Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Esse cara é demais !- Lupeu Lacerda!


sei da cor do silencio das palavras
de pedra, de couro esticado de lagartos ao sol
sei da inexistencia dos sons
melodramáticos, ecos mortos,
asas de um anjo tão real quanto.
sei de cor a palavra que diz do silencio
do martelo quebrando a pedra
a mão faca arrancando a pele, da alma
do lagarto rei
os sons, quebram os sons
regurgitam gritos
e seguem em direção ao matadouro.

Por Lupeu Lacerda


Lumiar
Beto Guedes
Composição: Beto Guedes / Ronaldo Bastos

Anda, vem jantar,
Vem comer, vem beber, farrear
Até chegar Lumiar
E depois deitar no sereno
Só pra poder dormir e sonhar
Pra passar a noite
Caçando sapo, contando caso
De como deve ser Lumiar

Acordar, Lumiar, sem chorar,
Sem falar, sem quer
Acordar em lumiar
Levantar e fazer café
Só pra sair caçar e pescar
E passar o dia
Moendo cana, caçando lua
Clarear de vez Lumiar

Amor, Lumiar,
Pra viver, pra gostar,
Pra chover, pra tratar de vadiar
Descansar os olhos, olhar e ver e respirar
Só pra não ver o tempo passar
Pra passar o tempo
Até chover, até lembrar
De como deve ser Lumiar

Anda, vem cantar,
Vem dormir, vem sonhar, pra viver
Até chegar em Lumiar

Estender o sol na varanda até queimar
Só pra não ter mais nada a perder
Pra perder o medo, mudar de céu, mudar de ar
Clarear de vez Lumiar

Honoré de Balsac


Honoré de Balzac (Tours, no departamento francês de Indre-et-Loire, 20 de maio de 1799 — Paris, 18 de agosto de 1850) foi um romancista francês. Em 1849, com a saúde debilitada, viajou à Polônia para visitar Eveline Hanska, rica dama polaca com quem se correspondeu mais de 15 anos. Em 1850, três meses antes da morte de Balzac, eles casaram-se.

Sérgio Cardoso


Sérgio Fonseca de Mattos Cardoso mais conhecido como Sérgio Cardoso (Belém, 15 de março de 1925 — São Paulo, 18 de agosto de 1972), foi um ator brasileiro.

Formou-se em Direito no Rio de Janeiro e sonhava com o Itamarati, queria ser diplomata. Despertou para o teatro ao conhecer o Teatro Universitário do Rio de Janeiro e sua estréia foi no papel título de Hamlet de Shakespeare. O sucesso foi tão grande que ele desistiu de tudo e se decidiu pela carreira de ator. Foi para o Teatro Brasileiro de Comédia de São Paulo. Fez peças importantes, como: Entre Quatro Paredes; A Ópera dos Três Vinténs; Do Mundo Nada se Leva; Seis Personagens à Procura de um Autor; Convite ao Baile; A Falecida; A Raposa e as Uvas e A Ceia dos Cardeais.

Em 1949 fundou sua própria companhia teatral, o Teatro dos Doze em sociedade com a atriz Nydia Lícia com que foi casado por muitos anos e teve uma filha, Silvia.

Na TV Tupi, Sérgio Cardoso fez várias telenovelas de sucesso: O Sorriso de Helena ; O Cara Suja; O Preço de uma Vida; O Anjo e o Vagabundo; Somos Todos Irmãos e Antônio Maria. Essa última, escrita por Geraldo Vietri, que fez ao lado de Aracy Balabanian, foi seu maior sucesso na TV. Em 1968, realizou O Santo Mestiço, novela sobre a vida de São Mantinho de Porres.

Em 1969 ele foi para a TV Globo, onde fez: A Cabana do Pai Tomás; Pigmaleão 70; A Próxima Atração e O Primeiro Amor. Foi este seu último trabalho e o ator faleceu vitimado por um ataque cataléptico, que deixa o corpo da pessoa portadora como se a mesma estivesse morta. Ele teve que ser substituído por Leonardo Villar, um de seus melhores amigos, já que a telenovela ainda tinha vários capítulos para serem gravados e ele fazia o principal papel.

Mais de vinte mil pessoas acompanharam o enterro do ator em São Paulo. Onde ele formou sua Companhia de Teatro, no bairro da Bela Vista, hoje existe o Teatro Sérgio Cardoso.

Após sua morte houve rumores que o ator havia sido enterrado vivo, fato que é verídico, mas foi negado posteriormente por parentes e amigos. Quando desenterrado, estaria virado de bruços com o rosto desfigurado. Desconfia-se que se estrangulou ao saber que ainda vivia. A sua roupa encontrava-se rasgada após apenas uma semana de enterro, alguns cabelos tinham sido arrancados e sua face estava boquiaberta de pânico. Só que isso foi posteriormente desmentido.
wikipédia


Olá prezad@s,

Em anexo um portfólio dos principais cursos e oficinas oferecidos por mim atualmente.
Por gentileza ajudem a divulgar. Estou aberto a propostas de parceria.

Grato pela atenção.
Abraços. Pax et bonum.


Joelmir Pinho
www.institutofocus.com
www.joelmirpinho.wordpress.com
joelmirpinho@hotmail.com (msn)
Twitter: @joelmirpinho

Vida itinerante de uma bancária (XIV)- por Socorro Moreira

Friburgo- Berço da colonização alemã
Hotel de Dona Mariquinha
Teleférico- Friburgo-Rj
São Pedro da Serra
Maio de 1992

Olhei meu apartamento  pela última vez, e deixe-o vazio para ser alugado por uma imobiliária. O caminhão seguiu por terra com a minha mudança, e eu me adiantei pelos ares, em companhia de André, meu filho caçula, vestibulando.
Chegamos no Rio, e fomos direto pra rodoviária. Menos de 3 horas de viagem. A cidade estava gelada , naquele mês de maio. Pedimos ao taxista que nos levasse a um hotelzinho bom e barato.Estávamos no Centro da cidade, perto do Banco do Brasil, no hotel e restaurante de Dona Mariquinha. No dia seguinte fiquei sabendo que lá era servida , a melhor comida caseira da cidade. Inesquecível. Os garçons passavam a bandeja, a toda hora , com pratos diferentes , e a gente podia se servir do que quisesse, à vontade. Adorava principalmente, os pastéis de entrada.Depois vinham as saladas, o feijão preto, a carne assada, a farofinha com bacon, os ovos estrelados, o arroz soltinho . Tudo fumegando, tudo no ponto, tudo deliciosamente servido. A sobremesa era morango com uma cascata de chantily , feitta  com creme de leite fresco. Um sabor nada comparável ao creme de leite das latas.
A Agência era moderna e linda. A cidade , que eu já conhecia, quando morei em Macaé, me parecia  um recanto europeu. Floriculturas , cafés, docerias, lojas que vendiam queijos finos, licores e amanteigados.
Enquanto procurava  casa para alugar  ia descobrindo os segredos da cidade. Ela tinha qualquer coisa de mística, de búdica. O Pico da Caledônia, se mostrava, exuberante ! Disseram-me que lá existia um mosteiro budista, pouco frequentado, mas  interessante pra gente experienciar  a meditação em silêncio. 
E, na sequência, tudo que era alternativo foi se apresentando: centro de danças sagradas, acupuntura, I Ching, Curso de Astrologia e Taro, cozinha macrobiótica, grupo de ufologia, medicina natural, etc e tal.
Parece que Deus sabia que eu precisava de toda serenidade do mundo  para encarar o clima competitivo do Banco.Minha função de Gerex havia sido concorrida por milhares de pessoas.A interrogação era grande : "como conseguiu ser nomeada para cá?"
A resposta estava na boca da Direção Geral. Era a minha compensação por uma  possível injustiça , no passado recente, na Bahia.
Lotaram-me  no atendimento. Mesa redonda  e cadeiras para negociações com os clientes. Nos primeiros dias, senti que a minha bodega  estava vazia. Precisava fazer algo, produzir, mexer com as estruturas de base. O atendimento aos aposentados era um tanto marginalizado. As filas eram imensas, e o povo da terceira idade, sofrido. Propus comandar aquele setor, que não era ansiado pelos outros gerentes. Transformei o andar , noutro Banco. Humanizei-o com o maior dos meus carinhos. Servia , nos dias de pagamento, café, chá, chocolate quente; biscoitos, e distribuía chocolates, nas datas especiais. Acho que acabei incomodando, bastante. Foi a minha experiência funcional mais árdua, e ao mesmo tempo ,  a mais gratificante. Culminei-a, pedindo destituição da comissão, por livre e espontânea vontade, desejando reunir-me aos filhos, na cidade de Campina Grande-Pb. Claro ,que fui considerada uma louca.!A coragem de perder uma situação de prestígio  não é fácil para qualquer um. Eu já havia compreendido, claramente, que o bom da vida é SER ... ESTAR  é passageiro demais, para que a gente possa nele se fiar.

Mas até completar meus dois anos, vivi muita coisa boa !
A natureza em Friburgo é prodigiosa. Só comparável ao nosso pé de serra.
Muitos shows, muita gente de fora com figurinhas para trocar, e a gastronomia especialíssima !
Os bosques de orquídeas  eram nativos. Águas correntes , clima ameno, recantos paradisíacos !
Meu companheiro que tocava violão chegou pouco depois. Não sentindo clima de boemia , despediu-se em seguida. Eu aproveitei para um tempo de serenar o coração e a alma. Mas, vez por outra, dava uma passada no bar "Edoardo", onde as pessoas curtiam um Happy Hour. Aí era papo , que não acabava. Gente escolarizada,  sensível... Nada  a ver com o grupo bancário, onde também existiam pessoas afáveis.
Um dia, o Apto  em que morávamos  teve, literalmente, o teto desmoronado.André conseguiu alugar por amizade  uma casa belíssima, onde ficamos até o nosso último dia em Friburgo. Foi massa !

Afora  o diferente , ainda lembro com saudades das Escolas de Samba, na época do Carnaval. Sem os deslumbres do Rio, claro, mas com a essência  no pé, e na alma. Cheguei a participar de uma delas , com grande entusiasmo. Na realidade eu vivia meu lado profano e sagrado, em perfeita harmonia... Se isso é possível !

Fomos visitados por todos amigos e familiares. Friburgo, encantava !
Passei inúmeros finais de semana  no Rio, em Lumiar, e em São Pedro da Serra, sem contar com outros lugares, nas proximidades. 
Foi sem dúvidas uma experiência rica , e no fundo feliz, morar  em Friburgo. 
Mas, com notas da responsabilidade materna, Campina Grande me esperava... E fui ! 

Era Agosto de 1994


Pérolas nos bastidores... A propósito do texto "Perdas ou Ganhos?"



Ana (Ballet de Palavras) disse...

Claude,
Texto belíssimo de caracteres multifacetados e, perfumados, seus.

Felicito-a Claude.

Perdas e Ganhos?! Reversos da vida ... Eu, Claude?! Deixei o olhar de menina inocente mas obtive o olhar de mulher confiante... perdi a capacidade de olhar mas adquiri a competência de observar … perdi o riso fácil mas ganhei a gargalhada delicada... perdi o rosto juvenil no entanto adquiri um rostinho notável de ruginhas que recordam-me o prazer da vivência passada …

Perdi amores, ganhei outros … Perdi a vivência de pessoas queridas e, ganhei lembranças dóceis e, inesquecíveis … Perdi sonhos e, realizei novos … Perdi a insipiência e, conquistei a sapiência na forma como observo, sinto e, reajo perante a vida …

Não quero nunca Claude perder a capacidade de sonhar, continuar a acreditar que é possível a paz, que as crianças são seres delicados, frágeis e, delicados cristais … que a velhice é um reflexo de um aprendizado da vida … não quero perder a capacidade de me emocionar, quero manter a essência que sou mesmo que me faça lacrimejar ou sorrir porque a vida é um enorme palco de emoções e, privar dela é a maior das comoções.

Um dia aprazível Claude são os desejos de mim para si.

Ana

Cascais - Portugal

Organizar A Vida.



Vamos arrumar nossas gavetas, nosso guarda-roupa, escrivaninha, mágoas que nos adoece, rancor que tumoriza; raiva e muitos outros sentimentos que que não são úteis.
Comecemos consertando nossa casa interior.

Todavia,do lado de fora, podemos arrancar o mato da grama, dos canteiros, dos jarros... Isto nos fará bem.Gostar e olhar para as formigas, por que não? o Pe Antonio Vieira"num" chamava o jumento de irmão?

Podemos "ecologizar" nosso pensar, nosso coração, nossa alma. Devemos experienciar e vivenciar o novo em qualquer época, pode ser até em agosto, por exemplo. Renovar é um processo contínuo.Acontece ás vezes, de conseguirmos sair de uma fase terminal, quer seja biológica, ecológica ou fenomenológica, para uma vida absolutamente recém instaurada.Adoro a lenda da Fênix: que morre e renasce das cinzas.

Sobre o amor e o namorar, podemos namorar todos e tudo: as idéias, os conceitos, os valores, o mundo,os bichinhos, e amar os amigos...Amigo é bicho bom! Corre prá gente de braços abertos, calçando os sapatos muitas vezes ás pressas, quando necessitam chegar urgente.E ai, nós seres humanos, passamos a ter todo conforto e carinho necessários e de graça "thurma"! Eles possuem a faculdade de fazer secar nossas lágrimas. E o melhor nos fazem rir e gargalhar também.

A vida está aqui na nossa frente, de lado, dentro de nós. Vamos curtir, vamos amar, vamos ser alegres, simplesmente por existir e sermos cidadãos deste belo Planeta Terra.

Salada de Couve-Flor


Ingredientes

1 pé de couve-flor cozida
2 colheres de sopa de cebola raladas
1 dente de alho amassado
2 colheres de sopa de suco de limão
quanto baste de sal
quanto baste de orégano
quanto baste de manjericão

Modo de preparo
Pique a couve-flor. Em uma travessa coloque todos os ingredientes e misture levemente. Leve à geladeira. Sirva a salada gelada.

Por Rachel de Queiroz


Crônica nº. 1

Rachel de Queiroz


Tanto neste nosso jogo de ler e escrever, leitor amigo, como em qualquer outro jogo, o melhor é sempre obedecer às regras. Comecemos portanto obedecendo às da cortesia, que são as primeiras, e nos apresentemos um ao outro. Imagine que pretendendo ser permanente a página que hoje se inaugura, nem eu nem você, — os responsáveis por ela, — nos conhecermos direito. É que os diretores de revista, quando organizam as suas seções, fazem como os chefes de casa real arrumando os casamentos dinásticos: tratam noivado e celebram matrimônio à revelia dos interessados, que só se vão defrontar cara a cara na hora decisiva do "enfim sós”.

Cá estamos também os dois no nosso "enfim sós" — e ambos, como é natural, meio desajeitados, meio carecidos de assunto: Comecemos pois a falar de você, que é tema mais interessante do que eu. Confesso-lhe, leitor que diante da entidade coletiva que você é, o meu primeiro sentimento foi de susto —, sim, susto ante as suas proporções quase imensuráveis. Disseram-me que o leitor de O CRUZEIRO representa pelo barato mais de cem mil leitores, uma vez que a revista põe semanalmente na rua a bagatela de 100.000 exemplares.

Sinto muito, mas francamente lhe devo declarar que não estou de modo nenhum habituada a auditórios de cem mil. Até hoje tenho sido apenas uma autora de romances de modesta tiragem; é verdade que venho há anos freqüentando a minha página de jornal; mas você sabe o que é jornal: metade do público que o compra só lê os telegramas e as notícias de crimes e a outra lê rigorosamente os anúncios. O recheio literário fica em geral piedosamente inédito. E agora, de repente, me atiram pelo Brasil afora em número de 100.000! Não se admire portanto se eu me sinto por ora meio “gôche”.

Dizem-me, também que você costuma dar sua preferência a gravuras com garotas bonitas a contos de amor, a coisas leves e sentimentais. Como, então, se isso não é mentira, conseguirei atrair o seu interesse? Pouco sei falar em coisas delicadas, em coisas amáveis. Sou uma mulher rústica,muito pegada à terra, muito perto dos bichos, dos negros, dos caboclos, das coisas elementares do chão e do céu. Se você entender de sociologia, dirá que sou uma mulher telúrica; mas não creio que entenda. E assim não resta sequer a compensação de me classificar com uma palavra bem soante.

Nasci longe e vivo aqui no Rio, mais ou menos como num exílio. Me consolo um pouco pensando que você, sendo no mínimo cem mil, anda espalhado pelo Brasil todo e há de muitas vezes estar perto de onde estou longe; e o que para mim será saudosa lembrança, é para você o pão de cada dia. Seus olhos muitas vezes ambicionarão isto que me deprime, — paisagem demais, montanha demais, panorama, panorama, panorama. Tem dia em que eu dava dez anos de vida por um pedacinho bem árido de caatinga, um riacho seco, um marmeleiral ralo, uma vereda pedregosa, sem nada de arvoredo luxuriante, nem lindos recantos de mar, nem casinhas pitorescas, sem nada deste insolente e barato cenário tropical. Vivo aqui abafada , enjoada de esplendor, gemendo sob a eterna, a humilhante sensação de que estou servindo sem querer como figurante de um filme colorido. Até me admira todo o mundo do Rio de Janeiro não ser obrigado a andar de “sarong”. Mas, cala-te boca; para que fui lembrar? Capaz de amanhã sair uma lei dando essa ordem.

Apesar entretanto de todas essas dificuldades, tenho a esperança de que nos entenderemos. Voltando à comparação dos casamentos de príncipe, o fato é que as mais das vezes davam certo. Não viu o do nosso Pedro II com a sua Teresa Cristina? Ele quase chorou de raiva quando deu de si casado com aquele rosto sem beleza, com aquela perna claudicante; porém com o tempo se acostumaram, se amaram, foram felizes, e ela ganhou o nome de Mãe dos Brasileiros. Assim há de ser conosco, que eu, se não claudico no andar, claudico na gramática e em outras artes exigentes. Mas sou uma senhora amorável, tal como a finada imperatriz, e de alma muito maternal. A política é que às vezes me azeda mas, segundo o trato feito, não discorreremos aqui de política. Em tudo o mais sempre me revelo uma alma lírica, cheia de boa vontade; eu sou triste um dia ou outro, não sou mal humorada nunca. E tenho sempre casos para contar, caos de minha terra, desta ilha onde moro; mentiras, recordações, mexericos, que talvez divirtam seus tédios.

Você irá desculpando as faltas, que eu por meu lado irei tentando me adaptar aos seus gostos. Quem sabe se apesar de todas as diferenças alegadas temos uma porção de coisas em comum?

Vez por outra hei de lhe desagradar, haveremos de divergir; ninguém é perfeito neste mundo e não sou eu que vá encobrir meus senões. Tenho as minhas opiniões obstinadas — você tem pelo menos cem mil opiniões diferentes — há, pois, muito pé para discordância.

Mas quando isso suceder, seja franco, conte tudo quanto lhe pesa. Ponha o amor próprio de lado, que lhe prometo também não fazer praça do meu. Lembre-se de que há um terreno de pacificação, um recurso extremo, a que sempre poderemos recorrer: fazemos uma trégua no desentendimento, procurando esquecer quem dos dois tinha ou não tinha razão; damos o braço e saímos andando por este mundo, olhando tudo que há nele de bonito ou de comovente: os casais de namorados nos bancos de jardim, o garotinho cacheado que faz bolos na areia da praia, a luz da rua refletida nas águas da baía, ou simplesmente o brilho solitário da estrela da manhã.

Depois disso, não precisaremos sequer de fazer as pazes; nos seus cem mil variadíssimos corações, como no meu coração único só haverá espaço para amizade e silêncio.

Há anos sei que é infalível o resultado da estrela da manhã.


Esta é primeira crônica escrita por Rachel de Queiroz para a coluna “Ultima Página” na revista “O Cruzeiro”, em 01/12/1945. A escritora, que iniciou assinando “Raquel de Queiroz”, permaneceu na revista quase até suas portas serem fechadas. Esta preciosidade faz parte dos “Arquivos Implacáveis” de João Antônio Bührer, gentilmente enviada ao Releituras.

Rachel de Queiroz: sua vida e sua obra estão em "Biografias".


ESSA MÚSICA VAI PARA SOCORRO

Querida amiga,
para acompanhar suas memórias de bancária por esse Brasil afora, vai aí uma música especial para o tema. Tô acompanhado os relatos... e fico sempre pensando: "e depois dessa cidade, meu Deus, pra onde será que ela vai?" Ainda bem que sei o final, senão morreria de ansiedade.
Stela



O Sesc de Juazeiro, convida ! ( extra oficial)

Acontecerá, nos próximos  dias , 31 de Agosto, 1 e 2 de Setembro, o Circuito da Leitura, promovido anualmente,  pelo Sesc Juazeiro do Norte. O Cariricaturas  está inserido na programação, pelo gentil convite  de Paulo Damasceno (Coordenador) ,e o  estímulo da  Bibliotecária Deusimária.
Alem das oficinas de contação de histórias, incentivo à leitura, criação poética, etc, privilegiando autores cearenses,personificados  pela escritora Rachel de Queiroz,   acontecerá o relançamento do livro "Cariricaturas em prosa e verso".
Estejam  prontos para  esse momento, dia 1.09.2010. às 18 h, no Sesc Juazeiro do Norte, os amigos escritores ,que participaram do livro. 
O convite estende-se  aos nossos leitores e colaboradores !

Quem estiver distante, aproxime-se !

Importante poder contar com a presença de todos !

Rilke Rainer Maria


Do eco sem fim de tua dor
nasce o Verbo, aflora o espinho
de uma morte a recender suave rosal.
Vieste ao mundo para orquestrar
a fúria de um Deus selvagem.
Nasceste para pacificar a violência
de um silêncio indomável.
Do escombro de cada momento
eriges o teu rosto, o teu louvor,
suavizando na angústia extrema
a violência das feras famintas.
Em cada instante escreves
a fatalidade de um anjo áspero,
o fascínio de um peregrino
a caminhar pela luz de um poema
em que tudo é santificado.
Às margens do Adriático
uma epifania conclama-te
no existir fulminante,
na loucura dos profetas,
na morte jamais desfeita em cinzas.
E tudo em nós ressuscita o intacto
silêncio das sinfonias, tudo em nós
louva a sagração do vinho,
quando nos findamos
no pólen dos teus dons.

De Isabel Virgínia, o café - por Everardo Norões

talvez apenas um café
um pires de doce de leite
ou simplesmente o repouso
do discurso na xícara
sabor que adormece o vencido
talvezn o linho a clarear a sala
na afasia dos espelhos
ou o verso a caber na terrina
seu perfume
talvez à soleira da porta
barulho de passos
a consumir o nome
nas exéquias do possuído
talvez nada apenas isso
um pires de doce de leite
a pequena xícara de café
bálsamo
a ressuscitar a cidade
com todos os seus mortos

Da beleza de Deus - por Ana Cecília S.Bastos( uma poetisa em oração)

Olhos alados.
Palavras sem trégua.
Mas não escrevo, poeswia distante.
Meu manuscrito circulando.
Leitores reticentes.
Dentro de mim o dragão, olhos alados.

Sou um continente e seus rios que correm,mansos
e em fúria.
Sou as palavras desatadas qualdo algo me des-
perta, algo
gratuito e fortuito disperso
em algum atalho,
ou sem caminhos.

Apenas um caminho, e eu distante.
Rios fluem mansamente,
Persisto no erro, furiosamente.
Rios fluem, e sou eu.

Perco a palavra e o destino.
Só o amor de Deus me salva,
a mim,
que não fiz por merecer.
Perdas ou ganhos?

- Claude Bloc -


Não dá pra parar de pensar, não dá... Sim, porque nesta vida sempre temos que passar por perdas e/ou ganhos. E... quando ganhamos alguma coisa, de certa maneira perdemos outra, talvez até e simplesmente para aprender a viver ou a perder o que deixamos para trás por opção, ou mesmo as coisas que nos foram tiradas pela própria vida.

Pois bem, eu, como cada um de nós, perdi com o tempo um pouco da paciência que eu tinha, um pouco da pureza, da inocência, deixei para trás a infância, meus sábados e domingos, a vontade de brincar, de ir jogar peteca numa rua do Pimenta. Perdi coisas supérfluas e coisas importantes, pessoas que eu amo. Também perdi o riso fácil, a coragem de sair de casa descabelada, enfim, perdi muito tempo. Algumas vezes perdi a piada, a graça, algumas oportunidades, amores, beijos...

E o que eu ganhei? Tantas e tantas coisas!! Ganhei amigos, um pouco de idade, alguns quilinhos, óculos, responsabilidade, coragem, beijos, amor, abraços, sorrisos sinceros, liberdade, lágrimas de alegria e de tristeza. Ganhei um pouco de vaidade e de tempo. Já ganhei até muitos elogios, uma flor, sonhos... muitos sonhos.

Só não quero perder jamais o brilho nos olhos, a alegria de viver, a verdade, a paz de espírito, amigos, a confiança nas pessoas, a esperança, a dignidade, valores, personalidade, família. Não posso perder minha essência...
Claude Bloc

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Tom, Vinícius, Toquinho e Miúcha

A gente vai levando...

Desafinado - com Tom Jobim e João Gilberto

Desafinando...

Falando de amor - Com Tom Jobim e Chico Buarque



“Um só povo, uma só nação Cariri” - José Nilton Mariano Saraiva

Se, enquanto teoria, a criação da Região Metropolitana do Cariri conseguiu ludibriar muita gente, através da propagação de mentiras e devaneios mil, na prática, a partir do momento em que passou a ser operacionalizada, converteu-se em um colossal embuste, uma farsa sem tamanho, uma nua crua e indigesta realidade.
Fato é que, para camuflar a escolha de uma única cidade (Juazeiro do Norte) como receptora preferencial dos investimentos governamentais ao sul do Ceará (assim como o fizera com Sobral, ao norte), o Governo do Estado contou com uma legião de treinados e amestrados “multiplicadores” (deputados estaduais da sua base e secretários de Estado) que, hipócrita e irresponsavelmente, saíram às ruas a dourar a pílula, alardeando, difundindo e propagando as futuras benesses advindas da criação da Região Metropolitana do Cariri; só que, internamente, entre quatro paredes, já havia a determinação política em se evitar a pulverização dos investimentos governamentais entre as diversas cidades da Região do Cariri (desprovidas do “componente político”), centrando-os em uma só urbe, na ilusória (ou mafiosa) perspectiva que os benefícios fluiriam e se espraiariam entre as demais comunidades (naquela ocasião, alertamos aqui sobre o perigo da passividade com que aquela conversa mole passara a ser digerida, o que nos valeu diversos rótulos desabonadores: bairrista, conservador, retrógrado e tal).
Mas foi assim, verbalizando tal lorota (em alto e bom som), diuturnamente, e valendo-se de um pseudo “regionalismo” alavancador do progresso, que foram criados e passaram a operar em Juazeiro do Norte (e só em Juazeiro) o Aeroporto Regional de Cariri, o Hospital Regional do Cariri, a sede regional da Receita Federal, o campus regional da UFC/Cariri, a delegacia regional da Polícia Federal, a unidade regional da Receita Federal e tudo o mais que pudesse ser rotulado de “regional”, obstaculando qualquer tentativa de descentralização; tudo tinha obrigatoriamente que ser em Juazeiro (posteriormente, na esteira do prestígio chancelado pela preferência governamental, os empreendimentos privados foram apenas conseqüência). Quanto às demais cidades da região (inclusive e principalmente o Crato), ficaram a ver navios, a esperar por quem não ficou de vir, e tendem à estagnação absoluta, à involução, a virarem meros satélites errantes a vagar sem rumo e sem norte na órbita juazeirense.
O mais estapafúrdio nisso tudo é que, à época da criação da tal Região Metropolitana do Cariri, por deslavada conveniência política, falta de justificativa consistente para esconder o marasmo administrativo, ou mesmo na vã tentativa de justificar o injustificável, os (maus) cratenses, inclusive e principalmente suas atuais autoridades constituídas (que deveriam, sim, ser responsabilizadas pelo estágio a que chegamos), convencionaram e passaram a adotar o cretino bordão de que, como éramos “UM SÓ POVO, UMA SÓ NAÇÃO CARIRI”, o progresso e a aura desenvolvimentista viriam de forma equânime, igualitária, simétrica (e ai de quem ousasse pensar diferente).
Deu no que deu. E como o esvaziamento do Crato é notório e acachapante, hoje, hipocritamente, as mesmas autoridades e formadores de opinião que engoliram o bolo sem mastigar, que teceram loas àquela criminosa ação governamental, que se deixaram bovinamente estuprar intelectualmente, que se extasiaram com o canto da sereia, e que covardemente se omitiram em questões cruciais, posam de indignados, choram ante as câmeras, manifestam surpresa, reclamam do tratamento “desigual” a que foram submetidos Crato e as demais cidades da região.
Pura hipocrisia, deplorável jogo de cena, falsidade em estado latente.
E Juazeiro do Norte, que nasceu, cresceu e tonificou-se à sombra de um grande embuste, uma farsa grotesca (o tal do “milagre da hóstia”), continua adotando e valendo-se do mesmo heterodoxo “modus operandi”, da mesma estratégia suspeita de tramar na calada da noite, que o catapultou à condição de centro receptor de tudo que provém do poder central estadual (com a inestimável colaboração do “componente político”).
Quando vamos reagir ???

CLIQUE - APENAS UMA ROSA - Por Edilma Saraiva Rocha

Germinou, cresceu, floresceu !
Foi colhida no mais puro jardim
entre tantas outras...
Aquela era especial!
Pelo brilho, pelo viço, pelo sonho...
A mão que a colheu não viu suas entranhas
não sentiu sua sensibilidade diferente.
Só a vaidade de ser sua.
Somente sua.
Aos poucos foi perdendo a cor
a maciez das pétalas
foi murchando em dores constantes.
Hoje está só.
Não tem jardim para reviver,
Não tem mais a beleza para ser cobiçada.
Só tem a sua própria historia
igual a de tantas outras rosas por aí...

Receita de "Homus Terrine" - É uma delícia !


* Ingredientes
* 200 g de grão - de - bico
* 3 colheres (sopa) de pasta de gergelim
* 4 alhos grandes
* Sal a gosto
* Azeite de oliva
* 3 limões
* Tabela de conversão de medidas Imprimir lista de compras Adicionar ao
meu livro Mais receitas
como esta
*

* Modo de Preparo

1. Cozinhe o grão de bico na água e sal
2. Depois de cozido e macio, bata no liquidificador
3. Reserve a água do cozimento para dar ponto
4. Bata até formar um creme
5. Coloque as duas colheres de pasta de gergelim, o suco de limão, o alho e azeite até dar ponto e ao seu gosto
6. Em um recipiente, faça um furinho na pasta e coloque azeite
7. Sirva com pão árabe

VIDA ITINERANTE DE UMA BANCÁRIA(XIII)- por Socorro Moreira

Ferira de Barra do Mendes - Ba
Igreja de Valente-Ba
Bairro da Pituba - Salvador Ba


Setembro de 1988

Voltando para o Nordeste, mas novamente para um ninho estranho. Nem sabia que Barra do Mendes existia. Encontrei uma casa para administradores à minha disposição. Pela primeira vez, gozaria do conforto de um ar condicionado, no quarto de dormir. Não faltavam pessoas pra ajudar na luta de casa, e era muito gostoso fazer a feira livre, e comprar as coisas da terra. A Bahia é festiva por excelência, e a gente sem querer, entra no ritmo. E haja dança, e pequenas viagens turísticas. Lençóis, Salvador, e até uma esticada no Rio, em feriados prolongados. O salário aumentara consideravelmente. Deu pra comprar um carro novo, e presentear o Caio, com um outro, no seu aniversário de 18 anos. Deu também pra comprar um Gradiente, última geração, com aparelho de CD (coisa rara, naqueles tempos).
Por problemas familiares, houve uma inadaptação social, e, depois de um ano fui removida, a pedido, no mesmo cargo, para a cidade de Valente, região do sisal. E começou um tempo negro, no funcionalismo. Meu cargo era desejado por todos, e acharam razões, para que eu fosse destituída da comissão. Os motivos, os mais absurdos: excesso de bebida alcoólica, comprometimento com agiotas. Provada a ausência de culpa, ofereceram-me reparação. Eu poderia escolher uma outra Gerência, a meu critério de escolha. Mas, naquelas alturas, eu já estava morando em Salvador. E, gostando! Havia comprado um apartamento na Pituba, carro na garagem, e marido nas cobertas. André cursava o pré-vestibular, Victor fazia Medicina e Caio estava vivendo o seu primeiro emprego, depois de concluir o ensino médio.
Trabalhava no Caixa da Metropolitana Brotas, e tinha um bom relacionamento interno. Quando me ofereceram um cargo de Gerente Especial (aquele que negocia diretamente com os grandes clientes), resolvi fazer nova escolha. Candidatei-me a agências impossíveis, como : Gramado, Ouro Preto, Maceió, Friburgo, Curitiba. E de imediato, chegou minha nomeação como Gerex de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro.
Dessa feita eu deixava para trás uma vida confortável, mas ainda tinha missões especiais a cumprir. Novamente, o caminhão de mudanças parou na minha porta, e eu peguei um avião para o novo destino. Agora conheceria a região serrana do Estado do Rio. Friburgo era o meu destino!

Mas, Jair tem razão ...!
Passados uns 5 anos na Bahia, eu fiz por lá, meu aniversário de 40 anos. Ainda cheia de sonhos e com algumas esperanças. Gostava de viver a vida , mas sentia já um certo cansaço  das rodas de violão , ganhando as madrugadas.
Em Salvador tinha como compromisso de paz, visitar  a família da minha prima Gracinha, em Itacimirim. Final de semana  com guloseimas e aconchego da amizade. Meu companheiro  sabia tocar bem violão, tinha voz belíssima, e um repertório fantástico. Todo mundo gostava, e cantava junto. Mas, nem só de pão vive o mundo !
Naqueles anos, meus filhos perderam o pai, e minha dor foi tripla.Já sabia o que era enfrentar as alegrias do mundo, com uma ferida aberta das saudades.
Mas Salvador  era minha senhora. Devia-lhe os luares, o mar, as comidinhas apimentadas, o astral do carnaval, e a poesia ambulante dos baianos. Nunca esqueci aquela cidade... Cheguei em Friburgo cantando : "Eu vim da Bahia/ mas eu volto pra lá..." 
João Gilberto tinha sido , de certa forma, uma presença real !







Eu Vim da Bahia

Composição: Gilberto Gil

Eu vim
Eu vim da Bahia cantar
Eu vim da Bahia contar
Tanta coisa bonita que tem
Na Bahia, que é meu lugar
Tem meu chão, tem meu céu, tem meu mar
A Bahia que vive pra dizer
Como é que se faz pra viver
Onde a gente não tem pra comer
Mas de fome não morre
Porque na Bahia tem mãe Iemanjá
De outro lado o Senhor do Bonfim
Que ajuda o baiano a viver
Pra cantar, pra sambar pra valer
Pra morrer de alegria
Na festa de rua, no samba de roda
Na noite de lua, no canto do mar
Eu vim da Bahia
Mas eu volto pra lá
Eu vim da Bahia

Era  agosto de 1992 

Vida itinerante de uma bancária (XII) - Socorro Moreira


Agosto de 1986

E foi como Jair imaginou...

Fortaleza para Campo Grande  com escala em Sampa.
Do aeroporto deixamos a imensa bagagem na rodoviária , tomamos um taxi, e procuramos a AABB da cidade para fazer uma refeição. O ónibus para Bela Vista  partiria  as 14 h. O primeiro trecho da viagem foi tranquilo. Bom asfalto. Depois de Jardim pegamos por mais de 2 horas estrada de barro.Os meninos, sempre ativos, emudeceram. E eu fui pensando no que a vida me reservaria,  desta feita.Agarrada com os céus, pedindo um tempo feliz !

Eu tinha mesmo coragem de mamar em onça...! Pagaria sempre um preço elevado  pela minha ousadia de brincar com o novo. Na verdade eu estava realizando atos sucessivos de desprendimentos.  A face dolorosa do processo é inevitável !
Chegamos  de noitinha,  naquele lugar distante.Procuramos um hotel para pernoitar. Diária para 4 pessoas. Todos ,no mesmo espaço. Quando o dia amanheceu fui conferir  a cidade. Tudo me parecia muito distante. Era diferente das cidadezinhas do Nordeste, que tudo gira, em torno da praça e da Igreja.Descobri logo, que teria dificuldade em arranjar casa para alugar. Informaram-me que , no Quartel General ( comum nas cidades fronteiriças) eu poderia conseguir  uma casa , por um tempo transitório. O Coronel nos cedeu uma casa para militar que estaria desocupada por um breve espaço de tempo.O caminhão da mudança chegou,  e os  meninos  me surpreenderam arrumando tudo, enquanto  vivia o  meu primeiro dia de trabalho.
Enquanto não conseguíamos ajuda doméstica, as tarefas  foram divididos. Eu cozinhava, Victor fazia as compras, Caio arrumava a casa e André lavava a roupa . Havia uma  tácita cumplicidade. Só podíamos contar conosco !

Fui alocada   como Supervisora, na Tesouraria. Um trabalho isolado  do contexto.Depois que  arrumava o dinheiro , expurgava os dilacerados, ficava rabiscando  versos.
A maioria dos funcionários  tinham vindo de outras localidades. Era uma Agência que funcionava com adidos. 
Da terra, Elsa  e Getúlio eram os mais próximos. Getúlio tinha um bar, na beira do Apa, que reunia a moçada para um peixe frito, cerveja gelada , e som de Pink Floyd. Nunca gostei de cerveja. Acho que sempre  temi a barriguinha  dos amantes dessa bebida. Foi ótimo porque  nunca aprendi a beber. Quando tinha de tomar algum drink  já tomava uma dose de wisque,...duas, três, no máximo ! Depois, sem nenhuma compulsão , voltava para o refrigerante gelado.
Impressionante como  o povo de Bela Vista  curte o churrasco. Nunca comi tanta carne vermelha, na vida . Isso custou-me depois, uma crise de diverticulite. Suavizávamos o hábito, tomando tererê,o chimarrão gelado dos  gaúchos),

Os meninos se adaptaram fácil. Victor  praticava volei e futebol; André se especializou em dançar polca, vaneirão, e em cantar guarânias ; Caio entrou na turma dos embalos. 
Compramos um Fusquinha a álcool, nos primeiros dias. O frio era tanto, que ele  nunca pegava, na hora de ir para o Banco. Da minha casa até lá era um bom pedaço, tipo, um ou dois quilómetros. Devolvi a compra. Procuramos um outro transporte, e ficamos com uma Belinda Comodoro.Meu pai bem falou:
"carro pra você é fusca ! Pode estacionar  fácil. Esse carro é muito grande. E era ! Caio logo assumiu o comando . Estava com 16 anos.
Recebi visitas , no decorrer da minha estadia em Bela Vista : Maria de Jesus, minha mãe,, tia,  minhas irmãs(Verónica e Teresa), e amigos do sul. Meu pai viajou naqueles tempos. E foi a grande perda da minha vida..Não assisti seus últimos dias.
Atravessando a ponte da amizade estávamos no Paraguai. Gostava de vasculhar bobagens, nas lojas dos importados. À   visitávamos o Cassino. Arriscávamos  uns trocados, no pano verde ,pra pagar o jantar... E era só !
Em frente ao Banco tinha uma padaria que me nutria de chipa e sopa paraguaia. Deliciosas iguarias !
Às vezes atrevia-me a tomar banho no Apa, a dançar, nas noites de sábado. Senti falta do meu ex marido ( o mineiro), que de fato era um pé de valsa ! Ele até me visitou, montamos uma Confeitaria, mas  com menos de um ano e a relação finda, fechamos o comércio. Era  linda ! bem decorada, e por ela, aprendi a fazer doces e salgados.
Quando transcorreram dois longos anos, senti que tinha que pegar estrada. Concorri  a cargo de alta administração, e fui chamada para cursos especializados em Brasília. 45 dias, sendo testada !
Numa turma de 23 rapazes, éramos duas mulheres. A resposta final foi a minha nomeação para Gerente Adjunta de Barra do Mendes, na Bahia.
Nova mudança, por conta do Banco.Despedi-me  de Bela Vista, querendo ficar...Despedi-me de Bela Vista, querendo chegar.
Mas a vida me reservava novas aventuras. O novo,  sempre me aguardando com  suas aprendizagens : céu e inferno; mel e fel!
Bahia, fica para o próximo capítulo.
Participantes do Curso Básico de Elaboração de Projetos falam sobre o evento

Foi encerrada na última sexta-feira (13), a segunda turma do Curso Básico de Elaboração de Projetos Sociais realizado pelo Instituto Focus no Cariri cearense em 2010. O evento contou com a participação de estudantes e profissionais de diversas áreas do conhecimento e teve duração de 40 horas, distribuídas em 5 dias de atividades teóricas e práticas. Na avaliação dos participantes, entre os vários aspectos positivos do Curso teve destaque a metodologia colaborativa que associou o aspectos conceituais e teóricos da elaboração de projetos com atividades práticas.

Para Wesley Gomes, analista de suporte e um dos participantes do Curso, o evento veio suprir uma necessidade do Cariri de ter profissionais capacitados para atender às demandas de várias comunidades e instituições da região na área de projetos sociais e captação de recursos. Para Josimere de Melo, servidora pública e estudante de serviço social, a diferença do Curso realizado pelo Instituto Focus, em relação a outros dos quais ela participou, está na possibilidade de aprender a fazer projeto, fazendo. Como ela diz: colocando a mão na massa.

João Bosco, estudante de biblioteconomia de Juazeiro do Norte, destaca que "um dos fatores mais positivos do curso foi a questão colaborativa". Ele explica que a possibilidade de fazer o projeto em grupo e para um edital real dá mais segurança e facilita a compreensão dos participantes sobre cada etapa da elaboração de um projeto social.

O evento contou com a participação de representantes dos municípios de Crato, Juazeiro do Norte, Missão Velha e Farias Brito e a parceria do INSS (regional Juazeiro do Norte e agência Crato) e da Escola Teodorico Teles. Veja o vídeo com depoimentos sobre o evento no site do Instituto Focus ou no meu blog.

Joelmir Pinho
www.institutofocus.com
www.joelmirpinho.wordpress.com
joelmirpinho@hotmail.com (msn)
Twitter: @joelmirpinho

Teletema - com Evinha

Madrugada com Evinha

Sonho Lindo - com Evinha

Casaco Marrom - com Evinha

Canção por Luciana - com Evinha

Leve Afago
-Claude Bloc -

Palavras
Gestos
um leve afago...
e a ponta dos dedos
tocando o limite e o sentimento
como se toca um poema
como se dedilha um verso
como se estanca uma rima
na desordem do ritmo
...pelo simples prazer de alçar voo
e sorrir!