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Estão paralisados, mas não há desespero,
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(Carlos Drummond de Andrade)

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terça-feira, 8 de setembro de 2009

Conheça melhor o músico cearense : Nonato Luiz


(Entrevista com Nonato Luiz )

Pergunta: como foi seu início na música e, particularmente, no violão? Houve em sua casa alguém que o inspirasse ao estudo da música ou houve a influência de algum artista que você assistia?
Nonato Luiz: comecei em 1956, aos 4 anos, tocando cavaquinho e influenciado por meu saudoso pai, Pedro Luiz, que além de agricultor era violeiro e repentista.
Mais tarde, conheci a música de Valdir Azevedo, Jacob do Bandolim, Pixinguinha, Luiz Gonzaga e outras feras do segmento. Numa fase mais madura, interessei-me pelo trabalho de Baden Powell, no campo do violão popular, e Andrés Segóvia, na área erudita.
Também foi importante meu convívio com o violonista clássico Darcy Villaverde, amigo e parceiro carioca, com quem percorri grande parte do Brasil, em inesquecível turnê.

Pergunta: no violão, com quem você estudou? Seus estudos foram mais ligados ao violão clássico ou mais à parte de harmonização? E os estudos de música, teoria, harmonia e outros instrumentos?
Nonato Luiz: em violão, sou autodidata. Tive essa opção inicial em vista das circunstâncias em que vivia no início da minha carreira. Era um garoto humilde, morando num vilarejo no interior do Ceará, portanto, sem acesso aos meios para adquirir maior conhecimentos teórico.
Uma vez em Fortaleza, no Ceará, tive a oportunidade de ingressar no Conservatório de Música Alberto Nepomuceno, da Universidade Federal do Ceará pela porta da Orquestra Sinfônica Henrique Jorge. Estudei e toquei violino por um período de dois anos. Nessa fase, pude experimentar um maior amadurecimento na música erudita.
Anos depois, em 1977, iniciei o Curso de Licenciatura em Música, na mesma Universidade, também por dois anos. Interrompi o curso pela minha mudança para o Rio de Janeiro, onde iniciei minha carreira como violonista profissional. Nesse curso, obtive muitas informações sobre teoria musical, harmonia, arranjos e sobre outros instrumentos. Como autodidata estudei intensamente a obra dos compositores brasileiros. Os clássicos da música erudita, especialmente Bach, Mozart e Haendel, seja ouvindo discos de orquestras de todo o mundo, seja escutando Andrés Segóvia, John Williams, Dilermando Reis ou Baden Powell. Assim me adaptei para o violão e executei, como o faço até hoje, as maravilhosas composições desses mestres. Ao mesmo tempo, recebi deles a influência que dá alicerce às minhas composições.

Pergunta: você escreve os arranjos que elabora para o violão? É compositor?
Nonato Luiz: meus arranjos são elaborados de maneira intuitiva, a partir da audição dos discos, sem consulta a partituras. Não desprezo a importância e o valor da música escrita, apenas posso realizar meu trabalho sem usá-las. Quero ressaltar que boa parte de minhas composições está registrada em partituras, publicadas em quatro livros, apresentado pelo duo de violão clássico, Sérgio e Odair Assad. No site www.nonatoluiz.com.br os interessados poderão ter acesso a maiores informações.

Pergunta: atualmente quais são as suas atividades?
Nonato Luiz: composição, arranjos, concertos, gravação de discos e tudo o que um músico contemporâneo é chamado a fazer. No momento, estou ocupado em dois projetos, representados pela gravação e lançamento de dois CDs, um dedicado ao importante e brasileiríssimo gênero do choro, e o outro centrado no maravilhoso baião de Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga.

Pergunta: quais os CDs que você gravou (e também LPs?). Você poderia fazer uma relação daqueles que você considera os seus principais trabalhos e os que estão em projeto? Como seus discos foram realizados?
Nonato Luiz: são tantos que ficaria extenso numerar. Todos eles, LPs ou CDs, estão divulgados no meu site www.nonatoluiz.com.br, já mencionado. Não destaco um porque para mim todos têm o mesmo valor, desde o primeiro LP até o último CD. Não posso negar o carinho que tenho pelas minhas composições, muitas delas presentes nesses discos.
A concepção dos meus discos teve várias facetas. Alguns deles tiveram como foco a transcrição para o violão de obras de grandes compositores e músicos, como: Milton Nascimento, Luiz Gonzaga, Beatles, alguns autores cearenses, entre outros.
Alguns tiveram abordagem temática: “Violão em Serenata” reúne a transcrição de clássicos do cancioneiro brasileiro de música popular. “O Choro da Madeira” (1999) mesclou choros brasileiros consagrados e diversos inéditos compostos por mim. “Choro em Sonata” traz uma coleção de choros de minha autoria.
Alguns outros discos retratam trabalhos de parceria em composição ou interpretação: (“Diálogo”, “Terra”, “Baú de Brinquedos”, “Canções”, “Palavra Nordestina”, “Nordeste ao Vivo”, “Carioca”, “Gosto de Brasil”, “Nave do Futuro”, “Filhos do Solo”, “Os Bambas do Violão”, neste último divido com as feras do violão brasileiro: Baden Powell, Canhoto, Henrique Annes e o saudoso Rafael Rabello).
Discos que trazem peças exclusivas ou quase exclusivamente de minha autoria, são: “Mosaico”, “Reflexões Nordestinas”, “Retrato do Brasil”, “Choro em Sonata”, “Canções” , este último com uma proposta de mostrar minhas melodias que receberam letra de vários e parceiros que tenho por esse Brasil afora, sendo essas canções interpretadas por diversos cantores brasileiros.

Pergunta: fale também sobre as suas apresentações.
Nonato Luiz: nessa longa estrada como músico foram tantas as apresentações, no Brasil e em todo o mundo, que fica difícil expressar o todo. Tento destacar algumas ocasiões marcantes na minha carreira:
Teatro Mozarteum, em Salzburg, Áustria: em 1985, fazendo minha primeira turnê européia dividi o palco desse importante teatro, templo dos grandes instrumentistas mundiais, com meu prezado amigo Pedro Soler, guitarrista flamenco. No ano seguinte, experimentei maior emoção, ao apresentar-me individualmente, no mesmo espaço, para um público altamente qualificado.
Nova York, Central Park: integrando um grupo de artistas brasileiros, participei do evento denominado “It’s time for Brazil”.
Paris: durante temporada patrocinada pela UNESCO, em 1992, onde gravei “Terra à Vista”, tema oficial da ECO-92.
Sala Cecília Meireles: – Das diversas vezes em que ali trabalhei, destaco a temporada com Pedro Soler, em 1982, que originou o LP Diálogo, lançado pela CBS (Sony Music).
Turnê com Túlio Mourão: em várias capitais brasileiras mostramos as peças que integraram nosso CD “Carioca”, gravado em 1991, no Rio de Janeiro, e lançado em no Free Jazz Festival.
Turnê individual em 2001: por diversas capitais brasileiras, para lançamento do disco “Ceará”, mostrando a transcrição, da obra de 18 autores da música cearense.
Estarei novamente viajando pelo Brasil nos próximos meses, divulgando meu CD intitulado “Baião”, com transcrição, para violão, de algumas parcerias de Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga.

Pergunta: você também é professor de violão?
Nonato Luiz: há muitos anos deixei de ministrar aulas de violão, pois os compromissos como instrumentista e compositor, aliados às muitas horas diárias de estudo, consomem todo o tempo disponível. Foi uma fase muito gratificante da minha carreira, na qual muito aprendi e guardo gratas recordações.

Pergunta: como você analisa a presença do violão dentro da música em geral?
Nonato Luiz: mesmo sendo um pouco suspeito para falar sobre o violão, atribuo-lhe tamanha versatilidade que pode desempenhar todas ou quase todas as funções dentro da música. Entendo, portanto, que o violão encontra espaço em qualquer ambiente musical: erudito, popular, regional, moderno, medieval, infantil, orquestral, ou seja, não há limitações para tão nobre e belo instrumento.

Pergunta: sendo a maioria dos internautas que consultam o "Clube Di Giorgio" neófitos e apreciadores do violão, que conselhos você daria para que os iniciantes e aspirantes a uma carreira musical ou mesmo aos que querem se desenvolver como violonistas amadores?
Nonato Luiz: para os amadores, que se preocupem apenas em curtir essa maravilha, tocando o instrumento à sua maneira, sempre porém buscando ouvir uma música de boa qualidade.
Para aqueles que aspiram a uma carreira profissional, recomendo um estudo permanente e cotidiano, compreendendo teoria, técnica e audição. Além disso, bastante perseverança e determinação, pois as dificuldades impõem isso.
Di Giorgio
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Nonato Luiz - Mourisca

3 comentários:

jair rolim disse...

A Nonato Luis
Grande Violonista, presenciei vários de seus shous.Pessoa de grande humildade e muito atencioso para com os fãs. Dentre os seus CD`s tem um que acho disparadamente o melhor. "Nonato Luis toca Luiz Gonzada". Pena que seja ediçao esgotada. Tenho um exemplar que guardo com muito carinho, peça rara pois nem mesmo o artista dispoe dele. Dentre seus fãs tem um de carteirinha que é o Tasso Jereissate. Vale a pena conferir suas apresentações. Nonato, hoje é um patrimonio do Ceará
Jair Rolim

socorro moreira disse...

Com certeza, Jair !
Acompanho Nonato desde 1980. Sou fã !
Outro é o Zivaldo Maia....
É bom morar em Fortal, né? Ficar perto desse povo.


Um abraço.

Claude Bloc disse...

Jair,

Nonato Luis é sem dúvida um grande músico, mas a alegria é nossa em receber você aqui no Cariricaturas. Não deixe de vir.

Um abraço,

Claude