Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

ENVIE SUA FOTO E COLABORE COM O CARIRICATURAS



... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
.....................
claude_bloc@hotmail.com

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Palco Sonoro URCA-BNB na Expocrato

Programação de hoje, quinta-feira, 14/07

Cleivan Paiva, ontem 13/07 (Foto: Samuk)
O II Palco Sonoro URCA-BNB tem salvado a Expocrato no que diz respeito à programação musical alternativa protagonizada pelos artistas do Cariri. Talento e diversidade são as marcas do Palco. Tudo sob a ótica contemporânea de fazer cultura. Músicas boas. Público antenado. Integração de pessoas e experimentações. Ontem por exemplo, Ulisses Germano incorporou seu pífano e dupla de pandeiristas, invocando as raízes populares no frondoso som roqueiro de Calazans Callou e banda Trimurti. O sanfoneiro mirim Gilberto Neto deu uma palhinha na apresentação charmosa da também charmosa Jord Guedes. Até eu cantei, invadindo o palco de Calazans (Salatiel foi o culpado) e errando a letra de “Maria dos Santos”, de Alceu e Don Tronxo (o culpado fui eu). Mas depois, muitos foram me encorajar com palavras carinhosas.

Então... Hoje a noite promete. Sempre a partir das 17 horas. E olha quem vai iluminar o palco. Os seguintes sóis:

17:00 - Cantigar

18:00 - Zabumbeiros Cariris

19:00 - Synkrasis

19:40 - Abidoral Jamacaru

20:00 - Ermano Moraes

20:40 - João Do Crato

21:00 - Ibbertson Nobre (com participação do baterista Demontiê Dellamone e do baixista Marcelo)

21:40 - Beatles Cover

Quem for, verá e ouvirá.

O centenário de Juazeiro do Norte - Emerson Monteiro


Neste ano de 2011, o dia 22 de julho assinala 100 anos desde que Juazeiro mereceu sua autonomia municipal através da Lei n.º 1.028, quando recebeu a toponímia de Joaseiro, em homenagem à árvore típica da vegetação do semi-árido, sempre verde inclusive nas épocas mais tórridas.

Suas origens remontam ao vilarejo de Tabuleiro Grande, formado nas terras que pertenceram à sesmaria concedida no ano de 1703 ao capitão-mor Manuel Rodrigues Ariosa, de origem norterriograndense, depois havidas por famílias iniciais advindas de Sergipe, até chegar no brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro e no neto, o sacerdote católico Pedro Ribeiro da Silva Monteiro. As terras se estendiam do município do Crato às cercanias da Serra de São Pedro. Nessa área da grande propriedade, no decorrer da década de 1820, o Padre Pedro Ribeiro edificaria casa grande, de taipa e telha, engenho, aviamento, senzala e capela.

Para a construção da capela dedicada à Nossa Senhora das Dores, o sacerdote e seu futuro capelão reuniria também esforços dos familiares, nela sendo celebrada missa no dia 15 de setembro de 1827 alusiva ao lançamento da pedra fundamental do templo.

Em 09 de setembro de 1833, quando Padre Pedro Ribeiro deixaria este mundo, a futura povoação juazeirense começava a despontar no crescimento. Somava duas ruas, a Rua Grande, hoje Padre Cícero, e a Rua dos Brejos, em traçado perpendicular; a capela, uma escola e 32 prédios com tetos apenas de palha.

Ordenado em 1870, no dia 11 de abril de 1872, o Padre Cícero Romão Batista fixaria residência no pequeno arruado. Afeito aos anseios das populações simples, desempenharia funções apostólicas voltadas ao conforto das almas sertanejas, cumprindo nisso a missão religiosa católica. Tempos depois, em 06 de março de 1889, dar-se-ia o fenômeno da hóstia transformada em sangue, na ocasião de ministrar a comunhão à Beata Maria de Araújo. A propagação do acontecimento pelos interiores nordestinos intensificaria o deslocamento de milhares de pessoas ao lugarejo, que ganharia impulso surpreendente e definitivo no desenvolvimento.

Já em dias do século XX, a 16 de agosto de 1907, circulara um boletim conclamando os cidadãos juazeirenses para reunião a ocorrer no dia 18 do mesmo mês, na residência do major Joaquim Bezerra de Menezes, descendente dos primeiros proprietários do lugar, visando organizar a emancipação política do território, livrando-o da administração do município do Crato, a quem obedecia. Isso, no entanto, deixaria de gerar efeitos práticos imediatos. Só adiante, devido ações encetadas por novas lideranças, de Padre Alencar Peixoto, Floro Bartolomeu da Costa, José Marrocos e outros, nas páginas do jornal O Rebate, essas ideias ganhariam corpo, galgando efetiva concretização em 22 de julho de 1911, quando da lei estadual que estabeleceu: “Art. 1.º - A povoação de Juazeiro, da comarca do Crato, é elevada à categoria de vila e sede de município, com a mesma denominação”.

Coisas nossas, Por Zé Nilton

Na feira.

Para o várzeo-cratense, Antonio Alves de Morais

Coisas bem nossas guardar a segunda feira como o prolongamento de domingo; nada de trabalho. Calma, isto ocorre não raro fora da cidade, subindo para os pés de serra, sítios e Chapada. Os lugares de feições rurais que permanecem com seus ritmos, ritos e costumes.

Procure-se uma mão de obra qualquer na segunda feira, e não acharás.

Cadê Nego d´Água pra sentar a cerâmica ?

- Foi pra feira.

- Chama aí Carriel, Mansinho ou Lóba pra começar o levantamento do Muro...

- Tão tudo na feira.

- O que vocês foram fazer na feira?

- Bem, eu fui comprar uma roçadeira, uma lima pra amolar meu serrote, e um cinturão de couro, o meu se quebrou.

- E tu ?

- Comprar duas calças de brim e um chinelo currulepo.

- E tu aí?

- Fui olhar o ambiente, e ver se achava alguém da Serra pra mandar um recado pro Toin, lá da Ramada. Depois, peguei uma merenda lá na Lola e tomei três lapadas.

A feira é o lugar da realização da vida. Nada de bucolismo, romantismo ou sobrevivência do passado. Não, a feira possui uma função social, e por isto ela persiste no tempo, enquanto espaço cultural de determinadas classes sociais confrontando suas estratégias de sobrevivência.

Ali se realiza e se atualiza a cultura da pobreza, embora muitos abominem este conceito. Não que ali seja “o lugar dos pobres”, não; não é por aí a minha análise. Olho para as formas de ser e de fazer das pessoas que vendem, compram, circulam, se encontram, atualizam amizades. Em síntese: dominam uma linguagem, cultivam uma estética e trocam coisas e sentimentos.

Uma faceta das muitas que ocorrem naquele grande mercado, embora destoe da lógica do mercado tal qual ficou cristalizada na história econômica, é que muitas vezes, certos produtos são levados para serem “trocados” por outros produtos. Situações há em que é de somenos a sua venda para auferir lucros.

Falo do caso de vários “negociantes” da Serra do Araripe, produtores de mandioca. A idéia de alguns é de que “trocam” a farinha por açúcar, sal, mistura (bucho, tripa, toucinho), querosene, etc... E tem mais: Quando descompensa o preço dos bens de sobrevivência mínima com relação ao da farinha, eles produzem mais farinha para a próxima feira. Isto porque a farinha é como se fosse uma “moeda de troca”.

Este fenômeno estranho ao mundo capitalista não ocorreria caso fosse uma indústria. Na indústria, se o produto não tem preço, fecha-se o negócio. A indústria é mãe e filha do lucro. A farinha é o “dinheiro” plantado bem ali na roça para comprar o que “eu não produzo”, se o dinheiro der.

Voltando à feira, aqui e acolá curto de montão andar pelas feiras. Ela é vária sob uma mesma denominação. Tem a feira da farinha, a feira da rapadura, a feira dos tecidos, a dos objetos de barro. É só perguntar e todos apontam a direção ao que você procura. Já foi muito maior e mais concentrada.

Ela desaparecerá um dia? Acho que não por dois motivos: primeiro, seria difícil acabar com a economia da informalidade; segundo, sua função social se liga diretamente à cultura do local, à identidade de um povo, às formas de ser e de fazer que particularizam modos de vida que se ritualizam neste velho mundo, apesar da globalização.Em tempo: a globalização não globaliza sentimentos...

Mas, aqui prá nós, é chato procurar Ciçola, Rói Sebo, Arnaldo Creuza ou Luiz de Tia Rosa pra fazer isto ou aquilo, e ouvir:

- Tão na feira!

E para quem gosta, no programa Compositores do Brasil, desta quinta-feira, às 14 horas, na Rádio Educadora do Cariri (www.radioeducadora1020.com.br, a nossa homenagem ao valoroso compositor paraense Billy Blanco, que faleceu no dia 8 passado, no Rio de Janeiro, e deixou uma obra musical das mais dignas e representativas da moderna MPB.

Bom fim de semana.


Artista Plástico George Macário inaugura Galeria de Artes de padrão Internacional em Crato

O renomado artista plástico Cratense George Macário, que é também Presidente da Fundação Cultural J. de Figueiredo Filho, inaugurou na noite de ontem ( 13 ) em Crato, uma galeria de artes, contendo mais de 50 dos seus melhores trabalhos em pintura e escultura.

George, que é filho do ex-prefeito Humberto Macário de Brito, desenvolveu o seu talento para a pintura durante a adolescência, porém resolveu seguir a carreira de advogado. Hoje, aos 40 anos de idade, após o incentivo de grandes mestres da pintura mundial como Bruno Pedrosa, com quem esteve recentemente em São paulo por ocasião de uma das maiores feiras de arte do planeta, além de muitos outros artistas, George volta a se dedicar à sua verdadeira paixão: As artes plásticas.

Possuidor de características bastante próprias que o diferenciam dos artistas que seguem a corrente principal, George lança-se de corpo e alma ao mundo do abstracionismo, sem perder ainda os traços do impressionismo e do desenho, que foram as suas primeiras tendências artísticas, quando realizou dezenas de trabalhos primorosos em "bico de pena". Hoje, amadurecido em sua arte, desenvolveu a excelência dos super talentosos, e a constante superação daqueles que buscam obter a perfeição naquilo que fazem. Combina formas estruturais exóticas que nos remetem aos páramos da arquitetura, bem como aborda temas abrangentes como as necessidades globais; Seus quadros refletem um mundo moderno caótico, os grandes temas da civilização, as inquietudes de um planeta à beira do colapso, a guerra, a fome, e a esperança humanas.

Um soberbo combinadores de matizes, seus quadros se caracterizam pela combinação de cores fortes e vibrantes, criteriosamente escolhidas para gerar obras de grande valor artístico e beleza, que tem sido elogiadas por críticos desde São Paulo à Austrália. De Londres à Veneza.

Assim é George Macário; Um artista talentoso que finalmente decidiu investir na sua própria arte, levando-a para brilhar nas grandes galerias do mundo, que afinal de contas, dentro daquilo que já executa, veio a tornar-se tanto a sua matéria-prima, de onde extrai o subsídio, quanto a sua meta final, enquanto artista que abrange o universo e as suas reentrâncias, numa arte que supera épocas e espaços; Um artista que podemos dizem sem medo de errar, que é verdadeiramente multidimensional.

A galeria foi inaugurada com a presença de amigos do mundo das artes, autoridades e familiares

Img_0398

Mais de 50 trabalhos estão expostos na galeria, que abrirá todos os dias

Img_0309

Destaque ao lado direito para a Secretária de Cultura, Danielle Esmeraldo, e o Antunes, curador do Museu de Arte Vicente Leite.

Img_0320

George Macário posa ao lado de um dos seus recentes trabalhos

Img_0316

O Prefeito Samuel Araripe e a Primeira-Dama Mônica Araripe também se fizeram presentes

Img_0408

Na foto abaixo, a filha Luana Macário, e a primeira-dama Mônica Araripe

Img_0424

Recebeu o apoio de outros artistas como Gabriella Federico e Jacques Bloc ( foto )

Img_0556

Luana Macário

Img_0486

O Artista e seu discurso de inauguração

Img_0381

Recebe o apoio do pai, e agradece a Humberto Macário de Brito

Img_0404

Na foto abaixo, Gabriella Federico e Dr. Cícero França

Img_0400

Panorama da galeria

Img_0432

Um encontro histórico: Prefeito Samuel Araripe e Ex-Prefeito Humberto Macário

Img_0416

E finalmente a Foto da Família Macário de Brito, grande apoiadora do artista

Img_0499


Reportagem e Fotos: Dihelson Mendonça

terça-feira, 12 de julho de 2011

Pensamento para o Dia 12/07/2011


“Todo ser vivo deve alcançar a realização; esse é o destino. A extensão e a dificuldade da viagem são determinadas pela natureza dos efeitos cumulativos de muitas vidas. A fim de alcançar o cumprimento no campo espiritual, a ajuda daqueles que têm dominado o caminho é extremamente necessária. Essa orientação pode ser transmitida apenas de um coração para outro coração, quando um parentesco íntimo entre o buscador e o Mestre é estabelecido. Textos, comentários, guias geram apenas dúvidas, discórdias e discussões. Argumentações podem desenvolver apenas habilidade e perícia. Somente a experiência adquirida através da intuição é válida no reino do espírito. Para a jornada da intuição para a iluminação, as camadas de egoísmo e seus males devem ser penetrados e destruídos. O Guru será de grande ajuda nessa aventura. Pois, somente Aquele que alcançou o objetivo pode guiar o peregrino. Sem o Guru, o aspirante tende a vaguear no deserto.”
Sathya Sai Baba

A república que não foi – por Roberto Pompeu de Toledo (*)



Fará 100 anos, em agosto, que começou a ser publicado em capítulos no Jornal do Comércio do Rio de Janeiro o romance Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto. O livro é hoje um clássico da literatura brasileira e o Policarpo do título um de seus personagens mais marcantes. Mesmo quem não leu o livro tem uma ideia de quem se trata – o patriota tão patriota, tão enamorado e orgulhoso das coisas do Brasil, e tão avesso à influência estrangeira, que um dia enviou uma representação à Câmara dos Deputados propondo a adoção do tupi como língua oficial, em lugar do importado português. Tão patriota que proibiu em sua casa o jantar de frango com o estrangeiro petit-pois. Tinha ele ser com guando.

Até lá pela metade do livro Policarpo Quaresma é personagem de comédia. Encanta-se com a magnitude dos rios brasileiros e tem tanta fé na dadivosidade do solo pátrio que, quando vira agricultor, se recusa a usar adubo nas plantações. Depois toma corpo um outro Quaresma, agora personagem de tragédia. O livro deve sua grandeza a essa transição. Como um herói do teatro grego, ele vai consumir-se numa luta perdida. Mas, à diferença dos heróis gregos, não é a manipulação dos deuses que o enreda na malha da danação. São as pragas bem terrenas do Brasil que tanto amou. A saúva que corrói suas plantações. O torniquete dos constrangimentos e das multas que, ao recusar-se a participar de uma fraude eleitoral, se fecha contra sua atividade de produtor rural.

Lima Barreto (1881-1922) é um ficcionista com pés muito firmes na realidade do seu tempo. Alvo preferencial de sua crítica – e de sua ira – é a política dos primeiros anos da República. Triste Fim de Policarpo Quaresma passa-se no tempo do marechal Floriano Peixoto (1891-1894) e da Revolta da Armada, o movimento que precipitou uma guerra de seis meses na Baía de Guanabara entre os rebeldes da Marinha e as forças do governo. Quaresma, que ainda acreditava em Floriano, decide alistar-se nas forças governistas. Vai fazê-lo apresentando-se pessoalmente ao presidente, a quem conhecera no tempo em que trabalhou no Ministério da Guerra. Tem a intenção de aproveitar a oportunidade para apresentar-lhe um memorial em que compendiara os problemas da agricultura.

O Itamaraty, então palácio presidencial, tem uma atmosfera de bulício e bajulação. Floriano, que como sinal do almoço recém-terminado ainda tinha um palito na boca, atende um e outro, recebe elogios, ouve apelos de "Energia, marechal". Quando chega sua vez, depois de apresentar-se como voluntário, Quaresma começa a falar da agricultura. Floriano ouve-o com enfado. "Trouxe até este memorial", diz Quaresma. "Deixa aí", responde o presidente. Chama o próximo. É um oficial a quem precisa anotar uma ordem. Pega então do lápis e, na falta de outro papel, rasga um pedaço das primeiras páginas do manuscrito de Quaresma.


O retrato que o livro apresenta de Floriano é arrasador. O olhar era "mortiço, redondo, pobre de expressões", próprio de uma "ausência total de qualidades intelectuais". Aquele que outros viam como o "Marechal de Ferro" possuía, segundo Lima Barreto, a "tibieza de ânimo" como traço predominante e um temperamento marcado por "muita preguiça". Ao longo da Revolta da Armada, Quaresma experimentará da rotina sem sentido dos tiros perdidos dos navios para os fortes, e vice-versa, transformados a certa altura em diversão para a população até a matança cruel que se seguirá, como vingança à derrota dos insurretos. Agora perfeito e consumado personagem de tragédia, morrerá por força da injustiça e da ferocidade dos detentores do poder, mas também dos efeitos da desilusão e da solidão de suas causas.


O livro investe contra Floriano, os militares e o "Santo Ofício Republicano". Lima Barreto, que tinha o vezo de atalhar o relato ficcional com diatribes de editorialista, acusava o "nefasto e hipócrita positivismo", a ideologia dos militares que proclamaram a República, de um "pedantismo tirânico, limitado e estreito, que justificava todas as violências". Ele era mais um dos desencantados com a "república que não foi", como se dizia na época – a dissipação da ideia de república num mar de intolerância, de desonestidade e de mistificação.
__________
Releve o leitor voltar à nossa rasa vidinha de cada dia, mas é irresistível. Se ressuscitassem hoje Policarpo Quaresma e Lima Barreto, veriam que continuam os embustes com a palavra "república". Hoje temos um Partido da República. Aquele do Ministério dos Transportes.
(*) Roberto Pompeu de Toledo, é jornalista. Escreve quinzenalmente para a “Veja”.

Dilma... "DECEPCIONA" - José Nilton Mariano Saraiva

Quem não lembra da sórdida e abjeta campanha da qual ela foi vítima às vésperas da última eleição presidencial ??? Como esquecer a profusão de afagos e “carinhosos” rótulos com os quais foi “distinguida” antes e ao longo do penoso processo sucessório: terrorista, mulher-macho, bandida, sapatão, homossexual, inexperiente, guerrilheira, pau mandado, lésbica, poste e por aí vai.
Movidos pelo sectarismo e intolerância, seus abusados detratores chegaram a vaticinar que, elegendo-a, o Brasil estaria abdicando do futuro, cavando a própria sepultura, rumando de encontro ao caos, assinando o próprio atestado de óbito (daí a necessidade de sangrá-la à exaustão e enterrá-la... preferencialmente viva).
E, no entanto, de nada adiantou tão intensa e infame campanha difamatória, já que a maioria da população brasileira houve por bem referendá-la nas urnas, dar-lhe um voto de confiança, sufragá-la sem medo, certamente que agradecida e confiante na indicação do seu “padrinho” político, aquele que tanto fez pelos menos favorecidos em seus oito anos de mandato – Lula da Silva - o maior presidente que o Brasil já teve. Assim, nada mais natural que a “goleada” acachapante e estrondosa nas urnas.
Agora, decorridos apenas seis meses da sua assunção ao “trono”, o “poste” DECEPCIONA ao mostrar que tem luz própria, que uma “presidenta” pode muito bem equiparar-se a um “presidente”, que uma mulher no comando não mete medo a ninguém, que já passou o tempo da fêmea adstringir-se às tarefas domésticas ou apenas servir de objeto sexual e, enfim, que é possuidora da “massa cinzenta” necessária a separar alhos de bugalhos, além de dotada do perfil técnico-executivo-gerencial necessário à empreitada.
Para tanto, nada melhor que começar cumprindo humildemente o que houvera prometido durante a acirrada campanha, qual seja, que o seu governo seria a “CONTINUIDADE” do governo Lula da Silva, em termos de priorização do “social”, de beneficiamento dos menos favorecidos, da opção pelos desafortunados, da busca incessante de catapultar da miséria milhões de irmãos (processo que já houvera sido iniciado pelo “padrinho”).
Para tanto, por qual razão não manter algumas peças que, reconhecidamente, “deram de conta do recado” na administração pretérita, em termos de eficiência administrativo-operacional ??? Por que não aceitar que o próprio antecessor, um homem experiente, ponderado e passado na casca do alho, o ajudasse na escolha e composição da equipe ministerial ??? E aí, a presidenta Dilma novamente DECEPCIONA seus algozes, ao exercitar e por em prática o que cumprira.
Só que (e isso é imprescindível de ser ressaltado), como o sistema político vigente no país sujeita o chefe do poder executivo a depender da tal “governabilidade”, há que se conviver (lamentável e obrigatoriamente), com uma briguenta, difícil, heterogênea e multifacetada coligação suprapartidária, onde os candidatos aos cargos de confiança são indicados pelos partidos componentes da base de sustentação do governo; e aí, não há como escapar às “surpresas desagradáveis” ou aos “desvios de conduta” oriundos e resultantes de um universo tão complexo.
Para tanto, há que se ter a necessária coragem de cortar na própria carne (quando preciso for) como forma de extirpar o mal pela raiz, mesmo e apesar do “prestígio” de algum deslumbrado que se tenha extasiado com o poder momentâneo. E aí, a presidenta Dilma de novo mostra toda a seriedade que a caracteriza e, mais uma vez DECEPCIONA aos “eternamente do contra”, ao apresentar o “bilhete azul” para figurões que atabalhoadamente meteram os pés pelas mãos, se perderam ao longo do caminho. Assim, as demissões de Antonio Palocci (uma indicação do próprio ex-presidente Lula da Silva) e Alfredo Nascimento (do PR) são exemplos vivos da determinação e objetividade que caracterizam a primeira mulher presidenta do Brasil. E haverá, sim, novas “baixas-substituições”, ao longo do seu mandato (podem apostar).
No mais, a presidenta Dilma DECEPCIONA (arre égua... de novo, outra vez, novamente) ao adotar e licitar as obras de ampliação e modernização dos aeroportos brasileiros sob o regime de “concessão” (ou cessão com “prazo determinado” pra devolução) e não o de “privatização” (entrega definitiva do patrimônio público, normalmente a preço de banana, como o fez o ex-presidente FHC, com o setor de telefonia). E no clímax da exploração do “pre-sal” não será diferente, pra desespero dos sectários e intolerantes que insistem em tentar confundir ou misturar tais conceitos e práticas (por má-fé, masturbação intelectual ou mesmo pura ignorância).
De sobra, ao momentaneamente deixar de lado o estilo “gerentona” e exercitar sua porção “ternurinha” (soft ou ligth), Dilma DECEPCIONA ao, propositadamente, inflar o ego do “príncipe dos sociólogos” (FHC) saudando-o de forma irônica na passagem dos seus 80 anos de idade (sinal de que a cada dia se credencia para integrar a equipe do “Instituto Butantã” - ambiente de cobras criadas – quando da política resolver afastar-se).
Por enquanto, a presidenta Dilma decepciona, decepciona, decepciona... (na visão "estrábica" dos seus mordazes críticos), enquanto o Brasil cresce, cresce, cresce... (na visão fria e realista dos números, de conhecimento do mundo todo).

URCA realiza mais uma vez o Palco Sonoro durante a Expocrato


Terça Feira - Dia 12
17:00 - Área Restrita
18:00 - 4º. Estágio
19:00 - Aécio Ramos
19:40 - B´Haves
20:00 - Elisa Moura
20:40 - Trimurti (Instrumental)
21:00 - Cariri Blues

Quarta--feira – Dia 13
17:00 - Black Out
18:00 - Sétimo Selo
19:00 - Fatinha Gomes
19:40 - Luciano Brainner
20:00 - Cícero Gnomo
20:40 – Calazans Callou
21:00 - Jord Guedes
21:00 – Cleivan Paiva

Quinta-feira- Dia 14
17:00 - Cantigar
18:00 - Zabumbeiros Cariris
19:00 - Synkrasis
19:40 - Abidoral Jamacaru
20:00 - Ermano Moraes
20:40 - João Do Crato
21:00 - Ibbertson Nobre
21:40 - Beatles Cover

Sexta-feira – Dia 15
17:00 - Tábua De Pirulito
18:00 - Dom Rasta
19:00 - Plataforma Vip
19:40 - Legalize It
20:00 - Godivas
20:40 - Liberdade & Raiz
21:00 - De Repente Blues
21:40 - Batista Trio

Sábado - Dia 16
17:00 - Black Boy Dance/ Filhos De Maria
18:00 - Stênio Lima
19:00 - Rinaldo
19:40 - MPB Trio
20:00 - Soul Musical
20:40 - Alvaro Holanda
21:00 - Herdeiros Do Rei

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Sonhos e Sombras‏ - Paulo Viana

Meu coração é portavoz constante
Do mais profundo da intimidade
Do véu sublime da sinceridade
Na expressão de mim a cada instante
Porém há versos ditos em rompante
Para compor rimas e poesia
Que são apenas minha fantasia
Sonhos e sombras em ebulição
O despertar solene de um vulcão
Da minha essência que se pronuncia

II Encontro dos Escritores e Poetas do Cariri

IIº Encontro de Escritores Caririenses

A Secretaria de Cultura de Juazeiro através da Biblioteca Possidônio Bem está convidando os Escritores, Cordelistas, Poetas, Repentistas, Editores e Produtores Literários do Cariri a se fazerem presentes no dia 12 de julho de 2011 (terça-feira), no Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBN), para uma manhã prazerosa de trocas de saberes, no 2° Encontro de Escritores e Poetas do Cariri.

A abertura será às 8h com um Café Nordestino, seguindo-se palestra, debate, exposição de livros dos autores Caririenses e previsão de término para às 11h. Aos que desejarem expor seus livros, procurar com urgência a Secretaria de Cultura de Juazeiro do Norte, localizada a Rua Santo Agostinho, s/n, prédio da Biblioteca Pública Municipal Dr. Possidônio Bem (BPMPB).

Contatos:
Kátissa Galgania F.C.Rodrigues
Bibliotecária da BPMPB
Gerente de Literatura SECULT
katissagalgania@yahoo.com.br
(88)9994-2930
(88)3511-1999

Franco Barbosa
Assesor Técnico da SECULT
(88)8804-0715
(88)3511-1999

CÉLIA DIAS POR JOSÉ TELES(JORNAL DO COMÉRCIO) Recífe-Pe.


Novidade que vem do Cariri
>
> Anúncios, de Célia Dias, me chegou já faz um tempo. E chegou em meio a
> uma enxurrada de CDs que ainda estão esperando a vez. Este disco da
> cantora e compositora, conterrânea e parceira de Xico Sá, chega a ser
> ousado. Não na concepção sonora e aí é até convencional, mas por Célia
> Dias, boa cantora, não ter optado pelo caminho das pedras, ou seja,
> gravar canções manjadas intercalando-as com suas músicas autorais. Com
> exceção de Só no Crato, também assinada pelo cearense-pernambucano e
> no momento paulistano Xico Sá. Todas as faixas do disco (13) são
> assinadas por Célia.
>
> Gravado em São Paulo, com produção de Célia Dias, que canta
> acompanhada por uma banda de estúdio azeitada, Anúncios equilibra-se
> entre a MPB e o pop com arranjos criativos. Aí um bom exemplo é a
> faixa que dá título ao álbum.
>
> A cantora de voz potente aparece melhor nas canções mais fortes, com
> no pop-blues Malas prontas, cerzida por uma guitarra bluesy. Ou na
> batida quebrada de Zen. Outro destaque é a citada Só no Crato, um
> choro, com bandolim e flauta dando o tom, que evoca não apenas a
> cidade da cantora, no Cariri cearense, mas também antigas serenatas.
> Independente, o CD pode ser encomendado pelo telefone: (88) 9965-7314

Queijo suíço – por J. Hildeberto Jamacaru de Aquino (*)




A corrupção grassa neste país tão descarada e impunemente que nos deixa perplexos. Assemelha-se a um queijo suíço, onde há brechas por todos os lados e os ratos fazem a festa. Sistematicamente se observam ocorrências em todos os níveis e em qualquer escalão, quer de governos municipal, estadual ou federal.

Escândalos com envolvimento de ministros, prefeitos, secretários e demais servidores públicos. Enriquecimentos patrimoniais inexplicáveis, em escalas geométricas e em tempos recordes. Assustador!

E quando a Nação espera providências mais enérgicas visando a coibir a farra com o dinheiro público, a base aliada do governo federal no Senado aprova o Projeto de Lei de Conversão (PLV) 17/2011, o questionável Regime Diferenciado de Contratação Pública (RDC) para as licitações e contratos visando à realização das Copas do Mundo 2014, das Confederações 2013 e da Olimpíada 2016. Mais um facilitador que certamente propiciará novos atos de corrupção.

Para se ter uma ideia, o custo estimado só da Copa do Mundo (nesta terra de um futebol já decadente) chegará a R$ 100 bilhões, o dobro da previsão inicial, para deleite dos oportunistas de plantão. Reforma-se o que já foi reformado e a um custo elevadíssimo. Uma festança megalomaníaca, uma insensatez social, e tudo patrocinado com o dinheiro público!

Atentemos que na nossa História nem corrompidos nem corruptores, em especial - que são geralmente grandes e intocáveis empresas, muitas das quais que patrocinam campanhas políticas - são punidos. Brinca-se, zomba-se, desdenha-se de um povo que já amarga as agruras do dia a dia, e seguem impunes. Raríssimos (se é que existem) os casos em que o corrupto devolve o dinheiro desviado, tem os seus bens confiscados ou é privado de liberdade.

(*) J. Hildeberto Jamacaru de Aquino é cratense.
hildebertoaquino@yahoo.com.br

A BANANEIRA











 


A bananeira


As palmas da bananeira 
abanam a tarde

As bananas amarelas
como ouro

É a musa do paraíso 
e canta

Embala 
o umbigo do mundo




domingo, 10 de julho de 2011

Nas horas mornas do dia
 - Claude Bloc -


Um dia desses
Vou deixar que me decifrem
Vou deixar que acalentem
Meus olhares de alegria...
Um dia desses
Vou deixar que  me descubram
Vou deixar que me revelem
o verso dos meus segredos.

Um dia desses, eu já nem sei
Nem saberei
Onde escondo a branca pauta
Dessa minha sinfonia
Pois,
Não alimento vaidades...
e outros pecados tantos
Só sei que nesse olhar
Que eu lanço para a vida
Que descortino à noite
Que revelo todo dia
Há algo tão fácil de ler...
Há algo tão sério pra ver
Há sonhos, melancolia
Nas horas mornas do dia.

Claude Bloc



sábado, 9 de julho de 2011

Uma festa no castelo encantado - Emerson Monteiro


Nesta quinta-feira, 07 de julho de 2011, compareci à festa de lançamento do áudio livro O mistério das treze portas no castelo encantado da ponte fantástica, de autoria do escritor cratense José Flávio Pinheiro Viera, com ilustrações de Reginaldo Farias, no Cine Teatro Salviano Arraes, antigo Cine Moderno, em Crato. Algo de beleza surpreendente pela produção entremeada dos mais diversos recursos cênicos a cargo da direção bem sucedida de Luiz Carlos Salatiel, abastecida nas performances refinadas de cantores, músicos e atores de nosso filão artístico-cultural.

A vontade que tenho seria pegar um pedaço de cada cena, junto de sons e iluminações, da animação dos presentes, do alegre clima reinante, falas, músicas, colar numa sequência imaginária e recompor o que ali vim encontrar de mágico e puro, bem nos moldes da mitologia regional de outras épocas, de quando havia sonhos soltos pelo ar. As histórias ouvidas na bagaceira do Sítio São Vicente, dos seus avós, no pé da Serra do Araripe, Zé Flávio as revive no seu primoroso trabalho, conservação fantástica dessa ponte que une o escritor e o tempo, acendendo de volta o sidério das horas fascinantes desfrutadas no passado longínquo.

Nisso, através da condução cênica de um Mateus (Cacá Araújo) e de uma Catarina (Kelvya Maia), figurantes buscados nos folguedos populares nordestinos, enquanto contracenavam suas tiradas cômicas, desempenharam o papel de mestres de cerimônia da inusitada solenidade. O auditório superlotado viajou embalado no clima mítico estabelecido e povoado pelas personagens trazidas ao palco nas letras das composições musicais interpretadas por ícones fortes da atual música cratense. Desfilaram com imensa fidelidade, a mim que conheci a maioria delas, as figuras de Maria Caboré, Canena, Tandô, Capela, Padre Verdeixa, O Rei da Serra, Vicente Finim, Noventa, Príncipe Ribamar, Zé de Matos, heróis do panteão da história popular de Crato, resgate por demais merecido e imortalizador das gentes eternas, gravadas na memória etnológica das populações caririenses.

Os intérpretes os quero denominar um a um, dada a qualidade oferecida e a integração com a proposta de tanto zelo em uma noite inolvidável. Foram Amélia Coelho, Lifanco, Ibbertson Nobre, Luiz Fidelis, Pachelly Jamacaru, Ulisses Germano, Zé Nilton Figueiredo, João do Crato, Leninha Linard, Abidoral Jamacaru e vários outros.

Por tudo o que vi nessa ocasião a causar espécie no sentimento dos agraciados com o evento, deixo aqui o meu registro do projeto teatral, musical e literário de J. Flávio Vieira, que além do próprio valor foi também vencedor do I Prêmio Rachel de Queiroz, da Secretária de Cultura do Ceará. O livro de belas feições gráficas, nas cores e nos traços de Reginaldo Farias, chega acompanhado de um CD com 15 faixas, totalizando a proposta inovadora.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Histórias
***


Ponto por ponto
Passo a passo
Entro em compasso
Ao vento, no espaço
Sem contraponto
Não ato, nem desato.

Abraço o tempo
De grandes maresias
Dias claros, noites frias
Me solto, me embaraço
Nas frestas da alegria.

Não quero ser além do que esperas
Sou branda quando falo
Sou tudo o quanto quero
Não busco estrelas inatingíveis
Não busco sonhos impossíveis
Conto pontos, conto fatos
E me encanto quando penso
Nas histórias que dirias
Porque sei que tu ririas
Do meu jeito de te ouvir. 

Claude Bloc


Somos folhas em branco - Emerson Monteiro


Quem dá significado aos objetos e acontecimentos, e às outras pessoas, é a cabeça da gente, a mente da gente. Por isso, preocupações sujeitam atrapalhar o compasso de esperar os minutos seguintes. Todo penso é torto, no que diz a experiência. E peru é quem morre de véspera, noutra cogitação. Fôssemos viver de pensar, renderia quase nada, vez que significados inexistem na realidade, quando eles só representam o produto do que se pensa. A gente importa as visões e as trabalha na oficina da cabeça, ferreiro insistente, quando já se tem tanta coisa para cuidar; e ainda saímos juntando troços e fazendo fogueiras no juízo, cipoal do desassossego.

Enquanto isto, o mecanismo das pessoas possui um dispositivo interno que solucionará o drama de tais preocupações. Lá bem no centro, no meio da ciranda apressada dessas coisas em atividade, mora a paz.

A fim de chegar a esse lugar importante carece, no entanto, concentrar o esforço gasto com o pensamento, a energia gasta nos movimentos que criam os sentidos na tela da imaginação. Manusear com gosto este procedimento produzirá resultados jamais vistos. No mínimo evitar-se-á as chamadas depressões mentais, os buracos sem fundo que constrangem e reduzem o peso da alegria que temos e poucos usam com rotina. Durante os quadros escuros da caminhada, precisa esquecer o que desafina o instrumento individual. Aqui ao lado de você reside a outra possibilidade de viver com satisfação cada minuto, independente da ânsia dos resultados. Limpar as leiras da responsabilidade e germinar plantas boas.

Plantar bons frutos hoje, no momento presente, e aguardar resultados favoráveis. Catar as sementes das histórias vividas, selecionar as melhores e fincar com gosto nas terras infinitas do coração. Todo tempo é tempo de felicidade. Evitar o mal e fazer o bem, aos outros, à natureza, a cada ser, inclusive a si próprio. Encher a própria bola servirá de motivo de viver bem e com sabedoria. Certos das leis da Natureza, tratemos de corrigir o rumo da viagem e conduzir o barco às águas tranquilas das estações seguras, livres dos traumas e contradições que sumiram na fumaça dos vícios de antigamente.

Essa modalidade valiosa de aplainar estradas no horizonte iluminado de sol sempre funcionará. Largar hábitos que diminuem a satisfação de crescer representa oportunidades positivas. Expulsar os insetos do território e dormir melhor, no exercício de olhar acima das perturbações desnecessárias; quanta coerência em agir desta maneira.

Ouço dizer que o olho do furacão é de pura calma. A agitação fica no entorno em que os ventos sacolejam o espaço. Mas no miolo as correntes de ar impacientes guardam inteira harmonia. A lição desse fenômeno explica como controlar a máquina do pensamento e evitar as desordens em volta. Buscar de tal modo o ponto do equilíbrio, que ocasionará surpresas agradáveis e dias abençoados.

Pensamento do Dia - Clarice Lispector...

"Sou composta por urgências: minhas alegrias são intensas; minhas tristezas, absolutas.
Me entupo de ausências, me esvazio de excessos.
Eu não caibo no estreito, eu só vivo nos extremos."




Clarisse Lispector

IMAGEM


Busco uma imagem no ar...
Nas pessoas
Nos gestos
Nas palavras...
Busco uma imagem na natureza
Nos animais
nas fotografias
Nos acontecimentos...
Busco uma imagem na imaginação...
Através da música
De um conto
De uma poesia...
Embaralham no meu pensamento...
E me encanto
na dança das imagens
Em movimento
Busco a arte em qualquer lugar...
Crio, invento
Alimento meu ego
Sinto que existo e faço existir...
A busca de uma nova imagem
faz parte de mim...

Edilma Rocha

PÉROLAS DOS BASTIDORES - Por Claude Bloc


A CARA DO SERTÃO

Mundim,
Latada toda enfeitada
Lua branca, pé no chão
Sanfona preta e dourada
Pandeiro e violão
Muita menina faceira
Mulher falando besteira
É A CARA DO SERTÃO

Mundim do Vale rimando
Seus versos lá no oitão
O som de galo cantando
No armador um gibão
Uma casinha de taipa
Pois disso ninguém escapa
É A CARA DO SERTÃO

Baião de dois na panela
Garapa, milho, feijão
Café torrado no caco
Gergelim e agrião
Capote bem temperado
Carne de porco e de gado
É A CARA DO SERTÃO

De noite o céu estrelado
E o som de um violão
Fogueira, xote e xaxado
No peito a emoção
Saudade de um passado
Que sempre será lembrado
É A CARA DO SERTÃO

Claude Bloc

Um livro sobre João Paulo II – por Armando Lopes Rafael




Li-o de um folêgo, como se costuma dizer. O livro (“João Paulo II, Peregrino da Esperança”, publicado pela Reader’s Digest) é formado por uma sequência de depoimentos de pessoas que conviveram sobre Karol Wojtyla – mais conhecido como Papa João Paulo II, recentemente beatificado.


Vejam uma parte do depoimento dado – em 2001 – pelo jornalista Lucjan Kydrynski: “Chegou-nos com pouco mais do que a roupa do corpo... Na altura, vivíamos na Rua Felicjanek, em Cracóvia. Tínhamos uma casa com três quartos num terceiro andar. Um quarto, o maior, era ocupado por umas senhoras alemãs que trabalhavam num escritório em Cracóvia. Nós ocupávamos os quartos restantes. Nós éramos eu, a minha mãe, irmã, irmão e, depois da morte do seu pai, Karol Wojtyla. Por alturas da véspera de Natal de 1940, Karol esteve na nossa casa a ver o meu pai.


Acabou por se mudar para nossa casa por alturas de Fevereiro de 1941. Ficou durante cerca de 18 meses. Karol possuía um pequenino canto para si – primeiro porque não havia muito espaço e depois porque tinha muito poucas coisas. Quando chegou lá a casa, possuía pouco mais do que a roupa do corpo. A ocupação alemã dava-nos poucas possibilidades de ter objetos pessoais. Para além disso, mesmo que ele tivesse querido trazer a sua mobília, não havia onde a pôr. Mas ele não era do tipo de possuir muita coisa. Mas trouxe-nos amizade, gentileza, alegria – e isso já era muitíssimo. (...)

Ou este testetemunho, dado pelo bispo polonês, Tadeusz Pieronek, quando Karol Wojtyla já era um jovem bispo. A ver: “Por que ficar preocupado? Ainda hoje lembro uma das expedições que fiz à Sicília com o arcebispo Wojtyla durante um intervalo nos debates do Concílio do Vaticano.
Era o primeiro dia de Novembro, o Dia de Todos os Santos. Fomos todos de comboio com o bispo Pietraszka, enquanto Wojtyla viajou sozinho. Visitámos muitas cidades, de Palermo a Catânia. Também subimos ao monte Etna de teleférico. A neve era espessa e caminhar era difícil. E, acima de tudo, era perigoso. Além disso, o tempo estava a acabar e aproximava--se a hora do avião para Roma.
Wojtyla não estava minimamente preocupado com tais assuntos. No caminho de volta, ele parou na encosta do Etna e começou a recitar o breviário. Aproximámo-nos, nervosos, e dissemos: «Por favor, arcebispo, o avião não espera, e está aqui a rezar.».
No entanto, ele não nos prestou atenção. Continuou a rezar.
Chegámos ao aeroporto 15 minutos depois do que era suposto. Mas acontece que o avião tinha esperado. O arcebispo de Catânia sabia que o arcebispo Wojtyla iria naquele voo e arranjou maneira de atrasar a partida. Entretanto, no aeroporto, Wojtyla aproximou-se de nós e disse com um sorriso: «Estão a ver? Está tudo bem. Por que ficar preocupado?”
E são muitos outros depoimentos – constantes no livro “João Paulo II, Peregrino da Espeança” – sobre a figura marcante do Papa. Uma pessoa mediática – significando que “vendia bem” na mídia, porque possuía uma noção do exato sentido de tempo e espaço. E talvez por isso mesmo, segundo o bispo Jan Chrapek: “João Paulo II teve a sensibilidade de saber que, apesar de tudo, os meios de comunicação não podem substituir o encontro do homem com outros homens, o encontro do homem com a natureza e, com certeza, não pode mediar o enconto do homem com Deus, em que o único mediador só pode ser outro homem, ainda mais quando esse homem é o Papa”.

É hoje, é hoje...

O HOTEL ENCOSTA DA SERRA convida para a inauguração do SALÃO IRMÃOS ANICETO e EXPOSIÇÃO DE QUADROS DECORATIVOS, Artes & fotografias de: Pachelly Jamacaru. Esta brilhante iniciativa, faz parte de uma nova visão da atual administração do hotel, onde os valores culturais em seus diversos segmentos são reconhecidos e valorizados.

Data: 08 de Julho/2011
Local: HOTEL ENCOSTA DA SERRA
Av. Pedro Felício Cavalcante - Caminho do Clube Recreativo Grangeiro
Horário: 19hs


Inauguração do Salão Irmãos Aniceto

Exposição de Quadros Decorativos, Pachelly Jamacaru.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Minhas sinceras desculpas ao Zé Flávio e à equipe de lançamento do Livro


São 22:02 do dia 07 de Julho de 2011, no momento em que escrevo estas palavras.

Hoje aconteceu um dos principais eventos artísticos e culturais do ano no Crato, e eu diria, do Cariri, com o lançamento no Teatro Municipal Salviano Saraiva do livro-áudio “O mistério das treze portas no castelo encantado da ponte fantástica” de autoria do Dr. J. Flávio Vieira, que faz uma tessitura dos mitos caririenses e é acompanhado de um CD com 15 Músicas, e um áudio-livro com a narração da história. A festa de lançamento aconteceu com um show que reuniu vários músicos e compositores caririenses que participaram do projeto, a exemplo de Luiz Carlos Salatiel, Amélia Coelho, Lifanco, Ibbertson Nobre, Luiz Fidelis, Pachelly Jamacaru, Ulisses Germano, Zé Nilton Figueiredo, João do Crato, Leninha Linard, Abidoral Jamacaru e muitos outros.

Sendo um evento de tal envergadura artística, o Blog do Crato jamais poderia deixar de comparecer, mas infelizmente foi isso que aconteceu; Eu não pude estar lá para fazer a nossa costumeira cobertura fotográfica e de entrevistas. Ontem falei com o Carlos Rafael na prefeitura municipal, e garanti a presença, e hoje falei ao telefone com o L.C Salatiel e garanti a presença. E por compreender a importância desse projeto ( que inclusive na época fui convidado a participar, mas não pude, devido ao meu tempo ), é que cedo me preparei aqui, carreguei as baterias da minha câmera e fiquei somente aguardando o horário. Dificilmente os amigos me vêm chegar cedo em algum evento; Meu costume é chegar atrasado, quase nunca adiantado. Pois bem, preparei tudo, telefonei para a "patroa", que ficou a me esperar, e como era ainda 17:34 eu raciocinei que não compensaria chegar muito cêdo e nos últimos dias tenho enfrentado aqui um déficit de sono terrível, com as madrugadas acordado e precisando ainda ficar acordado também de manhã, resolvi tirar um "cochilo" de 1 hora, para acordar às 18:30, quando daria perfeitamente para chegar ao teatro às 19:00.

Ora, deixei a câmera num lado da cama e com os pés no sapato social para o lado de fora, reclinei-me nos travesseiros enquanto assistia a CNN. Adormeci e acordei sobressaltado, com a TV já desligada, todo arrumado, pulei da cama para ir ao Teatro. Ao olhar para o relógio, vi que já era 21:42. "Perdi o evento que era imperdível". Imediatamente liguei para o fotógrafo Wilson Bernardo a fim de me dar alguma informação, pois ele não perde quase nenhum evento artístico, e ele me disse que foi para a RFFSA ao invés do teatro e que passou por lá no início da noite, mas como eu iria fazer a cobertura... Resultado: Não pude fazer a cobertura e também enquanto artista, prestigiar o merecido evento. Lamento muito que isso tenha acontecido, e escrevo estas linhas porque desejo aqui externar a minha insatisfação com a minha própria falta, pois eu sei que este evento deve ter sido grandioso, e quem perdeu foram todos os faltosos.

Nós que promovemos as artes e a cultura no Cariri devemos sempre prestigiar os encontros, as reuniões, como fizemos recentemente com a I Mostra Crato de Cinema e Vídeo e tantos outros que já aconteceram.

Fica aqui, o meu sincero pedido de desculpas não somente ao Dr. Zé Flávio, que é o autor, mas a todos os meus caros amigos que realizaram, que tocaram no show, irmãos de tantas lutas e que deram a sua parcela de contribuição para o sucesso do livro, que deve ser belíssimo, e que sem a minha presença, não diminuiu nenhum só ponto no brilho da festa. O Zé Flávio me conhece de muito tempo, e sabe dos meus hábitos noturnos, sabe também que estou falando a verdade e não precisaria inventar qualquer situação, quando ele mesmo foi um dos meus entrevistados na Mostra de Cinema e Vídeo.

Então, resta a minha tristeza pessoal por nao haver comparecido, porém a certeza de que o evento foi belo. Certamente, que o Pachelly Jamacaru deve ter ido, pois ele participou do projeto também, e nos trará a cobertura fotográfica para que possamos apreciar e divulgar para os nossos leitores do Blog do Crato. A mim, resta ir ali e tirar esta indumentária já perfumada e este sapato de bico fino que aperta tão bem os dedos dos pés. O show já terminou, certamente, porém o sucesso do livro-áudio do Zé Flávio apenas começou, e aqui iremos divulgar. Meus parabéns a toda a equipe, que com certeza, fez um belo trabalho. São 22:27 e temos ainda uma noite longa por aqui.

Dihelson Mendonça

FALANDO DE FLORES - Por Edilma Rocha


MANJERICÃO-  O nome vem do grego basilikon, que significa "erva rainha". Para os hindus, que deram início ao seu cultivo, o Manjericão tinha a essência divina e, por isso, nos seus tribunais, os julgamentos eram feitos sôbre a planta. Introduzida no Egito há 4 mil anos, expandiu-se também para o Imperio Romano. Encontrado no túmulo de Cristo, depois da ressureição, foi adotado pelas igrejas ortodoxas, tanto para preparar água benta, como em vasos deixados debaixo do altar. No Haiti é um símbolo de proteção que acompanha a deusa pagã do amor "Erzulie".
 Seu aroma, textura e sabor dão prazer ao paladar. Reza a lenda que esta erva contém a essência divina. E é também uma poderosa erva do amor e da vaidade. As camponesas mexicanas carregam suas folhas junto ao corpo para atrair pretendentes.


Planta suculenta anual com cerca de 50 cm de altura. Originada da Ìndia. Existem inúmeras variedades. Cultivada em solo bem arejado e úmido, protegido do vento. Sol quente, evitando o do meio-dia. Pode ser cultivada em vaso. Deve ser regada no meio do dia e não ao entardecer. Se o tempo estiver muito quente, borrifar as folhas.


Na culinária, de sabor e aroma muito agradáveis, quente e penetrante, complementa o do alho. È um dos ingredientes mais apreciados para temperar molhos, salpicar em saladas, especialmente a de tomate. È a base do molho pesto e combina bem com muitos pratos. O óleo do Manjericão é tônico do sistema nervoso e sedativo. Pode ser usado em infusão, fricção, massagem, unguento e para repelir insetos. Combina com óleos essenciais de Bergamota, Gerânio, Hissopo,Alfazema, Alecrim, Cipreste, Cedro, Limão, Sálvia, Tomilho, Orégano, Tea tree e Zimbro.

Fonte - Jardim Interior - Denise Cordeiro

CRATO SUBESTIMADO

Pedro Esmeraldo

O cratense anda sem ânimo pelo pesaroso desgaste ocorrido sempre pela massa política.
Há muito tempo nota-se o povo desanimado devido a falta de coesão dos políticos desta terra, que não sabem distinguir o que vem de mal para o município.
De momento a momento, as autoridades de Fortaleza, desprezando o Crato, não oferecem nada que valha a contribuir com avanço tecnológico intelectual da juventude cratense. Tudo que vem para nós é surrupiado pela massa ignóbil de outras plagas, pois levam tudo para si, como querem ser o maioral, dizendo com o pensamento obscuro que o Cariri é só o Juazeiro.
Isso é infâmia, e um desdouro ao município do Crato e aos municípios pertencentes à área metropolitana do Cariri.
Não aceitamos essas medidas descabidas por que pela lógica o Crato é o município mais viável para ser contemplado com obras relevantes e que acelerem o desenvolvimento equilibrado e com entusiasmo desse povo que vem sofrendo há anos.
Também o povo cratense deve esquecer picuinhas e venha contribuir com entusiasmo, acabando com as intrigas que sempre ocorrem durante a administração no decorrer dos anos.
Vemos um povo desanimado e desequilibrado emocionalmente. É preciso criar coragem, ser otimista, lutar com denodo a fim de ajudar e reclamar desses políticos apáticos para que deixem de lado o comodismo e venham buscar metas que nos favoreçam com o trabalho e o bem-estar da população. Para isso precisa união de forças iguais com o intuito de exigir desses políticos trabalhos eficazes para que venham contornar a situação inconstante desse povo que ora aparece sem entusiasmo e sem força de vontade.
Nós, os cratenses, não suportamos mais essa situação vexatória que nos leva ao desprezo político. Olhem, o Crato está entregue à sua própria sorte, sem eira nem beira e sem ramo de figueira. Ah, Crato velho sofredor. Agora parodiamos Luiz Gonzaga: cadê as indústrias que não vamos atrás? Cadê a nossa Universidade que foi diretamente para outra plaga, deixando o Crato à deriva e os homens não souberam reagir?
Se não nos querem, somos favoráveis a uma campanha plebiscitária desejando passar o Crato para Pernambuco, pois só assim esses carcarás se verão livres de nós e nós deles.
Agora mesmo, os comerciantes estão revoltados com a construção de calçadões nas praças, pois deixam a cidade sem ponto de estacionamento. Haja vista que a cidade do Crato precisa mais de expansão arterial, dando vias de acesso às várias localidades que querem conectar com o nosso município.
É preciso que tenham objetividade e usemos a cabeça para pensar num município gigante no futuro.

Até logo.

Crato-CE, 6 de Julho de 2011.