Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Fim do mundo previsto pelos maias é um erro de interpretação

NE - O fim do mundo é só aqui na terra mesmo...

O prognóstico maia do fim do mundo foi um erro histórico de interpretação, segundo revela o conteúdo da exposição "A Sociedade e o Tempo Maia" inaugurada recentemente no Museu do Ouro de Bogotá.

O arqueólogo do Instituto Nacional de Antropologia e História do México (INAH) e um dos curadores da mostra, Orlando Casares, explicou à Agência Efe que a base da medição do tempo desta antiga cultura era a observação dos astros. Eles se baseavam, por exemplo, nos movimentos cíclicos do sol, da lua e de Vênus, e assim mediam suas eras, que tinham um princípio e um final.

"Para os maias não existia a concepção do fim do mundo, por sua visão cíclica", explicou Casares, que esclareceu: "A era conta com 5.125 dias, quando esta acaba, começa outra nova, o que não significa que irão acontecer catástrofes; só os fatos cotidianos, que podem ser bons ou maus, voltam a se repetir".

Para não deixar dúvidas, a exposição do Museu do Ouro explica o elaborado sistema de medição temporal desta civilização. "Um ano dos maias se dividia em duas partes: um calendário chamado 'Haab' que falava das atividades cotidianas, agricultura, práticas cerimoniais e domésticas, de 365 dias; e outro menor, o 'Tzolkin', de 260 dias, que regia a vida ritualística", acrescentou Casares.

A mistura de ambos os calendários permitia que os cidadãos se organizassem. Desta forma, por exemplo, o agricultor podia semear, mas sabia que tinha que preparar outras festividades de suas deidades, ou seja, "não podiam separar o religioso do cotidiano". Ambos os calendários formavam a Roda Calendárica, cujo ciclo era de 52 anos, ou seja, o tempo que os dois demoravam a coincidir no mesmo dia. Para calcular períodos maiores utilizavam a Conta Longa, dividida em várias unidades de tempo, das quais a mais importante é o "baktun" (período de 144 mil dias); na maioria das cidades 13 "baktunes" constituíam uma era e, segundo seus cálculos, em 22 de dezembro de 2012 termina a presente.

Com esta explicação querem demonstrar que o rebuliço espalhado pelo mundo sobre a previsão dos maias não está baseado em descobertas arqueológicas, mas em erros, "propositais ou não", de interpretação dos objetos achados desta civilização. De fato, uma das peças-chave da mostra é o hieróglifo 6 de Tortuguero, que faz referência ao fim da quinta era, a atual, neste dezembro, a qual se refere à vinda de Bolon Yocte (deidade maia), mas a imagem está deteriorada e não se sabe com que intenção. A mostra exibida em Bogotá apresenta 96 peças vindas do Museu Regional Palácio Cantão de Mérida (México), onde se pode ver, além de calendários, vestimentas cerimoniais, animais do zodíaco e explicações sobre a escritura. Para a diretora do Museu do Ouro de Bogotá, Maria Alicia Uribe, a exibição desta mostra sobre a civilização maia serve para comparar e aprender sobre a vida pré-colombiana no continente.

"Interessa-nos de alguma maneira comparar nosso passado com o de outras regiões do mundo", ressaltou Maria sobre esta importante coleção de arte e documentário. A exposição estará aberta ao público até o dia 12 de fevereiro de 2012, para depois deve ser transferida para a cidade de Medellín.

Via Yahoo Notícias
*** Engenho Velho ***
(Claude Bloc) 

Eis o tempo
Resultado parco de utopias,
Eis a procura
De ontem, de hoje, enfim...
Uma lembrança que se afoga
E se agarra na figura da fênix
que o/a poeta construiu.
A vida aqui se retém na imagem
Na ruína de uma saudade
Aguardando sua vez
De consumir-se na memória.
 
Claude Bloc

"Quem considerou pessoa idosa, em estado de SENILIDADE, como LOUCA E DEMENTE! Foi a VEREADORA MARA" - George Macário

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"Foi a VEREADORA MARA, que disse que A SENILIDADE É A MESMA COISA DE LOUCURA E DE DEMÊNCIA! Foi a Vereadora Mara! Não eu! Está tudo gravado!"

George Macário

NE - O Vereador George Macário veio a público na manhã desta segunda-feira, na câmara municipal, esclarecer a verdade sobre os boatos propagados por adversários políticos, que tem sido usados para atacar pessoas honradas da cidade do Crato, dentre as quais D. Almina Arraes, Humberto Macário de Brito e o Prefeito Samuel Araripe.

Parte do discurso de 7 laudas lido hoje na Câmara Municipal do Crato:

"...Senhores Vereadores,
Público, Imprensa...

A situação só vem se complicando, Senhor Presidente, e no último dia 18 de outubro, para mim, foi um divisor de condutas de como devo agir nesta casa, cheia de “armadilhas” e “areias movediças”. O que se fala neste plenário é, em muitas e corriqueiras vezes, DOLOSA, INTENCIONAL, PREMEDITADAMENTE, interpretado de forma a se transformar em POLITICAGEM BARATA!

Naquele dia, esta casa presenciou nova e desnecessária discussão, movida por uma questão onde envolve, novamente, a Família e logo a minha. A Vereadora Petista, após um “sopro do anjo do mal” ( funcionário da câmara Tutu, adversário contumaz de Samuel Araripe ) em seu ouvido, provocou gratuitamente novo tumulto, na tentativa deliberada de gerar, DE IMEDIATO, uma querela familiar, entre minha pessoa e familiares meus. A SEGUNDA parte de sua calculada atitude, que, diga-se de passagem, RASTEIRA e COVARDE, seria a de criar todas as condições para uma campanha difamatória contra minha pessoa.

Confesso, Senhor Presidente, que não sei qual seria a outra intenção da Vereadora: Perguto-lhe agora ( apontando o dedo ): Qual foi a falta que cometi? Onde feri o Regimento Interno? Vai abrir um procedimento regimental contra minha pessoa? Ou já está satisfeita com o que conseguiu?

Quanto à minha família, que tenho o maior orgulho e admiração, afirmo que jamais tive a intenção de ofendê-la, muito menos à pessoa querida de Almina, aos 87 anos. O que ganharia com isto? Falar do meu próprio povo? Absolutamente nada! O tempo é o senhor da razão!

Peço desculpas SIM! Se os deixei ofendidos! Agora, tenho o direito de oferecer a minha versão dos fatos, e o faço lamentando a PEQUENEZ de quem provocou esta situação! Isto é atitude de quem mostra a sua verdadeira personalidade. Quem considerou pessoa idosa, em estado de SENILIDADE, como LOUCA E DEMENTE! Foi a VEREADORA MARA, que disse que A SENILIDADE É A MESMA COISA DE LOUCURA E DE DEMÊNCIA! Foi a Vereadora Mara! Não eu! Está tudo gravado! Se já não foi editado!

Lamento profundamente, por aqueles que deram crédito ao único propósito desta celeuma, transformar tudo em POLITICAGEM, para atingir a minha pessoa, como aliado político do Prefeito Samuel Araripe, a quem sou fiel, como Líder do seu Governo na Câmara.

São nestas horas que nós identificamos quem são os Amigos e os Lobos, inclusive, os disfarçados em pele de cordeiro:

Meus amigos, são os que conhecem meus pais, são os que me conhecem desde o berço, na infância, de quando andávamos de calças curtas a brincar pelas ruas do Crato, são os dos tempos da nossa adolescência, da nossa juventude, do meu histórico como homem, profissional e pai de família, do meu convívio familiar, da criação dos meus filhos e, principalmente, são os que sabem do meu amor e do meu compromisso com Crato. São estes que confiam na minha conduta e no meu caráter!

Os lobos, são os que não me conhecem, nem de perto e muito menos de longe. Tentam fazer uma campanha para apagar tudo que sou e tudo que construí, em meus 46 anos vida cratense, com a simplicidade de um apertar na tecla “DELETE” do computador. Não é bem assim! Aviso aos lobos, que não irão conseguir! Confio nos muitos que sabem quem realmente sou! E como confio! Agora, mais do que nunca, estou motivado para trabalhar e combater esta “MATILHA DE PESSIMISTAS”.

Tenho plena convicção de que a Família Arraes sabe do que estou falando. Ela sabe a diferença entre POLÍTICA e POLÍTICAGEM. Sabe quem é amigo e quem é lobo! Inclusive, os lobos em peles de cordeiro, que andam em busca de carniça! Todo cuidado é pouco! Este momento passa, os lobos se afastam e a Família permanece!

Mesmo apesar de tudo, continuarei tendo grande orgulho e o reconhecimento histórico desse nome. Defendo-o e o promovo, pois sou parte dele, tanto é verdade que foi o Vereador George Macário que sugeriu ao Senhor Prefeito Municipal a entrega da maior comenda do Crato, a Medalha Bárbara de Alencar, à Deputada Ana Arraes, fato que Samuel Araripe pode confirmar, mas, isto não importa mais!

Por fim Senhor Presidente...
Senhores Vereadores,

Finalizo minha fala de hoje, aproveitando o fecho do meu discurso no dia em que aqui chegue e renovo tudo o que disse:

“Conclamo aos que são verdadeiramente cratenses, de corpo, alma, coração e ação, a trabalharem para que a nossa Terra continue sempre crescendo, pelas mãos da competência, do compromisso coletivo e da decência, só assim teremos um futuro promissor.”

Quanto ao deboche inoportuno e infeliz, que fez a Vereadora Mara, tripudiando em cima do que disse meu velho Pai, no dia de minha posse, sobretudo quando soube da gozação da Vereadora do PT, chamando-me de “filho adotivo do prefeito”, ele apesar da senilidade, apenas comentou o seguinte: A MARA CONTINUA A MESMA MARA!

Senhor Presidente!
Tome as providências urgentemente!
Veja quem sempre concorre para o surgimento de tumultos!
Aja! Antes que esta Casa pegue fogo, como muita gente quer, pois está brincando com coisa séria!
Vossa Excelência é quem está no comando!

Muito obrigado!

George Macário de Brito
Vereador PV

domingo, 30 de outubro de 2011

Mais uma vez tentam espalhar MENTIRAS e DESINFORMAÇÃO na cidade do Crato !



O objetivo é um só: Tentar atingir o Prefeito Samuel Araripe.

Um bate-boca ocorrido na câmara de vereadores na última semana, está servindo de lenha para que os velhos cães raivosos possam espalhar a mentira, a desagregação e as desavenças na cidade do Crato, de forma irresponsável. Só que dessa vez tudo foi gravado e filmado. Este é mais um enredo barato em que o ódio desmedido de alguns, tenta atingir a Administração Samuel Araripe por tabela, que diga-se de passagem, não tem nada a ver com o peixe. Na verdade, o prefeito Samuel é o alvo mais um avez de nada mais, nada menos do que a velha politicagem baixa, existente na cidade do Crato e alhures.

Tudo começou na câmara de vereadores, quando a vereadora Mara Guedes, em uma discussão banal, com o vereador George Macário, tentou fazer ilações no seu discurso, puxando o foco do tema em questão, para a Sra. Almina Arraes, uma respeitável senhora da cidade, na tentativa de ressussitar um assunto que já havia sido esgotado, quando criou-se na câmara uma polêmica ( ou um debate ) sobre os temas: Loucura e Senilidade. Bastou isso para os mal-intencionados de plantão se apressassem em propagar no Crato e na Internet que o George havia dito que a sua parenta, a Sra. Almina estaria louca. Mas que Absurdo !!!

Ora, que interesse o vereador George Macário teria em falar mal da sua própria parenta, já que ele mesmo é o autor de uma das maiores homenagens feitas à Ana Arraes ocorrida recentemente ? a tão sonhada medalha Bárbara de Alencar, somente concedida aos grandes da nossa geração ???

Loucura é uma coisa, Senilidade é outra. O problema todo é que a vereadora Mara Guedes ainda está marcada por uma briga recente sobre este tema com o vereador Dárcio Luiz. Mas a vereadora Mara não deve ser responsabilizada ( em tese ) pela criação deste circo. Ela apenas foi o pivot. O maior mal é de quem deturpa o que foi dito lá, cometendo a injustiça.

Muitas pessoas não estão sabendo da missa o terço e ficam falando besteira e propagando inverdades de "Ouvi Dizer", só que dessa vez, tudo foi gravado, filmado e o George virá a público ainda hoje ( Domingo ) a fim de restabelecer a verdade, e irá discutir o tema na Segunda-Feira na câmara municipal, e segundo ele, mostrar o mal que a Vereadora Mara Guedes e os capatazes de plantão tem feito à sua família nos últimos dias na cidade do Crato, pois a sua própria mãe está sendo maltratada com ligações telefônicas em altas horas da noite, quando "criaram um CIRCO para tentar manchar a honra da família Macário de Brito e os Arraes no Crato por razões politiqueiras" ( palavras do George ).

Agora, é uma SACANAGEM EM ALTO GRAU o que alguns estão fazendo, propagando a DESINFORMAÇÃO e a MENTIRA para tentar atingir por tabela a administração de Samuel Araripe, que não tem nada a ver com o bate-boca que rola no dia-a-dia da câmara do Crato, as desavenças e picuinhas entre os vereadores.

Ainda bem que estou sempre por lá na câmara, temos todas as gravações das sessões, e o que eu falo não é coisa de ouvi dizer, nem mentiras dos raivosos de plantão. Por outro lado, reafirmo que esse é apenas mais um circo arquitetado para tentar atingir o prefeito Samuel Araripe em coisas que "Só no Crato Mesmo"... propagado por daqueles que só passam o tempo em criar mentiras e espalhar inverdades sobre fatos que não presenciaram, não ouviram gravações e não viram como a coisa toda aconteceu.

O vereador George Macário garantiu a mim que vai entrar na Justiça com um processo contra a vereadora Mara Guedes já nesta Segunda-Feira, por esta haver provocado todo esse mal-estar no seio da sua família, causando ainda problemas a uma senhora idosa e reconhecida, e as repercussões que o caso está tendo na cidade do Crato. E se eu fosse o prefeito Samuel Araripe, entraria com um também contra aqueles que o querem envolver nesse engodo.

Só podemos compreender essa postura mentirosa, como o velho desespero e o ódio mortal que leva alguns plantonistas a ficarem cegos, envoltos em suas próprias fábulas que inventam, a fim de iludir-se e tentar iludir a população. Mas felizmente a verdade aparece, e desta vez, com filmagens vivas e coloridas que serão divulgadas em breve. Chega de Mentiras e de tentativas de manipular a opinião pública.

Mentira é uma tremenda falta de Respeito. Aquele que mente, o que inventa, o que propaga a mentira, o Mentiroso, é antes de tudo, um Mau Caráter.

Dihelson Mendonça

"Crônica da morte anunciada" - José Nilton Mariano Saraiva

Quando uma figura da grandeza, estirpe e respeitabilidade de um José do Vale Pinheiro Feitosa resolve expor-se publicamente (citando nominalmente pessoas), a fim de mostrar toda a sua indignação e revolta contra (queiramos ou não) uma autoridade constituída (“A política de Samuel Araripe mais uma vez investe contra Almina Arraes”) é porque a coisa é séria e ultrapassou os limites da tolerância e razoabilidade.
No entanto, o triste e deplorável episodio envolvendo uma das mais respeitáveis e queridas figuras da cidade do Crato – D. Almina Arraes – mais uma vez vilipendiada por pessoas ligadas ao atual prefeito do Crato (dessa vez em pleno recinto da Câmara Municipal), parece ser a tal da “crônica da morte anunciada”.
Ou vocês não lembram que meses atrás, quando D. Almina Arraes foi impiedosa e humilhantemente enxovalhada em plena recinto da SAAEC (por parte do seu alienígena presidente, um tal de “doutor” Procópio Benevides, segundo consta afilhado do Tasso Jereissati), os áulicos do prefeito da cidade trataram foi de desqualificá-la, numa tentativa canhestra e inglória de tentar abafar aquela grave ocorrência, enquanto que o “preposto” do chefe da municipalidade (que custa uma verdadeira montanha de dinheiro aos cofres públicos) sequer foi advertido ???
Fato é que eles não têm como esconder que nesses sete anos da (des)administração Samuel Araripe o Crato se desminlinguiu, foi ao fundo do poço (se é que esse poço tem fundo), e hoje é uma cidade entregue à própria sorte (ou às baratas e ratos), porquanto esvaziada e sem quaisquer perspectivas, por conta da falta de vocação administrativa, de habilidade pessoal e de prestígio político do atual gestor municipal (quantos órgãos e/ou instituições – públicos ou privados - foram fechados ou tiveram suas atividades encerradas ou simplesmente transferidas pra Juazeiro do Norte, nesse curto – que parece uma eternidade - período ???).
É o que dá colocar em tão importantes cargos pessoas sem a menor vocação para o exercício da função pública, unicamente com o fito de manter uma “tradição familiar” (os pais do prefeito e do vereador-suplente dirigiram a cidade, décadas atrás).
Registramos, pois, de público, nossa solidariedade ao Joaquim Pinheiro, a D. Almina Arraes (que não conhecemos pessoalmente) e demais membros da família ultrajada.
E aos cidadãos da cidade, um apelo: ACORDEM, POR AMOR AO CRATO !!!

República destroçada – por Marcos Antônio Villa (*)

(Publicado no Estado de S.Paulo, 30-10-2011)
Em 1899 um velho militante, desiludido com os rumos do regime, escreveu que a República não tinha sido proclamada naquele mesmo ano, mas somente anunciada. Dez anos depois continuava aguardando a materialização do seu sonho. Era um otimista. Mais de cem anos depois, o que temos é uma República em frangalhos, destroçada.

Constituições, códigos, leis, decretos, um emaranhado legal caótico. Mas nada consegue regular o bom funcionamento da democracia brasileira. Ética, moralidade, competência, eficiência, compromisso público simplesmente desapareceram. Temos um amontoado de políticos vorazes, saqueadores do erário. A impunidade acabou transformando alguns deles em referências morais, por mais estranho que pareça. Um conhecido político, símbolo da corrupção, do roubo de dinheiro público, do desvio de milhões e milhões de reais, chegou a comemorar recentemente, com muita pompa, o seu aniversário cercado pelas mais altas autoridades da República.

Vivemos uma época do vale-tudo. Desapareceram os homens públicos. Foram substituídos pelos políticos profissionais. Todos querem enriquecer a qualquer preço. E rapidamente. Não importam os meios. Garantidos pela impunidade, sabem que se forem apanhados têm sempre uma banca de advogados, regiamente pagos, para livrá-los de alguma condenação.

São anos marcados pela hipocrisia. Não há mais ideologia. Longe disso. A disputa política é pelo poder, que tudo pode e no qual nada é proibido. Pois os poderosos exercem o controle do Estado - controle no sentido mais amplo e autocrático possível. Feio não é violar a lei, mas perder uma eleição, estar distante do governo.

O Brasil de hoje é uma sociedade invertebrada. Amorfa, passiva, sem capacidade de reação, por mínima que seja. Não há mais distinção. O panorama político foi ficando cinzento, dificultando identificar as diferenças. Partidos, ações administrativas, programas partidários são meras fantasias, sem significados e facilmente substituíveis. O prazo de validade de uma aliança política, de um projeto de governo, é sempre muito curto. O aliado de hoje é facilmente transformado no adversário de amanhã, tudo porque o que os unia era meramente o espólio do poder.

Neste universo sombrio, somente os áulicos - e são tantos - é que podem estar satisfeitos. São os modernos bobos da corte. Devem sempre alegrar e divertir os poderosos, ser servis, educados e gentis. E não é de bom tom dizer que o rei está nu. Sobrevivem sempre elogiando e encontrando qualidades onde só há o vazio.

Mas a realidade acaba se impondo. Nenhum dos três Poderes consegue funcionar com um mínimo de eficiência. E republicanismo. Todos estão marcados pelo filhotismo, pela corrupção e incompetência. E nas três esferas: municipal, estadual e federal. O País conseguiu desmoralizar até novidades como as formas alternativas de trabalho social, as organizações não governamentais (ONGs). E mais: os Tribunais de Contas, que deveriam vigiar a aplicação do dinheiro público, são instrumentos de corrupção. E não faltam exemplos nos Estados, até mesmo nos mais importantes. A lista dos desmazelos é enorme e faltariam linhas e mais linhas para descrevê-los.

A política nacional tem a seriedade das chanchadas da Atlântida. Com a diferença de que ninguém tem o talento de um Oscarito ou de um Grande Otelo. Os nossos políticos, em sua maioria, são canastrões, representam mal, muito mal, o papel de estadistas. Seriam, no máximo, meros figurantes em Nem Sansão nem Dalila. Grande parte deles não tem ideias próprias. Porém se acham em alta conta.

Um deles anunciou, com muita antecedência, que faria um importante pronunciamento no Senado. Seria o seu primeiro discurso. Pelo apresentado, é bom que seja o último. Deu a entender que era uma espécie de Winston Churchill das montanhas. Não era, nunca foi. Estava mais para ator de comédia pastelão. Agora prometeu ficar em silêncio. Fez bem, é mais prudente. Como diziam os antigos, quem não tem nada a dizer deve ficar calado.

Resta rir. Quem acompanha pela televisão as sessões do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal (STF) e as entrevistas dos membros do Poder Executivo sabe o que estou dizendo. O quadro é desolador. Alguns mal sabem falar. É difícil - muito difícil mesmo, sem exagero - entender do que estão tratando. Em certos momentos parecem fazer parte de alguma sociedade secreta, pois nós - pobres cidadãos - temos dificuldade de compreender algumas decisões. Mas não se esquecem do ritualismo. Se não há seriedade no trato dos assuntos públicos, eles tentam manter as aparências, mesmo que nada republicanas. O STF tem funcionários somente para colocar as capas nos ministros (são chamados de "capinhas") e outros para puxar a cadeira, nas sessões públicas, quando alguma excelência tem de se sentar para trabalhar.

Vivemos numa República bufa. A constatação não é feita com satisfação, muito pelo contrário. Basta ler o Estadão todo santo dia. As notícias são desesperadoras. A falta de compostura virou grife. Com o perdão da expressão, mas parece que quanto mais canalha, melhor. Os corruptos já não ficam envergonhados. Buscam até justificativa histórica para privilégios. O leitor deve se lembrar do símbolo maior da oligarquia nacional - e que exerce o domínio absoluto do seu Estado, uma verdadeira capitania familiar - proclamando aos quatro ventos seu "direito" de se deslocar em veículos aéreos mesmo em atividade privada.

Certa vez, Gregório de Matos Guerra iniciou um poema com o conhecido "Triste Bahia". Bem, como ninguém lê mais o Boca do Inferno, posso escrever (como se fosse meu): triste Brasil. Pouco depois, o grande poeta baiano continuou: "Pobre te vejo a ti". É a melhor síntese do nosso país.
(*) Marcos Antônio Villa é historiador e professor da Universidade Federal de São Carlos

Cristo Rei é símbolo do Crato - Por: Elizângela Santos


A Preça Francisco Sá, conhecida como Cristo Rei, passa a ter como símbolo oficial da cidade a imagem do Cristo, que reina de braços abertos para receber quem chega ao Município ELIZÂNGELA SANTOS - O prefeito do Crato, Samuel Araripe, assinou o decreto instituindo monumento oficialmente como ícone do Município.

Crato. Por décadas, o monumento do Cristo Redentor, neste Município, serviu de principal referência para quem chegava à cidade das viagens de trem pelo Ceará. Agora, passa a ser símbolo oficializado por decreto na cidade. A Praça Francisco Sá, de frente para uma das mais antigas estações ferroviárias do Estado, ficou conhecida pelo nome da imagem, que reina de braços abertos para receber quem chega ao Município.

Na base do monumento da Praça Cristo Rei, a frase "Sede benvindo, nesta terra há lugar para todas as pessoas de boa vontade", passou a ser o mote de recepção para os cratenses. A escultura de 30 metros, desde a base de 6 metros, foi feita em 25 de dezembro de 1938, pelo italiano Agostinho Balmes Odísio, que morou no Estado do Ceará durante seis anos.

O prefeito do Crato, Samuel Araripe, assinou o decreto instituindo oficialmente como ícone do Município a imagem do Cristo Redentor, durante a semana de comemorações dos 158 anos de elevação do Crato à categoria de cidade, com data de 17 de outubro. O evento também contou com o reconhecimento, também por meio de decreto, da primeira mulher a assumir, interinamente, o executivo municipal, professora Ana Pinheiro Esmeraldo (Anete Esmeraldo). A sua foto ficará na galeria dos ex-prefeitos do Município.

Para Samuel Araripe, o Cristo Rei já era um ícone de direito e foi apenas oficializado como ícone da cidade. Segundo ele, o símbolo serve como importante referência para a cidade, do ponto de vista turístico, assim como locais que passam a ter como referenciais imagens importantes, como o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, e a estátua do Padre Cícero, na cidade de Juazeiro do Norte.

A imagem do Cristo Rei foi erigida durante a administração do prefeito Alexandre Arraes. Segundo o memorialista, Huberto Cabral, o arquiteto e escultor responsável pela estátua realizou o trabalho de confecção da imagem na área da praça. O monumento foi construído em cimento armado e ferro. Ele lembra da oficialização dos símbolos como o hino, a bandeira e brasão da cidade, em 1955, pelo então prefeito Ossian Araripe, criados no centenário da cidade.

Agostinho Balmes Odísio, no curto espaço de tempo em que esteve na região, conseguiu desenvolver um significativo número de obras de arte implantadas no Cariri, sendo a mais conhecida a Coluna da Hora, onde está a estátua do Cristo Redentor. O relógio do local, que há décadas está sem funcionamento, também voltará a funcionar. Foi retirada a engrenagem para conserto, e deve ser totalmente revitalizada. De acordo com o historiador Armando Lopes Rafael, em 1912, Agostinho Balmes esculpiu um busto do rei da Itália, Vito Emanuel II, conquistando o 1º lugar numa disputa por uma bolsa de estudo em Paris. Na capital francesa, foi discípulo de August Rodin, considerado, ainda hoje, o maior escultor contemporâneo. Em 1913, com 32 anos de idade, Agostinho Odísio resolveu emigrar para a Argentina, onde residia um irmão seu. Entretanto, por motivos ignorados, desembarcou no Porto de Santos, em São Paulo, e permaneceu no Brasil até sua morte.

Produção

Durante 20 anos, produziu dezenas de obras de arte nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Em 1934, devido a problemas de saúde, foi aconselhado a residir no Nordeste, por causa do clima quente da região. Agostinho Balmes foi também responsável pelo projeto do Palácio Episcopal de Crato, Coluna da Hora, na Praça Padre Cícero, e reforma da atual Basílica Menor de Nossa Senhora das Dores, em Juazeiro.

FIQUE POR DENTRO
Cartão postal

A praça Francisco Sá, no Município do Crato, ficou popularmente conhecida como Cristo Rei, por causa do monumento erigido no meio do local. O monumento, desde a base, tem 30 metros. A Coluna da Hora tem acima a imagem do Cristo, onde está escrito: "Sede benvindo, nesta terra há lugar para todas as pessoas de boa vontade". A obra foi feita pelo escultor Agostinho Balmes Odísio, italiano que esteve no Ceará de 1934 a 1940. Durante esse período foi responsável por alguns trabalhos em praças e igrejas da região, deixando a sua marca na história das cidades. O monumento da Praça Cristo Rei é um dos mais conhecidos, também cartão postal da cidade do Crato, no Cariri.

MAIS INFORMAÇÕES
Prefeitura do Crato
Largo Júlio Saraiva, S/N
Bairro: Centro - Ceará
Telefone: (88) 3521.9600

Elizângela Santos
Repórter do Jornal Diário do Nordeste
Colaboradora do Blog do Crato e Chapada do Araripe OnLine

A doença de Lula

No campo da política sempre tive  muitas   restrições à atuação do ex-presidente Lula...
Restrições – explícitas,  transparentes e respeitosas –  que nunca resvalaram  para o lado pessoal.
Neste momento,  o  cidadão Luiz Inácio da Silva encontrá-se  acometido de uma traiçoeira doença.
Torço para que ele supere o problema e recupere sua saúde plena. 
E ele tem grandes  chances de se recuperar.
Que Deus o proteja nesta batalha...
Louvo, ainda,  o fato de ele não ter escondido a doença, preferindo torná-la  pública. No que agiu corretamente.
Como criatura humana, Lula tem a minha solidariedade.

Armando Lopes Rafael

sábado, 29 de outubro de 2011

A política de Samuel Araripe mais uma vez investe contra Almina Arraes - José do Vale Pinheiro Feitosa

Acabo de ler no blog do Azul Sonhado uma carta de Almina Arraes. Encontrei se dando ao trabalho de salvaguardar seus argumentos contra a SAEC diante da palavra fácil do vereador George Hugo Macário de Brito. Ele teria a acusado de caduca para proteger a administração de Samuel Araripe. Por isso ao considerar a distância dos detalhes do ocorrido fica o extrato do que realmente aconteceu: o estilo debochado e virulento de uma situação política que administra o Crato há oito anos. E em que pese o ácido do vereador, todo ele tem uma nascente e ela é Samuel Araripe. Foi em defesa de sua administração que a caduquice argumentativa do vereador se manifestou no plenário da câmara.

Eu tive contato com o George Macário pessoalmente e à distância por três vezes. A primeira foi numa reunião na Fundação Araripe quando o Pierre e a Violeta (irmã de Almina) o apresentou. Acho que ele teria algumas habilidades que poderiam ajudar a Fundação. A segunda quando tendo feito um texto para recordar as imagens de criança com os aviões da Real pousando no aeroporto do Crato e ele me cobrou não ter citado o avô que era o agente da Real no Crato. Ora meu texto não era um trabalho de pesquisa para esgotar o assunto, era um trabalho sentimental embora com pesquisa, mas não citar o avô dele não havia problema nenhum. Acho que ele queria dar a informação, mas o modo como o fez me pareceu arrogante e depois o li algumas vezes com argumentos que foram a marca dos agentes da administração Samuel em blogs e manifestações orais. Por último, por um amigo comum o Bruno Pedrosa, que demonstrou carinho por ele, inclusive pelo seu viés artístico.

Então fica o registro que pouco conheço o George Macário para fazer um julgamento dele em razão desta fala desrespeitosa e desqualificadora de uma cidadã em defesa dos seus direitos. Aliás, até me surpreendeu. O pai dele, Humberto Macário é muito amigo da família Arraes, até por que se casou com uma filha de Aline, filha de Alexandre Arraes e muito próximos de Dona Benigna, a mãe de Almina. A admiração e amizade de Ernani Silva e do próprio Humberto com a família inclusive causou-me um problema operacional na época de estudante. Então o diretor de um grupo de teatro estudantil que ensaiava o Auto da Compadecida, iríamos nos apresentar em Juazeiro e Humberto avisou à família que se fôssemos seríamos todos presos por subversão. Isso me valeu a perda de dois atores chaves no elenco filhos de Almina. Tivemos que improvisar a substituição de última hora.

Não sei se os filhos e netos estão mais arrogantes por que foram criados num mundo de abundância. Seria possível que aconteça aí o célebre manifesto de oligarquias que se sucedem no poder e acham que todos ficam muitos níveis abaixo das necessidades desta? O que motiva algo assim para defender uma administração num debate na Câmara de Vereador é no mínimo o demonstrativo da escassez completa de alguma moralidade e algum senso de cuidado em ser representante do povo. Os oligarcas costumam desconsiderar as instituições, pois eles sempre vêm primeiro. Se apresentam na assembléia deliberativa da sociedade como se estivessem num bar entre amigos falando dos outro o que bem entendem ou lhe vem à cabeça após alguns graus de álcool na cuca. Mas o pior é que o neto de Aline, filho de Humberto Macário disse o que disse sobre Almina em nome de Samuel Araripe, outro filho de papai político.

"Zorro" X "Sargento Garcia" - José Nilton Mariano Saraiva

Como não somos de ficar em cima do muro, guardar conveniências ou sair por aí sem tirar o sabão do corpo, já tivemos oportunidade de afirmar, aqui mesmo e em diversas oportunidades, que, lamentavelmente, no Brasil os desmandos afloram e se encontram presentes em todas as esferas do poder constituído (Executivo, Legislativo e Judiciário) e não será um Presidente (a) da República sério e bem intencionado (como o é a Dilma Rousseff) que irá debelá-los da noite pro dia, de uma hora pra outra, usando uma simplória varinha mágica de condão. Isso porque se trata de uma “questão cultural”, estratificada secularmente, arraigada em profundidade e solidamente fincada em terreno rochoso; portanto, demandará tempo, muito trabalho e paciência a fim que seja definitivamente varrida do mapa ou exterminada de uma vez por todas.
Agora mesmo, causou o maior qüiproquó e passou a ser discutido nos lares, bares, na rua, supermercados, motéis, igrejas, entre quatro paredes, nos altos escalões e em qualquer rodinha que se estabeleça no meio da rua, a corajosa declaração da ministra-corregedora do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Eliana Calmon, ao admitir que “...há bandidos escondidos atrás da toga”, que “...existe corrupção no poder Judiciário, como existe em todos os segmentos da sociedade brasileira e eu tenho o dever constitucional de combatê-la” e, alfim, ao provocar sarcasticamente: "Sabe que dia eu vou inspecionar São Paulo? No dia em que o sargento Garcia prender o Zorro. É um Tribunal de Justiça fechado, refratário a qualquer ação do CNJ” (aqui pra nós: qual seria a razão ???).
Ora, todos nós sabemos que não existe no Brasil grupo mais corporativo do que o Poder Judiciário, já que muitos dos seus magistrados se julgam donos da verdade, senhores da razão, intocáveis criaturas, espécie de semi-deuses e, pois, inalcançáveis pelo mortal-comum (talvez em razão da multifacetada cultura adquirida), daí a reação irada e apopléctica do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) César Peluzo, exigindo um pedido de desculpas formal da magistrada. Ao que esta não titubeou em responder “Eu não tenho que me desculpar. Estão dizendo que ofendi a magistratura, que ofendi todos os juízes do país. Eu não fiz isso de maneira nenhuma. Eu quero é proteger a magistratura dos bandidos infiltrados. Estou atenta às minhas responsabilidades, aos meus deveres constitucionais para que um dia eu possa dizer, depois da minha aposentadoria: nunca mais o despotismo, regerá a nossa Nação”.
Aqui pra nós, a verdade verdadeira é que os “pseudos” donos do poder e da razão (integrantes do Judiciário) não admitem qualquer espécie de controle – externo ou interno - e querem é tirar o poder da corregedoria do CNJ para investigar os crimes (graves e diversos) praticados por juízes, delegando a tarefa aos tribunais regionais (onde eles seriam julgados por seus pares, com resultados pra lá de previsíveis).
Basta que se diga que dos 33 juízes punidos pelo Conselho Nacional de Justiça, desde a sua criação (em 2005), o Supremo Tribunal Federal já concedeu liminares suspendendo as penas de 15 deles (e neste momento nada menos que 35 desembargadores estão sendo investigados pela corregedoria do CNJ).
E você, aboletado aí em sua poltrona do outro lado da telinha, sorvendo aquela “loura suada” estupidamente gelada e tirando o gosto com panelada (ou lagosta, por que não ???), acha mesmo que “Suas Excelências” (os nossos bravos juízes) devem continuar mandando e desmandado, casando e batizando, fazendo e acontecendo, sem nenhuma contestação ??? É justo isso ???

O CANTO DO SABIÁ - Marcos Barreto de Melo

Toda tarde tu me chegas
Pra cantar no meu terreiro
E eu fico a te procurar
Entre os galhos do oitizeiro
Mas, não é pra te espantar
Quero só te escutar

Sabiá sei que tu cantas
Por querer me alegrar
O meu peito consolar
Só porque me viu chorar
Quando pela estrada andei
Procurando o que deixei

Meu sabiá, eu chorei
E a você vou negar não
Chorei porque não achei
Aquele velho cajueiro
Onde desenhei um coração
Com as iniciais do amor primeiro

Porque não vi o engenho
A doce cana caiana
A garapa, a rapadura
Aquele doce umbuzeiro
O gado no pasto berrando
E o vaqueiro campeando

Sabiá, também chorei
Quando para o curral olhei
E não vi mais a fartura
Do leite cru no capucho
Porque não vi apitando
O carro de boi na estrada

Sabiá, se eu chorei
Foi porque não encontrei
O riacho de água doce
Onde eu ia me banhar
Chorei ao ver os terreiros
Onde eu corria e brincava
E ao lembrar-me dos brinquedos
Que eu mesmo inventava

E do outro lado está cheia? - José do Vale Pinheiro Feitosa

É impossível negar, a carroça da internet não está vazia. Ela está cheia de coisas divergentes e de divergências dentro do próprio discurso. Existe um tipo de texto que se contradiz dentro da própria indignação como este abaixo. Leia com atenção que encontrarão tais contradições.

Fazendo uma interpretação apressada, suponho que seja fruto de muito exercício de leitura, em várias fontes com tendências interpretativas diferentes. Aí a pessoa pega um argumento aqui e junta com outro lá e não percebe a contradição. Mas o importante é que o pessoal está escrevendo muita bobagem, mas reproduz direitinho o que lêem. No texto abaixo somos capazes até de saber as fontes onde o camarada se "instruiu" para fazer sua leitura. Claro que ele também recebe muito spam com coisas iguais.


"Há uma grande conspiração em curso no Brasil. Trata-se da conspiração do PT e da esquerda em geral para assaltar o bolso das famílias, para imporem um modo politicamente correto de pensar, para censurarem o machismo, a homofobia, o sexismo e o nosso direito de andar armados. Essa gente quer assaltar os cofres públicos para nos fazer pagar impostos, com os quais eles só fazem roubar e enriquecer, enquanto eu me sinto vilipendiado e cada vez mais envergonhado. Nunca houve tanta corrupção neste país, nunca. É aquela coisa do pobre que jamais teve algo e que agora se lambuza, minha avó já dizia. Aqui, comediante é levado a sério, só porque é fascista, homofóbico, machista e age contra a lei, enquanto os políticos, ah, os políticos, esses seguem sem ser levados a sério. Por isso eu gosto mesmo é do Bolsonaro, inclusive. Ele vem sendo vítima do festival de autoritarismo e corrupção que assolam este país. Esses petralhas que estão mais preocupados em atacar a liberdade de imprensa do que em governar o país. Sim, porque o país só vai bem graças a Fernando Henrique, que não fosse ele, esses petralhas iam ver. O PT não faz nada que preste e só rouba o nosso dinheiro. O filho de Lula é milionário, Dilma sabe e acoberta Orlando Silva, aquele moleque safado que está podre de rico, caiu porque é culpado, óbvio.

Outro dia um jornal muito importante disse no seu editorial que o país precisava de uma limpeza ética! Eu concordo! Cresce no país a consciência de que chega de tudo isso que aí está! E ainda querem mais imposto para a saúde, e fraudam até provas de ensino médio, que são de alta importância para os nossos filhos! Como eles terão certeza de que entrarão por seus próprios méritos na Universidade? Não basta ter direitos negados pelas vagas dadas de presente – às nossas custas – a quem se diz negro (como se houvesse racismo no Brasil, ora essa!), aos desqualificados das escolas públicas e, pasmem, para indígenas. Chega! Está na hora da nossa marcha, da marcha pela dignidade, contra essa gente que quer mandar em nós, que quer controlar o nosso modo de pensar, que pretende ganhar dinheiro às minhas custas e fazer demagogia com os impostos que eu e minha família e você paga!"

"Padim" forte - José Nilton Mariano Saraiva

Qualquer estrangeiro encrencado com a Justiça do país de origem (ou mesmo de uma outra nação qualquer) e que queira se estabelecer no Brasil sem perigo de ser deportado ou expulso, dispõe de um atalho seguro, magnânimo, fácil e de uma eficiência a toda prova: gerar filhos aqui na terrinha.
Procurado e acusado pela Interpol (espécie de polícia internacional) sob a acusação de tráfico de drogas, extorsão, agiotagem, contrabando, prostituição e jogo ilegal (só isso), e tendo contra si um mandato de prisão emitido nos Estados Unidos, o mafioso israelense Yoram El Al (38 anos) foi preso no Rio de Janeiro em 2006 (sem visto de permanência), do que se valeu o governo americano para solicitar sua extradição.
Esperto, antenado, certamente que podre de rico e assessorado por um desses advogados conhecedores dos meandros das nossas caducas e frouxas leis, um ano após a prisão Yoram El Al apelou para o inusitado: solicitou uma autorização ao Supremo Tribunal Federal para que fosse recolhido seu sêmen na cadeia, a fim de ser usado numa inseminação artificial na companheira, impossibilitada de engravidar pelas vias normais.
Xeque-mate.
Sensibilizado e por demais comovido, o ministro Joaquim Barbosa houve por bem atender ao “coitado” do preso, sem antes salientar em seu despacho, que “...a coleta do líquido seminal do extraditando deve ser feita na própria carceragem, que, de acordo com o próprio peticionário, possui ambiente favorável à coleta, e observadas as devidas cautelas policiais”. Efetuado o procedimento, bingo: nasceram gêmeos.
Resultado de todo esse périplo ??? Mais tarde, Yoram El Al recorreu ao Ministério da Justiça, conseguiu o “visto de permanência” para ele e a companheira e certamente daqui não mais arribarão pé.
Agora, aqui só pra nós: se fosse um “liso” qualquer, um descamisado da vida, um zé-ninguém, será que o ministro-padrinho Joaquim Barbosa iria se preocupar em mandar recolher seu esperma, a fim de que gerasse filhos brasileiros e se livrasse da extradição ??? A troco de quê tudo isso foi feito ???
È por essa (e outras, também cabeludas) que o nosso Poder Judiciário a cada dia mergulha fundo em um mar de incredibilidade. Mas... será que os seus ministros estão preocupados com isso ???

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

O melhor pensamento sobre a corrupção da semana

"Quanto mais vazia a carroça, maior é o barulho que faz!"

Armando Rafael
Em crônica publicada nesta semana em alguns Blogs do Cariri.
Irretocável.

Uma versão diferente do enredo da mídia corporativa - José do Vale Pinheiro Feitosa

Não se trata efetivamente de choro de gente politicamente encontrada em dificuldade diante de tantas denúncias. É evidente que desde o episódio do chamado Mensalão e de modo mais eficiente com o Governo Dilma que a revista Veja, Época, Isto é e os jornais O Globo, Folha de São Paulo e Estado de São Paulo estão em ampla campanha de derrubar ministros e apontar corrupção no governo federal.

O comportamento desta rede de mídia dirigida por quatro famílias poderosas - Civita, Marinho, Frias e Mesquita – é tão claro que até já apostam nas próximas vítimas: o Ministro do Trabalho, o Ministro das Comunicações e o da Educação. Na internet os pios leitores da rede repercutem as apostas de queda. Para eles, os partidários da oposição é um ganho, mas para o país no mínimo temos o privilégio da dúvida.

A rede não tem limite para fundamentar suas denúncias. Vale qualquer jogo: requentar matérias, revelar segredos de justiça, gravar ilegalmente, associar-se a pessoas investigadas e com vários processos em curso e assim por diante. E quando se pergunta qual o limite desta ação, sobem aos céus com suas asinhas de anjo e das nuvens acusam a censura à liberdade de empresa.

A democracia tem que jogar aberto e, portanto, se a mídia pode fazer o que faz, igualmente a discordância é livre e deve se precaver com métodos suficientes para não se sujeitar à versão única da rede e das famílias poderosas. Não se pode impedir que os maus feitos venham à luz da notícia, mas podemos combinar o jogo para que esta postura seja universal, que não apenas se preste para um lado e que emendas vendidas da assembléia de São Paulo, por exemplo, sejam convenientemente supridas do livre exercício da informação. A omissão tem o mesmo pecado da denúncia sem fundamento.

O que temos além deste tumulto que lembra a piada do homem de longos bigodes em que as crianças pinçaram fezes enquanto dormia e ao acordar achou que o cheiro de merda ora estava em si, ou na cadeira em que se sentava, talvez no corredor e com a face fora da janela do trem, concluiu que era o mundo todo. Esta noticia abaixo informa algo diferente sobre a corrupção no país e especialmente no governo federal. No mínimo é uma visão diferente das famílias que manda na informação no Brasil. A cabeça de cada é livre para contemplar a diversidade da democracia.

OCDE volta a elogiar Brasil, agora por 'progressos' contra corrupção
Pelo segundo dia seguido, a entidade internacional Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou relatório com elogios ao Brasil. O motivo agora foram “importantes progressos” que o organismo entende terem havido no combate à corrupção no país na última década.

Entre eles, a OCDE aponta a ampliação da transparência e do controle social nos serviços públicos, a criação da Controladoria Geral da União (CGU) – uma espécie de vigia interno do governo federal -, mudanças em licitações e incentivo a melhores padrões de conduta por parte dos servidores.

O estudo sobre a probidade do governo federal foi divulgado nesta quarta feira (27) pelo secretário geral da OCDE, Angel Gurria, em evento em Brasília junto com o ministro chefe da CGU, Jorge Hage.

Apesar de identificar avanços, a entidade também diz que o país ainda precisa melhorar e faz algumas recomendações no documento, como o reforço dos órgãos de fiscalização.

O país submeteu-se voluntariamente à análise e colaborou com a OCDE, órgão que reúne 34 países e tem como missão autoimposta contribuir para o desenvolvimento e o bem estar mundial – o Brasil não é membro da OCDE.

A avaliação sobre a lisura do setor federal foi combinada pelos países do G20 em novembro do ano passado, num pacto chamado de Plano de Ação Anticorrupção. O Brasil foi o primeiro a passar pelo teste e, por isso, a OCDE diz que o relatório tem “importância global”.

“A iniciativa do Brasil de ser avaliado por seus pares em uma questão sistêmica importante destaca seu papel crescente e sua relevância nos debates internacionais e nos processos de tomada de decisão”, afirma o documento.

Em discurso, Jorge Hage disse que o país tem “uma tradição de baixa eficiência, pouca transparência e descaso com corrupção”, que no entanto estaria sendo enfrentada cada vez mais. “Não temos a menor dúvida de que o governo da presidenta Dilma Roussef é um momento histórico particularmente propício para essa tarefa.”

Segundo Hage no mundo de hoje, em que se veem pressões populares cobrando mais participação nas decisões, como mostraram manifestações no mundo árabe e, mais recentemente, em Wall Street, o tema a transparência ganha destaque. “A luta contra corrupção não tem fim”, afirmou.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Perdas - José do Vale Pinheiro Feitosa


Fique com a música que logo virão o texto e as imagens. Música Noturno de Brasílio Iteberê da Cunha.

Não Foi Nada - Lô Borges

Não Foi Nada
Lô Borges

Sonhei
Que eu nunca existi
E vi
Que eu nunca sonhei

A vez dos corruptores - José do Vale Pinheiro Feitosa

Já que a corrupção foi o assunto mais comentado da semana aqui no Blog. Mais até do que a morte do Kadafi, que agora se toma conhecimento de mais uma suspeição sobre as práticas nos momentos finais dele: organizações de direitos humanos apuram suspeita que Kadafi tenha sido submetido a violências sexuais como parte da tortura sofrida. Ao fio da meada: a corrupção é um assunto em todo o mundo, acabei de ver um vídeo italiano com a platéia do teatro Le Scala cantando o Vá Pensiero do Nabuco de Verdi diante de Berlusconi que assistia ao espetáculo. Os corruptos estão de fato aflitos, ministro, primeiro ministros ou banqueiros. Consta que Umberto Bossi da Lega Nord, aliado de Berlusconi teria dito: se aumentarmos a idade da aposentadoria para 67 anos seremos todos mortos. Isso fazia parte do reajuste fiscal italiano a ser levado na cúpula da Europa.

Onde acho que reside o problema do “5 a 0” da imprensa sobre o governo como disse o professor Armando Rafael? É que a mídia de ambos os lados esgrimam com os corruptos dos outros. Nunca olham para o seu campo e jamais para as próprias práticas como vender assinaturas de revistas e livros didáticos como apenas um exemplo. Ou a chantagem que tem sido uma marca quase ontológica da imprensa ocidental. E assim segue. Os corruptos, no entanto, são uma parte do problema da corrupção.

Aliás, convoco o professor Armando para esta tese: o corrupto é a consequência e a corrupção o ato classificado em lei. A verdadeira causa da corrupção está nos corruptores que agem, na maior parte das vezes, como agentes econômicos a tirar vantagens de fundos públicos ou privados. Finalmente para sucesso do nosso cansaço como tema predominante da semana, podemos perceber que algo se pode fazer além de apenas xingar os outros. Eis uma boa iniciativa política e cultural.

O Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social e o Instituto Brasileiro de Direito Empresarial estiveram numa audiência pública na Câmara que prepara uma lei para punir empresas corruptoras com multas pesadas e ação para devolução do dinheiro. E por que estes institutos do empresariado se preocupam com isso: o suborno afetaria a competição no mercado e a imagem do Brasil no exterior.

As duas entidades defenderam a aprovação do projeto enviado pelo governo no ano passado. O texto foi elaborado pela Controladoria-Geral da União (CGU). Pela atual legislação brasileira, as empresas não são puníveis enquanto pessoas jurídicas por nenhum crime, não só o de corrupção – a única exceção é na área ambiental. O projeto tenta cercar as empresas com sanções fora da área penal, com a aplicação de multas pesadas por parte dos órgãos públicos prejudicados, a proibição de a PJ assinar novos contratos públicos e a possibilidade de elas serem acionadas judicialmente para devolver o dinheiro desviado.

Também presente na audiência o ministro da CGU, Jorge Hage, disse que a impunidade dos corruptores é generalizada inclusive por conta dos bons – e caros - escritórios de advocacia que contratam para se defender. Até a recuperação dos recursos desviados fica comprometida. Ele estima que apenas 8% dos desvios voltam aos cofres públicos. “É preciso ampliar o rol de atos punitivos”, disse.

Corruptos? Não conheço algum do meu lado. Corruptos são os outros! - José do Vale Pinheiro Feitosa

O professor titular de história da Universidade Federal Fluminense Jorge Ferreira acaba de publicar uma biografia sobre João Goulart. Uma biografia muito interessante, pois trata de desmontar, com fatos e pesquisa, toda uma argumentação à direita e à esquerda para apagar Jango da história. De repente ele se tornou o político que só existiu nos dois últimos anos do seu mandato e até o Golpe que o excluiu da Presidência da República. Jorge Ferreira escreve uma biografia, mostra o político em toda a sua extensão e desmonta todos os preconceitos e a propaganda dos golpistas para justificarem o próprio ato de violência política.

Na introdução do livro ele é revelador de uma das táticas do golpismo e da tentativa de apagar Jango da história. Leiam a seguir.

“Outra questão importante para o desmerecimento de João Goulart são as denúncias sobre as relações, nem sempre pautadas pela ética, entre suas bases de apoio política e as benesses oficiais. As acusações não são destituídas de fundamento, mas criou-se uma imagem distorcida do tema, como se o fisiologismo, empreguismo e o uso da máquina estatal com fins políticos fossem tradições inauguradas por Vargas e tivessem atingido seu apogeu com Goulart. Neste aspecto, Claudio Bojunga, com razão, nos alerta:

Mais do que o autoritário Vargas, muito mais do que Jânio e Goulart, Juscelino distribuiu favores e empregos, e trilhou os caminhos da negociação política nos termos tradicionais da classe política brasileira. Cartórios, nomeações, promoções eram armas prediletas para a cooptação. E continua: Existiam dezenas de maneiras de retribuir, recompensar, garantir, facilitar, agilizar, azeitar e contribuir. Evidentemente que não é o caso saber qual dos presidentes da República mais utilizou recursos desse tipo. Trata-se, sim, de reconhecer que é uma tradição nas relações políticas entre os poderes da República no Brasil, seja nos municípios, seja nos estado, seja em Brasília. – na época de Goulart, antes ou depois dele.”

E concluo: alguém que conhece a realidade das instituições brasileiras, mesmo além dos municípios (por exemplo José Nilton Mariano acaba de fazer uma denúncia contra o prefeito do Crato e não sei se isso tem fundamento ou não), como repartições ou universidades e acha que isso só ocorre na gestão dos adversários ou vive em marte ou tem um olho para uma coisa e outro para coisa diferente.

"Intocáveis" e "inimputáveis" - José Nilton Mariano Saraiva

Não é de hoje que os “intocáveis” membros do nosso poder Judiciário, encastelados em suas redomas, se acham na berlinda, principalmente em razão das decisões pra lá de contestáveis de alguns de seus integrantes (principalmente nos seus “tribunais superiores”).
Tido e havido - em tempos outros - como o último guardião da moralidade, o ícone maior da respeitabilidade, o refúgio dos descamisados, o justiceiro dos desvalidos, na prática diária os seus integrantes apresentam um “modus operandi” que depõe contra tudo isso (embora não se possa provar absolutamente nada contra nenhum deles, vez que as coisas são muito bem “amarradas”). E ai de você, se ousar se meter a besta, e reclamar.
Quem não lembra, por exemplo, que meses atrás o então Presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, literalmente “peitou” todos os companheiros de toga, atropelou ritos consagrados do julgamento processualístico e se indispôs com boa parte dos integrantes do Judiciário, com o fito único e exclusivo (e obteve sucesso) de soltar da prisão o banqueiro-bandido Daniel Dantas, “engaiolado” duas vezes por decisão do austero juiz Fausto de Sanctis, em razão das comprovadas falcatruas no mercado financeiro ??? E isso depois que o próprio banqueiro-bandido afirmou calma e peremptoriamente que não estava preocupado, porquanto, quando a ação chegasse às instâncias superiores, teria a prisão revertida. Não deu outra. A troco de quê ???
Quem não recorda que, após ser condenado pela Justiça Federal do Ceará em três julgamentos (em todos eles à pena de 14 (quatorze) anos de reclusão, em regime fechado), em razão das portentosas fraudes processadas na contabilidade da instituição à qual presidida (BNB), e que deixaram um rombo estratosférico (sete bilhões de reais), o senhor Byron Costa de Queiroz deu um jeito de (recorrer) levar a questão pra ser julgada no Tribunal Regional Federal do Recife, onde foi novamente julgado e (incrivelmente) inocentado “por unanimidade” pelos senhores Desembargadores daquela Corte ??? Será que os juizes da Justiça Federal do Ceará se sentiram desmoralizados ??? Hoje, o “coitado” do Byron Queiroz (que é afilhado do senhor Tasso Jereissati) vice a freqüentar as “rodas sociais” de Fortaleza, e não perde a oportunidade de gozar com os funcionários da instituição. A troco de quê ???
Atualmente, aqui em Fortaleza, um fato inusitado envolve (em suspeitas mil) mais um integrante do Judiciário, a saber: conforme determina a lei, é terminantemente proibido desmatar e construir em Áreas de Relevante Interesse Ecológico (Arie) em razão da grave e irreversível lesão ambiental que pode provocar.
Pois bem, o “Parque do Cocó” é uma dessas áreas que funciona como uma espécie de “pulmão” da nossa hoje abrasiva e sufocada Fortaleza, e onde você pode exercitar-se respirando o pouco de ar puro que ainda nos resta (não custa lembrar que, lá atrás, quando a “questão ambiental” não tinha a relevância que tem hoje, o empresário Tasso Jereissati construiu o seu Shopping Iguatemi exatamente no coração daquela imensa e aprazível área verde; e, embora depois tenha havido contestação, como o homem tem grana a coisa ficou o dito pelo não dito).
Fato é que, assim como “sobra” ambição desmedida e “falta” preocupação para com tão relevante tema, tais terrenos virgens foram adquiridos (certamente que a preço de banana) por gente esperta e inescrupulosa, criou-se uma Associação Cearense dos Empresários da Construção e Loteadores (Acecol) e a intenção é desmatar toda a área, passar por cima do que se constituir obstáculo e construir os espigões da vida.
Os mafiosos empresários recorreram a quem, a fim de perpetrar tão acintoso crime ??? Elementar, meu caro Watson: a um dos integrantes do nosso Judiciário. E ali contaram com a compreensão, simpatia e benevolência do juiz Francisco das Chagas Barreto, que já emitiu um parecer favorável ao desmatamento e à construção. A tal “questão ambiental” que se exploda. A troco de quê ???
Há uma luz no fim do túnel, no entanto: lá em Brasília, a ministra Eliana Calmon, do próprio Supremo Tribunal Federal, navegando contra meio-mundo de gente, confirmou, sim, que há “bandidos de toga”, enquanto que uma pesquisa recente mostra que entre onze instituições avaliadas pelo povo, o Poder Judiciário só perde para aquela outra instituição onde a maioria tem pós-graduação e doutorado em “picaretagem”: o Congresso Nacional.
O bicho pega é quando lembramos que eles, além de “intocáveis”, são, também, “inimputáveis” (mas vamos chegar lá).

Café



- Claude Bloc -


Minha mão segue em voo livre,
Num gesto incerto, indeciso
Alongo os dedos, toco a xícara
Enquanto os sonhos se esfumaçam...
Café matinal, café cheiroso
adoçado com sorriso
adoçado com afeto
em mais um dia igual...
(Claude Bloc)

Pensamento para o Dia 27/10/2011


“No momento do nascimento não se tem atributos bons ou maus. As mudanças ocorrem em sua natureza devido ao alimento consumido, à influência dos amigos etc. Desenvolve-se ego e apego através da companhia que se mantém. Na medida em que começa a se educar, você desenvolve orgulho e acolhe pensamentos arrogantes a respeito da sua superioridade sobre os outros. Essa vaidade polui o coração. Quando a água se mistura ao leite, deve-se fervê-lo para torná-lo puro. Da mesma forma, deve-se realizar várias práticas espirituais (Sadhana) para limpar o coração de impurezas. É somente quando o coração se derrete no calor do Amor Divino que você conseguiu remover as más características. Fique claro que você é a causa de seu destino, bom ou mau. Deus não é responsável pela causa do seu sofrimento e você é livre para moldar seu futuro. Assim, você se aproximará de Deus com um passo mais firme e uma mente mais lúcida.”
Sathya Sai Baba

A denúncia de corrupção, a bravata e a carroça vazia – por Armando Lopes Rafael

   Neste recentíssimo episódio da denúncia de corrupção no Ministério do Esporte, tanto   o denunciado, como o senador Inácio Arruda (PCdoB–CE)  como o presidente da sigla comunista, Renato Rebelo, foram à imprensa para  arrotar  a surrada e orquestrada frase:

– “Iremos às últimas consequências para provar a inocência do ministro”.
Bravata fingida!
Sempre que lia (ou ouvia) esta frase orquestrada, pensava com meus botões: querem fazer o povo  de idiota (ora, todo mundo sabia ser verdade as denúncias). E lembrava de um conto da tradição popular conhecido como “A carroça vazia”...
O que é essa Carroça Vazia?

Reproduzo abaixo, resumidamente  essa tradição popular.
“Certa manhã o meu pai, muito sábio, convidou-me a dar um passeio no bosque.  Deteve-se ele, subitamente, numa clareira e perguntou-me:
– Além dos pássaros, ouves mais alguma coisa?
Apurei os ouvidos e respondi:
– Estou a ouvir o barulho de uma carroça.
– Isso mesmo, disse o meu pai, de uma carroça vazia.
Perguntei-lhe:
– Como sabe que está vazia, se ainda a não vimos?
– Ora, é fácil! Quanto mais vazia está a carroça, maior é o barulho que faz.
Cresci e hoje, já adulto, quando vejo uma pessoa a falar demais, aos gritos, tratando o próximo com absoluta falta de respeito, prepotente, interrompendo toda a gente, a querer demonstrar que só ele é dono da verdade, tenho a impressão de ouvir a voz do meu pai a dizer:
– Quanto mais vazia a carroça, maior é o barulho que faz!

Olhem aí as dez confusões da semana na cabeça de certa gente - José do Vale Pinheiro Feitosa

1 – A Europa tenta sair da crise com ajuda dos emergentes comprando seus títulos com aval do FMI.

2 – A Europa vai precisar e muito da China. E agora todos os dias vocês verão chefes de estado europeu prestando homenagens ao Dalai Lama e pedindo punição para o comunismo chinês que invade o santuário religioso do Tibete.

3 – Quem vai pagar a conta da OTAN pelo tanto que gastou para matar Kadafi? Fora petróleo a Líbia só tem areia. E aí o petróleo fica com a Europa e EUA e a China com a areia?

4 – E os EUA vão retirar 30 mil soldados do Iraque. Pronto o desemprego nos EUA aumentará algumas frações.

5 – E o acordo que corta 50% da dívida Grega, foi concessão por amor ao próximo ou o próximo estava prestes a corta o pescoço dos líderes europeus? As ruas gregas estão bem violentas e a economia só despenca. As praças de Berlim já se encheram, além da Itália, do quebra-quebra inglês. Ou confusão danada o puro da fé sente.

6 – E o Vaticano minha gente? Este papa não disfarça, é um discípulo de Rosa de Luxemburgo infiltrado nas hostes direitistas da aliança Reagan/João Paulo II. Não é que a Santa Sé quer o pé do Estado na regulação da ambição do sistema financeiro!

7 – A mais antiga do sentimento milenista no Brasil. Nada da sociedade proteger os mais fracos com fundos para financiá-los. A política e o trabalhador que lute para “vender” suas propostas para alguma mão beneficente financiá-los. Aí vai está assim de capitalista querendo financiar comunistas, libertários, o MST entre outros do mesmo naipe (tem uma exceção: camisas t-shirt com a cara de Che pode ser, mas está meio fora de moda). Entre uma proposta do Instituto Millenium (o milênio deles tem terminação latina e é com duplo ele – gente coisa é outra fina) e outra do MST certamente a FIESP financiará a do MST. Isso é que é liberdade de mercado e a democracia do que nos resta.

8 – Não pode pôr comunista no governo. Todos são ladrões. Vide o Orlando Silva que deveria sair algemado para que as máquinas fotográficas da revista Veja se vangloriem pela defesa do patrimônio nacional. Este sentimento inquisitorial e de fogueiras a priori ainda deixará o ar fétido de carnes queimadas.

9 – E o Obama? Todo mês tem um assassinato para comemorar. Uma estatística da economia e da pobreza a chorar. Um recuo nas despesas a amargurar. A última é o medo despertado na dupla estado/indústria armamentista: o orçamento para a defesa será cortado. Agora é que muita gente vai para a rua mesmo.

10 – E a OCDE (organização para a cooperação e desenvolvimento econômico), de perfil liberal e européia, só tem elogios para as políticas brasileiras, especialmente de transferência de renda. Mas quer meter os dedos no gargalo dos aposentados com dois tipos de medida: aumenta a idade e desvincula seus reajustes do reajuste do salário mínimo. Com a economia brasileira em crescimento, é mais ou menos aquela tese de subir e tirar a escada para que outros também não subam. Esta Europa é mesmo ingrata: querem nosso dinheiro por uma mão e na outra não nos querem crescendo.

As propostas políticas na luta nacional - José do Vale Pinheiro Feitosa

Quando temos muitas propostas de soluções para um mesmo problema, dada a dispersão das propostas, poderemos não ter nenhuma. No entanto, quando temos algumas propostas fortes e consistentes, alguma proposta pode dar caminho para o futuro. Ao desenvolvê-la no caminho do futuro esta proposta vencedora sofrerá modificações circunstanciadas pela realidade. Se ela tentar seguir um caminho dogmático, passando um rolo compressor sobre a realidade, irá se esfarelar por rigidez. De qualquer modo o caminho dogmático nem sempre é próprio da proposta, por vezes forças externas de modo estratégico provocam os agentes da proposta a ponto que eles não tenham alternativas de adaptação à realidade. De modo resumido tem sido o que ocorreu na história desde o renascimento, o desenvolvimento da razão, da ciência e do capitalismo.

No Brasil existem duas propostas políticas em prática. Ambas nacionais, com conteúdos programáticos diferentes, com leituras da realidade distintas e com alianças estratégicas dentro e fora do país de natureza própria. Uma proposta tem o núcleo político organizado por uma aliança histórica entre PSDB/DEM/PPS e agora possivelmente em disputa como o novo PSD e a outra proposta formada historicamente pelo PT/PC do B e mais o PMDB e outros partidos como o PDT e o PSB.

Para facilitar o texto vou denominar à primeira proposta de Neoliberal/Ortodoxa e à segunda Progressista/Social. Estas duas propostas galvanizam os discursos do pós guerra que se diferenciavam entre direita, para a primeira proposta e esquerda para segunda. Quando digo galvanizam explico que a história está em movimento e os termos direita e esquerda como são compreendidos estão modificados pela mudança histórica. Os Neoliberais/Ortodoxos se aliam com setores do capitalismo brasileiro internacionalizado, especialmente pelos ganhos com as privatizações, com amplas margens do agronegócio, com setores da classe média tradicional, banqueiros nacionais e internacionais e com alianças estratégicas externas especialmente com lideranças dos EUA e Europa. Os Progressista/Social se aliam com os capitalistas nacionais com pretensões a um protagonismo maior no mundo, com setores dos trabalhadores organizados, com movimentos sociais organizados, setores da pequena agricultura e tem alianças externas com lideranças e países emergentes como ele.

Os Neoliberais/Ortodoxos apresentaram um programa político de enterrar o que chamaram de era Vargas, com flexibilização dos direitos trabalhistas, regulação da vida social realizada pelo mercado, reforma e privatização da previdência, fim de todas as empresas estatais e uma forte aliança com as corporações multinacionais para dali extrair riquezas na oportunidade do que chamavam globalização inevitável. Algumas marcas políticas este pensamento tem: horror ao papel do Estado, desestímulo ao funcionalismo público, políticas de transferência de renda, mercado regulado, movimentos sociais e partidos de esquerda.

Os Progressistas/Sociais praticam governos em que os valores da era Vargas não são enterrados, mas são sensíveis à mudanças em alguns pilares desta era; aceitam o desenvolvimento capitalista, praticam a regulação do mercado, especialmente no mundo financeiro e acreditam num caminho próprio para inserção comercial no mundo atual. As marcas políticas desta proposta não vou repeti-las, pois são exatamente o contrário daquelas anunciadas para o outro grupo.

Não precisaria dizer o que direi, pois acho que ficou claro que as duas propostas são consistentes historicamente. Acontece que elas não se ancoram apenas em discursos de suas lideranças ou em algumas manifestações programáticas, ambas têm instituições por trás delas, formulando e atualizando os dados da realidade para se apoiarem. A proposta Neoliberal/Ortodoxa tem muitos acadêmicos propondo, existem setores predominantes da mídia corporativa formulando e repetindo o mantra todos os dias, além de vários institutos como a Casa do Saber no Rio de Janeiro e o Instituto Milenium em São Paulo. A proposta Progressista/Social igualmente possui setores importantes da academia, como estão no governo federal os órgãos fazem “paper” que acentuam suas teses e vários institutos e fundações trabalham com suas teses.

Bom ainda tem a internet com sua prática subversiva e agressiva. A riqueza aí é muito grande e as duas propostas estão plenamente contempladas. De vez em quando alguém quer a prisão de ministro, chama todos os adversários de ladrões e mostram os papers dos seus institutos como se fossem a última palavra da sabedoria humana. A guerra de trincheiras, igual àquela da primeira guerra mundial, se reproduz na internet entre os dois grupos. O que não falta é cachorro doido dando mordida de um lado e outro da trincheira.

Uma pergunta. Tem espaço para outras propostas virem para o palco político nacional? Tem. Algumas mais à direita da direita e outras mais à esquerda da esquerda. Dificilmente haverá uma que ocupará o centro político, pois ambas as propostas hegemônicas no momento político já têm suas bases formadas em partes do centro político. O PSD, por exemplo, no máximo herdará a herança da proposta Neoliberal/Ortodoxa com alguma revisão. Por que penso na radicalização à direita ou à esquerda? Em razão da crise econômica Americana e Européia que pode evoluir para uma crise mundial mais aprofundada. Só para não se imaginar tudo no campo teórico: relatório desta semana aponta que a população americana abaixo da linha de pobreza está crescendo, especialmente nos outrora subúrbios da promessa de uma vida feliz de consumo. Todas as radicalizações (de direita ou esquerda) tiveram o campo fértil da miséria como nascedouro da proposta.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Fernando Morais falando do seu novo livro envolvendo Cuba e os EUA no Terra Magazine

O Fernando Morais está com uma entrevista no blog do Terra Magazine falando sobre o novo livro dele: Os últimos soldados da guerra fria. O centro da entrevista é o conteúdo do livro, mas termina por fazer uma avaliação do momento atual dos dois lados dos cubanos em luta: os anti-castristas de Miami e o cubanos que vivem Cuda.

Já no final da entrevista lhe é feita uma pergunta que bem traduz o embate na internet dos nossos dias. Ele responde e depois novas perguntas até o final da entrevista. Segue abaixo pois este clima também se encontra entre nós por aqui:

No Brasil, quando a pessoa faz algum tipo de trabalho ou pesquisa sobre Cuba, já corre o risco de levar paulada de 70% das pessoas, principalmente na área da mídia. Como ficou a relação entre Brasil e Cuba, não no plano diplomático, pois os dois países permanecem próximos, mas naquele das mentalidades? Cuba teve uma relação cultural forte com o Brasil. E hoje, como está? Não houve um refluxo?

Acho que o fato da chamada "grande imprensa" ter dado uma radicalizada ideológica muito grande nos últimos anos...

À direita?

Em direção à direita, contribuiu para isso. As pessoas falam de Cuba com raiva. Você vê na televisão, nas revistas, na internet...

A internet piorou isso?

Piorou muito na internet. Virou uma lixeira. Guardadas as exceções. Então, eu acho que essa gente tem um pouco de vergonha de dizer que foi a favor do golpe militar no Brasil, que é de direita, e usa determinados símbolos. Cuba é um deles. Venezuela é outro. Irã é outro. O próprio Kadafi, a Líbia. A Cristina (Kirchner) é tratada como o Eixo do Mal, no deboche, meio desrespeitoso. A sorte é que, na internet, você não precisa de dinheiro pra ter blog. Antigamente, pra montar um jornal, você precisava de uma fortuna. Pra montar uma estação de televisão, uma fortuna. Hoje você compra um notebook nas Casas Bahia, pagando 60 paus por mês, e compra um telefone por 50 reais, e passa a ser seu próprio Roberto Marinho. Se você tiver o que dizer, vai ter audiência. É uma revolução. Eu achava que a democratização dos meios de comunicação eletrônicos ia se dar nas trincheiras, nas barricadas, nas tribunas. E a tecnologia andou mais rápido que as ideologias.

O que foi desfavorável, em certo sentido, para Cuba, porque aí veio uma blogueira como Yoani Sánchez.

Claro! Claro! Olha, isso aí é absolutamente incontrolável. E é bom que seja. Você joga em igualdade de condições. Os chamados "blogueiros sujos" estão no mesmo patamar de audiência dos "limpinhos", dos cheirosos, dos anti-Lula, anti-Dilma, "anti" tudo que cheire a esquerda. O lado ruim disso é a radicalização desrespeitosa, o anonimato.

Você se sente patrulhado?

Você sabe, rapaz, que eu vi um filminho de Chico Buarque, o da internet (sobre comentários anônimos na rede). Fui dar uma entrevista para Jô Soares e, automaticamente, o programa dele foi para a internet. Foi para o YouTube. Rapaaaaaaz, mas que coisa! Tinha gente dizendo o seguinte: "Mas quem é que manda essa bicha sem vergonha entrevistar essa anta comunista? Por que não vão os dois pra Cuba cortar cana, esses filhos da puta?". Assim mesmo: "bicha sem vergonha" e "anta comunista". Claro que era um anônimo, um José de Souza. Isso é muito ruim. Mas é melhor assim do que não ter. E o Chico, naquele filminho, fala uma coisa engraçada: lá vem esse bêbado velho encher o saco! (risos) E ele não bebe nada... Apesar de ter esse lado ruim, prefiro isso a não ter internet ou ter internet controlada pelas grandes telefônicas. A internet é livre.

Cai o Sexto Ministro de Dilma, sob acusações de Corrupção

NE - Tudo o que é sólido se desmancha no ar...

Brasília, 26 out (EFE).- O ministro do Esporte, Orlando Silva, deixará o cargo devido às denúncias de corrupção em sua pasta, confirmou nesta quarta-feira o secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho.

Orlando Silva (PCdoB) é o sexto ministro do Governo a cair ao longo da gestão da presidenta Dilma Rousseff. Segundo Carvalho, Orlando Silva entendeu que a situação era insustentável, mas considerou determinante a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). O Supremo investigará Orlando Silva por denúncias de irregularidades no Programa Segundo Tempo, que promove projetos esportivos beneficentes a crianças carentes.

A saída foi decidida em reunião que reuniu nesta quarta-feira líderes do PCdoB e o ministro Carvalho, que tinha antecipado no domingo que a decisão de Dilma de manter Silva no cargo não podia ser considerada definitiva. As denúncias que levaram à queda de Orlando Silva foram feitas pelo ex-policial João Dias Ferreira, que presidia uma fundação de artes marciais que recebia dinheiro do Ministério do Esporte por meio do Programa Segundo Tempo.

Em entrevista à revista "Veja", Ferreira denunciou que, para ter acesso aos recursos do Ministério do Esporte, era obrigado a pagar propinas, que eram recebidas pelo próprio Orlando Silva ou por seus colaboradores mais próximos.

Além de Silva, outros cinco ministros já haviam caído desde o início do Governo Dilma: Antonio Palocci (Casa Civil), Alfredo Nascimento (Transportes), Nelson Jobim (Defesa), Wagner Rossi (Agricultura) e Pedro Novais (Turismo).

Fonte: Yahoo Notícias ( EFE )

Dilma Rousseff condecora Cid Gomes com Medalha Grande Oficial da Aeronáutica


A medalha é uma distinção concedida a militares e civis que se destacaram nas suas áreas de atuação a serviço da Nação Brasileira.

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A presidente Dilma Rousseff condecorou nesta quarta-feira (26) o governador Cid Gomes com a Medalha Grande Oficial da Ordem ao Mérito Aeronáutico. Criada pelo Decreto-Lei nº 5.961, de 1º de novembro de 1943, regulamentada pelo Decreto nº 3.446, de 4 de maio de 2000, a medalha é uma distinção concedida a militares e civis que se destacaram nas suas áreas de atuação a serviço da Nação Brasileira. A solenidade aconteceu na Base Aérea de Brasília.

F - C News ( Via Site O Bom da Boa )

O poder como negócio - Por: Rolf Kuntz



A presidente Dilma Rousseff tenta passar à história não como grande faxineira, mas como gestora de um ambicioso plano de crescimento econômico e de eliminação da miséria remanescente. Só não parou mais cedo a faxina porque a imprensa continuou denunciando bandalheiras na administração federal. Se as denúncias continuarem, e não faltará material para isso, a vassoura só será encostada se ela se render, de uma vez, às pressões de seu partido e dos grupos aliados. Nesse caso, prevalecerá, mais uma vez, o grande pacto político pela predação do Estado. O primeiro passo para romper esse pacto seria uma reforma política para valer – não, é claro, aquela em tramitação no Congresso. O projeto já relatado e provisoriamente posto em banho-maria deixa intocados todos os males e acrescenta alguns ao sistema.

Não basta mexer no processo eleitoral e no registro de partidos, nem adianta muito adotar uma Lei da Ficha Limpa. Alguns ladrões serão barrados, mas outros logo entrarão em campo, simplesmente porque o jogo do poder, no Brasil, é excepcionalmente lucrativo. Pode ser lucrativo no mundo todo, mas o caso brasileiro é fora do comum.

Para tornar o jogo menos tentador, seria preciso sacramentar alguns princípios simples. Contribuinte não tem de financiar partidos, nem de sustentar sindicatos, nem de entregar dinheiro para ser presenteado a ONGs.

Não deve ser forçado a custear a reeleição de parlamentares. Manter escritórios políticos tem de ser atribuição dos próprios políticos e de seus partidos, assim como as viagens de visita às bases. Não se deve usar a verba indenizatória para essas finalidades. Secretarias, Ministérios e diretorias de autarquias e estatais são funções públicas e nenhum governante deve ter o direito de lotear cargos. Também não deve permitir a formação de feudos partidários em setores da administração. Não pode haver cotas de grupos ou partidos nem, portanto, “cota presidencial”, uma aberração ininteligível no mundo civilizado. A “cota” de quem chefia o governo é todo o Ministério. Isso não exclui a presença de aliados no primeiro escalão, mas não por loteamento. Também é indispensável diminuir o número de postos de livre provimento.

É preciso mudar o processo orçamentário. Sem isso, parlamentares continuarão distribuindo favores e desviando verbas por meio de emendas. Alguns defendem o sistema de emendas arbitrárias e picadinhas como democrático, assim como o presidente do Senado, José Sarney, defendeu os privilégios dos congressistas como “homenagem à democracia”. Não há democracia nenhuma na apropriação de verbas para distribuição de benefícios a indivíduos, grupos, organizações, empresas ou mesmo cidades escolhidas de acordo com interesses pessoais do parlamentar. O dinheiro é público, a tramitação do Orçamento é um ritual da vida pública e o parlamentar ocupa um cargo público. Mas é um abuso chamar de política pública a transformação do Orçamento numa pizza dividida segundo os objetivos privados de cada participante.

Cabe ao Executivo propor políticas e prioridades e submetê-las ao Legislativo. Num país politicamente maduro, a discussão antecede a elaboração do Orçamento e se prolonga, muitas vezes, durante a tramitação da proposta orçamentária. No Brasil, tem havido no máximo caricaturas desse processo. Mesmo sem comércio de emendas, sem dinheiro para organizações de fachada e sem distribuição de favores, o atual sistema resulta em desperdício de bilhões.

Mas o problema não está só nas emendas. Faltam discussão e clareza na elaboração da proposta. A saúde é prioritária? As verbas destinadas ao setor são bem alocadas? Os programas atendem a um esquema bem definido de prioridades? A distribuição total de recursos é compatível com a importância de cada setor? Discussões desse tipo serão mais prováveis quando os parlamentares se interessarem mais pelas questões públicas. Não será impossível chegar lá. Haverá menos mensaleiros e outros malandros, entre os candidatos, quando o Legislativo for menos parecido com um grande mercado. Ingenuidade? Não. Basta reduzir os incentivos errados ao ingresso na vida parlamentar.

O atual projeto de reforma apenas servirá, se aprovado, para reforçar as distorções. Não há um único bom motivo para forçar o eleitor a financiar os partidos – nem com verbas de campanha, nem com o fundo partidário já existente. O ex-sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito e reeleito presidente da República, sempre com financiamento privado. Contribuições de particulares sempre serão disponíveis, se os partidos tiverem atrativo suficiente. Se o dinheiro for entregue de modo claro e dentro dos limites legais, o sistema será mais equilibrado e mais limpo do que aquele em discussão no Congresso. Não se criará mais democracia forçando os cidadãos a financiar interesses privados – como são, em princípio, os interesses partidários.

Rolf Kuntz

Proteção individual e coletiva contra o poder absoluto da mídia corporativa e não corporativa - José do Vale Pinheiro Feitosa

Vou começar pelo lado da mídia corporativa apresentando um trecho do editorial do jornal O Globo a respeito das últimas eleições argentina: "A reeleição da presidente Cristina Kirchner, com 53,9% dos votos em primeiro turno, foi tão acachapante que a coloca, em termos de poder, em situação similar à de Hugo Chávez em 2005, quando a oposição venezuelana boicotou as eleições e os chavistas ganharam tudo (...)A força política que a presidente ganhou agora, inclusive aumentando as bancadas no Congresso, lhe garante os instrumentos para aprofundar o modelo kirchnerista, caracterizado por autoritarismo, concentração do poder, protecionismo comercial (péssimo para o Brasil), intervenção na economia e ataque sem trégua à imprensa profissional e independente. A ideia é que haja apenas a versão oficial dos fatos".

Qual a idéia por trás deste texto? Que todo poder numa democracia necessita de contrabalanços para reduzir a força deletéria do poder apenas pelo poder. O poder total seria antidemocrático por que extrai substância da sociedade e concentra todas as decisões no núcleo do poder. Para que a sociedade, diga-se sociedade no sentido demográfico, ou seja, todos mesmo, tenha substância é preciso que ela se seja detentora de mecanismos para se contrapor ao núcleo de poder.

Onde o editorial do Globo zera o problema? O “pau que dá em Chico dá em Francisco”. A mídia corporativa na Argentina e especialmente no Brasil é nucleada por famílias tradicionais. No Brasil apenas quatro famílias: Civita, Marinho, Frias e Mesquita (esta dependente de bancos). Estas famílias detentoras de revistas, jornais, televisões, editoras, controle de papéis, telecomunicações, entre outras empresas, formam exatamente aquilo que se queixa na política: o poder pelo poder.

É preciso um contrabalanço para este poder absolutista. E não venham com papo de mercado, do tipo o leitor é quem decide, cai na vala comum dos eleitores, afinal Chávez e Cristina são frutos de eleições livres. Se queremos um debate que saia deste fla x flu ideológico cheirando à “guerra fria”, passemos a olhar para o olho do furacão do poder do mando e desmando. Não todo ele na mídia, compreendam bem, mas ela como parte certamente.

É preciso proteger o cidadão do “julgo da notícia”, do jornalismo declaratório, do jornalismo amigo do submundo com o objetivo de constranger pessoas e governos. Não sei o que se pensa do policial de Brasília que investiu contra Orlando Silva: apresentou um atestado falso de saúde para não comparecer à polícia federal enquanto sentava-se, para escárnio de todos e do Estado, na companhia de políticos oposicionista e agora, quando a oposição o convida para uma audiência na câmara, ele aceita e depois não comparece por que o objetivo de derrubar o ministro já estava concretizado.

Na semana passada um cidadão, exposto pelo jornal a Folha de São Paulo, com enormes prejuízos pessoais, inclusive financeiros, apenas conseguiu, na justiça, o direito de resposta treze anos após. O jornal com seu núcleo de poder pelo poder lhe negou este tempo todo o que afinal era um direito enfim reconhecido pela justiça. O mesmo jornal não compareceu a uma audiência da câmara federal para se posicionar contra a perseguição a um blog que satirizava o jornal.

Por isso o contrabalanço é necessários e, claro, o combate firme e consciente contra todo tipo de manipulação do poder pelo poder.