Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

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sexta-feira, 26 de março de 2010

Quim-Quim

Pouco tinha do estereótipo de um guru indiano. Baixinho, atarracado, cabeça de cearense com olheiras pronunciadas ; cabelo ralo com grandes entradas laterais. Parecia uma caricatura de si mesmo, uma espécie de amigo da onça. Visto ao longe , concluir-se-ia tratar-se de um chapeado, um carregador de encomendas. Tirante os olhos profundos e perscrutadores, nada havia de especial ou transcendental naquela figura. Morava num bairro pobre, a Vila Lobo, numa casinha humilde e sem muito conforto. Descendia , porém, de uma ala muito mística dos Bezerra de Menezes que teve em suas hostes meus tios João e Estácio provindos todos de uma ascendência nobre : o cultuado kardecista, do Riacho do Sangue, Dr. Adolfo Bezerra de Menezes.
Chamava-se Joaquim, mas ninguém o conhecia por este nome, mas por um outro bem mais doce e artístico: Quim-Quim. A cidade , nos anos 40-60, antes do advento da TV, do Computador, do DVD, ainda vivia imersa num Big-Brother particular. O mundo , ainda sem energia elétrica, povoava-se de caiporas, duendes, pais-da-mata, sacis-peperês. As doenças deste mundo eram causadas, o mais das vezes, pela influência misteriosa de muitas forças malignas: o zodíaco, a inveja, a coisa-feita, o mau-olhado,as pragas, as maldições, o feitiço, a ziquizira, o caboje, o olho-gordo. Nossos livros populares de patologia estavam repletos de muitas moléstias perfeitamente preveníveis: o quebranto, a espinhela-caída, a apoplexia, o defluxo, o ventre-caído. Os médicos ainda se mostravam raros pelo interior do Nordeste e os rezadores, assim, num misto de pajés, encantadores de serpente, milagreiros, utilizando um ritual profundamente sincrético, atendiam à população nos seus anseios mais prementes. Quim-Quim desdobrava-se no atendimento às mordeduras de cobras de homens e animais, às infecções intestinais e respiratórias das crianças, às moléstias as mais variadas da terceira idade. Tinha orações fortíssimas para os entalados com espinhas de peixe. Nas doenças de fundo emocional, então, a força do ritual de suas preces possuía um efeito invejável na cura das neuroses mais comuns. Era de arrepiar vê-lo em transe, sussurrando as palavras milagrosas: “Gloriosos São Sebastião e São Jorge, São Lázaro e São Roque, São Benedito, São Cosme e São Damião. Todos Vós, Bem-aventurados Santos do céu, que curais e aliviais os enfermos, intercedei junto ao Senhor Deus pelo seu servo .Vinde, Gloriosos Santos, em seu auxílio. Fechem-se os olhos malignos, emudeçam as bocas maldosas, fujam os maus pensamentos e desejos.”
Um dia a luz elétrica invadiu o mundo, espantou a lua e tangeu para longe nossos mitos ancestrais. Aparentemente se desvendaram os mistérios do mundo com o telescópio, o microscópio, o computador. A Medicina utiliza-se de um sem números de modernos instrumentos para tratar moléstias antigas e fabricar a cada dia novas patologias e novos medicamentos. A morte a vista se substituiu por um longo velório em caras prestações diárias. Hoje nossos temores são bem mais objetivos e reais : a violência urbana, o stress de todos os dias, o trabalho de todas as horas. A plástica e o Viagra nos remetem ao mito da fonte da juventude. A humanidade aumentou em muito sua esperança de vida, mas consegue ser mais feliz nestes anos que lhe foram acrescentados? Quim-Quim hoje está bem presente nos livros de auto-ajuda e nos divãs dos analistas , mas já sem a mesma eficácia de outrora.

J. Flávio Vieira

O Poema do Semelhante - Elisa Lucinda

O Deus da parecença
que nos costura em igualdade
que nos papel-carboniza
em sentimento
que nos pluraliza
que nos banaliza
por baixo e por dentro,
foi este Deus que deu
destino aos meus versos,

Foi Ele quem arrancou deles
a roupa de indivíduo
e deu-lhes outra de indivíduo
ainda maior, embora mais justa.

Me assusta e acalma
ser portadora de várias almas
de um só som comum eco
ser reverberante
espelho, semelhante
ser a boca
ser a dona da palavra sem dono
de tanto dono que tem.

Esse Deus sabe que alguém é apenas
o singular da palavra multidão
Eh mundão
todo mundo beija
todo mundo almeja
todo mundo deseja
todo mundo chora
alguns por dentro
alguns por fora
alguém sempre chega
alguém sempre demora.

O Deus que cuida do
não-desperdício dos poetas
deu-me essa festa
de similitude
bateu-me no peito do meu amigo
encostou-me a ele
em atitude de verso beijo e umbigos,
extirpou de mim o exclusivo:
a solidão da bravura
a solidão do medo
a solidão da usura
a solidão da coragem
a solidão da bobagem
a solidão da virtude
a solidão da viagem
a solidão do erro
a solidão do sexo
a solidão do zelo
a solidão do nexo.

O Deus soprador de carmas
deu de eu ser parecida
Aparecida
santa
puta
criança
deu de me fazer
diferente
pra que eu provasse
da alegria
de ser igual a toda gente

Esse Deus deu coletivo
ao meu particular
sem eu nem reclamar
Foi Ele, o Deus da par-essência
O Deus da essência par.

Não fosse a inteligência
da semelhança
seria só o meu amor
seria só a minha dor
bobinha e sem bonança
seria sozinha minha esperança

(madrugada onde fui acordada pelo poema no Rio de Janeiro, 10 de julho de 1994)

Noite de sexta-feira ... Ai que me dera ser seresteira !

“As cidades atuais, mesmo as mais modernas e recentes, são espaços de conservação e de desenvolvimento”.

(José do Vale Pinheiro feitosa)

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A Próxima Vítima...


Somos todos “a próxima vítima”, em cada um de nós desvanece o sentimento de esperança e fica o da impotência: bruta por dentro... Pergunto-me incansavelmente, quem produz esses assassinos impiedosos... o mundo está louco... estamos loucos porque não sabemos para onde vamos, não sabemos que não vamos para lugar nenhum!

O nosso lugar é aqui e agora. E num além de expectativas esperamos procurando o desvendar de mistérios, mas os mistérios são indecifráveis e não nos contentamos com isso, procuramos a cura da mortalidade inevitável como se morrer fosse uma doença, uma mal do ser humano. -O único erro de Deus?-. Como se Deus tivesse nos criados com um precoce sentido de infinitude, especulamos, em todos os lugares, procuramos algozes pela salvação de nossos corpos, nossos sentidos, nossas almas, nas igrejas, nos bares, e em todos os cantos da sala, das plantas, olhando para um mundo inexistente, criando um mundo que mata - não é tudo aquilo que não queremos? - fazendo exatamente o oposto do que somos e agora neste exato momento incansavelmente repedimos um futuro que não existe, destruindo-nos, com fantasmas e como fantasmas perambulamos por um mundo que simplesmente não tem como perdurar.

Somos nós mesmos os semeadores deste além perpétuo ludíbrio em amálgamas de sentimentos, conciliando a tortura incerta com os atos desesperados e irrevogáveis de perdão.

Apenas não transbordamos o cálice com o presente... este que aqui é agora a única existência concreta, onde podemos solidificá-lo com os afetos, os carinhos e o amor pelo próximo.

*Este texto surgiu a partir de uma citação de Zé do Vale comentando sobre os assassinatos do Cartunista Glauco e seu filho... e agora enfrentamos novamente outra atrocidade, o julgamento pela morte de Isabela....

* Obra de Hieronimous Bosch

Rogério Silva

O Crato é de todos - por José do Vale Pinheiro Feitosa

De volta ao Rio, sem a balança que penda o braço para aqui. Afinal a Praça da Sé, do Crato, era uma praça bucólica nos anos 50 e início dos anos 60. Na altura do centenário da cidade e muito tempo depois disso, era uma das praças mais bonitas do interior cearense. Assim como a Praça Francisco Sá e seus jardins trabalhados, com os pés de fícus esculpidos em imagens.

A questão não são as lentes: confesso vivo no Rio há 37 anos. Formei-me e sempre trabalhei aqui. Tive filhos e agora uma neta: todos cariocas. Isso não inibe a vontade de analisar o visual do Crato. Especialmente o Crato e sua decadência do centro da cidade, como a de Fortaleza, São Paulo e Rio às quais acompanhei de sobremaneira.

Se alguém perguntar qual o projeto de Praça da Sé mais simpático, se aquele do Centenário ou do meado dos anos 60, com o prato luminoso a guisa (poderia ser “guiza” no sentido do regionalismo de Cabo Verde) de fonte, ficarei com o primeiro, mas aí são outros quinhentos. A sujeira da madrugada, com os copos descartáveis coalhando o piso imundo da praça, diz de muita coisa, menos de que Copacabana seja mais limpa. O é, mas convenhamos são outros quinhentos. E diga-se: de vez em quando se torna em igual sujeira, mas a limpeza é rápida. Fruto, a sujeira, do uso incorreto do espaço urbano.

Acontece, como bem lembra o Zé Nilton, que a cidade é da polis, que a cidade merece o poder público que lhe convém. Que um espaço coletivo é um espaço de disputa, de visões distintas de mundo, inclusive de abandono e má condução. É aí que a nossa vontade se mostra a mais correta e ou incorreta. A falta de saneamento básico, o lixo sobre o piso do espaço público, os buracos no caminho de quem se desloca, a falta de posturas municipais (ou comunitária), não fala de comparações, é absoluta, pois é ela em si. Mas se fosse discorrer sobre este assunto com um Engenheiro Sanitarista, primeiro o ouviria, pois muito mais teria a dizer-me do que eu a ele.

O centro do Crato pode ser infinitamente melhor do que é. Não é um espaço urbano a ser inventado, ele já o foi. Não é apenas um espaço cotidiano, ele é histórico e por isso é mandatário em seu futuro. Quem irá se esquecer da Casa dos Leões, dos azulejos da Miguel Lima Verde, do próprio Grande Hotel? Ora quem não tiver o que dizer sobre isso, não tem uma cidade em seu futuro e nem futuro na cidade.

Gostaria até de abrir um espaço de discussão aqui no Cariricaturas sobre a seguinte frase: “as cidades atuais, mesmo as mais modernas e recentes, são espaços de conservação e de desenvolvimento”. A discussão viria de outras visões do que sejam as cidades e este é um assunto especial, pois as cidades já representam para a América Latina a essência hodierna: de cada cinco pessoas, quatro moram nas cidades.

Finalmente um ponto na questão: o Poder Constituído Municipal. Ele é central, tanto aquele constituído pela Câmara dos Vereadores e sua Mesa Diretora, como aquele sob o poder popular representado: Prefeito Samuel Araripe.

MUXOXO



















Quem já não deu muxoxo nessa vida?

Segundo o Mestre Oscar Ribas, de Luanda, muxoxo é um termo quimbundo que significa chio de boca. Designa o som breve e seco produzido pelo toque da língua no céu da boca, como um estalar de beiços.
Foi trazido para o Brasil pelos negros de Angola,e aqui se tornou um gesto tradicional e popular que exprime dúvida, indiferença, desdém.
O muxoxo sai voluntário, nós "tascamos" um muxoxo nas horas mais adequadas para tal, e muitas vezes ele é só o que nos resta fazer...



O escuro, no claro - Socorro Moreira


Agir compaixão
Amor sem paixão ...

Abraço o corpo que desconheço
O que mais conheço é o travesseiro
Com ele acordo todas as manhãs.

A cidade começa a zuadar
um pássaro, um carro,
um galo, um gato a miar ...

E eu pergunto ao temo
Se ele vai me esperar
E eu pergunto às palavras
se elas podem me fartar ...
Tudo claro : o quarto, o céu...
Mas as respostas gostam do escuro !

Mariah Carey



Mariah Carey (Long Island, 27 de março de 1970) é uma cantora, compositora, produtora musical, e atriz norte-americana.
Mariah Carey é elogiada pela crítica especializada por suas excepcionais habilidades vocais. Em toda a sua carreira, Mariah já recebeu mais de 250 prêmios. Recentemente, Mariah foi incorporada na seleta lista dos "100 melhores cantores de todos os tempos", realizada pela revista Rolling Stone, ocupando a 79ª posição, sendo a artista melhor colocada da atualidade

Diana Ross

Diane Ernestine Ross conhecida como Diana Ross (Detroit, Michigan, 26 de março de 1944) é uma artista americana de soul, R&B e pop, e uma das cantoras mais famosas de seu tempo. Estima-se que as vendas de seus discos e álbuns já ultrapassaram a marca de 100 milhões de cópias.

Tenesse Williams



Tennessee Williams, pseudônimo de Thomas Lanier Williams (Columbus, 26 de março de 1911 — Nova Iorque, 25 de fevereiro de 1983) foi um dramaturgo estadunidense, ganhador de muitos prêmios.

Williams nasceu em Columbus, Mississippi, na casa de seu avô materno, o pastor local. Seu pai, Cornelius Williams, era um vendedor de sapatos viajante, alcoólatra e viciado em jogos de aposta, e que se tornou extremamente abusivo à medida que seus filhos cresciam. O pai favorecia mais seu irmão Dakin, talvez devido ao fato de Tennessee ter sido mais frágil e doente; teve difteria na infância, e ficou um ano fora da escola, tornando-se um menino introspectivo, passando todo o tempo só em volta dos livros. A mãe de Tennessee, Edwina Dakin Williams, tinha o humor instável. Williams buscou inspiração para escrever, mediante os muitos problemas familiares. Segundo ele mesmo declarou em uma entrevista concedida na década de 70: "Descobri na escrita uma fuga de um mundo real no qual me sentia profundamente desconfortável". Para fugir à insensibilidade paterna, Tennessee refugiou-se em seu quarto, que pintou de branco e enfeitou com miniaturas de animais de vidro; tal fato serviu de inspiração para a peça “The Glass Menagerie”, em 1945.

Em 1918,quando Williams tinha 7 anos, a família se mudou para University City, Missouri, e ele frequentou a Soldan High School, fato que usou em sua peça The Glass Menagerie, e depois a University City High School[1]. Em 1927, aos 16 anos, Williams recebeu um prêmio de 5 dólares por um ensaio publicado no Smart Set, intitulado "Can a Good Wife Be a Good Sport?". Um ano depois, publicou "The Vengeance of Nitocris", no Weird Tales.

Nos anos 30, Williams frequentou a University of Missouri, onde se filiou à fraternidade Alpha Tau Omega. Posteriormente transferiu-se para a Washington University, em St. Louis, Missouri por um ano, e finalmente graduou-se, em 1938, na University of Iowa, onde escreveu "Spring Storm". Quando foi recusado pelo exército, sofreu nova ofensiva do pai, que era veterano de guerra; o pai o obrigou a abandonar o jornalismo e a se empregar em uma fábrica de calçados. Começou então a se viciar em bebida alcoólica, e foi internado em um sanatório. Na época, Williams escreveu Cairo, Shanghai, Bombay!, que foi a primeira produção teatral, em 1935, da comunidade de teatro Glenview, em Memphis. Estudou depois na The New School, em Nova York.

Aos 26 anos de idade, escolheu o nome “Tennessee” em função dos dois anos felizes que passou em Nashville.

Posteriormente, participou de um concurso de dramaturgia em Nova Iorque, enviando 4 peças de um ato, sob o nome de American Blues, e foi premiado com 100 dólares, além de ser convidado por uma agente de Holywood que, impressionada com seus textos, o chamou para escrever roteiros de cinema. O único roteiro que conseguiu concluir, porém, foi recusado, e ele perdeu o contrato.

Em 1944, escreve a primeira peça realmente estruturada em termos teatrais, "The Glass Menagerie", que foi encenada com estrondoso êxito de público e crítica, iniciando assim sua carreira de sucesso. Várias de suas peças seguintes alcançaram sucesso: "A Streetcar Named Desire", "Summer and Smoke", entre outras. Williams viveu por um tempo no French Quarter, de New Orleans, Louisiana, mudou-se para lá em 1939, para escrever para a WPA. Inicialmente viveu na Toulouse Street, n. 722, o ambiente de sua peça de 1977 Vieux Carré. O edifício é parte da The Historic New Orleans Collection. Começou a escrever A Streetcar Named Desire (1947) enquanto estava na St. Peter Street, n. 632, e a terminou mais tarde, em Key West, Flórida, para onde se mudou nos anos 40.

A montagem de "The Rose Tatoo", em 1951, trouxe o primeiro fracasso, em especial pelas manifestações da crítica. Seguiram-se outras peças de sucesso, e os prêmios Pulitzer e Critic’s Award, porém a crítica constantemente o repudiava.

Com a morte do pai, em 1956, e do avô, em 1958, Tennessee começou a fazer psicanálise, e a peça “Suddenly, Last Summer” é considerada a primeira peça de sua fase “psiquiátrica” ou “antropofágica”. Após a alta de sua terapia, Tennessee ingressou numa nova etapa, a partir de 1959. Após vários sucessos, a peça de 1968 “The Seven Descendents of Myrtle” foi muito criticada, e apenas em 1970 ele voltou a se expor publicamente, mas com uma linguagem mais fria. Mas “Dragon Country”, sua coletânea de peças da época, não o reconciliou com a crítica.
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Allan Sales - por Joaquim Pinheiro Bezerra de Menezes



CONHECI CRIANÇA NO CRATO. HOJE É ARTISTA DE TALENTO EM RECIFE.


Nos anos 60, início da Rua Dr. João Pessoa, onde hoje funciona o Mercadinho Matos, existiu uma loja especializada em máquinas e implementos agrícolas. Era administrada por “Seu Sales” e D. Francisquinha. O casal tinha dois filhos menores. O mais velho, na época com 4 ou 5 anos, vinha com os pais para a loja, mas ficava pouco tempo. Atravessava a rua e ia para minha casa, onde se divertia no quintal, brincando com meus irmãos mais novos. Meu pai, César Pinheiro Teles, simpatizava com Alan. Quando, eventualmente, os pais não o liberavam para brincar na casa “das Arraes”, meu pai ia buscá-lo. Era muito, irrequieto, inteligente, conversava bastante, sempre fazendo mil e uma perguntas.

No final da década de 60, a empresa fechou e o casal mudou-se do Crato. Não tivemos mais notícias deles. No ano passado, em uma solenidade em homenagem a D. Madalena Arraes, promovida pelo IMIP, reencontrei D. Francisquinha, que trabalha na direção do Instituto. Relembrou os anos do Crato e contou que Alan é artista, cantor, cordelista, compositor e produtor cultural e morava na capital pernambucana.

Comentei o fato com Xico Bizerra, outro artista cratense de sucesso, vivendo em Recife. Ele declarou ser amigo de Alan, fazendo elogios ao seu talento. Para minha surpresa, dias depois desta conversa, Xico Bizerra, autor do clássico “Se tu quiser”, canção recordista em número de gravações em 2004, levou Alan Sales até meu local de trabalho. Foi interessante ouvir os relatos que a memória de uma criança de seis anos guardou do Crato e do ambiente que vivenciou 36 anos antes.
Quem quiser saber mais sobre Allan Sales basta acessar o site http://www.interpoetica.com/allan_sales_gm.htm.

Joaquim Pinheiro

"O destino escolhe quem vamos encontrar na vida, as atitudes decidem quem fica nela..."

quinta-feira, 25 de março de 2010

Saudade Imprudente - Por Zé Marcolino


Oh que saudade imprudente
No meu peito martelando
Quando estou só me lembrando
Da minha vida na roça

Quando alegre um rouxinol
Cantava pelo arrebol
Quando centelhas de sol
Penetravam na palhoça

Minha casa era de arrasto
Frente virada pro norte
Pra ser feliz, pra dar sorte
Pra não se dá coisa ruim

Parece aquilo eu tá vendo
Pela lembrança, doendo
E a saudade trazendo
Tudo pra perto de mim

Conversa sem protocolo
De fácil vocabulário
Sem precisar calendário
Eu fazia anotação

Na minha imaginação
Eu achava tão comum
Contar mês de trinta e um
Na palma da minha mão


OBS: Esta música é do poeta Paraibano Zé Marcolino e foi gravada por Dominguinhos em 1982, no seu LP SIMPLICIDADE.

Pensamento para o Dia 25/03/2010



“A riqueza adquirida pela graça da Mãe Veda é, por si própria, a sabedoria mais potente. Por essa razão, os antigos videntes oravam a Deus da seguinte forma: “Querido Deus, Tu és a própria personificação de Veda. Preenche-me não com riquezas materiais, mas concede-me a sabedoria que é a fonte do tesouro mais elevado (Paramaishwarya). Que eu me torne plenamente satisfeito com tal riqueza e, uma vez que ela pode ser usada para o Teu serviço, Tu também estarás feliz quando eu a tiver!””
Sathya Sai Baba

Miguel Gustavo por Norma Hauer

ELE COMPÔS JINGLES


Foi no dia 24 de março de 1922 que ele nasceu aqui no Rio de Janeiro, recebendo o nome de Miguel Gustavo Werneck de Souza Martins, mas ficou conhecido com o nome abreviado de MIGUEL GUSTAVO.
Foi jornalista, radialista, compositor,autor de jingles e poeta.
Começou como discotecário da Rádio Vera Cruz em 1941, após largar os estudos aos 19 anos . Mais tarde passou a escrever programas de rádio.
Destacou-se como compositor de jingles, além de ter também feito sucesso como compositor de sambas e marchas.
Quando o cantor Moreira da Silva estava afastado, Miguel Gustavo compôs uma série de sambas de breque que marcaram a volta triunfante do cantor. Todos foram sucessos. São eles: “O conto do Pintor”; “O rei do gatilho”;” O último dos Moicanos”:” O sequestro de Ringo”; “O Rei do Cangaço” e “Morengueira contra 007”.
Foi em 1950 que começou a compor “jingles”, dentre os quais o das Casas da Banha, que criou fama e causou polêmica por utilizar um trecho da melodia "Jesus alegria dos homens" de J. S. Bach. Em 1963 foi a vez do Leite Glória.

A música “A dança da Boneca”, gravada por Chacrinha para o carnaval de 1967 foi depois transformada no prefixo do Programa do Chacrinha, com ligeiras modificações na letra e se popularizou pelo Brasil inteiro.

Quando o Brasil saiu vitorioso da Copa do Mundo de 1970, realizada no México, conseguindo seu tri-campeonato, Miguel Gustavo compôs o hino Pra Frente Brasil ao participar de um concurso organizado pelos patrocinadores das transmissões dos jogos.
Os versos "Noventa milhões em ação, pra frente Brasil, do meu coração…" e a melodia tornaram-se símbolo da seleção canarinho, sendo hoje ainda entoado, quando os 90 milhões são o dobro.

E o Carequinha? Quem não se lembra de

“Ela é fã da Emilinha,
Não sai do César de Alencar,
Grita o nome do Cauby (Cauby)...
E depois de desmaiar
Pega a Revita do Rádio
E começa a se abanar"

Miguel Gustavo foi casado com a também radialista Sagramour de Scuvero (uma das primeiras mulheres a ter um programa radiofônico.
Além desse pioneirismo, ela e Lygia Maria Lessa Bastos, foram as primeiras vereadoras eleitas no Rio de Janeiro.

Miguel Gustavo faleceu em 22 de janeiro de 1972, sem completar 50 anos.

Norma Hauer

Por Lupeu lacerda



na faixa de gaza o borba gato é um delírio de um só. um poeta encalacrado em suas veias envelhecidas pela nicotina bela e maldita. vontade de beber vinho. vontade de ser baudelaire e chamar por satanás. vontade de ser ginsberg e vomitar ácido nas paredes da américa. vontade de ser lupeu e ter um microfone psicografando morrison. vontade de explodir o borba gato. e construí-lo em um desenho menos es-tru-tu-ra-do. vontade: essa coisa que é ao mesmo tempo o umbigo, e o fio do impossível. entre o nada e a coisa nenhuma... preccisaria beber uma ayhuasca, ou fumar um do bom pra entender um cara desses. lobo bom em ser mau, come chapeuzinho, nega o filho, exige dna.


um dia a tristeza chegou com suas malas e sua cara triste nas portas do borba gato. ninguém falou com ela. ela tampouco falou com ninguém. em seu ombro direito um urubu metafísico, no esquerdo, uma borboleta de chumbo. abriu uma pequena tenda do lado do jardim. o jardim secou imediatamente. olhou em direção ao vendedor de abanos. e ele começou a cantar uma ópera deprimente e sem fim. todos querem que ela vá embora. ela diz que não tem nada a dizer.


por lupeu lacerda

Móbile- por Ana Cecília S.Bastos






Novos espaços,
e os mesmos labirintos de ocultamento e disfarce.
Perturbação e enleio, desconforto no próprio eu.

O eu está desconfortável.
Como o equilibrista do Cirque du Soleil, confia naquele que segura os fios.
Seu movimento é ilusão, só existe nas mãos daquele.

O equilibrista está desconfortável.
Inventa nós e tranças.
Abismos e angústias nada mais são que disfarces.

O salto no infinito.


[Publicado em A Impossível Transcrição.] O trabalho de Igor Souza, Sem título, está disponível em http://www.fotolog.com.br/igorsouza/


Assim Falou Zaratustra (em alemão Also sprach Zarathustra) é um livro escrito entre 1883 e 1885 pelo filósofo alemão Friedrich Nietzsche, que influenciou significativamente o mundo moderno. O livro foi escrito originalmente como três volumes separados em um período de vários anos. Depois, Nietzsche decidiu escrever outros três volumes mas apenas conseguiu terminar um, elevando o número total de volumes para quatro. Após a morte de Nietzsche, ele foi impresso em um único volume.

O livro narra as andanças e ensinamentos de um filósofo, que se auto-nomeou Zaratustra após a fundação do Zoroastrismo na antiga Pérsia. Para explorar muitas das idéias de Nietzsche, o livro usa uma forma poética e fictícia, freqüentemente satirizando o Novo testamento.

O centro de Zaratustra é a noção de que os seres humanos são uma forma transicional entre macacos e o que Nietzsche chamou de Übermensch, literalmente "além-do-homem", normalmente traduzido como "super-homem". O nome é um dos muitos trocadilhos no livro e se refere mais claramente à imagem do Sol vindo além do horizonte ao amanhecer como a simples noção de vitória.

Amplamente baseado em episódios, as histórias em Zaratustra podem ser lidas em qualquer ordem. Mas aconselha-se que se leia em ordem, para melhor entendimento.

A razão pela qual o livro possui uma linguagem, por muitos interpretada como difícil, é que o conhecimento é algo que só pode vir de dentro - Por exemplo, no lugar de Zaratustra falar "O homem deve ser superado!", Nietzsche faz com que o leitor em si chege a essa conclusão; Como resultado, é uma forma de escrita, de comunicação mais eficaz do que a tradicional linguagem clara e de facílimo entendimento.

Zaratustra contém a famosa frase "Deus está morto", embora esta também tenha aparecido anteriormente no livro Die fröhliche Wissenschaft (A Gaia Ciência) de Nietszche.

Os dois volumes finais não terminados do livro foram planejados para retratar o trabalho missionário de Zaratustra e sua eventual morte.
Wikimedia

Por Murilo Hildebrand de Abreu

(amar é despertar um sonho, despertar-se sonho, ave só asas, ninho feito de céu

(é preciso não temer o fogo pois a alma é um incêndio

(a manhã nasce como uma pintura (e a cada momento, a cada piscar de olhos, renasce-se como uma nova pintura (e eu continuo sendo, eu com ela renascendo


(e tanto faz se caímos, tropeçamos ou tomamos pontapés: o importante é não esquecer que é por isso que ainda somos os melhores palhaços deste grande circo

(a alma é um silêncio dançarino

(com as cores aprendi a dançar

(embriagar-se de caminhos


Autor: Murilo Hildebrand de Abreu

Simone Signoret




Simone Signoret, pseudônimo de Simone-Henriette-Charlotte Kaminker (Wiesbaden, 25 de Março de 1921 — Paris, 30 de Setembro de 1985) foi uma famosa atriz francesa nascida na Alemanha.

Considerada uma das atrizes mais convincentes do cinema francês, ela começou em 1942 com o filme Bolero, durante a ocupação nazista. Em 40 anos de carreira interpretou uma grande diversidade de personagens.

Em 1944 se casou com o diretor Yves Allegret com quem teve a filha Catherine e de quem se divorciou em 1949. Em 1951 se casou com o cantor e ator Yves Montand. Juntamente com ele militou até o início dos anos 80 no Partido Comunista Francês.

Seu primeiro papel de protagonista foi em Démons de l'aube, em 1946, e pouco depois impôs sua beleza em La ronde de 1950, uma comédia provocadora baseada na obra de Arthur Schnitzler. Atuou sob a direção de Luís Buñuel em La mort en ce jardin, de 1956, e obteve o primeiro Oscar outorgado a uma atriz não-estadunidense por seu papel em Room at the Top, que no Brasil teve o título de Almas em leilão, em 1959.

Simone Signoret formava com Yves Montand um lendário casal. Estavam unidos por uma profunda ternura e por muitas causas e lutas políticas vividas juntos e o longo de um casamento de 35 anos. Eles trabalharam juntos pela primeira vez, já casados, na peça de Arthur Miller, As feiticeiras de Salém, uma alegoria do macartismo. Depois eles fariam juntos cinco filmes, entre eles Paris está em chamas (1966), de René Clement e A confissão (1970) de Costa-Gavras.

Outros desempenhos brilhantes desta atriz foram em O gato, de 1970, em um duelo interpretativo com o grande ator francês Jean Gabin; em A viúva, de 1971, ao lado de Alain Delon; e em Madame Rosa, de 1977.

Sua autobiografia, A nostalgia já não é o que costumava ser, foi publicada em 1977. Ela morreu de câncer em sua residência na localidade de Eure, na zona oeste de Paris.

Wikiquote
"Tudo que uma pessoa pode imaginar, outras podem tornar real."

Volta ao mundo em 80 dias (1872)

Neste obra o personagem principal, Phileas Fogg, faz uma aposta com um grupo de cavalheiros, garantindo que conseguiria dar a volta em todo o mundo em 80 dias. Esta tarefa atualmente é bem mais simples. Com a internet podemos dar a volta ao mundo em alguns cliques. Contudo, no final do século XIX era um grande desafio. O balão que você vê na abertura do site foi utilizado por Fogg em uma das etapas de sua viagem.
20 mil léguas submarinas (1870)

Aqui Verne descreve as aventuras de um moderno submarino movido a eletricidade, o Náutilus. Embora esta tecnologia não existísse na época, muitos pesquisadores apontam que o escritor se baseou em conhecimentos concretos sobre física e mecânica para criar este enredo.
Viagem ao centro da Terra (1864)

Uma história cheia de mistérios, em que o personagem principal, Dr. Lidenbrock encontra um manuscrito, escrito em código. Ao decifrá-lo Dr. Lidenbrock percebe que encontrou relatos e instruções sobre uma visita ao centro do planeta Terra.

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Júlio Verne




Júlio Verne, em francês Jules Verne, Nantes, 8 de fevereiro de 1828 — Amiens, 24 de março de 1905) foi um escritor francês.

Júlio Verne foi o filho mais velho dos cinco filhos de Pierre Verne, advogado (avoué), e Sophie Allote de la Fuÿe, esta de um família burguesa de Nantes. É considerado por críticos literários o precursor do gênero de ficção científica, tendo feito predições em seus livros sobre o aparecimento de novos avanços científicos, como os submarinos, máquinas voadoras e viagem à Lua.
Júlio Verne passou a infância com os pais e irmãos, na cidade francesa de Nantes e na casa de verão da família. A proximidade do porto e das docas constituíram provavelmente grande estímulo para o desenvolvimento da imaginação do autor sobre a vida marítima e viagens a terras distantes. Com nove anos foi mandado para o colégio com seu irmão Paul. Mais tarde, seu pai, com a esperança de que o filho seguisse sua carreira de advogado, enviou o jovem Júlio para Paris, a fim de estudar Direito. Ali começou a se interessar mais pelo teatro do que pelas leis, tendo escrito alguns livretos de operetas e pequenas histórias de viagens. Seu pai, ao saber disso, cortou-lhe o apoio financeiro, o que o levou a trabalhar como corretor de ações, o que teve como propósito lhe garantir alguma estabilidade financeira. Foi quando conheceu uma viúva com duas filhas chamada Honorine de Viane Morel, com quem se casou em 1857 e teve em 1861 um filho chamado Michel Jean Pierre Verne. Durante esse período conheceu os escritores Alexandre Dumas e Victor Hugo.

A carreira literária de Júlio Verne começou a se destacar quando se associou a Pierre-Jules Hetzel, editor experiente que trabalhava com grandes nomes da época, como Alfred de Brehat, Victor Hugo, George Sand e Erckmann-Chatrian.

Hetzel publicou a primeira grande novela de sucesso de Júlio Verne em 1862, o relato de viagem à África em balão, intitulado Cinco semanas em um balão. Essa história continha detalhes tão minuciosos de coordenadas geográficas, culturas, animais, etc., que os leitores se perguntavam se era ficção ou um relato verídico. Na verdade, Júlio Verne nunca havia estado em um balão ou viajado à África. Toda a informação sobre a história veio de sua imaginação e capacidade de pesquisa.

Hetzel apresentou Verne a Félix Nadar, cientista interessado em navegação aérea e balonismo, de quem se tornou grande amigo e que introduziu Verne ao seu círculo de amigos cientistas, de cujas conversações o autor provavelmente tirou algumas de suas ideias.

O sucesso de Cinco semanas em um balão lhe rendeu fama e dinheiro. Sua produção literária seguia em ritmo acelerado. Quase todos os anos Hetzel publicava novo livro de Verne, quase todos grandes sucessos. Dentre eles se encontram: Vinte Mil Léguas Submarinas, Viagem ao centro da terra, A volta ao mundo em oitenta dias, Da terra à lua, Robur - o conquistador.

Seu último livro publicado foi Paris no século XX. Escrito em 1863, somente publicado em 1989, quando o manuscrito foi encontrado por bisneto de Verne. Livro de conteúdo depressivo, foi rejeitado por Hetzel, que recomendou Verne a não publicá-lo na época, por fugir à fórmula de sucesso dos livros já escritos, que falavam de aventuras extraordinárias. Verne seguiu seu conselho e guardou o manuscrito em um cofre, só sendo encontrado mais de um século depois.

Até hoje Júlio Verne é o escritor cuja obra foi mais traduzida em toda a história, com traduções em 148 línguas, segundo estatísticas da UNESCO, tendo escrito mais de 100 livros.

Nos últimos anos, Verne escreveu muitos livros sobre o uso erróneo da tecnologia e os seus impactos ambientais, sua principal preocupação naquela época. Continuou sua obra até a sua morte em 24 de Março de 1905. O seu filho Michel editou seus trabalhos incompletos e escreveu ele mesmo alguns capítulos que estavam faltando, quando da morte do pai.

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