Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

ENVIE SUA FOTO E COLABORE COM O CARIRICATURAS



... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
.....................
claude_bloc@hotmail.com

domingo, 21 de novembro de 2010

Pensamentos meus ... - Por Rosa Guerrera




Relendo hoje um velho livro de minha autoria , escrito em 1987 , pensei em arquivar também aqui no blog , alguns pensamentos que ali deixei . .

E curiosamente observei como a vida é realmente um circulo vicioso. No hoje ou no amanhã ,estamos sempre a repetir gestos, falas e sentimentos que aconteceram no passado.................

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“Existe sempre uma espera dentro de cada coração !
E nessa espera uma árvore chamada DEPOIS, composta de várias ramas .
Morremos a cada instante e renascemos a cada momento., enquanto a espera continua ...
Mesmo que o DEPOIS vá adiantando sempre
Mais e mais o seu passo .”

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“Rabisquei a tua foto nos meus sonhos de criança ...
Sem imaginar jamais que um dia seria fotografada pelo teu amor ,
No instante em que fiquei completamente despida
Nos teus braços “.

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“Soltei o leme da minha embarcação
Sem temer a ofensiva do vazio ...
E fui te encontrar a minha espera
Trazendo no rosto o cansaço dos dias
Vividos sem mim” .

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“Trago nos meus olhos uma imágem perdida
E nas costas uma mochila carregada de saudades ..
Mas mesmo assim , ainda sei acreditar no amor”.


rosa guerrera

Encontros - Por Rosa Guerrera



Inúmeros são os encontros existentes na vida de todos nós .
Encontros - esbarros que pouco ou nada significam, encontros sem planos e sem projetos, encontros furtivos de momentos de paixão , encontros inesperados que iluminam por algum tempo uma esperança e aqueles que marcam em traços profundos dentro do coração da gente , instantes eternos de felicidade .
Quantos e quantos encontros já aconteceram na minha vida. Abraços que ficaram , sorrisos que partiram , beijos que não secaram nos meus lábios , imagens apagadas, perfis com moldura de saudades ; tudo em forma de um encontro que aconteceu sem momento e sem hora marcada de existir , de viver e de partir .
Hoje trago no coração todas essas experiências que a vida me ofertou . Talvez por isso amo as rugas do meu rosto, e a neve que já caiu faz tempo nos meus cabelos.Possuo através do tempo muitas historias para contar ,porque a cada vez que abri a porta do meu coração para um novo encontro eu vivi o instante e o momento em que ele aconteceu.
Nunca analisei as várias maneiras que amei, julguei amar ou fui amada .
E essa certeza de não ter deixado lacunas ou pausas para vivenciar esses momentos que marcaram minha existência é o que moldou pra sempre as rimas e os temas das minhas poesias


rosa guerrera

50 dicas de Português - Colaboração de Francisco Babo



1 - "Custas só se usa na linguagem jurídica" para designar despesas feitas no processo. Portanto, devemos dizer: "O filho vive à custa do pai". No singular.

2 - Não existe a expressão "à medida em que". Ou se usa à medida que correspondente a à proporção que, ou se usa na medida em que equivalente a tendo em vista que.

3 - 'O certo é "a meu ver" e não ao meu ver.

4 - "A princípio" significa inicialmente, "antes de mais nada": Ex: A princípio, gostaria de dizer que estou bem. "Em princípio" quer dizer "em tese". Ex: Em princípio, todos concordaram com minha sugestão.

5 - "À-toa", (com hífen), é um adjetivo e significa "inútil", "desprezível". Ex: Esse rapaz é um sujeito à-toa. "À toa", (sem hífen), é uma locução adverbial e quer dizer "a esmo", "inutilmente". Ex: Andava à toa na vida.

6 - Com a conjunção se, deve-se utilizar acaso, e nunca caso. O certo: "Se acaso vir meu amigo por aí, diga-lhe..." Mas podemos dizer: "Caso o veja por aí...".

7 - 'Acerca de' quer dizer 'a respeito de'. Veja: Falei com ele acerca de um problema matemático. Mas há cerca de é uma expressão em que o verbo haver indica tempo transcorrido, equivalente a faz. Veja: Há cerca de um mês que não a vejo.

8 - Não esqueça: alface é substantivo feminino. A Alface está bem verdinha.

9 - Além pede sempre o hífen: 'além-mar', 'além-fronteiras' etc.

10 - Algures é um advérbio de lugar e quer dizer 'em algum lugar'. Já alhures significa 'em outro lugar'.

11 - Mantenha o timbre fechado do o no plural dessas palavras: 'almoços', 'bolsos', 'estojos', 'esposos', 'sogros', 'polvos' etc.

12 - O certo é 'alto-falante', e não auto-falante.

13 - O certo é 'alugam-se casas', e não aluga-se casas. Mas devemos dizer precisa-se de empregados, trata-se de problemas. Observe a presença da preposição (de) após o verbo. É a dica pra não errar.

14 - Depois de ditongo, geralmente se emprega x. Veja: 'afrouxar', 'encaixe', 'feixe', 'baixa', 'faixa', 'frouxo', 'rouxinol', 'trouxa', 'peixe', etc.

15 - Ancião tem três plurais: 'anciãos', 'anciães', 'anciões'.

16 - Só use ao 'invés de' para significar 'ao contrário de', ou seja, 'com idéia de oposição'. Veja: Ela gosta de usar preto ao invés de branco. Ao invés de chorar, ela sorriu. Em vez de quer dizer em lugar de. Não tem necessariamente a idéia de oposição. Veja: Em vez de estudar, ela foi brincar com as colegas. (Estudar não é antônimo de brincar).

17 - Ainda se vê e se ouve muito aterrisar em lugar de aterrissar, com dois s. 'Escreva sempre com o s dobrado'.

18 - 'Não existe preço barato ou preço caro'. Só existe preço alto ou baixo. 'O produto, sim, é que pode ser caro ou barato'. Veja: Esse televisor é muito caro. O preço desse televisor é alto.

19 - Ainda se vê muito, principalmente na entrada das cidades, a expressão bem vindo (sem hífen) e até benvindo. As duas estão erradas. Deve-se escrever 'bem-vindo', sempre com hífen.

20 - Atenção: 'nunca empregue hífen depois de bi, tri, tetra, penta, hexa, etc'. O nome fica sempre coladinho. O Sport se tornou tetracampeão no ano 2000. O Náutico foi hexacampeão em 1968. O Brasil foi bicampeão em 1962. O INTER-RS é o atual bicampeão da Taça Liberdadores.

21 - Veja bem: 'uma revista bimensal é publicada duas vezes ao mês', ou seja, 'de 15 em 15 dias'. 'A revista bimestral só sai nas bancas de dois em dois meses'. Percebeu a diferença?

22 - Hoje, tanto se diz 'boêmia' como 'boemia'. Nelson Gonçalves consagrou a segunda, com a tonacidade no mia.

23 - Cuidado: 'Eu caibo' dentro daquela caixa. A primeira pessoa do presente do indicativo assim se escreve porque o verbo é irregular.

24 - Preste atenção: 'o senador Luiz Estêvão foi cassado'. Mas 'o leão foi caçado' e nunca foi achado. Portanto, 'cassar' (com dois s) quer dizer tornar nulo, sem efeito.

25 - Existem palavras que 'só devem ser empregadas no plural'. Veja: osóculos, as núpcias, as olheiras, os parabéns, os pêsames, as primícias, os víveres, os afazeres, os anais, os arredores, os escombros, as fezes, as hemorróidas, etc.

26 - Pouca gente tem coragem de usar, mas o plural de caráter é 'caracteres'. Então, Carlos pode ser um bom-caráter, mas os dois irmãos dele são dois maus-caracteres.

27 - 'Cartão de crédito e cartão de visita não pedem hífen'. 'Já cartão-postal exige o tracinho'.

28 - 'Catequese se escreve com s', mas 'catequizar é com z'. Esse português...

29 - O exemplo acima foge de uma regrinha que diz o seguinte: os verbos derivados de palavras primitivas grafadas com s formam-se com o acréscimo do sufixo -ar: análise-analisar, pesquisa-pesquisar, aviso-avisar, paralisia-paralisar, etc.

30 - 'Censo é de recenseamento'; 'senso refere-se a juízo'. Veja: O censo deste ano deve ser feito com senso crítico.

31 - 'Você não bebe a champanhe. Bebe o champanhe'. É, portanto, palavra masculina.

32 - 'Cidadão só tem um plural: cidadãos'.

33 - Cincoenta não existe. 'Escreva sempre cinquenta'.

34 - Ainda tem gente que erra quando vai falar gratuito e dá tonicidade ao i, como de fosse gratuíto. 'O certo é gratuito', da mesma forma que pronunciamos intuito, circuito, fortuito, etc.

35 - E ainda tem gente que teima em dizer rúbrica, em vez de rubrica, com a sílaba bri mais forte que as outras. 'Escreva e diga sempre rubrica'.

36 - 'Ninguém diz eu coloro esse desenho'. Dói no ouvido. Portanto, o verbo colorir é defectivo (defeituoso) e não aceita a conjugação da primeira pessoa do singular do presente do indicativo. 'A mesma coisa é o verbo abolir'. Ninguém é doido de dizer eu abulo. Pra dar um jeitinho, diga: Eu vou colorir esse desenho. Eu vou abolir esse preconceito.

37 - 'Outro verbo danado é computar'. Não podemos conjugar as três primeiras pessoas: eu computo, tu computas, ele computa. A gente vai entender outra coisa, não é mesmo? Então, para evitar esses palavrões, decidiu-se pela proibição da conjugação nessas pessoas. Mas se conjugam as outras três do plural: computamos, computais, computam.

38 - Outra vez atenção: os verbos terminados em -uar fazem a segunda e a terceira pessoa do singular do presente do indicativo e a terceira pessoa do imperativo afirmativo em -e e não em -i. Observe: Eu quero que ele continue assim. Efetue essas contas, por favor. Menino, continue onde estava.

39 - A propósito do item anterior, devemos lembrar que os verbos terminados em -uir devem ser escritos naqueles tempos com -i, e não -e. Veja: Ele possui muitos bens. Ela me inclui entre seus amigos de confiança. Isso influi bastante nas minhas decisões. Aquilo não contribui em nada com o progresso.

40 - 'Coser significa costurar'. 'Cozer significa cozinhar'.

41 - 'O correto é dizer deputado por São Paulo', 'senador por Pernambuco', e não deputado de São Paulo e senador de Pernambuco.

42 - 'Descriminar' é absolver de crime, inocentar. 'Discriminar' é distinguir, separar. Então dizemos: Alguns políticos querem descriminar o aborto. Não devemos discriminar os pobres.

43 - 'Dia a dia (sem hífen) é uma expressão adverbial que quer dizer todos os dias, dia após dia'. Por exemplo: Dia a diaminha saudade vai crescendo. Enquanto que 'dia-a-dia (com hífen) é um substantivo que significa cotidiano' e admite o artigo: O dia-a-diadessa gente rica deve ser um tédio.

44 - 'A pronúncia certa é disenteria', e não desinteria.
45 - A palavra 'dó (pena) é masculina'. Portanto, 'Sentimos muito dó daquela moça'.

46 - 'Nas expressões é muito, é pouco, é suficiente, o verbo ser fica sempre no singular', sobretudo quando denota quantidade, distância, peso. Ex: Dez quilos é muito. Dez reais é pouco. Dois gramas é suficiente.

47 - 'Há duas formas de dizer': é proibido entrada, e é proibida a entrada. Observe a presença do artigo a na segunda locução.

48 - Já se disse muitas vezes, mas vale repetir: 'televisão em cores', e não a cores.

49 - Cuidado: 'emergir é vir à tona', vir à superfície. Por exemplo: O monstro emergiu do lago. Mas 'imergir é o contrário': é mergulhar, afundar. Veja o exemplo: O navio imergiu em alto-mar.

50 - A confusão é grande, mas 'se admitem as três grafias': 'enfarte, enfarto e infarto'.

O “eclético” Kevin Costner – José Nilton Mariano Saraiva

Produtor, diretor e muito bom ator de filmes da concorrida Hollywood (quem não lembra de Dança com Lobos, Os Intocáveis, Sem Saída, O Mistério da Libélula, Instinto Secreto, O Guarda Costas, Pacto de Justiça, dentre outros), vencedor de nada menos que sete Oscars ( inclusive de melhor diretor e de melhor filme com o excelente “Dança com Lobos” ), o discreto e pouco badalado americano Kevin Costner mostrou que tem, também, muito talento para a música, ao se apresentar com a sua banda country “Modern West” no SP Onlive Festival, na cidade de Bauru, interior de São Paulo, na madrugada deste domingo (21). A simpatia, a maneira como se comporta no palco, como usa seu instrumento (violão) e a voz firme com que executa cada canção, surpreendeu favoravelmente a todos.
Grande parte do público presente no show era formada por jovens, mas havia também expectadores de cabelos grisalhos, igualmente animados e surpresos. Para os que tiveram o privilégio de o assistirem ao vivo, Kevin Costner cantando foi uma experiência inédita e gratificante.
A pergunta que fica: será que aqui no Brasil alguma personalidade consagrada e famosa (como o é indubitavelmente o Kevin Costner) teria a coragem ou disposição pra se apresentar em cima de um palco e, de quebra, numa cidade interiorana ???
Duvidamos.

O que posso fazer? – por Pedro Esmeraldo

Tinha feito o propósito de não me meter mais neste assunto do fechamento da Escola Maria Amélia Esmeraldo, localizada no sítio São José. Agora, diante das novas circunstâncias – e para não ser omisso – sou obrigado a retornar ao assunto.

Estava à tardinha em minha casa, quando vieram avisar-se de que havia pessoas nocivas à sociedade preparando-se para demolir o prédio da Escolinha Maria Amélia Esmeraldo. Respondi que nada podia fazer, já que as autoridades responsáveis do município nada fizeram para evitar o fechamento daquela Escola. Confirmei que não encontrava apoio dessas autoridades e acreditava que o objetivo agora era o de aferrolhar aquela escola, em detrimento da educação das crianças residentes naquela comunidade. Parecia até pirraça dessas autoridades, com o intuito de querer-me aparvalhar, pensando que me iam me prejudicar ou enxovalhar minha consciência.

Até parece que essas autoridades faziam isso de propósito, ao fazer vistas grossas sobre o deterioramento que vinha ocorrendo naquele prédio público. Preferiram abandoná-lo, entregando-o ao acaso, ao invés de solucionar os problemas que ali vêm ocorrendo. Não demonstram, como se vê, interesse com o desenvolvimento educativo das crianças daquela localidade do município de Crato.

Reafirmo, categoricamente, que sou uma pessoa imbuída no desejo de servir a causa pública, com honradez e sem esmorecer neste meu trabalho. Permitam-me confirmar que os descendentes do doador do terreno à Prefeitura do Crato, para no local ser construída a Escolinha Maria Amélia Esmeraldo, fato ocorrido no início da década de 1970, dilaceraram aquele prédio, como se aquele terreno ainda fosse deles, num gesto nocivo, destruindo um patrimônio público, num comportamento reprovável. Esta atitude abominável só pode ter como propósito o de readquirir o terreno anteriormente doado. Julgam-se, esses destruidores, com o direito de depredar a referida escola, causando prejuízo aos os habitantes daquela comunidade que querem um estabelecimento de ensino para as crianças pobres ali residentes.

É vergonhoso, é infamante aquele que fez a doação de um bem, querer depois reaver o terreno doado. Qualquer cidadão sensato, que se preocupa com o desenvolvimento da educação rural, fica satisfeito em ver uma escola funcionando. Por isso, a título de sugestão, peço – mais uma vez – a essas autoridades que mandem reconstruir a Escola Maria Amélia Esmeraldo, transformando-a no estabelecimento de ensino de iniciação infantil com todos os requisitos favoráveis ao desenvolvimento da aprendizagem escolar.

Senhores: pensem no povo que sempre lhes deu apoio. Favoreçam o bom desempenho de uma unidade escolar. Retribuam com melhoramentos os impostos pagos pela sociedade. E mais: usem suas autoridades para cobrar aos que destruíram o patrimônio público, obrigando-os a pagarem do seu bolso a reconstrução de uma, deixando-a do jeito de como ela existia tempos atrás...

APOCALIPSE DE DRUMMOND E MEU PAI






APOCALIPSE DE DRUMMOND E MEU PAI


Meu pai morreu no mesmo ano

que o poeta Carlos Drummond de Andrade.


Era fevereiro e o mar rugia nos meus olhos,

mas ele morreu longe do mar.


(Drummond morreu olhando o mar? Umas

duas ou três gaivotas e o vai-e-vem das ondas).


As folhas caíam (não era outono) molhadas

do orvalho da noite, ao vento e ao sol.


Meu pai montava a cavalo e gritava

como um deus para a vida.


Drummond

lembrava o pai a cavalo como se pedisse perdão

do silêncio.


O meu pai e o poeta Drummond morreram

porque era hora.


Tinha uma pedra no meio do caminho.


Sinto uma súbita alegria

ao me lembrar de meu pai

ao lado de Drummond

na eternidade.


A minha boca está seca, qualquer palavra

se quebraria.


O dia,

como a morte,

é uma fatalidade.


As crianças gritam

e não acordam meu pai,

que gostava de crianças dormindo.


Venta

neste momento

e em 1987.


Imagino o poeta sorrindo,

mesmo na morte, imóvel.


O morto é uma estátua

fria

na praia,

em qualquer lugar.


(Não deveriam fazer estátuas para os mortos.)


O poeta Drummond teve uma morte pública,

ônibus passam, a fumaça passa, os jornais anunciam

o feito histórico (o poeta morto como uma estátua).


O meu pai pediu um último cigarro, olhou a vela bruxuleante

(haveria vento no quarto? O vento do eterno

não se move).



O meu pai disse adeus,

e partiu a cavalo

sem se levantar do leito.



A cidade pequena

e os parentes sorriram contemplando o seu morto

particular.


O poeta e meu pai

(anônimos)

sorriem na eternidade

satisfeitos

com a poesia do fim dos tempos.


__________

sábado, 20 de novembro de 2010

Saudade desgovernada - Por Socorro Moreira- (Inspirada num poema de Aloísio)



Remédio pra saudade deveria ser vendido nas farmácias.
-Ei,tem pastilhas pra matar a saudade do hálito de alguém?
Tem pó de pele , antídoto da lembrança que ficou no peito?
Tem fitas adesivas de um lugarzinho, que o tempo transformou?
Tem um xarope complexo de tudo de bom
que a vida me doou?
Tem injeção pra curar a saudade dos bens perdidos,
que a danada da saudade, no lugar ficou?
E a vida responde :
"Saudade não mata, mas maltrata "
Bom é senti-la
Sentimento vivo de que estamos vivos.
Saudade, encha esse buraco de novos momentos,
traga todas as ausências, e se despeça da gente !
Volte qualquer dia
Qualquer dia,
nós a chamaremos....
Sentir saudades é viver o impossível...
O que se foi para sempre.
Saudade minha?
Brincar com os meus filhos pequenos....
Tomar um chope com um amigo ausente
Brincar com meu pai
uma partida de buraco...
Saudade da minha mãe, avós, avôs, e de mim mesma...
Quando usava uma lancheira,
e perguntava ao bicheiro:
-Vai dar carneiro?
"Vou pro Rio de Janeiro!"

Dá pra dormir sem essa ?

Saudade - Aloísio

Saudade


Saudade enjoada que chegou agora
Abriu um espaço em meu peito
Saudade que quero mandar embora
Não se instale assim desse jeito!

Com sua maneira de ser indiscreta
Atacando o calo dos meus sentimentos
Eu busco saída nas brancas e pretas
Num jogo inventado pra esses momentos

Jogo tudo pra cima pra curar minha dor
Mergulho num mar de imensa amplidão
Saio de lá enxugando minha alma
Curando as feridas do meu coração



Aloísio

Tárrega



Francisco de Asís Tárrega Eixea (21 de novembro de 1852 — 15 de dezembro de 1909) foi um importante violonista espanhol que revolucionou a composição para violão. Tárrega também teve suas habilidades musicais questionadas quando defendeu uma metodologia diferente da que era usada em sua época. Segundo ele, o toque realizado pela mão direita no violão deveria ser feita num ângulo de 90º, e com a parte "macia" do dedo, ou seja, a unha não deveria ser utilizada. Tárrega justificava essa metodologia afirmando que o toque do dedo "nu" causava uma sensação de maior "controle emocional" e técnico da obra em execução.

Sua mais famosa música não é conhecida integralmente pela maioria das pessoas, entretanto, todos já ouviram um pedaço. Trata-se da "Gran Vals" (Grande Valsa) que é o toque padrão da empresa de telefonia

wikipédia

AQUARELANDO FLORES...


Para ouvir o vento
- Claude Bloc -

Que todos os dias voltem
a ter novas cores,
entre flores-guardiãs.
E nessa dança vital,
possamos viver
a pacífica liberdade,
as passagens da idade
o que queremos ter.


Que nossa raça seja una,
humana
nessa transitoriedade
de vida e coragem
.
Porque calar
é mesmo coisa rara
mais ainda em pensamento:
quando a vida estanca
quando a voz se estampa
quando o silêncio se instala
quando perdemos a fala
para ouvir o vento.

Claude Bloc

Perfil de amigos - Por Socorro Moreira



Verônica é a segunda filha da minha mãe.
Belisquei seus bracinhos,quando pequena
Quase  cortei suas tranças (ouro de lei)

Ela tinha a mania de guardar
tudo que a vista via,
na sua mala de feira...
Troféu conquistado,
quando largou a chupeta
É uma das mais finas artesãs que eu conheço
Dedos ágeis, que se enrolam nos fios de linha.
Se a gente tirar a agulha 
dessa menina,
ela faz um bordado ao natural.
Importa-me  seu senso de organização.
Tem casa de boneca,
sempre arrumadinha.
Queria  um pouco da sua disciplina...
-Herança intransferível que herdou
de um pai artista



O professor Zé Nilton
Mexe com as nossas emoções
Nos programas musicais
Ora bossa, bem-te-ti,
Bem-te-ouvi, 
Carrilhões, samba- canção...

A gente tem um vício:
Lembrar, lembrar...
Versos comuns,
que o rádio de pilhas, o vinil,
a roda de viola, o CD, e não sei mais o quê,
em nós se aboletou.

Entra no coração da gente
Pelas notas das canções.
Haja poesia, amor e lirismo,
nesse compositor e cantor !

"Eu faço samba e amor até mais tarde,
e tenho muito sono de manhã..."

Acorda com Chico
Se embala no Tom
E no violão  dedilha como o João...
Canta, violeiro !
Invada de som, a nossa vida !


Camila é cria nossa
Seguidora assídua do Cariricaturas
Retocadora da nossa poesia

A dor não ensina a gemer
A dor ensina a pensar,
e pular ,
pra cair no mar.
Mar dos mistérios
Reino de Netuno,
algas e sereias...

Camila reachou,
no fundo do seu próprio mar
água  doces,
que lhe banham de felicidade.

-Alma amiga, douro a tua aura !
VIVA A GUERRILHA!!! AVANTE, GUERRILHEIROS!!!
PROGRAMAÇÃO DESTE SÁBADO, DIA 20.NOV.2010

19h00min: PÁSSARO DE VOO CURTO (Livre, 60min), Cia. Entremeios de Teatro
20h30min: BODAS DE SANGUE (12 anos, 50min), Grupo Centauro de Teatro




LOCAL:
Teatro Rachel de Queiroz

Rua Dom Quintino, 913 - Crato-CE

(88) 3523.2168 / (88) 8801.0897

Maria Alice !

A Top Model do Cariricaturas.
Nos acertamos nos batons, esmaltes, e nos afetos em comum !


Beijinhos, minha flkor !

Subterrâneo

Como vencer o diabo
se meu olho esquerdo
quando durmo
é traiçoeiro?

Quem enfeitiça meu olho esquerdo
anda por aí de bolsa vermelha

(claro que não rejeita
a parte mais secreta
da minha velhice) .

Sorri, abre a bolsa,
guarda o olho desleal
com tanta ternura
que até eu vacilo
imaginando que seria
fabuloso presenteá-la
o outro olho santinho.

Quando durmo
o meu olho esquerdo
tem livre-arbítrio

e o diabo adora
(com sua bolsa vermelha)
abre um sorriso leve

como quem diz "mocinho, não sabe
os segredos dentro da minha alma"

Rezo um pai nosso
ao dormir para que
o olho esquerdo
(na volta)

revele-me as maravilhas
e truques dentro da bolsa
da mulher.

Nao espero que o último poema
ainda esteja junto ao batom dela
(mas se quisesse o olho amigo
fazer-me feliz bastaria mentir) .

Mente (olho bendito)
diz que meu último poema
não serviu apenas para limpar-lhe
os lábios sujos de vinho e queijo.

Mata-me do coração (olho vistoso)
sussurra aos meus ouvidos que ela
ainda pensa no meu perfume

e às vezes suspira
pelo boticário daquela manhã

o patchouli da noite chuvosa
o  men's club do primeiro beijo.

Acorda (olho bacana)
não fiques parado.
Pula do meu rosto.

Corre pra bolsa da mulher.
Ou do diabo (que seja) .

Mas corre,
chispa!

Perfil de amigos - Por Socorro Moreira

 
Carlos era um rapaz embutido, no sítio São José. Seguiu estudos em Salvador, casou com Magali, tal e qual sonhou.Não sei se os seus textos bem humorados é fruto genético , ou resultante de uma feliz parceria amorosa.Impossível brincar com as histórias,  sem o preito  da real felicidade. Pra ele eu tiro o chapéu !
 


Ceci é menina buscando Peri.
Mestrada pelos estudos
Encantada de amor
Conquistará suas metas
Pela força da vontade
E pelo merecimento
De  uma vida ensolarada
Além do mais...
Tem pai e mãe sedutores !
 


Ela aportou no Crato
e escolheu seu recanto
no cerne da Chapada
Virou bruxa
pequiseira
mulher das capoeiras
e dos nativos serrados
Uns tempos de limitação
Outros de expansão
Presente desenrolado
em cada apresentação.

Edição Especial do Cariricaturas



Título e capa, em estudo ( aceitamos sugestões)
Prefácio de José  Flávio Vieira
Contracapa de José  do Vale Feitosa


-Sem ônus para os escritores.
-Número de textos por autor : 2 + release + fotografia
-Reciprocidade : 5 livros para cada autor.


Autores convidados: todos os nossos colaboradores !

-Os textos deverão ser enviados para o e-mail de Stella ,até no máximo, 15 de Dezembro de 2010.
-Fase de revisão : o necessário .

- stelasiebra@yahoo.com.br

"TODOS SERÃO CHAMADOS. MUITOS, OS ESCOLHIDOS"

PARTICIPEM DESSE BANQUETE POÉTICO !


Autores e/ou Colaboradores

* Tiago Araripe
* Bernardo Melgaco
 lupeu lacerda
 Carlos Eduardo Esmeraldo
 Emerson Monteiro
* Chagas
* Pedro Esmeraldo
* Poesia da Luz
 José do Vale Pinheiro Feitosa
 Joaquim Pinheiro
* Heladio
* Phelipe Bezerra Braga
 Liduina Belchior
* Ana Cecília S. Bastos
* Zélia Moreira
* Maria Amélia Castro
 jose nilton mariano saraiva
 Aloísio
 Roberto Jamacaru
 rosa guerrera
* Carlos Rafael
 José Carlos Brandão
* Miguel Lima
 Marcos Barreto de Melo
* Corujinha Baiana
 Marcos Vinícius Leonel
* Dimas de Castro e Silva Neto
* Geraldo Junior
* elmano rodrigues pinheiro
 Edilma
 Indiazinha Cariri(Ceci Monteiro)
 Stela
* Vera Barbosa
 João Marni
 Nilo Sergio Monteiro
Magali de Figueiredo Esmeraldo
* edcor
* José de Arimatéa dos Santos
* Zé NIlton Figueirêdo
Manoel Severo
* Jayro F. Starkey
* Marcelo Mourão
 Pachelly Jamacaru
Claude Bloc
* Kaika Luiz
 Assis Lima
* Ângela Lôbo
 jflavio
 Nicodemos
* Tete Barreto Peretti
 Everardo Norões
 Socorro Moreira
 Domingos Barroso

Participações especiais :
Abidoral Jamacaru
Geraldo Urano
Normando Rodrigues
*Luiz Carlos Salatiel
*Jacques Bloc
Rejane Gonçalves
Izabella Pinheiro
*José Newton Alves de Sousa
*Ronaldo Correia de Brito
Sônia Lessa
*Vera Lúcia Maia
*Rosa Catarina
*Armando Rafael
*Bruno Pedrosa 
*Jorge de Carvalho
*Olival Honor


* Aguardando confirmação

Abraços do Cariricaturas 

(José do Vale, Claude, Edilma, Socorro e João Nicodemos : Administradores)

Curtas.Para Aloísio e Nicodemos.Liduina Belchior.


Caço a ALEGRIA e ela me laça
no laço do teu enlace.

Coisas da vida... - José Nilton Mariano Saraiva

Localizada ao oeste do estado do Rio Grande do Norte, quase que fronteira com o Ceará, Pau dos Ferros era (à época), uma dessas agradabilíssimas minúsculas cidades interioranas (mudou bastante e hoje é uma “cidade-pólo” razoavelmente desenvolvida), em razão, principalmente, da índole receptiva do seu povo e de um detalhe não tão comum em cidades interioranas: a “beleza brejeira” e ao mesmo tempo esfuziante das suas mulheres, aliada ao extremo bom gosto e requinte com que se vestiam (até parece que os famosos estilistas de moda, antes de lançarem suas revolucionárias coleções em Paris, Roma ou Milão, faziam de Pau dos Ferros uma espécie de “passarela-laboratório-experimental” às suas criações; como luxavam aquelas jovens e belas mulheres pauferrenses).
Vivenciamos tudo isso em meados da década de 70, quando para lá nos deslocamos a fim de cumprir adição de 90 dias no Banco do Nordeste do Brasil S/A (BNB), então a única agência bancária da cidade; e, embora realmente o trabalho fosse intenso (a ponto de se trabalhar de 10 a 12 horas por dia), a “diária” que se recebia compensava plenamente, além do que havia uma espécie de “cumplicidade” entre os que compunham a equipe beenebeana e a população da cidade.
Ao final da diária jornada de trabalho, a parada obrigatória era a “Sorveteria do Sales” (próspero comerciante local), onde sorvíamos uma “geladérrima”, ao tempo em que as paqueras se sucediam, furtivas ou abertamente, num clima leve e sadio; os fins-de-semana, então, eram literalmente uma festa: num deles, por exemplo, tínhamos a escolha da “miss olhos” (obviamente uma amistosa disputa entre aquelas moçoilas adolescentes maravilhosas, para se avaliar quem tinha os “olhos” mais bonitos); na outra semana, a escolha do casal que melhor dançava; na outra, a escolha daquela que melhor desfilava e por aí vai. Era uma festa permanente. E tudo dentro da mais pura inocência e simplicidade. O certo é que a “coisa” era tão legal e gostosa que, não mais que de repente, o tempo voou, os 90 dias exauriram-se e tivemos que voltar para Fortaleza (houve uma tentativa de prorrogação da adição, infrutífera).
Antes da volta, entretanto, foi firmado um compromisso, uma profissão de fé, um autêntico pacto de boêmios: sempre que houvesse uma festa que compensasse, seríamos acionados, tempestivamente. E assim, todos nós (mesmo os casados), que por lá passamos na condição de “adidos” (uns seis colegas, não necessariamente no mesmo período), findamos por voltar, várias vezes.
Os ônibus que faziam o percurso até Pau dos Ferros eram os famosos “pinga-pinga” que, além de terrivelmente desconfortáveis, eram desprovidos de banheiro. Pois foi numa dessas viagens que o “inusitado” pintou no pedaço. Já saímos da rodoviária de Fortaleza um tanto quanto “melados” ( muita “birita” para – vejam só que desculpa mais esfarrapada - puder ter coragem de enfrentar a buraqueira, já que parte da estrada era de piçarra ). Na chegada a Pau dos Ferros, seis da manhã, os notívagos “recepcionistas” (colegas do Banco) já estavam a nos esperar, à porta do ônibus, com um “churrasquinho no ponto e aquela cervejota “fumacenta de gelada” ( é que a “agência do ônibus” ficava estrategicamente localizada frente a um bar, que aos finais de semana funcionava 24 horas por dia, ao som maravilhoso de um Paulo Sérgio, Jerry Adriane, Carlos Gonzaga, Reginaldo Rossi e por aí vai ). Os “trabalhos”, então, se iniciavam ali mesmo, sem nem escovar os dentes. De lá e durante todo o dia de sábado, os encontros, reencontros e novas amizades, na Sorveteria do Sales, na Churrascaria do Anísio e/ou no meio da rua, com aquelas mulheres monumentais.
À noite, após uma passada na “república” a fim de tomar um banho caprichado, vestir a camisa “volta ao mundo” e a “calça de tergal”, passar uma “brilhantina” no cabelo e colocar o perfume “Lancaster”, o objeto de desejo: a esperada festa no único clube da cidade, que se prolongava até o sol raiar. Dali, depois do famoso “caldo de misericórdia” servido num posto de gasolina, volta à república pra mudar de roupa e todo mundo se mandava pra “barragem” (na verdade, o açude que abastecia a cidade e onde existia uma palhoça que servia “o melhor tucunaré do mundo”); e tome “mé” (aí, já na base do famoso “cuba-libre” – mistura tanto explosiva como saborosa de Ron Montila e Coca-Cola).
Naquela tarde de domingo, Rivelino, famoso jogador que houvera se destacado no Corinthians, faria sua estréia no time do Fluminense (no Maracanã), jogando contra o...Corinthians. Mesmo diante de uma televisão preto-e-branco com uma imagem pra lá de sofrível, na sala da casa do prefeito da cidade (tricolor roxo) formamos uma grande torcida do Fluminense (pra agradar o homem, é claro). E tome “Ron Montila”, acompanhado de uma miscelânea de tira-gostos: panelada, buchada, tucunaré, torresmo, churrasco, o escambau (era comida que dava no meio da canela). O certo é que o tempo, de novo, voou, e de repente chegou a hora indesejada do retorno.
E aí a velha história repetiu-se: já chegamos na “parada do ônibus” mais pra lá do que pra cá, “puto” de raiva por ter que voltar no melhor da festa; e lá encontramos a colega do BNB Julieta (que também houvera ido passar o final de semana). A cumprimentamos, sentamos na poltrona (???) e...apagamos.
Lá pras tantas (duas horas da matina, pra ser mais preciso) após uma parada abrupta do coletivo a fim de desembarcar algumas pessoas que moravam na zona rural, ao lado da estrada, “ressuscitamos” e, pior, com uma necessidade imperiosa, descomunal, miserável mesmo de “descarregar”, “arriar a massa” (lembremo-nos que o ônibus não dispunha do famoso toylette). Falamos com o motorista e o trocador (existia um, sim, encarregado de recolher o dinheiro das passagens) e eles sugeriram que descêssemos o barranco e fizéssemos o “serviço”, enquanto eles procuravam e entregavam a bagagem do pessoal. E só deu tempo mesmo de descer o barranco às pressas, arriar a bermuda e... tome merda, muita merda, merda em profusão, em pleno estado líquido e em “chicotadas” monumentais, brabíssimas (como se vê, o “inusitado” dera o ar de sua graça e o Ron Montila e apetitosos tira-gostos finalmente cobravam seu preço).
Até hoje não conseguimos lembrar é se nos deixamos absorver pelo esplendor da belíssima lua no céu, em pleno meio da caatinga, ou se, simplesmente, dormimos de cócoras; o certo é que, de repente, milagrosamente conseguimos “captar” a zoada de um carro acelerando. Ao olhar, desesperado, pra cima, rumo à estrada, divisamos o ônibus se afastando, lentamente. Não houve tempo para raciocinar: num átimo, nos despojamos da bermuda e da cueca, pegamos essa última e passamos de forma apressada no traseiro, a jogamos fora, vestimos novamente a bermuda e subimos a ribanceira feito um louco. Contando com a providencial solidariedade do pessoal que havia descido (umas oito pessoas) que se puseram a “urrar” em plena duas horas da manhã, o ônibus parou mais à frente; resfolegando, com os bofes saindo pela boca, suando em bicas por todos os poros, alcançamo-lo e, evidentemente, reclamamos do motorista e cobrador; eles alegaram que haviam “esquecido” e pediram desculpas. Viagem que segue. Quando sentamos na poltrona (???), uma réstia da luz da Lua que refletia pela janela nos permitiu observar que a colega Julieta (ainda dormindo) imediatamente virou o rosto para o outro lado. Deixamos pra lá. Sentamos e... apagamos (de novo).
Oito horas da manhã, rodoviária de Fortaleza, sol a pino. A muito custo e após nos sacolejar bastante, a dupla-sertaneja (motorista e cobrador), consegue finalmente nos “trazer de volta”. De mau humor, com um terrível gosto de “cabo-de-guarda-chuva” na boca, doido pra chegar em casa, não ligamos para a cara feia dos dois, pegamos nossa sacola que estava na parte de cima e saímos. E foi aí, ao tentar nos despedir da colega Julieta, que vimos a “merda” (literalmente) que tínhamos armado: é que ela (e demais passageiros), não só se recusava a aceitar o nosso cumprimento, como, também, olhava(m) fixamente para nossa mão estendida; uma “palhinha” de sobriedade pintou de repente e, já acometido de um certo receio, um pressentimento estranho, um friozinho a nos percorrer a espinha, acompanhamos o mortífero olhar da Julieta e, só então, entendemos a dimensão da coisa: não só nossa mão, mas partes do antebraço, coalhadas estavam de fezes, em transição do estado líquido para o sólido. É que, na imensidão e solidão da caatinga iluminada por aquela lua belíssima, ao passarmos a cueca apressadamente no traseiro, ela não dera conta do recado e o “produto” houvera vazado, em profusão, para a mão e adjacências.
Nunca antes havíamos passado por algo semelhante, situação tão constrangedora e vexatória; na verdade, naquele momento a vontade era de morrer, sumir, meter-se em algum buraco, desaparecer do mapa, escafeder-se, se autotransportar para o Japão, China, um lugar qualquer longe, bem longe dali, do outro lado do mundo. Uma tragédia. Humilhação pra você nunca mais esquecer.
Pra completar, quando tentamos dá um passo à frente, sentimos a bermuda um tanto quanto apertada, muito presa ao corpo, obstando estranhamente nossa locomoção; é que ela simplesmente houvera “pregado” no traseiro, tal a quantidade de merda e a extensão da área em que se propagara.
Resultado ??? A vergonha foi tão grande que ficamos “baratinados”, perdemos a noção do tempo, da razão, do espaço e do ridículo, e sequer conseguimos atinar que na Rodoviária tinha um banheiro onde poderíamos fazer uma “meia-sola” (mini-banho) para nos livrarmos “daquilo”. E assim, como nenhum taxista compreensivelmente nos aceitou como passageiro, tivemos que fazer o razoável percurso do Bairro de Fátima até o apartamento, no Centro da cidade, no pé-dois, sol a pino, cantando amor febril e sob os olhares desdenhosos dos transeuntes, que cortavam caminho, tratavam de passar por longe daquele “lixo-humano” e sua estranha coreografia; é que nos debatíamos com moscas, um exército de milhares de moscas, a nos perseguir insistentemente; a fedentina era tão grande, o odor à nossa volta tão insuportável, até para a mais das insensíveis narinas, que poderíamos e merecíamos ser cognominados como uma “fossa ambulante”.
Quanto à colega Julieta, passou um certo tempo amuada, cabreira, chateada, sem querer papo nenhum, intrigada mesmo, pelo que era considerou falta de respeito e consideração. Hoje, casada, mãe de filhos, reside em Mossoró e nas suas raras incursões à cidade de Fortaleza, nas vezes em que a encontramos nos saúda efusiva e festivamente, embora um tanto quanto sui generis, diferente, inusual, esquisito até: “Diga lá... seu cagão”.
E haja risadas, muitas risadas.
Coisas da vida...

A cólera no Haiti e nos Haitianos - José do Vale Pinheiro Feitosa

A cólera, que praticamente desaparecera das Américas entre o final do século XIX e início do século XX, retornou ao continente pelo Sul, no meio de uma grande crise de crescimento e desenvolvimento. Chegou pelo Pacífico, aportou a costa do Peru, foi exuberante nos comedores de ceviche, atravessou os Andes e caiu na calha do Rio Maranon. Acontece que este é o nosso Solimões e logo explodia em Tabatinga, na tríplice fronteira, Brasil, Peru e Colômbia.

Pela calha do Amazonas ela desceu, logo atingiu São Luis do Maranhão e nos caminhões de compradores de roupa da malha costureira de Pernambuco se espalhou no Nordeste. Aí vimos a expressão clara de que uma epidemia não é um fenômeno de um micróbio, ela é um fenômeno histórico, cultural, econômico e profundamente social.

Naquela época estava na Comissão Nacional que cuidava do assunto e conversei com muitos governadores da região. Joaquim Francisco de Pernambuco havia proibido comer peixe e tomar banho de mar. Resultado, matou uma das fontes de renda do Estado: o turismo. Fomos lá e mostramos que aquilo não tinha fundamento científico, que para pegar cólera num mar diluído, era preciso beber tanta água salgada que adoecia do volume e não da cólera. Que o peixe era apenas questão de higiene. Joaquim tomou banho em Boa Viagem para a imprensa filmar e fotografar e comeu uma boa peixada pernambucana.

Na Paraíba Cunha Lima passava por algo igual. Fizemos um plano para recuperar não apenas a cólera, mas a cólera que atacava o turismo da Paraíba. E mais ainda, não adiantaria se vangloriar que meu Estado não tem cólera para atrair os turistas amedrontados, o problema era de todos. Enfim a cólera é um problema de todos.

Esta situação do Haiti é muito mais do que um Terremoto, a desgraça política de um povo e a miséria de suas vidas. A cólera no Haiti é um crime da humanidade nestes tempos de salve-se quem puder. Tanto tempo e as verbas não chegam. Tanta desgraça e não tem efetivamente uma grande mobilização para ajudar o país. Tanta gente desempregada e os governos não têm a capacidade de estimular a esperança. Deixaram tudo abaixo da mão pesada e morta e dizem que invisível do mercado.

Olhem que a maior desgraça da cólera no Brasil, ali onde se viu a face terrível, igual a esta do Haiti, ocorreu em Fortaleza. Aliás, esta capital entre os anos 90 e esta primeira dezena dos anos dois mil, já sofreu dois grandes dramas inigualáveis: uma Epidemia de Cólera e uma de Dengue. Ambas sob a égide de Tasso Jereissati e sua grei. A Epidemia de Cólera apenas cessou quando os susceptíveis à doença se esgotaram, ou seja, quando todos os expostos à falta de água adquiriram a doença. O canal do trabalhador talvez tenha salvo o futuro da cidade e o Ceará tem uma proteção.

Só para se ter uma idéia: a cólera não atingiu o sudeste e o sul e a diferença foi água limpa para beber. O mundo é incapaz de dar água boa aos haitianos. Os haitianos têm razão de atacar o mundo. Dirão que é terrorismo, e alguém, com razão dirá: um terrorismo limitado e o outro, do resto da humanidade, provoca um genocídio em larga escala. E este genocídio no Mar do Caribe, tem o dedo infectados do EUA e ainda tem gente com antolhos e um espelho retrovisor olhando para as desgraças do comunismo soviético.

Não Importa ... - Por Rosa Guerrera



Não importa a dor da saudade , se um dia existiu o verdadeiro amor.
Não importa o passar do tempo se soubemos colher todos os frutos na árvore da nossa juventude.
Não importa os anos que ainda teremos amanhã , se no nosso ontem saboreamos um a um todos os presentes.
Não importa o coração cansado pelo desgaste natural das coisas , se ele já pulsou imensamente todas as paixões vividas.
Não importa a lembrança de um beijo que partiu , se conservamos no nosso corpo o orvalho acontecido em muitas madrugadas.
O que importa mesmo , é termos a convicção de que não vivemos em vão , quando chegar o momento da partida .
Por certo noutras vestes e com novos rostos continuaremos os mesmos percursos de hoje , e quem sabe até não continuaremos a escrever uma história de amor que deixamos por acaso ou por ironia um dia inacabada !!!

rosa guerrera

Fim do mundo ou um novo mundo ? - Por Rosa Guerrera


Ontem num encontro com amigos , o assunto se concentrou sobre o possível fim do mundo no mês de dezembro de 2012. E ouvindo as mais diversas opiniões ,( algumas até exaltadas ), simplesmente afirmei que não acredito absolutamente nessa previsão., porque o crescimento da ambição desenfreada na humanidade , o disparar sempre maior da impunidade,o povoamento catastrófico do egoísmo ,a falta de fé e desamor que hoje assistimos , para mim , já representa o fim do mundo.
.Basta que analisemos as manchetes em jornais, rádios e tvs cujas noticias abrem telas gigantescas aos nossos olhos,e onde vemos os mais chocantes homicídios, estupros , violências nas ruas, nas escolas, nos lares , e nas avenidas!
Basta que observemos a injustiça na Justiça, o temor na Segurança , e os profissionais das mais diversas classes dia a dia mais desacreditados!
.Basta que sintamos na pele o fim dos bons sentimentos , isso , já significa o caminhar lento para um futuro sombrio .
Esse fim do mundo previsto para dezembro de 2012 ,e que já se tornou até tema para filmes e inúmeros questionamentos., sinceramente não consigo aceitar .
Em termos históricos, basta lermos alguns livros para percebemos que em todas as eras existiram pessoas a prever que o fim estava perto... e esse perto vai se tornando cada vez mais longe , essa é a verdade .
Para mim , repito ,tudo isso é resultante de problemas, angustias e crises existenciais, que assolam a humanidade mais e mais mergulhada em abismos de revoltas e conflitos , onde para muitos "o pão nosso de cada dia" se resume a uma simples fatia em bocas famintas ...,
Quisera eu que acabasse mesmo muita coisa em 2012 !.

Que acabasse essa onda de violência que vivemos , que findassem as guerras alicerçadas numa “paz” que retarda sempre a sua chegada , que não mais poluissem mares e oceanos , que fossem destruídas todas as armas nucleares, que as drogas sumissem do nosso planteta, que houvesse mais respeito entre as Nações e que as bandeiras representantes de todos os países possuíssem apenas a cor branca .

Talvez assim pudessemos realmente assistir não a esse fim do mundo tão temido , mas ao nascimento de um novo mundo onde a paz, e o amor de mãos dadas , caminhariam em direção a novas esperanças mais concretas e mais verdadeiras .
rosa guerrera