Criadores & Criaturas
"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata."
(Carlos Drummond de Andrade)
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segunda-feira, 16 de maio de 2011
Mandaram o FMI intervir no Palocci, detonar o Garrincha e algemar o gerente - José do Vale Pinheiro Feitosa
A transa de 1 milhão de Dólares que deu errada - Ou "A camareira mais cara do mundo"
Hoje o mundo foi sacudido por um dos maiores escândalos sexuais de todos os tempos. Vendo a CNN, como sempre faço durante a madrugada, enquanto estou a preparar a edição do Jornal Chapada do Araripe, um fato curioso me chamou a atenção, dentre tantos outros. Não foi o pedido de aumento do limite de gastos do governo americano para além dos 14.3 trilhões de dólares feito ao congresso pelo Pres. Obama, para um país em vias de entrar numa recessão e arrastar o planeta junto;Também não foi a notícia de que o ditador Líbio Muamar Kadafi foi condenado sob acusações de violar os direitos humanos e coordenar pessoalmente o massacre de milhares de civis, mas a notícia singular mesmo, foi um caso clássico de "Romeu e Julieta" - Uma daquelas novelas de amor não resolvido. O diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI), o Francês Dominique Strauss-Kahn foi preso, sob acusação de práticas sexuais ilícitas e tentativa de sexo forçado com uma simples camareira de um hotel em Nova York.
Foi chocante ver um dos homens mais poderosos do planeta, que têve importante papel na resolução da crise econômica global de 2008, ser exposto ao "cuspo da plebe", trazido algemado e escoltado por 2 policiais, que o levaram até um distrito como um qualquer. Dominique é ( ou era ) também um dos favoritos à sucessão ao governo francês, competindo com Nicolas Sarkozy, então presidente da França, que deve estar "morto de feliz" a essa altura.
Para sua defêsa milionária, Strauss-Kahn teria contratado nada menos que o advogado que defendeu Michael Jackson naquela estória toda de abuso sexual de crianças, e que na época, quase deixou Jackson "falido", lembram-se ? No dia de hoje, Strauss-Kahn foi levado à presença de uma juíza ( ora, outra mulher... ), que negou-lhe a fiança de 1 milhão de dólares, que ele estaria disposto a pagar sem pestanejar, pois dinheiro não lhe falta. A juíza entendeu que estabelecendo uma fiança, seria um passo para o que o acusado pegasse o primeiro vôo para Paris e simplesmente sumir de vista, onde as leis americanas não poderiam mais alcançá-lo. Visivelmente abatido, com cara de quem não dormiu nem fez a barba, Strauss-Kahn não ocultava o semblante de alguém ao mesmo tempo perplexo e irritado com a multidão de repórteres e fotógrafos dos grandes jornais do mundo, que se acotovelavam para tentar obter o melhor ângulo.
Mas que situação embaraçosa!
Vemos um dos homens mais poderosos derrotado pelo velho ímpeto de dar em cima das domésticas, como qualquer mortal o faria. Vemos um lobo mau, que a exemplo de bilhões de outros, se apaixonam e se deixam levar pelos desejos mais primitivos ao verem um "chapeuzinho vermelho".
E como todo milionário que é pego com a boca na botija, logo aparecem outras acusações; Uma senhora já veio a público dizer que a sua filha também já havia sido também assediada pelo Diretor. do FMI, mas que na época, resolveu não prestar queixa à polícia.[ leia-se: Aí vem mais alguns milhões de dólares em indenizações ].
Esse tipo de escândalo, fartamente explorado pela grande mídia está cada vez mais comum. Homens de meia idade, mal amados por suas esposas, se deixam flagrar em situações constrangedoras que de outro modo, seria absolutamente normal, e à partir daí são levados aos tribunais, onde urubus famintos lhe sugam até os últimos centavos. Triste de quem cair nessa espiral da morte. Analisando o caso Dominique Strauss, vemos outros paralelos famosos na história. Por exemplo, a grande Cleópatra, a magnífica rainha do Egito, seduziu não um, mas dois imperadores de Roma, Pompeu, e o trúnviro Marco Antonio, levando-os à ruína. Ainda na idade antiga, temos o famoso caso de Helena de Tróia, relatado na Ilíada de Homero, que segundo o qual, por causa de uma mulher, levou-se a um dos maiores confrontos de reinos do mundo antigo. Nos tempos modernos, podemos citar o famoso caso Bill Clinton com Monica Lewinsky, que incluia sessões de sexo oral no salão oval da Casa Branca. Vale salientar ainda que em todos esses casos, os homens é que entraram pelo cano, e as mulheres envolvidas, sairam com alguns "trocados" a mais...
Com Strauss-Kahn não será diferente. Acostumado a correr atrás de qualquer rabo-de-saia, a sua fama de garanhão chega ao fim. Isso não seria problema, se a economia do planeta não estivesse em jogo. E aqui começamos a associar os fatos: Justamente numa época em que a recessão bate à porta da Casa Branca em 14.3 trilhões de dólares; Justamente na época em que a Grécia, Portugal e outros países precisam de uma urgente negociação com o Fundo Monetário Internacional; justamente quando a OTAN gasta milhões de dólares por dia para manter os ataques ao odioso regime de Kadafi na Líbia; O Japão tenta se recuperar de um terremoto e de uma Ysunami jamais vistos...
...Aí vem uma camareira de hotel perturbar a órdem econômica mundial ?
Olha! o que um bom par de pernas não faz...O planeta hoje ficou nas mãos de uma mulher, que pode confirmar, ou simplesmente negar todas as acusações. Não uma Cleópatra, uma Helena de Tróia, ou ao menos uma Monica Lewinsky, mas uma ilustre desconhecida que teve a sorte ( ou o azar ) de estar no lugar certo na hora certa, e agora com certeza, irão lhe ser ofertados muito mais do que 1 milhão de dólares para livrar a cara feia de Strauss-Kahn.
O que está em jogo aqui ? A honra, a dignidade, o caráter ? Não! - O que será levado à barra do tribunal, é o equilíbrio da economia planetária, no seio da nação mais poderosa do mundo, a ser derrotado pelo SIM ou pelo NÃO de uma camareira de hotel. O espetáculo circense irá continuar, até não haver mais pele e ossos. Ninguém se arrisca a dar palpite, mas de uma coisa temos certeza: Esta é uma daquelas novelas em que haveremos de ver ainda muitos capítulos, e ficamos torcendo para não haver um final trágico.
Agora, nisso tudo, restam três lições do mundo machista para todos os adoráveis sedutores, que como Strauss-Kahn não conseguem se segurar ao ver uma bela jovem:
Regra número 1 - Desde que mundo é mundo, por cerca de 50 dólares, há sempre alguém que pode resolver o problema sem deixar vestígios.
Regra número 2 - Há sempre mulheres no mundo que definitivamente, não estão à venda.
Regra número 3 - Nunca esqueçam o telefone celular num quarto de hotel com a camareira !
Por: Dihelson Mendonça
16 de Maio - Dia do Gari
Programa Cariri Encantado Sonoridades - 18/05/2011
Onde escutar
Rádio Educadora do Cariri AM 1020 e www.radioeducadoradocariri.com.
Estilhaçar - Paulo Viana
Que transbordou do teu olhar distante
Até a luz do sol naquele instante
Não tinham a mesma cor no firmamento
Em mim, configurou-se um tormento
Uma incontrolável aflição
Pois nos teus olhos vi a confissão
Que fez meu sonho desestruturar
Como se fosse o estilhaçar
Do meu inquebrantável coração.
domingo, 15 de maio de 2011
Uns animais eletrônicos - Emerson Monteiro

Bem ali detrás há poucos instantes de meros segundos, essenciais, no entanto, fora tomado daquela mesma sensação esquisita que agora volta a se repetir, a querer, todo custo, se projetar, sair pela ponta dos dedos, na emoção frívola de palavras vivas, indo diretas desde a corrente sanguínea ao papel, esguicho contínuo de uma sensação solitária, a formar definições e falas, bichos vivos, fugitivos. Na mão, fechado, quente, o pulsar heróico do coração do bicho feito pequeno pássaro animado, impaciente, aqui prisioneiro, no meio dos dedos e da palma, à pressão relativa sobre o celular que o retém preenchendo esse âmbito dos sentidos, já dominando a força aquecida no bloco inteiro das percepções vitais da pessoa instalada no comando central dos acontecimentos.
Nisso, a energia sincopa em toda casa. Dá um, dois picos intermitentes, saltos de dentro da madrugada para o dia surgindo nas luzes do nascente, que sorrateiras penetravam pelos quadrados de vidro laterais da porta, como quem quer rever os escuros da noite na sombra que começava, lentamente, a despertar para as novas claridades. Foram eles, os dois pulos de intensidade na energia, e todos receberam o jato de paralisação das funções, sinais suspensos na sobrevivência do ser gente e máquina em que humanos se transformaram.
Aquele espectro sideral de moléculas atadas à condição material na força das circunstâncias obtusas do firmamento, presas no alto do espaço, apenas estagnara em forma de protagonistas vazios da ausência de movimento aparente. Por dentro, no entanto, espasmo cataléptico misturava o sabor do tremer do telefone preso na mão, pássaro contido nas dobras das falanges ao longo do corpo da máquina comprimida.
Imagem paralisada no alvorecer que cessara de vez no cessar da energia da rede silenciada, a virar borrão afixado na inércia que deslizava durante o rio das coisas, sem conter mais no bojo de si o elemento estarrecido em pleno voo, nesse abismo que divide escuro e de iluminação. Parado ficara, permanecera, cartaz preso às margens da longa estrada do tempo.
Lá adiante nas horas, contudo, ainda que avisado durante algumas chamadas perdidas, pelo mecanismo estreitado nos dedos e na palma, acordaria atônito, aos sopapos secos da geladeira refeita no retorno da corrente aos músculos. Isso horas depois, Sol alto no céu, antes do pino do meio-dia, fora das cogitações possíveis e quase vítima do desespero, ouvindo o estalo das coisas descongelando abafadas no interior da fria composição.
Esfregava os olhos quando adquiriu a oportunidade para ativar, outra vez, os mecanismos do domingo junto aos sistemas externos, porém fundamentais à existência dos humanos, dependentes vorazes da corrente elétrica. Agradecido, contudo, estendeu a mão e depôs sobre a mesa o pássaro impaciente, a única via de contato real quando perdera os impulsos do mundo, naquela crise de abstinência temporária dos multimeios.
Deputado Ely Aguiar diz em nota que os interesses do Crato estão sendo massacrados...
Crato é derrotado em Requerimento na Assembléia legislativa do Estado.Infelizmente o Crato sofreu uma grande derrota na sessão ordinária realizda na última quarta-feira na Assembléia Legislativa do Estado. Movido pelas informações apresentadas no site Blog do Crato e pela angústia e revolta dos cratenses, o deputado Ely Aguiar apresentou um requerimento solicitando urgentes informações do governo do Estado sobre a possível transferência de vários órgãos estaduais do Crato para Juazeiro.
Para surpresa o “requerimento foi discutido amplamente até às 2 horas da tarde, com transmissão ao vivo pela TV, sendo derrotado com aval de vários deputados votados no Crato. Votaram pela aprovação do requerimento em favor do Crato os seguintes deputados: HEITOR FÉRRER, ROBERTO MESQUITA, FERNANDA PESSOA, ELIANE NOVAIS, FERNANDO HUGO E LEONARDO PINHEIRO. TODOS OS OUTROS QUE ESTAVAM PRESENTES, VOTARAM CONTRA.
O líder do Governo, Antonio Carlos, do PT ( 600 votos no Crato ), fez pressão para que todos votassem contra o requerimento, com apoio do Dep. Wellington Landim, que fez o seu papel de aliado do governo Cid Gomes em levar os órgãos do Crato para juazeiro.
Os que votaram em favor do requerimento em benefício do Crato e prestaram essa solidariedadeà cidade, nem sequer são os votados no Crato. O Deputado Ely Aguiar diz que "seria bom que os vereadores do Crato cobrassem ações dos deputados que deles receberam votos...E DEPOIS VIRARAM AS COSTAS PARA NOSSA TERRA.." Ely diz ainda que "Depois do que ocorreu hoje, não tenho dúvidas, o Crato está sendo massacrado e minha voz, com apoio de alguns, serve pelo menos para denunciar, reclamar e criticar o governo. Pelo menos tenho coragem e compromisso com a nossa terra, o Crato."
Dihelson Mendonça ( através de nota enviada ao Blog do Crato por Ely Aguiar )
POR QUE AS AUTORIDADES NÃO REAGEM?
Já estamos cansados de lembrar às autoridades cratenses que deixem de lado o comodismo, a falta de interesse e o medo de enfrentar a luta em defesa de sua terra.
Quando elegemos os representantes da cidade é porque desejamos que eles lutem e venham contribuir com seu trabalho para a melhoria da nossa terra.
Não queremos mais ouvir lorotas de políticos apáticos, dizendo que não temos representação, mas lembramos que a representação é o próprio povo que anda à toa sem saber se dirigir com marchas repelentes aos insultos dos embusteiros que querem dilacerar a cidade.
Uma horda de beócios, que comanda a política cratense, não esboça nenhuma reação com as atitudes intolerantes desse povo que tem o desejo de levar o progresso só para si. Afirmamos que o progresso deve ser equilibrado e não sugador.
Ocorre que esses homens que comandam a política cratense não têm vocação para exercer um comando político e deveriam renunciar, entregando o barco a pessoas que desejam levar a cidade para o caminho do sucesso.
Antes queríamos enaltecer o desenvolvimento, afastando-se da ideia de submissão, pensado que eles são os maiorais e nós somos pessoas comandadas por políticos irreverentes, que não sabem manejar o nosso barco com perfeição e seriedade.
Antes, lutamos para que o comando das zonas metropolitanas não ficasse sob um só município, mas que prevalecesse a igualdade solidária que todos saboreassem o mesmo ar com igualdade à terra comum.
Isso evitaria que os outros municípios ficassem submissos a um só comando.
Infelizmente, isso não acontece porque a nossa política é irreverente e inconsequente, mas isso não ocorre devido à intolerância e à incapacidade desses políticos que visam praticar o clientelismo dos municípios hiperbólicos que lembram um porquinho de ar negativo que querem prejudicar as outras cidades da zona metropolitana.
Cratenses, não vamos parar de lutar, não podemos aceitar esse desmando que praticam a discórdia e que nos tratam com desdém e nos deixam atoleimados, sem coragem de enfrentar a luta cotidiana a fim de não deixar levar nada daqui e que nós fiquemos com todo patrimônio adquirido através dos anos.
O Cariri não é somente Juazeiro, mas é uma orla de cidades constituída de municípios prósperos, possuidores de terras férteis e que podemos conquistar os mesmos direitos desses municípios ambiciosos.
Pedimos à sociedade cratense que não durma em berço esplêndido e forcem as autoridades do Crato, dizendo que foram eleitos para trabalhar e não para ficar de braços cruzados. É isso que exigimos.
Crato-CE, 12 de maio de 2011.
Apenas um jogo de futebol - Por José de Arimatéa dos Santos
sábado, 14 de maio de 2011
CORDEL DA DESPEDIDA DE DIDI MORAES E IZAIRA SILVINO - por Ulisses Germano
Esposa de seu Didi
Formam um casal divino
Gente igual eu nunca vi
Todos dois celebram o canto
Do som que descobre o manto
Das coisas que já vivi
Quando esta terra esquecida
Se lembrar de quem perdeu
A injustiça ensandecida
Lembrará do que esqueceu
Cariri perdeu dois vultos
Que indiferente aos insultos
Tem na mala o que aprendeu
Cavaquinho e bandolim
Violão pandeiro e voz
Estiquei meu alfinim
Num andamento veloz
O amor nasce da graça
Nesta vida tudo passa
Mesmo quando estamos sós
Não vou falar da saudade
Que vai arder no futuro
Nem deixar que a soledade
No banzo em mim faço um furo
Encontros e despedidas
Jamais serão esquecidas
Posso afirmar e até juro
Quando o indizível falar
Na pausa do som parado
Zé Limeira irá cantar
A lingua do abirobado
Que esqueceu que essa gente
Faz de conta que não sente
O sofrer de ser calado
Ulisses Germano
sexta-feira, 13 de maio de 2011
Literatura de Cordel - Por Mundim do Vale
Puxado por cachimbeira,
Foi Antônia Cabeleira
Quem fez o parto normal.
Depois houve um ritual
Do meu pai muito Apressado
Saindo com um cunhado
Que era muito seu amigo,
Foi meu pai olhar por baixo,
Dizendo: - É menino macho
E vai se chamar Raimundo,
Vou convidar todo mundo
No dia do batizado
Para ver ele abraçado
Por tudo quanto é amigo.
Muita coisa lá faltava,
Mas minha mãe completava
Com o dom da maternidade.
Sobrava felicidade
Carinho e muito cuidado
E como fui contemplado
Muito agradecido digo.
Entre riacho e lagoa
Numa convivência boa
Sem saber o que é questão,
Nunca entrei em confusão
Para não ter intrigado,
Fui menino bem criado
Na lagoa do arroz
Comendo baião de dois
Sem deixar nada no prato.
Não gosto de espalhafato,
Não creio no mal olhado,
Nem em feitiço botado
Mas me afasto do perigo.
A minha boa vizinha
Sentava toda tardinha
Num banco de aroeira.
Quando eu descia a porteira
Corria para o seu lado,
E o café já passado
Ela tomava comigo.
Eu ainda era criança,
Mas guardava na lembrança
Aquela localidade.
Eu não tinha a liberdade
Como tinha no passado
E como era danado
Tava sempre no castigo.
Mas não é o meu lugar
Pois não gosto de morar
Distante da natureza.
Posso jurar com certeza
Que sou matuto quadrado
E pode até ser pecado
Mas pra morar não consigo.
Com a mudança radical
A vida na capital
É bastante diferente.
A gente vive carente
Comprando só enlatado,
Com um cartão ou fiado
Feito coisa de mendigo.
As coisas do meu torrão:
Os valores, a tradição
E os costumes do lugar.
Se alguém quiser falar
Que estou esclerosado,
Caduco e ultrapassado
Pode dizer que não ligo.
Cariricaturas avisa...
Amor na prateleira

Eita geraçãozinha sofrida esta dos anos 60! Não foi brincadeira não, meus amigos! Maio de 68, o movimento Hippye , Woodstock, enfrentamento da ditadura militar. Vá lá que conseguimos usufruir de alguns frutos semeados: a liberdade ainda que tardia depois de Figueiredo e uma rebarbazinha de liberdade depois da pílula. A maior parte da colheita, no entanto, caiu no paiol dos nossos filhos e netos. Assim se faz a vida: plantamos a semente no nosso quintal e a melancia brota no do vizinho. Cá me ponho a matutar com meu zíper, por que diabos não alcançamos as delícias do “fica”; o namoro no motel e não na praça; o final de semana no hotel com a paquera; o desbancamento definitivo da virgindade; a noite que acaba ao amanhecer e não às 21 horas; a iniciação com a namorada e não com a rameira.Claro que, por outro lado, não tínhamos alguns acidentes de percurso como a AIDS, mas , definitivamente, entre prós e contras, perdemos de goleada. Percebo que conversar com os amigos no Orkut, não é a mesma coisa que tê-los junto, numa mesa de bar. Entendo também que, em busca do fruto proibido, os namoros antigos carregavam consigo uma carga de sensualidade incrível: a do desejo impossível de ser saciado. Há grandes possibilidades de que o doce de leite não provado venha a tornar-se eternamente delicioso, mas não substituí, a meu ver, o prazer único de degustá-lo, mesmo com o risco de , com o passar dos dias, transformar-se num doce qualquer , comum e trivial, mesmo tendo saído das mãos de Isabel Virgínia.
Preocupa-me, por outro lado, a transformação gradual do amor num mero bem de consumo. O namoro e o casamento cobriram-se de um forte tom utilitarista.Não muito diferente do que se criticava nas gerações passadas: casamentos escolhidos pelos pais , sem nenhum vínculo amoroso entre o casal. Mudamos? Hoje, procedem-se, novamente, a todos os preparativos da viagem, calculando os mínimos detalhes. Muitas vezes se utiliza mais a contabilidade que o coração. São tantos os critérios a serem preenchidos pelos pretendentes que a cidades se vão inundando de legiões de solitários: com seus rituais, seus temores e suas idiossincrasias.Todos querem segurança e estabilidade, numa viagem onde a beleza e eternidade estão escondidas justamente no instável e no fugaz.As agências de casamentos oferecem parceiros com os ingredientes de uma receita de bolo e escolhem-se companheiros como se cata presentes para um chá de cozinha. Nem se percebe que o encontro de duas pessoas é sempre a fusão de dois abismos perfeitamente insondáveis.
Semana passada li uma notícia que mais que nunca condensa os tempos atuais. Abriram, no Japão -- pasmem vocês-- uma agência para desfazer casamentos. Funciona de maneira muito simples. Um dos parceiros quer finalizar o relacionamento de modo rápido? Contrata a agência e esta manda um funcionário(a) seduzir o marido ou a esposa. Filma-se e documenta-se toda a tramóia e, aí, entrega-se o dossiê ao interessado que,em rito sumário, procede à separação. Segundo a agência , conseguem índices favoráveis em até 90% das contratações.A competência dissolutiva dos funcionários da empresa é testada a todo momento, se não conseguirem desencadear os escândalos necessários acabam demitidos rapidamente. Ou seja , amigos, já temos, no mercado, fábricas de construir e destruir relacionamentos. O amor e o desamor estão estampados na prateleira à espera de qualquer cliente. O dinheiro, como já previra Nélson Rodrigues, compra tudo, até mesmo amor sincero.
Neste ponto, o mundo ficou mais chato. Desapareceram o mistério, a surpresa, a arte do encontro e do desencontro. A sexualidade engoliu a sensualidade. O olhar, o beijo, a palavra, o toque tornaram-se obsoletos. As pessoas , embora mais livres e menos preconceituosas, vão se tornando mais individualistas. A tolerância , artigo de premente necessidade neste mundo de guerras e conflitos, deveria fluir naturalmente do relacionamento cotidiano entre os indivíduos. Mas os homens estão ocupados demais preenchendo fichas e planilhas e não conseguem perceber os outros passageiros que, na mesma nave, empreendem a fantástica viagem que chamamos vida.
J. Flávio Vieira
Observador do Invisível - Paulo Viana
Minha perplexidade é alvo das estrelas
Um sentimento profundo de pequenez me atormenta
Bebo a escuridão como se fosse um elixir do improvável
Um confortável sinal da presença espiritual no mundo
Não há limites para a imaginação, para o adentrar-se a universos sombrios
Tenho me recriado a todo instante, me recolocando no espaço cósmico
Nessa inacreditável história de se estar na subseqüência de presentes
Ás vezes sou apenas experimento do caos, outras, desenho espiritual do movimento
E em muitos outros momentos, um solitário observador do invisível
Como se esperasse um lampejo de luz , que pudesse clarear meu próprio sol
Sou ave de um céu inimaginável, flutuante fragmento de uma explosão distante
Um pedaço de nada, vagante, sem fado, pedra faminta de gravidade
Um grão de luz, acesa por um lanterneiro chamado amor
Fagulha pensante, que elege os momentos como únicos
Urgentes oportunidades para triturar o universo e sugar seu néctar
Tragar sua essência, sorver sua lógica, engolir de vez sua razão de ser
Mas o silêncio sideral sempre reverbera em mim
Talvez cada um de nós seja essa ilha universal
Esse reverberador do todo, que se fragmentou na consciência da própria finitude
Por tudo isto, como viajante, escolhi caminhar nessa linha. Nela eu canto, escrevo, vivo. Sou uma fagulha que viaja nesse Universo.




