Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

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segunda-feira, 4 de abril de 2011

Lula, Doutor Honoris Causa – por Armando Lopes Rafael


"Ora (direis) ouvir estrelas!

Certo Perdeste o senso"!

E eu vos direi, no entanto,

Que, para ouvi-las, muita vez desperto

E abro as janelas, pálido de espanto...” (do soneto Via Láctea, de Olavo Bilac)

Alguns objetarão que este Cariricaturas não é espaço adequado para debater paspalhices da política brasileira. Reconheço que essas pessoas estão certas. Aqui pulsa um blog para explanação do que há de elevado ou comovente do patrimônio material e imaterial do nosso belíssimo Cariri. Permita-me quebrar um pouco deste enlevo – pelo menos nesta única ocasião – para tratar de um assunto que traz discrepância e dissensão: a concessão de sucessivos títulos de Doutor Honoris Causa, por diversas universidades daqui e d’além-mar, ao ex-presidente da República Luiz Inácio da Silva.


A priori, lembro que tão logo foi eleito, em 2002, Presidente da República Federativa do Brasil, a Universidade Regional do Cariri – por iniciativa da então reitora Violeta Arraes – concedeu o título de Doutor Honoris Causa ao ex-presidente Lula. Talvez por ser uma universidade pequena, de pouca projeção, Lula nunca se dignou vir receber a homenagem. Ele, por diversas vezes, esteve em Juazeiro do Norte, a dez quilômetros de Crato, e só nos últimos dias de seu governo esteve aqui, numa noite, no Sítio Loanda, onde se empanturrou com um pato frito com farinha, como atestaram os poucos convidados para aquele jantar. Diferentemente ele agiu com outras universidades que lhe concederam idêntica honraria...


Reconheço que ao discordar dessas concessões terei o repúdio dos admiradores (sem excluir os reles bajuladores) do ex-presidente, um homem de inegável inteligência que chegou ao mais alto posto da República. Não faltarão os que me tacharão de invejoso, preconceituoso, como sói acontece com qualquer crítica – por mais justa que seja – feita ao político Luiz Inácio da Silva.


Faço minhas as palavras do ilustre professor Délcio Vieira Salomon, da Universidade Federal de Viçosa (MG) quando protestou por idêntica honraria concedida a Lula, por aquela instituição: “A bajulação política não só banalizou a outorga do título “doctor honoris causa”. Transformou em princípio pedagógico e ético o que antes era comportamento repudiável. Que fique bem claro: historicamente um Doutor honoris causa (ou Doctor honoris causa) recebe o mesmo tratamento e privilégios que aqueles que obtiveram um doutorado acadêmico de forma convencional e é conferido a pessoas eminentes, que não necessariamente sejam portadoras de um diploma universitário, mas que se tenham destacado em determinada área (artes, ciências, filosofia, letras, promoção da paz, de causas humanitárias, etc), por sua boa reputação, virtude, mérito ou ações de serviço que transcendam famílias, pessoas ou instituições.

Sublinhe-se: transcendam e não atinjam, por demagogia ou por efeito de marketing, patamar do elogio gratuito”.


“Afinal para quem acompanhou o governo Lula como observador, sem implicações interesseiras, sabe muito bem que aquilo que o Conselho Universitário da UFV chama de “defesa das causas sociais” é, no frigir dos ovos, nada mais que pura e deslavada demagogia. Quando este país aplicar honesta apuração das contas do governo passado, verá, lamentavelmente, que gastos públicos com bolsa família, bolsa escola e programas equivalentes a constituir “defesa de causas sociais” não passam de engodo já varrido para debaixo do tapete, do mesmo modo que se varreu o mensalão e quejandos malabarismos, a despistar a transparência, que nunca houve nos dois governos Lula Inácio da Silva”.

Esta a minha opinião, na qualidade de simples e anônimo cidadão, no tocante ao seriado de títulos de Doutor Honoris Causa que pipocam, de forma orquestrada e unicamente com motivação política, ora concedidos ao Sr. Luiz Inácio Lula da Silva.

domingo, 3 de abril de 2011

AULA DE ANATOMIA



                                         Aula de Anatomia do Dr. Tulp - Rembrandt (imagem web)


       
AULA DE ANATOMIA

Estendo o poema sobre a mesa como um homem.
O coração palpita em minhas mãos.
Os olhos estão abertos, alerta.
A pele é o mapa do universo.

Estendo o poema como um corpo feminino,
a vulva pulsa, peixes e pássaros se agitam nos pulmões,
os pés têm as marcas dos caminhos
e as mãos acariciam e abençoam.

O poema vigia como um cão
ou dorme à espera das crianças,
dos amantes desiludidos, dos desenganados da vida,
dos que não sabem ler, dos que nunca o lerão.

O poema jamais irá morrer,
mas agoniza sobre a mesa.
Às vezes uma estrela brilha em suas juntas,
às vezes refulge um tição sob suas cinzas.




Acordar da letargia - Emerson Monteiro


O uso do cachimbo é que põe a boca torta, diz o povo. Diz ou dizia, pois tudo muda todo tempo, a ponto de a sabedoria popular abrir caminho às tradições modernas e querer imitar o que falam os arautos da pouca utilidade. Bom, mas trazer algumas palavras que signifiquem renovação dessas, ou daquelas, vontades escorregadias da ausência de sentido, nesse mundo quase só cheio de supérfluos. Tocar assuntos de possibilidades prováveis. Reviver o sonho de acordar cedo e caminhar ao sol das manhãs com o cérebro ligado nas sensações boas, esquecido das impurezas e preocupações da rotina frívola lá de fora. Viver com todas as letras o alfabeto de respirar novos dias, a intensidade ainda livre dos traumas da primeira infância. Criança, somente. Contar a nós próprios as lendas da inocência original. Pisar o chão do jeito que vem a vida, sem necessitar tanger as brasas da incompreensão ou os maus humores da perversidade. Caminhar, simplesmente. Nisto a perene urgência momentânea de uma raça inteira acordar e ver as realezas do caminho onde nada mostra face de peças já terminadas. Onde tudo se transforma todo tempo ao sopro incondicional do instante eterno dos segundos. Esse instinto forte de seguir adiante ao ritmo dos passos, livre das circunstâncias imprecisas de longas conveniências burocráticas. Acordar para nós acesos, recorrer ao que existe de si parentesco com a natureza nas individualidades, e acreditar a transformação radical dos obstáculos em nuvens ligeiras e limpas. No sequenciar desse movimento, o perfume inesperado que ganha corpo e cresce mais ainda, à proximidade eterna das partículas em agitação, unindo pensamentos e sensações quais peças de tabuleiro imenso posto à frente dos seres. Nós, quais intérpretes do discurso empolgante das horas, em atividade constante de sobreviver, incontidos nos detalhes essenciais da cena impetuosa das cavalgadas bravias e dos elementos em fúria. Acordar, afinal, para o sonho. Largar de lado os cacos rotos das equívocas permissividades. Descer ao teto dos palácios em festa, arraiás de praias amenas e águas transparentes, pois há um ser que nos espera de braços aberto no íntimo coração. O processo disso, nas portas abertas do presente, indicam sentimentos de paz e pontes felizes e abrem oportunidades aos acontecimentos verdadeiros. O isso de abandonar de vez trastes velhos das falhas vencidas e substituir os padrões que marcaram de vergonha a personalidade, nas ações antigas e que insistem retornar e esfregar na nossa cara a vileza das noites anteriores. Administrar esse lixo autoritário das subidas e reciclar em sabedoria. Integrar à existência o primor das estações iluminadas. Revivescer de nós, parecidos sementes que, seguras, brotaram noutro solo, pomos de luz na solidão descomunal do sagrado, feitas alegres quermesses dos santos sertanejos nordestinos. Pular de tranquilidade e admitir o milagre sonoro de viver que a todos permanece disponível.

sábado, 2 de abril de 2011

Entre a cegueira e a visão – Por Padre Virgílio Ciaccio

A cegueira é uma das mais terríveis limitações da vida. Mas nós também, ainda que tenhamos visão invejável, freqüentamos com assiduidade o mundo dos cegos.

Somos cegos quando não prestamos atenção na presença de Deus em nossa história e nos voltamos para interesses de pouca valia. Somos videntes quando sabemos perceber a passagem de Deus ao nosso lado, atendemos às suas propostas e cobranças e aceitamos com gratidão a salvação que ele nos traz.

Somos cegos quando nem tomamos conhecimento do nosso semelhante e, entre nós e ele, erguemos barreiras de cor, de classe social e de religião – de modo que ele não venha a cruzar o nosso caminho. Somos videntes na hora em que o aceitamos como companheiro de viagem e como irmão muito querido.

Somos cegos na hora em que fechamos olhos e coração ao sofrimento, às lágrimas e ao abandono de tantos excluídos condenados a morte prematura pela falta de remédios, alimentação e moradia. Somos videntes quando temos a coragem de entrar na tribulação e na tragédia deles; quando nos tornamos solidários com sua cruz e nos pomos a seu serviço, a fim de levantá-los e restituir-lhes a dignidade de filhos de Deus.

Somos cegos na hora em que jogamos nas costas dos outros a responsabilidade pelas coisas erradas que acontecem em nosso meio. Mas somos videntes quando admitimos a nossa injustiça, violência e dureza de coração e nos emendamos, com coragem, de nosso pecado.

Somos cegos quando nos julgamos dono da verdade e, roubando o lugar de Deus, lançamos sentenças de vida e de morte em cima do irmão que errou. Somos videntes quando do nosso irmão, ainda que pecador, nos fazemos defensores, lembrados de que a nossa luta deve ser contra o pecado, não contra o pecador.

Brilhe para nós um raio da luz de Cristo, a fim de que possamos andar sempre com o amor, a justiça e a verdade.

Por Padre Virgílio Ciaccio, ssp

Extraído do jornal “O Domingo” dia 04.04.2011. Postado por Carlos Eduardo Esmeraldo.

Pode ser uma bênção a sensibilidade artística? – por Ronaldo Correia de Brito (*)


Quando havia feiras de rua semelhantes às da Idade Média, em Crato e Juazeiro do Norte, as duas cidades eram tomadas por artesãos: ceramistas, flandeiros, tecelões, moveleiros, celeiros, pessoas que trabalhavam o couro, a palha do buriti e do babaçu, o agave e a lã vegetal.

A região ainda não fora invadida pelos plásticos, eletroeletrônicos vindos do Paraguai, nem pelas quinquilharias importadas da China. Havia artistas populares que viviam de trabalhos manuais, de utilidade na vida diária, como potes, quartinhas, panelas, colchões, arreios e cordas. As cidades mudaram e esse artesanato perdeu sua razão de existir.


Com a proliferação das motos, diminuíram os cavalos e os fabricantes de celas. As panelas de alumínio, os plásticos e acrílicos ganharam a concorrência com os utensílios de barro, que se transformaram em objetos decorativos. O que era útil perdeu a função. Para que fabricar caixotes de madeira e malas de armazenar rapadura, se não existem mais engenhos nem consumo de rapadura como antigamente?

A história do homem pode ser acompanhada pelo que fabrica ou deixa de fabricar. Máquinas de datilografia viraram peças de museu, da mesma maneira que vitrolas e câmeras super-8. Vez por outra encontram um novo uso para o que foi encostado. Os DJ reinventaram um jeito de tocar os discos de vinil. Todo esse preâmbulo para falar de uma ceramista de Juazeiro do Norte, conhecida pelo nome de Ciça do Barro Cru, pois não levava ao forno os objetos de sua criação, deixando-os secar ao sol.


Conheci-a quando fazia ponto de venda junto a um canal, construído pela prefeitura do Crato para conter as águas do rio Granjeiro. Ela se apresentava como boa parte das romeiras do Padre Cícero: vestido de algodão colorido com pregas, cintura alta e cobrindo o joelho. Um chapéu de palha na cabeça, guarda-sol, cabelo com bastante óleo de coco, preso por marrafas, lábios pintados de vermelho e faces com bolas de ruge carmim. Sentava num caixote de madeira, o mesmo em que transportava sua arte.

A vida meio rural e meio urbana do Cariri era representada em mulheres costurando, fazendo renda, homens com enxada no ombro, burrinhos, lagartixas com rabo de borracha, pavões com calda de papel laminado e areia prateada, rádios, panelas, galinhas, papagaios, não havendo uma única coisa que o freguês imaginasse que Ciça não fosse capaz de executar para ele. Contemporânea, incorporava ao barro o lixo urbano, isso que hoje chamam de reciclagem. Performática, criava cenas, ambientes e falas para seus personagens.


Ousada nas cores, nos materiais, nas invenções. Certo dia, cheguei para comprar. Vi a cerâmica de uma mulher faltando uma perna, apoiada numa muleta, com uma trouxa de roupa na cabeça própria das lavadeiras, e um menino no braço, mamando. Perguntei quem era a figura. - É uma infeliz, me respondeu. O marido deixou ela com um menino de peito, e a coitada ganha a vida lavando roupa. Sustenta a família com esse ganho pouco. Como se não bastasse, foi atropelada por um carro e perdeu uma perna. Não é mesmo uma desgraça? E se pôs a chorar. Tentei consolá-la e perguntei se era alguma conhecida, mas ela respondeu que não. Imaginara a história. Grandes artistas criam um mundo e mergulham nele. Correm o risco de uma esquizofrenia com a realidade. Mas isso nunca aconteceu com Ciça, felizmente.


Também não me vendeu a cerâmica. Se pudesse, não venderia uma única peça de sua criação, me falou quando propus a compra. O dinheiro que pagavam era bem pouco. Melhor ficar com tudo guardado, mesmo que passasse fome. Sem chances de concorrer com os utilitários, o bom barro sobreviveu como arte, graças às Ciças e outros artistas populares. As panelas de barro... As panelas de barro? Vocês conhecem os últimos lançamentos em teflon? E as de aço? As de aço...


(*) Ronaldo Correia de Brito é médico e escritor. Escreveu Faca, Livros dos Homens e Galileia, dentre outros. Reside em Recife.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

+1 +1 + 1 (José Nilton Mariano Saraiva)

Pois é, o seleto e culto continente europeu se rende ao óbvio ululante. Depois da tradicional Universidade de Coimbra (Portugal), agora é a vez da não menos gloriosa Universidade de Salamanca (Espanha) conceder o título de "Doutor Honoris Causa" ao "analfabeto" Lula da Silva. A continuar assim, é bem capaz de a “tucanalhada” e simpatizantes terem algum infarto, se não resolverem, antes, cortar os pulsos. Mas, como a notícia orgulha todo o Brasil, aí vão as versões em Português e Espanhol, a fim que não haja dúvidas.

Em Português...

"UNIVERSIDADE DE SALAMANCA APROVA A CONCESSÃO DE DOUTORADO HONORIS CAUSA A LULA (31/03/2011)
O Conselho de Governo da Universidade de Salamanca, que está entre as 5 mais antigas do mundo, fundada em 1218, acaba de aprovar a concessão do título de "Doutor Honoris Causa" ao ex-presidente Lula.
A reunião ocorreu ontem, dia 31/03/2011, em Salamanca, Espanha. A distinção ao ex-presidente foi solicitada e aprovada pela Faculdade de Educação e pela Faculdade de Filologia da Universidade.
Segundo a decisão da Universidade de Salamanca, o título concedido se deve ao "esforço realizado por Lula da Silva para universalizar a educação a toda a população do Brasil, tanto no nível básico como na educação superior, na qual criou um intensivo sistema de bolsas com importantes dotações orçamentárias". O Conselho de Governo da Universidade de Salamanca citou, também, que o presidente Lula "incrementou o orçamento e melhorou a situação dos professores dotando a carreira da dignidade necessária para que toda a população do Brasil, um país onde os índices de desenvolvimento e crescimento são altamente elevadas e se apresenta já como uma das grandes potências econômicas do futuro, tenha ao seu alcance os melhores níveis de educação e cultura".
A Faculdade de Filologia da USal citou ainda a importância da criação da chamada "Lei do Espanhol", de 2005, que torna obrigatória a oferta de espanhol, de forma gradativa, no ensino médio brasileiro, para a concessão do título. O PROUNI também foi lembrado como um dos mais importantes programas de inclusão universitária do mundo. A Universidade de Salamanca foi a primeira universidade estrangeira a reconhecer a importância do programa e oferece todo ano bolsas de estudo integrais, em Salamanca, aos melhores estudantes ingressantes do PROUNI, desde 2010."

...e em Espanhol...

Salamanca, 31 de marzo de 2011
El Consejo de Gobierno de la Universidad de Salamanca, reunido hoy en sesión ordinaria, ha aprobado el nombramiento de Doctor Honoris Causa a Luiz Inácio Lula da Silva, expresidente de Brasil, a falta de ratificación por el claustro de doctores. Dicha distinción fue aprobada por el Departamento de Didáctica, Organización y Métodos de Investigación de la Facultad de Educación y por el Departamento de Lengua Española de la Facultad de Filología. Con el acuerdo de ambos, será el director del Centro de Estudios Brasileños, Gonzalo Gómez Dacal, quien ejerza de padrino para su entrega. El profesor Gómez Dacal fue el encargado de pronunciar la defensa de la candidatura de Lula da Silva en la sesión de Consejo de Gobierno.
Los méritos que avalan la investidura han valorado el esfuerzo realizado por Lula da Silva para universalizar la educación a toda la población de Brasil, tanto a nivel básico como en estudios superiores, para los que ha creado un intensivo sistema de becas con importantes dotaciones presupuestarias. Igualmente ha incrementado los presupuestos y mejorado la situación del profesorado con el objeto de dotar al colectivo de la dignidad necesaria para lograr que toda la población de Brasil, un país donde los índices de desarrollo y crecimiento son altamente elevados y se presenta ya como una de las grandes potencias económicas de futuro, tenga a su alcance los mejores niveles de educación y cultura.
La propuesta del Departamento de Lengua Española se añade a la de Educación para señalar como mérito la implantación del español como enseñanza obligatoria en Brasil a través de la conocida como "Ley del español".

...e um comentário (bem humorado) veiculado na Internet, a respeito:

Que sacanagem com o Lula. Será que ainda não perceberam que o homi quer descansar?. E, também, essa perseguição, só ele é que é escolhido para receber esses prêmios. Num tem mais ninguém? Que pentelhação, vamo deixá o homi em paz. Quase todo dia ele tem que receber um prêmio. Igual aos outros Presidentes, né?

MATURIDADE






MATURIDADE


Não compreendo muitas coisas, mas amo.
Não sei o que é o amor, mas amo.
Olho para mim mesmo no cristal
como quem olha para uma coisa alheia,

distante, concreta como uma pedra,
uma coisa só coisa, malgrado a vida.
Então posso amar desinteressadamente
todas as coisas, como se amasse a mim mesmo.

Atingi a maturidade de uma árvore na montanha,
ou da própria montanha, altiva no alto do céu.
Não preciso conhecer mais coisa nenhuma.
Não preciso saber para que servem as coisas.

Não preciso saber para que eu existo.
O mundo é o meu altar de sacrifício.
Eu próprio sou o sacrifício. Não sei como,
mas eu não preciso mais do sofrimento.



Brincando com diferenças IV - Claude Bloc / Aloísio

Brincando com diferenças IV

Claude:

Eu daqui do Ceará
E você de Salvador
Vim aqui para rimar
Com meu interlocutor

Eu gosto da Natureza
De chuva e de ar puro
Do rio, da correnteza
Do Crato, porto seguro

Você aí da Bahia
Me manda seu pensamento
Faz da rima terapia
Da alegria sustento

Eu aqui no Ceará
Entrei nesse desafio
E quando quero rimar
Só no meu taco confio.

Só por isso estou aqui
Dialogando contigo
Porque eu já considero
Aloísio meu amigo.

Aloísio

Ser considerado amigo
Pra mim é uma prenda
Pois ela nos enriquece
E sem imposto de renda

Os versos de uma poesia
Pra mim é importante
São coisas que nos unem
Embora um pouco distante

Tudo é muito relativo
Nesta terra e neste chão
Versejar pela Internet
Foi a nossa solução

E agora me despeço
Sem régua, sem compasso
Esquecendo as diferenças
Deixando um grande abraço.

Receitas da Nair - Iscas de Bacalhau


Dedicada a Claude Bloc

Ingredientes:

200 g de bacalhau, bacalhau desfiado cru,
2 tomates sem pele e sem sementes picados
3 colheres de sopa de azeite
1 colher de salsa picada
1 colher de coentro, picado
1 copo americano de leite
1 sal e pimenta a gosto
3 ovos, ovos bem batidos
3 colheres de sopa de farinha de trigo
1 colher de sobremesa de fermento em pó

Preparo:

Refogue a cebola no azeite quente, junte o tomate os temperos e o bacalhau já demolhado por 30 minutos. Junte o leite, tampe a panela deixando em fogo brando por 10 minutos. Deixe esfriar.
Para a massa, peneire a farinha de trigo com o fermento e misture os ovos batidos. Adicione o refogado e frite as colheradas em óleo quente até dourar.

Enviada por A. Morais, receitas da Nair

Sítio São José, Crato-CE - José Nilton Mariano Saraiva

No Crato, sensível às dificuldades enfrentadas pelos moradores da zona rural do município, a Diretora dos Correios e Telégrafos, Marta Galiza, evidentemente que após projeções e estudos de viabilidade e com a chancela da cúpula daquela estatal federal, compareceu à Câmara Municipal da cidade para solicitar o apoio do Poder Legislativo para instalar três postos dos Correios na Zona Rural do município, contemplando o Sítio Coqueiro, o Distrito Belmonte e o Sítio São José.
Na oportunidade, recebida pelo Presidente e Diretores do poder legislativo municipal, Marta Galiza informou-lhes que já havia solicitado o apoio do prefeito da cidade, mas este teria se NEGADO a colaborar para a implantação de tão importante benefício (contemplando milhares de pessoas), embora os Correios se dispusessem a arcar com recursos financeiros para o funcionamento dos postos sob referencia (informação veiculada em 24.03.11, no site da Câmara Municipal).
Como, meses atrás, coincidentemente, a Prefeitura do Crato houvera fechado uma escola no Sítio São José, alegando “prejuízo” (ao considerar miopemente como “despesa/custo” o que deveria ser catalogado como um “investimento”, além de um direito constitucional), seria de bom alvitre que a população da cidade e, especificamente os moradores do Sítio São José, cientificados fossem pelo poder municipal das “razões” ou “porquês” de tão incompreensíveis e radicais decisões (aproveitando a oportunidade, bem que poderia ser explicitado por qual razão a "Policlínica" que seria instalada no Crato foi "desviada" para Campos Sales).
Nessa perspectiva, ao Poder Legislativo municipal caberia o relevante papel de questionar o Poder Executivo, cobrando-lhe explicações e atitudes convincentes.

Carlos Lacerda - Emerson Monteiro


Num dos meios-dias de 1965, frustrado com os desdobramentos políticos da revolução militar do ano anterior, visitara o Crato o ex-governador do estado da Guanabara, Carlos Lacerda. Viria acompanhado de Abreu Sodré, ex-governador de São Paulo, ao lado de quem realizou um comício nas imediações da Praça Siqueira Campos, defronte das atuais instalações do Bradesco.
Ainda adolescente, ali compareci para ouvi-los, do que guardo poucos vestígios e agora os revivo nas minhas lembranças.
Dos maiores tribunos da vida política nacional, falava com admirável naturalidade, cativando os expectadores pela precisão como dispunha as palavras e pelo estilo das suas tiradas eloquentes. Dotado de carisma e entusiasmo inigualáveis, viajava o Brasil na intenção de angariar apoio para a manutenção das eleições presidenciais do ano seguinte, de acordo com o calendário eleitoral, no entanto, restaria perdida a missão mediante as modificações legislativas do regime revolucionário.
Carlos Frederico Werneck de Lacerda fora jornalista e político, destacado mentor da União Democrática Brasileira – UDN, partido através do qual se elegera vereador, deputado federal e governador. Fundara o jornal Tribuna da Imprensa e a editora Nova Fronteira, sempre polêmico intelectual da direita no Brasil, depois de alguma militância no Partido Comunista Brasileiro – PCB, com o qual romperia em 1939.
Idos de 1950, faria objeção intensa a Getúlio Vargas. Coordenou a campanha contra sua eleição à Presidência, fazendo-lhe oposição durante todo o mandato, quando Vargas sucumbiria vítima das pressões adversárias. A Tribuna da Imprensa serveria de instrumento a essas pressões e, em 05 de agosto de 1954, no Bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, Lacerda sofreria atentado a bala, atinjido de raspão num dos pés. Em consequência do ocorrido, morreria o major Rubens Vaz, da Aeronáutica, e complicaria Getúlio, mediante o envolvimento do chefe da sua guarda pessoal, Gregório Fortunato, e do seu irmão, Benjamim Vargas.
Em 24 de agosto, dar-se-ia a perda final do Presidente, isso abrindo vazio contundente na normalidade institucional do País, a repercutir largamente nas épocas futuras.
Esse personagem, pois, mais adiante, também participaria como braço civil das movimentações de 31 de março de 1964, vindo discursar com veemência aos cratenses, no meio-dia a que me reportei, na procura de salvar a democracia que ele mesmo ajudara a extinguir pelas três décadas posteriores. Tudo em nome das ambições que alimentava de chegar, a qualquer custo, ao posto máximo da República, naquilo que denominava de cruzada cívica em nome da legalidade.

DIFERENÇAS III - ALOÍSIO x CLAUDE

 Aloísio:

Se parei, eu recomeço
Deixo tudo pelo avesso
Não deixo a amiga em falta
Me desculpe os tropeços

Seguindo com a mesma linha
De fio em fio tecendo
E qualquer moda eu topo
Neste tema remexendo

Não vou colocar aqui
Palavras do mesmo tema
Se paro na encruzilhada
Com você não tem dilema

Gosto de cantor de feira
Disto você também gosta
Se acabam as diferenças
E fica empatada a aposta

Eu daqui de Salvador
Vou ficando por aqui
Espero a continuação
Que vem lá do Cariri

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Claude:

Eu daqui do Ceará
E você de Salvador
Vim aqui para rimar
Com meu interlocutor

Eu gosto da Natureza
De chuva e de ar puro
Do rio, da correnteza
Do Crato, porto seguro

Você aí da Bahia
Me manda seu pensamento
Faz da rima terapia
Da alegria sustento

Eu aqui no Ceará
Entrei nesse desafio
E quando quero rimar
Só no meu taco confio.

Só por isso estou aqui
Dialogando contigo
Porque eu já considero
Aloísio meu amigo.

quinta-feira, 31 de março de 2011

A calçada dos Piancós


--- De que adianta ainda continuar vivendo, meus filhos? Nem mais no Crato, eu moro !

Quando o velho Felinto pronunciou aquela frase, os filhos quase que piraram. Já vinham percebendo que, depois dos oitenta, o pai decaíra, andava mais capiongo e ensimesmado. Logo ele que sempre se mostrara tão expansivo e, até então, enfrentara os ataques inexoráveis do tempo com galhardia e bom humor! Acreditaram que devia se tratar de alguma depressão – um dos demônios da velhice – já que, recentemente, Felinto havia perdido a esposa e um dos seus amigos mais diletos: Sampson. Ficara como um Mateu sem Catirina , sem Mestre e sem Jaraguá. Como encontraria forças para brincar o Reisado da vida? Aquela frase, no entanto, feriu os tímpanos dos familiares : a depressão talvez fosse apenas um dos acompanhantes do séquito terrível da demência. Felinto , desorientado, dava mostras que nem mais percebia que estava na sua cidade querida, companheira dileta de toda uma vida! Com o passar dos dias, no entanto, os filhos se tranqüilizaram um pouco. Embora Felinto permanecesse sorumbático e pensativo, não mais demonstrou sinais de desorientação. Claro que poderia ter se tratado de um curto circuito , um daqueles que frequentemente antecedem a explosão final das turbinas da lucidez. Os filhos, então, se aproximaram mais do velho e insistiram , dia após dia, em testes de memória. O pai foi aprovado em todos com distinção e louvor, como se dizia na juventude dele. Um dia, por fim, conseguiram , com alguma relutância, uma declaração de Felinto que terminou por demonstrá-lo mais vívido e sábio como jamais pensariam. Terá sido, quem sabe, o clima proporcionado por aquela noite de lua cheia, confidente e cúmplice das peripécias do nosso Felinto desde os tempos mais remotos. O certo é que , como no teatro, com iluminação perfeita, nosso candidato a gagá desembuchou seu monólogo. Tivera, até ali, uma vida longa e feliz. Uma pitadinha de sucesso, algumas gotas de fracasso, muitas xícaras de desejos, colheradas de prazeres, copos de dissabores... Mas foi com esses ingredientes que conseguiu montar a palatável receita da sua existência. No outono e inverno dos seus anos, no entanto, começou a perceber que o bolo começara a azedar e, quiabando dia após dia, terminou nos últimos meses a se tornar intragável. Olhando para trás, pelo retrovisor, percebeu claramente que a morte , como um curare nos vai paralisando paulatinamente: o fim instala-se a crédito. E foram muitas e muitas mortes no último quartel : o tesão, a mobilidade, a saúde, a esperança, o vigor físico, a esposa e o amigo de todos os momentos: Sampson. Com a velhice ele se transformara numa coisa obsoleta. Já não falava a língua dos jovens e, pior, os últimos remanescentes do seu idioma haviam todos respondido à chamada inexorável da velha da foiçona. Como uma vitrola imprestável servia apenas à curiosidade pública. Via-se como uma peça de museu, exposta periodicamente à visitação . Tantas mortes seguidas e continuadas o tinham abatido, mas nada fora tão forte como a percepção que tivera há uma semana. Lembrou do Crato da sua juventude, procurou-o vila afora e simplesmente não mais o encontrou. Onde estava encantada a cidade encantada que conhecera algumas décadas atrás? As casas coladinhas uma na outra, aconchegadamente, sem muros, quem imaginaria se transformariam nos presídios de segurança máxima da atualidade? Os vizinhos eram quase que familiares que moravam num outro quarto da casa. Estavam sempre próximos e havia uma contínua troca de pequenos favores de lado a lado. A televisão e o rádio de algum morador mais abastado eram objetos de uso comunitário. Claro que as fofocas pululavam na vilazinha de muro baixo, mas nada se compara à frieza e à indiferença dos dias atuais. As calçadas eram uma extensão da casa, uma espécie de Centro de Convenções da família, ainda não tinham sido açambarcadas pelas ruas, pelos postes, pelas placas de propaganda. As ruas, então muitas ainda sem calçamento, faziam-se o playground das crianças, o parque de diversão da molecada: o palco do pião, da bila, da bandeira, do chicote queimado, do pega, da bola. Não haviam ainda sido invadidas pelo carro e pela moto. Os cinemas , cujo escurinho fora cúmplice de namoricos e apalpadelas, haviam fechado as portas. Os clubes sociais sobreviviam às custas de bandas de forró com sua apologia única e repetitiva à cachaça e à raparigagem. Naquele dia chegara à conclusão aterrorizante e definitiva : já não moro mais no Crato! Suportou até a ação do apagador do tempo sobre sua história, mas pareceu-lhe insuportável quando a isso se associou o extermínio puro e simples da geografia. Tanto que avisou aos filhos: não sei se vale a pena esperar a cobrança da última prestação, estou pensando, seriamente, em me adiantar e saldar antecipadamente a minha dívida para com a morte. Os filhos de Felinto entenderam as razões do pai e decidiram respeitar o curso de colisão que tomara, afinal sempre fora um ótimo e destemido timoneiro. Ontem, no entanto, no jantar, Felinto pareceu, estranhamente, mais alegre e palrador. Disse aos parentes que desistira da derradeira empreitada. Recobrara as forças. Para uma récua de filhos incrédulos ele explicou a súbita guinada que dera no Titanic da sua existência, já indo em direção do iceberg . Passara na Caixa D´água nestes dias e tivera uma visão consoladora. Estava lá , triunfante, a Calçada dos Piancós. Todos sentados, à noite, com suas cadeiras do lado de fora, contando as últimas e mais picantes novidades da cidade, juntos com muitos amigos. De um lado a TV ,ligada à tomada por uma gambiarra, transmitia um fabuloso Fla-Flu, em pleno calçamento. Corria uma cervejinha solta e , a um canto, um dos meninos assava uma carninha numa churrasqueirinha de roda de fusca. Felinto, imediatamente, banhou-se na alegria de outrora.Parecia Noé ao avistar a pomba com o galho de mato no bico. Restava ainda uma esperança. Nem tudo estava perdido.

--É preciso avisar ao IBAMA, ainda existem os últimos exemplares da espécie mais ameaçada de extinção nos dias de hoje: Gente, gente de carne e osso !


J. Flávio Vieira

Pensem num cabra arretado! Mafuá do Malungo

Pensem num cabra arretado! ~ Mafuá do Malungo

FELIZ ANIVERSÁRIO, GABI !








FELIZ ANIVERSÁRIO, GABI!

Um abraço do Cariricaturas para você!



- Imagem formatada por Claude Bloc a partir de uma foto de autoria de  Dihelson Mendonça.



Brincando com Diferenças II - Claude Bloc / Aloísio

Brincando com Diferenças II

Claude Bloc:

Eu gosto de desafio
Você de desafiar
Eu vou de fio a pavio
E você já quer parar?

Você gosta de cantar
E eu de filosofia
Se quer me desafiar
Respondo com alegria

Você gosta de piano
Eu gosto de violão
Você aprecia samba
Gosto de samba-canção

Então entre nesta roda
Brinque de rimar comigo
Faça verso à sua moda
Pois quero contar contigo

Aloísio:

Se parei, eu recomeço
Deixo tudo pelo avesso
Não deixo a amiga em falta
Me desculpe os tropeços

Seguindo com a mesma linha
De fio em fio tecendo
E qualquer moda eu topo
Neste tema remexendo

Não vou colocar aqui
Palavras do mesmo tema
Se paro na encruzilhada
Com você não tem dilema

Gosto de cantor de feira
Disto você também gosta
Se acabam as diferenças
E fica empatada a aposta

Eu daqui de Salvador
Vou ficando por aqui
Espero a continuação
Que vem lá do Cariri

31 DE MARÇO - DIA DA SAÚDE E NUTRIÇÃO

No dia 31 de março é celebrado o Dia da Saúde e da Nutrição. É um momento oportuno para pensarmos na nossa própria saúde e hábitos alimentares. Afinal, é preciso ter a consciência de que comer bem vai além de satisfazer a fome. Alimentar-se é consumir nutrientes e prover energia ao corpo, além de ser uma atividade social que reúne família e amigos, proporcionando momentos agradáveis.

Alimentar-se de forma saudável é, no entanto, mais do que uma questão de saúde, é a busca de um melhor desempenho em todas as nossas atividades. Adotando uma alimentação saudável, melhoramos o nosso dia-a-dia.
Os nutricionistas, profissionais que estão nos bastidores da alimentação, contribuem não só para o preparo de uma comida gostosa, mas, sobretudo, para uma alimentação saudável e consequente melhoria na qualidade de vida. Tudo isso faz dele um profissional de importância cada vez maior em todas as áreas do conhecimento em que a alimentação seja fundamental para promover, manter e recuperar a saúde, sem que se perca o prazer que uma refeição deve proporcionar.
O nutricionista lida, também, com questões sociais, econômicas e culturais. Há no mundo, atualmente, distúrbios alimentares que vão da desnutrição à obesidade. Esse profissional deve estar preparado, portanto, para criar situações favoráveis à prevenção e ao tratamento dessas patologias, visando sempre à saúde de todos.
Profissionais e pacientes devem se alinhar ainda mais para que a saúde fique em primeiro lugar e para que as “dietas malucas”, bem como outros modismos, façam menos vítimas. Nunca duvide da importância do nutricionista, invista em uma consulta e mude a sua vida!
Aproveite, então, para fazer um balanço do que você anda comendo e considere metas e cuidados a serem seguidos.

Fonte: Bem Leve

O "analfabeto" e "Doutor honoris causa" - José Nilton Mariano Saraiva

A tradicionalíssima Universidade de Coimbra (Portugal) foi criada em 01/03/1290 (há mais de 700 anos, portanto), e é uma das maiores instituições de ensino superior e de pesquisa do mundo. Em seu portfólio curricular oferece todos os graus académicos em arquitetura, educação, engenharia, humanidades, direito, matemática, medicina, ciências naturais, psicologia, ciências sociais e desportos. Devido à excelência do ensino ofertado, possui aproximadamente 22 mil estudantes, abrigando uma das maiores comunidades de estudantes internacionais em Portugal.
Pois foi essa legendária Universidade, por sugestão unânime do seu corpo diretivo, que resolveu conceder ao “despreparado” e “analfabeto” brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, o título de “Doutor honoris causa”, em reconhecimento ao profícuo trabalho nos oito anos em que respondeu pela Presidência da República do Brasil, oportunidade em que consolidou-se e foi reconhecido como um dos maiores estadistas do mundo.
Fato é que, nunca dantes na história de Coimbra, houve uma cerimônia tão concorrida, já que todos os seus grandes doutores (acadêmicos consagrados em todo o mundo) estavam lá, incluindo Gomes Canotilho, Castanheira Neves, Coutinho de Abreu e Boaventura de Souza Santos, dentre outros. Na oportunidade, fizeram questão de justificar tal concessão, conforme transcrições abaixo.
Joaquim Gomes Canotilho, professor de Direito da Universidade de Coimbra: “Enquanto presidente, Lula levou a mensagem da promoção da paz a todos os fóruns do Mundo. Ostenta já várias condecorações e honrarias, nacionais e internacionais, mas temos a honra de a Universidade de Coimbra ser a primeira a conferir o grau de doutor “honoris causa” ao cidadão Lula da Silva”. O professor aproveitou para destacar o significado simbólico deste reconhecimento: “É um cidadão do Mundo, um estadista global, um lutador contra a miséria, a fome e a desigualdade. Afirmou-se como engenheiro da paz e da justiça. Deu sempre ressonância mundial à língua portuguesa. O grau de doutor sobre proposta da faculdade de direito é a expressão simbólica da sua imensa sabedoria. Peço-vos, por tudo isto, magnífico reitor, que ordeneis a imposição de insígnias doutorais ao eminente humanista e homem de estado aqui presente, o ex-presidente da República do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva”, concluiu.
Já Coutinho de Abreu, também professor de Direito de Coimbra, foi mais incisivo e contundente: “Longo é já o tempo em que Lula da Silva, sem nunca deixar de aprender, vem ensinando na Universidade-Universalidade. Ensinando-fazendo, fazendo-ensinando, tentando, com muitos mais, melhorar o mundo. Se Lula tem dado tanto, inclusive a Portugal, é justo que a cidade de Coimbra também aberta ao Mundo, à cooperação entre os povos e à interação das culturas, no respeito pelos valores da independência, da tolerância e do diálogo, dê a sua mais alta distinção a Lula”, resumiu Coutinho de Abreu, concluindo com a afirmação de que esta distinção é “o profundo reconhecimento a um homem persistentemente generoso e solidário”.

Pezinho de Serra - Por Heladio Teles Duarte



................................... O encontro cerúleo acontece, nos céus e nas águas
                             O som da cascata, nos faz relaxar
                             O verde de várias tonalidades, ameniza nosso árido clima
                             Os pássaros com seus sonoros cantos, a todos encantam
                             É assim mesmo, nosso pezinho de serra.
                                                                                                        Heládio

quarta-feira, 30 de março de 2011

Brincando com diferenças - Aloísio

Brincando com diferenças


Não entro num desafio
Só pra poder agradar
Eu nasci na beira rio
E você na beira mar

Eu venho do interior
Você vem da capital
Sou das festas juninas
Você ama o carnaval

As diferenças de estilo
Já vão se pronunciar
Você fala das baleias
E eu falo do jundiá

Eu só vivo para a noite
Você vive para o dia
Cumpro meu compromisso
Enquanto você o adia

Eu andei em carro de boi
E você ia na jangada
Andava devagarzinho
E você na disparada

Se eu digo que é caju
Você diz que é u’a manga
Se eu uso uma bermuda
Você já quer vir de tanga

Cada qual com sua crença
Tudo é questão de fé
Você com galho de arruda
E eu uso figa de guiné

Eu gosto da lua cheia
Você gosta da lua nova
Gosto muito de poesia
Você só vem com prosa

Se eu como caruru
Você come tacacá
Cada qual com seu estilo
Fique lá que eu fico cá

Não fique me provocando
E nem fazendo arrelia
Pois eu gosto de brincar
E fazer muita folia

Isso ficou mui parecido
Com um desafio de feira
Terminando esta estrofe
Acabou-se a brincadeira

Aloísio

APELO DA ASSOCIAÇÃO DOS FILHOS E AMIGOS DO CRATO

A AFAC-ASSOCIAÇÃO DOS FILHOS E AMIGOS DO CRATO, solidaria à situação das famílias cratenses que perderam seus pertences na ultima enchente, apela para a solidariedade dos cratenses residentes em Fortaleza, e pede a doação de lençóis, toalhas, roupas usadas, alimentos não perecíveis e/ou cestas básicas.

As doações poderão ser entregues nos endereços abaixo:

AUDITECE Associação dos Auditores Fiscais do Tesouro do Estado do Ceará
Rua Frei Mansueto Nº 106 (entre a Av. Abolição e Av. Beira Mar)
Bairro Meireles
Fortaleza – CEARÁ

CASA DO LEÃO – Lyons Clube de Fortaleza
Rua João Cordeiro 2181 (entre as ruas Padre Valdevino e Av. Antônio Sales)
Bairro Aldeota
Fortaleza – CEARÁ

As doações serão enviadas, APÓS A SEMANA SANTA, para o CORPO DE BOMBEIROS EM CRATO-CE para distribuição entre famílias cadastradas pela Defesa Civil do Município.

CONTATOS DA AFAC:

Wilton Soares: (85) 9613-3936
Graça Barreto: (85) 9959-5242
Amarillo Santana: (85) 9621-6702
Luis Santos: (85) 9621-7016
Pedro Jorge: (85) 8785-6582
Cicera Policarpo: (85) 3246.3662


A AFAC AGRADECE A AJUDA DE TODOS

REPASSE ESSA INFORMAÇÃO PARA OS SEUS AMIGOS

ARTE DE AMAR


ARTE DE AMAR

Você se encostou num barranco.
Eu me encostei em você.
Fiz cócegas no seu sovaco,
você se riu todinha.
“Você está com a bunda suja
de terra”, eu falei e você se riu.
Eu me encostei mais em você.
Você estava fria como uma lagartixa.
Fechei os olhos e você ficou verde,
abri os olhos e você era vermelha
como o fogo, me queimava.
“Qual a cor do amor?”, eu perguntei
e você nem respondeu, vermelha só.
Passarinhada bateu asas, voou.
Você nuinha na terra vermelha.
Só nós dois sozinhos no mundo,
aprendendo as lições de amar.
O mundo é mais que um barranco,
quando se aprende a arte de amar.
 

            "Poemas de amor", 1999.



Sutilezas da mata - Por Claude Bloc


Capemba de coco babaçu


Cansanção em flor (queima do mesmo jeito)


Um cocho natural (retendo água da chuva)


Um cogumelo festeja a umidade


Há flores de todas as cores


Orquídeas...


Um "soldadinho" atento


Um processo natural de (re)fertilização
.

 Espinhos da macaubeira.


A água fazendo arte. Formas em suspense...
.

Está nas nossas mãos preservar tudo isso!

Fotos e texto por: Claude Bloc
Local: Sítio Fundão - Crato - CE

NATURALMENTE...

Os caminhos são muitos, a umidade e o cheiro da terra nos fazem um convite irrecusável.


Não importa se a trilha se fecha, seguimos adiante em busca desse ar puro e verdejante.


Os sorrisos tornam-se mais fáceis e mais fartos, como o mais puro alimento da alma.


O céu, o verde, o beijo da natureza.


 No abraço a tradução do sentimento mais nobre. A acolhida da mata.


Louzinha se aplica e explica o nome das plantas, a função de cada uma. Uma aula em campo aberto.


E nós onde vamos? As pedras não confundem nosso caminho.


As águas se acomodam serenamente depois da voragem das chuvas... 


E o silêncio impera nas engrenagens que emperram por falta de tato e de tempo.


É fácil seguir esse caminho sem esquecer que amanhã é outo dia.

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Fotos registradas no Sítio Fundão (Crato - CE) por ocasião da reinauguração da Casa-sede

Foto 3: Claude 
Foto 5: Adriana, Louzinha, Gilvany, visitante.
Foto 6: Adriana, visitante, Louzinha (ambientalista)

Sítio Fundão reabre acervo - Texto de Antonio Vicelmo

 
Crato  inaugurou, hoje de manhã, a casa sede do Sítio Fundão, uma Unidade de Conservação Ambiental, localizado no sopé da Serra do Araripe, a 3Km desta cidade.



A solenidade, marcada para as 10 horas, contou com a presença do presidente do Conselho de Políticas e Gestão do Meio Ambiente (Conpam), Paulo Henrique Lustosa, e do superintendente interino da Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace), Ricardo Araújo.



A entrega da área contou com presenças de autoridades locais dos três Municípios da Região do Cariri diretamente beneficiados - Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha. A solenidade será antecedida de uma caminhada às margens do canal do Rio Granjeiro que foi parcialmente destruído pelas chuvas. Os ambientalistas querem chamar a atenção para os problemas ambientais do Município.


A restauração da casa obedeceu fielmente à planta original, construída pelo antigo proprietário, ambientalista Jéfferson da Franca Alencar (falecido), em taipa, técnica construtiva vernacular à base de argila (barro) e cascalho, com o objetivo de erguer uma parede, única no Estado, com dois andares.

O antigo proprietário teve o cuidado de conservar não apenas toda a vegetação (flora e fauna), mas o acervo material, inclusive, um engenho de madeira que não foi restaurado.





A restauração da casa de taipa é apenas o início de um amplo projeto do Governo do Estado que contempla a nova sede do escritório da Semace - Cariri e uma unidade da Companhia de Polícia Militar Ambiental (CPMA), além da restauração do engenho de pau que, no momento, encontra-se coberto pelo mato.




Por enquanto, até o acesso para o Sítio é difícil. Só passa carro com tração nas quatro rodas. Josa justificou que não teve condições de recuperar o acesso porque as chuvas não permitem a entrada de um trator. Os visitantes terão que deixar os veículos do lado de fora do parque e caminhar cerca de 1Km.

O parque disporá de segurança armada para proteger os visitantes, alunos secundaristas e universitários que terão, no local, ambiente propício às pesquisas relacionadas ao meio ambiente. Toda e qualquer visitação, em grupo, obrigatoriamente deverá ser guiada, ou seja, acionada junto a gerência do parque. Pesquisadores e pessoas interessadas em conhecer mais uma Unidade de Conservação Ambiental do Estado podem dirigir-se à Semace do Crato para obter melhores informações quanto a sua utilização.


Localizado a apenas 3 quilômetros do Centro da cidade do Crato, o Parque Estadual Sítio Fundão foi criado pelo Governo do Ceará em junho de 2008, quando deixou de ser uma propriedade particular. É gerenciada pela Semace, com vegetação nativa preservada e, ainda, flora diversificada.

Texto de Antônio Vicelmo (com algumas adaptações)
Repórter

http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=954780

Fotos de Claude Bloc