Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A Avidez humana! – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Desculpem-me. Sei que muitos dos leitores por aqui não gostam de futebol. Mas o assunto que pretendo repartir com os amigos é sobre o desejo insaciável por lucros, vitórias e glória. Para isso, ignoram-se os sentimentos de afetividades que nutre e engrandece as relações de amor. Chega-se ao extremo de escravizar o homem, se possível. Que tem o futebol a ver com tudo isso?

Apesar das relações de trabalho de um jogador de futebol profissional terem evoluído para melhor nos últimos dez anos, houve época em que o atleta era um verdadeiro escravo. Preso definitivamente ao clube, não lhe era facultado o direito de livre transferência ou escolha da equipe em que gostaria de jogar. Submetia-se a dias seguidos de confinamento, sem contatos com a família e o mundo exterior, numa ociosidade a que ainda hoje os dirigentes de futebol teimam denominar de concentração.

Em 1946, D’Ávila era um esforçado jogador de meio de campo de uma das quatro grandes equipes de futebol do Rio de Janeiro. Não chegou a integrar a seleção brasileira, mas era muito importante para o esquema de jogo do seu time. Era um desses jogadores que desarmam os ataques da equipe adversária e ajudam a empurrar o seu time para frente. Geralmente esse tipo de jogador passa despercebido aos olhos da torcida.

O time de D’Ávila estava concentrado desde a segunda-feira à noite num casarão da zona sul da cidade do Rio de Janeiro, preparando-se para um jogo decisivo do campeonato. A mulher de D’Ávila fora hospitalizada naquele mesmo dia, com uma estranha doença. Mas os dirigentes do clube não consideraram esse fato um motivo justo para dispensá-lo da concentração. Não podiam prescindir daquele jogador na equipe.

Semana inteira de treinos à tarde e o restante do dia na mais completa ociosidade. Naquele confinamento desumano, a nenhum atleta era dado o direito de sair à rua, visitar a família, ou ao menos usar o telefone.

No domingo pela manhã, dia do jogo decisivo, uma freira que trabalhava no hospital onde estava internada a mulher de D’Ávila, telefonou para a concentração procurando falar com o jogador. Disseram-lhe que ele não podia atender. “Por favor, digam a ele que o estado de saúde de sua esposa se agravou e ela pede desesperadamente para falar com ele.” Insistia a irmãzinha reforçando a urgência da presença do jogador.

Os dirigentes da equipe acharam por bem nada comunicar ao seu atleta para que nenhuma preocupação viesse prejudicar seu rendimento no jogo. Afinal, iriam enfrentar um dos mais fortes rivais.

Na tarde daquele ensolarado domingo, D’Ávila se esforçou como sempre era seu costume, contribuindo para vitória do seu time num jogo decisivo.

Somente quando a partida terminou, entre tapinhas nas costas, os dirigentes comunicaram a D’Ávila para ir ao hospital com urgência, pois o estado de saúde da sua mulher havia se agravado. Ele imediatamente enxugou o suor do corpo com uma toalha, trocou de roupa, sem ao menos tomar banho e foi de taxi, o mais depressa possível, ao hospital.

Lá chegando, a irmãzinha lhe disse: “O senhor não tem coração? Telefonei várias vezes desde a manhã de hoje. Sua mulher passou o tempo todo querendo lhe falar e somente agora o senhor chega aqui?” “Mas eu vim assim que me disseram. Estava no jogo e vim o mais rápido possível.” Disse-lhe D’Ávila preocupado. “Agora é tarde! Sua mulher faleceu às três horas da tarde.” Respondeu a freira. Ao saber dessa notícia, D’Ávila desmaiou, voltando a si, somente algum tempo depois.

O desespero tomou conta de D’Ávila. Voltou ao casarão da concentração e não encontrou mais ninguém do clube, somente o caseiro e sua mulher. Então, munido de uma barra de ferro destruiu tudo que havia pela sua frente, não sobrando nem portas, nem janelas.

No dia seguinte, durante o enterro, diante de dirigentes do seu clube e dos colegas jogadores, D’Ávila desabafava, acariciando o rosto frio da sua amada: “Não me deixaram te dar um último beijo, mas você está vingada.”

Por Carlos Eduardo Esmeraldo
(Adaptado de "Os subterrâneos do Futebol" de João Saldanha, p. 60; José Olympio Editora, Rio de Janeiro, 1980)

A Bruxa de Portobello - Paulo Coelho




Ela me dizia que estava aprendendo à medida que me ensinava.

Todos buscam um mestre perfeito; acontece que os mestres são humanos, embora seus ensinamentos possam ser divinos – e aí está algo que as pessoas custam a aceitar. Não confundir o professor com a aula, o ritual com o êxtase, o transmissor do símbolo com o símbolo em si mesmo.

Cozinhamos reclamando da perda de tempo, quando podíamos estar transformando amor em comida.

As coisas não são absolutas, elas existem dependendo da percepção de cada um.

Sugeriu que, pouco a pouco, começássemos a preparar terreno para dizer que ela tinha sido adotada. (...) a pior coisa que podia acontecer é que ela descobrisse por si mesma – passaria a duvidar de todo mundo. Seu comportamento poderia tornar-se imprevisível.

“Diante de mim havia duas estradas
Eu escolhi a estrada menos percorrida
E isso fez toda a diferença” (Robert Frost)

A música é tão antiga quanto os seres humanos. Nossos ancestrais, que viajavam de caverna em caverna, não podiam carregar muitas coisas, mas a arqueologia moderna mostra que, além do pouco que necessitavam para comer, na bagagem havia sempre um instrumento musical, geralmente um tambor. A música não é apenas algo que nos conforte, ou que nos distraia, mas vai além disso – é uma ideologia.

- Por que não me dá a comunhão?
(...)
- (...) a Igreja proíbe que pessoas divorciadas recebam o sacramento.
(...)
- Cristo disse: “Vinde a mim os que estão agoniados, e eu os aliviarei”. Eu estou agoniada, ferida, e não me deixam ir até Ele. Hoje aprendi que a Igreja transformou estas palavras: vinde a mim os que seguem as nossas regras, e deixem os agoniados para lá!
(...)
Penso que, ao sair da igreja, Athena pode ter encontrado Jesus. E, chorando, se atirou em seus braços, confusa, pedindo que lhe explicasse por que estava sendo obrigada a ficar do lado de fora só por causa de um papel assinado, uma coisa sem a menor importância no plano espiritual, e que só interessava mesmo a cartórios e imposto de renda.

Quando escrevo, quando danço, sou guiado pela Mão que tudo criou.

O caminho é mais importante que aquilo que a levou a caminhar.

Para aqueles que viajam o tempo não existe – apenas o espaço.

Desde épocas remotas os seres humanos tinham um ritual onde fingiam ser outras pessoas, e desta maneira procuravam a comunicação com o sagrado.

Quando vc dança, sente desejo? Sente que está provocando uma energia maior? Quando vc dança, existem momentos em que deixa de ser você?
(...) parecia entrar mais em contato comigo, o fato de estar seduzindo ou não alguém deixava de fazer muita diferença.
Se o teatro é um ritual, a dança também. Além disso, é uma maneira ancestral de aproximar-se do parceiro. Como se os fios que nos conectam com o resto do mundo ficassem limpos do preconceito e dos medos. Quando vc dança, pode se dar ao luxo de ser você.

Nos conhecemos quando nos vemos no olhar dos outros.

Procurei, eu mesma, os galhos maiores, e os coloquei por cima dos gravetos; era assim a vida. Para que pegassem fogo, os gravetos deviam antes ser consumidos. Para que pudéssemos liberar a energia do forte, é preciso que o fraco tenha possibilidade de se manifestar.

As bruxas existem - Mônica Buonfiglio



Na Idade Média, as mulheres que conseguiram o poder, passavam gradativamente a ser consideradas bruxas. A palavra inglesa witch (bruxa, feiticeira) é derivada da palavra anglo-saxônica wicce e da alemã wissen (saber, conhecer) e wikken (adivinhar). Antigamente as bruxas eram chamadas de sábias, até a Igreja atribuir-lhes uma conotação de degradação, de mulheres dominadas pelos instintos inferiores.

As bruxas nada mais eram do que mulheres que conheciam e entendiam do emprego das ervas medicinais para a cura das enfermidades nos vilarejos onde viviam. Também estavam aptas a realizar partos e a preparar ungüentos medicinais. Com o advento do Cristianismo, a era patriarcal acabou por imperar, até porque o Salvador era um homem. As mulheres foram colocadas em segundo plano e identificadas como objetos de pecado utilizados pelo diabo.

É claro que algumas mulheres rebelaram-se. Estas mulheres, dotadas de um poder espiritual - inclusive passado de mãe para filha -, começaram a angariar de novo o prestígio de outros tempos, e isto passou a incomodar o poder religioso. Como admitir que algumas mulheres podiam ser livres e que algumas pessoas respeitavam o que elas ensinavam? Para acusar uma mulher de bruxaria era muito fácil: bastava uma mulher casada perder a hora de despertar, que o marido a acusava de estar sonhando com o demônio.

Para as bruxas do mundo inteiro, o dia 31 de outubro tem um significado muito especial: o deus que representava a natureza (e que possuía chifres, em sinal de poder) saía da infância para ingressar na adolescência, tornando-se jovem e aventureiro (símbolo do alce nas pinturas alquimistas).

Neste dia, essas mulheres homenageavam a deusa Gaia (terra) em sintonia com esse deus (fecundo) para obter cada vez mais conhecimento, gerar filhos saudáveis e criar entendimento entre os familiares. É claro que algumas mulheres em tempos remotos aproveitavam-se desse poder para seus próprios interesses - como aquisição de bens -, praticando a magia negra. Como o próprio nome diz, a feiticeira tinha o poder de enfeitiçar as pessoas, atraindo pensamentos negativos em suas associações a seres infernais, em oposição ao amor de Deus. Essas bruxas, através de pactos com o diabo, também obtinham vinganças sociais.

Infelizmente, as bruxas e as sacerdotisas nórdicas foram quase que completamente esquecidas, sendo associadas ao seu aspecto negativo. Presume-se que a caça às bruxas do passado tenha ocorrido a partir de tensões sociais profundas, e esperamos que as torturas do passado, não voltem a ocorrer em tempos futuros.

Monica Buonfiglio

Um poema de Drummond



AMOR, POIS QUE É A PALAVRA ESSENCIAL


Amor – pois que é palavra essencial
comece esta canção e toda a envolva.
Amor guie o meu verso, e enquanto o guia,
reúna alma e desejo, membro e vulva.

Quem ousará dizer que ele é só alma?
Quem não sente no corpo a alma expandir-se
até desabrochar em puro grito
de orgasmo, num instante de infinito?

O corpo noutro corpo entrelaçado,
fundido, dissolvido, volta à origem
dos seres, que Platão viu completados:
é um, perfeito em dois; são dois em um.

Integração na cama ou já no cosmo?
Onde termina o quarto e chega aos astros?
Que força em nossos flancos nos transporta
a essa extrema região, etérea, eterna?

Ao delicioso toque do clitóris,
já tudo se transforma, num relâmpago.
Em pequenino ponto desse corpo,
a fonte, o fogo, o mel se concentraram.

Vai a penetração rompendo nuvens
e devassando sóis tão fulgurantes
que nunca a vista humana os suportara,
mas, varado de luz, o coito segue

E num sofrer de gozo entre palavras,
menos que isto, sons, arquejos, ais,
um só espasmo em nós atinge o climax:
é quando o amor morre de amor, divino.

Quantas vezes morremos um no outro,
no úmido subterrâneo da vagina,
nessa morte mais suave do que o sono:
a pausa dos sentidos, satisfeita.

Então a paz se instaura. A paz dos deuses,
estendidos na cama, qual estátuas
vestidas de suor, agradecendo
o que a um deus acrescenta o amor terrestre.

Poema do amor eterno : Carlos e Magali

Bruxas famosas do cinema




Morgana Stradvarius Victorius (Castelo Rá Tim Bum)

Dizem que as bruxas são más. Mas não é o caso da tia-avó de Nino. Com mais de 6 mil anos de vida, adora cantar, promover festas e contar fatos históricos que presenciou, como a construção da Grande Muralha da China e a invenção do dinheiro.

Hazel (Looney Tunes)

Verde, gorda, com o cabelo desgrenhado e dedos finos. Hazel faz questão de ser feia e para isso vive preparando poções e feitiços. Para manter a forma de barril de chopp, atrai crianças para seu casebre, com o objetivo de devorá-las. Pernalonga quase foi uma de suas vítimas, mas o coelho malandro conseguiu dar um chapéu na bruxa velha.


Samantha Stephens (A Feiticeira)

Samantha (Elizabeth Montgomery) só queria ter uma vida feliz ao lado de seu marido Darrin (no Brasil, seu nome foi trocado para James, pois a pronúncia soava melhor) e dos filhos, Tabatha e Adam. Mas sempre acabava obrigada a contorcer seu nariz e lançar mão de seus poderes de feiticeira para salvar sua família de enrascadas.


Willow Rosenberg (Buffy a Caça-Vampiros)

Entre uma mãozinha e outra na luta de Buffy contra os vampiros, a bruxinha bissexual incendiou a mente de marmanjos com seu romance com Tara. Atualmente, a atriz Alyson Hannigan pode ser vista na série How I Met Your Mother.

Dona Clotilde – Bruxa do 71 (Chaves)

Dona Clotilde, mais conhecida como a Bruxa do 71, era temida por Chaves, Chiquinha, Quico, Nhonho e Pópis. Mas ela era apenas uma inofensiva senhora solteirona apaixonada pelo Seu Madruga. A personagem foi interpretada por Angelines Fernández, morta em 1994, com 71 anos de idade.

NÃO É FÁCIL DIZER ADEUS!



Estava hoje à noite lendo alguns ensaios sobre o "Adeus" da Psicóloga Junguiana Regina Nanô de São Paulo quando me deparei com um artigo de Fernanda Cecon sobre o premiado curta metragem do Cineasta e Psicólogo Americano Jay Rosenblatt sob o título: “Membro Fantasma”. Baixei o vídeo e fiquei extasiado com a sua beleza poética sob a dor e o recomendo a todos que de uma forma ou de outra têm dificuldades em lidar com o ADEUS, enfim: PERDAS E DANOS.


“Membro Fantasma” é uma reflexão poética sobre a dor e o aprendizado do adeus. Numa de suas passagens mais marcantes, um homem tosa uma ovelha enquanto uma voz narra as diferentes fases do luto. Indagado sobre as razões de ter escolhido essa cena para ilustrar a perda, Rosenblatt respondeu: Queria uma metáfora que também significasse renovação. Uma imagem que sintetizasse, ao mesmo tempo, vulnerabilidade e entrega. A ovelha perde aquela cobertura de lã; mas, ao longo de sua existência, outras crescerão e serão tosadas. Um ciclo natural, portanto. Existem momentos assim na vida, de corte, de conclusão. A perda pode vir por uma circunstância externa, como no caso da morte de alguém querido, uma demissão, uma separação repentina, um acidente. Mas pode também ser decorrente de um processo em que a decisão final depende de nós. De qualquer forma, nos dois casos, temos de nos despedir. E esse processo dói. Deixar ir embora faz parte da existência, tanto quanto começar um ciclo novo. Só que, em diferentes graus, todo ser humano tem dificuldade de colocar um ponto final. Por isso, teima em insistir numa situação conhecida, embora já insatisfatória, e não consegue assumir que aquela etapa esgotou-se e que deve finalizá-la. É preciso mesmo coragem para dizer adeus. Um adeus verdadeiro, do fundo da alma e com consciência, e não um até breve volto já. É sobre isso, leitor, que vamos falar aqui.

O que é o adeus?

Despedir-se de algo que não faz mais sentido e abrir-se para os desafios e as oportunidades de um novo ciclo é parte natural da vida. Então por que será que é tão difícil dizer adeus”?

Em primeiro lugar, tiremos a carga negativa que gira em torno da despedida. Por si só, adeus não quer dizer desistência, abandono ou fracasso: essas são interpretações atribuídas por nós mesmos. O psicólogo Wagner Canalonga, sacerdote da Sociedade Taoísta de São Paulo, recorre a uma imagem bonita para representar o adeus: é como atravessar uma porta, deixando um ambiente para entrar em outro. A mesma porta que se fecha atrás de você, impossibilitando seu retorno para o primeiro cômodo, permite sua entrada no novo aposento. Em outras palavras, o fim é sempre o começo de uma outra história. Ter isso claro traz uma compreensão diferente e mais leve do que está por vir.

Outra metáfora bastante oportuna: você já ouviu falar de ecdise? Trata-se da mudança periódica de casca dos artrópodes. O esqueleto externo, rígido, limita o crescimento do bichinho. Por isso, de tempos em tempos, é preciso que ele deixe a casca velha para formar uma nova e mais folgada e continuar a se desenvolver. Assim também é conosco: as diversas experiências vividas dia a dia vão nos alargando interiormente. Até o instante em que as escolhas antigas tornam-se obsoletas e novas se fazem necessárias mesmo que seja para continuar na trajetória anterior (no casamento, na carreira, naquele modo de viver), mas com outra presença e outros paradigmas. E como identificar esse instante de revelação? É um forte chamado interior, como se uma parte bastante profunda de você a alma e não o ego o conduzisse para um rumo um tanto indefinido. Mas, aos poucos, aquele caminho vai fazendo sentido. Hoje a razão virou o único ponto de apoio para as pessoas. Mas a intuição é que nos guia, por isso devemos levar em conta o que diz nosso coração. Uma amiga tem um reflexão muito bonita a respeito. Ela costuma falar que o ego grita, a alma sussurra. Como vivemos num mundo ruidoso, tomado por mandamentos vindos de todos os lados (da cultura, da moda, da publicidade), só escutamos os berros os do ego, querendo manter o controle a todo custo, e os dos outros. Os apelos da alma, aqueles que injetam vitalidade na existência, ficam inaudíveis. E a hora certa?O verdadeiro adeus surge quando a pessoa já entendeu qual é seu destino e refletiu muito a respeito do que precisa se desembaraçar para seguir adiante em seu caminho, afirma a filósofa Dulce Critelli, professora da PUC de São Paulo. Para ela, a lucidez na finalização de um ciclo indica um importante sinal de maturidade: o indivíduo compreende que é responsável pela própria existência. E também pelos ganhos e perdas, acertos e erros de suas escolhas. O processo da despedida sempre carrega duas grandes questões cruciais, aliás, para a maioria das tradições filosóficas. Quem sou eu? E qual é o sentido da vida? Segundo a filósofa, nem sempre o adeus é consciente, fruto de um período de maturação. Pode ser o desejo de escapar de um contexto desconfortável. Isso acontece, por exemplo, quando uma nova habilidade é requerida no trabalho e o indivíduo se sente acuado ou inseguro. Também quando a intimidade começa a se estabelecer num relacionamento amoroso e uma das partes acha que não suporta a situação. Em ambos os casos, a pessoa decide, às pressas, pôr um ponto final na experiência a fim de fugir dela e evitar o confronto com seus fantasmas. Essa atitude não é de engajamento com uma decisão madura,
afirma Dulce. Na ruptura coerente, existe uma construção gradativa de bases para o novo caminho. Portanto, antes de dizer adeus, vale refletir bastante, ponderar, pensar em como dar os próximos passos. E também perguntar: por que quero fazer isso? Para escapar de uma dificuldade ou porque desejo dar um rumo mais rico à minha vida?

Por que o sofrimento? Eis uma das grandes complicações em despedir-se: como admitir que a vida planejada anteriormente não faz mais sentido para a pessoa que você é hoje? A impermanência da existência incomoda porque inviabiliza nosso controle. Por isso, uma das razões para o sofrimento gerado pelo adeus é um velho conhecido: o apego. Atribuímos nossos próprios significados às pessoas e às situações e isso nos liga a elas de tal forma que não conseguimos nos desapegar, diz o psicólogo Arnaldo Bassoli, da Associação Palas Athena, em São Paulo. Mas, se as transformações internas e externas são inevitáveis, por que se agarrar a certos momentos quando sua existência está levando você para outro lado? O problema é que o ser humano, ainda mais na sociedade consumista de hoje, não se contenta apenas em vivenciar algo; ele quer possuir esse algo, retê-lo, conservá-lo em formol para que se mantenha para sempre tal e qual era no início e isso vale para tudo: um parceiro, um emprego, um status, um argumento, até uma rotina. E que angústia perceber a impossibilidade desse desejo! Bassoli usa uma metáfora budista para mostrar como lidar com essa situação natural da vida, que é de constante mutação: segure firmemente um objeto em suas mãos, alongue os braços à sua frente com a palma para baixo e relaxe seus dedos: você perderá o que carrega. Contudo, se mantiver a palma da mão para cima, mesmo afrouxando os dedos, o objeto ainda estará ali. O segredo, então, é conservar o que se tem com desapego ou, então, soltar de vez o que não tem mais valor.
E o que nos segura?Um adeus autêntico exige coragem, ainda mais quando vai contra o que propõe a sociedade contemporânea. Valores como segurança e estabilidade (muito mais no sentido da imobilidade que da harmonia) permanecem em alta. Então, por que arriscar? Ao mesmo tempo, a sociedade também nos impele ao frenesi das falsas mudanças (de carro, roupas, bens de consumo, parceiros sexuais...) que nos iludem com suas promessas de felicidade. Na agitação de vida atual, muitas vezes a pessoa não consegue gestar um novo projeto para si mesmo. Ou, por pressões externas, não chega nem sequer a desejar a formulá-lo, diz o filósofo Franklin Leopoldo e Silva, professor da USP. As únicas mudanças permitidas são aquelas que estão dentro dos esquemas formulados pela sociedade de consumo e sua infinita oferta de papéis e identidades. Tudo isso em benefício de uma falsa liberdade, posto que delimitada, diz ele. A solução nesse caso é seguir o que de mais particular e verdadeiro clama dentro de nós. E seguir esse anseio verdadeiro sem ter medo ou culpa. Negar a própria bem-aventurança, como dizia o mitólogo norte-americano Joseph Campbell, ou tornarse surdo diante dos apelos da alma pode trazer conseqüências até para o organismo. Os conflitos internos vão aumentando, a pessoa é tomada pelo desânimo, depressão e cansaço, a energia pára de fluir e isso explode num sintoma físico, diz a psicóloga Regina Nanô. Irritabilidade excessiva, gastrite, constipação, enxaquecas ou infecções freqüentes... É preciso prestar atenção tanto no corpo quanto no coração: será que não estão dizendo à razão que é hora de recomeçar?
Ganhos, não perdas. O medo da perda dificulta essa tomada de decisão. Especialmente pela constatação de que deixaremos para trás um parte de nós mesmos o que fomos para sermos o que somos agora. Porém, junto com toda renúncia há sempre um ganho e um aprendizado, que aos poucos se dão a conhecer. Todo adeus traz, consigo um sim para a vida dito imediatamente antes, afirma a filósofa Dulce Critelli. Como a princípio esse sim nem sempre é evidente, vem a angústia. Muitos especialistas comparam o processo de encerramento de um ciclo à experiência do luto, com as mesmas fases passadas por alguém que tenha perdido um parente, por exemplo. Há o choque inicial, o período de negação ou dúvida e o momento em que sentimentos e sensações misturados (da insegurança à solidão, da confiança a um intenso contentamento) vêm à tona de forma torrencial. Depois, o instante em que o indivíduo se dá conta de que o fato é real e, por fim, a aceitação. Permitir-se vivenciar todos os estágios é fundamental. Os especialistas em luto, inclusive, aconselham externalizar esse adeus, dizer com todas as letras para si mesmo o que se deseja largar e soltar. Algumas pessoas precisam verbalizar o que querem da vida para ganhar força para tomar uma decisão. Outra recomendação é reservar uma parte do dia para viver a dor da perda. Nesse momento, que pode ser antes de dormir ou num fim de tarde, por exemplo, se pode chorar, ir ao fundo do poço. Durante o restante do dia, porém, o mais aconselhável é viver o presente, sem se deixar carregar pelo sofrimento. O adeus acontece desde o instante em que resolvo mudar ou inicio a mudança. Até o momento da ruptura, elaboro o que ganho e o que perco e faço gradativamente as despedidas, afirma a psicóloga Ingrid Esslinger, do Laboratório de Estudos da Morte da USP. O luto continua, mesmo depois da decisão concretizada. Por isso, é comum que a pessoa se pegue, tempos mais tarde, chorando de saudade ou questionando se aquela opção foi a melhor. Segundo Ingrid, de todas as despedidas cotidianas, a mais delicada é a da separação amorosa. Mesmo que seja um adeus fruto de consenso entre ambas as partes, a aceitação da própria morte na consciência do outro é doloridíssima, diz. Reconhecer que você não fará mais parte das escolhas e das alegrias do ex, que não partilhará mais suas alegrias, é muito difícil.
Nosso novo eu! A nova etapa inevitavelmente trará surpresas, e aqui reside outro obstáculo freqüente na hora de dizer adeus: o medo do desconhecido, do imprevisível. De sair de uma situação esquematizada um parceiro que já conhece seus defeitos, uma função que domina no trabalho, um ambiente em que todos sabem quem você é para outra diferente, com as definições ainda por fazer. O adeus traz uma sensação de caos, mas é importante ter claro que se trata de uma reorganização e não de uma desestruturação, diz Regina Nanô. A despedida implica lançar outro olhar não só ao que está ao redor, mas também a si mesmo e o grande medo da despedida, talvez o maior de todos, vem daí. Medo desse novo eu que, com o fim do ciclo, ganha permissão para desabrochar e revelar-se ao mundo.

Se você passou boa parte de sua existência vivendo para os outros e sem contato consigo mesmo, o espanto será imenso: quem é essa pessoa? Porém, se aprendeu a respeitar seu dharma (termo hindu que designa nossa natureza autêntica, essa condição singular e única que nos faz ser quem somos), as perdas aparentes serão, na verdade, ganhos. O dharma não muda. A necessidade de mudança e de dizer adeus a pessoas e situações indica o quanto estamos nos afastando ou nos aproximando dele, diz Carlos Eduardo Barbosa, estudioso da Índia e professor de sânscrito em São Paulo. Assim, quanto mais sintonia houver entre seu cotidiano e seu dharma, menos despedidas existirão. Uma pessoa que age em coerência com seu chamado interior não precisa dizer adeus, diz. Ela já vive a própria escolha, sempre. A vida dá umas puxadinhas aqui e ali para que voltemos ao nosso caminho.


A propósito, despeço-me aqui, leitor. Preciso arrumar as malas, colar o que resta de mim, fechar minha casa, embalar minhas coisas. Espero que sua trajetória seja permeada por belos momentos de despedida. Adeus!


Fontes: Regina Nanô, Fernanda Cecon,Dulce Critelli, Francisco Leopoldo e Silva,Ingrid Esslinger, Arnold Bassoli e Wagner Canalonga.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Poesia pequenina - Alexandre Lucas

Vem como menina
Com versos nos lábios
E calafrios na alma
Vem rimando com o olhar
Tropeçando nas palavras
Deixando o sorriso cair
Rodopiando em dança de cisne
Vem fraterna, vem cúmplice
Sem as cobranças de um cativeiro.

Alexandre Lucas

Pe Gomes e o Rio de la Plata - Por Everardo Norões


Padre Antonio Gomes de Araújo. Meu professor e um dos maiores historiadores do Ceará, da escola de Capistrano de Abreu. Batina negra, com larga faixa a esconder um 38 duplo, segundo as más línguas. Temido – não só dos alunos – , um dia, em plena aula, caiu da cadeira. Ninguém ousou mexer-se. De súbito, levanta-se, aponta o indicador e sentencia:
-Agora, podem rir!
Numa de suas aulas, a temível inquirição, feita sempre de surpresa.
- Quem foi o descobridor do Rio da Prata?
Apesar de bom aluno de sua matéria, não sabia responder.
De pronto, um colega sopra:
-Juan Diaz Solis!
Salvei-me e nunca mais esqueci Juan Diaz Solis.
Às margens de Colonia del Sacramento, Uruguai, relembro o episódio.
E saboreio as Crônicas del Rio de La Plata, seleção e prólogo de Horacio Jorge Becco, publicadas pela Ayacucho, excelente biblioteca on line do governo bolivariano da Venezuela. E ali está o relato de Francisco Lopez de Gomara (1511-1560), “cronista da Índias”, que nunca esteve por estes lados, mas ouviu de outros os relatos que escreveu, entre os quais “o da empresa de conquista do Rio da Prata, em que o navegante Juan Diaz Solis encontrara uma terrível morte nas mãos dos índios no ano 1516”...

por Everardo Norões

Areia - Manoel Ricardo Lima


areia
Manoel Ricardo de Lima

a água dorme no fundo
da casa. mas tudo dorme
no fundo da casa. se uma
esfera de papéis
avulsos, o grampo do fundo
da esfera desfeito

o exílio encostado ao lado
da janela, uma ou
duas árvores. alguém conversa
o tempo inteiro e fala alto
sobre desertos sem
qualidade -
uma linha muda, um vinco
no chão


Do livro quando todos os acidentes acontecem (Rio de Janeiro, 7Letras, 2009).

Estrela Guia - por Edilma Rocha




Fui um dia entre sonhos
e promessas em vão,
Estrela guia.
Alcancei os ceus numa nave
e me deixei levar pela ilusão

Flutuei por entre nuvens
e promessas de amor.
Acreditei no sol que cobria
minha dor

Mergulhei na escuridão
Sem saber do tempo
Calei -me aos novos sentimentos
Que nasceram de mim e brotaram
ao vento...

Fui e voltei aos lugares
que podia sobrevoar
E quando me dei conta
só historias a contar.

Se era feliz, não sabia
Pois molhei o rosto com
as águas do amanhecer
E ao despertar do dia
não sabia mais viver.

Caminho sem rumo
paraquedas perdido
Caindo na realidade
de um sonho vivido

Dedico estes versos a Claude

Edilma Rocha

Ramo Lá !


Auto-explicativas ?- Colaboração de Caio Bonates











Cantor e compositor Eduardo Júnior no programa Cariri Encantando


O programa Cariri Encantado desta sexta, 30, será com o cantor, compositor e radialista cratense Eduardo Júnior.

Eduardo Júnior tem discos gravados, com obra autoral, e realiza constantes shows acompanhado do grupo Os Filhos do Crato. A matéria-prima utilizada pelo compositor são os autênticos ritmos do Nordeste brasileiro, como o forró pé-de-serra.

No programa de amanhã, veiculado pela Rádio Educadora AM 1020, das 14 às 15 horas, Eduardo Júnior falará sobre seu trabalho artístico e de comunicador de rádio, além de comentar as músicas de sua autoria que serão tocadas.

A apresentação do programa é de Luiz Carlos Salatiel e Carlos Rafael Dias. Apoio do CCBNB Cariri.

Meu nome é Dora (no espelho do tempo )- Por Socorro Moreira



Alguns me perguntam nas entrelinhas: por que você separou-se do marido, nos idos de 1975? Respondo sempre, com objetiva naturalidade: gente, porque eu queria namorar todas as pessoas amáveis, e mulher casada só pode ter olhos para o seu marido( ainda hoje, penso isso).
Namorar não significa fazer sexo... Se bem que, também significa!
Namorar é andar de mãos dadas, ficar horas penduradas no telefone, rindo e falando bobagens. Ir ao cinema, dançar de rosto colado, trocar poemas, bilhetes, fazer coisas, em parceria... Enfim!
Namorar é pensar que está namorando, e pronto! Mesmo que o namoro seja irreal, unilateral... Mesmo que seja indefinido: Romance ou amizade?
-Tanto faz!
Por essas pequenas emoções, de certa forma, existencialmente vitais, corri riscos, paguei vultosos preços... Tudo por um par de asas, que me levassem, aonde moram os meus desejos.
Descontando a minha insensatez juvenil, simplesmente, peguei o beco da vida!
Igual a todos os que não ousaram;
igual àqueles que nunca precisaram sair do caminho do meio;
igual àqueles enfileirados e disciplinados!
Fui triste, fui só, e fui estúpida ,e maravilhosamente feliz!
Recife, primeira estação. Lá, busquei o Cais de Santa Rita. Não como o buscam as doidivanas, mas, como o buscam as santas, e ligeiramente profanas. Santos sonhos, com gosto de todas as culpas!
Fiz dois anos de terapia pra soltar meu primeiro “pôrra”!
Depois foi ficando pô, até ficar, só no “p” da vida.
Dois anos de terapia pra ficar bem com aquilo que sou, e como vou ficando... Consegui!
Agora, como pecadora remida, uso créditos, solto meus pós de artifícios. Salpico afetos pelo reino da memória, e o subproduto, eu reciclo! Posto aqui, nesta rádio imaginária, que às vezes, se chama Blog!
Com margaridas e girassóis nos cabelos, talos de lírios na boca, eu revivo, em boas companhias, minhas incursões e excursões amorosas.
Eu tenho uma prima que conhece os meus “causos”... (Combinamos um dia, que ela os publicaria, depois da minha morte. Por via das dúvidas, resolvi antecipar o ato, e não a sorte!)
Os bem sucedidos, os engraçados, e os “sórdidos”, vou postá-los na seqüência. Será meu café presente, com aromas do passado.
Estou em 1975. Quem quiser fazer regressão no tempo... É bem-vindo!
Estou no auge da minha performance feminina.
Meu nome é Dora!


Socorro Moreira
Ofereço esse texto a minha prima amiga Maryfran, que acompanhou toda minha trajétória de vida. Agradeço-lhe pela compreensão e afeto, sempre em doação !

Garimpando versos e prosas- Foto Desafio !!!


Foto do dia - A lembrança querida de Seu Ramiro Maia e sua filha Ismênia.

Quisera essa doçura e sabedoria, nos últimos dias da minha vida.

Onéssimo Gomes - Por Norma Hauer


Foi no dia 28 de outubro de 1914 que ele nasceu. Seu nome: ONÉSSIMO GOMES,

Ele foi um grande seresteiro, embora não tenha muitos registros de sua voz nas poucas gravações autênticas que deixou.

Trabalhou muito tempo na administração da Rádio Mayrink Veiga apesar de ser um grande intérprete de serestas. E isso atrapalhou sua carreira de cantor.
Na Mayrink ele era quase tudo,de administrador a contra-regra.

Começou a chamar atenção como seresteiro ao gravar composições de Orestes Barbosa e Sílvio Caldas, antes lançadas em discos pelo próprio Sílvio. Mas Onéssimo tinha um timbre diferente e um modo próprio de interpretar, fato que mostrou em duas músicas que podem ser citadas como as que marcaram sua carreira: "Brinquedo do Destino", de Herivelto Martins e Aldo Cabral e "Violão", de Vitório Júnior e Wilson Ferreira, ambas gravadas ainda em 78 rotações.
Já na fase dos LPs tornou a gravar essas melodias em um LP de nome "Serestas do Brasil", onde também incluiu "Noite Cheia de Estrelas", "Mimi" , "Serenata"...

Foi Onéssimo Gomes quem "descobriu" Jamelão, o grande cantor da Mangueira e o
levou para gravar, o que na época não era fácil os sambistas conseguirem, principalmente de Escolas de amba.

Onéssimo Gomes faleceu em 13 de setembro de 1999, aos 85 anos
Norma Hauer

Doidas e Santas - Martha Medeiros

Toda mulher é doida. Impossível não ser. A gente nasce com um dispositivo interno que nos informa desde cedo que, sem amor, a vida não vale a pena ser vivida, e dá-lhe usar o nosso poder de sedução para encontrar the big one, aquele que será inteligente, másculo, se importará com nossos sentimentos e não nos deixará na mão jamais. Uma tarefa que dá prá ocupar uma vida, não é mesmo?

Mas, além disso, temos que ser independentes, bonitas, ter filhos e fingir de vez em quando que somos santas, ajuizadas, responsáveis, e que nunca, mas nunca, pensaremos em jogar tudo pro alto e embarcar num navio pirata comandado pelo Johnny Depp, ou então virar loura e cafetina, ou sei lá, diga aí uma fantasia secreta, sua imaginação deve ser melhor que a minha.

Eu só conheço mulher louca. Pense em qualquer uma que você conhece e me diga se ela não tem ao menos três dessas qualificações: exagerada, dramática, verborrágica, maníaca, fantasiosa, apaixonada, delirante. Pois então. Também é louca. E fascina a todos.

Nossa insanidade tem nome: chama-se Vontade de Viver até a Última Gota.

Só as cansadas é que se recusam a levantar da cadeira para ver quem está chamando lá fora. E santa, fica combinado, não existe. Uma mulher que só reze, que tenha desistido dos prazeres da inquietude, que não deseje mais nada? Você vai concordar comigo: só se for louca de pedra.

Paroles, paroles ...

COMPOSITORES DO BRASIL




LUIZ MELODIA

Por Zé Nilton


Luiz Carlos dos Santos, carioca, nascido no morro, viveu nas quebradas de São Carlos, por onde só anda quem conhece. Do pai herdou o apelido e um destino: ser compositor, cantor e malandro que no lugar da teoria tem cicatrizes profundas, feitas de vida. Que não admite o samba domado, nem escola estilizada.

Cresceu bebendo a pura música jorrada das fontes perenes que nascem das entranhas do Morro de São Carlos e do bairro do Estácio. Não quis saber de leituras formais nem do trabalho alienante. Preferiu ser desde cedo o que ele alcunhou de “musiquim”, talvez uma mistura de música com botequim. Aproveitou bem o tempo da felicidade musical em que todos os ritmos e todas as tendências eram postas à disposição para o deleite de todos. Ouviu The Beatles, The Sheik, The Foudation, Renato e seus Bleu Caps, Roberto Carlos, Jorge Bem, Noel Rosa, Ismael Silva e a nata dos chorões da época.

Com sua voz profunda, por vezes estrangulada, dizendo frases cortantes, Luiz Melodia é dono de uma música cuja densidade recobre a influência natural, saída do rádio e das quebradas. Um compositor que desconhece teorias – chegou a ser reprovado num primeiro exame da Ordem dos Músicos e considerado por ela sem condições de tocar e cantar . Um trovador da boêmia carioca.

Descobertro pelo poeta Walli Sailormoon, que logo se encantou com sua música My Black, que de imediato sugeriu a mudança do título para “Pérola Negra”, nome de um homossexual do morro, Melodia só fez crescer no cenário da Música Popular Brasileira.

Compositor intuitivo, sua obra inicialmente causou polêmica entre a crítica especializada. Mas para ele nunca houve meias medidas. Nunca deu bolas ou fez questão de ser amado ou odiado. Seu jeito é único, seu estilo é único e sua música reflete todas as influências. Vem da longa tradição dos violões de morro e explode no som eletrizado.

Luiz Melodia será o nosso homenageado no COMPOSITORES DO BRASIL de hoje. Um programa cultural que procura dignificar os grandes mestres da MPB de todos os tempos, sem apologia ao que seria as músicas do passado, mas ao que representam para o fortalecimento de nossa identidade hoje.

Vamos falar e tocar algumas de suas composições, como:

Passarinho viu, de LM, com Luiz Melodia
Pra quê, de LM, com Luiz Melodia
Jeito danado, de LM, com Luiz Melodia
Vale quanto pesa, de LM, com Luiz Melodia
Farrapo Humano, de LM, com Jads Macalé
Ébano, de LM, com Luiz Melodia
Estácio - Holy - Estácio, de LM, com Maria Betânia
Magrelinha, de LM, com Luiz Melodia
Congênito, de LM, com Luiz Melodia
Pérola negra, de LM, com Gal Costa
Presente cotidiano, de LM, com Luiz Melodia
Dores de Amores, de LM, com Luiz Melodia e Zezé Motta
Juventude Transviada, de LM, com Luiz Melodia

Quem ouvir, verá !

Informações:
Programa Compositores do Brasil
Sempre às quintas-feiras, às 14 horas
Rádio Educadora do Cariri – 1020 kz.
Apoio: CCBN.

Um sinal - Por Claude Bloc



Quando fores à minha terra
Deixa-me um sinal
quando quiseres.
Uma pedra, uma estrela uma palavra
um cheiro de jasmim , a primavera

Quando voltares
Conta-me rápido tua história
Fala-me sempre a conta exata
Conta-me tudo, num momento,
Cala teu sentimento...

Sei que retornas, conheço o tempo
Mas não me escondas teu destino
Que o caminho acharei a qualquer custo
Enxovalhado de saudade
E do meu pranto.

Será um tempo pressentido
entre o vácuo e o contorno dessa serra
Varrendo o mar, molhando o vento
abrindo velas do meu barco
em silêncio
no inevitável
porto da espera.

Texto e imagem por Claude Bloc

Teias

Ludmilla, mal havia pulado dos bancos da faculdade de psicologia, arranjara aquele emprego. Lá se encontrava por mais de cinco anos. O salário não representava muito, mas carregava aquele glamour do primeiro trabalho . Por outro lado, se tratava de uma pequena fábrica de confecções, cabia-lhe a assistência psicológica a umas cento e vinte almas. Nada além do cardápio trivial de qualquer empresa : stress, problemas de relacionamento doméstico, conflitos de colegas em serviço. Comprovara, rapidamente , a máxima : de louco todos temos lá a nossa cotinha. A maior parte das vezes, a simples conversa já aliviava os funcionários de suas tensões. Ludmilla, trabalhando tão próximo a tecelões , aos poucos percebeu que a vida tem lá suas similaridades com aquela nobre arte. Também, nós, vamos tecendo uma imensa rede de contatos e relacionamentos. O desenho final do bordado depende da habilidade de cada um. Muitas vezes terminamos por criar teias em que nós próprios nos enredamos e terminamos fisgados pelas armadilhas que nós mesmos preparamos.
Naquele dia, já de tardizinha, procurou o consultório um mecânico especialista na manutenção de máquinas de costura. Alto, meio desengonçado, desconfiado como cachorro em noite junina. Chamava-se Elesbão. Contou então o motivo da sua visita . Estava casado há 15 quinze anos com uma mulher muito legal, mas valente e ciumenta como galinha de pinto novo. Não tinham filhos. O problema é que há uns três anos mantinha um colete com uma outra moça bem mais nova e que conhecera ali mesmo na fábrica. Vivia , agora, assaltado pelo terrível fantasma da culpa e do medo. A cada dia o cerco parecia ir se fechando e temia o desfecho que poderia resultar em morte ou capação. Ludmilla tentou orientá-lo pelos dois caminhos possíveis: antecipar-se e contar tudo à patroa, assumindo as conseqüências ou encerrar o namoro com a amante. Elesbão prometeu pensar e decidir. Desapareceu, como por encanto.
Uns três meses depois ele retorna ao consultório ainda mais sobressaltado. Contou à doutora que ainda não tinha tomado uma decisão, mas que mesmo assim a coisa havia piorado muito. Ludmilla perguntou se a esposa havia descoberto a tramóia. Elesbão respondeu que era bem pior : a amante estava grávida. A psicóloga então se sobressaltou: agora a porca havia torcido o rabo e apartado. Juntava-se à traição, a terrível frustração da esposa estéril ter sido substituído por outra fecunda e , pior, bem mais nova. Ela, então, informou que agora só existia uma vereda a ser trilhada: contar à esposa. Elesbão ainda resmungou , contrargumentou, mas terminou se convencendo da terrível sinuca de bico. Deixou o consultório como quem caminha para o cadafalso.
Dias depois, no natal da fábrica, a nossa psicóloga topou com o nosso mecânico e a esposa na solenidade. Ele já havia espantado o anjo da guarda e sua corte. Melado, apresentou a patroa à doutora e explicou, com voz meio pastosa:
– Doutora, seguí suas orientações, contei tudo a ela e fui perdoado. A senhora salvou nosso casamento!
Ludmilla pareceu feliz e os cumprimentou , mas sua sensibilidade feminina leu nos olhos da esposa, ainda um certo travo, uma raiva contida com dificuldade. Percebeu que a bomba ainda não tinha sido desarmada: apenas tinham aumentado um pouco o tamanho do estopim. Passaram-se alguns meses e, de repente, Elesbão retorna ao consultório, com ar de preocupação. Informa à psicóloga que a coisa voltou a complicar e solta a bomba: resolvera casar com a amante. Fora pressionado, o menino nascera e não queriam deixar o inocente como mais um “filho de guaimum”. A doutora se sobressaltou: “Tá doido, rapaz! Agora você cometeu um crime! Bigamia dá cadeia, entendeu?” Elesbão, no entanto, esclareceu mais uma vez a questão. Vivia maritalmente com a esposa oficial há quinze anos, mas não era casado oficialmente com ela. Ludmilla, então, saltou dos seus tamancos e lembrou a ele que agora a coisa havia tomado dimensões muito mais perigosas. Quando a esposa constatasse que a quenga agora era ela e não a amante, o circo seria incinerado sem deixar vestígios. Elesbão saiu da psicoterapia com ar de rato que foge da perseguição do bichano.
Passados uns três meses, lá volta nosso mecânico ao consultório. Conta que a doutora tinha razão, a esposa descobrira sua nova e desconfortável condição e armara um barraco terrível. Ele, então, havia resolvido tudo: deu entrada na separação judicial da amante, mas claro, continuava ainda com ela, até por conta da criança que não tinha culpa de nada. Um ano depois, adentra novamente no consultório e informa que havia se divorciado da amante, por fim e casado com a esposa oficial: “passamos o papel!” A psicóloga acreditou que , finalmente, tudo chegara a um bom termo. Lembrou que ela também havia se separado recentemente, que as coisas eram assim, casamento tinha prazo de validade, como qualquer outro produto perecível e desejou felicidades mil ao novo/velho casal.
Ludmilla ficou atônita quando uns cinco meses depois topou novamente com Elesbão na fila do consultório. Que poderia agora ter acontecido? Chegada a sua vez, ele relatou os últimos fatos. A coisa tinha piorado de novo. A amante tinha até suportado a separação, mas quando soube do casamento com a esposa, rodou a baiana. Voltara a ser novamente a outra, a rapariga de Elesbão. Acabou o relacionamento. E, pior, arranjou um outro marido, um refil. O mecânico estão ficou triste pelos cantos, capiongo, perdera a graça de viver. Não só por perder a amante de tantos anos, mas pelo afastamento do filho com quem já havia se afeiçoado. O clima em casa começou a ficar mais turbulento e não deu outra: resolvera se separar da esposa, tinham apartado os trapos! Ludmilla não conseguira mais entender a intrincada teia de fios tecida por Elesbão:
--- O senhor parece uma aranha doida! Criou um labirinto tão inlinhado que terminou perdido no meio dele! Sinceramente, eu não vejo saída não! Agora , é dar a volta por cima, por as coisas nos seus devidos lugares e tentar rearrumar a vida, enquanto é tempo!
Elesbão fitou a doutora com aqueles olhos pidões de cachorro em churrascaria. Puxou, então, o primeiro fio da nova teia:
--- Doutora, se mal pregunto, já que a senhora também está desimpedida, não estaria a fim de um relacionamento estável e sincero?

J. Flávio Vieira

Pensamento para o Dia 29/10/2009


“Um devoto e investigador sincero não pode ter qualquer interesse pelos prazeres mundanos e paixões. Esses desejos inferiores devem ser abandonados, já que eles estão na raiz de toda a miséria. O que é exatamente é a liberação (Moksha)? Ela é a paz imperturbável (Shanti), obtida através do esforço espiritual (Sadhana) para a limpeza do coração (Chittha Shuddhi). Ela é a negação das impressões que se obtém através dos sentidos.”
Sathya Sai Baba
“Você precisa desenvolver valores humanos. Sem eles, você é humano apenas na forma. O homem está preenchido com sentimentos como raiva, desejo, cobiça, inveja etc., que são características animais. A raiva é a natureza de um cachorro. A mente instável é a qualidade de um macaco. Você não é um cachorro e tampouco um macaco. Quando tiver um ataque de raiva, lembre-se de que você não é um cachorro e, então, sua raiva diminuirá. Atualmente, várias características animais estão desenfreadas nos seres humanos. Nós necessitamos cultivar as qualidades humanas da compaixão, da verdade, da paciência, da empatia etc.”
Sathya Sai Baba

“O estado atual dos acontecimentos é devido à perda de fé dos homens em si mesmos e nas Escrituras (Shastras). Mesmo aqueles que declaram ter fé não se guiam conforme as Escrituras. Conseqüentemente, as virtudes e a bondade diminuíram no mundo e a maldade conseguiu uma posição de controle. Para que o cenário atual seja transformado e o mundo desfrute de paz e segurança, todos devem cultivar a fé nas Escrituras e praticar as determinações nelas propostas.”
Sathya Sai Baba

Da infância à adolescência - Por Glória Pinheiro

Vizinha à esquina, a penúltima casa do primeiro quarteirão da rua Leandro Bezerra, havia uma casa até onde meus olhos alcançam, era uma casa com muitas portas ao invés de uma porta com uma ou mais janelas...
Naquela casa moravam o Sr. José Conrado, a esposa Lindalva e os filhos que estavam chegando, inclusive um que atualmente é presidente da AFAC - Associação dos Filhos e Amigos do Crato, nosso amigo Wilton Dedê.
Na mesma rua do lado oposto, moravam os franceses. Até meus 7 anos de idade incompletos, sabia da existência dos franceses por um motivo muito especial, quando Dona Janine passava em frente da nossa casa dirigindo uma monareta. Naquele momento sempre havia um garoto maior e atento que falava: "- Olhem, lá vem a francesa!" Interrompíamos nossas brincadeiras e todos corriam para observar a motociclista. Para nós crianças uma novidade aquele transporte e uma mulher conduzindo-o, melhor ainda!
Pois bem, o Sr. José Conrado foi Pracinha na II Guerra Mundial, tendo ido à Itália pela FEB - Força Expedicionária Brasileira. Por isso ele, Sr. Hubert e Dona Janine eram bastante amigos. Por volta de 1959, as duas famílias se mudaram para a Rua Dr. Irineu Pinheiro, minha família chegou poucos meses antes deles. Não sei se por coincidência ou pela amizade que tinham, assim que os franceses chegaram, em seguida chegou a família do Sr. José Conrado. Os três tinham algo em comum participaram efetivamente da Segunda Grande Guerra.
O Sr José Conrado tinha um filho do primeiro matrimônio, era órfão de mãe, foi criado pela avó costumava aparecer por lá de vez em quando. Do segundo casamento, eram quatro ou cinco filhos, a mais velha de nome Josélia, Dadim, Wilton Dedê, seguidos de uma ou duas irmãs mais novas.
Continuando, houve uma época em que Dominique e eu costumávamos ir quase todas as tardes ler as revistas Capricho e outras do gênero, na casa de Lindalva. Ela possuia uma pilha de quase um metro de altura daquelas revistas de fotonovelas expostas em sua sala de visitas. Sentávamos lá e Dominique parecia que fazia leitura dinâmica de tão rápido que lia. Enquanto eu lia uma revista ela lia duas ou três! Talvez porque eu me prendia as fotos...
Lindalva costumava sair de casa e apesar das crianças o silêncio reinava, pareciam crianças tranquilas. Mas quando retornava Lindalva quase sempre aplicava uma surra nos filhos. Sempre aparecia um motivo, uma vez escutei ela perguntar: "Quem comeu os biscoitos?!?" No outro dia: "Quem comeu deste bolo?!?!" E castigava as crianças, era severa não admitia que os filhos comessem fora da hora pré-estabelecida por ela. Dominique e eu só escutava a gritaria das crianças e o barulho das repreensões e chineladas que vinham lá da cozinha. De certa forma isto me tirava o embalo na leitura pois aquelas revistas profanas eram determinantemente proibidas por meu pai.
Algumas vezes pedia emprestada uma ou duas revistas para ler em casa escondida no meu quarto. Toda vez que escutava os passos de papai, assustada, escondia a revista debaixo do travesseiro. Essa fase de curiosidade para saber dos dramalhões fotográficos ou "coisas do amor" foi por volta de meus 13 a 14 anos de idade. Durou pouco, porque passei a ser mais seletiva lendo as crônicas e poemas de Vinicius de Moraes.
Por Gloria Pinheiro

Simples assim - Por Claude Bloc

O sentimento transpira
Pelas janelas do dia
Pelos calores da tarde
Noites quentes, noites frias.

Noites frias ao relento
Olhos presos no luar
Ruas quietas modorrentas
Suspiros de bem-amar.

Noites quentes, sem sossego
Brilhantes soltos no céu
Estrelas a reluzir
Como o brilho nesses olhos
Que fingem o que já sei
Não preciso de respostas
Pois sempre serás, serei.


Texto e foto por Claude Bloc

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Feliz aniversário, Poeta !


Não sei quantos anos ,
nem quero sabê-los
Poeta não envelhece
... versa !
Um brinde à vida
Um brinde à poesia
Correndo feito sangue
na veia poética.
Não sei quantas taças
Não sei quantas doses
Vinhos são goles
que a língua entorta
e transforma em versos.
Barata de chocolate
Gosto de festa
Um susto especial
Poesia (na) cara,melo.


Cariricaturas em festa : Aniversário do nosso poeta Domingos Barroso !


Nosso carinhoso abraço.

Me vendo por um verso para o sol.

Eu sei que sobrevivo, a estes corações urbanos

Ao brilho, deste mundo de vidro.

Eu sobrevivo, mesmo atingido

Por amores corrompidos

Por ilusões, compradas para sanar feridas

Por não poder mais sonhar,

Por não saber andar mais sem a brida.

Eu sobrevivo, a sordidez destes sorridos de prata

Ao fútil tido como meta a ser seguida.

Eu escapo, mesmo encurralado na pista,

Eu corro no asfalto, eu salto num vôo

Mas escapo deste teu modo de vida

Deste teu modo de brida

Para andar sem pressa,

Nessa única vida, que é a que me restou.

Sobrevivo, como um rebelde sem preço

Pois para me comprar...eu quero um verso sobre o sol

Um versollll, só para te lembrar...

Para você saber quem eu sou!

Foto: Gregória Correia

Reencontro

Voltaram as muriçocas.
Sobretudo às seis horas.

Momento em que alma levita.
O corpo tomba.

E uma dor comum
em mim mesmo
é tragada.

Queridas muriçocas
digam aos meus ouvidos
por onde viveram longe do meu sangue.

Sentia saudades daquele tempo
em que seus violinos agudos
trespassavam minha carne.

Voltaram.
Minhas adoráveis muriçocas.

Não percam tempo -
Meu sangue continua doce,
creio.

Vinho - Bebida Sagrada


"O vinho é composto de humor líquido e luz."
(Galileu Galilei)


"Roma e Grécia festejavam os Deuses Baco e Dionísio (filho de Zeus, onde ele era a parreira e o seu sangue o vinho!)
Para começar vamos falar como é feito o vinho. A fabricação é simples. Após as uvas terem sido espremidas, o levedo (pequeno organismo unicelular que existe naturalmente na vinha e, conseqüentemente, nas uvas) entra em contato com o açúcar do suco da uva e, gradualmente, converte esse açúcar em álcool. Quando o levedo conclui seu trabalho, o suco de uva vira vinho. Quanto mais maduras e doces forem as uvas, maior será o teor alcoólico no vinho. Todo este processo é chamado de fermentação. Após a fermentação, o vinho pode (ou não) ser deixado maturar.
Existem vários tipos de vinho: brancos, tintos, rosés, vinhos de sobremesa e vinhos espumantes. Variando conforme o processo.
Desde tempos mais remotos, povos egípcios, gregos e romanos, já usavam o vinho não só como bebida, como também de forma terapeutica.
Pesquisas médicas comprovaram que um bom vinho, tem evidentes propriedades nutricionais e de medicina preventiva. Ele combate as enfermidades cardiovasculares e colesterol, tem comprovada ação bactericida e antiviral, estimula o apetite, facilita a digestão e retarda o envelhecimento celular e orgânico, além de ter efeito diurético.
Entre as substâncias do vinho que possuem características benéficas, está o resveratrol. Tem atividade fungicida e anti-oxidante, encontrando-se em elevada concentração nas células da película da uva, por isso seu teor é maior nos vinho tintos.
Contém outras substâncias anti-oxidantes como as catequinas, epicatequinas, ácido gálico, malvidina, ácido caféico, miricetina, quercitina e ácido Sinápico.
O vinho tinto usado com moderação é um grande aliado da saúde. Recomenda-se o consumo de 1 taça por dia para a mulher e 2 para homens junto com a refeição, mas antes consulte seu médico ou nutricionista.

Sugestão de acompanhamentos:

Como aperitivo: Espumante, Prosecco, Vinho do Porto Branco Seco, Vinho Branco Seco

Na sobremesa: Vinho Branco Doce, Vinho do Porto, Vinho Moscatel, Espumante Doce

Peixes e Frutos do Mar: Espumante Brut, Vinho Branco Seco Frutado (para grelhados, molhos leves ou crus, como o sushi), Rose Seco (para molhos fortes), Tinto ou Branco (para Bacalhau), tinto, branco ou rose (para salmão, enchovas, atum e sardinhas)

Carnes Brancas: Espumante Brut, Branco seco ou Tinto (para grelhados e molhos leves), tinto (para molhos fortes), Tinto (carnes de caça), Tinto ou Branco seco (peru)

Carnes vermelhas: Tintos

Massas: Espumante Brut, Tinto ou Branco (molho branco ou leve), Espumante Brut, Tinto (molho vermelho ou condimentado)

Queijos: Branco ou Tinto (queijos de massa mole, mozzarela, brie, camambert, provolone), Tinto (Emmental, Gouda, Reino, Prato, Saint-Paulin, Pecorino, Parmezon), Tinto ou Branco Doce (Roquefort, Gorgonzola) - Espumante serve para todo tipo de queijo

Não combinam com vinho: preparações que levem azeite de dende, vinagre, limão e outras frutas ácidas "


* Eu digo que cada bebida tem sua "lombra" específica. A lombra do vinho destrava o sagrado. Destrava a língua da poesia e da filosofia... Basta uma taça !A cerveja destrava a alegria: futebol, piadas, casos engraçados; uisque destrava as lembranças , e provoca o coração( canto e danço); o café instiga a prosa e, se tomado sozinho , rememora nossa própria história.Mas , qualquer bebida pode nos deixar em transe ... Até suco de limão !Sou pouco ligada às bebidas, mas não sou abstêmia. Em ocasiões especiais, eu beberico , e entro na sintonia... E, se for pra divagar sobre a vida ( com ou sem vinho) , conte comigo !
Socorro Moreira