Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

ENVIE SUA FOTO E COLABORE COM O CARIRICATURAS



... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
.....................
claude_bloc@hotmail.com

sexta-feira, 17 de junho de 2011


 Fotossíntese
- Claude Bloc -


Vivo à luz de( tuas) palavras
À sombra de um sonho
Que não esqueço.
Reflito, 
Como um lago que refrata
A fotossíntese da alma.
Então, as palavras se  tocam,
Nesse céu, sem reflexos
Contornando a noite
Em pleno vôo...
E depois do pouso,
O repouso
O silêncio.

Claude Bloc

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Reclamam da falta de eventos, e quando fazem eventos, eles não vão - Só sabem reclamar !



E Cadê aqueles Cratenses que reclamam tanto da falta de Cinema no Crato ?

Tem gente que só sabe mesmo é reclamar! Vejo aí pelo Blog do Crato, volta e meia aparece aquele velho jargão de que o Crato já teve 5 cinemas, e hoje não tem nenhum. Acontece que por esses dias, com um GRANDE, eu diria até monumental esforço dos Cineastas, Amantes da Sétima Arte, Governo Municipal, URCA e outras entidades, em sinergia, se conseguiu fazer pela primeira vez em muitos anos, uma Mostra de Cinema na cidade do Crato.

E Quem é o Público presente ?

Aqui eu pergunto: Quem é o público presente neste evento ? porventura, seriam aqueles que sempre se alvoroçam em reclamar da falta de cinemas na cidade ? Seriam aqueles que reclamam das desgraças que acontecem no Crato ? O público que lá está firme e forte conhecendo os trabalhos produzidos pelo Crato, seriam os eternos apostadores do "Quanto pior, melhor ?"

Um sonoro: NÃO !

O Público que lá está, são as pessoas que ainda acreditam e lutam para que o Crato dê certo. São os que pegam nas ferramentas e tentam mudar a realizade. São pessoas que jamais deixaram de lutar e acreditar que é possível se fazer grandes coisas aqui no Crato. E afinal, Cadê os eternos lamentadores de Plantão ? Porque não vão à mostra Crato de Cinema e Vídeo, conhecer os trabalhos, conversar, trocar idéias, e aproveitar para contribuir com sugestões ?

Por uma simples resposta: Esse pessoal só sabe reclamar. Quando acontecem shows na cidade, não comparecem. Quando acontecem eventos importantes, reuniões que decirá os destinos do povo, eles não vão. Não vão, e acham que do alto da sua ignorância, podem criticar as iniciativas daqueles que fazem alguma coisa pelo bem da cidade, apenas escrevendo besteiras, e falando outras besteiras pelos bares da cidade. fazer algo de concreto, NECAS! - Preferem ficar comodamente com a Bunda colada em suas cadeiras vendo TV, acessando a internet e escrevendo que no Crato não se fazem eventos e nem vai pra frente.

Vamos ser CRATENSES, e não CRETINOS !
Prestigiem os eventos da nossa cidade...
Compareçam à I Mostra Crato de Cinema e Vídeo.

Por: Dihelson Mendonça
O.B.S - Ainda não vi por lá os nossos vereadores ( salvo uns 2 ) também. Porquê razão ? Não gostam de cultura ?

VÍDEO - Dr. José Flávio Vieira fala sobre a I Mostra Crato de Cinema e Vídeo




Durante toda esta semana o Blog do Crato e sites associados estarão apresentando diversas entrevistas com participantes da I Mostra Crato de Cinema e Vídeo. Cineastas, organizadores, Autroridades e o próprio público estarão sendo entrevistadas por nossa equipe.

TV Chapada do Araripe
www.chapadadoararipe.com

SESC e Penaforte:As Fronteiras do Teatro Mambembe de Cacá Araujo-Wilson Bernardo.

A cidade de Penaforte recebeu o projeto do Sesc-Ce, teatro na rua, fato inédito para aconchegante cidade que faz limites de fronteiras com Salgueiro-Pe. As fronteiras são demarcadas pelos pés, o que nesse caso as fronteiras não tem limites e são inexistentes, quando se trata de teatro e diversão mambembe, o que seria na verdade uma linguagem universal e compreendida por todods os povos, independente de credos, raça, língua e comportamento. Nesta quinta-feira a trupe cratense de Cacá e sua guerrilha chega a Mauriti-ce, que por coincidência faz fronteira com a Paraiba. Em breve esses atores heróicos, cruzaram fronteiras além mares, em busca do velho mundo dos senhores Portugais, pois que sim, viver viverás além tejo.

Como dizia Castro Alves a praça é do povo e cena da peça a Comédia Maldita
Cacá, a cigana maravilhosa e Orleina Moura cangaceira de velhas lutas do teatro do Oprimido
festa e magia contagiam o povo
Idealizador de uma guerrilha além fronteiras,que destina teatro para todos e sua socialização
A cangaceira nos bastidores, nos fez lembrar metade dos anos oitenta em Orleina?
No bom sentido Orleina a mãe teatral da gurizada nos bastidores
Wilson Bernardo(Texto & Fotografia)

Esse instrumento a mais - Emerson Monteiro

Notícia divulgada pelo jornal Diário do Nordeste, edição de 13 de junho de 2011, dá conta de uma pesquisa realizada pelo instituto Detafolha, em parceria com a agência de publicidade Box, onde são avaliados estudos a propósito da utilização, pelos jovens brasileiros, da rede internacional de computadores, a Internet, qual dispositivo de mobilização social. Dos números apurados entre 1.200 entrevistados na idade de 18 a 24 anos, 71% afirmaram que é possível fazer política usando a rede sem intermediários, como os partidos, segundo a notícia.

Isto, segundo especialistas ouvidos, revela um esgotamento do modelo tradicional de mobilização e impõe um desafio aos que pretendem assumir a representação dos jovens.

Cremos, no entanto, que a validação institucional da participação do cidadão na organização política exige sua presença também junto às agremiações partidárias, sob pena de permanecer à margem dos resultados desse processo. A contradição que isto significa são os recentes acontecimentos mundiais do Oriente. No Egito, por exemplo, diante dos esforços da agitação de multidões, o governo do presidente Hosni Mubarak conheceu sua derrota e abandonou o país.

Contudo, os dividendos dessas atitudes sociais bem sucedidas escorrerão, sem sombra de dúvidas, para a classe política já estabelecida nos partidos de antigamente, os únicos donatários habilitados nas regras do jogo e nas tradições constitucionais do Estado, o que representa a sociedade politicamente organizada.

Com isso, todo empenho das lideranças românticas, expresso através dos movimentos das massas, de novo apenas bateram as esteiras, como diz o jargão das vaquejadas, para outros puxarem o rabo do boi e ganhar os prêmios, ou as aragens do poder instituído.

Mergulhar fundo na ordem estabelecida, participar dos métodos de corpo inteiro, ou facilitar o acesso de lideranças comprometidas com os velhos valores em decomposição. No Brasil de recentes décadas, vivemos situações idênticas, nas Diretas Já e no movimento dos Caras Pintadas. Recolhidas as fixas e as bandeiras, outro time entraria no campo a fim de arrecadar o saldo para suas próprias cotas de poder.

Nesse vai e vem, há avanços, porém apenas relativos, em vista do despreparo dos verdadeiros agentes do processo da mudança. Necessitaria de continuidade e condução objetiva das ações empreendidas, invés de largar a conquista nas mãos dos oportunistas de plantão.

Sim que a Internet dispõe de amplo potencial de mobilização social, desde que consolidado junto aos demais instrumentos desenvolvidos no decorrer da história. Em consequência, longe de entregar o ouro ao bandido, a racionalização desses novos meios irá proporcionar resultados vivos em termos de utilização da tecnologia nas transformações coletivas.

Nossos "meninos/as" do vôlei - José Nilton Mariano Saraiva

24 x 16, terceiro set, placar de 2 x 0, “match point”.
Um único, mísero e solitário pontinho separava a nossa seleção feminina de vôlei da sonhada final, em mais um desses concorridos torneios oficiais internacionais, realizado em plena Europa. Foi quando, de repente... “ele” entrou em quadra e a “lambança” se estabeleceu.
Adstrito e privilégio até então do “futebol masculino” (e tão bem retratado por Nelson Rodrigues em suas épicas crônicas, já que o “futebol feminino” ainda não começara sua escalada vitoriosa), o “complexo de vira-lata” pintou no pedaço, materializou-se ali, naquele momento, tomou de conta das nossas “meninas do vôlei” e propiciou uma das mais lamentáveis, tristes e incompreensíveis derrotas já ocorrida em um jogo da modalidade.
É que, por mais paradoxal, contrariando a lógica e o bom senso, “nossas meninas”, visivelmente “apavoradas” ante a perspectiva iminente da vitória e a conseqüente passagem para a final da competição, desequilibraram-se emocionalmente, tremeram nas bases (e expressavam isso através do choro contido, em pleno jogo) e aí, saque a saque, ponto a ponto, minuto a minuto, foram cedendo, caindo, desmoronando sofregamente e em câmara lenta, ao desperdiçarem continuamente cada recepção ao saque adversário; até que o que parecia impossível se concretizou e literalmente emudeceu o mundo esportivo: Cuba 26, Brasil 24 (ou seja, foram jogados fora, sequencialmente e de forma esdrúxula, nada menos que oito oportunidades de se atingir o 25º ponto, fechando o set e determinando o “match point”). Uma tragédia sem tamanho, algo inédito, um desfecho constrangedor e inaceitável. A partir daí, nos sets seguintes, “nossas meninas” como que se eclipsaram, não mais viram a “cor da bola”, entregaram-se de vez e Cuba estabeleceu-se, tomou de conta do jogo, a partida foi ao “tie brack” e... pegamos o avião de volta pra casa. O desastre consumara-se. Irremediavelmente.
Pelo inusitado, pela circunstância atípica de como aconteceu, pela proximidade que tivemos de “detonar” as cubanas, nunca uma derrota doeu tanto, marcou com tanta profundidade (se bem que, à época, não era nenhuma “novidade”, já que os nossos “meninos(as) do vôlei” tremiam de véspera quando tinham que bater de frente com russos, americanos e cubanos).
Mas, como após o vendaval sempre vem um período de calmaria (assim como não há mal que dure para sempre), lambidas as feridas e cauterizadas as cicatrizes, o impacto do sofrido e humilhante baque acabou por funcionar como uma espécie de divisor d’aguas.
Assim, após uma necessária pausa pra absorção e reflexão do acontecido, cartas na mesa e mudança de postura através da alocação de novas verbas e maior apoio ao esporte, da preparação meticulosamente revista e ajustada, da entrega do comando técnico a reconhecidos estudiosos do assunto, do estímulo às jogadoras(es) a atuarem no exterior (onde adquiririam a necessária experiência), além do fundamental incremento do intercâmbio com os então melhores do mundo; e foi dessa forma paulatina (por cerca de 15 a 20 anos, ou mais), que as coisas foram mudando, acontecendo, transfigurando-se, num aprendizado duro, penoso e paciente. Atravessamos gerações.
Mas mudou tanto (da água pro vinho) e a lição foi tão competentemente digerida, que, hoje, num esporte por demais competitivo e praticado por atletas do mais alto nível técnico, as “meninas e meninos” do vôlei brasileiro são vistos “de baixo pra cima”, com reverência, com extremado respeito, com uma espécie de louvação a “deuses” dignos de admiração e reconhecimento (e até com inveja, por alguns) em razão da excelência do jogo praticado em quadras de todo o mundo.
Se antes tremíamos quando nos defrontávamos com os grandalhões da Rússia, Cuba e Estados Unidos (e não há porque humildemente reconhecer isso), hoje são eles que nos estudam, que procuram novas estratégias na tentativa de nos barrar, que enveredam por novos caminhos que possam obstar nossa sede insaciável de títulos (como se quiséssemos “compensar” o longo interregno perdido lá atrás): assim, somos repetidamente, ano a ano e já há um certo tempo, campeões olímpicos, campeões da liga, campeões do mundo, campeões de tudo que é competição internacional. Definitivamente, o Brasil chegou lá. E em dose dupla: nas versões masculina e feminina.
Certamente que para que tal “revolução” acontecesse, uma das pilastras indutoras fundamentais foi a transmissão dos jogos “ao vivo” pela televisão, devido ao seu “efeito pedagógico” multiplicador e imediato: o vôlei passou a ser praticado ou revigorado nas escolas e universidades, nas ruas e praças, nas cidades e no meio rural, na periferia e em lugares seletos; enfim, onde houvesse um espaço disponível para se instalar uma quadra de vôlei (ou um campo de futebol), esses espaços eram ocupados e freqüentados por uma multidão de jovens sonhadores, visionários, sedentos e ávidos em se tornarem igualmente um ídolo esportivo.
Os jogadores-heróis (detentores daquela condição que, lá atrás, Nelson Rodrigues cognominara com propriedade de “saúde de vaca premiada”, em razão da incrível força física demonstrada) foram devidamente orientados (e não se furtaram, engajando-se com satisfação) a participar dessa nova realidade, através de visitas às comunidades carentes, de pacientes incursões a hospitais onde jovens padeciam de alguma enfermidade grave (confortando-os) e, principalmente, da transmissão (via telinha) de mensagens de estímulo aos mais jovens e carentes, orientando-os, incitando-os e estimulando-os a freqüentar a escola e à prática do esporte (qualquer esporte) e, consequentemente, abandonando as ruas e fugindo do perigo cada vez maior do contato com as drogas.
Fato é que as bases foram lançadas e suas ancoras firmemente fincadas.
Isto posto, animadoras e viáveis são as perspectivas de que surjam novos Gibas, Leilas, Murilos, Natálias, Vissotos e Jacquelines, nos mais diversos rincões do país, e o Brasil continue nesse estágio fulgurante (afinal, nunca é demais aprimorar) de potencia mundial. Em todos os esportes e tendo plena consciência de que se foi difícil chegar lá, se o caminho para alcançá-lo foi por demais extenuante e sofrido... muito mais difícil será manter-se no topo.

Coisas nossas, por Zé Nilton

Algumas do Pe. Antonio Vieira que eu conheci.

Para o prof. José Teodoro Soares.

Acho que era 1988, reitorado do prof. José Teodoro Soares. Fui chamado ao gabinete, às pressas. Reencontrei o amigo Pe. Vieira, desde o Crato e no Rio de Janeiro, quando o servi como datilógrafo, “batendo” seus trabalhos por ocasião do curso de convalidação em grego, na Universidade Santa Úrsula. Um detalhe: Vieira começou o curso como aluno e terminou como professor.

Depois da felicidade do reencontro, esboçada por ele sob mil palavrões ao me desvelar, disse o magnífico:

- O Vieira quer lançar um livro, resultado do seu curso de Direito, veja como será.

Saiu o reitor; ficamos nós dois muito ocupados entre lembranças dos tempos do Rio, e as estratégias de lançamento de sua obra. Adiantou, de pronto:

- Olha, Zé, o livro é uma desgraça. Vamos bolar algo que chame a atenção sob pena de não vender um só exemplar...

- Vieira, que tal a gente pensar num júri simulado, joguei.

- Como assim, bicho “malamanhado”?

- Olha, só. A gente faz uma espécie de drama, no Salão de Atos. Você vai responder as acusações de sete jurados e a sentença final será você condenado a conferir os autógrafos. Me olhou firme e quis mais:

- E aí?

- Você será preso na cidade e trazido para a Urca, a pé. Topa? Esboçou um sorriso de alegria, e detonou:

- Bicho, tu é doido que nem eu.

Tudo organizado. Uma noite, lá estava o Pe. Vieira, sentado, no Bar da Cinelândia, ladeado por alunos do curso de Direto da Urca e pelo médico Marcos Cunha, seu amigo. Nisso, vem um camburão subindo a Rua João Pessoa, com sirena, luzes e os soldados batendo na porta do veículo. Para em frente ao Cine Cassino. Os milicos, “furiosos”, dão uma batida pelo Café Yaytera, e perguntam a algumas pessoas que debulhavam o velho papo à beira da Praça Siqueira Campos, entre elas estava o político Walter Peixoto:

- Alguém viu o Pe. Vieira por aqui ?

Todos meio zonzos não querem se comprometer, mas alguém aponta para a calçada da Cinelândia e, titubeante, entrega o Vieira.

A polícia entorna a praça, e para em frente à velha Cinelândia. Encontra o Pe. Vieira em cima de um banco, fazendo um discurso, metendo o pau no presidente. A polícia nem reparou que ele falava do presidente do Botafogo
.
Gaidô Alencar havia preparado um cassetete de pano, a pedido de Viera, porque segundo ele, tinha o corpo costurado por uma cirurgia e merecia cuidados...

De cima da escada do antigo BEC o Dr. Edilberto Figueiredo filmava tudo. Mesa posta de cervejas e refrigerantes. Com violência, os soldados interrogam os presentes, e dão voz de prisão ao procurado.

Vieira se estrebucha e os militares-alunos metem-lhe o cassetete, do lado direito, indicado por ele, sem antes chamar uns nomes feios. A mesa se espatifa. Vidros se quebram pelo chão, e a turma parte para acudir o velho padre.

De repente, uma multidão se forma. Duas senhoras, vendedoras de cachorro quente, começam a chorar dizendo conhecer o Padre, quando vigário de S. Francisco. Por que fazem tamanha crueldade àquele santo?

Algemado, Vieira é conduzido, a pé, atrás da viatura, até a Urca,
seguido por uma multidão.

O novel radialista e comunicador Roberto Bulhões, aluno do curso de Geografia, passava na hora e me perguntou:

- Professor, de que se trata? Tentei fazê-lo compreender a encenação. Quanto disse tratar-se de um “júri simulado”, na confusão instaurada, me perguntou o assustado repórter:

- E o que é júri simulado?

Auditório superlotado. Vieira havia escrito previamente as peças de acusação, e entregues a sete alunos do curso de Direto. Às acusações de ladrão, pederasta, corrupto, e mais quatro que não me lembro, fazia sua defesa com graça e trejeitos. A platéia ia ao delírio, diante de um juiz carrancudo, gordo e brabo, o prof. José Teodoro .

No final, a corte pronuncia a sentença: sentar-se à mesa empilhada de livros e autografá-los para todos os presentes. Nenhum exemplar sobrou daquela famosa noite de autógrafo.

Duas coisas que jamais me esquecerei, aliás, duas gafes. Primeira, a de Huberto Cabral, quando entrevista o Vieira adentrando o Salão de Atos, o faz sorrindo; a segunda, a de Emerson Monteiro, membro do corpo de jurados, que não entendeu o espírito da coisa, e em vez de fazer as acusações como estavam previamente estabelecidas, puxou um calhamaço de papel e começou a perorar sobre a “importância do júri simulado para a formação acadêmica”.

No outro dia Antonio Vicelmo deixou a sociedade cratense em paz ao falar no seu noticiário tratar-se de uma encenação de lançamento do livro do inesquecível Pe. Antonio Vieira.

Todos os personagens citados estão vivos, fora o nosso querido amigo, e podem testemunhar e aparar ou amparar meu escrito.

Mudando de assunto. No programa Compositores do Brasil desta quinta, uma primeira abordagem sobre a obra musical de Erasmo Carlos nos seus setenta anos. Começa às 14 horas pela Rádio Educadora do Cariri. Escute também pela web: radioeducadora1020.com.br

Bom fim de semana.

Programação da I Mostra Crato de Cinema e Vídeo - Dia 16/06, Quinta-Feira

9h – Exibição de curtas da ONG “VERDE VIDA” – Mestres da Cultura, de Genivan Brasil e Paulo Fuiska. “Box de Vídeos”, dos alunos do Verde Vida.

10h – Exibição do curta “Assombrações do Cariri”, documentário de Jackson Bantim.

14h - Exibição dos curtas: “Matando a Fome”, de Franciolli Luciano; “Músicos Camponeses” e “Chapada do Araripe - Como foi, como será? (parte III)”, de Jefferson de Albuquerque Jr.

15h10 - Exibição do curta “Seu Mundô, O Guardião da Floresta”, de Laerto Xenofonte.

15h30 - Roda de Conversa: “Estórias de Cinema: colóquio com cineastas, produtores, atores e cinéfilos. Reativação do Cine-Clube Crato”.

19h - Exibição do média “Formação Romualdo, o Milagre Paleontológico”, documentário de Jackson Bantim e Álamo Feitosa.

19h30 - Exibição do longa “Corisco e Dadá”, de Rosemberg Cariry;

ENTRADA FRANCA

Realização: Governo Municipal do Crato – Secretaria de Cultura, Esporte e Juventude.

Apoio: Universidade Regional do Cariri (URCA), Instituto Cultural do Cariri (ICC), Officinas de Cultura e Artes & Produtos Derivados (OCA), Bantim Produções, Coletivo Camaradas, Blog do Crato e Revista Chapada do Araripe.

Uma juventude otimista e militante - José do Vale Pinheiro Feitosa

Uma empresa de pesquisa de opinião especializada na faixa etária de 18 a 24 anos, a Box1824 acaba de publicar o resultado de uma pesquisa bastante reveladora. A pesquisa se compôs de duas fases: uma qualitativa (São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Porto Alegre) e outra quantitativa numa amostra de 1784 jovens (em 173 cidades de 23 estados).

Qual a novidade revelada? Os jovens brasileiros desta faixa etária (que atingiram a adolescência nos últimos 10 anos) acreditam em transformações da sociedade e “que estas ocorram aos poucos e que a soma das pequenas ações do dia-a-dia pode mudar a sociedade, e resultar em macro-transformações”. Portanto não têm mais o ímpeto demolidor da juventude dos anos 60 e 70, mas não são aqueles alienados, acreditando que nada pode mudar como tantos imaginavam.

Mais ainda, os jovens mais ativos dentro do seu grupo, têm uma consciência coletiva bem formada, atuam em projetos comunitários, são otimistas por que enxergam os resultados da própria ação e disseminam as questões coletivas. Nada daquela visão de adolescentes de Shopping Center ao estilo mauricinho e patricinha.

Se a militância comunitária é verdadeira para os jovens mais ativos, também o é para o conjunto dos jovens. 70% afirmaram ter vontade de participar de projetos comunitários (ou de participar de mais algum, nos casos dos que já participam). Os interesses se deram principalmente em projetos voltados para cultura e arte, seguidos por programas pró-meio ambiente e da área da educação.

Surpreende outro dado por vezes em linha contrária à decepção de muita gente com os governos. Mais de 60% dos jovens acreditam que os governantes são responsáveis por mudanças na sociedade. Isso contrária a decepção sentida e propagandeada nos anos 90 da falência do Estado.

Não vou nem esticar a corda com ilações das origens políticas desta novidade. O importante disso tudo é que tal consciência da juventude renasce num momento otimista do ponto de vista da economia nacional e pelo aumento de oportunidades de crescimento inclusive entre os jovens mais pobres. A mais forte evidência que as políticas públicas estão na raiz deste comportamento é a referência ao poder de mudança na sociedade sob responsabilidade dos governos.

Outra coisa é para se compreender que a estrutura do pensamento social está sujeita a grandes mudanças e se espelha na realidade histórica de sua sociedade. Isso nos afasta das especulações fundamentadas num psicologismo desarticulado da base econômica e social ou em mitos como a maldade ou bondade metafísica.


quarta-feira, 15 de junho de 2011

APLAUSOS PARA A - MOSTRA CRATO DE CINEMA E VÍDEO

Mesmo distante do Crato , estou acompanhando as notícias da  "MOSTRA CRATO DE CINEMA E VÍDEO".
Quero aqui parabenizar a iniciativa de Hubert Cabral pelo evento com abertura no dia 13 de Junho deste ano de 2011. Este acontecimento artístico demonstra que enquanto existirem corações que pulsem em amor a nossa terra, estaremos sempre lutando para resgatar a nossa imagem cultural através de tantos artistas.
Em tempo tempo recorde e enfrentando muitas dificuldades a uniaõ de cineastas cratenses  falou mais alto na elaboração de um programa especial de lançamento.
Hubert Cabral contou com o apoio de Secretaria de Cultura Municipal, URCA, Instituto Cultural do Cariri, Officinas de Cultura e Artes e Produtos Derivados e Jackson Bantim Produções Artísticas de Arte.
Com a curadoria de Carlos Rafael e Jackson Bantim na preparação de uma apresentação em cartazes e fotos da época do cinema, um coquitel de recepção deu início a noite de estreia. Este movimento demonstrou a força dos nossos conterrâneos em uma luta pela revitalização do cinema artístico em nossa cidade. Podemos destacar os nomes de cineastas do Cariri para o sucesso deste evento grandioso: Jackson Bantim, Jefferson Albuquerque, Petrus Cariry, Franklin Lacerda, Franciolli Luciano, Orlando Pereira, Glauco Vieira, Pachelly Jamacaru, Rosemberg Cariry, Hermano Pena e José Flávio Vieira. 
Parabéns a todos que contribuem para a revitalização do cinema no Crato. E mesmo distante acompanho pelos blogs da região que dão força e cobertura jornalistica ao grande evento artístico cultural.

Edilma Rocha

Vida Virtual

Talvez uma das mais trágicas conseqüências da modernidade tenha sido a abolição definitiva da calçada. Algumas décadas atrás, a calçada era uma extensão da nossa casa, uma espécie de play-ground que freqüentemente se estendia para as ruas próximas , ainda com pouca iluminação e sem a feiúra negra do asfalto. Sim, o asfalto que se alastrou pelas ruas como uma tarja preta identificadora do luto das pequenas vilas com a perda do seu ingênuo e doce provincianismo. As calçadas fazem hoje parte integrante das avenidas e não das residências que elevaram seus muros e grades, em feitio de prisão e observam temerosas a vida lá fora que sua, arde e sangra. Doce tempo aquele em que as famílias, à tardinha, punham as cadeiras na calçada , olhando para a lua e mastigando as últimas e picantes novidades da Vila. Ao seu derredor, as crianças brincavam de “Roda”, de “chicote queimado”, de “esconde-esconde”, de “Lagarta Pintada”, “Cadê-o-Grilo” e de “Bandeira”, sob o apaziguador olhar dos adultos. Bons tempos aqueles! A vida era mais simples e corriqueira, as mazelas do mundo não nos atingiam, a violência era um simples capítulo no nosso Livro de História Antiga. Éramos felizes sem que ao menos o percebêssemos . E no inventário dos nossos bens o que constava? Uma rua barrenta, uma lua plácida, a mão amiga do vizinho, uma baleadeira , uma bila , um pião... A felicidade fluía fácil desses objetos como ,se por encanto, tivesse sido tocada pela condão da Fada Madrinha.
Nem é preciso dizer que este tempo está definitivamente sepultado. A tecnologia triturou impiedosamente a simplicidade e o Consumo pôs regras sinistras e colocou um Código de barras na nossa felicidade.Vivemos todos “No Limite”, nos matando numa batalha sem vencedores. Quem vai para o trono ? Ao Vencedor, o Enfarte!
A tecnologia encurtou, enormemente, a distância virtual e alargou, infinitamente, a nossa geografia real. O Celular, a TV, o Fax, a Internet nos ligam em segundos à Indochina mas já não somos capazes de conhecer o vizinho que divide a mesma parede do nosso apartamento. Nem o soldado, no Iraque, tem o direito de saber quem o matou. Esta mudança na geografia mudou ,também, a história das nossas relações humanas. Falta-nos o toque, o olho-no-olho, o abraço, o beijo. Não mais vivemos uma realidade mas uma virtualidade e todos nossos podemos ser eliminados , a qualquer momento, como um simples monstrinho da primeira fase de um videogame. Bons tempos aqueles da cadeira na calçada, quando ainda existia um amigo palpável e uma lua no céu....

J. Flávio Vieira
..
Moro na Praça do Jambo
- Claude Bloc -

Exuberante...
Sinfônica...
Inerente...
Poética, claro!

Imagens que dizem
Quando as palavras calam...

Claude Bloc
(da  Casa Amarela)

Crato é Cultura:I Mostra Crato de Cinema e Vídeo-Wilson Bernardo.

Um pouco de fotografia dentro do cinema,e lembrando que sem a fotografia o cinema não seria o que é,mas enfim a sétima arte ainda resiste ao envelhecimento do tempo.Crato terra abençoada de arte e pioneirismo no cenário nacional.Querem nos calar mas nós cratenses somos resistentes como deuses tribais do imaginário da floresta dos chapadões do Araripe,e demonstramos a nossa luz e nosso cinema genuinamente cratera Cariri Crato de encantos mil.
Prefeito Samuel Araripe e Seu Vicelma como é conhecido na boca do povão,só faltou a pipoca

Pedro meu neto brincando de cinema e na tela um dos precursores do cinema em Crato
Professor Zé Nilton no escurinho do velho cinema romântico
Luiz Carlos Salatiel em leitura dramática do cinema mudo
E o idealizador da mostra Huberto Cabral
Wilson Bernardo(Texto & Fotografia)

Roberto Alagna - La Marseillaise

Une émotion énorme d'écouter La Marseillaise avec telle force...


Sou brasileira, meu coração mora no Crato," ao sopé da serra, entre os canaviais", mas é inegável a força expressa no Hino Nacional da França...


Ofereço aos meus pais: Hubert e Janine Bloc Boris e a Mamy Huguette, minha avó querida.

"O CINEMATÓGRAFO HEREJE' -REAPRESENTAÇÃO




I MOSTRA DE CINEMA E VIDEO DE CRATO


REAPRESENTAÇÃO :

DIA - SEXTA - FEIRA ( 17 DE JUNHO)

HORA- 19:00

LOCAL - CINE TEATRO MODERNO

IMPERDÍVEL !

Programação da I Mostra Crato de Cinema e Vídeo - 15/06, Quarta-Feira

9h - Exibição de curtas:
- “Dona Ciça do Barro Cru”, de Jefferson de Albuquerque Jr. - 12’;
- “A ordem dos Penitentes”, de Petrus Cariry - 25’;
- “Também sou teu Povo”, de Franklin Lacerda - 15’;
- “Água, pra que te quero? ”, de Nívea Uchoa - 16’.

14h - Exibição de curtas:
- “Os Olhos da Chapada”, de Franciolli Luciano - 20’;
- “O Drama”, de Franklin Lacerda - 28’;
- “Dzu´nhurae, O Filho das Águas”, de Pachelly Jamacaru - 15’.

19h - Exibição de filmes:
- Curta “O Auto de Leidiana”, de Rosemberg Cariry - 26’;
- Longa “Fronteira das Almas”, de Hermano Penna - 90’.

Local: Cine-Teatro Municipal Salviano Arraes Saraiva – Calçadão da Rua José de Alencar, Centro, Crato.

ENTRADA FRANCA

Realização: Governo Municipal do Crato – Secretaria de Cultura, Esporte e Juventude.

Apoio: Universidade Regional do Cariri (URCA), Instituto Cultural do Cariri (ICC), Officinas de Cultura e Artes & Produtos Derivados (OCA), Bantim Produções, Blog do Crato e Revista Chapada do Araripe.

PROGRAMA CARIRI ENCANTADO SONORIDADES (15/06/2011)

Abidoral Jamacaru: O Menestrel do Cariri

Abidoral Jamacaru, cantor e compositor natural do Crato, com mais de 40 anos de carreira, lançou seu primeiro disco há 23 anos, com o título de Avallon, apontado pelos críticos como um dos principais trabalhos da música popular cearense daquela década pouco produtiva. Depois, lançou mais dois discos: O Peixe, em 1998, e Bárbara, em 2009.

Remanescente da época dos lendários festivais regionais da canção, que ocorreram em Crato durante a década de 1970, Abidoral tentou uma carreira nacional, quando residiu no Rio de Janeiro, entre os finais dos anos 70 e início da década de 80. Neste período se relacionou musicalmente com compositores, músicos e letristas da MPB, como Jards Makalé, Lula Cortes, Hebert Viana e Xyco Chaves.

De volta ao Cariri, dedicou-se à composição, realização de shows e gravação de discos. Também, é professor de violão e ativista cultural na cidade do Crato.

O programa Cariri Encantado de hoje tocará somente músicas de sua exclusiva autoria (Lá de dentro, Pra ninar o Cariri, Canto de coco pra Azuleika e Asa Branca, No apogeu do sol etc) e fará uma entrevista ao vivo com este cantor/compositor que é considerado o Menestrel do Cariri.

Onde ouvir
Rádio Educadora do Cariri AM 1020 e www.radioeducadoradocariri.com.

VIDEO - Carlos Rafael Dias fala sobre a I Mostra Crato de Cinema e Vídeo




Durante toda esta semana o Blog do Crato e sites associados estarão apresentando diversas entrevistas com participantes da I Mostra Crato de Cinema e Vídeo. Cineastas, organizadores, Autroridades e o próprio público estarão sendo entrevistadas por nossa equipe.

TV Chapada do Araripe
www.chapadadoararipe.com

terça-feira, 14 de junho de 2011

Quando digo que te amo... Roberto Carlos

Passou o dia dos namorados, passou o dia de Santo Antonio (casamenteiro), mas o amor continua no ar. O amor de todos nós, aquele que anda guardadinho às vezes dormindo, às vezes esperto...

Que me perdoem os que não gostam de Roberto Carlos, mas minha sintonia com esta música sempre foi forte, sabe-se lá os porquês... apenas gosto!

O ritmo convida a dançar, as palavras convidam a sonhar...

Divido esse sabor com vocês...



A "Lista de Schindler" - José Nilton Mariano Saraiva

Pobre, porém carismático, desenvolto, audacioso, envolvente e, essencialmente “bicão”, o empresário alemão Oskar Schindler tinha uma verdadeira obsessão (ou objetivo maior de vida): “juntar dinheiro, muito dinheiro”, a fim de usufruir os prazeres da vida. E a oportunidade perfeita para isso se lhe apresentou com a deflagração da Segunda Grande Guerra Mundial, quando, antevendo benefícios futuros, radicou-se na Polonia e, na base de “muita conversa e gentilezas mil”, ardilosamente aproximou-se dos principais líderes regionais do exército alemão e, traficando influência, conseguiu financiamento pra abrir uma “fábrica de panelas”, com mercado garantido pelos “novos amigos”, usando para tanto a mão de obra barata dos miseráveis judeus moradores do Gueto de Cracóvia.
Com o acirramento do confronto, o alto comando alemão em Berlim exacerbou em termos de violência, ordenando a execução sumária de todos os judeus que, a critério de cada ocupante de chefia, fossem considerados “não produtivos” (especialmente idosos, crianças e doentes de qualquer idade); na Polonia, muitos foram encaminhandos para uma espécie de “ante-sala da morte”, o campo de concentração de Plaszow (inclusive os empregados da fábrica de Schindler).
Valendo-se das amizades com os integrantes da cúpula alemã, Schindler mostrou-lhes a dificuldade que enfrentaria pra manter o negócio, do prejuízo que teria por falta de mão-de-obra “especializada”, e, especialmente, do iminente “fechamento da torneira” (cessação das propinas destinadas aos graduados alemães) em razão do “stop” no faturamento, findando por convencê-los a liberar os presos durante o dia; à noite, voltavam pra dormir no campo de concentração (uma espécie de regime semi-aberto, como o vigente hoje no Brasil pra certos “privilegiados”).
No entanto, as coisas ficaram ainda mais negras para os alemães quando os russos, tal qual um incontrolável rolo compressor, avançaram através dos territórios dominados pelos germânicos. A ordem de Berlim, então, foi desativar às pressas alguns dos campos de concentração (Plaszow estava na agenda), via eliminação incontinente dos seus moradores, livrando, como sempre, tão somente os fortes, que pudessem empreender uma longa travessia na neve, rumo a outras unidades mais afastadas, onde mais cedo ou mais tarde também seriam descartados.
E aí aflorou a “sensibilidade” do alemão Schindler. Testemunha ocular dos abusos e barbaridades perpetradas por seus conterrâneos contra aquela gente humilde e sofrida, à qual findara por se afeiçoar no convívio diário, “escancarou o cofre”, pegou até o último centavo da imensa fortuna que houvera amealhado (pra “usufruir os prazeres da ida”, lembremo-nos), corrompeu o “novo chefe alemão” de plantão e “comprou” a liberdade de cerca de mil e duzentas pessoas, devidamente relacionadas em diversas laudas de papel, naquela que posteriormente ficou mundialmente conhecida como a “lista de Schindler”.
Transportou-os para a sua cidade natal - Brinnlitz – onde “inventou” uma fábrica de “projéteis pra armas militares” (na realidade, apenas para mante-los ocupados, já que sem nenhum “know-how” na atividade); tanto que, em off, dizia claramente que se sentiria “terrivelmente frustrado se algum daqueles projéteis servisse pra matar alguém”.
Com o fim da Guerra e a vitória dos aliados, teve que fugir e acabou se livrando de ser preso em razão de portar um documento subscrito por aqueles 1.200 judeus que salvara, onde atestavam a grandiosidade do que ele havia feito.
Anos depois, após sua morte na Alemanha, o corpo do “alemão” Schindler foi transladado e enterrado em Jerusalem, onde ainda hoje é cultuado como um herói “israelense”.
Uma particularidade: certamente que visando estabelecer uma espécie de “simbiose” com a “negritude” que foi o aterrorizante período nazista, o filme de aproximadamente 3 horas de duração foi rodado em “preto-e-branco” e, só nos últimos 5/10 minutos, nas cenas em que alguns dos antigos componentes da “Lista de Schindler” (ainda vivos em Israel), prestam-lhe uma comovida homenagem, ao depositar um pequena pedaço de pedra sobre o seu mausoléu, na tela repentinamente afloram as cores, o colorido, a vida, enfim, como a anunciar que os tempos são outros.
Sem dúvida, um filme tocante, sensível, de balançar e mexer com a estrutura de qualquer ser humano.

Mario Quintana






Uma noite de Gala no Crato - Abertura da I Mostra Crato de Cinema e Vídeo - Por: Dihelson Mendonça


HOJE TEM MAIS! - COMPAREÇAM AO TEATRO SALVIANO SARAIVA !


Foi aberta na noite de ontem ( 13 ) com muito brilhantismo, no Teatro Municipal Salviano Saraiva, a I Mostra Crato de Cinema e Vídeo, evento idealizado pelo Jornalista Huberto Cabral, e realizado pelo Governo do Crato com o apoio da URCA e Cineastas do Cariri. O evento, que vai de 13 a 18 deste mês, contou na sua abertura, com a presença de cineastas cratenses renomados, como Jefferson Albuquerque, e Jackson Bantim, dentre outros, que vieram ao Crato especialmente para o evento.

A secretária de Cultura, Esporte e Juventude do município, Danielle Esmeraldo abriu a noite com um discurso ressaltando a importância do evento para a revitalização do cinema na cidade. Em seguida, o prefeito Samuel Araripe, lembrou das salas de cinema que já existiram no Crato, e ao final disse que é seu desejo que esse evento sirva para selar a volta do cinema, com a parceria do poder público. Em seguida foi feita uma leitura dramática sobre “Os Primórdios do Cinema no Crato”, por Luiz Carlos Salatiel e Kelvya Maia , e a entrega do Selo Cultural do Araripe – Troféu Vittorio di Maio ao cineasta Jackson Bantim, que é bisneto de Gonzaguinha, um dos precursores do cinema no Cariri; Logo após, houve a apresentaçao do filme D. Ciça do Barro Cru e a Avant-Premiére do tele-conto “O Cinematografo Herege”, de Jefferson de Albuquerque Jr, adaptado pelo médico e escritor José Flávio Vieira, que será apresentado pela TVC. O evento contou ainda com uma galeria de fotos de cartazes da época áurea do cinema, fotos de making off, e um coquetel aos presentes.

COBERTURA FOTOGRÁFICA

O Dia começou cedo, com a limpeza e preparação das máquinas, que seriam usadas para a decoração do ambiente. Na foto, o cineasta Jackson Bantim ( O Bola ).

Img_8096

Em seguida, a preparação das fotos para uma galeria. Na foto, Jackson e Carlos Rafael.

Img_8137

Que à noite ficou maravilhosa...

Img_8378

Na foto abaixo, o prefeito Samuel Araripe em seu discurso de abertura

Img_8263

Na foto abaixo, o idealizador do evento, o memorialista Huberto Cabral

Img_8345
Na foto abaixo, o cineasta Jefferson Albuquerque

IMG_8072

O público presente no cine-teatro:

Img_8348

Aí está o jornalista Antonio Vicelmo, e a Secretária de Cultura Danielle Esmeraldo

Img_8206

Leitura dramática do texto: “Os Primórdios do Cinema no Crato” - L.C Salatiel e Kelvya Maia

Img_8293

A turma que fez, faz e pode fazer muito mais...

Img_8369

Texto e Fotos: Dihelson Mendonça
O.B.S - Hoje, terça, tem mais! Compareçam ao teatro à partir de 19:00

Mostra comemora cinema no interior

Diário do Nordeste


Jackson Bantim exibe um projetor antigo, que já compôs os equipamentos dos velhos cinemas do interior . FOTO: ANTÔNIO VICELMO

Crato - Aberta ontem, neste Município, a I Mostra de Cinema e Vídeo, em comemoração aos 100 anos de implantação do primeiro cinema do interior do Ceará, o "Cinema Paraíso", que foi inaugurado no dia 3 de maio de 1911 pelo italiano Vittorio di Mayo. O evento é promovido pela Secretaria de Cultura do Município, em parceria com a Universidade Regional do Cariri (Urca), cineastas cratenses, e reúne mais de 30 trabalhos, dentre curtas e longas-metragens produzidos exclusivamente por cineastas do Crato ou que possuem ligações com a cidade.

A Mostra está sendo realizado no Teatro Municipal Salviano Saraiva. A entrada do Teatro foi decorada com dois projetores de filmes que pertenceram ao Cine Moderno, de propriedade do empresário Macário Monteiro, que será homenageado no evento. Na primeira noite, foi feita uma leitura dramática sobre "Os Primórdios do Cinema no Crato", entrega do Selo Cultural do Araripe - Troféu Vittorio di Maio; Avant-Premiére do tele-conto "O Cinematógrafo Herege", de Jefferson de Albuquerque Jr., ancorado num conto do médico José Flávio Vieira.

A partir de hoje serão apresentados os trabalhos de cineastas cratenses como "As Sete Almas Santas Vaqueiras", de Jackson Bantim; "Corisco e Dadá", de Rosemberg Cariry; "Sargento Getúlio," de Hermano Penna; que estarão lado a lado com o cinema produzido pela nova geração, como "Caldeirão do Beato Zé Lourenço", de Catulo Teles e Franciolli Luciano; "Também sou teu Povo," de Franklin Lacerda e Orlando Pereira, e "Cerca", do cineasta Glauco Vieira, além de vários outros.

O médico José Flávio Vieira espera que o evento contribua para revitalizar os velhos cinemas que foram desativados. Ele acrescenta que o próprio Teatro do Crato pode ser adaptado para as exibições de filmes.

O músico e fotógrafo Dihelson Mendonça recorda que, quando inauguração do primeiro cinema do Cariri, já circulavam pelas suas ruas alguns exibidores ambulantes, utilizando-se de um aparelho conhecido como Bioscópio e da Lanterna Mágica, com discos e placas de vidro com gravações de imagens. Esses equipamentos garantiam a atração no interior.

Antônio Vicelmo
Repórter

Programação da 1ª Mostra Crato de Cinema e Vídeo - Dia 14/06, Terça-feira

19h - Exibição do curta “As Sete Almas Santas Vaqueiras”, de Jackson Bantim - 30’

Exibição do Longa “Ave Poesia”, de Rosemberg Cariry” - 82’

Local: Cine-Teatro Municipal Salviano Arraes Saraiva – Calçadão, Centro, Crato

ENTRADA FRANCA

Promoção: Governo Municipal do Crato – Secretaria de Cultura, Esporte e Juventude

Apoio: Universidade Regional do Cariri - URCA, Instituto Cultural do Cariri - ICC, Officinas de Cultura e Artes & Produtos Derivados (OCA) e Jackson Bantim Produções Artísticas

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Exercício Aeróbico - Por José do Vale Pinheiro Feitosa

rNão deu. Mas poderia. Entre dar e não dar os olhos afiados dele eram dardos que dão feridas. Mas ele dá flores para esconder os espinhos que picam agora, para tempos depois relembrar todas as mágoas de um remoto tempo qualquer.

Ela nem compreendeu o humor da frustrada aerobiose. Uma morena linda, da cintura com desejo de abraço, nem se fala do que logo abaixo ou acima se endoidece. Passou rápido num exercício de aperfeiçoar o corpo ainda mais; como se fosse possível.

Falava do exercício aerobiótico carregando todo o ar que o ambiente tinha. Ao lado segui-lhe o companheiro. Um sujeito alto, com excesso de tecido adiposo, roliço de cima a baixo. Ela falava e ele nem balançava a cabeça para confirmar todo aquele exercício.

A cada palavra de estímulo ao esforço, mais suores esguichavam dos poros dele. E o exercício tem um efeito colateral opositivo: tanto pode abrir o sorriso quanto enevoar o cenho. Ela era uma gazela querendo mais, ele um elefante em busca de uma poça de água naquele deserto de preguiça.

Ela tentava aumentar o ritmo e ele mais se irritava. Primeiro não comentava nada do que ela, com entusiasmo, pregava e como continuasse, ele começava a soprar com as bochechas flácidas a gerar um barulho de fole na forja do metal.

Até que ela percebeu o ritmo dele diminuindo. Prestou atenção na face e ele era todo desagrado. Percebeu o desencontro dos dois e ficou amuada. Calou-se, diminuiu o ritmo dos passos para acompanhá-lo e a excitação de músculo passou para um diálogo interno sobre tudo o mais que se passava a redor.

Foi aí que uma senhora, aparentando uns noventa anos passou célere por eles e se afastou num ritmo de exercício de fazer inveja. Quase que ela acelera involuntariamente, mas teve que suportar a frustração de acompanhar o companheiro.

De repente viu um homem de sunga, quase fio dental, num mar de obesidade, com sandálias japonesas no duro calçadão de pedras portuguesas. Nem deste conseguiram diminuir a distância. Num ritmo de causar irritação o homem de sunga se mantinha à mesma distância. Como ela desejava que ele sumisse nalguma transversal da praia.

No limite da renúncia ao seu exercício aeróbico ela viu uma criança de cinco anos, empurrando o seu carrinho e a babá ao lado, ultrapassar os dois e lentamente se afastarem. Foi aí que tudo desabou: ela sentou-se na borda do calçadão num choro convulsivo.

O companheiro não entendeu nada. E ela vertendo em lágrimas a aerobiose do frustro exercício.

DO FUNDO DO BAÚ


Fernando Lins e Edilma Rocha
De volta ao tempo...

"Complexo de vira-lata" - José Nilton Mariano Saraiva

Versatilidade era com ele mesmo. Nordestino de Pernambuco, mas radicado no Rio de Janeiro desde a mais tenra idade, o autodidata Nelson Rodrigues, um dos nossos consagrados escritores (e teatrólogo de mão cheia), também prestava sua competente colaboração à crônica esportiva tupiniquim, a partir da sua concorrida coluna diária, reproduzida em diversos jornais Brasil afora.
Torcedor declarado e apaixonado do Fluminense (o famoso carioca “tricolor das laranjeiras”), ainda assim Nelson Rodrigues procurava ser o mais imparcial possível em suas memoráveis análises e na didática exteriorização dos posicionamentos, não se furtando de colocar nas alturas ou dá o devido crédito a um Vasco, Botafogo, São Paulo, Santos, Cruzeiro e outros, quando faziam por merecer. Na análise individual dos times, então, os chamados jogadores “fora-de-série” (Ademir, Garrincha, Zizinho, Pelé, Tostão, Gérson, Nilton Santos e outros) mereceram crônicas épicas, marcantes, definitivas, imortais, até.
No entanto, um pequeno detalhe o importunava, o deixava por demais pessimista, cabreiro e, até, um tanto quanto descrente: a explosiva e latente instabilidade emocional que se apossava dos nossos principais atletas, ou a recorrente metamorfose que os acometia, quando, convocados a defender a Seleção Brasileira, tinham que se defrontar com os “branquelos galalaus europeus”, também conhecidos por “cinturas-duras”, tal a falta de habilidade para tratar a bola (aqui ou lá fora, em Copas do Mundo, ou não). Era uma tremedeira generalizada, uma basbaquice sem tamanho, uma “defecada” coletiva, um colossal e invulgar acovardamento. Parecia até que o brasileiro não passava de um desclassificado qualquer, um ser humano de quinta categoria, um crônico derrotado de primeira hora. E foi buscando retratar tudo isso que, frasista de primeira hora, ainda que a contragosto Nelson Rodrigues chegou à conclusão nada agradável, ao diagnóstico por demais cáustico, ao humilhante vaticínio de que o jogador brasileiro se deixava possuir, em tais ocasiões, por um incompreensível “complexo de vira-lata”.
Se tão pejorativa denominação repercutiu ou não no íntimo de cada um (teriam mesmo “tutano” pra absorver e decifrar tal conceito ???), só uma espécie de tese sócio-antropológica pra efetivamente comprovar. Fato é que, depois daí, depois das muitas decepções patrocinadas aqui e alhures, depois dos seguidos fracassos pelos campos de futebol mundo afora, deu-se como que uma espécie de “estalo”, uma bem-vinda “ressurreição” do futebol do Brasil, culminando com a conquista do título de “Campeão Mundial”, lá na longínqua e siberiana Suécia (em 1958), quando Pelé e, principalmente Garrincha, assustaram os “branquelos” e emudeceram o mundo. Repetimos a dose em gramados do sul-americano Chile (em 1962), no apogeu de Garrincha (já que Pelé, lesionado, não participou). Mas fracassamos humilhantemente na Inglaterra (em 1966), em razão das brigas políticas internas dos dirigentes de então (já aí, os jogadores brasileiros começaram a ser vistos com outros olhos no “velho continente”, a ponto de aqueles que mais se destacassem serem adquiridos por times de lá). No México (em 1970), com a paz restabelecida, formamos um imbatível time e conquistamos, em definitivo, o cobiçado troféu Jules Rimet (Copa do Mundo).
A partir daí, todo mundo sabe da história, de cór e salteado: a televisão literalmente “entrou em campo”, dedicando um valioso espaço (e, principalmente, transmitindo as partidas “ao vivo”, formando uma legião de novos admiradores), providenciando patrocinadores/anunciantes de peso, profissionalizando de vez o ambiente, e transformando o futebol numa milionária fonte de recursos e prestígio (basta dizer que a FIFA, associação gestora do esporte, hoje tem mais associados que a própria ONU).
Nossos jogadores começaram a ser vistos com outros olhos no “velho continente”, estabeleceu-se a convicção de que se tratavam de verdadeiros “artistas” no trato da bola e, assim, abriu-se um mercado por demais atraente e promissor e o futebol virou a coqueluche que é hoje.
Mas, como uma mesma moeda sempre nos apresenta duas faces distintas, aqui a policitagem suja não tardou a aparecer: interesses escusos “pintaram no pedaço” (dirigentes que ao assumirem nada tinham, saíam milionários ao final de cada mandato); a mediocridade fez moradia (como entender como um jogador (???) horroroso como um tal “Valdir Papel” tenha tido oportunidade de envergar a gloriosa jaqueta do Vasco da Gama ???); eclodiram escândalos monumentais (as eleições da FIFA tornaram-se um rentável balcão de negócios de mão dupla: pra eleitores e eleitos); a pilantragem e o mau-caratismo deram o ar de sua graça (Eurico Miranda, no Vasco, que o diga); jogadores, mesmo os “pernas-de-pau”, passaram a faturar valores astronômicos e fora da realidade do país, resultando numa corrida desenfreada em busca do “novo eldorado”; e, enfim, estabeleceram-se de vez os empresário-aproveitadores (um verdadeiro exército de mafiosos espertalhões), resultando em muita gente ficar podre de rica às custas do futebol.
Alfim, e pra encurtar a história, apesar disso tudo faturamos o título em mais duas oportunidades (Estados Unidos, 1994 e Japão, 2002) e muito, mas muito mais importante: mandamos para o espaço sideral, remetemos ao cafundó-dos-infernos e implodimos de vez e definitivamente com o tal “complexo de vira-lata”, já que hoje respeitados em todo o mundo como os “reis do futebol”.
Mas aí já é outra história.