Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

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quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Francisco Alves - por Norma Hauer

FRANCISCO ALVES - O REI DA VOZ

Foi aqui no Rio, no Largo da Prainha, ali entre a Praça Mauá e o bairro da Saúde, que FRANCISCO ALVES nasceu em 19 de agosto de 1898.
Francisco Alves foi um dos primeiros cantores a conhecer sucessos, antes mesmo da criação do rádio no Brasil.

Começou cantando em circos e teatros de revista, em 1918. Já em 1920 , em uma gravadora nova, artesanal, de nome POPULAR, de João Gonzaga (filho de de Chiquinha) fez sua primeira gravação com "Pé de Anjo", uma sátira de J.B.da Silva (Sinhô) ao grupo "Oito Batutas", de Pixinguinha.
"O Pé de Anjo" foi uma revista musical que estreou no Teatro São José e só depois a música-título recebeu uma gravação sendo o lançamento de Francisco Alves em disco.
Na outra face desse primeiro disco foi gravada "Fala, Meu Louro", também de Sinhô.

Nessa gravadora só lançou dois discos, passando depois para a Odeon, onde ainda se gravava mecanicamente e só quem possuía grande voz tinha condições de fazê-lo, como Chico Alves e Vicente Celestino.
A Odeon tinha um subsidiária de nome "Odeonete", onde Chico Alves gravou , ainda na fase mecânica.
Foi em 1927, novamente na Odeon, que Chico Alves gravou o primeiro disco, em gravação elétrica no Brasil . As músicas foram "Albertina" e "Passarinho do Má".
Francisco Alves ( e outros que estavam começando) no final dos anos 20, ainda não acreditavam no rádio (inaugurado em 1923) que de acordo com a lei de então só podiam executar músicas clássicas, seguindo o "slogan" de Roquette Pinto "pela cultura dos que vivem em nossa terra, pelo progresso do Brasil" . Achavam que música popular não era cultura.
Somente em 1929 Chico Alves começou sua carreira no rádio, mas foi um dos primeiros contratados da Rádio Mayrink Veiga, isso em 1933, quando passou a ser o "Rei da Voz", cognome dado por Cesar Ladeira.
Nessa época, já gravara mais de 100 discos e, embora falecido em 1952, foi o cantor que mais gravou em 78 rotações (500 discos) perto de 1000 músicas.

Francisco Alves inaugurou, em 25 de setembro de 1935, a Rádio Tupi, do Rio de Janeiro, onde não ficou muito tempo.

Pouco após a inauguração da Rádio Nacional, em setembro de 1936, Francsico Alves transferiu-se para lá, fazendo parte de seu elenco até seu falecimento, em 27 de setembro de 1952, em um acidente automobilístico na Rodovia Presidente Dutra, quando regressava de um programa em São Paulo.
Seus programas na Nacional eram ao meio-dia de domingos, quando quase todos os receptores de rádio estavam sintonizados nos então 980 khz do prefixo PRE-8 Rádio Nacional do Rio de Janeiro.
A locutora Lúcia Helena abria seus programas com a frase "ao juntarem-se os ponteiros na metade do dia, ao soar o relógio dando as doze badaladas, os ouvintes da Rádio Nacional também se encontram com Francisco Alves-o Rei da Voz".

Daí ele abria com: "na carícia de um beijo, que ficou no desejo, boa noite, meu grande amor", início da valsa de José Maria de Abreu e Francisco Matoso, "Boa-Noite amor".

Haveria muito a falar de Francisco Alves, afinal ele foi a mola-mestre que deu origem a tudo que veio depois dele no rádio, na música, no carnaval (grandes sucessos)...
"Com pandeiro ou sem pandeiro, ê,ê,ê, eu brinco;
Com dinheiro ou sem dinheiro,ê,ê,ê eu brinco..."

Alguns cantores também foram "descobertos" por ele, como Orlando Silva, João Dias... deu grande força a Carmen Miranda, no início de sua carreira, a Mário Reis, com quem gravou uma série de músicas.
O próprio Orestes Barbosa, jornalista e poeta, apareceu no meio musical quando Francisco Alves musicou-lhes seus poemas, sendo que o primeiro foi"A Mulher que Ficou na Taça"... Carlos Galhardo quando resolveu tentar o rádio, foi de Francisco Alves que se aproximou
Tendo falecido em 1952, quando a televisão ainda "engatinhava", não teve chance de fazer parte de sua programação.Nem chwegou a gravar LPs.
Em 1976 a TV Globo tinha um programa de nome "Sexta-Feira Súper" e ali foi feita uma homenagem especial a Francisco Alves.

Quatro cantores de seu tempo, fizeram depoimentos sobre ele e, em quarteto, cantaram "A Voz do Violão", algo inédito e único. Gravei essa apresentação ( em áudio, apenas) e tenho as vozes de Orlando Silva, Gilberto Alves,
Sílvio Caldas e CARLOS GALHARDO interpretando "A Voz do Violão".

"Eu tenho um companheiro inseparável
Na voz do meu plangente violão."

Manhã de 2ª feira, 29 de setembro de 1952...Um grande féretro, o primeiro em que se usou um carro do Corpo de Bombeiros, atravessa as ruas do Rio de Janeiro, da Cinelândia (Câmara Municipal) onde o que restou de seu corpo foi velado (havia morrido queimado) até o Cemitério São João Batista acompanhado de uma multidão a pé cantando...

"Adeus, adeus, adeus...
Cinco letras que choram
Num prelúdio de dor.
Adeus, adeus, adeus,
É como o fim de uma estrada
Cortando a encruzilhada.
Ponto final de um romance de amor.

Quem parte, tem os olhos rasos dágua
Ao sentir a grande mágoa
Por se despedir de alguém.
Quem fica, também fica chorando
Com o coração penando
Querendo partir também

Foi no enterro de Francisco Alves que, pela primeira vez, a Câmara Municipal abriu seu salão para o velório de um cantor e foi também, o primeiro féretro realizado em um carro do Corpo dos Bombeiros, seguido com o povo a pé, até o Cemitério de São João Batista.

Norma

Aracy de Almeida - por Norma Hauer

Aracy de Almeida - O samba em pessoa !

Um grande vulto de nossa música popular nasceu a 19 de agosto do ano de 1914: ARACY DE ALMEIDA, conhecida como a maior intérprete de Noel Rosa,com quem conviveu muito, freqüentando as tabernas da Glória e da Lapa.
Foi na antiga Rádio Educadora do Brasil, onde Aracy deu seus primeiros passos como cantora popular, depois de cantar em igrejas evangélicas, que ela conheceu Noel, travando com ele uma forte amizade até que ele partisse aos 26 anos, em maio de 1937.
Sua primeira gravação foi na Colúmbia, com o samba "Em Plena Folia", mas foi quando gravou, de Noel e Hervê Cordovil, o samba "Triste Cuíca" que seu nome apareceu entre as cantoras de sua época. Ainda em vida de Noel,gravou "Cansei de Pedir";"Amor de Parceria";"Palpite Infeliz";"O X do Problema"; Eu Sei Sofrer": e "Último Desejo". Já em 1938, depois de Noel morto, gravou "Século do Progresso"; "Feitiço da Vila";"João Ninguém" e "Filosofia".
Mais tarde, no fim dos anos 40, lançou 2 álbuns com 10 discos de 78 rotações somente com músicas de Noel.
Depois de Noel, foi Haroldo Lobo, em dupla com Milton de Oliveira quem mais deu músicas para Aracy, como "O Passarinho do Relógio";"Passo do Canguru", "Miau Miau"...
Aracy, quando ingressou na Rádio Mayrink Veiga, já com César Ladeira na direção artística da emissora, foi denominada por ele como "O Samba em Pessoa". De fato, foi a maior intérprtete de sambas no tempo áureo do rádio. Apesar disso, gravou uma canção "Mamãe Baiana" e um samba-canção bem triste "Pedro Viola".

Em sua comunidade já tive ocasião de citar um fato reverente que aconteceu com ela e o compositor Pedro Caetano (que conta este caso em seu livro "50 Anos de Música Popular".
Aracy,como muitos sabem e gostam de comentar tinha uns ares meio masculinos por ter sido a única filha mulher entre cinco irmãos homens. Embora nunca tivesse se casado teve um caso amoroso (e rumoroso) com um goleiro do Vasco da Gama, conhecido como Rei. Tivera uma forte briga com ele, caso que repercutiu nos jornais da época .

Pedro Caetano e Claudionor Cruz compuseram um samba de nome Engomadinho"
e levaram para Aracy gravar. Compareceram à gravadora e ela ainda não conhecia o samba, mas acreditava nos autores. No momento da gravação, lendo a letra do samba, disse "isso não gravo", exatamente na parte em que dizia "Rei do meu amor". Todos espantados perguntaram "por que?" Resposta: "Não quero dar cartaz àquele pilantra. Ou muda agora, ou..até amanhã. E ameaçou sair da gravadora.
-"Mas Aracy, disseram, não tem nada uma coisa com outra. Rei dos seresteiros nunca foi rei de futebol."
Aracy; não adianta, não vou dizer "rei do meu amor de modo nenhum"!

Foi difícil, mas Pedro Caetano mudou o último verso da última estrofe,que dizia:

"Rei dos seresteiros, rei do meu amor", para
"deste seresteiro, que é o meu amor."
Aí ela gravou.

Aracy tinha uma forte personalidade, os compositores cederam e o samba tornou-se um grande sucesso.

Em 1950, Aracy foi "de armas e bagagens" para São Paulo; ali apresentou-se em alguns programas de TV, como "Programa do Bolinha";"Buzina do Chacrinha"; "Almoçando com as Estrelas", de Aerton Perlingeiro" e alguns outros, mas ficou famosa como a jurada "rabugenta" dos calouros de Sílvio Santos. Dava sempre notas baixas aos "coitados" dos calouros. Mas essa era sua personalidade.

Aracy regressou ao Rio de Janeiro, já doente, ficando dois meses em coma, falecendo em 26 de junho de 1974 (sem completar 60 anos) em uma casa de saúde na Tijuca, sendo sepultada no Cemitério Jardim da Saudade

Norma

Fotos enviadas por Ismênia Maia

Ismênia, Socorro e Stela
Stela, Socorro, Vera Lúcia e Ismênia
Período de julho, no Crato

Jornal de Brasília - 19 ago. 2010

Gilberto Amaral

O prestígio do presidente Lula inegavelmente ultrapassa barreiras. Hoje ele será um dos entrevistados da mais famosa rede de TV americana CBS, no programa 60 minutos. Vai mostrar para os americanos e para o mundo as realizações de seu governo.

Edenia Bastos Marrul

Vida itinerante de uma bancária (XV) - por Socorro Moreira


Agosto de 1994

Aluguei um apartamento, no Bairro do Catolé,(Campina Grande) , antes da chegada do caminhão de mudanças. Rede armada, filhos em casa (com exceção do Caio, já casado), e garrafinhas de água mineral por todos os cantos. Sinto-me em paz. Sensação de leveza e liberdade, como se eu pudesse até morrer, naquele instante.
Estou trabalhando na plataforma de atendimento às pessoas jurídicas. Vendendo seguros, e aprendendo, inclusive, como se faz uma vistoria num carro. Sou boa vendedora, acho! Estou sendo designada para fazer cursos, em João Pessoa, e multiplicar as informações, em nível de Agência. Tenho contribuído, no atingimento de metas. Minha avaliação funcional é indicativa de cargos, na alta administração, e tenho a autonomia de quem sabe mandar, e sabe ser mandado. Minha aprendizagem como bancária, fechou o circulo!
O terrorismo é evidente. A política funcional cogita claramente, a supressão do seu quadro, na ativa. E chega o programa de demissões voluntárias. Posso me aposentar dentro de dois anos, e posso esperar esse dia, fora do Banco. Provavelmente fui impulsiva, quando fiz a minha adesão. Mas, senti necessidade de sair do contexto, que me parecia torturante. Não por mim, mas por muitos dos meus colegas. Campina Grande foi um pouso... Apenas isso!
Victor concluiria seu curso de Medicina em Fortaleza, e eu o acompanharia. André cursava Administração de Empresas, e poderia também ser transferido. Encaramos os três, a nova estrada do destino. Deixamos para lá a cidade de clima feliz, dos doces abacaxis, do forró diário, das vaquejadas, e dos repentes e seus violeiros.
Flávio José cantava algo, quando nos despedíamos de lá, sem saudades! O coração estava habituado a partir, e a deixar partir!
Fiquei por 5 anos em Fortaleza, quando em 2000, resolvi fixar residência, no meu torrão natal: Crato !
Foi a volta definitiva.

PARABÉNS FOTÓGRAFOS DO MUNDO e EM ESPECIAL, OS DO UNIVERSO CARIRI, POR DATA COMEMORATIVA!

Dia Mundial da Fotografia !

Por não ter olhar fotográfico, valorizo tanto ,quem tem  em si, a arte da Fotografia !
O Cariri  está repleto de grandes talentos , nesta área.
Parabéns aos registradores de fatos importantes , de belas imagens, de momentos  que se perpetuam !
Pachelly, Emerson, Telma, Edilma, Edilson, Samuel,Claude,  Júlio Saraiva, Diomedes, Nívia Uchôa,Heládio, Pedro Maia, entre muitos tantos outros !

Minha admiração sincera !

Sofia !

Sofia, num esforçado alongamento,
para ganhar a porta do mundo.
Com menos de dois anos, ela já sabe que:
a casa é seu útero;
a mãe, seu refúgio;
a irmã, sua boneca maior;
o pai, seu porto seguro , 
e as avós , o sinal verde para fazer travessuras !

Parabéns, Catarina Moreira e João Alfredo !

Mãe e filho, hoje aniversariam.
Aposto que tem bolo confeitado, na casa de Dona Valda.
Aposto que Catarina está brincando com Maria Clara
Aposto  que eles trerão muitos  aniversários em comum...
A vida é para ser celebrada,destarte as tristezas do mundo.
Vai pra vocês flores do meu afeto,
e um grande abraço !

Madrugada com Nara Leão

Um sonho de verão - com Nara Leão

***

Por causa de você - Nara Leão e Roberto Menescal

Você e eu - com Nara Leão


Só neste momento
- Claude Bloc -

De repente desaba o silêncio.
O silêncio sem ti,
o silêncio sem mim,
silêncio sonolento
sem luas.

Só agora desperta o sonho
e só neste momento,
nas minhas mãos,
ouço a música das tuas.



Claude Bloc

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Por Socorro Moreira


Meu olhar é sedento

Estou à mercê dos ventos ,

sem proventos.

Em todas as minhas encarnações

trabalhei os números...

Quero a redenção

Haverá tempo ?

Quem sabe eu furo o ciclo?

Pego carona na cauda dos poetas ,

e vou parar no céu que imagino :

Poesia , música, e um cineminha !

Fotos de Samuel Gregório - Samuk


Retalhos

Talvez a gengiva inflamada
por sobra de versos.

Haveria de ter escrito poemas
e não perdido os sentidos
depois do último trago
e da última baforada.

Recomeça o silêncio
dentro de uma mente
que é toda balbúrdia.

O coração é uma eterna delicadeza
de vasos dilatados (decerto todos
inflamados e tenros ao primeiro golpe
do bisturi ou da pena).

Alma, oh alma
não espremas tantas nuvens
não queimes tantos cílios:

basta de chuva
nos meus olhos.

Prefiro os sapinhos
da minha língua
a este dolorido vazio
de não morder nunca
braço de ninguém.

Francisco Alves



Francisco de Morais Alves (Rio de Janeiro, 19 de agosto de 1898 — Pindamonhangaba, 27 de setembro de 1952) foi um dos mais populares cantores do Brasil.

Começou sua carreira em 1918 e seu primeiro sucesso foi a marcha carnavalesca O Pé de Anjo, do compositor Sinhô. Devido a sua voz firme e potente, era conhecido como o 'Rei da Voz. Compôs com Orestes Barbosa algumas obras-primas da canção brasileira: "Meu Companheiro", A Mulher que Ficou na Taça", "Dona da Minha Vontade", "Por Teu Amor".

Morreu carbonizado por ocasião de uma colisão entre seu automóvel e um caminhão, que imprudentemente entrou na contramão, na Via Dutra, em Pindamonhangaba, na divisa com Taubaté, estado de São Paulo, quando voltava ao Rio de Janeiro.

wikipédia

Coco Chanel

Gabrielle Bonheur Chanel, (Saumur, 19 de agosto de 1883 - Paris, 10 de janeiro de 1971), mais conhecida como Coco Chanel, foi uma importante estilista francesa e uma mulher à frente do seu tempo. As suas criações até hoje ditam e influenciam a moda mundial. É a fundadora da empresa de vestuário Chanel S.A.

Relacionamentos - Rubem Alves




Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os relacionamentos são de dois tipos: há os do tipo 'tênis' e há os do tipo 'frescobol'. Os relacionamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa. Explico: para começar, uma afirmação de Nietzche, com a qual concordo inteiramente. Dizia ele: 'Ao pensar sobre a possibilidade do casamento cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: 'Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até sua velhice?

Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar.' Scherazade sabia disso. Sabia que os relacionamentos baseados nos prazeres da cama são sempre decapitados pela manhã, e terminam em separação, pois os prazeres do sexo se esgotam rapidamente.

Há os carinhos que se fazem com o corpo e há os carinhos que se fazem com as palavras. E contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes, fazer carinho com as palavras não é ficar repetindo o tempo todo: 'Eu te amo...'. Barthes advertia: 'Passada a primeira confissão, 'eu te amo' não quer dizer mais nada.
É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, não em sua nudez anatômica, mas em sua nudez poética. Recordo a sabedoria de Adélia Prado: 'Erótica é a alma'.

O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir sua cortada - palavra muito sugestiva - que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.

O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra, pois o que se deseja é que ninguém erre. O erro de um, no frescobol, é um acidente lamentável que não deveria ter acontecido, pois o gostoso mesmo é jogar pra sempre... E, o que errou pede desculpas, e o que provocou o erro se sente culpado.

Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos. A bola: são nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é ficar batendo sonho prá lá, sonho prá cá. Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada. Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão... O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde. Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração.

O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres. Bola vai, bola vem - cresce o amor. Ninguém ganha, para que os dois ganhem. E se deseja, então, que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim.
Rubem Alves

COMPOSITORES DO BRASIL


“todo quadro negro
É todo negro, é todo negro
E eu escrevo seu nome nele
Só pra demonstrar o meu apego.
Anamaeu”...


JORGE MAUTNER

Por Zé Nilton

Tomei conhecimento de Jorge Mautner, já em estado de consagração, nos anos opacos e cinzentos da repressão militar, quando assistia, assombrado, num cantinho, um show do compositor Jads Macalé, na Concha Acústica da UERJ, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, talvez aí pelos anos de 1973 ou 1974.

Com muita presença de palco Macalé cantava a música “Cantareira”, de Gordurinha , cujo refrão diz:

“Só vendo mesmo como é que dói
Sou vendo mesmo como é que dói
Trabalhar em Madureira, viajar de Cantareira
E morar em Niterói”...

Macalé, fazendo trejeitos para o conjunto baixar o som comandava paulatinamente um fade-out, e deu início à capela e à exaustão a repetição do refrão “só vendo mesmo... E o acompanhamento musical foi caíndo numa melopéia, dando a deixa para a fala do grande Macalé.

Lá pelas tantas, incontinente, ajoelhou-se no palco, bem juntinho da turba universitária, e com as mãos postas e o olhar para os céus, recitou os versos, cadenciadamente, vociferando para quem vive o dia-a-dia aquela situação de explorado um inesperado: “puta que o pariu”! A platéia foi ao delírio naqueles idos de todas as censuras.

E gritou: Salve Jorge Mautner!

A platéia aplaudiu demais, mas eu não detectei o exclamado entre a multidão.
Só muito depois vim a conhecer aquela figura meio estranha meu doidão meio intelectual meio escritor meio síntese de uma geração prenhe de criatividade e de vanguardismo, justamente no lugar errado, no tempo errado e onde deu tudo errado para as cabeças fora do lugar.

Hoje, vendo a figura madura de Mautner ainda em franca presença no cenário da MPB, reconheço o todo da força que ele representou para a cultura brasileira.

No Compositores do Brasil desta quinta feira vai dá Jorge Mautner, um maldito entre os benditos, sujeito coerente e dono de uma musicalidade agradabilíssima, empunhando seu violino para qualquer marcação, feito rebequeiro nordestino .

Marginal nunca foi Jorge Mautner. Marginais foram todos que não o compreenderam no seu tempo. Pensando bem, não sei por que chamam de marginal a geraldos uranos divergentes dos “padrões normais” do tempo. Pois é este mesmo tempo que vai dizer, lá na frente, o quanto se cultivou caretice. Se liga, bicho !

Vamos falar do homem, da obra e do tempo de Jorge Mautner, enquanto ouviremos:
BEM TE VIU, com Jorge Mautner

SAMBA DOS ANIMAIS, de Jorge Mautner com Lulu Santos
SAMBA JAMBO, de Jorge Mautner e Nelson Jacobina com Jorge Mautner
TODO ERRADO (não peço desculpas), de Jorge Mauter com Jorge Mautner e Caetano Veloso
ENCANTADOR DE SERPENTES, de Jorge Mautner com Jorge Mautner
ORQUÍDEA NEGRA, de Jorge Mauter com Jorge Mautner e Zé Ramalho
CACHORRO LOUCO, de Jorge Mautner com Jorge Mautner
BOLINHAS DE GUDE, de Jorge Mautner com Jorge Mautner
SOM DO MEU VIOLINO, de Jorge Mautner com Jorge Mautner
RAINHA DO EGITO, de Jorge Mautner com Jorge Mautner
MARACATU ATÔMICO, de Jorge Mautner e Nelson Jacobina com Gilbetro Gil
QUERO SER LOCOMOTIVA, de Jorge Mautner com Wanderléa

Quem ouvir verá!

COMPOSITORES DO BRASIL
Rádio Educadora do Cariri- 1020 –
www.radioeducadoradocariri.com (acesse no www.blogdocrato.com)
Todas as quintas-feiras, de 14 as 15 horas
Pesquisa, Produção e Apresentação de Zé Nilton



Eunuco

Deste velho poeta
terás apenas uma alma
nunca contente
confidente das nuvens
e das sombras do cotidiano.

Meu voo é raso,
minhas asas simples:
não ultrapasso a janela do banheiro
sem arranhões nos ombros.

Trago um sinal acima do lábio direito
e um par de olhos mais loucos que tristes.

Deste velho poeta
terás apenas um corpo febril
carne pronta ao abate
dos sonhos.

Meu contentamento
sempre solitário:
tremo, cãibras
limpo as cerâmicas
do quarto
com a toalha
de enxugar os pés.

Deste velho poeta
terás apenas a solidão
de filhos órfãos e marginais.

A força do querer - Emerson Monteiro

Nas situações diversas em que a vida se mostra, perguntas saltam à nossa frente, pedindo interpretação das origens dos acontecimentos. Por mais grossos sejam os cadernos usados, sobram detalhes do lado de fora para exame posterior. De tudo por tudo querem as pessoas saber os motivos. Mas a correria diária segue no embalo constante, quase sem deixar espaço na busca dos mistérios.
Presos na dúvida materialista, muitos rejeitam as religiões, conformados aos prazeres imediatos. Farinha pouca, meu pirão primeiro, diz o povo. Na incerteza do futuro, derrubam árvores para comer uma única safra.
Por isso, vícios arregimentam força, pela imprevidência das pessoas quanto ao futuro. O incerto pelo duvidoso. Na juventude, esse velho costume sujeita um tanto de dependentes, pois eles dão preferência aos gozos da carne, invés do planejamento de futuro harmonioso. Quando ainda têm oportunidade, lá adiante se lamentam: Soubesse eu o que sei agora...
Vencer aos instintos nocivos salvaria o bem que nos espera nas possibilidades promissoras. Será reunir forças suficientes e conter os impulsos, para usufruir de novas ofertas. Quantos presidiários vivem arrependidos por perder o autocontrole em horas críticas. Atendem impulso destrutivo e destroem a liberdade, laçados nas malhas do remorso cruel.
Daí o conceito de que vitorioso não é quem vence os outros. Vencer a si mesmo eis na verdade o que conta. Evitar a derrota, ser conquistador dos instintos da perversidade, dos vícios, da vaidade humana.
Quem consegue elaborar outro roteiro na vida, submeter o erro e reconstruir as chances de obter a paz da consciência, receberá à vitória, além de demonstrar pelo exemplo o que outros necessitam.
Independente, no entanto, dessas aspirações comunitárias, valerá a satisfação pessoal de reverter vida trágica e descobrir caminhos de alegria e realizações interiores.
Para os místicos, Deus é isto, a vida que pulsa nas veias, no tempo e na luz perfeita do Universo. Está no amor entre as criaturas. No bem que produz em prol dos menos favorecidos. Nas forças da Natureza. No gosto de viver com ânimo forte, saúde física e mental, resultado de dedicação aos fatores da virtude. E a força do querer fala disto com bravura no coração dos heróis da espiritualidade.

INDIFERENTE - de José Alves Figueiredo

Dedico este texto de José Alves Figueiredo
aos amigos Magali e Carlos Eduardo


Essa que tem no olhar a luz da estrela
Que brilha lá na cúpula infinita,
Essa mulher franzina e tão bonita
Que de verbena toda se constela.

Essa que quando canta a voz imita,
De um rouxinol a cantilena bela,
Que faz minh'alma estremecer ao vê-la
Como o galerno à frágil margarita,

Sem ter ouvidos para o meu tormento,
Passa sorrindo, fria, indiferente,
Esquecida de um velho juramento...

Tento evitá-la - finjo aborrecê-la
Porém mais sinto essa paixão fremente,
Mais sinto procurá-la e mais querê-la !


Fonte: Livro: Versos Diversos
Crato - 1978

PERSEGUIÇÃO

PEDRO ESMERALDO
Isto é a pura verdade! O Crato vem sendo sumariamente perseguido por malfeitores que permanecem sob a sombra do governador e dizem ainda que não há jeito para solucionar esse problema. Essa medida éestarrecedora, já que o cratense anda apavorado. Argumentam que os políticos desta terra que se acomodam, cruzam os braços, não se esforçam para solucionar o problema e ainda dizem amém, porque não tem representação política em Brasília.

É claro que o principal mentor dessas medidas discordantes é o nosso governador, visto que faz vista grossa e aceita com passividade as injunções malditas da vizinha cidade que anda atormentando, deixando-nos cabisbaixo, sem tomar decisões e nem saber apelar com sinceridade a fim de sairmos desse impasse.

Agora mesmo, estamos acompanhando com tristeza o fechamento doSESI. Consideramos essa medida como sendo um jogo sujo, visto que esseprédio foi construído a rigor, com muito esmero, dando condições para ser umsetor de lazer e do ensino regional, pois os homens do passado tiveram aincumbência de dar ao Crato esse melhoramento. Uma equipe de malfeitores/beneficiados pelo governador, troca de posição, preferindo dar vez àpermanência do SESI de Juazeiro, cujo prédio foi construído com molde simples para satisfazer os anseios do povo daquela cidade. Consideramos essa medida absolutista, preferenciada, simplesmente para denegrir a cidade do Crato.

Também deixamos nosso protesto e reclamamos das medidas arbritarias do pessoal do IBGE que quer dilacerar o Crato, tomando terras para beneficiar a cidade de Barbalha, pois um cidadão proveniente do Cariri Oeste, acoplado aos políticos de Juazeiro, vem nos provocar sem mais nem menos a fim de nos prejudicar para satisfazer aos anseios desses políticos maldosos, gananciosos que só almejam o crescimento de Juazeiro do Norte.

Um cidadão desconexo vem nos atormentar, proveniente do Cariri Oeste, querendo mostrar qualidade que não possui. Seria melhor que esse homem nos deixe, pois o Crato tem repugnância de suas medidas falaciosas.

Ocorre que esses homens têm o prazer de torturar e levar avante a sua campanha mal cheirosa buscando voto nesta cidade pedindo harmonia, dizendo que ama o Crato.

Nos dias de hoje, tomamos conhecimento de uma conversa que nos deixou atormentados. Trata-se de quererem privatizar a SAAEC. Não sabemos se isto é verdade, mas tomamos conhecimento de pessoas que trabalham naquele órgão público.

Relembramos bem que não desejamos ver o fim do Crato, mas, se isso acontecer, colocaremos uma placa com o seguinte dizeres: aqui restam as ruínas do Crato, alvissareira, perseguida pelos políticas da cidade vizinha e dos chefões da capital do estado. Devemos ter oposição, não intriga, mas o que estão fazendo conosco vamos partir para a intriga.

Crato -CE, 17 de Agosto de 2010.

Para reflexão



"O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis." - Fernando Sabino

"Todo equívoco humano é satirizável. Enquanto houver ser humano com suas carências, inseguranças e dúvidas, haverá sátira." - Ziraldo

"As religiões são caminhos diferentes convergindo para o mesmo ponto. Que importância faz se seguimos por caminhos diferentes, desde que alcancemos o mesmo objetivo?" - Mahatma Gandhi

"A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso. Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara pra faculdade. Você vai pro colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando... E termina tudo com um ótimo orgasmo!!! Não seria perfeito?" - Charles Chaplin

"Assim como falham as palavras quando querem exprimir qualquer pensamento, assim falham os pensamentos quando querem exprimir qualquer realidade." - Fernando Pessoa

"Um covarde é incapaz de exibir amor; amor é a prerrogativa do bravo". - Mahatma Gandhi

"Um dia, após termos dominado os ventos, as ondas, as marés e a gravidade . . . nós nos ligaremos . . . às energias do amor. Então, pela segunda vez na história do mundo, os humanos descobrirão o fogo." - Teilhard De Chardin

Federico Garcia Lorca


Federico García Lorca (Fuente Vaqueros, 5 de junho de 1898 — Granada, 19 de agosto de 1936) foi um poeta e dramaturgo espanhol, e uma das primeiras vítimas da Guerra Civil Espanhola devido ao seus alinhamentos políticos com a República Espanhola e por ser abertamente homossexual.


Nascido numa pequena localidade da Andaluzia, García Lorca ingressou na faculdade de Direito de Granada em 1914, e cinco anos depois transferiu-se para Madrid, onde ficou amigo de artistas como Luis Buñuel e Salvador Dali e publicou seus primeiros poemas.

Grande parte dos seus primeiros trabalhos baseiam-se em temas relativos à Andaluzia (Impressões e Paisagens, 1918), à música e ao folclore regionais (Poemas do Canto Fundo, 1921-1922) e aos ciganos (Romancero Gitano, 1928).

Concluído o curso, foi para os Estados Unidos da América e para Cuba, período de seus poemas surrealistas, manifestando seu desprezo pelo modus vivendi estadunidense. Expressou seu horror com a brutalidade da civilização mecanizada nas chocantes imagens de Poeta em Nova Iorque, publicado em 1940.

Voltando à Espanha, criou um grupo de teatro chamado La Barraca. Não ocultava suas idéias socialistas e, com fortes tendências homossexuais, foi certamente um dos alvos mais visados pelo conservadorismo espanhol que, sob forte influência católica, ensaiava a tomada do poder, dando início a uma das mais sangrentas guerras fratricidas do século XX.

Intimidado, Lorca retornou para Granada, na Andaluzia, na esperança de encontrar um refúgio. Ali, porém, teve sua prisão determinada por um deputado católico, sob o argumento (que tornou-se célebre) de que ele seria "mais perigoso com a caneta do que outros com o revólver".

Assim, num dia de agosto de 1936, sem julgamento, o grande poeta foi executado com um tiro na nuca pelos nacionalistas, e seu corpo foi jogado num ponto da Serra Nevada. Segundo algumas versões, ele teria sido fuzilado de costas, em alusão a sua homossexualidade [3]. A caneta se calava, mas a Poesia nascia para a eternidade - e o crime teve repercussão em todo o mundo, despertando por todas as partes um sentimento de que o que ocorria na Espanha dizia respeito a todo o planeta. Foi um prenúncio da Segunda Guerra Mundial.

Assim como muitos artistas - e a obra Guernica, de Pablo Picasso -, durante o longo regime ditatorial do Generalíssimo Franco, suas obras foram consideradas clandestinas na Espanha.

Com o fim do regime, e a volta do país à democracia, finalmente sua terra natal veio a render-lhe homenagens, sendo hoje considerado o maior autor espanhol desde Miguel de Cervantes. Lorca tornou-se o mais notável numa constelação de poetas surgidos durante a guerra, conhecida como "geração de 27", alinhando-se entre os maiores poetas do século XX. Foi ainda um excelente pintor, compositor precoce e pianista. Sua música se reflete no ritmo e sonoridade de sua obra poética. Como dramaturgo, Lorca fez incursões no drama histórico e na farsa antes de obter sucesso com a tragédia. As três tragédias rurais passadas na Andaluzia, Bodas de Sangue (1933), Yerma (1934) e A Casa de Bernarda Alba (1936) asseguraram sua posição como grande dramaturgo.
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A poesia de Marcos Leonel

Dos grifos

Assinalar como inconfundível
A trapaça da presença camuflada
Das gruas ante o pulo dos desesperados

Assinalar como irrefutável
A carcaça da ausência alimentícia
Do microondas bipolar posto na sucata

Assinalar como imensurável
A velha rua que sobrevive ao eterno
Apenas com verdades banais

Assinalar como praticável
Tudo aquilo que se destitui facilmente
Das qualidades essenciais

Assinalar como insuportável
A falta de subversão na resistência
E no formol da organização cultural

Não esquecer jamais
Que a verdade é a maior entre
As maiores sabotagens da ciência


Por Marcos Leonel