Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

ENVIE SUA FOTO E COLABORE COM O CARIRICATURAS



... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
.....................
claude_bloc@hotmail.com

segunda-feira, 13 de junho de 2011

ATELIÊ ARTESSETRA COMUNICA:

Aviso ao amigos leitoes e escritores do Cariricaturas que o Ateliê Artessetra, artes indo e vindo para você, por Jacques Boris, esta funcionando com sua nova sede no Parque Grangeiro na Av. Pedro Felício Cavalcante Nº 2274 - Crato-Ce.
 
Aproveito esta oportunidade para mostrar o meu último trabalho, uma mesa em mosaico com o motivo da nossa cultura popular da xilogravura. 
 
Mesa com motivo de xilografia - (vista parcial do novo ateliê)
Vista do tampo da mesa.
Tampo da mesa - detalhes
 
Detalhe 1 - Padre Cícero
Detalhe 2 - Violeiros
Detalhe 3 - Carregador de cana
Detalhe 4 - Mulheres no pilão
Trabalhamos também com esculturas vazadas em MDF como rosas,mandalas,silhuetas,logomarcas,fotos etc. Se você não pode ir ao Ateliê Artessetra ele vai até você, ligue (88) 8821 3731 / 9991 5770


Este convite é para VOCÊ!!!

Jacques Boris

domingo, 12 de junho de 2011

Retirado do Blog do Crato


Lançado MOVIMENTO PELA DIVERSIDADE MUSICAL E CONTRA O MONOPÓLIO DO FORRÓ DE PLÁSTICO NO RÁDIO - Por: Dihelson Mendonça


Junte-se a nós. Viva todos os Estilos musicais !


ROCK, SAMBA, FUNK, POP, MPB, REGGAE, SALSA, INSTRUMENTAL, JAZZ, CLÁSSICOS, BAIÃO, XOTE, FREVO, MARACATU...pra você que está sufocado por tanta besteira e mesmice no Rádio Caririense!

Somente com a união de todas as pessoas que gostam da música de qualidade no Brasil, conseguiremos vencer o "Cartel da Mídia" que mantém o monopólio do forró de plástico 24 horas por dia nas estações de rádio. Estou recrutando cada pessoa de bom gosto musical, cada cidadão que odeia a baixaria representada pelas bandas de forró; Cada um que curte outros estilos, para que juntos formemos uma frente, um movimento organizado que estou denominando inicialmente de "Movimento Pela Diversidade Musical na Mídia" para as estações de rádio possam voltar a tocar estilos variados de música, rompendo esse monopólio de porcarias estabelecido. Como sabemos, o percentual de pessoas que apreciam música de qualidade é muito superior aos que gostam de música ruim, mas somente a música ruim tem espaço no Rádio, porque um grupo econômico criou e mantém há 2 décadas uma estrutura perversa que visa apenas ganhar dinheiro fácil às custas da massificação.

A ESTRUTURA DO SISTEMA

Ao contrário do que muitos pensam, o monopólio do forró de plástico na mídia não é um elemento passivo. Não caiu no gosto do povo por mero acaso. É fruto de uma estrutura cuidadosamente planejada nos anos 90 por um grupo de empresários visando o ganho de dinheiro fácil dos incautos pela exploração e pela massificação. O objetivo primordial deles é manter o forró de plástico ativo 24Hs no Rádio, impedindo outros estilos musicias e garantindo público nos eventos:


O sistema é formado basicamente por 3 elementos que trabalham de forma organizada e sincronizada:

01 - Proprietários de bandas de forró de plástico ( gravadoras ) - A coisa toda é feita visando a exploração da baixaria, da vulgaridade, do estímulo ao alcoolismo e da prostituição, com letras pobres que apelam para os instintos primitivos enquanto se investe no visual, tornando a música um fator secundário. Arte não existe. Abusa-se do mau-gosto, e garantem-se espaços nas estações de rádio com uma estrutura paga, via satélite. Como uma droga de efeito imediato e que não se mantém, é que nem mesmo aqueles que gostam desse estilo aguentam ouvir a mesma música por muito tempo. O sucesso é passageiro, como o efeito de qualquer outra droga. O lucro não é obtido na venda de CDs, que são vendidos nas lojas por um valor simbólico e são muitas vezes doados em esquinas como promoção para arrebanhar público para os shows. Usam as gravadoras apenas como elemento de produção, sendo que o lucro real vem da venda de ingressos nos shows. A tática é oposta ao modelo vigente nas grandes gravadoras do país, onde lança-se o artista para vender o produto. Aqui, a gravadora serve apenas para reforçar e amparar o sucesso. A música pode até ser gravada ao vivo, no próprio show, pois descobriu-se que o público alvo não tem intelecto suficiente para distinguir a qualidade da gravação. O objetivo é promover a participação do público, sobretudo gritando nomes de determinadas pessoas nos shows, que levarão os CDs para tocar para os amigos. Na maioria dos casos, uma mesma música é gravada por várias bandas ao mesmo tempo.

02 - Estações de Rádio - Em conluio $$$$$ com as bandas de forró de plástico para massificar a população, elas é quem preparam o GADO ( público ) para as vendas dos ingressos nos eventos garantindo a publicidade antecipada, a fim de levar a massa como gado ao matadouro ( shows ) como se fossem Zumbis. A música, segundo eles, não deve ser artigo para pensar. Pensar, Dói ! - Música seria como qualquer droga, como CRACK e COCAÍNA: Apenas para a diversão fugaz, de fácil apelo, e em associação ao movimento corporal e à sensualidade. O Rádio une-se às bandas de forró para divulgar somente o material fornecido pelos proprietários, minimizando ou vetando quaisquer outras formas musicais, garantindo assim o monopólio e a massificação e preparando o povo para o principal: a venda de ingressos em shows.

03 - Proprietários de Casas de Shows - Aqui é onde realmente desemboca o grande filão do dinheiro. Visando lucro fácil, entram na jogada, abrindo os espaços para o material que já foi divulgado e massificado por meses nas estações de Rádio e em acordo com as bandas de forró. Em época de eventos, as bandas que irão participar se intensificam nas estações de rádio, tocando principalmente as que participarão, e retirando as que não irão participar, tudo preparado cuidadosamente com meses de antecedência e garantindo a participação da massa, que estará preparada a tempo para o dia do shows. Todos lucram no negócio milionário.

RECLAMAR ADIANTA ?

01 - Desde que o forró de plástico ( como é conhecido atualmente o chamdo "forró putaria", desde a intervenção do músico Chico Cesar ) nossa tática de reclamar não tem sequer arranhado a estrutura dos organizadores de eventos, e muito menos sensibilizado qualquer dos 3 pilares do cartel da mídia, que estão agarrados ao OSSO, mas estas reclamações, por outro lado, tem feito surgir muitas bocas indignadas no seio da sociedade ( inclusive crônicas famosas, como a do Ariano Suassuna ). As inúmeras reclamações trouxeram de volta pessoas que gostam da boa música e estavam esquecidas, impotentes frente ao descaso, e foi por essas reclamações que descobrimos outros que pensam iguais a nós, que estão vendo a arte e a cultura irem para o ralo. Portanto, reclamar é bom, sempre foi bom e sempre será uma grande arma nesse movimento.

02 - A nossa estratégia de começar a ganhar os meios de comunicação tem dado certo. Diversos artistas do nordeste, e principalmente do interior do Ceará, além de formadores de opinião se reuniram e foram às estações de rádio tocar aquilo que já não mais se ouvia. Apesar do curto espaço de tempo, estamos reunindo, congregando as pessoas que gostam de outros estilos musicais, e posso dizer pelo que vejo e tenho ouvido, que a quantidade de pessoas que gostam de boa música é maior do que os que gostam de porcaria, só que eles não se manifestam tanto quanto aqueles. Os shows dos bons artistas estão gradualmente retornando, e tem tido casa lotada, prova do retorno da boa música e do funcionamento do Marketing.

03 - Mesmo em Fortaleza, o reduto do Forró de Plástico, é unanimidade que lá esse forró decadente já diminuiu e alguns apostam até que está morrendo. Ainda bem!

O NOSSO MOVIMENTO:

Minha idéia é unir todas as pessoas que gostam de música de qualidade num grande e permanente movimento em direção às artes e à cultura, a fim de quebrar o monopólio de um só estilo de música no Rádio, garantindo a diversidadeartística e cultural. Temos andado muito dispersos nos últimos anos. O inimigo se aproveitou disso e tomou conta dos meios de comunicação. Permitimos literalmente que a raposa invadisse o galinheiro, enquanto ficamos apenas olhando sem nada fazer. Nosso movimento precisa ser direcionado no sentido de ocupar os espaços novamente, dos meios de comunicação em escala Regional, Estadual e Nacional.

Esse movimento organizado, que une todas as mídias de que temos acesso, terá por meta a união de todas as pessoas de bom gosto numa imensa "Corrente do Bem", que fará cada vez mais pressão no sentido de garantir espaços de diversidade na mídia, e consequentemente, formar mais platéia e bom gosto. O nosso público é grande, só está disperso. É preciso reunir essas pessoas dos 4 cantos. A nossa força estará nessa união. Será um movimento lento, porém gradativo e permanente, que espero contar com todos aqueles que não mais aguentam tanta decadência cultural, que não aguentam mais tanta porcaria no Rádio, e que desejam ouvir novamente MÚSICA DE VERDADE. Lançamos hoje a pedra fundamental desse movimento de resgate aos grandes valores; Não apenas musicais, pois a música decadente é fruto de uma sociedade em decadência. Por isso, é preciso investir nos grandes valores que formam o ser humano, que se baseiam sobretudo, na educação, que é o grande pilar da sociedade. Que possamos unir nossas forças, e todos os recursos disponíveis no sentido de cultivarmos o melhor do ser humano, e com certeza, todo o bem virá por consequência.

Una-se a este movimento. Em breve, o lançamento do site oficial. Enquanto isso, quem quiser participar, pode me adicionar no Facebook, twitter, ou outros websites para trocarmos idéias e estratégias para o combate ao monopólio da mídia:

www.facebook.com/dihelson
www.blogdocrato.com
www.chapadadoararipe.com
www.radiochapadadoararipe.com
www.culturanocariri.com
www.cariricult.blogspot.com
www.cariricaturas.blogspot.com
www.redeblogsdoceara.blogspot.com

VIVA A DIVERSIDADE MUSICAL. ABAIXO O MONOPÓLIO !

Abraços,

Dihelson Mendonça
Músico - Compositor, Pianista, Fotógrafo, Escritor.

Homenagem: Dilma elogia ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em seus 80 anos (postado por Armando Rafael)



SÃO PAULO - Em carta publicada no site que presta homenagem aos 80 anos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a presidente Dilma Rousseff destacou não só a trajetória política do tucano como creditou a ele o "plano duradouro" no combate a hiperinflação. Sem poupar elogios, Dilma ainda destacou a atuação de FHC na consolidação da estabilidade econômica, assim como seu espírito público e a habilidade para fazer política.

"Em seus 80 anos há muitas características do senhor Fernando Henrique Cardoso a homenagear. O acadêmico inovador, o político habilidoso, o ministro-arquiteto de um plano duradouro de saída da hiperinflação e o presidente que contribuiu decisivamente para a consolidação da estabilidade econômica. Mas quero aqui destacar também o democrata. O espírito do jovem que lutou pelos seus ideais, que perduram até os dias de hoje", diz trecho da carta, publicada no site www.fhc80anos.com.br em meio a outras mensagens assinadas por políticos, empresários, artistas e amigos de Fernando Henrique.


Ainda na carta, a presidente assinala a disposição de Fernando Henrique para tratar questões com base no diálogo.

"Esse espírito, no homem público, traduziu-se na crença do diálogo como força motriz da política e foi essencial para a consolidação da democracia brasileira em seus oito anos de mandato", diz ela, ainda destacando o papel de FH na história política nacional.
"Fernando Henrique foi o primeiro presidente eleito desde Juscelino Kubitschek a dar posse a um sucessor oposicionista igualmente eleito".
Mesmo com a ressalva de que tem opinião diferente da do ex-presidente, Dilma diz que a discussão entre os dois sempre se deu no campo respeitoso das ideias.
"Não escondo que nos últimos anos tivemos e mantemos opiniões diferentes, mas, justamente por isso, maior é minha admiração por sua abertura ao confronto franco e respeitoso de ideias. Querido presidente, meus parabéns e um afetuoso abraço!"., escreveu ela, em homenagem aos 80 anos do tucano.

POEMA JUNTINHO - por Ulisses Germano


euteamotanto
queseriaincapaz
dedizerotantoquanto
possoamaraindamais 

Ulisses Germano


12 de Junho dia dos Namorados - Paulo Viana

Românticas - Paulo Viana

Antes da tua aventura onírica
Entre a vigília e o sono
Sorrir, por essa ironia
Porque és tão real 
No mundo da fantasia
Porque as palavras te buscam
Se já és a poesia
Como podes estar tão perto
Se tudo te distancia

Não temos uma música
Daquelas que marcam momentos
Mas vejo melodia em teu sorriso
Ritmo em tuas palavras
E harmonia em teu olhar
Portanto, és tu a própria canção
Não conheço tua voz
Mas escuto teu silêncio

O sol das tuas manhãs
Este mesmo sol que me aquece
Beija em teu rosto as maçãs
Depois em luz me oferece

Tuas mensagens são chuva
Do céu transcendente onde habitas
Brandas gotas, pequeninas estrelas
Fertilizando minhas emoções

Ermano Morais:Coimbra Conheceu a Autenticidade do Forró Blues-Wilson Bernardo.

Ermano Morais é um dos grandes compositores e músicos do Cariri,que faz com certeza um forró diferenciado e inteligente,ao qual o que não é de plástico e nem enlatados,mas pé de de curulepos dos caboclos da chapada do Araripe.Com influencias de mestres como seu Lula Gonzaga,Anicetos,Jackson do Pandeiro e Cartola.Ermano reinventa um forró com misturas de bossa e sons tribais Cariri,instituindo a salvação do prematuro forró tão assassinado pela mídia cafajeste.Portugal teve a satisfação de ver e ouvir uma mistura de poesia matreira e musica autentica de belas composições.
Meruoca é a próxima estação
A luta de um Guerreiro em busca de reconhecimento
Wilson Bernardo(Texto & Fotografia)

Poesia para o Dia dos Namorados


                  
             
 POEMA DE AMOR

Tomei o coração na mão
como uma maçã
e cravei os dentes vermelhos.
Estava em êxtase,
transverberado,
com toda a poesia do mundo
escorrendo
dos beiços, cantando na língua.

Eu a beijei com sofreguidão,
como uma bicicleta.
Ela floresceu dentro de mim,
com tanto perfume
quanto um jasmineiro à noite.
Mas era apenas
a poesia
como um cavalo domado sob os lençóis.


CAVALGADA

Os seus olhos são como pombas brancas
ou dois canários dourados
tomando banho à beira d’água.

Você voa em busca do ninho.

Depois, o seu peito pulsa e o meu peito pulsa,
e nós ofegamos, eu montado a cavalo
e você, a minha potranca.

Nós nos amamos.
Relinchamos felizes.


O NINHO

Agasalhei o meu corpo
como um ninho
com os ovos do desejo.



12 de Junho dia dos Namorados

Volte Amanhã - Eliana de Lima
Ah! meu amor.....quando você vai embora
A solidão me sufoca.....e eu começo a chorar
sei que você.....tem que seguir seu destino
Não se preocupe comigo.....a vida é mesmo assim
Eu sinto o teu cheiro que ficou em mim
E morro de saudade dos carinhos teus
Volte amanhã.....eu quero você de novo
Preciso sentir o teu corpo
Você me faz feliz
Dedicada a todos os casais de Namorados

sábado, 11 de junho de 2011

Será sobrevivências ?

Historicamente as Ciências Sociais nasceram explicando o homem e a sociedade humana pelo viés das ciências da natureza. Impregnou-se da idéia de que a sociedade era um organismo vivo, feito de partes (Augusto Comte, Herbert Spencer e Emille Durkeim). A idéia do orgânico e super-orgânico, de corpo social, tecido social e vai por aí, atrelou a objetividade científica das Ciências Sociais à Ciência à procura de leis do pensamento científico do Século XIX. Você já se deu conta de que ainda hoje nos pegamos falando de “tecido social” quando fazemos observações sobre a quantas andam esta ou aquela sociedade?

A revolução epistemológica do mesmo Século XIX tratou de elevar status ao campo científico pondo as coisas nos lugares através do compartilhamento do conhecimento, melhor seria dos olhares científicos sobre a realidade.

À objetividade científica da grande Ciência explicativa do mundo físico contrapôs-se a relativização das Ciências Sociais, já que estas cuidam de coisas complexas, distantes e mutáveis. O eminente antropólogo – Roberto da Matta – até brinca quando fala disso, usando um exemplo banal de “como se come um bolo”. Diz que não é a mesma coisa quando se come um bolo, seja na festa de aniversário, seja num lanche rápido, seja após a refeição etc, etc... E diz mais: essa mesma festa que ocorreu agora, não pode ser reproduzida em sua inteireza no próximo ano, porque lhes faltará a atmosfera da época, o clima do momento. Com suas palavras “Enfim, o conjunto criado pela ocasião social que de certo modo decola dela e, recaindo sobre ela, provoca o que podemos chamar de “sobredeterminações”, como a imagem projetada numa tela ou num espelho”. (Da Mattta, Roberto. Relativizando: uma introdução à Antropologia. Petrópolis: Editora Rocco Ltda., 1987, p.19.

Já nas Ciências da Natureza não tem pra ninguém. As leis não deixam muita abertura para muita conversa. Se misturo uma substância com outra qualquer o resultado será sempre o mesmo, seja no Sítio Rosto, no Japão ou no Himalaia. E quem conhece dessas leis e fazem essa ciência é chamado de cientista. É uma pessoa de refinado conhecimento, a gente só o ver de longe, o que ela diz é o que é; você só pode contrariá-lo se souber dos segredos da ciência, e só pode demonstrar isso futuramente, porque precisa de tempo para contrafazer sua verdade.

Mudando de pau para cacete( não é uma digressão), olha só: semana passada, fui chamado às pressas aqui em casa, para acudir um vizinho, o Gaibu, irmão de Nego de Abeia. Estava passando mal. Sua pressão estava em 200 por 140. Altíssima!. E ainda sentindo uma gastura. Liguei pro meu filho, ele me recomendou oferecê-lo três remédios e que eu o levasse para uma emergência.

Lá chegando, depois de duas horas de espera, disse para o médico, um sujeito baixinho e enfezado (ele tinha a cara cheia protuberâncias) o que havia feito com o doente. E ele me “mediu” dos pés à cabeça (eu estava de bermuda e chinelos) e, na bucha disse: você é médico?

Claro que eu compreendi. Doença é coisa séria, e quem entende delas são os médicos. Nenhuma outra pessoa pode medicar alguém; só quem é do ramo.

Mas, por que estou falando tudo isto? Só por falar nesta sábado friorenta do pé de serra. Longe de mim querer particularizar alguém e muito menos amigos por ter suas idéias e pô-las em movimento.

Digo sempre que as Ciências Sociais são tão importantes para a compreensão do homem e do mundo que não podem ficar somente nas mãos dos cientistas sociais...

Um abraço ao valoroso médico e escritor cratense Dr. José do Vale Feitosa.

Em tempo. O tema da sobreviências comportamentais na antropologia foi superado. No passado, quando se encontrava uma sociedade em que todas as mulheres eram chamadas por mâe, achava-se que seria uma sobreviência de um tempo em que a humanidade teria usado a promiscuidade nas realações sexuais. Depois, entendemos que as sociedades podem marcar suas descendência tanto pelo lado paterno (patrilinearidade) como materno (matrilinearidade). O grande Levi-Straus disse que a primeira lei social imposta à natureza teria sido a proibição do incesto.

Pensamento para o Dia 11/06/2011


“Desenvolva Amor. Quando chegamos a este mundo, é só o amor que vem conosco. Do amor surge a verdade. Quando amor e verdade trabalham juntos, o lado humano encontra seu sustento. A mansão da vida humana pode ser construída com a autoconfiança como a fundação, auto-satisfação como o pilar e auto-sacrifício como o telhado. Somente então você pode alcançar a auto-realização na vida. Você deve começar com autoconfiança. Sem ela você não pode ter felicidade na vida. Como pode alguém que não tem confiança em si mesmo ter confiança nos outros? Não duvide de tudo. A dúvida coloca em risco a vida e aquele que duvida não conseguirá nada na vida. Desenvolva fé. Desista de todas as características doentias e leve uma vida ideal e bem-aventurada. A humanidade só floresce em um coração puro e lá encontra realização.”
Sathya Sai Baba
... Palavras ...


Palavras, na minha voz
Insubmissas estrelas de (a)mar
Palavras lidas
Estrelas ditas
Pelo m/teu olhar inquieto.

Palavras deitadas no tempo
Onde escorrem ainda
As tintas da noite.
Pincel que azula a lua
No céu onde o poema
Se desfaz em palavras.
Claude Bloc

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Poesia é Palavra



“…O mais perfeito dos sons humanos é a palavra. 
A poesia por sua vez é a forma mais perfeita da palavra. “

Sono de Primavera – Poemas Chineses

Tramas e princípios - José do Vale Pinheiro Feitosa

O verbo tramar tem, no Houaiss, quatro acepções principais: o conceito original e três por sentido figurado. O conceito original não vem ao caso aqui, mas os sentidos figurados sim. Dos três eu gostaria de trabalhar meu pensamento com um deles: planejar ou executar bem um projetol. Pode ser que os desvios da disciplina me escapem eventualmente pelos outros dois, mas procuro a autocrítica e tento evitá-los o tempo todo. Enfim não tolero: maquinações, intrigas, complôs ou conspirações. Seria negar a minha própria história política e social.

Aliás, quem se politizou na minha geração teve que seguir uma disciplina de estudos muito além das matérias básicas do curso universitário que eventualmente escolheu para se graduar. Desde muito cedo, em debate e por leitura dirigida ou induzida como foi o caso da antropologia cultural ou no ano em que freqüentei a faculdade de economia. Aliás, quem estuda epidemiologia e controle de doenças vive na matéria prima da sociologia e estatística. A verdade é que além das teorias de estrutura e funções, quem optou pela ação política precisou beber na filosofia, história, economia, sociologia e pedagogia.

É enganoso imaginar que adotar uma visão de mundo não seja um grande esforço de debate, confrontos com a realidade e busca teórica para explicações. Como igual é ter o cartão de apresentações cheio de princípios. Por exemplo, o princípio da ética. Que sabemos são regras de comportamento em coletividade. E comportamento é conduta perfeitamente sujeita a variações históricas, de classe social, de tipos culturais etc. Claro que a civilização ocidental greco-romana tem princípios éticos que até norteiam o que é e não é civilizado. Mesmo assim ter princípio para a ação política é sentir o peso da realidade.

Qualquer pessoa ousa falar sobre qualquer assunto nos dias atuais. A novidade maior é que as telecomunicações permitem que num computador se acessem bibliotecas fabulosas. Neste momento é interessante ouvir-se o que se tem para dizer, pois mesmo uma má leitura de algo é importante para o aprendizado do especialista no assunto. O erro do generalista não é mais o centro da conversa. Ao contrário a conversa agora põe em xeque o universo compartimentado do conhecimento. Põe mais em xeque o especialista do que o generalista (ou não especializado em determinado assunto).

Os médicos estão vigiados pelo Dr. Google. Um diagnóstico pode ser avaliado pelo doente ou seus familiares, e o médico terá de deixar a torre de marfim da sabedoria incontestável. Este é o mundo que vivemos. Não conspirando contra os poderosos ou os mais fracos. Mas tentando compreender a realidade que inventa poderoso e determina fraco. E o passo histórico seguinte a toda compreensão: quem compreender age, transforma, modifica. Mesmo quando tenta manter o status quo usa da compreensão.

Ficamos assim: ser de direita, esquerda ou ter ideologia não é categoria de denúncia. Menos ainda trama sem princípios. São categorias válidas de como se faz política e como se preparam projetos de história. O projeto realizado e acabado é outra coisa: muito da realidade já o terá adicionado desde o início de novos elementos.

Resposta ao Armando Rafael, por Zé Nilton

Ave, Armando, você me descobriu.É isto. Acompanho a cultura local com muito zelo e respeito. Fazemos a renovação do santo todo ano. Logo eu um descrente, mas crente na força dos homens que fazem de tudo para se manterem nas trocas com o sagrado.

E tem mais: neste mês será inaugurada a Capela do Sagrado Coração de Jesus do Sítio Minguiriba. Doeu o terreno, botei mão na massa, com todos da comunidade.


Fí-lo alimentado por princípios e não por devaneios teóricos que orientam práticas sociais.

E fui buscar em Emille Durkheim, um dos fundadores da Sociologia, tido como consevador, a inspiração para a motivação em compreender as forças simbólicas que dão suporte a permanência de uma vasta população morando na Serra do Araripe.

Ele disse que "a religião é uma coisa eminentemente social. As representações religiosas são representações coletivas que exprimem realidades coletivas; os ritos são maneiras de agir que não nasceram senão de grupos reunidos e que estão destinados a suscitar, a manter ou a refazer certos estados mentais desses grupos" (Durkeim, Emile. "Sociologia da Religião e Teoria do Conhecimento". Sociologia, São Paulo: Editora Ática, 1990.

Disse melhor do que o velho Marx, ou não.

Então, para alguns, que aliás não são das Ciências Sociais, as coisas são bem bonitinhas: tem direita, esquerda e a ideologia tramando as posições, nem sempre com princípios que antecedem qualquer visão de mundo.

Governo do Crato promove a I MOSTRA CRATO DE CINEMA E VÍDEO, de 13 a 18 de Junho - Por: Dihelson Mendonça



https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj7JVjiiyGXa8AVHEF-USNA-U29lx6wUwKEHlT9DUbBeW1tcUzOjCsOvWFONiPJK8-Jqlqn3_JdiO9esHEVGedp-Y3CXlPqjFiQDL0xNv_M0-hur2s05YarBeHLDmJBi_e2qX49bq2KAWrM/s1600/Mostra_Crato_de_Cinema_e_Video450.jpg

A
contece em Crato-CE, no Teatro Municipal Salviano Saraiva, de 13 a 18 de junho, a primeira Mostra Crato de Cinema e Vídeo, em comemoração aos 100 anos da inauguração do primeiro cinema do interior do Ceará, o "Cinema Paraíso", acontecido em 3 de maio de 1911 pelo italiano Vittorio di Maio. O evento é promovido pelo Governo do Crato, por meio da Secretaria de Cultura do Município, em parceria com a Universidade Regional do Cariri ( URCA ), Cineastas Cratenses, e reúne mais de 30 trabalhos, dentre curtas e longas-metragens produzidos exclusivamente por cineastas do Crato ou que possuem ligações com a cidade.

CRATO-CE, uma cidade marcada pelo Pioneirismo

A cidade do Crato, localizada no Sul do Ceará, ao longo da sua história, tem sido palco de inúmeros eventos pioneiros que tiveram ressonância posterior no Ceará e no Brasil. Exemplo disso foi quando a 3 de maio de 1817, José Martiniano Pereira de Alencar ( pai do escritor José de Alencar ), e filho de D. Bárbara de Alencar, proclamou do púlpito da Matriz do Crato a independência do Brasil, 5 anos antes do restante do país e já com regime republicano, estando 72 anos à frente do Macheral Deodoro da Fonseca.

Foi em Crato também, que em 1938 foi instalada a primeira usina hidroelétrica em solo Cearense, ao sopé da Chapada do Araripe; A primeira Diocese do interior; A primeira estação de rádio, a Rádio Araripe do Crato, inaugurada em 28 agosto de 1951; O Hospital São Francisco de Assis, em 23 de dez 1936; A casa de caridade em 1868; A primeira agência do Banco do Brasil do interior, em 1 set de 1936; O primeira unidade do SESI; O primeiro SESC; O primeiro time de futebol do interior do estado, o Crato Futebol Clube, em 1919; O Ideal Clube em 1916, que deu origem posteriormente ao famoso Crato Tênis Clube, ( que é de 1932 ); Os clubes de serra: Serrano, em 1961, Itaytera, em 1965 e Clube Recreativo Grangeiro em 1966.

Crato é pioneiro ainda com a primeira unidade da AABB do interior do estado, em inaugurada em 1955; Nas faculdades de filosofia, de 1960; Ciencias econômicas, em 1961; Faculdade de Direito, em 1973. Como se isso não bastasse, rodou pelas ruas do Crato ( calçadas especialmente para isso ), o primeiro automóvel do interior, adquirido pelo empresário Cratense Siqueira Campos, em 29 de set 1919; O primeiro Aeroporto do interior, em 1933 ( Campo de aviação ); Aeroporto N. S de Fátima, em 1953; Sociedade de Cultura Artística do Crato ( SCAC ), uma das maiores entidades culturais e artísticas do Ceará, em 1950, e a própria Universidade Regional do Cariri - URCA em 1986, são apenas alguns exemplos que comprovam o pioneirismo da cidade que é considerada "o coração pulsante do Cariri" e a prova inequívoca de que foi na cidade de Frei Carlos Maria de Ferrara, onde o Cariri realmente começou.

O pioneirismo do Crato se estende inclusive pela sétima arte, quando em 3 de junho de 1911 o italiano Vittorio di Maio inaugurava o primeiro cinema do interior cearense. Mas mesmo antes disso, já circulavam pelas suas ruas, alguns exibidores ambulantes, utilizando-se de um aparelho conhecido como Bioscópio e da Lanterna Mágica, que funcionavam a partir de discos e placas de vidro com gravações de imagens. Um desses exibidores foi o famoso Luiz Gonzaga de Oliveira ( Gonzaguinha ), bisavô do cineasta Cratense contemporâneo, Jackson de Oliveira Bantim.

Segundo a neta de Gonzaguinha, Alda de Oliveira Fontenele, hoje com 94 anos de idade, no inicio eram projetadas imagens coloridas que chegavam a assombrar a platéia. Com o tempo, vieram os filmes mudos com atores de gestos exagerados e muito maquiados. Ela lembra ainda que a trilha sonora era feita ao vivo por um pianista ou uma bandinha de músicos que acompanhavam as tensões das cenas. "Dona Vevé", como é conhecida, disse que os filmes se repetiam por varias semanas seguidas, isto porque eles vinham da capital em lombo de burros trazidos por tropeiros que comercializavam na cidade do Crato.

Mas somente no dia 03 de Junho de 1911, um Italiano de Nápoles chamado Vittorio di Maio, que visitava o Brasil e já havia inaugurado em 1897 um cinema em Petrópolis e outro em Fortaleza, inauguraria também a primeira sala de projeção do interior do Ceará, na cidade do Crato, chamada Cinema Paraíso, cujo primeiro filme exibido foi "Borboletas Douradas", e como o cinema era mudo, uma banda de música participava das sessões cinematográficas, animando o ambiente seguindo fielmente as cenas do filme. O anúncio do cartaz desses primeiros "sucessos de bilheteria" era feito da forma que anunciavam os espetáculos circenses da época: Um palhaço, e a meninada pelas ruas da cidade carregando o cartaz do dia. A criançada era marcada com tinta no pulso, valendo-lhes o ingresso gratúito para as sessões. O auditório era dividido com uma grade ( alambrado ), para diferenciar o tipo de ingresso. Desta grade para mais atrás, o ingresso era mais caro, porque neste tipo de cinema, quanto mais distante da tela, melhor era a visão para os espectadores. E para mais próximo da tela, a entrada era mais barata. Nos intervalos, enquanto as máquinas esfriavam, e eram trocados os rolos de fitas, uma banda de música tocava para os espectadores, bem como ao lado do prédio, havia também uma lanchonete.

Para comemorar os 100 anos desta data histórica, o radialista e memorialista cratense Huberto Cabral ( Foto ), elaborou um conjunto de eventos, que, promovidos pela administração municipal Samuel Araripe, através da Secretaria de Cultura, Esporte e Juventude ( Danielle Esmeraldo ), com apoio de entidades como a Universidade Regional do Cariri, Instituto Cultural do Cariri, cineastas e entusiastas do cinema, resultaram na Primeira Mostra Crato de Cinema e Vídeo, a ser realizada no Teatro Municipal Salviano Saraiva, de 13 a 18 de junho, onde serão apresentados mais de 30 filmes de cineastas cratenses ou ligados ao Crato, entre curtas e longas-metragens, além de uma pequena exposição com um histórico do cinema no Crato no Hall do teatro, onde já existem duas máquinas projetoras da época de um dos melhores cinemas da cidade, o Cine Moderno.

Na primeira noite, será feita uma leitura dramática “Os Primórdios do Cinema no Crato”, entrega do Selo Cultural do Araripe – Troféu Vittorio di Maio; Avant-Premiére do tele-conto O Cinematografo Herege, de Jefferson de Albuquerque Jr e um coquetel aos presentes. Nos dias seguintes, trabalhos de cineastas renomados como “As Sete Almas Santas Vaqueiras” de Jackson Bantim, “Corisco e Dadá” de Rosemberg Cariry; “Sargento Getúlio” de Hermano Penna, estarão lado a lado com o cinema produzido pela nova geração, como “Caldeirão do Beato Zé Lourenço” de Catulo Teles e Franciolli Luciano; “Também sou teu Povo” de Franklin Lacerda e Orlando Pereira, e “Cerca” do cineasta Glauco Vieira, além de vários outros.

Segundo a secretária de Cultura do Crato, Danielle Esmeraldo, "a Primeira Mostra Crato de Cinema e Vídeo se configura como o primeiro passo para que num esforço contínuo, se possa revitalizar o cinema Cratense, com a importante colaboração de muitos nomes que fizeram e fazem a história do cinema no Crato".

PROGRAMAÇÃO OFICIAL:

SEG 13

19h
Abertura Oficial
- Leitura Dramática “Os Primórdios do Cinema no Crato” - com Luiz Carlos Salatiel e Kelvya Maia”
- Homenageados com o Selo Cultural do Araripe – Troféu Vittorio di Mayo;
AVANT PREMIÈRE do tele-conto “O Cinematografo Herege” 30'- de Jefferson de Albuquerque Jr, numa livre adaptação do conto homônimo de José Flavio Vieira;
- Coquetel

TER 14

19h
Exibição do curta: “As Sete Almas Santas Vaqueiras” 30'- de Jackson Bantim
Exibição do Longa: “Ave Poesia” 82'- de Rosemberg Cariry”

QUA 15

9h
Exibição do Curta: “Dona Cíça do Barro Cru” 12' – de Jefferson de Albuquerque Jr.;
Exibição do Curta: “A ordem dos Penitentes” 25' - de Petrus Cariry;
Exibição do Curta: “Também sou teu Povo” 15' - de Franklin Lacerda e Orlando Pereira;
Exibição do Curta: “Água pra que te quero?” 16'- de Nívea Uchoa;

14h
Exibição do Curta: “Superação” 15' - de Franciolli Luciano e alunos da Escola Estadual Moisés Bento de Jatí;
Exibição do Curta: “Drama” 20' - de Franklin Lacerda, Ana Rosa Borges (Roteiro);
Exibição do Curta: “DZU´NHURAE - O Filho das Águas” 28' - de Pachelly Jamacaru;
Exibição do Média: “Crato” 50' - de Virgínia Soares - Produção IMAGO (URCA);

19h
Exibição do Curta: “O Auto de Leidiana” 26' - de Rosemberg Cariry;
Exibição do Longa: “Fronteira das Almas” 90' - de Hermano Penna;

QUI 16

9h
Curtas da ONG VERDE VIDA – “Mestres da Cultura” de Genivan Brasil e Paulo Fuísca. “Box de Vídeos” - Alunos do Verde Vida
Exibição do Média: “Assombrações do Cariri” 20' - Documentário de Jackson Bantim;

14h
Exibição do Curta: “Matando a Fome” 05' - de Franciolli Luciano;
Exibição do Curta: “Músicos Camponses” 12' - de Jefferson de Albuquerque Jr.;
Exibição do Curta: “Chapada do Araripe - Como foi, como será? (parte III)” 30' de Jefferson de Albuquerque Jr.;

15h10min
Exibição de Curta: “Seu Mundô – O Guardião da Floresta” 16' – de Laerto Xenofonte;
- Roda de Conversa: “Estórias de Cinema - Colóquio com cineastas, produtores, atores e cinéfilos. Reativação do Cine-clube Crato”;

19h
Exibição do Média: “Formação Romualdo, o Milagre Paleontológico”22' - Documentário de Jackson Bantim e Álamo Feitosa;
Exibição do Longa: “Corisco e Dadá” 90' - de Rosemberg Cariry;

SEX 17

9h
Exibição de Curta: “Caldeirão do Beato Zé Lourenço” 15' – de Catulo Teles e Franciolli Luciano;
Exibição de Curta: “Cerca” 15' – de Glauco Vieira;
Exibição de Média: “A Enchente do Crato” 60' - de Joaquim dos Bombons;

14h
Exibição de Média: “Lua Cambará” 60' – de Ronaldo Correia de Brito;
Exibição de Curta: “Cabaré-Memória de Uma Vida” 15' - Alexandre Lucas / Coletivo Camaradas;
Exibição de Curta: “Catadores de Pequi” 12' - de Zuiglio Brito e LaislaYanael;

19h
Exibição do Curta: “Dez anos do Chá de Flor” 15' - de Cristina Diogo e Maria Dias/Juriti Produções;
Exibição de Longa: “O Grão” 90' - de Petrus Cariri;

SÁB 18

17h
Exibição de Longa: “Sargento Getúlio” 90' - de Hermano Penna;

19h
Exibição de Longa: “Padre Cícero” 90' – de Helder Martins;

20h30min
- Encerramento

Maiores informações:

Secretaria da Cultura, Esporte e Juventude
www.culturacrato.blogspot.com
Email: culturacrato@gmail.com
Rua Teopisto Abath s/n
Telefone: +55 (88) 3523-2365

Por: Dihelson Mendonça

Helena e o Vento - José do Vale Pinheiro Feitosa




Prece ao Vento - música de Gilvan Chaves, Alcyr Pires Vermelho e Fernando Luiz Câmara cantada pelo Trio Nagô.


Ontem por volta das 18 horas, a considerar a variação do tempo entre um território e outro: romperam-se as barreiras dos céus. Num repente que assusta nossos espíritos afeitos ao esperado.

Um tsunami de ventos. Dizer que foi um vendaval não desvenda a surpresa de quem estava nas ruas do Rio. Não houve anúncios. Abriram-se as vagas de uma ventania que já vai levantando, arrastando, derrubando, quebrando, dobrando, enfim num gerúndio que parece durar até o infinito.

Afinal para nós os portadores da finitude, o infinito é tudo aquilo que vai até a marca do fim. Maria Helena Carvalho abriu os olhos mais do que todas as surpresas anteriores. Mas logo os fechou com o pavor dos argueiros a danificar a visão.

Jarros de flores caiam. Um canto agudíssimo saía de cada fresta de sua residência. As portas interiores da casa batiam quase a ultrapassar os batentes dos portais. Sobre o teto da casa barulhos de coisas em velocidade estorvadas por obstáculos.

Tudo que era flexível estava em espasmos quase epiléticos. O que era sólido ameaçava rachar e quebrar-se. Os líquidos eram maremotos proporcionais ao espelho de suas águas, como aquelas no copo que Helena desejava beber.

Um mundo estava literalmente se desagregando. Se espatifando. Se vidros houvesse se estilhaçariam. As pétalas das flores se esgarçavam. As folhas voavam. Os galhos se quebravam e caíam em rodopio em alvos potenciais. Poderia ser qualquer alvo, era apenas uma questão de grande chance de acertar.

A prova maior da pouca separação entre a intimidade do mundo e a intimidade de Helena: os pensamentos eram ciclones endoidecidos. Helena não conseguia juntar idéias, buscar uma experiência anterior. Não tomava qualquer decisão por falta de uma reflexão para mover a vontade.

Mas acontece. No nevoeiro enlouquecido do medo, quando todas as idéias corriam aos ventos, Helena lembrou uma simpatia da mãe. Lá nos idos dos tempos perdidos, naquele interior de Cachoeira do Itapemirim, as casinhas da roça com as telhas ameaçadas pela ventania. Todas as crianças apavoradas e a mãe de Helena fazia uma “simpatia”.

Helena nem refletiu e partiu para a janela da frente de sua casa a repetir o que a mãe fazia. Abriu a tesoura para a ventania. Ela cortaria as cordas do vento. Enfraqueceria o vento ao dividi-lo em partes. Era uma medida quase militar.

E o vento cessou. O mundo novamente tinha a humanidade de Helena. A “simpatia” funcionou.

Todos à 1ª Mostra Crato de Cinema e Vídeo!


Programação da Abertura da 1ª Mostra Crato de Cinema e Vídeo

13/06, Segunda-feira

19h - Abertura Oficial

• Leitura Dramática “Os Primórdios do Cinema no Crato” - com Luiz Carlos Salatiel e Kelvya Maia”

• Homenageados com o Selo Cultural do Araripe – Troféu Vittorio di Mayo

1. AVANT PREMIÈRE do tele-conto “O Cinematografo Herege” - de Jefferson de Albuquerque Jr, numa livre adaptação do conto homônimo de José Flavio Vieira

• Coquetel

Juazeiro do Norte ou Reino da Luminura

Juazeiro do Norte fica no Cariri cearense, no coração do Nordeste. Terra de encontros e caldeirão mítico de povos dos sertões. Terra do centro, terra santa, ainda encantada, embora pareça uma cidade ordinária. Quem assim a vê não sabe da cidadela sagrada que é. A Sedição de Juazeiro, depois do massacre de Canudos pelos exércitos da República, foi a segunda importante guerra do mar contra o sertão.
Considero Juazeiro do Norte o ensaio cultural de um Brasil que teima em se firmar a revelia de sua atrasada classe dominante, constituindo-se em uma civilização diversa e única: pelas principais vertentes culturais herdadas de povos que por lá viveram e pela capacidade em gerar uma cultura original, com seus mitos fundadores, sua religião, seus deuses e demônios, seus artistas
e poetas, seus guerreiros e profetas.

Conectada com temporalidades, simbologias e sociabilidades distintas, feita de ambiguidades sem fim, sendo a um só tempo sagrada e profana, figural e abstrata, tradicional e contemporânea, punk e armorial, líquida e fincada na terra, Juazeiro do Norte é um presente do povo sertanejo ao Nordeste, ao Brasil e ao mundo.

Sua riqueza advém dos romeiros, da religiosidade e da arte popular. Diz-se que lá uma verdade comporta 70 mentiras e cada uma destas contém 70 verdades, ad infinitum, até a glória de Deus. Este caleidoscópio do mundo, o poeta Oswald Barroso chamou de
“reino da luminura”.

Nesse lugar de histórias e visões, cantorias e orações, romeiros e artesãos que cintilam feito estrelas no céu da imaginação de inúmeros cineastas acontecerá o 21º Cine Ceará – Festival Ibero-americano de Cinema de hoje a 16 de junho.

Pela primeira vez, o evento estende suas atividades ao interior do Estado. Realizado em Fortaleza de 8 a 15 do mesmo mês, o Cine Ceará traz o tema “Religião e religiosidade no cinema”, homenageando os 100 anos de emancipação política do município.

Rosemberg Cariry, Cineasta
FONTE:Jornal O POVO ON LINE

"36 horas" - José Nilton Mariano Saraiva

Fosse hoje, o major Pike, do exército americano, poderia ser rotulado de o “cara”. Agente do serviço secreto “yanque”, sabia só tudo em termos de estratégias e informações confidenciais, oriundas do “alto comando aliado”. E isso, já ali, nos estertores da Segunda Grande Guerra Mundial, quando o “bote final” (invasão via Normandia), estava sendo ultimado. Por conta disso, ali estava, diante de um mapa pendurado na parede à sua frente, mostrando (usando as mãos) e detalhando ao “General-Comandante” responsável pela operação, qual o plano/trajeto que seria posto em prática. Tão entusiasmado estava, que num certo momento, ao deslocar o dedo indicador de um ponto a outro do mapa, como a traçar a rota a ser percorrida, levou um pequeno corte, em razão da textura e aspereza das bordas do papel. Imediatamente colocou o dedo na boca e reclamou da qualidade do papel do mapa (ATENTEM BEM PRA ESTE “PEQUENO DETALHE”).
Na outra ponta, apavorado com a iminente perspectiva de ser derrotado e pagar um duro castigo pela carnificina monstruosa que houvera provocado, Hitler estava “com a macaca no corpo”; uma pilha, possesso, bufando de raiva, distribuindo impropérios a torto e a direito, queria porque queria que se fizesse o impossível pra descobrir a data, hora e lugar em que os aliados atacariam (a Normandia, que a inteligência alemã houvera sugerido, era considerada um local muito “óbvio” pra ser verdade).
Pois bem, mandado a Lisboa para uma última missão secreta, o major Pink comete uma mancada homérica: à noite, pra relaxar, entra num certo ambiente e pede um simplório café; ao levantar-se e dar alguns passos, passa mal e... desmaia.
Na cena seguinte, o major Pink acorda um tanto quanto zonzo, sem entender onde está; levanta-se com dificuldade da cama, vai até uma pequena pia onde lava o rosto, pega uma toalha, se enxágua e aí, quando levanta a cabeça e ver-se no espelho, recua assustado e com ar de espanto ante a imagem refletida: boa parte dos seus cabelos está embranquecida e sua pele ressecada, dando-lhe uma aparência de “velho”.
Apavora-se com aquela visão dantesca e, ao tentar sair pra procurar alguém que o ajude a entender tal “assombração”, esbarra num casal que, “coincidentemente”, adentrava o recinto. Estes o tranqüilizam, pedem-lhe pra que mantenha a calma, informam-lhe que ele se encontra em um Hospital Militar “americano” em plena Alemanha e se apresentam como o médico e a enfermeira que estão cuidando dele. Visivelmente eufóricos, gentilmente lhe oferecem um “jornal do dia”, para que fique a par das notícias; e ai, outro susto grande, de arrepiar e fundir a cuca: a data da impressão do jornal (daquele dia) é anos à frente (1950) da que ele imagina está vivendo (1945).
Ao questionar a data do jornal e os cabelos já grisalhos, é cientificado que sofrera um acidente e ficara com amnésia por vários anos, que estaria “retornando” naquele exato momento (daí a alegria de todos), que a guerra “já era”, que os aliados haviam vencido e ocupado a Alemanha. E as surpresas se sucedem: mostram-lhe algumas (supostas) cartas do pai, narram fatos e reuniões acontecidos no passado (que ele mesmo confirma) e que aquela enfermeira tão prestativa (Anna) era também... a sua esposa.
A partir dessa “intimidade” (com breves minutos de descanso), o médico instrui o major Pike para tentar lembrar com o máximo possível de detalhes, o que estava fazendo antes do acidente que lhe causou a traumática perda de memória, se ainda se lembrava do plano original dos aliados pra invadir a Alemanha (o dia, a hora, o local) e por aí vai. Ele, no princípio desconfiado e relutante, acaba por se convencer da nova realidade e... conta só tudo, tim-tim-por-tim-tim.
Na parada pra um breve lanche, ao manipular o recipiente contendo “sal”, derruba-o, e uma pequena porção escapa pelo orifício e se esparrama sobre a mesa; ele, então, pacientemente, começa a juntar o “sal” com os dedos a fim de devolvê-lo ao saleiro; e aí, a surpresa maior (O “PEQUENO DETALHE”): no contato do “sal” com o corte no dedo (que fora provocado pelo “mapa”, na noite anterior), a dor. Intrigado, ele leva o dedo à boca (como fizera na noite anterior), pede licença pra ir ao banheiro e lá examina e constata o ferimento e... faz-se a luz (lembra de tudo).
Ao ficar a sós com a suposta “esposa”, faz algumas perguntas bobas, se aproxima, agarra-a com força, agride-a com violência, mostra-lhe que havia descoberto tudo e exige que ela lhe conte a verdade. Ela, apavorada, conta-lhe que também é americana, fora prisioneira dos campos de concentração nazista (mostra-lhe a numeração no braço) e que topara fazer aquela encenação em troca da liberdade e, enfim... abre o bocão: na verdade, ele fora sedado na noite anterior (lá em Lisboa), transportado pra a Alemanha, se submetido a um especialista em maquiagem (daí o cabelo grisalho e a pele ressecada) e sido internado num “hospital” (previamente preparado e onde todos se comunicavam em inglês e mantinham hábitos americanizados) com o único objetivo de lhe “arrancarem” aquela informação tão valiosa (qual a hora, dia e onde se daria o desembarque dos aliados) que, literalmente, definiria o destino da guerra. E que o prazo entre o seu seqüestro e a obtenção de tais informações (de acordo com o comando alemão) não poderia de maneira alguma exceder 36 horas.
A solução pra tentar desfazer tudo que ele houvera informado, de bandeja ??? Ela própria (a enfermeira) sairia aos prantos e comunicaria aos “chefes” que ele desde o começo sabia de tudo, que houvera descoberto a farsa, que propositadamente fornecera informações falsas e estava, portanto, enganando a todos, fazendo-os de tolos.
Fato é que os alemães (que, lembremo-nos, entendiam como “óbvio” demais o desembarque através da Normandia) se “convenceram” que as informações fornecidas pelo major Pike (posteriormente preso, encarcerado, torturado, mas que, “duro na queda”, nada mais revelara) realmente eram falsas, não tinham nenhum fundamento ou credibilidade e... desconsideraram-na.
Resultado ??? A invasão foi feita exatamente pela “óbvia” Normandia, no dia e hora que os alemães tinham tomado conhecimento através do major Pike e, caso lhe tivessem dado crédito poderiam ter mudado o rumo da história; (todos sabemos que foi a partir dali – Normandia - que os aliados partiram pra a vitória).
O major Pike conseguiu fugir (com a enfermeira-americana) e após a guerra foi condecorado pelos relevantes serviços prestados.
Um outro filme marcante.

Pêndulo




            PÊNDULO


Diante de coisa tão sem graça
não paramos de dar risada.

Nunca encontramos a nossa face
perdida no espelho do não.

Quanto mais vivemos
mais nos desconhecemos.

Quanto mais perto chegamos da morte
mais perto estamos da vida.