Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

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sábado, 15 de agosto de 2009

Caymmi, o Eterno Pescador Baiano

30/4/1914 ( Salvador – Bahia ) 16/8/2008 ( Rio de Janeiro – RJ )

Compositor baiano responsável em grande parte pela imagem que a Bahia tem hoje em dia, seu estilo inimitável de compor e cantar influenciou várias gerações de músicos brasileiros.

Neto de italianos, seu avô veio para o Estado trabalhar na reforma do Elevador Lacerda, um dos principais cartões postais da capital baiana, Caymmi nasceu em Salvador no dia 30 de abril de 1914. Sua ligação com a música vem desde a infância. Seu pai trabalhava como funcionário público e era músico amador, tocando violão, piano e bandolim, e sua mãe cantava em meio aos afazeres domésticos.

Ao completar 13 anos, interrompeu os estudos, após concluir o 1° ano colegial, e foi trabalhar no jornal "O Imparcial", onde ficou até 1929, quando o veículo encerrou suas atividades. Com 16 anos, já sabia tocar violão, técnica que aprendeu sozinho, e compôs a sua primeira música, a toada 'No Sertão'.
Quatro anos depois, estreou na Rádio Clube da Bahia cantando e tocando violão, até que em 1935 ganhou o seu próprio programa: 'Caymmi e suas Canções Praieiras'. Nesta época recebeu um abajur cor-de-rosa ao vencer um concurso de músicas de Carnaval com o samba 'A Bahia também dá'.

Em Salvador teve vários trabalhos antes de tentar a sorte como cantor de rádio, e como compositor ganhou um concurso de músicas de carnaval em 1936.

Dois anos depois, aos 23 anos, Caymmi pegou um ita (nome dado aos navios que faziam a rota Norte-Sul do Brasil) e foi para o Rio de Janeiro realizar um curso preparatório de Direito e tentar conseguir um emprego como jornalista. Morando em uma pensão e trabalhando em um jornal do grupo 'Diários Associados', continuou compondo e cantando. Em 1938, começou a se apresentar como calouro na rádio Tupi (RJ), de propriedade de Assis Chateaubriand, e, depois de algum sucesso, passou a cantar em um dos programas populares da época, o 'Dragão da Rua Larga'.
Sucesso Internacional
Foi nessa época, final dos anos 30, que Dorival Caymmi deu um grande salto para o sucesso mundial, ao interpretar no rádio uma de suas canções, 'O que é que baiana tem'. O estilo inovador chamou atenção de uma empresa de cinema que buscava uma música para substituir 'No Tabuleiro da baiana', de Ary Barroso, que foi recusada devido ao alto cachê cobrado pelo artista mineiro, então no auge da carreira.

A música, tema do filme 'Banana da Terra', impulsionou a carreira de Caymmi e consagrou internacionalmente Carmem Miranda. O primeiro encontro entre os dois aconteceu na casa do compositor. Logo após ouvir a música que seria tema do filme, a cantora portuguesa criou o figurino de roupas rendadas e balangandãs que marcou definitivamente a sua carreira.
Em setembro de 39, Dorival Caymmi começou a compor e apresentar várias obras-primas com o mar como principal inspiração, como 'Rainha do Mar', 'Promessa de Pescador' e 'O Mar', música utilizada em um espetáculo coordenado pela então primeira-dama Darcy Vargas.
Já trabalhando na Rádio Nacional (RJ), conheceu a cantora Stella Maris, com quem se casou e teve três filhos, todos músicos: Danilo, Dori e Nana.A partir dos anos 40, o compositor baiano passou a se dedicar ao samba-canção, gênero musical que vinha sendo praticado desde Noel Rosa.
A música emblemática desta fase é 'Marina', gravada em 1947, por Dick Farney. Também neste período conheceu um conterrâneo que se tornou um grande amigo, Jorge Amado. Os personagens do escritor serviram de inspiração para algumas de suas canções como 'É doce morrer no Mar', 'Modinha para Gabriela' e 'Retirantes'.
Em 45, musicou um hino para a campanha do líder comunista Luis Carlos Prestes ao Senado. Mantida em sigilo durante muitos anos, a letra foi publicada pela primeira vez no livro 'Dorival Caymmi, o Mar e o Tempo', de autoria da neta Stella Caymmi. 'Vamos votar/ com Prestes votar/ Para o Partido Comunista/ Vamos votar', dizia um dos trechos do hino.
Na década de 50 surgiu um outro baiano na vida de Caymmi. Com um estilo de cantar diferente, João Gilberto gravou 'Rosa Morena' e 'Saudade da Bahia', levando a música de Caymmi para a Bossa-Nova, ritmo que explodiu em todo o mundo e influenciou toda uma geração de artistas.
Na Bossa-Nova, ele também conheceu um compositor que levaria a beleza da música brasileira para o mundo: Tom Jobin. Até a morte de Jobim, em dezembro de 94, os dois compositores mantiveram um forte laço de amizade.
Reconhecido e premiado em vários países, Dorival Caymmi ganhou a alcunha de 'preguiçoso' por demorar muito tempo para lançar discos e apresentar novas músicas. Nunca compôs sob pressões externas e chegou a levar anos na criação de algumas músicas. Conta-se que demorou nove anos para concluir esta estrofe da letra de 'João Valentão'. 'E assim adormece este homem/ Que nunca precisa dormir pra sonhar /Porque não há sonho mais lindo / Do que sua terra não há!'.
A obra de Caymmi não pode ser considerada extensa: aproximadamente 120 canções distribuídas em 20 discos, onde se destacam as melodias praieiras, as de inspiração no folclore da Bahia e os sambas-canções urbanos. Para isto, Caetano Veloso, outro baiano, tem uma explicação. "É verdade que Caymmi compôs pouco mais de 100 músicas, mas todas são obras-primas. Quem é o compositor que pode se dar a esse luxo? Eu queira ser um preguiçoso assim."

Algumas das mais marcantes são "A Lenda do Abaeté", "Promessa de Pescador", "É Doce Morrer no Mar", "Marina", "Não Tem Solução", "João Valentão", "Maracangalha", "Saudade de Itapoã", "Doralice", "Samba da Minha Terra", "Lá Vem a Baiana", "Suíte dos Pescadores", "Sábado em Copacabana", "Nem Eu", "Nunca Mais", "Saudades da Bahia", "Dora", "Oração pra Mãe Menininha", "Rosa Morena", "Eu Não Tenho Onde Morar", "Promessa de Pescador", "Das Rosas".
Símbolo de sabedoria e sucesso, coleciona homenagens, como títulos (Cidadão Honorário do Município do Rio de Janeiro e Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal da Bahia), comendas (Orde dês Arts et dês Letters e Ordem do Mérito Judiciário do Trabalho e Ordem do Mérito da Bahia), medalhas (Medalha do Mérito Castro Alves, Medalha Machado de Assis e Medalha do Mérito Santos Dumont), e um busto (modelado pelo escultor Bruno Giorgi nos anos 50) em Salvador, passando pela praça e avenida Dorival Caymmi em Itapuã, também na capital baiana.
Outra grande homenagem à obra do compositor baiano aconteceu em 1986, quando a Escola de Samba Mangueira venceu o Carnaval carioca ao escolher como tema do seu samba-enredo a sua vida.
Ao completar 90 anos, em abril de 2004, ganhou uma grande homenagem de seus filhos: um show que percorreu as principais capitais brasileiras com as suas canções. Desde que deixou Salvador, Dorival Caymmi divide seu tempo entre a tranqüilidade da cidade natal de sua esposa, Pequeri, na região de Juiz de Fora, em Minas Gerais, e o Rio de Janeiro.
Caymmi morreu aos 94 anos de idade, de insuficiência renal e falência múltipla dos órgãos. O compositor estava em casa, mas, segundo declaração de familiares, sua saúde já estava abalada há algum tempo.
Em 60 anos de carreira, Dorival Caymmi gravou cerca de 20 discos, mas o número de versões de suas músicas feitas por outros intérpretes é praticamente incalculável. Sua obra, considerada pequena em quantidade, compensa essa falsa impressão com inigualável número de obras-primas. A editora Lumiar lançou em 1994 o songbook com suas obras, acompanhado por três CDs.




Desafio...


De quem é esta caligrafia?

De quem são estes poemas?

(clique na imagem da página para verificar mais de perto)

Tentativas - Por Roberto Jamacaru



Pediste-me um poema.
Eu bem que tentei...

Tentei enaltecer-te em versos... Tentei, mas para tanto teria que transcender os limites da inspiração e da própria poesia!
Tentei, ousadamente, sublimar-te com um soneto... Compliquei-me mais ainda, pois, na mediocridade dos 14 versos, havia mais quartetos do que tercetos!
Tentei, achando que ia arrasar, um misto de poemeto, haikay e poetrix... No que deu? ... Virei prato cheio para os críticos!
Tentei rimar-te por inteiro... Como, se tuas curvas, silhuetas, dotes e grandezas pessoais já são rimas perfeitas e naturais.

Pediste-me uma canção.
Eu bem que tentei...

Tentei compor uma balada, suave como a tua voz... Esqueci que não sou Elvis nem Deus!
Tentei outros ritmos: tango, valsa, bolero e até rock... Olha, foi um desastre!
Tentei solos, paródias e versões... O destoamento, a falta de originalidade e a pobreza melódica foram gritantes!
Tentei a melhor voz... Quer saber mesmo? Ela, como se esperava, desafinou.

Pediste-me que te pintasse.
Eu bem que tentei...

Tentei delinear o teu melhor ângulo. Mas qual? ...Se todos são traços perfeitos!
Tentei pintar o brilho do teu cabelo... Percebi, frustrado, que seria mais fácil aquarelar o fulgor dos astros do céu.
Tentei pincelar o teu olhar... Pela pretensão fui repreendido pela mãe arte!
Tentei não tremer as mãos ao rabiscar tuas curvas... Inútil, tremi e derrapei em todas elas!

Pediste-me mais delicadeza, pureza e romantismo.
Eu bem que tentei...

Tentei te mimar com flores, presentes e relíquias... Porém, dado o significado do meu amor e a tua magnitude de mulher, precisei de valores maiores e melhores!
Tentei até uma oração para ti, mas só Deus sabe o quanto não sei rezar.
Tentei ser fino, delicado, perceptivo... Coisas de um “Gentleman”... Para isso não teve jeito, sou um eterno grosso!
Tentei, em detrimento do que sou, ser mais sensível, imaginativo e lírico... No entanto tem sido humanamente impossível fugir do meu padrão de homem comum e sem talento!


Pediste-me, por fim, mais vida e mais emoção.
Eu bem que tentei...

Tentei dar risadas, gargalhadas soltas e descontrair os meus gestos, mas tímido sou, sempre fui!
Tentei jeitos, trejeitos e caras e bocas... Huum... Senti-me ridículo!
Tentei dançar, pular, cantar, conversar, interagir... Haja artificialidade!
Tentei... Puxa, amor, juro que tentei o que eu imaginei e o que eu, inconscientemente, nunca pensei em imaginar!

Olha, paixão, tu bem sabes que eu tentei de tudo para te fazer feliz,
mas apenas uma coisa eu consegui:

Amar-te...
Muito amar-te...

E amar-te demais!


Roberto Jamacaru de Aquino

Elvis "The Pelvis" - Mito do Rock Mundial

Nome: Elvis Aron PresleyData de Nascimento: 08 de Janeiro de 1935
Local de Nascimento: East Tupelo, Mississippi, USA
Falecimento: 16 de Agosto de 1977, Memphis, Tennessee, USA
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Elvis Aaron Presley, um Mito do Rock Mundial Elvis Aaron Presley (Tupelo,
Mississippi, 8 de janeiro de 1935 — Memphis, Tennessee, 16 de agosto de 1977) foi um famoso
cantor, músico, ator e dançarino norte-americano, sendo mundialmente denominado O Rei do Rock, também conhecido pela alcunha de Elvis The Pelvis, apelido pelo qual ficou conhecido na década de 50 por sua maneira extravagante e ousada de dançar.
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Uma de suas maiores virtudes era a sua voz, devido ao seu alcance vocal, que atingia, segundo especialistas, notas musicais de difícil alcance para um cantor popular. A crítica especializada reconhece seu expressivo ganho, em extensão, com a maturidade; além de virtuoso senso rítmico, força interpretativa e um timbre de voz que o destacava entre os cantores populares, sendo avaliado como um dos maiores e por outros como o melhor cantor popular do século
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Um detalhe: na infância, Elvis já participava em grupos musicais no templo de uma Assembléia de Deus, que frequentava com os pais. Foi ativo participante, mas depois, preferiu ficar distante desse princípio religioso. No ano seguinte é aberta ao público a mansão Graceland. No ano de 1984, Elvis é homenageado pela fundação do blues e pela acadêmia de música country.
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Posteriormente, em 1985, é lançado com enorme sucesso o livro “Elvis e Eu”, escrito por Priscilla Presley e Sandra Harmon, que viraria um filme para a TV também de enorme sucesso. Prosseguindo com as homenagens, em 1986, Elvis entra para o hall da fama do rock, como sendo um de seus sócios fundadores. Em 1987 é concedido a Elvis pela American Music Awards um prêmio por mérito (conjunto da obra). A mansão Graceland é considerada patrimônio histórico dos EUA em 1991. Elvis vira sócio fundador do hall da fama do rockabilly em 1997.
Nesse mesmo ano é realizado pela primeira vez o show Elvis The Concert (Elvis no telão com a banda que tocou com Elvis ao vivo). Em 1998, Elvis entra para o hall da fama do country. Elvis é admitido no hall da fama do gospel no ano de 2001. Em 2002, uma nova Elvismania toma conta do mundo, Elvis Presley é redescoberto. O remix da música A Little Less Coation e o disco Number Ones Hits são um estrondoso sucesso, fazendo assim com que as novas gerações tivessem a oportunidade de conhecê-lo
No ano seguinte o redescobrimento continua com grande destaque no mundo inteiro, o remix de Rubberneckin e o disco Second To None são um enorme êxito. Seguindo o êxito em vendas, são lançados em 2004 dois pacotes de DVD''s de dois dos maiores momentos de Elvis: o especial de televisão Comeback e o primeiro show de música ao vivo para vários países o Aloha From Hawaii e viram um enorme sucesso.
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Nesse mesmo ano Elvis vira sócio fundador do hall da fama da música britânica. O filme Jailhouse Rock entra para o registro nacional de filmes dos EUA, entrando assim para a imortalidade, também em 2004. Elvis Aaron Presley morreu em 16 de agosto de 1977 de ataque cardíaco no banheiro de sua mansão Graceland na cidade de Memphis no Tennessee.
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Sua morte e funeral foram divulgadas e mostradas para o mundo inteiro e choradas por milhões de fãs. Pessoas que viveram nos EUA na época comparam a repercussão da morte dele com as de Kennedy e Martin Luther King. Ao contrário do que se propagou no mundo, ele não morreu de overdose e sim de ataque cardíaco, pelos inúmeros medicamentos e o excesso de comida, principalmente a partir de 1974.
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Depois da morte física de Elvis, vários acontecimentos o tornaram ainda mais famoso e consequentemente mais pessoas se tornaram seus fãs Ele foi várias vezes homenageado e continuou a fazer sucesso mesmo depois de morto.
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FILOSOFIA PERENE - ALDOUS HUXLEY


Segundo ESTON (1989):

"A maioria das visões de mundo descritas, ao surgir, em diferentes eras, adaptou, com freqüência, aspectos de outras culturas. Entretanto, uma delas permaneceu surpreendentemente imutável, desde que foi formulada na Índia, na era védica, por volta de 1500 a. C. Na maioria das culturas esta visão permaneceu sujacente; entretanto, como imagem da humanidade, continua visível de maneira quase inalterada em tantas épocas e lugares, que Aldous Huxley a denominou "Filosofia Perene". Suas características centrais podem ser assim resumidas:

1- Aqueles que a vivenciaram insistem: não se trata de uma filosofia ou metafísica, não é uma ideologia ou crença religiosa, mas sim uma experiência - uma experiência de unicidade, de tal sorte que resolve as polaridades de tempo e espaço. É difícil descrevê-la, porque tem de ser relatada em termos espaço-temporais. Palavras verdadeiras sempre parecem paradoxais, porém não há outro tipo de ensinamento que possa substituí-las (Lao-Tsé)

2- A natureza básica do universo é a consciência, e o indivíduo humano pode participar desta consciência "cósmica". Esta é a Razão de Ser. Para o homem, é um aspecto "superconsciente" ou divino de seu ser, e sua natureza física é uma manifestação da consciência universal.

3- Apesar de o ser humano poder vivenciar ou participar desta consciência cósmica, geralmente opta por não fazê-lo, caminhando pela vida numa espécie de sono hipnótico, tendo a impressão de que está tomando decisões, de que acidentes lhe ocorrem etc. Se, porém, começa a "despertar" e a ver com mais nitidez, principia a perceber que o Self superior conduz este processo.

4- As potencialidades humanas são ilimitadas. Todo o conhecimento, poder e percepção são, em última análise, acessíveis à sua consciência.

5- À medida que uma pessoa percebe esta natureza básica da realidade, ela se motiva para o desenvolvimento e a criatividade e para o movimento na direção do Self superior, tornando-se cada vez mais conduzida por esta consciência maior. O que chamamos de "inspiração" ou "criatividade" é essencialmente uma abertura para a percepção deste processo supremo.
Quando respira através do intelecto é gênio;
quando respira através da vontade é virtude;
quando respira pelo afeto é amor.
(Ralph Waldo Emerson, A Alma Superior)

6- A evolução, que ocorre em nível físico e mental, é dirigida por uma consciência superior, sendo caracterizada pela finalidade. Á medida que o homem eleva o seu nível de consciência participa mais, de modo mais pleno, deste propósito volucionário" (p.15-16).

Continuando a análise de ESTON (1989) temos:

"Se esta visão da humanidade puder ser vivenciada por um número de pessoas maior do que aquele número limitado que aparentemente a compreende através dos séculos, ela poderá proporcionar o necessário sentido de direção, a percepção holística e a compreensão que parecem indispensáveis ao desenvolvimento humano.

Philosofia Perennis: esta expressão foi cunhada por Leibnitz; mas a coisa - a metafísica que reconhece uma Realidade divina verdadeira no mundo das coisas, vidas e mentes; a psicologia que encontra na alma algo semelhante, ou mesmo idêntico à Realidade divina; a ética que coloca finalidade última do homem no conhecimento do Fundamento imanente e transcendente de todo ser - esta coisa é imemorial e universal. Rudimentos da Filosofia Perene podem ser encontrados nas doutrinas tradicionais de povos primitivos em todas as regiões do mundo e, na sua forma plenamente desenvolvida, encontram espaço em cada das religiões superiores. Uma versão deste Fator Comum Supremo, existente em todas as teologias precedentes e subseqüentes, foi registrada pela escrita há mais de 25 séculos e, desde então, o tema inesgotável foi retomado continuamente, do ponto de vista de cada tradição religiosa em todas as principais línguas da Ásia e da Europa.(Aldous Huxley, 1945)" (p.16).

ESTON, Verônica Rapp. "A Visão do Mundo Através dos Tempos",THOT, nº 52, 1989, p.9-17.

Cisnes

Cisnes

A vida, manso lago azul algumas
Vezes, algumas vezes mar fremente,
Tem sido para nós constantemente
Um lago azul, sem ondas sem espumas!
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Sobre ele, quando, desfazendo as brumas
Matinais, rompe um sol vermelho e quente,
Nós dois vagamos indolentemente,
Como dois cisnes de alvacentas plumas!
.
Um dia um cisne morrerá, por certo:
Quando chegar esse momento incerto,
No lago, onde talvez a água se tisne,
.
Que o cisne vivo, cheio de saudade,
Nunca mais cante, nem sozinho nade,
Nem nade nunca ao lado de outro cisne...


( Julio Salusse )

PS.O cisne, quando acasala, é para sempre. Se a fêmea companheira, morre, ele nunca mais acasalará.Por isso, ele é considerado o símbolo da fidelidade.

Dados biográficos:

Julio Mario Salusse, poeta imortalizado pelo soneto “Cisnes”, nasceu em Bom Jardim (RJ) a 30 de Março de 1872 e morreu no Rio a 30 de Janeiro de 1948.

Cursou Direito em São Paulo e no Rio e foi promotor público em Paraíba do Sul e Nova Friburgo.

“Epígono do parnasianismo”, com afloramentos do simbolismo e decadentismo, a sua poesia lírico-erótica traduz «oscilação dos sentimentos entre o plano do ideal e do sensual, entre o plano da vontade e o dos sentidos».

Segundo cálculos de Antonio Carlos Secchin, em seus 75 anos de vida, Júlio Salusse escreveu 61 poemas, publicou dois livros de versos “Nevrose Azul” ( 1884 ) e “Sombras” ( 1901 ) e uma novela, “A negra e o rei”, em 1927.

http://versoeprosa.ning.com/profiles/blogs/julio-salusse-e-os-misterios


http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=74143


São João Bosco - dia 16 de Agosto de 1815 (nascimento)





Nascido em Murialdo, aldeia de Castelnuovo de Asti, no Piemonte, aos dois anos de idade faleceu-lhe o pai, Francisco Bosco. Mas felizmente tinha ele como mãe Margarida Occhiena, que lembra a mulher forte do Antigo Testamento. Com sua piedade profunda, capacidade de trabalho e senso de organização, conseguiu manter a família, mesmo numa época tão difícil para a Europa como foi a do início do século XIX, dilacerada pelas cruentas guerras napoleônicas. João Bosco tinha um irmão, dois anos mais velho que ele, e um meio-irmão já entrando na adolescência.

Lar pobre e religioso; a mãe, exemplo de virtudes

A influência da mãe sobre o filho caçula foi altamente benéfica. “Parece que a paciência e a doce firmeza de Mamãe Margarida influenciaram São João Bosco, e que toda uma parte de sua amenidade, de seus métodos afáveis, deve ser atribuída aos modos de sua mãe, à sua maneira de ordenar e de prescrever, sem gritos nem tumulto. [...] Margarida terá sido uma dessas grandes educadoras natas, que impõem sua vontade à maneira de doce implacabilidade” [...].

“João Bosco é um entusiasta da Virgem. Mamãe Margarida lhe revelou, pelo seu exemplo, a bondade, a ternura, a solicitude de Mamãe Maria. As duas mães se confundem em seu coração. Dom Bosco será um dos grandes campeões de Maria, seu edificador, seu encarregado de negócios”1.

Mamãe Margarida a mãe de São João Bosco

Talentos naturais e discernimento dos espíritos

A Providência falava a ele, como a São José, em sonhos. Aos nove anos teve o primeiro sonho profético, no qual — sob a figura de um grupo de animais ferozes que, sob sua ação, vão se transformando em cordeiros e pastores — foi-lhe mostrada sua vocação de trabalhar com a juventude abandonada e fundar uma sociedade religiosa para dela cuidar.

Extremamente dotado, tanto intelectual quanto fisicamente, era um líder nato. Por isso, "se bem que pequeno de estatura, tinha força e coragem para meter medo em companheiros de minha idade; de tal forma que, quando havia brigas, disputas, discussões de qualquer gênero, era eu o árbitro dos contendores, e todos aceitavam de bom grado a sentença que eu desse”2,dirá ele em sua autobiografia. Observador como era, aprendia os truques dos saltimbancos e prestidigitadores, de maneira a atrair seus companheiros para seus jogos e pregação, pois desde os sete anos foi um apóstolo entre eles.

Possuía um vivo discernimento dos espíritos, como ele mesmo afirmou: "Ainda muito pequeno, já estudava o caráter de meus companheiros. Olhava-os na face e ordinariamente descobria os propósitos que tinham no coração”3. Essa preciosa qualidade depois o ajudaria muito no apostolado com a juventude.

Órfão de pai, muito pobre para estudar para o sacerdócio como pretendia, e tendo sobretudo a incompreensão do meio-irmão, que o queria no campo, aos 12 anos a mãe lhe pôs sobre os ombros um bornal com alguns pertences e o enviou a procurar trabalho nas fazendas vizinhas. Assim o adolescente perambulou pela região, servindo de garçom num café, de aprendiz de alfaiate, de sapateiro, de marceneiro, de ferreiro, preceptor, tudo com um empenho exímio, que o levará depois a ensinar esses ofícios a seus "birichini"4 nas escolas profissionais que fundará.

Basílica de Nossa Senhora Auxiliadora, em Turim.

Vivendo de confiança na ajuda sobrenatural

A vida de São João Bosco é um milagre constante. É humanamente inexplicável como ele conseguiu, sem dinheiro algum, construir escolas, duas igrejas — uma sendo a célebre Basílica de Nossa Senhora Auxiliadora — prover de máquinas específicas suas escolas profissionais, nutrir e vestir mais de 500 rapazes numa época de carestia.

Para Pio XI, "em D. Bosco o sobrenatural havia chegado a ser natural; o extraordinário, ordinário; e a legenda áurea dos séculos passados, realidade presente”8.

Quando mais ele precisava e menos possibilidade tinha de obter
dinheiro, aparecia algum doador anônimo para lhe dar a exata quantia necessitada. Mas ele empenhava-se também em promover rifas, leilões e tudo que pudesse render algum dinheiro para sua obra.



Imagem de Nossa Senhora Auxiliadora

Educador ímpar, e sobretudo eficaz diretor de consciências, vários de seus meninos morreram em odor de santidade, sendo o mais conhecido deles São Domingos Sávio. Dom Bosco escreveu-lhe a biografia e a de vários outros.

Necessitando Dom Bosco de ajuda para seu apostolado incipiente, não teve dúvidas em ir pedi-la à sua mãe, já entrada na velhice e vivendo retirada junto ao outro filho e netos. Essa mulher forte pegou alguma roupa e objetos de que poderia necessitar, e, sem olhar para trás, seguiu seu filho a pé, nos 30 quilômetros que separavam sua vila de Turim. Tornou-se ela a mãe de tantos "birichini", aos quais alimentava, vestia e ainda dava sábios conselhos. Foi seguindo seu costume que seu filho instituiu as belas Boa Noite, ou palavras edificantes aos meninos antes de eles irem dormir.

Escrevendo a reis e imperadores

São João Bosco mantinha uma correspondência intensa, escrevendo para imperadores, reis, nobreza, dirigentes da nação, com uma liberdade que só os santos podem ter. Assim, transmitiu ao Imperador da Áustria um recado memorável de Nosso Senhor para que ele se unisse às potências católicas, a fim de se opor ao poderio crescente da Prússia protestante. Escreveu também à nossa Princesa Isabel, recomendando-lhe seus salesianos no Brasil. Ao rei do Piemonte, prestes a tomar medidas contra a Igreja, alertou-o da morte que reinaria no palácio, caso isso ocorresse. Como o soberano não voltou atrás, quatro membros da família real se sucederam no túmulo, em breve espaço de tempo.

São João Bosco morreu em Turim a 31 de janeiro de 1888, sendo canonizado por Pio XI em 1934.


Artigo oferecido pela Revista Catolicismo

Oscarito - um dos mais importantes gênios da comédia brasileira





Oscarito
(Ator brasileiro)
16-8-1906, Málaga, Espanha
4-8-1970, Rio de Janeiro (RJ)

Filho de uma família de circenses, com uma tradição de mais de 400 anos de picadeiro, Oscar Lorenzo Jacinto de la Imaculada Concepción Teresa Dias, cujo diminutivo ficou sendo Oscarito, nascido na Espanha, veio para o Brasil com 1 ano, onde se naturalizou e tornou-se um dos maiores gênios da comédia brasileira.


Ao lado da família, estreou no circo aos 5 anos, como índio numa adaptação da peça O Guarani, de José de Alencar. Foi palhaço, acrobata, trapezista e ator de teatro de revista.


Destacou-se nos palcos satirizando Getúlio Vargas em Calma, Gegê (1932).


Sua primeira aparição nas telas foi em A Voz do Carnaval (1933). No início dos anos 40, estreou na Atlântida.


Fez uma parceria com Grande Otelo, que se estendeu por longos anos e resultou em 34 chanchadas. No final dos anos 40, passou a parodiar as superproduções feitas em Hollywood. No antológico


Este Mundo é um Pandeiro (1947), travestiu-se de Rita Hayworth numa sátira ao filme Gilda; em Nem Sansão Nem Dalila (1954), imitou Sansão e Dalila, de Cecil B. de Mille; em Matar ou Correr (1954), foi a vez do bangue-bangue Matar ou Morrer, de Fred Zinnemann.


Com 45 filmes, virou um fenômeno de bilheteria e o comediante mais popular da época. O filme Colégio dos Brotos (1956) foi visto por 250 mil espectadores na primeira semana de exibição. Outros filmes célebres: Carnaval no Fogo (1949), Aí Vem o Barão (1951) e Aviso aos Navegantes (1951).

Nhoque de batatas para o almoço do Domingo (sugestão)- Por Socorro Moreira

Nhoque à minha moda

Massa

1 kg de batatas (cosidas e amassadas);
Um ovo inteiro
Farinha de trigo para dar o ponto (até despregar das mãos, atentando para a leveza da massa).


-(Polvilhar farinha de trigo numa superfície lisa, e fazer os nhoques).
- Cozinhar na água fervente. À medida que forem emergindo, retirar com escumadeira.

Molho:
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Um Kg de tomates maduros;
Azeite de oliva
Alho e sal a gosto.
.
Método: puxar o alho (macerado) no azeite, adicionar os tomates picados ( com sementes). Deixar cozendo até se desmancharem. Passar no liquidificador, e servir com os nhoques.
- Acompanha queijo ralado.

Pra quem gosta, poderá ser adicionado à massa, na hora do preparo, purê de espinafre.

Rendimento : 4 a 6 porções.

Nhoque Fácil

Ingredientes

2 caldos de galinha
3 xícaras de leite
6 colheres de sopa de maionese
2 colheres de salsinha picada
sal a gosto
3 xícaras de farinha de trigo

Modo de Preparo

Dissolva os 2 caldos no leite e leve ao fogo com a maionese, a salsinha e o sal
Quando levantar fervura e a maionese derreter, retire do fogo e coloque a farinha de trigo de uma só vez
Misture bem rápido para não empelotar
Volte a massa no fogo baixo, mexendo por 1 ou 2 min
Desligue o fogo e deixe a massa amornar
Sobre a mesa enfarinhada, coloque a massa e faça rolinhos
Corte no formato de nhoque
Numa outra panela com água e sal, cozinhe os nhoques
A dica é que o nhoque seja retirado da água assim que ele subir, estará no ponto
Escorra e sirva com seu molho preferido"

Informações Adicionais

"Segundo uma superstição italiana, quem come nhoque no dia 29, tem sorte nos próximos 30 dias. Mais um bom motivo para saborear esse delicioso prato.A origem do costume é explicada com uma lenda que possui várias versões. A mais aceita conta que um frade andarilho chegou a uma pequena localidade italiana e bateu à porta de um casal de velhinhos, num dia 29. Pediu um prato de comida e recebeu o único alimento que havia: nhoque. Tempos depois, voltou ao local e contou aos velhinhos que, após comer aquele prato, sua vida mudara para melhor. "

Feliz Aniversário, Dihelson - Por Claude Bloc


Para você, Dihelson.

Que música é essa
Que me faz criança
Que lembra o ritmo
do meu coração?

Que música é essa?
Que seduz e fascina
E que ilumina
A tua canção?

Que música é essa
Que mexe comigo
Que dança e balança
E que eterniza
A minha emoção?

O mundo está salvo
Tem a tua música
Tem o teu enredo
Tem as tuas mãos.

Parabéns pelo teu aniversário !!

Esse é o Som - Por Dihelson Mendonça

"ESSE É O SOM"

É isso aí que eu quero para mim. Estava descoberto o Jazz! E de lá para cá vieram todos os outros que considero que foram meus professores. Se eu tenho algum mérito na vida, eu citaria que o maior deles, foi ter aprendido tudo o que eu sei e entendo da música que faço, sem auxílio de professor. Tive boas noções de mexer nas teclas com a professora Diana Pierre, mas meu maior professor foi a própria MÚSICA. Ela, a música me ensinou, através desses mestres. Aqui, na década de 80, neste sertão brabo, sem nenhum livro, sem numa concorrência desleal, em que os jovens do mundo inteiro iam para a Bercklee College e a Julliard School, eu tive de reinventar a roda, deixando de tocar "saudades de matão" e do-re-mi-fá-fá-fá, para tocar Charlie Parker, Oscar Peterson, Bill Evans, Miles Davis, Coltrane, etc...

Esses caras, dia após dia me ensinaram o que eu sei hoje, e neste sertão imenso, sem livros nem nem Bercklee , onde se estuda 12 horas por dia, eu pude aprender tudo sozinho, apenas escutando os discos. Tirando músicas dos discos, nota por nota e analisando, digerindo, aprendendo harmonia, improvisação, e se integrando com o mundo. Fico feliz por hoje em dia, meu "Jazz" ser elogiado por gente da própria Bercklee, quando recebi em 1988, um convite para entrar já como monitor da Bercklee, o que recusei, por não querer sair do Brasil na época.

Comecei como uma pessoa cega que quer ir para o norte e sem saber, vai para o sul. Sofri muito para aprender o que aprendi, pois foi tudo dsozinho, com muita garra e determinação. E voltando ao início da postagem, só tenho a agradecer aos meus verdadeiros mestres, que me ensinaram cada um, uma coisa, e que a lista é imensa, mas alguns nomes precisam ser mencionados:

Oscar Peterson
Charlie Parker
Dizzie Gillespie
Miles Davis
Chet Baker
Bill Evans
Chick Corea
Herbie Hancock
Keith Jarrett
Claire Fischer
John Coltrane
Frederic Chopin
Ludwig van Beethoven
Bach
FRANZ LISZT
Schumann
Claude Debussy
Maurice Ravel
Igor Stravinsky
Fauré
Alexander Scriabin
Tchaikovsky
Rachmaninov
...

E a lista vai longe...

Mas por uma coincidência do destino, aquele que disse ao meu coração o sentido da Música, o Oscar Peterson, nasceu exatamente, no dia 15 de agosto, o dia do meu aniversário.

Dihelson Mendonça

Alfabetização pela conscientização- Paulo Freire



Método Paulo Freire consiste numa proposta para a alfabetização de adultos desenvolvida pelo educador Paulo Freire, que criticava o sistema tradicional, o qual utilizava a cartilha como ferramenta central da didática para o ensino da leitura e da escrita. As cartilhas ensinavam pelo método da repetição de palavras soltas ou de frases criadas de forma forçosa, que comumente se denomina como linguagem de cartilha, por exemplo Eva viu a uva, o boi baba, a ave voa, dentre outros.

Etapas do método
Etapa de Investigação: busca conjunta entre professor e aluno das palavras e temas mais significativos da vida do aluno, dentro de seu universo vocabular e da comunidade onde ele vive.
Etapa de Tematização: momento da tomada de consciência do mundo, através da análise dos significados sociais dos temas e palavras.
Etapa de Problematização: etapa em que o professor desafia e inspira o aluno a superar a visão mágica e a crítica do mundo, para uma postura conscientizada.

O método
As palavras geradoras: o processo proposto por Paulo Freire inicia-se pelo levantamento do universo vocabular dos alunos. Através de conversas informais, o educador observa os vocábulos mais usados pelos alunos e a comunidade, e assim seleciona as palavras que servirão de base para as lições. A quantidade de palavras geradoras pode variar entre 18 a 23 palavras, aproximadamente. Depois de composto o universo das palavras geradoras, apresenta-se elas em cartazes com imagens. Então, nos círculos de cultura inicia-se uma discussão para significá-las na realidade daquela turma.
A silabação: uma vez identificadas, cada palavra geradora passa a ser estudada através da divisão silábica, semelhantemente ao método tradicional. Cada sílaba se desdobra em sua respectiva família silábica, com a mudança da vogal. (i.e., BA-BE-BI-BO-BU)
As palavras novas: o passo seguinte é a formação de palavras novas. Usando as famílias silábicas agora conhecidas, o grupo forma palavras novas.
A conscientização: um ponto fundamental do método é a discussão sobre os diversos temas surgidos a partir das palavras geradoras. Para Paulo Freire, alfabetizar não pode se restringir aos processos de codificação e decodificação. Dessa forma, o objetivo da alfabetização de adultos é promover a conscientização acerca dos problemas cotidianos, a compreensão do mundo e o conhecimento da realidade social.

As fases de aplicação do método
Freire propõe a aplicação de seu método nas cinco fases seguintes:
1ª fase: Levantamento do universo vocabular do grupo. Nessa fase ocorrem as interações de aproximação e conhecimento mútuo, bem como a anotação das palavras da linguagem dos membros do grupo, respeitando seu linguajar típico.
2ª fase: Escolha das palavras selecionadas, seguindo os critérios de riqueza fonética, dificuldades fonéticas - numa seqüência gradativa das mais simples para as mais complexas, do comprometimento pragmático da palavra na realidade social, cultural, política do grupo e/ou sua comunidade.
3ª fase: Criação de situações existenciais características do grupo. Trata-se de situações inseridas na realidade local, que devem ser discutidas com o intuito de abrir perspectivas para a análise crítica consciente de problemas locais, regionais e nacionais.
4ª fase: Criação das fichas-roteiro que funcionam como roteiro para os debates, as quais deverão servir como subsídios, sem no entanto seguir uma prescrição rígida.
5ª fase: Criação de fichas de palavras para a decomposição das famílias fonéticas correspondentes às palavras geradoras.

História
Freire aplicou publicamente seu método, pela primeira vez no Centro de Cultura Dona Olegarinha, um Círculo de Cultura do Movimento de Cultura Popular (Recife). Foi aplicado inicialmente com 5 alunos, dos quais três aprenderam a ler e escrever em 30 horas, outros 2 desistiram antes de concluir. Baseado na experiência de Angicos, onde em 45 dias alfabetizaram-se 300 trabalhadores, João Goulart, presidente na época, chamou Paulo Freire para organizar uma Campanha Nacional de Alfabetização. Essa campanha tinha como objetivo alfabetizar 2 milhões de pessoas, em 20.000 círculos de cultura, e já contava com a participação da comunidade - só no estado da Guanabara (Rio de Janeiro) se inscreveram 6.000 pessoas. Mas com o Golpe de 64 toda essa mobilização social foi reprimida, Paulo Freire foi considerado subversivo, foi preso e depois exilado. Assim, esse projeto foi abortado. Em seu lugar surgiu o MOBRAL, uma iniciativa para a alfabetização, porém, distinta dos ideais freirianos.

Notas e referências
Educação Como Prática da Liberdade. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1967 (19 ed., 1989)
Livro: O que é método Paulo Freire.
Autor: Carlos Rodrigues Brandão (editor). São Paulo, Brasiliense, 1981.

Wikipédia

Pietro Ubaldi - Filósofo Universalista Cristão





Síntese biográfica




Pietro de Alleori Ubaldi, filho de Lavínia e Sante Ubaldi, casou-se com Antonieta Solfanelli Ubaldi com quem teve três filhos: Franco (morto em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial), Vicenzina (falecida aos dois anos de idade, em 1919), e Agnese (falecida em S. Vicente (SP) – 1975). Viveu parte de sua vida na Itália e parte no Brasil. Conheceu vários países. Renunciou uma vultosa herança. Publicou 24 obras de conteúdo filosófico cristão, demonstrando a existência de uma Lei Natural, segundo os princípios de Sócrates e de Platão. Faleceu no Hospital São José, em São Vicente, quarto n.º 5, à 0:30 hora, em 29 de fevereiro de 1972.

Formação
Formado em Direito e Música, falava fluentemente inglês, francês, alemão, espanhol e português, além de conhecer também o latim e o grego. Dedicou boa parte da vida ao estudo da filosofia e da religião, o que o levou a escrever diversas obras sobre o tema, num viés espirita e universalista.

A obra consta de vinte e quatro livros, metade dos quais escritos na Itália e a outra metade no Brasil. O livro "A Grande Síntese" é tido como uma das principais obras, versando sobre uma proposta de compreensão unificada entre as formas de conhecimento humano.

As 24 obras
Grandes Mensagens Introdução e início da obra de Ubaldi, considerada por ele "de origem exclusivamente inspirativa". A edição brasileira apresenta uma biografia do autor.
A Grande Síntese Começa com a epígrafe "Síntese e Solução dos Problemas da Ciência e do Espírito". Traça o caminho que o ser percorreria por meio da evolução, desde o "plano da matéria" até o "do espírito", e mostra a "via de retorno a Deus", que seria o fenômeno fundamental do Universo e escopo supremo da Vida. O problema da consciência é sintetizado numa visão unitária e monista.
As Noúres Fala sobre "Técnica e Recepção das Correntes de Pensamento". Defende a existência de tais correntes e procura explicar como elas poderiam ser "captadas" pela intuição.
Ascese Mística Explica o fenômeno místico e descreve a experiência do autor nesse campo.
História de um homem O autor analisa as várias fases da vida, sobretudo em função de A Grande Síntese e Ascese Mística, que foram colocados pela Igreja, em 1939, no Index dos livros proibidos.
Fragmentos de Pensamento e de Paixão Aplicação dos princípios expostos nos volumes precedentes, dos problemas individuais e sociais. Os ideais franciscanos. A "verdadeira religião".
A nova civilização do terceiro milênio O autor mostra que a idéia central, o escopo da obra, é o de contribuir conceptualmente para a formação de uma "nova civilização" que estaria para surgir. Faz previsões sobre o novo Cristianismo e estuda o fenômeno místico vivido por São Francisco.
Problemas do futuro (O Problema Psicológico, Filosófico, Científico) Propõe e apresenta solução aos problemas mais díspares, fundamentais ao Conhecimento.
Ascensões humanas (O Problema Social, Biológico e Místico) O autor volta a observar a evolução da vida no aspecto espiritual.
Deus e Universo Síntese teológica. Começa a enfrentar em linhas gerais o problema das primeiras origens do Universo e o aspecto cósmico do ciclo involução-evolução do ser.
Profecias O autor faz profecias que se cumpriram integralmente. Explica Nostradamus, o Apocalipse e os profetas do Velho Testamento.
Comentários Apresenta opiniões e críticas à primeira obra, escrita até 1951. Inclusive a carta de Albert Einstein.
Problemas atuais (O Novo Mundo) Faz uma crítica à Maquiavel, tratando da Estabilidade Monetária, da Patogênese do Câncer e da Teoria da Reencarnação.
O Sistema (Gênese e Estrutura do Universo) É uma teologia científica que traça o caminho da existência do ser e as primeiras origens, mostrando a Obra de Deus na Criação.
A Grande batalha Descreve a luta que o indivíduo espiritualizado deve sustentar no ambiente terrestre, diante da necessidade prática contrastando com o Ideal.
Evolução e Evangelho Examina a posição do Evangelho diante da realidade da vida e a moral utilitária.
A Lei de Deus Com palavras simples, explica como funciona, no mundo, o pensamento diretivo de Deus.
A Técnica funcional da Lei de Deus Mostra o mecanismo da forças espirituais em ação; as trajetórias e ações; como se pode corrigir os destinos errados; qual é a técnica da redenção e salvação e como, racionalmente, se planifica a vida.
Queda e Salvação É uma continuação de O Sistema. Analisa o fenômeno da involução do espírito até a matéria (a descida), anterior e complementar ao fenômeno da evolução (subida), estudado em A Grande Síntese.
Princípios de uma nova ética Trata-se de uma nova moral racional, construída sobre bases científicas. Estuda a personalidade humana e o destino, sob uma nova psicanálise, psicodiagnose, psico-síntese, e a ética do sexo como fenômeno social.
A descida dos ideais Fala-se de Teilhard de Chardin, de Jean-Paul Sartre, da crise do Catolicismo, Cristianismo e Comunismo, trabalho e propriedade etc.
Um Destino Seguindo Cristo Neste volume o Autor narra as experiências espirituais nos 40 anos dedicados à Obra.
Pensamentos Mostra como orientar-se na vida, e, através de casos verídicos, como é possível observar o funcionamento da Lei de Deus.
Cristo Analisa a personalidade de Jesus Cristo, o Evangelho e os problemas sociais. Cristo é pensado nessa obra como "o centro do fenômeno evolução-redenção-salvação".






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Referências:
Instituto Pietro Ubaldi



Wikipédia

Huberto Rohden , no dia do Filósofo- 16 de Agosto




Huberto Rohden (São Ludgero, 31 de dezembro de 1893 — São Paulo, 7 de outubro de 1981) foi um filósofo, educador e teólogo catarinense, radicado em São Paulo.

Filho de Johannes Rohden e de Anna Locks.

Precursor do espiritualismo universalista, escreveu mais de 100 obras (ao final da vida, condensadas em 65 livros), onde franqueou leitura ecumênica de temáticas espirituais e abordagem espiritualista de questões pertinentes à Pedagogia, Ciência e Filosofia, enfatizando o autoconhecimento, auto-educação e a auto-realização. Propositor da filosofia univérsica, por meio da qual defendia a harmonia cósmica e a cosmocracia: autogoverno pelas leis éticas universais, conexão do ser humano com a consciência coletiva do universo e florescimento da essência divina do indivíduo, reconhecendo que deve assumir as conseqüências dos atos e buscar a reforma íntima, sem atribuir à autoridade eclesiástica o poder de eliminar os débitos morais do fiel.

Traço marcante no pensamento de Huberto Rohden na Filosofia brasileira do século XX é a acentuada preocupação com controvérsias do campo da Ética e da Pedagogia, próprias da sociedade moderna, e o estudo da metafísica fundamentado na análise comparada de religiões e filosofias espiritualistas do Ocidente e Oriente.
Atualmente publicados pela Editora Martin Claret (São Paulo), os livros foram também editados pelas editoras Vozes (Petrópolis), União Cultural (São Paulo), Globo (Porto Alegre), Freitas Bastos (Rio de Janeiro) e Fundação Alvorada (São Paulo), entre outras.
Padre jesuíta durante o início da carreira literária, graduou-se em Ciências, Filosofia e Teologia pelas Universidades de Innsbruck (Áustria), Valkenburg (Holanda) e Nápoles (Itália).
Fundador da Instituição Cultural e Beneficente Alvorada (1952), lecionou na Universidade de Princeton (Estados Unidos da América), American University, de Washington D.C. (EUA), e na Universidade Mackenzie (São Paulo, SP). Proferiu palestras nos Estados Unidos, Índia e Portugal.
Tradutor do Novo Testamento, da Bhagavad Gita e do Tao Te Ching, preocupou-se em editá-los a preços populares, de modo que facilitasse a democratização do conhecimento. Ao longo da vida revisou, atualizou e reescreveu o conjunto dos escritos.
Foi biografado por Zoraida Hostermann Guimarães em Um Pilar de Luz no Cosmo (2000), da Editora Lunardelli (Florianópolis, SC).

Síntese da História da Filosofia - Sérgio Biagi Gregório



1. INTRODUÇÃO


O objetivo deste trabalho é sintetizar a história da filosofia, salientando os aspectos relevantes em cada um de seus períodos: filosofia antiga, filosofia medieval, filosofia moderna e filosofia contemporânea.

2. CONSIDERAÇÕES INICIAIS


A filosofia difere da ciência, porque necessita da história. Nenhum filósofo começa do zero, mas acrescenta ao que o filósofo precedente já descobriu. Pode-se dizer que a história da filosofia é a soma das contribuições que cada filósofo deu ao quebra-cabeça que é a experiência humana. Vem um filósofo e dá uma solução, e todos aclamam como a melhor; tempo mais tarde, vem outro e dá outra solução para o mesmo problema, e assim sucede no tempo.


3. FILOSOFIA ANTIGA


3.1. PRÉ-SOCRÁTICOS


Essência: descobrir, com base na razão e não na mitologia, o princípio único (o arché, grego) existente em todos os seres físicos.


Representantes: Tales de Mileto (623-546 a.C.), Anaximandro de Mileto (610-547 a.C.), Anaxímenes de Mileto (588-524 a.C.), Pitágoras de Samos (570-490 a.C.), Heráclito de Éfeso (?), Parmênides de Eléia (510-470 a.C.), Zenão de Eléia (488-430 a.C.), Empédocles de Agrigento (490-430 a.C.) e Demócrito de Abdera (460-370 a.C.)


Anotações


Para Tales de Mileto, considerado o pai da filosofia, a substância primordial era a água; para Anaximandro de Mileto, o apeíron, termo grego que significa o indeterminado, o infinito; para Anaxímenes de Mileto, que tentou uma possível conciliação entre Tales e Anaximandro, o ar; para Pitágoras de Samos, o número, e assim por diante.


3.2. PERÍODO CLÁSSICO OU GREGO ROMANO


Essência: interesse no homem e nas suas relações em sociedade, com predominância das questões metafísicas e morais.


Representantes: Protágoras de Abdera (480-410 a.C.), Górgias de Leontini (487-380 a.C.), Sócrates de Atenas (469-399 a.C.) Platão de Atenas (427-347 a.C.), Aristóteles de Estagira (384-322 a.C.), Zenão de Cítio (336-263 a.C.) e Epicuro (342-271 a.C.).


Anotações


Passada a fase cosmogônica, os filósofos deste período começaram a se interessar pelo próprio ser humano e suas relações na sociedade. Essa nova fase denominou-se sofista.


Etimologicamente, o termo sofista significa sábio. Entretanto, com o decorrer do tempo, ganhou o sentido de impostor, devido, sobretudo, às críticas de Platão.


Os sofistas eram professores ambulantes que, por determinado preço, vendiam ensinamentos práticos de Filosofia. A função deles não era o estabelecimento de uma verdade única, mas o poder da argumentação. Por isso, ensinavam aos seus alunos os conhecimentos úteis para o sucesso dos negócios públicos e privados, utilizando o jogo de raciocínios e arte de convencer os seus oponentes, driblando as teses dos adversários.


1) PROTÁGORAS DE ABDERA


É considerado o mais importantes dos sofistas, ensinava que o homem é "a medida de todas as coisas".


2) SÓCRATES DE ATENAS


É considerado o marco divisório da história da Filosofia grega. Ele era também considerado um sofista, pois o seu estilo de vida muito se assemelhava ao dos sofistas profissionais. Saía de casa cedo e ia às praças públicas discutir com os jovens sobre toda a gama de conhecimentos. A diferença entre ele e os sofistas é que não o fazia pelo recebimento de dinheiro, mas pelo prazer de levar as pessoas a pensarem pela própria cabeça.


Para atingir tal finalidade, criou o seu próprio método que, depois, foi denominado de maiêutica e ironia. Na ironia, confundia o saber que as pessoas tinham sobre um determinado assunto; na maiêutica, levava-os a uma nova visão do problema, aprofundando-o sempre, sem, contudo, chegar a uma conclusão definitiva.


3) PLATÃO DE ATENAS


Discípulo de Sócrates, concebeu a teoria das idéias, em que procura explicar como se desenvolve o conhecimento. Segundo ele, o conhecimento se desenvolve pela passagem do mundo das sombras para o mundo verdadeiro, ou seja, o mundo das essências. Para atingir tal conhecimento, Platão propõe o método da dialética, que consiste na contraposição de uma opinião com a crítica que dela podemos fazer, no sentido de aprimorar o conhecimento.


4) ARISTÓTELES DE ESTAGIRA


Discípulo de Platão, é considerado o pai da lógica, ferramenta básica do raciocínio. Segundo ele, a finalidade primordial das ciências seria desvendar a constituição essencial dos seres, procurando defini-la em termos reais. Conforme Aristóteles, o movimento e a transitoriedade ou mudança das coisas se resume na passagem da potência ao ato. Exemplo: uma semente é potencialmente uma árvore, pois a plantando, podemos com o tempo vê-la crescer e frutificar.


4. FILOSOFIA MEDIEVAL


Essência: conciliar fé com razão.


Representantes: São Justino (165 d.C.), Tertuliano (nasc. 155 d.C.), Santo Agostinho (354-430), Santo Anselmo (1033-1109), Pedro Abelardo (1079-1142), Santo Tomás de Aquino (1221-1274), John Duns Scot (1270-1308) e Guilherme Ockham (1229-1350)


Anotações


Na Idade Média não existia uma Filosofia, mas correntes de opiniões, doutrinas e teorias, denominadas de Escolástica. Santo Tomás de Aquino e Santo Agostinho são seus principais representantes. Buscava-se conciliar fé com razão. O método utilizado é o da disputa: baseando-se no silogismo aristotélico, partiam de uma intuição primária e, através da controvérsia, caminhavam até às últimas conseqüências do tema proposto. A finalidade era o desenvolvimento do raciocínio lógico.


1) SANTO AGOSTINHO


Santo Agostinho (354-430), influenciado por Platão, é o pensador que mais se destaca nesse período.


Deixou formulado indicando o caminho para a sua solução - o problema das relações entre a Razão e Fé, que será o problema fundamental da escolástica medieval. Ao mesmo tempo demonstra claramente sua vocação filosófica na medida em que, ao lado da fé na revelação, deseja ardentemente penetrar e compreender com a razão o conteúdo da mesma. Entretanto, defronta-se com um primeiro obstáculo no caminho da verdade: a dúvida cética, largamente explorada pelos acadêmicos. Como a superação dessa dúvida é condição fundamental para o estabelecimento de bases sólidas para o conhecimento racional, Santo Agostinho, antecipando o cogito cartesiano, apelará para as evidências primeiras do sujeito que existe, vive, pensa e duvida.


Em relação ao platonismo, o posicionamento de Santo Agostinho não é meramente passivo, pois o reinterpreta para conciliá-lo com os dogmas do cristianismo, convencido de que a verdade entrevista por Platão é a mesma que se manifesta plenamente na revelação cristã. Assim, apresenta uma nova versão da teoria das idéias, modificando-a em sentido cristão, para explicar a criação do mundo.

Deus cria as coisas a partir de modelos imutáveis e eternos, que são as idéias divinas. Essas idéias ou razões não existem em um mundo à parte, como afirmava Platão, mas na própria mente ou sabedoria divina, conforme o testemunho da Bíblia. (Rezende, 1996, p. 77 e 78).


2) SANTO TOMÁS DE AQUINO


Santo Tomás de Aquino (1221-1274), influenciado por Aristóteles, é o pensador que mais se destaca na Escolástica.


Santo Tomás representa o apogeu da escolástica medieval na medida em que conseguiu estabelecer o perfeito equilíbrio nas relações entre a Fé e a Razão, a teologia e a filosofia, distinguindo-as mas não as separando necessariamente. Ambas, com efeito, podem tratar do mesmo objeto: Deus, por exemplo. Contudo, a filosofia utiliza as luzes da razão natural, ao passo que a teologia se vale das luzes da razão divina manifestada na revelação.


Há distinção, mas não oposição entre as verdades da razão e as da revelação, pois a razão humana é uma expressão imperfeita da razão divina, estando-lhe subordinada. Por isso o conteúdo das verdades reveladas pode estar acima da capacidade da razão natural, mas nunca pode ser contrário a ela. (Rezende, 1996, p. 81).


5. FILOSOFIA MODERNA


Essência: desenvolvimento da mentalidade racionalista, cujos princípios opunham-se à autoridade secular da Igreja.


Representantes: Giordano Bruno (1548-1600), Galileu Galilei (1564-1642), Francis Bacon (1561-1626), René Descartes (1596-1650), John Locke (1632-1704), Montesquieu (1689-1755), Voltaire (1694-1778), Diderot (1713-1784), d’Alembert (1717-1783), Rousseau (1712-1778) e Adam Smith (1723-1790), George Berkeley (1685-1753), David Hume (1711-1776), Immanuel Kant (1724-1804)


Anotações


A idade moderna é caracterizada pelo desenvolvimento do método científico. Até então, o conhecimento era dogmático. A partir do século XVI, transforma-se em conhecimento teórico-experimental, ou seja, toda a teoria deve passar pela experiência, no sentido de se aceitar ou rejeitar a hipótese levantada. Tomemos como exemplo o metal. Conhecimento dogmático: o calor dilata o metal; conhecimento teórico-experimental: colocando-se o metal no fogo, ele se dilatará; contudo, somente a experiência (observando o aumento de calor) é que poderemos dizer até que grau de temperatura ele se dilata ou se derrete.


1) CARTESIANISMO


René Descartes (1596-1650) surge num período em que, devido à invenção da imprensa, o volume de informações torna o mundo incerto e confuso. O termo cartesianismo vem dele e significa não só o método pelo qual buscava os conhecimentos, como também os seus seguidores. As soluções propostas pelos pensadores da Escolástica, por Francis Bacon e por Montaigne não resolviam o problema íntimo do indivíduo. Descartes rompe esse quadro, faz tábua rasa e propõe o seu método.


As regras do seu método são publicadas no livro intitulado Discurso do Método, em 1637, considerado pelos críticos como uma autobiografia espiritual do autor.


Suas quatro célebres regras são:


1) Só admitir como verdadeiro o que parece evidente, evitar a precipitação assim como a prevenção;

2) Dividir o problema em tantas partes quantas as possíveis (é o que se chama regra de análise);

3) Recompor a totalidade subindo como que por degraus (regra da síntese);

4) Rever o todo para se Ter a certeza de que não se esqueceu de nada e que, portanto, não há erro.


Essas regras auxiliam-nos a adquirir a certeza da verdade. Parte da dúvida metódica e dos princípios incondicionais da matemática. Suas teses influenciaram a maioria dos pensadores filosóficos posteriores.


2) ILUMINISMO


O iluminismo é também conhecido como a Filosofia das luzes – movimento filosófico do séc. XIX que se caracterizava pela confiança no progresso e na razão, pelo desafio à tradição e à autoridade e pelo incentivo à liberdade de pensamento.


Alguns pensadores iluministas:


Montesquieu (1689-1755) defendeu em sua obra, O Espírito das Leis, a separação dos poderes do Estado em Legislativo, Executivo e Judiciário, como forma de evitar abusos dos governantes e de proteger as liberdades individuais.


Voltaire (1694-1778) destacou-se pelas críticas que fazia ao clero católico, à intolerância religiosa e à prepotência dos poderosos. É famoso pela seguinte frase: "Posso não concordar com nenhuma das palavras que você diz, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las".


Diderot (1713-1784) e d’Alembert (1717-1783) foram os principais organizadores de uma enciclopédia de 33 volumes. Esta enciclopédia exerceu grande influência sobre o pensamento político burguês, pois defendia, em linhas gerais, o racionalismo, a independência do Estado em relação à Igreja e a confiança no progresso humano através das realizações científicas e tecnológicas.


Rousseau (1712-1778) em sua obra, O Contrato Social, defende a tese de que o soberano deveria conduzir o Estado segundo a vontade geral de seu povo, sempre tendo em vista o atendimento ao bem comum.


Adam Smith (1723-1790) é o principal representante do liberalismo econômico. Em seu Ensaio sobre a Riqueza das Nações criticou a política mercantilista, baseada na intervenção do Estado na vida econômica. Segundo ele, tudo deveria ser feito sem a intervenção do governo, guiado apenas pela "mão invisível", em que cada qual buscando o seu interesse próprio propiciaria a sobrevivência de todos.


3) IMMANUEL KANT


O horizonte histórico vivenciado por Kant é marcado pela independência americana e a Revolução Francesa. Sua filosofia está na confluência do racionalismo, do empirismo inglês (Hume) e da ciência físico-matemática de Newton. À Hegel, acrescentam-se o idealismo e criticismo kantiano.


A base da filosofia de Kant (1724-1804) está na teoria do conhecimento. Deseja saber, mas sem erro. Para tanto, elabora-a na relação entre os juízos sintéticos "a priori" e os juízos sintéticos "a posteriori". Aos primeiros, chama-os puros, que caberia à matemática desvendá-los; aos segundos, de fenômenos, influenciados pela percepção sensorial. Nesse sentido, o idealismo e o criticismo kantiano nada mais são do que seus próprios esforços para aproximar o fenômeno à "coisa em si".


6. FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA


Essencial: agrupamento da influência do materialismo, da filosofia de vida, da fenomenologia, do empirismo lógico e da filosofia da existência.


Representantes: Augusto Comte (1798-1857), Karl Marx (1818-1883), Soren Aabye Kierkegaard (1813-1855), William James (1842-1910), Edmund Husserl (1859-1938), Alfred Whitehead (1861-1947), Bertrand Russel (1872-1970), Martin Heidegger (1889-1976) e Jean-Paul Sartre (1905-1980).


Anotações


1) O POSITIVISMO DE COMTE


A Sociologia é a ciência da sociedade. Vem de societas (sociedade) e logos (estudo, ciência). É a ciência que estuda as estruturas sociais e as leis de seu desenvolvimento. Implica na análise do "fato social". O fato social são todas as formas de associações e as maneiras de agir, sentir e pensar, padronizadas e socialmente sancionadas.


Auguste Comte (1798-1857) criou, em 1839, o vocábulo "Sociologia". Seu objetivo era emprestar ao conhecimento da sociedade um caráter "positivo", desviando-o das concepções teológicas e metafísicas. Utiliza os métodos das ciências naturais e constrói comparativamente os fundamentos da Sociologia. Estabelece, assim, as leis invariáveis para a sociedade, da mesma forma que a física ou química. Mostra o que é a sociedade (ciência) e não o que deve ser (filosofia).


2) O MATERIALISMO DIALÉTICO E HISTÓRICO


Materialismo - Em filosofia, é a concepção de mundo onde a matéria é o motor do universo e a idéia sua conseqüência. Materialismo histórico - doutrina do marxismo, que afirma que o modo de produção da vida material condiciona o conjunto de todos os processos da vida social, política e espiritual.


O materialismo histórico pode ser resumido da seguinte forma: numa sociedade escravagista, os escravos rebelando-se contra os senhores, convertê-la-ia em sociedade feudalista; no Feudalismo, os vassalos insurgindo-se contra os senhores feudais, torná-la-ia uma sociedade capitalista; no Capitalismo, os proletariados lutando contra os empresários, tranformá-la-ia em sociedade comunista. O Comunismo seria uma sociedade igualitária onde não haveria a exploração do homem pelo homem.


O comunismo, para Marx, seria a sociedade perfeita, a síntese final do processo de evolução dialética dos povos. Mesmo imbuído de boas intenções cometeu vários equívocos: não previu a divisão da propriedade corrigindo acumulação das riquezas, as novas tecnologias que aumentam a produtividade da mão de obra e a força sindical que melhora os salários. Em termos práticos, o comunismo foi implantado na Rússia e China, países pré-capitalistas: fato histórico que nega a suplantação do capitalismo.

3) EXISTENCIALISMO


Existencialismo - Aplica-se esse nome às idéias filosóficas de Heidegger, Kierkegaard, Sartre e outros. Caracteriza-se pela negação do abstracionismo racional de Hegel. Para Kierkegaard, por exemplo, um sistema lógico de idéias não alcança a existência, o individual. Faz abstração deste, tem por objetivo as essências, os possíveis, e não o existente, o indivíduo, que não se explica, não se deduz, nem se demonstra.


A base do existencialismo está na discussão do possível. Para Sartre: "A existência precede a essência". É a tese da impossibilidade do possível. Ele retoma a fórmula de Lequier: "Fazer e, ao faze, fazer-se". É a expressão metafísica da crença na liberdade absoluta segundo a qual o ser vivo e pensante faz a si mesmo tanto quanto lho permitem certas determinações já tomadas. Além do exposto, Abbagnano acrescenta o grupo da necessidade do possível e o grupo da possibilidade do possível.


4) FENOMENOLOGIA


Fenomenologia é definida como "um estado puramente descritivo dos fatos vividos de pensamento e de conhecimento". Hegel, na sua obra Fenomenologia do Espírito (1807), expõe que o progresso da consciência se realiza de forma dialética até atingir o saber absoluto; Kant, por outro lado, separa os juízos "a priori" (essências) e os juízos "a posteriori". Somente em Husserl, a fenomenologia toma o sentido corrente e específico: "o fenômeno constitui, pois, a manifestação do que é, aparência real e não aparência ilusória".


A fenomenologia, portanto, para Husserl e seus seguidores, significa uma redução do "eu transcendental". Nela, supõe-se que os dados da consciência relativos aos fenômenos, não podem estar separados da essência. O grande desafio do ser humano é captar a essência que está embutida na existência. Neste mister, cabe-nos renunciar aos dogmas a aos preconceitos, tala qual fizeram Descartes, Hume e outros.


7. CONCLUSÃO


Este olhar sintético sobre a história da filosofia possibilitou-nos a tomada de consciência sobre a contribuição de cada um dos filósofos citados. Em cada época, a contribuição é individual e pode entrar em contradição com a dos outros que o precederam, mas a essência da filosofia continua sempre a mesma: na Antiguidade o conhecimento de si mesmo; na Idade Média, a conversão agostiniana; na Idade Moderna, o cogito cartesiano.


8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA


COTRIM, G. Fundamentos da Filosofia para uma Geração Consciente. Elementos da História do Pensamento Ocidental. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 1990.

FROST JR., S. E. Ensinamentos Básicos dos Grandes Filósofos. São Paulo: Cultrix, ____

REZENDE, A. (Org.). Curso de Filosofia: para Professores e Alunos dos Cursos de Segundo Grau e de Graduação. 6. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1996.


A Assunção de Maria ao Céu





A cristandade acreditou na Assunção da Virgem Maria logo desde os primeiros séculos da sua história e, assim, a tradição da festa oficial da Assunção remonta provavelmente já ao século VI.

Como Mons Michel Dubost (bispo de França) diz no seu livro "Marie" (ed. Mame, Paris 2002): "A festa da Assunção nasceu em Jerusalém, mas é difícil saber em que época. A origem da festa talvez venha da consagração de uma igreja a Maria pelo bispo Juvenal (422-458), em Kathisma (suposta etapa da Virgem entre Nazaré e Belém). É mais provável que tenha como origem a consagração de outra igreja em Gethsemani, ao lado de Jerusalém, no século VI. Seja como for, a festa foi alargada a todo o Império pelo imperador Maurício (582-602) sob o nome de Dormição da Virgem Maria. A festa foi sempre celebrada no dia 15 de Agosto. Como o ano litúrgico dos Orientais começa no 1º de Setembro, ele inicia-se verdadeiramente com a Natividade da Virgem e termina com a sua entrada na glória a 15 de Agosto. Mas será apenas nos meados do século XX que a Assunção da Virgem Maria virá a ser proclamada "dogma da Igreja", em 1950, pelo papa Pio XII :

"Por fim a Virgem imaculada, preservada por Deus de toda a mancha do pecado original, tendo concluído o curso da sua vida terrestre, foi elevada à glória do céu em corpo e alma, e exaltada pelo Senhor como Rainha do universo, para assim ser mais inteiramente conforme ao seu Filho, Senhor dos senhores, vencedor do pecado e da morte" (LG 59).
A Assunção da Virgem Santa é uma participação singular na Ressurreição de seu Filho e uma antecipação da ressurreição dos outros cristãos [...]"



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A equipe de Maria de Nazaré

Foto relâmpago -Família cratense sob as bênçãos do Redentor.


Projeto água pra que te quero ! - Nívia Uchôa


"Mamma Mia" - Sessão XV - Por Zélia Moreira


"...Por que hoje é Sábado! "


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Não foi por acaso que fiz a minha escolha de hoje. Sábado, final de semana, merece uma dica alto astral.
Antigamente fazia-se muitos musicais. O gênero ficou esquecido por muito tempo. Encher a telinha de muita ação, violência, passou a dar maior bilheteria. Uma pena...
Nos últimos tempos vi alguns musicais maravilhosos, entre eles destaco Mamma Mia, onde foi usado na fórmula: Alegria, humor, amor (romance), lindas paisagens, bons atores e muita música boa... É claro!
Essas características fazem de Mamma Mia um dos melhores que vi nos últimos tempos.
Duas razões especiais me encantaram vendo esse filme: a interpretação de Meryl Streep. Ela está sensacional! É incrível ver a versatilidade dessa atriz em papéis completamente diferentes nos últimos tempos (Dúvida, Mamma Mia, O Diabo Veste Prada, Terapia do Amor) e em toda sua trajetória cinematográfica (Pontes de Madison, Entre Dois Amores, etc.).
A segunda razão é mais relevante e é realmente o que conta: a música do grupo Sueco ABBA, grande sucesso nos anos 70, 80.
O filme é ambientado numa ilha grega e conta a história de Sophie (Amanda Seyfried), uma jovem sonhadora e romântica, que está prestes a se casar e por não conhecer seu pai biológico, envia convites para Sam (Pierce Brosnan/007), Harry (Colin Firth) e Bill (Stellan Skarsgard), para que os três compareçam a seu casamento.
É que sem sua mãe saber, Sophie leu seu diário e viu que um dos três homens pode ser de fato seu pai, e mesmo ela não sabendo qual deles é de fato, quer que eles presenciem esse momento de felicidade em sua vida ao seu lado, só que a reação da sua mãe, a destemida Donna (Meryl Streep) quanto a isso, não é das melhores.
O desenrolar da trama, só mesmo assistindo.
Garanto que é entretenimento da melhor qualidade, garantido pra quem gosta do gênero, claro!

*Ficha técnica:
Musical
Ano 2008
Estados Unidos /Reino Unido
Direção: Phyllida Lloyd
Roteiro: Catherine Johnson
Produção: Judy Craymer e gary Goetzman
Música:Stig Anderson, Björn Ulvaeus e Benny Andersson
Fotografia:Haris Zambarloukos
Desenho de Produção;Maria Djurkovic
Direção de arte:Dean Clegg, Rebecca Holmes e Nik Palmer
Figurino: Ann Roth
Edição:Lesley Walker

Elenco:
Amanda Seyfried: Sophie
Meryl Streep: Donna
Pierce Brosnan: Sam
Colin Firth; Harry
Stellan Skarsgard: Bill
Lulie Walters: Rosie
Christine Baranski: Tanya
...e muitos outros.

Confiram!




TRABALHO BEM REALIZADO - Por Emerson Monteiro

Considerações a propósito do álbum “A Busca da Perfeição”, de Dihelson Mendonça.

Dizer que a vida se mostra na arte representa contar da força do artista a movimentar lá fora a paixão que lhe corre nas veias e sai intensa pelas estradas dos lugares, no prumo dos outros seres, ânsia infinita de realizar o poder esplendoroso do mais perfeito de dentro de si nas praças. Expandir o senso da luz nos outros corações. Partilhar as maravilhas do instante em gestos circunstanciosos, magnânimos. Lembrar aos demais que há vertentes puras ainda inexploradas no mistério do existir da alma de cada gente.
Vem nestas expressões o gosto da fala no trabalho posto a lume pelo artista caririense Dihelson Mendonça, seteinstrumentista que, assim, lavra mais um tento da história regional de trabalhos esmerados, nos moldes da contemporânea tecnologia de som e imagem, edição correta da Expressão Gráfica, de Fortaleza, em alto padrão, reunindo nomes festejados das comunicações, letras e artes visuais deste tempo de agora.
Trata-se de bloco de poesias declamadas por vozes conhecidas, próprias, coloquiais, seguidas ao piano por Dihelson e outros músicos, num livro ilustrado com belas fotografias e letras intercaladas, poemas de cunho intimista, de autores inspirados na propulsão dos acordes.
Qual espetáculo que agrega, em amostra saborosa, o universo dos artistas numa proposta efetiva, na boa hora de suas caminhadas em demanda do endereço da eterna Perfeição, o Santo Graal do absoluto desejo, acercando-se do trato de amigos e peças, colhidos ao sabor das situações de procura, brotadas no enorme quebra-cabeça da existência pelos páramos da invenção de letras e acordes de natureza especial.
Nisso, Dihelson contou de perto com os préstimos bem sucedidos de Reginaldo Farias, no projeto gráfico, e Pachelly Jamacaru, na elaboração fotográfica. Na trilha sonora, os instrumentistas somam talentos e estabelecem as linhas infinitas da busca, caravana que se desloca ao ritmo dessa viagem através do território mágico da criação, de cores e tons, nave a fluir na brisa dos espaços do sonho. Espécie de novidade que alegra ao chegar em cada porto.
A qualidade do produto merece destaque, vista a clareza visual, musical e literária.
Nosso mundo interiorano do sertão guarda, por tudo isso, patrimônio inestimável de cultura digno de abordagem mais justa, considerada nos trabalhos do campo acadêmico, enfoque de nomes e ocasiões que aqui nascem, crescem, manifestam seus atributos, marcando o definitivo do manancial de vitalidade que alimenta o panorama do global patrimônio comum da espécie humana. Eis disso um novo exemplo neste livro musical poético.
O patrocínio da obra coube ao Centro Cultural Banco do Nordeste, dentro de sua política de valorizar a cultura e desvendar possibilidades.