Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

ENVIE SUA FOTO E COLABORE COM O CARIRICATURAS



... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
.....................
claude_bloc@hotmail.com

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Hoje, aniversário de Ângela Morais, notável artista plástica do nosso Cariri !

Processando luz !
(A arte de ângela Morais )




" ...Ela nasceu no Cariri, um óasis em meio a um sertão Nordestino, pobre e seco.Ela nos traz um banho de imagens oriunda de folhas recolhidas á rua:assas de insetos,flores do campo,num verdadeiro show rítmico de movimentos, um caleidoscópio da beleza ao mesmo tempo deformante e analítico de sua visualidade nua e plástica,decodificando o tema à luz de um sentimento fotográfico de um dinamismo inebriante.
Ela nunca foi tão simples, quanto depois de sua volta da Euroupa.Suas imagens não parecem de época, porque pertencem a qualquer idade.
Elas poderiam estar num museu debiologia ou como exemplo de uma arte,de alguma cultura pré-histórica emergente. Ela refaz então num modo muito singular a natureza fantástica, nos revelando um universo diferente, onde há uma magia lírica que aliada à tecnologia fotográfica, apenas para lhe acom panhar no processo de transformação constante por qual passa, a natureza, a vida, o ser humano, a criatividade no olhar ...

Fernando Vasques
Parabéns, grande artista !
Abraços do Cariricaturas.

"Cariricaturas" em Versos Sem a Letra "O" por Corujinha Baiana


Quem quiser buscar prazer
Nesse "lugar virtual"
Brincadeiras e cultura,
É difícil achar igual.
*
Stela, Edilma, Catarina,
Ismênia, Guerrera, Pachelly.
Ângela, Zélia, Liduína,
Amélia, Ana Cecília, Magali.
*
Chagas,Teixeira, Lupeu,
Starkey, César, Rafael.
Eurípedes, Jamacaru,
Mestre Zé, Vale, "Buñuel"
*
"Assinaturas" aqui "censuradas"
Me impediram de escrever.
Mas pra sempre hei de lembrar
Já que é difícil esquecer.
*
Claude, Sauska na frente
De tanta gente bacana...
"Cariricaturas" é a dica
Pra alegrar sua semana.
*
( Corujinha Baiana - 09/12/2009 )
Desafio - Versos sem a letra " O "

Almeida Garrett


Almeida Garrett (1799 - 1854)
O escritor e político João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett foi fortemente influenciado pelo escritor neoclássico Filinto Elísio. Em 1820 participou, como líder da classe estudantil, da Revolução Liberal.

Em 1821, após concluir o curso de Direito na Faculdade de Coimbra, publicou o poema "Retrato de Vênus" e depois foi processado por obscenidade. Após o golpe de 1822, no qual o liberalismo foi derrotado, Garret partiu para o exílio na Inglaterra, de onde regressou somente em 1826. Durante o exílio Garret, influenciado pelas obras de Walter Scott e Lord Byron, compôs os poemas "Camões" e "Dona Branca". Essas obras foram publicadas em 1824 e são consideradas o marco inicial do Romantismo em Portugal.
Garret voltou a Portugal em 1832 integrando o exército de D. Pedro no cerco à cidade do Porto. Entre 1833 e 1836, foi cônsul geral na Bélgica.

Após a Revolução de Setembro foi encarregado de organizar um plano de um teatro nacional, que veio a promover.

Em 1851 recebeu o título de Visconde de Almeida Garrett. Da sua vasta obra literária destacam-se a peça de teatro "Frei Luís de Sousa" (1844), o romance "Viagens da Minha Terra" (1846) e a coletânea de poemas líricos "Folhas Caídas" (1853).
wikipédia



Nâo te amo - poema de Almeida Garrett




Não te amo, quero-te: o amar vem d'alma.
E eu n'alma --- tenho a calma,
A calma --- do jazigo.
Ai! não te amo, não.

Não te amo, quero-te: o amor é vida.
E a vida --- nem sentida
A trago eu já comigo.
Ai, não te amo, não!

Ai! não te amo, não; e só te quero
De um querer bruto e fero
Que o sangue me devora,
Não chega ao coração.

Não te amo. És bela; e eu não te amo, ó bela.
Quem ama a aziaga estrela
Que lhe luz na má hora
Da sua perdição?

E quero-te, e não te amo, que é forçado,
De mau feitiço azado
Este indigno furor.
Mas oh! não te amo, não.

E infame sou, porque te quero; e tanto
Que de mim tenho espanto,
De ti medo e terror...
Mas amar!... não te amo, não.

Aquecimento Global - por José do Vale Pinheiro Feitosa

Só por hoje, viu Socorro e Claude. Não dava para deixar de postar mais esta. Prometo silêncio breve para não irritar os leitores do blog. Mas é que o cinismo permeia o corpo da terra e então me joguei no corpo das mulheres. Um aquecimento de esperança.


Os homens mudam o planeta,
as mulheres aquecimento global.

Diz o relatório é atividade humana,
guia de sobrevivência.

Assim que as chaminés de teus olhos,
liberaram no ar os ferormônios,
o gelo do ártico derreteu-se,
as zonas tropicais revolucionaram-se,

tantos furacões, centenas de tornados,
ciclones, tufões, vendavais, acnéfias,
haja dicionário para tanta meteorologia.

Mais mudanças climáticas houve,
quando expiraste todo aquele gás carbônico,
minha temperatura subiu entre 1,8 e 6,4 graus Celsius,
o nível dos meus mares elevou-se a 59 centímetros,

o Kilimanjaro no cume dissolveu toda a virginal neve,
o mais alto do meu mundo desejou que tu perdesses,
o branco que ocupava toda a cadeia do teu Himalaia.

E tu junto a mim,
deu-me noites quentes e menos dias frios,

ondas de calor cinturaram-me os desejos,
tempestades encharcaram os lagos penianos,

o mundo todo era de um cenário otimista,
o futuro há, tuas fornalhas aquecerão,
combustíveis fósseis, emissões de gases,
e nós em nosso estufim particular.

Mas os olhares moralistas acusarão,
os Estados Unidos dizem que poluem menos,

e nós, Unidos em nosso Estado febril,
também diremos: é um aquecimento global.

Kirk Douglas - aniversário de 93 anos



Kirk Douglas (Amsterdam, Nova Iorque, 9 de Dezembro de 1916) é um actor estadunidense. É pai do também ator Michael Douglas.

Nascido Issur Danielovitch Demsky, seus pais, Herschel Danielovitch e Bryna Sanglel, eram pobres bielorrussos judeus. Na St. Lawrance University, Douglas fez parte da liga de boxe. Para tentar conseguir uma bolsa de estudos, entrou para um grupo de atuação. Seus talentos o pegaram despercebido — recebeu a bolsa junto com uma atriz que viria a ser conhecida como Lauren Bacall. Serviu na Marinha Americana no início da Segunda Guerra Mundial em 1941 até seu fim, em 1945. Depois da guerra, voltou para Nova Iorque e começou a atuar no rádio e em comerciais de televisão, enquanto tentava entrar para a Broadway.

Douglas recebeu a ajuda da atriz Lauren Bacall ao obter seu primeiro papel no filme The Strange Love of Martha Ivers (1946), onde estrelava Barbara Stanwyck.

Kirk Douglas em The Big Trees (1952).Kirk Douglas recebeu três nomeações para o Oscar por seu trabalho em Champion (1949), The Bad and the Beautiful (1952 e Lust for Life (1956). Neste último interpretou o pintor Van Gogh. Douglas não ganhou nenhum, mas recebeu um Oscar especial em 1996 por "50 anos de modelo moral e criativo para a comunidade cinematográfica.". Nos anos 50 foi o protagonista de vários outros filmes clássicos, como Ulisses ou ainda a sua inesquecível interpretação do marinheiro Ned Land na produção dos Estúdios Disney "20.000 léguas submarinas".

Em 1960 estrelou o épico clássico Spartacus, no qual também foi o produtor. A direção ficou com Stanley Kubrick depois que Douglas demitiu o veterano Anthony Mann, que já havia realizado metade das filmagens.

Douglas comprou os direitos de "Um estranho no ninho" na década de 60, mas acabou repassando-os para seu filho Michael, que produziu o filme nos anos 70 com extremo sucesso.


Douglas foi casado duas vezes, primeiro com Diana Dill (em 2 de novembro de 1943, divorciados em 1951), com quem teve dois filhos, o ator Michael Douglas e o produtor Joel Douglas. Com sua segunda esposa, Anne Boydens (casaram-se em 29 de maio de 1954 até hoje) teve também dois filhos, o produtor Peter Vincent Douglas e o ator Eric Douglas. Eric morreu em 6 de julho de 2004 de uma overdose de drogas.

Nos últimos anos, depois de escapar com o corpo todo queimado de um acidente de helicóptero no qual os dois outros tripulantes morreram, Kirk Douglas padeceria ainda de um derrame em 1996, que afetou parcialmente sua capacidade de falar[carece de fontes?]. Tratando-se com uma fonoaudióloga, ele ainda discursaria em agradecimento à premiação do Oscar, de onde recebeu das mãos de seus filhos uma estatueta em honra a sua obra cinematográfica.


Por suas contribuições para a indústria do cinema, Kirk Douglas tem uma estrela na Calçada da Fama no número 6263, Hollywood Blvd. Em 1984, seu nome foi colocado no Western Performers Hall of Fame no National Cowboy & Western Heritage Museum em Oklahoma City, Oklahoma.

Em Outubro de 2004, teve seu nome dado a uma avenida em Palm Springs, na Califórnia.



Wikipédia

O ESPECTRO DA CONVENÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE MUDANÇAS CLIMÁTICAS EM COPENHAGUE – 2009

Ontem um texto do Jornal The Guardian eviscerou muito cedo o que mais se temia nesta Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em Copenhague. Expôs a verdade dos Estados Nacionais neste debate que se entenda está no seguinte nível. O próprio título da Convenção já parte de uma convicção: existem Mudanças Climáticas. Então o debate se encontra exatamente em saber-se o verdadeiro papel da produção, distribuição e consumo no sistema capitalista que já é praticamente global. Em seguida é sair de uma sinuca de bico, jogado pelas nações mais ricas, do qual se diz: como criar uma regulação global sobre isso sem modificar o sistema capitalista?

Para eles existe uma única saída para a sinuca: os mais pobres podem poluir menos enquanto os mais ricos continuam mantendo os seus privilégios. A saída é que preserva o sistema capitalista. Que inegavelmente tem se caracterizado desde o século XIX como o sistema que cria privilegiados e tenta congelar esta divisão. Qual a questão básica?

Acontece que um sistema de privilegiados tem uma espécie de força gravitacional que puxa todos os corpos em sua direção. Tendo o privilégio por matriz é de se entender, por exemplo, que a resposta que se busca na Convenção de Copenhague já encontrava posta no mínimo com a crise do petróleo de 1973. Ali está o coração disso tudo: a civilização do petróleo, seu perfil de produção e consumo.

Quem não se lembra que naquela época os carrões americanos, consumidores de gasolina passaram por crítica severa. Quem não recorda os japoneses surgindo como aqueles que tinham uma proposta para o consumo reduzido. Qualquer um sabe do Brasil deixando de produzir carboidrato para as pessoas com finalidade de produzir álcool para a classe média andar nos produtos da indústria automobilística. Depois veio o papo que poluía menos, o álcool, pois não era o discurso do Proálcool o uso foi quem evidenciou.

Estamos em pleno verão dos “carrões”. Como dizem os cearenses das “bichonas”, que até foi mote de campanha nas eleições a governador. Depois da vitória toda a polícia voltada para os bairros privilegiados é motorizada com as “bichonas”. Consumidoras de combustíveis por quilômetros quadrados, agressoras do meio ambiente com suas práticas de Jim da Selva (ih! Isto é velho!), mas tem um nome contemporâneo e também é inglês: OF ROAD.

Aviso: não perdi o fio da meada. A Convenção do Clima na verdade é outro tema. É discutir como o sistema globalizado irá dividir o poder na produção e consumo mundial. Os pançudos do norte já disseram no The Guardian: seremos nós e os outros esperem 50 anos. Na verdade a história continuará indomada, pois não depende apenas da vontade do privilegiado em permanecer privilegiado. Por baixo dele uma calota inteira de gelo se derrete.

32 anos sem Clarice Lispector


Clarice Lispector (Tchetchelnik Ucrânia 1925 - Rio de Janeiro RJ 1977) passou a infância em Recife e em 1937 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se formou em direito. Estreou na literatura ainda muito jovem com o romance Perto do Coração Selvagem (1943), que teve calorosa acolhida da crítica e recebeu o Prêmio Graça Aranha. Em 1944, recém-casada com um diplomata, viajou para Nápoles, onde serviu num hospital durante os últimos meses da Segunda Guerra. Depois de uma longa estada na Suíça e Estados Unidos, voltou a morar no Rio de Janeiro. Entre suas obras mais importantes estão as reuniões de contos A Legião Estrangeira (1964) e Laços de Família (1972) e os romances A Paixão Segundo G.H. (1964) e A Hora da Estrela (1977). Clarice Lispector começou a colaborar na imprensa em 1942 e, ao longo de toda a vida, nunca se desvinculou totalmente do jornalismo. Trabalhou na Agência Nacional e nos jornais A Noite e Diário da Noite. Foi colunista do Correio da Manhã e realizou diversas entrevistas para a revista Manchete. A autora também foi cronista do Jornal do Brasil. Produzidos entre 1967 e 1973, esses textos estão reunidos no volume A Descoberta do Mundo. Sobre Clarice, escreve a crítica francesa Hélène Cixous: "Se Kafka fosse mulher. Se Rilke fosse uma brasileira judia nascida na Ucrânia. Se Rimbaud tivesse sido mãe, se tivesse chegado aos cinqüenta. (...). É nessa ambiência que Clarice Lispector escreve. Lá onde respiram as obras mais exigentes, ela avança. Lá, mais à frente, onde o filósofo perde fôlego, ela continua, mais longe ainda, mais longe do que todo o saber".



A descoberta do mundo
Clarice Lispector
Crônicas 480 páginas
ISBN: 8532509517



A descoberta do mundo é o primeiro trabalho de crônicas de Clarice. Mais do que ousar em um novo estilo literário, até então incomum em sua obra, a escritora faz desta publicação um diário de bordo da sua vida: paixões, histórias, entrevistas, filmes, enfim, tudo o que participou de alguma forma de sua existência.

São 468 títulos de crônicas publicadas aos sábados no Jornal do Brasil — certos dias agrupam várias delas, pequenas — entre 1967 e 1973 e, curiosamente, muitas delas poderiam ser republicadas hoje sem que ninguém percebesse a passagem dos anos. Algumas reflexões são atuais e atemporais. Personagens e pessoas que passaram por sua história, como suas empregadas Aninha e Jandira, e uma jornalista, Cristina – ela não cita os sobrenomes –, são retratados em passagens da memória de Clarice. O livro é dividido em dias, como se fosse um diário, mas sempre entre realidade e ficção. Esta última, no entanto, revela com fidelidade as incertezas que cercavam sua enigmática personalidade.

A vida cotidiana e os acontecimentos no Brasil daquela época permeiam a narrativa. Em meio aos devaneios permanentes que foram marca pessoal da autora, surgem importantes nomes da cultura brasileira e latino-americana. Em uma das crônicas, por exemplo, a atriz Fernanda Montenegro é elogiada por seu desempenho na peça "A volta ao lar", de 1967. Em outra, a autora conta como conheceu Chico Buarque, sem esconder que esse foi um momento especial: "Quando meus filhos souberem que eu o vi vão me respeitar mais."

Há ainda uma entrevista com o educador Alceu Amoroso Lima e uma pequena conversa com o poeta chileno Pablo Neruda, quando este esteve no Brasil, em abril de 1969. Embora não seja romance, seu estilo habitual, este livro reflete da mesma maneira o pensamento irrequieto de Clarice Lispector. São pequenas confissões, cartas, histórias, "causos" da escritora que até hoje intriga profundamente os apaixonados por sua literatura, e até mesmo aqueles menos aficionados. Como poucos autores brasileiros – embora, no livro, ela se autodefina "um escritor, sem sexo ou com os dois, como outro em qualquer lugar do mundo", ela coloca em sua obra marcas extremamente pessoais, que no entanto se confundem com os questionamentos de qualquer ser pensante.

Sobre a autora

Clarice Lispector nasceu na Ucrânia, em 1920, na cidade de Tchetchelnik, vindo para o Brasil dois anos depois com os pais e mais duas irmãs. Primeiro fixaram residência em Maceió e depois em Recife, onde a escritora passou sua infância. Em 1930, Clarice perde a mãe e vem com o pai e as irmãs para o Rio de Janeiro, onde se forma em Direito e casa-se com o diplomata Maury Gurgel Valente, com quem teve Pedro e Paulo, seus filhos. Em 9 de dezembro de 1977 morre de câncer.

editoras.com

- Lua - Poema-desafio sem a letra "o"
- por Claude Bloc -

Lua alta
Lua cheia
Lua que nasce faceira
Lua branca atrás da serra
Lua serena, trigueira

Lua clara que afaga
Minha vida, tua vida
Lua que na madrugada
Suspira desvanecida

Lua que silencia
Essa saudade primeira
Lua pungente, brilhante
Bela lua brasileira

Lua que cala e segreda
As mais sinceras verdades
Verdades que a lua canta
Pra embalar as saudades.

Texto para o desafio - Poema sem "o" - por Claude Bloc

Prêmio para médica caririense



A médica caririense, Clarice Maria Pinheiro Callou, conquistou o primeiro lugar no Congresso Brasileiro de Oftalmologia em Belo Horizonte e o seu trabalho, "Impacto do tratamento de tracoma em crianças e familiares nas escolas públicas de Barbalha-CE", selecionado para ser apresentado em Berlim, na Alemanha, em Congresso Mundial.
Clarice, é filha de Maria Benigna (Bida) e Zé Lívio Callou, neta de Dona Almina Arraes, e sobrinha dos nossos amigos : Joaquim Pinheiro e Maria Amélia Castro.
Parabéns , Dra Clarice !
O Cariri se orgulha do seu êxito , merecido esforço.
Abraços especiais do Cariricaturas !

Sensível - Domingos Barroso

A virose dá o ar da sua graça:
arranhando-me a garganta
um giz de lousa.

O corpo esmorece:
bate catolé
na hora do beijo.

Tusso, tusso, tusso.

Nenhuma alma caridosa
oferece-me um chá.

Camomila com hortelã.
Limão com canela.

Dentro dos meus olhos
já mesa posta

com toalha de xadrez
de plástico.

Risque seus dedos nela.
Faça um desenho infantil.

Uma casa,
uma árvore.

Não se esqueça das portas abertas
nem os pequenos frutos suspensos.

Os dedos dos pés sobre as correias das sandálias
comovem-se com meu estado febril:
fazem figa, oram deus pai.

Domingos Barroso

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Moonlight Serenade com Carly Simon



Uma música que sempre emociona.

Versos Baianos Sem a Letra "O" por Corujinha Baiana


A minha terra natal
Tem reza, festa e magia.
Quem nasce na minha terra,
Canta e dança de alegria.
E sempre deseja exaltar
A sua querida Bahia.
*
A Bahia tem mandinga
Tem prece pra quem quiser.
E jamais nega a alguém
A certeza que vem da Fé.
*
Gal, Gil e Bethania
Têm uma alma musical.
Yvete, Daniela e Chiclete
Representam seu carnaval.
E "Caê" sempre será
Um representante sem rival.
*
Caruru, cuscus, abará,
Vatapá, acarajé,
Munguzá ... Mas que delícia !
E a canjica também é.
*
Mãe África sempre presente
Nessa terra de alegria.
Alegria dessa gente
Que esbanja simpatia.
*
Venha " my friend",
Aceite !
Venha viver na Bahia !
*
( Corujinha Baiana - 08/12/2009 )
Desafio - Versos sem a Letra "O"

Mil vezes - Por Claude Bloc


Minha vida
Vida minha
Idas e vindas
Idas e voltas
Vindas infindas
Horas vagas
Minutos tortos
E no vai e vem dos dias
Algumas vezes te encontro
Outras te perco
mil vezes te espero...


Mas confesso que um dia
no vai e vem da vida
Se eu pudesse trocaria
esse “de vez em quando”
pelo sempre, a cada dia…

***


Texto por Claude Bloc
Imagem: ilustração de Mateu Velasco

Poesia com um único "a" - por José do Vale Pinherio Feitosa

Socorro fez outro desafio, mas retorno ao original. Este texto publicado em que não aparece a letra "a" já o tinha lido em 2005. Na ocasião aceitei a dica e fui adiante como segue:

Sim, eu creio.
Que represento menos que sou.
Que sou muito menos que penso ser.
Que penso ser menos do que represento.

Sim, eu creio.
Em tudo que vejo, em tudo que foi visto.
Visto que ver tudo no mesmo tempo,
é como ver tudo sendo somente um.

Sim, eu creio.
Que os ventos têm pteróforos que nos conduzem.
Feito o sol que em círculo sobe e desce horizontes,
como recipientes que recebem os pingos de choros.

Sim, eu creio.
Em cordões que nos envolvem prisioneiros do mundo.
Os pés sobre o relevo, presos pelo repuxo do núcleo,
depósito de tempo que consomem e depois nos diluem.

Sim, eu creio.
Em muito, mesmo como pouco medido menos.
Pois menos de muito é pouco do que foi medido.
Sendo medido menos o muito é, pois, pouco.

Sim, eu creio.
Em vozes de músicos, em doce jiló de pingos intensos.
Nos toques que necessito, em beijos úmidos e intensos.
Creio que é possível ir muito e sem dizer "a".
Alma noturna - por Claude Bloc
(para Camila Arrais)


Noite passada remexi novamente nos meus cadernos e agendas. Encontrei guardado numa delas um lírio ressecado pelo tempo, marcando uma página, com nomes escritos ainda legíveis. O lírio marcava um momento, uma tarde roubada do cotidiano, quem sabe uma tarde de versos sussurrados, de sorrisos, de segredos...

Fiquei recostada ao travesseiro buscando esses registros da minha memória, pois o que é eterno sobrevive. Os sentimentos a gente guarda em algum espaço, não os joga fora simplesmente.

Sempre digo que minhas noites são eternidades. Nessas horas tardias o tempo me leva em suas asas. Viajo sem medo, sem vontade de recusar nada, nem de me arrepender pela ausência de mim nessa alegria latente, ou pela presença em mim de um silêncio emergente. Sinto nessas horas que viver tornou-se simples e urgente! Passo a viver nesses momentos de corpo inteiro. Assim, posso sentir a vida pulsar, o pulso marcando o instante em vibrações por segundo, fazendo o sangue jorrar o tempo presente nas veias, mar abrindo caminhos para o infinito do espírito.

Aguardei, então, segundos decisivos. No meu quarto, o som de violinos me envolvia como se anunciassem um encontro... Encontro com o que mesmo? Com meus fantasmas? Mesmo que fosse, teria que arriscar... Uma lembrança me atendeu: era ele, eu tinha certeza, sua voz estava impregnada em meus sentidos. Primeiro nos comunicamos pela respiração, foram uns alguns segundos assim de um silêncio ofegante... Para minha surpresa, ele pronunciou meu nome como antes, no mesmo tom, no momento exato em que o música vibrava em sustenidos em fás, em sóis, em sons agudos como esse instante do reencontro!

Convidei-o para um café ali no meio da noite. Ele era insone como eu, gostava de mergulhar em devaneios em torno de uma xícara fumegante, alterando em musicalidade as vibrações mais antigas! Isso era tudo que eu desejava. Precisava gastar aquele resto de noite, precisava inventar segundos de puro delírio...

A noite se escoava. Eu estava vestida de azul e perfumada de estrelas por acumulados verões hibernados. Ouvia noturnos, eu era noturna. Dancei com a noite, envolta em seus véus. Deixei-me envolver pela sede e pelo calor. Depois me pus à mesa, xícaras dispostas sobre a toalha natalina, cheiro de café no ar. O tempo parecia não ter passado, parecíamos ser os mesmos, o mesmo cheiro, o mesmo beijo. Mas, a noite era densa e os sonhos foram despertados...

Depois dessa noite, a vida, que andava meio sem sentido, pereceu-me mais leve, descomplicada, sem a angústia que todo futuro contém. Senti-me livre! Minha alma gótica se acalmou. Consegui ver a luz e enxotei as sombras que em mim habitavam e me impediam de senti-la... Senti que ao mínimo contato com essa energia cósmica, a minha própria luz seria revelada. Foi o momento mais luminoso que já tive, êxtase total! Senti-me protegida nesse meu novo mundo interior e que essa descoberta mudaria todos os meus planos...

O dia seguinte se dissolveu, o encontro marcado com o destino é sempre muito tenso, mas saí ganhando. Minha alma passou a vibrar mais do que antes. O café esfriou na xícara, o destino beijou-me a fronte e a noite se diluiu nos vapores dessa espera.
Descobri o eterno, a vida .


Texto (reformulado): Claude Bloc

Diversidade - Edmar Cordeiro Lima


São as pedras que calçam os caminhos

São os espinhos que guardam as flores

São as injustiças que fazem a fé

São os sonhos que movem os humanos

São os pecados que salvam os homens

São as guerras que fortalecem as nações

São as paixões que aproximam os amantes

É o amor que implode a mesmice.

É no Natal que Jesus renasce

É no renascer que se vive

Para eternidade.



Edcor

Vestido Verde - por Socorro Moreira


Perfume infiltrado no cetim

Digitais na cintura

Pespingos de vinho , dos beijos

Prata da lua , no verde encantada


-Foi doado ...

Depois de vê-lo em mim,

fora de mim, e longe de ti !

Solo Incerto

Desconhecia o medo dos amores incertos
Hoje conheço o medo das percas
E os arranhões das saudades que marcaram minha face
Os medos ainda constrangem meus olhares
Que já não é uma lança que apunhalava
Teu coração

É por precaução, que hoje quero do amor
Só o amor sem aventuras, quero o solo
O passo certo dentro do teu coração.

Imagem: Victor Melo

Jorge Veiga - por Norma Hauer


Quem ficou conhecido como "Caricaturista do Samba"?
Foi aquele que nasceu em 6 de dezembro de 1910, recebeu o nome de Jorge Veiga e com o apelido que recebeu ao se iniciar no samba, viu seu primeiro sucesso com "Iracema", de Raul Marques e Otolino Lopes.

"Oh Iracema, logo vamos ao cinema...
.....................................
Vamos nos encontrar
"Naquele ponto de bonde
Da Praça Mauá..."

Vê-se aí mais um samba que fala no bonde, verdadeiro transporte de massa e muito usado em nosas composições.

A linha melódica dfe Jorge Veiga era a mesma de Moreira da Silva no qual ele nunca negou ter-se inspirado.

Depois de "Iracema", vieram "Rosalina","Cabo Laurindo";"Estatuto da Gafieira";"Bigorrilho"...

Quando estavam em moda os colunistas sociais, como Jacinto de Thormes e Ibraim Sued, Jorge Veiga gravou o samba "Café Soçaite"( "gozação" de Miguel Gustavo com as crônicas sociais.)

Uma melodia gravada por Jorge Veiga conheceu a censura de sua época: "Eu Quero é Rosetá". Os "senhores" censores cismaram com a palavra "rosetá" e sem saber o que queria dizer,simplesmente proibiram a execução da música, depois liberada.

Como todos quie venceram em sua época, Jorge Veiga pertenceu ao "cast" da Rádio Nacional.

E Jorge Veiga continuou acumulando sucesos até seu falecimento em 29 de julho de 1979, aqui no Rio de Janeiro, aos 69 anos.
Norma Hauer

Um comentário de Zé Nilton sobre Tom Jobim

Ao nosso maestro soberano, pela passagem de sua morte.

Muitos pensam que Tom viveu em berço de ouro. Claro que foi ajudado muito pelo padrasto, que o encaminhou para o mundo das artes - e ele albergou na música. Fez dela a arte brasileira mais conhecida no mundo.
O homem era de uma fortaleza incomensurável. Tudo nele era demais, menos no falar e, daí, no tocar. Faz uma economia de notas nas harmonias como nenhum outro. Acho que por respeito aos outros instrumentos. Mas quando pontua uma nota, ela prenche de uma forma tão suave e ao mesmo tempo tão vibrante que a gente viaja no som... Talvez sua força tenha vindo de seu bisavô, nascido em Aracati, tendo vivido ali por muito tempo com a sua avó, Emília Henriqueta. O nordestino não é antes de tudo um forte ?


por Zé NIlton

Família divulga carta deixada por Leila Lopes

(http://br.noticias.yahoo.com/s/08122009/48/entretenimento-familia-divulga-carta-deixada-leila.html)
1 hora, 44 minutos atrás
Por Redação Yahoo! Brasil

Na noite desta segunda-feira (7), a família de Leila Lopes, encontrada morta em seu apartamento no último dia 3, divulgou a carta deixada pela atriz. Nela, Leila diz que não queria mais viver e que estava cansada. "Não chorem, não sofram, eu estou absolutamente feliz! Era tudo o que eu queria: ter paz eterna com meu Deus e, se possível, com minha mãe."

Na noite em a atriz foi encontrada, a polícia afirmou que havia embalagens vazias de antidepressivos no apartamento. Leia abaixo, na íntegra, a carta deixada pela atriz:

"Não chorem, não sofram, eu estou ABSOLUTAMENTE FELIZ! Era tudo o que eu queria: ter paz eterna com meu Deus e, se possível, com minha mãe. Eu não me suicidei, eu parti para junto de Deus. Fiquem cientes que não bebo e não uso drogas, eu decidi que já fiz tudo que podia fazer nessa vida. Tive uma vida linda, conheci o mundo, vivi em cidades maravilhosas, tive uma família digna e conceituada em Esteio, brilhei na minha carreira, ganhei muito dinheiro e ajudei muita gente com ele. Realmente não soube administrá-lo e fui ludibriada por pessoas de má fé várias vezes, mas sempre renasci como uma fênix que sou e sempre fiquei bem de novo. Aliás, eu nunca me importei com o ter. Bom, tem muito mais sobre a minha vida, isso é só para verem como não sou covarde não, fui uma guerreira, mas cansei. É preciso coragem para deixar esta vida. Saibam todos que tiverem conhecimento desse documento que não estou desistindo da vida, estou em busca de Deus. Não é por falta de dinheiro, pois com o que tenho posso morar aqui, em Floripa ou no Sul. Mas acontece que eu não quero mais morar em lugar nenhum. Eu não quero envelhecer e sofrer. Eu vi minha mãe sofrer até a morte e não quero isso para mim. Eu quero paz! Estou cansada, cansada de cabeça! Não agüento mais pensar, pagar contas, resolver problemas... Vocês dirão: Todos vivem! Mas eu decidi que posso parar com isso, ser feliz, porque sei que Deus me perdoará e me aceitará como uma filha bondosa e generosa que sempre fui.

Aos meus fãs verdadeiros; aos jornalistas imparciais; ao Walter Negrão e sua esposa Orphilia; a LBV; ao Eduardo Gomes; ao prefeito de Itu, Herculano Neto e toda a sua equipe e ao meu amigo Zé meu muito obrigado. Às emissoras que trabalhei, obrigada. E aos colegas maravilhosos, muita luz! A todos os sites dignos que acompanharam a minha vida, SUCESSO! Ego, Esther Rocha, Thiago, Odair Del Pozzo, Felipe Campos, não se sintam esquecidos. Não posso citar nomes de amigas, pois aí seria um livro, mas Sueli você é a irmã que eu não tive. Márcia, seja sempre feliz amiga. Magrid, obrigada por tudo! Andréia, do TV Fama, beijo amiga. Tadeu (di Pietro) cadê você??? Desculpe a quem eu esqueci, a vida foi muito mais maravilhosa do que sofrida para mim. Obrigado Jesus, Nossa Senhora e meu Deus, perdoem-me e recebem-me como a filha honesta e bondosa que sempre procurei ser! Fiquem com Deus, todos! Leila Lopes.
Se existe sentimento maior que o amor, eu desconheço!"

Carreira

Após um longo período de ostracismo na carreira, Leila Lopes, 40 anos, retomou a fama em 2008, quando entrou para o elenco da produtora de filmes pornográficos Brasileirinhas. Ela estrelou o filme "Pecados e Tentações", lançado em junho daquele ano, ao lado do ator pornô Carlos Bazuka. Leila interpreta uma mulher que seduz um seminarista.

A atriz, que nasceu em 1969 na cidade de São Leopoldo (RS), fez sua primeira novela de destaque em 1990: "Pantanal", da rede Manchete. Mas tornou-se conhecida do público na pela da professorinha Lu no folhetim "Renascer", da Globo, em 1993. Leila também integrou o elenco de "O Rei do Gado", da mesma emissora, em 1996, e fez um ensaio fotográfico para a edição de março de 1997 da Revista Playboy.

"Acredito que vou pro Céu"
Antes de retomar a carreira na produtora Brasileirinhas, Leila voltou a ser notícia em 2007, quando um vídeo de uma entrevista dela para um canal evangélico virou hit na internet, com o título "O Limite da Morte".

Na conversa, a atriz descreve, de maneira confusa, um grave acidente de carro no qual se envolveu em dezembro de 1999, quando viajava com sua empresária. Disse ainda acreditar que, se morresse, iria para o Céu. O vídeo "lançou" os bordões "Berenice, segura. Nós vamos bater" e "nada mais me lembro".

Para Maria Amélia -do seu amigo secreto




É Natal!
Tempo de reflexão, confraternização e amor. Tempo de agradecer por tudo o que somos, por tudo o que já recebemos, pelas amizades que conquistamos e pela família que possuímos.
Um Feliz Natal e um próspero Ano Novo.

É possível escrever um bom texto sem usar a letra A- Colaboração de João Nicodemos


É possível sim!

Sem nenhum tropeço posso escrever o que quiser sem ele, pois rico é o português e fértil em recursos diversos, tudo isso permitindo mesmo o que de início, e somente de início, se pode ter como impossível. Pode-se dizer tudo, com sentido completo, mesmo sendo como se isto fosse mero ovo de Colombo.
Desde que se tente sem se pôr inibido pode muito bem o leitor empreender este belo exercício, dentro do nosso fecundo e peregrino dizer português, puríssimo instrumento dos nossos melhores escritores e mestres do verso, instrumento que nos legou monumentos dignos de eterno e honroso reconhecimento.
Trechos difíceis se resolvem com sinônimos. Observe-se bem: é certo que, em se querendo esgrime-se sem limites com este divertimento instrutivo. Brinque-se mesmo com tudo. É um belíssimo esporte do intelecto, pois escrevemos o que quisermos sem o "E" ou sem o "I" ou sem o "O" e, conforme meu exclusivo desejo, escolherei outro, discorrendo livremente, por exemplo sem o "P", "R" ou "F", o que quiser escolher, podemos, em corrente estilo, repetir um som sempre ou mesmo escrever sem verbos.
Com o concurso de termos escolhidos, isso pode ir longe, escrevendo-se todo um discurso, um conto ou um livro inteiro sobre o que o leitor melhor preferir. Porém mesmo sem o uso pernóstico dos termos difíceis, muito e muito se prossegue do mesmo modo, discorrendo sobre o objeto escolhido, sem impedimentos. Deploro sempre ver moços deste século inconscientemente esquecerem e oprimirem nosso português, hoje culto e belo, querendo substituí-lo pelo inglês. Por quê?
Cultivemos nosso polifônico e fecundo verbo, doce e melodioso, porém incisivo e forte, messe de luminosos estilos, voz de muitos povos, escrínio de belos versos e de imenso porte, ninho de cisnes e de condores.
Honremos o que é nosso, ó moços estudiosos, escritores e professores. Honremos o digníssimo modo de dizer que nos legou um povo humilde, porém viril e cheio de sentimentos estéticos, pugilo de heróis e de nobres descobridores de mundos novos.

Autor: Desconhecido


O Desafio é o seguinte : escrever versos sem usar a letra O !

O Rosto e a Manta - Maria Eduarda


Quedo-me este momento, onde penso os gestos e o olhar fixo nas palavras inflexionadas, que por vezes revejo na manta que me cobre o corpo. Dobro a alma em redor e aperto-a contornando o rosto, indiferente a um qualquer discurso indirecto, obliquo ao meu passar.
Extraio de cada pensamento uma qualquer raiz que não me verga, obra de um qualquer recanto onde por instantes paro, e remeto ao silêncio um paradigma de exclusão. Leio todas as certidões sem semânticas anexas e desfolho os logaritmos de um qualquer desenho geométrico. Enquanto escrevo o que penso, ato bem forte a manta que me recolhe, e o rosto se me afigura a um qualquer teorema deitado no sub-solo. Mas num repente que desconheço, senta-se a meu lado o xis que me desata as pontas das palavras.
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Eduarda

O pensamento de Florbela Espanca- Aniversário :116 anos



- " A vida é sempre a mesma para todos, rede de ilusões e desenganos.

O quadro é único, a moldura é que é diferente"

." Se penetrásemos o sentido da vida seríamos menos miseráveis"

- "Tão pobres somos que as mesmas palavras nos servem para exprimir a mentira e a verdade"

- " É pensando nos homens que eu perdoo aos tigres as garras que dilaceram"

Florbela Espanca

O Anti-Jô


Mário Bortolotto


Tô doente e meu humor não anda bom. Então, insone e rabugento, resolvo assistir o Programa do Jô. É claro que meu humor não vai melhorar.
Então vejamos. O Jô Soares entrevistou a Mel Lisboa. Pelo pouco que conheço, gosto dela. É uma garota tranqüila. Participou da montagem de um texto meu no Rio de Janeiro. Uma montagem feita na base da brodagem, sem grana, etc. Mas na entrevista ela não falou muita coisa. A Fernanda D'Umbra escreveu um post no blog dela (com link aqui) falando sobre o fato das atrizes não serem exatamente levadas a sério em uma entrevista.
Vendo a entrevista da Mel, tenho que concordar com a Fernanda. O Jô só ficava falando o quanto ela era bonita e querendo saber sobre as fotos da Playboy. Na real, não conheço intimamente a garota e não sei se ela tinha algo realmente importante a dizer, mas o que eu sei é que o entrevistador não ajudou em nada. Assim fica difícil. Quero ver a hora que uma atriz tiver a manha de dizer algo do tipo: "Ok, você já falou como eu sou bonita. Agora que tal me fazer alguma pergunta decente?"
Mas isso é típico do Jô. Quando vai um rockeiro lá, ele só fica querendo saber das tatuagens do cara ou do corte de cabelo excêntrico. Acho que o cara também tinha que ter a manha de dizer: "Tá legal, cara. Agora que tal a gente falar um pouco da minha música?" Desse jeito fica difícil.
Mas voltando a entrevista da Mel, ela disse que suas fotos na Playboy foram inspiradas na interpretação que Ornella Mutti fez da personagem Cass no filme Crônica do Amor Louco baseado na literatura de Charles Bukowski. Ela não disse exatamente tudo isso. Eu que tô dizendo.
Mas, enfim, não é isso que eu quero falar. O que acontece é que aí o Jô colocou uma cena do filme no telão e demorou pra reconhecer o filme. Sei lá, acho que o ponto dele tava dormindo. O que eu acredito é que quanto mais o sujeito ganha dinheiro, menos tempo ele vai tendo pra procurar se informar. Porra, o filme é um clássico. Pra mim, é a mesma coisa que passar uma cena de Gene Kelly dançando com o Guarda-Chuva e o figura não reconhecer de que filme se trata. Desculpa aí.
E aí ele entrevistou o Celso Frateschi (nosso secretário de Cultura). Eu não sou exatamente o mó entusiasta do trabalho que o Celso vem fazendo na Secretaria, mas o Jô podia ter deixado o cara falar um pouco. Parece que o Jô tava perturbado com um patrocínio que ele perdeu, sei lá. E aí chamou o Secretário e ficou monologando. Chato pra caralho.
E não esquecer que antes o Jô fez questão de dizer que a Maria Adelaide Amaral tinha dito que o Celso era um excelente ator. Na boa, o Jô devia ir mais ao teatro. O Celso é realmente um excelente ator, mas já tá há um tempão na estrada. Como é que um cara que se diz tão informado quanto o Jô nunca viu um trampo do Celso? E olha que o cara ainda faz TV de vez em quando. Será que o Frateschi tem que mandar um video book com o trabalho dele pro programa do Jô?
E aí ele entrevistou um cara que escreveu um livro sobre o Elvis Presley. No final, Mr. Jô fez questão de fazer sua análise sobre o trabalho de ator de Elvis deixando claro que o Rei do Rock como ator era muito ruim. Mas não conseguia falar nenhum nome de filme que o Elvis fez. E na hora que passou o trechinho de um no infalível telão, era justamente um filminho bobo (Girls, Girls, Girls), com Elvis dançando com uma garota, me parece que mais numas de mostrar o quanto o apresentador estava certo. Porra, sabe que eu não acho o Elvis realmente um grande ator.
Mas o cara tinha carisma. Com um pouco mais de trabalho e fazendo os filmes certos eu acho que o Elvis levava jeito. Os primeiros filmes são bem legais. Jô não conseguia lembrar de nenhum. Acho que ele só viu a fase do Hawaii que é tudo a mesma merda. Bem, então lá vai, vou fazer o trabalho que o ponto do Jô devia ter feito: Love Me Tender, Loving You, Jailhouse Rock e o ótimo King Creole, com direção de Michael "Casablanca" Curtiz. Ainda teve o bom Flaming Star, citado pelo escritor no programa do Jô e logo repudiado pelo apresentador.
E o mais engraçado é ver que essa análise é feita justamente por um cara que apresenta um programa de entrevistas mas fala mais que o entrevistado. É comediante, mas não tem a menor graça. Alguém ri daquelas piadas que ele conta no começo do programa? Diz que é artista plástico (caramba). Escreve uns livros ruins pra cacete. E aí, Mirisola, quando é que você vai falar da literatura do Jô? Esquece o Chico Buarque um pouco e redireciona sua artilharia. O cara tá merecendo. Daqui há pouco ele também ganha algum premio que devia ser seu. Toca trompete, mas convenhamos, toca mal pra caralho. Só mesmo contratando uma banda pra tocar com ele.
Lembro de uma entrevista com o João Donato e o Jô insistindo que o João tocava um determinado instrumento (não me lembro se era sax). O João, grande músico que é e em sua simplicidade retrucou: "Não, Jô. Eu não toco, não. Quer dizer, toco assim, como você toca trompete. Nada sério". O clima de constrangimento foi um show à parte. Não é por nada não, mas tá difícil assistir o programa do cara.


Nota do Editor

Mário Bortolotto é dramaturgo. Este texto, reproduzido aqui com sua autorização, foi originalmente publicado em seu blog Atire no Dramaturgo. Os bandidos , ironicamente, seguiram o conselho o blog e o feriram gravemente no último sábado.

São Paulo(08/12/09)

O dramaturgo Mário Bortolotto, de 47 anos, permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, na região central da cidade. Segundo boletim divulgado nesta manhã, ele está consciente e com quadro clínico estável. A sedação já foi retirada. O dramaturgo permanece sob efeito de analgésicos, respirando com a ajuda de aparelhos.
Bortolotto foi baleado durante uma tentativa de assalto, sábado, ao bar do Espaço Parlapatões, na Praça Roosevelt, no centro da cidade. Por volta das 14 horas de ontem, o desenhista e músico Henrique de Macedo Figueroa, conhecido como Carcarah, de 30 anos, também baleado durante o assalto, recebeu alta do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

"Vaidade" - Florbela Espanca

Vaidade
( A um grande poeta de Portugal )
...
Sonho que sou a poetisa eleita
Aquela que diz tudo e tudo sabe
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade.
x
Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo.E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade !
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita.
x
Sonho que sou alguém cá neste mundo...
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a Terra anda curvada.
x
E quanto mais no céu eu vou sonhando,
E quanto mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho... E não sou nada.
x
Livro de Mágoas ( 1919 )

Florbela Espanca - 8 de dezembro de 1894,Vila Formosa - Portugal - 8 de dezembro de 1930 -Matosinhos - Portugal

A Rua Dom Quintino é a minha rua - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Que bom relembrar as ruas do Crato, principalmente daquelas que marcaram a nossa infância! Para mim a rua mais importante do Crato é a Rua Dom Quintino. Certa vez, uma amiga me disse que todos os cratenses passam pela Rua Dom Quintino. Peço desculpas aos que por lá moram ou passam quase todos os dias, mas a Rua Dom Quintino é a minha rua! Foi lá que eu nasci num velho casarão de número 18, onde residiam meus avós paternos. Precisa de um motivo maior do que esse para eu ser o dono da Rua Dom Quintino? Acredito que eu fui o último cratense com mais de sessenta anos, que nasceu na Rua Dom Quintino. Sim, porque os mais jovens nasceram numa maternidade. Em compensação não tiveram a assistência da famosa parteira dona Ceiçinha. Existirá maior orgulho? Foi numa tarde morna de um quinze de setembro, que minha mãe precisou sair da fila do confessionário na igreja da Catedral. Será que uma santa como a minha mãe poderia ter algum pecado? Ah sim, minha mãe é uma santa com toda certeza e, através dela, tenho conseguido as graças que guiaram a minha vida inteira. Ela teve de andar mais apressadamente os poucos mais de cem metros que separam a Catedral da casa da minha avó. Quinze minutos depois, eu via a Rua Dom Quintino pela primeira vez. Por isso eu considero a Rua Dom Quintino, a rua mais importante do Crato. Lembro-me que mamãe reclamava quando eu andava por lá somente de calção e pé no chão: “Não faça mais isso, meu filho, a Rua Dom Quintino é um pedaço de Copacabana no Crato”.

Poucos dias após meu nascimento, fui transferido para o Sítio São José, onde moravam meus pais. Por lá cresci entre os canaviais e, aprendi as primeiras letras com minha tia afim, Hélia Abath. Diferentemente dos meus outros nove irmãos, que iam estudar no Crato ao completarem seis anos, eu, por ser o filho caçula, fiquei mais tempo com meus pais. Assim bebi mais sabedoria com os conselhos de minha mãe e o testemunho de homem probo que foi o meu pai durante os seus sessenta e cinco anos de vida.

Aos oito anos fui morar na Rua Teófilo Siqueira, numa casa que meu pai acabara de construir. Essa casa tinha o muro do quintal fazendo fronteira com o quintal da casa da minha avó. E foi construído um portãozinho unindo os dois terrenos. Pronto, aí estava a minha salvação. Eu era muito preso em casa e proibido de sair à rua para brincar com os outros meninos. Por esse portãozinho maroto, com a desculpa de visitar a minha avó, eu ganhava a Rua Dom Quintino. Depressa fiz amizades com Orlando da Bicuda, conheci os primos Marcos Cartaxo Esmeraldo e José Esmeraldo Gonçalves, o menino mais danado daquela época. Anos depois, ele ganhou do Padre Gomes o apelido de Zé Lorota. Embora hoje ele afirme que o apelido faz algum sentido, pois virou jornalista, dou meu testemunho que ele não era mentiroso de forma alguma. Mas creio que esse apelido, anos mais tarde, fez com que ele perdesse alguma namorada.

A Rua Dom Quintino do Colégio Santa Tereza e suas internas tão apreciadas pelo Orlando, coroinha oficial da capela do colégio, a quem eu, todo trapalhão, ia ajudar na Bênção do Santíssimo Sacramento, para boas risadas das internas. Delas me lembro somente da Toinha Antero, que não vejo há anos. Ela ainda muito pequena sentava no banco da frente, na capela. Ao contrário do amigo Orlando, nunca passou pela minha cabeça de oito anos de idade namorar alguma interna. Estava mais para perturbar a irmã Pia, porteira do Colégio, tocando sucessivas vezes a campainha e me escondendo para que ela não me visse quando viesse abrir a porta. Para mim, já era altas horas, mas no máximo, oito e meia da noite. Um dia, ela se escondeu por trás da porta e me pegou, acabando dessa forma com meu brinquedo preferido.

A Rua Dom Quintino começava com a casa da minha bisavó torta, Mãe Zarena, embora ela fosse muito elegante e retinha e sua filha, a minha querida e inesquecível tia Lurdinha. Vizinho a elas existia a bodega de dona Joaninha e os famosos pirróis. Numa casa mais à frente, residia Maria Norões, a quem eu e o primo Zé Esmeraldo testávamos a paciência, fazendo muito barulho defronte da sua porta e agravando mais ainda suas freqüentes dores de cabeça. Na Rua Dom Quintino morava quase toda minha família: Tia Pia Cabral, irmã do meu avô e mãe do primo e cunhado Huberto Cabral, José Sarto, além de um monte de filhas: Irene, Cléa, Sarah, Lúcia, Divani, Lurdinha, Bernadete, Francinete e outras tantas, que até hoje não sei ao certo quantas são. Mais à frente, moravam; vovó e tia Cira, Dalvinisa, Stelina, Neném, e o casal Vicente Arnaud e Rosalva, donos de uma bodega com venda anotada na caderneta, onde eu me empanturrava com as chupetas de mel de abelha, deliciosas como é a Rua Dom Quintino. No meio do quarteirão estava o palácio do morador mais importante da rua, o bispo Dom Francisco, que sempre guardava alguns bombons no bolso da batina para nos presentear. Depois do Palácio do Bispo, uma coleção de casas iguais, onde numa delas residia um jovem casal com poucos dias de casados. Defronte dessa casa, encostados na parede do Colégio Santa Tereza, todas as manhãs, eu e o primo Marcos e mais um grupo de meninos fazíamos uma parada obrigatória no caminho da escola, para assistir a saída do marido e os beijos de despedidas desse casal. A maioria daqueles moradores ainda se encontra por lá: Edicio Abath e minha prima Bernadete, com quem morava seu irmão Marcos, o paraibano Zelo e seus filhos: Cicera Policarpo, Pombo Novo, Zelo Filho e tantos outros. Mas um pouquinho à frente, residia o grande Abdoral e suas cítaras, pai dos artistas famosos Abdoral e Pachelly. A Rua Dom Quintino terminava na casa da minha querida tia Rosinha, a pessoa da família que mais viveu; 101 anos.

Sempre que eu volto ao Crato, não dispenso um bate-papo à noitinha, na calçada da casa da minha irmã Maria Zélia, na Rua Dom Quintino, é claro, a rua da minha vida, a minha rua.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

As tias high-tech e as manchetes do dia - por José do Vale Pinheiro Feitosa

Rosa, Maria e Raimunda viram o sol ligar o lume do dia como todo dia fazem. Tia Rosa olha para o sol vermelho nascendo por trás do Serrote do Cachimbo e pensa nas cores que predominaram na internet desde domingo. Um sol bem futebolístico, até uma bola é. Tia Maria franze o cenho de preocupação com o açude baixando o nível da água. Tia Raimunda chama as duas para lerem os jornais digitais no amanhecer desta terça feira.

E a manchete principal é: “Temporal provoca morte, interdita a Marginal Tietê e paralisa São Paulo”. Em ato quase automático, Maria volta a olhar para o seu açude minguando enquanto os paulistanos xingam a natureza cruel igual fazem aos governos do estado que não dão vazão às águas nas ruas. Rosa comenta: água não é mole não. Engana com aquela malemolência toda, mas carrega uma força por dentro capaz de mudar tudo no seu caminho.

A próxima manchete fez Raimunda puxar um riso irônico de canto de boca: “Obama recorre à saúde para controlar emissões.” Maria atenta, viu a crítica da irmã pela vírgula ferina nos lábios. Levantou a cabeça perguntando em silêncio à irmã o motivo para tal sorriso e Raimunda, fugindo ao seu habitual recato, expôs seu espírito gaiato de cearense, a maior parte das vezes escondido e explicou: por isso é que Buiu tinha razão quando dizia que era melhor um peido estrondando do que uma tripa dando nó. E Obama quer controlar as emissões com a saúde, nada mais na contramão da brincadeira de tia Raimunda.

Passaram com tédio na outra manchete que falava na morte de mais de 100 em ataques dentro de Bagdá. Tia Rosa explicou-se: esta manchete já é velha. Vem dando há mais de seis anos. E foram descendo, ou subindo, depende de quem descreve, a página do jornal até chegarem à manchete: “Madonna pensa em adotar mais uma criança”. As três empacaram na manchete. Não sabiam traduzir a frase.

Tia Raimunda diante da mudez das três expressa o sentimento coletivo: se ela pensa ninguém poderia estar sabendo. Como o jornal diz que ela pensa? O jornal já está adivinhando pensamento? Rosa balança a cabeça e estalando os lábios em desagrado diz: é que ela não pensa, ela disse ao jornalista. Mas então o jornalista está mentindo, se achando Deus, comentou tia Maria.

Mas meninas não é só isso não, continuou Raimunda. Esta Madona está virando uma mandona, parece uma creche. Aí tia Rosa pegando o espírito gozador agora para si, diz: e vai botar estes filhos adotados todinhos para morar naquele castelo lá da França onde aquele jogador de Futebol Ronaldo casou a uma modelo chamada Cacareli. Maria corrigiu o nome da modelo: não é Cacareli não, é Cigoreli! Errado as duas o certo é Cicarelli. – falou Tia Raimunda e acertou em cheio.

Nisto o café cheirou desde a cozinha em que ebulia e as três pararam a sessão de jornais na internet. O dia prometia muito calor no sertão do Potengi.