Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

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sábado, 8 de maio de 2010

Por Norma Hauer


PRK-30 E CASTRO BARBOSA

Ele nasceu em Sabará/MG em 07/05/1905 e recebeu o nome nada simpático de Joaquim Silvério (este nome lembra alguém?) de Castro Barbosa, que ficou conhecido no meio artístico apenas como CASTRO BARBOSA.
Em 1931, quando trabalhava no Lóide Brasileiro, fez um teste na Rádio Educadora, do Rio de Janeiro, sendo apresentado a Almirante (já um nome de destaque), que o convidou a participar de um programa radiofônico, em cuja emissora conheceu Noel Rosa, Custódio Mesquita, Nonô e Francisco Alves.
Convidado pelo compositor André Filho, gravou seu primeiro disco em fevereiro de 1931, com a marcha Uvinha (André Filho) e o samba”Tu hás de sentir (Heitor dos Prazeres), e no mesmo ano o samba “Tá na Mona”, com o Bando La Lua.

Foi quando conheceu Jonjoca (João de Freitas Ferreira), e com ele formou uma dupla para concorrer com Mário Reis e Francisco Alves.
A dupla que se formou (Jonjoca e Castro Barbosa) gravou entre 1931 e 1933 pouco mais de 20 discos, incluindo o Fox-samba “Flor do Asfalto”, de Orestes Barbosa e J.Tomás. A primeira gravação de uma composição de Orestes.

Mas “estourou” mesmo no carnaval de 1932, quando gravou, de Lamartine Babo e Irmãos Valença a marcha “O Teu Cabelo não Nega”. Sucesso de um lado, problemas do outro.
No disco original não constou o nome dos Irmãos Valença o que provocou uma verdadeira celeuma entre a Victor e os irmãos pernambucanos, autores do estribilho da marcha e... Os Irmãos Valença exigiram indenização e a Victor pediu que enviassem outras músicas (frevos) e a quem coube gravar o primeiro? A Carlos Galhardo que, iniciando sua carreira, foi requisitado para gravar um frevo dos Irmãos Valença.

A partir daí foram vários os seus sucessos carnavalescos, como, em 1937, Lig-lig-lig-lé (Osvaldo Santiago e Paulo Barbosa); em 1942, Praça Onze (Herivelto Martins e Grande Otelo) e, em 1943, China pau (João de Barro e Alberto Ribeiro).

Mas o que marcou a vida artística de Castro Barbosa foi sua participação (ao lado de Lauro Borges) na famosa PRK-30, primeiro na Rádio Mayrink Veiga e depois na Nacional. Fazia a caracterização de um português.

Chegou a trabalhar na TV Rio, ao lado de Chico Anísio, no Chico Anísio Show e, ainda no rádio, com Renato Murce nas “Piadas do Manduca”.

Castro Barbosa faleceu em 20 de abril de 1975, sem completar 70 anos, porque foi outro que morreu em seu inferno zodiacal.


Norma

A poesia de Artur Gomes

a lavra da palavra quero
quando for pluma mesmo sendo espora
felicidade uma palavra
onde a lavra explora
se é saudade dói mas não demora
e sendo fauna linda como a flora
lua Luanda vem não vá embora
se for poema fogo do desejo
quando for beijo
que seja como agora

arturgomes
http://pelegrafia.blogspot.com


Keith Jarrett (Allentown, 8 de maio de 1945) é um compositor e pianista estadunidense. Suas técnicas de improvisação conjugam o jazz a outros gêneros e estilos, como a música erudita, o blues, o gospel e outros.

Vamos tirar a ressaca ? - por Heládio Teles Duarte

CARTA A DEDÉ FRANÇA - Por: Dihelson Mendonça



CARTA A DEDÉ FRANÇA ( Sobre Roza Guede )
Por: Dihelson Mendonça

Meu caro amigo Dedé,
se você visse cuma é,
a bagunça que tá o mundo,
com esse tá de Forró Brega,
qualquer das moça se entrega
pras trinca de vagabundo

Tá muito mais pió agora
A esculhambação de outrora
já num é mais novidade
e pra piorar inda mais
as rádia não fica atrás
só toca imbecilidade

Agora tem um tal de "Di Jays"
que querem falar ingrês
mas de inglês num sabem nada
só sabem mesmo é budejar
passam o dia a arremedar
jumento bebendo água

Num tem uma rádio que preste
desde o sertão ao agreste
tudo só toca porcaria
tem uma tá de somzoomsat
que pega em qualquer parte
divulgando as baixaria

Num tem mais gente decente
as festa são decadente
quaje tudo termina em briga
pra você ter uma idéia
os cantor grita pra platéia
-- Aí tem moça ou rapariga ?

Mas tudo é culpa da ambição
desses maluco do cão
que vieram da capitá
poluíram nossa cidade
troxeram infelicidade
pras pessoa do lugar

Eu tenho muita fé em deus
que um dia esses fariseus
inda vão perder o nome
que dê uma gripe afônica
morram de peste bubônica
ou que se acabem de fome

Dedé eu trouxe um amigo
que deseja prosear contigo
dar-te uma palavrinha
Ele é poeta letrado
por vates grandes clamado
um mestre da escrivaninha

Assim ele diz:

"Envolto em couro, em gibão,
rejubila-se o Rei, Gonzagão
que transcendeu a arte infinda
com uma pureza abstrata
entoou versos, serenata,
que ecoam no universo ainda

Nas noites de lua cheia
os vates à luz vagueiam
plangendo ternos violões
ostentando-se para donzelas
gentis loas, aquarelas
entrelaçadas de sons

Imortais noites queridas
dos sonhos da minha vida
de outro tempo, se encerra
na pureza das crianças
nas danças, nas contradanças
de um sertão de outras eras

Campos de sonhos feridos
um norte pobre, esquecido
clama por heróis gigantes
p´ra florescer a cultura
renascer nossa bravura
e a dignidade d´antes

Ó grande vate do Crato
és príncipe, és candidato
às mais divinas esferas
de deus foste a voz altiva
a revelar-nos a intriga,
o mal que o tempo espera

Nisto posto, assim almejo
a paz dos justos, desejo
e por qual eu lhe sou grato,
que ao romper de aurora bela
livres de toda mazela
Rosa possa vir ao Crato."

Minhas saudações, nobre Poeta!

Dihelson Mendonça,
08/05/2010


Roza Guede - Por Jose Helder França - Original





Minha fia Roza Guede
Toda sumana mi pede
Pá i pá rua comigo
Ela tem muita vontade
Di cunhecê a cidade
Mais porém acho um pirigo

Acho um pirigo é verdade
Pruque aqui na cidade
A coisa é bem deferente
Num si vê mais o respeito
Num tem nomoro dereito
O povo ta indecente

Rozinha sempre diz: pai
Quando é qui o sinhô vai
Mi leva pá vê a rua
Mais eu não tenho corage
Quando mialembro dos traje
Dessas moça quaje nua

Eu sei qui Roza é dereita
I qui essas coiza num aceita
Mais pode o diabo atentá
É mió fica nos mato
Qué que vem vê cá no Crato
É mió fica pur lá

Eu sempre digo: minha fia
Vou lhe leva quarqué dia
Só pá tu vê Cuma é
Na rua, nada tem nome
É muié virando homi
Homi virando muié

É um disparate, Rozinha
Home de carça curtinha
É o que se vê na avinida
E as muié o contrario
Uma ta moda inventáro
Tudo de carça cumprida

Perdêro a morá de tudo
Tem uns tá de cabeludo
Qué o pió qui eu acho
Uns rapaz bem parecido
Cuns cabelos tão cumprido
Qui dá mode fazer cacho.

As modas qui eles canta
São tão horrive qui ispanta
Purisso num ai inverno
Basta Rozinha qui eu diga
Qui inventáro uma cantiga
Qui manda tudo pru infermo

Derda os mais véi as criança
Todo mundo cai na dança
Isquizita cuma quê
Ficam querendo dá sarto
Sibalançando cum os quarto
É um ta de iê-iê-iê

Me dixe Mané Germano
Qui é musga de americano
Qui tão querendo imitá
E qui o pió inda vem
É ôtas dança qui tem
Pras banda da capitá

Nada disso acho bunito
E nos guverno acridito
Num pode mais fica assim
Tem qui havê argum jeito
Mode vortá o respeito
Pá tudo isso te fim

Rozinha não se iluda
Qui quarqué dia isso muda
E quando mudá de fato
E num tive mais pirigo
Eu levo vancê cumigo
Pá passiá lá no Crato

Jose Helder França
Publicado no Blog do Sanharol por Antonio Morais

Pensamento para o Dia 08/05/2010


Pensamento para o Dia 08/05/2010
“O sabor dos alimentos não pode ser apreciado se a pessoa está doente ou se a mente está imersa em outra coisa. Da mesma forma, mesmo se você estiver envolvido em práticas espirituais, você não experimentará o contentamento se seu coração estiver cheio de más qualidades. Você pode saborear a doçura havendo açúcar na língua. No entanto, se houver mesmo um traço de amargura na boca, toda sua boca terá o gosto amargo. Portanto, aqueles que aspiram alcançar a Santa Presença do Senhor devem cultivar bons hábitos, disciplina e nobres qualidades. As costumeiras formas habituais de vida não o levam a Deus automaticamente. Você deve praticar disciplina espiritual (Sadhana) para modificá-la da maneira adequada.”
Sathya Sai Baba
Foto Dia de Mãe
Nívia Uchôa

Dia de Mãe

As bases da crise do socialismo no fim do século XX - por José do Vale Pinheiro Feitosa

Não sendo um substitutivo religioso, o que aconteceu com os partidos que lutavam pelo socialismo nos séculos XIX e XX? Em primeiro lugar, é importante se ter a noção que o socialismo, como idéia política mais bem constituída, surgiu na própria Revolução Francesa. Destacam-se Babeuf, com a Conspiração dos Iguais; os socialistas utópicos franceses e ingleses lá no início do século XIX (Fourier, Saint Simon, Owen etc.) e os Cartistas ingleses que foram os primeiros a incorporar idéias socialistas de democracia, igualdade e coletivismo em movimentos de trabalhadores.

Após a revolução de 1848 na França, quando efetivamente a classe dos trabalhadores enfrentou as estruturas da burguesia, começa, de fato, o movimento socialista que repercute até hoje e que nasce de um documento seminal que é o Manifesto Comunista de Marx e Engels. Deste modo, o socialismo deixa de ser encarado como um ideal para o qual se podiam fazer planos de um futuro Canaã, e passa a ser produto das leis do desenvolvimento do capitalismo. Entenda-se este desenvolvimento com as mesmas bases que Darwin aplicou à evolução da espécie. Ou seja, a transformação que implica em novas formas de estrutura e função. Aliás, em discurso no enterro de Marx, proferido por Engels, ele comparou o papel científico de Marx ao que Darwin tinha feito nas ciências naturais.

Para simplificar, as bases da luta pelo socialismo estavam no desenvolvimento do próprio capitalismo. Nada mais dialético, no sentido filosófico do modo alemão de estabelecer uma análise e um pensamento complexo para o comum da época. Neste desenvolvimento implicam-se as contradições que toda estrutura produtiva tem, qual sejam, os seus limites a partir dos quais deixam de ser. Entre elas grandes questões como: a migração rural urbana gerando excedente de pessoas ao sistema produtivo; o trabalho (infantil, da mulher, jornada, acidentes e doenças etc.); a renda, a aposentadoria, a emergência tecnológica e assim por diante.

A verdade é que todos estes limites, quase quatro séculos de capitalismo, estão presentes em todo o planeta. E nisso é que surge a crise do socialismo histórico em duas fases, antes da primeira guerra mundial e depois da segunda. A primeira crise efetivamente foi o surgimento dos partidos de natureza social democrático, que bebiam nas teses do socialismo. À proporção que estes partidos foram adquirindo natureza de massa, foram tendo que negociar dentro do parlamento e tendo que incorporar os segmentos que emergiram no século XX como a classe média. Com isso se passou a um plano moderado da luta revolucionária e se adquiriu uma natureza extremamente reformista, negociada nos termos do limite do capitalismo e que, por isso mesmo, não só o preservava, como o modernizava e reduzia seus choques com os trabalhadores.

A outra foi a Revolução Russa se tornando a força hegemônica no movimento comunista internacional. Antes que você perceba, esclarecerei uma questão: o movimento comunista internacional não era de natureza idealista, era uma estrutura de análise racional das contradições do desenvolvimento capitalista. Então, a Revolução Russa ao se tornar a força dominante, praticamente subordinou o cenário da luta internacionalista aos objetivos da grande União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Esta contradição foi, ideologicamente, muito bem explorada pelas forças organizadas do pensamento liberal e capitalista.

Quando a União Soviética caiu e todos os Estados que estavam sob sua esfera de influência, mais do que a derrocada do comunismo ou de sua forma autoritária e totalitária, o que se viu foi a emergência de outra fase do capitalismo. Chamado globalizado, criando um sistema de trocas amplas no mundo, envolvendo capitais e mercadorias, além de pessoas de um lado para outro. Quando, por outro lado, os comunistas acabrunhados, passando por intenso revisionismo, se abespinhavam diante da quebra da hegemonia, de modo independente surgiam novas forças contraditórias em todo mundo. Exemplos: o movimento pela preservação do meio ambiente, as lutas contra a globalização, o “terrorismo” islâmico, os embates por ocasião dos encontros do G7 e assim por diante.

A concentração da renda, a liberdade dos capitais e a hegemonia do liberalismo em bases mais sofisticadas de Estado mínimo e da quebra dos direitos sociais, atingiram o outro componente da crise do socialismo, que foi a Social Democracia. Os direitos sociais, mediados pelos Estados Nacionais por meio de suas moedas, estão sobre forte ataque da roda do fluxo financeiro desta nova fase do capitalismo.

O fim da União Soviética não significou apenas o fim do modo de produção socialista, mas o reforço da nova fase do capitalismo, que é o imperialismo. Imediatamente, surgiram pólos alternativos a esta hegemonia, tais como a União Européia e a China. Isto, em 2010, está em plena ebulição. Os EUA, maior representante da forma imperialista está em crise, bem como a União Européia; por sua vez a China se encontra numa encruzilhada, ou bem se acerta no resto do mundo ou se volta para dentro de si.

Na próxima semana, tentarei abordar a difícil questão do que acontecerá, tomando como marco o momento atual. É difícil, porque toda a análise socialista sempre teve, no fundo, a questão da crise final do capitalismo e isso não se viu na prática. A chamada crise final foi, para muitos socialistas, aquilo que os Judeus e depois os Cristãos sempre esperaram, ainda em vida, o retorno do Messias.

HORAS AS

TODAS
AS
HORAS
ASSOBIO UM
AS
NAS
MUDANÇAS DE
PALAVRAS E
NESSAS
HORAS
AS
PERNAS TREMEM
COMO
PERNAS
BAMBAS DE
TODAS
AS
HORAS
AS

Nívia Uchôa

BOCA OCA

Minha boca silencia,
Meu gesto cala,
Tua voz flagra meu desejo
Sacudi meu olhar zen para romper barreiras.
Cuidar do espírito é ouvir música.
Serenar meu coração é deixar o riso suspirar de volta.
Cálidos por mim e por ti me prendem
Me convexo
Convenço-me
Cego
Calo
Amarro e desato os nós a sós.
No ócio em vão passando da hora
Suspiro a nostalgia contida em mim e deixo viajar a van filosofia dita por ai

Nívia Uchôa

Poema

E na sinfonia a sós deixo os girassóis ao vento
É como descortinar a janela da alma
Mesmo sem ser a alma a esmo
Como se a solidão configura e desfigura a sólida hora
Das questões passadas na hora
Ora se na escuridão me valesse
Ia sentir a imensidão das horas
Em todas as horas
Como se fosse apenas outra vez
Cálido por te treme que a mim palpita
E de vez em quando passando da vez
Fustiga e arrepia meu invento por ti
Onde o sol raia
Amanhã e anoitece todas às vezes
Como se fosse a quimera da tez
Em vez de acaso e ocaso fosse

Nívia Uchôa

No coração da gente - Emerson Monteiro

Passadas se foram situações emocionais e, por vezes, permanecem no âmago do peito, bem no crivo do coração, retardatárias, incoerentes, as mesmas impressões de intenso fervor indefinido nas palavras silenciosas que gritam. Há pouco, impactos vividos no mais profundo da alma pediam gritantes explicações sem resposta, pois dependiam do outros, que duraram dias, meses, existências.

Quais zumbis de qualidade e cores estridentes, tons maiores de ansiedade e desprezo, tais formações nodulosas, invadem a serenidade apenas aparente do cotidiano, filhos diletos das paixões universais, no palco interior desse peito, se arriscam percorrer, por tempo descomunal, os intermináveis corredores dos recônditos lugares do corpo, entra na trilha dos pensamentos através de excursões permanentes de retorno intermitente.
Nisto, bestas solitários portadoras de saudades sombrias, arrastam consigo bolsas pesadas de dúvidas impermeáveis, mágoas fragorosas, culpas sepulcrais, exigências endurecidas, vastas penumbras recorrentes, e, contra a vontade, nos transportam a dimensões reservadas de cavernas escuras, quais guerreiros de dramas ancestrais, postigos de chapéus empoeirados nas jornadas sórdidas da experiência, largados ao abandono diante do monturo supérfluo de horas mortas.

Restos das refeições felizes ali se mexem encarquilhadas, larvas da série da gente nos instantes saboreados quase sempre ao lado de criaturas humanas bonitas, charmosas, fragmentos fantasmas de espelhos desbotados que amareleceram, pétalas secas de livros atirados nas gavetas esquecidas; eles a nos esfregar a cara de palpites pegajosos, reclamos de outras margens impossíveis, erros aflitivos de lances duvidosos, digamos em resumo.

Nalguns momentos, funcionam, sem quaisquer cerimônias, de inimigos da paz interna das tréguas, a chutar contra o patrimônio pessoal. Noutros, agem parecido com micro e dolorosos incidentes suspensos no horizonte do tórax; convergem nuvens de chumbo que teimam em não chover jamais; máscaras de azia, bolos estomacais, cólicas, coceiras...

Só raramente advérbio de modo providencial, menos denso, chega-nos desconfiado em socorro, trazendo notícias de jardins ensolarados, alentos ainda tardios, nervosos, a nutrir de reparo às frustrações lancinantes, marcas vermelhas na vastidão das ilhas abandonadas, testemunhos inconvenientes de perdidos sonhos, amores equivocados, inúteis paisagens das insônias, constelações do universo distante, nos mundos inconscientes; esperanças, talvez, de acasos fortuitos, portais reencarnatórios das soluções futuras, tropel harmonioso dos degraus da verdade eterna.

São os vultos sorrateiros de si próprio, matéria vigorosa da individualidade prepotente, sentimentos, digamos assim, elaborados na ausência da ternura, na busca de termos melhor categorizados.

Bom, nisso de identificar os tais estilhaços flutuantes da corrente sanguínea do ser abstrato e sua dor de existir, império talentoso dos casos clínicos particulares das criaturas atuais, invade-se o tempo da eternidade, nos seis pontos cardeais do intrépido infinito; se chora sozinho, se chora pelos cantos; elaboram-se cantilenas melodiosas, versos quadrados, modernos, perpassados de litanias fragorosas, vendavais insubmissos de súplica que varrem impiedosos as superfícies emolduradas nos eufemismos culturais de letras maiúsculas, decentes, dos valores imortais. Elaborações filosóficas exemplares trabalham as lufadas de tempestade, transformando-as em brisas suaves de manhãs inesquecíveis, conceito civilizado da persistência, feras descomunais extintas se nos mudam mais mansos animais de estimação; quadros fortes de museus; livros encadernados e suas lombadas brilhantes, dose certa depositada nas prateleiras das academias públicas, pedaços conservados nos sarcófagos das gerações futuras; fogueiras apagadas viram rescaldos mornos, a encher de lágrimas doces olhos ardentes...

E cada um rompe o hímen da cena seguinte, com as faces das corujas atormentadas, porém calmas no esquecimento de quem vive com pressão cardíaca nas raias da normalidade, medidas ideais do expediente, destemor na ponta da língua afiada, épicos do espetáculo revivido, máquinas da permanência, seres eficientes do inesgotável destino, altivos palatinos da utopia, páginas de velhos almanaques, último lançamento de grife, etc. Sentimento, generosidade, coração. Expressão, animação, vida. A alma perpétua deste mundo. Veemência de sentimento; entusiasmo, arrebatamento. Pessoa, indivíduo... Arre, quanta letra em espaço tão pequeno só para dizer que dói viver, e angustia sentir paixão não correspondida...

sexta-feira, 7 de maio de 2010


Sonhamos
mesmo quando não lembramos
e esses sonhos vão brotando
como folhas
folhas e sonhos
fundindo-se
nas tramas
da imensa árvore
da nossa vida
Nossos sonhos humanos.
.
Claude Bloc

Para Sempre

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e a chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Carlos Drummond de Andrade

Dona Noêmia e Suas Guloseimas Na Parça da Sé. Por Liduina Belchior.

"Quem não conhece Dona Noêmia chic, chic que montou uma barraca para a vida melhorar"...Pois bem, há treze anos passados uma senhora cujo nome é Noêmia Maciel colocou sua famosa barraca de teto azul, ainda acanhada, mas com comidas regionais deliciosas.Hoje é impressionante o volume de gente que chega cedo para logo ser atendida"prum" jantarzinho bem cratense. Vem pessoas de tudo que é lugar. Estudantes de Moreilândia, de Exú, de Nova Olinda, de santana, etc...Tanto vai para lá a turma estudantil, como
aqueles funcionários que terminaram sua carga horária no comércio ou em outros setores ali perto.Vizinho a barraca já existe um banco da própria Praça, onde cada um pega seu pratinho e senta para deglutir. Eu mesma, uma ou duas vezes por semana,quando termino mais cedo meus trabalhos no consultório, saio correndo prá lá para enfrentar uma fila.Na barraca azul tem paçoca, baião de dois, carne de sol, galinha ao molho pardo, vatapá, creme de galinha, lazanha e sanduiche de forno é a parte; mungunzá, canjica, bolo de macaxeira, e por ai vai.Uns preferem levar a quentinha prá casa. Eu não. O melhor é sentar no tal banco e comer, conversar e rir.Rir, conversar e comer. O mais interessante é que é sempre tem gente diferente, que nunca vimos antes. Ai começa o papo:"Ei mulherzinha tu és de onde? Faz o que?"E tome papo...E depois de um dia de trabalho cansativo ou não a prosa é boa! Eu aconselho...O atendimento nem se fala é VIP.Tia Noêmia (como alguns a chamam) é uma simpatia só! Sempre com um sorriso nos lábios assim com seus ajudantes também. Sua barraca fica em frente a parada dos taxistas. E na minha opinião, Dona Noêmia já entrou para os anais do folclore alimentício da história do nosso Crato.Mulher simpática, corajosa e guerreira.

Não resisti ...!



Os jovens que me perdoem , mas a saudade do meu pai moveu a postagem !

João Cabral de Melo Neto



O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.

O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.

O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.

O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.

O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.

O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.

João Cabral de Melo Neto

Chão de estrelas - por Norma Hauer

CHÃO DE ESTRELAS

Ele nasceu no dia 7 de maio de 1894 em Vila Isabel, bairro que na época não era mais do que algumas fazendas, mas que se tornou berço do samba e das serestas. Afinal ali nasceu ORESTES BARBOSA, que com seu “Chão de Estrelas”, fez as estrelas iluminarem o chão de Vila Isabel.

. Autor de versos maravilhosos, muitos musicados por Francisco Alves (14), outros por Sílvio Caldas (também 14) e inúmeros outros por vários compositores.
Musicaram versos de Orestes, Nássara (Caixa Econômica); Ary Monteiro (Canário); Ataúlfo Alves (O Negro e o Café) e centenas de outros.
ORESTES foi autodidata e muito cedo começou no jornalismo, sendo sempre um lutador pela democracia, a ponto de, em 1945, fundar um jornal exatamente com o nome de "Democracia", que não durou muito, mas foi combativo quando estávamos saindo da ditadura Vargas e enfrentaríamos as primeiras eleições livres.
Quando do centenário de seu nascimento (7 de maio de 1994) a Caixa Econômica, pelo fato de Orestes ter uma composição com esse nome, fez uma homenagem especial a Orestes, em sua agência no Boulevard, na qual Sílvio Caldas, já com 86 anos, interpretou "Chão de Estrelas"(o óbvio) e "Serenata"(outra belíssima valsa da dupla Orestes e Silvio Caldas, de difícil interpretação). Foi a última vez que vi Sílvio Caldas e penso que foi sua última apresentação em público.
Nessa mesma festa, Roberto Barbosa, neto de Orestes, lançou um livro sobre seu avô, com o nome de "Passeio Público", no qual se podem conhecer as várias etapas da vida de Orestes e a relação de todas suas composições.
Ali vemos que a primeira gravação de uma composição sua foi "Flor do Asfalto", com J.Thomaz, gravada por Francisco Alves(1928), que só passou a fazer parceria com Orestes em "Abelha da Ironia"(1932). A primeira parceria com Sílvio Caldas foi em 1934, com "Soluços", gravação de Floriano Belham.
Somente em 1936, Sílvio gravou "Santa dos Meus Amores",seguindo outras ("Chão de Estrelas" foi em 1937) até o ano de 1938, quando gravou "Suburbana".

Nesse ano (1936) Sílvio e Orestes tiveram uma desavença e a valsa "Vestido das Lágrimas", da dupla, foi gravada por Floriano Belhem., assim como "Soluços".
Somente em 1952 Sílvio gravou "Vestido das Lágrimas" ( em seu primeiro LP de 10") que recebeu o nome de "Saudades".
Foi, também, o primeiro LP de um cantor brasileiro.

Francisco Alves, morto em setembro de 1952, não chefou a gravar LPs.
Todas as composições de Orestes gravadas por Francisco Alves o foram em 78 rotações, como "A Mulher que Ficou na Taça" , "Não Sei"; "Meu Companheiro"; "Romance"; "Ciúmes"; "Dona da Minha Vontade"...

Fugindo do óbvio, quero deixar aqui a letra de uma composição de Orestes, com Newton Teixeira, gravada por Carlos Galhardo.

TENS RAZÃO

Tens razão nessa vaidade
Eu sei que toda a cidade
Delira com teu olhar!
Perdoa, essa gente louca,
Que é louca por tua boca,
Morango do meu jantar.

O meu olhar te procura,
No meio dessa loucura,
Dos olhos das multidões.
Dos olhos dos desgraçados,
No teu vestido pregados
Pregados como botões

Oh, minha avenca nervosa,
De unhas pintadas de rosa,
E olheiras de tanto amar!
Olheiras de violetas,
Tarjando essas borboletas
Noturnas do teu olhar...

Para abanar-te a beleza,
Pedi à delicadeza,
Um leque bem singular.
E tonto na imagem tua,
Quis por um cabo na lua,
Só para ir te abanar.

Na capa do livro de Roberto Barbosa tem o manuscrito de "Chão de Estrelas", que desmente uma informação que Sílvio Caldas
gostava de repetir dizendo que o nome "Chão de Estrelas" fora dado à composição por Guilherme de Almeida, porque a música chamar-se-ia "Sonoridade que Acabou".

Conversando a esse respeito com Roberto Barbosa, ele disse que Sílvio gostava de "inventar" histórias.

Orestes Barbosa faleceu em 15 de agosto de 1966, aos 72 anos.


Norma
DIA 11.05.2010 SESC JUAZEIRO DO NORTE-CE - 19H



OS SONHADORES
Dois jovens do interior do Ceará, alunos do Circo Escola de Ecocidadania, sonham em participar do Cirque du Soleil. O primeiro, Sandro é selecionado por sua diretora de formação e ingressa na Escola de Circo em Montreal - Canadá, o outro, Hugo, se prepara para correr em busca do seu sonho.

A CATADORA DE PEQUI
Tereza é uma catadora de pequi da Chapada do Araripe, que perde sua filha recém-nascida no meio de uma floresta. Durante dez anos, Tereza chora a perda da criança que acredita ter sido devorada por uma onça. Agora, com uma nova vida e um novo trabalho, uma surpresa a aguarda.

Doces lembranças - por Socorro Moreira


Corro atrás das efemérides diárias. Acendo a luz dos artistas: do cinema, da música, da dança, literatura, poesia, pintura...! Hoje duas figuras me comoveram, sobremaneira: Orestes Barbosa e Gary Cooper.
O primeiro pelo clássico da MPB "Chão de Estrelas”, tão tocada, na radiola da minha infância. Tocada e repetida, em todos os cantos da casa. Fecho os olhos e escuto a voz bonita do meu pai... Boêmio e seresteiro inveterado!
Gary pelos seus papeis nos filmes caubóis. Meu pai o desenhava, e caprichava nos aparatos do cavalo, e no figurino country e heróico do artista!
Mas o que me encheu os olhos d'água foi escutar Tchaikovsky, na sua famosa página: Conserto nr. Um!
Cine Educadora. Escurinho. Coração adolescente disparando, no primeiro aperto de mãos... Essa emoção é patente da minha geração!
Uma sucessão de fitas e presenças desfilam, nas saídas do coração... : Noviça Rebelde, Sabrina, Dio, come te amo...
É só abrir a gaveta das lembranças, e a música acorda momentos breves que se fizeram eternos!

Socialismo: uma questão de fé? - por José do Vale Pinheiro Feitosa

Vou postar aqui nos blogs da região, por sugestão de Dihelson Mendonça, entre dois e três textos, sobre o assunto do Socialismo hoje. Pretendo, de cara, superar aquele velho debate da Guerra Fria em que se apresentavam as vantagens e desvantagens do sistema de produção capitalista e do sistema de produção socialista. O assunto é histórico e as opções em história nunca são atos de fé e tampouco, uma fabulação de como deve funcionar o mundo.

Um fato central é que ao se discutir o socialismo, necessariamente se debate a superação do capitalismo que historicamente o precede. Por uma questão filosófica, na raiz do pensamento socialista histórico, a sua emergência se daria pelas contradições entre os detentores de capital (capitalista, ou classe burguesa) e os trabalhadores explorados pelo capital (operários) e que resultaria noutra forma de organização da produção, distribuição e consumo de bens.

A análise histórica, também, tem demonstrado que tanto a formulação dos objetivos políticos dos partidos socialistas, quanto a realidade transformadora, tem se acelerado com base nas crises do próprio capitalismo. Estas crises cíclicas do capitalismo geraram conflitos armados de intensidade, revoluções políticas e, também, a emergência de certo radicalismo assentado na estrutura do Estado Capitalista, que são os regimes fascistas no século XX. Observação: não inclui no mesmo bolo os regimes soviéticos e chineses, pois de algum modo não eram capitalistas no sentido liberal de sua raiz.

Portanto, não se falou, até aqui, em atos de fé, em catecismos ou em um idealismo meramente espiritual. Tudo se encontra na base da vida material das pessoas, na economia como se reconhece desde o século XIX. E por isso que as crises do capitalismo se mostram tão agudas como momentos transformadores.

Agora mesmo, no caso dos EUA, da Grécia, o comportamento errático das bolsas; a Letônia, a Romênia e outros que começarão a ser notícia nas próximas semanas; em tudo campeia a contradição. Revoltas nas ruas de Atenas. Nos EUA pelo menos dois atentados, aquele do avião e este em Time Square não se originam no surrado terrorismo islâmico, mas na frustração do homem médio americano com a crise. Mesmo este caso do Paquistanês, não passa de um americano frustrado. Além do mais a ultra direita americana tem se tomado de um protagonismo que deixa de joelhos o velho modelo da democracia liberal.

O mais crítico é que a contradição é entre o capitalismo financeiro e a social democracia que pretendia reformar o capitalismo antes que este evoluísse para a forma socialista. Esta contradição, no que se costuma identificar como Neoliberalismo, significou um retrocesso histórico fundamental, o capitalismo é incompatível com os chamados direitos sociais (incluindo previdência, serviços públicos, trabalhistas etc.).

As lições políticas, os objetivos e as ações adquirem feições ao longo da agudeza contraditória. Por exemplo, nas ruas da Grécia a queima de bancos com a morte de três pessoas. A frustração popular com o próprio parlamento, que aprovou, por maioria, o sacrifício popular, enquanto gritavam nas ruas. Do mesmo modo que se viram a queda dos regimes comunistas no leste europeu, o movimento popular é capaz de subverter a ordem como se encontra estabelecida.

Isso irá piorar pela inflexibilidade do sistema financeiro, todo ele corroído por falsidades, com uma necessidade insuperável de mais juros e lucros. Além do mais a interligação entre os bancos, arrastando para a cena política os próprios Estados Nacionais que, ou bem atendem aos bancos ou ao povo nas ruas. Além do mais nesta altura o valor dos negócios, efetuados em bolsa de valores, estão absolutamente sem parâmetros. A verdade é que um simples “erro de digitação” pode levar a bolsa de N. York a um novo crash. Ontem os prejuízos de certos investidores foram imensos e a credibilidade desta bolsa está comprometida.

Para sintetizar este clima, vou apresentar um trecho de entrevista do Rapper, Mano Browm ao responder sobre o que achava de um dos candidatos (as) à presidência da república, o qual omito o nome para não reduzir a argumentação a esta disputa eleitoral em curso:

“O(a) fulano(a) ? O(a) fulano(a) é um(a) cara neutro(a), é um(a) cara neutro(a). Se ela(e) tiver uma criança pobre magra e uma criança rica gordinha e ela(e) tiver um sanduíche, ela(e) joga para o alto e faz aleluia. Ele(a) não dar para o pobre. Esse é o tipo de justiça que ele(a) faz. Esse é a(o) Fulana(o), malandro. Não espere dele(a) um sentimento que um negro teria, um cara operário. Ela(e) é um(a) cara de classe média da ...., filho de ...., que trabalhou, lutou muito também, que dar muito valor pru dinheiro, pru status que ela(e) alcançou, e pela luta da família pobre .... dele.”

Pensamento para o Dia 07/05/2010


“Quando alguém está envolvido no mundo, apenas pensamentos mundanos surgem durante seus últimos momentos. Para aqueles que anseiam sinceramente pelo Senhor, o Senhor se apresentará. Pode-se amar seus amigos e parentes, respeitá-los e mantê-los de bom humor enquanto se move pelo mundo. Mas, enquanto estiver no mundo, é preciso oferecer amor e fidelidade abundantes por toda vida somente ao Senhor, ninguém mais.”
Sathya Sai Baba

Retrato de mãe !

Lídia e Nazaré Lima Silvestre ( sobrinha e tia)

Nazaré é a matriarca da família Lima . Casta de mulheres fortes, sensíveis , maternais !
Prima-irmã da minha mãe , tem o meu carinho e admiração , nesta proximidade do dia 09.05.2010.

Foto do acervo de Lídia Lima Batista

A vida é eterna assim como o hoje se materializando em futuro - Por José do Vale Pinheiro Feitosa

Nem todos renunciam ao evento mais certo da vida. Carregam uma carga tão opressiva que desejam o fim. Outros, por dificuldades de leitura do próprio processo de viver, sufocante nesta interpretação, terminam promovendo a própria morte.

Os que não desejam o certo momento - que não é calendário, portanto não é destino, apenas acontecem numa data, como todo evento certo de acontecer no cosmo, - têm uma relação dual com esta ocasião. Sabem que é certo, mas procuram negar. Negam não apenas na subjetividade da mente, mas na materialidade dos termos da vida. Sabem que acontecerá até por regra dos limites de tempo de geração das pessoas.

Esta dualidade, no entanto, é plena de esperança, de continuidade e até de superação dos limites. E não fala da continuidade óbvia da fé na alma eterna, mas da projeção da soma entre passado e presente em relação ao futuro. As elaborações de modo racional e as construções de fundamentos como ação material, em face do futuro, são a mais consistente prática de superação dos limites deste evento mais certo da vida.

Os filhos, os jovens, os que nascem, se inserem como elementos de superação da morte. E o mais certo desta construção de eternidade, tendo o futuro como guia, não se encontra no futuro, pois isso seria apenas idealismo. Na verdade se faz na prática é a permanência do hoje, mesmo quando este é superado. O hoje, como desdobramento num tempo que ainda não existe, mas temos certeza que existirá, pela própria existência do hoje como natureza inalienável do mundo. O hoje é o acontecimento possível e que possui as condições “sine qua non” para existir no universo ou, de modo mais regular e compreensível, na natureza do planeta terra.

Então, é por isso, que seja pela fé num espírito eterno ou sem ela, estamos igualados nos mesmos termos gerais. O futuro existirá porque o passado e o hoje existem. Mas com isso não congele a história da humanidade. O hoje se mostrou diferente, por que a história muda, as civilizações têm compreensões distintas do mundo e da sua própria sociedade. A civilização entra em decadência e com ela a compreensão que se tem do hoje. Considere que talvez compreensão seja um termo genérico, que melhor seja dizer algo como o modo como é organizado o hoje na vida material e “espiritual” das pessoas.

Agora considerem a situação de um amigo. Ele já se aproxima dos sessenta anos. Desde muito anos que se descobriu como tendo uma má formação congênita no cérebro, que é inoperável, e que pode desencadear, até mesmo quando em repouso, um acidente vascular cerebral. É uma situação extrema na relação com o momento certo.

Quando pensa no futuro, imagina que tem de se agarrar a um hoje imponderável, na beirada de um precipício. O hoje dele é o potencial de sonegação do futuro. É uma subtração subentendida. Um tropeção na linha dos eventos por acontecer. Mas acorda e já tem sessenta anos e nada aconteceu. Construiu o futuro com os elementos de seu passado e, mesmo, no âmago da incerteza, está pleno de certezas, tem uma família, filhos, patrimônio material e todo dia faz caminhada.

Não faz sozinho. A mulher sempre ao lado. Ele não quer de repente sofrer o acidente vascular e ficar solitário agonizando no meio da rua. Ela é médica, quem sabe poderá algo, mesmo que não possa. Mas ambos podem e agora mesmo, são 8:27 da manhã e ambos caminham inventando o futuro e, quando seria a exceção ao modelo antes descrito, é exatamente a afirmação dele.

A poesia de Alexandre Lucas - Coletiva Camaradas



Escorro meu prazer em teus braços,
Corro pra teu gingado, sorriso mágico
Lençol branco bordada, teu corpo, teu abraço
Sou clandestino de fato, meu prazer é privado
Tenho a fraternidade, como lealdade
Ah...neve, Ah nave.....
Percorro o vôo,
No espaço templo de nossos segredos
Sou ave...
Que segue o teu canto suave.

Alexandre Lucas

Georges Moran - por Norma Hauer


De Georges Moran pouco se fala...
Ele nasceu em 5 de maio de 1900 na cidade russa de São Petersburgo. De família judia, veio para o Brasil depois da primeira guerra mundial e da revolução bolchevique.
Sua família já estava sentido a perseguição aos judeus e resolveu tentar a vida aqui no Brasil.

No final dos anos 30 ele se "enturmou" com nossos compositores e cantores, passando a compor como se brasileiro fosse.
Ainda assim, muitas de suas composições relembram sua terra, como "Kátia" e "Ninotchka" (gravadas por Sílvio Caldas); " Zíngaro" e "Balalaika"(gravações de Orlando Silva);"Katucha" (gravada por Dircinha Batista) e "Exilado" (gravação de Carlos Galhardo.

Mas Georges Moran não foi só nostalgia.
Com Oswaldo Santiago compôs "Perfume de Mulher Bonita" (gravação de Carlos Galhardo). O mesmo Galhardo gravou "Dois Navios";"Confissão";"Indiferença;"A Mulher que eu Tanto Adoro";"Aconteceu Assim"; "Dia há de Chegar";"Linda Butterfly";" Silvio gravou "Não voltarás,nem Voltarei";"Meu Amigo Violão";"Se Tu Soubesses"; Vicente Celestino gravou "Madona"; Orlando Silva gravou "Como Tu, Ninguém"; e Francisco Alves lançou "Ainda Serás Minha"...

Foram muitas as músicas de Georges Moran que fizeram sucesso. Outros cantores também gravaram composições suas, mas quero deixar aqui registrada a letra de "Dois Navios", feita em parceria com Manuel da Nóbrega, o mesmo que na TV lançou "Praça da Alegria", hoje continuada por seu filho Carlos Alberto Nóbrega, onde Ronald Golias era a principal estrela.

Para lmarcar o repertório de Gorges Moran, deixo no item abaixo a letra de "Dois Navios", gravada por Carlos Galhardo. Na face B do disco de 78 rotações, Galhardo gravou outra composição de Georges Moran:"Confissão".

Vamos a
DOIS NAVIOS
Quando dois navios em alto mar se encontram.
Fitam ventos, almas que se defrontam.
Seja noite, dia, sol, estrela luar...
Eles sentem a mesma atração.

Certa vez no alto e grosso mar desta vida.
Encontrei alguém igual a mim, tu querida.
Era noite dia, sol , estrela, luar...
Nós sentimos a mesma atração.

Eu segui meu caminho,
Nunca mais te esqueci
Eu perdi teu carinho
Teu amor, perdi
Hoje eu vivo sozinho
Onde vives não sei
Não fizemos o ninho
Ninho que eu sonhei.

Norma

Klécius Caldas - por Norma Hauer

Há dias foi o aniversário de nascimento de Armando Cavalcanti e hoje é de Klécius Caldas.
Eles estão tão ligados como compositores de nossa música, que é difícil falar de um, sem citar o outro.
Mesmo “Palavras Amigas”, gravado por Francisco Alves, embora não seja do estilo da dupla, é de sua autoria.

Como Klecius viveu mais, ele se entrosou com outros compositores, como Brasinha, Rufinaldo .
Com Brasinha, compôs “Alegria de Pobre”, gravado por Emilinha Borba; “Ponha a Mão na Consciência”, gravação de Dircinha Batista ; com Rufinaldo, compôs “Quebrando”, gravação de Cauby Peixoto.

Mesmo vivendo muito mais que Armando Cavalcanti, quase todo seu repertório é com aquele compositor, também oficial do Exército, local onde trabalharam juntos, mas se conheceram no edifício onde ambos moravam..
Assim, “Maria Candelária” :”Maria Escandalosa”; ”Marcha do Gago”; ”Papai Adão”; “A Lua é dos Namorados” e baiões como “Sertão do Jequié”, gravado por Dalva de Oliveira ou “Boiadeiro”, com Luiz Gonzaga, também são da dupla.
“Boiadeiro”, que Luiz tornou seu prefixo musical e que muitos pensam ser de sua autoria, também é da dupla Kécius Caldas e Armando Cavalcanti.

Quando completou 80 anos, em 6 de maio de 1999 foi homenageado por Ary Vasconcelos em um belo espetáculo na ABI.

Klécius Caldas faleceu em 22 de dezembro de 2002, após sofrer um enfarte, aos 83 anos.

Norma

Pérola da MPB