Criadores & Criaturas
"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata."
(Carlos Drummond de Andrade)
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quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Amor Declarado - por Eduardo Lara Resende
Em qualquer lugar onde fosse possível escrever usando lápis, caneta, giz, carvão ou a ponta dos dedos, a Humanidade haveria de saber do amor eterno de Priscila por Ricardo. Pri ama Cacado - era o aviso, o recado de esperança aos corações velhos dessa multidão de coroas que tem espalhada pelo mundo. Todos descrentes do amor que sorri, acarinha, acompanha nos programas de fim de semana.
Cacado era mais que o colega de escola: era o amigo, o irmão, o confidente, o.... Melhor não especular, tentar enxergar um futuro que a sonhadora Priscila não conseguia ver muito além de sucesso, felicidade, alegria, compras no shopping e, claro, o Cacado. O vapor da água quente do chuveiro embaçava o espelho do banheiro? Lá aparecia logo um Pri ama Cacado e, abaixo, um coraçãozinho bem desenhado. Carro com poeira ou lama seca em seu caminho? Cimento fresco na calçada? O quadro na sala de aula limpo e sem ninguém por perto, na hora do recreio? Pri ama Cacado.
Tudo isso pelo lado dela, que nem ligava pelo fato de Ricardo não estar tão presente como gostaria - tão próximo, tão amigo, tão irmão, tão confidente. Duas ou três vezes tinham ido ao cinema, outras tantas a festas de aniversário da turma, onde Priscila aproveitara para deixar em guardanapos, blocos de anotações da casa e até em um imã de geladeira, a marca de sua paixão.
Mas tudo começou a mudar no dia em que Priscila surpreendeu a turma rindo dela na sala de aula. Dela e do que deixara escrito no quadro, antes do recreio. Confusa, só caiu em si quando lhe explicaram que a frase 'Pri ama Cacado' compreendia um cacófato - amacacado, com jeito de macaco. Qual palavra seria mais ridícula - cacófato ou amacacado? Priscila então resolveu mudar. Treinou a tarde toda nas folhas de seu fichário escolar: Priscila ama Ricardo, Pri ama Ricardo, Pri ama Ric...Nada bom, tudo muito certinho. Parecia coisa de apaixonado velho e bobo. Foi quando ouviu da apresentadora na TV que era preciso "que nós mulheres nos amemos, nos gostemos". Uma exortação definitiva ao amor universal, sempre nas mãos e nos corações das mulheres.
A revelação coincidiu com a descoberta de que Ricardo já estava em outra, atrás de uma garota horrível, sem graça, cujo nome ela nem queria saber. Nem assim, pensou, desistiria de seus recados. Ela se amava, como havia recomendado a apresentadora. Além disso, era verdade que o Cacado ainda mexia com ela, mas pra que deixar que ele e os outros percebessem?
No dia seguinte – um novo dia para uma nova mulher – a frase apareceu bem desenhada no espelho do banheiro:
“Eu amo a gente”.
O último voo - por Eduardo Lara Resende
(Imagem: LinBow) Oraci só tinha de seu o riso constante. Ria sem saber de felicidade ou infelicidade. Riso de poucos dentes e de olhar cheio de dor, que ele não sentia. Como sentia a vida por trás da grade da janela. Dali Oraci via o mundo coberto de grama verde. Tinha árvores, flores e uma centena de pássaros.
Uma centena de pássaros... Oraci não sabia contar. Nunca soube. Mas para ele, cem era número enorme. Cem dias, cem anos, cem pessoas visitando os hóspedes da Casa nos fins de semana... Uma multidão. Mas era para aqueles cem pássaros que Oraci tinha olhos que brilhavam e sorrisos que fazia chegar à ponta dos dedos - o braço estendido para fora da grade, querendo pegar o mundo.
Oraci também não tinha idéias. Aliás, tinha uma idéia-vontade, idéia-sonho: queria voar como aqueles pássaros. Voar como eles e com eles. Voar sorrindo, rindo muito. Gargalhando. Isso devia ter um nome, mas Oraci não sabia de nomes. Só sabia de pássaros, de sorrisos e da vontade de voar.
De tanto ver os cem pássaros, Oraci um dia descobriu que tinha asas. Só não tinha liberdade. Trocou então o riso por gestos que fazia pela janela. Estendia a mão, franzia a testa. Pedia aos pássaros que o esperassem.
E como quem quer voar sempre conta com o socorro de mãos invisíveis, em determinado amanhecer Oraci achou destrancada a porta do quarto. Justo na hora em que os cem pássaros apareciam no mundo. O homem então saiu pelo corredor. Tinha pressa, os pássaros haviam sinalizado que logo partiriam em migração.
À beira do precipício Oraci sorriu e sacudiu as asas.
Deu um salto, e então voou.
Estudante - por Socorro Moreira
Dia do Estudante
terça-feira, 10 de agosto de 2010
PARA UM POETA - Por Edilma Saraiva Rocha

Por isso, muitas e muitas vezes a vida nos passa tão corrida que nem percebemos como andamos tratando os nossos amores, nossos amigos, nossos familiares. Nos fechamos numa concha, na nossa dor ou na nossa euforia e esquecemos de olhar para os lados, para além de nós mesmos.
Para mim as pessoas queridas são como peças raras: são frágeis e caras e de tão frágeis não devemos apertá-las demais, nem as deixar frouxas nas mãos.
O amor e os afetos são, portanto, como cristais. É preciso tomar cuidado pra não trincá-los, nem parti-los, pois o coração é como uma caixa em que vamos guardando pessoas importantes, aquelas que fazem diferença e que só acrescentam o que há de bom na nossa vida... Muitas vezes nem sabemos carregar essa caixa no nosso dia-a-dia. Sentimos-nos acuados, sentidos, ou permitimos que a incompreensão se avolume e nos cegue. Mas o segredo para nos sentirmos felizes é carregar essa caixa com delicadeza e, ao mesmo tempo, com firmeza, para que nossos cristais não se espalhem, não se quebrem, nem se percam pelo caminho.
São esses os cristais que carregamos: amigos, amores, família. Minha caixa está abarrotada deles e, por essa razão, vou segurando tudo aqui, perto do peito. E sigo pisando firme, olhando pra frente, cuidando para não tropeçar... Carregar pessoas queridas é responsabilidade grande. Não se pode lidar com elas de qualquer jeito. E se no trajeto precisarmos pousar a caixa, é importante escolher um lugar seguro, mas de fácil acesso, para nunca perdê-la de vista. Desta forma, o cristal não se quebra, nem fica esquecido.
Cristais podem durar para sempre, afetos também... Só precisamos é aprender a carregá-los...
Show produzido por Elmano Rodrigues Pinheiro
Viver bem e de maneira simples é possível - Por José de Arimatéa dos Santos
Vida itinerante de uma bancária - (III) - por Socorro Moreira
Por Ana Cecília S.Bastos
Mariscos - por Everardo Norões
Devaneando.Liduina Belchior.
Ficar pequenininha
para entrar na sua cabeça,
observar seus neurônios,
A comunicação entre eles(sinapses)
ir até o tálamo e verificar
suas emoções e sentimentos,
Descobrir o que pensa,
O que deseja,
Qual sua missão diária,
Quantos gritos de "ais" ou
ou nenhum você daria hoje,
Gostaria de "viajar" em seu
cérebro para observar cada riso,
cada alegria, cada estação...
Seria ótimo (dentro do cérebro),
Descobrir seu grau de loucura,
pois todos nós a possuimos em níveis
idiossincráticos; Mas possuimos.
Eu iria vibrar,pois poderia comparar
com a minha, e mediria esta tal sanidade
mental.A insanidade viaja perto de nós
em questão de segundos.
O óbvio seria não nos tornarmos lunáticos.
Nos bastidores .... Vivendo & (Re)vivendo

Pensei,
duvidei,
vivi,
Missão diária cumprida.
quebrou-se o cristal
arrastei-me pela casa
em vão,
andei,
juntando os caquinhos
missão comprida.
Daniel Boris (Jacques) disse...
vivi o ontem
sonhei com o amnhã
agarrei-me com o hoje
a lua fez a sua curva
hora de dormir
missão comprida
Vida itinerante de uma bancária (II) - por Socorro Moreira
Tiago Araripe
Xico Bizerra recebe titulo de cidadão recifense - Por A. Morais
Recebemos do colega aposentado, Xico Bizerra, o seguinte convite: "Por iniciativa do povo recifense, representado pela unanimidade dos vereadores da Cidade, receberei, com muito orgulho, o título de Cidadão do Recife. Gostaria muito de compartilhar dessa alegria com você, no dia 20 de Agosto, na Câmara de Vereadores do Recife, às 10 horas da manhã."
“Proposta do Vereador Josenildo Sinesio aprovada por unanimidade pelos Edis Recifenses, Requerimento 1731, Decreto Legislativo 09/2010. Sessão Solene a ser realizada em 20.08.2010, as 10 horas, Câmara Municipal do Recife”. Francisco José Bizerra de Carvalho, conhecido por Xico Bizerra, trabalhou por 28 anos como Analista do Banco Central. Aposentado desde 2005, se dedica à música nordestina, sendo autor de 8 CDs do seu projeto Cultural FORROBOXOTE. Hoje, é reconhecido como grande compositor e poeta, autor de mais de 400 canções, sendo, inclusive, o autor mais gravado na Região nos últimos 5 anos. Xico Bizerra tem suas canções interpretadas por mais de 200 cantores e cantoras por todo o Brasil; dentre eles, Dominguinhos, Elba Ramalho, Quinteto Violado, Amelinha, Xangai, Maciel Melo e Santanna. Sua música SE TU QUISER, lançada em 2002, já conta com 107 gravações por artistas distintos.
Para Karimai - por Renato Dantas
Yesterday when I was young - Elton John & Charles Aznavour
Yesterday when I was young
Written by: Charles Aznavour
Yesterday when I was young
The taste of life was sweet as rain upon my tongue
I teased at life as if it were a foolish game
The way the evening breeze may tease a candle flame
The thousand dreams I dreamed, the splendid things I planned
I always built, alas, on weak and shifting sand
I lived by night and shunned the naked light of day
And only now I see how the years ran away
Yesterday when I was young
So many drinking songs were waiting to be sung
So many wayward pleasures lay in store for me
And so much pain my dazzled eyes refused to see
I ran so fast that time and youth at last ran out
I never stopped to think what life was all about
And every conversation I can now recall
Concerned itself with me, and nothing else at all
Yesterday the moon was blue
And every crazy day brought something new to do
I used my magic age as if it were a wand
And never saw the waste and emptiness beyond
The game of love I played with arrogance and pride
And every flame I lit too quickly, quickly died
The friends I made all seemed somehow to drift away
And only I am left on stage to end the play
There are so many songs in me that won't be sung
I feel the bitter taste of tears upon my tongue
The time has come for me to pay for yesterday when I was young.














