Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Anos Incríveis - Série de TV

The Wonder Years
Anos Incríveis (em inglês : The Wonder Years) foi uma série americana de televisão criada por Carol Black e Neal Marlens. Durou seis temporadas na rede americana ABC, de 1988 a 1993. No Brasil, o programa já foi exibido pela TV Cultura, TV Bandeirantes, Multishow e Rede 21, até voltar à TV Cultura.

Anos Incríveis apresentou as questões sociais e os eventos históricos do final dos anos 60 e início dos anos 70 através dos olhos do protagonista Kevin Arnold, que também vive os assuntos da adolescência (principalmente com seu grande amigo Paul e sua paquera , Winnie Cooper, problemas familiares e outros. Enquanto se passam as histórias, os acontecimentos são narrados por um Kevin mais velho e experiente, que descreve o que acontece e conta o que aprendeu de suas experiências. Esta técnica serviu de inspiração a outras séries.

A música de abertura é uma versão de Joe Cocker da música dos BeatlesWith a Little Help from My Friends”.

Personagens principais


Kevin Arnold (Fred Savage) - Um estudante americano típico freqüentando a escola secundária no final dos anos 60 e início dosanos 70.

Gwendolyn "Winnie" Cooper ( Danica Mc Kellar) - Interesse amoroso principal de Kevin. Vive no mesmo quarteirão que ele. O primeiro beijo de ambos e a morte de seu (dela) irmão mais velho no Vietnã têm importante papel no episódio-piloto. Em um dos episódios seus pais decidem se divorciar , como resultado da tristeza pela morte do filho.

Paul Pfeiffer (Josh Saviano ) - Melhor amigo de Kevin. Extremamente inteligente e excelente estudante. Ele é alérgico a quase tudo.

Jack Arnold ( Dan Lauria ) - O pai de Kevin, veterano da Guerra da Coréia. Inicialmente, trabalhava na Norcom, uma empresa grande, mas em uma posição mediana de gerência que ele detestava. Mais tarde, começa seu próprio negócio construindo e vendendo mobília feita a mão.

Norma Gustavson Arnold (Alley Mills) - Mãe de Kevin e dona-de-casa. Conheceu Jack quando era caloura na faculdade. Quando ele terminou o curso, ela se mudou com ele e não terminou o curso.

Karen Arnold (Olívia D´Abo) - Irmã hippie mais velha de Kevin. Ela se casa e se muda para oAlasca. Faz uma participação especial no último episódio.

Wayne Arnold (Jason Hervey ) - Irmão mais velho de Kevin, diverte-se atormentando física e psicologicamente Kevin e Paul.

Lista de episódios

1ª Temporada
01 - "Pilot" - Piloto

02 - "Swingers" - Os Balanços

03 - "My Father's Office" - O Escritório do Meu Pai

04 - "Angel" - Anjo

05 - "The Phone Call" - O Telefonema

06 - "Dance With Me" - Dance Comigo


2ª Temporada
07 - "Heart of Darkness" - Na Escuridão

08 - "Our Miss White" - A Senhorita White

09 - "Christmas" - Natal

10 - "Steady as She Goes" - Namorando

11 - "Just Between You and Me...and Kirk and Paul and Carla and Becky" - Só Entre Mim, Você, Kirk, Paul, Carla e Becky

12 - "Pottery Will Get You Nowhere" - A Cerâmica Não Leva a Lugar Nenhum

13 - "Coda" - Coda

14 - "Hiroshima, Mon Frere" - Hiroshima, Meu Irmão

15 - "Loosiers" - Pernas de Pau

16 - "Walk Out" - A Manifestação

17 - "Nemesis" - Nêmesis

18 - "Fate" - Destino

19 - "Birthday Boy" - O Aniversário

20 - "Brightwing" - Asa Brilhante

21 - "Square Dance" - A Quadrilha

22 - "Whose Woods Are These?" - De Quem São Essas Terras

23 - "How I'm Spending My Summer Vacation" - Minhas Férias

· 3ª Temporada

24 - "Summer Song" - Canção de Verão

25 - "Math Class" - Aula de Matemática

26 - "Wayne on Wheels" - Wayne Motorizado

27 - "Mom Wars" - Guerras Com Mamãe

28 - "On the Spot" - O Holofote

29 - "Odd Man Out" - O Rejeitado

30 - "The Family Car" - O Carro da Família

31 - "The Pimple" - A Espinha

32 - "Math Class Squared" - O Professor de Matemática

33 - "Rock 'n Roll" - Rock'n Roll

34 - "Don't You Know Anything About Women?" - Você Não Entende Nada de Mulheres

35 - "The Powers That Be" - O Poder Constituido

36 - "She, My Friend, and I" - Ela, Meu Amigo e Eu

37 - "St. Valentine's Day Massacre" - O Massacre do Dia Dos Namorados

38 - "The Tree House" - A Casa na Árvore

39 - "Glee Club" - O Coral da Oitava Série

40 - "Night Out" - A Festa

41 - "Faith" - Fé

42 - "The Unnatural" - Nada Natural

43 - "Goodbye" - Adeus

44 - "Cocoa and Sympathy" - Chocolate e Simpatia

45 - "Daddy's Little Girl" - A Queridinha do Papai

46 - "Moving" - A Mudança

· 4ª Temporada
47 - "Growing Up" - Crescendo

48 - "Ninth-Grade Man" - O Homem da Nona Série

49 - "The Journey" - A Viagem

50 - "Cost of Living" - O Custo de Vida

51 - "It's a Mad, Mad, Madeline World" - O Mundo Maluco de Madeline

52 - "Little Debbie" - A Pequena Debbie

53 - "The Ties That Bind" - Os Laços Que Nos Unem

54 - "The Sixth Man" - O Sexto Homem

55 - "A Very Cutlip Christmas" - Feliz Natal Senhor Cutlip

56 - "The Candidate" - O Candidato

57 - "Heartbreak" - Um Coração Partido

58 - "Denial" - A Recusa

59 - "Who's Aunt Rose?" - Quem é Tia Rose?

60 - "Courage" - Coragem61 - "Buster" - Buster

62 - "Road Trip" - Na Estrada

63 - "When Worlds Collide" - Quando Mundos se Chocam

64 - "Separate Rooms" - Quartos Separados

65 - "The Yearbook" - O Anuário66 - "The Accident" - O Acidente

67 - "The House That Jack Built" - A Casa Que Jack Construiu

68 - "Graduation" - A Formatura69 - "Looking Back" - Recordando

· 5ª Temporada
70 - "The Lake" - O Lago

71 - "Day One" - O Primeiro Dia

72 - "The Hardware Store" - A Loja de Ferragens

73 - "Frank and Denise" - Frank e Denise7

74 - "Full Moon Rising" - A Lua Cheia

75 - "Triangle" - O Trângulo

76 - "Soccer" - Futebol

77 - "Dinner Out" - Jantando Fora

78 - "Christmas Party" - Festa de Natal

79 - "Pfeiffer's Fortune" - A Fortuna Dos Pfeiffer

80 - "Road Test" - A Carta de Motorista

81 - "Grandpa's Car" - O Carro do Vovô

82 - "Kodachrome" - Leituras Coloridas

83 - "Private Butthead" - O Nosso Idiota

84 - "Of Mastodons and Men" - De Mastodontes e de Homens

85 - "Double Double Date" - Encontros e Desencontros

86 - "Hero" - Herói

87 - "Lunch Stories" - Histórias de Almoço

88 - "Carnal Knowledge" - Ânsia de Amar

89 - "The Lost Weekend" - O Fim de Semana Perdido

90 - "Stormy Weather" - Tempestade

91 - "The Wedding" - O Casamento

92 - "Back to the Lake" - De Volta ao Lago

93 - "Broken Hearts and Burgers" - Corações Partidos e Hamburguers


6ª Temporada
94 - "Homecoming" - Voltando Pra Casa

95 - "Fishing" - A Pescaria

96 - "Scenes from a Wedding" - Cenas de um Casamento

97 - "Sex and Economics" - Sexo e Economia

98 - "Politics as Usual" - Politica Como Sempre

99 - "White Lies" - Pequenas Mentiras

100 - "Wayne and Bonnie" - Wayne e Bonnie

101 - "Kevin Delivers" - As Entregas de Kevin

102 - "The Test" - O Exame

103 - "Let Nothing You Dismay" - Não Deixe Que Nada o Desanime

104 - "New Year" - Ano Novo

105 - "Alice in Autoland" - Alice no País Dos Automóveis

106 - "Ladies and Gentlemen...The Rolling Stones" - Senhoras e Senhores... Os Rolling Stones

107 - "Unpacking" - Recomeçando

108 - "Hulk Arnold" - Hulk Arnold

109 - "Nose" - O Nariz

110 - "Eclipse" - O Eclipse

111 - "Poker" - Pôker

112 - "The Little Women" - Mulheres

113 - "Reunion" - A Reunião

114 - "Summer" - Verão

115 - "Independence Day" - Dia da Independência ( Último epsódio )

http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Wonder_Years

Vísceras - Domingos Barroso

Penso seriamente
em sair sábado.

Vestir-me com zelo,
piscar para o espelho
[sorrir diabólico]

Uma energia abissal
Já me traga

deixando sobre a mesa
solitária a fruteira

e sobre o armário
aquela flor agora curva.

Pensando bem,
ainda não é tempo
de queimar os ossos.

Minha urna funerária
perdi em meio a bagunça

das caixas marrons
cuecas encardidas

livros antigos
versos rasgados

cascas de laranja
ossos de galinha

vestígios macabros
da primeira separação.

[Talvez seja o momento
de jogar as sementes de mucunã

na toalha branca engomada
e invocar os orixás ]

Domingos Barroso

Um frio febril - por José do Vale Pinheiro Feitosa

Uma vez corpos vivos retemos tempo e calor. Ao tempo inventamos, ao calor produzimos. O tempo como fração do universo ao calor natureza do cosmo.

O tempo é elástico. Expande-se naquilo que se denominou espaço. Mas o calor é primordial, tende a esgotar-se na elasticidade do tempo.

Ambas as retenções que conceituam nossos corpos vivos estão no cosmo e temos uma dificuldade imensa de imaginar que pela natureza elástica, não tenham um estado de origem. Uma vez que o tempo se elastece somos levados irremediavelmente para imaginar uma origem de máximo repouso desta natureza elástica. Igualmente se deve ao calor igual paradigma, localizando-o em primórdio explosivo quando surgiu o calor.

Acontece que nenhum corpo vivo se origina espontaneamente no cosmo. Há uma descendência e, portanto, uma gênese. Isso significa que nenhum ser vivo tem um lugar ou um tempo ou um calor devido no cosmo. Todos dependem da originalidade e suas conseqüências (que se diga não deixa de ser uma parte da originalidade).

Ao que dialogo com você em estado febril. Após uma alternância entre o frio do outono italiano, seus trens e prédios em estágio de produção de calor em ambiente de calefação. Tantas tosses, igualmente assoadas nas narinas (nisso os europeus são escrachados, fazem um canto nasal úmido em pleno restaurante), por momento suores e noutro a frígida natura com olhar nas montanhas e seus picos nevados.

Com o centro do compasso no lago de Como girando por Zurique, Lugano, Turim e Milão. Toda a vizinhança do planeta em seu hemisfério norte pronto para o inverno com aquele frio que é frio mesmo se não venta. Mais ainda frio se uma brisa contempla todas as nossas fossas e transita na superfície como em busca do mais profundo do nosso corpo.

Eis o frio externo. O frio que está fora de nós e vem como um exército para nos conquistar.

Mas já nos trópicos escaldantes deste Rio de Janeiro, tão belo e sujeito a chuvas e trovoadas, outro frio me dominou o corpo. Um frio que vem do calor. Um frio sem externalidade. Um frio que vem de dentro, com tremores sob qualquer variação deste tão homogêneo tempo quente de verão carioca. É um frio de filigranas, um ventilador que assopre qualquer vento todo o corpo se abala numa calda instável de “morte e de dor”.

Mesmo que a cabeça esteja escavada por tanta bacteriemia, o corpo dolorido de uma sova jamais sofrida, é no âmago de meu corpo que nasce este frio febril. Um frio que na vizinhança do possível nos afaga com a verdade que o corpo se conceitua em tempo e calor. Sem os dois é apenas matéria comum sem originalidade, gênese ou conseqüências.

A poesia de Domingos Barroso

Eternidade

Não leves a sério
teus sonhos -

são filhos do vento, das nuvens
dos grãos de areia, dos búzios.

Observa-lhes o esplendor
da morte súbita.

Acalma-te -
logo mais tarde

outras mortes,
vêm mais sonhos.

Por enquanto,
contenta-te

com o cursor
piscando.


a solidão do parasita

Caso fechasse os olhos
agorinha mesmo para sempre

pensaria em ti
cuidando dos meus despojos

e plantando a árvore
que esqueci.

Se a febre
me queimasse as retinas
ficasse cego dentro da tua alma

sei que não seria triste
nem muito difícil

encontrar teu silêncio
e nele envolvido
abrigar-me.

Mas deixemos de tolices,
prepara-me um banquete.

Apenas não te esqueças:
quero as verduras lavadas
com o perfume das tuas mãos.

Maturar-se


O vento
mesmo fraquinho
quando bate nas minhas pernas
arrasta meu corpo

enquanto alguma coisa dentro
(alma, talvez vazio)
um centímetro não se move.

Da mesma forma
debaixo do chuveiro

cabelos molhados
cílios, unhas, cutículas

mas algo dentro
(alma, talvez vazio)
continua fogo aceso.

Deitado agora
na cama box solteiro

as pernas cruzadas
os dedos dos pés siameses

tenho clara ideia da minha presença -
a boca do estômago se contrai
involuntariamente.

Lá fora
as calçadas desafiam-me:

"vem, poeta
descobrir nossos segredos
de meio-fio"

Travessuras

Quando criança
fiz delicadas cirurgias
no abdome de lagartixas -

era comum extrair-lhes
pequenos besouros
e sementes.

Também normal
submeter as cigarras
ao exame de próstata -

do palito de fósforo uma estaca
enfiava-lhes entranhas adentro.

Cruzavam paralelos, canteiros, eixos, calçadas
igualzinho a helicópteros de guerra americanos.

Entretanto
o que mais me extasiava -

pisar nas bundinhas das tanajuras
em noite de calçadas chuvosas.

Havia quem saboreasse
tal iguaria ao óleo.

Eu tinha nojo -
e com meu tênis kichute

continuava a esmagar-lhes
as suntuosas bundinhas.


a flacidez da alma

Ao teu redor
as flores sorriem

e a hóstia suplica
um pouco de vinho.

Não estás salvo,
foge -

mergulha a cabeça
dentro do vaso sanitário.

Conta até 60.

Não acredito:
nem um minuto consegues
debaixo do teu próprio mijo?

Antigamente
com a concha da mão cheia
curavas até tua dor de ouvido.

Lembras?

Deixa de nojo patético
e mergulha -

Agora conta até 120.

Museu Carlos Costa Pinto - Salvador - Bahia

Histórico

A Fundação Museu Carlos Costa Pinto é uma instituição cultural particular mantida através de convênio com o Governo do Estado da Bahia.

A casa onde está instalado o Museu, projeto dos arquitetos Euvaldo Reis e Diógenes Rebouças, em estilo Colonial Americano, data de 1958. Destinada inicialmente à residência da família, nunca foi habitada. Sofreu adaptações para comportar a sua nova função.

Quarto Principal

Inaugurado em 5 de novembro de 1969, e situado no corredor da Vitória, na cidade de Salvador, o Museu Carlos Costa Pinto tem origem na coleção particular do comerciante e exportador de açúcar Carlos Costa Pinto (1885 - 1946), reunida ao longo de 30 anos. Instalado no casarão em estilo colonial americano pertencente à família, o museu possui um acervo de cerca de 3.000 obras de artes decorativas dos séculos XVII ao XX: mobiliário, ouriversaria, porcelana, cristais, jóias etc. Formada a partir da aquisição de bens de famílias tradicionais da cidade, a coleção conta com objetos que decoravam as residências da Bahia colonial e imperial - os sobrados do Pelourinho e os engenhos do Recôncavo, por exemplo -, assim como os interiores de conventos e igrejas. As peças de origens diversas, relacionadas à cultura e vida social baiana, mostram aspectos do cotidiano e da história da região no correr de quatro séculos.


Galeria Superior

Um dos destaques do Museu é a coleção de pratarias (religiosa, civil e regional), uma das maiores do Brasil, exposta de acordo com a função dos objetos. Da ourivesaria sacra podem ser vistos objetos litúrgicos variados: cálices; cruzes e lanternas processionais; vasos para água e vinho; castiçais, conchas de batismo etc.

Sandália de estribo feminina prata da Bahia século XIX

Da ourivesaria civil (ou profana), melhor representada, fazem parte objetos de uso cotidiano e aqueles utilizados em ocasiões especiais, como nascimentos, casamentos, saraus e batizados. Galheteiros, bandejas, tigelas, cestas, cafeteiras, castiçais, candelabros, serviços de chá, entre muitas outras peças, permitem vislumbrar os interiores domésticos e os hábitos diários. O conjunto, por sua vez, fornece um retrato preciso da opulência das elites baianas e das igrejas nos períodos Colonial e Imperial. Embora as peças de prata da coleção sejam quase todas portuguesas e brasileiras (sobretudo baianas), há alguns exemplares vindos da França, Inglaterra e Alemanha. A maioria das peças pertence à segunda metade do século XVIII - considerado o auge da ourivesaria -, algumas pertencem ao século XVII e poucas ao século XIX.

As jóias constituem outro ponto alto da coleção do Museu. Por meio delas é possível conhecer não apenas os adereços que adornam as imagens sacras, mas também as jóias usadas pelas mulheres das elites e aquelas que compõem o traje das crioulas baianas. A riqueza dos adornos das escravas domésticas e das libertas chama a atenção dos pesquisadores, levando-os a se perguntar sobre as formas de mobilidade e distinção social na sociedade colonial. Os escravos domésticos, apontam os pesquisadores, seguem os senhores no trajar, sobretudo em ocasiões solenes. Além disso, as restrições ao luxo no vestuário são sistematicamente burladas por mucamas e amas-de-leite. As alforriadas, por sua vez, utilizam as jóias não apenas como sinal de distinção, mas como forma de acumular bens, destinados à sobrevivência e à compra da liberdade de parentes. As jóias de crioula, como são conhecidas, compõem o traje domingueiro das baianas como também aqueles usados em cerimônias e procissões. Têm como características principais o volume, o brilho e a variedade: correntões, pulseiras e brincos de formas diversas, em geral de ouro (embora não sejam peças maciças). Nesse conjunto, as pencas de balangandãs ocupam lugar à parte, por sua originalidade. Levadas junto ao corpo, presas a uma corrente, as pencas reúnem objetos de metal com formas variadas, agrupados numa base denominada "nave" ou "galera": moedas, figas, chaves, dentes, romãs, cocos de água etc. Os elementos que compõem as pencas de balangandãs são reunidos em função de seus sentidos mágicos e rituais. São talismãs e amuletos que afastam "mau-olhado", que trazem sorte, que "abrem portas e caminhos", ou que indicam "fartura", "riqueza" etc. A coleção do Museu possui 27 pencas de balangandãs de prata, datadas dos séculos XVIII e XIX.


Ouro, ametista e pérola século XIX

Em 2000, o Museu Carlos Costa Pinto passa por um processo de revitalização de suas instalações, de acordo com nova orientação museológica. A ampliação da área destinada ao público, a implantação de um novo sistema expositivo, além de um melhor sistema de climatização e iluminação têm como objetivo central a valorização das coleções. Além disso, intensificam-se, a partir daí, as atividades destinadas a um público diverso por meio do departamento de educação, e da realização de exposições, palestras, cursos, ciclos de cinema, entre outros eventos. O Museu retoma, com isso, uma política de realização de exposições temporárias, por exemplo: O Sagrado e o Profano na Coleção Beatriz e Mario Pimenta Camargo, 2001, e A Sedução das Jóias - Séculos XVIII e XIX, 2005.

Cristais

Mais de 216 peças de cristal da coleção do Museu Costa Pinto foram feitos na França. São cristais Baccarat ,uma das mais importantes fábricas de cristais do mundo, símbolo de perfeição, datam do século XIX.
Lustre de cristal e lâmpadas de opalina
Esculturas

São 22 pequenas peças em mármore,bronze e terracota feitas na Europa e Brasil no século XIX e XX por artistas tais como Hugo Bertazzon, G. Besji, Pasquale de Chirico, Alfred Gilbert, Gorys, A . Guadez, Haulot, José Otávio Correia Lima, Antônio Teixeira Lopes, M. Moreau, Archile D'Orsi, and E. Villanis.
Colombina,Pierrot e Arlequim - escultura em bronze e marfim- Inglaterra século XIX

Joalheria

Ouro e prata incrustrados com pedras preciosas polidas brilham através desta coleção de 675 peças. Este material representa o estilo de vida da Bahia nos séculos XVIII e XIX até o início do século XX. A maioria pertenceu às famílias dos barões do açúcar da Bahia.


O ponto alto alto desta coleção é a Joalheria Crioula,usada pelas mulheres negras – a única recuperada em nossa história.

Joalheria Crioula - Balangandãs
Pinturas

A Coleção de 139 pinturas representa o perpetuação de momentos : refúgios,interiores e pessoas.
Voltamos ao passado através de artistas tais como : Georgina Albuquerque, Alfredo Araújo, Henrique Bernadelli, Gutman Bicho, Artur Alves Cardoso, Castagneto, Henrique Cavalleiro, Carlos e Rodolfo Chambelland, G. Conceição, Milton da Costa, Raul Deveza, Fausto Gonçalves, Maurice Grun, Horácio Hora, Francisco Manna, Mendonça Filho, Manuel Paraguassú, Antônio Parreiras, Pedro Peres, Manuel H. Pinto, J. Rodrigues, Manuel Lopes Rodrigues, João Francisco Lopes Rodrigues, Virgílio Lopes Rodrigues, Bustamante Sá, Mirabeau Sampaio, Sante Scaldaferri, Oscar Pereira da Silva, Presciliano Silva, João Thimoteo, Alberto Valença, Simão da Veiga, Eliseu Visconti, Rescala, Carlos Bastos, Albano Neves Sousa, Jenner Augusto, Emídio Magalhães, Lígia Milton and Jorge Costa Pinto.


"Velho Gaspar" Óleo sobre tela -1891- Manoel Lopes Rodrigues
Porcelanas

A coleção de porcelanas inclui 652 peças de porcelana chinesa (Powder-Blue, Batavian, Imari, Rose Family, Blue Family, e Macao) , japonesa e européia.


Coleção de Prata

A coleção de prata é a maior do Museu.compreende 923 itens,incluindo sagrado,secular e objetos regionais, utilitários e decorativos ,datados do século XVII ao século XX e feitos no Brasil, Portugal, Inglaterra,França e Alemanha.


Miscelânea

Esta coleção inclui 218 peças agrupadas em séries de coleções menores: peças em bronze,marfim,vidro opalina,porcelana biscuit,madre-pérola entre outras.

Leque madre-pérola século XIX




Caixa de chá em laca e prata





Pena de ouro - Século XIX
Imagens
As 43 estátuas sagradas são feitas em madeira policromada e marfim e datam do século XVII ao século XIX. Essas figuras eram feitas em Portugal, Goa, Bahia e Espanha.


Santa Eulália - madeira policromada século XIX - Europa

O Casal

Carlos de Aguiar Costa Pinto nasceu em 24/12/1885, em Salvador - Bahia. Era filho de Joaquim da Costa Pinto e Sophia Henriqueta de Aguiar Costa Pinto.Iniciou sua carreira profissional na Magalhães e Cia., empresa importadora e exportadora, chegando ao cargo de diretor presidente.Importante colecionador de obras de arte, reuniu ao longo de sua vida significativa coleção, fazendo com que permanecesse na Bahia um dos mais importantes acervos do país.Faleceu em 07/12/1946, com 60 anos, sem ter realizado o sonho que seria a instalação de um Museu.

Margarida Ballalai de Carvalho Costa Pinto nasceu em 02/12/1895. Era filha de João Pereira de Carvalho e Helena Ballalai de Carvalho, tradicional família baiana. Casou-se com Carlos Costa Pinto aos 17 anos. Não tiveram filhos.

Os seus objetos de toucador, leques de tartaruga e madrepérola, porta-buquês de lava e coral, e suas jóias ela dando um exemplo de desprendimento, doou para a coletividade essa fortuna, preservando na Bahia, a memória de três séculos de arte, cultura e literatura.

Ao doar as peças de sua coleção, constituindo uma fundação e instituindo o Museu Carlos Costa Pinto, também conhecido como "Museu da Prata", D. Margarida iria dar à coletividade um exemplo superior de desprendimento, preservando para a Bahia, a memória de três séculos de arte, cultura e literatura.Faleceu em 23/03/1979, com 83 anos.


Endereço: Avenida Sete de Setembro, 2.490 (Vitória) - Salvador /Bahia - Brasil. Tel: (75) 336-6081 Visitação: 2ªs, 4ªs e 6ªs feiras, das 14:30 às 19:00hs; sábados, domingos e feriados, das 15:00 às 18:00 hs.

Pesquisa e Imagens


http://www.museucostapinto.com.br/
http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=instituicoes_texto&cd_verbete=4983

Almas Gêmeas - por Rosa Guerrera


Não acredito nas chamadas almas gêmeas. Não acredito duas pessoas idênticas no pensar, no viver, no sofrer e no amar. Não acredito nessa chamada realização total cognominada gêmea.Acredito sim, que pessoas possuam capacidade de complementação, não por serem metades, mas por possuirem inteligência suficiente e disposição para saber dividir objetivos comuns nas dores e nas alegrias da vida.

Cada uma trazendo por inteiro o seu coração.
rosa guerrera

Por Ana Cecília S. Bastos


Alguém transpôe o limiar de estar íntimo.
Onde outros comporiam as roupas,
eu escondo escritos
(ana cecília)

Guilherme Tell - A lenda



Guilherme de Bürglen era conhecido como um especialista no manejo da besta. Na altura, os imperadores Habsburgos lutavam pelos domínios de Uri e, para testar a lealdade do povo aos imperadores, Hermann Gessler, um governador austríaco tirano, pendurou num poste um chapéu com as cores da Áustria, numa praça de Altdorf. Todos que por lá passassem teriam de fazer uma vénia como prova do seu respeito. O chapéu era guardado por soldados que se certificariam que as ordens do governador fossem cumpridas.

Um dia, Guilherme e seu filho passaram pela praça e não saudaram o chapéu. Prenderam-no imeditamente e levaram-no à presença do governador que, reconhecendo-o, o fez, como castigo, disparar a besta a uma maçã na cabeça do filho. Tell tentou demover Gessler, sem sucesso; o governador ameaçaria ainda matar ambos, caso não o fizesse.

Tell foi assim trazido para a praça de Altdorf, escoltado por Gessler e os seus soldados. Era o dia 18 de Novembro de 1307 e a população amontoava-se na expectativa de assistir ao castigo (e, sobretudo, ao seu culminar). O filho de Guilherme foi atado a uma árvore, e a maçã foi colocada na sua cabeça. Contaram-se 50 passos. Tell carregou a besta, fez pontaria calmamente e disparou. A seta atravessou a maçã sem tocar no rapaz, o que levaria a população a aplaudir os dotes do corajoso arqueiro.

Não obstante, Guilherme trazia uma segunda seta. Gessler, ao vê-la, perguntou por que ele a trazia. Tell hesitou. Gessler, apressando a resposta, assegurou-lhe que se dissesse a verdade, a sua vida seria poupada. Guilherme respondeu: "Seria para atravessar o seu coração, caso a primeira seta matasse o meu filho".

Indignado, Gessler mandou o rebelde para a prisão alegando que dignaria a sua promessa deixando-o viver — mas preso, no castelo de Küsnacht. Guilherme foi levado acorrentado de imediato para um barco em Flüelen, onde esperou que Gessler e seus soldados embarcassem. Não muito distante do porto, deu-se uma tempestade. O Föhn, um vento do Sul, causava ondas tão altas que dificultou a viagem, praticamente arremessando o barco contra as rochas. Os que lá viajavam, assustados, gritaram: "Só Guilherme Tell nos pode salvar!". Gessler libertou Tell, que conduziu barco em segurança ao sopé da Montanha Axenberg, perto de uma rocha chamada Tellsplatte.

Quando amarrou, Tell tirou uma lança a um soldado, saltou do barco e, empurrando-o com os pés, fugiu pelo cantão de Schwyz. Gessler conseguiu sobreviver à tempestade e chegou ao castelo de Küsnacht nessa mesma noite. Tell ter-se-ia escondido nuns arbustos num beco que levaria à residência do governador. Assim que Gessler e os seus apareceram, Tell matou-o com uma seta da sua besta, libertando o país da tirania do governador. Segundo a lenda, este evento marcou o início a revolta que ocorreu a 1 de Janeiro de 1308.

Aleijadinho - arquiteto e escultor brasileiro

Antônio Francisco Lisboa, nosso Aleijadinho, tinha esse apelido devido a uma doença degenerativa que provoca a perda dos membros – discute-se se sífilis, lepra, tromboangeíte obliterante ou ulceração gangrenosa das mãos e dos pés. Nasceu na antiga Vila Rica (atual Ouro Preto), Minas Gerais, filho de um arquiteto português, Manuel Francisco Lisboa, e de uma escrava de quem se sabe apenas o primeiro nome: Isabel.
Aleijadinho foi arquiteto e escultor do Período Colonial, sendo considerado o artista mais importante do estilo Barroco no Brasil. Apesar de, formalmente, só ter recebido a educação primária, cresceu entre obras de arte, já que, além de seu pai, um dos primeiros arquitetos de Minas Gerais, conviveu muito com o tio Antônio Francisco Pombal, conhecido entalhador das principais cidades históricas mineiras.
Aleijadinho deixou mostras de seu talento em Ouro Preto, Sabará, Caeté, Catas Altas, Santa Rita Durão, São João del-Rei, Tiradentes e Nova Lima, cidades de Minas Gerais, onde desenhou e esculpiu para dezenas de igrejas. Em Mariana, assinou o chafariz da Samaritana e, a Congonhas do Campo, legou suas obras-primas: as estátuas em pedra-sabão dos 12 profetas (1800-1805) e as 66 figuras em cedro (1796) que compõem a Via-Sacra.
Ocupado com encomendas que chegavam de toda a província, Aleijadinho tinha mais de 60 anos quando começou a esculpir as famosas imagens de Congonhas do Campo. Nessa época, já deformado pela doença que lhe inutilizara as mãos e os pés, trabalhava com o martelo e o cinzel amarrados aos punhos pelos ajudantes. Apesar de ter sido respeitado em sua época, Aleijadinho, após sua morte, foi relegado a um quase esquecimento. O reconhecimento de que sua obra – o Barroco reconstruído dentro de uma concepção rigorosamente brasileira – havia sido a expressão máxima desse movimento no Brasil foi uma conseqüência da Semana de Arte Moderna de 1922.

netsaber

O pensamento de Marcel Proust


Deixemos as mulheres bonitas aos homens sem imaginação.

Só se ama o que não se possui completamente.

Para tornar a realidade suportável, todos temos de cultivar em nós certas pequenas loucuras.

Só nos curamos de um sofrimento depois de o haver suportado até ao fim.

A felicidade é salutar para o corpo, mas só a dor robustece o espírito.

Se sonhar um pouco é perigoso, a solução não é sonhar menos é sonhar mais.

Para quem ama, não será a ausência a mais certa, a mais eficaz, a mais intensa, a mais indestrutível, a mais fiel das presenças?

A sabedoria não se transmite, é preciso que nós a descubramos fazendo uma caminhada que ninguém pode fazer em nosso lugar e que ninguém nos pode evitar, porque a sabedoria é uma maneira de ver as coisas.

As pessoas querem aprender a nadar e ter um pé no chão ao mesmo tempo.

O ciúme é muitas vezes uma inquieta necessidade de tirania aplicada às coisas do amor.

É espantoso como o ciúme, que passa o tempo a fazer pequenas suposições em falso, tem pouca imaginação quando se trata de descobrir a verdade.

Em amor é um erro falar-se de uma má escolha, uma vez que, havendo escolha, ela tem de ser sempre má.

Uma vez descoberto, o ciúme passa a ser considerado por quem é objecto dele como uma desconfiança que autoriza a enganar.


O homem é a criatura que não pode sair de si, que só conhece os outros em si, e, dizendo o contrário, mente.

Os verdadeiros paraísos são os paraísos que se perderam.

Marcel Proust

Iberê Camargo

Artista de rigor e sensibilidade únicos, Iberê Camargo é um dos grandes nomes da arte do século XX. Autor de uma obra extensa, que inclui pinturas, desenhos, guaches e gravuras, Iberê nasceu em Restinga Seca, no interior do Rio Grande do Sul, em novembro de 1914, tendo passado grande parte de sua vida no Rio de Janeiro.
Desde a juventude, mostrou-se atraído por personalidades independentes, como Guignard e Goeldi. Na Europa, estudou com mestres como Giorgio de Chirico, Carlos Alberto Petrucci, Antônio Achille e André LotheAo longo de sua vida, Iberê Camargo sempre exerceu forte liderança no meio artístico e intelectual. Teve sua obra reverenciada em exposições de renome internacional, como a Bienal de São Paulo, a Bienal de Veneza, a Bienal de Tóquio e a Bienal de Madri, e integrou inúmeras mostras no Brasil e em países como França, Inglaterra, Estados Unidos, Escócia, Espanha e Itália.

O pintor morreu aos 79 anos, em Porto Alegre, em agosto de 1994, deixando um acervo de mais de sete mil obras. Grande parte delas foi deixada a sua esposa, Sra. Maria Coussirat Camargo, e integra hoje o acervo da Fundação Iberê Camargo.

Por João Nicodemos


Por João Nicodemos


A sensibilidade de Edmar Cordeiro, em floras












Imagens do Paraná.


Na Semana da Música ... " A Música de Mozart "


Música de Mozart ajuda a curar doenças graves, dizem pesquisadores

da Ansa, em Londres

Especialistas do Instituto de Neurologia de Londres afirmam que a música de Wolfgang Amadeus Mozart(1756-1791) pode funcionar melhor que remédios tradicionais no tratamento de diversos males, até mesmo de doenças complexas como a epilepsia.
Segundo artigo publicado nesta quarta-feira (19) no jornal inglês "Independent", os pesquisadores suspeitaram das qualidades terapêuticas da obra do compositor austríaco quando trataram um paciente de 46 anos que sofria de graves ataques epilépticos e não havia reagido bem a sete tipos de terapias (à base de remédios avançados), e nem mesmo a uma intervenção cirúrgica no cérebro.
Após uma acentuada e inexplicável melhora, os médicos descobriram que o paciente havia começado a escutar a música de Mozart durante cerca de 45 minutos por dia e que seu bem-estar vinha deste novo hábito.
A Universidade de Illinois (Estados Unidos) também relatou, após o caso do paciente inglês, uma situação parecida envolvendo uma criança portadora da síndrome de Lennox-Gastaut (variante rara da epilepsia).
Inteligência

Seguindo os indícios, os médicos descobriram que "doses" de Mozart aumentariam a capacidade matemática e visual, reduziriam o estresse e dores de artrite, além de produzir efeitos positivos no coração e em fetos, no caso de gravidez (estimulando o cérebro do bebê).
Em testes com ratos e carpas, verificou-se melhora no senso de orientação e humor (especialmente com as notas de "Eine Kleine Nachtmusik").
A causa dos efeitos ainda não é tão clara, mas muitos especialistas afirmam que a zona do cérebro que recebe e processa a música é a mesma da percepção espacial, por exemplo. Os estímulos provocados pela complexa e refinada música de Mozart, sobretudo a sonata K448, teriam, portanto, um impacto benéfico na massa cinzenta, organizando e estimulando células nervosas precárias, em um processo comparável a impulsos elétricos.
Em testes com voluntários humanos, verificou-se que, ao escutar a sonata K448 para dois pianos, o quociente de inteligência do grupo cresceu entre oito e nove pontos. Sobre a exclusividade da música de Mozart, e não de outros compositores, os médicos arriscam que as composições do austríaco trazem uma peculiar técnica de construção musical, baseada em temas circulares com intervalos fixos e variações moduladas do motivo principal.

Professores, alunos e funcionários do Curso de Ciências Econômicas da URCA prestam homenagem a Alderico Damasceno


Menos de 12 horas após ser sepultado, Alderico de Paula Damasceno foi alvo de uma singela, porém significativa homenagem dos professores, alunos e funcionários do Curso de Economia da URCA.

Na noite de ontem, 17/11, em vez de aula e trabalho, os corpos docente, discente e os funcionários do Curso de Ciências Econômicas da Urca prestaram um merecido e inadiável tributo a Alderico de Paula Damasceno, que durante sua profícua e longeva permanência como professor do Departamento de Economia dessa Universidade, construiu uma sólida relação de amizade e respeito para com todos.

O Salão da Terra, no Campus do Pimenta, permaneceu lotado durante a solenidade que durou 90 minutos. Muitos estudantes permaneceram todo o tempo em pé, devido à grande quantidade de presentes.

O Coordenador do Curso de Economia, prof. Lima Júnior, que foi aluno de Alderico, coordenou o evento e apresentou outros professores do curso, muitos dos quais também foram alunos do saudoso professor.

O professor Marcos Eliano, atual decano desse Curso, relatou a longa convivência que teve com Alderico, destacando que essa relação antecedeu a própria Faculdade de Filosofia do Crato (instituição embrionária da URCA), pois uma irmã do falecido, Madre Damasceno, era diretora de um educandário de Mauriti, cidade caririense onde Eliano nasceu.

Na sequência, usaram da palavra os professores Felisberto Nunes, Rosemeire Matos, Valéria Pinho, João Luís da Mota, Carlos Rafael, Pedro Veras, Lima Júnior e Micaelson Lacerda, quando foram destacadas várias situações de puro ensinamento ministrado pelo Mestre Alderico, a exemplo da paixão e do amor com os quais exercia o magistério, sua imensa competência no ensino da História e da Economia, além da Geografia e da Filosofia, e sua imensa generosidade para com os colegas, alunos, funcionários e com a própria URCA.

Alderico dedicou cerca de sessenta dos seus noventa anos de vida à educação, quando contribuiu diretamente na formação de várias gerações de estudantes que hoje, na sua grande maioria, são profissionais de proa.

Na URCA, ensinou até os 80 anos de idade, sendo os últimos cinco anos de forma inteiramente gratuita, pois já tinha sido aposentado compulsoriamente ao completar 75 anos. Mesmo assim, passou cinco anos sendo um verdadeiro e talvez um dos únicos “amigos da Universidade”.

Por tudo isso, Mestre Alderico é merecedor de eternos votos de gratidão e homenagem.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Se eu fosse ... - por Rosa Guerrera

Se eu fosse uma estrela, iluminaria todos os semblantes tristes!Se eu fosse o trigo,espalharia pães sobre todas as mesas!Se eu fosse uma árvore,abrigaria todos os corações que sofrem!Se eu fosse um pássaro, cantaria canções para todos os solitários!Se eu fosse a brisa, acariciaria todas as crianças do mundo.Se eu fosse um rio, regaria todas as terras áridas !Se eu fosse uma estrada, arrancaria todos os pedregulhos do caminho.Se eu fosse a justiça, seria mais justa para com os injustos.Se eu fosse um raio, cairia sobre todas as armas nucleares.Se eu fosse cor, seria branca e envolveria na Paz todos os homens, todas as raças e todos os credos.Se eu fosse você, não zombaria desse meu sonho, mas hoje mesmo daria inicio a sua realização.!Quem sabe juntos, não seriamos pioneiros na construção desse novo mundo!

rosa guerrera

A poesia de Domingos Barroso

a flacidez da alma

Ao teu redor
as flores sorriem

e a hóstia suplica
um pouco de vinho.

Não estás salvo,
foge -

mergulha a cabeça
dentro do vaso sanitário.

Conta até 60.

Não acredito:
nem um minuto consegues
debaixo do teu próprio mijo?

Antigamente
com a concha da mão cheia
curavas até tua dor de ouvido.

Lembras?

Deixa de nojo patético
e mergulha -

Agora conta até 120.


Celibato

Os óculos sujos
com a banha dos cílios.

Um canguru no ventre
esquentando meu sangue.

Ainda tenho que ensinar ao meu filho
sua tarefa escolar, oxalá, ele não durma.

O pequeno é péssimo
em matemática.

Pressinto um crepúsculo
de dor de cabeça,
palmadas,
castigo.

Domingos Barroso

Lourival Faissal - por Norma Hauer


Foi a 17 de novembro de 1922 que LOURIVAL FAISSAL nasceu, fazendo parte de uma família que foi importante no tempo áureo da Rádio Nacional: seus irmãos Floriano e Roberto.
LOURIVAL FAISSAL dedicou-se mais às composições e versões de letras de melodias estrangeiras que estavam fazendo sucesso.

Como compositor , ao lado de Getúlio Macedo, compôs a primeira música feita especialmente para o "Dia das Mães":"Mãezinha Querida" que teve em Carlos Galhardo seu primeiro intérprete.

Fazendo versões, foi responsável por um dos maiores sucessos de Emilinha Borba "Dez Anos"

"Assim se passaram 10 anos
Sem eu ver teu rosto,
Sem olhar teus olhos,
Sem beijar teus lábios, assim..."

Emilinha gravou,ainda outras versões de Lourival Faissal, como "Acapulco";"Canção de Dalila";"Bandolins ao Luar";"Arranca minha Vida"; "Chuvas de Abril"...

Um programa que marcou uma fase da Rádio Nacional, de nome "Jerônimo,o Herói do Sertão", teve, na voz de Emilinha Borba a música-tema de Lourival Faissal, ainda em
parceria com Getúlio Macedo:"Jerônimo".

Carlos Galhardo gravou, também de Lourival Faissal, "Te Quero Tanto" e outra música
para o "Dia das Mães", de nome "Mamãezinha".

Apesar da importância de Lourival Faissal em nossa música popular, pouco há sobre ele na Internet ou nos livros sobre a Rádio Nacional.

Assim se passaram 10 anos !
Norma Hauer

Clube Regatas do Flamengo - por Norma Hauer



Não sou a melhor pessoa para falar sobre o Flamengo, afinal não estou incluída dentro da maior torcida do Brasil, quiçá do mundo.

Como ninguém se habilita...

Entrei aqui "de gaiata" para dizer que a fundação do CLUBE REGATAS DO FLAMENGO em 17 de novembro de 1895, foi para disputar regatas, daí o nome e daí o local onde foi criado:junto à Praia do Flamengo.

Em frente a sua sede naquela praia, havia uma rampa que chegava a um certo ponto do mar por onde os sócios caminhavam para embarcar em seus "iates". Essa rampa foi desmanchada quando o local foi aterrado formando o "Aterro do Flamengo", a partir de 1955.

Depois a sede transferiu-se para um grande prédio em torno do Morro da Viúva, na "conjunção" das Avenidas Rui Barbosa e Oswaldo Cruz. O estádio (que nunca foi no Flamengo) foi construído junto à Lagoa Rodrigo de Freitas.

A parte de futebol, incluída no time de regatas (que manteve o mesmo nome) só foi criada em 1912, quando o futebol estava se desenvolvendo no Brasil e já existiam aqui no Rio, o Vasco da Gama (que também começou como regatas), o Fluminense, o América, o Mangueira, o São Cristóvão...

Em 1912, houve uma desavença no Fluminense e um grupo o abandonou indo formar o time de futebol do Flamengo que, estreando derrotou o Mangueira por uma goleada
(goleada mesmo) de 16x0 .
Foi uma grande estréia. E o jogo foi no campo do "meu" América.

A partir daí...nada mais a dizer.

Sou uma torcedora que nem sofre mais, do América Futebol Clube, criado em 18 de
setembro de 1904
Norma Hauer

Gesta de Arrebol


“Um fim de mar colore os horizontes”
Manoel de Barros

Reconheço : sou um espécie de mestre frustrado. Filho, sobrinho, afilhado de professores e marido de uma educadora, imagino que ,no íntimo, gostaria de estar numa sala de aulas. Até tateei a profissão por um tempo, mas terminei sendo colhido pelo vendaval de uma outra atividade igualmente espinhosa e gratificante: a Medicina. Mas, nas profundas escarpas do espírito, sempre me turva uma certa inveja quando me deparo com os educadores. Percebo que eles têm nas mãos a possibilidade única de transformar pessoas e edificar nações. Se os pais já se sentem realizados vendo seu sangue disseminando-se no rio do tempo, entre filhos e descendentes, imaginem a felicidade do professor pai de incontáveis rebentos da sabedoria e do conhecimento. Como médico, pressinto que temos a possibilidade de endireitar o caule, cuidar da casca, consertar os galhos , ajudar no desabrochar do fruto; mas só o mestre guarda consigo os mistérios e segredos da germinação da semente. A Medicina recupera corpos, a educação funde consciências.

Hoje tudo isso me veio à mente, quando o maior dos mestres -- o tempo-- levou na sua lufada um de seus colegas. Chamava-se Alderico de Paula Damasceno. Ele exerceu o magistério entre nós por mais de sessenta anos. Discípulo do maior historiador caririense , o Padre Antonio Gomes, o professor Alderico foi um visionário. Ensinava história crítica nos anos 60-70, em plena Ditadura Militar, num tempo em que a cadeira de história, em geral, se confundia com a de Contos de Fadas e Histórias da Carochinha. Exigia, com veemência, de todos os seus alunos, uma clara e pessoal opinião sobre pontos específicos da História Geral e do Brasil . Tinha verdadeiro pavor ao que ele chamava de “Decoreba”. Premonitoriamente, antevia os rumos da modernidade onde tudo se imita, se copia-cola, se macaqueia. O professor ensinava que os livros de história apresentavam apenas a versão oficial e que era imprescindível ,a quem desejasse entender o mundo, levantar o véu da aparente normalidade e descobrir as íntimas razões dos fatos que geralmente se encontravam depositadas no baú da Economia. Trabalhava com provas abertas, tinha pavor da loteria da múltipla escolha e mais: subtraía preciosos pontos a cada erro de português cometido. Entendia que o conhecimento da Língua era condição sine qua non de sobrevivência , soberania e cidadania.

Devemos ao professor Alderico ainda uma outra descoberta igualmente mágica. Aficionado da Educação Física ele cobrava dos seus alunos condicionamento e terá sido um dos pioneiros, entre nós, em associar a Atividade Física Regular a uma melhora na saúde humana. Como treinador da nossa Seleção Cratense – um das suas paixões – o professor Alderico já entendia a importância do treinamento físico regular na melhoria do desempenho esportivo, em tempos que isto era mera especulação e a Medicina Esportiva ainda engatinhava. Esta faceta de sua personalidade terminou lhe proporcionando a energia hercúlea que o acompanhou por noventa anos , enfrentando uma terrível queda de braço com a “Indesejada das Gentes” por cinco meses. Gostava da vida e, percebo, era esse amor que o mantinha vivo e esperançoso mesmo ante todas as vicissitudes e limitações da idade.

Inúmeras gerações de jovens foram forjadas pelo professor Alderico: Professores, engenheiros, médicos, juízes,promotores, artesãos, comerciantes, filósofos, um sem número de profissionais das mais diversas atividades, espalhados pelos recantos mais recônditos do país. Fundidos pela têmpera do Mestre, todos carregam consigo um pouco daquela determinação e vigor. Simplesmente porque Alderico não era um simples professor de História ou Educação Física. Seus ensinamentos sobre passavam as páginas dos livros , a mera grade curricular, ele ensinava uma matéria dificílima e rara chamada : “Vida”.
Como um bom missionário viveu beneditinamente. Guardava , no entanto, um tesouro depositado carinhosamente numa ampla sala da casa: sua biblioteca. Muitos dos seus livros hoje se encontram comigo e, a cada dia, me pergunto se sou digno da herança recebida. O Mestre sabia de cátedra que a riqueza não se concentra no brilho do ouro e do diamante, nem no tilintar das moedas, mas numa outra fulguração mais brilhante que o sol e que inebria almas e mentes : o conhecimento.

O professor Alderico fecha um ciclo áureo da educação cratense que contou com : Pe Gomes, Pe David, Vieirinha, Zé do Vale, Adalgisa Gomes, Luiz de Borba, Eneida Figueiredo, Ivone Pequeno, Gutemberg Sobreira e muitos outros. Fecha-se apenas um parágrafo, a história continua indefinidamente em aberto e continua sendo escrita, criticamente, por seus incontáveis discípulos. Hoje, triste, sei que falo de crepúsculos, mas carrego no coração a perfeita certeza, que este por-de-sol é apenas o prenúncio de muitas auroras por vir. No horizonte, em meio ao negror da noite, já se percebem os sanguíneos raios que defloram a escuridão e emprenham o arrebol vindouro de claridade e de luz.

J. Flávio Vieira

OS ENSINAMENTOS DE DON JUAN E CARLOS CASTÃNEDA: OS PONTOS DE AGLUTINAÇÃO E O PODER INTERIOR (PARTE I)

CASTÃNEDA, CARLOS - O Poder do Silêncio: Novos Ensinamentos de Don Juan, Rio de Janeiro: Record, 1988.

obs>: As figuras foram extraídas do livro MÃOS DE LUZ de Barbara Ann Brenam e de algumas revistas da área espiritualista.



“Disse [D.Juan] que nós, como homens comuns, não sabíamos, nem jamais iríamos saber, que havia algo inteiramente real e funcional - nosso elo de ligação com o intento - que nos dava nossa preocupação hereditária com o destino. Assegurou que durante nossas vidas ativas nunca temos a chance de ir além do nível da mera preocupação, porque desde tempos imemoriais a rotina dos afazeres diários nos entorpeceu. É apenas quando nossas vidas quase se encontram para terminar que nossa preocupação com o destino começa a assumir um caráter diferente. Começa a fazer-nos ver através da neblina das ocupações diárias. Infelizmente, esse despertar sempre vem de mãos dadas com a perda da energia causada pelo envelhecimento, quando não temos mais força para transformar nossa preocupação em descoberta pragmática e positiva. Nesse ponto, tudo que é deixado é uma angústia amorfa e penetrante, um desejo por algo indescritível, e simples raiva por ter errado o alvo” (p. 64)

“Segundo ele [D.Juan], os poetas eram profundamente conscientes de nosso elo de ligação com o espírito, mas que essa consciência era intuitiva, não de modo deliberado e pragmático dos feiticeiros.
- Os poetas não têm conhecimento de primeira mão do espírito - continuou .- É por isso que seus poemas não podem realmente atingir o centro dos verdadeiros gestos para o espírito. No entanto, atingem muito perto dele.” (p.65).

“Don Juan explicou que a percepção é o gonzo para tudo que o homem é ou faz, e que essa percepção é governada pela localização do ponto de aglutinação [identifico como sendo os 7 CHAKRAS]. Portanto, se esse ponto muda de posição, a percepção de mundo do homem muda de acordo. O feiticeiro que conhecesse exatamente onde colocar seu ponto de aglutinação podia transformar-se em qualquer coisa que desejasse.


A proficiência do nagual Julian em mover seu ponto de aglutinação era tão magnífica que ele podia realizar as transformações mais sutis - continuou D.Juan. - Quando um feiticeiro se transforma num corvo, por exemplo, esta é definitivamente uma grande realização. Mas isso implica uma vasta e portanto grosseira mudança do ponto de aglutinação. Entretanto, movê-lo para a posição de um homem gordo, ou um homem velho, requer a mudança mínima e o conhecimento mais aguçado da natureza humana” (p.71)

“D Juan explicou-me que a implacabilidade, esperteza, paciência e docibilidade eram a essência da espreita. Eram o básico que com todas as suas ramificações precisava ser ensinado em passos cuidadosos e meticulosos.
...Salientou repetidas vezes que ensinar a espreitar era uma das coisas mais difíceis que os feiticeiros faziam. E insistiu que não importa quanto eles próprios fizessem para ensinar-me espreitar, e não importa quanto eu acreditasse no contrário, era a impecabilidade que ditava seus atos.
... Don Juan reiterou que um ponto muito importante a considerar era que, para um observador, o comportamento dos feiticeiros podia parecer malicioso, quando na realidade seu comportamento era sempre impecável.
- Como pode saber a diferença, quando está no lado que recebe? - perguntei.
- Atos maliciosos são executados por pessoas pelo ganho pessoal - explicou. - Os feiticeiros, no entanto, têm um propósito ulterior para seus atos, que nada tem a ver com ganho pessoal. O fato de que se divertem com seus atos não conta como ganho. Antes, trata-se de uma condição de seu caráter. O homem comum age apenas se há oportunidade de lucro. Os guerreiros dizem que agem não pelo lucro, mas pelo espírito.
Pensei a respeito. Agir sem considerar ganho era realmente um conceito estranho. Eu fora educado para investir e ter esperança por alguma espécie de retribuição por tudo que fazia.
Don Juan deve ter tomado meu silêncio e compenetração como ceticismo. Riu e olhou para seus dois companheiros.
- Tome a nós quatro, como exemplo - continuou. - Você, você próprio, acredita que está investindo nessa situação e no final irá lucrar com ela. Se ficar bravo conosco, ou se nós o desapontarmos, você pode recorrer a atos maliciosos para tirar sua desforra, pois nós, pelo contrário, não pensamos em ganho pessoal. Nossos atos são ditados pela impecabilidade, não podemos ficar zangados ou desiludidos com você.”(p.90)

“Os feiticeiros têm uma regra básica: dizem que quanto mais profundamente se move o ponto de aglutinação, tanto maior a sensação que um indivíduo tem conhecimento, mas não as palavras para explicá-lo. Ás vezes o ponto de aglutinação de pessoas comuns pode mover-se sem uma causa conhecida e sem eles estarem conscientes disso, exceto que ficam com a língua presa, confusos e evasivos.

Vicente interrompeu e sugeriu que eu ficasse com eles um pouco mais. Don Juan concordou e voltou-se para encarar-me.
_ O primeiríssimo princípio da espreita é que um guerreiro espreita a si mesmo. Espreita a si mesmo implacavelmente, com esperteza, paciência e docilmente.

Eu queria rir, mas ele não me deu tempo. De modo muito sucinto definiu a espreita como a arte de usar o comportamento de maneiras novas para propósitos específicos. Disse que o comportamento humano normal no mundo da vida cotidiana era rotina. Qualquer comportamento que escapava à rotina causava um efeito incomum em nosso ser total. Esse efeito incomum era o que os feiticeiros buscavam, porque era cumulativo.

Explicou que os feiticeiros videntes dos tempos antigos, através de sua visão, primeiro haviam notado que o comportamento incomum produzia um tremor no ponto de aglutinação. Breve descobriram que se o comportamento incomum era praticado sistematicamente e dirigido com sabedoria, forçava no final o movimento do ponto de aglutinação.

O desafio real para aqueles feiticeiros videntes - continuou Don Juan. - era encontrar um sistema de comportamento que não fosse mesquinho nem caprichoso, mas que combinasse a moralidade e o senso de beleza que diferencia os videntes feiticeiros das bruxas comuns.



Parou de falar, e todos olharam para mim como que buscando sinais de fadiga em meus olhos ou rosto.
- Qualquer um que tenha sucesso em mover seu ponto de aglutinação para uma nova posição é um feiticeiro - continuou Don Juan.- E a partir dessa nova posição, pode fazer todos os tipos de coisas boas e más aos seus semelhantes. Ser um feiticeiro, portanto, pode ser o mesmo que ser um sapateiro, ou um padeiro. A causa dos feiticeiros videntes é ir além dessa posição. E para fazê-lo necessitam de moralidade e beleza.

Disse que, para os feiticeiros, a espreita era o alicerce sobre o qual tudo o mais que faziam era construído.” (p.92-93).

“ [Don Juan] : _ O quarto cerne abstrato é o ímpeto total da descida do espírito. O quarto cerne abstrato é um ato de revelação. O espírito revela-se a nós. Os feiticeiros o descrevem como o espírito postado em emboscada e depois baixando sobre nós, sua presa. Os feiticeiros dizem que a descida do espírito é sempre oculta. Acontece, e no entanto parece não ter acontecido de maneira nenhuma.”(p.98)

“_ Há uma passagem que uma vez cruzada não permite regresso. Ordinariamente, desde o momento em que o espírito assalta, passam-se anos antes que o aprendiz atinja essa passagem. Às vezes, entretanto, a passagem é atingida quase que de imediato. O caso do meu benfeitor é um exemplo.
Don Juan disse que todo feiticeiro devia ter uma memória clara dessa passagem de modo que pudesse lembrar do seu novo potencial de percepção. Explicou que não era necessário ser aprendiz de feitiçaria para alcançar essa passagem, e que a única diferença entre um homem comum e um feiticeiro, em tais casos, é o que cada um enfatiza. Um feiticeiro enfatiza o cruzamento dessa passagem e usa a lembrança do fato como ponto de referência. Um homem comum não atravessa a passagem e faz o máximo para esquecer tudo a seu respeito.“(pp.98-99)

[Don Juan]: “_ Os feiticeiros dizem que o quarto cerne abstrato ocorre quando o espírito corta nossas cadeias de auto-reflexão. Cortar nossas cadeias é maravilhoso, mas também muito indesejável, pois ninguém deseja ser livre”(p.99)

[Don Juan]: _ Que sensação estranha: perceber que tudo que pensamos, tudo que dizemos depende da posição do ponto de aglutinação - comentou.”(p.99)

[Don Juan]: Sei que nesse momento seu ponto de aglutinação moveu-se e que você compreendeu o segredo de nossas correntes. Elas nos aprisionam, mas mantendo-nos pregados em nosso confortável ponto de auto-reflexão, defendem-nos dos assaltos do desconhecido.
...Uma vez que nossas correntes são cortadas - continuou Don Juan -, não estamos mais presos pelas preocupações do mundo cotidiano. Permanecemos num mundo cotidiano, mas não pertencemos mais a ele. Para isso ocorrer, devemos partilhar das preocupações das pessoas, e sem correntes não conseguimos.

Don Juan contou que o nagual Elias explicara-lhe que o que distingue pessoas normais é que partilhamos de um punhal metafórico. As preocupações de nossa auto-reflexão. Com esse punhal, cortamo-nos e sangramos; e o trabalho de nossas cadeias de auto-reflexão é proporcionar-nos a sensação de que estamos sangrando juntos, que estamos partilhando de algo maravilhoso: nossa humanidade. Mas se fôssemos examiná-lo, iríamos descobrir que sangramos sozinhos; que não estamos partilhando nada; que tudo o que estamos fazendo é brincar com nossa reflexão, manipulável e irreal, feita pelo homem.

_ Os feiticeiros não se encontram mais no mundo dos afazeres diários - continuou Don Juan - porque não são mais presa de sua auto-reflexão”(p.100)

“Ouvi [Castãneda] seus pensamentos como se fossem minhas próprias palavras, enunciadas para mim mesmo.

Senti um comando que não estava expresso em pensamento. Algo coordenou-me a olhar de novo para a pradaria.

Quando olhei para a maravilhosa paisagem, filamentos de luz começaram a radiar de tudo, naquela pradaria. No início foi como uma explosão de um número infinito de fibras curtas, depois as fibras se tornaram longos feixes filamentosos de luminosidade reunidos em faixas de luz vibrante que alcançaram o infinito. De fato não havia modo de extrair o sentido do que estava vendo, ou de descrevê-lo, exceto como filamentos de luz vibratória. Os filamentos não estavam misturados ou entrelaçados. Entretanto saltavam e continuavam a saltar, em todas as direções, e cada um era separado, embora todos estivessem inexplicavelmente enfeixados.

Mente - Domingos Barroso

A grande responsável pela luxúria
é a carambola com seus grandes lábios

maduros ou verdes
sempre sensíveis ao toque.

A maçã não tem culpa.
A maçã é uma pobre coitada.

A carambola carnal reina soberana
com seus grandes lábios entreabertos.

Nem a serpente lhe recusa uma mordidela
embora distante o perfume -

nem eu me lembro do seu gosto,
apenas uma vaga lembrança.

Mostra Sesc Cariri: programação de hoje, dia 17/11




Música da Macedônia e peça com bonecos

A Mostra Sesc Cariri de Cultura continua e, nesta terça-feira (17), traz uma atração musical bem curiosa. São os cariocas do Brasov, que lançam o CD “Uma Noite em Tuktoyaktuk”. Em seu show, eles tocam desde música cigana Macedônia até um cover da Gretchen, passando por uma canção do Leste Europeu. A apresentação acontece a partir das 20h30, no Terreiro de Mestra Margarida, no Sesc Juazeiro.

Um pouco antes, às 20h, na RFFSA, em Crato, a Companhia Amok de Teatro, do Rio de Janeiro, encena o espetáculo “O Dragão”. A peça, a partir de depoimentos reais, trata da guerra entre palestinos e israelenses, mostrando que atrás de toda a violência e crueldade há espaço para uma real humanidade.

Na cidade de Nova Olinda, às 20h30, acontece o show dos paulistas do Mamelo Sound System, que tocam - no Armazém do Som na Praça - um ritmo musical denominado por eles próprios como “hip-hop afro-futurista brasileiro”. Em Barbalha, no Teatro Neroly, a Companhia PeQuod de Teatro, do Rio, apresenta a peça de bonecos “O Velho da Horta”, baseado na obra do escritor Gil Vicente.

Um cortejo da Cultura Popular nas ruas de Juazeiro do Norte acontece na tarde de hoje, na principal via da cidade, a partir das 15 horas, com concentração no SESC. O evento promove uma integração entre os artistas e a população, nessa grande festa que tem sido a Mostra SESC de Arte e Cultura.

Em Juazeiro, nos locais como Marquise Branca, Marcus Jussier, no Pirajá, e Casa da Rua da Cultura, na rua do Cruzeiro estão sendo realizadas várias apresentações.

Agenda do dia 17 de novembro

>Juazeiro do Norte:

. Memorial Padre Cícero
- 20h30: Madre Couraje (Mérida Urquia-Cuba).
. Largo do Memorial
- 17h: Reprise (La Mínima-SP).

. Marcus Jussier (Pirajá)
- 17h: O Hipnotizador de Jacarés (Circo Girassol-RS).

. Quadra do Sesc Juazeiro
- 18h: Rito de Passagem (Índio.Com Cia de Dança-AM).

. Teatro Marquise Branca
- 18h: Esparrela (Teatro Bigorna-PB).

. Conexão Brasil CCBNB
- 19h: Merci (Ana Barroso-RJ).

. Teatro Patativa do Assaré
- 23h: Ele Precisa Começar (Felipe Rocha-RJ).

. Terreiro de Mestra Margarida e Armazém do Som
- 18h: Segunda Toada para João e Maria (Núcleo Dois-SP).
- 20h30: Uma Noite em Tuktoyaktuk (Brasov-RJ).

. Casa da Rua da Cultura
- 22h: Residência da Casa da Rua da Cultura (Cia de Teatro Stultífera Navis-SE).
- 22h: O Abajur Lilás (Grupo Imagens-CE).

. Programação Especial (Sesc Juazeiro)
- 14h: Seminário Arte & Pensamento – A Reinvenção do Nordeste. Dr. Luizan Pinheiro: “Ontologia do Cariri: a cidade atravessada por múltiplos olhares”.
- 15h15: Seminário Arte & Pensamento – A Reinvenção do Nordeste. Dr. Luís Manoel Lopes: “Barbaramente estéreis; maravilhosamente exuberantes: os sertões em variações”.
- 18h: Laboratório de Troca de Afagos – LATA (Conversas Gravadas na UFC). Entrevistas com Ricardo Guilherme.

>Crato:

. Teatro Municipal
- 20h: O Dragão (Cia Amok de Teatro-RJ).

. Praça da Sé
- 16h: Lançamentos e performance dos Cordelistas Mauditos.
- 17h: Performance do poeta CHACAL.

. Terreiradas
- 16h: Terreiro de Mestre Aldenir – Bairro Vila Lobo. Coco da Mestra Marinês/Banda Cabaçal São João Batista/Reisado Congo do Assentamento Olho D’Água.

. Mostra nos Bairros- Bairro Populares
- 17h: O Santo Guerreiro e o Herói Desajustado (Cia São Jorge de Variedades-SP).
- 18h30: Soldadinho do Araripe (Aquasis-CE).

. RFFSA
- 17h: Silêncio Total (Cia Riso da Terra-PB).
- 18h: Viagem Instrumental (Mandrágora-DF).

. Sesc Crato
- 22h: Santiago do Chile, 1973(Grupo de Dois-RJ).

. Galpão das Artes
- 23h: Encantrago (Ver de Rosa um Ser Tão Expressões Humanas / Teatro Vitrine-CE).

. Crato Tênis Clube
- 22h: Mangiare (Grupo Pedras-RJ).
- 23h: Lenynha Vas (CE).
- 01h: Fóssil, Cabaça: Reggae Cariri (Liberdade & Raiz-CE).

>Nova Olinda:

. Teatro Violeta Arraes
- 19h: Inventário (Roda Gigante-RJ).

. Armazém do Som na Praça
- 20h30:Mamelo Sound System-SP.

. Artes Visuais
- 14h: Exposição Pina Bausch (Fotografia Dada Petrole).

>Barbalha:

. Praça Central
- 17h:Ciclopes (Cia Mystério e Novidades-RJ).

. Teatro Neroly
- 19h: O Velho da Horta (Cia Pequod de Teatro-RJ).

. Escola de Artes Reitora Violeta Arraes Gervaiseau – URCA
- 21h: O Hospício (Matulão de Artes Cênicas-CE).
Enviado por Elizângela Santos (AC Comunicação)

"Conclamo à juventude que estude"

Desde já peço desculpas pelo tamanho do post, mas não pude me furtar a necessidade de tentar divulgar a matéria e a obra de um dos maiores filósofos da humanidade, que por incrível que pareça é brasileiro.

Estas palavras, proferidas por Mário Ferreira dos Santos no ápice do seu periódico discurso em uma de suas aulas nos anos 60, contém em si mesmas um significado universal. Elas transpõem aquela sala de aula, elas atravessam a cidade de São Paulo, escapam ao país, dirigem-se ao mundo e atingem outras fronteiras que nem na ordem geográfica se há de contar. É uma oração simples e imperativa que vem das mais profundas aspirações do seu espírito, ao mesmo tempo tão angustiado pela realidade que testemunha e tão esperançoso nas possibilidades que talvez só ele entreveja. Mário estava explicando o porquê das pessoas do seu tempo levarem tão a sério filosofias que ele julga já estarem refutadas com antecedência de séculos. O que começara como uma breve resposta a uma pergunta de um aluno acabou se estendendo para uma exortação. Percebe-se claramente que a voz do professor vai se alterando, ganhando dissonância. Não há nervosismo, não há exaltação, não há ódio, não há rancor, mas uma convicção assustadora pela forma com que se contém em sua própria grandiosidade. Há um desparelhamento entre a formalidade da aula e a causa final que subjaz o espírito daquele filósofo. Algumas palavras saem com certa dificuldade, como que premidas pelo vigor de quem deseja inundar o mundo inteiro com suas respostas. Mário já estava a poucos anos de sua morte; cada novo livro lançado, cada aula, cada investida em uma idéia de filosofia brasileira exalava como um sopro final. Mas ele opera uma síntese que abrigará todo o sentido que deseja impor: “...e é por isso que eu conclamo...” Dirige-se à platéia da aula, mas a sua voz quer se dirigir ao mundo, empregando o substantivo universal das mudanças culturais, “...conclamo à juventude...”, como se a própria força da palavra exigisse uma repercussão imediata. Ele faz uma pequena pausa; parece tomar fôlego para uma investida ainda mais cataclísmica. Finalmente, despeja aquela que é sua maior esperança: uma “juventude que estude”. O verbo retumba no estampido da segunda sílaba, provavelmente o ponto mais alto do volume naquela gravação, como um disparo seco da realidade. Mas a sua alma prossegue inabalável, reta, porque convicta. “...e é por isso que eu conclamo à juventude que estude para que...” e o resto se nos torna inaudível, como se nada mais depois daquilo fosse ter importância. O silêncio então nos diz: pare aqui, você já ouviu o suficiente, vá estudar e não se entregue às modas e às contingências. Mais do que tudo, não se deixe levar pela modorra, pela prostração intelectual, pelos comodismos que o mundo hoje tanto nos oferece. A conclamação de Mário à época, 40 anos atrás, já era mais do que pertinente, que dirá hoje em dia. Não se trata de uma ordem assoberbada, mas de uma imposição que vem desde a própria verdade. Se algo da verdade não se deixou falar pelas palavras de Mário Ferreira dos Santos, resta-nos mesmo o agnosticismo. E não penso que a exortação de Mário se dirigisse somente aos jovens das escolas, das faculdades, dos comícios, mas aos jovens de intelecto, aos homens entregues a uma compreensão equivocada do mundo, aos homens cujas inteligências ainda não atingiram uma maturidade suficiente para de fato formar juízos que fundamentem o seu agir. Como podem estes jovens do mundo moderno bradarem aos quatro ventos a sua independência se não possuem nem mesmo uma independência intelectual? Entenda-se independência intelectual não em seu sentido grosseiro, de alguém dedicado a construir toda uma cosmovisão a partir do próprio umbigo, mas de alguém cuja mente pense por si mesma, buscando a verdade nos seus mais distintos recônditos, estudando com honestidade os problemas do pensamento humano sem jamais se desvincular daqueles homens que deixaram as grandes respostas.
E Mário Ferreira dos Santos, meus amigos, foi um destes homens.
"A luta toda se resume em impor uma escala de valores. Por exemplo, a juventude brasileira por qual escala de valores vai lutar? Ela precisa saber. Vai pela utilitária? Pela nobre? Ou pela sagrada? Ela tem que saber, ela tem que escolher uma escala de valores pela qual vai lutar, já que tem no Brasil um papel importante, porque o Brasil é um país sem elite e a juventude universitária é a elite. (...) O Brasil não deve se preocupar com os pseudos valores, quer dizer com aqueles valores que não são genuinamente nossos, e este é um tema que merece ser estudado".

Trechos de palestra no Centro Convivium, em 1967

A mínima maturidade que o jovem precisa possuir é aquela que o convença a estudar. A essência humana não se constrói sem uma caminhada filosófica, sem uma dedicação ao melhor entendimento da verdade. A única vantagem da “juventude de espírito” é o seu vigor, e só neste sentido é que o homem deveria permanecer jovem por toda sua vida.
Foi este vigor que nos impeliu a idealizar a revista eletrônica Filosofia Concreta. Foi esta nossa juventude de espírito que nos fez entender que algo deve ser feito para resgatar o pensamento desse grande filósofo, que nos ajudará também a resgatar o respeito pela verdade e pelo estudo.
O abandono a que Mário foi relegado nos últimos 30, 40 anos a nós parece um fenômeno aterrador da natureza, como um milagre virado do avesso. Por que sumir com um homem de tamanha erudição e temperança, dedicado a aproveitar os fachos de verdade existentes em cada filosofia estudada, sem jamais romper com toda a potencialidade do pensamento humano? Por que esquecer um filósofo tão sábio em seu ecletismo, capaz de unir satisfatoriamente Pitágoras a Hegel, Aquino a Nietzsche, Suárez a Proudhon? Por que negligenciar uma obra que conta com mais de 60 títulos, abarcando temas como Ontologia, Gnoseologia, Lógica, Teologia, Simbólica, Psicologia, Sociologia, Economia e até Oratória? Como se reduz a quase nada a importância de um empreendimento como a Filosofia Concreta? Talvez estas perguntas sejam só mais umas entre as tantas cujas respostas só o estudo dedicado nos forneça. Atendendo à conclamação de Mário, apresentaremos aqui alguns dos frutos de nossos estudos. O espaço é dedicado à exposição e investigação dos temas que o pensador brasileiro propôs, mas o nosso grande objetivo é mesmo alimentar o prazer pela investigação filosófica em si, esta que é a mais nobre atividade do intelecto humano, e sem a qual não pode haver resgate de coisa alguma. Convidamos a todos para participarem de tal empreitada.

Renan Santos, 15 de novembro de 2009

Fonte: http://filosofiaconcreta.mercaba.com.br/