Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


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sábado, 28 de novembro de 2009

Ernesto Lecuona - A Alma da Música Cubana


Ernesto Lecuona (Ernesto Lecuona Casado), compositor e pianista nasceu em Guanabacoa, Cuba, em 7 de Agosto de 1896 e faleceu nas Ilhas Canárias, em 29 de Novembro de 1963. Iniciou estudos de piano com sua irmã Ernestina e os continuou, depois, com Peyrellade, Saavedra, Nin e Hubert de Blanck.
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Aos cinco anos de idade chamava a atenção por sua habilidade ao piano e, na época, deu um concerto no Círculo Hispano. Aos onze anos começou a trabalhar como pianista de filmes mudos no Cine Fedora, em Havana, e aos doze compôs suas primeiras obras. Ao terminar seus estudos no Conservatório Nacional obteve por unanimidade o primeiro prêmio e medalha de ouro de seu curso (1913). Dotado
com qualidades excepcionais, fez aportes a pianística nacional cubana no
uso dos ritmos.


Foi o formador de orquestras e de inumeráveis artistas, a quem apoiou como amigos. Como concertista, visitou muitos países da América e Europa. Seu catálogo musical possui mais de 600 obras, que abarcam grande quantidade de gêneros musicais. Escreveu para o teatro obras inesquecíveis "El Sombrero de Yarey", "Rosa la China", "Lola Cruz", "María La O", "El Cafetal","El Batey", "La Tierra de Venus" e "Nina Rita".


Desde os primeiros discos de 78 rpm até o long play os numerosos discos que gravou se difundiram pelo mundo, com uma mensagem básica: talento e "cubanía".

Lecuona, Músico Cubano Mais Reconhecido
Por Rafael Lam— especial para o Granma Internacional ( 5 /09/2005 )
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ERNESTO Lecuona é o músico cubano mais reconhecido. O grande melodista, compôs canções que são escutadas em todos os cantos do mundo: Siboney, Malagueña, Damisela encantadora, Siempre en mi corazón, Arrullo de palma. Neste ano *comemoramos o 110º aniversário natalício do maestro (6 de agosto de 1895). Guanabacoa foi a cidade onde ele nasceu.



Acerca de Lecuona escreveram verdadeiros especialistas: María Antonieta Enríquez, Hilario González, Pedro Simón, Orlando Martínez e Carmela de León. Eles censuram a maneira errada e contraditória com que se tem valorizado a obra do grande compositor cubano. Valorizações que fizeram muitos musicólogos sobre a base da música de tradições européias de concerto.

Alguns identificam-no como «semi-erudito», «culto popular», como se o segundo não tivesse nada a ver com o primeiro. José Ardévol o excluiu ao dizer: «Não cabe dentro do contexto da chamada música culta». Para alguns musicólogos, os europeus inventaram a cultura do mundo.
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Lecuona era outra coisa. Deixemos que ele mesmo responda àqueles que quiseram omiti-lo:
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«Você sabe, quando examino bem as críticas que fazem à minha música, fico quase convencido, concordo com eles. Porém o estranho é que milhões de pessoas não concordam conosco».
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O músico fez a música que sentia, com suas danças negras iniciou o afro-cubano numa etapa em que o negro era tabu.
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«Levei pela primeira vez o tambor da conga dos negros escravos ao pentagrama e ao teclado. A partir de 1911 fui alvo de muitas críticas por isso, os consagrados achavam que devia cultivar a música de antiquado classicismo. Mas eu compus La comparsa, Danza negra, Danza Lucumí. Naquela época, era proibido aos cantores cantar alguma coisa que não fosse Puccini ou Donizetti».

Alejo Carpentier, sempre defensor do popular, lembrava que os clássicos europeus escreviam tudo, «sem achar que se rebaixavam quando se tratava de fazer música agradável ou de um estilo ligeiro. O importante era escrever o melhor possível. E para ganhar dinheiro, provavam força, tanto no trágico, quanto no bufo».

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Lecuona não se parece com ninguém, contudo, na hora de compará-lo, tem que ser colocado ao lado de famosos como George Gershwin, Ari Barroso, Oscar Strauss, Ruperto Chani; o cubano encontra-se entre esses colossos.
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Como intérprete, Lecuona foi um pianista de qualidades técnicas e expressivas excecionais. O pesquisador Hilario González escreveu: «É uma das lendas com que conta a história de nossa música. Elogiou-se seu maravilhoso mecanismo, nomeadamente no que se refere à interpretação das oitavas em ambas as mãos, sua inteligência e domínio impecável dos pedais, a intensa e infinita gama de seu peculiar som e um incrível ritmo interior. Seu virtuosismo era proverbial, com um estilo personalíssimo, expressividade elegante, musicalidade absoluta que provocava um efeito extraordinário no auditório. Em todo caso que ele se propusesse uma séria carreira de concertista internacional, e tivesse vivido num meio propício para tal empresa, sem dúvida estaria inscrito na história da música entre os grandes pianistas do século XX. Sem contar que se trata do mais famoso compositor cubano de toda a história de nossa música. Ninguém poderia omitir essa verdade».
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Sua etapa mais ativa como concertista foi de 1915 a 1932, fazia parte do repertório o mais representativo da música tanto nacional quanto internacional. Os discos recolhem o testemunho de sua genialidade. Recebeu elogios de Paderewski, Rubinstein, que expressou ao escutá-lo: «Não saberia se admirar mais, ao pianista genial ou ao sublime compositor».
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Leo Brouwer, herdeiro de Lecuona escreveu: «A Ernesto não havia que lhe ensinar» — disse a respeito dele, em Paris, o grande maestro Cortot —. Poucos anos depois aposenta-se misteriosamente, enquanto apareciam os inesquecíveis temas que cantarolamos. Lecuona sempre estava oculto no campo, quando não andava de turnê. Afirmou:
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«Não quero ser o pianista maior do mundo, vou ser o músico cubano mais conhecido no mundo».
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Ernesto Lecuona é uma personalidade muito especial, segundo seu biógrafo Orlando Martínez, era um artista de enorme magnetismo, amava os objetos da arte chinesa, chegou a ter um cômodo dedicado a adornos trazidos em suas viagens ao exterior. Tinha uma escrivaninha laqueada onde guardava papéis de valor. Possuia uma figura atraente, olhos muito expressivos, era arrogante, irônico, sem pedantismo, era muito educado. Vestia-se de maneira simples, mas elegante. Caminhava vagarosamente, fumava muito, não bebia álcool. Era reservado, possuia um ar de mistério que fazia com que fosse mais charmoso. Era simpático, fino e carinhoso, mas jamais se abriu socialmente, vivia em solidão, detestava as multidões, gostava mais das reuniões íntimas; nelas era capaz de escrever música enquanto conversava. Não participava de atos públicos, nem sequer de concertos. Impunha respeito, era sensível ao elogio, sentia-se satisfeito quando chegava ao povo. Não se importava com as críticas adversas. Tinha um conceito claro de suas possibilidades, sabia até onde podia chegar.
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O leque de estilos de Lecuona é amplo: comédias líricas e musicais, óperas, operetas, revistas, sainetes, zarzuelas, obras para piano, valsa, tango congo, sones, suítes, pregões, prelúdios, poemas sinfônicos, habaneras, pregões, lamentos, danças espanholas e afro-cubanas, couplet, congas criollas, concertos instrumentais, obras infantis.
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«Sempre concebi minha música da maneira mais abstrata, para sugerir formas ou evocar as características dos costumes dos povos de uma nação.»
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Alguns consideram que os textos não são o lado bom de suas canções. O poeta cujos versos usou, talvez, com mais freqüência, foi Gustavo Sánchez Galárraga, principalmente na primeira época. O tema constante destas canções, segundo costume universal, é o amor. Galárraga morreu aos 41 anos de idade, foi um poeta de ímpetos geniais, porém se dispersou demasiado visando o sucesso fácil, embora seus versos tenham uma construção correta.
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O legado de Lecuona faz parte importante da base da música cubana, cuja potente obra o credita como um dos maiores compositores de toda a América. Acontece o mesmo com Alejo Carpentier, Leo Brouwer, Fernando Ortiz: fundaram, formaram, promoveram, criaram e ajudaram.
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PS.Ouçam "Siboney"- uma das suas mais lindas composições, na interpretação de Xavier Cugat e sua Orquestra.



Fontes

cifrantiga2.blogspot.com/.../ernesto-lecuona.html
Fonte: Son Cubano

http://www.granma.cu/portugues/2005/septiembre/vier9/37lecuona-p.html

Wikipedia

Imagens - Google Imagens

Muito antes ... - por Rosa Guerrera



MUITO ANTES de plantares uma árvore , verifica se o terreno é fértil.
Muito antes de colheres uma rosa , cuida que os espinhos não vão ferir teus dedos.
Muito antes de navegares no azul do mar , presta atenção se não existem correntes traiçoeiras que possam afundar tua embarcação.
Muito antes de provares o fruto , vê se no seu interior não existe uma morada de vermes.
Muito antes de admirares o sol, olha se nas nuvens existe algum sinal de tempestade.
Muito antes de ofertares o carinho e a confiança , escuta o que te aconselha a razão.
Muito antes de procurares Deus nos templos e nas igrejas , vai até o teu coração ... Por certo irás ENCONTRÁ-LO sempre a tua espera .
Quando tudo isso se fizer presente na tua estrada , encontrarás e saberás viver um grande amor!


por rosa guerrera

Feliz aniversário, Abidoral Jamacaru !

Parabéns ao grande músico, compositor e amigo ABidoral Jamacaru !

Abraços
do cariricaturas .

Para Zé do Vale - mensagem do amigo secreto

"No trato da convivência
todos somos jardineiros
quem cultiva a consciência
sem subterfúgios faceiros
saberá do privilégio
do maduro sortilégio
dos seres que são inteiros

O percurso é bem marcado
pelo estalo que arrepia
é bom ter um bom bocado
de reserva de alegria
o humor sempre esclarece
que o furor de quem padece
findará na luz do sia."

Mensagem para César Augusto

Para o meu amigo secreto, César Augusto,
"Heiwa, Kenko e Seikou" pra você.

Um ótimo fim de semana, e
um abraço do/a seu/sua amigo/a secreto/a .

Alarde - Por Claude Bloc


Vejo a palavra que sopra o sonho
e que por dentro se ilumina
e surpreende, e se estende
e que por fora é apenas
o peso de ser tarde
em nossa vida:
o gesto, o alarde.

Lembranças e sonhos
se confundem
e então tudo começa a ser possível
palavras de ninar,
sonatas de acordar...
assim será nosso caminho:
sonhos perfeitos,
sonhos refeitos.
.
Texto e foto por Claude Bloc

Europa sofrerá cada vez mais com calor, secas e inundações


(http://br.noticias.yahoo.com/s/afp/onu_clima_aquecimento)
Sex, 27 Nov, 12h56

PARIS, França (AFP) - A seca em algumas regiões e as inundações em outras, somadas ao tempo muito quente, serão recorrentes na Europa em consequência das mudanças climáticas e podem provocar graves catástrofes até 2050, segundo a Agência Europeia de Meio Ambiente (AEE).

Apesar de estar mais bem preparada que outras regiões para enfrentar os problemas, a Europa se equivoca se pensa que está protegida das mudanças climáticas, principalmente se for considerado que registra um aquecimento maior que a média mundial.

"O aquecimento na Europa no último século foi de 1,1 grau centígrado, com picos de até seis graus no Ártico, contra a média mundial de 0,8 grau", afirma Jacqueline McGlade, diretora da AEE.

Da Groenlândia à Grécia, a alta das temperaturas será especialmente considerável no sul da Europa, na Finlândia e no centro do continente.

A onda de calor de 2003, que provocou a morte de 70.000 pessoas, na maioria idosos, é uma mostra dos futuros verãos, insistem os cientistas. Um verão em cada dois pode registrar uma situação do tipo.

Até 2050 se perfila uma Europa dividida em duas, com um sul mediterrâneo desidratado, com área rumo à desertificação, e do outro lado um norte sob fortes chuvas mais intensas no inverno, geralmente submersa pelas inundações.

O verão de 2008 ilustrou o contraste: seca prolongada na Espanha e inundações catastróficas na Grã-Bretanha.

A água será uma preocupação para todos os países europeus, e vários - Chipre, Espanha, Itália, Bélgica, Bulgária e Grã-Bretanha - já sofrem graves problemas hídricos.

"O aquecimento global vai exacerbar a pressão nas regiões que já têm dificuldades", explica André Jol, autor de um relatório da AEE.

O continente europeu vive acima de seus recursos e terá que reduzir o consumo de água tanto na agricultura como nas residências.

Os Alpes, "torre de água da Europa", que fornecem 40% da água doce, esquentam quase duas vezes mais rápido que a média mundial (+1,48 grau centígrado em um séculos em um século). Dois graus mais condenariam ao fechamento um terço das estações de esqui.
"O caudal dos rios vai mudar totalmente. Na primavera será muito forte, com risco de inundações importantes na Alemanha e Holanda, mas no verão teremos menos água para todos, a região de Viena terá falta de água no futuro", comenta Jol.

No sul da Europa, onde a agricultura consome 60% da água, chegando a 80% em algumas localidades, a escassez pode provocar quedas expressivas do rendimento agrícola, como por exemplo das plantações de trigo nas zonas costeiras do Mediterrâneo.

O aumento do nível dos oceanos, que pode ser de 0,7 a 1 metro, é outra preocupação, já que no perímetro mediterrâneo metade da população vive nas costas.

Três regiões são as mais vulneráveis: Holanda e as costas do Mar do Norte, Londres e um arco que vai de Barcelona a Marselha, onde a erosão fragiliza ainda mais o litoral.

Pensamento para o Dia 28/11/2009


“As nuvens da ilusão (Maya) não podem escurecer a consciência interior das quatro categorias seguintes de pessoas nobres: (1) aqueles que se deleitam com a glória e o mistério de Deus, (2) aqueles que conhecem e proclamam conhecer que Deus é o mestre de Maya e o portador das forças que destroem a ilusão; (3) aqueles que estão engajados em boas obras executadas com fé e devoção, e (4) aqueles que se esforçam para manter a Verdade (Sathya) e a retidão (Dharma).”
Sathya Sai Baba

História de Uma Filha. Por Liduina Vilar.


Essa menina que vocês vêm na foto, é minha filha única.
Fora ela tenho dois filhos homens. A mãe coruja acha a ga-
rota mais bonita do mundo.Vou fundamentar prá vocês como
ela é ESPECIAL. Passou os 9 meses gestacionais se desenvol-
do na posição cefálica, mas no exato dia do seu nascimento resol-
veu"sentar"no meu ventre, para mostrar ao mundo que seu nascer
não ia ser tão fácil assim. Pois foi necessário o obstetra me "cortar"
para nascer a bebê mais formosa do Real Hospital Português do Reci-
fe. Nasceu tão grande que as fraldas para recém nascido não serviram.
E lá se foi o pai feliz correr atrás das descartáveis maiores.
Teve uma infância normal, criança saudável. Aos 14 anos no ano de 2000
sofreu uma única crise aguda de Apendicite, onde nosso Dr Zé Flávio, por
volta das 21 horas teve que operá-la em caráter de urgência. Na hora "H",
lembro que ele perguntou ao pai dela se queria entrar na cirurgia e o mes-
mo muito emocionado disse que nao! E eu com meus " zóios" pidões" torcen-
do prá Dr Zé me chamar; mas com certeza ele não leu em mim,o enorme desejo
de acompanhar minha filha na operação, por isso não me chamou. Mas me
internei com ela e só "recebi alta" quando a própria recebeu.
No final de Setembro último, ela sofreu uma grande chacoalhada da vida:
Seu namorado capotou o carro quando voltava de um plantão, passou 21 dias
na UTI em coma induzido. Foi quando conheci a mulher guerreira, corajosa,
firme e solidária; pois assumiu junto com ele, com seus familiares, com a equi-
pe médica sua vida de volta. Ajudou-o a renascer: Incansável e sofrendo.
Faz um curso lindo: Fisioterapia na Unicap/Recife.Será uma grande profissional
se Deus quizer. Se força, garra e competência influenciarem será uma boa Fisio-
terapêuta. Não reparem os elogios; mãe que ama é assim mesmo. E por derra-
ro,Yvana é a filha amada de Dona Liduina.

BOM DIA A TODOS - Por Claude Bloc


Anjos - Graphics, Graficos e Glitters Para Orkut

Bom dia caloroso (de Teresina) para todos do Cariricaturas.
Abraço,
Claude

versos colhidos nos bastidores - Foto Nilo Sérgio Monteiro



Maria Amélia Castro disse...
Oh Deus!
Tudo tão seco
O céu a enganar
Com suas nuvens pretas
A arvore sem folhas
E as galinhas a pousar.

Maria Amelia

Claude Bloc disse...
O dia finda
O céu se apaga
Dona Galinha
Se empoleirou
Chamou o galo
Pra uma conversa
Com a comadre
E cacarejou:
"Olhem a lua
que está chegando
Olhem as estrelas
Cantando o amor
E aqui na terra
essa secura
esse silêncio
esse calor"...
Claude bloc

Macaubeiras - Foto de Heládio les Duarte

Deixem um verso !

mensagem do amigo secreto para Zélia Moreira

Zélia mais que querida,

Bom dia.Excelente final de semana e
bons ventos circulem por sua vida.
Vc me parece uma pessoa culta,sei que
é mto inteligente...possui dotes manuais
nota mil.Tanto artesanalmente falando ,
como gastronômicamente.
Um abração.Seu (a) amigo(a) secreto(a)

Mensagem do amigo secreto de Ângela Lôbo

Ângela,
Bom dia amiga!
Abraços!

http://www.youtube.com/watch?v=uQi903siaF0

Salada Tropical - Sugestão para o cardápio de hoje



Ingredientes

1 frando defumado.
1 lata de abacaxi em calda.
3 maçãs verdes
milho verde
ervilha
uvas passas s/semente.
1 pote pequeno de maionese (ligth).
1 lata de creme de leite s/ soro.
5 cerejas (pode ser ao maraschino)
1 pacote pequeno de batata palha.

Modo de Preparo
Retire o frango da embalagem , remova toda a pele do frango e desfie ele inteiro. Reserve.
Abra a lata do abacaxi , escorra a calda e pique em pedaços pequenos. Reserve.
Pique as maçãs em pequenos cubos(c/ a casca).
Em um recipiente de vidro grande , coloque a maçã picada , a ervilha , o milho , as uvas passas, o frango reservado, o abacaxi e misture bem.
Abra a lata de creme de leite , escorra bem o soro e coloque sobre a mistura. Agora coloque também a maionese.
Misture tudo novamente.
Deixe na geladeira por apoximadamente 6 horas antes de servir.
Enfeite com as cerejas e a batata palha.

Mensagem do amigo secreto para Rosa Guerrera

Devagarzinho ,Rosa Guerrera vem conquistando seu espaço ,nessa roda de amigos. Secretamente , eu me intitulo seu amigo.

Abraços

Bem devagar - Caetano Veloso

Para César Augusto - mensagem do amigo secreto

Para César Augusto

Acredito que temos muitas afinidades, por isso o escolhi.
Um abraço

Manoel Antonio Almeida




Manuel Antônio de Almeida nasceu em 17 de novembro de 1831. Ainda estudava Medicina quando seu folhetim semanal “Memórias de um sargento de milícias” começou a fazer sucesso no suplemento “Pacotilha”, do jornal Correio Mercantil. As pessoas liam e gostavam, mas não sabiam quem era o autor de linguagem inovadora, diferente da tipologia romântica da época.

Formou-se em Medicina, mas nunca exerceu o cargo, pois já se engajava na área jornalística, na qual foi nomeado Diretor da Tipografia Nacional, em 1857. Durante o exercício desta função, Manuel Antônio impressionou ao dar emprego a um mestiço pobre chamado Machado de Assis.

Em 28 de novembro de 1861, o escritor morre no naufrágio do navio Hermes, pouco tempo depois de completar 30 anos.

O folhetim “Memórias de um sargento de milícias” virou livro e teve lugar de destaque na fase do Romantismo ainda vigente, pois era uma obra distante dos romances publicados, como A Moreninha, por exemplo. Longe dos salões da aristocracia, dos ambientes sofisticados e do falar difícil, Manuel Antônio retrata o povo em sua simplicidade, linguagem coloquial, festas populares e personagens com estereótipos próximos da realidade e nomes sugestivos. É por estes motivos que o romance é considerado de costumes, pois dita a vida que se passa nas ruas no “tempo do rei”.

Sua prosa simples e direta, com pitacos de humor e sátira, completa as características deste escritor romântico irreverente.

Obras: Romance: Memórias de um sargento de milícias (1854-55)
Drama lírico: Dois amores
Poesia: alguns poemas publicados em revistas e jornais.

Veja abaixo um trecho da obra Memórias de um sargento de milícias e confira a linguagem popular:

(...) “Foram ter com Maria-Regalada, que mesmo na véspera lhes tinha mandado dar parte que se mudara da Prainha e oferecia-lhes sua nova morada. A comadre, de tudo inteirada, fez parte da comissão. Quando entraram em casa de Maria-Regalada, a primeira pessoa que lhes apareceu foi o major Vidigal, e, o que é mais, o major Vidigal, em hábitos menores, de rodaque e tamancos.
– Ah! – disse a comadre em tom malicioso, apenas apareceu a Maria-Regalada – pelo que vejo isto por aqui vai bem...
– Não se lembra – respondeu Maria- Regalada – daquele segredo com que obtive o perdão do moço? Pois era isto!...” (...)

Por Sabrina Vilarinho
Graduada em Letras
Equipe Brasil Escola

Érico Veríssimo por Antonio Olinto


A SOLIDÃO É UMA GOTA NO OCEANO QUE SÓ OLHA PARA SI MESMA... UMA GOTA QUE NÃO SABE QUE É OCEANO...
Amigos são a outra parte do oceano que a gota procura...

Érico Veríssimo

Nascido em 1905, foi nos anos 30 do século passado que o nome de Érico Veríssimo começou a figurar como sinônimo de literatura brasileira. Depois de romances que, no Brasil e no exterior, revelaram nele um grande talento de narrador - inclusive através do contraponto de "Caminhos cruzados" e do traço romântico de "Olhai os lírios do campos" - foi ele de tal maneira se assenhorando, gradualmente, de todos os segredos inerentes à arte de Cervantes, que se preparou para chegar, em "O tempo e o vento", à posição de grande romancista de um tempo.

Nele, mais do que o drama de pessoas, mais do que a história de uma família, o que narra é a tragédia da formação de uma terra, de uma cidade, um país, num levantamento da permanência de um espírito capaz de criar raízes e superar vidas individuais. Nele se concentram 200 anos da história do Brasil (de 1745 a 1945), em que, aliada à utilidade ou inutilidade das coisas, o autor se fixa na grandeza de existir e de agir.

Dos cinco volumes de "O tempo e o vento", os três últimos, chamados "O arquipélago", narram acontecimentos que vão da revolução de 1923 até o fim do Estado Novo, em 1945. Tenho insistido na peculariedade de acontecimentos recentes caberem com mais facilidade na ficção do que na história propriamente dita. Independente de alentados livros, baseados na realidade, sobre Getúlio Vargas, é nos romances que podemos vê-lo sob aspectos novos, por exemplo em tão diferentes entre si como "A lua caiu", de Benedito Valladares, e "O arquipélago", de Érico Veríssimo.

A razão para isto pode ser clara. Falta-nos serenidade para a história do quase atual, que muitos de nós acompanhamos em nosso tempo de vida. Na ficção, ficamos à vontade em face de opiniões que personagens, inventados pelo narrador, externam a respeito de Getúlio, Oswaldo Aranha, Bernardes, Washington Luís, porque o personagem assume, no romance, um caráter de vida que o torna isento diante de pessoas de verdade. O personagem fictício pode conhecer a verdade da ficção.

A revolução assisista de 1923 é motivo para algumas das melhores páginas de "O tempo e o vento". A força das descrições de Homero situavam-se às vezes em pormenores de completo realismo, principalmente nas cenas de guerra. Como no trecho em que o Poeta, depois de afirmar que um guerreiro tivera uma espada enterrada no ventre, conta que ele caminhou segurando os próprios intestinos a fim de que não caíssem. Algumas descrições de "O arquipélago" são assim.

Toda a narração do movimento revolucionário, em que o velho Licurgo, Rodrigo e Toríbio percorrem o interior do Rio Grande, é de extraordinário vigor, como na do ataque a Santa Fé, com os detalhes de gente que morre desta ou daquela maneira, sob um cavalo, atravessada de tiros, parada ou numa corrida.

A Coluna Prestes, de que Toríbio participa, revela o método ficcional de Érico Veríssimo da melhor maneira possível. Mostrando uma caminhada que percorrera todo o Brasil e de movimento que antecederam a subida dos gaúchos até o Rio de Janeiro, analisando a revolução de 32, o levante comunista de 37 e a presença de Rodrigo e sua família nos 15 anos da hegemonia getuliana no País, nem por um momento se afasta o romancista de Santa Fé. É de lá que tudo surge. O ponto de partida de toda a narrativa é a pequena cidade de Santa Fé. A Coluna Prestes não entra, assim, diretamente, no romance, mas faz parte das tranqüilas rememorações de Toríbio, em seu regresso.

A Constituição de 34, o golpe de 10 de novembro, a entrada do Brasil na guerra, o 29 de outubro de 1945, quando Getúlio foi retirado do poder, a campanha presidencial de então, com Dutra, o Brigadeiro e Fiúza de candidatos, tudo aparece no livro. Na medida em que os Cambarás melhoram de vida e sobem na política e Santa Fé se civiliza, os marcos do século XX entram no romance. Os primeiros automóveis começam a substituir os carros puxados a cavalos. Surgem os primeiros integralistas na cidade, em geral descendentes de alemães, e um comunista, Aarão Stein, um dos grandes personagens do romance. A influência do cinema começa a se mostrar em tudo.

Os tempos de Tom Mix, Nita Naldi, Pearl White, Rodolfo Valentino, o de John Gilbert, modificam os hábitos dos santafezenses. Organizam-se clubes para homenagear Valentino e, quando de sua morte, moças e solteironas mandam celebrar missas por alma do artista. Isto aconteceu em todo o Brasil, não só em Santa Fé, mas em Ubá, MG; em Jaú, SP; em Itabuna, BA; em São Luís, Belém e Manaus. O fonógrafo, o gramofone, o rádio, tudo entra a quebrar solidões ou a acentuá-las.

Quase na última página do romance, às nove horas da noite do Ano Bom, um grupo de moças promove uma reunião no palacete dos Teixeira para eleger a diretoria do "Clube das Fãs de Frank Sinatra", que devia tomar posse "ao raiar esperançoso de 1946". A partir dessa continuação - que leva à frente a agremiação das viúvas de Valentino e das admiradoras de John Gilbert - faz Érico Veríssimo um resumo de sua gente, com seus temores e esperanças diante de um novo ano.

Romance, no seu melhor sentido, é isso mesmo que Veríssimo cria. Com esta grandeza de perspectiva, esta nitidez de traços nos personagens, esta violência de cenas, esta segurança de técnica, este entrelaçamento de realidade com ficção, esta rude generosidade de concepção e realização literárias.

A obra de Érico foi, durante muitos anos, lançada pela Globo de Porto Alegre, editora também de Balzac e Proust completos em português. No momento, a Companhia das Letras é responsável pela edição de todos os livros de Érico Veríssimo.
por Antonio Olinto

Por Luiz Fernando Veríssimo

Era uma vez... numa terra muito distante...uma princesa linda, independente e cheia de auto-estima.
Ela se deparou com uma rã enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo era relaxante e ecológico...
Então, a rã pulou para o seu colo e disse: linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito.
Uma bruxa má lançou-me um encanto e transformei-me nesta rã asquerosa.
Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir lar feliz no teu lindo castelo.
A tua mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavar as minhas roupas, criar os nossos filhos e seríamos felizes para sempre...
Naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria, pensando consigo mesma:
- Eu, hein?... nem morta!

Luís Fernando Veríssimo

Coelho Neto



Coelho Neto (Henrique Maximiano C. N.), professor, político, romancista, contista, crítico, teatrólogo, memorialista e poeta, nasceu em Caxias, MA, em 21 de fevereiro de 1864, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 28 de novembro de 1934. É o fundador da Cadeira nº 2 da Academia Brasileira de Letras, que tem como patrono Álvares de Azevedo.

Foram seus pais Antônio da Fonseca Coelho, português, e Ana Silvestre Coelho, índia. Tinha ele seis anos quando seus pais se transferiram para o Rio. Estudou os preparatórios no Externato do Colégio Pedro II. Depois tentou os estudos de Medicina, mas logo desistiu do curso. Em 1883 matriculou-se na Faculdade de Direito de São Paulo. Seu espírito revoltado encontrou ali ótimo ambiente para destemidas expansões, e ele se viu envolvido num movimento dos estudantes contra um professor. Prevendo represálias, transferiu-se para Recife, onde fez o 1o ano de Direito, tendo Tobias Barreto como o principal mestre. Regressando a São Paulo, entregou-se ardentemente às idéias abolicionistas e republicanas, numa atitude que o incompatibilizou com certos mestres conservadores. Deu por concluídos os estudos jurídicos, em 1885, e transferiu-se para o Rio. Fez parte do grupo de Olavo Bilac, Luís Murat, Guimarães Passos e Paula Ney. A história dessa geração apareceria depois no seu romance A Conquista (1899). Tornou-se companheiro assíduo de José do Patrocínio, na campanha abolicionista. Ingressou na Gazeta da Tarde, passando depois para a Cidade do Rio, onde chegou a exercer o cargo de secretário. Por essa época começou a publicar seus trabalhos literários.

Em 1890, casou-se com Maria Gabriela Brandão, filha do educador Alberto Olympio Brandão. Do seu casamento teve 14 filhos. Foi nomeado para o cargo de secretário do Governo do Estado do Rio de Janeiro e, no ano seguinte, Diretor dos Negócios do Estado. Em 1892, foi nomeado professor de História da Arte na Escola Nacional de Belas Artes e, mais tarde, professor de Literatura do Ginásio Pedro II. Em 1910, foi nomeado professor de História do Teatro e Literatura Dramática da Escola de Arte Dramática, sendo logo depois diretor do estabelecimento.

Eleito deputado federal pelo Maranhão, em 1909, e reeleito em 1917. Foi também secretário geral da Liga de Defesa Nacional e membro do Conselho Consultivo do Teatro Municipal.

Além de exercer os cargos para os quais era chamado, Coelho Neto multiplicava a sua atividade em revistas e jornais de todos os feitios, no Rio e em outras cidades. Além de assinar trabalhos com seu próprio nome, escrevia sob inúmeros pseudônimos, entre outros: Anselmo Ribas, Caliban, Ariel, Amador Santelmo, Blanco Canabarro, Charles Rouget, Democ, N. Puck, Tartarin, Fur-Fur, Manés.

Cultivou praticamente todos os gêneros literários e foi, por muitos anos, o escritor mais lido do Brasil. Apesar dos ataques que sofreu por parte de gerações mais recentes, sua presença na literatura brasileira ficou devidamente marcada. Em 1928, foi eleito Príncipe dos Prosadores Brasileiros, num concurso realizado pelo Malho. João Neves da Fontoura, no discurso de posse, traçou-lhe o justo perfil:

"As duas grandes forças da obra de Coelho Neto residem na imaginação e no poder verbal. ... Havia no seu cérebro, como nos teatros modernos, palcos móveis para as mutações da mágica. É o exemplo único de repentista da prosa. ... Dotado de um dinamismo muito raro, Neto foi um idólatra da forma."

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Sara Montiel - Para Sempre "La Violetera"

María Antonia Alejandra Vicenta Elpidia Isidora Abad Fernández ( nome artístico Sara Montiel ), nasceu em Campo de Criptana, provincia de Montiel, Ciudad Réal, Espanha a 10 de março de 1928.
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Sara Montiel nasceu no seio de uma família humilde que vivia da agricultura, já que seu pai era um lavrador. Desde muito pequena María Antonia se destacou por sua beleza e seus dotes artísticos, os quais impressionaram Don Vicente Casanova, um influente agricultor (e que era um dos donos de uma companhia de publicidade chamada CIFESA, da Espanha). Este a viu e a ouviu cantar durante uma procissão da Semana Santa de Orihuela, em Alicante, província de Espanha. Don Vicente fez com que a jovem María Antonia recebesse um treinamento básico em declamação e canto.
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Seu primeiro filme foi Te quiero para mi aparecendo como atriz coadjuvante no elenco, fazendo María Alejandra, mas foi a partir de Empezó en boda que ela usaria o nome artístico de Sara Montiel. Seu papel de primeira importância foi em Locura de amor, a que se seguiu La mies es mucha, Pequeñeces e El capitán veneno. Sua grande beleza e talento permitiram que ela conseguisse grandes sucessos, mas o cinema espanhol da época era muito pequeno para uma estrela como Sara Montiel, que foi tentar a sorte fora de seu país, no México e nos Estados Unidos, onde chegou a trabalhar em Hollywood.

Carreira artística
Atriz de Hollywood
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Graças ao êxito do filme Locura de amor, Sara Montiel chamou a atenção da indústria de fala hispânica mais importante do mundo na época, o México do Cine de Oro e imediatamente se transformou numa das estrelas do momento, junto com María Félix, Miroslava e Katy Jurado. Também trabalhou com os grandes atores da época: Augustín Lara, Arturo de Córdova, Pedro Infante… Filmou mais de uma dezena de produções, destacando: Cárcel de mujeres, Piel Canela, Furia Salvaje e Se solicitan modelos, entre outras.

Devido a sua beleza e talento logo chamou a atenção da indústria norte-americana, que precisava de estrelas hispânicas, na linha de Rita Hayworth. As interpretações em Cárcel de mujeres e Piel Canela abriram portas para entrar em Hollywood em 1954, como uma nova Gilda.
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Sua primeira interpretação foi pelas mãos, nada mais, nada menos que do mítico Gary Cooper, em Vera Cruz, de Robert Aldrich, junto a intérpretes importantes da época como Burt Lancaster, Denise Darcel e um jovem chamado Charles Bronson. Consegue índices de popularidade que jamais havia conseguido uma artista espanhola. E depois deste filme aparece Serenade, junto a Joan Fontaine, o tenor Mario Lanza e Vincent Price. Nas rodagens desse filme conheceu aquele que foi o seu primeiro marido: Antony Mann, diretor do filme. Por último, roda Yuma (também chamada Run of the arrow), junto a Rod Steiger (que teve popularidade em sua velhice pelo vilão de O Especialista, com Silvester Stallone e Sharon Stone).

Sara Montiel (conhecida na Espanha como Sarita Montiel) teve destaque em Hollywood; manteve certa amizade com personalidades muito importantes do cinema, como Marlon Brando, James Dean, ou a filha de Alfred Hitchcock. Uma fotografia que Sara fez com Dean, é a última que se conhece do mito de Juventude Transviada. Foi com esta mesma foto que se anunciou a morte de James Dean num acidente de carro por todo o mundo.
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Ainda que tivesse projetos para realizar outro filme como The American ou Burning Hills, um deles junto a Paul Newman, o destino deu outro rumo a sua carreira e desde então diminiu suas atuações em Hollywood.

Depois de uma férias, rodou na Espanha um filme de baixo orçamento sob as ordens de Juan de Orduña, que realizou mais por amizade e gratidão que por dinheiro: El ultimo cuplé. Ainda assim o filme fez um sucesso imenso de bilheteria, e fez de Montiel uma das artistas mais requisitadas do mundo. Como conseqüência, firmou um contrato milionário para realizaz filmes de produções européias (hispano-francesas-italianas) que fizeram dela a maior atriz de fala hispânica da década de 50-60. Depois de El ultimo cuplé seguiram La Violetera, "Carmen la de Ronda", "Mi último tango", "Pecado de Amor", "La bella Lola", "La dama de Beirut", "La reina del Chantecler", "Noches de Casablanca", "La mujer perdida", "Varietés" e "Cinco almohadas para una noche".

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A carreira de cantora
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Como cantora conseguiu grandes sucesso em sua carreira, sobretudo quando trouxe de volta a moda o “cuplé” com sua insinuante forma de cantar. Seu estilo pessoal é inconfundível; boleros como Contigo Aprendí ou Besame Mucho deram a volta ao mundo com sua voz. Mas sem dúvida a canção com a qual sempre será identificada é Fumando espero, que na época de sua gravação, fumar era tido como algo elegante, mas que hoje é mal-visto.



Na televisão protagonizou dois programas: Sara y punto, realizado por Eduardo Stern e Vem al paralelo com o qual esteve duas temporadas, sendo então a indiscutível rainha do espetáculo de Barcelona u de TVE-2 (rede educativa estatal espanhola).
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Vida amorosa e casamentos
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Anthony Mann, o diretor de cinema norte-americano com quem se casou em 1957 em Hollywood (primeiro em “articulo mortis” – ocasião em que se realiza o casamento quando um dos cônjuges correm risco de morte – por conselho da filha do diretor e, posteriormente restabelecido da doença de Mann, se tornando seu primeiro marido). Sara havia conhecido Mann nas filmagens de Dos pasiones y un amor (Serenade), e trabalhado junto a Mario Lanza e Joan Fontaine. O divórcio veio em 1963.
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Seu segundo marido foi o industrial Vicente Ramírez Olalla, a quem Sara chamava carinhosamente de “Chente”. Se casaram diante de um grupo pequeno de convidados na Igreja de Montserrat, em Roma, com cerimônia oficiada pelo abade mitrado do Valle de los Caidos, Frei Justo Pérez de Urbel. Contudo, o sonhado matrimônio durou apenas dois meses.
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O homem de sua vida foi o empresário e jornalista de Mallorca Pepe Tous, com quem se casou depois de dez anos de vida juntos. Adotaram dois filhos: Thais e Zeus. Pepe Tous morreu e deixou Sara sozinha cuidando de seus dois filhos.
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Outros homens importantes na vida de Sara foram Ernest Hemingway, que ensinou Sara a fumar habanos. James Dean, com quem dizem que viveu um romance de filme, inclusive esteve a ponto de viajar com o ator, justamente no dia em que ele morreria no acidente que lhe custou a vida.
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León Felipe. Sara foi a musa e a maior inspiração do importante escritor e poeta espanhol para “La Mancha en tí, mujer, y en mi corazón el dardo”. Palavras que o grandioso poeta dedicou a sua amada Sara, e a quem, em uma ocasião, chegou a dizer: “Eres demasiado bella para el cine, lo tuyo es el teatro” (Você é linda demais para o cinema, teu lugar é o teatro).
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Com Gary Cooper, Sara viveu um de seus mais belos romances. Conheceram-se durante as filmagens de Veracruz e entre eles se fazia uma piadinha muito curiosa: a primeira vez que Sara fez amor com ele, aconteceu por causa de um equívoco da atriz, pois Sara não sabia falar o inglês muito bem, e muito menos ler em inglês, coisa que fazia com a ajuda do intérprete, e isso de maneira fonética.
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Uma das frases que a personagem de Sara tinha que dizer ao de Cooper era: “Você quer lutar (em inglês, fight) comigo e com os meus por meu povo?”, mas ela errou e ao invés de usar a palavra fight, acabou soando fuck e aí a frase ficou “Você quer f*der comigo…”, ao que Cooper, respondeu com um sonoro “Yes!”. Sara recorda que quando estava abraçada ao ator lhe sussurrava cantando “Because of you”. Até o final da vida de Cooper eles mantiveram uma amizade e na última visita que o mito de Hollywood fez à Espanha, estava muito doente. Ao descer do avião a primeira coisa que perguntou foi: “Onde está my Montielita?”.
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Miguel Mihura, foi, além de um amor importante na vida de Sara, seu Pigmaleão. Sara chegou a pedi-lo em casamento, mas apesar de ter sido publicada a notícia, não chegaram a unirem-se em matrimônio. Indalecio Prito, um político da esquerda a quem Sara conheceu quando estava no exílio, foi uma relação curta, mas da qual Sara guardou uma grande lembrança.
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Maurice Ronet, para Sara companheiro e amante, trabalhou com ela em Carmen la de Ronda, Mi último tango e Noches de Casablanca, vivendo uma apaixonado romance que ultrapassou as telas. Com Giancarlo del Duca, trabalhou La mujer perdida e La dama de Beirut, e viveram um romance, que ele decidiu terminar. Quando Pepe Tours morreu, Giancarlo apareceu de novo na sua vida e o romance voltou de novo. Mas “Gianca”, como ela lhe chamava, enganou Sara e apesar de se falar de casamento entre ambos, ela decidiu cortar a relação por definitivo.
Seu último e muito controvertido matrimônio civil foi com o jovem cubano Tony Hernández. A união se rompeu em poucos meses.
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Imagens _ Google Imagens
Vídeo - Youtube
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PS.Para mim, Sara Montiel foi um dos mais belos rostos já difundidos pelo cinema, e uma das mais belas vozes de língua espanhola."La Violetera" a tornou eterna.

O que fazem os dias passados em minh’alma,
Sem ter ardido o sol em minha pele,
Sem os vapores da terra em meu corpo,
Sem o dardejar de ventos vindos das serras
Rebatidos pelos seios dos chapadões que motivam meus sonhos,
Para além do horizonte que desenha-se sobre meus olhos?
O que fazer sem os dias, sem as tardes que possa levitar como as folhas de outono?
O que fazer sem o hálito do mar, sem as rendas que se dispersam na praia e que muitos as chamam de ondas...
São nesses passos lentos que percorro meu caminho quando o sol põe-se a sangrar no final da tarde, tingindo a dor do final do dia e talvez lá também sangre minhas angústias e a saudade que tenho de ti...
Continuo a galopar entre os rios ao passo que o luar espia-me com um só olho.
O bradar em silêncio que cada árvore faz no meio dos vendavais envergar seus galhos ao sabor dos ventos como quem gesticula.
Assim prossigo em monólogo com as conchas e com tudo que possua uma olhar que vaze harmonia, como os teus que agora em repouso, em algum lugar devem sonhar...
Sonhar com as notas dispersas de alguma lira e o com voz metálica de algum poeta que possa descrever as paisagens verdes aos teus olhos cerrados pelo sono e pelo negror da madrugada.
Ao longo desses dias em que sonhas, percorro as trilhas que o poeta a descreve e, com sorte, talvez possa eu aparecer nos mesmos. Quem sabe no sangrar da tarde, no sabor das liras ou vibrar dos versos que um dia fiz a ti.

O CD de Ricardo Brasileiro


Músicas das serenatas dos anos 60. Escutei todas as faixas , e amei !
-Zíngara, Contigo aprendi, Hoje, Doce amargura, e muitas outras !
Contato:
Uyramara Brasileiro
(88) 8829.6992Aprendi8

Oficialmente Velho

Leonardo Boff

Neste mês de dezembro completo 70 anos. Pelas condições brasileiras, metorno oficialmente velho. Isso não significa que estou próximo da morte, porque esta pode ocorrer já no primeiro momento da vida. Mas éuma outra etapa da vida, a derradeira. Esta possui uma dimensão biológica, pois irrefreavelmente o capital vital se esgota, nosdebilitamos, perdemos o vigor dos sentidos e nos despedimos lentamentede todas as coisas. De fato, ficamos mais esquecidos, quem sabe,impacientes e sensíveis a gestos de bondade que nos levam facilmente àslágrimas, Mas há um outro lado, mais instigante. A velhice é a última etapado crescimento humano. Nós nascemos inteiros. Mas nunca estamos prontos. Temos que completar nosso nascimento ao construir aexistência, ao abrir caminhos, ao superar dificuldades e ao moldar onosso destino. Estamos sempre em gênese. Começamos a nascer, vamos nascendo em prestações ao longo da vida até acabar de nascer. Então entramos no silêncio. E morremos. A velhice é a última chance que a vida nos oferece para acabar de crescer, madurar e finalmente terminar de nascer. Neste contexto, é iluminadora a palavra de São Paulo: "na medida em que definha o homem exterior, nesta mesma medida rejuvenesce o homem interior"(2Cor 4,16). A velhice é uma exigência do homem interior. Que é o homem interior? É o nosso eu profundo, o nosso modo singular de sere de agir, a nossa marca registrada, a nossa identidade mais radical.Esta identidade devemos encará-la face a face.Ela é pessoalíssima e se esconde atrás de muitas máscaras que a vida nos impõe. Pois a vida é um teatro no qual desempenhamos muitos papéis.Eu, por exemplo, fui franciscano, padre, agora leigo, teólogo,filósofo, professor, conferencista, escritor, editor, redator dealgumas revistas, inquirido pelas autoridades doutrinais do Vaticano,submetido ao "silêncio obsequioso" e outros papéis mais. Mas há ummomento em que tudo isso é relativizado e vira pura palha. Então deixamos o palco, tiramos as máscaras e nos perguntamos: Afinal, quemsou eu? Que sonhos me movem? Que anjos que habitam? Que demônios me atormentam? Qual é o meu lugar no desígnio do Mistério? Na medida emque tentamos, com temor e tremor, responder a estas indagações vem à lume o homem interior. A resposta nunca é conclusiva; perde-se paradentro do Inefável.Este é o desafio para a etapa da velhice. Então nos damos conta deque precisaríamos muitos anos de velhice para encontrar a palavra essencial que nos defina. Surpresos, descobrimos que não vivemos porque simplesmente não morremos, mas vivemos para pensar, meditar, rasgarnovos horizontes e criar sentidos de vida. Especialmente para tentarfazer uma síntese final, integrando as sombras, realimentando os sonhosque nos sustentaram por toda uma vida, reconciliando-nos com osfracassos e buscando sabedoria. É ilusão pensar que esta vem com a velhice. Ela vem do espírito com o qual vivenciamos a velhice como aetapa final do crescimento e de nosso verdadeiro Natal.Por fim, importa preparar o grande Encontro. A vida não éestruturada para terminar na morte, mas para se transfigurar através damorte. Morremos para viver mais e melhor, para mergulhar na eternidade e encontrar a Última Realidade, feita de amor e de misericórdia. Aísaberemos finalmente quem somos e qual é o nosso verdadeiro nome.Nutro o mesmo sentimento que o sábio do Antigo Testamento:"contemplo os dias passados e tenho os olhos voltados para aeternidade".Por fim, alimento dois sonhos, sonhos de um jovem ancião: o primeiroé escrever um livro só para Deus, se possível com o próprio sangue; e o segundo, impossível, mas bem expresso por Herzer, menina de rua epoetisa:"eu só queria nascer de novo, para me ensinar a viver". isso é irrealizável, só me resta aprender na escola de Deus.Parafraseando Camões, completo: mais vivera se não fora, para tão longo ideal, tão curta a vida.

Se o telefone tocar ... por Sempresoll



Meu telefone está mudo de tua voz
Já não escuto as tiradas de gracejo
o que ficou no emaranhado de nós
foi o silencio dessa voz que desejo.

Meu telefone calado é como algoz
Nem canaliza sacadas desse ensejo
Ficar sozinha entediada é tão atroz
dilacerada na memória de um beijo .

Mas se tu tocas de repente o celular
deixas recado no orkut sem receio
ou simplesmente envias um e-mail,

terei o som mais bonito de escutar
lerei na letra que dirá que você veio
para abraçar-me afagada no teu seio



por Sempresoll (Mazé)

* Amiga poetisa seguidora do Cariricaturas

Como uma onda ... - por Vera Barbosa


"Nada permanece inalterado até o fim". A afirmativa, da canção de Zeca Baleiro, é bastante oportuna, já que a vida é cíclica. Ainda bem, pois essa característica faz com que tudo seja menos entediante e monótono. Afinal , reciclar é o grande desafio. Tente imaginar como seria previsível nosso cotidiano se nao contássemos com as variações todas que a vida nos oferece. É esse "indo-e-vindo infinito" que dá movimento e graça às nossas experiências, Lulu Santos foi muito feliz na comparação.

Se não me engano, foi Goethe quem disse que o triunfo pertence aos que se atrevem. Concordo: a ousadia é atributo dos corajosos. Há quem passe 20 anos acomodado em um mesmo cargo sem tentar expandir seu universo profissional e, consequentemente, sem desenvolver novas habilidades. O medo de experimentar o novo e assumir seus riscos faz com que as pessoas fiquem estagnadas em uma determinada função. Para a maioria, é mais confortável fazer algo que se sabe sem ter de aprender nada, sem ter de assimilar novos procedimentos e/ou se adaptar a novas regras e horários. Contudo, nossa capaciadade de recomeçar é fundamental para que alcancemos o sucesso, e isso nao se limita a status e salários, mas diz respeito, sobretudo, à realização pessoal. Diariamente, somos desafiados a prosseguir e temos duas escolhas apenas: mudar ou permanecer onde e como estamos.

E não é diferente no amor. Há quem se condene à infelicidade ao manter uma relação afetiva desgastada, em que ambos estão descontentes, mas sem iniciativa para mudar a história. Quando pensam nos problemas que teriam de resolver ao se desvencilhar, as pessoas recuam. O "comecar de novo e contar comigo" se transforma em um bicho de sete cabeças. A partilha dos bens, a educação dos filhos, com quem cada um vai ficar e o que a família e os amigos irão pensar são, muitas vezes, mais importantes que a paz de espírito que poderiam alcançar. E, assim, os casais vão deixando o comodismo lhes levar, feito nau sem rumo. Evidentemente, não é fácil encarar uma separação e se desligar de alguém com quem se conviveu e construiu tantos sonhos. No entanto, nunca é tarde para ser feliz e, se não acordamos a tempo, teremos ficado boa parte da vida à deriva.
Pessoas que mudaram, radicalmente, sua vida profissional ou afetiva afirmam ter alcançado um grau de satisfação que lhes possibilitou retomar a vida como se tivesssem acabado de nascer. Conheço alguém que se livrou de um casamento de quase 30 anos por não suportar mais o desrespeito do parceiro, que vivia de galho em galho. Um amigo, que passou uma vida inteira na mesma empresa, libertou-se da mesmice ao se aposentar, pois abriu seu próprio negócio e passou a atuar na área de sua satisfação. Para eles, a vida adquiriu um novo sentido a partir daí.

Concordo com os versos do maestro quando diz que "fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho", mas isso só é possível quando o amor próprio fala mais alto. Primeiro, é você e você. Reflita e descubra se você está feliz. Fazer o que se gosta, ter prazer em exercer sua função, olhar com carinho para seus sonhos e desejos é o ponto de partida para se sentir bem ao lado de quem você ama e das pessoas com quem se relaciona profissionalmente. E mudar é necessário, pois nos faz retomar a alegria de viver. Mudar rejuvenesce. Mais que plásticas, malhação e turbinagens, acredite. Porque mudanças positivas fazem com que tenhamos brilho nos olhos e, já que esses são o espelho da alma, nao há inércia que eles possam disfarçar. Como bem canta Seu Jorge, "o bom da vida é viver bem, querer bem, estar bem".

Então, atreva-se!


por Vera Barbosa

Mensagem do Amigo Secreto de Edilma Rocha

Minha amiga secreta sabe esculpir na poesia imagens de ternura que são fotografadas pelos olhos do coração.Amo os seus versos.

Abraços.

Varal

Fundo de quintal. Uma corda estendia-se diagonalmente entre um galho de jaqueira e um ramo de figueira. Como que delimitava uma fronteira imponderável entre o pomar e o resto do mundo. Do fundo, a goela da manhã soprava um vento alísio que vibrava as folhas das árvores , arrancando do verde uma música lânguida e reconfortante. A um lado, logo abaixo da figueira, mal se entrevia uma mulherzinha atarracada, defronte a um tanque de alvenaria. Pano envolvendo a cabeça, vestido longo, desfalecendo o tecido solto até os pés, parecia uma afegã se dirigindo à mesquita. Uns braços roliços saltavam das mangas e, ritmicamente, iam batendo contra a laje do tanque, untadas de água e sabão, uma montanha de roupas. Elas se ajuntavam dentro de uma bacia posta por cima de um tamborete, ao pé da árvore. Lavadas, as peças iam sendo paulatinamente colocadas no varadouro, presas a pegadores, ao doce sabor adocicado do vento. Aos poucos, o sopro cálido , espargindo as roupas úmidas , como bandeiras desfraldadas, lhes roubava a umidade. Abaixo do varal estendiam-se vários buraquinhos, quase que milimetricamente esculpidos pelas gotas que escorriam das malhas de tecido.
À medida que as roupas se iam enxugando, alguns resquícios de manchas se tornavam mais visíveis em meio ao encardido das vestes. Como se o varadouro fosse um mastro e cada peça uma bandeira a expor simbolicamente histórias de batalhas pretéritas e seus espólios de guerra. A cueca do adolescente tentava esconder a mácula próximo a braguilha, resultado do míssil lançado, a contra gosto , na polução da noite anterior. A fraldinha do bebê , por outro lado, não estava nem aí para nódoa amarronzada que lhe marcava o centro do quadrilátero, como se calculada geometricamente por prumo de pedreiro. A calçola rósea da mocinha avermelhava-se ainda mais, tentando esconder a marca rubra da primeira menstruação. A colcha de cama tomava egoisticamente grande espaço do varal e fora virada com o lado avesso para o mundo, quem sabe assim não se ocultavam melhor os claros sinais da batalha de Eros travada por um casal na noite anterior ? No meio delas, uma mancha oleosa escura fazia um contraponto esquisito com as outras mais esbranquiçadas. A calça comprida parecia olhar com empáfia para os outros trajes pendurados na corda, entendia-se claramente ser do dono da casa, até porque mostrava como vestígios o respingado da tinta, um pouco esmaecida de um pintor de paredes. A Samba-Canção do vovô , com as desvanecidas manchas amareladas da incontinência, olhava algo sorridente para a fralda, presa do outro lado da corda, percebia claramente que as extremidades se tocam. O vestido de cambraia da dona de casa estampava manchas indeléveis, já aparentemente imunes à lavagem , típicos resquícios da cotidiana batalha doméstica.
De repente, a repetitiva e costumeira paisagem pareceu estilhaçar-se. Os galhos entrelaçados da figueira e da jaqueira fremiram como se assumissem o testemunho ocular de um crime perpetrado. Um macacão jeans, rapidamente esfregado pelas mãos da mulher, foi colocado, disfarçadamente, no varal. Mal ocultava marcas de óleo escuro que resistiam ao enxágüe. A colcha o observou com um ar de indisfarçável familiaridade. Um lufada de vento mais forte fez com que suas pernas enroscassem languidamente o vestido de cambraia, sob o visível olhar de reprovação de todo o varal. Abaixo, na terra úmida , os fluidos escorridos se mesclavam em homogeneidade, sem preconceitos. Corriam líquidos , como afluentes de um rio maior chamado vida. Unidos na fluidez , já era impossível definir sua origem. Apenas uma nódoa oleosa destoava , sobressaindo-se heterogeneamente no fluxo, dificultando a respiração dos peixes e conciliação dos elementos a caminho da foz.

J Flávio Vieira