sucedidos também nos Estados Unidos. "Almost In Love", composição de Bonfá, foi a única música brasileira gravada por Elvis Presley. Frank Sinatra, Sarah Vaughan, George Benson, Tony Bennett, Julio Iglesias, Diana Krall e Luciano Pavarotti são outros intérpretes que já cantaram músicas de Bonfá. Outros sucessos são "De Cigarro em Cigarro", "Correnteza" (em parceria com Tom Jobim), "The Gentle Rain", "Menina Flor", "Mania de Maria" e "Sem Esse Céu".
Wikipédia


Artur Asher Miller



Arthur Asher Miller (Nova Iorque, 17 de Outubro de 1915 — Roxbury, 10 de Fevereiro de 2005) foi um dramaturgo norte-americano. Nasceu em Nova Iorque. Conhecido por ser o autor das peças Morte de um Caixeiro Viajante (Death of a Salesman) e de The Crucible (pt - As Bruxas de Salem; br - As Feiticeiras de Salem), e por se ter casado com Marilyn Monroe em 1956. Morreu de insuficiência cardíaca crónica, com 89 anos, em Roxbury, Connecticut.

Miller era filho de um casal de imigrantes judeus polacos: Isadore, um empresário têxtil, e Augusta, dona-de-casa. O casal teve ainda dois filhos, Kermit e Joan. A família vivia numa "penthouse", em Manhattan, com vista sobre Central Park até ao momento em que Isadore ficou arruinado com a Grande Depressão.

Em 1936, a sua primeira peça (que não foi "Todos os meus filhos", como é dito em diversas fontes), Honors at Dawn, com a qual ganhou o Prémio Hopwood, foi encenada na Universidade de Michigan. Dois anos mais tarde, graduou-se nesta mesma universidade em jornalismo. Em 1940, Miller casou-se com a sua namorada, desde o colégio, Mary Slattery. Tiveram dois filhos, Jane e Robert. Esteve isento do serviço militar durante a Segunda Guerra Mundial devido a uma lesão que contraíra num jogo de futebol americano.

A sua peça, de 1949, Morte de um Caixeiro Viajante venceu o Prémio Pulitzer e três Prémios Tony, bem como o prémio do Círculo de Críticos de Teatro de Nova Iorque. Foi a primeira peça a conseguir os três simultaneamente. A sua peça seguinte, The Crucible ("As Bruxas de Salém" ou as "Feiticeiras de Salém", na versão brasileira), inaugurou-se na Broadway a 22 de Janeiro de 1953. Em 1956 divorciou-se. Em Junho do mesmo ano, comparece perante a House Un-American Activities Committee ("Comité parlamentar das actividades antiamericanas"), depois de ter sido denunciado por Elia Kazan como tendo participado em reuniões do Partido Comunista. No final desse mesmo mês (29 de Junho), casa-se com Marilyn Monroe, que tinha conhecido oito anos antes, apresentado, exatamente, por Kazan.

A 31 de Maio de 1957, Miller é considerado culpado de desobediência ao Congresso por recusar-se a revelar os nomes dos membros de um círculo literário suspeito de pertencer ao Partido Comunista. A sua condenação foi anulada pelo Tribunal Federal de Apelação (U.S. Court of Appeals) a 8 de Agosto de 1958. No mesmo ano publica as suas peças na colectânea Collected Plays.

Divorcia-se de Marilyn a 24 de Janeiro de 1961. Casa-se, um ano mais tarde, com Inge Morath, a 17 de Fevereiro de 1962. Conheceram-se enquanto os fotógrafos da agência Magnum documentavam a realização do filme The Misfits ("Os Inadaptados" ou "Os Desajustados", na versão brasileira). Tiveram duas crianças, Rebecca e Daniel. De acordo com o biógrafo Martin Gottfried, Daniel nasceu a 1962 com Síndroma de Down. Miller pôs o filho à guarda de uma instituição em Roxbury, Connecticut, e nunca o visitou (ainda que a sua mulher o fizesse). Miller não fala de Daniel na sua autobiografia Timebends, de 1987.

Em 1985, Miller visitou a Turquia e foi homenageado na Embaixada Americana. Depois de o seu companheiro de viagem Harold Pinter ter sido expulso do país por discutir a tortura, Miller deixou o país em solidariedade para com o colega.

Inge Morath morreu a 30 de Janeiro de 2002. A 1 de Maio do mesmo ano, Miller venceu o prémio espanhol Príncipe Astúrias de Letras por ser, segundo os atribuidores do prémio "o mestre indiscutível do drama moderno". Entre os premiados anteriores encontravam-se, por exemplo, Doris Lessing, Günter Grass e Carlos Fuentes.

Em Dezembro de 2004, com 89 anos, anunciou que pretendia casar com uma artista de trinta e quatro anos chamada Agnes Barley com quem vivia desde 2002 na sua quinta em Roxbury. A 10 de Fevereiro de 2005, Arthur Miller morre em casa de insuficiência cardíaca crónica (é também referido, nalgumas fontes, que sofria de cancro, tendo o seu estado de saúde piorado devido a uma pneumonia).

Wikipédia

Rita Hayworth - Gilda !



Rita Hayworth (nome artístico de Margarita Carmen Cansino; Nova Iorque, 17 de outubro de 1918 — Nova Iorque, 14 de maio de 1987) foi uma atriz norte-americana de ascendência hispano-irlandesa, que atingiu o auge na década de 1940 e tornou-se um mito eterno do cinema.

Rita era filha de Eduardo Cansino, natural de Castilleja de la Cuesta, e Volga Hayworth, chefes de uma famosa família de dançarinos ciganos espanhóis. Treinada profissionalmente, Rita subiu aos palcos pela primeira vez com doze anos de idade. Ao longo da adolescência, ela se apresentou várias vezes em cassinos na fronteira dos Estados Unidos com o México.

Primeiramente atraindo a atenção de produtores de cinema como parte da "Família Cansino de Dançarinos", Rita (ainda Cansino) assinou contrato com a Fox em 1935. Estreiou como coadjuvante em Sob o Luar dos Pampas (Under the Pampas Moon, 1935), um faroeste passado na Argentina, estrelado por Warner Baxter. Foi escalada para vários outros papéis pequenos, nos quais se destacou por seus dotes para a dança e por sua beleza. São dessa fase diversos filmes B, como Charlie Chan no Egito (Charlie Chan in Egypt, 1935), policial estrelado Warner Oland e os faroestes Barulho no Texas (Trouble in Texas, 1937), com o cowboy-cantor Tex Ritter e Soberanos da Sela (Hit the Saddle, 1937) com os Three Mesquiteers.

Em 1937, Rita casou-se com Edward Judson, seu empresário. Judson trocou seu nome para Rita Hayworth, mudou a cor do seu cabelo, de castanho para um tom de ruivo (auburn) que ficaria famoso e, principalmente, levou-a para a Columbia Pictures, estúdio que tentava se firmar como um dos grandes de Hollywood e, por isso, necessitava ardentemente de estrelas importantes. No entanto, a Columbia parecia não saber o que fazer com ela: apesar de conseguir um papel importante em Paraíso Infernal (Only Angels Have Wings, 1939), de Howard Hawks, estrelado por Cary Grant e Jean Arthur, Rita continuou a aparecer em uma série infindável de produções B, ora como protagonista, ora como coadjuvante.

Por fim, sua sorte começou a mudar quando foi emprestada à MGM para fazer o terceiro papel feminino de Uma Mulher Original (Susan and God, 1940), de George Cukor, drama estrelado por Joan Crawford e Fredric March. No ano seguinte, novo empréstimo, agora para a Warner Bros., onde foi coadjuvante em dois filmes, um deles Uma Loura com Açúcar (The Strawberry Blonde, 1941), comédia de Raoul Walsh, com James Cagney e Olivia de Havilland. Ainda em 1941, foi emprestada à Fox para interpretar Doña Sol na superprodução Sangue e Areia (Blood and Sand, 1941), drama de Rouben Mamoulian, estrelado por Tyrone Power e Linda Darnell. Este filme lançou-a como o símbolo sexual por excelência de toda aquela década.

Nos anos que se seguiram, Rita brilhou em musicais da Columbia, como Ao Compasso do Amor (You'll Never Get Rich, 1941), Bonita Como Nunca (You Were Never Lovelier, 1942), ambos com Fred Astaire e Modelos (Cover Girl, 1944), com Gene Kelly, firmando-se como uma das maiores dançarinas das telas e a maior estrela romântica dos anos 1940. Porém, a chegada do sucesso profissional coincidiu com a crise em seu casamento, que acabou em divórcio em 1942.

Rita Hayworth como Gilda, papel que a imortalizouA fama de maior estrela da década e de uma das mulheres mais desejadas e famosas do mundo consolidou-se ao estrelar, no auge de sua beleza, o clássico noir Gilda (Gilda, 1946), de Charles Vidor, ao lado de Glenn Ford, com quem já atuara antes em Protegida do Papai (The Lady in Question, 1940), também de Vidor. O marcante, ainda que brevíssimo, striptease de Rita (na verdade o striptease é sugeirdo pois ela tira apenas a comprida luva de um dos braços) e a bofetada que ela recebe de Ford, ajudaram a engrossar a enorme bilheteria que o filme recebeu em todo o mundo.

Gilda, o filme mais importante de sua carreira, também marcou o início de seu lento declínio em Hollywood. Assim como, na frase precisa da campanha publicitária, "nunca houve uma mulher como Gilda", assim também nunca mais Rita conseguiu repetir esse êxito, apesar de ter continuado a trabalhar em produções de sucesso.

Com Orson Welles, com quem se casara em 1943, Rita estrelou A Dama de Xangai (The Lady from Shanghai, 1948). O filme não agradou nem aos fãs nem à crítica, em parte porque Welles pediu-lhe que cortasse o cabelo e o pintasse de louro, além de matar sua personagem no final. No mesmo ano, Os Amores de Carmen (The Loves of Carmen), também de Charles Vidor, reuniu-a novamente com Glenn Ford. A química funcionou outra vez e o filme foi sucesso. Em 1952, fez Uma Viúva em Trinidad (Affair in Trinidad), de Vincent Sherman, atuando pela quarta vez ao lado de Ford. Seus dois filmes do ano seguinte foram dois grandes escândalos, pelo seus temas: Salomé (Salome, 1953), de William Dieterle, com Stewart Granger, onde fez o personagem bíblico que pediu a execução de João Batista e A Mulher de Satã (Miss Sadie Thompson, 1953), de Curtis Bernhardt, com Jose Ferrer, em que Rita interpreta uma pecadora que seduz um reverendo. Seu último grande sucesso foi Meus Dois Carinhos (Pal Joey, 1957), de George Sidney, com Rita dividindo a cena com Frank Sinatra e Kim Novak, considerada a nova rainha da Columbia. Na hora de decidir quem encabeçaria o elenco, Sinatra resolveu a questão: "O direito de ter o nome em primeiro lugar pertence a Rita Hayworth. Ela é a Columbia Pictures e sempre será".

Rita ainda faria vários outros filmes, inclusive na Europa, mas seus dias de glória e sua época já eram coisa do passado. Trabalhou pela quinta vez com Glenn Ford, em O Dinheiro É a Armadilha (The Money Trap, 1966), de Burt Kennedy, e encerrou a carreira com A Ira Divina (The Wrath of God, 1972), ao lado de Robert Mitchum. Coincidentemente, este último é um faroeste, como seu primeiro trabalho, e assim o círculo se completa
Rita casou-se cinco vezes: a primeira com Edward C. Judson (1937- 1942); a segunda com Orson Welles (1943-1948), com quem teve uma filha, Rebecca; a terceira com o príncipe Aly Khan (1949-1953), com quem teve princesa Yasmin Aga Khan; a quarta com o cantor Dick Haymes (1953-1955), e a última com James Hill (1958-1961). Todos seus casamentos terminaram em divórcio. Considerada por muitos a mulher mais bonita da história do cinema, a despeito de Greta Garbo e Marilyn Monroe, a atriz definia seu insucesso no amor com a seguinte frase, que resiste à passagem do tempo: "A maioria dos homens se apaixona por Gilda, mas acorda comigo".

Morreu na casa de sua filha, Yasmin, em Nova Iorque, aos sessenta e nove anos, vítima do mal de Alzheimer, do qual padecia desde a década de 1960, mas que só foi diagnosticado em 1980. Está sepultada no Cemitério de Holy Cross em Culver City, California.

"Lembrei dos Amigos"- Colaboração de Stela Siebra de Brito

Dois pedaços de madeira que flutuam no oceano
encontram-se e se separam um instante depois.

Assim também tu e tua mãe, tu e teu irmão, tu e

tua mulher, teu filho e tu.

Chamas teu pai, tua mulher, teu amigo,

mas não é mais do que um encontro no caminho.

Esse mundo é uma roda que gira,

uma passagem no grande oceano do tempo, onde nadam

dois tubarões: a velhice e a morte.

Nada é permanente, nem teu corpo.

Nada retorna e nada permanece.

Prazer, dor, o destino tudo estabelece.

O que desejas, tens.

O que não desejas, tens.

Ninguém entende por quê.

Nada garante a felicidade do homem.

Onde estou? Para onde irei? Quem sou? Porque?

E porque deveria chorar?



Extraído do Mahabarata em adaptação do original

por Jean Claude Carrièrre.

Do livro: Índia, um olhar amoroso. Do mesmo Jean Claude.


sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Estar em Crato - Por Claude Bloc


Quando chegou o dia, vim voando. Foi uma longa viagem. Sobral-Fortaleza, Fortaleza-Juazeiro, Juazeiro-Crato. Felizmente essa última etapa foi de avião. Mas de qualquer forma, a gente cansa,né? Aí fico pensando: estarei sonhando? Estarei ainda voando? Oxente! Que oportunidade boa esta que Deus está me dando de aqui estar tantas vezes este ano. Só quem é DE Crato consegue entender esta alegria que vai entrando de mansinho na gente quando chega a hora de pisar de novo nessa terrinha abençoada.
Pois é. Cá estou. Ontem já tivemos as visitas de Carlos Rafael e Fran, de Dr. Heládio e também de Peixoto. Foi muito papo. Provamos panqueca de camarão com tomate seco feita pela anfitriã (Socorro Moreira). Delícia!
Depois, fomos pra calçada, e eu tive o privilégio de ouvir o “desafio musical” - Socorro X Peixoto. Imaginem só a diversidade de canções de todas as décadas que eu tive a oportunidade de ouvir!!! Eu e apenas eu, como platéia cativa... Na verdade acho que houve um empate. Mas quem ganhou com isso fui eu...
Hoje Rosineide apareceu aqui à tarde. Depois de pôr as conversas em dia, fomos circular pelo centro do Crato. Para mim, vir ao Crato e não andar por aí é mesmo que nada. Preciso sentir a cidade, o chão, os cheiros, o ar (que hoje estava bem quentinho) e ver tudo que os olhos podem ver. Encher a vista com as ruas, as praças, os cantos e recantos e sobretudo o povo de Crato.
Passei na Miguel Lima Verde, na Siqueira Campos, fui na Tipografia (que mudou de lugar) procurar por Maria Lúcia. Tomei água com gás em Ana Neri, fui na Zenir onde Rosineide queria umas informações. Subimos pela João Pessoa e voltamos pra casa de Socorro. Fechamos então o circuito.
Se der certo, iremos daqui a pouco lá na Praça da Sé só para bater papo. Você está convidado/a.

Bora?
Texto por Claude Bloc

Receita de bolo de noiva - Colaboração de Fátima Figueirêdo


Ingredientes :.

o1 copo de leite
4 x. de açúcar
4x. de farinha de trigo
4 ovos
1 x. de manteiga
1x. de nescau
1 x. de doce de ameixa
frutas cristalizadas
mais ou menos 1 x. de uvas passas (preta e branca) curtidas no vinho tinto. Detalhe, é que o vinho tem que ser bom!

Método :

Bater as gemas com o açúcar e a manteiga. Acrescentar o leite, alternando com a farinha de trigo.
Adicionar o nescau, a ameixa e as frutas cristalizadas. Por último as claras betidas em neve. Forma untada, forno quente .

* Só falta mandar confeitar !

Mulheres Possíveis - Martha Medeiros - por Monalissa Figueirêdo


Leio sse texto de vez em quando para me lembrar sobre o " respeitar o mosaico de si mesma" , o "desacelerar", e ainda sobre a "CULPA ZERO"!

Gosto muito da visão dela (Martha) sobre a possibilidade de que ser uma mulher ,normalmente imperfeita ,que tenta fazer tudo o que pode diante da vida, não significa, o dever de tornar-se uma mulher perfeita.

A expectativa própria, e alheia, acaba conosco.

Ela nos coloca dentro de um canhão, no ponto de sermos uma "mulher-bala", que deveria tudo alcançar .
Eu não posso alcançar o que não conheço, e muitas vezes nem entendo. No mosaico da minha vida, que sou eu, procuro sempre refletir sobre o quanto é interessante a minha alegria em entender que sou muito grande para a vida, mas que ela é muito maior do que eu.

Um grande abraço!

Monalissa Figueiredo


Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes.
Sou a Miss Imperfeita, muito prazer.
Uma imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado três vezes por semana, decido o cardápio das refeições, levo os filhos no colégio e busco, almoço com eles, estudo com eles, telefono para minha mãe todas as noites, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e-mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos, participo de eventos e reuniões ligados à minha profissão e ainda faço escova toda semana - e as unhas!
E, entre uma coisa e outra, leio livros.
Portanto, sou ocupada, mas não uma workaholic.
Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.
Primeiro: a dizer NÃO.
Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO.
Culpa por nada, aliás.
Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero.
Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.
Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros.
Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho.
Você não é Nossa Senhora.
Você é, humildemente, uma mulher.
E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante.
Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável.
É ter tempo.
Tempo para fazer nada.
Tempo para fazer tudo.
Tempo para dançar sozinha na sala.
Tempo para bisbilhotar uma loja de discos.
Tempo para sumir dois dias com seu amor.
Três dias.
Cinco dias!
Tempo para uma massagem.
Tempo para ver a novela.
Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza.
Tempo para fazer um trabalho voluntário.
Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto.
Tempo para conhecer outras pessoas.
Voltar a estudar.
Para engravidar.
Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado.
Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.
Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.

Existir, a que será que se destina?

Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.

A mulher moderna anda muito antiga.
Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada.
Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem.

Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si.

Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo!
Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente.
Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir.
Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.

Desacelerar tem um custo.

Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C.
Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores.

E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante’.


Martha Medeiros é uma jornalista e escritora brasileira. É colunista do jornal Zero Hora de Porto Alegre, e de O Globo, do Rio de Janeiro.



Diwali - O Festival das Luzes


Chegou novamente o tempo de acender pequenas lamparinas, de pendurar as lanternas coloridas nas casas, de fazer pújá, de visitar os amigos e os vizinhos e de celebrar à volta da mesa familiar a alegria que traz a festa do Diwali, o festival das luzes. A luz representa a libertação da ignorância.

Existem várias suposições sobre a origem desse festival. Alguns alimentam que ele celebra o casamento de Lakshmi com Vishnu. Em Bengala, o festival é dedicado a Kalí. É também comemorado como o dia em que Rama, de forma triunfante, retornou para Ayôdhya, após ter derrotado Ravana. Nesta mesma data, também, Sri Krishna matou o demônio Narakásura.



A Índia é um país onde o calendário solar é uma enorme lista de festivais celebrados em seus meses respectivos. Diwali, o festival das luzes, é um deles, e é celebrado no início da estação de inverno na índia, acontece sempre entre o final de outubro e a primeira quinzena de novembro, durante a lua crescente. Pobre ou rico, velho ou jovem, religioso ou ateu, todos na Índia celebram Diwali. Casas são iluminadas, pintadas e especialmente decoradas para a ocasião. Por todo o país, o festival é saudado com o mesmo entusiasmo pelas pessoas, tirando a escuridão e recebendo a luz em suas vidas. Essa comemoração é muito semelhante ao natal ocidental. Entretanto, a celebração do festival tem significado diferente de estado para estado, segundo as lendas e os rituais de cada um deles.


O épico:
De acordo com o Rámayana (caminho de Ráma), o Dipáwali comemora o retorno de Ráma (Ráma é um dos avatares de Vishnu), o filho mais velho de Dasharatha de Ayôdhya, do seu exílio com Sítá e seu irmão Lakshamana.

Dasharatha, teve três esposas Kôshalayá, Kêykayí e Sumitrá e quatro filhos Ráma, Bharata, Lakshamana e Shatrughan. Ráma foi o filho da rainha Kôshalayá e Bharata foi o filho da Rainha Kêykayi. Kêykayi desejava que Bharata fosse o próximo rei, enquanto o rei Dasharatha desejava que fosse seu filho mais velho. Mas a ciumenta Kêykayi fez uso de dois desejos que o rei Dasharatha tinha lhe concedido e enviou Ráma para o exílio nas florestas, por um período de catorze anos. Durante esse tempo, Ráma lutou e venceu tênues batalhas no sul, que separa o sub-continente Indiano, (acredita-se que seja onde hoje se localiza o Srí Lanka) matando Ravana, um rei demoníaco, que tinha violentamente tomado, como esposa, Sítá. Diwali marca sua volta vitoriosa para seu reino junto com Hanuman, o Vanar (general) que o ajudara a alcançar sucesso.
A população de Ayôdhya iluminou toda a cidade com dipika (lamparinas a óleo) e fogueiras para celebrar o retorno de seu rei.


Na época devia ser um espetáculo magnífico de se ver, pois não existia luz elétrica e cada casa era iluminada por uma ou várias dessas lâmpadas; nas ruas, fileiras de fogueiras foram acesas para recepcioná-los. Esta celebração ocorre 20 dias após o dusêra, no amavashya, o 15º dia mais escuro do mês Hindu, na noite da lua nova Ashwini (áshô) (outubro / novembro).

O mantra do Diwali:

Ayôdhyavasi Rám, Rám, Rám
Dasharathánandana Rám
Pathita pavana janaki jívana Sítá môhana Rám



As pessoas expressam sua felicidade acendendo diyas ou dipikas de barro ou ferro e decorando as casas para dar as boas vindas a Lakshmi, deusa da riqueza e prosperidade, explodindo rojões e convidando o próximo para suas casas, para banquetes grandiosos. A iluminação de lâmpadas é uma forma de pagar a cortesia à divindade, para realização de saúde, riqueza, conhecimento, paz e fama, e isto também expressa bondade. É uma época que marca o começo do Novo Ano Hindu, como um novo começo para tudo.

Esse é apenas um dos aspectos desse festival lendário de quatro dias de duração e cada um dos dias tem uma historia própria para contar, cheia de rituais e mitos.

O Primeiro dia é chamado Dhamtêras ou Dhamtryôdashi, que cai no décimo terceiro dia do mês de Ashwin. A palavra Dhama significa riqueza. Este dia tem grande importância para a comunidade rica. Acreditava-se que, segundo o horóscopo, o filho mais velho do rei Hima morreria no quarto dia de casamento, picado por uma cobra. Assim, naquele quarto dia de casamento sua preocupada esposa colocou lâmpadas inumeráveis em todo lugar e pôs todo o tipo de ornamentos, montes de ouro, e moedas de prata em uma pilha grande na entrada da casa do marido. E ela continuou contando estórias e cantando antigas canções através da noite. Quando Yama, o deus de morte, chegou na forma de uma serpente, o brilho daquelas luzes cegou seus olhos e ele não pôde entrar na câmara do Príncipe. Assim, ele subiu na pilha dos ornamentos e moedas e ficou sentado a noite inteira, escutando os mantras e as canções melódicas. Pela manhã, ele calmamente foi embora. Assim a esposa salva seu marido e, desde então, este dia de Dhamtêras veio ser conhecido como o dia de Yamadipadáma e lâmpadas são postas queimando por toda a noite, em homenagem a Yama, o deus de Morte.


O Segundo dia é chamado Narakachaturdashi ou Chhôti Diwali, que cai no décimo quarto dia do mês de Ashwin.

Este é o dia de pré-diwali, associado à lenda do momento em que Krishna e sua esposa Satyabhama vencem o demônio Naraka. De acordo com os Puránas, Naraka, o filho de Bhudêví, adquiriu de Bráhma uma força descomunal, após uma severa penitência (tapas), desencadeando, imediatamente, um reino de terror na cidade de Kámarupa. Os Dêvas incapazes de combater seu poder invencível recorreram a Krishna. Mas Naraka não poderia ser morto, a não ser pelas mãos de sua progenitora, Bhudêví, que já havia morrido há muito tempo. Porém, Krishna pede a sua esposa, Satyabhama, que, embora não saiba, é a reencarnação de Bhudêví, para ser a sua cocheira durante a batalha com o exército de Naraka. Krishna força um confronto com o próprio Naraka e finge ser mortalmente ferido por uma flecha dele; em desespero, Satyabhama (Bhudêví) pega o arco de seu marido (Krishna) e mira em Naraka, este, se valendo da sua invulnerabilidade, sem saber que ela, era na verdade, a reencarnação de sua mãe, é morto imediatamente, como previa a lenda. Esta lenda conta com uma moral tipicamente indiana, de que mesmo os pais não devem hesitar em punir suas crianças quando estão traçando o caminho errado, e que o bem da sociedade deve sempre prevalecer acima das suas próprias ligações familiares.


O Terceiro dia do festival de Diwali é o mais importante, de Lakshmí - pújá, que é inteiramente dedicado ao propósito da personalidade Lakshmí. Este é o dia de Amavashya, também conhecido pelo nome de Chôpada-pújá. O dia em que Lakshmí anda pela noite escura de Amavashya.
Acreditam, também, que neste dia auspicioso, Krishna descartou-se de seu corpo. Uma estória mais interessante, relacionada com este dia, está na narrativa sobre um pequeno menino chamado Nachikêta, que acreditava em Yama, o deus da morte. Neste dia ele encontrou Yama em pessoa e ficou confuso, vendo a calma e sóbria postura dele. Yama explicou ao Nachikêta que, neste dia de Amavashya, somente ao passar pela escuridão da morte, o homem vê a luz da mais alta sabedoria e, então, sua mente pode escapar da escravidão do medo da sua própria mortalidade. Nachikêta compreendeu a importância da vida no mundo e o significado da morte, todas as suas dúvidas foram tiradas e ele participou, por inteiro e de coração das celebrações do Diwali.

Bali Chakravarthya era o rei do mundo e seu poderoso reino havia se transformado em uma ameaça aos Dêvas. Muito preocupados, eles recorrem a Vishnu que, imediatamente, intercede na forma de um avatara anão chamado Vamana. Como Bali era famoso por manter sua palavra a qualquer custo e ser um rei justo para o seu povo, o pequeno Vamana foi visitá-lo para fazer um pedido. - Por favor, ó meu rei, peço-lhe que me conceda um pequeno pedaço de terra que eu consiga cobrir com três passos destas minhas curtas pernas. O rei, como não via nenhuma ameaça no pequenino, deu sua palavra. Este, por sua vez, transformou-se em Vishnu, com sua forma infinita, e no primeiro passo, cobriu os céus, no segundo, o mundo inteiro, e como não havia mais nenhum outro lugar, Bali ofereceu a sua própria cabeça para Vishnu pisar. Assim que Vishnu pisou sobre a sua cabeça, Bali foi projetado para o sub-mundo, Pathala Lôka, mas pelo seu gesto de entrega, Vishnu concedeu que Bali retornasse uma vez ao ano para a terra, para trazer a sua sabedoria, iluminando milhares de lâmpadas para dispersar a escuridão da ignorância e espalhar a radiação do amor e compaixão.

O Quarto dia é o final das Festividades do Diwali, chamado Kartika Shuddhi Padwa, também conhecido, simplesmente, como Padwa ou VarshaPratipáda, que marca a coroação do rei Vikramáditya o Vikarama-samvat começou neste dia.

O dia que segue Amavasya, e é somente nesse dia que Bali sairia de Pathala Lôka para Bhu Lôka, é conhecido também como Bali Padyami.

Ao norte da Índia é executado o Gôvardhana-pújá. O Vishnu Púrana conta que o povo de Gôkula comemorava sempre após o final da estação das monções com um festival dedicado a Indra. Mas, em um ano em particular, Krishna parou as preces oferecidas a Indra que, irado, produziu um dilúvio para submergir Gôkula. Mas Krishna arrancou a montanha Gôvardhana e usou-a como um guarda-chuva salvando a cidade. Este dia é também observado como Annakuta e orações são oferecidas nos templos.

O Quinto dia é uma tradição pós-Diwali, conhecido pelo nome de tikka ou Bhaiya-duj. Este dia é observado como um símbolo de amor entre as irmãs e irmãos. Acredita-se que no dia de Yamarája, o deus de morte visita sua irmã Yamí e ela coloca a forma do auspicioso (swástika) em sua testa, uma pasta feita de açafrão com arroz. Eles comeram, falaram, desfrutaram e trocaram presentes especiais como símbolo de seu amor mútuo. Yamarája anuncia que qualquer um que receber o tilak de sua irmã, neste dia, terá proteção, por todo o ano, para afastar todos os perigos. Desde então, é imperativo ao irmão ir para casa da sua irmã para celebrar o Bhaiya Duj.

Imagens: Google Imagens
http://www.sintoniasaintgermain.com.br/diwali.html

Ver desde já...

Quem viu o passo pisar no lírio?
Quem viu a lâmina sobre a carne?
Quem viu o tiro no coração sombrio?
Quem viu a lágrima do meu olhar que arde?

Quem viu-me no terror da noite densa?
Quem viu-me no prado a sangrar sozinho?
Quem viu a queda das torres das crenças?
Quem viu as mãos calejadas por mil espinhos?

Ah senhores que o viço brinca ainda pela vida
Que os clarins que cantem o teu porvir
Vos alertem das chagas e feridas

Que a galope ainda estão por vir
Que a vida que viverão seja curtida
Sob o sol da verdade a reluzir

Foto: Vitor Reinecke