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Estão paralisados, mas não há desespero,
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"

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quinta-feira, 27 de maio de 2010

Homens que você deveria conhecer: Mário Ferreira dos Santos




Publicado por Shâmtia Ayômide em 21.5.2010 às 02:56 em Mundo e Sociedade

Filósofo brasileiro, nasceu em Tietê, São Paulo, em 1907.

Na primeira vez que ouvi esse nome, eu pensei comigo mesmo: “Mais um brasileiro”. Ignorante, permeado pelo vitimismo típico de brasileiro, imaginava que filósofos eram só estrangeiros.

Curioso como sou, não resisti e decidi investigar a respeito, ao ler sobre a vida deste autor fiquei assustado. Não no aspecto negativo, mas no positivo, do tipo de susto que resulta em admiração. Dividirei com vocês as minhas impressões.

Antes do perfil, porém, uma pequena história.

DEBATES

Mário Ferreira dos Santos demoliu com maestria vários modismos intelectuais da época, com destaque ao vexame imposto a Caio Prado Júnior, um intelectual comunista muito prestigiado. Na ocasião, foi convidado para um debate, onde estariam figuras conhecidas como Luis Carlos Prestes. Após Caio Prado terminar sua apresentação, Mário se levantou e disse mais ou menos o seguinte:

“Me desculpe, mas creio que o comunismo tem elementos mais fortes que esses que expôs. Vou refazer sua exposição e assim depois farei a minha. Aqui está presente o secretário do partido comunista, e ele poderá averiguar se errarei em algo.”

Mário então refez a exposição de Caio de tal modo que alguns de seus amigos presentes, espantados, colocavam a mão na cabeça dizendo: “Meu Deus! O professor virou comunista!”. Depois que terminou a apresentação, Mário começou a sua própria exposição e refutou a si mesmo.

Tais demonstrações de força intelectual não eram raras na vida do filósofo.

Uma obra que nós levaríamos 500 anos para produzir

Quantidade nunca foi um critério bom para se avaliar a qualidade de um autor. Tratando-se de Mário Ferreira dos Santos, o volume de suas publicações – não só físico, mas também intelectual – é impressionante: cerca de 50 publicações formaram sua coleção Enciclopédia de Ciências Filosóficas. Sem contar outros ensaios e traduções diretas do grego, latim, alemão e francês.

É o único filosofo brasileiro a ter um verbete de uma página inteira numa enciclopédia de filosofia europeia, no caso a italiana, que o define como um filósofo de pensamento universal.

Ele trouxe Nietzsche para o idioma português, traduziu diretamente do alemão as obras Vontade de Potência (Der Wille zur Macht), Além do Bem e do Mal (Jenseits von Gut und Bose), Aurora (Morgenröthe) e o clássico Assim falava Zaratrusta (Also sprach Zarathustra).

Pensador fértil, em seus escritos ia de Nietzsche a São Tomas de Aquino, de Pitágoras a Proudhon. Ler Mário Ferreira é ao mesmo tempo entrar nas portas que ele abre para dezenas de outros pensadores. Como todo homem sábio, foi um tipo inclassificável, meio gnóstico pitagórico ou cristão tomista – no campo econômico era anarquista proudhoniano. Seu primeiro ensaio filosófico foi Se a Esfinge falasse, usando o pseudônimo de Dan Andersen, também usado na tradução do fabuloso Saudação ao Mundo, de Walt Whitman “Os narcisistas tendem para a política”

Ele é um dos raros bons introdutores de Nietzsche. Na sua obra As Filosofias da Afirmação e da Negação, Mário Ferreira diagnostica o fenômeno do niilismo moderno profetizado por Nietzsche, contudo um pensador de envergadura de Mário Ferreira nunca se limita a somente a problematizar. Ele aponta a cura e a solução. Na obra A Invasão Vertical dos Bárbaros, denuncia a decadência cultural brasileira, outra análise com o mesmo teor de denúncia encontramos em A Filosofia da Crise.

A universalidade de seu pensamento não se limita somente à filosofia em si. Escreveu também Análise de Temas Sociais (3 volumes), Tratado de Psicologia e Tradado de Economia (2 Volumes). O auge do seu pensamento é a majestosa Filosofia Concreta, que utiliza um método criado pelo próprio Mário Ferreira: a decadialética.

Deixou para quem desejar iniciar nos estudos filosóficos: História da Filosofia e da Cultura (3 volumes), o fantástico Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais. Uma lida em alguns verbetes deste dicionário como (“Homem”, por exemplo) é o suficiente para perceber ai distância gritante entre Mário Ferreira e os pensadores da moda.

Filósofo e empreendedor

Mário era filho de um cineasta, sua juventude e infância decorreram no Rio Grande do Sul, onde se formou em Direito e Ciências Sociais. Depois, com cerca de 30 anos, retornou a São Paulo para ajudar o pai nas suas indústrias de filmagens. Antes, em Porto Alegre, ainda fez vários trabalhos como comentarista político e escrevendo artigos para jornais e revistas.

Era um tipo empreendedor, contrariando a imagem clichê que os brasileiros atuais têm de que filósofos são monges intelectualizados longe da vida prática. Com dificuldades em publicar seus livros, fundou suas próprias editoras, a Logos S.A. e a Matese S.A. Como todo bom brasileiro, não perdia uma partida de futebol. E às vezes colocava suas filhas para ajudá-lo nas suas traduções.

Foi pioneiro no sistema de venda de livro a crédito, vendidos de porta em porta. Ainda arranjava tempo para responder cartas de pessoas com problemas que procuravam sua sabedoria. Aliás, foi com o intuito de ajudar as pessoas que ele escreveu os ensaios de auto-ajuda Curso de Oratória e Retórica, Curso de Integração Pessoal e Convite a Psicologia Prática, todos tiveram sucesso entre empresários e outras pessoas notáveis da época.

Segundo suas diversas biografias, ele nunca foi à universidade para ensinar, exceto no seu último ano de vida, convidado por um amigo e admirador, justo na época em que seu problema cardíaco avançava – daí a curta duração das aulas.

Ele faleceu em casa, com os familiares presentes, seus únicos e verdadeiros aliados. Ao sentir que o suspiro final estava próximo, pediu para que fosse colocado de pé, pois considerava indigno que um homem morresse deitado. Sua luz se encerrou com ele pé rezando o “Pai Nosso”.

Um legado para as traças?

A Filosofia Concreta não deixou escolas ou discípulos. Não sei os motivos certos, mas é fato que a maioria dos brasileiros desconhece Mário Ferreira dos Santos (pois é, os leitores PapodeHomem são privilegiados). Seus livros ainda estão entregues as traças em sebos, apesar de serem de fácil leitura devido à didática de Mário e estarem sendo relançados por iniciativa dos familiares.

A tragédia cultural brasileira só não é pior graças à Internet. Atualmente leitores de Mário Ferreira se reúnem numa simplória comunidade do Orkut, onde trocam ideias a respeito de suas obras.

Mário Ferreira deixa aos brasileiros uma grande lição de vida. Em seu livro Filosofia Concreta, exorta os brasileiros a terem coragem de ousar. Poderíamos começar, no mínimo, ousando ler um de seus escritos, não?

Fonte: http://papodehomem.com.br/

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

A Vulgaridade Intelectual

Hoje, (...) o homem médio tem as «ideias» mais taxativas sobre quanto acontece e deve acontecer no universo. Por isso perdeu o uso da audição. Para quê ouvir, se já tem dentro de si o que necessita? Já não é época de ouvir, mas, pelo contrário, de julgar, de sentenciar, de decidir. Não há questão de vida pública em que não intervenha, cego e surdo como é, impondo as suas «opiniões».
Mas não é isto uma vantagem? Não representa um progresso enorme que as massas tenham «ideias», quer dizer, que sejam cultas? De maneira alguma. As «ideias» deste homem médio não são autenticamente ideias, nem a sua posse é cultura. A ideia é um xeque-mate à verdade. Quem queira ter ideias necessita antes de dispor-se a querer a verdade, e aceitar as regras do jogo que ela imponha. Não vale falar de ideias ou opiniões onde não se admite uma instância que as regula, uma série de normas às quais na discussão cabe apelar. Estas normas são os princípios da cultura. Não me importa quais são. O que digo é que não há cultura onde não há normas. A que os nossos próximos possam recorrer.

Não há cultura onde não há princípios de legalidade civil a que apelar. Não há cultura onde não há acatamento de certas últimas posições intelectuais a que referir-se na disputa. Não há cultura quando as relações económicas não são presididas por um regime de tráfico sob o qual possam amparar-se. Não há cultura onde as polémicas estéticas não reconhecem a necessidade de justificar a obra de arte.
Quando faltam todas essas coisas, não há cultura; há, no sentido mais estrito da palavra, barbárie. E isto é, não tenhamos ilusões, o que começa a haver na Europa sob a progressiva rebelião das massas. O viajante que chega a um país bárbaro, sabe que naquele território não regem princípios aos quais possa recorrer. Não há normas bárbaras propriamente ditas, a barbárie é ausência de norma e de possível apelação.

Ortega y Gasset, in 'A Rebelião das Massas'

terça-feira, 17 de novembro de 2009

"Conclamo à juventude que estude"

Desde já peço desculpas pelo tamanho do post, mas não pude me furtar a necessidade de tentar divulgar a matéria e a obra de um dos maiores filósofos da humanidade, que por incrível que pareça é brasileiro.

Estas palavras, proferidas por Mário Ferreira dos Santos no ápice do seu periódico discurso em uma de suas aulas nos anos 60, contém em si mesmas um significado universal. Elas transpõem aquela sala de aula, elas atravessam a cidade de São Paulo, escapam ao país, dirigem-se ao mundo e atingem outras fronteiras que nem na ordem geográfica se há de contar. É uma oração simples e imperativa que vem das mais profundas aspirações do seu espírito, ao mesmo tempo tão angustiado pela realidade que testemunha e tão esperançoso nas possibilidades que talvez só ele entreveja. Mário estava explicando o porquê das pessoas do seu tempo levarem tão a sério filosofias que ele julga já estarem refutadas com antecedência de séculos. O que começara como uma breve resposta a uma pergunta de um aluno acabou se estendendo para uma exortação. Percebe-se claramente que a voz do professor vai se alterando, ganhando dissonância. Não há nervosismo, não há exaltação, não há ódio, não há rancor, mas uma convicção assustadora pela forma com que se contém em sua própria grandiosidade. Há um desparelhamento entre a formalidade da aula e a causa final que subjaz o espírito daquele filósofo. Algumas palavras saem com certa dificuldade, como que premidas pelo vigor de quem deseja inundar o mundo inteiro com suas respostas. Mário já estava a poucos anos de sua morte; cada novo livro lançado, cada aula, cada investida em uma idéia de filosofia brasileira exalava como um sopro final. Mas ele opera uma síntese que abrigará todo o sentido que deseja impor: “...e é por isso que eu conclamo...” Dirige-se à platéia da aula, mas a sua voz quer se dirigir ao mundo, empregando o substantivo universal das mudanças culturais, “...conclamo à juventude...”, como se a própria força da palavra exigisse uma repercussão imediata. Ele faz uma pequena pausa; parece tomar fôlego para uma investida ainda mais cataclísmica. Finalmente, despeja aquela que é sua maior esperança: uma “juventude que estude”. O verbo retumba no estampido da segunda sílaba, provavelmente o ponto mais alto do volume naquela gravação, como um disparo seco da realidade. Mas a sua alma prossegue inabalável, reta, porque convicta. “...e é por isso que eu conclamo à juventude que estude para que...” e o resto se nos torna inaudível, como se nada mais depois daquilo fosse ter importância. O silêncio então nos diz: pare aqui, você já ouviu o suficiente, vá estudar e não se entregue às modas e às contingências. Mais do que tudo, não se deixe levar pela modorra, pela prostração intelectual, pelos comodismos que o mundo hoje tanto nos oferece. A conclamação de Mário à época, 40 anos atrás, já era mais do que pertinente, que dirá hoje em dia. Não se trata de uma ordem assoberbada, mas de uma imposição que vem desde a própria verdade. Se algo da verdade não se deixou falar pelas palavras de Mário Ferreira dos Santos, resta-nos mesmo o agnosticismo. E não penso que a exortação de Mário se dirigisse somente aos jovens das escolas, das faculdades, dos comícios, mas aos jovens de intelecto, aos homens entregues a uma compreensão equivocada do mundo, aos homens cujas inteligências ainda não atingiram uma maturidade suficiente para de fato formar juízos que fundamentem o seu agir. Como podem estes jovens do mundo moderno bradarem aos quatro ventos a sua independência se não possuem nem mesmo uma independência intelectual? Entenda-se independência intelectual não em seu sentido grosseiro, de alguém dedicado a construir toda uma cosmovisão a partir do próprio umbigo, mas de alguém cuja mente pense por si mesma, buscando a verdade nos seus mais distintos recônditos, estudando com honestidade os problemas do pensamento humano sem jamais se desvincular daqueles homens que deixaram as grandes respostas.
E Mário Ferreira dos Santos, meus amigos, foi um destes homens.
"A luta toda se resume em impor uma escala de valores. Por exemplo, a juventude brasileira por qual escala de valores vai lutar? Ela precisa saber. Vai pela utilitária? Pela nobre? Ou pela sagrada? Ela tem que saber, ela tem que escolher uma escala de valores pela qual vai lutar, já que tem no Brasil um papel importante, porque o Brasil é um país sem elite e a juventude universitária é a elite. (...) O Brasil não deve se preocupar com os pseudos valores, quer dizer com aqueles valores que não são genuinamente nossos, e este é um tema que merece ser estudado".

Trechos de palestra no Centro Convivium, em 1967

A mínima maturidade que o jovem precisa possuir é aquela que o convença a estudar. A essência humana não se constrói sem uma caminhada filosófica, sem uma dedicação ao melhor entendimento da verdade. A única vantagem da “juventude de espírito” é o seu vigor, e só neste sentido é que o homem deveria permanecer jovem por toda sua vida.
Foi este vigor que nos impeliu a idealizar a revista eletrônica Filosofia Concreta. Foi esta nossa juventude de espírito que nos fez entender que algo deve ser feito para resgatar o pensamento desse grande filósofo, que nos ajudará também a resgatar o respeito pela verdade e pelo estudo.
O abandono a que Mário foi relegado nos últimos 30, 40 anos a nós parece um fenômeno aterrador da natureza, como um milagre virado do avesso. Por que sumir com um homem de tamanha erudição e temperança, dedicado a aproveitar os fachos de verdade existentes em cada filosofia estudada, sem jamais romper com toda a potencialidade do pensamento humano? Por que esquecer um filósofo tão sábio em seu ecletismo, capaz de unir satisfatoriamente Pitágoras a Hegel, Aquino a Nietzsche, Suárez a Proudhon? Por que negligenciar uma obra que conta com mais de 60 títulos, abarcando temas como Ontologia, Gnoseologia, Lógica, Teologia, Simbólica, Psicologia, Sociologia, Economia e até Oratória? Como se reduz a quase nada a importância de um empreendimento como a Filosofia Concreta? Talvez estas perguntas sejam só mais umas entre as tantas cujas respostas só o estudo dedicado nos forneça. Atendendo à conclamação de Mário, apresentaremos aqui alguns dos frutos de nossos estudos. O espaço é dedicado à exposição e investigação dos temas que o pensador brasileiro propôs, mas o nosso grande objetivo é mesmo alimentar o prazer pela investigação filosófica em si, esta que é a mais nobre atividade do intelecto humano, e sem a qual não pode haver resgate de coisa alguma. Convidamos a todos para participarem de tal empreitada.

Renan Santos, 15 de novembro de 2009

Fonte: http://filosofiaconcreta.mercaba.com.br/

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Qual o sentido da filosofia?

Mário Ferreira dos Santos – Palestra no Centro Convivium, 1964
Não há uma única, só há a filosofia, porque ela como já definiu muito bem Pitágoras, continua com a sua definição, ela nada mais é do que o amor a sabedoria. Pitágoras, numa aula de geometria, em que fazia a demonstração de um teorema indicou um caminho. Ele disse que devia se fazer a filosofia “a more geométrico”, também com demonstrações rigorosas e apodíticas. Se procedermos assim a filosofia não será motivo de divergências humanas, mas de aproximação.
A matemática não tem divergências, porque ela entrou no campo especulativo e entrou na demonstração rigorosa, o que existe de divergência é que pode haver é na parte de aplicação, na parte prática. É lógico que não pode atingir a perfeição incomutável. O triângulo perfeito será
sempre relativo, o que há necessidade é de dar a filosofia outro sentido, se a filosofia for construída assim é uma só, então encontramos uma filosofia perene, positiva e perene através dos séculos, através dos milênios.
Filosofia que vem vindo através dos gregos, através dos pitagóricos, socráticos, platônicos, aristotélicos, através da escolástica, através dos grandes árabes até nós. Agora estamos numa fase de confusão, porque a filosofia está sendo invadida por estetas e o espírito do esteta, o espírito romântico é destrutivo, pois ele acha que a filosofia é subjetiva, pessoal. A nossa luta é voltar outra vez a estrada real, aquela estrada real que é nossa, que é patrimônio da humanidade. Filosofia não é filodoxia, filosofia não é o campo dos palpites, não é o campo das opiniões, na filosofia não há lugar para opinião. Quando se diz “qual é a sua opinião” não se está mais fazendo filosofia, está se fazendo filodoxia. Filosofia tem que se demonstrar, se não se pode demonstrar então fica em suspenso, continua se investigando até que se chegue a demonstração rigorosa. Porém não se vai encontrar uma explicação apodítica de fatos contingentes, querer reduzir os fatos da ciência a um sentido especulativo e de raciocínios apodíticos absolutos não se vai conseguir, são sempre prováveis e este é o campo da probabilidade da ciência. É provável, por exemplo, que aquela pedra que está solta vá cair, mas não há nenhuma necessidade absoluta que ela caia, é outra coisa.
Hoje em dia se faz muitas confusão, há muitas tendências, muitas escolas. As questões que existem na escolástica são questões abertas, mas em regra geral todos os escolásticos têm uma unidade, há um pensamento entre eles que é unitário, que forma uma unidade, dá uma corporeidade, dá uma tensão a escolástica, assim como existe no pitagorismo apesar das divergências entre os pitagóricos. Chamamos nossa filosofia de concreta, porque ela é uma filosofia positiva que busca concrecionar os aspectos positivos de todo o filosofar, tudo o que expomos demonstramos apoditicamente e o mais possível, evitando o termo médio, quer dizer
evitando o raciocínio da razão, porque o raciocínio propriamente racional que é o da ciência é precisamente aquele que usa o termo médio, procuramos evitar o mais possível, embora nem sempre seja possível evitar.

Nota: Quando a obra de um filósofo de tamanha importância é ignorada nas universidades é porque há alguma coisa de errado nisso. Ou a obra é realmente muito falha que não valha a pena adota-la ou o nível dos professores é muito falha que não a percebem. Infelizmente a maioria de nossas universidades está no segundo caso, ignorando por completo uma obra monumental que após sua leitura ver-se-ia de imediato o besteirol sofista adotado como verdades até hoje por inúmeros "pensadores", que não chegam a ser filósofos. A obra do Mário, ao que me parece é uma ameaça constante as inúmeras teses defendidas e tidas como verdades absolutas, dando aos seus autores o título de intelectual, sendo este bem aceito na cúpula que o absorve. Adotar o estudo do Mário me vez ter que rever totalmente os quatro anos de faculdade, vendo que noventa por cento do que eu tinha estudado não passava de um conhecimento travestido de filosofia, mas que contém erros grosseiros que não passaria despercebidos nem por um aluno iniciante de filosofia medieval.