Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Recebido por e-mail

A FOME DE MARINA


Por José Ribamar Bessa Freire
(Professor, coordena o Programa de Estudos dos Povos Indígenas (UERJ) e pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Memória Social (UNIRIO)

Há pouco, Caetano Veloso descartou do seu horizonte eleitoral o presidente Lula da Silva, justificando: "Lula é analfabeto". Por isso, o cantor baiano aderiu à candidatura da senadora Marina da Silva , que tem diploma universitário. Agora, vem a roqueira Rita Lee dizendo que nem assim vota em Marina para presidente, "porque ela tem cara de quem está com fome".
Os Silva não têm saída: se correr o Caetano pega, se ficar a Rita come.
Tais declarações são espantosas, porque foram feitas não por pistoleiros truculentos, mas por dois artistas refinados, sensíveis e contestadores, cujas músicas nos embalam e nos ajudam a compreender a aventura da existência humana.
Num país dominado durante cinco séculos por bacharéis cevados, roliços e enxudiosos, eles naturalizaram o canudo de papel e a banha como requisitos indispensáveis ao exercício de governar, para o qual os Silva, por serem iletrados e subnutridos, estariam despreparados.
Caetano Veloso e Rita Lee foram levianos, deselegantes e preconceituosos. Ofenderam o povo brasileiro, que abriga, afinal, uma multidão de silvas famélicos e desescolarizados.
De um lado, reforçam a ideia burra e cartorial de que o saber só existe se for sacramentado pela escola e que tal saber é condição sine qua non para o exercício do poder. De outro, pecam querendo nos fazer acreditar que quem está com fome carece de qualidades para o exercício da representação política.
A rainha do rock, debochada, irreverente e crítica, a quem todos admiramos, dessa vez pisou na bola. Feio."Venenosa! Êh êh êh êh êh!/ Erva venenosa, êh êh êh êh êh!/ É pior do que cobra cascavel/ O seu veneno é cruel.../ Deus do céu!/ Como ela é maldosa!".
Nenhum dos dois - nem Caetano, nem Rita - têm tutano para entender esse Brasil profundo que os silvas representam.
A senadora Marina da Silva tem mesmo cara de quem está com fome? Ou se trata de um preconceito da roqueira, que só vê desnutrição ali onde nós vemos uma beleza frágil e sofrida de Frida Kahlo, com seu cabelo amarrado em um coque, seus vestidos longos e seu inevitável xale? Talvez Rita Lee tenha razão em ver fome na cara de Marina, mas se trata de uma fome plural, cuja geografia precisa ser delineada. Se for fome, é fome de quê?
O mapa da fome
A primeira fome de Marina é, efetivamente, fome de comida, fome que roeu sua infância de menina seringueira, quando comeu a macaxeira que o capiroto ralou. Traz em seu rosto as marcas da pobreza, de uma fome crônica que nasceu com ela na colocação de Breu Velho, dentro do Seringal Bagaço, no Acre.
Órfã da mãe ainda menina, acordava de madrugada, andava quilômetros para cortar seringa, fazia roça, remava, carregava água, pescava e até caçava. Três de seus irmãos não aguentaram e acabaram aumentando o alto índice de mortalidade infantil.
Com seus 53 quilos atuais, a segunda fome de Marina é dos alimentos que, mesmo agora, com salário de senadora, não pode usufruir: carne vermelha, frutos do mar, lactose, condimentos e uma longa lista de uma rigorosa dieta prescrita pelos médicos, em razão de doenças contraídas quando cortava seringa no meio da floresta. Aos seis anos, ela teve o sangue contaminado por mercúrio. Contraiu cinco malárias, três hepatites e uma leishmaniose.
A fome de conhecimentos é a terceira fome de Marina. Não havia escolas no seringal. Ela adquiriu os saberes da floresta através da experiência e do mundo mágico da oralidade. Quando contraiu hepatite, aos 16 anos, foi para a cidade em busca de tratamento médico e aí mitigou o apetite por novos saberes nas aulas do Mobral e no curso de Educação Integrada, onde aprendeu a ler e escrever.
Fez os supletivos de 1º e 2º graus e depois o vestibular para o Curso de História da Universidade Federal do Acre, trabalhando como empregada doméstica, lavando roupa, cozinhando, faxinando.
Fome e sede de justiça: essa é sua quarta fome. Para saciá-la, militou nas Comunidades Eclesiais de Base, na associação de moradores de seu bairro, no movimento estudantil e sindical. Junto com Chico Mendes, fundou a CUT no Acre e depois ajudou a construir o PT.
Exerceu dois mandatos de vereadora em Rio Branco , quando devolveu o dinheiro das mordomias legais, mas escandalosas, forçando os demais vereadores a fazerem o mesmo. Elegeu-se deputada estadual e depois senadora, também por dois mandatos, defendendo os índios, os trabalhadores rurais e os povos da floresta.
Quem viveu da floresta, não quer que a floresta morra. A cidadania ambiental faz parte da sua quinta fome. Ministra do Meio Ambiente, ela criou o Serviço Florestal Brasileiro e o Fundo de Desenvolvimento para gerir as florestas e estimular o manejo florestal.
Combateu, através do Ibama, as atividades predatórias. Reduziu, em três anos, o desmatamento da Amazônia de 57%, com a apreensão de um milhão de metros cúbicos de madeira, prisão de mais 700 criminosos ambientais, desmonte de mais de 1,5 mil empresas ilegais e inibição de 37 mil propriedades de grilagem.
Tudo vira bosta
Esse é o retrato das fomes de Marina da Silva que - na voz de Rita Lee - a descredencia para o exercício da presidência da República porque, no frigir dos ovos, "o ovo frito, o caviar e o cozido/ a buchada e o cabrito/ o cinzento e o colorido/ a ditadura e o oprimido/ o prometido e não cumprido/ e o programa do partido: tudo vira bosta".
Lendo a declaração da roqueira, é o caso de devolver-lhe a letra de outra música - 'Se Manca' - dizendo a ela: "Nem sou Lacan/ pra te botar no divã/ e ouvir sua merda/ Se manca, neném!/ Gente mala a gente trata com desdém/ Se manca, neném/ Não vem se achando bacana/ você é babaca".
Rita Lee é babaca? Claro que não, mas certamente cometeu uma babaquice. Numa de suas músicas - 'Você vem' - ela faz autocrítica antecipada, confessando: "Não entendo de política/ Juro que o Brasil não é mais chanchada/ Você vem... e faz piada". Como ela é mutante, esperamos que faça um gesto grandioso, um pedido de desculpas dirigido ao povo brasileiro, cantando: "Desculpe o auê/ Eu não queria magoar você".
A mesma bala do preconceito disparada contra Marina atingiu também a ministra Dilma Rousseff, em quem Rita Lee também não vota porque, "ela tem cara de professora de matemática e mete medo". Ah, Rita Lee conseguiu o milagre de tornar a ministra Dilma menos antipática! Não usaria essa imagem, se tivesse aprendido elevar uma fração a uma potência, em Manaus, com a professora Mercedes Ponce de Leão, tão fofinha, ou com a nega Nathércia Menezes, tão altaneira.
Deixa ver se eu entendi direito: Marina não serve porque tem cara de fome. Dilma, porque mete mais medo que um exército de logaritmos, catetos, hipotenusas, senos e co-senos. Serra, todos nós sabemos, tem cara de vampiro. Sobra quem?
Se for para votar em quem tem cara de quem comeu (e gostou), vamos ressuscitar, então, Paulo Salim Maluf ou Collor de Mello, que exalam saúde por todos os dentes. Ou o Sarney, untuoso, com sua cara de ratazana bigoduda. Por que não chamar o José Roberto Arruda, dono de um apetite voraz e de cuecões multi-bolsos? Como diriam os franceses, "il péte de santé".
O banqueiro Daniel Dantas, bem escanhoado e já desalgemado, tem cara de quem se alimenta bem. Essa é a elite bem nutrida do Brasil...
Rita Lee não se enganou: Marina tem a cara de fome do Brasil, mas isso não é motivo para deixar de votar nela, porque essa é também a cara da resistência, da luta da inteligência contra a brutalidade, do milagre da sobrevivência, o que lhe dá autoridade e a credencia para o exercício de liderança em nosso país.
Marina Silva, a cara da fome? Esse é um argumento convincente para votar nela. Se eu tinha alguma dúvida, Rita Lee me convenceu definitivamente.



--
Para refletir:

"Porque quando os sonhos se tornam mais importantes do que a realidade,
você desistir de viajar, construir, criar. Você até esquece
como reparar as máquinas deixadas para trás por seu
antepassados. Você só sente se, viver e reviver outras vidas
deixados para trás no registro do pensamento. "
The Cage - Jornada nas Estrelas
"Vida Longa e Próspera!"

Ciúme - por Socorro Moreira




Amigo Ciúme
Lupicínio Rodrigues
Quem nos vê brigar
Quase a nos matar
Há de pensar que esse louco
Não gosta de mim...
Sempre que passeamos
Nunca regressamos
Sempre se dá uma briga
No início ou no fim
É que o ciúme
Nosso grande amigo
Ou está com ele
Ou está comigo
Eu já disse a ele
Só não vamos mais brigar
Quando o amigo ciúme
Nos abandonar "


"Quem souber cantar que cante" !
Acho a melodia dessa canção, incrível !


mas ciúme é sentimento inexplicável
corrosivo
às vezes filogenético
desgasta o amor
torna a convivência impossível

não acredito na felicidade amorosa
quando o ciúme doentio
existe !
mesmo que alguém tenha dito
que o ciúme é a pimenta
o perfume do amor.
O ciúme zelo
é cuidado na relação...
esse é natural !
quando ele falta
pode crer 
falta um pouco mais de paixão!

paixão e ciúme podem ser irmãos
geminados
presos por um cordão
que alimenta as neuras da união
precipita o fim
chega depressa à exaustão
envenena pensamentos
desgosta o coração
agrava a sensação
do sentimento de perda

quando o ser livre fica
fica porque gosta
porque é sua opção

quem  escapa da relação
corre 
para o seu próprio caminho
nasce para si mesmo
cria uma felicidade
alternativa...
quando o ser feliz
torna-se impossível !

Se você jurou
Deus te perdoa 
se você jurou
e permanece
é porque a relação te favorece
e merece o respeito
e a proteção divina.

de qualquer forma
a convivência é uma grande história
cheia de riscos e desenhos
quando a tela fica pronta
percebemos :
inferno, paraíso e limbo

Portal - paraíso
escancarado
rumo ao infinito ...
- casal do amor eterno !


socorro moreira

INTIMIDADE - Por Edilma Rocha

Rebeca já estava até acostumada com aquela rotina solitária embora estivesse com um homem ao seu lado. Sempre quieta e amedrontada diante do parceiro que mal lhe falava um pouco mais.

Olhos grandes, verdes e cílios enormes num glamour de estrela de cinema, a boca carnuda como que estivesse sempre a espera de um beijo, úmida e num tom rosado natural. Rosto suave e a pele alva e bem cuidada. O nariz bem definido dando a perfeita proporção no rosto bonito. Cabelos ruivos soltos na altura dos ombros, lisos e pesados. O corpo era uma obra de arte em altura e peso. Seus seios saltavam da camisola de cetim vermelha pedindo por carícias nos mamilos que roçavam o tecido de dormir. Nádegas arredondadas se harmonizando com a intimidade entre um belo par de pernas. Pés descalços pisando devagar o macio no tapete felpudo.

_ Como poderia ser rejeitada diante de tanta beleza ? Tinha algo errado no ar que não sabia o que seria.
Já estava deitada quando Rafael entrou no quarto sem se incomodar em fazer barulho. Tirou os sapatos e meias jogando num canto, depois a camisa Polo, puxou o cinto de tecido colorido e finalmente abriu o feche da calça e deixou à mostra o corpo malhado e bem definido na sunga colada que deixava o sexo visível. Caminhou alguns passos e finalmente entra no chuveiro.

Rebeca tremia de paixão em baixo das cobertas e o seu coração pulava de emoção entre seus seios eriçados. Fingia dormir mas escutava cada gota dágua que caía do chuveiro. Sob a luz do abajur o corpo nu de Rafael era iluminado deixando ver a pele ainda molhada que exalava um bom perfume masculino. Não vestia pijama para dormir, simplesmente deitou-se ao seu lado fechando os olhos e tentando dormir. Sem se mover Rebeca observa aquela pele dourada pelo sol com seus músculos a mostra. Ainda um pouco molhado ficava mais irresistível não sentir desejo por aquele homem. Esperou alguns minutos e finalmente se encosta devagar ao seu lado e toca suas pernas nas nádegas descobertas. Sente um arrepio incontrolável tocando suavemente as mãos no seu ombro reencostando a cabeça suavemente. O cheiro dos corpos nus embriaga as cobertas como uma taça de vinho sugada rapidamente. Ele parece dormir e ela permanece ali carente, disponível e imóvel a espera do dia amanhecer para receber em seus braços o corpo tão desejado do seu amante num perfeito acasalo de amor.
_ As razões pela habitual indiferença?
Ficarão para os outros dias que se sucedem a cada noite de amor vivida entre quatro paredes de um quarto por um homem e uma mulher.

Edilma Rocha

Agenda


Lupicínio Rodrigues




Lupicínio Rodrigues (Porto Alegre, 16 de setembro de 1914 — Porto Alegre, 27 de agosto de 1974) foi um compositor brasileiro.

Lupe, como era chamado desde pequeno, compôs marchinhas de carnaval e sambas-canção, músicas que expressam muito sentimento, principalmente a melancolia por um amor perdido. Foi o inventor do termo dor-de-cotovelo, que se refere à prática de quem crava os cotovelos em um balcão ou mesa de bar, pede um uísque duplo, e chora o amor que perdeu. Constantemente abandonado pelas mulheres, Lupicínio buscou em sua própria vida a inspiração para suas canções, onde a traição e o amor andavam sempre juntos.

De 1935 a 1947, trabalhou como bedel da Faculdade de Direito da UFRGS. Nunca saiu de Porto Alegre, a não ser por uns meses em 1939, para conhecer o ambiente musical carioca. Porto Alegre era seu berço querido e todo o seu universo.

Boêmio, foi proprietário de diversos bares, churrascarias e restaurantes com música, que seguidamente ia abrindo e fechando, tudo apenas para ter, antes do lucro, um local para encontro com os amigos.

Torcedor do Grêmio, compôs o hino tricolor, em 1953: Até a pé nós iremos / para que der e vier / Mas o certo é que nós estaremos / com o Grêmio onde o Grêmio estiver. Seu retrato está na Galeria dos Gremistas Imortais, no salão nobre do clube.

Deixou cerca de uma centena e meia de canções editadas; outras centenas que compôs foram perdidas, esquecidas ou estão à espera de quem as resgate.

wikipédia

Haja insensibilidade - José Nilton Mariano Saraiva

Renúncia, dedicação integral e virgindade absoluta (via celibato) são exigências rigorosas da Igreja Católica Apostólica Romana àqueles que desejam fazer parte dos seus quadros. Já para os que se encontram do lado de fora, na condição de adeptos presenciais ou circunstanciais, a cobrança é mercantil mesmo (e salgada), via dízimos e outros penduricalhos. O certo é que da junção desses dois tipos de exploração formou-se um dos maiores patrimônios da humanidade.
É de estranhar, pois, que agora a nossa querida Igreja Católica Apostólica Romana, via Vaticano, haja perdido todo e qualquer escrúpulo ao partir, com avidez, ganancia e voracidade para a cobrança de ingressos (R$ 65,00 com direito ao chique “kit do peregrino”, composto de um CD e um poster autografado) nas visitas do alemão Ratzinger aos seus rebanhos espalhados pelo planeta. Estará a espelhar-se (ou com inveja) de algumas cidades brasileiras que literalmente cresceram e se firmaram “esfolando” de forma cruel e desumana a romeirada ??? Vejam, abaixo, o que acontecerá na Inglaterra nesses dias e respondam com sinceridade: vocês teriam coragem de pagar tanta grana pra ver o insensível “alemão” Ratzinger ou prefeririam investir na Ivete Sangalo ???

José Nilton Mariano Saraiva

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Vaticano cobra ingressos para financiar visita do Papa ao Reino Unido

Missas com ingressos pagos, camisetas com a imagem do Papa e até bonés de beisebol: a Igreja Católica colocou em andamento sua máquina de marketing para financiar a visita de Bento 16 ao Reino Unido diante das reticências do contribuinte britânico em bancar as despesas.
A Igreja católica inglesa classifica esses pagamentos como "contribuições econômicas", mas para a imprensa britânica são simplesmente uma venda de ingressos, algo sem precedentes. Os fieis deverão desembolsar até 25 libras (30 euros, 38 dólares) para ver a missa de domingo, em Birmingham (centro de Inglaterra), 20 pela de quinta-feira, em Glasgow (Escócia), e 5 por uma vigília no sábado, em Londres.
"Estas contribuições só cobrem os custos de segurança e de transporte dos peregrinos até os locais dos atos", explicou o presidente da conferência episcopal da Inglaterra e Gales, Vincent Nichols.
"Mas não se trata de um pagamento para assistir a missa", enfatizou, destacando que, com sua 'contribuição', os fieis receberão o chamado 'kit do peregrino', uma bolsa que conterá um CD e um postal comemorativos.
O clero católico inglês participa o máximo possível no financiamento da visita de Bento 16 para não ferir a suscetibilidade dos britânicos, muito reticentes em meter a mão no bolso.
Três em cada quatro britânicos acham que o contribuinte não deve pagar pela visita, segundo pesquisa recente. Apenas 10% dos britânicos se declaram católicos.
O custo do deslocamento continua causando polêmica. Segundo cifras oficiais, a fatura final ficará perto dos 20 milhões de libras (24 milhões de euros, 30 milhões de dólares). Nestes tempos de austeridade orçamentária, o governo só assumirá entre 10 e 12 milhões de libras (12-14 milhões de euros, 15-18 milhões de dólares)
A Igreja católica local tem que conseguir entre 9 e 10 milhões de libras, informou recentemente monsenhor Nichols, seis dos quais foram arrecadados durante uma campanha especial de donativos para a visita.
Para o resto, o clero conta com as "contribuições financeiras" para eventos públicos, assim como seu poderoso merchandising.

COMPOSITORES DO BRASIL


NO TEMPO DOS FESTIVAIS
Parte II

“É um tempo de guerra
É um tempo sem sol”...

Por Zé Nilton

Quando a TV Rio lança o primeiro Festival Internacional da Canção Popular, numa série de sete, de 1966 a 1972, e logo assumido pela novel Rede Globo, o tempo ainda não havia fechado de todo para o lado das liberdades civis. Respirava-se um ar de liberdade, vigiada, claro, mas as artes podiam falar do Brasil de então e o mundo não se acabava.

A partir do segundo e, mais precisamente do terceiro, em 1968, o dragão da maldade já andava solto, espreitando a tudo e a todos bem de perto, punindo hereges e rasgando heresias.

A classe média e a juventude estudantil urbanas enchiam o Maracanazinho, no Rio de Janeiro, e através da música engrossava o coro de que era “proibido proibir”.

Daqui da terra a gente tomava conhecimento pelo rádio, e quem podia, pelas raras revistas que chegavam. A indústria fonográfica lançava no outro dia do festival as músicas vencedoras e aquelas aplaudidas pelo povo.
Tempos bons aqueles.

No COMPOSITORES DO BRASIL, programa da Rádio Educadora do Cariri desta quinta-feira, vamos falar e tocar algumas músicas dos três primeiros festivais internacionais, ocorridos respectivamente em 1966, 1967 e 1968.

Vamos rever músicas que nunca mais saíram da memória do tempo e de quantos curtiram a vida, apesar de você.

Um passeio pelas canções de amor, de ternura do início, até as de protestos daquele ano negro para a História do Brasil, 1968.

Na sequencia:

1.Festival Internacional da Canção, 1966
a.SAVEIROS, de Dori Caymmi e Nelson Mota, com Nana Caymmi
b.O CAVALEIRO, de Tuca e Geraldo Vandré com Geraldo Vandré

2.Festival Internacional da Canção. 1967
a.MARGARIDA, de Gutenberg Guarabira com Gutenberg Guarabira
b.TRAVESSIA, de Milton Nascimento e Fernando Brandt, com Milton Nascimento
c.CAROLINA, de Chico Buarque de Holanda, com Cynara e Cybele
d.SÃO DOS DO NORTE QUEVEM, de Capiba e Ariano Suassuna, com Claudionor Germano

3.Festival Internacional da Canção. 1968
a)SABIÁ, de Tom Jobim e Chico Buarque com Cynara e Cybele (vencedora da fase internacional)
b)PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DAS FLORES, de Geraldo Vandré com Geraldo Vandré
c)ANDAÇA, de Dori Caymmi, Eduardo Souto e Paulo Tapajós, com Beth Carvalho e os Goden Boys

Quem ouvir verá!

Compositores do Brasil
Rádio Educadora do Cariri – 1020
Todas as quintas-feiras de 14 às 15 horas
Pesquisa, produção e apresentação de Zé Nilton
Acesse: www.radioeducadoradocariri.com pelo
www.blogdocrato.com

O cheiro da rapadura - Por Heládio Teles Duarte






Para nosso amigo Carlos Esmeraldo
Um presente bem nosso, mel quente e rapadura.

Heladio

Cinema em casa - por Socorro Moreira



Estou na fase de assistir  dois filmes por dia. Tenho tido sorte nas escolhas. Saindo do clássico, e me atualizando. Voltando à velha condição de cinéfila, que fui em tantas épocas.
Hoje já  gozei minha cota :
" Amantes e Casa comigo ".
O primeiro achei belíssimo !


AMANTES


Direção:

James Gray

Ano:

2009

País de origem:

EUA


SINOPSE

O filme conta a historia de um homem deprimido que fica dividido entre duas mulheres completamente diferentes. Uma é filha de amigos cujos pais torcem para que se casem, e a outra é uma atraente vizinha que acabou de se mudar que com o tempo passa a ter um caso com ele.

Fiquei pensando nas escolhas amorosas.
Não escolher , nem ser escolhida.
Deixar que a vida nos entregue o que está predestinado pelo destino. Será?
Não fui escolhida pelas pessoas que escolhi. Não entrei na vida das pessoas que me escolheram... Será?
A verdade é que  deixei de escutar o destino, e tive que arcar com as perdas sem restauros. A resultante ?
Vivi grandes amores, e ainda sobrou amor dentro de mim... Agora transmutado num amor mais sábio, que nunca será racional...Claro !


O segundo foi :

Casa comigo ?

# Sinopse
Mulher viaja para Dublin para pedir o namorado em casamento, no dia 29 de fevereiro de um ano bissexto, data na qual, segundo a tradição irlandesa, o homem é obrigado a aceitar o pedido.

A música 
"Dream a little dream of me..." Deliciosa !

Ficou uma proposta  gravada :
 Ela :
"Quer ficar comigo,  sem planos ?"

Ele:

"Quero ficar contigo, com planos ! "

E eu fico pensando...

Com planos ou sem planos  a paixão quer  proximidade para virar amor ou se esgotar,  porque o amor  que já transcedeu  dispensa  qualquer lei, qualquer  intenção... Não precisa ficar... Ficou !




socorro moreira

FILME O GRÃO

Amigos,

O filme “O Grão” , do cineasta Petrus Cariry pode estar representando o Brasil no Oscar 2011. Basta que votemos.
Petrus é filho do cineasta caririense Rosemberg Cariry.

Segue link para votação:

www.cultura.gov.br/site/2010/09/08/enquete-oscar/

Abs

Petrus Cariry
Rebobinando o tempo

(O que se viu e o que não se viu)


A "Caretinha"


Mundinha confeccionando "Caretinhas" (bonecas de pano)
.

Cariri Encantado - L. C. Salatiel e Emerson


Cariri Encantado - L. C. Salatiel e Edilma


Manos: Ronaldo e Edmar


Uma boa prosa: Dona Almina, Dona Rute e Dr. José Newton


Stela, Ismênia e Claude
(...e o Cariricaturas em Verso e Prosa)

Agatha Christie


Dame Agatha May Clarissa Mallowan (Torquay, 15 de Setembro de 1890 — Wallingford, 12 de Janeiro de 1976), mundialmente conhecida como Agatha Christie, foi uma romancista policial britânica e autora de mais de oitenta livros. Seus livros são dos mais traduzidos de todo o planeta, superados apenas pela Bíblia e pelas obras de Shakespeare, com mais de 4 bilhões de cópias vendidas em diversas línguas.

Conhecida como Duquesa da Morte, Rainha do Crime, dentre outros títulos, criou os famosos personagens Hercule Poirot, Miss Marple, Tommy e Tuppence Beresford e Parker Pyne, entre outros.

wikipédia

Bolo de laranja com casca



* Ingredientes
* Bolo:
* 1 laranja média
* 1 xícara de chá de óleo
* 4 ovos
* 2 xícaras de chá de açúcar mascavo
* 2 xícaras de chá de farinha de trigo
* 1 colher de sopa de fermento em pó

* Cobertura:
* 2 xícaras de chá de suco de laranja peneirado
* 1 colher de sopa de amido de milho


* Modo de Preparo

1. Corte a laranja em 4 pedaços, retire a parte branca do miolo e as sementes que estiverem aparentes
2. Bata no liquidificador as laranjas, o óleo, os ovos e o açúcar
3. Em uma vasilha, misture a farinha de trigo e o fermento
4. Adicione o conteúdo do liquidificador à mistura, mexendo com colher de pau (não bater em batedeira)
5. Leve ao forno médio por aproximadamente 25 minutos em forma untada com margarina e polvilhada com farinha de trigo

1. Cobertura:Misture em uma panela todos os ingredientes e leve ao fogo, mexendo sempre até ferver
2. Deixe cozinhar um pouco e despeje sobre o bolo assado ainda quente

P.S.Não sei se a receita é igual, mas comi esse bolo feito por nossa amiga Edilma,  e achei delicioso ! 
Dica: Ainda sugerida pela nossa amiga, você poderá variar a cobertura, com uma, aprendida com ela, que sereve para qualquer um outro bolo.

Cobertura de Chocolate  à Edilma Saraiva


O segredo do "durinho" da cobertura é levá-lo à geladeira por 2 horas , antes de usá-la .

INGREDIENTES

* 5 colheres de sopa de nescau
* 2 colheres de sopa de margarina ou manteiga ( derretidas)
* 2  colheres de sopa de  creme de leite 

Bom Apetite !

Carne de soja com legumes



Ingredientes:

2 xícaras de proteína texturizada de soja grossa e escura
2 xícaras de água fervente
2 colheres (sopa) de óleo de oliva
2 dentes de alho amassados
1 cebola  picada
1 pimentão verde picado
3 tomates grandes  picados
2 cenouras médias cortadas em rodelas
1 abobrinha cortadas em rodelas
Sal e pimenta do reino a gosto
2 colheres (sopa) de cheiro verde picado

Modo de Preparo:

Cubra a proteína de soja com a água fervente e deixe descansar por cerca de 3 minutos. Em seguida escorra-a e deixe esfriar. Aperte a proteína de soja entre as mãos para eliminar a água. Reserve. Em uma panela, aqueça o óleo de oliva, junte o alho e a cebola, misture e cozinhe até que a cebola fique macia. Acrescente o pimentão,  o tomate e a proteína de soja e cozinhe por cerca de 6 minutos. Junte a cenoura e a abobrinha,  regue aos poucos com 1 xícara de água, mexendo de vez em quando. Mantenha no fogo até que os legumes estejam cozidos, porém, sem desmanchar. Tempere com sal e pimenta do reino e retire do fogo. Adicione  o cheiro verde e misture bem.
Sirva com arroz integral e salada de acelga  com cenoura ralada.

Se usar enlatados, acrescente azeitonas e milho verde.

Receita de pão integral



20 porções


* Ingredientes
* 400 ml de água morna
* 25 g de fermento fresco para pão
* 100 ml de óleo
* 1 colher (sobremesa) de sal
* 2 colheres (sopa) de açúcar mascavo
* 1 xícara (chá) de aveia
* 1/2 xícara (chá) de gérmen de trigo
* 1 xícara (café) de semente de linhaça
* 2 copos (requeijão) de farinha de trigo integral
* Farinha de trigo até dar o ponto


* Modo de Preparo

1. Em uma vasilha misture o fermento com o açúcar
2. Acrescente os outros ingredientes
3. Em uma superfície lisa e enfarinhada sove bem a massa
4. Deixe crescer até dobrar de volume
5. Modele os pães e coloque em forma de bolo inglês forrada com papel manteiga
6. Deixe crescer novamente
7. Leve ao forno

Rosto- por Socorro Moreira



"É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho"


"Se a lágrima é tão maldita
Que a pessoa mais bonita
Cobre o rosto pra chorar"

"Havia ali sob o chão
Um pedaço do rosto de pedra
Tinha marcado no chão
Aquela suave expressão
Ou não, ou não."

"Ingênua de vestido assusta
Afasta-me do ego imposto
Ouvinte claro, brilho no rosto
Abandonada por falta de gosto"


"Não estou disposto
A esquecer seu rosto de vez
E acho que é tão normal
Dizem que eu sou louco
Por eu ter um gosto assim
Gostar de quem não gosta de mim..."


teu rosto
no meu pensamento
às vezes se esfumaça
passa por tantas idades
que eu já nem sei se
um dia te conheci

Teu rosto
eu lembro de todos...
Só não lembro do 
meu próprio 
rosto
que tinha
quando nasci

Depois de tanto mudar
descobri que lembro
todos
menos o meu próprio rosto
quando dormia,
e sonhava em ti.

o amor  não tem rosto
nem a felicidade, tão pouco ...
mas o rosto de quem é feliz
traz  a paz tatuada :
a cara do amor em paz
quando o  amado
é feliz !

socorro moreira

lembro rostos de "Cinema"
rostos belos
expressivos ...

depois descobri  que a tela
inventa sempre histórias
de rosto triste ou feliz

prefiro a cara lavada
com rugas
desidratada
mas que espressa o real:

o rosto que a vida fez
o fim que a vida traz !

socorro moreira

FAISCADA 2010 - Renata Jambeiro e Trio Dona Zefa, no Arena do Forró.

Ismael Silva - por Norma Hauer

Foi ali em Niterói, em Jurujuba que ISMAEL SILVA nasceu em 14 de setembro de 1905.
Mas aos 3 anos veio com sua família morar no Estácio e, graças a isso, se tornou um dos maiores sambistas dali; ao lado de Nilton Bastos, Mano Edgard , Mano Rubem... fundou a primeira escola de samba, em 1928, a Estácio de Sá.
Aos 15 anos compôs seu primeiro samba e, aos 20 (1925) teve sua primeira gravação:"Me faz Carinho", por Cebola, sambista da época.
Nesse ano, as gravações ainda eram mecânicas e as mais famosas eram realizadas pela Casa Edson. Eram "abertas" com uma voz dizendo:"disco da Casa Edson-Rio de Janeiro" e entrava a abertura, com poucos instrumentos.
Francisco Alves, que "de longe" sentia o que era bom, e já era um nome popular, sendo o primeiro a gravar pelo sistema elétrico, aproximou-se dos "bambas" do Estácio e propôs gravar seus sambas, desde que seu nome aparecesse como co-autor.
Ismael aceitou e surgiram seus primeiros sucessos, como a regravação de "Me Faz Carinho"; "Não é bom Falar"; "Se Você Jurar"... Francisco Alves é desculpado por essa atitude (até com Noel ele fez "parceria", como nos sambas "Não Tem Tradução", P'ra Esquecer" e alguns outros) .
Ismael aceitou, mas em uma entrevista que ele deu a um órgão do qual não me recordo o nome, ele contou essa história; disse que na época achou ótimo porque, como sambista pobre, não teria como aparecer nas vozes dos cantores então famosos.
E Francisco Alves era um dos mais famosos na época.

Em 1944, Ismael encontrava-se em dificuldades financeiras e compôs um samba de nome "Antonico", dando-o para Alcides Gerardi gravá-lo.

Era uma auto-história, visto que o "Nestor", ali descrito, era o próprio Ismael. O "Nestor" estava precisando de ajuda e contava com o "Antonico".

Tal como ISMAEL, os sambistas dos anos 30, 40 e 50, não ficavem ricos com suas músicas e ainda tinham de cedê-las ou pedir auxílio para sobreviver com elas.
Principalmente se fosse negro.

Dois Lps ISMAEL SILVA gravou em 1964:"O Samba na Voz do Sambista" e "Ismael Canta Ismael". Na mesma ocasião, Carlola e D.Zica criaram o restaurante "Zi-Cartola", na Rua da Carioca e convidaram Ismael para ali se apresentar. Foi bom para ele, que estava meio esquecido, mas não foi tão bom porque durou pouco.
Ismael foi para São Paulo, sendo homenageado na Bienal do Samba, naquela cidade.

Em 1973 no Teatro Paiol, de Curitiba, Ricardo Cravo Albin lançou o espetáculo "P'ra Você Jurar", uma de últimas apresentações de Ismael em público.

No momento em que estou escrevendo, ouço o programa "Minha Terra, Nossa Gente", que Luiz Vieira apresenta na Rádio Carioca - AM, 70 khz, de 2ª a 6ª feiras, das 6 às 8 da manhã e que está homenageando Ismael Silva.

Está sendo executada a música "Nem é Bom Falar", na voz do próprio Ismael. O que não dá para entender é que nesse samba, que Ismael gravou em um de seus LPs, de 1964, ele modificou a letra da 2ª estrofe, misturando-a com a da 4ª. Afirmo isso, porque na gravação original de Francisco Alves, feita em 1930, o final da 2ª estrofe dizia;
"Senão eu acabo, dando p'ra gritar na rua:
Oh, eu quero uma mulher bem nua".

A 4ª estrofe dizia:
Ela deu o fora, foi morar lá na Favela,
Oh, e eu não quero saber mais dela.

Ismael "misturou" as estrofes e começou a 2ª normalmente, mas na parte final acrescentou a 4ª. Ficou uma miscelânia. Se em 1930 ele podia falar em "mulher nua" por que não o pode em 1964? Seria conseqüência da "revolução"(?) de 64 ? .Jamais saberemos.
Ismael faleceu em 14 de março de 1978, seis meses antes da data em que completaria 73 anos.

Norma

Fotografia- por Aloísio


Fotografia revelada
Revelam rostos
De alegria

Hoje
Não existe
A espera
De tempos atrás
Você clicou
E já apareceu
Aquele momento
Que você fixou.

Fotografia
Doces lembranças
Daqueles momentos
Que ficaram pra trás

- . –

Fica aqui o pedido
Se mostre amigo
Revele seu “ROSTO”
Me mande uma poesia.



 por Aloisio
Foto: Nívia Uchôa


                       Voar fora da asa                     
 ***

Créd.: Stefan Hess

A inventividade e o primitivismo da poesia de Manoel de Barros
Publicado em 07 de maio de 2010
Wilker Sousa


Desde seus Poemas Concebidos sem Pecado, de 1937, Manoel de Barros publicou 20 livros. Avesso ao epíteto de “Poeta do Pantanal”, uma vez que “a poesia mexe com palavras e não com paisagens”, Manoel faz travessuras com a linguagem, “desaumatizando” a percepção de mundo: “Escrevo o idioleto manoelês archaico (idioleto é o dialeto que os idiotas usam para falar com as paredes e com as moscas). Preciso atrapalhar as significâncias. O despropósito é mais saudável que o solene” (Livro sobre Nada, 1996). O substrato de sua arte está essencialmente no universo pantaneiro, povoado de passarinhos, rãs, lesmas, pedras e rios. Porém, antes de simples ambientação e pretexto para o memorialismo, o Pantanal converte-se em poesia por meio do uso “reinventivo” da linguagem; daí a recusa a rótulos como aquele.

Tais eixos temáticos e estilísticos perpassam toda a obra de Manoel de Barros, em um dos projetos mais coerentes da lírica brasileira. Em seu mais novo livro, Menino do Mato, permanecem o primitivismo e o retorno à inocência perdida, simbolizados no tema da infância: “A maneira de dar canto às palavras o menino / aprendeu com os passarinhos”. Na esteira deste lançamento, é publicada a compilação de sua obra completa, o que permite ao leitor assistir ao desenrolar de mais de sete décadas dedicadas ao fazer poético. Nesta entrevista, concedida à CULT por e-mail, o poeta de 93 anos fala de seu novo livro, da pouca recepção de sua obra pela crítica especializada, e comenta princípios que norteiam sua poesia.

CULT – A exemplo de Memórias Inventadas III (2007), Menino do Mato (2010) remonta ao tema da infância. Após muitas décadas dedicadas à poesia, suas obras mais recentes simbolizam o fechamento de um ciclo que retorna ao primitivo?

Manoel de Barros – Acho que não retorno ao primitivismo. Por antes acho que continuo primitivo, vez que meu caminho seria para encostar na semente da palavra, ou seja: o início do canto. Porque o ser humano começa a se expressar pelo canto.

CULT – Uma das marcas centrais de sua poesia é a tentativa de alcançar aquilo que está antes da palavra, ou seja, a sensibilidade primeira que desencadeia a poesia. Poderíamos então afirmar que a formação do poeta Manoel de Barros se deu fundamentalmente na infância?

Manoel – Eu fui abençoado por uma infância no mato. Não tínhamos vizinhos, não havia outras casas, outros meninos. Só nós – eu e dois irmãos. E o chão de formiga e de lagartixas. A mãe não tinha tempo de nos levar ao colo. O pai campeava. E a gente brincava de inventar brinquedos. Fui na luta para a poesia depois.

CULT – O trabalho com a linguagem em seus poemas revela a possibilidade que ela possui de alargar os horizontes do “primitivo” ou, ao contrário, é reflexo da impossibilidade de alcançar a essência poética?

Manoel – Eu sempre quis o criançamento da palavra. Eu sempre desejei o despropósito das palavras. A palavra que produzisse a melodia letral. Que sempre me parecesse a essência poética do absurdo.

CULT – Sua obra escapa a rótulos, como “poesia do Pantanal”, “poesia de folclore e costumes”, entre outros. Como definir a poesia de Manoel de Barros?

Manoel – Sabemos nós que poesia mexe com palavras e não com paisagens. Por isso não sou poeta pantaneiro, nem ecológico. Meu trabalho é verbal. Eu tenho o desejo, portanto, de mudar a feição da natureza, pelo encantamento verbal.

CULT – Ao longo de sua obra, o senhor criou diversas metáforas para designar a poesia. Qual a sua favorita?

Manoel – Acho que a favorita e que algumas pessoas citam é: poesia é voar fora da asa.

CULT – O fato de não ter acumulado uma fortuna crítica o incomoda? Na sua opinião, a que se deve certa resistência da crítica com relação à sua obra?

Manoel – Já tenho respondido sobre isso. Conversei uma vez com o bibliófilo José Mindlin, que era meu grande amigo, sobre essa rejeição da crítica pela minha poesia. Mindlin me afirmara que minha poesia, por não ter rima nem métrica, seria uma evolução ou uma revolução na poesia. Pois que não usando métrica nem rima, uso a melodia letral ou a harmonia silábica.

CULT – Como o poeta Manoel de Barros gostaria de ser lembrado?

Manoel – Gostaria de ser lembrado como um ser abençoado pela inocência. E que tentou mudar a feição da poesia.

Fonte: Revista CULT
http://revistacult.uol.com.br/home/2010/05/voar-fora-da-asa/

Todo homem tem seu preço ??? – José Nilton Mariano Saraiva

Discutível, porém sempre lembrado, um velho e popular axioma reza que “todo homem tem seu preço”, de acordo com as circunstâncias e conveniências que se lhe anteponham.
Não há como negar, no entanto, que na mal-cheirosa (mas muito bem remunerada, desde o tempo de Rui Barbosa) “atividade política” praticada no Brasil, tal assertiva se nos apresenta por demais verossímil e consentânea, em razão do recorrente “efeito-tapioca”, traduzido na incrível facilidade de “virar” ou “trocar” de partidos, por parte da maioria dos seus integrantes.
Em termos de Ceará, por exemplo, uma das figuras emblemáticas de tal comportamento e prática é o senhor Ciro Gomes, chefe do clã dos Ferreira Gomes, de Sobral, que, pulando de galho (ARENA, PDS, PMDB, PSDB, PPS e PSB) conseguiu “empregar” toda a família na política (mulher, irmãos, primos, amigos e por aí vai).
Pois bem, atual relapso detentor de um mandato de Deputado Federal (foi um dos que mais faltou desde que assumiu), falastrão, esperto, perspicaz, calculista, matreiro e sempre com um olhar à frente dos demais, o senhor Ciro Gomes aparentemente sai profundamente desgastado da atual campanha, quando, de presumível candidato à Presidência da República, aceitou transferir o título eleitoral para concorrer ao Governo de São Paulo e findou sem nada nas mãos, já que descartado pela “paulistada” petista.
Enganam-se, entretanto, os que imaginam que ele, tal qual um velho e decadente lutador de boxe, teria ido a nocaute; é que, para renunciar à candidatura presidencial e agüentar calado todo o corrosivo desgaste que atualmente atravessa, por baixo do panos, provavelmente, terá sido firmado, lá atrás, um “acordo de cavalheiros”, que garante ao senhor Ciro Gomes um ministério qualquer num futuro governo Dilma Rousseff (onde ele poderá abrigar todos os áulicos que o cercam e traficar influência).
Alguém duvida ???

FELIZ ANIVERSÁRIO MEU NOVO AMIGO - Por Edilma Rocha

Quero neste espaço
deixar o meu abraço pelo seu aniversário.
Brindemos todos juntos
a pessoa maravilhosa que és.
A mesa está posta,
a cozinheira é de fazer qualquer um feliz...
O apartamento tem uma vista de encher os olhos,
e lá mora uma família feliz e acolhedora.
Estou feliz de tê-lo como amigo,
FELIZ ANIVERSÁRIO !

Para Carlos Eduardo - por Daniel Boris (Jacques)


C ontador de contos
A migo dos amigos
R evelador de poesias
L ivro aberto
O stentador da liberdade
S igla de bondade e honestidade

E mero dos Esmeraldo
D elicadeza de pessoa
U m dia de comemoração
A niversário do POETA
R ezamos e oramos por ti
D eus te ilumine
O s meus parabéns

"FELIZ ANIVERSÁRIO"

Daniel Boris (Jacques)
De 15 a 30/09 - Mostra BNB da Canção Brasileira Independente homenageia o "Artista Independente"
Caldeirão das Artes

De 15 a 30 de Setembro a Mostra BNB da Canção Brasileira Independente homenageia o “Artista Independente”. Eles propagam em suas localidades as experiências vivenciadas a partir de duas vertentes: diversidade e identidade.

Alheios as adversidades, participam de todas as etapas da produção de seus respectivos trabalhos, indo desde o processo de composição, passando pelo registro, assinatura de contratos, até à elaboração da apresentação junto ao publico consumidor, primando pela fusão de elementos culturais locais, regionais e planetários.

Tudo isso interagindo em perfeita sintonia, no espaço aberto pelo Banco do Nordeste, principal instituição financeira do Governo Federal dedicada às questões de desenvolvimento sustentável da Região Nordeste, para agregar e promover novos e veteranos talentos da música independente brasileira."

Programação:

DIA 15, QUARTA-FEIRA

12h Isaac Cândido (CE).
17h Suco Elétrico (RS).
19h Criolina (MA).

DIA 16, QUINTA-FEIRA

12h Roraima (PI).
17h Beto Brito (PB).
19h Marku Ribas e Trio (MG).

DIA 17, SEXTA-FEIRA

12h Khalil Gibran (CE).
17h Curumin (SP).
19h Khrystal (RN).

DIA 18, SÁBADO

12h Gustavo Portela (CE).
17h Marquinho Sathan (RJ).
19h Breculê (CE).

DIA 22, QUARTA-FEIRA

12h Marcus Caffé (CE).
17h Fhátima Santos (CE).
19h Mirianês Zabot (RS).

DIA 23, QUINTA-FEIRA

12h Rodger Rogério (CE).
17h Nayra Costa (CE).
19h George Israel (RJ).

DIA 24, SEXTA-FEIRA

12h Perfume de Gardênia (RN).
17h Carlinhos Nação (CE).
19h Érika Machado (MG).

DIA 25, SÁBADO

12h Soraya Castello Branco (PI).
17h Sueldo Soares (RN).
19h Fire Friend (SP).

DIA 29, QUARTA-FEIRA

12h Mel Mattos (CE).
17h Aline de Lima (MA).
19h Quinteto Agreste (CE).

DIA 30, QUINTA-FEIRA

12h Andréa Piol (CE).
17h André Marinho (RJ).
19h Daúde (BA).

Divulguem e compareçam!

Mostra BNB da Canção Brasileira Independente
De 15 a 30 de Setembro
No Centro Cultural BNB-Fortaleza
Entrada Franca

contato@caldeiraodasartes.com.br
www.caldeiraodasartes.com.br

Um bolo, um aniversário ... uma gente feliz!!

Para Carlos Eduardo


O dia enfeitou-se, a família preparou a festa.
Magali contratou Dona Benta intimando Carlos a se lembrar da sua infância.


(Raspar a tigela, sonhos dourados de outrora...)


Chegou a hora de cortar o bolo.
Todos se puseram em volta da mesa e Carlos apagou a velinha.


E... depois de tudo, cada um de nós deixa aqui um abraço

 e votos de FELICIDADES mil!...

A pureza do afogado




O afogado

O mar trouxe o corpo à praia.
Era um estrangeiro, jovem e belo.
A boca aberta deixava ouvir,
como se viessem do outro mundo,

as vagas do mar e os gritos brancos das gaivotas.
Eu lhe fechei os olhos, azuis como o céu
através das órbitas de uma caveira.
A sua nudez lhe tornava a pele mais pálida.

Sorria perplexo, como se reconhecesse
num espelho
a nossa estranheza.

Olhando-o, nós sabíamos:
também temos, em vida, o céu nas órbitas
e a morte nas pálpebras.


Pureza

Um barco desliza no lago silente.
É o crepúsculo dos pássaros calmos
E a leve brisa na folhagem transparente.
Anjos inaudíveis cantam salmos,

Demônios dormem no fundo abismo.
Hoje não verei a face do afogado.
Sou a nuvem suspensa de uma árvore
E cismo na quietude, cisne dourado.

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O primeiro poema é de 2005; o segundo, de 1985. Mais ou menos vinte anos os separam.

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"Quem escreve um poema salva um afogado." (Mário Quintana)

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Foto na Ponte Metálica, em Fortaleza.

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Noite com Gal... Nossos Momentos

Para o aniversariante Carlos Eduardo e sua amada Magali
esta noite com Gal. 

Noite com Gal ... Alguém como tu