Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


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quarta-feira, 8 de junho de 2011

Blaue Nacht am Hafen - José do Vale Pinheiro Feitosa

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No Brasil falarmos em parentes se contaminou com os arranjos do nepotismo. Uma espécie de valorizar apenas o que é nosso sem considerar a dimensão geral ou não desta pessoa. Mas como tudo que se levanta o fazemos com especificidade e tende para generalizar-se, existem parentes que se dimensionam de tal modo que necessariamente dispensam o currículo público.

É o caso de José Libório Cavalcante, nascido e passado parte da vida em Iguatu, mas que estudou no Seminário São José e tem o Crato como uma espécie de capital de sua vida. Fala mais na cidade do que na sua Iguatu. Talvez por aqui passar a parte maior de sua adolescência e não guarde rancor da vida confinada de um seminário.

Hoje dava notícias de um mês que esteve na Alemanha. Na casa de um sobrinho, numa única cidade e com algumas incursões a Berlim, Strasburgo e Munique. A verdade é que assim viveu as ruas do dia-a-dia, os hábitos rotineiro da vida. Bem verdade que se tentarmos tomar o pulso do povo com a Eschericia Coli e com a crise econômica, ele responda que não sabe. Não entende alemão.

Por certo que lá não ouviu Lale Andersen. Há muito esquecida na memória alemã. Se bem que Fassbinder fizesse um filme muito bom baseado na vida desta cantora dos anos 30: Lili Marlene. Aliás, o filme tem muito da canção e com as intolerâncias da época, em ambos os lados. Separavam vidas e inventavam ícones populares.

O José Libório, nas horas solitárias alemãs, passeava na tela de computador a ler sobre o Brasil, seus e-mails e principalmente ouvindo Vicelmo na Rádio Educadora, uma Rádio de Iguatu e outra para ouvir ao programa do seu amigo Getúlio numa rádio de Quixeramobim.

Uma das músicas mais belas cantadas pela Lale Andersen, especialmente por que lembra a Alemanha dos anos 30 e 40 não pelo lado da guerra, mas pelo estilo romântico (no sentido amoroso e bucólico da vida) da grandeza cotidiana. A música que se encontra nesta postagem é Blaue Nacht am Hafen e desliza pelo conduto auditivo, acaricia o tímpano e se funde à cóclea como uma extensão do coração.

O José Libório disse-me, falando da Alemanha ainda, que um dos prazeres que tinha era ouvir a Rádio Chapada do Araripe. E a preferência não se devia apenas à empatia que tem pela região, mas pela bem escolhida e qualificada seleção musical do Dihelson Mendonça. Fica o registro. Quem faz, merece saber como seu produto é sentido.

Só de passagem...

Conta-se que no século passado, um turista americano foi à cidade do Cairo no Egito, com o objetivo de visitar um famoso sábio. 
 O turista ficou surpreso ao ver que o sábio morava num quartinho muito simples e cheio de livros. 
 As únicas peças de mobília eram uma cama, uma mesa e um banco. 
 - Onde estão seus móveis? Perguntou o turista. 
 E o sábio, bem depressa olhou ao seu redor e perguntou também: 
 - E onde estão os seus...? 
  - Os meus?! Surpreendeu-se o turista. 
 - Mas estou aqui só de passagem! 
 - Eu também... - concluiu o sábio. 
  
"A vida na Terra é somente uma passagem... No entanto, alguns vivem como se fossem ficar aqui eternamente, e se esquecem de ser felizes."

Pensamento para o Dia 08/06/2011


“Educação significa Vidya, que é o conhecimento do Eu Superior. Esse é o fundamento da educação. Os alunos devem adquirir uma educação sagrada, começando com pensamentos sobre Deus. Mesmo um motorista analfabeto na Índia reverencia o volante antes de ligar o veículo. Da mesma forma, um músico oferece saudação ao instrumento musical antes de tocá-lo. Assim, todo tipo de aprendizagem deve começar com o nome de Deus e da oração a Ele, e cada atividade deve ser realizada como uma oferenda a Deus, sem nenhuma artificialidade e ostentação. Graus adquiridos sem a essência da educação são apenas pedaços de papel. Os estudantes devem ter um coração puro e sagrado e a bondade da educação deve ser refletida em seus rostos. Na verdade, cada indivíduo deve estar imbuído de sentimentos divinos.”
Sathya Sai Baba

"Sayonara" - José Nilton Mariano Saraiva

Se você, aí do outro lado da telinha, ainda não sabe, a palavra japonesa “Sayonara” significa “adeus” e serviu pra titular um dos grandes filmes românticos já rodados (vencedor de três Oscar’s). Tanto que naquela oportunidade a imprensa foi pródiga em elogios, destacando: “Um gigante entre os filmes” (The Film Daily), “Um filme de beleza e sensibilidade” (Variety), “Uma encantadora história de amor; um dos melhores filmes do ano” (Los Angeles Mirror News).
No filme, Marlon Brando (numa atuação soberba), interpreta o Major Lloyd Gruver, herói da Força Aérea americana, envolvido na guerra com a Coréia, e que repentinamente, após pousar, vindo de mais uma batalha aérea, toma conhecimento da sua transferência para a Base Militar Americana, no Japão; é que o futuro sogro (General Webster, comandante da base) já lá se encontra com toda a família e, temendo pela vida do futuro genro, parece pretender “agilizar” a união da filha com o “Major-herói”. Como os militares americanos eram terminantemente proibidos de se relacionar com as mulheres orientais, e o Major Gruver um dos mais ardorosos defensores de tal (pre)conceito, o caminho praticamente estava pavimentado.
As coisas começam a mudar quando o Major é convidado pelo amicíssimo recruta Joe Kelly (seu subordinado e a quem não podia faltar), pra ser padrinho do seu casamento... com uma japonesa, numa cerimônia simples em pleno recinto da Embaixada americana, lá no Japão (por tal atitude, posteriormente foi advertido pelo futuro sogro).
Enquanto no convívio diário com a noiva as coisas começam a “azedar” em razão das diferenças só agora descobertas, a função burocrática, à qual não estava acostumado, começa a lhe “encher o saco” (e a paciência). Pra espairecer, e como não tinha mesmo nada pra fazer, ele aceita o convite de um colega pra visitar na cidade vizinha a cerimônia de “passagem” por uma trilha, rumo ao teatro, das jovens mulheres componentes do balé feminino mais famoso do Japão, o Matsubayashi. E foi aí que o “cupido o flechou”, ao colocá-lo à frente da beleza suave e ao mesmo tempo estonteante de Hana-Ogi, a principal estrela da companhia. Tentou chamar-lhe a atenção, sem sucesso, mesmo envergando a vistosa e bela farda militar (as mulheres japonesas eram também proibidas de se relacionar com os americanos). Assistiu ao espetáculo no teatro, voltou nos dias seguintes e, sempre do mesmo posto de observação, tentava pelo menos conseguir algum olhar piedoso de Hana-Ogi. Nadica de nada. Já cansado e desestimulado com tanto desprezo, resolve observa-la de um outro ponto. E aí, a surpresa. Enquanto dava autógrafos aos fãs, Hana-Ogi timidamente levanta a vista e dirige seu olhar para onde ele sempre ficava; não o encontrando, permite-se um giro de 180 graus com a cabeça, à sua procura.
Xeque-mate (sim, havia esperança).
Através da esposa japonesa do amigo Joe Kelly, consegue marcar um encontro secreto com Hana-Ogi (na casa do recruta); na oportunidade, fala, fala, fala e ela, bela e angelical, sem pronunciar um pio, uma única palavra. Visivelmente encabulado, ele lhe diz que não sabe mais o que fazer e, só então, ela “abre o verbo”: que seus pais foram mortos pelos americanos, que ela mesma fora criada com a quase obrigação de detestar os americanos, mas que, agora... estava apaixonada por ele, um americano. E a partir de então passam a se encontrar às escondidas e viver intensamente aquela paixão explosiva.
Com o suicídio do recruta Joe Kelly e a esposa (grávida), em razão da sua remoção ex-offício para os Estados Unidos (desacompanhado da mulher), o Major Gruver “chuta o pau da barraca”: acaba o noivado com a filha do General, lhe diz da sua intenção de também casar com uma japonesa e recrimina aquele preconceito absurdo (do qual ele era um dos defensores, lembremo-nos); de pronto é ameaçado de expulsão da Aeronáutica pelo ex-quase futuro sogro (que ainda teve o dissabor de ver a filha, ex-noiva do Major, sair de casa anunciando que iria viver com o principal dançarino de um dos balés do Japão).
Para não prejudica-lo, Hana-Ogi foge para uma outra cidade, sem comunicar-lhe, deixando-o ensandecido. Ao descobrir onde ela se acha, vai ao seu encontro e, após o espetáculo, no camarim, lhe diz que renuncia a tudo por ela e, principalmente, que está pra ser aprovada uma Lei americana acabando com tudo aquilo; lhe dá um prazo de alguns minutos para que decida se topa ou não ir com ele para a América, naquele mesmo dia. Retira-se e, do lado de fora, cercado pelos principais integrantes da mídia nipônica, aguarda ansioso que ela apareça. Tensão, expectativa...
No último segundo, Hana-Ogi surge risonha, belíssima e esplendorosa e corre para os seus braços; quando os repórteres e jornalistas pedem pra o Major Gruver deixar alguma mensagem ao povo japonês, sucintamente ele responde: “diga-lhes que eu lhes disse... SAYONARA”. The End.
Nota 1000. Um "filmaço".

VEM AÍ a nossa I MOSTRA DE CINEMA E VÍDEO!


Começa dia 13 de junho, segunda-feira. A gente quer comemorar festivamente os 100 anos do Cine Paraíso instalado aqui no Crato, em 3 de junho de 1911 pelo italiano Victorio di Mayo. Divulgaremos a programação aqui no blog. Aguardem! (Por Luiz Carlos Salatiel).