Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

ENVIE SUA FOTO E COLABORE COM O CARIRICATURAS



... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
.....................
claude_bloc@hotmail.com

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Padre Lourenço Vicente Enrile -- por Armando Lopes Rafael




O dia era 13 de novembro de 1876.

Na cidade de Crato – na Rua das Flores, atual Rua Teófilo Siqueira, em casa do farmacêutico prático Secundo Chaves, localizada próxima onde hoje funciona a Cúria Diocesana – um sacerdote de 43 anos, com o organismo minado pela tuberculose, sentia que sua existência terrena chegava ao fim. Em meio à febre, acessos constantes de tosse e hemoptise, o Padre Lourenço Vicente Enrile – primeiro reitor do Seminário São José – rendeu sua bela alma a Deus, nos braços do farmacêutico e seu benfeitor.

Dias antes, Secundo Chaves, após muita insistência, conseguiu que o Padre Lourenço Enrile deixasse o prédio do Seminário e viesse para sua residência onde teria mais conforto no tratamento da pertinaz moléstia. Debalde foram os esforços do farmacêutico. O Crato perdeu, naquele dia, um de seus mais virtuosos sacerdotes.

Padre Enrile nasceu em Finalborgo, diocese de Savóia, na Itália em 28 de fevereiro de 1833. Cento e trinta e cinco anos depois da chegada do Frei Carlos Maria de Ferrara – fundador de Crato – a Itália nos mandara outro valoroso missionário. Padre Enrile chegou ao Cariri em 1875, para colocar em funcionamento o Seminário São José. Aqui viveu menos de dois anos, tempo suficiente para alcançar – junto à sociedade cratense – o conceito de um sacerdote digno, piedoso e exemplar.

Segundo o Álbum do Seminário de Crato, editado em 1925:
“Não se limitava a ação do primeiro reitor em guiar os destinos da casa, da posição em que o colocara o Sr. Bispo, mas entregava-se a todos os misteres. Desde a sala de aulas até a cozinha, sua atividade se desenvolvia a contento de todos os que habitavam o Seminário.
“Trabalhava sem tréguas, durante o dia, e, à noite quando todos dormiam, ainda vigiando, percorria o dormitório e mais compartimentos da casa, não deixando de consagrar algum tempo ao estudo.
“Os primeiros albores da madrugada, como determinavam as regras da Congregação, já o encontravam no cumprimento do dever.
“Padre Enrile era um modelo de sacerdote católico, que reunia aos vastos conhecimentos de que era possuidor uma piedade sólida, haurida em Paris na Casa Mãe dos Lazaristas. Manejava a língua portuguesa com rara facilidade, de modo que prendia a atenção de todos quando proferia seus memoráveis sermões. À capela do Seminário, em meio de grande massa popular, afluía, ainda, o que o Crato tinha de intelectual naquele tempo, para ouvir a palavra fácil e erudita do Padre Enrile.
“Em todos os misteres do sacerdócio, era o Padre Enrile exato e admirável. Edificava o povo, quando após os trabalhos do Seminário, saía em busca dos moribundos levando-lhes o pão dos anjos e o conforto de sua palavra cheia de unção.
É ainda o Álbum do Seminário de Crato que informa:
“Quando do seu falecimento, a população em peso acorreu ao Seminário e de todos os olhos caiam lágrimas a fio, e todos os lábios ciciavam preces pelo repouso da alma do prateado morto”.

Os veneráveis restos mortais do Padre Enrile encontram-se sepultados numa das colunas da capela do Seminário São José. Conforme o Álbum do Seminário de Crato: “Jamais se assistira (até aquela data) em Crato a enterro tão concorrido e a morte tão chorada”...

terça-feira, 26 de abril de 2011

No mato sem cachorro, a farinha vai pro mesmo saco

SAMY ADGHIRNI

DE SÃO PAULO

Atualizado às 21h16.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso admitiu nesta terça-feira que existe a possibilidade de fusão entre o PSDB e o DEM, mas ressaltou que as conversas são "preliminares".

"Existem propostas nesse sentido. São aspectos delicados. Acho que o mais importante é manter a coesão dos partidos e, desde logo, dizer: aconteça o que acontecer, vamos nos manter unidos com certos objetivos maiores. Não sei qual a tendência, se vai haver fusão ou não", afirmou FHC.


Adriano Vizoni - 18.abr.2011/Folhapress
FHC admitiu que existe a possibilidade de fusão entre o PSDB e o DEM, mas ressaltou que as conversas são 'preliminares'
FHC admitiu que existe a possibilidade de fusão entre o PSDB e o DEM, mas ressaltou que as conversas são 'preliminares'

Ele, no entanto, negou relatos de que se reuniria amanhã com lideranças do PSDB para discutir a eventual fusão com a outra grande sigla oposicionista.

"Se tem reunião marcada eu não estou sabendo", brincou o ex-presidente.

As declarações forem feitas durante evento no Instituto FHC que debateu a situação política e econômica na Venezuela e recebeu várias lideranças de oposição ao presidente Hugo Chávez.

Mas o ex-presidente deixou claro que sua preocupação mais urgente é a debandada nas fileiras tucanas, em especial a saída do ex-deputado Walter Feldman do PSDB para o PSD, recém criado por Gilberto Kassab.

"Eu acho lamentável a saída de qualquer pessoa, sobretudo de uma pessoa importante. No momento nós devemos fazer um esforço pela coesão. Faço até mesmo um apelo. Não é o momento de ampliar divisões", disse o presidente de honra da PSDB.

"Se quisermos ter um objetivo maior, como têm os venezuelanos hoje, que é de voltar a ter uma situação em que o PSDB possa exercer um papel construtivo na república, temos que estar unidos", afirmou, numa referência à próxima disputa presidencial de 2014.

Segundo ele, "esse esforço implica em que as várias tendências do partido entendem que tendências são normais, que opções por pessoas são normais. O que não é normal é ruptura", acrescentou.

O ex-presidente não discursou durante o evento, mas elogiou os participantes do encontro, em especial a liberdade de tom dos jovens oposicionistas venezuelanos, que fizeram duras críticas a Chávez.

FHC disse que, ao contrário dos jovens venezuelanos, prefere ser cada vez mais prudente com declarações públicas e brincou com a polêmica gerada pelo recente artigo publicado na revista "Interesse Nacional", no qual defendeu que o PSDB desistisse dos votos do "povão" para investir na nova classe média.

"Passei a ser cautelosíssimo. Pensei que ninguém fosse ler", disse, arrancando gargalhadas do auditório.

O "cara" da vez - José Nilton Mariano Saraiva

A excelência, versatilidade, bagagem e comprovada facilidade com que consegue abordar com propriedade, clareza e consistência, uma miscelânea de assuntos, sem que caia no lugar comum ou no emprego banal daquelas “frases-clichês” ou notinhas de pé de página desprovidas de substância às quais muitos recorrem, o credenciam como um intelectual de escol; dá gosto ler seus substanciosos textos.
Recatado, se nos apresenta aparentemente tímido, mas contundente quando chamado a manifestar-se; econômico nas palavras, porém extremamente acessível com aqueles que o procuram, tem sempre uma palavra de estímulo; lhano, embora não se furte a impor-se quando preciso; firme em seus posicionamentos e, paradoxalmente, capaz de ouvir atentamente os que professam um credo diferente do seu; estas, em rápidas pinceladas, algumas das suas características pessoais.
O que mais chama a atenção, no entanto, é o seu olhar social, a sua vocação eminentemente humanista, a sua aguçada sensibilidade para com os problemas enfrentados pelos semelhantes, a sua predisposição de doar-se em favor de uma causa que beneficie os menos favorecidos ou que não tiveram oportunidade de ascensão sócio-econômica. E, certamente imbuído de tal propósito, ao ingressar na academia optou pelas ciências sociais, graduando-se em Direito.
Socialista convicto e de primeira hora, escolheu um partido de viés esquerdista quando decidiu ingressar na política. Sem recursos, mesmo assim foi eleito vereador na cidade do Crato, tendo seu mandato caracterizado pela seriedade no tratamento da coisa pública, pela competência nos questionamentos apresentados, pela busca incessante de respostas às demandas de cunho socialista, pela tentativa de mudar o deplorável “statu quo” vigente. No entanto, atropelado pelo “rolo-compressor” do poderio econômico e da falta de escrúpulos, não logrou reeleger-se, numa prova concreta e acabada da falta de responsabilidade e do pouco caso que a população do Crato dispensa quando chamada a tratar sobre o futuro da cidade.
Agora, entretanto, quando a cidade experimenta mais uma administração caótica, quando o Crato afunda no caos, patina na mediocridade, escorrega na maionese, involui a olhos vistos em todos os aspectos e quadrantes e se acha literalmente parada em termos de geração de investimentos, que propiciem emprego e conseqüente obtenção de renda por parte da sua população, por qual razão não se pensar em alguém com o perfil socialista acima, a fim de geri-la, dar-lhe um ramo, balançar-lhe as estruturas, içá-la do pântano em que a meteram, catapultá-la do marasmo e da incompetência em que a socaram, já há cerca de 40 anos ???
Como cratense “da gema”, pra lá de preocupado com o atual e crítico momento (e bote preocupação nisso), permitimo-nos sugerir que o “cara” da vez, nas próximas eleições municipais, seja um filho de Lavras da Mangabeira, mas radicado no Crato desde a mais tenra idade: José Emerson Monteiro Lacerda (em dobradinha com um Valdetário Siebra, um Marcos Cunha ou outros que compartilhem dos mesmos ideais).
Fica a sugestão.

ENCONTRO COM AMIGOS


Claude Bloc e Everardo Norões
Sem palavras...

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Programa Cariri Encantado Sonoridades - 27/04/2011

Conexões Musicais: Ednardo, “do Pessoal do Ceará"


Expoente do Pessoal do Ceará, grupo de cantores e compositores nordestinos que baixou no centro do país no início dos anos 70, como Belchior, Fagner, Amelinha, Rodger Rogério, Teti e Fausto Nilo, - Ednardo protagonizou um fenômeno fonográfico ao emplacar o maracatu Pavão Mysteriozo na abertura da novela Saramandaia, em 1976, e virar febre democrática, fissurando tanto o público universitário quanto a dona de casa. Os antigos sucessos mantiveram o criador do pavão fazendo shows por todo o Brasil e no exterior, criando trilhas de cinema, como para o filme Luzia Homem, de Fábio Barreto.

Ednardo será o enfocado do programa Cariri Encantado Sonoridades desta próxima quarta, 27, das 14 as 15 horas, na Rádio Educadora do Cariri – AM 1020 e http://www.radioeducadoradocariri.com/ -, quando será tocado sucessos como Terral, Cavalo Ferro, Pavão Mysteriozo, Artigo 26, Longarinas, Enquanto Engoma a Calça e outros de seu extenso e importante repertório musical, que têm o poder de arrebatar o público, conquistar diversos segmentos sociais, faixas etárias, permanecendo através dos tempos, com a mesma importância artística.

FALANDO DE FLORES - Por Edilma Rocha


ERVA-DE-SÃO-JOÃO - Hipericão perforatum - Esta planta floresce no zênite do Sol, no meio do verão. E é o Sol quem lhe imprime um grande poder de cura, atuando no fortalecimento dos nervos e da alma, afugentando o tédio e a melancolia. Uma santa erva.


Pequeno arbusto, de porte ereto, atinge cerca de 1 metro de altura. Originada da Europa, Leste da Rússia; aclimatado na China, Austrália, África e América. A Erva-de São-João cresce abundantemente em solo arenoso e floresce em 24 de Junho, dia de São João. Suas folhas são opostas, aos pares, e se colocadas contra a luz, podem ser vistas suas glândulas translúcidas com óleo. As flores são numerosas de cinco pétalas persistentes, de coloração amarela.


Planta aromática e medicinal, a Erva-de-São-João é expectorante, cicatrizante e tônico nervino. Outras variedades de hiperidicão têm as mesmas propriedades terapêuticas do hiperidicão ordinário. Empregado também nas perturbações psíquicas, estados depressivos, ansiedade e excitamento nervoso e como calmante nos casos de insônia e enurese noturna.

Edilma Rocha
Fonte - Jardim Interior - Denise Cordeiro

A riqueza e o tempo - Emerson Monteiro


De imaginar que tantos vivam qual quem mata o tempo, o cidadão médio resolve saber o que significa tempo, viver este período quando aqui, neste chão de possibilidades, realizar o que pretende. Porém poucos reconhecem o que pretendem, no entanto. Olham dos lados, atrás, à frente, e olha as águas de vasto oceano, cheios de preocupações, atribulações e desordem. Outros, descem à profundeza do mar e encontram os lenitivos de preencher o estirão da viagem com vaidades, instintos e posses. Já, lá adiante, os que buscam ter a aceitação interna, dentro do mundo de valores e sonhos.
Conquanto alguns poucos descubram a interpretação de que vida e tempo correspondam a uma mesma coisa, pois tempo mostra a cara na saúde e nas condições do corpo, as suas decisões e atitudes levam a pensar que vida e tempo são coisas diferentes. E ignoram os resultados do que realizem.
Noutro bloco, grupo reduzido estuda, trabalha, controla os sentimentos. Graças a esses poucos heróis, o barco permanece vagando na superfície das perguntas, querendo respostas do movimento dos dias e do relógio.
A famosa corrida do vil metal, das intenções materialistas e conceitos ocidentais, contudo, conduz a história, esquecida desses valores, no salve-se quem puder da sobrevivência. Ética e os ideais viraram discursos das manobras eleitoreiras. A classe dominante dos países ocupa os palacetes da ilusão e são poucos os que, de verdade, mandam no pedaço, a gastar o suor do povo em mãos gananciosas. Notícias requentadas, no meio do tempo de televisão, entopem a consciência das gentes. O costume de fabricar bombas e balas acinzenta de gazes as folhas dos calendários. É o tempo, de novo, sendo perdido no vento. Pessoas querendo reverter a marcha dos acontecimentos com propostas pessoais e tomam a si o direito de errar, matar, sem respeito ou responsabilidade.
Por onde andaria o custo dessas ações, ninguém consegue calcular e dizer o nome dos que manipulariam os cordões políticos das manadas vagando perdidas, abandonadas à própria sorte. Depois, chegará o senhor do tempo a pedir satisfação da farra. Filas quilométricas, que vão e que vêm, catam o pão e misturam com as lágrimas. Sim, o tempo perguntará aos surdos e responderá aos mudos suas leis de Eternidade. Quem fez ou deixou de fazer, nos passos das horas, subirá, ladeira acima, qual aquele Prometeu da lenda, a conduzir, nas encostas de elevada montanha, um rochedo que escorregará e voltará ao começo, necessitando subir novamente o velho itinerário.
Há espécie de religiosidade nisso tudo. Elevar o sentido da condição humana aos níveis superiores. Esquecer o quase nada que escorrega pelos dedos e estabelece padrões maiores de compreensão às vulgaridades, que deixaram imaginar as mil alternativas e um só Deus a lhes administrar todo tempo as engrenagens.

Onde andavam essa fotos? - Por Claude Bloc



Claude (3 anos)
Tentei bordar algumas lembranças enquanto dormia. Uma menininha sorridente insistia em me dizer que a vida era boa. E eu acreditei. 

Olhei para a primeira foto. A imagem de uma vida feliz  estava estampada no sorriso inocente daquela menininha. Senti saudade dos meus avós maternos e por incrível que pareça, um velho filme, desenrolou-se em minha memória. Nessa época, eu estava na França. Na horta de minha avó Germaine. Aprendia o Francês com facilidade e me tornei fluente. 

Ia à praia com meus primos Michel e Mailé e observava o mar descer muitos quilômetros até se esconder nos confins da baía (Bassin d'Arcachon). Deixava atrás de si, grandes valas naturais onde a gente ia pegar camarão e mariscos. A água era fria e em alguns trechos havia muitas algas finas. A brincadeira era sempre marcada de risadas... Gritinhos finos. O mar sem ondas era propicio ao banho...
Georges Bloc, Claude, Janine, Dominique e Huguette

Mas o Brasil tinha seus apelos. Meus avós paternos decidiram se instalar no Ceará e viver entre os filhos e netos. Assim, Fortaleza e Serra Verde foram os polos de sua moradia. Depois veio o Crato. Isso foi definitivo. Dividiam-se enquanto a família se multiplicava devagarinho. Inicialmente éramos eu e Dominique.

Mamãe, sempre bela, tinha alguns percalços a superar. Sabe como é aquela convivência entre sogra e nora numa mesma casa... Algo meio complicado quando a sogra tem um sentido muito apurado de família e quer ter um espaço e uma participação, além do que deveria ser... No Início, foram ossos duros de roer. Depois, a força do amor e da amizade fizeram pontes entre os sentimentos e a harmonia acabou com o ranço.

Dominique, Mamie Menotte (Germaine) e Neném - (e os cães Dick e e Nico)
Minha avó materna veio ao Brasil algumas vezes. Era mais fácil vir assim apenas uma pessoa. O calor nordestino a incomodava, mas a alegria de poder conviver com a família brasileira a fazia esquecer esses detalhes.

Deixou a cada viagem o seu exemplo e sua simplicidade como marca fundamental. Apesar da barreira do idioma, conseguia se comunicar com as pessoas serraverdenses. Queria aprender os costumes, observar as diferenças e semelhanças entre a vida na França e aquela que encontrou naquele sertão brabo. 

Como exímia costureira e bordadeira, observou naquela época que na maioria dos bordados da região prevalecia a cor vermelha nas flores e o verde forte nas folhas e folhagens. Apesar de não ter conseguido falar Português, ela também observou que, na década de 50, nas letras das canções brasileiras a palavra "coração" ( que ela não conseguia pronunciar direito) aparecia na maioria delas. Enfim, foi uma convivência ímpar, que se repetiu duas ou três vezes mas que nos trouxe um grande carinho e amor por aquela avó brincalhona e gentil.
Hubert Bloc (já em Serra Verde)

 Seu Hubert, meu pai, era um caso à parte. Uma alma gentil e amorosa.  Vigoroso em seu trabalho, parecia um dínamo. Chegou novinho (23 anos) ao Brasil e teve que se aclimatar num sertão de gente matuta, mas cheia de vigor.

Já a essa idade havia vivenciado as agruras da II Guerra e tinha que se superar num país estranho e totalmente diferente daquele mundo polido e cheio dos travos da guerra. Sempre dizia que tinha um "Português ruim", mas o Rótary lhe deu asas e conseguiu escrever o Português melhor que muitos brasileiros. Era belo, inquieto, aventureiro. Tentou viver o que a guerra lhe privou de ter  nas mãos. Errou, mas não foi por falta de garra. A vida ceifou seu futuro muito cedo (65 anos) mas conseguiu, na sua espontaneidade, deixar amigos onde quer que fosse e um legado de amor entre os seus. 

Agora fico aqui entre essas fotos. Fazendo elos entre elas. Nos vazios me debruço sobre essas irremediáveis faltas. Ausências que vão se deixando ficar pela história da minha vida.


Claude Bloc

domingo, 24 de abril de 2011


Ceni
- Claude Bloc -

Ceni (bebê)
 Despertei cedo e olhei novamente algumas fotos sobre a mesinha de cabeceira. Adriana as trouxera na noite anterior lá da casa de Ceni. Eram fotos que Nenem havia preservado em seus guardados por muito tempo. Fotos de que eu nem me lembrava, mas que me fez rever personagens de minha vida.

Quanto a Ceni, nem me lembro a última data em que eu a havia visto pela última vez. Acho que lá pelo início dos anos 70 quando Daniela era um bebê. Ceni era uma menina quieta e de olhar sonhador e triste. Ela estava na minha casa para fazer companhia a Daniela e para brincar com ela, enquanto as coisas da casa eram providenciadas. Um belo dia Nenem a levou de volta pra casa e eu segui minha vida indo pra Fortaleza para receber Flávia minha segunda filha e depois fui para o Rio onde morei 8 meses. Desde então nunca mais nos vimos.

Faz tempo que eu andava procurando por Ceni. Minha vida, porém, me empurrava sempre para longe dela e quando eu ia pro norte ela estava no sul, ou coisas assim. Quando falava em Ceni  sempre me lembrava de tê-la balançado na rede para dormir, quando eu estava de férias em Serra Verde. Me lembrava igualmente de quando ela começou a andar. Ela tinha muito medo de ficar em pé e como ficava muito tensa, demorou para tomar a decisão de ir adiante. De andar de fato. 

Ao vir pro Crato, recentemente tive notícia de que Ceni veio aqui visitar Mundinha sua madrinha. Fiquei aguardando um contato, até que sábado falei com Jose, sua filha. Adriana, minha afilhada, foi lá em Juazeiro encontrar com a família de Ceni. Foi assim que recebi as fotos. Fiquei de vê-la logo. Saudade longa.

Ceni (aos 9 anos)
Ceni (aos 17 anos)

Claude Bloc

Foto1 - Ceni (bebê)
Foto2 - Ceni (09 anos)
Foto3 - Ceni (17 anos)

E o túmulo estava vazio! – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Na madrugada daquele domingo, pela contagem dos judeus, o terceiro dia após a morte de Jesus, duas mulheres se dirigiram ao túmulo onde o haviam sepultado. Pretendiam perfumar o corpo dele. Ao se aproximarem, houve um grande tremor de terra. Perceberam que a pedra que fechava o sepulcro estava retirada e um ser de luminosidade intensa e radiante estava sentado sobre a pedra. Era um anjo, um mensageiro enviado por Deus! Os guardas que vigiavam o sepulcro, tremendo de medo, ficaram como que paralisados, como se estivessem mortos. As duas mulheres também ficaram amedrontadas. Mas o anjo lhes disse: “Não tenham medo, o Jesus que vocês procuram está vivo, ressuscitou, conforme havia anunciado!” Elas saíram correndo para comunicar aos demais discípulos o que havia acontecido e que o mestre não estava mais no túmulo. De repente, Jesus ressuscitado apareceu a elas duas dizendo que fossem para a Galiléia e avisassem aos discípulos que ele iria se encontrar com eles. (Cf. Mt 28, 1–10).

Essa passagem do Evangelho anunciado na Vigília Pascal celebrada nas últimas horas desse sábado, me fez lembrar os últimos dias de vida do meu saudoso pai. Ele enfrentou há 46 anos, com a mesma idade com a qual me encontro hoje, o sofrimento e as dores que uma terrível moléstia o vitimou, com muita serenidade e a mesma esperança que aquelas duas seguidoras de Jesus demonstraram. A confiança de quem realmente viveu o projeto que Jesus nos deixou, acredita nele e espera pela ressurreição dos mortos. Aquelas duas mulheres acompanharam Jesus enquanto ele pregava pelas estradas e povoados da Galiléia e foram testemunhas da sua paixão morte e ressurreição. Enquanto elas esperavam por alguma coisa, os guardas representantes dos inimigos que levaram Jesus à morte vigiavam o túmulo para que nada acontecesse.

O projeto de Deus anunciado por Jesus e vivido com toda intensidade pelo meu pai, não nos leva à morte, mas é caminho para a vida. Aquela mesma fé na ressurreição, que meu pai demonstrou nos seus últimos momentos de vida, é um convite para todos que com ele conviveram para que continuemos a viver o projeto que Jesus nos deixou.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

sábado, 23 de abril de 2011

O Pensamento do Dia - Fernando Pessoa

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg2VJA3_mYxqlWHzpRuv2jRt6dXD38vehGDFTn3KbECmPbhu7ysLANbJHccKL1iviBeIzsIrVWjYGSFfaFWxIcoHf7OOJNFJ5jsnaJF-CP8BjGmpaEXZ7UPXVzCe8GBzE38awHx1gSulsX9/s1600/Fortaleza+01.jpg


"Dormir, é acordar para dentro"

Fernando Pessoa

Foto: Dihelson Mendonça

( Foto feita sem tripé, apenas segurando a câmera à noite, sem tremer )

SOBRE A VIDA

Hoje me dei tempo para escrever. Um tempinho só. Paz e silencio. Pensei sobre o que escrever e estranhamente me vi tentado a escrever sobre a VIDA. Aí de imediato lembrei que ouvi certa vez de um poeta a seguinte frase: “A vida é um punhado de coisas passageiras”.

Passageiras??? Será mesmo???

Demorei um pouco analisando e pensando no que faz uma pessoa não guardar momentos, vivencias, fatos, pessoas, amores, cores, lembranças. O que o fez tão cru? Em que lugar quedaram as suas lembranças?

Não me permito tratar por passageiros os meus sentimentos, amores, pavores, enredos e nuances que a cada ocorrência provocou reviravoltas em minha história.

Não. Definitivamente não são coisas passageiras. Tenho um longo arquivo de lembranças dentro de mim. Vez por outra vou lá remexer.

Uma coisa é certa: Pensadores não faltam para dar palpites sobre a dimensão infinita que é a vida. Porém, filosofar sobre a vida é por demais perigoso. Teríamos que decifrá-la dia a dia... a vida inteira.

A mim interessa sempre levar comigo o desenho da minha estrada, As cores e os enredos vivenciados, o desenho das curvas do meu caminho, o traçado que me faz caminhar e pensar na palavra “destino”. O que ficou atrás eu levo comigo...na lembrança.

Não seria a vida um punhado de surpresas? Acho que seria melhor pensar assim. Ou que a vida é um emaranhado de coisas verdadeiras . Coisas que só farão sentido se as vivemos com intensidade.

Entendo que a vida só terá sentido se ao longo do nosso caminho formos traçando e retraçando tudo; trançando pedaço a pedaço, fio a fio. Se formos emaranhando tudo de forma a transformar passo a passo todos os momentos. Assim daremos forma ao que chamamos de “Minha história”.

CONHEÇA O CRATO EM 300 FOTOS - Galeria da Cidade do Crato e das maiores Personalidades


Conheça quem é quem na cidade do Crato ! - 300 Fotos da cidade e das Personalidades Cratenses.





"Felicidade é a certeza de que a nossa vida não está se passando inutilmente."

Érico Veríssimo

A vida é muito breve! O que fica aqui para a posteridade, é o trabalho que cada um realizou em benefício da sociedade. Uma cidade não é composta somente do lugar em si, mas das pessoas que o construíram e que o constróem no seu dia-a-dia. Ao escolher as fotos para essa pequena galeria, porém com 300 trabalhos selecionados, procurei reunir algumas das minhas imagens mais significativas do Crato e da região, bem como de pessoas que são verdadeiramente, os pilares das artes e da cultura no Crato e no Cariri. Nem todos estão aí, decerto, pois não pude registrar em fotografia, mas com certeza, os que foram registrados, merecem pertencer a esta galeria de homenageados que por DÉCADAS, exercem um trabalho que deixará marcas profundas na nossa história. Nesta galeria não cabem principiantes. Procurei registrar quem realmente conduziu e conduz os destinos da nossa cidade e já possui uma história de vida e dedicaçãoao trabalho.

Esta é uma galeria que ninguém entra por ser amigo do dono, nem pode pagar para entrar, mas por ter méritos verdadeiros e uma folha de serviços RELEVANTES prestados ao Crato e ao Cariri. Fazer listagens é sempre uma temeridade, porque acabamos excluindo pessoas, mas o objetivo aqui não é registrar tudo, até porque, como falei, eu não disponho das fotos de todos os que gostaria de homenagear.

Portanto, para quem não conhece ainda o Crato, quem reside fora da cidade, ou para quem simplesmente deseja rever os velhos amigos, eis uma boa oportunidade. Passei dias selecionando o que há de mais representativo nas imagens dos lugares e das pessoas que constróem esta cidade, e moldam o perfil da nossa geração. Não é possível listar aqui, pois o trabalho seria monumental. O bom mesmo é ver a galeria completa, sem pular nenhuma foto. É preciso ter uma certa paciência, pois o slide demora para carregar. Mas ao final, vale a pena ver ou rever as belezas do Crato, e o seu maior patrimônio, os seus ícones e a sua cultura.

Diagramação e Fotos: Dihelson Mendonça ( com participações de Pachelly , Roberto Jamacaru, Wilson bernardo e Claude Bloc )

Santa Semana... Por Pachelly Jamacaru








Fotos: PAchelly Jamacaru
Direitos Reservados.

Saber acordar - Emerson Monteiro

O ânimo de viver representa a nossa cara diante das outras pessoas. Enquanto isso, bom conhecer um tanto mais das possibilidades que existem de poder controlar o nosso humor à medida que vivemos os dias e as horas. Dominar os passos que a gente vem andar. Pisar no jeito de evitar acidentes ou criar condições desfavoráveis nos gestos de plantar nossa imagem no coração dos semelhantes, essas outras pessoas. Fazer o nosso marketing particular pelas estradas em que andamos.
Certa vez, ouvi de um amigo que o freguês, dormir à noite e acordar de manhã, sem se lembrar de Deus para fazer uma oração isso parece coisa de bicho bruto, de herege que arrasta a existência de jeito atropelado, rude, batendo nas laterais da sorte, rês arrombando cerca, esquecido da concentração de suas forças nos objetivos que interessam das normas do bom viver. Já amanhece o dia trombudo, amuado, cara fechada, agressivo, procurando briga, contrariado com tudo e todos.
Há gente que numa hora está pelos pés, noutra pela cabeça. Pessoas de duas caras, como o povo qualifica. Os pacientes do transtorno bipolar, na classificação da atual da ciência. Galinhas de ovo virado, nos chistes de calçada. Não veem nem porque e aparecem trombudos no terreiro, logo cedo, querendo briga a qualquer custo, desmanchando o que construiu na noite anterior. Se o marido, se a mulher, pouco importa, sai da cama, ou da rede, caçando confusão, de cara por acolá. Nas repartições, os chefes que entram nas salas mal humorados, calados, fungando, enfezados, juntando troços, pronto a criar um incidente administrativo e levar em frente, apurar, punir. Muitos, lá adiante, dias depois, voltam arrependidos, a pedir perdão, desculpando esfarrapado, desconfiados, até a próxima situação que vierem a criar. Ô, homem grosseiro, mulher grosseira, que fere a sensibilidade alheia, meio gente, meio bicho, a mistura dos dois.
Disso, agora só cabe tirar algumas lições práticas. Saber acordar, eis o princípio fundamental dessas leis da vida. Amar a existência. Conhecer as regras da experiência, praticar a cortesia, a amabilidade na relação familiar, na boa vizinhança, aprender o tratamento com as demais criaturas. Ir expandindo o círculo aos distantes, desconhecidos; na rua, no trânsito, no trabalho, na escola, nos grupos que participar. Dividir a leveza desse costume numa sequência de ações que frutifiquem quais sementes de frutas doces nos corações ali perto de quem conviver.
Quando pessoas maltratam quem amam, imagine o que farão com aqueles que nem conhecem. Jesus ensina amar os próprios inimigos, pois os amigos já são amigos. Conquistar quem nos desgosta, eis o segredo da harmonia coletiva. Desde cedo, de manhã, ainda deitados, naqueles cinco minutos durante os quais planejamos o dia, usar a oportunidade de formular os pensamentos. Buscar o tempo bom dos sentimentos e pisar maneiro esse chão, a fim de nele colher consciente seus valores positivos. Devagar chegar lá longe e viver no tempo certo.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

 Não há poeta
- Claude Bloc -



Hoje não há poeta, creio,
então escrevo à toa
e no meu canto
fecho a gaveta simplesmente
e estanco.

Hoje o sereno prendeu-se nos rebites da noite
e foi tanto espanto, e foi tanta graça
que levantei as mãos para apanhar a lua
e num instante
recolhi as cores de minha saudade
estendi o manto da simplicidade
E tentei dormir.

E foi tanto espanto, e foi tanta graça
que levantei as mãos para apanhar a lua
e escrevi t/meu nome no  meu travesseiro
Aos poucos
derramei a noite em minha vida
e lhe dei essa lua de presente.

Escrevi,sim, sem saber,  metáforas
Fiz-me poeta
Inquieta e inculta
e deixei a lua branca e soberana solta no céu.
E naquele momento,
nesse mesmo instante
a noite escorreu por entre meus dedos...
e foi tanto espanto, e foi tanta graça
que levantei as mãos para apanhar a lua
e... nasceu o poema.

Claude Bloc
 

SEXTA-FEIRA SANTA




PRECE

Senhor, dai-me paciência para esperar.
Senhor, dai-me o silêncio das esferas
e a música, a inaudível música dos anjos.
Dai-me a palavra para cantar a vossa glória.
Dai-me a luz para ver a vossa face
e espantar-me
e cair por terra.
Dai-me a graça de ver,
refletido no lago do tempo,
o eterno.


A SOMBRA NA MONTANHA

Uma sombra cai
sobre a montanha.

É sol onde estou.
Ainda é sol.

Não desça a sombra, Senhor,
antes que eu suba a montanha.


          SEMENTES

O meu pai passeava entre os túmulos
         contando a história dos seus mortos,

sementes plantadas na terra
para florescer no devido tempo.

Os mortos vieram do passado longínquo
e se plantaram para não mais morrer.

Quando chegar a minha hora de ser semente
sei que a terra inteira não me bastará

para os frutos da minha ressurreição.



Gêtsemani


Não, não transparecia cansaço nem fastio, embora a cena se repetisse há tantos e tantos anos. Apenas uma leve asa de indignação ruflava ao seu derredor. Como um moderno Prometeu acorrentado, fazia-se eterno pasto à águia do cristianismo. Parece até que ganhara a maldição da imortalidade. Ressuscitavam-no todo ano, em meio às velas, ao vinho e ao roxo da Semana Santa. No seu curto e sub-reptício reinado, fazia-se, rapidamente, senhor de uma quinta , ganhava roupas esfarrapadas, mas modernas, metia-se a cavaleiro. Metamorfoseava-se de uma personalidade qualquer escolhida entre os sempre novos e fartos Judas da humanidade e partia, no Domingo da Ressurreição, para o seu calvário particular.Até um testamento lhe seria providenciado, ele que não deixara sobre a terra nenhum legado que fosse além da pura e cristalina infâmia. Até os 30 dinheiros, levara ao santuário antes do pêndulo do corpo e do final balanço da corda.

Suas memórias, se escritas, seriam um farto material para o estudo do inconsciente coletivo. Havia, com certeza, algo de sanguinário, de sádico e tribal naquela malhação.A simples encenação daquela selvageria, no fundo, contradizia-se frontalmente com as lições de amor, de solidariedade e compreensão que terminaram por permear todo o Novo Testamento. A primeira pedra que ninguém ousara lançar sobre Madalena , agora fariseus multiplicados aos montes atiravam nele com sanha animalesca, sem nenhum remorso, sem nenhum pejo.

Neste ano, ali estava novamente no cadafalso, aguardando o desenlace tão previsível. Enquanto observava a faísca zigzagueante do estopim, teve , por fim uma clara visão do mundo que um dia abandonara pensando em se livrar dos seus demônios e fantasmas. Na verdade a turba não malhava ao Judas, mas tentava destruir as imperfeições pessoais que via nele refletidas. É como se diante do espelho, o quebrassem, por temerem a imagem horrorosa mas verdadeira que se revelaria na superfície cristalina. Nada mudara em tantos anos! Bastava fitar a multidão para ver claramente presente e cristalizado em todos os corações o veneno um dia inoculado no Gêtsemani: a indecisão de Pilatos, a tríplice negação de Pedro, a parcialidade de julgamento de Caifás, a eterna opção dos eleitores por Barrabás. Parecia claro para ele agora que não foram os filhos do Pai que povoaram o mundo, mas sim a raça de Judas. Sim, seus filhos tinham prosperado como nunca sobre a face da terra . Estavam muitos ali familiarmente reunidos, com suas fraquezas, suas indecisões e seus vícios bem à mostra : lábios preparados para o beijo fatídico, mãos entreabertas esperando, sofregamente, os trinta dinheiros...

J. Flávio Vieira

Roberto Carlos - Emerson Monteiro


Neste mês de abril (2011), Roberto Carlos inteirou 70 anos (dia 19), dos quais 50 de sucesso absoluto na música popular brasileira, com algumas incursões pontuais ao exterior, sobretudo aos países de língua espanhola das Américas. Menestrel de repetidas gerações, ele segue firme e forte, através dos espetáculos que apresenta acompanhado de músicos virtuosos, demonstração inequívoca do talento e da organização que lhe caracterizam a genialidade humana por demais reconhecida.
Escrever a propósito de Roberto Carlos contextualizaria um tempo deste País de tantas contradições e mudanças, desde os inícios da carreira, nos anos 60, quando vivíamos as notas iniciais da exceção política, às convulsões mundiais ocasionadas pela Guerra Fria, às rebeliões da juventude na Europa e ao movimento hippie espraiado pelo mundo inteiro, ainda somados os movimentos tropicalista e da Jovem Guarda, e os heróicos festivais da música de protesto; os exílios da fina flor dos expoentes musicais, o crescimento das drogas, amor livre, eliminação de líderes mundiais sob a agressividade que, impiedosa, campeou na época, a culminar no desencanto dos sonhos interrompidos e na morte de John Lennon, em Nova York.
Da cidade ao sertão, de parceria com Erasmo Carlos, em passes mágicos, gerava sucessos trazidos pelo rádio e pelo disco, e que funcionavam quais trilhas sonoras do quadro nacional, amenizando a rotina dos indivíduos. Angústias, apreensões de toda aquela juventude, encontraram eco no lirismo bem elaborado das letras dos astros pop, também abertas aos sentimentos cristãos da gente simples, marcos indeléveis do nosso melhor cancioneiro.
Os álbuns do cantor assinalam, pois, cada fase desse tempo, enquanto a vida transcorria no salão enorme das existências, aceleradas pelo progresso industrial da fase econômica. Agora, nos miados eletrônicos da digitalidade pós-moderna, em arquivos mp3 da Internet, disponíveis se acham as inesgotáveis canções de Roberto Carlos, pomos de recordação e saudades, velhas melodias que fizeram a cabeça de milhões e que desfilam atuais seus amores, suas festas, de tantas alegrias, velhos tempos, belos dias.
Aqui eu me pego a falar nisso meio sem jeito, narrando do pouco que restou das impressões motivadas pelos heróis eternos da geração e suas criações guardadas a sete capas nos baús do destino, aprendizado permitido pelas artes na ilustração das histórias do cotidiano coletivo. Então, falar na música, a divina música composta e interpretada por quem sabe produzir com extrema sabedoria, assinala de bênçãos a vida brasileira entre esses dois séculos de riqueza cultural.

Vem aí !


Baseado em história do "Matozinho vai à Guerra" de J. Flávio Vieira

Um curta de Jéfferson Albuquerque

Estrelando:

Kélvia Maia
Renato Dantas
Orleyna Moura
Cacá Araújo
Jean Nogueira
Franciolli Luciano
Raul Poeta
& grande elenco

Quando Maio chegar !

O apelo feroz dos ditadores - Emerson Monteiro

Nas recentes manifestações da África, quiseram revisar o passado e sonhar com a democracia, indo nas ruas derrubar ditadores ali postos ao peso dos esquemas diplomáticos das potências ocidentais. Nesse instante, um sintoma veio à tona que é saber do quanto os ditadores adoram comandar como nenhum outro que nunca usufruiu do poder. Almas envolvidas nas tramas da ganância, eles enfiam as unhas no lombo dos conterrâneos e agarram quais gaviões raivosos. Sugam a lama do que restou dos direitos humanos e impõem regimes de força a troco da fraqueza dos que confiaram neles e lhes permitiram chegar ao topo da pirâmide social. Nisso, exploram o produto nacional bruto em proveito próprio. Descem o malho no povo e sacodem os chãos, feitos cavaleiros do Apocalipse. Recebem armas, adquirem parceiros à custa dos aliciamentos, cedem bens vitais dos países e deflagram trágicas guerras que enchem os cemitérios e os noticiários. Escondidos nas camarinhas de palácios enormes através dos vícios e das maldades, durante passeios elaboram o discurso com que alienam as suas vítimas. Monstros apegados à força bruta, logo constroem prisões inexpugnáveis e alimentam a máquina da propaganda para manusear perversas maquinações. Ah, os ditadores, esses chicotes dos imprevidentes que lhes deixaram subir ao trono, ou facilitaram meios disto acontecer. Há quantos séculos se repetirá a cena... Peças de reposição dos impérios, negociam a safra das vidas e populações nos mercados da perdição, a troco do fanatismo imposto pelas facilidades recebidas. Quem abrir um livro de história observará essas anomalias da espécie humana, esses aleijões dos crimes hediondos. Por trás de toda guerra existirá um ditador, coringa da ignorância dos valores e dos bons princípios da paz, espécie de assombração à ordem natural das coisas, espantalho da regularidade no papel violento dos que desmancham prazeres. Enquanto isso, na velha participação e nos vários continentes, de uma hora para outra, o desaviso das pessoas, e lá estão eles de malas prontas para entrar no jogo de empurra da política. Abrir os olhos e guardar as lições será dever da cidadania, que nunca relaxe e se sujeite sem observar que, nas encostas das sombras, esses carrascos fedorentos analisam um jeito astuto de abocanhar o festim. Longe, em países afastados, maus exemplos de tiranos em queda apareceram nos acontecimentos recentes. Agora reduzidos a cinzas, mas que serviram de espinho de garganta na intenção de vender o que saqueavam das gentes que exploraram décadas a fio.
Consciência pública requer atitude, o que nem todo dia se dispõe o comodismo das massas. Contudo, depois retornam aos seus afazeres e devolvem aos terceiros seus destinos, e passam a morar em cima dos barris de pólvora. Manter a estabilidade social é bem comum, toda hora, todo tempo. Os turnos eleitorais servem de base para deter essas ambições de tais mentalidades doentias. Cuidado dobrado, pois, nas eras de calma; e trabalhem as lideranças no sentido de reger o futuro, numa construção favorável aos bons costumes.

FELIZ PÁSCOA !!!

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