Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

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.....................
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sexta-feira, 15 de abril de 2011

Rasga-Mortalha


--- D. Betilde , de novo ?

A velhinha , ao ouvir aquelas palavras insidiosas e enigmáticas, ficou amuada pelos cantos da casa. Tinha plena consciência : o destino é que havia traçado aquelas linhas sinuosas da sua vida. Mas, que jeito? Por outro lado, também, carregava consigo a certeza de que o temor da solidão a havia impelido a tantas reincidências, além, claro do charme pessoal e de um estranho fogo que ainda teimava em lhe arder pelas veias, mesmo sob o gelo inexorável do tempo. O certo é que os casamentos se foram sucedendo. O primeiro marido, Afonso, caixeiro-viajante, dormiu na direção do carro e despertou no paraíso. Deixou-a viúva nova e sem filhos. Botelho, homem sisudo, coletor de impostos, engraçou-se de uma Betilde fogosa, na flor dos anos, e arriou por ela os quatro pneus. Casou-se, viveu com a esposa uma felicidade fulminante de cinco anos, tão fulminante que acabou o fulminando, de um enfarte, nas portas dos quarenta. Betilde balzaquiana, novamente solteira, passados dois anos de luto oficial, começou a sofrer assédio de um tal de Leontino. O homem era dono de um pequeno armarinho e também enviuvara há poucos meses. Betilde achou o assédio precipitado, mas entendeu o pretendente: já se encaminhando para os setenta, era material perecível e que não podia ficar exposto às intempéries da solteirice por muito tempo. Terminaram no altar. Leontino, por incrível que possa parecer, foi um marido exemplar e resistente: manteve-se vivo, nas garras da mulher, por uns vinte anos, até que um belo dia dormiu na terra e acordou no firmamento. A partir desse velório, a fama de Betilde como rasga-mortalha começou definitivamente a se firmar. Fama que, se diga de passagem, os anos mostraram nada ter de exagero.

A partir da viagem celestial de Leontino, os casamentos de Betilde se sucederam. Com ela já beirando os sessenta, os novos pretendentes já não pagavam IPVA. Homem maduro só cata mulher nova. O que lhe ia sobrando eram aqueles já idosos, passados na casca do alho e que temiam as mocinhas com medo de não se refestelarem sozinhos, mas num banquete coletivo. Zivaldo, Geronildo e Marcelino seguiram a mesma sina dos seus antecessores, apenas desfrutaram dos prazeres e achaques matrimoniais por pouco tempo. A famosa frase : --- D. Betilde, de novo ? Foi pronunciada justamente por Salustiano, um antigo conhecido da rasga-mortalha, ante o caixão do sexto marido da nossa serial-killer: o tabelião aposentado Marcelino Florentino Parahyba, homem versado em almofadas, carimbos e reconhecimentos de firmas. Betilde, oitentona, já parecia não ter mais lágrimas para derramar: secara o veio . Talvez, por isso mesmo, tenha se amuado ante a insinuação algo maldosa de Salustiano: faltava-lhe água para lavar tantas máguas. De tantos enlaces, restara-lhe, no entanto, apenas um filho, nascido da mira certeira de Leontino , o menino carregava oficialmente o nome viril do pai, mas era chamado carinhosamente de Júnior.

Betilde decidiu baixar o facho após a partida do sexto esposo. Já era tempo ! E mais: quem diabo iria querer uma oitentona e ainda pior: com um cartel terrível de nocautes ? Aquietou-se, fez-se beata, botou para debulhar terços e mais terços: alma no purgatório para sua intercessão é o que não faltava! A multi-viúva esqueceu apenas um detalhe. Os tempos tinham passado e a modernidade viera com seus milagres. Fora-se o tempo em que homens maduros pronunciavam aquela frase famosa : “Enquanto houver língua e dedo, mulher não me mete medo!” Pois bem, a modernidade havia trazido consigo o viagra e o adiamento da morte viril. Imaginem, pois, impulsionado pelo novo espinafre do Popeye, quem começou a arriar uma asa para Betilde ? Nada mais nada menos que o fofoqueiro do Salustiano. Entre dentes, ele prometeu aos amigos que mandaria a serial killer desta para melhor. Vingaria seus seis antecessores. Betilde refugou no primeiro momento: Vade retro satanás! Não esquecia a frase famosa dele diante do esquife do pobre do Marcelino. Mas o assédio perdurou, a solidão falou mais alto ( Júnior fora tentar a sorte em São Paulo) e a matrimoniomania de Betilde reacendeu. Depois de uns seis meses, voltou ao altar agora ao lado de um grande e turbinado Salustiano.

Seis meses depois, os amigos choravam o passamento do amigo. O vingador batera catolé. Qual a causa mortis de Salustiano ? Ninguém sabe ao certo, mas existem algumas evidências. À noite, no velório todos notaram um volume excessivo elevando a mortalha na altura dos países baixos do noivo. Parecia o mastro central de um circo forçando a lona para cima, em direção aos céus. Vendo a mortalha prestes a se romper no meio, enquanto uma Betilde chorosa fungava num canto, um amigo comentou:

--- Menino, pelo visto, não é só D. Betilde que merece o apelido de Rasga-Mortalha, não ! Salustiano, também, manda ver !


J. Flávio Vieira

Coralie Clément - L'ombre et la Lumière

Círculo - Aloísio



Círculo


As mãos se dão
E formam um círculo
Que se abre
Num verão

No verão
Havendo chuva
E semeando
Brota o grão

Do grão brotado
A esperança
De alimento
Pras crianças

E as crianças
Unindo as mãos
Um novo círculo
Formarão


Texto: Aloísio
Imagem: Internet

O MASSACRE DE REALENGO


 
Disse que ia fazer uma palestra
e puxou dois revólveres
– as armas falam mais alto que a língua.

Atirou sessenta e seis vezes:
doze crianças caíram mortas na hora.
e outras doze foram feridas, algumas gravemente,

Um policial lhe deu um tiro na barriga,
ele suicidou-se em seguida.

Na mochila um papel com instruções
de como devia ser enterrado:
sem que mãos impuras o tocassem.

A dor nem a loucura justifica.
As crianças morreram na flor da vida,
como flores cortadas antes da hora.



Poesia das flores... Por Claude Bloc





Quem disse que as flores não escrevem poesia?

quinta-feira, 14 de abril de 2011

ENCONTRO COM AMIGOS


George Macário e Edilma
Sem palavras...

FALANDO DE FLORES - Por Edilma Rocha


CONFREI  - Sob a proteção de Saturno, o Confrei apresenta folhas que crescem sem hastes, diretamente do caule, como se não pudessem existir de outra maneira. Suas flores se voltam para a terra, numa atitude fechada e introvertida. - Symphytun officinale-  O nome- Symphytun, tem origem grega (symphei- coalescer), significa "crescer junto" e se refere á propriedade da raiz mucilaginosa que une e cicatriza a carne e os ossos.  Segundo Culpepper, médico e astrólogo do século XVII, seu poder de unir e consolidar é tanto que, se fervido junto com carne picada, juntará os  pedaços novamente.



Planta herbácea perene, alcança 1 metro de altura. Encontrada em praticamente todas as regiões do planeta. Suas folhas chegam a ter 30 cm de largura e suas flores são brancas, amarelas e violáceas.
Cultivada em solo rico em matéria orgânica, bem drenado e pouco ácido. Luz plena. O Confrei é uma planta de difícil cultivo, pois prefere os terrenos húmidos às margens de rios e lagos e lugares frescos.


O Confrei é considerado uma farmácia completa, usado em tratamento interno e externo, atuando como antiinflamatório, anti-reumático, emoliente, adstringente. É um excelente expectorante, combate doenças respiratórias. Ativa o pâncreas, produzindo mais insulina, por isso é usado por diabéticos. É a planta de maior poder cicatrizante em feridas e queimaduras usado também no tratamento de glóbulos vermelhos. Usado em compressas, amolece os tecidos inflamados pelas dores, sendo usado em artrite e reumatismo crônico. A seiva contida nas folhas e nas raízes estimula a formação de novos tecidos na pele, por isso é usada em cosméticos, para suavizar as rugas e prevenir o envelhecimento precoce.

Edilma Rocha
Fonte - Jardim Interior - Denise Cordeiro

Nem tudo a um simples click - Emerson Monteiro

Nos tempos eletrônicos desta hora, para onde estirar a vista, distâncias imensas deixaram de limitar as estradas humanas. Querem claridade, haja claridade no primeiro botão detrás da porta. Ambiente climatizado, só estirar o braço e acionar a chave. Saber das horas, e enterrar as unhas no teclado para acender o celular. Emergência, acionar o telefone. Uma música feliz, façam-se os sucessos do momento. Notícias quentes, o plantão da televisão. Segue, assim, o esplendor das maravilhosas máquinas, a ponto quase de virar sonho eletroeletrônico de noite querer ir ao banheiro e mover o clone virtual para atender às necessidades. Carros, máquinas, comunicações, diversões, viagens, compromissos, encomendas, saúde, clima, educação, amizades, família, gama infinita de ordens cumpridas nos apelos da técnica.
O aperfeiçoamento tecnológico causa espanto às gerações que agora buscam apressadas novidades do progresso em passeios de fim de tarde. Automóveis falam. Deficientes dirigem. Casas obedecem. Palestrantes ensinam à distância. Médicos operam na tela do computador. Crianças brincam de engenharia antes mesmo de falar. Pais recorrem aos filhos na compra de seus instrumentos de consumo quais clientes procuram monitores para tirar quantias financeiras. Aviões desbravam estratosferas como rotineira pesquisa. Resultado das mudanças, por debaixo da aparência, norteando o futuro, corre todo tempo um rio de fenômenos inimagináveis pelas artérias da sociedade.
Ninguém alimenta desejos de retornar ao período em que não existiam as facilidades modernas. Banho quente no inverno era de cuia, e lembrar que os imperadores, na Idade Média, por exemplo, nada sabiam do que revelou a ciência desta fase atual. Visões do paraíso nunca chegaram tão perto, prazerosas, quanto nestes dias dos circuitos elétricos utilizados.
No andar do comentário, bem aqui, afloram as conclusões dos argumentos em duas alternativas. Ou querer interpretar a ingratidão das pessoas que dispõem de tudo e ainda reclamam de barriga cheia. Ou agir qual criança a quem o triste vira festa, no açúcar do presente.
Corretos da política, no entanto, veem poucos motivos de euforia nos aparelhos carregados nos fios da parede, porquanto exigem melhoria no sistema geral. A saúde pública precisa cumprir o seu papel e servir melhor a população. As ruas andam carcomidas de buracos e valas arriscadas. Uma injustiça social crônica insiste divide as populações, também nos países ditos ricos. O ensino discrimina e realimenta exclusões sociais, invés de resolver o vazio da conscientização das massas. Poucos têm muito e muitos têm quase nada. Violência, drogas, prostituição infantil, trânsito caótico, angústia, eis algumas das mazelas de solução precária por parte da técnica, a depender do desenvolvimento da mentalidade dos seus usuários, sinal do quanto resta para realizar neste chão comum, tarefa que cabe a todos nós, sem nenhuma exceção.

"...DO CARIRI" - José Nilton Mariano Saraiva

Desnecessário forçar a memória pra lembrar que, meses atrás, quando da “farsa” que foi a plenária solene de criação da Região Metropolitana do Cariri, no recinto da Assembléia Legislativa do Estado, alguns dos Deputados Estaduais (que inclusive foram votados no Crato) se postaram peremptória e radicalmente contrários a tal denominação, já que, asseveravam convictos, desde o batismo oficial a denominação mais “apropriada” para aquela área seria Região Metropolitana de Juazeiro. Como não houve unanimidade e objetivando aparar arestas, os “bombeiros de plantão”, por conveniências momentâneas, decidiram pela manutenção da primeira denominação – Região Metropolitana do Cariri. Puro jogo de cena, conversa pra boi dormir, cinismo absoluto, hipocrisia em estado latente, já que a questão substantiva, a da localização dos empreendimentos que viriam para a Região Sul do Ceará e a conseqüente alocação dos necessários recursos para tal mister, de antemão já estavam garantidos pra Juazeiro do Norte.
Na oportunidade, registramos aqui mesmo o nosso protesto, e profetizamos que, em razão do “componente político”, na prática a teoria seria outra, já que havia e estava clara a predisposição governamental de privilegiar as cidades de Sobral, ao norte, e Juazeiro do Norte, ao Sul, em termos de interiorização desenvolvimentista do interland alencarino; às demais cidades seriam destinadas as sobras, os refugos, as migalhas, aquilo que não fosse de interesse da “metrópole” (o lixão, por exemplo), já que meros satélites a vagarem na órbita das urbes acima citadas. O tempo literalmente “fechou”, já que fomos “premiados” com alguns adjetivos de cunho eminentemente preconceituosos e depreciativos, tais quais: conservador, bairrista, ultrapassado, anacrônico e por aí vai.
Fato é que, de lá pra cá (e lamentavelmente), o que houvéramos previsto se tornou uma dolorida realidade (principalmente para os cratenses), além do que revestido e acompanhado de um componente sarcástico e provocativo: em todos os grandes principais investimentos implementados em Juazeiro do Norte (principalmente na esfera governamental), há de se expressar e constar em “caixa alta e cores diferenciadas”, tanto na fachada da obra civil como em documentos atinentes, a denominação complementar “...DO CARIRI” (assim, temos o Aeroporto Regional do Cariri, o Hospital Regional do Cariri e por aí vai), como se, a partir de então, nenhuma obra similar ou de características idênticas se torne necessária (Juazeiro do Norte deterá o privilégio de ser o primeiro e único em termos de Cariri, ad eternum).
E, só pra chatear (ou jogar a última pá de cal num corpo insepulto e putrefato), maus cratenses (adeptos do puxasaquismo e de conveniências momentâneas) trataram de difundir um slogan tão cretino quanto derrotista - “somos um só povo, uma só nação Cariri” - que apenas denota a falta de compromisso, o desamor ao Crato, o pouco caso com o futuro da cidade, o conformismo com o catastrófico status atual, a impotência de se conseguir algum projeto de porte gerador de emprego e renda, a inapetência política caracterizada pela falta de parcerias capaz de alavancar o desenvolvimento da urbe; e o pior é que tão estapafúrdio conceito foi imediatamente absorvido e difundido, inclusive e principalmente pelas autoridades do município, numa clara sinalização de que não devemos nos preocupar se nada vem para o Crato, não devemos reclamar se nos falta emprego e renda, não devemos se importar se a nossa cidade dia-a-dia se degrada, afunda e se transforma numa cidade fantasma, porque, afinal de contas... “Juazeiro é bem ali” (assim, até um simples BO policial terá que ser obtido lá).
Também, esperar o que de um prefeito que publicamente proclamou que “...o Crato é final de linha, só vai ao Crato quem tem negócios lá” ??? O que esperar de um prefeito que é tão “afinado” com o Governador do Estado que este, em visita à cidade, fez questão de ignorá-lo solenemente e às claras ???
Ta na hora, pois, do povo do Crato encarar com mais seriedade e responsabilidade uma eleição, colocando à frente do município pessoas que tenham compromissos com a cidade, que se disponham a catapulta-la do pântano movediço em que a meteram (já há décadas).

Rua Imperador Dom Pedro I – por Armando Lopes Rafael





Existe no conjunto habitacional Mutirão (localizado logo após o bairro Alto da Penha) em Crato, uma pequena rua denominada Imperador Dom Pedro I. Esta justa denominação deveu-se a um projeto do então vereador Emerson Monteiro, aprovado em 1992, e atendeu aos pedidos de monarquistas cratenses feitos aquele edil, o qual – diga-se de passagem –, teve uma honrada e fecunda atuação na Câmara Municipal de Crato.
Dom Pedro I, na opinião de João de Scantiburgo, foi “O maior clarão do Novo Mundo”! Já o historiador Pedro Calmon escreveu que o primeiro imperador brasileiro foi “O maior príncipe do mundo no século XIX”. São opiniões modestas sobre Dom Pedro I! Este, (que aos 25 anos de idade garantiu lugar na história como o homem que fez a Independência do Brasil), por sete vezes recusou outras coroas que lhe foram oferecidas por três países: Grécia (1822 e 1830); Portugal (1826 e 1834) e Espanha (1826, 1829 e 1830). Nessas ocasiões optou por continuar no que ele chamava “Meu amado Brasil”...
Na vida privada Dom Pedro I foi militar autodidata, poeta, músico, jornalista, geopolítico, abolicionista, liberal, legislador, marceneiro, domador de cavalos, um espírito versátil e intuitivo, leal aos amigos, franco e sincero para com todos. Hoje só fala nas suas conquistas amorosas, como se isso fosse um desdouro para um homem viril, do porte de Dom Pedro de Alcântara.
Deve-se a Dom Pedro I, dentre tantas e tantas coisas que ainda hoje marcam o Brasil, o Hino da Independência (de sua autoria) a Bandeira do Brasil Império (a qual, com algumas medíocres adaptações, é a mesma da atual República), as cores nacionais: o verde (da Casa de Bragança) e o amarelo (da casa de Habsburgo da Imperatriz Leopoldina); a Constituição de 1824 (a que mais durou – 67 anos – dentre as sete que já tivemos) e o início das nossas poderosas Forças Armadas. Graças a tudo isso o Brasil não se fragmentou em dezenas de republiquetas insignificantes como ocorreu na América Espanhola.
Sobre a Constituição Imperial de 1824 os mais desavisados dizem que ela foi “outorgada”. Desconhecem que a mesma foi submetida à aprovação de todas as Câmaras Municipais do Brasil, incluindo a de Crato, cidade que – graças ao vereador Emerson Monteiro – denominou uma rua, no arrabalde do Mutirão (antigo Cafundó), de Imperador Dom Pedro I...
Texto e postagem de Armando Lopes Rafael

quarta-feira, 13 de abril de 2011

BEM TE VI - Teresa Barreto de Melo Peretti


Bem-te-vi, pássaro do meu bem querer.
Bem quem te vê.
Bem que te quero
povoando o jardim do meu Recanto,
regando os arvoredos de alegria,
bebendo do orvalho e do perfume da natureza,
adoçando a vida com o mel das flores.
De papo amarelo, bico longo e forte, agudo é o teu canto.
Bem- te- vi, bem - te- vi, o teu canto soa o teu nome.
O teu cantar embala os meus sonhos.
O teu cantar me traz felicidade e recordações de tempos de outrora,
onde esse cantar soava em outros jardins; no jardim da minha infância.
A saltitar entre as árvores do meu jardim,
um canto escolheste para construir o teu refúgio. Sabiamente, entre as folhagens secas e pequenos cipós, arquitetaste o teu ninho, para, comodamente, abrigar a sua cria.
Atento, acalenta e alimenta os seus filhotes, protegendo-os dos predadores, até o momento de libertá-los para o mundo.
E, assim, a tua vida continua. Voando, suavemente, entre campos e campinas, entrando e saindo dos quintais e jardins, sem pedir licença, tão grande é a tua liberdade.
No meu Recanto, fico a imaginar quantas belezas tu avistas
e o quanto tu encantas o meu coração.
Na leveza de tuas asas, sentimentos de paz.
Voa, voa, bem-te-vi.
Voa na velocidade dos meus pensamentos.
Com os teus vôos rasantes, povoas outros jardins, levando a tua pureza e o teu encantamento,
mas, não esqueças que o jardim do Recanto do meu peito é o canto do teu cantar.
Bem-te-vi , pássaro do meu querer.
Fica feliz quem bem te vê, oh, pássaro feliz!

Maria Teresa Barreto de M. Peretti – (Tetê)

Hoje é aniversário de Rosa Passos, uma das maiores cantoras Brasileiras da atualidade !


Hoje, dia 13 de Abril, é o aniversário de uma das maiores cantoras Brasileira da atualidade, a baianíssima Rosa Passos, que tem 15 CDs autorais de mais de 20 participações em inúmeros trabalhos que variam desde Chico Buarque de Hollanda, a Edu Lobo.

Dona de um swing extraordinário, Rosa Maria Faria Passos (Salvador, 13 de abril de 1952), mais conhecida como Rosa Passos, é uma cantora, violonista e compositora brasileira. A fama de Rosa Passos cresceu a partir do CD Curare (1991), quando se aproxima definitivamente do repertório de Bossa Nova, gravando temas de Tom Jobim como "Dindi", "A felicidade" e "Só danço samba".

Desde então vem realizando turnês pelos Estados Unidos, Europa e Japão com um extenso repertório de temas próprios e interpretações de clássicos como Gilberto Gil, Djavan, Dorival Caymmi, Ary Barroso, Edu Lobo, etc. Em suas gravações e shows conta com a participação de músicos como Ivan Lins, Chico Buarque, Yo-Yo Ma e Ron Carter. Seu último CD, Amorosa (Sony Classical/2004, é uma homenagem a João Gilberto, com participações de Henri Salvador e Paquito D'Rivera.

Estreou com o disco "Recriação".

Mais tarde lançou Curare, onde gravou clássicos da música popular brasileira, em 1993 o CD "Festa", interpretando parcerias com Fernando de Oliveira e Aldir Blanc, entre outros, e três anos depois, gravou o CD "Pano pra manga", predominantemente autoral. Em 2002, lançou somente para o mercado americano o CD "Me and my heart" com Paulo Paulelli(baixo acústico e percussão de boca) e participou de diversos festivais de Jazz, acompanhada por vários músicos de renome internacional, como Toots Thielemans e Paquito D'Rivera.

Com informações do site: letras.com.br

Cariri Cangaço anuncia: O Círculo da Mãe de Deus

Amigos da Família Cariri Cangaço,

Quem está ansioso pela espetacular película que será A Sedição de Juazeiro; com as filmagens em estágio final; não perde por esparar  outra grande super produção da FGF, JLS, Laser Video e Vide Cine, o longa metragem ficção
"O Círculo da Mãe de Deus" um filme sensacional de Daniel Abreu... 

Veja o Teaser e muito mais no seu blog:

www.cariricangaco.com
Grande abraço,

Manoel Severo

terça-feira, 12 de abril de 2011

A cultura dos atentados - Emerson Monteiro

Qualquer órgão da mídia que pretenda sobreviver à velocidade dos trens velozes desta fase contemporânea há que divulgar, com ênfase, os desmandos e práticas perversas dos grupos terroristas espalhados pelo mundo, noutras praças, noutras regiões. Sensacionalismo corre solto e alimenta faixa extensa de telespectadores e leitores. Alguém que observe notará, todo dia, nos cantos perdidos de jornais presos nas bancas, as notícias iguais, agora pequenas, de onze, quinze, vinte, vinte e dois civis assassinados sem julgamento, com explosão de bombas em países de que nem ouvira falar até então. Além de toda previsão, talvez nas mesmas proporções em que a raça cresce, tristes grupos exercitam a tara de eliminar vidas, qual disseminando o terror para reduzir a fome, na visão doentia dos autores, falsos moralistas e dementes vingativos de todo gênero.
Disso conclusão pode tirar, na mania de racionalizar a que pessoas se acostumaram em frente das telas acesas. Quer participar dos destemperos e das indigestões cotidianas. Participar de qualquer modo. Participar, nem que pronunciando palavras de efeito retardado, tipo: - Horrível isto; ah, meu Deus, quanta barbárie; monstro à solta; vamos rezar; fazer um minuto de silêncio às vítimas; etc.
Espécie de passividade crônica invade a consciência e prende as atenções, num bloco frágil de dores e traumas, distância e impotência. Detrás disso, lá estão os velhos códigos da continuidade. Tanger adiante o rebanho, produzir para viver, ouvir e esquecer.
Os efeitos do comportamento nos quadrantes da grande humanidade geraram, pois, espécie de monstro coletivo nunca previsto nos manuais políticos. O poderoso mercado econômico, contudo, sobreviverá e retrabalha, grosso modo, seus materiais recolhidos nas fezes da besta sagrada que domina os esquadrões da morte e funcionam às escondidas, nas horas caladas dos aparelhos administrativos. O menor existiria em função do maior, o que virou a lei de prosseguimento da história, sem mais questionamentos. O indivíduo anônimo e o grande Estado que busquem conciliar seus interesses nos poucos lugares ao sol de prolongar a vida na face do Planeta através das conferências ecológicas.
Nessas trágicas e dolorosas explosões do inesperado, nos endereços lotéricos das ocasiões, seguem os elementos da discórdia e da concórdia, agarrados entre si, no romance do sadomasoquismo, vistas motivações das forças maiores. Por isso, nada de a quem reclamar pela sorte desses tempos cinzentos. Baixar a cabeça e supor que o vexame das notícias amargas diz respeito aos outros somente, noutros filmes afastados, montados em painéis estranhos, à margem das rodovias marcianas, longe das tintas fortes dos monitores a invadir as casas de porta com o sangue limpo do cordeiro pascal.

Geraldo Freire - Sinos e Relógios made in Cariri CE

Igreja Matriz recebe “novo” relógio

Após 1 ano de reforma, Jucás recebe de volta, o relógio da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Carmo.

A reforma do relógio teve como objetivo torná-lo automático, já que até então, era necessário o trabalho humano para dar corda no mesmo.

Essa transformação foi realizada pelo Sr. Geraldo Ramos Freire, de Juazeiro do Norte, único especialista em relógios desse tipo em todo o Nordeste.

O Sr. Geraldo confessou à Assessoria de Comunicação do Governo Municipal de Jucás “Não tenho conhecimento de um relógio igual a esse no Nordeste. Talvez não haja outro igual em todo o Brasil”, explicou o relojoeiro, que logo em seguida disparou “Este relógio é idêntico ao relógio utilizado no Big Ben de Londres.”

O trabalho do Sr. Geraldo consistia em automatizar o relógio, que agora é conectado a energia elétrica através de dois motores. O sistema ficou seguro, graças a intervenção do eletricista da prefeitura, Cícero, que sugeriu a implantação de um quadro de energia.


Sr. Geraldo Ramos instalando o relógio na torre da Igreja.


Esta reforma foi custeada pelo Governo Municipal de Jucás e teve um investimento de mais de R$ 16.000,00. A única exigência era a manutenção da máquina original, que data de 1947, de fabricação do Salesianas de Juazeiro do Norte.

O prefeito Helânio Facundo justificou o investimento. “O relógio da Igreja precisava de uma reforma há anos, já que o mesmo poderia ter algum problema e parar de funcionar a qualquer momento. Aproveitando o ensejo, resolvemos automatizá-lo, o que o tornou mais prático, confiável e durável. A prefeitura fez essa parceria com a paróquia, pensando em preservar nosso principal patrimônio histórico e ponto turístico, que é a Igreja de Nossa Senhora do Carmo.”


O relógio fabricado em 1947 teve sua máquina preservada.
A belíssima Igreja de N. S. do Carmo, agora com o seu "novo" relógio.

Clique aqui para conferir a matéria original!

 

DE REPENTE UMA LUZ

Transfiguração - Portinari - Igreja Matriz São Bom Jesus da Cana Verde - Batatais, SP



DE REPENTE UMA LUZ

Estou só no centro da cidade.
De repente uma luz me cega.
É dia nas casas dos homens.


COTA

Estendo a minha mão
à porta da casa dos homens.
Também quero minha cota
de pão e solidão.


ÀS VEZES NÃO ME BASTA A MORTE

Às vezes não me basta a morte.
Não me basta saber um pedaço de terra
definitivamente meu.

Às vezes não me basta o azul.
Estou de tal modo vivo
que o meu corpo não me contém.

Às vezes não me bastam os olhos.
Não me bastam os pulmões.
Não me basta um poema.

As palavras explodem no meu peito.
A terra explode nos meus olhos.
Sou apenas uma forma luminosa.


AMÉM

Sou filho da dor
e caminho orgulhoso
de meus irmãos.



segunda-feira, 11 de abril de 2011

Notícias de Crato - Artesã do Crato transforma histórias reais em bonecos


Mesmo sem nenhuma divulgação de seu trabalho, os bonecos de dona Mundinha já circulam em São Paulo como autênticos representantes do artesanato regional. Mesmo sem nenhuma divulgação de seu trabalho, os bonecos de dona Mundinha já circulam em São Paulo como autênticos representantes do artesanato regional.

Crato. “A arte é a expressão mais pura que há para a demonstração do inconsciente de cada um. É a liberdade de expressão, é sensibilidade, criatividade, é vida”. Ancorada, inconscientemente nesta filosofia, a dona de casa Raimunda Maria Dantas, conhecida como “Mundinha”, está dando um exemplo de superação para aqueles que têm mais de 70 anos de idade. Está transformando em bonecos as histórias que ouviu contar quando era menina no terreiro de sua casa no Sítio Serra Verde. Personagens como Padre Cícero, Lampião, Maria Bonita, beato José Lourenço, dentre outros que fizeram parte de sua vida são revividos na arte de fazer bonecos. Além de relembrar o passado, dona Mundinha utiliza a arte como uma forma de se comunicar com o mundo exterior. Uma pintura, por exemplo, pode valer mais do que mil palavras, pois a linguagem sutil da alma costuma se expressar com mais clareza por meio dos mínimos detalhes de um trabalho artesanal. E assim, a artesã vai costurando suas ideias e alinhavando seus pensamentos.

História de Criança

Cada boneco restaura uma história de criança, diz dona Mundinha, lembrando que a confecção do beato Zé Lourenço foi inspirada numa conversa familiar. Seu pai contava que um dia descobriu o beato, acompanhado de nove mulheres, dentro do mato, talvez fugindo da Polícia. Ao ser descoberto, o beato se largou de mata a dentro, deixando a comida que estava sendo preparada para o almoço. A imagem ficou gravada na mente dela que, hoje, a reproduz em forma de bonecos. E assim ocorre com outros personagens da história regional que povoaram a imaginação dos sertanejos.

Autênticos

Ao contrário das bonequeiras do pé de manga, que se reúnem debaixo de uma árvore para confeccionar suas bonecas, dona Mundinha realiza um trabalho solitário. Mesmo sem nenhuma divulgação, os seus bonecos já circulam em São Paulo como autênticos representantes do artesanato regional. Por trás dos bonecos, existe uma história triste de dor e sofrimento. A morte de uma filha querida levou dona Mundinha ao reencontro com a arte que foi sufocada pelos afazeres do dia a dia de uma dona de casa. “Era uma formar de matar a saudade”. Nos braços dos bonecos, surgiram outras conquistas. Apreendeu a ler e escrever com mais de 60 anos de idade. Concluiu o Ensino Médio. Agora, aos 73 anos, está sendo incentivada pelas filhas a fazer uma faculdade.

MAIS INFORMAÇÕES

Mundinha Dantas
Rua Derval Peixoto, 200
Município do Crato

Fonte: Jornal Diário do Nordeste

Pérola nos Bastidores - Claude Bloc - Quando versos se encontram.

 Olhar o verso
Não o da poesia
É ver o avesso
Sem fantasia


Aloísio


Claude Bloc disse...

Olhar o reverso
Não o da prosa
É ver a verdade
Simplesmente



OBS.: A poesia promove diálogos quando há almas sintonizadas no mesmo fluxo lírico. Uma palavra gera uma reação, um verso promove uma empatia poética, e nasce um novo fruto, liberto e ao mesmo tempo entrelaçado ao outro.

Programa Cariri Encantado Sonoridades: Alceu Valença, o porta-voz da incoerência

O programa Cariri Encantado Sonoridades desta próxima quarta-feira, 13, apresenta mais um “conexões musicais”, desta feita com um velho conhecido da região do Cariri cearense: o compositor e cantor performático pernambucano, Alceu Valença!

Alceu reúne em sua obra uma musicalidade universal ímpar, numa mistura que vai de Luiz Gonzaga a Ray Charles, Jackson do Pandeiro a Chuck Berry, Genival Lacerda a Jethro Tull.

O programa abordará apenas um momento inicial da carreira de Alceu, referente aos seus três primeiros discos solos: Molhado de Suor (1974), Vivo! (1976) e o clássico Espelho Cristalino (1977), todos lançados pela gravadora Som Livre.

Programação Musical
1. Punhal de Prata
2. Dia Branco
3. Molhado de Suor
4. Casamento da Raposa com o Rouxinol
5. Pot-Pourri: Edipiana nº 1 / Emboladas
6. Pot-Pourri: Papagaio do Futuro / Emboladas
7. Sol e Chuva
8. Agalopado
9. Maria dos Santos
10. Anjo de Fogo
11. Veneno
12. Espelho Cristalino

Obs.: Todas as composições são de Alceu Valença, exceto as incidentais emboladas que são de autoria de Beija-Flor e Treme-Terra e Maria dos Anjos, de Alceu e Don Tronxo.

Serviço
O programa Cariri Encantado Sonoridades é produzido pelas Officinas de Cultura e Artes & Produtos Derivados – OCA, e transmitido todas as quartas-feiras, das 14 às 15 horas pela Rádio Educadora do Cariri AM 1020 e www.radioeducadoradocariri.com.
Pesquisa, redação e apresentação de Carlos Rafael Dias.
Operação de áudio de Iderval Silva.

domingo, 10 de abril de 2011

Curtas - XXI - Aloísio

Olhar o verso
Não o da poesia
É ver o avesso
Sem fantasia


Aloísio

EMBARCAÇÃO - Marcos Barreto de Melo


Por que navegar em mar revolto
Se podes estar em calmaria
Pra que viver sem alegria
Se tens o sol que te ilumina

Você não é mais a mesma
E aquele seu riso lindo
De menina que se fez moça
Tão alegre e envolvente
Espontâneo e cativante
Já não vejo mais em ti
Com certeza foi embora
E com você já não mora

Enquanto navegas neste mar
Sinto em mim aumentar
A dor de quem está a esperar
No cais de um velho porto
Vendo o seu barco a passar
Sem nele vir atracar
E enquanto singra a embarcação
No meu peito explode essa paixão


Marcos Barreto de Melo

A fé verdadeira - Emerson Monteiro



Saber de Deus e a Ele se entregar é o suficiente para ser feliz, o que, de acordo com as palavras de Santo Agostinho, no livro Solilóquios, resume dizer: Acredita firmemente em Deus e atira-te em seus braços com todo o teu ser, expropria-te a ti mesmo, salva-te do teu domínio e assume ser servo do teu clemente e generoso Senhor, e ele o levará a sua presença e não cessará de cobrir-te com os seus favores, mesmo sem os pedir.
Isto, segundo contam a grandeza do santo e sua receita de vida, traz à tona o que falou do compromisso da conversão, indo às profundidades onde mergulhou com renúncia e exemplo, respeitado que foi pelos cristãos desde a Antiguidade.
Contudo nada justificariam suas palavras caso permanecessem fora dos olhos dos demais seres humanos. Há que avaliar, por isso, o grau de dedicação das atitudes individuais, até se elevar à face magnânima do Criador.
Primeiro, acreditar firmemente; crer, motivo de questões e embates nas picuinhas de correr atrás de fantasias inúteis antes de chegar aos pés de Deus e esperar sua visão, diante dos chamamentos externos e das armadilhas materiais que insistem desviar do objetivo o passo dos devotos que desejem acertar.
Ainda difícil, o sábio admitiu esta condição a quem, com unhas e dentes, larga o leque das ilusões e quer uma alma franca e contrita, firme nas razões de se atirar aos braços do Pai supremo com todo o ser. Eis a expropriação de si mesmo que conta no salvar-se do próprio domínio. Dobrar a vontade e render homenagens a Deus, o ser exclusivo de tudo.
Na fase posterior desses propósitos, um outro acontecimento levará à presença do Poder. Significa pedir para ser aceito em sua casa, nas ações para merecer as benesses divinas da paz e da tranquilidade. Nesse momento, sim, haverá a aceitação definitiva do mistério da Luz eterna.
Essas avaliações descrevem os valores de uma consciência religiosa e o aprimoramento das causas iniciais do tema ora considerado. Tantos procuram respostas da existência apenas durante os períodos de dor e desespero, todavia só raros recebem o prêmio dado à dedicação verdadeira, porquanto permaneceram fora do ângulo da sinceridade, à margem do caminho, e exigiram recompensas indevidas por qualidades abandonadas. Inúmeros desistem; gastam fortunas de ocasiões noutros assuntos, indiferentes; tropeçam nas fragilidades dos roteiros mal engendrados; com isso, refugando o custo das possibilidades e dos frutos preciosos do Bem.
E outras experiências individuais sempre lembrarão as situações aqui consideradas no pouco espaço deste breve comentário.

sábado, 9 de abril de 2011

cinco poemas sem penas




              
POEMA DE AMOR

Tomei o coração na mão como uma maçã
e cravei os dentes vermelhos. Estava em êxtase,
transverberado, com toda a poesia do mundo
escorrendo dos beiços, cantando na língua.

Eu a beijei com sofreguidão, como uma bicicleta.
Ela floresceu dentro de mim, com tanto perfume
quanto um jasmineiro à noite. Mas era apenas
a poesia como um cavalo domado sob os lençóis.


HERMAN MELVILLE

Os ceifeiros são baleias no campo de trigo.


O POEMA SEM PENAS

Um poema sem penas
como uma açucena ao luar.


                      Veja meus poemas urbanos em: http://gregoriovaz.blogspot.com/


Nem isso nem aquilo...

- Claude Bloc -


Se disserem
Que sou isso
Ou aquilo
Esquece...

Na verdade
Sou apenas uma mistura
Dessas reticências que nego
Dessas interrogações que (p)rego
No canteiro de minha existência.


Serei flor enquanto quiseres
Imune ao perfume
Das exclamações
Que a saudade me permite ter
Afinal,
Nunca serei o ponto final
Nem isso, nem aquilo
Só um pouco
Do muito
Que vou deixando
Pelas estradas...


Claude Bloc

sexta-feira, 8 de abril de 2011

ENCONTRO COM AMIGOS


Edilma, Claude, Carlos e Magali
Sem palavras...

FALANDO DE FLORES - Por Edilma Rocha


CAPUCHINHA - Tropaeolum majus - Uma planta com alma de artista. A Capuchinha também é popularmente conhecida como "chagas", de "agrião-do-México" e "flor-do-sangue", nome provavelmente devido à fama que a planta adquiriu como anti-anémica. Intimamente ligada à sensibilidade e à emoção. Na Europa de séculos passados a Capuchinha tinha tanto destaque nos jardins quanto a poesia, a música e a pintura na vida social.


Planta herbácea, que pode ser usada como forração ou conduzida como trepadeira de até 5 metros de comprimento. Originada do Peru, México e outras regiões da América Central. Pouco exigente quanto ao solo, pode ser cultivada num canteiro ou vaso onde receba bastante luz solar. Decorativa, pode formar os contornos dos jardins ou plantada em jardineiras numa varanda ou peitoril ensolarado. O excesso de humidade facilita a proliferação de fungos e deixa o ambiente propício para lesmas e caramujos.


Se o cultivo for destinado à alimentação, prepare um local especial onde possa contar com a luminosidade necessária para o seu desenvolvimento e se mantenha livre de formigas e outras pragas. Na culinária, a Capuchinha é um saboroso e colorido ingrediente para as saladas. Tanto as folhas como as flores apresentam seiva de sabor picante, muito parecido com o do "agrião". Na medicina natural é usada no tratamento do "escorbuto" (carência de vitamina C). Tem efeito expectorante e estimula o sangue.

Edilma Rocha
Fonte - Jardim Interior - Denise Cordeiro

Pensamento para o Dia 07/04/2011


“Meras palavras não são suficientes quando você reza. Você deve oferecer seu coração a Deus em oração. Grandes almas oferecem seus corações a Deus em oração. No Mahabharata, Draupadi, a esposa dos Pandavas, sempre rezava assim: 'Querido Senhor, eu Lhe adoro dia e noite. Por favor, seja misericordioso e me proteja. Se for compassivo comigo, não serei incomodada por todos os desafios e provações que possa ter de enfrentar'. Fiel a sua oração, ela sempre recebeu a proteção de Deus e superou inúmeros problemas que teve de enfrentar em sua vida. Sua devoção ao Senhor Krishna permaneceu inalterada, apesar de enfrentar muitos desafios e provações em sua vida. Alguns podem orar ao Senhor Rama, outros podem orar ao Senhor Krishna. Nomes e formas são muitos, mas a Divindade é uma só. O Atma é a Divindade sem nome sem forma.”
Sathya Sai Baba

Homenagem a Dona Epunina – Por Chico Norões

Versos à “Mãe”*

“Mãe”, como tu estás feliz
Pois Deus assim o quis
Te levar sem sofrimento.
Não sofreste nenhum mal
Nem ficastes em hospital
Tudo é contentamento.

Me disse o Padre Manuel
Que a senhora vai pro céu
E vai gostar, com certeza.
Ao se encontrar com Valdir
Não se lembrará daqui
Tudo será só beleza.

Pra “Mãe” iremos rezar
Dos teus terços nos lembrar
Quando “Mãe” os distribuía.
Com aquela satisfação
Já os trazia na mão
Pois “Mãe” mesmo os fazia.

Ministra da Eucaristia
Com muita sabedoria
Visitava os doentes.
Levando palavras de amor
Rezando pra nosso Senhor
E todos ficavam contentes

Foi assim a tua vida
Por todos era querida
Uma pessoa de Deus.
Por isso que eras “Mãe”
Com coração sem “tamãe”
Todos somos filhos teus.

Crato, 4 de abril de 2011

Chico Norões

* Epunina Ferreira Silva

NÃO TEMOS PARA QUEM APELAR - Pedro Esmeraldo

No momento, estamos caminhando sozinhos, ou melhor, quase sozinhos, gritando à toa, sem ressonância no meio do semi-árido, mas gritamos sem medo. Observamos que as autoridades da capital desprezam o Crato e que atualmente é comandada por políticos apáticos e assessores aparvalhados. Eis aí a causa do desgaste político do Crato. Atualmente, encontramos um Crato parado, intumescido, dirigido por alguns políticos pertencentes à nação tupiniquins. Por isso, ninguém se esforça para trabalhar porque o índio não é adaptado para o trabalho, não tem interesse algum de solucionar seus problemas com afeição profunda. Já reclamamos por várias vezes, já estamos cansados de gritar e não somos ouvidos. Pedimos que os cratenses deem um basta nesse descaso e criem coragem e venham reclamar, pedindo com humildade aos homens de bem da cidade que trabalhem e resolvam os problemas angustiantes porque não podemos mais esperar. Gritar? Para que gritar se os homens “políticos” fazem vista grossa e não atendem os nossos apelos? Afirmamos: esses homens líderes do Crato não se movimentam e nada querem resolver, principalmente os problemas mais agravantes da cidade. Convém notar, esses homens só praticam (efetuam) política em benefício de si mesmo. Olhamos para todos os lados, não encontramos nenhum contrato de serviço que favoreça melhorar o semblante da cidade, esta cidade sem homem sério e interesseiro pelo seu desenvolvimento. Há deles (homens políticos) que só aparecem por aqui em período eleitoral, com o interesse de apenas obter votos. Após o pleito somem-se daqui, retornando quando no início da campanha do outro pleito eleitoral. Ficam distantes da cidade, pois quem quiser que lute sozinho. Daí, como não possuímos representação alguma, os penetras se aproveitam e levam o que de bom “possuímos”. Temos como exemplo: o fechamento do SENAI, SESI e agora o SEBRAE, que se transforma apenas num escritório obscurecido. Tudo aqui está entregue à Deus-dará. Nada vem para ficar, porque seu objetivo é esvaziar o Crato. Não acreditamos mais nesses políticos locais que não sabem dizer outra coisa senão amém. Muitos deles só desejam desarticular o Crato a fim de desorientar o povo que permanece sem energia positiva para enfrentar as agruras dos caminhos ínvios das florestas hostis. Não possuímos prestígio, não conseguimos reagir aos insultos provocados por essa massa ignóbil que nos cobre de injúrias com o objetivo de forçar a barra para afastar o cratense da luta e do trabalho, tentando mudar a face do Crato porque tudo nos negam e nada vem para esta cidade. Perguntamos com insistência: por que lutamos em vão e vivemos sem poder conquistar os nossos direitos? Por que observamos que eles nos afastam da mídia política e não nos deixam seguir tranquilamente o caminho igualitário e digno de bom comportamento de uma pessoa humana? Por que lutamos sem esperança e não podemos reconquistar o patrimônio perdido injustamente, afastando-nos de seguir o caminho sóbrio a fim de adquirir dos poderosos o trabalho equilibrado que enobrece o homem que possui bom comportamento humano? Respondemos com sinceridade: nós os cratenses, lutamos com coragem, portanto, protestamos junto às autoridades de Fortaleza, dizendo: Crato também merece um lugar ao sol. Queremos lutar, queremos justiça, queremos trabalho, queremos paz de espírito, com união de forças, clamando a todos para que juntos brademos com entusiasmo, com berros ensurdecedores, repetindo sempre, até chegar aos ouvidos dos nossos inimigos: deem ao Crato o que é do Crato, mas não deixem a cidade cair no esquecimento. Recordamos que em tempos passados, Crato possuía um prefeito de coragem, pois teve a bravura de preferir em altas vozes junto ao governador daquela época, discordando do péssimo tratamento que o Crato recebia. Infelizmente, não encontramos nos anais da política do Crato, um cidadão da estirpe do Dr. Humberto Macário, mas esperamos que em tempos futuros surjam outros líderes valentes, vibradores, cheios de energia, que tenham coragem de lutar em defesa do Crato, assim como lutou esse grande cidadão do passado. Vamos em frente, pois com fé em Deus haveremos de reconquistar o nosso patrimônio perdido.