Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

ENVIE SUA FOTO E COLABORE COM O CARIRICATURAS



... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
.....................
claude_bloc@hotmail.com

domingo, 27 de março de 2011

Ás vezes, tudo - Emerson Monteiro


Viajar por dentro das veias e colher algumas lembranças dos lugares e sentimentos. Olhar pelas janelas dos hotéis da vida; silenciar nos voos longos da alma aos tetos do firmamento; deslizar com as nuvens; saracotear acrobacias nos riscos dos pássaros experimentando as variações da brisa. Apalpar as vísceras; sondar quanto tempo mais o muro resistirá à ação dos elementos. Esfregar os olhos, nos desejos de ver a estrutura dos monumentos esverdeados nos parques, nos momentos frios das manhãs nubladas. Esses tique-taques de pedras rolando no inverno das encostas mexem com os nervos tensos da gente, atiçam as paixões antigas, desesperadas saudades, que foram embora irresponsáveis, nos sulcos dos velhos discos de músicas amareladas. Tantos amigos, lugares, vibrações, esperanças e sonhos sumiram simplesmente. As horas molhadas da véspera insistem nas palavras que construíram as inúteis ilusões. Vontade poderosa de convencer a mim próprio de escutar o interior, no seio das criaturas e elevações de pensamentos.
Tais descrições matemáticas de abstratas sensações servem na medida, quais moedas de troca entre as partes do corpo, no solo do organismo. A visão solitária do projeto pessoal quer falar entre os dedos, sem, contudo, ganhar dimensões que satisfaçam a tranquilidade necessária da alegria. E prossegue o esforço de aclimatar o temporal do coração, esse ser ansioso que dói feito urtiga na pele interna da gente. Refletir as memórias, eliminar sofrimento a qualquer custo, anestesiar os impactos destas ciladas esplendorosas de viver e permanecer intacto, querer fugir de conter a dor no território.
Ondas sucessivas de pulsações indicam presenças de seres existentes no caos da memória. Animais impacientes querem dominar os cascos impetuosos que desfilam durante a longa procissão dos aflitos e catam companhia em viveiros abandonados. Um a um, alimentam o vazio, a preencher de novos anseios. Descem, sobem as ladeiras da filosofia à procura de justificar movimentações de tapetes mágicos que deslizam sempre à frente da orientação inevitável. Vêm dúvidas, bloqueios, esquecimentos, insistências, no entanto prosseguir do jeito que puderem as pernas ou a imaginação.
Quisesse, haveria chances de continuar. A todo custo evoluir. As marcas ocultas das solidões agressivas retorcem na boca do estômago de pensar em reunir forças para estabelecer o padrão da viagem. Juntar peças de bagagens e notar que daqui nada presta, apenas o direito de existir, que fala na altura certa dos expectadores do drama que nós somos, bólides acesos de contradições e aventuras. Chegar aqui vindos de longe. Frases. Períodos. Blocos de íntimas amarguras, as quais ninguém conhece. Tão único instante de buscas frutíferas e doces, o enlevo no processo dos significados a quem lê, vê e ouve dizer que tudo mostra possibilidades, acalma, conquanto o século das luzes habita o bairro do ser em si, na vila feliz dos amores adormecidos na alma.

27 de Março - Dia do Circo

Comemora-se o Dia do Circo em 27 de março, numa homenagem ao palhaço brasileiro Piolin, que nasceu nessa data, no ano de 1897, na cidade de Ribeirão Preto, São Paulo.
Considerado por todos que o assistiram como um grande palhaço, se destacava pela enorme criatividade cômica e pela habilidade como ginasta e equilibrista. Seus contemporâneos diziam que ele era o pai de todos os que, de cara pintada e colarinho alto, sabiam fazer o povo rir.

COMO SURGIU O CIRCO

É praticamente impossível determinar uma data específica de quando ou como as práticas circenses começaram. Mas pode-se apostar que elas se iniciaram na China, onde foram encontradas pinturas de 5 000 anos, com figuras de acrobatas, contorcionistas e equilibristas. Esses movimentos faziam parte dos exercícios de treinamento dos guerreiros e, aos poucos, a esses movimentos foram acrescentadas a graça e a harmonia.
Conta-se ainda que no ano 108 a.C aconteceu uma enorme celebração para dar as boas-vindas a estrangeiros recém-chegados em terras chinesas. Na festa, houve demonstrações geniais de acrobacias. A partir de então, o imperador ordenou que sempre se realizassem eventos dessa ordem. Uma vez ao ano, pelo menos.
Também no Egito, há registros de pinturas de malabaristas. Na Índia, o contorcionismo e o salto são parte integrante dos espetáculos sagrados. Na Grécia, a contorção era uma modalidade olímpica, enquanto os sátiros já faziam o povo rir, numa espécie de precursão aos palhaços.

NO PALCO DA HISTÓRIA

Por volta do ano 70 a.C, surgiu o Circo Máximo de Roma, que um incêndio destruiu totalmente, causando grande comoção. Tempos depois, no ano 40 a.C, construíram no mesmo lugar o Coliseu, com capacidade para 87 mil pessoas. No local, havia apresentações de engolidores de fogo, gladiadores e espécies exóticas de animais.
Com a perseguição aos seguidores de Cristo, entre os anos 54 e 68 d.C, esses lugares passaram a ser usados para demonstrações de força: os cristãos eram lançados aos leões, para serem devorados diante do público.
Os artistas procuraram, então, as praças, feiras ou entradas de igrejas para apresentarem às pessoas seus malabarismos e mágicas.
Ainda na Europa do século XVIII, grupos de saltimbancos se exibiam na França, Espanha, Inglaterra, mostrando suas habilidades em simulações de combates e na equitação.

O CIRCO MODERNO

A estrutura do circo como o conhecemos hoje teve sua origem em Londres, na Inglaterra. Trata-se do Astley's Amphitheatre, inaugurado em 1770, pelo oficial inglês da Cavalaria Britânica, Philip Astley.
O anfiteatro tinha um picadeiro com uma arquibancada próxima e sua atração principal era um espetáculo com cavalos. O oficial percebeu, no entanto, que só aquela atração de cunho militar não segurava o público e passou a incrementá-la com saltimbancos, equilibristas e palhaços.

O palhaço brasileiro, por sua vez, adquiriu características próprias. Ao contrário do europeu, que se comunicava mais pela mímica, obrasileiro era falante, malandro, conquistador e possuía dons musicais: cantava ou tocava instrumentos.

QUANDO O CIRCO CHEGOU AO BRASIL

No Brasil, a história do circo está muito ligada à trajetória dos ciganos em nossa terra, uma vez que, na Europa do século
dezoito, eles eram perseguidos. Aqui, andando de cidade em cidade e mais à vontade em suas tendas, aproveitavam as festas religiosas para exibirem sua destreza com os cavalos e seu talento ilusionista.
Procuravam adaptar suas apresentações ao gosto do público de cada localidade e o que não agradava era imediatamente tirado do programa.
Mas o circo com suas características itinerantes aparece no Brasil no final do século XIX. Instalando-se nas periferias das cidades, visava às classes populares e tinha no palhaço o seu principal personagem. Do sucesso dessa figura dependia, geralmente, o sucesso do circo.
O palhaço brasileiro, por sua vez, adquiriu características próprias. Ao contrário do europeu, que se comunicava mais pela mímica, o brasileiro era falante, malandro, conquistador e possuía dons musicais: cantava ou tocava instrumentos.

CIRCO CONTEMPORÂNEO

Circo contemporâneo é o que se aprende na escola. Fenômeno conseqüente das mudanças de valores na sociedade e suas novas necessidades. Grande parte dos profissionais do circo mandaram seus filhos para a universidade, fazendo com que as novas gerações da lona trabalhem mais na administração.
Em fins dos anos 70, começam a aparecer as primeiras escolas de circo, no mundo inteiro. Na França, a primeira a surgir foi a Escola Nacional de Circo Annie Fratellini, em 1979, com o apoio do governo francês.
No Canadá, ar
tistas performáticos têm aulas com ginastas e, em 1981, é criada uma escola de circo para atender à necessidade desses novos acrobatas.
Interessante lembrarmos, no entanto, que essa importância que o circo assume no mundo capitalista já era cultivada na ex-URSS, desde a década de 20. Data de 1921 a criação de uma escola de circo na União Soviética, que coloca o circo no patamar de arte, com inovação dos temas e das formas de apresentação.

ESCOLAS E GRUPOS BRASILEIROS

No Brasil, a primeira escola de circo foi criada em São Paulo, em 1977, com o nome de Piolin (que é também o nome de um grande palhaço brasileiro). Funcionava no estádio do Pacaembu.
No Rio de Janeiro, surge em 1982 a Escola Nacional de Circo, abrindo oportunidades para jovens de todas
as classes e vindos de diferentes regiões do país. Eles aprendem as novas técnicas circenses e, uma vez formados, montam seus próprios grupos ou vão trabalhar no exterior.
São muitos os grupos espalhados pelo Brasil afora. Citamos a Intrépida Trupe, os Acrobáticos Fratelli e a Nau de Ícaros.

NOSSOS PALHAÇOS

Carequinha, "o palhaço mais conhecido do Brasil" - ele mesmo se intitula assim - diz que os melhores palhaços que ele conheceu na vida foram Piolin, Arrelia e Chicarrão. Essa notoriedade de George Savalla Gomes, seu verdadeiro nome, se deve muito à TV. Comandou programas de televisão, gravou vários discos, e soube tirar dessa mídia o melhor proveito. A TV, para ele, não acabou nem vai acabar nunca com o circo. Segundo Carequinha, o circo é imortal.
"Sou contra circo que tem animais. Não gosto. O circo comum, sem animais, agrada muito mais."
Carequinha.

Denominado o "Rei dos Palhaços", o senhor Abelardo Pinto morreu em 1973 e era conhecido no meio circense e no Brasil como o palhaço Piolin (era magro feito um barbante e daí a origem do apelido). Como Carequinha, Piolin trabalhou em circo desde sempre. Admirado pela intelectualidade brasileira, participou ativamente de vários movimentos artísticos, entre eles, a Semana de Arte Moderna de 1922.

"O circo não tem futuro, mas nós, ligados a ele, temos que batalhar para essa instituição não perecer"
Frase dita por Piolin, pouco antes de morrer

Palhaço Piolim

Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas

Parabéns Adriana - Parabéns Amanda !


A gente percebe que o tempo passa...


 quando nossos/as afilhados/as completam 40 anos



quando nossa babá tá de cabelinho branco (e a gente também, mas disfarça)

 

quando as aniversariantes se sentem crianças (e são)



 quando as crianças já adolesceram...


quando a gente dança e o pé não responde (porque doi).... 


quando os manos estão grisalhos....


quando a alegria ainda existe e persiste


quando "a festa é sua, quando a festa é nossa, é de quem quiser e vier..."


Fotos: 
1. Claude e Adriana (aniversariante)
2. Claude e Mundinha
3. As aniversariantes Adriana e Amanda
4. Marcelo (filho de Adriana e Marcos) /  Marcos / Felipe (filho mais velho)
5. "Artistas" dançando" - Dinha, Claude e Bibica
6. Amigo, François (meu mano) e Zé do Óleo (Zé Firmino pai de Adriana) 
7. Gilvany e visitas amigas
8. O bolo delicioso... 
Ano que vem tem mais.
Claude Bloc

FIQUE ALERTA! - Gabriela Federico


Fique alerta !
Nem para a frente
Nem para trás.
Parada.
O círculo se aperta ?
Até virar um ponto escuro,
na pele,
espreme e pula fora.
Tudo de ruim que acumulou.
Sensação liberatória ?
Em mover a dor,
de quando imaginava.
A pele limpa agora,
dá para se mexer,
sair da frente do espelho,
embora,
parar de olhar dentro de si mesma.
Tomar na cara
o vento fesco da noite.
É primavera.
Só assim, pode vê-la
verdadeira,
sincera.

Ficha Limpa, decepção! - Por José de Arimatéa dos Santos

A lei da Ficha Limpa só vai valer para as eleições do ano que vem. O sentimento que fica para a sociedade brasileira é a frustração pela não aplicabilidade nas eleições de 2010. Acredito que o STF marcou mais um gol contra a maioria do povo brasileiro que quer moralidade na vida pública. Para os que tem ficha suja só alegria e certamente banana para o povo. Coisa que sempre fizeram para nós e que pensam que o dinheiro público não tem dono. Com essa decisão o STF ajuda mais ainda naquele conceito que todo político é igual e que todos são corruptos.
É inacreditável o disparate nessa questão da Ficha Limpa, pois o que passa para todos nós é que os políticos podem fazer tudo, não precisam de antecedentes na vida pessoal e pública e quando estão investidos em algum cargo público, invariavelmente são ditadores na resolução dos problemas. Não dão satisfação do dinheiro do contribuinte e ainda o nepotismo corre solto país a fora. Por que somente o cidadão comum que é o verdadeiro patrão dos políticos precisa provar sempre que é honesto e ter ficha limpa?
Fico triste com a decisão de adiar a validade da lei da Ficha Limpa. Esse foi o ótimo momento para começar a banir da vida pública figuras carimbadíssimas notoriamente comprometidas com a atos errados e reprovados pelo cidadão consciente. Mas acredito que todo esse empurrão com a barriga só faz todo cidadão começar a ver os políticos com um outro olhar. Fiscalizar e cobrar ética dos políticos. Esse é o segredo e o verdadeiro sentido de cidadania.

O poeta como anjo




                                                               
EU ERA UM ANJO

Eu era um anjo.
As asas me doíam no dorso cansado.
Os pássaros do sol
descansavam nos meus ombros.

Eu era um espantalho no milharal.
As palavras caíam dos meus bolsos.
Não havia mais nada a dizer,
eram palavras gastas pelo uso.

As árvores balançavam ao vento.
Os pássaros caíam como folhas secas.
Eu me deitei no húmus aconchegante
com as feridas expostas. 


CIÊNCIA

Estou só no universo.
Estou nu, exponho-me.
Ninguém me vigia,
ninguém dá por mim.

Penso quem sou,
infindavelmente.

Um campo de trigo,
dourado ao sol,
espera-me.

Ouço o moinho do tempo,
ensurdecedor.
Deus sabe-me,
                   mas, sábio, cala.



sábado, 26 de março de 2011

A escada milagrosa...um milagre de São José?



A inexplicável distração de um arquiteto do século XIX criou um problema "insolúvel", do qual resultou uma admirável obra de arte que encanta as almas abertas para o maravilhoso e até hoje deixa perplexos os mais competentes especialistas


Na prodigiosa escada cujas foto o leitor pode apreciar abaixo à direita, tudo é harmônico e deslumbrante. Ocupando um mínimo de espaço, ela eleva-se elegantemente em caracol, fazendo duas voltas de 360 graus. Sua história, tão surpreendente quanto encantadora, justifica por inteiro o nome que lhe foi dado pela devoção popular: Escada Milagrosa.

Em 1853, as "Irmãs de Loreto" fundaram na cidade de Santa Fé, Estados Unidos, a Escola de Nossa Senhora da Luz (Loreto), para educação de meninas. O estabelecimento prosperou e, anos depois, as freiras decidiram construir uma capela dedicada à sua Padroeira. E optaram pelo estilo gótico, à imitação da famosa Sainte Chapelle, de Paris.
Somente quando estava concluída a obra, em 1878, as boas religiosas deram-se conta de um monumental descuido do arquiteto: não havia escada de acesso ao coro, situado a cerca de dez metros de altura!... E a construção de uma escada comum, não apenas deformaria o estilo, mas reduziria de modo inaceitável o espaço útil do pequeno templo.
Como resolver o problema? Foram consultados arquitetos, carpinteiros e outros profissionais. Todos afirmaram categoricamente que a única "solução" era usar uma escada portátil. Mas as freiras queriam uma igreja bela, digna da Rainha de todas as belezas. E se a técnica humana era incapaz de resolver o problema, "para Deus nada é impossível", como nos ensina o Divino Mestre.


Cheias de fé, iniciaram uma novena a São José. Afinal de contas - argumentavam elas - ele é um carpinteiro inigualável e deve empenhar-se para que uma igreja dedicada à sua Esposa santíssima seja em tudo perfeita como Ela! Justamente no último dia da novena, apresentou-se um carpinteiro à procura de trabalho. Chegou montado num jumento, trazendo na mão sua caixa de ferramentas. Foi logo contratado para executar a obra considerada impossível. Trabalhou com diligência e discrição durante cerca de seis meses.
Certo dia as freiras verificaram, deslumbradas, que estava construída uma esplêndida escada em forma de caracol. Para resolver um mero problema funcional, o discreto e eficiente artífice havia adornado a pequena capela com uma autêntica jóia de madeira. Onde estava ele? Ninguém sabia. Havia desaparecido sem se despedir de pessoa alguma. Não recebeu pagamento nem sequer um simples agradecimento pelo serviço prestado. Procuraram-no inutilmente, inclusive por meio de um anúncio publicado no jornal da cidade.

Por outro lado, um exame meticuloso da escada causava em todos enorme admiração. Sua magnífica estrutura, a elegância com que ela se eleva, além de vários detalhes da construção, deixam perplexos os especialistas até o dia de hoje. Por exemplo, ela faz duas voltas completas de 360 graus sem nenhum apoio colateral e é toda feita de encaixes, sem utilização de um único prego. Algumas de suas peças são de um tipo de madeira inexistente na região.
Em vista das circunstâncias em que foi feita a novena a São José, a inexplicável perfeição da obra, sob o ponto de vista humano, e o misterioso desaparecimento do artista, as freiras não tiveram dúvida em tirar a conclusão: o próprio esposo castíssimo da Virgem Maria viera realizar, em homenagem a Ela, aquilo que a técnica humana considerava impossível. E lá está até hoje, maravilhando todas as almas capazes de ver e amar a beleza, a Escada Milagrosa da capela de Nossa Senhora de Loreto, na cidade norte-americana de Santa Fé.
(Transcrito da revista “Arautos do Evangelho”)

PARABÉNS! EMERSON MONTEIRO

Este olhar sereno e rosto de ar calmo é verdadeiro. Conheci Emerson de perto por ocasião da publicação do livro "Cariricaturas em verso e prosa" e começamos uma pura amizade. As suas palavras através dos seus textos publicados aqui no blog enche a nossa alma de sensatez e reflexão praticamente todos os dias. Diz que o ato de escrever está dentro dele com uma força que se torna um hábito natural e todos nós somos presenteados com seus escritos. Hoje, Emerson, somos nós que estamos aqui para lhe presentear no dia do seu aniversário com a nossa admiração pela pessoa especial que és, Figura de personalidade correta e respeitada por todos os cratenses. A cultura de um povo está dentro das pessoas e você é parte dessa cultura viva. Figura presente no blog "Cariricaturas" contribuindo praticamente todos os dias. Para ele os comentários sobre seus textos não são obrigatórios, o que lhe dar prazer é contribuir sem predileção a qualquer blog da região do Cariri. Hoje é dia de festa! É o dia do seu aniversário!
Que Deus o ilumine sempre e lhe cubra de graças, que o conserve como um homem bom e justo! Em troca lhe oferecemos a nossa sincera amizade. Receba as felicitações de todos nós que fazemos o CARIRICATURAS

Um novo livro de Flávio Morais - Emerson Monteiro

Quem estudar a literatura caririense encontrará um filão de autores dos mais variados matizes, bons e férteis, às vezes solitários e até desconhecidos, que, no entanto, circunscrevem profundas e inestimáveis criações da tradição culta e popular de nossa gente. São memorialistas, historiógrafos, contistas, novelistas, romancistas, poetas, jornalistas, cientistas sociais, juristas, a formar rico material de perpetuação da cultura deste pedaço surpreendente de chão, que agasalha civilização altiva e heróica em natureza aconchegante, a se expandir para o mundo inteiro. Acervo dos melhores, reúne herança da história social das gerações e supera os limites da perecividade.
Dentre esses nomes formadores das nossas letras alguns ganham destaque pelo conjunto da obra e pela qualidade do que publicam, tamanho do que contém na utilidade futura e no intento das suas publicações. E no meio dos tais profícuos e organizados homens da escrita caririense se acha José Flávio Bezerra Morais, ora a lançar mais uma de suas obras, para gáudio de todos os apreciadores beletristas.
Caririense provindo de Milagres, Ceará, nascido a 23 de julho de 1970, filho de Francisco Ivo Morais e Maria Socorro Bezerra Morais, Flávio marca a literatura regional com trabalhos de fina valia e denso fôlego. Jovem, porém autor de um vasto acervo, cujo conteúdo revela quatro nítidas vertentes de abordagens de gêneros e estilos.
Primeiro, aos inícios de sua produção literária, enfeixou, em dois saborosos livros, os contos que escutou na oralidade sertaneja do lugar onde viveu a infância, nos rincões do Cariri. “Histórias que ouvi contar”, de 1993, e “Histórias de exemplo e assombração”, de 1997. Dois belos trabalhos escritos com o zelo acadêmico de aluno do Curso de Letras da Universidade Regional do Cariri, eles foram editados com a modéstia de nossas gráficas da ocasião, e levados às bancas para apreciação de muitos, marcos imprescindíveis do gênero fantástico da nossa literatura, agora dignos de figurar em novas edições, uma vez esgotados nas livrarias e bancas.
A seguir, sob o mesmo prisma das histórias anteriores, elaborou “Sete contos de arrepiar”, um clássico deste gênero no Brasil, publicado através de importante casa editora, a Rocco, isto em 2006, já revelando outro dos quatro víeis considerados na sua obra, o de autor infanto-juvenil que ora se consolida com esta obra lançada. O livro ganhou maiores âmbitos, rendendo ao autor participar da 44th Bologna Children’s Book Fair 2007 (44.ª Feira Internacional do Livro Infantil e Juvenil, em Bolonha, Itália, no ano de 2007), consagração digna dos bons escritores mundiais.
Ao sabor das considerações de quantos aspectos dispõe o roteiro autoral de Flávio Morais, em 1989, editou “Milagres do Cariri”, uma abordagem telúrica dirigida à sua terra natal sob pontos de vista físicos, geopolíticos, antropológicos, etc.
Daí, seguiu um outro título, “Nas veredas do fantástico”, em 2002.
Graduado em Direito pela Universidade Regional do Cariri, Flávio Morais encetou os esforços da sua intelectualidade também às hostes jurídicas, galgando com sucesso o posto de juiz do Tribunal cearense, funções que abraça com os vigores da responsabilidade. No espaço das letras voltadas ao ministério do Direito, pois também exerce cátedra na Universidade do Cariri, em 2003, publicou “Dívidas: como preveni-las ou livrar-se delas”, sequenciado, em 2004, pelo “Compêndio de Prática de Processo Penal”, e, em 2008, pelo romance de cunho jurídico “A sombra do laço”, pesquisa histórica de um episódio da existência do Padre Ibiapina, figura emblemática da Igreja Católica no Nordeste brasileiro, e que também cumpriu o papel da advocacia aos tempos do século XIX.
Destarte, no ímpeto da arte literária, nosso autor revela acuidades e aceita com afeto o fazer da inspiração, legando-nos, agora, “Daniel Alecrim e o talismã de ébano”, produção estabelecida sobre o primor das anteriores, realimentando seu público jovem dos insumos do estilo correto, da imaginação penetrante e do talento raro, demonstrações do quanto revelam seus textos das duas primeiras edições ao crivo do inesperado, do fantástico, sem, no entanto, fugir à seriedade austera decantada nas histórias da infância, nem abrir concessões ao vulgar da pura fantasia comercial.
O território que Flávio Morais permeia no seu universo criativo alimenta de satisfação os leitores, porquanto os encaminha dentro de valores sóbrios e justos, ao fragor dos bons e pródigos narradores. Esta revelação, que consolida cada vez um pouco mais nos livros posteriores, enriquece nossas letras e agrega qualidade ao gênero infanto-juvenil da literatura brasileira, portanto.
Ao me convidar a esta pequena introdução talvez Flávio Morais nem imaginasse acertaria em cheio em um dos seus admiradores desde seus primeiros trabalhos, quando, antes mesmo de conhecer a pessoa do escritor, os localizara numa das bancas de jornais de Crato, trazendo-me de volta aos universos imaginários da minha infância interiorana e suas histórias de causar espanto, contadas nas varandas de noites escuras do Sertão. Depois, aficionado, acompanho de perto os passos generosos deste expoente das letras caririenses, amigo e pessoa humana digna do nosso apreço.

PARABÉNS, EMERSON MONTEIRO!!!!!!

Aniversário



Poema

ABRAÇO DO CARIRICATURAS

DE REPENTE A SAUDADE
- Claude Bloc -



 A poesia estava bem aqui
nessas nuvens tão claras
Nessa cidade que canta
Nessa lua que espia
Essa noite esguia.

De repente a saudade
Invadiu a cidade
E levou o sossego
Que caminhava na rua
 Levou o sorriso
Que passeava na praça
levou cada palavra
que eu disse um dia,
eu e a lua...

E no silêncio da tarde
No florescer de outro dia
minha vida amanhece
e escreve a história
de uma cidade que dorme
e que deixa por toda parte
seus passos desgovernados
nessa folha sem pauta
da minha poesia...

Claude Bloc


sexta-feira, 25 de março de 2011

SAUDADE - Por Daniel Hubert Bloc Boris ( Jacques)


Saudade

Saudade é assim ...
Ausência de cor
Solidão sofrida
Abraçamos o vento
Conversamos sozinhos
Beijamos o espelho
Lágrima no rosto
Pensamentos vorazes
Cama vazia
Brinde ao léu
Comida sem gosto
Estrada sem fim
Esperança no coração
Que volte pra mim.  

Daniel Hubert Bloc Boris (Jacques) ............



O choro do gado -- por Napoleão Tavares Neves (*)


O gado descia mansamente no rumo do sertão.
O trovão reboava no nascente como marco incontestável do limite entre a seca que findava e a quadra chuvosa que já se prenunciava.
O gado tinha secado do capim mimoso dos sertões, enfastiado com o capim agreste da chapada do Araripe onde passara toda a seca. Eram 200, 300 reses tangidas por quatro vaqueiros, meu pai na guia e eu no coice do gado.
A música dos bois era a nota marcante daquela alegre tarefa. Tudo era alegria!
De repente, no lambedouro do Auto do Mulungu, um touro mestiço do pescoço grosso, cioso da sua liderança naquele rebanho, parou, deu um urro muito forte e retorcia as moitas com os chifres, dando saltos inopinados. Todo o resto do rebanho aproximava-se do touro e o repetia em lânguidos berros cheirando o chão! Todos paramos instintivamente, como autômatos.
O vaqueiro Zé Felix, muito místico, tirou o seu chapéu de couro e o colocou no peito em reverência àquela inusitada cena como igual jamais vi na vida!
Em seguida, o touro mestiço retomou a guia do rebanho e continuou a caminhada. Fomos verificar a causa daquela tocante cena. Era a ossada ainda verde e recente de uma rês que morreu naquela lambedouro, aonde as reses sempre iam ao cair da tarde em procura do sal da terra para satisfazerem a sua carência de sal. Dali pra frente os aboios diminuíram de intensidade. O tempo inexorável vai se acumulando sobre mim, mas aquela bucólica cena fica cada vez mais viva na minha saudosa sensibilidade. Esquece-la, jamais e eu tinha 12 anos de idade e era aprendiz de vaqueiro. Nunca vi humanos chorarem tão intensamente os seus mortos.
A natureza tem os seus mistérios!

(*) Napoleão Tavares Neves é médico, escritor, historiador, memorialista e cronista radicado em Barbalha. Pertence a diversos institutos culturais do Ceará e do Brasil.

Monsenhor João Bosco Esmeraldo chega aos setenta anos – por Huberto Cabral


Com uma solene concelebração eucarística de ação de graças, às 18h30min, no Santuário Eucarístico Diocesano, Mons. João Bosco Cartaxo Esmeraldo comemorou na ultima quarta-feira, dia 23 de março, setenta anos de seu nascimento.
A sagrada liturgia foi presidida pelo aniversariante e concelebrada pelos monsenhores Vitaliano Mattioli e Manoel Feitosa E pelos padres: Edmilson Neves, José Norbayro Londoño Buitrago, Juan Diego, Carlos Ballen, e Gallo Saches. Foi uma bonita manifestação de afeto dos fiéis, sobretudo dos leigos que trabalham no Santuário Eucarístico Diocesano, dos ex-paroquianos de Mons. Bosco que vieram da Paróquia São José Operário, em Ponta da Serra, e das irmãs do Instituto Fraternidade “O Caminho”, que atuam no Santuário Eucarístico Diocesano.

Quem é quem
Filho do casal Osvaldo Esmeraldo de Norões e Rosali Cartaxo Esmeraldo, Mons. João Bosco Cartaxo, nasceu em Crato aos 23 de março de 1941. Ingressou no Seminário São José do Crato em 1951 e iniciou seus estudos filosóficos no Seminário Arquidiocesano de Fortaleza em 1959. Em 1961, viajou pra Roma, onde cursou teologia na Universidade Gregoriana de Roma, como aluno do Colégio Pio-brasileiro. Foi ordenado sacerdote em 25 de setembro de 1965 por Dom Vicente Araújo Matos, Bispo Diocesano de Crato, na capela do Colégio Pio-brasileiro em Roma.
Depois de fazer diversos cursos especializados na Europa, exerceu várias funções na Diocese de Crato, dentre as quais destacamos: Prefeito de Disciplina do Seminário São José e vigário da paróquia de São José do Seminário (hoje Paróquia do Sagrado Coração de Jesus); vigário da paróquia Nossa Senhora da Penha e Cura da Catedral de Crato; Pároco da Paróquia São José Operário de Ponta da Serra. Foi membro dos seguintes órgãos diocesanos: conselheiro do Conselho Consultivo, membro da Comissão de Catequese e Vocação, Conselheiro da Fundação Padre Ibiapina e da Caritas Caritas Diocesana.
Recebeu o título de Monsenhor concedido pelo Papa João Paulo II por indicação de dom Newton Holanda Gurgel em 1995 e exerceu o cargo de Vigário Geral da Diocese por vários anos. Hoje, Monsenhor Bosco, é reitor do Santuário Eucarístico Diocesano, em Crato e diretor-presidente do Conselho Administrativo da Rádio Educadora do Cariri”.
Ao Mons. Bosco, formulamos votos de longa vida e ministério abençoado por Deus. Somos todos gratos pelo seu exemplo de doação e firmeza na fé!

(Matéria originalmente postada no site da Diocese de Crato)

Dom Newton, o quarto bispo de Crato – por Armando Lopes Rafael


Nascido na cidade de Acopiara, Ceará, em 01 de novembro de 1923, Dom Newton Holanda Gurgel recebeu a ordenação sacerdotal em 17 de dezembro de 1949. Foi reitor do Seminário São José de Crato e a nomeação como bispo-auxiliar de Crato veio encontrá-lo como pároco na cidade de Campos Sales. Recebeu a ordenação episcopal na cidade de Roma, em 27 de maio de 1979, das mãos do Papa João Paulo II, que será beatificado no próximo dia 1º de maio.
Dom Newton foi bispo-auxiliar até 17 de novembro de 1993, data da sua nomeação como quarto bispo diocesano de Crato. Antes, devido à renúncia de Dom Vicente, foi administrador diocesano de 01 de junho de 1992 até 16 de novembro de 1993.
Homem simples, dotado de inteligência prática, deve-se a Dom Newton a reabertura, em 1994, do Seminário São José de Crato. A partir daí, a diocese que sofria a carência de vocações religiosas passou a ser um celeiro de sacerdotes, a ponto de hoje a Diocese de Crato ter enviado um jovem sacerdote como missionário na Amazônia.
Nos dias atuais o Seminário São José de Crato forma sacerdotes para cinco dioceses: Crato e Iguatu, no Ceará, Cajazeiras (Paraíba), Salgueiro e Petrolina, ambas localizadas em Pernambuco.
Dom Newton ordenou vinte e oito sacerdotes e criou, durante o seu episcopado de oito anos e meio, quatros paróquias (Nossa Senhora Aparecida e São João Bosco, em Juazeiro do Norte; Nossa Senhora da Saúde, em Penaforte e Sagrado Coração de Jesus, no bairro do Seminário em Crato). Em 02 de maio de 2001 teve aceitado seu pedido de renúncia em conformidade com o cânon 401§ 1 do Código de Direito Canônico (motivo de idade). Permaneceu como administrador diocesano até 29 de junho de 2001.
A partir daí, na condição de bispo-emérito, Dom Newton se recolheu a sua residência particular no bairro São Miguel em Crato, onde atende pessoas para confissões e orientações, com espírito acolhedor e sempre bem humorado. Invariavelmente, todo dia, às 17:00h, celebra a Santa Missa na Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro que fez construir anexa à sua casa.
Dotado de lucidez e vitalidade impressionantes é um homem piedoso que prossegue na sua missão evangelizadora iniciada no já distante ano de 1949.
Texto e postagem de Armando Lopes Rafael

Pérola nos Bastidores - por Claude Bloc

Claude Bloc disse...

O pensamento voa
- Uma canção entoa
Enquanto a gente anda
- E a ilusão desanda
Se correr, tropeça
- Pois a vida é essa
Mas não o alcança
- Apenas esperança...

Claude Bloc

TRÍPTICO


1.

Abro a janela para o terreno baldio
com suas cabras espantando os urubus.
O sol dá-me de chapa na cara,
poças d’água e árvores secas me olham.
A rua parada, sossegada, espera
a passagem de um burrico preguiçoso.
Quando saio, o sol continua a arder-me na cara
e o calor asfixia, tolhe-me o corpo, os pulmões estralam.
Uma nuvem branca caminha para o mar,
cada vez menos nítida, some no horizonte.
Os meus passos na calçada se apressam para nada.

2.

Côu, côu, côu! Vem, Neguinha! Vem, Teimosa, vem!
Seu Chico alimenta as vacas para ordenhar o dia.
A moenda de cana com os braços caídos para o chão.
Os cachorros latem balançando o rabo,
fungando com a língua de fora.
Um casebre fumega na beira do mato.
Procuro quem sou, quem fui,
com um aperto no peito, a alma saindo dos olhos bobos.
Um moinho abandonado apodrece num canto,
ao lado o tronco esquecido de uma peroba, do que foi uma peroba.

3.

Uma mulher nua no meio da rua, de pernas abertas para cima.
A molecada se assanha, uma pomba branca bate as asas.
___________

CASINHA DE TAIPA... Por Claude Bloc


 Dedicado aos amigos do Cariricaturas
...e a todos aqueles que um dia viveram a paz e a harmonia do sertão

Uma casinha de taipa
Com os pés fincados no chão
As telhas desembeiçadas
Lá fora, majericão
No terreiro dois banquinhos
Tamboretes no salão
As redes sempre armadas
Café com pão no fogão.
Onde está essa casinha
Que guardo com emoção?
Será que ainda vejo
Essa casa do sertão?
Mãe Mina fazendo renda
Diva fiando algodão
Seu Mané vindo da roça
Zeca com os pés no chão
Tixixa moendo milho
Dinha fazendo feijão
Água no pote friinha
E os canecos de latão
Zefinha lá no terreiro
Correndo atrás de um capão
Chiquim indo buscar lenha
No jumento de Antão
No terreiro a cajarana
Se espalhando pelo chão
E nos galhos escondidos
A zuada do cancão
Espantado com o ritmo
De Maria no pilão
Na cerca se espalhavam
As vaquinhas de melão
Era assim essa casinha
Do chão batido de terra
Que ficava lá na serra
Onde está meu coração.

Claude Bloc

quinta-feira, 24 de março de 2011

Maria Fumaça


O velhinho entrou no consultório meio desconfiado, meio cabreiro. Como boi no matadouro, esperando o xunxo do magarefe. Dois filhos o puxaram até ali e duas filhas o empurraram. Todos carregamos, no íntimo, a certeza da imortalidade física: o velhinho, sabe-se lá porque, pressentia que sua moléstia não era coisa simples, dessas de se resolver com Capivarol e Extrato Hepático. Sentou-se meio constrangido, mas ,rápido, recobrou o equilíbrio e desatarraxou um vendaval de sintomas. Estava naquela idade em que os inimigos começam a armar o cerco e passam a disparar sem piedade sua metralhadora de achaques, de dores e infortúnios. O médico o examinou com cuidado e teve a certeza de que o velhinho não exagerara na premonição. Algum esmeril feroz carcomia as forças daquele que um dia fora um touro indomável, trabalhador incansável no campo, um artista da enxada e do arado. A madeira de lei dera cupim. O esculápio solicitou alguns exames que confirmassem sua certeza e prescreveu alguma medicação que, certamente, não diminuiria a doença, mas aumentaria a esperança do velhinho. Receita na mão, antes de sair, o paciente fez um pedido inusitado:
--- Doutor, o senhor gosta de escrever , não é ?
O médico , que produzia esporadicamente alguns textos para a imprensa local, confirmou:
--- É , vez por outra eu escrevo umas potocas sim, seu Pedro!
--- Pois é, vou pedir um favor : escreva sobre a Maria Fumaça !
O profissional, polidamente, prometeu fazê-lo, mesmo sabendo que o compromisso fazia-se apenas um ato de educação, uma promessa dessas que os políticos firmam no palanque: afirmam como sem falta e faltam como sem dúvida. O médico seguiu sua via crucis: o atendimento interminável de pacientes, com aquela sensação de quem tentava esgotar um olho d´água. Tardizinha, voltando para casa estafado, lembrou , estranhamente, da reivindicação do ancião e pôs-se a imaginar as razões possíveis e ocultas daquilo que soara quase como o último desejo de um condenado. Por quê a Maria Fumaça ?
O trem terá sido o primeiro transporte de massa de acesso a todas as classes sociais. Como uma serpente enorme varava os sertões, levando na barriga pessoas, sonhos, ilusões. Trazia ainda mantimentos, as notícias , as cartas e as últimas novidades dos mais distantes rincões. Imaginem o encantamento que causava no caboclo que observava seu porte gigantesco e seu “café-com-pão” interminável. E a estridência do apito agudo, nos ermos campos de outrora? A fumaça que esvoaçava da chaminé, como se fora o dragão de São Jorge? E mais: a possibilidade de transportar cada passageiro em busca do sonho mais inalcançável? A Maria Fumaça deu asas ao matuto e tornou viável o destino cosmopolita do cearense. Desde que seu apito ecoou pela primeira vez na pradaria , o caboclo descobriu definitivamente que esse mundão não tem cancela. Há a possibilidade de ser infeliz em muitos lugares diferentes. Se é tão difícil mudar a história da humanidade, o trem nos deu a condição de alterar ao menos a geografia.
Na iminência de empreender uma longa viagem, compreendeu, por fim, o doutor, a visão da Maria Fumaça serpenteando os campos sertanejos trazia consigo um alento, uma tranqüilidade quase que etérea. O trem que partiu, um dia retornará, inevitavelmente, trazendo no seu matulão novas esperanças e bons augúrios. E lépido e fogoso um rapazinho saltará na mesma plataforma em que um dia o velhinho alquebrado embarcou, apenas com passagem de ida, com destino ignorado e sem imaginar que todas as estradas terminam sempre na mesma estação.


J. Flávio Vieira

Curtas - XX - Aloísio

O pensamento voa
Enquanto a gente anda
Se correr, tropeça,
Mas não o alcança

Aloísio

24 de Março - Dia de Combate a Tuberculose

O Dia Mundial da Tuberculose foi lançado, em 1982, pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pela União Internacional Contra TB e Doenças Pulmonares (International Union Agaist TB and Lung Disease - IUATLD).

A data foi uma homenagem aos 100 anos do anúncio do descobrimento do bacilo causador da tuberculose, ocorrida em 24 de março de 1882, por Dr. Robert Koch. Este foi um grande passo na luta pelo controle e eliminação da doença que, na época, vitimou grande parcela da população mundial e hoje persiste com 1/3 da população mundial infectada: 8 milhões de doentes e 3 milhões de mortes anuais.

O Dia Mundial de Combate à Tuberculose não é uma data para comemoração. É sim uma ocasião de mobilização mundial, nacional, estadual e local buscando envolver todos as esferas de governo e setores da sociedade na luta conta esta enfermidade. É o marco fundamental de uma campanha que dura até o fim do ano corrente, fator fundamental para a intensificação das ações de controle da doença.

A tuberculose é uma doença infecto-contagiosa causada por uma bactéria chamada “bacilo de Koch”.A transmissão ocorre através do ar. Enfermos não tratados costumam eliminar grande quantidade de bactérias no ar ambiente tossindo, falando ou espirrando. Estes micróbios podem ser inspirados por pessoas saudáveis, levando ao adoecimento.

Os principais sintomas são tosse (por mais de 15 dias), febre (mais comumente ao entardecer), suores noturnos, falta de apetite, emagrecimento e cansaço fácil. Além do pulmão, a doença pode ocorrer em outros órgãos como as meninges (meningite), ossos, rins e etc.

A doença é curável através de tratamento com remédios fornecidos gratuitamente nos Postos de Saúde.

É muito importante que os pacientes com tuberculose não interrompam seu tratamento, para evitar o surgimento de micróbios resistentes aos remédios e o adoecimento de novas pessoas.

Fonte: Ministerio da Saúde
Copiado do Blog do Sanharol

Visite o Zoomcariri, e veja mais deste ensaio! Pachelly Jamacaru

Romaria de Nossa Sra. das Dores.

EXTRA! EXTRA!


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O LENDÁRIO MANÉ DE JARDIM
JA CHEGOU NO CARIRI!
FÊNIX IGUAL NUNCA VI
MÚSICO IGUAL TAMBÉM NÃO
VEIO COM AS MÃOS ABANANDO
SONHANDO E DEDILHANDO
AS CORDAS FERIDAS DO VIOLÃO
NA MAIS PURA MAESTRIA
DE RECRIAR A HARMONIA
REINVENTANDO A CANÇÃO

Ulisses Germano

p.s. Agora ele vai gravar a música "Idiossincrasia"!
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EDILMA ROCHA , A ARTISTA PLÁSTICA

A nossa Artista Plástica EDILMA ROCHA  está se projetando no Brasil e pelo exterior investindo na Arte e na sua aptidão de estar sempre criando maneiras de inovar na produção de seus trabalhos.

O grupo Artes 100 Fronteiras, que trouxe ao Crato, no VI SALÂO DE OUTUBRO, obras de diversos artistas brasileiros e também do exterior, tem divulgado incansavelmente o trabalho de Edilma Rocha confiando, sem restrições, no seu talento.

Edilma vem fazendo pesquisas sobre novas técnicas de pintura e recentemente conseguiu idealizar e realizar belos trabalhos com vidro líquido . 

O  resultado desse trabalho vem surpreendendo o meio artístico pela qualidade e criatividade.

Essa técnica exige um cuidado especial na mistura do produto e na aplicação das cores além de demandar um tempo de 45 minutos para a conclusão de uma obra,  o que exige grande habilidade e agilidade no seu manuseio até a arte final .

Edilma, em 2010, participou de três Salões de Arte pelo Brasil tendo se destacado com premiações do mais alto gabarito:
  •  III SALÃO DE ARTES PLÁSTICAS NA CASA DE CULTURA DE SÃO PEDRO D’ALDEIA - Recebeu um troféu pela obra apresentada nesse evento.
  • V SALÃO ARTES DA MARAMBAIA - Medalha de ouro
  • VI SALÃO ESPECIAL DE ARTES PLÁSTICAS - MUSEU MILITAR CONDE DE LINHARES - Medalha de ouro
 Agora, Edilma Rocha está em plenos preparativos para participar da FEIRA INTERNACIONAL DE ARTES PLÁSTICAS - em Coimbra. 

Nossa artista não pára. Sempre dinâmica, se prepara para futuros eventos empenhada em fazer o seu melhor.

Foi divulgado no ARTE 100 FRONTEIRAS:
 
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Fiarte-Arteuropa2011

A artista plástica e restauradora de Fortaleza Ceará; Edilma Rocha, expõe a magnitude de sua obra “A dor do poeta” para apreciação dos visitantes da feira internacional de Artes de Coimbra Portugal.
A dor do Poeta - cerâmica, vidro líquido - 52x52
Uma homenagem a um amigo poeta chamado: "Domingos Barroso". Com a sua dor pela separação da esposa e o filho, fechou-se em si e despiu-se das coisas do mundo, vivendo somente Lágrimas de Sangue, restando à água da vida e a luz do amanhã.

Edilma Rocha após uma pausa em suas aparições em exposições; Retoma com toda a sua força se destacando nos salões de Artes nos quais participou no estado do Rio de Janeiro e agora ampliando horizontes expondo em Portugal e com pretensões para outros países.
Sua obra poderá ser vista em Coimbra de 01 a 10 de abril de 2011

http://artessemfronteiras.blogspot.com/






Claude Bloc