Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Literatura de Cordel – (em pinceladas)

A literatura de cordel no Brasil

Devido ao atraso da chegada da imprensa por aqui e seu acesso pelo público, as produções literárias de populares tiveram seu apogeu apenas no século XX.

Nossa literatura de cordel é caracterizada, principalmente, pela poesia popular. A prosa aparece muito mais na forma oral, que passa de geração para geração.

Como é uma manifestação muito mais cultural do que intelectual, destaca-se em regiões onde a cultura é mais valorizada e delineada. Aqui no Brasil essas regiões são a Nordeste e a Sul.

Afinal, temos ou não um país de leitores?

Não, não temos. Com o caos social que vivemos hoje, a urbanização e, sim, a marginalização dos antigos camponeses, a literatura de cordel mudou bastante, refletindo agora a nova realidade que o povo vive.

Tudo isso não significa que o brasileiro lê mais ou menos. Significa que a literatura popular está longe de desaparecer e continua aí para, talvez, ser uma primeira opção na luta pela difusão da leitura no Brasil.

Fonte: http://www.lendo.org/o-que-e-literatura-de-cordel-autores-obras/

A cirurgia do jogador Washington

Washington Stecanela Cerqueira (Brasília, 1 de abril de 1975) é um futebolista brasileiro que atua como atacante. Atualmente, joga pelo Fluminense.
Washington ficou famoso por ter se sagrado artilheiro do Campeonato Brasileiro de 2004, pelo Atlético Paranaense, com trinta e quatro gols depois de superar um problema cardíaco, que poderia ter encerrado a sua carreira.
Problemas no coração
Depois de chegar no Atlético Paranaense, em 2003, Washington foi reprovado nos exames cardiovasculares, e precisou submeter-se a uma cirurgia de cateterismo.
Nesta época muitos consideraram que sua carreira havia acabado. Entretanto, acreditando em sua força de vontade de voltar aos gramados, o presidente do Atlético, Mário Celso Petraglia, apostou em sua recuperação, dando todo o apoio e disponibilizando toda a estrutura do clube para acompanhar o retorno do goleador. Um ano depois, o clube e sua torcida seriam recompensados com a campanha de Washington e do Atlético no Campeonato Brasileiro de 2004. Graças a esse evento de garra e superação, ficou conhecido como Washington "Coração valente".

Fonte Wikipédia.

O "pequeno-grande" detalhe - José Nilton Mariano Saraiva

Vladimir Souza de Carvalho, natural do Estado do Sergipe, responde, hoje, pela nobre e invejada função de Desembargador do Tribunal Regional Federal (TRF) da 5ª Região, localizado em Recife e com ascendência sobre vários estados dessas bandas do Brasil.
Helder Monteiro de Carvalho, também natural do Estado do Sergipe, guarda mais que o sobrenome do Desembargador: é filho do dito-cujo e terminou o curso de Direito já há algum tempo, lá na terra natal. Só que, muito embora graduado, não se encontra habilitado a exercer a profissão, em razão de um “pequeno-grande” detalhe: nas quatro oportunidades em que se submeteu ao exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), não obteve aprovação.
Certamente que sensível ao constrangimento do filho e atuando preventivamente no resguardo de uma sua nova participação efêmera, o ilustre Desembargador houve por bem conceder liminar ao pedido apresentado pelos senhores Francisco Cleuton Maciel e Everardo Lima de Alencar, cearenses bacharéis em Direito e que pleiteavam exercer a advocacia independentemente de serem aprovados no exame da OAB (evidentemente que o “vil metal” deve ter rolado alto em tal decisão).
Fato é que, se entrasse em vigência tal decisão, certamente que “carradas” de ações seriam impetradas por todos aqueles que não conseguiram aprovação (inclusive o filho do ilustre), bem como estaria em jogo a própria sobrevivência do exame da OAB, já que restaria desmoralizado.
Além do que, no entender do Conselho Federal da OAB, se mantida a decisão do “paizão-coruja-zeloso”, se escancararia uma oceânica brecha para que bacharéis sem a formação competente e adequada exercessem a advocacia, porquanto desprovidos dos mínimos conhecimentos técnico-jurídicos.
Em razão do exposto, é merecedora de encômios a sábia decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro César Peluso, em cassar a liminar apresentada por um “pai com o coração de mãe” (onde todos têm proteção e arrimo).
Agora, já pensaram se a presidência do Supremo Tribunal Federal estivesse sendo exercida pelo Gilmar Mendes (aquele que, mesmo nunca tendo sido “Juiz” chegou a “Ministro” e à presidência do Supremo Tribunal Federal, por obra e graça de FHC, quando aproveitou a oportunidade para, atropelando ritos processualísticos e desrespeitando os colegas de profissão, num só dia conceder dois habeas-corpus para livrar da prisão o maior bandido do país, Daniel Dantas).
Esses nossos magistrados...

Eclipse - Aloísio


Eclipse


“Eclipse de luna en el cielo” (1)
Esta música nos meus tímpanos,
Não desaparece mesmo dia claro,
Dedilhada nas teclas do piano

Houve um eclipse total do sol
Faz tempo, minha mãe contou
De repente tudo virou noite
“E o mundo não se acabou” (2)

Este fenômeno natural a despertar
Temores numa população inculta
O burburinho de gente a comentar
“Silêncio na cidade não se escuta” (3)

E assim neste vai e vem
Claro, escuro, de novo o clarão
Agora paro, danço e ouço
“Nas voltas do meu coração”
(4)


(1) Eclipse (Margarita Lecuona)
(2) E o Mundo Não Se Acabou (Assis Valente)
(3) Cálice (Gilberto Gil / Chico Buarque)
(4) Roda-viva (Chico Buarque)


Aloísio

Afinal qual foi a primeira mulher? – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Jornais, Rádio e Televisão apregoam que agora nós temos a primeira mulher como Presidente da República. Que nada! Somente agora é que resolvemos mostrar a cara, nos despir de nosso encardido machismo e assumir definitivamente que há muito vivemos num reino do matriarcado. O que os meios de comunicação social deveriam propagar é que agora não temos mais necessidade de usar intermediários. A maioria dos brasileiros, cansada dos “paus mandados” resolveu colocar as coisas nos seus devidos lugares.

Antes de uma mulher assumir pessoalmente pela primeira vez o cargo da Presidência da República, nós tivemos um número bastante elevado de mulheres que igualmente mandaram nesse país. Lembremo-nos de algumas daquelas senhoras que, nos últimos sessenta anos comandaram nossos destinos, quase sempre às caladas da noite: Darcy Vargas, Carmela Dutra, Sarah Kubitschek, Eloá Quadros, Maria Tereza Goulart, Iolanda Costa e Silva, Scila Médici, Dulce Figueiredo, Marly Sarney, Rosana Collor, Ruth Cardoso e Marisa Letícia. Aos respectivos maridos, a quem nós apelidávamos de Presidentes da República cabiam sempre a última palavra: “A pois tá certo, minha querida.”

A propósito desse assunto, havia na época do Regime Militar um prefeito de uma capital que além da sua própria mulher, recebia ordens da mulher do governador. Certo dia, um jornalista quis saber dele se era verdade que ele fazia tudo que a mulher do governador mandava. “É sim, se ela mandar eu faço e, antes que ela mande eu já estou fazendo.”

Agora eu acredito que assumimos de fato nossa real condição, pois uma mulher foi eleita pelo povo brasileiro como a primeira Presidenta da República. Espero que ela use a sensibilidade da qual toda mulher é possuidora para olhar pelos pobres, e reduzir ainda mais as enormes desigualdades sociais e conduzir nosso país para dias melhores ainda.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo
O fascínio pelas palavras
- Claude  Bloc -


No decorrer desses últimos anos, tenho (re)descoberto, não só um novo amor pelos livros, mas também por palavras. Falei em redescobrir porque as palavras sempre me fascinaram e também me fascina o poder que elas exercem. Não me refiro apenas a palavras soltas, mas mais concretamente ao uso delas na linguagem que utilizamos. Observar, por exemplo, como as palavras rolam em sua/minha boca e sente quando você/eu quer/o dizê-las. Como uma frase pode soar poética enquanto fere como faca.

Eu tenho um verdadeiro fascínio por palavras, sobretudo as incomuns e seus significados interessantes. Tenho também o hábito de colecionar coisas que me surpreendem e encantam. Bem antigamente eu escrevia meus diários e exercitava neles uma linguagem polida. Lapidava meus pobres sonetos de adolescente deslumbrada pela métrica e pelos sons repetitivos da rima. Isso para mim era causa de descobertas fantásticas que se completavam com a ajuda de um dicionário. Rimas tinham ritmo, sonoridade e soavam para mim como música, pois transportavam meus sonhos mais delicados. Eu me sentia desafiada a “ter um caso” com palavras e saia de fininho de volta à vida em circulação, curtindo as palavras novas, buscando nelas seus mais diversos sentidos.

Hoje eu prefiro muito mais ouvi-las como num disparate. Insensato talvez. Ouvir falar bobagem até; nonsense usados na vida cotidiana como, por exemplo, outra pessoa dizendo "eu sei" – o que se sabe da vida? Ou... o que você sabe de mim? Sei que nos dias de hoje usamos uma linguagem simplificada quando falamos e por isso, talvez estejamos perdendo a oportunidade de usar palavras expressivas ao sermos sucintos demais e espirituosos de menos.

Não é que eu pense que devamos ser tão sutis ou pomposos como se costumava ser antigamente, na maneira de falar... nem acredito que possamos trazer de volta o tempo em que não éramos tão dependentes abreviações como no caso das mensagens de texto na internet e dos e-mails. Mas eu bem que gostaria de poder trazer de volta a arte de escrever, usando palavras que hoje estão perdidas e que precisariam voltar a viver.

Claude Bloc

UMA CURIOSIDADE QUE SEMPRE TIVE


Símbolos do Alfabeto Grego

Nas aulas utilizamos muitas vezes símbolos do alfabeto grego. Uma vez que nem sempre estes são bem conhecidos aqui vai uma lista, ordenada alfabeticamente, com o nome dos respectivos símbolos.

(Pergunta minha: Como soam as letras do alfabeto grego quando se juntas às outras?)

Tabela 1. Alfabeto Grego



segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

"E agora? O que será do vazio sem a lixa, os ferros e os martelos?
Como serão as noites sem a solução do inacabado da tarde?
E as manhãs acordadas para experimentar as soluções urdidas nas noites silenciosas?

Será uma outra arte?
A de fazer a madeira ecoar as vibrações das cordas de aço?
A rabeca revirar este mundo que se esconde na música dos astros?"
(José do Vale )


Estou cheia de atividades domésticas. Aproveitarei o mês de Janeiro pra colocar em ordem a minha vida.
A vantagem de um blog coletivo é que ele não perde por esperar siêncios e ausências.

Voltarei depois de um pequeno intervalo.Voltarei em Fevereiro !

Abraço com carinho todos os meus amigos.


AS PERIPÉCIAS DE UM JORNALISTA

Pedro Esmeraldo

Fim de ano! Foi horrível para mim. Tive um comportamento assombrado, estimulado por pessoa maldosa, de baixo nível social.

Fiquei deveras magoado e continuarei com mágoas até o fim com uma figura estóica que permanece com asas sustentadas por alguém que deveria ser uma pessoa notável no meio político, pois se iguala a outra figura semelhante, dando prioridade a suas doutrinas de homem de comportamento desequilibrado.

Mas o que fazer? Essa figura notável se diz filho do Crato, deveria comportar-se como político de alta linhagem democrática, mas que “perde as estribeiras”, assemelhando-se aos seus comparsas e trazer boas maneiras com boas perspectivas para o Crato. Mas não, essa figura se perde no espaço vazio, aloja-se a pessoas perversas que só sabem esmaecer os amigos, pretendendo anuviar o bom procedimento dos cidadãos de bem.

Parei de escrever por uns dias a fim de equilibrar-me emocionalmente, fugindo das forças negativas que invadem o Crato.

Graças a Deus, volto à luta, enfrento o batente tenebroso para mostrar aos amigos que os considero indigestos, (porque não sabem o que dizem), não sou pessoa de esmorecer por pouca crise, visto que “o que vem de baixo não me atinge”, vou em frente, permanecerei na luta com muita garra, enfrento dissabores e cairei em cima dos erros que surgem constantemente.

Saibam senhores cheios de idéias fantasiosas (que cheiram mal), Crato não comporta esse tipo de pessoas dúbias e que pensam que o mundo é deles e entorpecem o desenvolvimento da cidade com palavras maldosas.

Neste presente momento, volto a dizer a esses homens apáticos que só sabem debochar de suas companheiras, se quiserem viver em paz, não repita mais esses atos grosseiros e deixem de dizer asnice ofendendo seus amigos. Seria melhor calarem com essa boca, dando abraço de tamanduá, aquietando-se, deixando-nos em paz.

A leitura como finalidade - Emerson Monteiro

Dentre outros resultados da leitura como hábito saudável, ler com frequência ativa funções cerebrais necessárias para viver consciente e com maior durabilidade no tempo.
Um conhecimento, que é de todos, repete os ditos da ciência de que o que não se usa atrofia. Em vista de serem os neurônios células vitais do sistema nervoso, à medida que se apagam, levam consigo a vitalidade essencial do bom andamento das demais atividades do corpo. Enquanto que a constância da leitura mantém a sobrevivência dessas células, e ocasionam saúde ao corpo inteiro.
Há um livro intitulado A arte de ler ou como resistir à adversidade, escrito pela pesquisadora francesa Michèle Petit, que desenvolve o tema da leitura do modo utilitário, sob o ponto de vista psicológico. Ela considera o ato de ler nos momentos críticos da vida, diante das desilusões amorosas, morte de pessoas da família, doenças, crises ou catástrofes coletivas, qual instrumento poderoso de restabelecimento dos aspectos pessoais positivos. Naquelas ocasiões, o livro apresenta sua fidelidade ao leitor, de modo a permitir energias suplementares para vencer os embates difíceis da existência.
Amigo incondicional, o livro conduz as pessoas a lugares mentais que lhes permitem chegar aos meios da calma, apaziguando distúrbios e conflitos ocasionais.
Em todos os cantos, leitores utilizam o poder da leitura para reverter situações adversas, mostra a pesquisadora, desde a Europa à América Latina, Brasil, Argentina, México, Colômbia. Ela viajou pelas diversas localidades estudando experiências de professores, psicólogos, artistas, escritores, editores, trabalhadores sociais, considerando diferentes públicos, crianças, adolescentes, mulheres, homens, escolarizados, marginalizados, sempre com a visão essa interpretativa da leitura e sua utilidade revitalizadora.
Na concepção dessa estudiosa francesa, a leitura conduz ao esquecimento temporário da dor, do medo e da humilhação (...) para despertar a interioridade, colocar em movimento o pensamento, relançar a atividade de simbolização, de construção de sentido e incita trocas inéditas. Conclui, então, que o hábito de ler permite intercalar momentos de paz nas realidades dolorosas, ofertando uma sobrevida aos leitores. Invés de fuga do mundo real, ler permite uma pausa, um intervalo necessário para curar as feridas de uma realidade demasiado dolorosa, nas suas palavras.
Segundo Michèle Petit, apropriar-se dos livros é reencontrar o eco longínquo de uma voz amada na infância, a relembrança dos entres queridos e suas sonoridades em que as palavras são bebidas como se fossem leite ou mel.
Resta a todos, também por isso, valorizar o hábito da boa leitura e o privilégio de se ser alfabetizado entre tantos que ainda não obtiveram esse direito.

domingo, 2 de janeiro de 2011

CÉU DE SANTO AMARO - POR FLÁVIO VENTURINI E CAETANO VELOSO

Para quem não assiste às novelas como eu, não há porque não gostar de uma música como esta...

Uma letra sobre um clássico...

Uma interpretação envolvente de Caetano e Venturini.


POEMA MUSICADO - por Ulisses Germano

Um dia foi visitar a casa de uma amiga que escreve poesia. Aliás ninguém havia combinado nada de se encontrar. Tudo expontâneo, sem veleidade .Chegando em sua casa ela me mostrou vários de seus poemas. Pilhas de papel! Uma pequena biblioteca poética pessoal,  intransferível. O nome dessa amiga é Socorro Moreira. Musiquei algumas poesias quase que instintivamente, instantaneamente. Tudo gravado.  Eis um belo poema transformado em chorinho!

POEMA MUSICADO
(Crônica de um Sentimento)
(Letra: Socorro Moreira; Música: Ulisses Germano)

Existem pessoas que parecem pregos
Nos colam em telas ou no céu da vida
Existem coisas já inatingíveis
Que se escondem sempre
Sem nenhuma pista

Perdi o desejo
De achar no outro
O olhar de encanto
Que me enternecia

Se já não suspiro
Ainda respiro
A paixão que um dia
Me deixou perdida


P.S. estou chegando no Crato, grato!

Esperança de dias melhores- Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

A passagem do ano gera nas pessoas uma alegria, uma vontade de mudar do velho para o novo. A virada do ano é comemorada com festas reunindo familiares e amigos. As cidades ficam coloridas com a explosão de fogos de artifícios. Há sempre uma esperança que dias melhores virão com muita saúde, emprego e felicidade. Também é um momento para refletirmos sobre a nossa mudança interior. Assim como é tempo de arrumarmos a casa, os guarda-roupas nos desfazendo do supérfluo, roupas de que nem precisamos e lotam os armários e poderiam ser aproveitadas por pessoas necessitadas. Participando de uma missa há alguns anos, nunca me esqueci das palavras do padre: “quando esvaziamos os nossos armários para doar roupas que não precisamos mais aos pobres, eles é que estão nos fazendo a caridade, pois queremos desocupar os armários”. O padre queria nos mostrar que em vez de acumular devemos partilhar o que temos de melhor. Assim é também com nosso espírito. Este é um momento para mudar nossa vida e iniciar o ano praticando mais o amor. Como conseqüência teremos um ano melhor para nós e para os outros. O primeiro passo para sermos melhores e nos doar mais é nos livrarmos do egoísmo, da falta de amor e da indiferença. É muito importante abrirmos o nosso coração a vivência do amor e da solidariedade.

O Evangelista João diz em suas cartas, que devemos amar uns aos outros, “pois o amor vem de Deus e quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor”. O amor aos irmãos nos leva a praticar o bem fazendo os outros felizes e promovendo a nossa própria felicidade. A felicidade está nas pequenas coisas: na união da família, na alegria de ter amigos, na doação aos outros. Saindo da indiferença e fazendo a nossa pequena parte, quem sabe ajudaremos um pouco mais na construção de um mundo sem violência, com mais paz e justiça. Não podemos perder as esperanças.
Desejo a todos os leitores e colaboradores desse blog um Ano Novo cheio de paz, amor e felicidade.

Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

UM POUCO DA CANÇÃO FRANCESA ...

Dedico a Hubert e Janine Bloc (in memoriam)

Duas versões de "Sous le ciel de Paris".

A primeira com Juliete Greco e a segunda com Mireille Mathieu.



AFAC - Convida

A AFAC-ASSOCIAÇÃO DOS FILHOS E AMIGOS DO CRATO CONVIDA:
 
CONVITE
 

O Instituto Cultural do Cariri e a AFAC – Associação dos Filhos e Amigos do Crato, convidam para o lançamento do livro "Sobre as Ondas", de autoria da contista cratense Rita Maria Lopes Guedes Santos

DATA: 28 de janeiro de 2011 às 19:30 h.

LOCAL: INSTITUTO CULTURAL DO CARIRI ENDEREÇO: 
 
Rua Cel. Filemon Teles Nº 01 (em frente à Expocrato)
 
OBS: Ao comprar o livro você estará ajudando o Instituto "Toca do Assis." do Crato.
 
Sinta-se desde já convidado.
 
Um forte abraço.

Pensamento para o Dia 02/01/2011


“Apenas um devoto fervoroso pode compreender e experimentar a bem-aventurança da união com Deus. Açúcar tem gosto amargo se uma pessoa sofre de malária. O defeito está na sua língua, não no açúcar. Assim é o caso de uma pessoa imersa em desejos mundanos. Se você está imerso nisso, não pode experimentar a doçura da Divindade. Tenha a firme convicção: "Deus está em mim, comigo, ao meu redor, atrás de mim." Quando você pondera sobre essas idéias, você se torna divino. Nunca acolha o pensamento de que você está separado de Deus. ”
Sathya Sai Baba

Raimundo Fagner - Emerson Monteiro

Há precisos 33 anos, ao seja, na virada do ano de 1977, encontrei o cantor cearense Raimundo Fagner. À época se apresentava na Quadra Bicentenário, em Crato, ainda nos passos iniciais da caminhada de êxitos que trilharia desde então. Dessa aproximação, viria a lhe oferecer hospedagem, a ele e a alguns amigos que com ele viajavam, Amelinha, Francis Vale, Wiron Batista, Afonsinho e mais duas jovens das quais não recordo os nomes. Morava com meus pais, naquela ocasião. Eles se achavam ausentes. A casa permaneceu, alguns dias, ao nosso dispor, enquanto o grupo ficou no Cariri uns dois ou três dias mais, e com eles seguiria para passar o Ano Novo em Orós, na casa dos pais de Fagner. Depois, no mesmo grupo, fomos até Fortaleza.
Nesta oportunidade, conheci alguns dos amigos dele numa comemoração que antecedeu apresentação do cantor, promovida no Teatro José de Alencar, no princípio de janeiro de 1978. Das figuras que se reuniram naquela noite, em um restaurante próximo à residência de Fagner, lembro de Ricardo Bezerra, Fausto Nilo, Stélio Vale, Alano Freitas, Sérgio Pinheiro, Cirino, dentre outros, todos ligados às artes e à música popular cearense, os quais formavam a intelectualidade artística de Fortaleza. Cirino eu conhecera antes, exímio violonista, havia estado com ele em algumas vezes em Crato, quando estabelecêramos amizade, e eu auxiliara no lançamento de um disco seu, no antigo auditório da Faculdade de Filosofia, nas instalações do antigo Patronato Padre Ibiapina.
Depois, passados esses anos todos, agora, no Révellion do Centenário de Juazeiro do Norte, de 2010, volto a encontrar Raimundo Fagner, em sua apresentação do evento. Nesse meio tempo, nosso contato fora só através de um telefonema, quando coordenei o Comitê Contra a Fome, a Miséria, pela Vida, no Banco do Brasil, começos da década de 90, e buscava instrumentos de ampliar os recursos daquela atividade com algumas promoções.
Em 1977, pois, Fagner despontava a nível nacional desde o seu primeiro disco, Manera Fru Fru Manera, gravado em 1973. Dono de uma carreira artística preenchida de sucessos, agora integra o elenco dos nomes imortais da música brasileira, dado seu talento de músico, cantor e compositor, dos mais festejados entre os valores da cultura do Ceará.
Nesta apresentação, em Juazeiro do Norte, o músico cantou algumas das composições que marcam os momentos destacados de seu repertório, para público estimado em 40 mil pessoas, cantando logo após as apresentações de Fábio Carneirinho e Luiz Fidelis, depois sequenciado por Maurício Jorge, na programação que iniciou a pauta das atividades alusivas ao Centenário da Independência de Juazeiro do Norte, neste ano de 2011.

Haja coração - José Nilton Mariano Saraiva

Dentre os muitos momentos marcantes (e foram diversos) da posse da presidente Dilma Rousseff, três merecem especial destaque, no nosso entendimento: a) quando a ex-guerrilheira, agora na condição de “Comandante em Chefe” das Forças Armadas, passou em revista a tropa, representativa formal de seus outrora algozes e torturadores (vocês já pensaram no simbolismo de tal momento e de como ela deve ter se sentido ao beijar a bandeira nacional ???); b) quando o ex-torneiro mecânico e “analfabeto”, Lula da Silva, coroando sua impressionante e brilhante trajetória, passou a faixa presidencial para a primeira mulher eleita presidenta do Brasil (por ele indicada e chancelada pelo “seu povo”); e, c) quando o “analfabeto”, deixando de lado a formalidade e o rígido protocolo que caracterizam tais solenidades, atravessou a rua e correu para os braços e abraço da “galera”, dela recebendo verdadeira ovação (foi chororô que não acaba mais).
E como temos plena consciência de que os jurássicos e ultraconservadores “machões” da vida dizem que um homem não chora e que o choro masculino é sinal de fraqueza, de algum desvio ou coisa parecida, não temos nenhum constrangimento ou receio em afirmar, de público e peremptoriamente, que nessas três oportunidades não deu pra segurar e as lágrimas rolaram espontâneas, fartas e generosas. E que naquele momento sentimos orgulho, um profundo e imenso orgulho de ser brasileiro e puder testemunhar tudo aquilo.
Haja coração.

árvores bailarinas nas nuvens

Não acredites no meu inferno nem quando digo
que a vida é bacana e meu anjo da guarda legal.

Não penses que uso as palavras com lealdade.
Cada verso eu passo horas tramando
como enganar a mim mesmo.

Poemas que escrevo hoje
amanhã eu apago
(envergonhado
e triste) .

Então não busques minha alma nos meus versos.
O lugar certo para encontrares minha alma
é antes da escrita naquele momento
inexplicável.

Depois da segunda palavra
há um arranjo obscuro
entre o que é fogo
e o que já é cinza.

O Brasil e a educação - Por José de Arimatéa dos Santos

Observei o discurso de posse da Presidenta Dilma Rousseff e fiquei impressionado quando ela comparou o professor a uma autoridade. É necessário e urgente um outro olhar dos governos para os professores e a educação em geral. Defendo que a autoridade do professor seja no estilo de respeito que o aluno e a comunidade devem ter com o mestre. Porque sabemos o quanto o trabalhador em educação está sem o devido respeito e o professor é o que mais sofre devido principalmente a carga de trabalho imposta nas costas do mesmo além da grande responsabilidade que muitos pais passam para o mestre. Muitas das vezes alguns pais acham que o professor é que deve educar seu filho no aspecto da boa educação no respeito aos mais velhos, autoridades e símbolos nacionais. Acredito que quando o aluno chega a escola com a educação da família(berço) nossos filhos aprenderão os conhecimentos tão necessários para a formação deles e para o desenvolvimento do Brasil. A escola desenvolverá seus projetos educacionais de forma consistente e com poucos conflitos que sem sombra de dúvidas atrapalham o bom andamento do trabalho educacional.
Mais do que necessário reforçar que o professor é uma autoridade. Sempre foi. Hoje a autoridade do mestre está um pouco arranhada devido ao descaso dos governos para esse vital setor do país. Sempre falo que o magistério é a profissão do futuro porque só pela educação o Brasil terá condições de crescer economicamente e almejar ficar entre as cinco maiores potências do mundo. É só o país crescer um pouco mais e várias oportunidades de trabalho não são preenchidas por falta de mão de obra qualificada. Investir no ensino fundamental, médio e universitário, além do ensino técnico, mas de uma forma planejada e observando onde se falta mais profissionais de determinada área.
Então foi muito auspicioso o discurso da Presidenta Dilma em relação a educação quando falou que o respeito ao professor é necessário e apartir daí é possível um outro olhar para o ensino brasileiro. Defendo melhor remuneração, treinamento e condições de trabalho para o mestre. E que as escolas passem a ser o local em que o aluno vá com prazer e mais interessado na aprendizagem e com perspectivas de um futuro brilhante. Uma educação em que a comunidade escolar possa ter vez, voto e autonomia. Assim já será um bom começo para a Presidenta Dilma, governadores e prefeitos. A meu ver ela começou bem. Agora é esperar que o discurso saia do papel e as realizações cheguem a escola.

Urinar ??? Defecar ??? Só se pagar, otário !!! - José Nilton Mariano Saraiva

Você, aí do outro lado da telinha, observe só algumas das “benesses” do “maravilhoso” processo de privatização patrocinado pela “tucanalhada”: no pequeno, desconfortável e hoje desestatizado Terminal Rodoviário Engenheiro João Tomé (vulgarmente conhecido por Estação Rodoviária de Fortaleza), estacionar não sai por menos de R$ 2,30 (tanto faz se a demora é cinco minutos e até uma hora; se passar de uma hora, acréscimo de R$ 0,50 por cada hora excedente); a “taxa de embarque”, sem que se saiba qual a lógica ou mágica fórmula “econométrica-matemático-financeira” embutida em tal procedimento, varia de acordo com a distância do destino de origem; assim, se você vai para uma das cidades da região metropolitana (a 10/12 quilômetros), o preço é de R$ 0,64... mas que pode chegar a quase R$ 4,00 se o destino é o sul do país. E aí vem a imoralidade: o que tem a ver “taxa de embarque” com “distância a ser percorrida” ??? O certo é que, como tem linha de ônibus contemplando tudo que é canto desse imenso país, o movimento diário é incessante, mesmo na chamada “baixa estação”.
Agora, por exemplo, período de férias ou “alta estação”, a coisa chega à beira do caos, tanto são os ônibus demandando para outras plagas. Por via de conseqüência, os sortudos concessionários estão rindo à toa com o suave e mavioso tilintar das moedas em seus bornais sem fundo. Imaginem a fortuna que arrecadam diuturnamente.
O que mais chama a atenção, entretanto, é que, se você vai viajar ou simplesmente deixar alguém para embarcar na Rodoviária de Fortaleza, antes, terá de certificar-se de que sua “bexiga” se acha totalmente esvaziada e, também, evite depositar algo sólido no estômago, às vésperas. Sim, porque se você tiver o azar de ter que exercitar alguma necessidade fisiológica (mesmo que emergencialmente), terá que submeter-se, sem choro nem vela, quer chova ou faça sol, à seguinte “TABELA DE PREÇOS”: pra “urinar” – R$ 0,75; se quiser também “defecar”, acrescente mais – R$ 0,25 por um assento descartável; e se você se “brear/melar/sujar” e precisar tomar um banhozinho básico, mais R$ 2,00 terá que desembolsado. Portanto, nem sonhe de esquecer sua carteira de cédulas, sob pena de ter que urinar e defecar nas calças, à frente de todos (e os carrancudos funcionários plantonistas são insensíveis a qualquer apelo, mesmo que de um indigente).
De outra parte, e com o calorão que está fazendo em Fortaleza, se você sentir sede e pretender “melar o bico”, mesmo que com um frugal refrigerante ou uma água mineral (natural), terá que submeter-se à imposição e preços extorsivos de ambulantes não muito simpáticos e abusados, que por lá circulam (que, evidentemente, para tanto, se sujeitam ao pagamento de uma salgada “taxa” aos concessionários). E tudo isso porque o antigo “restaurante”, que durante muito tempo serviu de apoio àqueles que apreciam uma “geladinha” com tira-gostos, antes do embarque, simplesmente fechou as portas, já há vários anos, por conta do aluguel “exorbitante” cobrado pelos concessionários. E como perdura uma certa inflexibilidade em relação ao preço do tal aluguel cobrado, não tem empresário do ramo que se disponha a pagar o que é exigido, deixando aquele valioso espaço ocioso já há bastante tempo.
Enfim, a Rodoviária de Fortaleza é o exemplo pequeno, mas vivo e pulsante das “benesses” propiciadas pela privatização. Só não vê quem não quer.
Observação: um nosso amigo, de Sousa/PB, de passagem por Fortaleza, ficou tão revoltado com tudo aquilo que, simplesmente, deixou pra urinar no meio da rua, em frente à Rodoviária, sob os olhares dos transeuntes (e correndo o risco de ser preso).

"Escrevo para dar felicidade. " [Rubem Alves]

Às vezes damos valor a coisas tão voláteis. Às vezes ficamos restritos a querer  possuir objetos, coisas meramente materiais. Vejam, através de Rubem Alves, o que realmente nos traz a alegria verdadeira. Nossos melhores presentes.
Claude Bloc

"No dia do meu aniversário os números vão mudar, como mudam no rodômetro, aquele aparelhinho no painel do carro que marca a quilometragem. Está lá "67" e aí, de repente, o "7" dá um pulo e o "8" aparece no seu lugar. Esse é um jeito de marcar o tempo, contando os números.

Jeito bobo. Os números não dizem nada. Há um verso sagrado que diz: "Ensina-me a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos corações sábios." Muita gente envelhece sem ficar sábio. O que é um sábio? Sábio não é quem sabe muito. Sábio é quem come a vida como se ela fosse um fruto saboroso. O sábio presta atenção nos prazeres e alegrias de cada momento. E o que dá prazer e alegria não são coisas grandes, festas com bolo, bexigas e presentes. O que dá alegria são coisas pequenas. Por exemplo: brincar com um cachorrinho. Balançar num balanço. Andar na água fria de um riachinho. Ver um ipê florido. Ler um livro. Armar um quebra-cabeças. Ver fotografias antigas.

Não quero presentes comprados. Não preciso de nada. Um presente que vocês, minhas netas, e os meus filhos, me poderiam dar é simples: ler as coisas que eu escrevo. Cada coisa que eu escrevo - quero que cada uma delas seja gostosa como um morango vermelho... Escrevo para dar felicidade. " [Rubem Alves]

sábado, 1 de janeiro de 2011

Aos amigos e amigas do Cariricaturas - Emerson Monteiro

Admiro os frutos do trabalho com que se dedicam ao nosso querido Blog.
De certeza este Novo Ano vem nos achar dia a dia melhor identificados na rara oportunidade do encontro e do reencontro, razão maior das nossas produções elaboradas com amor e satisfação.

Abraço de Paz e Saúde!

AUTORRETRATO COM VOTOS DE ANO NOVO



                                
AUTORRETRATO
COM VOTOS DE ANO NOVO


Quiseram-me para padre
mas era muito difícil
viver com a molecada
no seminário dos padres

(dos futuros padres – na marra!
porque muitos são chamados
e poucos os escolhidos
– e quem não é escolhido
vai para os quintos do inferno!)

O jeito foi descobrir
a poesia – sinal de liberdade
com um anjo de cada lado
e as duas mãos de Deus no meio

Deus nunca mais me largou
por mais que eu esperneasse
fizesse o diabo a quatro
e ficasse todo estropiado
de não ter mais jeito não

A poesia nunca mais me largou
por maior que fosse a preguiça
e esperasse que os poemas
caíssem se espiralando do céu
– nem que fosse o céu das cabras
ou dos bodes chupando manga

Poesia é iluminação
mas Deus não dá assim de graça
é preciso quebrar a cabeça
o joelho e o tornozelo
brigar com os anjos como Jacó
tirar leite da pedra
e sangue da terra

(Verdade que certos poemas
não têm jeito não
Como talvez
este que lês
que é como pau que nasce torto
Também, não briguei com a cobra
nem briguei com nenhum anjo)

Juro que sou feliz
como Mário de Andrade
que morria de sofrer
mas achava a vida gozada
e proclamava: “A própria dor
é uma felicidade.”

Neste ano que principia
desejo a todos muita poesia
paz, saúde e alegria
Deus esteja com vocês
meus amigos, meus inimigos

(mas eu não tenho inimigos!)

As sementes do amor
se multipliquem em todos
os corações – e Viva a vida!



Curtas. Liduina Vilar.

Ano Novo menino é.

Necessita de construção,

embalo sem abalo,

nos braços, abraços... Atenção!

Meu primeiro Ano Novo – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Recuando no tempo, as minhas lembranças remontam a alguns episódios de quando eu tinha dois anos de idade. Antes de sua morte, a minha mãe se surpreendeu quando eu, já velho e barbado, lhe perguntei em que ano ocorreram determinados fatos da minha infância. Guardo muita coisa na minha memória anterior, hoje com sua área de armazenamento já totalmente preenchida, de modo que não mais me ocorrem lembranças de anos mais recentes.

Eu tinha quatro anos e três meses de idade, quando descobri que o tempo era medido em anos. Leni, uma pessoa muito querida em nossa casa, rasgou a folhinha do calendário e disse: “Hoje é primeiro de janeiro de 1950. Faltam dez anos para o mundo acabar”. Foi assim que eu fiquei sabendo de duas coisas. Primeira: que cada determinado período de nossa vida constituía um ciclo que nós denominávamos ano. A segunda foi uma informação que me deixou bastante apreensivo. O mundo um dia iria acabar. E este dia estava bem próximo, pois dez anos para mim seria uma coisa que passaria rapidamente. Esta perspectiva do fim do mundo me apavorou só em pensar, que toda a vida existente um dia se acabaria. Por isso, a cada primeiro de janeiro, revejo a imagem de Leni puxando a folhinha do calendário e destacando aquele marco. Hoje guardo um sorriso pelos anos e anos em que tive medo das “três noites de escuro” que prenunciava o “fim do mundo” previsto, portanto para ocorrer em 1960.

Neste ano, que ontem se encerrou, quando me encontrava na UTI de um hospital, durante o pós-operatório de uma delicada intervenção cirúrgica, senti por alguns instantes a proximidade do “fim do mundo”.... E lembrei-me de Leni, que hoje vive no “outro mundo” preparando para os anjos e santos seus deliciosos bolos, pudins e o incomparável “baba de moça”, um doce feito com a polpa do coco verde, com os quais me empanturrei durante tantos anos. Tenho certeza que seus divinos clientes não correrão o risco de ter suas artérias obstruídas, como ocorreu comigo.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

O Bigode de Hitler

Matozinho desfizera bravamente aquela famosa máxima brechtiniana : “Triste de um povo que precisa de heróis”. A vila alimentava quase que religiosamente sua história. Como temperá-la sem a água benta dos seus beatos, o sangue dos seus mártires, o riso dos seus sátiros, a pólvora dos seus heróis ? No que tange às façanhas militares, havia um valente soldado que imantava o orgulho de todos : Capitão Candóia ! Hoje o seu busto contempla a todos com olhos severos , defronte da prefeitura municipal. Como um guardião derradeiro da vila, da pompeiana Matozinho.
Os anais da história oficial da cidade não mentiam. Candóia fora um herói, servindo ao Exército Brasileiro na II Guerra Mundial. Voltara do conflito carregado de louros e, mesmo depois da vitória final dos aliados, continuara sua missão militar, como caçador de nazistas, mundo afora, uma espécie de Simon Wiesenthal tupiniquim. Este era, basicamente, o resumo das atividades bélicas do nosso Candóia, presente nos alfarrábios oficiais de Matozinho. Fora esta, também, a versão que permanecera na memória do povo, até porque os fatos acontecidos já ultrapassavam a longínqua distância de quase seis décadas e testemunhas de outras versões já tinham passado dessa para pior. Restara apenas o velho Sinfrônio Arnaud que teimava em não fraquejar, parecia uma braúna com mais de noventa anos. Às vezes, já tresvariava, como diziam os familiares, mas aparentemente ainda mantinha o vigor dos antigos anos. Pois bem, aqui vai a versão da épica vida de Chiquim de Candóia, o herói matozense, segundo a língua afiada do velho Sinfrônio.
Em 1943, o Brasil recém entrado na II Guerra, chegaram militares em Matozinho com fins de alistar soldados para defender a pátria do perigo nazi-fascista. Vários voluntários se apresentaram à comissão, recebidos com fogos e vivas. O Sargento Rufino , vindo da capital como chefe da missão, buscou escolher um bom destacamento. Passadas as primeiras revistas, sentiu-se desolado. Os homens que apareceram eram magricelas, baixinhos, e despombalizados, totalmente inaptos ao serviço militar. Para justificar ao menos sua ida àquelas plagas longínquas, Rufino, meio frustrado, escolheu apenas um, mesmo assim com a pulga atrás da orelha: Chiquim de Candóia ! Era meio parrudo, mas entroncado como tamborete de samba.
A partir desse momento, Chiquim foi imediatamente alçado à categoria dos heróis. Festas, discursos inflamados, presentes e assédio de moças donzelas atacaram Candóia por mais de dez dias, enquanto arrumava os teréns para sentar praça na capital. Partiu ao som da Banda de Música da Vila entoando Cisne Branco e do choro convulsivo de familiares e de mocinhas saudosas. Ao chegar à Capital dirigiu-se , imediatamente, para o quartel indicado, o glorioso 14 RI, onde, ao apresentar-se com carta de Rufino, foi novamente submetido a exame militar e médico. A conclusão dada por um oficial carrancudo e de poucas palavras lhe pareceu absurda:
--- Pode voltar prá casa, mocinho, você , magro que só assovio de sagüi , baixinho e de perna cambota, não serve aqui nem prá bucha de canhão !
Candóia saiu dali totalmente arrasado. Sentou-se na praça defronte ao quartell ( já que não conseguira sentar praça lá dentro ) e, num átimo, resolveu:
--- Não volto prá Matozinho de jeito nenhum ! Saí nos braços do povo, não posso voltar assim derrotado, sem ter disparado nenhum tiro de soca-soca nem baladeira !
Saiu perambulando até o cais do porto e foi ficando por lá. Começou a fazer bicos como estivador, arranjou um quartinho ali perto e foi se estabelecendo, por lá. Periodicamente desembarcavam e embarcavam tropas e Candóia ia se atualizando sobre o andar da guerra. Um dia um soldado vindo da Itália, lhe agraciou com uma farda velha. Todo carnaval Chiquim usava-a como fantasia, acrescia no figurino um longo bigode de palhaço que colava no lábio superior e saía, corso afora, com cara de general. Um belo dia soube da notícia : a guerra tinha acabado, os aliados por fim venceram e o III Reich fora esmagado.
Passados vários meses, enquanto carregava um navio cargueiro com frutas destinadas aos gringos,na Europa, bateu-lhe uma saudade danada de casa. Deve ter sido o cheiro inconfundível da manga rosa que se mesclava com as mais ternas fragrâncias da sua infância. Naquele mesmo dia, resolveu voltar. Já haviam se passado três anos e nunca dera uma notícia sequer, os familiares certamente, já deviam tê-lo como abatido em campo de batalha. Vestiu a farda velha , pegou a velha sopa de Duzentos na Rodoviária e partiu ! Nem é preciso dizer o alvoroço que o retorno do filho pródigo causou em Matozinho. A notícia correu de boca em boca na velocidade do vento: o herói estava de volta ! Durante mais de uma semana Capitão Chiquim de Candóia não parou. De boteco em boteco, de casa em casa ia desfilando incontáveis histórias das terras estrangeiras, da sua braveza e destemor no Campo de Batalha; das mortes incontáveis que teve que causar, para não ser trucidado pelo inimigo feroz.
Uma semana depois da chegada, Candóia foi homenageado em reunião solene da Câmara Municipal com a presença ilustre do Prefeito Pedro Cangati. Depois de inúmeros discursos laudatórios à braveza do herói matozense, o presidente apresentou decreto que criava a Medalha de Honra Capitão Candóia, a ser ofertada periodicamente “a matozenses que tenham defendido sua terra com o destemor típico dos heróis, colocando os interesses do município acima de quaisquer aspirações pessoais, inclusive da própria sobrevivência física”. Após o discurso de praxe, o Prefeito Pedro Cangati, solicitou que o Capitão contasse os terríveis momentos por que passou em terras estrangeiras:
--- Caro Chiquim, qual foi para você, herói desta vila, o momento mais difícil da guerra ?
Candóia não esperava pela pergunta e , pego de surpresa, invocou o testemunho de alguns soldados que haviam desembarcado na Capital. Lembrou que eles falavam numa batalha de “Monte Castelo”. Fincou o pé, empinou o peito e não contou conversa:
--- Amigos, o momento mais terrível e perigoso foi a tomada do Castelo de Hitler. O homem tava entocado lá em cima, como tatu acuado. Quando nos chegamos perto, o tiro comeu no centro. Eu chamei uns soldados e tive a idéia de arrodear e entrar pelas portas dos fundos. Saltamos o muro e, enquanto os outros soldados guerreavam, subi as escadas e, la´em cima, abri a porta. Hitler tomou um susto danado quando me viu. Estava sentado numa cadeira velha de balanço , fez finca-pé e tentou fugir. Eu pulei em cima dele e sustentei o salafrário pelas orelhas cabanas dele. Comi o safado na chulipa e no sabacu. Nisso meus companheiros conseguiram entrar pela porta da frente e chegaram lá onde eu brigava com o Füher. Começaram a me dizer uns impropérios pois era eles que queriam ter o privilégio de pegar o homem. Começamos a discutir e eu me abestalhei, nisso o safado se escafedeu, eu ainda segurei ele pelo bigode, mas não teve jeito, puxou, puxou, puxou e escapou pulando lá de cima e pegando o gramear, por dentro de um carrasco danado que tinha em volta do castelo.
Cangati, então, abismado com o feito pergunta:
--- Capitão Candóia, você trouxe alguma lembrança da guerra?
Chiquim, pensativo, num deixe-me-ver reflexivo, meteu a mão no bolso da farda e encontrou o bigode que lhe completava a fantasia de carnaval. Puxou-o e, firmemente, colocou-a na mesa. A platéia, perplexa, se levantou para ver a prenda. O prefeito, meio confuso pergunta:
--- Candóia, que diabo é isso, homem de Deus ? Um Bigode ?
Chiquim, deu uma pausa teatral e, com imponência, explicou:
--- Isso ? É o bigode de Hitler...
Pedro remexeu no bigodão meio flocado em cima da mesa e, meio descrente, interroga?
--- De Hitler ? Mas ele não tinha era um bigodinho miudinho, que parecia uma mosca varejeira sentada no beiço ?
Candóia não se entregou:
--- Era miudinho, mas depois que eu agarrei o homem pelo bigode, ele puxando para se escafeder, parecia um burro brabo,dando popa,e foi tanto supapo que o bicho terminou esticando e virou esse espanador...
As festas continuaram até que o bravo herói matozense avisou que precisava voltar pois o exército já o chamara, precisava voltar ao trabalho, agora com uma nova missão caçar o Fürer fujão. Sinfrônio conclui sorridente a sua história:
--- Até ontem, Candóia não voltou! Deve estar ainda na captura do homem. Quando pegar, tenho certeza : traz junto Bin Laden e Belchior !

J. Flávio Vieira

Funções da autoestima - Emerson Monteiro

O zelo para consigo mesmo torna-se, todo tempo, fator por demais importante para viver uma vida saudável do ponto de vista interior, o que facilita sobremaneira o relacionamento com os outros, com o mundo que nos rodeia e alimenta desejos de prosseguir e aperfeiçoar a realização daquilo a que se veio aqui fazer neste pedaço de universo. Os obstáculos já vencidos no transcorrer dos embates do caminho mostram o quanto podem as pessoas, em termos de coragem e resultados. Temos todos, reunida em nós, na nossa personalidade, uma enorme lista de vitórias obtidas no transcorrer dos acontecimentos de nossa história pessoal. Parar um pouco e estudar este material precioso serve de reciclagem e dispositivo para considerar o quanto de recursos e instrumento de reforço dispomos, nos passos seguintes desse traçado que nos conduzirá à formação do nosso projeto individual.
As tais anotações guardadas na memória demonstram, junto ao tribunal das consciências, o poder que dispõe o ser humano, vezes sem conta, ao querer atravessar as tempestades. Ninguém merece título de perdedor quando detém as provas de sucessivas vitórias, nas lutas apresentadas pelo caminho. E nunca serão poucos os tais acertos, desde nosso início, ainda na infância; depois, na juventude; e entrando pela idade adulta. Jamais cruzar os braços ou baixar a cabeça perante desafios, esta a lição preciosa que todos reservam para si na justiça eterna, livres do que pensem adversários ou imponham os limites da resistência.
Aprendida, pois, essa atitude positiva de resistir com garra aos males do fracasso, guerreiros erguem os olhos à metade superior da linha do horizonte e tocam o barco em frente, no sentido de concretizar seus maiores sonhos, detalhe sobretudo salutar do processo vida, sonhar sempre com o que de melhor se pretende trazer ao foco das realizações. Enquanto há vida, há esperança, dizem orientadores que querem o nosso bem. O amor às coisas boas encaminha todo percurso a destinos favoráveis. Com isso, criar na imaginação o porto a chegar, o que abre, no mundo invisível, o trilho de uma exata concretização desses sonhos. Passado em miúdos, isto quer significar o quanto pode a capacidade humana de planejar o futuro e conquistar territórios.
Houve um filósofo romano de nome Sêneca que, certa feita, escreveu que nenhum vento é favorável a quem navega sem destino, daí a importância do ato de formular o endereço firme do que se pretende realizar na existência.
Bom, quando recebidas com atenção e postas na prática, as palavras alimentam de ânimo o roteiro das pessoas, frutificando as nossas ações e o gosto de crescer ao infinito de nossas potencialidades.
Novo Ano, Ano Novo!
- Claude Bloc -


Um novo ano
um novo dia
um novo olhar
noutro olhar
todos os amores
num só...
Já que tantas palavras
não falam
sobre a distância
que se desfaz
somos presentes
por tanto tempo
e tanto faz.

Um novo ano
um novo dia
e a cada ponto
um reencontro.
Um novo dia
todavia
é sol que brilha
no recomeço
de tanto sonho,
quando amanheço.

Claude Bloc

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Sou tão antiga que, no dia de hoje , escuto Glen Miller.


Vamos dançar ou brindar ?