Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

ENVIE SUA FOTO E COLABORE COM O CARIRICATURAS



... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
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domingo, 25 de abril de 2010

O Pequi fugiu do prato - por José do Vale Pinheiro Feitosa

Liduina Belchior roeu um pequi a vista de todos e seus olhos não brilhavam como seria mais fácil de se dizer. Não, olhos que brilham se incendeiam pelo que vêm. Liduina não olhava para o fruto do Pequi. Ela o saboreava. São olhos que expressam outro sentido. O sabor tem um olhar encantado, apertado, como se as pálpebras quisessem a penumbra para que o ser se concentrasse noutra esfera da relação com o mundo. É um olhar diferente, pois o brilho traduz a chegada do evento aos olhos, enquanto o olhar de Liduina se encontra no prório processo do acontecimento. Quando o olhar brilha, ele adivinha, se antecipa ao que ocorrerá com a presença daquele momento. Já o olhar de Liduina, são janelas para inteireza entre a natureza específica do fruto do pequi e a boca em tudo que isso tem historicidade das franjas do Araripe, especialmente dos Cratenses.

Como bem diz Liduina: o pequi é tudo ou nada. Isso é importante, pois quem tem na raiz cultural uma fruta como essa, tem tudo para ser de uma radicalidade só comparada àquela que despacha como o fruto proibido do paraíso. Mesmo em seu profundo conservadorismo, o cratense o é, radicalmente conservador. Como radicalmente iconoclasta ou radical em suas raízes folcóricas.

E a coisa é tão interessante, pois no caso do Pequi do Ceará, ele só ocorre numa pequena mancha do território, ele é mais radical ainda. Pois é restrito, não é abrangente, acontece quase que apenas no consumo dos cratenses, não igualmente nas outras vizinhas cidades. Não se estranhe que a irmã siamesa Juazeiro do Norte, usasse o pejorativo piquizeiro para brincar com o outro lado. No cariri o consumo do pequi é uma ilha isolada no meio de um continente de cozinha sertaneja. Em Góias, ou em Montes Claro em Minas Gerais, o pequi é consumido por grandes faixas de municípios, faz parte da cultura geral.

Agora vem o vazio enorme. O Pequi fugiu do prato. O momento foi breve, me refiro a apenas dois restaurantes, mas significativos. Fui num restaurante quase artesanal, bem no alto, acima da nascente, lá pedi pequi e não tinha. Não faziam porque a clientela não gostava. O mais grave foi no Pau do Guarda, que aliás tenho um reparo a fazer. Lá não se faz mais pequi, os pratos não são pedidos ou serão devolvidos pelos frequeses, não se come mais o Pequi. O que aconteceu, até entendi, eles abrirão uma filial imensa em Juazeiro, a sua freguesia não é mais cratense. E os "cratenses" que lá estão ou são por demais shopping center ou não foram criados na cultura do cariri.

O reparo sobre o Pau do Guarda. Uma coisa é evolução e outra aculturação. A evolução acontece no evoluir das próprias bases, enquanto a aculturação se faz pela introjecção de uma base alienígena. O ideal é que os donos do estabelecimento, abrisse um com esta cara de Picanha que existe feito praga por todo o país, mas deixasse que a velha cozinha caririense continuasse seu evoluir, com seus elementos, com seus ingredientes e temperos. A este mantivesse a mesma denominação, ao outro lhe desse outro qualquer, ou um destas manjada Picanha do .....e completava com um nome qualquer.

Por último. De Fortaleza à Bahia, aliás especialmente na Bahia, os letreiros não dizem mais "Carne de Sol", mas Carne do Sol. O artigo definido me deu um sabor de carvão de carne.

Canto do Bosque

Saberei na hora
ao queimar seus olhos
com meu olhar de fogo

se ainda lhe gosto
se fico trêmulo
transpirando.

Tolice sonhar com o paraíso
antes de pisar sua calçada.

Saberei no momento
em que tocar sua campainha
(da sala vindo seu perfume)

se ainda me enlouquece
a sua presença
se ainda me deixa a língua
dormente.

MAIS OU MENOS ...........por Rosa Guerrera

A gente pode morar numa casa mais ou menos, numa rua mais ou menos, numa cidade mais ou menos, e até ter um governo mais ou menos.

A gente pode dormir numa cama mais ou menos, comer um feijão mais ou menos, ter um transporte mais ou menos, e até ser obrigado a acreditar mais ou menos no futuro.

A gente pode olhar em volta e sentir que tudo está mais ou menos...

TUDO BEM!

O que a gente não pode mesmo, nunca, de jeito nenhum...
é amar mais ou menos, sonhar mais ou menos, ser amigo mais ou menos, namorar mais ou menos, ter fé mais ou menos, e acreditar mais ou menos.

Senão a gente corre o risco de se tornar uma pessoa mais ou menos.”

(Chico Xavier)

Escolhi hoje essa mensagem de Chico Xavier ,por tudo de GRANDE que ela representa para nós PEQUENOS seres humanos,sempre tão ansiosos em alcançarmos a felicidade , e quando chegamos até ela , na maioria das vezes achamos QUE AINDA ESTÁ FALTANDO ALGUMA COISA !
É esse o risco que o sábio Chico falou ! Vivemos sempre sentados na insatisfação de sermos pessoas mais ou menos ! Nada parece nos completar !

Relato

Nunca acredites no poeta.
O voluptuoso poeta.

Disparidade contra
o mundo real das coisas.

Encanto.
Tremores.

Tudo abstrato.

Por mais cirúrgica
a mão do bardo.

Por mais concisos
os encaixes dos versos.

Não te enganes com o poeta.

O dissimulado ao forjar
fantasia em lágrimas

sabe que se trata
do mundo paralelo
e do risco de morte.

Chega-se o próprio senhor das palavras
a torcer o pescoço de angústia.

Isto é loucura.
Nunca confies no poeta.

O poema é imaculado.
Mas o poeta é uma fábula.

A inércia em agir lhe proporciona
um deleite incompreensível.

Senta-se ele (com sua bunda de metal)
sobre o pufe e inicia seus apelos.

Escárnios.
Devaneios.

E se julga o herdeiro da Verdade.
Loucura.

As cidades atuais - Emerson Monteiro

Nas suas origens, a cidade surgia como solução dos problemas de uma humanidade solitária, assuntada em face das intempéries naturais. Quando os seres humanos notaram que a ordem individual das pessoas precisava encontrar alternativas comuns para seus problemas, naquele momento decidiram abrir mão dos valores da paz pessoal em nome da formação dos aglomerados coletivos e seguros.
E agora, transcorridos milênios de experiências, o que vemos são essas cidades lotadas de interrogações quanto a um futuro melhor, onde os dramas de que as pessoas fugiram ao deixar a selva apresentam face talvez tão pavorosa quanto no início da grande aventura social.
Às portas das residências urbanas batem hoje demandas de tão difíceis respostas que agoniam o espírito moderno como garras afiadas a pescoços descobertos. Em velocidade estúpida, o crescimento desordenado das populações já invade áreas de risco inadequadas e inóspitas; a construção de moradias anda a passos lentos em relação ao número de habitantes; as distâncias impõem milhões de transportes que abarrotam vias de circulação e tornam lentos os percursos entre a casa e o trabalho; a sobrevivência reduz conceitos morais em níveis jamais suportados de perversão, ocasionando guerra de classes e desconfiança mútua entre as pessoas, num somatório desordenado de vícios e violência, na coletivização da insegurança e da promiscuidade, tudo levando de roldão o sonho dourado da paz às raias de pesadelos e desencantos avassaladores.
Diante disso, os caminhos da política, velha reserva das respostas negociadas na praça pública, tornam-se tortuosos e ineficazes para oferecer frutos doces de honestidade a que se propunham nos primórdios.
As cidades, em consequência disso, acordam, dia após dia, na longa fila de espera dos novos meios promissores, e a natureza humana apenas amargura pela vida o descumprindo de seu papel de aprimoramento em grupo na força da paciência e da esperança.
Sob este impacto de mais desafios do que de satisfação segue o barco da história, a repassar às outras gerações aquilo que caberia aos contemporâneos resolver com habilidade, concluímos a título de um diagnóstico antes das soluções urgentes necessárias.

Dias & Dias - Ana Miranda


"Estamos diante de um livro que não se consegue parar de ler", escreve José Mindlin na orelha deste romance de Ana Miranda. A história reúne três personagens centrais: Feliciana, uma jovem sonhadora e obstinada; o poeta romântico Antonio Gonçalves Dias, por quem ela nutre uma longa e intensa paixão, e o sabiá - não um sabiá específico, mas a espécie inteira, que na "Canção do exílio" simboliza a pátria distante.
A narrativa de Ana Miranda combina história e ficção para contar uma história sobre o amor, os costumes provincianos no interior do Brasil durante o século XIX, a descoberta da cultura indígena, a beleza da poesia e os mistérios da sensibilidade.
No romance, Feliciana toma conhecimento da vida íntima de Gonçalves Dias por meio das cartas enviadas pelo poeta a seu grande amigo Alexandre Teófilo de Carvalho Leal. Mostradas a Feliciana por Maria Luíza, esposa de Teófilo, as cartas registram muitas das questões existenciais do poeta. Feliciana descreve de forma emocionante a paixão que as cartas alimentam, e seu relato revela refinamentos da alma feminina. A trama tecida pela autora faz com que o leitor se identifique com Feliciana, uma mulher que desvenda o que sente por meio da escrita e da memória.
Os personagens menores - o pai de Feliciana, colecionador de sabiás; Adelino, um tímido professor apaixonado por Feliciana, e Natalícia, a doce e severa preceptora - conferem ao livro uma grande riqueza humana.
Antonio Gonçalves Dias (1823-1864) é o principal nome da poesia romântica brasileira. Além de "Canção do exílio", compôs os principais poemas da vertente indigenista do romantismo, entre eles "I-Juca-Pirama" e "Leito de folhas verdes". Com uma narrativa clara e simples, reproduzindo a linguagem do romantismo, Ana Miranda recorda mais uma vez a vida de um de nossos poetas - como fez também com Gregório de Matos em Boca do Inferno -, levando o leitor a uma viagem de encantamento lingüístico e conhecimento histórico. Dias & Dias recebeu o Jabuti na categoria romance, em 2003, e o premio da Academia Brasileira de Letras para romance brasileiro, no mesmo ano.



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Trecho do livro A volúpia da saudade

Logo que soube da chegada de Antonio no dia 3 de novembro, no Ville de Boulogne, viajei para São Luís e aqui estou, esperando no embarcadouro a chegada do velho brigue francês que partiu do Le Havre, e há dias e dias sinto o meu coração como um sabiá na gaiola com a porta aberta, tenho vontade de girar, girar até ficar tonta e cair no chão, como eu fazia quando era menina. Trago nas minhas mãos os versos que Antonio escreveu para meus olhos, quantos anos, mesmo, tínhamos? eu doze, e ele treze, pois isso se deu em 1836. A poesia fala em olhos verdes, e naquele momento, quando a li pela primeira vez, acreditei que fossem os meus olhos, mas meus olhos não chegam a ser verdes, têm mais a cor da folha quase seca da palmeira, ou talvez a cor da água da baía de São Marcos, uma água suja de lama e areia dos moventes baixios, revolvida pelas dimensões da lua, pelo percorrer incessante dos saveiros de pesca, esta água que agora vejo ao sol da manhã.

Revista Epoca, resenha de Paulo Roberto Pires, em 30 de setembro de 2002

Suflê de Milho Verde



Ingredientes

* 1 lata de milho verde escorrido
* 4 ovos (claras e gemas separadas)
* 1 colher (sopa) de manteiga
* Sal à gosto
* 50grs de queijo parmesão ralado
* 2 xícaras (chá) de leite
* 1 colher (sopa) de farinha de trigo
* 1 colher (sopa) de fermento em pó
* Margarina para untar
Modo de preparo

* No liquidificador, bata o milho, as gemas, a manteiga, sal, o parmesão, o leite e a farinha até homogeneizar.
* Transfira para uma tigela, acrescente as claras batidas em neve, o fermento e misture delicadamente.
* Coloque em um refratário de 20cm de diâmetro untado e leve ao forno médio, pré aquecido, por 35 minutos ou até assar e dourar levemente.
* Retire do forno e sirva em seguida.
Rendimento: 4 porções. Fonte Guia da Cozinha
A

Ella Fitzgerald



Página oficial www.EllaFitzgerald.com

Ella Jane Fitzgerald (Newport News, 25 de abril de 1917 — Beverly Hills, 15 de junho de 1996) foi uma cantora estadunidense de jazz.

Mestra nas improvisações, a tímida Ella Fitzgerald cantava como um músico. Sempre dividiu opiniões sobre ser ou não a maior cantora do Jazz, com a não menos brilhante Billie Holiday.

Os pais de Ella nunca se casaram. O Pai dela, William Fitzgerald, reconheceu a paternidade mas as deixou quando Ella fez 3 anos de idade. Então ela viveu com a mãe, Temperance (Temple), e o padrasto português, Joseph da Silva, que a maltratava.

Seus vizinhos riam quando ela dizia que um dia iriam vê-la nas manchetes dos jornais, que ela tinha certeza de que seria famosa. Ella sempre gostou de de cantar, ainda mais de dançar. Aos 13 anos ensaiava os passos e pedia às garotas mais velhas para ensinarem novos passos dos salões de dança do Harlem.

Foi na igreja que ela aprendeu os primeiros rudimentos musicais, da mesma forma que outros grandes cantores e cantoras norte-americanos do séc. XX. O rádio e o fonógrafo também foram veículos fundamentais para que ela pudesse desenvolver sua formação musical. Ella fez parte da primeira geração de crianças que, na década de 20, tiveram acesso livre à música por meio desses aparelhos sonoros. Sua mãe faleceu quando ela tinha somente 14 anos. Ela então largou a escola e foi mais tarde para um reformatório por vadiagem. Ficou pouco tempo até que fugiu e foi viver nas ruas de Nova Iorque cantando e dançando para ganhar gorjetas.

Em novembro de 1934 participou de um show de calouros no Apollo Theatre, no Harlem, e apesar de maltrapilha e nervosa, ganhou o primeiro prêmio que era a permissão de se apresentar no teatro duas semanas, mas o gerente não aceitou por considerá-la muito feia.

Cantava gratuitamente até que Chick Webb a levou para um teste com o bandleader, mas que não quis ouví-la por também considerá-la muito feia, mas por insistência de Webb acabou ouvindo e contratando-a.

Em 1938 gravou o primeiro sucesso com Webb, “A-Tisket a-Tasket”.

Aos dezenove anos já era considerada a primeira dama do jazz. Foi contratada pelo produtor e dono de gravadoras (Verve/Pablo) Norman Granz, integrando o grupo Jazz At The Philharmonic.

Fitzgerald gravou três discos clássicos ao lado de Louis Armstrong (Ella and Louis, Ella and Louis Again e Porgy and Bess).

Agostinho dos Santos




"Natural de São Paulo, foi crooner de orquestra, trabalhou nas rádios América e Nacional. Em 1955 foi para o Rio de Janeiro cantar com Ângela Maria e Sílvia Teles na Rádio Mairynk Veiga e gravou, no ano seguinte, o LP "Uma Voz e seus Sucessos", com músicas de Tom Jobim e Dolores Duran. Foi intérprete no filme "Orfeu do Carnaval", de Marcel Camus, com trilha sonora de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, que lhe rendeu dois grandes sucessos: "Manhã de Carnaval" (L. Bonfá/ Moraes) e "A Felicidade" (Jobim/ Moraes). Nos anos 50 e 60 ganhou prêmios e atuou como compositor, além de cantor. Participou do Festival de Bossa Nova no Carnegie Hall, em Nova York (1962) com o conjunto de Oscar Castro Neves. Teve uma rápida passagem pelo rock'n'roll nos anos 50, gravando "Até Logo, Jacaré", versão de Julio Nagib para "See You Later, Alligator", de Bill Halley & His Comets. Excursionou pela Europa e morreu num acidente aéreo em Paris."

Para Maryfran Oliveira

Samba erudito

(Paulo Vanzolini)

Andei sobre as águas
Como São Pedro
Como Santos Dumont
Fui aos ares sem medo
Fui ao fundo do mar
Como o velho Picard
Só pra me exibir
Só pra te impressionar

Fiz uma poesia
Como Olavo Bilac
Soltei filipeta
Pra ter dar um Cadillac
Mas você nem ligou
Para tanta proeza
Põe um preço tão alto
Na sua beleza

E então, como Churchill
Eu tentei outra vez
Você foi demais
Pra paciência do inglês
Aí, me curvei
Ante a força dos fatos
Lavei minhas mãos
Como Pôncio Pilatos

Andei sobre as águas (...)

Paulo Vanzolini



Paulo Emílio Vanzolini nascem em São Paulo SP em 25 de Abril de 1924. Filho de um engenheiro, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro RJ, quando tinha quatro anos. De volta a São Paulo em 1930, cursou o primário no Colégio Rio Branco e fez o ginásio numa escola publica, terminando o curso em 1938. Quatro anos depois entrou para a Faculdade de Medicina, passando a freqüentar as rodas boêmias de estudantes e a compor seus primeiros sambas. Saiu da casa dos pais em 1944 e começou a trabalhar com um primo, Henrique Lobo, na Rádio América (programa Consultório Sentimental, de Cacilda Becker), sendo logo depois convocado para o Exercito, o que o obrigou a interromper os estudos. Dois anos depois, retomou o curso de medicina, começou a dar aulas no Colégio Bandeirantes e foi trabalhar no Museu de Zoologia, da Universidade de São Paulo. Formou-se em 1947, casou no ano seguinte, e foi para os EUA, onde se doutorou em zoologia, na Universidade de Harvard.

Em São Paulo em 1951, compôs o samba Ronda, por essa época, e publicou um livro de versos, Lira. Convidado por Raul Duarte, passou a trabalhar na TV Record, de São Paulo, em 1953, produzindo os programas de Araci de Almeida. Ainda em 1953, Bola 7 fez a primeira gravação de Ronda, acompanhado por Garoto e Meneses, nas cordas, Mestre Chiquinho no acordeão e Abel na clarineta. Mais tarde, em 1959, ofereceu seu samba Volta por cima à cantora Inezita Barroso, que não quis gravá-lo. Por influencia de seu amigo José Henrique (violonista e dono da boate Zelão), voltou a mostrar o mesmo samba ao cantor Noite Ilustrada, que o lançou pela Philips em 1963, com grande sucesso. Nesse ano tornou-se diretor do Museu de Zoologia. Continuou acumulando composições inéditas, conhecidas apenas por restrito grupo de boêmios, principalmente os freqüentadores da boate Jogral, onde costumava cantar.

Em novembro de 1967, seus amigos Luís Carlos Paraná (dono da boate Jogral) e Marcus Pereira (então dono de uma agencia de publicidade) resolveram produzir um LP com músicas suas – 11 sambas e uma capoeira – interpretadas por vários cantores, entre os quais o próprio Paraná (Capoeira do Arnaldo), Chico Buarque (Praça Clóvis e Samba erudito) e Cristina (Chorava no meio da rua). No ano seguinte, com Toquinho, seu único parceiro, inscreveu a música Na boca da noite no II FIC, da TV Globo, vencendo a parte paulista do concurso. Com Toquinho compôs, ainda, Boba e Noite longa, ambas em 1969. Só teve, porém, novas músicas gravadas em 1974, ano em que Cristina lançou Cara limpa no seu primeiro LP, e Marcus Pereira, agora dono da gravadora de mesmo nome, editou um segundo LP – A música de Paulo Vanzolini – com músicas interpretadas por Carmen Costa e Paulo Marques, entre elas Mulher que não da samba, Falta de mim, Teima quem quer. Em 1997 foi homenageado, na USP, com show em que foi apresentada uma nova música sua, Quando eu for, eu vou sem pena.
Biografia: Enciclopédia da Música Brasileira Art Editora e PubliFolha

Pensamento para o Dia 25/04/2010


“Sua devoção por Deus deve ser contínua e ininterrupta como o fluxo de óleo de um recipiente para outro. Você deve ter observado que o jovem macaco se baseia em sua própria força para se proteger. Onde quer que sua mãe salte, ele tem de se agarrar rapidamente à barriga da mãe e não deve afrouxar seu abraço, mesmo quando separados. Igualmente, como um devoto, você deve passar pelo teste nas mãos do Senhor e abraçar o Nome do Senhor em todos os momentos e em todas as condições, incansavelmente, sem o menor traço de antipatia ou aversão, suportando ridicularização, críticas do mundo e superando os sentimentos de vergonha e derrota. A prática da devoção desse tipo é chamada Markatakishora Marga. Prahlada, grande devoto, filho do Senhor, praticou esse tipo de devoção.”
Sathya Sai Baba

Era uma vez uma feira - beatas e frutas - Por Xico Bizerra


Na rua da Igreja, beatas e feira. Feira de primeira. Toda segunda-feira. De verdura, cereais, mas principalmente, a colorida feira das frutas. Das jaboticabas roxinhas, limões verdes, pitangas vermelhas. Tamarindos marrons e azedos se juntavam a doces siriguelas amarelinhas para enfeitar a banca de Mané Gordão e a boca gulosa da meninada. Às vezes eram vistas acerolas cor de acerola e, quase nunca, carambolas, estas de uma cor sei-lá-que-cor. Os olhos brilhavam diante da aquarela de sabores, das goiabas e das maçãs, das mangas e dos cajus...
Onde estão as feiras? Onde se escondem as frutas? Onde brilham as cores? Hoje, aquela rua só tem as beatas. A feira mudou-se para o ar condicionado: lá, as frutas têm sabor acre e as cores se desbotam, se esvaem, lembrando do burburinho e com saudades da mão gorda de Mané a afagá-las.
Na hora de pagar o dinheiro é de plástico. Na fila do caixa, sem a zoada da feira, uma criança chupa chiclete. Do lado de fora, outra criança pede esmola. Alguém oferece uma laranja amarga.
Por Xico Bizerra


sábado, 24 de abril de 2010

receita

Todos os dias
leia poemas.

Mas, por favor,
não passe de três.

Escrever, pode escrever cem.
Ler somente três por dia.

A sua dose diária:
três poemas por dia.

Guarde o xarope.

Não há panaceia
contra rouquidão

senão ler três poemas
por dia.

No final do mês,
sua voz límpida.

Sem tosse,
sem engasgos.

Também notará sua alma
confusa e criativa.

Não esqueça:
três poemas por dia.

cirurgiã-dentista

Depois de amanhã
(segunda-feira
é um dia perfeito)
sentarei com a boca aberta
olhando a dentista toda de branco.

Pedirei a meio sorriso
(charme de roedor)
que me restaure os dentes
os dois dentes da frente.

Imagino a mesma
do semestre passado:

os olhos azuis
um riso vasto

jeans de marca
e bata (alvura do paraíso).

Dirá que o plano não cobre
mas haverá um ótimo desconto.

A dentista loira
um perfume lavanda

(clássico de bebês
e adolescentes)

logo me hipnotizará
com seu sorrisão

e uma pontinha de segredo
na covinha da face direita.

Não terei forças.
Não direi não.

Sentado naquela cadeira gigante.
A boca cheia de algodão.

Direi sim, doutora:

Deixe meus dentes da frente
(de esquilo) e as duas presas
(de vampiro) fortes e brilhantes.

Não tenho escolha.

Preciso pular varandas
adentrar em quartos

beijar nucas
e morder.

Morder nem que seja
o braço da cadeira
o pescoço da escrivaninha.

A doutora vai rir.
De fato, gargalhar.

A covinha quem sabe
despregue-se do seu rosto

dessa vez no meu colo
pouse.

Aquela covinha da face direita
que só as meninas ricas têm

e quando se tornam dentistas:
esbanjam.

Roer Ou Não Roer Pequi - Eis A Questão. Por Liduina Belchior.

Todos nós conhecemos aquele bordão:"Ame-o ou Deixe-o".Guardadas as devidas proporções, isto ocorre com o nosso famoso e ilustre Pequi. Para quem gosta o cheirinho dele no feijão, no baião, ou mesmo no arroz adentra nosso aparelho respiratório a léguas... Casas vizinhas juntinhas ou apartamentos quando as matriarcas o estão a cozinhar seu aroma é conhecido janela ou porta a dentro.Todos aguardam com ansiedade a hora de deglutí-lo. Às vezes tem até disputa prá ver quem vai roer mais caroços.Outros curtem apenas o gosto dele no arroz ou no baião.Não apreciam "atolá-lo" na boca e ter um prazer gustativo que se Freud fosse fazer algum comentário, diria que é um prazer sexual de comilança... Mas para quem NÃO gosta a história é bem diferente. Tudo é insuportável: o o cheiro, o sabor, e a própria visão de quem está comendo. O incômodo é grande: tem xingamentos, zoeira, afobamento, e retiradas radicais dos locais onde podem sentir seu odor (na opinião deles). Por esta razão, na minha opinião, cheguei a seguinte conclusão: ninguém gosta mais ou menos do nosso fruto "crateiro".Ou adora ou odeia. Mas eu como pequizeira convicta, quando tiver pequi em suas casas, me convidem que lá estarei. Já estou aguardando a próxima safra, lá para novembro. E vamos fundar a APA (associação dos pequizeiros anônimos).
Dedico esse texto a Nicodemus e a Corujinha Baiana.Abraços: Liduzeira.

O Livro do Cariricaturas



Um livro escrito por muitas mãos: uma coletânea com nossos escritores.

Detalhes :

. Release com fotografia de cada escritor ( 01 página)
• 4 textos por escritor (máximo de 7 páginas - fonte : garamond - altura : 12) - Temática livre ( crônicas, contos e poemas).
• Os textos serão escolhidos pelos próprios escritores;
• um contingente de 200,00 por escritor
• O pagamento poderá ser feito em 4 x 50,00 ( fev-mar-abr-maio)
. O livro será dedicado aos mestres de todos os tempos, representados por Dr. José Newton Alves de Sousa.
- A capa será a foto de Pachelly- essa que já caracteriza o Cariricaturas.
- O título é: "Cariricaturas em prosa e verso"
- Edição: Emerson Monteiro ( Editora de Sonhos - Crato-Ce)
- Dedicatória ( Assis Lima )
- Prefácio/ Apresentação ( José do Vale e Zé Flávio)

-Já estão confirmadas as seguintes adesões:

01. Claude Bloc *
02. Magali Figueirêdo *
03. Carlos Esmeraldo *
04. Maria Amélia de Castro *
05. Ana Cecília Bastos *
06. Assis Lima *
07. Corujinha Baiana *
08. Stela Siebra de Brito *
09. Wilton Dedê *
10. João Marni *
11. Rejane Gonçalves *
12. Rosa Guerrera *
13.Everardo Norões
14. Edilma Rocha *
15. Emerson Monteiro *
16. José Flávio Vieira *
17. João Nicodemos *
18. José do Vale Feitosa *
19. Liduina Vilar *
20. Carlos Rafael *
21. Armando Rafael *
22. Bernardo Melgaço *
2 3. Domingos Barroso *
24.. Roberto Jamacaru *
25.Dimas de Castro *
26.Joaquim Pinheiro *
27.Edmar Lima Cordeiro*
28.Olival Honor *
29.José Nilton Mariano*
30.Marcos Barreto *
31.Isabela Pinheiro *
32.José Newton Alves de Sousa *
33.Vera Barbosa . *
34. Rogério Silva *
35.Heládio Teles*/Socorro Moreira
36.Roberto Carvalho
37.Dihelson Mendonça *



Outras informações :
Tiragem : 1.000 exemplares
Distribuição entre autores : 20 para cada = 700 unidades
Saldo : será transformados em ingressos para cobrir as despesas da festa de lançamento : coquetel, convites, divulgação, banda,decoração, etc
300 x 20,00 = 6.000,00
Preço do livro por unidade : 20,00
A edição foi orçada em 6.500,00 ( já considerados todos os descontos possíveis).
Número de páginas : 250 ( aproximadamente).
O valor da contribuição por escritor ( 200,00) será depositado numa cta do Editor (Emerson Monteiro) a ser informada por e-mail. Em contrapartida será enviado respectivo recibo.
Atentar para as datas limite de pagamento : 05.05.2010

OBS: A maioria já fez depósitos de contribuição !
Prazo final : 5 de Maio de 2010
Festa de lançamento : 23 de Julho de 2010

Um poema de Everardo Norões

Poema VII


Restos de falas na mesa

e a náusea matinal.

O bule, a xícara, os copos.

A mão, submersa no sal,



da tarde, na planície,

tão clara, dessa mesa,

onde deslizam os repastos

da habitual tristeza



que cobre a toalha branca

de rendas. E essa fome,

bordada sobre a mesa

como as iniciais de um nome.



O jarro com flores e

as cinzas do outro dia,

fugindo aos arabescos

das rendas, tão frias,



como as coisas distantes

que nos aguardam à mesa:

o leite, o bule, o café,

o sono, a morte, a incerteza.


Em: Poemas. Recife: Fundação de Cultura Cidade do Recife, 1999. Prêmio Eugênio Coimbra (Conselho Municipal de Cultura), categoria Poesia, 1998.

Parabéns, Salatiel !

***
Uma homenagem singela
para um mestre
um momento singelo
de pura alegria
uma história singela
da arte na arte
e o artesão
tecendo a sinfonia do tempo
num sol maior.
***

Idade nova ?
Ele sempre ficará mais jovem !


Grande abraço !

A poesia incendiária de Lupeu Lacerda


SILVASSA · Salvador, BA


É pra ser uma resenha. De um dos livros mais geniais que li até agora. E não porque o escritor é meu irmão e chapa, parceiro de noitadas, biritas e similares. Dos bons tempos. A afirmação vem junto com a certeza de que os escritos que tenho comigo agora são verdadeiramente raros. Digo raros, pois entendo que, num mundo de escritores muito formais, ou de outros que se engajam em falsas vanguardas – um chute nos bagos em métrica e rima -, estes poemas funcionam como providenciais coquetéis Molotov.

Esse tipo de arte anda meio esquecida, já que cada vez mais os leitores preferem à prosa. Como se a velha matrona literatura jogasse pra escanteio a poesia furiosa, bela e inflamável.


Os textos que leio neste exato momento são aqueles que acordam os excessivamente metódicos. Em seus escritos e, por que não dizer, em suas vidas. Não que eu tenha nada contra os melancólicos de olhar tristonho e os filósofos de plantão – alguns donos de textos inspiradores. O que eu não tolero é o sujeito fingir que implode toda vez que escreve algo, enquanto não passa de um babaca enclausurado. Até ter a capacidade de diferenciar um do outro, vai um logo caminho. Mas a gente percebe a falsidade e a fraqueza explícita em cada ponto e vírgula depois que pega a manha.

Então, sendo isso aqui uma suposta resenha de um livro, sou obrigado a dar algumas informações didáticas e necessárias, antes de divagar um pouco.

Lupeu Lacerda, artesão e escritor, nasceu em Juazeiro do Norte. Passou bravamente – e com bêbado louvor– pelos anos setenta e de lá tirou suas melhores referências. Na verdade, longe das débeis cronologias, o escritor sacou que muita coisa hoje considerada eterna – Helter Skelter, dos Beatles; o disco Aqualung, Robert Crumb, Leminski, entre tantas outras ondas – surgiu naquela época. Tornando-se o seu lastro. Além de ser o tipo de cara que vislumbrava atrás de um muro, ou de qualquer vastidão seca, árida e meio desesperançada, um mundo de possibilidades, certamente o ar, a famosa resposta soprada pelo vento do Dylan, também deve ter feito lá seu estrago. E ele caiu fora. Viajou, montou bandas, tomou todas, escreveu pra caralho. Principalmente em fanzines, num momento em que isso implicava em datilografar os textos, recortar fotos e montar tudo com cola para, depois, tirar umas fotocópias.

Quando não era feito no jurássico e extinto mimeógrafo.

Seus textos foram “publicados” em diversos desses bravos redutos de literatura, tais como Séquiço Sacro e o Art Pop Zine, antológico zine que sacudiu a velha Juazeiro natal do sonolento João Gilberto. Viveu com a intensidade digna dos escritores que tanto admira – e esqueçam aqui o peso “clichê” da frase; se conhecerem um dia o cara verão do que falo: suas aventuras e viagens estão gravadas em seus olhos.

O livro Entre o Alho e o Sal - um petardo de 136 páginas, de qualidade gráfica indiscutível - começou a ganhar corpo no início da década de 90. Ao menos como projeto, algo que pudesse se transformar em livro. Foi nesse período que a coisa tomava um outro rumo para o poeta. Não em suas convicções, mas no mundo em si - ou alguém esqueceu que foi a partir de 1990, mais ou menos, que as nossas velhas crenças começaram a sumir com a chamada revolução tecnológica? O livro, assim como a tal revolução de bytes, teclados, chips e todo o resto, veio sem data pra terminar. Entre uma noite e outra, Lupeu enchia garrafas com gasolina e ácido sulfúrico, colocava um velho pano nos gargalos, acendia seu cigarro e esperava: ou seja, escrevia.

Na época ele já tava morando na terra natal do suposto gênio da Bossa Nova. Foi por aí que o conheci. A cidade não era mais tão sonolenta quanto seu filho desafinado e temperamental. Aqui e acolá, rolavam shows de bandas locais. Peças de teatro eram montadas no peito e na raça. Muita gente boa andava pelas estreitas ruas de pedra com Kerouac, Ginsberg, Henry Miller e Murilo Mendes debaixo do braço. Além de contar com um sebo, heroicamente comandado por Hélio, Dom Roncalli e Uberdan – nobres desconhecidos para vocês, mas fundamentais pra caras como eu. O sebo ficava numa sala pequena e acolhedora, em frente à igreja principal. E estava sempre lotado de clássicos da literatura mundial, livros Beat, quadrinhos verdadeiramente undergrounds e vinis raríssimos. Foi lá que eu vi, pela primeira vez em minha vida, um exemplar do Pasquim, da década de setenta.

Também foi ali que Ângelo Roncalli, amigo, autor do livro Orbitais e editor, teve o primeiro contato com o que seria Entre o Alho e o Sal. E gostou, batizando o tal com o título. Então, convertido numa espécie de Lawrence Ferlinghetti do São Francisco - não confundam com San Francisco -, começou a batalhar para que a obra pudesse ser publicada, muitos anos depois. Mas a falta de grana, recurso motriz de qualquer porra neste mundo confuso, jogou o projeto por água abaixo. Apesar do esforço eminente a coisa não vingou para o nosso Dom Roncalli.

Foi aí que outro cara, Sidney Rocha, amigo de longa data, sujeito nascido na Juazeiro inicial, a do Norte, topou a parada. E, “... se apaixonou pelo projeto”, como afirma o autor. Tomando pra si a iniciativa de publicar aquelas verdadeiras e ferventes sacações de mundo. E foi ele quem deu as caras e correu atrás – e deu a cara ao livro. O projeto gráfico, que contém alto relevo, ilustrações fabulosas de Leugim, colagens de Spirit, Crumb e etc – num merecido revival dos bons tempos dos zines – é algo que complementa o livro. Digo, sem risco de errar, que o editor e idealizador da Kabalah Editora tratou com todo o respeito à obra do cara. Coisa de parceiros.


***


É comum, quando alguém faz uma resenha, rolar aquele tipo de comparação fundamental com algum escritor antigo e de maior visibilidade. Geralmente, esses críticos de literatura fazem o que eles próprios chamam de “traçar um paralelo” entre o autor “x” e o “y” – na maioria dos casos o “y” é novato e tem sua obra diminuída pela comparação malfadada. E, na concepção inicial deste texto, enquanto organizava mentalmente as idéias, não foi diferente. Tive a pretensão vaga, que logo virou fumaça, de compará-lo ao Waly Salomão e Leminski. Ou até mesmo ao Gregory Corso. O que para Lupeu, creio, seria motivo de orgulho. Porém, tanto eu quanto o Roncalli e o próprio Sidney, que escrevem no livro, não caímos nesse expediente; um puta esparro. Por compreendermos tanto o livro. E por sabermos que as condições, contexto, história, vida, vontades subentendidas e escancaradas, biritas, fodas, madrugadas heróicas e outras coisas mais que fizeram surgir os poemas, foram tão diferentes e únicas, resolvemos impor nossa vontade. Colocamos Entre o Alho e o Sal ao “lado” dos grandes. Numa boa, sossegados.

Nas palavras – ou seriam tiros ? - do Sidney: “Não que eu catalogue o trabalho de Lupeu Lacerda com vanguardista ou romântico. E não o faço temendo outros críticos, que sabem muito bem que estas categorias carecem de significações mais profundas (...). Não o faço só porque não aprecio a catalogação das espécies(...)”; no que Roncalli arremata: “Entre conhecimentos que ainda não temos, entre coisas que temos e ainda não conhecemos. Lupeu é lupa e telescópio...ao mesmo tempo(...)”

Lupeu é lupa e telescópio...

Ou seja, os “molotovs” – dei esse nome pela carga explosiva contida em cada linha - deram conta do recado e incendiaram essa minha vontade de compará-lo a quem quer que fosse. E acho que eles também foram por esse caminho.

Não dá para simplificar uma obra desse quilate, quando leio, por exemplo: “uma mulher / é uma tempestade de verão / uma mulher / é uma bala perdida / na madrugada do sábado / uma mulher é um grito de gol anulado”.

Por enxergar beleza demais nas palavras; por ver, sutilmente entre uma letra e outra, além da influência dos já citados poetas, resquícios de um Murilo Mendes e de um Maiakosvky – meio chapado, de sarro e carregado de genuína esperança.

Ou então, quando mudo a página e vejo algo como: “A verdade / É que eu me amarro / Quando você me olha / Com essa cara de quem entrou / No banheiro errado. / Eu, eu entro pelas frestas / Eu, eu entro pelas saídas”. Típico texto de quem já varou diversas madrugadas tontas – e eu tava em algumas delas; os dois embriagados e divertidos pra caralho, tomando todas e mais algumas, tentando ver qual era a do próximo bar, se estava aberto ou se já tinha entregado as pontas e baixado as portas.

Outra garrafa incendiária: “quem quiser mais verde engole a serra. / quando vai falar, / cospe duzentas e trinta gramas, de bobagens coloridas. / o luar salta do bolso descorado / do mendigo em chamas / e solicita uma água tônica gelada. / o presidente cerra os dentes / e se auto-prolifera. / as feras comem a pinacoteca / do palácio da alvorada”.

Fogo, explosão. Uma espécie de “...alta temperatura anarquista (...)” como diz o editor e projetista gráfico do livro.

É por isso que não devo fazer a tal comparação, pura e simples. Recuso-me a “traçar” o tal “paralelo” tão comum aos críticos de verdade - nunca fui chegado a retas, paralelas ou não; sempre preferi parábolas e outras curvas que não sabem aonde vão chegar. Não sou jornalista, catedrático, ou coisa parecida.

Sei que se fizer isso, muita coisa se perde. A essência de todo o livro – algo não linear, que detona a tal linha reta - se corrói, desaparece. Injustamente. Cada vez que leio Entre o Alho e o Sal, acredito que ele tem o direito de reivindicar seu espaço e sua existência nas estantes desse tal mundo louco e entediado, como sendo uma obra particular e nova. Mesmo que de vez em quando a gente suponha, preguiçosamente, reconhecer uma ou outra coisa parecida com esse ou aquele escritor “estabelecido”.

Mas um livro não é inventar a roda; talvez reinventá-la, atear fogo à dita cuja...

A minha “crítica” surge da sorte assumida de poder ler essa obra, que se disfarça de pequena e casual; algo feito entre amigos numa mesa de boteco. Este meu texto começou por conhecer e admirar o cara, o autor do livro. E de poder dizer, com aquele raro orgulho, que ele é meu irmão; meu bróder, um dos escolhidos. Sem desmerecer, caindo numa espécie de descrédito ou da mais deslavada picaretagem, a qualidade de seus textos. Nem diminuir esta minha tentativa de explicar o que não tem tanta explicação assim.

Notas: Contatos com o escritor: 1 - lupeulacerda@gmail.com 2 - (87) 8812 9504 3 - (74) 3612-5264 / (74) 3614-2142 Onde comprar o livro: 1 - Livraria Cultura

Shirley MacLaine




Shirley MacLean Beaty, conhecida como Shirley MacLaine (Richmond, 24 de abril de 1934) é uma atriz estadunidense.

Shirley estudou balé na infância e adolescência e, assim que se formou no curso médio, mudou-se para Nova Iorque, para realizar o sonho de se tornar uma atriz da Broadway. Numa de suas apresentações, foi notada por um produtor de cinema, que a convidou a ir para Hollywood e trabalhar na Paramount Pictures. O primeiro filme em que atuou foi The Trouble with Harry, dirigida por Alfred Hitchcock, em 1955.

Shirley MacLaine é conhecida não apenas pela sua atuação no cinema, como também por ter escrito um grande número de livros autobiográficos e que relatam sua crença na reencarnação.

Shirley tem uma filha e dois netos.

É irmã do ator Warren Beatty e possui uma estrela na Calçada da Fama, localizada em 1615 Vine Street.

wikipédia

Irma La Douce

Lembrando ...

Carlos Galhardo - por Norma Hauer




HOJE É DIA 24 DE ABRIL...
CARLOS GALHARDO


Lembrar hoje de Carlos Galhardo sentir sua presença que, na data de 24 de abril de 1913, abriu os olhos para o mundo e chorou uma "Cantiga de Ninar", que lançaria em discos 23 anos depois, quando abriu uma "Cortina de Veludo"
Essa Cortina abriu também as portas para as valsas e canções que o acompanharam por toda a vida.
Carlos Galhardo foi, talvez, o cantor que mais ritmos gravou em sua carreira; foi o primeiro artista, sem ser nordestino, que gravou frevos; foi o único que lançou uma valsa em pleno carnaval:"Nós Queremos Uma Valsa”; foi o primeiro a gravar composições para São Jorge (gravou cinco); foi quem mais gravou para datas especiais:"Bodas de Prata";"Boas Festas";"Valsa dos Noivos";"Valsa da Vovozinha";"Valsa da Formatura";"Valsa dos Quinze Anos"...
Foi o primeiro a gravar para o dia das mães "Mãezinha Querida", sendo "Sublime Herança" uma das mais bonitas; foi um dos poucos a gravar para as festas da Penha:"Sinos da Penha"; foi o único a gravar para "São Brás".
Foi o único a gravar um tango para o carnaval: "Morocha Linda", assim como uma quadrilha "Quadrilha no Carnaval"...

Gravou guarânias "Orgulho"; baiões"Quando eu Era Pequenino"; bolero "Te Quiero,Dijiste"; canção italiana"Cara Piccina; rumba "Crioula"; sambas "Sei que é Covardia"; foxes"Rosa de Maio";canções "Conversando com a Saudade"...

E ele era o "Rei da Valsa"! Imagine se não fosse...

Em 24 de abril ele chegou e só trouxe beleza; em 25 de julho ele partiu e não deixou apenas sua voz em centenas de gravações, mas deixou uma grande SAUDADE. É tempo de relembrá-lo em toda sua pujança.

Nesta hora o estamos relembrando com a palavra SAUDADE no coração.
.
Obrigada, muito obrigada Carlos Galhardo por tudo que você nos deixou, ao lado, também de sua amizade que tive a alegria de compartilhar. Um grande abraço de agradecimentos onde você se encontra.

Quero deixar aqui resgistrada a letra completa do considerado o maior sucesso de Carlos Galhardo, dentre as mais de 800 músicas que gravou:
FASCINAÇÃO Autores Marchetti e Armando Louzada
Os sonhos mais lindos sonhei
De quimeras mil, um castelo ergui.
E no teu olhar.
Tonto de emoção
Com sofreguidão mil venturas previ.
O teu corpo é luz, sedução
Poema divino cheio de esplendor
Teu sorriso prende , enebria ,entontece
És fascinação, amor

Parte declamada:

A sorrir, a cantar e a beijar
Nossas bocas se uniam então
E os camops sorrindo viviam
E nos vendo as flores se abriam.

Volta a parte cantada (melodia diferente)

Mas o destino mau certo dia chegou
E sem o teu, meu coração secou.

Hoje sombra sou do que fui.
Minhas ilusões o destino levou
Nada mais existe, desde que partiste
E em meu coração só saudade ficou.
Vivo com o passado a sonhar,
Vendo-te ainda em meu coração.
Mas tudo promessas, quiumeras, mentiras
Da tua fascinação.

A letra completa conta uma história que. sem a parte declamada e o reinício da cantada. fica "sem pé nem cabeça".
Foi assim que Armando Louzada colocou letra original em uma música de mais de um século. E a letra foi composta a pedido de Carlos Galhardo, que a gravou em 1943..

Norma




Pixinguinha - por Norma Hauer

ELE É DO DIA DE SÃO JORGE
PIXINGUINHA

Alfredo da Rocha Vianna Jr. nasceu em 23 de abril de 1897 aqui no Rio de Janeiro, ficando conhecido com o nome de PIXINGUINHA, sendo considerado um dos pais do choro brasileiro.
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Pixinguinha criou o que hoje são as bases da música brasileira. Misturou a então incipiente música de Ernesto Nazareh , Chiquinha Gonzaga e dos primeiros chorões, com ritmos africanos, estilos europeus e a música negra americana, fazendo surgir um estilo genuinamente brasileiro.
Arranjou os principais sucessos da então chamada época de ouro da música popular brasileira, orquestrando desde marchas de carnaval até choros. .
Pixinguinha foi antes de tudo um pesquisador de música, sempre inovando e inserindo novos elementos na música brasileira. Foi, ainda, um compositor de sucessos, assinando “Carinhoso”;”Rosa”;”Urubu”;”Lamento” e muitos outros.

Pixinguinha fora convidado para ser padrinho em um batizado do filho de um amigo e na hora, passou mal em plena Igreja vindo a falecer ali mesmo, no dia 17 de fevereiro de 1973, sem completar 76 anos.

SÃO JORGE
Das cinco composições que CARLOS GALHARDO gravou para São Jorge, deixarei aqui a letra de uma que não foi muito badalada, mas é tão importante e boa como as demais.

NOVAMENTE ABRIL
Autores: Ari Monteiro e Irani de Oliveira

Novamente abril vê surgir o calendário
Vejo em cada santuário
Um pronúncio de alegria.
Novamente abril é o mês da grande festa
Que todo devoto presta a São Jorge no seu dia.
Novamente abrill
Vejo mocinhas e velhas,
A comprar rosas vermelhas
P'ra seu santo ornamentar.
Novamente abril,
Missa de alvorada
Vai toda a cidade rezar.

São Jorge, és meu santo padroeiro,
Que faz festa no terreiro
Na Igreja e no lar.
São Jorge, mês de abril é o teu mês
Salve o dia 23
Vamos todos festejar.

Carlos Galhardo foi quem mais gravou musicas em louvor a São Jorge.

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Recado para Socorro:

Aprecio os chorinhos, pricipalmente os de Pixinguinha (aniversariante de hoje, por isso hoje é considerado o DIA DO CHOR0}
Pela manhã, na homenagem que Luiz Vieira prestou a Pixinguinha por motivo de seu aniversário ele apresentou alguns choros.
Mas o resto do dia dediquei a São Jorge, ouvindo as músicas que Carlos Galhardo gravou para São Jorge (total de cinco).

Amanhã, ouvirei Carlos Galhardo o dia inteiro, como o faço sempre. Seria seu aniversário, mas de qualquer forma, é sua data natalícia.

Norma

Geraldo Pereira - por Norma Hauer

ELE E A FALSA BAIANA
GERALDO PEREIRA
Nascido em Juiz de Fora, em 23 de abril de 1918, esse mineiro conquistou o Brasil com o samba- e como compositor da Estação Primeira de Mangueira.

Geraldo Pereira levou ao extremo o que se entendia por samba sincopado - onde residia sua genialidade. Trouxe em suas músicas o cotidiano carioca, a mulher e o homem dos morros, uma forma de ver o país em que vivia nos anos 40 que se estende até os dias de hoje.
Geraldo Pereira ganhou a vida como motorista de caminhão de coleta de lixo e gastou tudo o que tinha da velha e boa boemia, por quem viveu e morreu.
Seus sambas atravessaram os tempos e foram retomados na Bossa Nova, com a gravação de “Bolinha de Papel” em 1961 por João Gilberto - que trouxe à luz o samba e o nome do homem que seis anos antes (em 05 de maio de 1955), aos 37 anos, morria após uma briga com Madame Satã.

Madame Satã sempre afirmava que não fora ele quem matara Geraldo Pereira, outros dizem que foi.É claro que Madame Satã teria de negar sempre
Três músicas foram as mais famosas de Geraldo Pereira: “Falsa Baiana”;”Escurinho” e “Escurinha”
As duas primeiras gravadas por Ciro Monteiro.

Contava-se no meio musical que a mulher de Roberto Martins (D. Chininha) fora a inspiradora do samba “Falsa Baiana”, por ter-se fantasiado de baiana em um carnaval e não saber sambar nem rebolar.

Norma