
Criadores & Criaturas
"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata."
(Carlos Drummond de Andrade)
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sexta-feira, 21 de maio de 2010
A Mãe Celestial.- por João Marni
Ó SENHORA CONSELHEIRA NOSSA, QUE SUBJUGAIS A DOR E A SERPENTE;
Ó SANTÍSSIMA E PIEDOSA, QUE EMANAIS A LUZ DIVINA;
Ó VIRGEM DO MANTO SAGRADO, RAINHA SOBERANA, O ROSÁRIO É
O SÍMBOLO DO VOSSO AMOR; VOSSOS PÉS DESCALÇOS E VOSSO
NOME, MARIA, DIZEM-NOS QUÃO SIMPLES E PRÓXIMA A NÓS SOIS
E VOSSAS CORES, O BRANCO E O AZUL, NOS FALAM DE VOSSA
PUREZA E NOS APONTAM PARA O ALTO.
INTERCEDEI JUNTO A DEUS, NOSSO SENHOR, PELOS HUMILDES E OPRIMIDOS, PELOS DESOLADOS, PECADORES E INJUSTIÇADOS,
PELOS DOENTES E FAMINTOS, PELOS QUE PERDERAM O SORRISO E
A ESPERANÇA E TAMBÉM PELOS QUE NADA DISSO PASSAM.
ROGAI POR NOSSA FAMÍLIA E FORTALECEI NOSSOS LAÇOS EM
TORNO DE VOSSA LUZ.
AMÉM!
Querida Fátima,
Este poema-oração surgiu por inspiração
ao observar as mães gestantes e as da pediatria
durante meu plantão noturno de hoje, nos
corredores da maternidade, tocando e
silenciando-se diante da imagem de N. Senhora.
Um presente para nós, especialmente para ti.
Fiel tão fervorosa.
Um beijo
REPÚBLICA DOS ACOMODADOS - Pedro Esmeraldo
Não têm objetividade, não reagem aos estímulos negativos, não se impulsionam em defesa da terra, simplesmente esperam que caiam manás do céu como no tempo de Moisés.
Vivem com a consciência perturbada, temendo não cumprir com o dever dignamente e não satisfazerem com o trabalho digno a fim de impulsionar o desenvolvimento firme e equilibrado.
Declaramos que com muita firmeza o que mais desejamos é vermos o Crato crescido economicamente e intelectualmente, caminhando no caminho reto e exercer a prática democrática sem cambalacho que surgem nas profundezas das voçorocas malignas que ora aparecem aqui, principalmente no bairro do seminário, agravando a situação do povo com ameaças de danificar as residências desse bairro, atemorizando a situação desse mesmo povo os políticos nada fazem a não ser em épocas eleitorais pondo em si as palavras insalubres, pois o seu objetivo é enganar o povo com banana e bolo.
Cratenses, agora aproximam as eleições "das esferas federal e estadual" e nós, os cratenses, deveremos tomar cuidado com os carcarás que vêem de fora buscar votos tirando a oportunidade de elegermos os nossos representantes. Tomamos isso como uma afronta, já que andam completamente fora do eixo e nada fazem por nós e ainda impedem que os filhos desta cidade de elegerem, porque eles são bem dotados de dinheiro vivo para a compra de votos, vivem enganando o povo incauto colocando-o completamente fora do eixo da terra, não fazem nada por nossa cidade. Constantemente ouvimos os filhos desta cidade dizerem: Ora essa, os filhos daqui não fazem nada por isso vamos dar oportunidade aos de fora pra ver se fazem alguma coisa.
Enganam o povo sem sinceridade e dizem asneiras, observando portanto que o povo usa o pessimismo doentio, entregando a cidade aos carcarás e fiquem sabendo esses bichos, são os que não fazem nada mesmo, visto que não vão deixar de trabalhar pela sua terra em benefício da nossa. Por isso empregamos essa palavra popular: Mateus primeiros os teus e portando não vamos descuidar dos filhos da terra porque ruim com eles, pior sem eles.
Senhores é possível orientar o povo, mostrando o caminho verdadeiro que é o caminho da sinceridade, do amor a terra e queremos que seja tudo em torno de nós os cratenses, legítimos e adotivos e com certeza teremos amor a cidade.
A nossa opinião, é de falarmos que todos os cratenses não deverão dar apoio moral e eleitoral a esse pessoal que nos suga, levando o bom desta cidade para outras plagas.
Crato - Ce, 21 de maio de 2010
Relembrando Quintino Cunha – Por Carlos Eduardo Esmeraldo
Eu ainda sou daquele tempo em que andávamos nas velhas “Sopas do Anselmo” pela poeirenta estrada velha do Crato ao Juazeiro. Época em que os mais jovens, quando sentados nos ônibus ou lotações, se levantavam para oferecer o lugar aos mais velhos ou às mulheres. A não observância desse princípio de boa educação era tida como uma grande indelicadeza. Depois, estudando em Salvador, observei uma transição. Em vez de cederem o lugar para senhoras e idosos, os jovens pediam apenas para segurar os embrulhos dos mais velhos e senhoras. O que convenhamos, já era alguma coisa se comparada ao procedimento dos jovens de hoje.Atualmente, quando estou em Crato, e me desloco de ônibus do São José ao centro da cidade, não vejo os jovens oferecerem seus lugares aos mais velhos, como eu fazia, então. Talvez seja porque meus cabelos teimam em permanecerem castanhos escuros. Graças a isso, conforto-me pensando ser ainda uma criança. Aliás, a cada visita ao Crato, sinto que retorno um pouquinho mais jovem.
Outro dia, numa calçada, vi duas senhoras conversando enquanto caminhavam. Uma delas aparentava mais de 70 anos. Como eu caminhava um pouquinho atrás, sem querer escutei a conversa. A mais velha mostrava-se indignada pelo fato dos jovens não respeitarem os mais velhos. E contava à amiga que, juntamente com o irmão que tem mais de 85 anos, estavam no terminal de ônibus da Praça da Estação, para seguirem até a Parangaba. Quando o ônibus chegou, um grupo de estudantes do Liceu furou a fila e tomou a frente dela e do seu irmão, ocupando todos os assentos do ônibus, sem nenhuma preocupação com o coitado do velhinho, que ia em pé se lastimando das dores nas pernas e na coluna. A essa altura, pedindo desculpas às duas idosas me intrometi na conversa delas:
– O seu irmão deveria ter feito como fez Quintino Cunha há mais de sessenta anos – Disse-lhe eu.
– E o que foi que ele fez? – Indagou a velhinha. Então eu respondi:
– Ele entrou num ônibus lotado e ninguém lhe ofereceu o lugar. Chegou perto de uma mocinha que estava despreocupadamente sentada no banco da frente e lhe disse:
– “Moça, eu vou me sentar no seu colo!”
– “Com essa carinha?” – Indagou a jovem.
– “Não, com a minha bundinha!” Completou o genial Quintino Cunha
As duas senhoras esboçaram um risinho tímido e antes que dissessem qualquer coisa comigo, apressei meu passo e segui em frente. De longe olhei para trás e elas sorriram para mim.
Por Carlos Eduardo Esmeraldo
Cariri Cangaço avisa...
A noite de ontem marcou a visita do Cariri Cangaço aos descendentes de uma das mais tradicionais matronas da história do Ceará: Marica Macedo, ou Marica do Tipi. O encontro aconteceu na residência de uma das netas de Marica Macedo, em Fortaleza; dona Zaira Macedo Pinto; filha de Antônio Landim de Macedo, por sua vez filho de Marica.
Ao encontro estiveram presentes além de dona Zaira, seu esposo, senhor Moacir Pinto, suas irmãs: dona Ivone Macedo, dona Ione Macedo e ainda o escritor Vicente Landim de Macedo, além de outros familiares. O encontro para a apresentação do Cariri Cangaço à honrosa família, foi promovido por uma das organizadoras do Cariri Cangaço em Aurora; Jussara Macedo, e contou com a presença do Curador do evento, Manoel Severo, do presidente da SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço, escritor Ângelo Osmiro e do Diretor da Laser Vídeo, Aderbal Nigueira
Na oportunidade do encontro, os organizadores do Cariri Cangaço puderam conhecer mais de perto a fenomenal história da vida desta que sem dúvidas marcou época como uma das mais poderosas "coronelas" de saias, de toda a história do Ceará; Marica Macedo, ou Marica do Tipi.
Depoimentos marcantes de suas netas, Ivone e Zaira como também do escritor Vicente Landim de Macedo, sobre as várias passagens da vida da avó Marica, prepoderantemente os episódios do Coxá; onde pontuaram as figuras de Padre Cícero e Floro Bartolomeu; do fogo do Taveira, onde veio a morrer o primeiro filho de Marica e a posterior tomada de Aurora pelos partidários da Brava Sertaneja, comandados pelo Major Zé Inácio do Barro, Coronel Santana, Joca do Brejão, dentre outros potentados da época, que em represália ao cerco e fogo do Taveira, contra Marica; reuniram um pequeno exercito de 600 cabras e invadiram e tomara a intendência de Auroa. A partir dali , dezembro de 1908, Marica e seus correligionários iriam mandar na política até sua morte em 1924.
Foi confirmada a Conferência do escritor Vicente Landim de Macedo, neto de Marica; durante o Cariri Cangaço 2010, no dia 21 de agosto, no distrito berço da tradicional família, Tipi, no município de Aurora.
NOTA CARIRI CANGAÇO: O município de Aurora acolhe o Cariri Cangaço no dia 21 de agosto de 2010, quando teremos um conjunto de visitas aos principais pontos históricos da cidade, em seguida Conferência com o prefessor José Cícero sobre 0s 80 anos da Passagem de Lampião por Aurora, e logo após o almoço teremos a visita ao distrito do Tipi, onde teremos a Conferência de Vicente Landim de Macedo, sobre Marica do Tipi. O Cariri Cangaço tem o apoio da Prefeitura Municipal de Aurora.
Registro Fotográfico da visita e mais novidades sobre o Cariri Cangaço, você encontra acessando:
www.cariricangaco.blogspot.com
Manoel Severo
Dialogando com Elmano Rodrigues Pinheiro - por José do Vale Pinheiro Feitosa
Também é interessante o próprio uso do substantivo idiotice que é a qualidade de quem é idiota. Mas certamente o Elmano não falava do substantivo idiota como está dicionarizado, aquele do pouco discernimento. O mais provável é que falasse do oportunismo, do puxa-saquismo, da palhaçada de atos e manifestações. Claro que na política.
Por conta da postagem foi muito interessante o grande número de comentários. O Armando Rafael politizou a discussão de fato e acho que não caiu na bobagem de achar a política idiotice. O Carlos Rafael acusou o problema de transformar política em apenas briga de vizinhos, tipo aquela que se mata até por um problema de lixo na calçada. Já a Alessandra Bandeira, demonstrando o quanto os blogs são ricos para desvendar as diferentes visões, se mostrou cansada com a política.
Mas continuo achando que o Elmano, literalmente pisando em ovos, pois traz uma mensagem de racionalidade, traduzida como paz, na verdade não interdita o debate político. Ao contrário dar ao debate uma dimensão real, tem rostos como aquele painel de gentes, que vai desde o Padre Ágio a Dom Nilton, de Humberto Cabral aos Vaqueiros Encourados.
A política é, na essência, o próprio discurso humano. E o discurso humano já é, de cara, a interação, no mínimo, entre duas pessoas. E quando duas pessoas interagem, começa a política. Quando normalmente se escuta alguém dizendo que não gosta de política que não a compreende, logo imagino que tem dificuldade é com debates públicos. Às vezes familiares e até mesmo entre colegas.
Política não apenas se faz nos entes públicos. As empresas privadas, as Organizações Sociais, os blocos de Carnaval ou as organizações das Quadrilhas de São João fazem política e decidem através da política. A outra coisa é o comportamento social e, portanto, político das pessoas.
A ética é o centro deste comportamento. A ética de qualquer natureza, especialmente aquela que sustenta o direito do outro em divergir e de receber melhores argumentos sobre aquilo de que discorda. Talvez o que o Elmano tenha dito é que a idiotice seja o desconhecimento da ética por parte de alguns discursos políticos ou de alguns “métodos” empobrecidos de argumentos e que visam apenas denegrir o adversário.
O Elmano, acho que de modo consciente e muito inteligente, abordou a pluralidade através das fotos. Uma pluralidade que segue na contramão da exclusão, da interdição, da hegemonia de certos discursos políticos. Enfim, o Elmano trata a rigor dos espaços plurais, onde a política deixe de ser compreendida como apenas o veículo para uma única idéia. Especialmente em se tratando de anos eleitorais.
Aliás, mais do que nunca em anos eleitorais é necessários o bom embate e a exposição das diferenças. Se tem uma coisa que é favorável à humanidade é que ela pode até ser errática em tentativas diferentes, mas esta multiplicidade de visões tem sido um eixo fundamental da sua sobrevivência na natureza deste planeta terra.
POR JOSÉ NEWTON ALVES DE SOUSA
Vós que passais, detende-vos e olhai.
Vós da cidade, vós de longe, ide vê-la.
Agosto surpreendeu-a toda branca. Dizem chamar-se paineira, e ostenta-se à margem da estrada do Lameiro.
Contrasta com o verde escuro dos catolezeiros e dos ipês, com o verde gaio dos cajueiros e sirigüeleiras, com o penacho-esperança dos babaçus e com o verde-azul da chapada.
Cresce para o céu escampo como uma prece de criança ou como um sonho de noiva.
É prata sob o luar e abantesma ou Pierrot no claro-escuro das madrugadas.
Floriu primeiro o ipê roxo, quaresmeiro. Agora é a paineira, solitária, única, detentora de todos os feitiços.
Logo mais será o ipê amarelo, derramando-se em ouro-luz.
Ide ver a paineira. Vale bem o sacrifício da caminhada. O vale freme. As ondulações sucedem-se, nos meios tons das descontinuidades cromáticas. As cidades plantam-se, em aglomerados dinâmicos. Espalham-se, perdidos, os casebres. Os tropeiros fazem tremer as estradas. Mugidos curraleiros choram em alguma parte. Estudantes transitam de azul e branco, ou de branco e rubro. O ônibus, com esforço, vence a rampa. O vento levanta pó e folhas. Melodias cruzam o ar.
Mas olhai a paineira.
E não deixeis que a cortem, como a tantas árvores de nossa região. Antes, cercai-a de todas as proteções.
Sua presença é suavidade e amor.
E tão cruel e duro é o mundo além...
A Serra - por José Newton Alves de Sousa
De suas entranhas, mana a vida.
O flóreo revestimento, que a imprevidência, a desídia e a ignorância dilaceram, entremostra as manchas de arenito, sangrando ao sol.
Os cortes quase horizontais apontam rumos e guiam as almas para encontros sem calendário.
O teor da clorofila, nas roças dos sopés, assume todos os matizes.
Destaca-se um casarão de múltiplas janelas, numa insólita alvinitência.
Contêm-se as águas nas piscinas azuis.
A geometria monotoniza-se na linha da planura.
A serra, nestes sítios, não tem a inquietude das ascensões fascinantes, mas a providente disposição de um receptáculo.
Em seu largo e fundo seio, dormem as águas do céu.
LENHADORES - POR JOSÉ NEWTON ALVES DE SOUSA
E, ferido e rangente, o tronco bipartiu-se.
Os golpes, à distância, percutiram.
Fez-se luto ao redor.
A fagulha esplendeu e, cúmplice, o vento prosperou.
Um clarão alongou-se para cima, volatizando-se,
esvaindo-se em fumo.
Animas, em fuga, piam, grasnam, estridulam.
A fumaça passa do negro ao cinza.
Depois, a um branco indeciso.
Depois, a uma opacidade morta.
Depois, a nada...
A Pedrosa, a amizade de sempre
Um fato pitoresco que ocorreu e que, tanto Pedrosa quanto eu nos lembramos, foi de trocarmos revistas em quadrinhos, que papai sempre comprava, por cocadas. Sim, porque Dona Leonor tinha uma bodeguinha na casa dela e dentre os produtos vendidos havia uma deliciosa cocada que eu adorava. Então, cada vez que Pedrosa queria ler uma revistinha, eu ganhava uma cocada. Todo esse arranjo era muito bem organizado e longe das vistas da tia do rapaz, pois ela era fogo!
Um dia Pedrosa recebeu de papai, como incentivo, um livro de nus artísticos. Ele paginou o tal livro, saboreou as cores, os riscos e creio que já sonhava naquele tempo em ser este artista que é hoje, mesmo sem imaginar que chegaria a galgar este estágio e/ou esta projeção no mundo inteiro, de que usufrui merecidamente.
Pois é, mas esse presente que papai lhe deu não foi muito apreciado por Dona Leonor que considerou o livro como coisa pornográfica, "imoral" e deu, no coitado de Pedrosa, uns bons petelecos. Certamente deve ter considerado papai um perversor de menores ou coisa que o valha. Mas o que importa é que isto não inibiu em Pedrosa a vontade nem o gosto pela arte. E hoje ei-lo transformado num artista internacional, mas sempre simples e amigo como outrora.
Lamento não poder levar a ele e à filhota o meu abraço. E não poder também lhe mostrar minha prole.
Mesmo assim fica aqui meu abraço sincero e amigo.
Claude
Texto por Claude Bloc
Foto: recorte de foto de Heládio Teles Duarte (aquarelada por Claude Bloc)
AQUARELA- POR SOCORRO MOREIRA

se encaminham para o encontro
dos eus desconhecidos.
Um afim, em potencial,
é sempre um pedaço da gente,
que se descortina...
do nós conosco,
do vós convosco
dos eus
com nossos ( Z) EUS superiores
enquanto isso,
o caminho é construído
cheio de surpresas boas,
cheio de percalços,
que marcam,
nossa aprendizagem contínua.
E se não fosse
a paixão,
os bens inexplicáveis,
as emoções,
sinalizadas,
pela nossa sensibilidade...?
a vida seria uma desbotada
e vazia estrada...
sem terra, sem água,
sem sol, sem ar,
sem verdes folhagens...
e em tudo isso,
as cores primárias,
se movimentam,
pra compor uma aquarela sonora,
onde tudo vira instrumento,
pincel,
na mão da criatura,
que também é criador !
PERDAS - POR SOCORRO MOREIRA
Cristo,Buda,e outros, conseguiram se libertar dos tesouros materiais,
dos egos centrismos ...
Um dia me encontrei
num canto,
ferida , sem poder voar,nem mesmo caminhar
Estava totalmente exposta aos elementos
Agora me sinto forte , muito mais forte, do que pude imaginar
Eu sou o meu projeto, objeto e objetivo
verbo e substantivo da minha oração
NOTÍCIAS DA JURITI
Muita gente foi conferir os resultado da interação audio visual Juriti que aconteceu nesta terça dia 19 de maio no Auditório Patativa do Assaré no SESC, com a presença dos educandos, familiares e amigos dos integrantes da experiência que culminou com a produçao de dois curtas metragens, uma ficção - A catadora de Pequi e um documentário - Os sonhadores.
Na abertura o cineasta Jefferson Albuquerque destacou a importância da bolsa recebida da FUNARTE para desenvolver uma experiência de formação em vídeo junto aos educandos do Instituto de Ecocidadania Juriti, e aberto também para a comunidade em geral. Em seguida a coordenadora Geral do Instituto de Ecocidadania Juriti, a socióloga Cristina Diôgo destacou a importância do protagonismo infanto juvenil na área de audio visual e lembrou que o espaço e os equipamentos do IEJ devem ser apropriados pelas crianças quebrando o paradigma de uma sociedade adultocêntrica.
Após a exibição dos filmes foi entregue os certicados aos participantes e uma cópia em dvd contendo os dois curta metragens.
por Bloguinho do Telecentrinho
Por Ana Cecília S.Bastos
Um quase desejo de estar grávida neste mês de maio.
De transformações que trespassem meu corpo,
sem piedade.
Rotações e movimento, e que sejam inexoráveis.
Mover-se em trânsito para o que seja novo.
Não me contenho mais em mim, presa de peles e moldes de lembranças que passaram e se vingam de mim.
Da estória que não foi narrada, da canção que se calou.
Quero largar essa pele e inventar outras novas,
palavras que me tomem e desesperem.
por Ana Cecília
ABISMOS- por Ana Cecília S.Bastos

Algo descama e desce, inevitável e incontrolável como uma menstruação.
Tenho imagens e palavras, poemas que se insinuam, enquanto o tempo escasseia.
Quero escrever, mas estou sem sentidos.
Minha emoção em desterro me abisma na ausência da cidade da Bahia.
Ladeiras, abismos, sinuosidades:
água terra, isso me alaga e me define, a Bahia,
em todos os seus tempos de ser e de não ser.
A dor se extingue, lenta, inexoravelmente, deixando-me tão deserta quanto antes.
por Ana Cecília
Gracindo Júnior

Epaminondas Xavier Gracindo, mais conhecido como Gracindo Júnior (Rio de Janeiro, 21 de maio de 1943), é um ator brasileiro, filho do também ator Paulo Gracindo (falecido em 1995) e pai dos também atores Gabriel Gracindo e Daniela Duarte.
Filho do veterano ator Paulo Gracindo, estreou profissionalmente em 1962, na montagem original de A Escada, de Jorge Andrade, com direção de Ivan de Albuquerque, pelo Teatro do Rio. Seguem-se participações no musical Os Fantástikos, de Tom Jones e Harvey Schmidt, e na inovadora montagem de Onde Canta o Sabiá, de Gastão Tojeiro, dirigido por Paulo Afonso Grisolli. Participa da montagem de dois clássicos: A Megera Domada, de William Shakespeare, encenado por Benedito Corsi; e O Burguês Fidalgo, de Molière, com direção de Ademar Guerra, ambos de 1968.
A carreira de Gracindo Júnior é ligada a autores brasileiros contemporâneos, notadamente Oduvaldo Vianna Filho, autor de peças em que atua, tais como: Dura Lex Sed Lex, com direção de Gianni Ratto, pelo Teatro Opinião; Alegro Desbum, texto em parceria com Armando Costa, dirigido por José Renato; Corpo a Corpo, monólogo inédito na direção de Aderbal Freire Filho; fazendo sua estréia como diretor também com texto de Vianinha, em A Longa Noite de Cristal. De Leilah Assumpção, atuou em Jorginho, o Machão; e dirigiu e produziu Roda Cor de Roda. De Millôr Fernandes, atuou em A Viúva Imortal, pelo Teatro Nacional de Comédia, em 1967, e dirigiu É..., na montagem que fez temporada em Lisboa, em 1978. No mesmo ano, atuou também em Arte Final, de Carlos Queiroz Telles, encenação de Cecil Thiré e, em 1979, em Sinal de Vida, de Lauro César Muniz.
Nos anos 80, trabalhou com menos frequência em teatro, e dedicou-se mais à televisão. Entre as suas realizações cênicas destacaram-se um show em homenagem a seu pai, Paulo Gracindo, Meu Pai, que ele escreveu, dirigiu e produziu em 1981, e a sua participação no elenco de Obrigado Pelo Amor de Vocês, de Edgard Neville, com direção de Antônio Mercado, 1987, que fez longa temporada no Rio de Janeiro e, posteriormente, em Lisboa.
Na década de 90, atuou em Black Out, de Frederick Knott, com direção de Eric Nielsen, em 1996, e, ao lado de Marília Pêra, em O Altar do Incenso, de Wilson Sayão, dirigido de Moacir Chaves, 1999.
Atualmente, comprou briga com o SBT junto com Maitê Proença e outros atores por causa da re-exibição da telenovela Dona Beija.
Por Norma Hauer
Em 20 de maio de 1908 nasceu, na Pensilvânia (EUA), um dos grandes ídolos da história do cinema:JAMES STEWART.
Em sua época o cinema ianque estava em grande forma, havendo artistas e diretores que marcaram para sempre sua história.
Era um tempo em que o ator trabalhava mesmo .Sendo bom, marcava, não sendo sumia .
Havia poucos efeitos especiais o que descaracteriza o astro. Hoje o cinema só tem: violência, efeitos especiais e sexo explícito. James Stewart foi um dos artistas que mais brilhou em Hollywood, sendo dirigido por diretores famosos como Frank Capra e, principalmente, Alfred Hitchcok, o gênio do suspense.
Em "Do Mundo Nada se Leva" e "A Felicidade Não se Compra", de Frank Capra, ele era muito jovem, em "Sétimo Céu", com Simone Simon era bem mais jovem. Mas já despontava como um grande artista.
Mais maduro foi "descoberto" por Hitchcok com quem filmou "Festim Diabólico", "O Homem que Sabia Demais" (segunda versão,a primeira Hitchock filmou na Inglaterra em preto e branco),"Janela Indiscreta" e "Um Corpo que Cai".
Por seu trabalho em "Núpcias de Escândalo" recebeu o Oscar de melhor ator (1940)
Outros filmes importantes em sua carreira foram "Aeroporto 77" e "O Homem que Matou o Facínora".Seu último trabalho foi "Um Conto Americano", em 1991.
Faleceu em 2 de julho de 1997, aos 89 anos.
Uma coisa estranha é que ele foi o primeiro artista a fazer parte da 2ª Guerra Mundial, havendo ingressado na Aeronáutica um ano antes do ataque dos japoneses a Pearl Harbor.
Que quer isso dizer?Apenas que os americanos não foram apanhados tão de surpresa naquele ataque (como gostam de afirmar) e que já estavam se preparando para entrar na guerra.
Mas o que importa é que James Stewart foi um dos maiores astros do cinema de Hollywood dos anos 30 e 40 e enquanto aquele cinema foi importante na cinematografia mundial.
POR HELÁDIO TELES DUARTE
Para João Marni e Fátima
quinta-feira, 20 de maio de 2010
...E foram felizes para sempre !- Por Socorro Moreira
Dessa união nasceram três rebentos, cada qual o mais lindo !
De Monalissa , nasceram Breno e Maria Alice. É uma família construída com bases amorosas e cristãs.
Daqui a pouco vou até lá deixar o meu abraço, e comungar da felicidade possível, na simplicidade de um sonho que se fez realidade, e assumiu fórum de eternidade.l
Eu acredito no amor que não passa ! João Marni e Fátima representam um dos meus exemplos !
Que Deus lhes conceda muitos anos de vida e alegrias !
Abraços carinhosos da galera do CARIRICATURAS.
Temporão
Argemiro passara por todas as crises previsíveis no casamento. Contornara o cabo da tormenta nos dez anos, quebrara a porcelana nas bodas de vinte e já se engasgara com as pérolas nas de trinta . O fogo dos velhos tempos já se tinha arrefecido, restavam apenas algumas brasinhas embaixo de muita cinza. Atravessara a idade do lobo e do cachorro colérico e, finalmente, agora se dava um pouco por vencido. Os ciúmes da esposa, D. Guida, amainaram e o tesão se foi metamoforseando de amizade e companheirismo. Contemplava a companheira de tantos anos e já não conseguia deitar-lhe olhos de desejo. Parecia-lhe , agora, um verdadeiro desvio sexual querer bolinar a mãe dos seus próprios filhos, apalpar a avó dos seus netos. A mulher subira os píncaros nebulosos da menopausa e já não lhe cobrava tanto freqüência e performance. Ademais, nem podia: cada dia mais sexy-agenário ele usava um sem número de aditivos: para glicose, para artrite, para a próstata, para dormir, para acordar. E mais, vários medicamentos para uma hipertensão de difícil controle que por mais de uma vez o tinha rebocado para a UTI. Parecia um mutilado de guerra e foi aprendendo a viver com os espólios que lhe restaram.
Semana passada , no entanto, D. Guida notou uma mudança radical no comportamento de Argemiro. Depois de assistir ao Jornal na televisão, ficou meditativo como o pensador de Rodin. No dia seguinte desapareceu e não mais voltou para casa. A esposa valeu-se dos amigos e, antes de procurar a polícia, foi informada que o marido estava vivo, enfurnado na zona do Baixo Meretrício da cidade há mais de uma semana. Segundo seus companheiros mais chegados, vivia há mais de uma semana na esbórnia, com as meninas da “Boite de Maria Alice”. D. Guida imaginou que o marido tinha endoidado de vez, pois não tinha mais tesão nem saúde para tanto. Ele é uma laranja chupada, pensou a esposa, como é que as raparigas ainda estão conseguindo lhe arrancar algum sumo ? A esposa aumentou a preocupação quando recebeu a conta semanal da farmácia e notou um aumento considerável no valor da nota. Corrigindo os itens, cuidadosamentre, descobriu a razão : num só dia Argemiro comprara vinte e cinco comprimidos de Viagra. D. Guida , então, temeu definitivamente pela vida do marido turbinado : vai cair durinho – literalmente- numa overdose!
Na noite do décimo dia, um Argemiro de sorriso arregaçado retornou ao Lar, já não tão doce. D. Guida emaranhava-se num misto de raiva, ciúme e despreocupação. Partiu para cima do marido, como uma fera: safado, sem-vergonha, nojento, por que não ficou de uma vez com suas rapagigas da Boite de Maria Alice , seu farrista ? Argemiro, sem perder a pose, saltou de lá:
--- O quê ? Me respeite, mulher ! Você não ouviu as orientações do Ministro da Saúde na televisão? Sexo é o melhor remédio, minha filha! Como sua botica já faliu há muito tempo, eu procurei uma Clínica especializada em hipertensão: a da Dra. Maria Alice! Tava fazendo um tratamento intensivo!
A antiga laranja chupada havia se transformado num fruto temporão.
J. Flávio Vieira
AQUIETA-TE E SAI BABA: TU ÉS DEUS – NÓS SOMOS DEUSES DE VERDADE!
Imagine um dia em que todos os homens e mulheres reconhecerem que fazem parte de um Grande Propósito Cósmico, de uma Única Verdade Cósmica e de um Fantástico Projeto Cósmico. Nesse dia, as guerras cessarão, as diferenças religiosas e ideológicas desaparecerão e o ser humano finalmente se perceberá participando de um maravilhoso Processo de Criação Cósmica. E assim nesse dia todos se abraçarão e pedirão perdão pelo passado de injustiças, calúnias, conflitos, vinganças, ofensas e ataques ao outro irmão. Sinto a clareza da minha convicção de que esse dia chegará. E assim nos aquietaremos e unidos pelas consciências esclarecidas de quem somos nós agradeceremos ao Criador e choraremos copiosamente (como eu fiz um dia!) por termos nos iluminado de sabedoria Dele. Então, um novo dia surgirá de evolução amorosa e nunca mais nos desentenderemos porque a intuição Dele agirá em cada um guiando-nos para o caminho da eternidade onde só existe Vida Feliz.
Nesse momento, sentiremos porque foi importante termos primeiro passado pelo que passamos com doenças, sofrimentos, incertezas, angustias e crises psicológicas. As palavras dos homens e mulheres (santos, profetas, filósofos, cientistas, místicos etc.) que haviam compreendido o significado transcendental da existência humana farão sentido e ganharão uma interpretação renovada. Seremos verdadeiramente sábios de fato – incontestável! O conhece-te a ti mesmo deixará de ser uma mera afirmação filosófica e será a nossa base de autoconhecimento e sucesso espiritual. Viveremos o paraíso na Terra. E com certeza alcançaremos a dimensão supra-humana Dele.
O nosso espelho será a nossa própria consciência evoluída! O trabalho ganhará um novo sentido: realização espiritual. E o silêncio interior terá vez e voz em nós. Seremos Uno e nunca mais servidores partidos em políticas, ciências, religiões, classes, raças, nações e cores. A nossa bandeira será o AMOR CÓSMICO! E o significado de sucesso será a felicidade manifestada nos chakras do “coração”. E saberemos com certeza a Origem do Universo e o Princípio da Vida. E todas as formas de saber se convergirão para um único ponto: a Sabedoria do Amor!
Acredite se quiser: Todos são Deuses de Verdade – lá no fundo da alma, na fronteira entre a alma humana e o Espírito Divino! Eu sou testemunha desse acontecimento fabuloso. E sejam Felizes e Alegres – repletos de Verdade – para sempre. A Verdade Cósmica liberta e nos nutre com AMOR DELE!
Bernardo Melgaço da Silva
Professor e Pesquisador do Núcleo de Estudos sobre Ciência, Espiritualidade e Filosofia – NECEF – Departamento de Ciências Sociais – Universidade Regional do Cariri (URCA) - Ceará
Os liberais estão perdidos! - por José do Vale Pinheiro Feitosa
Nesta semana, o Professor Armando Rafael publicou num dos blogs da região, um artigo do Mailson. Normalmente estes textos são reproduzidos com o viés ideológico de um debate que efetivamente ocorre, especialmente agora, ano eleitoral. Aliás, o blog em que foi publicado o texto do Mailson, se torna, cada vez mais um blog da rede do PSDB na campanha pró-Serra.
Acontece que neste artigo do Mailson ele se apequena, apenas se cuida em trocar farpas com a esquerda e nitidamente se encontra perdido. Como, aliás, a maior parte dos economistas e das pessoas em geral. A crise continua, a Europa se encontra a perigo, os EUA parecem de manhã renascer e entardece com uma melancolia de fim de mundo. O vigoroso capitalismo japonês se eclipsou no oriente, ninguém ouve mais a não ser lamúrias.
Se o Mailson fosse um velho bolchevista vendo o fim da URSS, não analisaria de modo diferente o que ocorre à sua frente e muito além da sua compreensão. Acontece que não adiante usar a “gracinha” do trenzinho do Corcovado, quem à esquerda do Mailson vestir a carapuça, pode sentar-se ao lado do ex-ministro, não muito brilhante, e, também, chorar. A situação não se encontra bem e sabem o motivo?
Tudo bem salvaram os bancos, não promoveram o protecionismo e desequilibraram os orçamentos. E agora, quem paga a conta das três medidas? Não era mesmo dos liberais a frase de que “não há almoço de graça”? Alguém terá de pagar. Os trabalhadores de modo geral já estão no sacrifício. As famílias com dívidas altas e redução de renda. Sem as famílias o consumo cai e a economia? Recessão. Mais arrocho, que agora o estilo “stalinista” de camuflar, chama de “Ajuste Fiscal” e tudo é puro nervosismo.
Ninguém nesta grei do Mailson diz coisa com coisa. Os governos socialistas da Europa vão pagar uma conta amarga. Na Grécia e na Espanha serão eles a exigir o estômago da população. Mas os conservadores não têm a varinha mágica da solução da crise e também pagarão caro. Hoje as bordunas brandem para a cabeça da Angela Merkel. O nervosismo sincero dela neste dias deixou os “mercados nervosos”.
Aliás, um dos obstáculos dos assemelhados ao Mailson da Nóbrega foi ter “personalizado” o mercado. Do mesmo modo que os antigos fizeram Deus à imagem e semelhança dos homens (sei que inverto, mas olhem os afrescos da Capela Sistina). Ora substituíram economia e classes sociais pela imagem de um burguês pançudo, mal humorado e desconfiado com quem quer mais. Resultado: perderam a capacidade de enxergar além da companhia deste senhor bem de vida e muito apegado aos seus bens e valores.
Esta gente aí está muito parecida com a corte de Luis XV, têm a sensibilidade para as mudanças do clero francês às vésperas da Revolução ou dos aristocratas de província olhando para as suas glebas e os camponeses famintos a rodeá-las.
A questão é que não se trata, simplesmente, de ondas de esquerda ou direita nos sistemas eleitorais, o centro mesmo é a crise do sistema que produz, distribui e consome. E as pessoas estão sofrendo.
Pensamento para o Dia 20/05/2010

“A consciência (Chittha) deve ser primeiro removida do mundo objetivo e direcionada para o interior, em direção à consciência do Ser Eterno, o Atma. As sementes podem germinar rapidamente somente quando plantadas em uma terra bem arada. Do mesmo modo, a semente do Auto-Conhecimento (Vidya Átmico) pode brotar no campo do coração somente se ele passar pelo processo necessário de refinamento (Samskaras).”
Sathya Sai Baba
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Acabei de falar com as tias High-Tech pelo Skype - por José do Vale Pinheiro Feitosa
Elas, felizmente, não leram o Cariricaturas no dia de ontem. Eu teria as orelhas puxadas mesmo no ambiente virtual. Aquilo postado soube por um primo que tem uma memória fotográfica e a tudo assistiu na varanda enquanto costurava uma sela que havia se rasgado. Ele é uma das minhas fontes sobre elas. Vamos à troca de palavras.
- Tia Mundinha, as senhora não considera ter saudade boa coisa para a senhora, não é?
- Mas meu filho quem foi que disse diferente? Tenho tantas saudades das coisas passadas e distantes que me torno mais viva com as coisas diante de mim. Saudade, viu, é peça de ajuste. É capaz de separar os objetos e fatos do mundo conosco dentro.
- Tia Rosinha a senhora não pensa como tia Mundinha, não é verdade?
- É e num é. Eu tenho que viver o agora e saudade é de coisa vivida. Mas não esqueço quando podia mais, lamentar o que deveria e não fiz, ter amor pelo que já não existe. Sempre prometi amor duradouro e quando dura, se ama até aquilo que já não está mais.
- Tia Maria o que a senhora pensa disto tudo?
- Eu não gosto de ficar me lamentando pelas coisas passadas. Nem me preocupo com as mudanças que a vida faz. O que não pode ser modificado de um modo, o será de outro. A sabedoria é achar que este outro existe. O mesmo corpo que foi menina serviu para a adolescência e hoje, como foi outrora, é o mesmo da minha idade. E vou dizer uma coisa, chegar até aqui é um privilégio danado. Ainda estar em companhia das meninas e ter uns sobrinhos queridos como você é tudo que me esforcei por ter. Mesmo quando não se pode, se busca algo parecido.
- Não quero deixar as senhoras perdendo sono, amanhã tudo começa muito cedo, mas me digam uma coisa, bem simples, o que diria para alguém ainda jovem mas que um dia terá as idades das senhoras?
Rosinha foi a primeira a responder – Faça tudo de bom para ter saudade. Ela é a medalha premiada de quem fez coisas tão boas que se busca algo igual, mesmo que no sentimento de privação delas.
Tia Maria veio em seguida – A nossa idade não é diferente da medição da idade em qualquer época da vida. Aniversário é comemoração por ter vivido, mas viver, em qualquer idade, é inventar o que ainda não existe.
E finalmente tia Mundinha – Não tem nada para dizer. Viver, talvez, seja o resumo de antes, de agora e depois.
COMPOSITORES DO BRASIL

CARTOLA
“O lirismo na melhor tradição
da poesia popular”(José Ramos Tinhorão)
Por Zé Nilton
Muita gente torce o nariz para as predileções musicais do crítico José Ramos Tinhorão. Ele é, diz-se, nacionalista demais, regionalista demais, popular demais quando o assunto é música.
Cá pros meus botões, eu gostava de ver Tinhorão franzir a testa, ficar possesso, furibundo mesmo quando entrava na defesa da Música Popular Brasileira de raiz. E para ele música de raiz é aquela música que nasce do telurismo dos vários brasis. Ele amava Patativa do Assaré.
A meu ver Tinhorão refundou uma escola tipificada numa crítica ácida na defesa da música brasileira seguindo as pegadas de um Ary Barroso, continuada num Flávio Cavalcanti, num Zé Fernandes, numa Aracy de Almeida, para citar alguns que me chegam à memória neste momento.
Não nego uma certa queda por sua posição ideológica de víeis intransigente na defesa da nossa musicalidade diversa. Ou seria melhor dizer: de sua intransigência de víeis ideológico... Para mim dá no mesmo. Certo é que tenho muita confiança em pessoas que aliam teoria e prática como discurso e vivência.
Bem, Tinhorão, ao falar de Cartola, e de tantos outros compositores brasileiros, o faz de forma coerente com sua visão materialista da História, situando o sujeito na sua condição de pertença às diversas classes sociais hierarquizadas no capitalismo.
Sobre Agenor de Oliveira – Cartola – escreveu no encarte da História da Música Popular Brasileira: “Negro, pobre, desprovido de beleza física, educação escolar limitada ao primário e jamais integrado de forma duradoura à estrutura do trabalho (foi aprendiz de tipografia, pedreiro, pintor de paredes, guardador e lavador de carros, vigia de edifícios e contínuo de repartição pública), o compositor do morro de Mangueira parece ter tirado exatamente de todas essas desvantagens o vigor de sua criação”.
E que criação a desse compositor de voz temporã na Música Popular Brasileira!
Sobre Cartola há muita informação nos sites de música, letras e vídeos na grande rede. Vale a pena saber mais sobre esse homem que “cultivou o lirismo na melhor tradição da poesia popular”.
No programa musical desta quinta-feira, na Rádio Educadora do Cariri, de 14 as 15 horas, Compositores do Brasil comentará algumas obras do mestre Cartola, tais como:
DIVINA DAMA, de Cartola com Chico Buarque
O SOL NASCERÁ, de Cartola e Elton Medeiros, com Nara Leão
TIVE, SIM, de Cartola com Ciro Monteiro
TEMPOS IDOS, de Cartola e Carlos Cachaça com Cartola e Odete Amaral
NÃO QUERO MAIS AMAR A NIGUÉM, de Cartola, Carlos Cachaça e Zé da Zilda com Paulinho da Viola
ACONTECE, de Cartola com Gal Costa
QUEM ME VER SORRINDO, de Cartola e Carlos Cachaça com Carlos Cachaça
ALVORADA, de Cartola e Carlos Cachaça com Carlos Cachaça
O MUNDO É UM MOINHO, de Cartola com Cartola
AS ROSAS NÂO FALAM, de Cartola com Cartola
ENSABOA, de Cartola com Cartola e Creusa
AUTONOMIA, de Cartola com Elizeth Cardoso.
Quem ouvir verá!
PROGRAMA COMPOSITORES DO BRASIL
Pesquisa, produção e apresentação de Zé Nilton
Rádio Educadora do Cariri – 1020
Quintas-feiras, de 14 às 15 horas
Apoio: Centro Cultural Banco do Nordeste – Cariri
Retransmissão: www.cratinho.blogspot.com




