Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

ENVIE SUA FOTO E COLABORE COM O CARIRICATURAS



... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
.....................
claude_bloc@hotmail.com

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Meu Pai - por Ana Cecília S.Bastos




Meu pai
Ao ver o "Nova Colheita", lembrei-me de algumas palavras que nós, seus filhos, escrevemos quando esse jovem professor fez 70 anos – aos 75, ele continua sendo uma das pessoas mais jovens que conheço, por sua inesgotável capacidade de emoção, sonho e encantamento diante da vida.

Naquela ocasião, reeditamos seus "Poeminhas de ainda era uma vez", nos quais ele recorda suas raízes, revivendo cenas e pessoas que lhe povoavam a infância.
São recordações encantadas, cheias de lirismo, e que para mim se misturam a outras que ele me conta, também nostálgicas, sempre delicadas, cheias ora de candura (como os nomes que as coisas tinham no Crato, onde havia biscoitos chamados passa-raiva, ou beijo de moça...), ora de tristeza profunda (como sua lembrança do Adagio no. 3, de Albinoni, que marca o dia em que ele, enquanto olhava crianças a brincar, ouve a notícia da deflagração da Segunda Guerra). Muitos dos versos que constam dos Poemas das Horas Contemplativas, que abrem essa "Nova Colheita," e que selecionei de alguns de seus primeiros livros, foram escritos naqueles anos: é a ânsia do Absoluto, afirmando-se contra o horror da guerra.

Os títulos originais desses livros: "Ramilhetes para Telúricos e Transcendentais"; "Sinfonia Interior"; "Poemas do Sangue e do Amor" são sugestivos desse contraste (essa é a minha interpretação, nunca perguntei a ele...).

No prefácio do "Poeminhas", comemorando os 70 anos do pai, registramos o sentimento que nos tomava então a nós, seus filhos:

É pai tão generoso que, mesmo quando presenteado (ou homenageado, como agora), somos nós os agraciados por sua ternura imensa.

Não existem portos seguros. Há tempestade e calmaria, as praias são provisórias. Mas o pai é tão íntegro, farol perene indicando ser possível chegar, que seguimos viagem, supridos de inesgotável reserva de afeto.

O afeto que o amor desses dois eternos namorados irradiou para nós é nossa herança mais preciosa. Eles sempre foram eternos namorados, indissociavelmente de ser pai e mãe. Nessa unidade, nunca deixava de prevalecer o singular de cada um. Entre ideais comuns, a solidez da fé, as preocupações diferenciadas, as imposições do dia a dia e o mundo dos sonhos, a possibilidade do lúdico e um respeito pela individualidade de cada um, fomos crescendo, sem nunca perder o gosto de viver, de estar juntos, sem desistir de sermos felizes e fiéis a nós mesmos. Muitas vezes, naturalmente, os caminhos parecem estranhos, obscuros – sem um porto seguro... Nas construções pessoais que fazemos, contudo, estão, indeléveis, essas marcas.

Dos dois vem, também, a possibilidade que vários dos filhos temos de transformar vida em palavra escrita – a marca do indelével... Meu pai incluiu no Nova Colheita um outro prefácio – o que ele próprio escreveu para o meu primeiro livro de poemas. Esse prefácio é, sem sombra de dúvida, a página mais bela de meu próprio livro.

Para meu pai – e ele escrevia isso então - a poesia é um fazer para doar. Em suas palavras: Sua essência é de uma interioridade tão íntima, que se teria por incomunicável, mas ao mesmo tempo, é de uma irradiação tão poderosa, que se não contém no universo espiritual de quem por ela é estigmatizado.

Em meu pai, a pessoa e o poeta são indissociáveis. Ele já faz poesia simplesmente ao ser como é; e nele, realmente, o fazer poesia é doar-se. Ele me disse uma vez, um pouco tímido diante da própria necessidade de deixar que aquilo que escreve se irradie: escrever poesia, porque não faz mal a ninguém. Sua poesia, sem rótulos, é feita de delicadeza e integridade. Em mim, muitas vezes essa posse em surdina da poesia é arrogância, auto-suficiência, isolamento, pouco saber. Tenho muito o que aprender desse desapego, dessa forma de liberdade que ele alcança e que generosamente revelava, fazendo para se doar, ao dizer, em seu prefácio ao livro de alguém que ensaiava seus primeiros poemas:

Ser você mesma, com inteira humildade, num mundo violento e esmagador e, ao mesmo tempo, rico em valores e caminhos...

e

Não se trair na poesia, nem trair a poesia, nada recusando daquilo que faz e constitui a dignidade humana.

E mais adiante, sabedoria maior, privilégio reservado a telúricos transcendentais, ele dizia:

O homem, em suas limitações, e o mundo, em sua ordem e em sua desordem, não nos podem satisfazer.

Peregrinar para o Absoluto – é por aí que a nossa indigência se vai superando a si mesma, descobrindo roteiros de crescimento e transfiguração.

Ser ele mesmo, não se trair na poesia, peregrinar para o Absoluto. É isso que esse pai poeta realiza em si próprio... Ele, que é página tão bela, indelével, em nossas vidas.
Salvador, 04 de novembro de 1997.
Ana Cecília

Em: Cariricaturas em Verso e Prosa. Editado por Emerson Monteiro, Socorro Moreira e Claude Bloc, 2010.

Obs.: Aos 88 anos, José Newton Alves de Sousa, meu pai, continua sendo este de quem falam estas palavras.
 por Ana Cecília

Bolo de Iogurte de liquidificador- Fofíssimo !

Ingrediente
- 1 copo de iogurte natural
- 2 copos de farinha de trigo
- 2 copos de açúcar
- 4 ovos inteiros
- 1 colher (sopa) de fermento em pó
- 1/2 copo de óleo

Modo de Preparo
Bata bem todos os ingredientes no liqüidificador,
deixando o fermento por último. Despeje a massa em uma
assadeira redonda, com furo no meio, untada com
manteiga e polvilhada com farinha. Leve ao forno
pré-aquecido, à 180ºC (médio), até assar (ao enfiar no
bolo um palito, ele deve sair limpo).

Observação
- Utilize o copo de iogurte como medida dos outros
ingredientes.

Cyber Cook

Arroz de Polvo





* Ingredientes
* 2 polvos de 750 g
* 2 cebolas grandes sem casca ( uma delas fatiada para o refogado)
* 4 xícaras de chá de arroz  (lavado)
* 1 molho de coentro
* 1 molho de cheiro verde
* 1 dente de alho descascado e cortado
* 2 colheres de sopa de azeite virgem
* 3 Xícaras de água
* 1 xícara de vinho branco
* dois  raminhos de alecrim
* 3 tomates  partidos em 4 pedaços ( sem sementes)

* Modo de Preparo

1. Lave e coloque os polvos na panela de pressão com a cebola inteira descascada, e os raminhos de alecrim.
2. não coloque água, deixe cozinhar por 10 minutos depois que pegar pressão
3. Marque o tempo no relógio para o polvo não ficar duro nem borracha
4. Retire os polvos corte em pequenos pedaços, reserve o caldo do cozimento
5. Doure o dente de alho no azeite, 1 cebola , e refogue o arroz
6. Acrecente o polvo, a água reservada,o vinho, tomates , o cheiro verde e o coentro picados
7. 3 xícaras de água fervendo
8. Deixe em fogo alto até ferver depois tampe a panela e deixe secar como arroz comum

Receita anotada , no programa "Dia a Dia" de hoje, com algumas adaptações.
Dica : substituir por camarão, lagosta, lula  ou bacalhau.

Aparição - por Ana Cecília S.Bastos

Impressionada pelas palavras alheias.
Ladra de palavras sem disfarce.
Seria de bom grado escriba,
apenas ecoando palavras alheias,
perdida no silêncio úmido das bibliotecas,
onde o nome da rosa se oculta.

Porque dói ter a minha ideia,
Dizer a palavra que é a minha própria.
Nisso desapareço.

E meu fantasma me assombra.

NO TEMPO DOS GRUPOS ESCOLARES – POR PEDRO ESMERALDO

Hoje, ao passar pelo antigo casarão na Praça da Sé, lembrei- me do velho grupo escolar Teodorico Telles de Quental. Era uma casa alugada provisoriamente pelo governador para dar mais impulsos a favor das crianças, quer de classe média, quer de classe pobre. Era uma escola igualitária, não havia privilégio para nenhum aluno. Todos eram iguais perante a lei.

Naquela época, o inicio das aulas era impreterivelmente ás 7:00 horas da manhã. Não havia folga. Todos os trabalhos eram executados com muito rigor.

A professora tinha por obrigação preparar as suas tarefas com antecedência e apresentar aos alunos com dignidade. O bom aluno aprendia muito e ninguém saia reprovado, se obedecesse rigorosamente o critério de estudo.

Naquele tempo ninguém falava em droga, aliás nem se sabia se existia essa erva. Os vícios que o pessoal adquiria eram de fumar e, por excesso, de bebida alcoólica. Também a violência provocada por excesso de bebida era de arrepiar cabelo. Geralmente nesse Pé de Serra do Crato, em pleno fim de semana, haviam noitadas terríveis, às vezes causando a morte.

A escola ficava localizada na Praça da Sé, na esquina da atual Rua Leandro Bezerra. Era um velho pardieiro, talvez construído no século XIX, que atendia precariamente as exigências dessa escola. A casa era ampla, com vários quartos, também amplos com um terreno espaçoso que abrigava as crianças na hora do recreio. Para mim foi uma ideia maravilhosa, pois gostava de entrar em contato com todas as classes sociais. Só assim observei melhor o comportamento do pessoal de baixa renda.

Em frente ao grupo, observa a grandeza da velha Praça da Sé. Era uma praça desprezada pela prefeitura, talvez porque não haviam recursos suficientes para transformá-la em praça chique e que oferecesse aos bons momentos de lazer.

Após as aulas, principalmente no período da tarde, a maioria dos alunos ia jogar bola sobre a graminha verdejantes da Praça da Sé que dava o nome ( capim de burro). Era um planta nativa, rasteira e que de servia proteção ao solo da erosão pluvial.

Em outros tempos, o governo estadual resolveu construir outra escola mas distante do centro da cidade, com salas amplas, adaptadas para as crianças e adolescentes do ensino médio.

Bem, bons tempos se foram. Hoje em dia, os alunos estudiosos e ansiosos para subir na vida têem que se esforçar para aparecer com muito interesse e conseguir algum lugar de destaque na vida futura.

Crato- CE, 04 de Agosto de 2010.

FORMAÇÃO ROMUALDO: UM MILAGRE PALEONTOLÓGICO

(foto no set de filmagens)

Em fase de finalização o documentário do diretor Jackson Bantim que registra a Formação Romualdo, tesouro de fósseis tridimensionais do Geopark Araripe. A pesquisa e roteiro ficaram por conta do Dr. Antonio Alamo Feitosa, Professor da Universidade Regional do Cariri - URCA.

Fonte: Blogue Bantim Produções

Para Karimai- Por Nívia Uchôa

"O vazio não apaga a dimensão da amizade"



As razões pelas quais escrevo é para falar do grande vazio que nosso amigo, irmão, sociólogo, pintor, desenhista, gravador, escultor, pai e líder espiritual Karimai deixou impregnado em nossas mentes.No entanto, sua voz calma, seus conselhos, seus pássaros, suas cores, seu olhar ainda imprime a sensação de estar entre nós.

Seu semblante de paz, sua ternura, suas estradas, caminhos coloridos, suas gentes transmutam o espírito caloroso de alívio no viver.

Aprendi as cores com Karimai em conversas sobre arte, vida e cotidiano.

Vejo em suas obras a dimensão de ser um ser.

Não olho apenas, mas, vejo o encontro com a eternidade sempre.

Seria impossível fotografar o que ele pintava.



Nívia Uchôa

Vida itinerante de uma bancária - por Socorro Moreira



Capítulo I


16 de Setembro de 1974.
Estou a caminho da cidade Iguatu, para assumir minhas funções de bancária.
Enquanto o trem balança nos trilhos, meu pensamento voa, querendo adivinhar meu novo destino.
Deixei para trás minhas turmas de alunos, e isso me deixa pesarosa. A impressão que sinto é de que nasci para ensinar Matemática. Mas, todos me considerariam louca, se trocasse as vantagens de ser funcionária do Banco do Brasil, por um giz e um apagador. Mesmo assim, sinto que a minha vocação natural foi contrariada.
O trem é um meio de transporte lento... Passa estrada, passa casa, passam lembranças e sentimentos. André Caio e Victor ficaram na companhia da minha mãe, do meu pai, e do pai. Só  irei revê-los, no final de semana... Uma dor estranha de irresponsabilidade materna, me oprime.
E lá cheguei. Estava em companhia de Aldenir Silvestre, Anderson Xenofonte, Rafael, cratenses, do meu concurso, que também assumiram na mesma Agência.
Atravessei a ponte do rio  Salgado que margeia a cidade. Chegamos, na terra dos sapos.
Apresentei-me ao Sub-Gerente, e fui designada para trabalhar na retaguarda, somando papéis de caixa, e contabilizando partidas de extracaixa.
Importe, era a palavra inicial... Rasguei tanto as primeiras partidas, que pedi ao chefe que descontasse o material estragado, no meu primeiro salário. Até que desarnei, e fui pegando agilidade.
Desde o princípio, sonhei com uma transferência para a cidade do Crato.Um genro de Seu Pierre, que morava em Brasília, foi o intermediário.
A experiência de voltar a dormir num a cama de solteiro foi inesquecível. Comecei a gostar, embora sentisse muita falta da família. Uma mãe mocinha (21 anos) deixa o filho cochilar no peito, mas não consegue segurar o sono. E os meus foram praticamente desmamados naquela época. Voltaram às mamadeiras, salvos pelo carinho dobrado da avó: Dona Valda!
Parecia que o tempo não corria... Comecei a preencher as noites, ensinando Matemática, no quarto pedagógico do Colégio São José. Ensinar é um vício!
Durante o dia sofria o drama das diferenças contábeis. À noite brincava com os números, enquanto ensinava, e assim passaram-se 3 meses. Chegou minha transferência para o Crato.
E essa notícia tão alegremente recebida marcou minha vida.
Fica para o próximo capítulo, meu tempo de trabalho, na Ag. do Banco do Brasil, em Crato!

* Atendendo o pedido de Jair Rolim 

BISAFLOR CONTA HISTÓRIAS

A história que Bisaflor conta hoje foi escria por sua amiga Rachel de Queiroz, e está narrada no livro "Xerimbabo".

BEZERRO SEM MÃE

Foi numa fazenda de gado, no tempo do ano em que as vagas dão cria. Cada vaca toda satisfeita com o seu bezerro. Mas dois deles andavam tristes de dar pena: uma vaca que tinha perdido o seu bezerro e um bezerro que ficou sem mãe.
A vaquinha até parecia estar chorando, com os peitos cheios de leite, sem filho para mamar. E o bezerro sem mãe gemia, morrendo de fome e abandonado.
Não adiantava juntar os dois, porque a vaca não aceitava. Ela sentia pelo cheiro que o bezerrinho órfão não era filho dela, e o empurrava para longe.
Aí o vaqueiro se lembrou do couro do bezerro morto, que estava secando ao sol. Enrolou naquele couro o bezerrinho sem mãe e levou o bichinho disfarçado para junto da vaca sem filho.
Ora, foi ma beleza! A vaca deu uma lambida no couro, sentiu o cheiro do filho e deixou que o outro mamasse à vontade. E por três dias foi aquela mascarada. Mas no quarto dia, a vaca, de repente, meteu o focinho no couro e puxou fora o disfarce. Lambeu o bezerrinho direto, como se dissesse: “Agora você já está adotado.”
E ficaram os dois no maior amor, como filho e mãe de verdade.

Por Norma Hauer


ROBERTO ROBERTI = ARLINDO MARQUES JÚNIOR
Ele nasceu, aqui no Rio de Janeiro, no dia 9 de agosto de 1915, teve uma vida longa, falecendo em 16 de agosto de 2004, aos 89 anos.
ROBERTO ROBERTI ainda cedo "encontrou-se"com a música popular brasileira compondo,aos 20 anos, "Queixas de Colombina", gravado por Carmen Miranda em 1935. Foi quando iniciou uma parceria com Arlindo Marques Júnior, que perdurou durante anos, quase sempre, com sucessos.
Da dupla, além de "Queixas de Colombina", podemos citar: "O Homem sem Mulher Não Vale Nada", com sua resposta:"Encontrei Minha Amada", ambas gravadas por Orlando Silva;"Música Maestro", com Dircinha Batista; "Nós, os Carecas", com os Anjos do Inferno;"Abre a Janela", com Orlando. Duas composições suas (com outros parceiros) "estouraram" no carnaval, sendo que uma até hoje faz parte dos desfiles carnavalescos (populares) e é sempre apresentada no baile carnavalesco anual realizado na Cinelândia: "Aurora", em parceria com Mário Lago. Com Herivelto Martins compôs "Isaura", gravação de Francisco Alves.

Sempre há umas histórias que não aparecem na Internet.
No ano de 1941, duas composições com nome de mulher foram sucessos no carnaval:"Aurora", de Roberto Roberti e Mário Lago e "Helena", de Antônio Almeida e Constantino Silva.
Com o tema das duas, Roberto Roberti e Arlindo Marques Júnior compuseram "Até Papai":
"por causa da Helena, por causa da Aurora,
até papai só chega em casa a uma hora".

Com "Se a Orgia se Acabar", também da dupla,ocorreu algo referente ao antigo DIP. Orlando gravou esse samba exatamente com esse nome, onde aparece a palavra "orgia".
Pois bem, após essa gravação, que marcou sucesso, o famigerado DIP resolveu que a palavra "orgia" era imoral, por representar vadiagem. Tal palavra foi proibida. Que fizeram os compositores: mudaram o nome para "Fui Traído", e Carlos Galhardo a gravou, no qual a frase final da 1ª estrofe foi transformada de:

"mas eu choro se a orgia se acabar"
para "mas vou chorar se o samba se acabar."

"Grande" DIP, importar-se com mesquinharias.


A porta do lado - Por Dráuzio Varella




Em entrevista dada pelo médico Drauzio Varella, disse ele que a
gente tem um nível de exigência absurdo em relação à vida, que queremos
que absolutamente tudo dê certo, e que, às vezes, por aborrecimentos
mínimos, somos capazes de passar um dia inteiro de cara amarrada.

E aí ele deu um exemplo trivial, que acontece todo dia na vida da gente...

É quando um vizinho estaciona o carro muito encostado ao seu na
garagem (ou pode ser na vaga do estacionamento do shopping). Em vez de
simplesmente entrar pela outra porta, sair com o carro e tratar da sua
vida, você bufa, pragueja, esperneia e estraga o que resta do seu dia.

Eu acho que esta história de dois carros alinhados, impedindo a
abertura da porta do motorista, é um bom exemplo do que torna a vida de
algumas pessoas melhor, e de outras, pior.

Tem gente que tem a vida muito parecida com a de seus amigos,
mas não entende por que eles parecem ser tão mais felizes.

Será que nada dá errado pra eles? Dá aos montes. Só que, para
eles, entrar pela porta do lado, uma vez ou outra, não faz a menor
diferença.

O que não falta neste mundo é gente que se acha o último
biscoito do pacote. Que "audácia" contrariá-los! São aqueles que nunca
ouviram falar em saídas de emergência: fincam o pé, compram briga
e não deixam barato.

Alguém aí falou em complexo de perseguição? Justamente.
O mundo versus eles.

Eu entro muito pela outra porta, e às vezes saio por ela também.
É incômodo, tem um freio de mão no meio do caminho, mas é um problema
solúvel. E como esse, a maioria dos nossos problemões podem ser
resolvidos assim, rapidinho. Basta um telefonema, um e-mail, um pedido
de desculpas, um deixar barato.

Eu ando deixando de graça... Pra ser sincero, vinte e quatro
horas têm sido pouco prá tudo o que eu tenho que fazer, então não vou
perder ainda mais tempo ficando mal-humorado.

Se eu procurar, vou encontrar dezenas de situações irritantes e
gente idem; pilhas de pessoas que vão atrasar meu dia. Então eu uso a
"porta do lado" e vou tratar do que é importante de fato.

Eis a chave do mistério, a fórmula da felicidade, o elixir do
bom humor, a razão por que parece que tão pouca coisa na vida dos outros
dá errado."

Quando os desacertos da vida ameaçarem o seu bom humor, não
estrague o seu dia... Use a porta do lado e mantenha a sua harmonia.
Lembre-se, o humor é contagiante - para o bem e para o mal - portanto,
sorria, e contagie todos ao seu redor com a sua alegria.
A "Porta do lado" pode ser uma boa entrada ou uma boa saída... Experimente!


HOME TEXTOS PARA REFLEXÃO

Vicky Leandros - L'amour Est Bleu (Love Is Blue)

Saramago...


Reparos

- Claude Bloc -

Reencontro-me a cada vez que retorno
ao hálito azul do dia
ao regalo da noite,
rompendo estrelas.

Reconheço-me a cada dia
nas melodias em tom menor
nas raízes das tardes febris
nos olhares latentes,
nos acordes noturnos.

Revejo-me em míseras esperas
na solidão dos amores,
nas saudades presentes...

Repito-me em palavras indomáveis
na evocação das flores
no horizonte do ocaso
aberto em cores.

Reduzo-me à nudez das entrelinhas
onde verseja a inocência
na hora da verdade.

Revivo o sossego de tua presença
o vôo alçado em tuas mãos
pela força da vida,
vencida.

ESCLARECIMENTOS...


Pronto! Tudo voltou ao normal.


Eu havia recebido fotos de Pachelly, lindas por sinal, para mexer no "look" do Cariricaturas, mas estava aguardando um momento a mais para pôr a novidade em forma de propostas.

Acatei a recomendação de Dihelson, que tem muita experiência em construção de Blogs (e layouts) e entende do jogo das cores (as que convém ou não). Segundo ele, já que o livro foi lançado agora e que a foto de Pachelly caracteriza tanto o livro quanto o blog, seria melhor dar um tempo mantendo a imagem e tudo o mais (Concordei com sua sensatez).

O teste que fiz, com a logomarca do"Cariricaturas em Verso e Prosa" foi exclusivamente tentando perceber a reação das pessoas frequentadoras do Cariricaturas em relação a mudanças, constituiu-se apenas numa motivação para debate de opinião.
Realmente (concordo plenamente) a figura central (máscara) no blog pareceu mais assustadora e agressiva que bela. Sabia que não iria "decolar", mas toda tentativa é válida quando se quer acertar, mudar, refenestrar uma idéia.

Portanto, agora tudo voltou ao normal. Sem máculas.

Sugiro que olhem o ZOOMCARIRI (do Pachelly) que mudou de visual. Está lindo!

Quem sabe mais adiante, quando passar esta fase de "namoro" com o nosso "Cariricaturas em Verso e Prosa", apareçam sugestões para mudarmos a imagem do nosso Blog. Por enquanto, ficamos por aqui.

Boa semana para todos.

Abraços saudosos, pois estou de volta à minha ilha: Sobral

Claude

domingo, 8 de agosto de 2010

Por Socorro Moreira

Agosto é o mês dos meus gostos ...
Nem todos !

Os desencontros acontecem,
mas se alternam,
com sonhos de encontros.
Rezo pra Santo Agostinho,
e assisto Hitchcock,
para aprender a desvendar ,
alguns dos teus mistérios.

Um exercício complexo...
O revelar-se
O aprender  com retoques,
na miragem da calma .

Oitavo Mês - por Domingos Barroso


No mês de agosto
deixo partes do meu corpo
pelos bares:

sobre a mesa
do inferninho mais triste

meu coração altivo
dentro de um copo
agoniza.

Já perto do banheiro
meus olhos perdidos
erram de porta

e são fritos
na cozinha.

No mês de agosto
não tenho alma

nem outras donzelas
a me salvarem da vida.

No mês de agosto
minha morte
é clara.

Transparente.


 por Domingos Barroso

Piaget


Sir Jean William Fritz Piaget (Neuchâtel, 9 de agosto de 1896 — Genebra, 16 de setembro de 1980) foi um epistemólogo suíço, considerado o maior expoente do estudo do desenvolvimento cognitivo.

Estudou inicialmente biologia, na Suíça, e posteriormente se dedicou à área de Psicologia, Epistemologia e Educação. Foi professor de psicologia na Universidade de Genebra de 1929 a 1954; tornando-se mundialmente reconhecido pela sua revolução epistemológica. Durante sua vida Piaget escreveu mais de cinqüenta livros e diversas centenas de artigos.

wikipédia

A despedida do amor - Martha Medeiros


Existem duas dores de amor:

A primeira é quando a relação termina e a gente, seguindo amando, tem que se acostumar com a ausência do outro, com a sensação de perda, de rejeição e com a falta de perspectiva, já que ainda estamos tão embrulhados na dor que não conseguimos ver luz no fim do túnel.

A segunda dor é quando começamos a vislumbrar a luz no fim do túnel.

A mais dilacerante é a dor física da falta de beijos e abraços, a dor de virar desimportante para o ser amado. Mas, quando esta dor passa, começamos um outro ritual de despedida: a dor de abandonar o amor que sentíamos. A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre, sem sentimento especial por aquela pessoa. Dói também...

Na verdade, ficamos apegados ao amor tanto quanto à pessoa que o gerou. Muitas pessoas reclamam por não conseguir se desprender de alguém. É que, sem se darem conta, não querem se desprender. Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um souvenir, lembrança de uma época bonita que foi vivida... Passou a ser um bem de valor inestimável, é uma sensação à qual a gente se apega. Faz parte de nós. Queremos, lógicamente, voltar a ser alegres e disponíveis, mas para isso é preciso abrir mão de algo que nos foi caro por muito tempo, que de certa maneira entranhou-se na gente, e que só com muito esforço é possível alforriar.

É uma dor mais amena, quase imperceptível. Talvez, por isso, costuma durar mais do que a "dor-de-cotovelo" propriamente dita. É uma dor que nos confunde. Parece ser aquela mesma dor primeira, mas já é outra. A pessoa que nos deixou já não nos interessa mais, mas interessa o amor que sentíamos por ela, aquele amor que nos justificava como seres humanos, que nos colocava dentro das estatísticas: "Eu amo, logo existo".

Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo. É o arremate de uma história que terminou, externamente, sem nossa concordância, mas que precisa também sair de dentro da gente...

E só então a gente poderá amar, de novo.



HOME TEXTOS SOBRE AMOR

Homenagem A Zé Vilar.

Hoje a única e maior celebraçao que poderia eu fazer a este homem, seria dizer a Deus: Obrigada Senhor; pelo Pai que tive.Ele simplesmente entre tantas coisas, me ensinou bem direitinho o que é AMAR.Liduina Vilar

Recebi de Pachelly, e apresento para considerações de todos !

Recentemente , recebi de Pachelly ,um e-mail , que disponibilizava  algumas das suas fotos , caso quiséssemos  renovar o Front do Cariricaturas.



"Não temos imagens, lá, nós fomos "imaginados" rs rs rs

Aproveito e te envio algumas fotos, quem sabe uma destas, sirva para a renovação do Front do Cariricaturas! A Claude sugeriu, mas estou dando opção de escolhas! Sem compromisso! Na verdade eu não sei
bem o que seria ideal, mas se não  estiverem tão apressadas assim, poderei tirar alguma com este propósito.

Bom, fique a vontade! Abraços"

Pachelly

Não menosprezando a arte de Claúdio Henrique , por sinal primorosa,  considero o novo lay out sugerido, inadequado !
A foto de Pachelly  ficou comprometida, o que felizmente não aconteceu com a capa do nosso livro, onde a foto permanece  livre e imperiosa ! 
Nesta proposta atual , o logotipo "Carri ?  Caturas ", ficou justo em cima da arte de Pachelly. Um despropósito !  

Pachelly, obrigada por tanta generosidade !
De todas, gostei de todas !
Votaria na terceira ou última  para o nosso novo Front.


Essa música é demais !!!!!!!!!

Paciência

Composição: Lenine e Dudu Falcão



Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não para...

Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara...

Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência...

O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência...

Será que é tempo
Que lhe falta para perceber?
Será que temos esse tempo
Para perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para
A vida não para não...

Será que é tempo
Que lhe falta para perceber?
Será que temos esse tempo
Para perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida é tão rara
A vida é tão rara...

A vida é tão rara...


Tonel de Amor.

Certa vez uma amiga minha chamada Rose Ane Lucena (com autorização para citar seu nome), me falou que eu sou um tonel de Amor. E tonel é aquele recipiente grande de metal que nos lugares menos agraciados por àgua, a população o coloca embaixo da "biqueira" do telhado em dias de chuva, para enchê-lo.Essa é apenas uma de suas funçoes. Pois bém, todos nós possuimos um tonel, um túnel,, uma fonte, um córrego, uma cachoeira de Amor dentro de si. Mas é necessário que saibamos e lancemos mão disso.No entanto para tudo isso funcionar, e este tonel chegar até mesmo a transbordar, é necessário uma luz para ativá-lo e fortificá-lo. E aqui na terra essa iluminaçao maior vem dos amigos; que além de serem este brilho,chegam bem juntinho nas horas mais importantes. Um amigo enxuga nossas lágrimas, um amigo nos dá cólo, oferece seus ouvidos, nos abraça fortemente...Um amigo é um cuidador por excelência!...Se  alguém passar por essa existência sem possuir uma porção deles, tenho que citar o famoso escritor Francisco Otaviano:"Passou pela vida em brancas nuvens, e em plácido repouso adormeceu, só passou pela vida, não viveu".
Dedico esse texto especialmente a amiga Rose, que de repente não é apenas um, mas muitos tonéis de amor, carinho e dedicaçao aos seus amigos. 

Liduina Belchior.

O canário



O canário

Olha o canário: canta, depois voa.
A libélula cai de uma haste fina.
O capim brilha à beira da lagoa.
O sol beija de leve as folhas verdes.

O vento esconde-se no bambual.
O gavião soberbo na manhã.
Refresco os pés nas águas do riacho.
Os lambaris, lavados e prateados.

Olha o canário: vai morrer, mas canta.
E olha a borboleta como dorme.
Olha os patos selvagens como gritam.
E as águas correm verdes entre as pedras.

Um grilo grita muito fracamente.
Um sagui se pendura num cipó.
Os pica-paus martelam o coqueiro.
O céu e as nuvens são um rio sem água.

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"A Casa do Recreio" - por Socorro Moreira

A casa que nasceu Vicente Leite , que pertence à Dona Almina Arraes, fica na Rua do Recreio, próximo ao Hospital Manoel de Abreu. Pelos cálculos de Dona Almina essa construção tem muito mais de cem anos.
Foi lá que nasceram seus dois primeiros filhos : Maria Edite e Joaquim Pinheiro. Por fortes razões ela sente-se ligada à casa, sentimentalmente.
Inegável,  a beleza arquitetônica , e a vontade de todos é preservá-la, como património histórico e cultural da nossa cidade e região.
Por amor  às boas memórias , a intenção de Dona Almina é cedê-la, para que se viabilize a sua restauração, e passe  a exercer  um papel social , como " point"  de todas as artes, notadamente da Pintura.
Pensamos de forma coletiva , no bem comum: angariar recursos  para  a materialização desse projeto, tendo como passo inicial, a abertura de uma Associação organizada, que administre os consequentes planos de ação. O arquiteto Waldemar Farias já nos prometeu um projeto de restauração , e algumas figuras da comunidade já assumiram o voluntariado de abraçar a causa , como : Nicodemos, Fátima Figueiredo, Joemir, Josenir e Miguel, Emerson Monteiro, Marcos Cunha, Socorro Moreira, Roberto Jamacaru, Abidoral Jamacaru, João do Crato,Fabiana Vieira, Liduína Belchior, Maryfran Oliveira, Verônica, João Marni, Maurílio Peixoto,  e tantos outros , que já se agregam  ao grupo inicial.
Precisamos unir forças , e centrar as nossas energias para que  desta feita não venhamos a perder  mais um edifício ,que conta a nossa história.
Dia 11 de Agosto, estaremos nos reunindo mais uma vez para discutir  estratégias de recuperação da casa, aprovação dos estatutos  da Associação, e eleição da  primeira diretoria. Para isso contamos com a presença  de todos os interessados  , em se tratando de um assunto relevante  e do interesse de todo cratense, inclusive de todos os amantes da arte, que  povoam a região do Cariri.
Sintam-se convidados, e incluídos  neste projeto !
Falo em nome do Cariricaturas ,  que de boa vontade, acha-se envolvido , como força de trabalho.

P.S.Quarta-feira estaremos formalizando convite, e determinando local e hora da reunião. Aguardem !


Betinho


Herbert José de Sousa, conhecido como Betinho, (Bocaiúva, 3 de novembro de 1935 — 9 de agosto de 1997) foi um sociólogo e ativista dos direitos humanos brasileiro. Concebeu e dedicou-se ao projeto Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida.

Herbert Jose de Souza nasceu no norte de Minas Gerais e, junto com seus dois irmãos - o cartunista Henfil e o músico Chico Mário, herdou da mãe a hemofilia, e desde a infância sofreu com outros problemas, como a tuberculose. "Eu nasci para o desastre, porém com sorte" - costumava dizer.

Foi criado em ambientes inusitados: a penitenciária e a funerária, onde o pai trabalhava. Mas sua formação teve grande influência dos padres dominicanos, com os quais travou contato na década de 1950. Integrou a JEC (Juventude Estudantil Católica), a JUC (Juventude Universitária Católica) e, em 1962, fundou a AP (Ação Popular), da qual foi o primeiro coordenador.

Concluiu seus estudos universitários em Sociologia, no ano de 1962. Durante o governo de João Goulart assessorou o MEC, chefiou a Assessoria do Ministro Paulo de Tarso Santos, e defendeu as Reformas de base, sobretudo a reforma agrária.

Com o golpe militar, em 1964, mobilizou-se contra a ditadura, sem nunca esquecer as causas sociais, porém. Com o aumento da repressão, foi obrigado a se exilar no Chile, em 1971. Lá assessorou Salvador Allende, até sua deposição em 1973. Conseguiu escapar do golpe de Pinochet refugiando-se na embaixada panamenha. Posteriormente morou no Canadá e no México. Durante esse período foram reforçadas as suas convicções sobre a democracia - que ele julgava ser incompatível com o sistema capitalista.

Foi homenageado como "o irmão do Henfil" na canção "O bêbado e a equilibrista", de João Bosco e Aldir Blanc, gravada por Elis Regina - "Meu Brasil / que sonha com a volta do irmão do Henfil / de tanta gente que partiu…" - à época da Campanha pela Anistia aos presos e exilados políticos. Anistiado em 1979, voltou ao Brasil.

Em 1981, junto com os economistas Carlos Afonso e Marcos Arruda, fundou o IBASE - Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas. e passou a se dedicar à luta pela reforma agrária, sendo um de seus principais articuladores. Nesse sentido conseguiu reunir, em 1990, milhares de pessoas no Aterro do Flamengo, Rio de Janeiro, em manifestação pela causa.

Betinho também integrou as forças que resultaram no impeachment do Presidente da República Fernando Collor. Mas o projeto pelo qual se imortalizou foi, provavelmente, a Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida, movimento em favor dos pobres e excluídos.

Em 1986 Betinho descobriu ter contraído o vírus da AIDS em uma das transfusões de sangue a que era obrigado a se submeter periodicamente devido à hemofilia. Em sua vida pública esse fato repercutiu na criação de movimentos de defesa dos direitos dos portadores do vírus. Junto com outros membros da sociedade civil, fundou e presidiu até a sua morte a Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS. Dois dos seus irmãos, Henfil e Chico Mário, morreram em 1988 por conseqüência da mesma doença. Mesmo assim, não deixou de ser ativo até o final de sua vida, dizendo que a sua condição de soropositivo o forçava a "comemorar a vida todas as manhãs".

Morreu em 1997, já bastante debilitado pela AIDS. Deixou dois filhos: Daniel, filho do seu primeiro casamento com Irles Carvalho, e Henrique, filho do segundo casamento com Maria Nakano, com quem viveu por 27 anos.
wikipédia

Instituto Federal Educação, Ciência e Tecnologia - Campus Crato - lança programa Qualidade de Vida

O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia - IFCE - Campus Crato, ex-Escola Agrotécnica Federal de Crato, lança, amanhã, dia 9, o programa Qualidade de Vida – Viver Bem, Trabalhar Melhor. A motivação da direção do Instituto para a execução do programa é, primordialmente, as mudanças sociais, políticas e culturais que o ambiente empresarial vem atravessando nos últimos tempos, com o aumento da competitividade que vem exigindo dos trabalhadores em geral uma maior produtividade e eficiência dos serviços prestados. E para atingir estas metas, faz-se necessário uma maior atenção para a qualidade de vida dos trabalhadores.

Nesta perspectiva, o programa Qualidade de Vida, do IFCE-Crato irá promover ações voltadas para a valorização dos recursos humanos do órgão, dispensando atenção principal à saúde e ao bem-estar físico e mental de seus servidores, visando garantir a excelência tanto de nível de produtividade como da prestação de serviços, com destaque para o equilíbrio do clima organizacional.

O programa será lançado amanhã, a partir das 14:30 Horas com apresentação cultural a cargo da poeta Anilda Figueiredo, membro da Academia dos Cordelistas do Crato. Na sequência a professora do Instituto, Angélica Maria Luna Costa, fará a apresentação do programa. Finalizando o lançamento, a psicóloga Fernanda Cândido, do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador, fará palestra sobre Qualidade de Vida.

Até o final do ano, várias atividades serão promovidas na execução do programa, como exibição de filmes, sessões de ginástica laboral, curso de Yoga, palestras, celebrações de aniversários e datas comemorativas e passeios.

Fonte: IFCE – Campus Crato

Mês dos pais - Emerson Monteiro

Conceituam-se as coisas para atender necessidades, de mercado ou de conveniência, mas conceituar transforma o simples no complexo e o certo no duvidoso, ou no sentido inverso, conquanto sirva de base ao andamento dos barcos, neste mundo de balcões em que a vida humana reverteu-se, num tempo de muita galinha e pouco ovo.
Maio foi eleito o mês das mães, desde noivas a futuras mamães; a Maria, mãe de Jesus. Isso enquanto as flores perfumam os jardins e tudo parece corresponder, em termos de felicidade e harmonia.
Já o mês de agosto se tornou o mês dos pais, nos turnos de comércio, tempo de dar presente a quem paga os presentes o ano todo.
Fase boa de fazer reflexões do que sejam os pais dessa era de mudança arregaçada em tudo, quando criar filhos virou ginástica imprevisível e de muitas posições, a perguntar quais os caminhos reais da estrada do futuro da família sob os maiores desafios de sobrevivência moral.
Outros momentos prometiam melhores esperanças, sem querer lançar mais lenha na fogueira das vaidades humanas antigas. Ser pai envolve compromisso de mostrar resultados em forma do sucesso profissional e geração de emprego e renda, salvadas aparências e desenganos.
Nunca tantos habitaram a face da Terra, planeta enfumaçado e neutro aos valores da guerra dos compromissos. E os pais saem calados em busca do pão de cada dia no formato dos tempos modernos, comerciais, automáticos, industriais, digitais, acelerados.
Aos homens que têm o mérito de cumprir tal missão de criar e manter os filhos e indicar as alternativas, cabe-nos olhar com bons olhos e vê-los quais cidadãos comuns, porém cobertos das cinzas da incerteza nos vagões de segunda, dados fatores que lhes restringem os passos, nos fardos familiares de outras exigências oficiais e pagamentos de impostos e taxas.
Na roda viva desses meios, portanto, as correias dentadas do coração reclamam apoio a esses homens heróicos, nas armaduras de pais, mães ou filhos. A humana sociedade precisa abrir o sentimento ao pouco que isso corresponde nas promessas dos manuais. Iniciativas pedem coragem e criatividade, sem permitir falhas por conta do que virá depois, nas folhas de pagamento e permissões oficiais das filas e postos de saúde.
Vivam sempre todos os pais, enquanto andam conosco, e mais adiante na saudade dos que se foram, em sinal de reconhecimento à luta que travam contra a mesmice, em favor dos sonhos positivos.

PORTO CENTENÁRIO - Por Marcos Barreto de Melo

PORTO CENTENÁRIO


Naquele porto centenário
Você chegou desconfiado
Arrastando a sua dor
Pra enfrentar o dragão
Carregado de furor
Chegou triste, acabrunhado
Pra começar seu calvário
Trazido quase arrastado
Tal qual um touro enfezado
Puxado ao pé do mourão

No meio daquele espinheiro
Nem muita fé, nem dinheiro
Iriam fazer domar
Aquele dragão voraz
Que insistia em lhe devorar
Carregando a sua paz

Após um sono profundo
Você acordou pro mundo
Viu que na queda de braço
Tinha sido o perdedor
Saiu de lá deprimido
Qual um bagaço moído
Com o seu corpo já marcado
Pelo que lhe foi levado

Rancoroso, inconformado
Voltou ao seu velho ninho
Pra receber dos amigos
O conforto e o carinho
Mas, na doçura da moagem
No cheiro da rapadura
Você era a imagem
De quem vivia a amargura
E na imensidão da bagaceira
Sentiu-se o próprio bagaço
Pois na hora do abraço
Novamente o desgosto
Pela falta em pleno agosto
Que sentia do seu braço



Marcos Barreto de Melo