Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

ENVIE SUA FOTO E COLABORE COM O CARIRICATURAS



... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
.....................
claude_bloc@hotmail.com

domingo, 24 de abril de 2011


Ceni
- Claude Bloc -

Ceni (bebê)
 Despertei cedo e olhei novamente algumas fotos sobre a mesinha de cabeceira. Adriana as trouxera na noite anterior lá da casa de Ceni. Eram fotos que Nenem havia preservado em seus guardados por muito tempo. Fotos de que eu nem me lembrava, mas que me fez rever personagens de minha vida.

Quanto a Ceni, nem me lembro a última data em que eu a havia visto pela última vez. Acho que lá pelo início dos anos 70 quando Daniela era um bebê. Ceni era uma menina quieta e de olhar sonhador e triste. Ela estava na minha casa para fazer companhia a Daniela e para brincar com ela, enquanto as coisas da casa eram providenciadas. Um belo dia Nenem a levou de volta pra casa e eu segui minha vida indo pra Fortaleza para receber Flávia minha segunda filha e depois fui para o Rio onde morei 8 meses. Desde então nunca mais nos vimos.

Faz tempo que eu andava procurando por Ceni. Minha vida, porém, me empurrava sempre para longe dela e quando eu ia pro norte ela estava no sul, ou coisas assim. Quando falava em Ceni  sempre me lembrava de tê-la balançado na rede para dormir, quando eu estava de férias em Serra Verde. Me lembrava igualmente de quando ela começou a andar. Ela tinha muito medo de ficar em pé e como ficava muito tensa, demorou para tomar a decisão de ir adiante. De andar de fato. 

Ao vir pro Crato, recentemente tive notícia de que Ceni veio aqui visitar Mundinha sua madrinha. Fiquei aguardando um contato, até que sábado falei com Jose, sua filha. Adriana, minha afilhada, foi lá em Juazeiro encontrar com a família de Ceni. Foi assim que recebi as fotos. Fiquei de vê-la logo. Saudade longa.

Ceni (aos 9 anos)
Ceni (aos 17 anos)

Claude Bloc

Foto1 - Ceni (bebê)
Foto2 - Ceni (09 anos)
Foto3 - Ceni (17 anos)

E o túmulo estava vazio! – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Na madrugada daquele domingo, pela contagem dos judeus, o terceiro dia após a morte de Jesus, duas mulheres se dirigiram ao túmulo onde o haviam sepultado. Pretendiam perfumar o corpo dele. Ao se aproximarem, houve um grande tremor de terra. Perceberam que a pedra que fechava o sepulcro estava retirada e um ser de luminosidade intensa e radiante estava sentado sobre a pedra. Era um anjo, um mensageiro enviado por Deus! Os guardas que vigiavam o sepulcro, tremendo de medo, ficaram como que paralisados, como se estivessem mortos. As duas mulheres também ficaram amedrontadas. Mas o anjo lhes disse: “Não tenham medo, o Jesus que vocês procuram está vivo, ressuscitou, conforme havia anunciado!” Elas saíram correndo para comunicar aos demais discípulos o que havia acontecido e que o mestre não estava mais no túmulo. De repente, Jesus ressuscitado apareceu a elas duas dizendo que fossem para a Galiléia e avisassem aos discípulos que ele iria se encontrar com eles. (Cf. Mt 28, 1–10).

Essa passagem do Evangelho anunciado na Vigília Pascal celebrada nas últimas horas desse sábado, me fez lembrar os últimos dias de vida do meu saudoso pai. Ele enfrentou há 46 anos, com a mesma idade com a qual me encontro hoje, o sofrimento e as dores que uma terrível moléstia o vitimou, com muita serenidade e a mesma esperança que aquelas duas seguidoras de Jesus demonstraram. A confiança de quem realmente viveu o projeto que Jesus nos deixou, acredita nele e espera pela ressurreição dos mortos. Aquelas duas mulheres acompanharam Jesus enquanto ele pregava pelas estradas e povoados da Galiléia e foram testemunhas da sua paixão morte e ressurreição. Enquanto elas esperavam por alguma coisa, os guardas representantes dos inimigos que levaram Jesus à morte vigiavam o túmulo para que nada acontecesse.

O projeto de Deus anunciado por Jesus e vivido com toda intensidade pelo meu pai, não nos leva à morte, mas é caminho para a vida. Aquela mesma fé na ressurreição, que meu pai demonstrou nos seus últimos momentos de vida, é um convite para todos que com ele conviveram para que continuemos a viver o projeto que Jesus nos deixou.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

sábado, 23 de abril de 2011

O Pensamento do Dia - Fernando Pessoa

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"Dormir, é acordar para dentro"

Fernando Pessoa

Foto: Dihelson Mendonça

( Foto feita sem tripé, apenas segurando a câmera à noite, sem tremer )

SOBRE A VIDA

Hoje me dei tempo para escrever. Um tempinho só. Paz e silencio. Pensei sobre o que escrever e estranhamente me vi tentado a escrever sobre a VIDA. Aí de imediato lembrei que ouvi certa vez de um poeta a seguinte frase: “A vida é um punhado de coisas passageiras”.

Passageiras??? Será mesmo???

Demorei um pouco analisando e pensando no que faz uma pessoa não guardar momentos, vivencias, fatos, pessoas, amores, cores, lembranças. O que o fez tão cru? Em que lugar quedaram as suas lembranças?

Não me permito tratar por passageiros os meus sentimentos, amores, pavores, enredos e nuances que a cada ocorrência provocou reviravoltas em minha história.

Não. Definitivamente não são coisas passageiras. Tenho um longo arquivo de lembranças dentro de mim. Vez por outra vou lá remexer.

Uma coisa é certa: Pensadores não faltam para dar palpites sobre a dimensão infinita que é a vida. Porém, filosofar sobre a vida é por demais perigoso. Teríamos que decifrá-la dia a dia... a vida inteira.

A mim interessa sempre levar comigo o desenho da minha estrada, As cores e os enredos vivenciados, o desenho das curvas do meu caminho, o traçado que me faz caminhar e pensar na palavra “destino”. O que ficou atrás eu levo comigo...na lembrança.

Não seria a vida um punhado de surpresas? Acho que seria melhor pensar assim. Ou que a vida é um emaranhado de coisas verdadeiras . Coisas que só farão sentido se as vivemos com intensidade.

Entendo que a vida só terá sentido se ao longo do nosso caminho formos traçando e retraçando tudo; trançando pedaço a pedaço, fio a fio. Se formos emaranhando tudo de forma a transformar passo a passo todos os momentos. Assim daremos forma ao que chamamos de “Minha história”.

CONHEÇA O CRATO EM 300 FOTOS - Galeria da Cidade do Crato e das maiores Personalidades


Conheça quem é quem na cidade do Crato ! - 300 Fotos da cidade e das Personalidades Cratenses.





"Felicidade é a certeza de que a nossa vida não está se passando inutilmente."

Érico Veríssimo

A vida é muito breve! O que fica aqui para a posteridade, é o trabalho que cada um realizou em benefício da sociedade. Uma cidade não é composta somente do lugar em si, mas das pessoas que o construíram e que o constróem no seu dia-a-dia. Ao escolher as fotos para essa pequena galeria, porém com 300 trabalhos selecionados, procurei reunir algumas das minhas imagens mais significativas do Crato e da região, bem como de pessoas que são verdadeiramente, os pilares das artes e da cultura no Crato e no Cariri. Nem todos estão aí, decerto, pois não pude registrar em fotografia, mas com certeza, os que foram registrados, merecem pertencer a esta galeria de homenageados que por DÉCADAS, exercem um trabalho que deixará marcas profundas na nossa história. Nesta galeria não cabem principiantes. Procurei registrar quem realmente conduziu e conduz os destinos da nossa cidade e já possui uma história de vida e dedicaçãoao trabalho.

Esta é uma galeria que ninguém entra por ser amigo do dono, nem pode pagar para entrar, mas por ter méritos verdadeiros e uma folha de serviços RELEVANTES prestados ao Crato e ao Cariri. Fazer listagens é sempre uma temeridade, porque acabamos excluindo pessoas, mas o objetivo aqui não é registrar tudo, até porque, como falei, eu não disponho das fotos de todos os que gostaria de homenagear.

Portanto, para quem não conhece ainda o Crato, quem reside fora da cidade, ou para quem simplesmente deseja rever os velhos amigos, eis uma boa oportunidade. Passei dias selecionando o que há de mais representativo nas imagens dos lugares e das pessoas que constróem esta cidade, e moldam o perfil da nossa geração. Não é possível listar aqui, pois o trabalho seria monumental. O bom mesmo é ver a galeria completa, sem pular nenhuma foto. É preciso ter uma certa paciência, pois o slide demora para carregar. Mas ao final, vale a pena ver ou rever as belezas do Crato, e o seu maior patrimônio, os seus ícones e a sua cultura.

Diagramação e Fotos: Dihelson Mendonça ( com participações de Pachelly , Roberto Jamacaru, Wilson bernardo e Claude Bloc )

Santa Semana... Por Pachelly Jamacaru








Fotos: PAchelly Jamacaru
Direitos Reservados.

Saber acordar - Emerson Monteiro

O ânimo de viver representa a nossa cara diante das outras pessoas. Enquanto isso, bom conhecer um tanto mais das possibilidades que existem de poder controlar o nosso humor à medida que vivemos os dias e as horas. Dominar os passos que a gente vem andar. Pisar no jeito de evitar acidentes ou criar condições desfavoráveis nos gestos de plantar nossa imagem no coração dos semelhantes, essas outras pessoas. Fazer o nosso marketing particular pelas estradas em que andamos.
Certa vez, ouvi de um amigo que o freguês, dormir à noite e acordar de manhã, sem se lembrar de Deus para fazer uma oração isso parece coisa de bicho bruto, de herege que arrasta a existência de jeito atropelado, rude, batendo nas laterais da sorte, rês arrombando cerca, esquecido da concentração de suas forças nos objetivos que interessam das normas do bom viver. Já amanhece o dia trombudo, amuado, cara fechada, agressivo, procurando briga, contrariado com tudo e todos.
Há gente que numa hora está pelos pés, noutra pela cabeça. Pessoas de duas caras, como o povo qualifica. Os pacientes do transtorno bipolar, na classificação da atual da ciência. Galinhas de ovo virado, nos chistes de calçada. Não veem nem porque e aparecem trombudos no terreiro, logo cedo, querendo briga a qualquer custo, desmanchando o que construiu na noite anterior. Se o marido, se a mulher, pouco importa, sai da cama, ou da rede, caçando confusão, de cara por acolá. Nas repartições, os chefes que entram nas salas mal humorados, calados, fungando, enfezados, juntando troços, pronto a criar um incidente administrativo e levar em frente, apurar, punir. Muitos, lá adiante, dias depois, voltam arrependidos, a pedir perdão, desculpando esfarrapado, desconfiados, até a próxima situação que vierem a criar. Ô, homem grosseiro, mulher grosseira, que fere a sensibilidade alheia, meio gente, meio bicho, a mistura dos dois.
Disso, agora só cabe tirar algumas lições práticas. Saber acordar, eis o princípio fundamental dessas leis da vida. Amar a existência. Conhecer as regras da experiência, praticar a cortesia, a amabilidade na relação familiar, na boa vizinhança, aprender o tratamento com as demais criaturas. Ir expandindo o círculo aos distantes, desconhecidos; na rua, no trânsito, no trabalho, na escola, nos grupos que participar. Dividir a leveza desse costume numa sequência de ações que frutifiquem quais sementes de frutas doces nos corações ali perto de quem conviver.
Quando pessoas maltratam quem amam, imagine o que farão com aqueles que nem conhecem. Jesus ensina amar os próprios inimigos, pois os amigos já são amigos. Conquistar quem nos desgosta, eis o segredo da harmonia coletiva. Desde cedo, de manhã, ainda deitados, naqueles cinco minutos durante os quais planejamos o dia, usar a oportunidade de formular os pensamentos. Buscar o tempo bom dos sentimentos e pisar maneiro esse chão, a fim de nele colher consciente seus valores positivos. Devagar chegar lá longe e viver no tempo certo.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

 Não há poeta
- Claude Bloc -



Hoje não há poeta, creio,
então escrevo à toa
e no meu canto
fecho a gaveta simplesmente
e estanco.

Hoje o sereno prendeu-se nos rebites da noite
e foi tanto espanto, e foi tanta graça
que levantei as mãos para apanhar a lua
e num instante
recolhi as cores de minha saudade
estendi o manto da simplicidade
E tentei dormir.

E foi tanto espanto, e foi tanta graça
que levantei as mãos para apanhar a lua
e escrevi t/meu nome no  meu travesseiro
Aos poucos
derramei a noite em minha vida
e lhe dei essa lua de presente.

Escrevi,sim, sem saber,  metáforas
Fiz-me poeta
Inquieta e inculta
e deixei a lua branca e soberana solta no céu.
E naquele momento,
nesse mesmo instante
a noite escorreu por entre meus dedos...
e foi tanto espanto, e foi tanta graça
que levantei as mãos para apanhar a lua
e... nasceu o poema.

Claude Bloc
 

SEXTA-FEIRA SANTA




PRECE

Senhor, dai-me paciência para esperar.
Senhor, dai-me o silêncio das esferas
e a música, a inaudível música dos anjos.
Dai-me a palavra para cantar a vossa glória.
Dai-me a luz para ver a vossa face
e espantar-me
e cair por terra.
Dai-me a graça de ver,
refletido no lago do tempo,
o eterno.


A SOMBRA NA MONTANHA

Uma sombra cai
sobre a montanha.

É sol onde estou.
Ainda é sol.

Não desça a sombra, Senhor,
antes que eu suba a montanha.


          SEMENTES

O meu pai passeava entre os túmulos
         contando a história dos seus mortos,

sementes plantadas na terra
para florescer no devido tempo.

Os mortos vieram do passado longínquo
e se plantaram para não mais morrer.

Quando chegar a minha hora de ser semente
sei que a terra inteira não me bastará

para os frutos da minha ressurreição.



Gêtsemani


Não, não transparecia cansaço nem fastio, embora a cena se repetisse há tantos e tantos anos. Apenas uma leve asa de indignação ruflava ao seu derredor. Como um moderno Prometeu acorrentado, fazia-se eterno pasto à águia do cristianismo. Parece até que ganhara a maldição da imortalidade. Ressuscitavam-no todo ano, em meio às velas, ao vinho e ao roxo da Semana Santa. No seu curto e sub-reptício reinado, fazia-se, rapidamente, senhor de uma quinta , ganhava roupas esfarrapadas, mas modernas, metia-se a cavaleiro. Metamorfoseava-se de uma personalidade qualquer escolhida entre os sempre novos e fartos Judas da humanidade e partia, no Domingo da Ressurreição, para o seu calvário particular.Até um testamento lhe seria providenciado, ele que não deixara sobre a terra nenhum legado que fosse além da pura e cristalina infâmia. Até os 30 dinheiros, levara ao santuário antes do pêndulo do corpo e do final balanço da corda.

Suas memórias, se escritas, seriam um farto material para o estudo do inconsciente coletivo. Havia, com certeza, algo de sanguinário, de sádico e tribal naquela malhação.A simples encenação daquela selvageria, no fundo, contradizia-se frontalmente com as lições de amor, de solidariedade e compreensão que terminaram por permear todo o Novo Testamento. A primeira pedra que ninguém ousara lançar sobre Madalena , agora fariseus multiplicados aos montes atiravam nele com sanha animalesca, sem nenhum remorso, sem nenhum pejo.

Neste ano, ali estava novamente no cadafalso, aguardando o desenlace tão previsível. Enquanto observava a faísca zigzagueante do estopim, teve , por fim uma clara visão do mundo que um dia abandonara pensando em se livrar dos seus demônios e fantasmas. Na verdade a turba não malhava ao Judas, mas tentava destruir as imperfeições pessoais que via nele refletidas. É como se diante do espelho, o quebrassem, por temerem a imagem horrorosa mas verdadeira que se revelaria na superfície cristalina. Nada mudara em tantos anos! Bastava fitar a multidão para ver claramente presente e cristalizado em todos os corações o veneno um dia inoculado no Gêtsemani: a indecisão de Pilatos, a tríplice negação de Pedro, a parcialidade de julgamento de Caifás, a eterna opção dos eleitores por Barrabás. Parecia claro para ele agora que não foram os filhos do Pai que povoaram o mundo, mas sim a raça de Judas. Sim, seus filhos tinham prosperado como nunca sobre a face da terra . Estavam muitos ali familiarmente reunidos, com suas fraquezas, suas indecisões e seus vícios bem à mostra : lábios preparados para o beijo fatídico, mãos entreabertas esperando, sofregamente, os trinta dinheiros...

J. Flávio Vieira

Roberto Carlos - Emerson Monteiro


Neste mês de abril (2011), Roberto Carlos inteirou 70 anos (dia 19), dos quais 50 de sucesso absoluto na música popular brasileira, com algumas incursões pontuais ao exterior, sobretudo aos países de língua espanhola das Américas. Menestrel de repetidas gerações, ele segue firme e forte, através dos espetáculos que apresenta acompanhado de músicos virtuosos, demonstração inequívoca do talento e da organização que lhe caracterizam a genialidade humana por demais reconhecida.
Escrever a propósito de Roberto Carlos contextualizaria um tempo deste País de tantas contradições e mudanças, desde os inícios da carreira, nos anos 60, quando vivíamos as notas iniciais da exceção política, às convulsões mundiais ocasionadas pela Guerra Fria, às rebeliões da juventude na Europa e ao movimento hippie espraiado pelo mundo inteiro, ainda somados os movimentos tropicalista e da Jovem Guarda, e os heróicos festivais da música de protesto; os exílios da fina flor dos expoentes musicais, o crescimento das drogas, amor livre, eliminação de líderes mundiais sob a agressividade que, impiedosa, campeou na época, a culminar no desencanto dos sonhos interrompidos e na morte de John Lennon, em Nova York.
Da cidade ao sertão, de parceria com Erasmo Carlos, em passes mágicos, gerava sucessos trazidos pelo rádio e pelo disco, e que funcionavam quais trilhas sonoras do quadro nacional, amenizando a rotina dos indivíduos. Angústias, apreensões de toda aquela juventude, encontraram eco no lirismo bem elaborado das letras dos astros pop, também abertas aos sentimentos cristãos da gente simples, marcos indeléveis do nosso melhor cancioneiro.
Os álbuns do cantor assinalam, pois, cada fase desse tempo, enquanto a vida transcorria no salão enorme das existências, aceleradas pelo progresso industrial da fase econômica. Agora, nos miados eletrônicos da digitalidade pós-moderna, em arquivos mp3 da Internet, disponíveis se acham as inesgotáveis canções de Roberto Carlos, pomos de recordação e saudades, velhas melodias que fizeram a cabeça de milhões e que desfilam atuais seus amores, suas festas, de tantas alegrias, velhos tempos, belos dias.
Aqui eu me pego a falar nisso meio sem jeito, narrando do pouco que restou das impressões motivadas pelos heróis eternos da geração e suas criações guardadas a sete capas nos baús do destino, aprendizado permitido pelas artes na ilustração das histórias do cotidiano coletivo. Então, falar na música, a divina música composta e interpretada por quem sabe produzir com extrema sabedoria, assinala de bênçãos a vida brasileira entre esses dois séculos de riqueza cultural.

Vem aí !


Baseado em história do "Matozinho vai à Guerra" de J. Flávio Vieira

Um curta de Jéfferson Albuquerque

Estrelando:

Kélvia Maia
Renato Dantas
Orleyna Moura
Cacá Araújo
Jean Nogueira
Franciolli Luciano
Raul Poeta
& grande elenco

Quando Maio chegar !

O apelo feroz dos ditadores - Emerson Monteiro

Nas recentes manifestações da África, quiseram revisar o passado e sonhar com a democracia, indo nas ruas derrubar ditadores ali postos ao peso dos esquemas diplomáticos das potências ocidentais. Nesse instante, um sintoma veio à tona que é saber do quanto os ditadores adoram comandar como nenhum outro que nunca usufruiu do poder. Almas envolvidas nas tramas da ganância, eles enfiam as unhas no lombo dos conterrâneos e agarram quais gaviões raivosos. Sugam a lama do que restou dos direitos humanos e impõem regimes de força a troco da fraqueza dos que confiaram neles e lhes permitiram chegar ao topo da pirâmide social. Nisso, exploram o produto nacional bruto em proveito próprio. Descem o malho no povo e sacodem os chãos, feitos cavaleiros do Apocalipse. Recebem armas, adquirem parceiros à custa dos aliciamentos, cedem bens vitais dos países e deflagram trágicas guerras que enchem os cemitérios e os noticiários. Escondidos nas camarinhas de palácios enormes através dos vícios e das maldades, durante passeios elaboram o discurso com que alienam as suas vítimas. Monstros apegados à força bruta, logo constroem prisões inexpugnáveis e alimentam a máquina da propaganda para manusear perversas maquinações. Ah, os ditadores, esses chicotes dos imprevidentes que lhes deixaram subir ao trono, ou facilitaram meios disto acontecer. Há quantos séculos se repetirá a cena... Peças de reposição dos impérios, negociam a safra das vidas e populações nos mercados da perdição, a troco do fanatismo imposto pelas facilidades recebidas. Quem abrir um livro de história observará essas anomalias da espécie humana, esses aleijões dos crimes hediondos. Por trás de toda guerra existirá um ditador, coringa da ignorância dos valores e dos bons princípios da paz, espécie de assombração à ordem natural das coisas, espantalho da regularidade no papel violento dos que desmancham prazeres. Enquanto isso, na velha participação e nos vários continentes, de uma hora para outra, o desaviso das pessoas, e lá estão eles de malas prontas para entrar no jogo de empurra da política. Abrir os olhos e guardar as lições será dever da cidadania, que nunca relaxe e se sujeite sem observar que, nas encostas das sombras, esses carrascos fedorentos analisam um jeito astuto de abocanhar o festim. Longe, em países afastados, maus exemplos de tiranos em queda apareceram nos acontecimentos recentes. Agora reduzidos a cinzas, mas que serviram de espinho de garganta na intenção de vender o que saqueavam das gentes que exploraram décadas a fio.
Consciência pública requer atitude, o que nem todo dia se dispõe o comodismo das massas. Contudo, depois retornam aos seus afazeres e devolvem aos terceiros seus destinos, e passam a morar em cima dos barris de pólvora. Manter a estabilidade social é bem comum, toda hora, todo tempo. Os turnos eleitorais servem de base para deter essas ambições de tais mentalidades doentias. Cuidado dobrado, pois, nas eras de calma; e trabalhem as lideranças no sentido de reger o futuro, numa construção favorável aos bons costumes.

FELIZ PÁSCOA !!!

Mensagens Para Orkut

quinta-feira, 21 de abril de 2011

INFÂNCIA NA ROÇA - Marcos Barreto de Melo


Filho de fazendeiro e pecuarista, nasci e me criei no Sitio São José, numa propriedade rural pertencente ao meu pai. Contudo, nem de longe eu me afinava com algumas atividades correntes naquele ambiente. Confesso que fui mesmo um menino avesso às práticas da agricultura e da pecuária. Lembro-me muito bem de quando caiam as primeiras chuvas do mês de janeiro, marcando o início da quadra invernosa em nossa região. Acordava assustado com os trovões, raios e relâmpagos que clareavam o meu quarto pelas brechas das telhas, mas, apesar do medo, envolvido em meu pijama de flanela, ficava maravilhado em escutar a cantiga da chuva no telhado da minha casa. Porém, sabia que, ao amanhecer do dia, logo estaria escalado para compor a tropa que iria fazer o plantio de milho e de feijão no pasto do engenho. Era uma plantação apenas para consumo da família. O meu pai sempre plantava esta área para ter o desfrute do milho verde cozido ou assado, da canjica sem igual que só a minha mãe sabia fazer, e também daquele feijão verde cozido com jerimum caboclo. Tudo fresco e colhido no dia.
Em meio aos muitos trabalhadores, iam também os seus filhos junto com ele. E eu, criança, não entendia porque o meu pai fazia isto com a gente. Queria apenas ficar brincando. Se ele tinha tantos moradores e podia contratá-los, por que me levar para o roçado? Reclamava dessa prática e resmungava o tempo todo. Mas, não adiantava reclamar. Tinha mesmo que trabalhar. Era uma espécie de plantio feito de improviso, para não perder o terreno molhado e por isso, dizia-se que era uma “planta no espelho”. Depois que o legume brotava, é que era feita a limpeza final do terreno.
Nesse plantio cabia sempre a mim a tarefa de semear o milho, seguindo a pegada dos outros trabalhadores que iam à minha frente abrindo as covas na terra molhada. Dada à presença abundante de espinhos, carrapichos, maliça e ainda daquela formiga vermelha, o consumo de sementes crescia a cada carreira que eu semeava. Revoltado com o que estava obrigado a fazer, eu sempre enchia a mão ao fazer a semeadura, ao invés de lançar apenas três ou quatro grãos em cada cova. O resultado desse trabalho sujo e irresponsável só seria visto por meu pai três dias após o plantio, quando ele voltava para vistoriar o roçado e avaliar a necessidade ou não de algum replantio. Eram inconfundíveis as marcas deixadas por mim, tão visíveis que eram as “carreiras” onde o milho brotava amontoado, formando grandes touceiras que já nasciam condenadas ao atrofiamento. Em cada cova, fazia-se necessário a retirada do excedente.
E quando chegava o tempo da colheita, novamente eu era escalado para ir ao roçada buscar milho e feijão verde. E eu, mais uma vez, aprontava as minhas. Só trazia o feijão na sua forma mais tenra, chamada de “canivete“, e as espigas de milho ainda embonecando, alegando que não conseguia identificar o que já estava no ponto certo para ser colhido. Nem assim me davam trégua e eu continuava indo à roça para colher o que não queria, enfrentando o orvalho, as formigas, o carrapicho e ainda a maliça a cortar as minhas pernas. Para me livrar deste grande tormento, me veio a seguinte idéia: antes de chegar à roça, eu passava pela casa de um antigo morador, Seu Expedito, e em lágrimas, relatava para ele o meu drama. Ele, compadecido desta criança em desespero, dizia para que eu ficasse na sua casa brincado com os seus filhos enquanto ele faria a apanha do feijão verde por mim. Essa tática durou um bom tempo, até que meu pai certa vez o flagrou fazendo o trabalho que seria meu. Depois de advertido, não pode mais colaborar comigo nesta função.
Outra atividade que eu abominava, era o pastoreio do gado. No inverno, a chuva intensa provocava muita lama no curral e o gado, inconformado, berrava sem parar, como que pedindo para sair daquele ambiente insalubre. E esse berreiro interminável era tudo o que eu não queria. Além da lama, tinha também a mutuca que muito incomodava o rebanho. Coincidentemente, logo após as primeiras chuvas brotava uma vegetação rasteira que se chamava de babugem, muito apreciada pelo gado. Nesse ambiente, tudo conspirava contra mim. O meu pai queria tirar o gado desse sacrifício e contava com o entusiasmo do meu irmão Geraldo Sérgio, que desde menino adorava lidar com o gado. E quando eu previa que estava prestes a ser chamado para esta tarefa, inventava que estava estudando ou me prendia à mesa numa merenda sem fim, regada a tapioca, cuscuz, pão de côco e café. Enquanto lanchava, pela janela da sala eu via quando o gado saía do curral e corria beirando a linha do trem. O meu irmão gritava e me chamava aflito, mas eu fingia nada entender. Só saía da mesa quando era expulso por meu pai para ajudar o meu irmão. E quando eu me distanciava o bastante da minha casa, a ponto de não mais ser visto, eu me sentava no trilho do trem e de lá ficava atirando pedras nas vacas mais afoitas e que queriam se entender mais ainda ao longo da estrada de ferro. Eu queria que o rebanho ficasse confinado para poupar meu trabalho e, para tanto, atirava pedras em seus chifres, deixando-as furiosas.
Hoje, depois de tudo passado, vejo o quanto me valeram estas lições de vida dadas por meu pai. Embora reclamasse muito quando criança, reconheço agora que esse aprendizado forçado preparou-me para o profissional que hoje sou e deu-me a exata noção de que somente com o trabalho o homem alcança a sua grandeza.

Texto dedicado ao meu pai Geraldo de Melo.

Marcos Barreto de Melo

Breve !
















Lançamento em Maio !

Livro Infantil / CD Músicas / Audio-Livro

Uma Celebração à Mitologia Caririense

Livro/ Letras:

J. Flávio Vieira


Projeto Musical :


Luiz Carlos Salatiel
Abidoral Jamacaru
Lifanco
Amélia Coelho
Pachelly Jamacaru
Ulisses Germano
Luiz Fidelis
João Nicodemos
Zé Nilton Figueiredo

Intérpretes Convidados:

João do Crato
André Saraiva
Eliza Moura
Mazé (Reisado de Dedé de Luna)
Valéria Santana ( Reisado de Dedé de Luna)
Leninha Linard
Ermano Morais
Fatinha Gomes
Coral : Mensageiros de Cristo (Ponta da Serra)
Lívia Beatriz

Arranjos:

Ibbertson Nobre

Músicos:

João Neto
Ibbertson Nobre
Bonifácio Salvador
Rodrigo
Lifanco
Golerim
Dudé
Betim

Audio- Livro

Luiz Carlos Salatiel
Fernanda Cardeal



Aguardem !

GAL COSTA e PABLO MILANÉS - "AMAME COMO SOY"

Vale a pena ouvir...

Revendo a cidade de Farias Brito – por Armando Lopes Rafael



Terça-feira última, 19, revi Farias Brito. Fui assistir à homenagem que a Câmara Municipal daquela cidade prestou a um ilustre filho da terra, o Desembargador Francisco Darival Bezerra Primo (foto ao lado) e a cinco pessoas distinguidas com o título de Cidadão Honorário de Farias Brito, dentre estas o médico Leonardo Fernandes Távora, que é meu genro.

Darival foi meu colega nos bancos escolares do velho e tradicional Colégio Diocesano de Crato, a partir do que se chamava, na época, o primeiro ano ginasial. Chegou ali criança, como aluno interno, já carregando atitudes de seriedade e circunspecção que o acompanhariam pela vida afora. Tive oportunidade de dizer isso, em breves palavras, durante a homenagem que lhe foi prestada no Ginásio Poliesportivo de Farias Brito.

Nesta época do ano, a Terra da Cal (assim chamam a Farias Brito) está cercada de um verde luxuriante que inclui as plantações de milho, nas cercanias de uma cidade que cresceu e progrediu. Nem parece aquele Quixará (antiga denominação de Farias Brito), -- foto à esquerda -- cuja população guardava temerosa as palavras fortes do Padre Henrique José Cavalcante, o construtor -- em 1868-1869 -- da primeira capela que seria, posteriormente, a primeira igreja-matriz de Farias Brito.


Segundo um historiador da terra, já falecido – J. Calíope – o padre Henrique era dado a fazer milagres e o povo tinha por ele grande veneração. Mas, desgostoso com um desvio de conduta de um fiel, abandonou inopinadamente Quixará. E na saída da vila (que à época fazia parte do município de Crato, juntamente com Barbalha e Caririaçu) o Padre Henrique – debaixo de um pé de Juazeiro, no sítio Lagoa de Dentro – bateu a poeira dos sapatos e disse: Fica-te Quixará, que de Quixará não haverás de passar.

Hoje, Farias Brito sequer lembra o Quixará mais recente – o da década 40 do século passado – quando lá viveu outro de seus vigários tido também como santo, o cônego Manoel Feitosa, que lá morreu e foi enterrado, no piso da antiga Matriz de Nossa Senhora da Conceição. Esta igreja, de quando em vez, na época da invernada, era invadida pelas águas do Rio Cariús, que chegava ao seu patamar e banhava de leve o túmulo do cônego Feitosa, onde estava colocada uma pequena lápide com a inscrição Etian se mortuus fuerit vivet – Juan II, 25.

Farias Brito mudou. Na solenidade da última terça-feira vi e ouvi a Banda de Música Municipal Padre Davi Moreira, formada por jovens músicos daquela cidade. Vi alunos das escolas da cidade, perfilados com suas fardas a cantarem o Hino fariasbritense. Vi adultos bem vestidos, comerciantes falando na pujança dos seus negócios e jovens sonhando em cursar a universidade. Pouca gente dali, dos dias atuais, ouviu falar no desabafo do padre Henrique. Há décadas mudaram o nome de Quixará para Farias Brito.

Quixará ficou. Farias Brito sonha com progresso e desenvolvimento.

Armando Lopes Rafael

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Coisas minhas
- Claude Bloc -


O dia se fecha
e pelas ruas
o sol dança com a chuva
serra acima
serra abaixo
pela chapada...

Cá na terra
pingos  gelados
desbotam meus cabelos.
Mas o poema fecha os olhos
e sente os versos
serra abaixo
serra acima
e como sangue
a poesia parece
correr em minhas veias.

E então se vai o tempo
e a tarde tinge
as saudades de vermelho
e espera a lua surgir
por entre as nuvens
por entre um véu de estrelas...
E só então
a alegria se espalha
pela linha da serra
e abraça a lua cheia
em trova, em sinfonia.

São essas coisas
tão minhas
essa chuva, esse sol
serra acima
serra abaixo...
coisas que trago guardadas
no silêncio
tanto e tão forte
que muitas vezes
não me compreendo.

Elas invadem as paredes
da minha solidão
e se desdobram
em sonhos, em risos
em lembranças
que agonizam
entre sins e nãos.

Claude Bloc