Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

ENVIE SUA FOTO E COLABORE COM O CARIRICATURAS



... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
.....................
claude_bloc@hotmail.com

terça-feira, 31 de maio de 2011

Postagem diferente - José do Vale Pinheiro Feitosa

Quase é o vocábulo da mais fina desculpa para aceitar-se o imprevisto. Quase todos os números da loteria, apenas um por diferente. Quase ela me ama se não fora naquela festa rave tanta onda rolar. Quase que foi quase e não deu.

Ora acontece! As coisas não dão. Para escrever três textos diferentes para três blogs distintos. Ou quatro ou cinco, como se dedos houvesse para tantos dígitos. Ou o que dizer em tantos desdobramentos.

Desdobramentos é o que não falta o que funciona como uma limitação para o mesmo indivíduo. O desdobramento mais interessante é o que outros fazem. Afinal é muito chato um diálogo interior entre afirmações e negações para que tanto desdobramentos aconteçam. Normalmente a ave pode parir mais de um ovo, o difícil são ovos quadrados ou globosos.
Normalmente as diferenças podem funcionar como painel da diversidade, mas não é incomum que sejam apenas versões do mesmo. Assim como uma música tão do gosto popular que se torna um novo ritmo ou uma nova música da qual tantas versões se compõem.

Versões podem efetivamente enriquecer o conhecimento. O que acontece com elas é que são variações sobre um conhecimento dado. O que nos remete para o fato que uma originalidade num mundo feito de versões, desdobramentos e coisa tais, é coisa rara. Ou melhor, pode nem ser rara, apenas que se torna como um mero centro de tantas irradiações.

Com tantas irradiações retornamos ao quase. Quase, tão próximo, pouca diferença, em torno ou por um triz. É possível tantas vozes diferentes e sem nenhuma repetição, mas é quase impossível pois Gutemberg inventou a prensa, o rádio multiplicou o som, o gravador gravou e a internet universalizou.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Devaneios - Claude / Aloísio

Aloísio

Momento que se vai
Dá o que pensar
Me leva aonde
Eu não vou chegar

Claude

Instante que fica
Aqui, mais além
Instante da trova
Da prosa também

Aloísio

Os meus devaneios
Correm como os rios
Que com seus meneios
Desembocam no mar

Claude

O mar e as ondas
Em seu galopar
Me falam das conchas
da terra, do ar

Aloísio

São sons percussivos
Que por vários motivos
Rasgam meu caminhar
E voltam a se encontrar

Claude

E os passos desfilam
Na morna areia
Ao canto das ondas
Ao sopro do mar...

Claude / Aloísio

sábado



poesia de qualquer jeito
é assim que deve ser
dê no que der
poesia nas ruas do centro
mendigos nas calçadas
a vida por dentro
de vidas reviradas
samba na são joão
no anhangabaú
pandeiro e cachaça
depois só o chão
como última graça
poesia nua e crua:
paredes monstruosas
da cidade nua
mas é preciso olho
tarimbado em caos
mãos de metal
lábios de gelo
sempre mais perto
sempre mais perto
assim meu nego

Comunicamos o falecimento de Dona Valdenora - mãe de Socorro Moreira


.
Hoje uma chama se apagou. Uma chama que brilhava em seu silêncio de amor. Uma luz que se fez mãe. Uma mãe que trazia, em suas mãos, a marca do tempo. Os sacrifícios que a vida lhe fez dedilhar. Mãe de olhar sereno. Mãe de abraço macio. Mãe abnegada.

Dizem que mães são anjos. Que protegem, que olham, que cuidam, que se doam. Um dia, com a missão cumprida, Deus vem levar de volta esses anjos, para que os dias lhe sejam menos dolorosos, para marcar o tempo dessa caminhada pelo mundo e para que este se constitua apenas numa testemunha de sua passagem terrena pela vida.

Mas eis que chega o dia de voltar para o Pai. É um chamado definitivo. A hora de ter de volta em si esse universo imenso, essa certeza infinita e tardia de que somos parte desse todo e que é hora do retorno, do adeus ou da chegada.

E novamente segue esse anjo para outras paragens. Livre. Transparente ser que somos, sob as bênçãos do Pai.

Um abraço filial a esta que foi mãe a vida inteira – Dona Valda ( Valdenora)


Claude – por todos os que fazem o Cariricaturas

Irmã Edeltraut, uma alemã barbalhens​e

Irmã Edeltraut e Heládio Teles Duarte

AGRADECIMENTOS DA AFAC-ASSOCIAÇÃO DOS FILHOS E AMIGOS DO CRATO

A AFAC – Associação dos Filhos e Amigos do Crato, informa aos seus associados e aos caririenses residentes em Fortaleza, que já entregou ao Batalhão do Corpo de Bombeiros em Crato, todo o material recebido como doação para distribuição às vítimas das enchentes no Crato.

Foram arrecadados quase 400 kg de alimentos não perecíveis(perto de meia tonelada), 193 peças de vestuário masculino e feminino, toalhas de banho, lençóis, bonés, meias, cintos e calçados.


A AFAC – Associação dos Filhos e Amigos do Crato agradece a todos os caririenses que nos ajudaram com doações, o grande apoio recebido por parte da AUDITECE - Associação dos Auditores Fiscais do Tesouro do Estado do Ceará, a José Airton Brasil e Amarillo Santana da SEFAZ, a toda a diretoria da AFAC, ao Lyons Clube de Fortaleza e a Casa do Leão, à UNIÃO CARIRI – União das Associações dos Filhos e Amigos do Cariri, ao Corpo de Bombeiros sediado em Crato, Defesa Civil em Crato, ao humorista cratense Luciano Lopes (LUANA DO CRATO) e ao Sr. Arnaldo Lima (músico cratense) e Antonio Mapurunga, Capitão Sobrinho(Corpo de Bombeiros do Crato).

Agradece

A AFAC – Associação dos Filhos e Amigos do Crato
A Diretoria

BLOGDIVERSIDADE - A Beleza dos BLOGS está na Diferença, não na Mesmice !


Amigos,

Se todos os Blogs contiverem as memas postagens, perdem o sentido de existirem tantos Blogs. Fico triste quando vejo uma mesma postagem repetida por 4 ou 5 Blogs do Cariri, a mesma coisa, nem o texto muda, faz com que a gente perca a vontade de ver outros Blogs, de ver sob outros prismas.

O bom mesmo é a diversidade, é um Blog conter poemas que o outro não tem. É ter vídeos que o outro não tem. É ter notícias que o outro não tem. É ter crônicas diferenciadas. É TER CONTEÚDO PRÓPRIO.

Se todo mundo posta a mesma coisa, pra que ter vários Blogs ? Agora, claro, que de vez em quando, quando se quer dar mais ênfase em um assunto importante, se pode fazer um "pool". Ou pode-se pedir emprestado aquela postagem, mas toda hora ?

Parabéns ao Armando Rafael, à Claude Bloc, ao Emerson Monteiro e alguns mais que já entenderam que o espírito da coisa reside na diversidade.

Pensem nisso!

Abraços,

Dihelson Mendonça

Por Causa de Você - Jorge Ben - 1963 - Dihelson Mendonça

Vendo as versões de "Por Causa de Você" que a Claude postou, eu até pensei que fosse a "Por causa de você" do grande Jorge Ben. Para os que como eu preferem a outra música, aqui está na versão original do Jorge Ben, que passou a se chamar Jorge BenJor. Abraços a todos:

domingo, 29 de maio de 2011

Duas Versões de - POR CAUSA DE VOCÊ - The Fevers

Para quem sente saudade...

 POR CAUSA DE VOCÊ - The Fevers






TEMPO


“Como o homem seria desgraçado se não tivesse o dom maravilhoso de imaginar, de fantasiar, de sonhar! O que teria sido de mim se todo eu estivesse amarrado a este quotidiano doméstico e social! Mas não. Desde criança que sei que há um reduto inexpugnável: a clandestinidade do espírito."(Miguel Torga)

Muito tenho meditado sobre o tempo e sua não linearidade. Ora, as coisas são contadas por nós mas esta numeração é subjetiva embora pareça exata. Conheço gente de vinte anos mais travada ou impedida do que alguns de oitenta e seis, tendo meu pai como exemplo. Sei de mulheres que vivem uma relação tão solitária e desamorosa que, só quando esta se acaba, é que começam a experimentar verdadeira experiência amorosa com a vida. Ou seja, pode –se , em uma semana, ou até mesmo num dia , viver uma intensidade , um gozo, uma plenitude emocional que os trinta anos anteriores não foram capazes de proporcionar. Há assuntos nos quais me sinto com 5 anos de idade, outros, 180, noutros, um mês. Se para se mudar uma vida basta um dia, esta é única compensação que temos para o inevitável tempo perdido. Minha estratégia é alinhar-me a ele, ao implacável Tempo rei, sabedora de que ele não para e não espera ninguém. Tento ir junto, saboreando o presente, criando alternativas que o otimizem e me adiantem umas “casas” nos departamentos onde o perdi.
Lembrei –me agora de uma vez, no interior do Espírito Santo, em que conheci um lavrador a quem pedi informação e ele, atencioso, seguira ao meu lado pela estrada de terra, para me deixar no destino que eu queria naquela zona rural. O sol da tarde calma, nosso passos e a conversa rolando. Como o é o nome do senhor? Ah, minha fia, meu nome é Rosa. Que bonito, tipo Noel Rosa, Guimarães Rosa, o seu é como? O meu é Rosa Maria. Meu deus, nome de mulher! E o pessoal não ficou de chacota com senhor não? Nada minha fia, é que minha mãe teve nove filhos. Tudo menino-home. Quando chegou na minha vez, que eu sou o último, a parteira falou que mais um que ela tivesse ia virar anjo, porque ela já estava de ventre cansado. Ah, ela não duvidou e falou: “ não quero nem saber, seja home ou mulher, o que sair daqui vai se chamar Rosa Maria. Sempre quis uma filha só pra botar este nome!.” E assim foi, minha fia, era eu e é meu nome. Eu gosto sabe, acho bonito ter nome de flor.
Fiquei olhando aquele homem lindo, muito preto , a pele do corpo sem camisa reluzia fina sobre a musculatura definida pela malhação na lavoura diária. Deve ter uns setenta anos, pensei fixando meus olhos nas mãos calejadíssimas. O cabelo começando a embranquecer na frente a raiz. Quanto anos o senhor tem seu Rosa? Ih, minha fia, agora ocê me apertou sem me abraçar. Ocê sabe que eu não sei?! Então porque o senhor não pergunta à sua mãe. Num cunhici, ela morreu no parto. Depois meu pai até falou de trocar meu nome, mas foi enrolando e não quis trair a vontade dela, né? Mas eu não sei mesmo minha idade. Mas o senhor não faz nem uma idéia assim mais ou menos? Quantos anos o senhor dá pro senhor? Ah, eu já tô aí beirando os quarenta, ou cinquenta, por aí.
Me enterneci. Não tinha importância o código. Não interferia no seu roteiro, não era decisivo no tema da felicidade. Os olhos de Rosa Maria seguiam sorridentes entre a verde mata do norte capixaba e eu encantada ao lado daquela entidade, aquele preto velho com postura de carvalho. Seu Rosa Maria impunha respeito pela sua extrema felicidade e a mim, especialmente encantava por colocar esta subjetividade simbólica numérica no seu devido lugar. Quase chegando na fazenda aonde eu ia, ainda insisti: Será que não há um jeito de o senhor saber ? Óia ,minha fia, tem sim. Diz que lá par cima , ali pertinho da Serra da Boa Vista, mora um que nem eu assim, que eu mamei na mãe dele. Então eu penso em falar com ele e pela idade dele tirar a minha, porque eles falam que nós mamamos na mesma época. A mãe dele inda tá viva. Não é de hoje que tô pra ir lá perguntar a véia, menina, mas cadê tempo?
(Elisa Lucinda)

FONTE: http://www.escolalucinda.com.br
Imagem captada do windows

Luciano - José do Vale Pinheiro Feitosa

O maior sinal da presença de algo vivo, especialmente se um animal, é a modificação que exerce no espaço em que habita. Seja este espaço um local de sedentarismo ou um de caça, colheita ou trabalho. Sendo que as duas últimas são inerentes à humanidade.

Pois Luciano, um Paraibano de Solânia, é a expressão máxima daquela observação. Não mais do que um 1 metro de 66 centímetros, o homem aí dos seus 46 anos, conversa pelos cotovelos. Mas não é balbucio de coisa qualquer. Luciano faz platéia, tem um coletivo de amizade que passa lhe cumprimentado ou se torna freguês da sua barraca de vender coco verde.

Logo depois da curva do Calombo, sentido Túnel Rebouças-Ipanema, na Lagoa Rodrigo de Freitas, numa área em que o terreno desce para a baixada que tem início no arco em frente ao Corte do Cantagalo. A barraca do Luciano fica logo no início desta baixada sob frondosas árvores, próximo ao gramado e a área em volta dela, com mais de mil metros quadrados, sempre está absolutamente limpa.

Não é incomum nas manhãs iniciais de sua atividade ver o Luciano lavando o asfalto da região com algum detergente para retirar o cheiro do xi-xi de cães que levam madames e cuidadores a passear. Tudo absolutamente varrido e nenhum detrito que escape da atividade do paraibano deixa de ir para as lixeiras que espalha para os seus fregueses.

Muito antigamente chegava antes das seis horas. Tinha um senhor que passeava com seus animais que o esperava para dar água de cocô aos referidos. Estes quando viam Luciano descer do ônibus de onde chegava, de São Cristóvão, corriam para ele, abandonando o dono: o homem dos cocos era mais importante.

Mas hoje, com a idade, tem evitado a hora. Especialmente nos feriados e domingos: é dia de assaltante. Pouca gente andando na Lagoa naquela hora torna Luciano o alvo dos malandros que só levam o que levam por que ameaçam. Luciano já levantou facão para o ar como a dizer que tinha arma. Já se afastou do local por observar dois homens assuntando a oportunidade de levar-lhe o que tinha de troco.

Ali na barraca dele tudo é limpo e o incrível do mistério: Luciano olhando para a casca do coco verde, como um leitor de búzios, traduz qual é doce e qual não é. Ele escolhe seus cocos com o fornecedor seguindo tais critérios de quase adivinhação que só não é, pois acerta todas. Como é que você descreve este método? Ele pega dois cocos e diz: não tem como descrever eu sinto olhando para a casca dele. Abre os dois e traduzem o que disse quando a água ainda estava escondida.

Antigamente um coco pagava outros sete, mas hoje, a economia está mais estável: um coco paga dois e meio. Convenhamos, sempre existirá o problema de escala para dar sustento a Luciano, mas com uma margem de lucro desta, incluindo o gelo e o trabalho dele, é uma margem e tanto e o homem tem uma vocação espetacular para atender ao público.

Se todos os atendimentos que existem no mundo fossem daquele modo, a sensação de bons serviços seria fundamental. Olhem que esta coisa não é verdade nem com os médicos que são aqueles humanos que atendem outros em sofrimento. Tem doutor que é tão preguiçoso quanto um porco esparramado na umidade ou seus olhos brilham tantos cifrões que lembram uma cornucópia jorrando.

O general Inverno - Emerson Monteiro



Assisti recentemente ao filme Guerra e Paz (1957), superprodução do diretor americano King Vidor, com Henry Fonda, Audrey Hepburn e Mel Ferrer, dentre outros destaques, que aos dez anos vira pela primeira vez no Cine Moderno, em Crato, bem cuidada e rica montagem cinematográfica do célebre romance de Leon Tolstói, obra imorredoura da literatura universal.

Aprendemos que bom é reler; e, no caso dos filmes, rever. Atualizar a leitura de peças antes conhecidas, quando, então, desaparecerá a ansiedade em conhecer o final, e se mergulhará na interpretação dos detalhes com visão mais ampla e apurada no tempo.

Depois disso, a trama romanceada nos personagens russos das guerras napoleônicas impõe sua força ao decorrer dos acontecimentos, mostrando capacidade extrema daquele povo de resistir aos desafios de sua história. A beleza exótica de Audrey Hepburn domina o papel de Natasha, personagem ingênua, contraponto ideal para mundos em conflito, a inocência original que nutre de ânimo os vencidos. Enquanto que o senso crítico de Pierre (Henry Fonda) conduzirá testemunho do contexto em queda livre diante do inesperado, formulando meios de superar o imperfeito.

Mas o que toca na essência do drama significaria a destruição das tropas francesas em retirada convulsa, vítimas da eficiência do general Inverno, com o que não laborou Napoleão Bonaparte no ímpeto das conquistas, vendo-se em condição de fragorosa decepção, ao furor das baixas temperaturas, da fome e da neve, dizimando preciosos efetivos. Esta lição Hitler não aprenderia, lá na frente, quando jogou os alemães a circunstâncias parecidas, no mesmo território, amargurando a maior derrota das campanhas nazistas aos custos, inclusive, de rendição humilhante na Segunda Grande Guerra, mérito do bem sucedido general Inverno.

Recordo, na fleuma dos soviéticos perante a dor, sua busca pela transformação socialista que propôs e que redundaria no fracasso de 70 anos de vivências do recente século. Com a fibra heróica da civilização milenar, o sonho justo e igualitário ver-se-ia por terra, face às humanas limitações em realizar a perfeição nos grupamentos comunitários. Eles, os russos, chegaram longe nesse projeto de transformação social, contudo haverá longo percurso pela frente até a concretização plena da solidariedade e da paz em termos coletivos, porquanto, no íntimo, o egoísmo ainda impera e detém a consciência das massas. Sem o aprimoramento real dos indivíduos jamais se chegará à verdadeira fraternidade neste chão, pois.

Nossas estradas, que pesadêlo! O DER existe? - Por Heládio Teles Duarte

Foto: Heládio Teles Duarte

sábado, 28 de maio de 2011

FALANDO DE MIM

Segredos guardados
Momentos de mim
São guerras eternas
Angustias internas
caminhos partidos
em fogo cruzados
segredos fadados
desejos enfim


Amores mentidos
em vão repartidos
sem ter amanhã
dilui-se com o dia
em meio à utopia
tão vaga, tão vã
em tragos,
em rastros
zumbidos assim.

É que à noite costumo
agir sem razão
espalho Sem rumo
sem medo e sem prumo
a tudo enfim
amor, coração...
Me arrimo aos abraços
e espalho pedaços
Das luzes de mim

WILTON DEDÊ

Cores fortes número dois - Emerson Monteiro

A incerteza desses pensamentos desce buraco adentro do peito, num mergulho de cascalhos rolando através dos rios da alma. Restos de culpa, espécie de só saudade abandonada em gestos incertos, angústias, muitas angústias que se acumularam visguentas pelas bordas metálicas do cérebro das mentes aflitas, como os derradeiros sentimentos das vidas inteiras. Postas de manhãs ensolaradas rebrilham, pois, sobre as lajes frias do quintal e o tudo e o nada se entrelaçam familiares, na forma dos velhos jornais rolando no vento úmido. Terços, tropeços entre os dedos, firmam as orações da véspera num apelo sincero rumo do desconhecido; cantigas travessas de horas agradáveis lá perdidas no passado neutro. Sim, são as lentas visões dos mesmos momentos que repetiram sensações do incontido de querem cruzar as pontes destruídas, voltar a impossíveis pastos de antigamente.
Vontade poderosa de sobreviver a qualquer custo conta valores imensos, porquanto ninguém andou nas jornadas ao Paraíso antes de amargurar dores atrozes do desencanto. O esforço sobre-humano de transcender o ritmo monótono das ondas que repetiram a história do tempo força extrema de continuar a passos lerdos sem, contudo, saber aonde seguir. Viver por viver ao sabor dos acontecimentos.
Essa doce amargura nos dentes do coração. Flores apagadas e fios invisíveis nas trilhas das aranhas tresmalhadas. Gosto de ausência de não ter tamanho impulsiona avançar e permanecer no outro lugar de sempre.
Os olhos ardendo com as chamas da noite veem a paisagem dos matos enviesados, no quadrado permanente dos territórios minados. Tons de verde, laivos de rosa nas plantas silvestres inundadas de sol. Pássaros tardios, raros pássaros que insistem silenciosos permanecer. Nessas impressões de claridade, o estio traz algumas formigas e o alimento que transportam à luz do dia, sinal de mais chuva que virá.
E nas caves profundas do eu, gotas puras de orvalho transbordam pelas gretas o furor, fervilhando íntimas vozes assustadas e doloridas. O baque surdo, que o ser inflama, aumenta a solidão do insofismável. Louvores de tropel perguntam e rápido somem sem respostas. Cachoeira de líquidos invade os ouvidos, abafam o grito dominado e percorre as fronteiras do desejo.
Em quantas naves lançarei o meu destino? Pedaços de mim andam soltos nas quebradas vazias, portos fechados e mapas rasgados, que sacolejavam tremores de eras escondidas nas dobras do desespero.
Ruínas acinzentadas deixam ver as poucas feras que ali pastavam entre si caladas e fiéis ao firmamento, que, nas alturas eternas, insiste permanecer, domando a multidão dos horizontes sucessivos que deu na bola de cristal e guarda em si inevitáveis painéis do Universo esplendoroso.

Cleilson Ribeiro:Em Breve Lançamento de Um Grande Livro-Wilson Bernardo.

Um dos maiores poetas do Cariri e porque não dizer do Brasil,lançara em breve um de seus grandes livros de poemas.Eu tive a felicidade de fotografar e fazer a capa do seu livro,e afirmo é com certeza um dos melhores livros de poemas que eu já li.Grande luz espiritual para um grande poeta Cleilson Ribeiro,que é Professor de literatura e compositor.

             Do equilíbrio

O equilíbrio
a escolha
o insulto
como subterfúgio,
e distende seu bigode íngreme
dentre farpas e horizontes engaiolados.
Sua língua
sua sargaços contidos
na tensa vastidão da geometria do medo.

 No estômago,
não guarda claridão alguma,
mas auspicia o remorso de um pássaro
em repouso,
planejando derreter
os resíduos da linguagem
dos caminhos.
Cleilson Ribeiro

Fotografia e capa do livro:Wilson Bernardo 

É preciso mudar esse quadro - Por José de Arimatéa dos Santos

Nesses dias os problemas da educação vieram mais uma vez a tona com o vídeo da professora Amanda Gurgel do estado do Rio Grande do Norte em que ela na presença de autoridades educacionais e políticas, discorre sobre as mais diversas situações vividas pelos professores. Situações vexatórias que só quem está em sala de aula pode comprovar. É sabido mais do que nunca que a educação é prioridade dos políticos, nas campanhas eleitorais. Eleitos, pouco ou quase nada é feito para mudar essa situação.
Já passou da hora para resolver os graves problemas da educação nacional. É necessário colocar em prática políticas de valorização e respeito ao professor. Todos os países desenvolvidos são calcados numa boa educação. Como o Brasil quer se inserir, a médio prazo, no clube dos países desenvolvidos se as escolas estão sucateadas e as crianças muita das vezes até agora não tiveram aula de matemática e outras disciplinas, em muitas escolas, por falta de professor? Isso é que vemos na mídia diariamente. O país gastará fortuna para realizar a Copa do Mundo e a Olimpíada. E a educação como fica?
Um outro olhar deve combinar o desenvolvimento com educação para todos. Ao melhorar a educação dos nossos jovens, automaticamente o país é elevado a melhor patamar no ranking do crescimento mundial. As condições de vida do brasileiro melhoram e cada cidadão passa a ser mais crítico em relação aos acontecimentos de todo dia. A cidadania se manifesta de forma mais contundente e o brasileiro passa a exigir a resolução dos problemas. Tudo isso passa pela escola.
Só que tudo isso depende também da luta dos professores por melhores de condições de salário e trabalho. Pressionar nossos representantes políticos para investir mais dinheiro e de forma responsável nas escolas para não faltar professores ou merenda escolar. A pressão dá resultados. Mais organização na luta e nos objetivos são pressupostos para conseguir melhores condições. Por fim, é necessário mudar esse quadro.
Memórias
Claude Bloc



Me abrigo no silêncio
de tua ausência
e apenas sinto o frio
do teu não estar
Não sei de que falam
as palavras ditas/não ditas
Apenas deito-me
no silêncio que deixas
Esse silêncio
em que me sento
em que perco
em que me arrumo.

Só depois sossego
e me ponho a [des]arrumar essas lembranças
e [des]ordeno os sons dessa saudade
e me [des]faço nas minhas memórias
de/por ti.

Claude Bloc

sexta-feira, 27 de maio de 2011

PUPILAS DILATADAS - José do Vale Pinheiro Feitosa

Um colírio para dilatar as pupilas. E mesmo de olhar embaçado eram duas janelas que davam para a escuridão que existe dentro de mim. Como visão indistinguível, aquelas duas escotilhas das pupilas abertas diziam mais que objetos escondidos.

O interior que acumula as impressões do mundo e das pessoas pareceu-me não revelar as impressões que nele nascem. Um mundo, das pupilas observadas, tão sem separações de sólidos e, no entanto, carrega um sentido para todas as impressões que nele chegam.

É que naqueles dois pontos escuros, que ocuparam o espaço da íris castanho claro, havia um universo de milhões de minutos a girar fantasias, sonhos, pisadas no solo firme e braçadas nas águas do revolto mundo. No interior das pupilas não acontecia o espelho do mundo anterior, mas a película em milhares de quadros que junta uma narrativa contínua e guardada.

Nas clarabóias das pupilas dilatadas, tudo era turvo, como um impedimento a priori. Mas a observação demorada revela outra coisa: a efervescência na fronteira entre o interior e o exterior. Como um rio que entra no mar e turva suas águas. Ali acontecia o batear das ondas entre eu e o mundo.

O choque que transportava a turbidez do espaço observado era a morte simultânea do mundo e de mim como tela em branco. Naquela fronteira turva o mundo tem sentido e reescreve os achados retocáveis do tempo que o meu interior inventa. Ninguém é mais puramente um ser no limite de sua própria metafísica.

No entrechoque do mundo e do interior das pupilas dilatas o ser é reinterpretado de um modo tão completo que sofre uma fuga como numa sinfonia. Simultaneamente o mundo amplo e fundamental, ontológico, deixa de sê-lo para adquirir nuances do contributo do interior escuro das pupilas sobre os quais de pronto nada tinha a dizer e, no entanto, era tudo o que tinha para dizer.

Hello !


Defronte do Copacabana Palace, no Rio, no domingo dia vinte e dois de maio, uma multidão olhava para a janela da suíte presidencial, quase a quebrar o pescoço, esperando pelo aparecimento, por um mínimo instante que fosse, do seu ídolo. A turba formava-se por muitas gerações : bisavôs, avôs, filhos, netos. Uma senhora, passando pelo calçadão, arrastando seu poodle estranhou aquela atitude. “Um bando de gente desse, olhando para cima, como bestas, esperando o quê? Outro besta aparecer lá em cima?” Um rapazinho de uns vinte e poucos anos, fita-a seriamente e diz:

--- Minha , senhora! O que é isso? Respeite a religião dos outros! Se a senhora soubesse que Jesus estava hospedado aqui, não estaria ajoelhada neste calçamento? Pois ali em cima se encontra meu deus! Respeite a minha religião!

Pertinho, um outro rapazinho conversa com amigos e informa que não vai dar mais para esperar. Tem que ir para o Engenhão, render alguns amigos que estão na fila e precisam almoçar. E diz: “Estamos acampados lá desde quarta-feira, queremos ficar pertinho de Paul!”. À noite, no estádio, uma fila quilométrica aguardava a abertura dos portões. Pessoas de todas as idades estavam prontas a suportar mais de nove horas em pé, deslumbradas e anestesiadas com possibilidade de, após a maratona, estarem pertos, num show inesquecível, de São Paul McCartney de Liverpool. Avós, filhos, netos, das mais variadas regiões do país – umas quatro gerações --- ali estavam firmes e fortes. Alguns já tendo feito igual peregrinação nos shows anteriores de São Paulo, Porto Alegre e Buenos Aires. À nossa frente, uma senhora testemunha dos dourados anos sessenta, nos disse ter comprado ingressos para vir ao show daquele domingo e da segunda-feira. Passadas as longas seis horas aguardando o ídolo, uma platéia aparentemente estafada simplesmente ressuscitou quando Sir Paul apareceu no palco, com sua banda competentíssima e, sem muitas pirotecnias, sustentou um inesquecível Show de três horas. É que todos, totalmente reconfortados, assistiam à sua frente um show não de Paul mas do “The Beatles”.

Em pleno Império do Efêmero , pus-me a pensar: o que dá a uma obra tintas de eternidade? Ali estavam quatro gerações comigo, não de apreciadores da Banda, mas de Beatlomaníacos! Como aquilo era possível, se a primeira e mais primal atitude dos jovens é jogar no lixo tudo o que a geração anterior apreciou? Em plena era do Forró de Plástico, do Breganejo, do Axé Insosso, onde o sucesso dura no máximo alguns dias e as bandas nascem e morrem numa velocidade estonteante, como explicar a perenidade e a blindagem dos Beatles?

Queóps construiu sua pirâmide dois milênios e meio antes de Cristo.O faraó ergueu sua tumba gigantesca esperando ali ficar aguardando a ressurreição, ou seja moveu-o a busca da imortalidade. No fundo, toda obra de arte é uma nova pirâmide feita pelo artista, na quase sempre inglória tentativa de com ela driblar a morte e o esquecimento.A possibilidade quase que única de sobrevivermos de alguma maneira ao desaparecimento físico inexorável. A música que se faz hoje, quase sempre, na sua volatilidade, nada tem de ritualística e nem pode pretender ser arrolada como Arte. São casas de adobe, sem alicerce, para o pouso temporário e incerto de alguns. Feitas para o entretenimento daquele instante, daquele momento específico, rui como por encanto à primeira neblina. Sequer os bordões permanecem: “minha eguinha pocotó”, “minha mulher não deixa não”, “Ah, eu tô maluco!”

As tintas da eternidade são perseguidas por todos os artistas e, no fundo, é o moto-contínuo do seu fazer artístico. Mas não basta querer a permanência simplesmente. Nem mesmo a qualidade inequívoca da obra reconhecida hoje lhe dá, a certeza da permanência. Alexandre Dumas foi o mais reconhecido escritor da sua geração, assim como Anatole France e, nem por isso, a vivacidade das suas obras resistiram totalmente ao impacto do tempo. Balzac e Baudelaire, bem menos incensados enquanto viveram, criaram uma vitalidade impressionante com o passar dos anos. Além da qualidade temporal imprescindível da obra de arte, essa necessita de alguns outros atributos para as banharem de eternidade. Faz-se mister genialidade. O grande artista é sempre um visionário e consegue imprimir um profundo ar de atemporalidade naquilo que faz. Tantas e tantas vezes passa totalmente despercebido por seus contemporâneos, simplesmente porque pinta na tela do hoje utilizando as tintas do futuro.

Se a impermanência é o atributo mais palpável do reino animal, rescendeu um ar de eternidade , de divino quando Paul subiu ao palco do Engenhão no domingo. Como se todos estivessem diante da pirâmide e de lá saísse um Queóps redivivo dizendo Hello! e nunca, nunca mais, Good Bye!

J. Flávio Vieira

Devaneios - Aloísio

Devaneios

Momento que se vai
Dá o que pensar
Me leva aonde
Eu não vou chegar

Os meus devaneios
Correm como os rios
Que com seus meneios
Desembocam no mar


São sons percussivos
Que por vários motivos
Rasgam meu caminhar
E voltam a se encontrar


Aloísio

Vôo 447: os horripilantes minutos finais - José Nilton Mariano Saraiva

Senhores,
Por entendermos ser de interesse geral, tomamos a liberdade de transcrever, abaixo, ipsis litteris, o relatório (parcial) sobre a queda no Oceano Atlântico do avião que fazia a rota Rio de Janeiro-Paris, também conhecido por Vôo 447. Parem um pouco e imaginem o pavor experimentado pelas 228 pessoas a bordo, naqueles horripilantes minutos finais.

José Nilton Mariano Saraiva

Balanço da investigação sobre o acidente do vôo AF 447 ocorrido em 1º de junho de 2009 (www.bea.aero) - 27 maio 2011
PREFÁCIO ESPECIAL AO TEXTO PORTUGUÊS
Este texto foi traduzido e publicado pelo BEA a fim de facilitar a leitura pelos falantes brasileiros. Tão exata quanto a tradução possa ser, é o texto original em francês que deve ser considerado como o trabalho da referência.
Histórico do voo
No domingo, 31 de maio de 2009, o Airbus A330-203, matrícula F-GZCP, operado pela Air France foi programado para efetuar o voo regular AF447 entre o Rio de Janeiro Galeão e Paris Charles de Gaulle. Doze tripulantes (3 PNT, 9 PNC) e 216 passageiros estão a bordo. A partida está prevista para as 22 h 00(1). Às 22 h 10 a tripulação tem permissão para ligar os motores e deixar o pátio. A decolagem ocorreu às 22 h 29. O comandante de bordo é PNF, um dos copilotos é PF. O peso na decolagem é de 232,8 t (para um MTOW de 233 t), e inclui 70,4 toneladas de combustível. À 1 h 35 min e 15 s, a tripulação informou o controlador ATLÂNTICO que passou o ponto INTOL e anuncia a seguinte estimativa: SALPU às 1 h 48 e ORARO às 2 h 00. Ela também transmite o seu código SELCAL e um teste é realizado com sucesso. À 1 h 35 min 46 s, o controlador pediu que ele mantenha FL350 e informe sua estimativa para o ponto TASIL.
À 1 h 55, o comandante de bordo desperta o segundo copiloto e diz «[...] vá tomar o meu lugar». Entre 1 h 59 min 32 s e 2 h 01 min 46 s o comandante de bordo assiste ao briefing entre os dois copilotos, onde PF disse principalmente que «o pouco de turbulência que você acabou de ver [...] devemos encontrar outras mais à frente [...] estamos na camada, infelizmente não podemos subir muito mais agora porque a temperatura está diminuindo menos rapidamente do que o esperado» e que «o logon com Dakar falhou». O comandante de bordo deixou a cabine.
A aeronave se aproxima do ponto ORARO. Ela voa em nível de voo 350 e à velocidade Mach de 0,82; a atitude longitudinal é de cerca de 2,5 graus. O peso e o centro de gravidade do avião são de cerca de 205 toneladas e 29%. O piloto automático 2 e auto-impulsão são ativados. Às 2 h 06 min 04 s, o PF chamou os PNC e lhes disse que «em dois minutos devemos atacar uma área mais agitada do que agora e devemos tomar cuidado lá» e acrescenta «eu lhe ligo logo que sairmos de lá». (1)O tempo universal (TU) é a referência de tempo utilizado na aviação).
As 2 h 08 min 07 s o PNF propõe «você pode, possivelmente, levar um pouco para a esquerda [...]». A aeronave começou uma ligeira virada para a esquerda; o desvio em relação à rota inicialmente seguida é de cerca de 12 graus. O nível de turbulências aumenta ligeiramente e a tripulação decide reduzir o Mach para 0,8. A partir das 2 h 10 min 05 s o piloto automático e em seguida a auto-implusão são desativados e PF anuncia «eu tenho os comandos». A aeronave rolou para a direita e PF exerce uma ação à esquerda e de elevação do nariz. O alarme de perda dispara duas vezes. Os parâmetros registrados mostram uma queda brutal de cerca de 275 kt para 60 kt da velocidade mostrada do lado esquerdo e poucos momentos depois a velocidade mostrada no instrumento de resgate (ISIS). (Nota 1: apenas as velocidades mostradas no lado esquerdo e no ISIS foram registradas no registrador de parâmetros; a velocidade mostrada no lado direito não foi registrada. Nota 2: o piloto automático e a auto-impulsão permaneceram desligados até o final do voo).
As 2 h 10 min 16 s, o PNF disse «perdemos as velocidades» e em seguida «alternate law {...]». (Nota 1: a incidência é o ângulo entre o vento relativo e o eixo longitudinal da aeronave. Esta informação não foi apresentada aos pilotos. Nota 2: em regras alternative ou directe, as proteções em incidência não estão mais disponíveis, mas um alarme de perda (stall warning) é ativado quando o maior dos valores de incidência válidos excede um determinado limite).
A atitude da aeronave aumenta gradualmente para acima de 10 graus e leva a uma trajetória ascendente. PF exerce ações de pique e alternadamente da direita para a esquerda. A velocidade vertical, que tinha atingido 7.000 pés/min, diminuiu para 700 pés/min e a rolagem varia entre 12 graus à direita e 10 graus à esquerda. A velocidade mostrada à esquerda aumentou brutalmente para 215 kt (Mach de 0,68). A aeronave se encontra então a uma altitude de cerca de 37.500 pés e a incidência registrada é de cerca de 4 graus. A partir das 2 h 10 min 50 s, o PNF tentou por várias vezes chamar o comandante de bordo. Às 2 h 10 min 51 s o alarme de perda soa novamente. Os manches de controle de impulso são colocados na posição TO/GA e o PF mantém sua ordem de elevar o nariz. A incidência registrada, de cerca de 6 graus no disparo do alarme de perda, continua a aumentar. O estabilizador horizontal regulável (PHR) passa de 3 para 13 graus de levantar o nariz em 1 minuto aproximadamente; ele permanecerá nesta última posição até o fim do voo. Quinze segundos depois, a velocidade mostrada no ISIS aumenta abruptamente para 185 kt; ela é consistente com a outra velocidade registrada. PF continua a dar ordens de elevar o nariz. A altitude da aeronave atinge o seu máximo de cerca de 38.000 pés, sua atitude e sua incidência são de 16 graus (Nota: a inconsistência entre as velocidades indicadas no lado esquerdo e na ISIS durou pouco menos de um minuto).
Às 2 h 11 min 40 s o comandante de bordo retorna à cabine. Em poucos segundos, todas as velocidades registradas se tornam inválidas e o alarme de perda pará (Nota: quando as velocidades medidas são inferiores a 60 kt, os valores medidos das incidências são considerados inválidos e não são considerados pelos sistemas. Quando são inferiores a 30 kt, os valores de velocidade por si só são considerados inválidos).
A altitude está, então, em cerca de 35.000 pés, a incidência ultrapassa 40 graus e a velocidade vertical é de aproximadamente -10.000 pés/min. A atitude da aeronave não excede 15 graus e os N1 dos motores estão perto de 100%. A aeronave sofre oscilações de rolagem que atingem por vezes 40 graus. O PF exerce uma ação no manche no limite para a esquerda e de levantar o nariz, que dura cerca de 30 segundos. As 2 h 12 min 02 s, o PF disse «eu não tenho mais nenhuma indicação», e o FNP disse «não temos nenhuma indicação que seja válida». Neste ponto, os manches de comando de impulsão estão na posição IDLE, os N1 dos motores estão em 55%. Quinze segundos depois, o PF faz ações de pique. Nos instantes que se seguem, houve uma diminuição da incidência, as velocidades tornam-se novamente válidas e o alarme de perda é reativado. Às 2 h 13min 32 s, PF disse «vamos chegar ao nível cem». Cerca de quinze segundos depois, ações simultâneas dos dois pilotos nos mini-manches são registradas e PF diz «vamos lá, você tem os comandos» (A incidência, quando é válida, está sempre acima de 35 graus).
Os registros param às 2 h 14 min 28 s. Os últimos valores registrados são velocidade vertical de -10.912 pés/min, velocidade de solo de 107 kt, atitude de 16,2 graus de elevação do nariz, rolagem de 5,3 graus à esquerda e um rumo magnético de 270 graus.
Novos fatos estabelecidos:
Nesta fase do inquérito, além dos relatórios do BEA, de 2 de Julho e de 17 de Dezembro de 2009, os novos fatos a seguir foram estabelecidos: A composição da tripulação estava em conformidade com os procedimentos do operador; No momento do evento, a massa e o centro de gravidade estavam dentro dos limites operacionais; No momento do evento, os dois copilotos estavam na cabine e o comandante de bordo em repouso, este último voltou para a cabine cerca de 1 minuto 30 s após a retirada do piloto automático. Houve uma inconsistência entre a velocidade indicada no lado esquerdo e a indicada no instrumento de resgate (ISIS). Durou pouco menos de um minuto.
Após o desligamento do piloto automático:
a aeronave subiu para 38.000 pés; o alarme de perda soou e o avião entrou em perda; as ordens de PF foram principalmente de elevar o nariz; a descida durou 3 min 30 s, durante o qual a aeronave permaneceu em situação de perda. A incidência aumentou e se manteve acima de 35 graus; os motores estavam em funcionamento e sempre responderam aos comandos da tripulação. Os últimos valores registrados são atitude de 16,2 graus de elevação do nariz, rolagem de 5,3 graus na esquerda e velocidade vertical de -10.912 pés/min.

Bureau d’Enquêtes et d’Analyses pour la sécurité de l’aviation civile Zone Sud - Bâtiment 153 - 200 rue de Paris - Aéroport du Bourget - 93352 Le Bourget Cedex FRANCE
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Melhor idade? Tô fora, prefiro ser idoso! – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Na última quarta feira, da semana que amanhã se encerra, tivemos, eu e Magali de realizar uma urgente viagem ao Crato, tudo dentro de um prazo inferior a 18 horas de ausência de nossa casa. Dado a urgência e não me ser possível um afastamento maior de minhas atividades, utilizamos o transporte aéreo, com passagens adquiridas no balcão do aeroporto e tarifa cheia. Somente nos desincumbimos da missão que teríamos quase às três horas da tarde, de modo que fomos obrigados a retornar via Recife, onde fizemos uma conexão para Fortaleza, aqui chegando às 19 horas.

Como embarcamos em três aeroportos diferentes, em todos três fomos convidados a ter prioridade no embarque sendo tratados como “pessoal da melhor idade.” Deu vontade de perguntar se “melhor idade” é sofrer reumatismos os mais diversos, tendinite, bursite, artrite, sinusite, labirintite, rinite, e muitos outros “ites,” além de catarata, hipertensão, diabetes, bico de papagaio, esporão de galo, joanete, osteoporose, e o que é pior: a perspectiva de que a partida definitiva está cada vez mais próxima.

Pois é distintas aeromoças, “melhor idade” é a das crianças, adolescentes e a de todos aqueles com menos de trinta anos. Por favor, deixem de imitar os americanos, pois eu prefiro ser tratado por aquilo que realmente sou. Um pobre beneficiário do estatuto do idoso, com alguns centavos de experiências a mais, e as regalias de me divertir pagando “meia entrada” nos cinemas, teatros e futebol, com a agradável surpresa de ouvir os porteiros me solicitarem a “carteirinha de estudante” ou documento de identidade que comprove que realmente já sou um idoso.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Falar em nome das matas - Emerson Monteiro


O projeto agora anda da Câmara para o Senado, mais para espantalho do que para código florestal. Espécie de lei remendo a tudo que se perpetrou até agora nas matas brasileiras, no afã dessa febre dos industriais no campo, a agroindústria exportadora, e da produção de carne para o mercado externo, a toque de caixa. Mundo desigual de tanta fome e tanto estrago. Os vegetais não têm deputados, senadores, advogados. Têm os donos das terras que tomaram dos índios, que receberam de herança, que compraram ao preço de banana, que desmatam e fica por isso mesmo, nessa ganância de ouro fácil. Defender o que, senhor parlamentar? As furnas das onças, os buracos dos tatus, as camas das pacas? Argumentar com o quê, senhor parlamentar? Com as cantigas dos matutos abilolados na faina de puxar cobra para os pés, e apurar quase nada ao final dos invernos? Ouvir o canto dos pássaros para quê, senhores, quando as parafernálias eletrônicas ecoam de norte a sul do País, nos forrós melados desse universo troncho da ressaca nacional, frutos negros da cultura de massa? Sim, o som estridente das motosserras e dos tratores do progresso invadindo tudo que pareça verde e que, vendido a troco de muambas, virá festa, nos salões amarelados das cidades de trastes engarrafados e brilhosos. Os gritos dos capitães da grilagem, caçadores com a espingardas dos outros. Grande farra coletiva, nesses tempos de pouca solidariedade e muito lucro. Há um protesto congelado nos ares da política pragmática e mercantil. Há dores caladas nos cantos escondidos das florestas esturricadas, abandonadas à própria ganância. Ninguém pode além de nada, nos tristes trópicos acelerados para que as florestas permaneçam nacionais, invés da dominação do Império avassalador. Quem contará essa história da entrega da alma cativa aos inúteis da fragilidade, aos apáticos e indiferentes? Quantas perguntas lançadas ao vento, nas manhãs melancólicas dos finais de natureza. Apenas reservos de poucas plantas restarão emolduradas aos quintais dos ricos, enquanto na praça da apoteose crescem os pretendentes aos postos de comando e erários públicos órfãos da cidadania.
Isto porque vejo pouca chance para as leis conscientes e que contemplem a realidade verdadeira dessa humanidade insana. O Brasil, nação estratégica dos novos tempos, quando acordará a isso, sem procurar conciliar os ânimos destrutivistas do que resta de patrimônio nativo?
A propósito, minha homenagem ao casal José Cláudio Ribeiro da Silva e sua mulher Maria do Espírito Santo da Silva, mortos a tiros na madrugada desta terça-feira (24 de maio de 2011) na área rural do município de Nova Ipixuna, sul do Pará. Eles só lutaram com autenticidade em nome da conservação da natureza!

BlogHumor - "Quem nunca errou que atire a primeira pedra" - Versão Dihelson Mendonça


Uma das mais interessantes passagens bíblicas é aquela do apedrejamento de Maria Madalena, em que Jesus interveio. Ouvi uma versão hoje que deixaria qualquer cristão de cabelo em pé, e que repasso para vocês:

Judeia, Ano 33 DC, mais ou menos às 16:30. Uma turma de Judeus repousa embaixo de uma árvore e discutem a programação da semana: "Já está quase na hora do apedrejamento, alguém quer ir ?" "Ora, apedrejamento tem todo dia. Vamos a uma crucificação ?", responde outro. "Eu não gosto, demora demais..." "Então vamos a um apedrejamento mesmo". E saíram todos procurando alguma sessão de apedrejamento vespertina, das muitas que existiam na cidade.

Ao passar por um dado local, viram uma mulher prontinha para ser apedrejada, e uma multidão que se acotovelava, cada um já com sua pedra na mão. Os judeus então, procuraram as melhores pedras, a fim de também participarem do evento.

Quando tudo já estava pronto, alguém começou a ler a sentença:

"Essa mulher foi pega em flagrante de adultério. Cumpre pela nossa lei que morra apedrejada"
"Morra! Que morra essa infeliz ! " gritou a multidão.
Quando já se preparavam para começar, eis que surge um homem de vestes brilhantes, que chamou a atenção dos presentes, e disse em voz alta:

"Eis que hoje eu vos digo: Aquele que nunca errou na vida, que atire a primeira pedra nesta mulher"

Ouvindo isso, um bêbado que estava ali presente, pegou a sua pedra e jogou, acertando bem em cheio a cabeça da condenada. Vendo isto, o homem de branco perguntou irritado:

"Oh rapaz! você não ouviu o que eu falei não ? Você nunca errou na vida ?"

E o bêbado respondeu:

"Doutor, dessa distância não, mas de 100 metros talvez eu até errasse..."

( autor desconhecido - Editado por Dihelson Mendonça )

quinta-feira, 26 de maio de 2011

ENCONTRO COM AMIGOS


Dr. Humberto Macário e Edilma
Sem palavras...

Veto ao kit contra a homofobia se baseou numa armação? - José do Vale Pinheiro Feitosa

Como tomamos conhecimento de uma informação diz muito como a informação é trabalhada. Em outras palavras, toda informação tem um trabalho que lhe dar um sentido. Um interesse por trás da informação e por isso mesmo, na rede de informações em que se transformou a cultura vigente, não é muito bom fundir informação com verdade de modo a priori.

Ontem estava almoçando no centro do Rio com um grupo de advogados, intelectuais e médicos quando surgiu a história do “Kit-gay” que se estaria implantando nas escolas. O “informante” narrava um vídeo em que duas crianças do sexo masculino se encontravam num banheiro e uma delas ao olhar o pênis do outro entraria num debate sobre as opções sexuais que poderia, livremente, ter na vida.

No modo como se apresentaria o vídeo, seria um estímulo à homossexualidade. Isso como instrumento de governo é grave, uma vez que a solução ocorre na cultura e não no proselitismo de um comportamento ou outro. Aliás, a solução do vídeo, se verdadeira, estaria na própria contramão da luta contra a homofobia, pois não apresentaria nenhuma fobia, mas apenas uma mera questão de opção sexual. Daí que o governo poderia fazer vídeos apenas reforçando a heterossexualidade. Faltaria equilíbrio político numa proposta como apresentada pelo “informante”.

Como não conhecia o vídeo e estava escaldado com a história do tal livro que ensinaria nas escolas a falar errado, afinal fui ler um PDF do tal livro para concluir pela falsidade da mídia, perguntei ao “informante”: você viu o vídeo? Ele me respondeu que não e lhe disse que tivesse cuidado, pois havia muita manipulação na internet e entre as pessoas.

Cheguei em casa e ao abrir a televisão a Presidenta Dilma Roussef, tendo como porta voz o Gilberto Carvalho, secretário da Presidência, mas muito ligado à Igreja Católica, havia vetado o tal kit do MEC, agora explicado como contra a homofobia. Aí eu me perguntei: o “informante” teria razões implícitas?

Qual o quê? Tudo leva a crer que a presidenta foi enrolada numa grande armação vinda de grupos evangélicos e tendo como líder o ex-governador Anthony Garotinho. Eles levaram à presidenta um kit que seria do Ministério da Saúde, voltado para programas de adultos e outros para Agentes de Saúde que têm de trabalhar com conhecimentos mais específicos. Uma armação de má fé que não conduz senão às trevas na evolução histórica da humanidade.

É bem verdade que este grupo tão logo saiu da audiência com a Presidenta aproveitou para deixá-la em saia justa. Insinuaram que fora uma troca em não abrir investigação contra Palocci. Se isso não dá nenhuma lição de ética ao grupo de Garotinho, mas demonstra que eles querem sangrar a Presidenta sujeitando-a, publicamente, a uma suposta aceitação de chantagem.

Independente de qual opinião cada um tenha sobre este assunto, no mínimo deve ter a consciência que não se evolui com práticas iguais a esta.

O êxito como valor de vida - José do Vale Pinheiro Feitosa

O mundo está preso em um sistema de valores que coloca o êxito acima de todas as virtudes. Ele é uma fonte de virtudes. Em troca, condena o fracasso. Perder é o único pecado para o qual, no mundo de hoje, não há redenção. Estamos condenados a ganhar ou ganhar. Os dois homens mais justos da história da humanidade, Sócrates e Jesus, morreram condenados pela Justiça. Os mais justos foram condenados pela Justiça. E nos deixaram coisas muito importantes como amor e coragem”. Eduardo Galeano numa entrevista à Televisão da Catalunha sobre o movimento dos jovens espanhóis.

A cultura do êxito. Que não é exatamente a de superar a fome e conquistar as necessidades básicas. O êxito é ter total identidade com o mundo produtor de mercadoria, com base na acumulação desmedida de dinheiro e na exploração dos “fracassados”.

O êxito é o pódio do consumismo muito além da individualidade física. É como aquele complexo de centopéia que havia em Imelda Marcos, esposa de um ex-ditador das Filipinas, que tinha milhares de sapatos.

O êxito é passar a perna em todos que estiverem à frente, ao lado ou atrás do exitoso. É atingir a glória da clareira que interrompe a continuidade reprodutiva da floresta. É a vitória de um campo de batalha da antiguidade, coalhado de corpos insepultos.

O êxito é ansiar por uma exposição de mídias que torne famoso o finito personagem vencedor. Quando no auge é como os fogos de Copacabana: emocionam. Depois o espetáculo se torna uma fumaça incômoda a quem respira.

A cultura do êxito é o maior engano da humanidade: tem os rococós dourados da eternidade a enfeitar os ataúdes da mortalidade.

E neste capitalismo de algibeira o êxito é como o sucesso ao se equilibrar na volúpia da velocidade de uma moto. O êxito de se equilibrar não é nada no insucesso de uma queda fatal, que mata ou mutila o sujeito.

Não é por outro motivo que as luzes do shopping anunciam o consumo. No interior luminoso os fótons se esvaem continuamente e se mantêm apenas pela geradora de eletricidade.

O dicionário revela toda a farsa do êxito como ele elemento vital, igual vendem no American Way of Life. Eis o Houaiss que não me deixa mentir a estripar a etimologia da palavra: lat. exìtus,us 'ação de sair, saída; morte, falecimento; resultado, sucesso, acontecimento, conclusão, termo, fim', do rad. de exìtum, supn. de exíre 'sair'; ver 2i-

Intercessão valiosa - Emerson Monteiro

Das inúmeras ocorrências verificadas no decurso da Confederação do Equador, no Ceará, idos de 1824, episódio impressionante ficou registrado por Esperidião de Queiroz Lima, no livro Tempos Heróicos, que narramos aos que ainda não leram a referida publicação.
Trata-se da execução de um dos sentenciados pelo tribunal militar conhecido por Comissão Matuta, no mês de outubro daquele ano, instalado para punir as hostes rebeldes. Depois de julgados e condenados, cinco líderes republicanos seriam fuzilados no pátio da Cadeia Pública de Icó. Um desses, Antônio de Oliveira Pluma, autodenominado Pau Brasil, conforme sua assinatura no manifesto do movimento, insatisfeito com o resultado a que se via submetido, reagiu em altos brados, protestando misericórdia de quem ali se achava.
Recusara mesmo permanecer de pé, mas, sendo assim, forçaram-no em cordas a se sentar numa cadeira, onde, com olhos vendados, ainda pedia que o deixassem viver.
De nada lhe valeram as rogativas, pois logo em seguida o pelotão recebeu a ordem de preparação:
- Apontar!
E, ante os disparos iminentes, o pânico pareceu querer tomar a alma do condenado em face da morte inevitável, sob o monto de todo o idealismo que até ali dominara os atos de sua razão da existência. Outra vez, um gesto cresceu de sua voz, explodindo mais alto em reclamações de amparo, lançadas aos planos superiores:
- Valei-me, Senhor do Bonfim!
Nisto foi secundado pelo toque de comando: - Fogo!
Cessada a fumaceira, as balas achavam-se cravadas no muro onde o revolucionário permanecera incólume, sacudindo de espanto os presentes. Seguiu-se nova carga de munição. Restabeleceu-se a ordem preparatória, e se fez no ar outro grito de socorro:
- Valei-me, Senhor do Bonfim!
- Fogo! - foi a ordem marcial.
Resultado: o alvo manteve-se intacto. Os tiros voltaram a ferir tão só e apenas o muro, para desânimo da escolta. Em meio do inesperado, tonto, pálido, o comandante reclamava prática melhor de tiro a seus homens, visando manter os praças no cumprimento do dever, tratando de retomar as determinações da próxima tentativa, que foi precedida pelo mesmo grito do condenado, tão pungente quando sincero:
- Valei-me, Senhor do Bonfim!
Os disparos se deram, de acordo com a obediência. Desta vez Pluma fora atingido por algumas balas, mas continuava vivo, segundo narra em seu livro Queiroz Lima.
Os soldados de pronto se movimentavam para um quarto fogo. Nesse instante, a população presente, tocada de simpatia pelo confederado, se ergueu coesa e exigiu o direito do réu ser libertado, qual merecesse o valimento dos céus. Em seguida, essas pessoas levaram-no consigo, alheado e preso à cadeira do martírio, até à Igreja do Senhor do Bonfim, distante cerca de 200m do ponto onde a cena ocorrera, entre preces e benditos fervorosos.
Há registros do ano de 184l que dão conta de que o sobrevivente veio a ser titular da Promotoria Pública da comarca de Baturité, no Ceará, o que bem comprova sua resistência aos ferimentos naquele dia recebidos, na tentativa de execução de que fora objeto e sobrevivera, no município de Icó, 17 anos passados.

Nosso Cariri no pódio da ANE (Associação Nacional de Escritores) – por Napoleão Tavares Neves (*)




O nosso bem caririense José Peixoto Júnior, foi agora eleito Presidente da Associação Nacional de Escritores–ANE, com sede em Brasília. Caririense dos melhores e dos mais talentosos, José Peixoto Júnior é fecundo poeta, talentoso escritor e extraordinária figura humana.

Nascido em Caririmirim, na Fazenda Jenipapo, bem na raiz da nossa Chapada do Araripe, José Peixoto Júnior tem formação fundamental no “Ateneu Jardinense” e no saudoso Ginásio do Crato. Formado em Direito, é funcionário Público Federal aposentado, em Brasília.

Membro do Instituto Cultural do Cariri, de Crato, José Peixoto Júnior ocupa a Cadeira Padre Joaquim de Alencar Peixoto, sendo o principal biógrafo do irrequieto sacerdote, artífice maior da independência política de Juazeiro com o vibrante jornal por ele fundado, “O Rebate”.

Ademais, José Peixoto Júnior é ainda aparentado do cratense, padre Alencar Peixoto, tendo sido por ele batizado na Matriz de Nossa Senhora do Bom Conselho, de Granito (PE), aí por volta de 1925.

Assim sendo, temos um grande caririense no pódio da Associação Nacional de Escritores–ANE. José Peixoto Júnior, por seu telurismo e amor ao sertão nordestino, foi vaqueiro no topo da nossa paradisíaca Chapada do Araripe, que chama, maviosamente, de “Rainha das Chapadas do Nordeste”.
Bravos por subida ao pódio da entidade máxima dos escritores brasileiros!
(*) Napoleão Tavares Neves é médico. Historiador, memorialista, cronista e escritor com vários livros publicados. Reside em Barbalha (CE).