Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Noel, o Poeta da Vila- Obra primorosa !

Assisti agorinha mesmo , um especial com Noel Rosa, no canal 2.
Demais !
Nem dá pra comparar com a programação do show de passagem de ano da Globo. Quem explica ?











Rita Lee




Rita Lee Jones Carvalho, mais conhecida como Rita Lee (São Paulo, 31 de dezembro de 1947) é uma cantora, compositora e instrumentista brasileira de grande renome no rock nacional, denominada a "Rainha do Rock Brasileiro".


Capiba




Lourenço da Fonseca Barbosa, mais conhecido como Capiba (Surubim, 28 de outubro de 1904 — Recife, 31 de dezembro de 1997) foi um músico e compositor brasileiro. Tornou-se o mais conhecido compositor de frevos do Brasil.

Voltei Recife
Capiba
Composição: Luis Bandeira

Voltei, Recife
Foi a saudade
Que me trouxe pelo braço
Quero ver novamente "Vassoura"
Na rua abafando
Tomar umas e outras
E cair no passo

Cadê "Toureiros"?
Cadê "Bola de Ouro"?
As "pás", os "lenhadores"
O "Bloco Batutas de São José"?
Quero sentir
A embriaguez do frevo
Que entra na cabeça
Depois toma o corpo
E acaba no pé


As perguntas de Dom Lobo- por Luis da Câmara Cascudo

Um moço trabalhador e direito morava com sua mãe, labutando pela vida com muita dificuldade. Uma feita disse:

- Minha mãe! Não podemos pssar o resto da vida nesta miséria, quase sem ter o que comer. Fique minha mãe com o roçado, as cabeças de ovelhas, e bote sua benção que vou pelo mundo ver o que posso fazer.

A mãe abençoou-o e o rapaz foi-se embora pelo mundo. Onde chegava, trabalhava uma semana e ia para diante. Tempos depois chegou a um reinado bonito mas sem gente. As ruas limpas de povo, as casas fechadas, tudo calado, sem um choro de menino ou voz de homem, parecia um descampado. O rapaz procurou a casinha de um velho e pediu agasalho. O velho recebeu-o muito bem e deu de cear. Quando estavam comendo o rapaz perguntou por que o reinado era assim triste. O velho explicou que, por mal dos pecados do povo, aparecera ali um homem encantado, de nome Dom Lobo, dono de um palácio, que botara para obrigação comer o coração de uma pessoa todo dia. Pega a criatura e faz três perguntas. Se a criatura responder, pode fazer outras três a Dom Lobo, mas não nasceu ainda esse cristão para adivinhar as perguntas de Dom Lobo. Não responde e Dom Lobo mata e come o coração dos pobres. Por isso é que toda a gente vivia escondida e tremendo de medo.

O rapaz dormiu e na manhã do outro dia saiu para a rua perguntando onde era o palácio de Dom Lobo. O povo ficava espantado com o atrevimento dele mas ensinava. O moço chegou perto de umas pedras grandes e lá em cima estava o palácio que era um monarca de grande, por um portão de ferro. O rapaz tocou-se para o palácio com coragem. Chegou, bateu, e as portas se abriram por si mesmo. O moço enfiou-se por dentro, sobe aqui, desce ali, até que chegou num salão que era uma beleza. Aí apareceu Dom Lobo, um homem alto, forte como um touro, todo cabeludo, com olhos de gato e uns dentes de onça-tigre. Quando viu o rapaz deu uma gargalhada de estrondar o mundo. Falou, com voz grossa de bicho encantado, mandando o rapaz sentar. Depois perguntou:

- Que é que tanto mais velho mais forte fica?

- É o vinho, - respondeu o moço

- Que é que tanto se tira mais fica?

- Água do mar!

- Qual é o lugar onde todos vão e ninguém quer ir?

- O cemitério!

- Acertou, cabra danado! Faça as três perguntas que quiser!

- Quem é que nasceu de uma virgem, batizou-se num rio e morreu numa cruz?

O homão rangeu os dentes como um desesperado porque não podia dizer o santo nome de Jesus Cristo. Deu um estouro que estremeceu tudo e subiu aquela bola de fumaça cobrindo o mundo. Quando clareou, o rapaz estava em cima das pedras. O palácio e Dom Lobo tinham se sumido. O povo estava todo reunido batendo palmas e levou o moço em charola para o rei. Deram uma casa com todos os preparos, fazenda de gado, muito dinheiro. O rapaz mandou uma carrugem buscar sua mãe e viveu muito bem e satisfeito.


(CASCUDO, Luís da Câmara. Contos tradicionais do Brasil)

Luis da Câmara Cascudo




Luís da Câmara Cascudo (Natal, 30 de dezembro de 1898 — Natal, 30 de julho de 1986) foi um historiador, folclorista, antropólogo, advogado e jornalista brasileiro.

Passou toda a sua vida em Natal e dedicou-se ao estudo da cultura brasileira. Foi professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). O Instituto de Antropologia desta universidade tem seu nome. Pesquisador das manifestações culturais brasileiras, deixou uma extensa obra, inclusive o Dicionário do Folclore Brasileiro (1952). Entre seus muitos títulos destacam-se: Alma patrícia (1921), obra de estréia, Contos tradicionais do Brasil (1946). Estudioso do período das invasões holandesas, publicou Geografia do Brasil holandês (1956). Suas memórias, O tempo e eu (1971) foram editadas postumamente. Quase chegou a ser demitido por estudar figuras folclóricas como o lobisomem.

wikipédia

Programa COMPOSITORES DO BRASIL - Rádio Educadora do Cariri

“E quando o trovão
Acorda o sono nestes tristes vales
Ecos de um clamor medonho
Desce lá da serra
E estremece tudo por aqui
São os curumins as mães os pais
Dos velhos cariris”...

(Triste Vales, Zé Nilton)

COMPOSITORES DO CARIRI

Texto de Carlos Rafael Dias

A música do Cariri cearense ecoa desde os tempos remotos. Os indígenas cariris, primeiros habitantes deste torrão, eram genuínos músicos. Este legado vem se perpetuando na musicalidade regional dos herdeiros da tribo, misturado aos sons que aqui chegaram com os estrangeiros da época da colonização às últimas novidades sonoras trazidas pelas mídias contemporâneas. Entre as maviosas notas que soam do rústico pife de taboca sob a marcação ritual dos tambores afros, entrelaçam-se os acordes dissonantes do violão bossanovista e os solos distorcidos das guitarras roqueiras.
Mas a música caririense tem um algo mais. Talvez um atrativo que combina o aroma acentuado do pequi ao gosto raro do buriti. Talvez seja o lendário canto da Iara que guarda as fontes de águas cristalinas das encostas serranas, fisgando corações românticos como o visgo que pega passarinho.

Na obra dos compositores caririenses, ouvidos atentos podem captar muito mais do que os poucos minutos de cada canção. Nela podem ser ouvidos os ecos de quatrocentos anos de história, onde as lendas se confundem com a epopéia dos homens que traduzem suas vidas em um espetáculo diuturno de fé, coragem, esperança, trabalho e muita arte.

Aqui, todos os sons se fundem. O canto da cigarra prenunciando inverno bom. O sino da igreja chamando os fiéis. A velha amplificadora irradiando as boas novas para além do perímetro urbano. A banda de música animando os eventos, percorrendo ruas ou fazendo tremer os coretos. O burburinho da feira com seus artistas mambembes. Serestas e seresteiros sempre vivos enquanto existir um coração apaixonado...

O programa Compositores do Brasil, desta quinta-feira, 30 de dezembro, presta uma homenagem aos compositores caririenses ciente de que importantes nomes da música regional foram omitidos. Mas o leque sonoro abordado é por demais representativo do ecletismo regional. Para degustar plenamente o programa, recomenda-se, se puder, que se deite em uma rede em uma varanda com vista para o vale, deixando a brisa serrana espantar o calor deste ano que se finda...

É apenas um pequeno mostruário, pois o espaço é pequeno para tamanha grandeza.

Na sequencia:

O Poeta, de Abidoral Jamacaru e Xico Chaves, com Abidoral Jamacaru
Levada de Coco, de Francisco Saraiva, com Herdeiros do Rei
Galope Diferente, de Jonteilor, Cícero Brasil e Edvânio Nobre, com Jonteilor
Cantoria de Reis, de Antonio Queiroz e Júnior Boca, com Dr. Raiz
A Pressa, de Igor Arraes, com a banda Nacacunda
Calar o amor, de Leninha Vaz, com Leninha Vaz
Amor Beato, de Zé Nilton e Francisco Sávio, com Zé Nilton e João do Crato
Tambores e Maracás, de Lifanco, com Lifanco
Flor do Mamulengo, de Luís Fidélis, com Luís Fidélis
Terras Brasileiras, de Pachelly Jamacaru e Marcus Vinícius, com Pachelly Jamacaru
Pra Cantar o Amor Distante, de Cleivan Paiva e Rosemberg Cariry, com Cleivan Paiva
Venham Ver as Belezas do Crato, de Correinha, com Correinha
Chuva de Janeiro, de Geraldo Júnior, com Geraldo Júnior

Quem ouvir, verá!

Programa: Compositores do Brasil
Rádio Educadora do Cariri (www.radioeducaroradocariri.com)
Telefone: (88)3523-2705
Todas as quintas de 14 as 15 horas
Pesquisa, produção de Carlos Rafael
Apresentação de Carlos Rafael e Zé Nilton
Operador high tech: Iderval Dias
Direção Geral: Dr. Geraldo Correia Braga

Adeus ou Até Logo ?


Popularidade de Lula é recorde mundial, diz CNT/Sensus

Camila Campanerut

Do UOL Notícias

Em Brasília


A popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que encerra oito anos de governo com 87% de aprovação, é a maior do mundo, afirmou nesta quarta-feira (29) o presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Clésio Andrade.
Segundo Andrade, Lula está à frente da ex-presidente chilena Michelle Bachelet, que tinha 84% de aprovação quando deixou o governo, e do ex-mandatário uruguaio Tabaré Vázquez, que teve 80% ao final do mandato.
O presidente da CNT também comparou o desempenho de Lula com líderes mundiais históricos, entre os quais o primeiro presidente negro da África do Sul, Nelson Mandela (82% de aprovação), o ex-presidente dos EUA, Franklin Delano Roosevelt (66%), e o general francês Charles De Gaulle (55%).
Andrade não especificou a fonte dos dados mundiais divulgados por ele nem se a metodologia dos outros países é comparável à da CNT/Sensus.
Fernando Henrique Cardoso (PSDB), antecessor de Lula, tinha 26% de aprovação após dois mandatos, segundo levantamento da CNT/Sensus de 2001.


Levantamento
A avaliação da popularidade de Lula divulgada hoje é resultado da 110ª edição da pesquisa CNT/Sensus, para a qual foram entrevistadas duas mil pessoas, em 136 municípios de 24 estados, entre os dias 23 e 27 de dezembro de 2010. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Segundo o levantamento, a aprovação do desempenho pessoal do presidente está em 87%, contra 80,7% da pesquisa anterior. Cerca de 10,7% dos entrevistados desaprovam o presidente e 2,4% não responderam.
A pesquisa da CNT/Sensus traz também a opinião dos entrevistados em relação à situação de emprego, renda mensal, saúde, educação e segurança pública nos últimos seis meses e as expectativas a respeito dos mesmos temas para o próximo semestre.

Inocência

Quando estiveres triste,
cansada, com vontade
de atear fogo ao mundo

estarei forte, completo,
risonho, lembrando-te
que a vida é bacana.

Tu não entendes essas minhas mudanças
se ontem mesmo te falei sobre cadáveres
sombras, tédio, loucura.

É que tudo que escrevo
tem chama, tem chuva.

Chove agora e ouço o ruído da vidraça
mudando de face.

Quando estiveres sem ânimo
para tomar banho, sair do quarto
nem mesmo ler aquele ótimo livro

estarei em silêncio, cercando-te,
estalando os dedos, sem camisa.

Também não quero sair do quarto
o livro já lancei sobre a estante

mas um banho (demorado)
seria maravilhoso se juntos
fechássemos os olhos
debaixo do chuveiro.

E ao deslizar o sabonete
pelas cerâmicas brancas
por favor, apanha
sem pressa.

Nesses momentos,
creio absolutamente:
a vida é um milagre
e tu és um sonho.

PREVISÕES ULULANTES PARA 2011 - PRIMEIRA PARTE - por Ulisses Germano

Numerologicamente
O onze é igual a dois
Futurologicamente
A fartura vem depois

No ano que se aproxima
Vai haver muita lambança
Tiririca lá de cima
Vai encher a sua pança

Ano Novo - Chico Buarque

Ano Novo
(Chico Buarque)

O rei chegou

E já mandou tocar os sinos

Na cidade inteira

É pra cantar os hinos

Hastear bandeiras

E eu que sou menino

Muito obediente

Estava indiferente

Logo me comovo

Pra ficar contente

Porque é Ano Novo


Há muito tempo

Que essa minha gente

Vai vivendo a muque

É o mesmo batente

É o mesmo batuque

Já ficou descrente

É sempre o mesmo truque

E que já viu de pé

O mesmo velho ovo

Hoje fica contente

Porque é Ano Novo


A minha nega me pediu um vestido

Novo e colorido

Pra comemorar

Eu disse:

Finja que não está descalça

Dance alguma valsa

Quero ser seu par

E ao meu amigo que não vê mais graça

Todo ano que passa

Só lhe faz chorar

Eu disse:

Homem, tenha seu orgulho

Não faça barulho

O rei não vai gostar


E quem for cego veja de repente

Todo o azul da vida

Quem estiver doente

Saia na corrida

Quem tiver presente

Traga o mais vistoso

Quem tiver juízo

Fique bem ditoso

Quem tiver sorriso

Fique lá na frente

Pois vendo valente

E tão leal seu povo

O rei fica contente

Porque é Ano Novo

Encontro de Natal 2010- As meninas do meu tempo !








Com Francíria, Rosineide e Márcia, convivi ,no mínimo 7 anos, na mesma sala escolar.
Crianças, adolescentes, nem chegamos à fase adulta... Hoje maduras e donas do destino, reencontramos-nos !


Na roda do encontro, nossas contemporâneas e amigas : Fátima, Loura e Ida.

A menina Fernanda é filha de Rosineide e compòe a mesa , num flash de juventude e beleza.


Emoções compartilhadas por todos os sentimentos, ainda vivos!
A vida já sabe o nosso endereço. O reencontro será sempre possível.
Sem planos para o futuro vivemos a alegria do presente!




Do Livro Poeira nas Réstias - Everardo Norões

Tiradeira de leite

entre os dedos
o fulgor do leite
filtra a desordem solar
o curral aprisiona
o sossego dos bichos
o negro viscoso do olho
a refletir vasilhas
o ramo da árvore
a sombra do regaço
cedo a manhã cheira
e tudo se acorda
na precisão do mato
ou do alento
que chega do açude
no remanso das entranhas
dessas nuvens lentas
lentas
lentas
lentas

(Everardo Norões)

Todo feio tem direito a mentir- Por Xico Sá



Todo feio tem direito a mentir
Xico Sá


Todo homem dito feio ou mal-diagramado, como costumo aliviar para o nosso lado, deve ter o direito sagrado à mentira amorosa.
É fácil ser um Marlon Brando (ah, O Último Tango em Paris!), um George Clooney, um Denzel Washington, um Brad Pitt, um Rodrigo Santoro, para ficarmos aqui no mundo macho do cinema que serve de colírio para as moças.
É moleza ser esteticamente arrumadinho. Estas criaturas sim, não carecem da mentira. Se tergiversam, se pisam na bola, se aprontam e saem com mirabolantes enredos – cada história monstra sem pé nem cabeça – é por pura cara de pau, safadeza braba mesmo.
Os feios, todavia, dependem da mentira como um burro precisa de capim. Não falo obrigatoriamente das grandes mentiras, das trapaças épicas, trato do varejão dos pequenos enganos, aquela forma sutil e necessária de editar a vida, arrumar as versões para não ser atropelado pela pessoa amada.
Todo macho feio, e a sentença deveria constar da Declaração Universal dos Direitos do Homem, tem direito à mentira, à lorota boa, como diz a música do rei Gonzagão, bravo cabra de Exu, Pernambuco, que se declarava um mentiroso nato.
É fácil ser um Apolo, uma beleza, tudo bem assentado, pele sem as marcas do tempo e, para completar a perfeição, com o bolso farto de grana. O bolso, aliás, segundo algumas moças mais espertas, é o melhor pedaço da nossa lição de anatomia.
Vai ser feio nessa encarnação, amigo, para sentir que sacrifício medonho. Uma provação a cada esquina, a cada baile, a cada tentativa de sociabilidade ou acasalamento.
Em sendo assim, mentir torna-se mesmo um direito sagrado. Repito: a mentira de varejo, não obrigatoriamente aquela grandiosa da qual falam os Dez Mandamentos e outras tábuas divinas
Coerência e retidão 100% é dever, obrigação mesmo, da cartilha do homem muito bonito. Aí sim, imperdoável possuir todos os predicados e facilidades de um boa vida e ainda assim infringir os códigos morais da boa conduta.
Como é melancólico, como é horrível e triste quando uma mulher flagra um bonitão, um galã salivante de pulhas, tetras, fraudes e mentiras.
E o sinal mais óbvio do mentiroso, você sabe, leitora querida, é o falso juramento. Quando o cara aparece cheio de “eu juro, eu juro”, já viu, né, cometeu algum deslize. Fez alguma merda, para usar termo mais chulo, porém mais apropriado a tais ocasiões.
Além da licença poética para arrumar um pouco as histórias e pisadas na bola, deixo aí, meu caro companheiro de infortúnio estético, mais uma vantagem que me foi soprada, de forma espírita, pelo Sérge Gainsbourg: “A beleza, amigo, é passageira; a feiúra é para todo o sempre, amém”.
Sim, o Gainsbourg é aquele cantor e compositor francês do maior hino de motel de todos os tempos, Je T’aime Moi Non Plus.
& MODINHAS DE FEMEA
Bobos dos homens quando se acham os reis da trapaça e da esperteza. Mentir bem mesmo é arte secular das fêmeas. Até porque elas não gastam à toa o poder da fábula.
Usam apenas em momentos pontuais e certeiros. Elas têm o dom de iludir, como diz a canção. Toda mulher já nasce potencialmente uma Greta Garbo, uma grande atriz.

Impressões de leitura -Busca no Google

Sobre “sogras” – José Nilton Mariano Saraiva

01) VISITA DA SOGRA - O sujeito abre a porta e dá de cara com a sogra. -Olá, sogrinha querida, tudo bem ? - cumprimenta-a, fingindo satisfação. -Que bom que a senhora veio nos visitar. Só então ele percebe que ela está com uma maleta nas mãos. Preocupado, mas querendo ser agradável, pergunta: -Quanto tempo a senhora pretende nos dá o prazer da sua companhia? E a sogra: -Ah !!! Acho que até vocês se cansarem de mim. E ele, agora curto e grosso: - Sério mesmo??? Não vai nem tomar um cafezinho ???
02) ZÉ E A SOGRA - A sogra do Zé morre e ele vai trabalhar como se nada tivesse ocorrido. Em lá chegando, um colega pergunta: - E aí, não vai ao enterro da velha, não ??? E ele: - Eu não! Quem enterra merda é gato!
03) O ENTERRO DA SOGRA - Um sujeito ia andando pela rua, e viu um cortejo fúnebre. Logo algo chamou sua atenção. Atrás do caixão, como acompanhantes, uma fila quilométrica, e só de homens, o primeiro deles a puxar um cachorrinho. Então, ele dirigiu-se até o próprio e perguntou: -O que aconteceu, amigo ??? O homem responde: -O cachorro matou minha sogra. Logo ele se anima, e pede: -Você empresta esse cachorrinho pra mim ? O homem retruca: - Tudo bem. Só que você vai ter de entrar nessa “filazinha” aí atrás.
04) AJUDA À SOGRA - A sogra do seu Epaminondas, enclausurada no quarto do apartamento localizado no 40º andar do prédio, endoidou de vez e se debatia querendo pular da janela. Então, ele usa o telefone para pedir ajuda. Do outro lado da linha uma senhora atende: - Alô, em que posso servi-lo??? E o Epaminondas: -Por favor, socorro, me ajudem, a minha sogra quer pular do prédio, aqui do 40º andar. A velha senhora responde: -Eu acho que o senhor errou o número, aqui é da carpintaria. - Eu sei, eu sei, é que a “porra” da janela não abre de jeito nenhum. Será que vocês não poderiam quebrar esse galho, urgentemente ???
05) A SOGRA E A TV - Um rapaz carregando duas televisões encontra um amigo que lhe pergunta: - Pra quê dois televisores, ó bichão ??? O rapaz lhe responde: - É que minha sogra disse que daria meia vida por uma televisão...
06) SOGRA TRABALHOSA - Um cara chega ao bar todo machucado e estropiado e em questão de minutos bebe uma cerveja; duas; três. Aí chega um velho amigo e lhe pergunta: -Mas o que lhe aconteceu, Aderbal ? Você está todo machucado, com arranhões e hematomas pelo corpo todo. -É que eu acabei de sair do enterro da minha sogra. -E isso é motivo para você estar assim, todo estropiado? -É que ela não queria entrar no caixão.
07) A SOGRA E O VINHO - A sogra para ser boa tem que ser igual às melhores safras de um bom vinho: viver num porão escuro, deitada, toda empoeirada e com uma rolha na boca.
08) SOGRA MAL AMADA - Viajando pela Europa, aquele importante industrial recebe um telegrama de seu sócio: -Lamento informar que sua sogra faleceu. O que devemos fazer: enterrá-la ou cremá-la? Ele mandou a resposta: -As duas coisas – creme e enterre - não podemos facilitar com esse tipo de verme.
09) AGRESSÃO Á SOGRA - O homem explica ao delegado o drama que viveu: -Pois é doutor, minha mulher insistiu para que eu levasse minha sogra às compras. Eu estava caminhando a pé com ela, numa travessa pouco movimentada quando apareceu esse rapaz, que deve ser um drogado ou vândalo e começou a bater na coitada da minha sogra, sem qualquer motivo aparente. Ele bateu até minha sogra cair no chão e mesmo com ela caída continuou chutando! -O rapaz estava armado??? -Não, doutor! -Era forte??? -Até que era meio raquítico, mas minha sogra já é idosa! -Eu não consigo entender, disse o delegado, indignado, como é que o senhor, ao ver um homem agredindo a sua sogra, pôde permanecer de braços cruzados! -Pois é, doutor! Eu até que estava com vontade de fazer alguma coisa, mas... -Mas, o quê??? –Achei que dois homens batendo numa velhinha seria muita covardia!
10) A SOGRA E O MILAGRE DA RESSURREIÇÃO - O marido ganhou (num sorteio) três passagens para Jerusalém. Pediu alegremente à mulher para arrumar as malas e ligou para convidar a mãe dele para ir junto. E aí começou uma discussão. A esposa preferia levar a mãe dela. Discussão vai, discussão vem, no fim da briga o barriga-branca concordou em levar só a sogra (a mãe dela). Em Jerusalém, visitando o local onde Cristo foi enterrado e ressuscitou, a sogra se emocionou demais, passou mal e rapidamente faleceu. O marido perguntou quanto custava o enterro em Jerusalém, e lhe disseram que seria o equivalente a mil reais. Perguntou quanto custava mandar o corpo para o Brasil e soube que, com transporte aéreo e tudo, ficaria por vinte mil reais. O marido decidiu então mandar o corpo para ser enterrado no Brasil. Os judeus e a própria esposa ficaram por demais surpresos com tal decisão. Mesmo assim arriscaram perguntar: -Por que mandar para o Brasil, se é 20 vezes mais caro? O marido respondeu: -Tenho muito receio. Aqui em Jerusalém vocês já tiveram o caso de alguém que morreu e ressuscitou. Prefiro não arriscar.

Pensamento para o Dia 29/12/2010


“Tendo nascido como um ser humano, deve-se perceber a Divindade interior. O principal dever de cada indivíduo, como um mensageiro de Deus, é praticar e propagar os princípios da verdade, amor e paz, experimentar a bem-aventurança interior e compartilhá-la com os outros. A pessoa que propaga assuntos mundanos, fugazes e efêmeros não pode ser chamado um mensageiro de Deus. Aquele que ama a Deus é o mensageiro de Deus. Aquele que Deus ama é o Filho de Deus. Aquele que compreende o princípio da unidade se torna um com Deus.”
Sathya Sai Baba

Estrada do Sertão - José do Vale Pinheiro Feitosa

Meus irmãos! Sabem quando tudo se encontra numa peinha de nada? É como esta conexão está. Numa peinha de nada: daqui a pouco virá um camarada da NET/Vírtua e arrancará os fios que ligam esta tela a vocês.

A banda larga se vai, fica o largo de mim mesmo, um pouco solitário, mas ainda largo. Daqui a dias, outra banda virtual se abrirá e novamente terei o acesso que hoje tenho. Esperem-me como esta Estrada do Sertão. Uma das músicas mais lindas do meu Brasil.

Daquele Brasil inventado no início do Século XX, com os migrantes abrindo a porta da indústria fonográfica, dizendo que lá no profundo da nação havia uma vida musical exuberante. O ícone deste brilho pode se identificar em João Pernambuco e Catulo da Paixão Cearense.

Um dia a música de João, Estrada do Sertão recebeu uma visita de escol, foi Wilson Rodrigues que lhe um sentido de verbo sertanejo. E depois se ajuntou o genial Hermínio Bello de Carvalho com sua poesia emulando a voz. E então o som, a voz e a poesia criaram o gênio da raça. ESTRADA DO SERTÃO.

Hoje gostaria de seguir com mais alguns recortes da música mundial, trazendo um pouco da Canção Italiana, mas não terei banda. Fica para quando tiver.



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Estrada do Sertão na bela interpretação de Elba Ramalho. Coisa que não arrenego /Nem tão pouco desapega / Ter gostado de você / Foi gostar desenchavido / Encruado e recolhido / De ninguém se aperceber - Nem sempre o sintético da frase é belo, pois tudo é belo quando o é. Para dizer que gostava de alguém são três versos que simplesmente ampliam o gostar, põem o ouvinte num esfera maior. Igualmente para revelar que este gostar não fora revelado.


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Estrada do Sertão com Monica Albuquerque e Robson Russo - Matutando vou na estrada / Nos meus óios a passarada / Faz um ninho pra você / Juriti espreita triste / A jandaia não resiste / Chora junto por você. / O gostar não se encontra apenas na pessoa. Mesmo que ensimesmado pela estrada, os olhos dele vêm toda a natureza repetindo este amor. A estrada carrega aquela saudade e o mundo todo repete o sentimento.


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Estrada do Sertão - Zé Luis Mazotti. Nos teus óios faz clarão / É um verde, um azulão Tiê sangue furta cor / Que me dá desassossego / Que me suga que nem morcego, / Mangando que é beija-flor. Esta estrada passo a passo no clarão do amor em fuga de caminhada. Um dos mais belos versos que conheço: aquele amor que se mostra como beija flor mas que me suga nem morcego.

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Alaíde Costa - Estrada do Sertão. Não me encrespe a vida assim / Já me basta o que de mim essa vida caçoou / Não me faz essa graçola De me abrir essa gaiola . Alaíde Costa mastigando as frases musicais como a denotar o que vida caçoou. E depois outra coisa espetacular: agora sou passarinho criado em gaiola - não me abra a porta que não sei para onde ir.



Qualidade musical - Emerson Monteiro

Ao ler, na Folha de S. Paulo, edição on-line do dia 29 de dezembro, a relação dos 50 álbuns que formaram a identidade musical brasileiro dos anos 2000, algo me vem ao sentimento de que, parafraseando o escritor Machado de Assis, ou a música mudou ou mudei eu. Quero crer, simplesmente, que houve uma exaustão na produção e quase desapareceram por inteiro os pontos de contato que acompanharam de perto a minha ligação com a música, nas cinco décadas anteriores, desde quando me entendo de gente.
Ainda bem que, hoje, vistas as facilidades oferecidas pela Internet, podemos ouvir e gravar todo o universo das produções que ficaram para trás. Mas a relação desses 50 álbuns da Folha de S. Paulo serviu para mostrar o quanto a música popular brasileira mudou, com relação ao que se ouvia há bem pouco tempo. Na lista, aparecem cantores e ritmos variados, nos estilos axé, sertanejo, brega, revelações, samba, reggae, bahia, rap, rock, que fizeram, e talvez ainda façam, a cabeça dos apreciadores, sem, contudo, afagar no mínimo os brios de quem adota o formato tradicional ou as harmonias menos apelativas que vieram depois.
Sei, no entanto, que a música representa a trilha sonora das gerações, por isso o instinto da particularidade, o gosto só pessoal. Existem aqueles que classificam as produções musicais em dois blocos, o das músicas de que gostam e um outro, o das que não prestam. Contudo nada é bem assim, pois seria apenas preconceito, discriminação de gerações.
Num ângulo menos drástico, porém, o olfato auditivo classifica o que toca o coração e sabe por instinto distingui as peças que mais parecem barulho gravado em disco mais para tocar nos fundos de carro e nos bares zoadentos, sem o devido respeito ao gosto de quem quer paz. Ninguém possui ouvido absoluto, entretanto ruído e música se distinguem numa classificação de ritmo, harmonia, sensibilidade auditiva, efeitos ambientais, respostas coletivas. Estudos indicam até que as crianças no útero materno, as plantas e os animais respondem aos estímulos musicais.
Wladimir Lênin, dos principais comandantes da Revolução Russa de 1917, num dos seus livros, afirma que a Estética será a Ética do futuro, o que vale dizer que o belo traz regras fortes à vida, ao ponto de determinar, no gosto que reflete, a sobrevivência de valores e preservação da ordem social. As vivências do que é belo intuem no cidadão o seu código de existência, aumentando-lhe o próprio ordenamento, seja na família, nas instituições e em si próprio.
A boa qualidade artística dos tempos, em si, faz a história das sociedades e o grau de maturidade com que trata as oportunidades. Épocas e sociedades têm sua música que fala do inconsciente coletivo dos que ali vivem, portanto.

Propriedades terapêuticas da Pimenta



"A pimenta e as suas propriedades

A pimenta é um tipo de condimento culinário com um sabor picante. São as sementes da planta Piperaceae que dão origem a este condimento muito apreciado em todo o mundo. No Brasil o nome mais conhecido para a pimenta é a pimenta do reino, em Portugal é a pimenta preta e em Moçambique a pimenta redonda. Todas elas pertencem ao género Piper. Esta planta ao sofrer diferentes maturações e diferentes colheitas dos grãos dá origem a outro tipo de pimenta como a pimenta verde, pimenta branca e pimenta preta.

Propriedades Terapêuticas: Estas sementes apresentam propriedades anti-sépticas e anti-espasmódicas;

Indicações de utilização: São indicadas para tratar perturbações digestivas, ajudando nas digestões lentas, nos meteorismos (cólicas), eructações (arrotos) e flatulência (gases). Ajuda também no relaxamento muscular;

Modo de utilização: ingerido sob a forma de chá;

Efeitos secundários possíveis: os óleos essenciais da pimenta são bastante tóxicos, deve-se ter alguma precaução.

O principio activo da Pimenta

O que dá um gosto forte e picante à pimenta é a capsiacina. Este principio activo faz com que a pimenta seja benéfica para a saúde. Quanto mais picante for a pimenta mais capsiacina terá, o que conduzirá a mais benefícios com o seu consumo. Este principio activo da pimenta pode actuar em diferentes partes do corpo: ajuda a aliviar as dores de cabeça, reduz os níveis de glicose no sangue, melhorar a capacidade pulmonar e ajuda no tratamento da rinite alérgica."

Fonte de pesquisa: internet

Colaboração de Zélia Moreira

Tempo para os filhos



Uma nota publicada em o jornal O globo, alertou que o tempo que os pais dedicam aos filhos está diminuindo.

Segundo um psiquiatra infantil, o convívio diário entre mães e filhos, nas grandes cidades, não ultrapassa duas horas. E há trinta anos, o número era de dez horas.

A mesma coisa acontece nos países ricos. Nos Estados Unidos, mais de dez milhões de crianças costumam ficar sozinhas em casa.

Na Itália, em Bolonha, um pesquisador de nome Ernesto Caffo criou um serviço para receber denúncias de violência contra menores.

De forma surpreendente, um terço das ligações era de crianças sozinhas à noite, que pediam para conversar.

A poetisa Gabriela Mistral, chamando a atenção a respeito do descuido para com os pequenos, diz: Somos culpados de muitos erros e muitas falhas.

Mas o pior crime é abandonar as crianças, desprezando a fonte da vida.

Muitas das coisas que precisamos podem esperar. A criança não pode. É exatamente agora que seus ossos estão se formando, seu sangue é produzido, e seus sentidos estão se desenvolvendo.

Para ela não podemos responder amanhã. Seu nome é hoje.

Ante tais considerações, verifiquemos como anda nossa permanência com nossos filhos.

Considerando, é claro, tanto a quantidade quanto a qualidade dessas horas. Se dispomos de pouco tempo com nossos filhos, busquemos aproveitar ao máximo esse tempo.

Por isso, em vez de assistir televisão juntos, vamos passear juntos. Vamos andar de bicicleta, jogar bola.

Ouvir as histórias das crianças. A maravilhosa encenação que é um dia infantil. Tenhamos paciência e tempo para ouvir todos os detalhes.

Da borboleta que pousou na rosa até o gato que subiu na mesa e lambeu o pão com doce.

Existem pais que não conseguem entender o que seus filhos falam quando esses começam a dizer as primeiras palavras, a comunicarem-se. Precisam de um tradutor, que normalmente é a babá.

Isso é resultado da falta de convívio entre os pais e os filhos.

Estejamos atentos. Dediquemos todos os momentos possíveis aos nossos filhos. Aprendamos a fazer muitas coisas em conjunto.

Aproveitemos todos os tempinhos. Enquanto lavamos o carro a quatro mãos, pai e filho, conversemos a respeito da escola, das suas vontades, dos seus anseios.

E não nos esqueçamos de criar tempo para ouvir, falar, conversar, trocar ideias.

Dediquemos um dia, em sete, na semana, para ouvir o coração do nosso filho bater compassado e nos confidenciar o que ele almeja para si, para sua vida, para o mundo.

* * *

Organize a sua vida. Reconsidere as suas atitudes perante a existência, melhorando-as.

Não se envolva tanto com o trabalho profissional ao ponto de seus filhos não terem espaço para estar com você.

Conseguir recursos para manter a família é louvável, mas se você não passar valores reais aos seus filhos, eles não conseguirão administrar os bens que lhes chegam às mãos.

Cultive, portanto, o amor, o diálogo, o carinho pois o homem não consegue viver sem emoção, sentimento, ideais e virtudes.

Edwin Morgan

EDWIN MORGAN

Falar de Edwin Morgan (Glasgow, Escócia, 27 de Abril de 1920 - 19 de Agosto de 2010) remete-me para a ironia da liberdade de sonhar, a ânsia de transpor a fronteira entre realidade e ficção, ainda que a segunda aqui seja vista como densificação da primeira.
Os poemas deste escocês levam-me pois a esse universo onírico, mesmo que camuflado por alguma aparente casualidade – o sonho que se assemelha à realidade, como um meio a fim de a mudar.

A montagem dos cenários onde se desenrola a acção desta poesia é uma marca distintiva e eles mesmos mantêm como que uma postura austera, imóvel (no sentido de se desenrolar no mesmo lugar). Há, eu diria, uma personalidade ligada a eles, e que, curiosamente, nem sempre parece coincidir com o perfil de quem sente, de quem confessa. Este contraste acaba por intensificar o que se expressa, dentro dos temas intemporais (e eu diria, sem reservas, românticos) que o poeta aborda. A partir desses cenários é a memória que tem voz, que recita os exercícios da consciência ou que ilustra e preenche aquilo que se tem diante dos olhos.

Não é uma poética de versos, mas sim de poesia enquanto puzzle e em que todas as linhas, umas não sem as outras, erguem o corpo do poema. Este factor oferece a este uma certa leveza e dá ao leitor a hipótese de escolher o ritmo de leitura.

ONE CIGARETTE

No smoke without you, my fire.
After you left,
your cigarette glowed on in my ashtray
and sent up a long thread of such quiet grey
I smiled to wonder who would believe its signal
of so much love. One cigarette
in the non-smoker's tray.
As the last spire
trembles up, a sudden draught
blows it winding into my face.
Is it smell, is it taste
You are here again, and I am drunk on your tobacco lips.
Out with the light.
Let the smoke lie back in the dark.
Till I hear the very ash
sigh down among the flowers of brass
I'll breathe, and long past midnight, your last kiss.


UM CIGARRO

Não há fumo sem ti, meu fogo.
Depois de teres partido,
O teu cigarro cresceu no meu cinzeiro
E enviou uma linha de uma cinza muito calma.
E sorri a quem iria acreditar no seu sinal
de tanto amor. Um cigarro
no cinzeiro do não-fumador.
Enquanto a última espiral
estremece, uma pequena corrente de ar
sopra o seu caminho no meu rosto.
É cheiro, é gosto?
Tu estás aqui de novo, e eu estou bêbado no teus
lábios de tabaco.
Fora com a luz.
Deixa o fumo esconder-se no escuro.
Até eu ouvir a mesma cinza
Suspirar entre as flores de bronze.
Respirarei, após a meia-noite, o teu último beijo.

Edwin Morgan
(tradução inédita de Pedro Calouste)

Aprendizado- Por Ferreira Gullar

Aprendizado



Do mesmo modo que te abriste à alegria
abre-te agora ao sofrimento
que é fruto dela
e seu avesso ardente.

Do mesmo modo
que da alegria foste
ao fundo
e te perdeste nela
e te achaste
nessa perda
deixa que a dor se exerça agora
sem mentiras
nem desculpas
e em tua carne vaporize
toda ilusão

que a vida só consome
o que a alimenta.



De Barulhos (1980-1987)

Hilda Hilst



Prelúdios-intensos para os desmemoriados do amor



I

Toma-me. A tua boca de linho sobre a minha boca
Austera. Toma-me AGORA, ANTES
Antes que a carnadura se desfaça em sangue, antes
Da morte, amor, da minha morte, toma-me
Crava a tua mão, respira meu sopro, deglute
Em cadência minha escura agonia.

Tempo do corpo este tempo, da fome
Do de dentro. Corpo se conhecendo, lento,
Um sol de diamante alimentando o ventre,
O leite da tua carne, a minha
Fugidia.
E sobre nós este tempo futuro urdindo
Urdindo a grande teia. Sobre nós a vida
A vida se derramando. Cíclica. Escorrendo.

Te descobres vivo sob um jogo novo.
Te ordenas. E eu deliquescida: amor, amor,
Antes do muro, antes da terra, devo
Devo gritar a minha palavra, uma encantada
Ilharga
Na cálida textura de um rochedo. Devo gritar
Digo para mim mesma. Mas ao teu lado me estendo
Imensa. De púrpura. De prata. De delicadeza.

II

Tateio. A fronte. O braço. O ombro.
O fundo sortilégio da omoplata.
Matéria-menina a tua fronte e eu
Madurez, ausência nos teus claros
Guardados.

Ai, ai de mim. Enquanto caminhas
Em lúcida altivez, eu já sou o passado.
Esta fronte que é minha, prodigiosa
De núpcias e caminho
É tão diversa da tua fronte descuidada.

Tateio. E a um só tempo vivo
E vou morrendo. Entre terra e água
Meu existir anfíbio. Passeia
Sobre mim, amor, e colhe o que me resta:
Noturno girassol. Rama secreta.
(...)



[Júbilo memória noviciado da paixão (1974)]
[in Poesia: 1959-1979/ Hilda hilst. - São Paulo: Quíron; (Brasília): INL, 1980.]

"Se meu apartamento falasse"...

Madame De Pompadour




Jeanne-Antoinette Poisson, Marquise de Pompadour (Paris, 29 de dezembro de 1721 — Versalhes, 15 de abril de 1764), mais conhecida como Madame de Pompadour, foi uma cortesã francesa e amante do Rei Luís XV de França considerada uma das figuras mais emblemáticas do século XVIII francês.

Dotada de inteligência, encanto, beleza, e ao mesmo tempo uma mulher fria, em termos físicos e na alma, Madame de Pompadour via seu papel como o de uma secretária confidencial do Rei.

Governava Versalhes, concedia audiências a embaixadores e tomava decisões sobre todas as questões ligadas à concessão de favores, de forma tão absoluta quanto qualquer monarca. Influenciando politicamente as decisões reais, ela se tornou uma empreendedora, incentivando a fundação da fábrica de porcelanas de Sèvres.

wikipédia


Madame Pompadour
Carlos Galhardo

Conta a história que o rei Luiz
( O Rei Luiz )
Por amor se fez grande e feliz
( se fez feliz )
E a teus pés assim,
Eu ouvi, oh, flor,
Te dizer um dia, um sonhador.

Madame Pompadour
Mon amour
Pour toujours
Será teu meu coração
Que é um reinado de ilusão
Um trono de estrelas,
Terás, que eu te darei...
Madame Pompadour,
Rainha de um rei...

Não encontrei vídeo para esta música.

Célio Silva - A voz cratense , nos anos 50 - Por Socorro Moreira

,Célio Silva


Uma figura alta, magra, cabelos lisos e pretos, bigodes... Talvez!
A impressão que tenho é que o vi muitas vezes, sempre cantando, nos programas de auditório da Rádio Educadora, nas quermesses de São Vicente, com o repertório de Francisco Alves, Orlando Silva, Carlos Galhardo,Augusto Calheiros, Nelson Gonçalves (notadamente as de Adelino Moreira).Tinha uma voz impressionante, mas bebia bastante, e isso ocasionou sua morte prematura. Era apaixonadíssimo pela esposa. Não lembro o seu nome, apenas que era uma mulher piedosa, filha de Maria.
O Crato dos anos 50 deve lembra-lo bem, muito mais do que as minhas nebulosas lembranças de criança.

Espero que alguém acrescente outras maiores informações...



Malandrinha
Carlos Galhardo
Composição: Freire Júnior

A lua vem surgindo cor de prata
No alto da montanha verdejante
A lira de um cantor em serenata
Reclama na janela a sua amante
Ao som da melodia apaixonada
Das cordas de um sonoro violão
Confessa um seresteiro à sua amada
O que dentro lhe dita o coração


Ó linda imagem de mulher que me seduz
Ah se eu pudesse tu estarias num altar
És a rainha dos meus sonhos, és a luz
És malandrinha não precisas trabalhar

Acorda minha bela namorada
A lua nos convida a passear
Seus raios iluminam toda a estrada
Por onde nós havemos de passar
A rua está deserta, ò vem querida
Ouvir bem junto a mim, o som do pinho
E quando a madrugada, já surgida
Os pombos voltarão para seus ninhos

Ó linda imagem de mulher . . . . . . . .