Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

ENVIE SUA FOTO E COLABORE COM O CARIRICATURAS



... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
.....................
claude_bloc@hotmail.com

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Pra começar a madrugada

Anita Malfaltti



Anita Catarina Malfatti (São Paulo, 2 de dezembro de 1889 — São Paulo, 6 de novembro de 1964) foi uma pintora, desenhista, gravadora e professora brasileira.

Cia de Dança Alysson Amancio-"Debate "politicas para dança no Interior" CC BNB - Cariri. Dia 06/11 ás 14:00 horas


Uma Companhia Profissional de Dança na região que do Cariri que vem desenvolvendo um trabalho de pesquisa e criação em Dança contemporanea.Aprovada pelo V e VI Edital de lei de incentivo as artes da Secult. Governo do Estado do Ceara. Pelo Prêmio Micro Projeto Mais Cultura 2009. E pelo Prêmio Nacional de Dança Klauss Vianna da Funarte do Ministério da Cultura.
Participou como convidada da Bienal Internacional de Dança de Ceará. 2007.2009.2010. Festival Internacional de Dança da Amazonia 2009. Festival de Dança Litoral Litoral Oeste 2009 2010.

Aquecimento Global - A tela de George Macário de Brito- por Socorro Moreira

Revisitei nesta noite o Salão de Outubro. O livro de visitas se avoluma em assinaturas, expressivamente. Edilma sempre lá num plantão receptivo, explicando o valor de cada trabalho, na sua possível concepção.
Encontrei-me diante da tela "Aquecimento Global", e parei reflexiva. Naquele momento percebi que não estava sozinha. George Macário e esposa Veruska estavam juntos , e presenciavam com simpatia, meu deslumbre.
A tela representa um grande olho. A pupila é o sol. A cidade crescendo , a água sumindo, o verde ficando escuro, e as lágrimas caindo em gotas , como um choro, um soluço,  por uma corrente de chuva.
Que podemos fazer para mudar esse prognóstico aterrador?

A tela de George Macário salta aos nossos olhos, Queima a nossa consciência, num avivamento da nossa lucidez.
Esse grande artista cretense, produziu seus primeiros rabiscos aos 4 anos de idade. Já  criou  mais de 500 imagens, espalhadas pelo Brasil, e por alguns países do mundo, como Espanha, Grécia, França, Canadá... Será que que esse fato é do conhecimento de todos os cretenses?
Assim como ele, muitos artistas  florescem no cenário cultural e artístico da nossa região.A palavra de ordem é oportunizar, sistematicamente, todas as formas de expressão artística , tornando personal a nossa cultura.
No próximo  ano, tenho certeza que esse evento será, se possível, mais participativo, e mais solidário ao trabalho de Edilma Rocha Saraiva ..

Parabéns, George !

Texto sensato- Colaboração de Zélia Moreira

Sala, copa e cozinha
Uma jovem estudante de Direito, desalentada com a vitória da petista Dilma Rousseff, ganhou fama ao clamar no Twitter o afogamento de nordestinos em benefício de São Paulo. O ódio da moça brotou em meio a uma campanha difamatória que irrigou expedientes eleitoreiros. Se na TV o marketing cuidou de dar boa aparência aos candidatos, na internet a coisa foi feia. Levante a mão quem não recebeu um único spam desqualificando os votos da população assistida pelo Bolsa Família. Sobre tal corrente, a psicanalista Maria Rita Kehl disse o que tinha de ser dito – e foi punida por isso. Assim estávamos na campanha…
A xenofobia da estudante paulista, no entanto, não é retrato das tensões do momento. É uma fotografia embolorada, guardada num fundo de armário, agora trazida à tona. Quem triscou fogo nos spams sabia que o ódio fermentava. Bastava uma faísca. Se tiver estômago, pode ler uma coletânea de tweets odientos — e odiosos — no Diga não à Xenofobia. A menina não está só.
A maioria dessas mensagens parte de jovens de mais ou menos 25 anos. O que leva a supor que muitos deem vazão a preconceitos ruminados à hora do jantar em família, da festinha do sobrinho ou do churrasco da faculdade. Está aí boa parte da festejada geração da internet, que confunde vida real com a vida em rede, mas se sente imune às consequências de atos online. Mostram os dentes no Twitter como se estivessem a salvo da luz do dia, como se não fosse dar nada. Mas deu, mano.
A moça que gostaria de afogar um nordestino em São Paulo acabou ela mesma por submergir. Deletou seu perfil ante a repercussão do caso, que lhe rendeu a protocolação de uma notícia-crime pela OAB de Pernambuco no Ministério Público Federal em São Paulo. O escritório de advocacia onde estagiava apressou-se em dizer que ela não despacha mais por lá. O caso foi parar até nas páginas do britânico Telegraph. Vários outros “bacanas” seguiram os passos da menina e desapareceram do Twitter. Talvez arrependidos do um ato impensado, da ausência completa de reflexão ou, mais provável, da ameaça de punição legal. Quem sabe ainda há tempo para deixar as trevas.
Ironicamente, o aguardado uso da internet nas eleições ajudou a liberar o que há de mais retrógrado entre nós (embora o poder transformador da rede esteja muito além disso). Parecemos recuar 50 anos em relação a direitos civis. Houve até o retorno de mortos-vivos, grupos pouco representativos e de triste memória. Não bastasse o proselitismo religioso, a ação das militâncias, oficiais e oficiosas, a campanha na internet descambou para baixaria geral. Conhecido o resultado da eleição presidencial, viria o pior: o insulto aos eleitores, desclassificando-os.
Enfim, é uma questão de classe; não de compostura. Uma parte dos jovens que se julgam classe A levantou-se da sala de jantar para reinstaurar a separação da copa e da cozinha, sem se dar conta de que a divisão dos cômodos já não é tão sólida. O que move tanto ódio? Passionalidade do clima eleitoral não é o suficiente.
Nunca na história deste país (tá, essa foi só para provocar) se falou tanto em classes C e D e E. Estão todos os dias na imprensa; chamam atenção pelo crescente poder de consumo. E é a isto que a noção de classes parece se resumir hoje: consumo. Talvez esteja aí a raiva dessa moçada, muito mais identificada com bens do que com valores.
Identificar-se por aquilo que se consome pressupõe um sentimento de exclusividade. “Eu tô dentro e eles, fora”. Uma concepção de vida alimentada e também confrontada pela massificação do consumo. A tensão desponta quando “eles”, os esfarrapados, começam a ter o que “eu” tenho. A exclusividade mingua, e o povão chega chegando, sentando ao seu lado no avião. É preciso descolar novos meios para diferenciar uns dos outros. A desqualificação é um deles.
Um dos legados desta eleição embalada por baixarias é uma tensão que parece escapar da acomodação sobre a imagem construída pelo mito fundador nacional. Descobrimos um pensamento ultra-conservador no Brasil, e ele pôs a cabeça para fora. Seria um exagero, no entanto, dizer que o país está dividido. Mas é igualmente um equívoco considerar que a identidade nacional sai ilesa – por definição, ela é lacunar, ao pressupor a relação com o outro. O que queremos de nós mesmos?
Mas na cabeça dessa moçada raivosa, nada disso seria necessário, e a harmonia se restabeleceria desde que todos estivessem nos lugares “certos”. Assim, estão prontos para experimentar o que consideram desenvolvimento e mal esperam a ocasião para pôr à mesa de alguma congregação do Tea Party uma iguaria nacional: uma saborosa broa de milho feita pela mãos da preta dócil que serve a casa.
* Autor não identificado

Um vídeo confissional do parlamento europeu - José do Vale Pinheiro Feitosa

Enquanto estou postando o vídeo continuo rindo. Aliás isso no Parlamento Europeu e nós aqui no Brasil com o tradicional complexo de "vira-lata". Nada muito diferente, há denominador comum a justificar lá e aqui. Enquanto o senso crítico olha para os votos do Palhaço Tiririca, no coração de ouro da civilização as instituições e os personagens estão no picadeiro. video

A vida não está só nos blogs, mas se tem vida é gente. José do Vale Pinheiro Feitosa

Na segunda feira pela manhã avisei a Socorro Moreira que iria diminuir o ritmo de minhas postagens nos blogs da região. Não por que estivesse cansado dos blogs e dos seus leitores, embora eles pudessem se encontrar saturados dos meus textos. Na verdade eu tenho uma tarefa imensa que me dei e preciso concluí-la. Não é possível fazer as duas coisas pelo menos com a intensidade que venho nos três blogs: Cariricaturas, Cariricult e Cariri Agora.

Não deu. Um vendaval teve emergência no Cariricaturas e transbordou para o Cariri Agora. Quando eles se vão, não apenas ficam os destroços da fúria, como resta um silêncio de perplexidade. Os leitores ficam atônitos, quem escreve igualmente não sabe onde colocar suas letras. Que pronuncia não sabe como emitir vocábulos.

Hoje pela manhã recebi uma crítica da minha companheira de vida: eu não faria isso que você faz, ser chamado de mentiroso, se expor assim, isso se expande para todo mundo e fica na memória. Aquilo bateu fundo na minha autocrítica. Fiquei um bom tempo de cara amarrada, assim como um forno queimando por dentro. Cale-se e cuide de coisas melhores.

Após algum tempo abri a porta do forno e meu assado estava pronto. Ele dizia: não somos iguais, eu sou assim, sempre estive no meio do povo, sem querer ser o intocável, prefiro que me digam o que pensam do que se calarem naquela mudez de conveniência. Se toda a nossa estrutura ruir por conta de adjetivações repense o que de fato ela é. Tua palavra tem de se expressar ao invés de se tornar a caderneta de poupança de mágoas do banco do teu peito.

Mas poderia não haver. Só não ir à sala daquilo que para ti representa a tua terra. E tua terra, depois de tantos anos, existe para ti? Ela não me disse isso, foi apenas o desdobramento daquela simples frase no meio da minha auto-reflexão. Ora mas como negar se os rostos que conheço estão lá, se as ruas, os cheiros, as idéias estão lá. Jamais deixei de me referir à minha origem geográfica, menos agora iria fazer. Estou aqui para o que der e vier. Especialmente para este vir de pessoas e terra com gosto do que reconheço parte de mim.

Então posso abdicar de escrever nos blogs mais visitados: mas não no Cariricaturas, Cariricult e no Cariri Agora. Por isso atrasei a tarefa e mantive postagens diárias e diferentes, sempre que possível em todos os blogs. Ih! Ia me esquecendo: não me arredo do Cariri Encantado, viu Salatiel.

Vivien Leigh



"Vivien Leigh, Lady Olivier (nascida Vivian Mary Hartley; Darjeeling, 5 de novembro de 1913 — Londres, 7 de julho de 1967), foi uma famosa atriz e lady inglesa nascida na Índia (quando este país ainda pertencia ao Império Britânico), considerada uma das mais belas e importantes personalidades do século XX, presente na lista feita pelo Instituto Americano de Cinema das 50 maiores lendas do cinema."

Rui Barbosa - Por Edmar Cordeiro

"É dos homens políticos mudar ; mudar é também dos filósofos, e também dos juristas, é de todos os espíritos humanos."

Rui Barbosa


Hoje, nascia na Bahia, em 5 de novembro de 1849, um dos personagens mais conhecidos da história do Brasil : Rui Barbosa.

por Edmar Cordeiro

Descartes - Por Cacaso

(Antônio Carlos Ferreira de Brito)


Descartes

Não há
no mundo nada
mais bem
distribuído do que a
razão: até quem não tem tem
um pouquinho

Puro- Por Domingos Barroso


Use o fone de ouvido.
Esqueça-se um pouco das palavras.

A vida lhe convida a alma
para uma dança.

Terá de deixar suas coisas
(memória, sonhos, planos) .

Como bailar com esse peso?
Livre-se da roupa engomada.

Do ventilador.
Dos chinelos ao pé da cama.

Creia apenas no frio da sua barriga
que lhe sobe ao coração já feito fogo.

Não sofrerá tanto como ontem.

(talvez até mais
ou só uma fisgada
entre as vértebras)

Mas sofrerá.

E quando não houver medo
tampouco vaidade

será o tempo certo
para ensinar à vida
um novo passo.

(mas não me fale de morte)

A alma que renasce
subiu apenas o corpo
ao cadafalso.

A vida (acredite)
não flerta zumbis
para dançarem
alegremente.

Agora tire os fones dos ouvidos.
Veja quem entrou: o sol,

saudade dos enfermos,
xamã dos recém-nascidos.

 por Domingos Barroso

Raro Amor- Por Marcos leonel



Agora meus dias
Serão magros
E mais amargos
Sem sarar

Marcos Leonel

Atrás de um grande homem , sempre existe uma grande mulher !

Socorro Jamacaru, fotografada pelo olhar amoroso de Pachelly Jamacaru
O belo precisa ser revelado !
Socorro, redemos-lhe as nossas homenagens pelo carinho desvelado aos admiradores de uma das tantas artes de Pahelly Jamacaru.
Seu papel como companheira de vida, o torna um homem de olhar feliz.

Bolo Pudim


* Ingredientes
* Pudim:
* 3 ovos
* 1 lata de leite condensado
* 2 latas de leite (use a de leite condensado como medida)

* Massa do bolo:
* 3 ovos
* 1 xícara (de chá) de açúcar
* 1/2 xícara (de chá) de margarina
* 1/2 xícara (de chá) de leite
* 1 e 1/2 xícara (de chá) de farinha de trigo peneirada
* 1/2 xícara (de chá) de chocolate em pó
* 1 colher (de sopa) de fermento

* Modo de Preparo

1. Pudim:Bata todos os ingredientes no liquidificador e reserve

1. Massa:Bata na batedeira os ovos, o açúcar e a margarina até formar um creme liso
2. Aos poucos, acrescente o leite alternando com a farinha e o chocolate peneirados
3. Por último, acrescente o fermento e misture delicadamente
4. Despeje a massa em uma forma redonda sem furo no meio de 30 cm diâmetro untada e enfarinhada e cubra com o pudim reservado
5. Asse em forno médio pré - aquecido em, 30 minutos, aproximadamente
6. Deixe esfriar e sirva

Obs: quando colocar a mistura de pudim em cima pode acontecer dela descer ou se misturar no bolo, mas não se preocupe pois quando assar ela se separa automaticamente do bolo.

Rosita Gonzales - por Norma Hauer


ROSITA GONZALES
Um pouco atrasada, mas ela merece.

Ela nasceu em 3 de novembro de 1929. Foi uma cantora importante no tempo áureo da Rádio Nacional, onde ingressou vencedora de um concurso estipulado por Renato Murce, com o título "À procura de uma cantora de boleros", realizado em 1946.
Seu nome verdadeiro era Jussara de Melo Viana, mas ficou conhecida como ROSITA GONZALES.
Adotou esse nome artístico, fazendo com que muitos a julgassem mexicana, tal seu jeito especial de cantar boleros. Era brasileira e também enriqueceu seu repertório com músicas de sua terra.
Foi uma lutadora que, antes de vencer no rádio, venceu uma poliomielite que a deixou com dificuldade de andar, mas não com dificuldade de VENCER.
Iniciou a carreira artística profissional em 1946 quando foi contratada pela Rádio Nacional. No início dos anos 50 ingressou na Rádio Mayrink Veiga.
. Assinou seu primeiro contrato com o selo Elite Special e lançou o primeiro disco em 1952 (ainda em 78 rotações) com os boleros brasileiros "Noite após noite",de Vitor Berbara e Haroldo Eiras e "O 'm' da minha mão", de Mário Gennari Filho.
Apesar de der vencedora de um concurso em que se procurava uma cantora de boleros, só veio a gravá-los anos depois, já em LPs.

O primeiro foi em 1960 ( Lo que te gusta a ti” ) na Philips . No ano seguinte lançou “Boleros Inolvidáveis”, com aqueles famosos de Maria Teresa e Agostini Lara. (“Solamentew Uma Vez”; “Noche de Ronda”...)
Depois de a televisão ocupar o espaço do rádio, ficou algum tempo afastada e, nos anos 80, passou a fazer parte do "show" "As cantoras do Rádio", com Ademilde Fonseca, Carmélia Alves, Nora Nei, Violeta Cavalcanti e Ellen de Lima. Apresentavam-se em teatros aqui no Rio, em São Paulo e outras cidades.

A primeira a afastar-se do grupo foi Nora Nei que o fez por motivo de saúde; as outras continuaram até que em 28 de fevereiro de 1997 Rosita Gonzales veio a falecer, aos 67 anos.

O grupo continuou sem as duas.

Mais tarde (em 2003) juntou-se a ele o jovem cantor Márcio Gomes e, no centenário de nascimento de Lamartine Babo, eles se apresentaram no Teatro João Caetano, homenageando o compositor.
A não ser algumas referências às Cantoras do Rádio, nada há na Internet a respeito de Rosita Gonzales, uma lutadora, que em criança foi vítima da poliomielite e soube vencer uma batalha contra os preconceitos.

Era uma pessoa extremamente simpática a que tive o prazer de conhecer pessoalmente, longe dos auditórios e dos teatros.

A Rosita Gonzales, meu preito de saudades.
Norma

Carinhoso - por SOCORRO MOREIRA



Hoje teria tertúlia na AABB
Peixoto cantaria os sucessos em voga
(músicas ainda hoje inesquecíveis)
As costureiras entregariam nossos vestidos novos
unhas e cabelos estariam brilhantes
e um par de meias finas,
ainda não desfiado, realçariam as nossas pernas,
naquelas mini-saias.
Hoje um toque de perfume no lóbulo da orelha
mãos suadas de timidez
abraçariam o seu par
numa música 
que toca, sem vontade de findar
Hoje eu te esperaria numa cadeira da mesa
olhos viajantes
corpo sereno
fingindo que não quero que me vejas.
Enfim
as horas correm
a orquestra para
e o "Carinhoso" nos enlaça...

"Meu coração
não sei por que
bate feliz,
quando te ver..."


Para Nilo Sérgio

Para Aloísio

Calor. Liduina Belchior.

Hoje é dia de sol
o sol nasceu brincando
mandando dizer que
o dia vai esquentar
os corpos, os campos, as casas.
O âmago agradece,
pois tempo gélido,sem um
calorzinho nos remete ao
limbo do coração.
E coração é coisa séria,
ele pára qando nao se
sente bém. Cuidemos dele
e do tálamo com carinho, pois
eles não podem ser execrados.
Nós ganhamos hoje de presente,
uma calorosa sexta-feira de novembro.
Agradeçamos.E a vida está dentro de nós
a toda hora...
Lembrando-me da menina Stela,
a nossa criança saltita feliz e
agitada, pois pode debruçar na
janela e olhar para dentro de si e
encontrá-la!

Bom final de semana.

Ressaca política

Ressaca política

Como um terremoto, seguido de um furacão e um tsunami, que tudo sacode, alaga, vira e revira, bem assim foi o efeito da eleição 2010 no Brasil.
Nesse período, na luta desesperada pelos poderes e benesses contidos e advindas dos cargos políticos de deputados (estaduais e federais), governadores, senadores e presidência da república, o que se viu, por parte de alguns envolvidos nesse processo (candidatos, colaboradores e eleitores), foi um misto de entusiasmo, lealdade, traição, respeito, estratégia, maquinação, gastança, decepção, risos, choros, tapas, beijos e até mortes.
No caso dos ratos e ratazanas de campanha, essas pessoas exerceram seus papéis de praxe: na expectativa da obtenção de uma compensação qualquer (emprego, dinheiro ou bens materiais de seus candidatos), elas tornaram-se, durante toda campanha, extremamente eficazes na caça ao voto. De uma hora para outra viraram comunicativas e “amigas” de todos, mas, dependendo do contra-argumento, agressivas e radicais.
O fato é que nesse processo de pura democracia muitos dos envolvidos se fortaleceram. Já outros caíram em completa desgraça perdendo não só dinheiro, mas, principalmente, cargos, lideranças, amizades e, em certos casos, a moral e o respeito perante a si próprios bem como junto à comuna na qual manifestaram seus propósitos.
No entanto, um fato de importância maior, ocorrido no dia da votação, foi o que mais prendeu a minha atenção. Estava eu sentado na entrada do prédio, no qual estavam funcionando várias seções eleitorais, quando passei a observar o entra-e-sai dos eleitores ali inscritos. Eram autoridades, marginais, gente rica, gente pobre, intelectuais, artistas, estudantes, professores, enfim, toda a representatividade da sociedade, porém nivelada nos quesitos importância e poder, em face de um único instrumento de direito: o voto! Não adiantava, portanto, a empáfia, a arrogância, bem como a posição social ou os graus de conhecimento e riqueza de cada um, pois todos eram senhores e senhoras absolutos e absolutas com poderes de fogo iguais perante a Lei da democracia.
Registre-se também que a eleição 2010 deixou marcas progressivas e relevantes no contexto da política nacional. Pois, mesmo sabendo que o idealismo, a honradez, o patriotismo, a imparcialidade e outros positivismos mais foram (como de costume) ultrajados nesse jogo, ainda assim vimos manifestos corretivos, práticos e éticos implementados pela Justiça, como foi o caso da caça às fichas-sujas. Outra: mais uma vez batemos o recorde mundial no que diz respeito ao tempo mínimo para a contagem dos votos. Uma novidade: foi quebrado o tabu nacional: uma mulher na Presidência da República.
É... “Apesar de você”, como disse Chico Buarque, podemos afirmar que hoje, mesmo sob protesto dos retrógadas, já está sendo outro dia!
E por falar em outro dia, outro tempo e outra era, tomara que no próximo pleito o eleitor seja mais seguro de suas atitudes e escolhas para não deixar ser levado por retóricas, lábias e enganações que visem a burlação de suas convicções e a subestimação de sua inteligência. Tomara que os ratos de campanha transformem-se em colaboradores por idealismo ajudando aos seus candidatos sem deles exigirem benefícios escusos. Tomara que a imprensa e os formadores de opiniões públicas, em especial, usem de suas criatividades, potencialidades e responsabilidades para agirem na mais restrita imparcialidade tornando-se, portanto, informadores e críticos crédulos perante seus públicos seguidores.
Tomara que Deus não seja bandeira, menino propaganda ou cabo eleitoral dos orientadores da fé, que usam essa Suprema Divindade como trampolim para as suas ascensões políticas.Tomara por fim que, doravante, após todas essas lições, os discursos dos candidatos não voltem a ser apelativos, cheios de falácias, acusativos ou vazios. E que esses mesmos políticos entendam, de uma vez por todas, que os tempos mudaram. Isto porque, a cada pleito, estão sendo eliminados da governança aqueles que não trabalharam, que não foram competentes, que não mostraram resultados práticos, que não foram honestos, que ficaram em cima do muro e que pensaram, erradamente que, na época da interatividade, da politização e da melhoria do nível escolar, o povo continua sendo um elemento alienado, encabrestado e burro... Eternamente burro!

Roberto Jamacaru de Aquino

Sobre pesos e medidas - José do Vale Pinheiro Feitosa

Qual o peso e a medida das palavras?
Deste ruído de ar nas cordas vocais?
Seriam as acepções volúveis?
Estaria no étimo que funda?

Qual o peso e a medida dos pensamentos?
Quando expressados como novidade?
Se o novo afronta o velho?
E o velho nega novo?

Qual o peso e a medida das pessoas?
Estes andarilhos dos campos vastos?
Do úmido solo e dos desertos?
Das montanhas e dos vales?

Qual o peso e a medida das diferenças?
Quando lutam são a medida de cada uma?
Se um dia se fundirão numa síntese?
E os pesos e medidas não mais serão aqueles.

Humor (com requintes de crueldade)

Rita e o namorado estavam em seu quarto, enquanto a mãe dela caprichava na preparação do almoço. Daí a pouco, a mãe começa a chamar:
- Rita, o almoço está pronto!!!
- Já vou mãinha, não demoro.
- Eu sei o que eles estão fazendo! - diz o irmão mais novo.
- Deixa de ser intrometido e cala a boca, diz a mãe.
Minutos depois, a mãe pede, caridosamente:
- Filhinha, anda, vem pra mesa, menina, se não as moscas vão tomar de conta.
- Já vou, mãe, só mais um minutinho!
- Há, há, há, eu sei o que eles estão fazendo! - continua o caçula.
O pentelho leva um tabefe da mãe e cala, silencia.
Meia hora depois, a mãe quase que implora:
- Rita, se apressa que a comida vai esfriar, filha!
- Oh mãe, já vou... responde Rita, quase que choramingando.
O irmãozinho então começa a rir e diz: - Eu sei o que eles estão fazendo, há, há, ha.
A mãe, já impaciente, explode:
- Então fala, seu peste, fala, fala...
- A Rita me pediu o tubo da vaselina... eu dei o de SuperBonder!!!

"SEM RETORNO"


Não vire o rosto à mão que afaga

No despertar de gestos esquecidos.

Não feche os sentidos

Quando ouvir falar de amor...

Pode acontecer que o som se perca

E abrace rochas silenciosas

Que não permitem retorno


(Para Claude Bloc)

IMAGENS I



Sentas

Sorrindo

Contando

Estórias

Sonhos

Fantasias?

Teu hálito

Quente

Cheiro de canela

Bafeja meu rosto.

Acordo sobressaltado!

Pela janela aberta

Entra o frio da madrugada

Já não estás aqui...

"SOLIDÃO COMPARTILHADA"



E assim partes sem nada dizer,

Sem bilhetes carmins do teu batom no espelho...

Sem adeus...

Sem explicações...

Desnecessárias talvez?

Meias palavras?

Melhor assim!

Segue! Assumo o passo seguinte

Mas, se for possível...

Compartilha comigo um pouco dessa solidão

Mesmo não estando mais comigo.

" CONFESSION"


Ela pode ser o rosto que eu não consigo esquecer
Um traço de prazer ou de arrependimento
Talvez meu tesouro ou
O preço que eu tenho que pagar

Ela pode ser a música que o verão canta
Talvez o frescor que o outono traz
Talvez uma centena de coisas diferentes
No espaço de um dia

Ela pode ser a bela ou a fera
Talvez fartura ou a fome
Pode transformar cada dia em um paraíso
ou em um inferno

Ela pode ser o espelho do meu sonho
O sorriso refletido no rio
Ela pode não ser o que parece ser
dentro de sua concha

Ela, que sempre parece tão feliz no meio da multidão
Com os olhos tão pessoais e tão orgulhosos
Mas que não podem ser vistos
quando choram

Pode ser o amor que não espera que dure
Pode vir das sombras do passado
Que eu irei me lembrar até o dia de minha morte

Ela talvez seja o motivo para eu sobreviver
A razão pela qual eu estou vivo
A pessoa que cuidarei através
dos difíceis e imediatos anos

Eu, eu pegarei as risadas e as lágrimas dela
E farei delas todas minhas recordações
Para onde ela for, eu tenho que estar lá
O sentido da minha vida é ela



(Tradução da letra She -Charles Aznavour)