Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


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quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Hasta Siempre Comandante Che Guevara

Nascido em 14 / 06/ 1928 na cidade de Rosário ( Argentina )
La Higuera ( Bolívia ) , 09 de outubro de 1967
Aprendimos a quererte
desde la histórica altura
donde el sol de tu bravura
le puso un cerco a la muerte.

Aquí se queda la clara,
la entrañable transparencia,
de tu querida presencia
Comandante Che Guevara.

Tu mano gloriosa y fuerte
sobre la historia dispara
cuando todo Santa Clara
se despierta para verte.

Aquí se queda la clara,
la entrañable transparencia,
de tu querida presencia
Comandante Che Guevara.

Vienes quemando la brisa
con soles de primavera
para plantar la bandera
con la luz de tu sonrisa.

Aquí se queda la clara,
la entrañable transparencia,
de tu querida presencia
Comandante Che Guevara.

Tu amor revolucionario
te conduce a nueva empresa
donde esperan la firmeza
de tu brazo libertario.

Aquí se queda la clara,
la entrañable transparencia,
de tu querida presencia
Comandante Che Guevara.

Seguiremos adelante
como junto a ti seguimos
y con Fidel te decimos:
hasta siempre Comandante.

Aquí se queda la clara,
la entrañable transparencia,
de tu querida presencia
Comandante Che Guevara.

(Carlos Puebla, 1965)
Esta canção foi composta, letrada e (primeiro) interpretada por Carlos Puebla, em 1965, como resposta à carta de despedida de Che Guevara quando da sua saída de Cuba. Desde esse ano, até hoje, teve inúmeros covers interpretados pelos maiores nomes da música. A letra remete para pontos chave da Revolução Cubana, glorificando os feitos do Comandante. Esta canção de Puebla está para a música, como a foto de Korda para a imagem: ambas são ícones da mesma pessoa.
Canção em homenagem a Che Guevara é ouvida no FMI
da France Presse, em Istambul
03/10/2009 - 14h52

Uma canção do cubano Carlos Puebla em homenagem a Che Guevara, com o título "Hasta siempre comandante", foi ouvida inesperadamente neste sábado em Istambul, ao fim de uma entrevista coletiva do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Quando os dirigentes do Fundo encerraram uma coletiva sobre as perspectivas econômicas para a Europa, uma versão moderna de "Hasta siempre", interpretada por uma voz feminina, começou a tocar como música de fundo, mas a um volume bastante elevado.Os presentes puderam ouvir então, a cantora celebrando Che, com palavras como "tua mão gloriosa e forte sobre a história dispara".

http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u633016.shtml
Veja no vídeo, a cantora francesa Nathalie Cardone, interpretando "Hasta Siempre Comandante".

Jacques Brel - O compositor de " Ne me quitte pas"



Jacques Romain Georges Brel ( pronúncia do nome em francês) (Schaerbeek, Bélgica em 8 de Abril de 1929 – Bobigny, França em 9 de Outubro de 1978) foi um autor de canções, compositor e cantor belga francófono. Esteve ainda ligado ao cinema de língua francesa.
No início dos anos 50, não se entusiasmando pelo trabalho na fábrica de cartão do pai (dizia-se "encartonado" neste trabalho), continua a escrever canções, que vai mostrando aos amigos e cantando pelos bares de Bruxelas sempre que se proporciona.
A pequena mas sólida fama na sua terra natal proporciona-lhe a gravação em 1953, do primeiro single, um 78 rpm, contendo as canções "Il y a" e "La foire". Persistente na sua ideia de fazer carreira com as suas canções, Brel deixa o emprego, a família, a sociedade burguesa de Bruxelas (que ele viria a retratar em "Les Bourgeois") e vai tentar a sorte na capital francesa, onde consegue ao fim de algum tempo ser ouvido pelo descobridor de talentos Jacques Canetti (irmão de Elias Canetti, o prémio Nobel da literatura de 1981). É apresentado no célebre cabaré parisiense Les Trois Baudets, do próprio Canneti, onde pouco tempo antes havia actuado em grande estilo Georges Brassens. Em 1959 é vedeta no Bobino em Paris e canta em Bruxelas no "L’Ancienne Belgique" com Charles Aznavour.

A segunda metade da década de 50 é passada num grande ritmo de espectáculos (chega a participar em 7 espectáculos numa única noite). Para além dos sucessos conseguidos no Olympia e no Bobino, em Paris, vai fazendo espectáculos por todo o mundo. Em 1954 é publicado o seu primeiro álbum "Jacques Brel et ses chansons". Torna-se notado por Juliette Gréco que grava uma das suas canções, "Le diable". Este encontro é marcante no futuro da carreira de Brel pois é então que se inicia uma frutuosa colaboração com Gérard Jouannest, pianista e acompanhante da cantora, e com o também pianista e orquestrador François Rauber. Em 1955 conhece Georges Pasquier ("Jojo"), percursionista no Trio Milson e de quem se torna amigo. O seu primeiro grande sucesso ocorre em 1956 com a música "Quand on a que l’amour". Em 1957 é laureado com o grande prémio do disco da academia Charles Cros e a sua digressão faz grande sucesso pela França. Em 1958 Miche, a mulher, retorna a Bruxelas. Desde então ele e a família vivem vidas separadas.

Sob a influência do seu amigo "Jojo" e dos pianistas Gérard Jouannest (que o acompanhava em palco) e François Raubert (orquestrador e pianista de estúdio), o estilo de Brel foi mudando. A música tornou-se mais complexa e os temas mais diversificados. Um apurado sentido de observação, de ironia e de humor, associado à sua capacidade poética, permitiram-lhe criar temas que abordam, das mais diferentes maneiras, várias das realidades do dia a dia. Nele encontram-se canções cómicas como Les bonbons, Le lion ou Comment tuer l’amant de sa femme, mas também canções mais emotivas como Voir un ami pleurer, Fils de, Jojo. Os temas vão desde o amor com Je t’aime, Litanies pour un retour, Dulcinéa, até à sociedade com Les singes, Les bourgeois, Jaurès, passando por preocupações espirituais como em Le bon Dieu, Si c’était vrai, Fernand.

O ritmo de espectáculos anuais continua intenso, chegando a ultrapassar 365 num único ano

Em 1966 anuncia que irá deixar de actuar em público como cantor. Seguem-se vários espectáculos de despedida nomeadamente em Paris (Olympia) e em Bruxelas (Palais des Beaux-Arts). Apesar da insistência dos seus amigos, Brel não muda de ideias e, em 16 de Maio de 1967 dá-se a sua última actuação ao vivo em Roubaix.


O teatro torna-se a sua primeira experiência, com a adaptação da peça "L’homme de la manche". A personagem de Dom Quixote, que desempenhava, estava bem de acordo com o seu idealismo. A peça estreia em 1968 no Theatre Royal de la Monnaie, em Bruxelas e no mesmo ano no Theatre des Champs-Elysées em Paris, tendo ultrapassado as 150 representações. Entretanto volta-se para o cinema, participando durante os cinco anos seguintes como actor em mais de uma dezena de filmes e como realizador em dois deles Franz e Le Far West . Após este último filme, Brel diz um novo adeus ao espectáculo, desta vez muito mais radical: deixa Paris, a França, os seus próprios afectos.


Os seus brevets aéreos e marítimos abrem-lhe a porta à possibilidade de vaguear pelo mundo por ar ou por mar. Voa pela Europa qual Saint-Exupéry (mito que o acompanhava desde há muito). Em 1974, após comprar um veleiro de 19 metros decide partir com Madly Bamy que tinha conhecido na rodagem do filme L'Aventure c'est l'aventure para uma volta ao mundo de 3 anos. Em Setembro, ao aportar nos Açores, toma conhecimento do falecimento do seu grande amigo Jojo a quem vem a dedicar uma canção. Em Outubro é-lhe detectado um pequeno tumor no pulmão e no mês seguinte é efectuada a ablação do lobo pulmonar superior esquerdo. Em Dezembro, após um pequeno repouso, desloca-se ao local onde está o seu veleiro e decide prosseguir a sua viagem. Em Novembro de 1975 chega à baía de Atuona, na ilha Hiva Oa no arquipélago das Ilhas Marquesas, Polinésia Francesa.

Em 1978 a saúde começa-se a degradar e retorna a Paris em Julho para novos tratamentos. Em Outubro é internado no Hospital com uma embolia pulmonar, vindo a falecer com 49 anos, às 4 e 10 da madrugada do dia 9 de Outubro de 1978 .


O Wikiquote tem uma coleção de citações de ou sobre: Jacques Brel.


Lembrando Fernando Lobo , na voz de Maysa

Londonderry air - Danny boy - por José do Vale Pinheiro Feitosa

Há alguns anos ouvi pela primeira vez os trabalhos populares de André Rieu e fiz uma série de textos enquanto ouvia váris canções incluindo Londonderry air, uma belíssima canção do folclore Irlandês.

sob a loca de uma pedreira,
embaixo
tudo que resta
são as sombras e a paz na alma.
Olhar que aquieta a paisagem,
que faz a cintilação da luz soante,
sopra o vento em oração de resguardo.
Nas sombras,
a pele que resfria o ambiente,
abaixa a chama que abrasa as paixões.
Sob o teto,
a cabeça anticíclica produz o silêncio,
reduzindo o malho ferreiro ao farfalho de borboletas.
Na umidade das sombras
o sal da terra mina aos poucos a saliva,
um sabor de mel em gotas.
Ali e aqui,
aonde tudo se aquieta,
o chilrear dos homens,
apenas alegria suave,
cada nota uma fibra vibrátil,
o peito é cheio de silêncios cantantes.
Londonderry air.
Danny boy.

Comunicado Vila das Artes


CINECLUBE
Toda segunda tem exibição de filmes na Vila das Artes. Na próxima semana - devido ao feriado do dia 12 - a sessão cineclubista acontece na terça, dia 13.

Na próxima terça, dia 13, tem exibição na Vila das Arte do filme“O Quarto Poder”, de Konstantinos Costa Gavras (foto). Produzido em 1997, retrata a história de dois homens cujos destinos se cruzam por acaso. Um deles é um veterano repórter de TV penalizado por entrar em pânico durante uma matéria e obrigado a cobrir o cotidiano de uma pequena cidade. O outro é casado e pai de família, que descobre que foi despedido e entra em desespero. A sessão começa às 18h30 e após o Cine Costa Gavras, responsável pela exibição, promove um bate papo com o público presente. A entrada é gratuita.

CURSOS LIVRES
Roteiro para Séries de TV e Animação em Stop Motion são cursos com inscrições abertas. (Foto: Yamaji trabalhando em comercial. crédito: skerzocinema.com)

O Núcleo de Produção Digital Vila das Artes, programa Olhar Brasil mantido em parceria com a Prefeitura de Fortaleza e o Ministério da Cultura, traz mais dois cursos para a Cidade. Roteiro para Séries de TV, que acontece de 26 a 30 de outubro das 13h30 às 18h30, com a professora Juliana Reis e Animação em Stop Motion, de 19 a 23 de outubro com o professor Fábio Yamaji. O curso é realizado em parceria com o Núcleo de Animação da Casa Amarela da UFC. As inscrições devem ser feitas na secretaria da Vila e também, no caso do curso de Animação, podem ser feiras na Casa Amarela (Avenida da Universidade, 2995, Benfica). È necessário apresentar foto 3x4, currículo resumido e preencher uma ficha de inscrição. Inscrições té dia 14 para animação e até dia 20 para o curso de Roteiro . Informações na Vila pelo telefone 3252-1444.

CINE NAS RUAS
Coletivos exibem filmes e promovem reflexão sobre arte e cotidiano em espaços públicos da cidade.
Pipoca, reflexão e ar livre. È assim que muitas pessoas estão assistindo filmes em Fortaleza. Com um banquinho na praça e sob céu estrelado o cinema deixou de ser apenas entretenimento e diversão. É também reflexão. Esta é a proposta de diversos coletivos formados e incentivados pela Prefeitura de Fortaleza, através da Vila das Artes que promove o curso de Formação de Agentes Culturais e Exibidores Independentes, o Pontos de Corte. Confira a programação
Cinema Sete Mares /18h30/ Avenida Radialista José Lima Verde, Barra do Ceará – anexo ao restaurante Albertu´s
Dia 14 - Fábio Fabuloso (BRA – 2004 - 70 min), de Pedro César, Ricardo Bocão e Antônio Ricardo. Inspirado na literatura de cordel, o filme conta a trajetória do bicampeão brasileiro de surfe Fábio Gouveia, considerado pela maioria como o melhor surfista brasileiro.
Cine Filosofia/ 16h/ (Mostra Woody Allen) Auditório do Centro de Humanidades da Universidade Estadual do Ceará, Avenida Luciano Carneiro, 345, Fátima.
Dia 9 - Annie Hall (EUA - 1977 - 94 min)
Dia 16 - Zelig (EUA - 1983 - 79 min)


Sexta Básica/ 18h30/ Na ong Ceará em Foco - Rua Alerta, 47, Farias Brito.
Todas as sextas de outubro (2, 9, 16, 23 e 30).
O “Sexta Básica” é um projeto de sessões cineclubistas que dialoga com diversas linguagens artísticas e congrega amantes da sétima arte. Projeto do Artivismo em Rede.
Cine Brincadeiras/18h/ Praça da Igreja Matriz, no Canindezinho, Rua das Pitangueiras esquina com Avenida Osório de Paiva.
Dia 9 - Canindé Cidade da Fé e Os Romeiros e suas Devoções, a vida de São Francisco encenada ao ar livre, ambos de Rosemberg Cariry.
Além dos filmes festas para as crianças do bairro.

ESTAÇÃO DANÇA
Vila das Artes sedia oficinas da Bienal Internacional de Dança do Ceará, de 12 a 16 de outubro. (Foto: Laurent Philippe. Espetáculo Etude)


Em outubro, a Bienal Internacional de Dança do Ceará aporta em vários espaços públicos da cidade e abre espaço às diversas formas de criação e investigação em dança com espetáculos, intervenções, performances e instalações coreográficas gratuitas em espaços públicos da Cidade. A Bienal vai discutir de 12 a 26 de outubro as estratégias estéticas, éticas, políticas e econômicas que surgem nessa possível nova ordem de organização do campo da dança. Além de Fortaleza, Juazeiro e Sobral, no Ceará, e Cabo Verde, na África, estarão com atividades. Algumas ações formativas acontecem na Vila das Artes de 12 a 16 de outubro.
Oficinas da Bienal na Vila
Dia: 12 a 16 de outubro - 9h às 12h – Dança contemporânea - Curso ministrado por Jorge Garcia (SP)
Dia 14 - 19h – Corpo a corpo - São Paulo Companhia de Dança - Palestra com Inês Bogéa (SP).
Dia 16 - 14h às 16h – Técnica de Martha Graham - Oficina ministrada por Daniela Stasi e São Paulo Companhia de Dança (SP)

ARTE E TECNOLOGIA
Armando Menicacci estará nesta sexta na Vila participando de uma oficina de arte e tecnologia.
Artistas, programadores, game designers, bailarinos, músicos, performes, atores, artistas visuais, cineastas e pessoas interessadas em arte e tecnologia estão convidadas para participar da oficina prática de arte e tecnologia com o pesquisador , coreógrafo e professor Armando Menicacci. A oficina acontece nesta sexta, dia 9, na Vila das Artes a partir das 14h. Durante a oficina os participantes poderão experimentar o uso do software Isadora na criação de obras de arte tecnológica. Doutor de Dança e Tecnologias digitais pela Universidade de Paris 8, Menicacci dirige o Médiadanse, laboratório de investigação, criação e pedagogia da dança e tecnologias digitais, sediado na França.

SELEÇÃO AUDIOVISUAL
Vila disponibiliza prova da primeira turma para consulta. Curso de Realização em Audiovisual recebeu 673 inscrições . (Foto: imagem do curta Espuma e Osso realizado durante o primeiro cruso)

O Curso de realização em Audiovisual da Vila das Artes recebeu até a meia noite do último domingo (27), 673 inscrições on line através do site da CCV (www.ccv.ufc.br) - Coordenadoria de Concursos, órgão da Universidade Federal do Ceará encarregado de administrar e aplicar provas de diversos concursos. Os candidatos a uma vaga no segundo curso oferecido pela Prefeitura de Fortaleza poderão acessar a prova do primeiro curso no site da CCV. No próximo dia 14 a CCV também divulga o local da prova da primeira fase, a ser realizada dia 18 de outubro. Para realizar a prova objetiva (primeira fase), o candidato deverá entregar ao fiscal de sala o formulário eletrônico preenchido sem rasuras, assinado e contendo: 1 (uma) foto 3 x 4 recente e cópia frente e verso do documento de identificação (Carteira Nacional de Habilitação com fotografia, a Carteira Profissional expedida pelo Ministério do Trabalho e Previdência Social, a cédula de identidade para estrangeiros emitida por autoridade brasileira ou a Carteira de Identidade expedida pelas Secretarias de Segurança Pública, Forças Armadas, Polícias Militares, Ordens ou Conselhos). A prova da primeira fase é eliminatória e classificatória, com questões objetivas de múltipla escolha que avaliarão a capacidade de leitura e compreensão de textos em língua portuguesa e habilidades: percepção visual (noções de proporção, espaço e movimento), observação de sequência de imagens (todo e fragmento) e perspectiva (superfície e profundidade).

ENCONTRO DAS ARTES

Equipamento da Prefeitura Municipal de Fortaleza, vinculado à Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor), a Vila das Artes é espaço voltado para a formação, pesquisa, produção e difusão em arte. Situado no centro de Fortaleza, reúne em seu espaço as Escolas Públicas de Dança e Audiovisual, o Núcleo de Produção Digital, Biblioteca e Videoteca. Tem como parceiros a Universidade Federal do Ceará, a Fundação Cearense de Pesquisa e Cultura, FCPC, e a Rede Olhar Brasil. Apoio da Kodak, Quanta e Prodança. Apoio cultural do Governo do Estado do Ceará, através da Secretaria Estadual da Cultura (Lei nº 13.811) e patrocínio do Banco do Nordeste, Fundo Nacional de Cultura e Lei de Incentivo a Cultural do Ministério da Cultura e Governo Federal. Todas as atividades são gratuitas.

Vila das Artes - Rua 24 de Maio, 1221, Centro. Fortaleza. Ceará. Brasil

Lição

Os cães ladram,
engalfinham-se

enquanto passarinhos
saltitantes

brincam de queimar as patinhas
na calçada quente da infância.

Ó mente minha,
coisa mais adorada e nebulosa -

amo-te inocente
ciente do Nada

tão pateta,
tão espantalho.

Que trem é esse ?

Hoje, quando percebemos a reforma dos trilhos da antiga RVC e a construção de novas plataformas, no aguardo – algo prolongado e enfadonho, reconheço – da revitalização da nossa linha férrea, pomo-nos a lembrar o papel do trem para nossa região. Ele teve uma importância vital na história da humanidade nos últimos duzentos anos. Imprescindível à Revolução Industrial , este veículo proporcionou o encontro de muitos povos e culturas, impulsionando o comércio, a agricultura e, permitindo um transporte mais rápido, catapultou a produção em diversos setores da economia. Sem esquecer que junto aos trilhos estendidos por quilômetros e quilômetros, um sem-número de vilas e lugarejos terminou por surgir e prosperar. Tudo começou de verdade com Blucher, um inglês, inventor da primeira locomotiva a vapor por volta de 1814. No Brasil, a invenção chegou quarenta anos depois, quando se inaugurou a nossa primeira locomotiva – A Baronesa – que ligava os quatorze quilômetros entre Rio e Petrópolis em 1854. No Crato, o primeiro trem aqui aportou em 08 de novembro de 1926, numa segunda-feira . Seus trilhos ataram a próspera cidade ao resto do mundo, abrindo horizontes jamais imaginados. Deixamos, num átimo, de ser uma ilha isolada quase completamente do resto do universo: mudou nossa relação com o mundo, transfiguraram-se hábitos e costumes. As viagens se viram facilitadas, o transporte de produtos comerciais, a comunicação, os livros, a moda, os jornais começaram a se tornar uma realidade cada dia mais presente. O trem abriu caminhos geográficos, mas também oníricos, históricos, culturais. Quando seus serviços, engolidos pelo progresso, começaram a ser descontinuados nos anos 70, ficou nos lábios dos cratenses um acre sabor , como se houvéssemos perdido um ente querido . Talvez tenha sido por isso que o nosso Biliguim gritava ao compasso da sanfona : “ Doutor, traga o trem de volta ! / Doutor, ele é o transporte do pobre!”
Pois bem, parece que seu grito foi por fim ouvido. O trem há de voltar, mais cedo ou mais tarde ( a segunda hipótese é mais provável). Claro que já não terá o glamour dos velhos tempos da Maria Fumaça. Virá com uma abrangência mais regional e com mais velocidade. Competirá com outros meios de transporte bem mais modernos: o ônibus, a topic, o carro, o aeroplano. A previsão visionária e artística do nosso Jonas , no entanto, parece ter sido nostradâmica : voltará, com certeza, o transporte do pobre.
O trem nos é tão próximo e singular que inclusive utilizamos este nome como um super substantivo concreto ou abstrato que pode significar qualquer coisa neste mundo. Que trem é esse? Bote os terém tudo no carro e vamos simbora ! Ele sentiu um trem e caiu durinho ! Imaginem, leitores, o mar de histórias que deve permear uma relação tão próxima de caririenses e a Maria fumaça! O Descarrilamento, o atraso, a perda do trem, o condutor, o maquinista, o chapeado, as estações, o vendedor de passagens... Tentei puxar pela memória algumas dessas histórias , contadas pelos grandes memorialistas da família e que , na sua maior parte, já tomaram aquele trem com passagem de ida para outras paragens. Aí vão algumas. Quem lembrar de outras, já sabe: entrou na perna do pinto...
Zé Praxede , um poeta popular,( aquele do "Dotô , inté outro dia...") tem um lindo poema que se passa em um trem. O condutor chega cobrando a passagem de um velho, sentado no vagão, para o devido picotamento. Aboletado na cadeira de trás, vai um compadre dele. O passageiro diz que não tinha dinheiro e não comprou . O condutor pergunta para onde ele vai e o velho responde que para Baturité. O funcionário, impassível, avisa que se não adquirir o bilhete vai ter que descer na próxima estação. O velho começa a chorar e diz que está indo para o casamento da filha única e que não pagou o bilhete por inteira falta de condição. Para não ver a filha casando prefere ter os olhos vazados e , se tiver que descer do trem, prefere que seja jogado pela janela, com o bicho em movimento, não tem mais sentido viver. O condutor, também pai, se sensibiliza. Meio penalizado diz tudo bem, que se for descoberta a liberação pode perder o emprego, mas vai fechar os olhos e permitir a viagem para uma causa tão nobre. Passa, então para a cadeira subseqüente e solicita a passagem ao compadre do outro. Passagem ?
--- Comprei não, meu senhor, eu vou inconvidado para a festa !
Outra : Padre Luiz Antonio, uma das figuras mais irreverentes do Cariri, estudava em Fortaleza, no Seminário da Prainha, ainda como seminarista. Menino pobre, encomendou o chapeado para levar seus pertences até à estação. Voltava de férias. Quando lá chegou, perguntando o preço do frete, o homem explorou: 10 mil réis. Luiz estrilou! Observou que o número da plaquinha do chapeado tinha exatamente o número dez e já debochou: -- Tá doido ? Vocês cobram é pela placa ? Se eu soubesse tinha procurado o chapeado número 1. O carregador parecia inflexível na negociação , Luiz, porém não aparentou pressa. Disse que pelo trabalho só pagava dois mil réis e estamos conversados. Entrou no trem e começou a arrumar as caixas no vagão, para a longa viagem de volta. A negociação continuava pela janela. A buzina do trem então soou pela primeira vez. O chapeado agoniou-se e baixou para sete mil réis. Luiz continuou inflexível. Na segunda buzinada, já mais vexado, o homem deu mais um desconto : -- Me dê pelo menos , cinco ! Luiz não se moveu. No terceiro e derradeiro apito, quando o trem começou a se mover, o carregador desesperado pulou na janela : -- Me dê os 02, seu padre, tá bom! Luiz , então, jogou o combinado pela janela, comentando a importância que tinha o trem até nas negociações de dívidas.
O velho Mané Vieira, meu pai, gostava de contar uma outra potoca ferroviária. Um matuto andava de trem pela primeira vez. Mais desconfiado do que cachorro que cai de caminhão em noite junina. Precisou ir ao banheiro, no percurso da viagem. Lá, terminado o serviço em meio aos solavancos, viu uma pequena manivelinha e acreditou se tratar da descarga. Puxou ! De repente, aconteceu o maior reboliço. Aquilo era o freio a vácuo de emergência do vagão. O trem continuou em movimento com aquele carro travado. Um barulho ensurdecedor, faísca para tudo quanto é lado ! E trem para estancar vocês sabem como é : para parar em Senador Pompeu tem que começar a frear em Iguatu! O condutor chegou correndo no vagão travado e fez a maior confusão. Brigou, perguntou se o matuto estava doido e sapecou uma multa de cinco contos de réis, pelo transtorno. O pobre do homem, trêmulo, resolveu pagar. Tirou uma nota de dez contos e entregou ao funcionário. O condutor disse que não tinha troco, mas que antes de Acopiara lhe daria o resto do dinheiro. O tempo passou e nada ! Certamente o condutor , imaginando tratar-se de um caipora, concluiu que seria fácil engabelar o homem. Desapareceu! Como o multado deveria descer impreterivelmente em Acopiara, tchau ! O matuto aguardou e, como já se aproximava o destino, começou a se agoniar. Andava de um lado para outro e nada do funcionário da RVC. Já chegando perto de Acopiara, ele entrou novamente no banheiro e puxou a bendita manivelinha mais uma vez. Zoada, barulho, faísca novamente ! De repente, entra finalmente o condutor esbaforido em meio ao tumulto.
--- O que foi isso, agora ? Ficou doido, rapaz?
O matuto, sorridente, concluiu:
--- Num é nada não, só o troco , seu condutor !

J. Flávio Vieira

Cidade da cultura, papai noel, velho do saco e outras lendas.

Há dois tipos comuns hoje em dia em nossa sociedade. É o jovem gênio e o outro o jovem ingênuo. Hoje falarei apenas do primeiro caso. O primeiro tipo filho bem nascido da (pretensa) alta sociedade do Cariri (ou de outros locais que o mandam para fazer sua genialidade cá junto de nós) tem todos os atributos do gênio mesmo. O que recebe o Nobel, o que ganha a Palma de Ouro em Cannes, ou menos, o que recebe medalha no colégio (que é o mais comum). Só que a genialidade no Cariri hoje em dia ela é fácil, ela é criada assim, como o parto em um conto surrealista com a necessidade urgente de tapar um buraco psicológico dos seus pais e até de si mesmo. O gênio do cariri nasce antes da obra. Ele é um primo-irmão do Macunaíma.
Para tanto, o mesmo tem que estar entre os grandes da medicina ou do direito. Sabemos que sempre tais profissões tiveram seu devido valor na sociedade ao longo dos séculos, principalmente no interior do Brasil, onde assolado pela ignorância, os tais médicos e “aDevogados” tomavam ares de salvadores da pátria ( e muitas vezes eram mesmo), uma simbiose de Maomé com faraó, representantes de Deus na terra. Até hoje, no meio das brenhas, becos, avenidas ou vielas nunca se ouviu falar no gênio sociólogo, antropólogo ou historiador por aqui. Eram todos, meros zumbis destinados ao ofício do professorado. É no meio desse contexto que imporá o jovem gênio tolo que hoje desbrava a sociedade do Cariri. Ele quem rege os hábitos, quem dita o que se come, o que se bebe, e quando se bebe, o que se escuta, o que se (não) lê.
Bem vestido, munido de uma garrafa de whiski, um carro e um som, alto o bastante para mostrar sua tendência asnática, com sua plena (falta de...) compostura, “chega chegando” como se diz por aí. Passa pelas ruas como um cometa, deixando um resto de notas sonoras confusas (sorte quando são confusas, pois se você perceber algo ali certamente será alguma palavra do tipo: rapariga, cabaré, cachaça ou algo que equivalha o nível do ouvinte dono do possante). A vida então se resume a nada mais do que isso. Esse é o auge do gênio. Aí você poderá perguntar: - O quê? Mas é só isso? Só isso e nada mais! O gênio do Cariri, certamente o futuro de nossa sociedade, os pais que guiarão seus filhos daqui a uns anos são compostos disso. Mas daí surge outra pergunta: - E como se pede ter chegado a tal nível? Não estudam? Não são pessoas “bem nascidas”? A resposta dessa vez é um pouco mais complexa. O estado de coisas está assim justamente pela sustentabilidade numa falsa educação. Um bojo de conhecimentos técnicos postos em prática para o puro e simples deleite (ou segurança) econômico(a). Não se pode dizer aqui que a juventude não seja esforçada. São certamente. Tem impulsos de ganhar a vida, o mundo, e para isso estudam e muito. Mas, o que estudam?
O que se vê é uma massa de jovens onde noventa por cento não pensa em outra coisa a não ser um emprego. Em casa, a educação se baseia nisso. Em “estudar para ser gente”, e é do próprio berço que o caririense sabe que não passa de um animal abjeto. Um pote de moedas é sua educação. Quem junta mais é mais educado. Nisso, sua cultura está em se travestir de uma pretensa elite, copiando trejeitos dos mais banais, superficiais, ridículos e tolos(que souber dizer: bom dia, boa tarde e boa noite é educado). O vestir é uma segunda essência. Está acima de (quase) tudo. O charme baseado em sei lá o quê é sustentado psicologicamente como numa tragicomédia de extremo mau gosto. Isso pode ser visto em ambos os gêneros. Há o charme do vestir, do whisky falso, do carro, do som do carro, dos rodões do carro (aliás, tudo que gravita em torno do carro vale como parte essencial do seu âmago). Há aqui que se falar que o carro, objeto que aqui toma ares de oferenda dos Deuses. No nosso Cariri o carro diz muito não só sobre seu presente, mas, sobretudo sobre seu futuro (sexual), sua respeitabilidade. Por meio dele há uma valsa estranha onde homens regem a dança e boa parte das moças “bem nascidas”, avaliando mui bem o vestir, o beber, o carro...assim são escolhido seus pares.
As jovens (“bem nascidas”) tolas de Paris do século XVII e XVIII eram tolas que tocavam piano, liam romances, sabiam diferenciar um bom vinho, conheciam boa parte da história da arte, freqüentavam teatros etc. Vê o quanto avançamos! As nossas bem nascidas, com os mesmos trejeitos esnobes chegaram quase lá, recitam versos ilustres: Dinheiro na mão calcinha no chão, forró do Chico rola, quem vai comer a minha piriquita, aos largos goles do bom e falso whiski, com o varão ao lado, de copo na mão, como se tivesse ganho o Nobel e exibisse ao público. Hão de falar que o contexto é outro, e é claro que é! Não é por falta de esforço que chegamos a tal ponto. Tem que se querer descer ao inferno, e por ele ainda tirar uma onda com Dante: - Êeee carcamano! Tá com nada! Nós vamos mais fundo que vocês! E o pior é que vamos mesmo.
Culturalmente estamos num pântano sem a menor perspectiva de sairmos dele. Tem que veja o Crato como cidade da cultura dado ao notável número de artistas de boa qualidade que temos aqui e isso é algo que não podemos negar, porém, culturalmente sua arte não é percebida, ficando fechada a um pequeno ciclo que a percebe, e outro que faz de conta perceber. A verdadeira arte aqui não estabelece sua função social que era formar um ser humano melhor, desenvolvendo-o em sua percepção estética e filosófica (totalmente utópico na cidade da cultura).
A educação aqui, reflexo escravo do que se é tido como modelo de educação dos grandes centros, passa por essa prova. Não é capaz de formar cidadão algum, e é direcionada apenas para um futuro empregatício. É desumanizar demasiadamente o que se foi construído através de séculos de esforço na cultura ocidental achando que o único fim do aprimoramento humano através de seus estudos seja ter um emprego como finalidade. São com esses intuitos, desprezando o que seja a pintura, suas possibilidades de introspecção, de autoconhecimento, é rejeitando a música como arte nobre, capaz de formar um ser humano melhor, é fazendo troça do teatro, da filosofia e de tudo que possa trazer qualquer tipo de introspecção. É assim que vamos. E o pior, há quem pague (e não são poucos) por essa educação. A cultura de uma sociedade é algo que bem mais complexo do que apenas a existência da economia e do comércio. Aqui, é só o que existe. Uma cultura manca, mas muito bem vestida e galopante a passos largos em direção ao fosso. Há que diga que em alguma parte do que escrevi acima haja algum preconceito, algum recalque nas entrelinhas, mas resta a cada um o direito de ver o que quer de acordo com suas (im)possibilidades. Paciência.

AMIGOS SÃO ANJOS



Como os Anjos voam eu sei. Aprendi no Seminário São José nos dois anos que passei lá quase me matando de estudar Latim e Grego. Mas adorava e só ganhei em saberes. Aqui fora aprendo que existem anjos, falam , andam , dançam, riem e fazem dessa vida um encanto a parte. Eu particularmente tive a felicidade de encontrar e bater longos papos com um time deles. E nos sentamos para conversar e trocar felicidades , como figurinhas. Parecia que nos havíamos encontrado ontem, outro día, e ainda estávamos estudantes do Diocesano e do Dom Bosco. E anjos têm nomes, por exemplo: ANA TERESA, ANA CECÍLIA, SOCORRO MOREIRA, ZÉLIA MOREIRA, ROSINEIDE ESMERALDO E MÁRCIA BARRETO.

Esses anjos continuam voando por aqui , ali e acolá. Prestem atenção gente...Crato tem anjos demais...!

Urca sedia a Paleo 2009 da Região Nordeste -por Tânia Peixoto


Começa no próximo sábado, a PALEO 2009 da região Nordeste, reunião anual da Sociedade Brasileira de Paleontologia, núcleo Nordeste, na Universidade Regional do Cariri (URCA), contando com o apoio organizacional também da Universidade Federal do Ceará (UFC) e Fundação Paleontológica Phoenix. O evento conta com o apoio da Sociedade Brasileira de Paleontologia (SBP), com auxílio financeiro e a publicação de resumos aprovados.

O encontro de Paleontologia contará com a presença de profissionais, estudantes, pesquisadores e demais interessados na Paleontologia do Nordeste brasileiro. O evento terá a coordenação do professor doutor Álamo Feitosa Saraiva (URCA), Wagner Souza Lima (Phoenix)
Maria Helena Hessel (UFC).

A programação será aberta às 14 horas do próximo sábado, com exposição de painéis sobre os temas do evento. Em seguida, acontece uma mesa redonda sobre “Ensino, acervos e parques temáticos”. Serão homenageados profissionais de destaque na Paleontologia do Nordeste brasileiro. No dia 11, a partir das 9 horas, será realizada apresentação oral dos trabalhos de síntese

sobre a biota de bacias sedimentares nordestinas, por pesquisadores experientes e de investigação. No dia 12, haverá uma excursão de campo pela Bacia do Araripe, com possibilidade de coleta de exemplares para as instituições de origem dos participantes, terminando com a visita ao Museu de Paleontologia de Santana do Cariri, que está em processo de finalização da reforma.

A inscrição para participação no evento é gratuita e poderá ser efetuada no local, dia 10 de outubro, das 9 às 17 horas. Para a excursão de campo são oferecidas 40 vagas, com prioridade aos participantes de outros Estados, sendo efetuada junto com a inscrição no evento. Os resumos de painéis apresentados serão publicados nos ‘Cadernos de Cultura e Ciências’ da URCA. Os resumos de trabalhos apresentados oralmente no evento serão enviados à SBP para publicação no boletim “Paleontologia em Destaque”. A organização do evento espera contar com uma grande participação.

Queimadas - Prática deplorável- por Heládio Teles Duarte


Ainda hoje persiste um velho costume do nosso homem rural, as queimadas. Esta foto é bem comum, na nossa região sopedânia, durante o período da estiagem.

Fidelidade Conjugal - Por Vera Barbosa


Fidelidade conjugal é um tema de considerável importância no mundo ocidental. Na sociedade brasileira, monogamia é sinônimo de bom caráter, mas não é, nem nunca foi, absolutamente praticada. Em tese, todo mundo é contra a bigamia, mas, na prática, a verdade é outra e está registrada nos livros de História, nas canções, no cinema e na literatura. Quem já não ouviu falar daquele casal "perfeito", aparentemente apaixonado, com filhos lindos e que demonstrava afeto em público e se adorava ao longo dos 25 anos de casados, até ela descobrir que ele tinha uma amante havia muitos anos e construíra uma família nessa relação paralela? Se, na época dos meus pais (que completarão 57 anos de casados em setembro), isso já existia, ainda mais agora, com essa onda de relações abertas.

O conceito de fidelidade dá margem a muita discussão. Nós, mulheres, por exemplo, somos educadas para reprimir nossos desejos e, quando estamos comprometidas em uma relação, não permitimos que alguém sequer suponha uma atração por alguém, nem da nossa parte e, muito menos, da pessoa que amamos. Isso em função de nossa essência, mais emotiva que a dos homens, mas também pelo que nos foi ensinado como correto. Nossa herança cultural nos educou para perdoar, mas não para sermos perdoadas. Ao longo dos anos, ouvimos "não perca seu tempo, homem é assim mesmo", a fim de que nos conformemos com as aventuras extraconjugais de nossos parceiros. Contudo, se uma de nós pular a cerca, será, imediatamente, crucificada.

Enquanto os homens são solidários entre si ao burlar as regras do casamento ou qualquer outro tipo de união estável, somos péssimas confidentes e, logo, entregamos nossa mártir às mãos dos opressores. Sim, via de regra, somos machistas. Como também o são (ou foram) nossas mães, avós e bisavós. Apesar de toda a revolução sexual e das conquistas femininas ao longo dos séculos, a mulher ainda é vista como um ser sem direitos sobre seus desejos. Vocês devem se lembrar da infeliz frase “prendam sua cabra, pois meu bode está solto”, no sentido de que meninos podem exercitar sua sexualidade, enquanto meninas são para casar virgens e ser boas donas de casa. Observem que, para a maioria da sociedade, homem que tem várias mulheres é garanhão, mulher que sai com vários é galinha. Homem infiel dá sinal de virilidade, mulher que faz o mesmo é vagabunda. Desculpem-me por ser tão direta, mas não sou a favor de eufemismos. Ou a gente fala o que tem a dizer ou fica de boca fechada.

As novas gerações aderiram à onda do "eu sou de todo mundo e não sou de ninguém", a garotada está mais livre para se relacionar. Meninos e meninas saem, descompromissadamente, com quem lhes der na telha. Não vou discutir se isso é bom ou ruim, nem os riscos das relações sexuais sem preservativos, falar de AIDS ou DST, vou me ater à questão do sentimento e da cumplicidade.

Para muita gente, sexo sem amor já não é mais pecado, algo digno de repressão. Para os que se permitem essas experiências, transar só por tesão e atração física não dá mais a ressaca moral de 50 anos atrás, mas os românticos afirmam que isso não preenche suas necessidades afetivas. Então, para esses, quando se está bem com alguém, nada explica ou justifica esse desejo e a mera transa sem dia seguinte.

Genericamente, ser livre e ficar virou sinônimo de auto-suficiência e poder. Eu gosto de você e você gosta de mim. Então, saímos e ficamos sem pensar no depois e sem o direito de sentir algo além desse gostar. Ciúme, nem pensar! E isso não é privilégio dos adolescentes, não: está assim de marmanjos brincando de amar. Talvez seja uma forma de se proteger e não se submeter ao risco da traição. Se você não tem compromisso, não pode trair ou ser traído. Daí, não sentirá culpa nem apontará culpado. Esses presumem que, sem a relação assumida, sofra-se menos. Você não cobra nem dá o direito de ser cobrado, pois estão se traindo de comum acordo e, portanto, sendo honestos um com o outro: logo, não há traição. Paradoxal, mas real.

Para outros, casais que têm esse acordo acabam, mais cedo ou mais tarde, nas garras do ciúme, porque, quer queira quer não, o ser humano é possessivo e exige, sim, exclusividade – e ninguém pode garantir o total controle sobre os sentimentos. Acreditam não ser possível se relacionar sem afetividade e, se ela acontecer e um dos envolvidos se apaixonar, o acordo pré-estabelecido desmorona.

Há quem afirme ser possível amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo e estar com ambas de uma forma democrática e satisfatória. Conheço casais que levam a vida amorosa assim e não sei, até que ponto, são felizes de verdade, mas isso é problema deles. Sei de gente que divide a cama com uma terceira pessoa, numa boa, sem neuras (?).

Para outros, amor é liberdade e isso significa estar com quem desejar, sempre que desejar, sem culpa. Então, nesses casos, o parceiro pode escorregar e voltar para os braços do ser amado sem crise. Só que, na maioria dos casos, ele não volta, e o outro descobre que fez papel de idiota. Ou volta, mas nunca está inteiro na relação e, para a tristeza e decepção do cônjuge, continuará tendo relações paralelas. Aí, quem aceitou não tem o que fazer, a não ser chorar sob o cobertor.

Há, ainda, quem diga que "o que os olhos não veem o coração não sente", mas se esquecem de que "o pior cego é o que não quer ver". Então, um faz e outro finge que não sabe. Vão se enganando, e a relação vira uma paranóia.

Portanto, a verdade é que há casais poligâmicos que vivem muito bem e não têm qualquer problema em relação a isso. Da mesma forma, há casais monogâmicos infelizes. E vice-versa. Ou seja, nenhuma verdade é absoluta. É importante discutir, polemizar, mas não rotular. Cada um com sua verdade e o que lhe realiza como pessoa e como amante. Eu, particularmente, acredito ser possível amar tantas e quantas pessoas se desejar, mas uma de cada vez. Eu não saberia administrar esse tipo de relação, mas respeito quem o faça de forma a ser feliz com quem e como escolheu.

Assumo que meu conceito de (in)fidelidade mudou muito ao longo dos anos, mas não o meu conceito de comunhão. Para mim, sexo é bom com amor, confiança e cumplicidade. Quando jovem, eu era enfática ao afirmar que, jamais, perdoaria uma traição. Hoje, compreendo a complexidade das relações e acredito que seja possível amar uma pessoa e se sentir atraído por outra e, assim, escorregar na tentação do desejo. E é perdoável, desde que se abra o jogo e se esteja disposto a retomar a relação com clareza de intenções e respeito. Cabe ao casal decidir o desfecho dessa história.

Cada um sabe de si ao aceitar ou não o que o outro lhe propõe, identificando o que lhe fará bem ou mal. E toda pessoa pode se sentir confusa e errar (nem sei bem se é esse o termo correto a se empregar). O que vale é a sinceridade e o que fazer depois que isso acontecer. Antes de tudo, é preciso ser fiel ao que se sente e ao que se comprometeu a fazer. Se você é monogâmico, mas está com uma pessoa desejando outra, está sendo infiel a você mesmo, e acabará magoando seu par ou reprimindo seus desejos. E, diante das infinitas possibilidades que o mundo moderno oferece (celular, torpedos, internet, chat, msn e outros tantos recursos), é preciso muita clareza de intenções e sentimentos para não escorregar. Portanto, seja responsável e coerente.

Supor ou constatar a traição já não é como no tempo dos nossos avós, mas ainda parece um crime grave diante dos olhos da sociedade. Quem trai é, automaticamente, condenado. Da mesma forma, quem perdoa é desdenhado. Mas não podemos nos esquecer de que somente as partes envolvidas é que podem e devem decidir sobre o fim ou o recomeço. Você se sente no direito de atirar a primeira pedra?



Vera Barbosa
São Paulo, São Paulo, Brazil
"Tão cedo passa tudo quanto passa! Morre tão jovem ante os deuses quanto. Morre! Tudo é tão pouco! Nada se sabe, tudo se imagina. Circunda-te de rosas, ama, bebe. E cala. O mais é nada." (Ricardo Reis, 3-1-1923)

Eu vou passar ... - por Rosa Guerrera


Eu sei que vou passar na sua vida, como por tantas outras já passei .Vou passar igual aquele rio que corre , como o sol que brilha todos os dias ,ou até como um céu estrelado numa noite de verão .
Vou passar como caem os pingos da chuva na vidraça de uma janela , como um pássaro perdido que voa em direção ao infinito sem se importar com as nuvens que dispersas velejam a abóbada celeste.
Vou passar porque cada minuto na vida pode ser representado por um encontro ou por um adeus .
Eu vou passar é verdade , mas não vou poder sair .
Porque onde quer que você vá encontrará um rio a correr , um sol intenso a brilhar,um céu a piscar estrelas, um pássaro a voar , ou gotas de chuva nas vidraças das janelas .
E em todas essas coisas você me sentirá presente , acorrentada bem dentro do seu coração ...Mesmo que você insista em dizer que um dia eu passei na sua vida !
.

rosa guerrera

PESSOAS E CÔRES SE COMPLETAM - Por Edilma Rocha

Escolha um par como uma côr complementar. Você verá que sempre existe uma fria, enquanto a outra poderá ser quente. Como artista, tenho o direito de manipular esta regra de acôrdo com as minhas necessidades por meio de uma simples mistura. Se alguem escolhido é um amarelo por exemplo, poderei esfriar essa relação com um toque de azul sensato até chegar a um violeta audaciso mantendo uma corcordância de iguais objetivos em pequenas quantidades de carinhos vermelhos. Se comparar os efeitos dessas misturas de almas como duas côres complementares, nem vamos saber qual era o seu estado inicial no começo da relação. Como as côres se opôem umas às outras no círculo cromático, alguns imaginam que elas não se relacionam, que colocando-as lado a lado, não obteríamos um resultado romântico. Quando na verdade os opostos se atraem. As côres complementares se relacionam tão bem que podemos nos basear no esquema cromático de sua vida como um par na pintura. Os efeitos que irão produzir no relacionamento a dois irão depender que como trabalhamos no manusear de caricias e beijos como um misturar ao distribuir as côres. Os tons são ligados de maneira física, pois os cones de seus olhos, ao serem estimulados para a percepção de uma determinada atração tendem a procurar naturalmente o prazer de se completar. Para comprovar isso, fixe os olhos no outro em vermelho durante um tempo, e a seguir olhe dentro de si mesmo em branco, e verá a pós imagem verde no seu coração. Na prática, essa relação funciona de diversas maneiras, dependendo dos pontos importantes que se completaram e intensificaram mutuamente. Portanto se colocadas de lado, ambas parecem sem vidas. Em casos extremos quando as pessoas e as côres são usadas com uma fôrça total e aparecem em quantidades iguais, elas podem criar efeitos discordantes, ou até incômodo. Observe por exemplo, como um vileta escuro, tem o poder de destacar alguem mais vivo como um amarelo. O efeito seria, sem dúvida, discordante, mas asssim como está, é vibrante, diante do efeito contido na sua simplicidade. Já na pintura da vida, procuramos alguem com um contraste deliberado e moderador entre duas côres, homem e mulher com intenso alaranjado e azul. Com isso o alaranjado cintila de prazer como uma pedra preciosa e se dá à vida. A intensificação mútua de dois se completam em um efeito útil, embora aos olhos dos outros, os achem diferentes. Na realidade melhoram com a impressão da luz. E podemos aproveitar esse efeito criando assim uma atmosfera mais vibrante, o desejo. As sombras tambem podem aparecer no decorrer dos anos e ainda podemos nos beneficiar com esse efeito. Como todas as sombras contêm a complementar da côr que estamos projetando, ainda incluimos matizes, como as desculpas e perdões para tornar os escuros mais luminosos. Se você gosta de soluções mais definitivas, experimente tratar a luz de dentro de você e a sombra que se formou em côres diferentes, aproveitando assim, a força do seu espírito para dar maior interesse a essa pintura da vida. Pinte de verde a sombra amenizando o coração, seja um vermelho vivo do outro lado do tempo para depois se tormarem mansos e suaves como os azuis. Pintar côres quentes, vivas, contra um fundo de côr complementar, de tom mais baixo e vice-versa, faz com que os elementos da composição se projetem para o futuro. Você pode tambem acrescentar toques de luxuria, vaidade e prazer nas áreas ocupadas por massas de côr que cintilem, desde que não prejudiquem a pintura.
E para finalizar, lembre-se que o segrêdo do uso eficiente das côres complementares está na mistura entre homem e mulher e que cada par oferece um número infinito de variações na palheta da vida.

Edilma Rocha

Catulo da Paixão Cearense


"Nasceu Catulo da Paixão Cearense em 8 de outubro de 1863, em São Luiz ,Estado do Maranhão, à rua Grande, (hoje Oswaldo Cruz) nº 66.
Filho de Amâncio José Paixão Cearense (natural do Ceará) e Maria Celestina Braga ( natural do Maranhão).
Sua infância até os 10 anos se passou em São Luiz do Maranhão.
Transferiu-se para o sertão agreste cearense onde seus avós maternos portugueses eram fazendeiros, permanecendo por lá até os 17 anos.
Em 1880 em companhia de seus pais e irmãos (Gil e Gerson) mudou-se para o Rio de Janeiro, na rua São Clemente nº 37, Botafogo.
Aos 19 anos interrompeu os estudos e abraçou o violão, instrumento naquela época, repelido dos lares mais modestos.Iniciante tocador de flauta, a trocou pelo violão, pois assim, podia cantar suas modinhas.
Nesse tempo passou a escrever e cantar as modinhas como, “Talento e Formosura”, “Canção do Africano” e “Invocação a uma estrela”.
Moralizou o violão levando-o aos salões mais nobres da capital.
Em 1908, deu uma audição no Conservatório de Música.
Catulo foi autodidata autentico. Suas primeiras letras foram ensinadas por sua genitora e toda sua grande cultura foi adquirida em livros que comprava e por sua franquia à Biblioteca do Senador do Império, por ser professor dos filhos do Conselheiro Gaspar da Silveira .
“Aprendi musica, como aprendi a fazer versos, naturalmente”, dizia o Velho Marruêro.
Seu pai faleceu em 1 de agosto de 1885, desgostoso por seu filho ter abandonado os estudos para ser poeta, sem tempo de assistir a moralização do violão, o que veio a marcar tremendamente Catulo.
À medida que envelhecia mais se aprimorava. Catulo homem, não se modificava, sempre fiel ao seu estilo. “...Com gramática ou sem gramática, sou um grande Poeta..”.
A sua casinhola em Engenho de Dentro, afundada no meio do mato era histórica. Alí recebia seus admiradores, escritores estrangeiros, acadêmicos nacionais, sempre com banquetes de feijoada e o champagne nunca substituía o paratí, por mais ilustre que fosse o visitante.
As paredes divisórias eram lençóis e sempre que previa a presença de pessoas importantes, dizia para a mulata transformada em dona de casa. “Cabocla , lave as paredes amanhã , que Domingo vem gente!”
Sua primeira modinha famosa “Ao Luar” foi composta em 1880.
Em algumas composições teve a colaboração de alguns parceiros: Anacleto Medeiros, Ernesto Nazareth, Chiquinha da Silva, Francisco Braga e outros.
Como interprete, o maior tenor do Brasil, Vicente Celestino.
Catulo morreu aos 83 anos de idade, em 10 de maio de 1946,a rua Francisca Meyer nº 78, casa 2. Seu corpo foi embalsamado e exposto a visitação pública até 13 de maio, quando desceu a sepultura no cemitério São Francisco de Paula , no Largo do Catumbí, ao som de “Luar do Sertão”. "
A FLOR DO MARACUJÁ


Encontrando-me com um sertanejo
Perto de um pé de maracujá
Eu lhe perguntei:
Diga-me caro sertanejo
Porque razão nasce roxa
A flor do maracujá?

Ah, pois então eu lhi conto
A estória que ouvi contá
A razão pro que nasci roxa
A flor do maracujá

Maracujá já foi branco
Eu posso inté lhe ajurá
Mais branco qui caridadi
Mais brando do que o luá

Quando a flor brotava nele
Lá pros cunfim do sertão
Maracujá parecia
Um ninho de argodão

Mais um dia, há muito tempo
Num meis que inté num mi alembro
Si foi maio, si foi junho
Si foi janero ou dezembro

Nosso sinhô Jesus Cristo
Foi condenado a morrer
Numa cruis crucificado
Longe daqui como o quê

Pregaro cristo a martelo
E ao vê tamanha crueza
A natureza inteirinha
Pois-se a chorá di tristeza

Chorava us campu
As foia, as ribera
Sabiá também chorava
Nos gaio a laranjera

E havia junto da cruis
Um pé de maracujá
Carregadinho de flor
Aos pé de nosso sinhô

I o sangue de Jesus Cristo
Sangui pisado de dô
Nus pé du maracujá
Tingia todas as flor

Eis aqui seu moço
A estoria que eu vi contá
A razão proque nasce roxa
A flor do maracujá.



.
SERTÃO EM FLOR

- (um pequeno trecho)
.
Vassuncês diga o que é
Um coração de home véio
Que quanto mais véio fica,
Mais aprecia uma muié!

Vassuncês ri? Falo sério.

O coração do home véio
é um burro véio trotando,
dáqui e dali trupicando
na derradeira viage,
que faz lá prô cimitério,
comendo pelos caminhos
um resto seco de espinho
que vae topando no chão ,
bebendo uns pingo de orváio
dos óios – as duas cacimbas
da fonte do coração! ....

Em riba dúma cangáia
duas muié carregando
cum o peso todo da idade:
uma, já morta: a Esperança,
outra, inda viva: a Saudade,...

Até cair cum a Esperança
e o cadáver da Saudade
e os frutos podre dos anos
que ele leva no jacá,
prá arrecebê, afiná,
o beijo de amô da boca
da namorada dos véios,
que toda mágua alivia,
que toda a pena consola!...
A Morte, patrão, a Morte!
essa cabloca fié!
Muda... Surda...Cega e fria,
que depois de uma viola,
é a mais mió das muié.


Um Boêmio no Céu
(O boêmio com temor à S Pedro)

Meu Pai, será um crime imperdoável
Perguntar-vos por onde vaga o Monstro,
O Judas , vendedor do Pai Divino ?

Queres que eu seja franco?
Nem eu mesmo
Posso informar-te sobre o seu destino!

Através de seu cérebro bizarro
Que pensas desse tigre, dessa hiena? !

Eu lhe voto rancor, ódio profundo,
Mas lamento, Senhor , sua desgraça,
E desse vil herói chego a ter pena !
Senhor , ouso dizer , humildemente
Á vós que renegastes Jesus Cristo,
A vós, que o grande Mestre bendiz
que não existe coração perverso,
mas coração feliz ou infeliz .

Vós deveis ser a Judas muito grato,
Perdoar de coração esse bandido,
O maior dos maiores condenados,
Que ficam para sempre relembrados,

Esses homens fecais feitos de pús,
Pois se foi certo que vendeu a Cristo,
Também foi certo, que, ao beijar-lhe a face,
Lhe deu glória universal da cruz !

Sem esse grande miserável, ...Judas,
Existiria Deus, .... mas não , Jesus.

Catulo da Paixão Cearense

O dia D para a Música Brasileira - por Otávio Leite

A PEC da Música irá à votação no dia 21, quarta feira, às 14h na Câmara dos Deputados e sua participação é decisiva!

A presença dos músicos, artistas, produtores e outros interessados no tema é fundamental para pressionar os deputados a votarem a favor da PEC. Haverá estrutura para recebê-los e todos estão convidados!

Precisamos de 308 votos (de um total de 513). Contate os deputados do seu estado e peça que votem a favor. Divulgue a proposta em suas redes de relacionamento, blogs, e-mails etc. Esta é a hora de pressionarmos.

Dúvidas: Gabinete do Deputado Otavio Leite (autor da proposta)
Em Brasília: (61) 3215-5437
No Rio de Janeiro: (21) 3388-6240
E-mail: tatiana@otavioleite.com.br / gabinete@otavioleite.com.br
Saiba mais: http://www.otavioleite.com.br/pesquisa.asp?q=pec+da+musica
Postado por Otavio no blog Cariricaturas em 8 de Outubro de 2009 13:52

Delícias do Nordeste



Bolo de macaxeira

Ingredientes:
..
3 kg de macaxeira limpa e ralada;
5 ovos inteiros;
1 kg. de açúcar;
1 coco ralado;
500 grs. de manteiga;
1 pitada de sal;
4 xícaras de leite.
manteiga e farinha de trigo para untar a forma.

Médoto :
Descasque o aipim.
Lave sob água corrente e rale em ralador fino.
Unte uma assadeira retangular (25cm x 15 cm), espalhe um pouco de manteiga com um pedaço de toalha (ou papel toalha) para ficar bem uniforme e polvilhe farinha de trigo.

Reserve.

Pré aqueça o forno em temperatura média (180º graus) e após 15 minutos abaixe para o máximo.

Tempo médio de forno, 2 horas.


Bobó de camarão
Ingredientes :.

- 1 Kg de camarões frescos

- sal

- 3 dentes de alho picados e amassados

- suco de 1 limão

- pimenta do reino

- 1 Kg de macaxeixa

- 1 cebola cortada em rodelas e 2 cebolas raladas

- 1 folha de louro

- 6 colheres de sopa de azeite de oliva

- 2 vidros de leite de coco

- 1 maço de cheiro verde picado

- 2 latas de molho pronto de tomate ( Pomarola)

- 2 pimentões verdes bem picadinhos

- 2 colheres de sopa de azeite de dendê

Modo de Preparo :

Lave os camarões e tempere com sal, alho, pimenta e limão
Deixe marinar
Pegue uma panela com água e cozinhe a mandioca em pedacinhos com louro e cebola em rodelas
Quando estiver mole acrescente um vidro de leite de coco, deixe esfriar um pouco e bata no liquidificador
Esquente o azeite de oliva, junte a cebola ralada e deixe dourar
Acrescente os camarões e frite
Adicione as 2 latas de de tomate, o cheiro verde, o pimentão e deixe cozinhar por alguns minutos
Junte na mesma panela a mandioca batida no liquidificador, outro vidro de leite de coco e o azeite de dendê, deixe levantar fervura e está pronto .
(Receitas testadas por Socoro moreira)

Minha Missão na APAE Crato - Lorena Tavares




Memória Afetiva - por Maria Amélia Castro

( foto de Pachelly Jamacaru)
Aproveitando o gancho de Stela, penso que a nossa memória é formada por lembranças que são arquivadas no inconsciente e podem ser mobilizadas pelos afetos. Costumamos gravar internamente e ter mais atenção nas coisas que nos interessam, às vezes usamos mais nosso tempo em conhecer e compreender aquilo que gostamos do que em navegar pelo desconhecido. Toda vez que há uma renovação da qualidade do afeto, mais emoção vai sendo depositada em nosso âmago. Essas emoções costumam ser o combustível que impulsiona nossas vidas. A memória afetiva desenvolve-se a partir de uma percepção sensorial, como um sorriso, uma cor, um cheiro, uma dor. É dessa forma que os momentos afetivos importantes ficam incrustados em nós. Quando resgatamos nossa memória afetiva, estamos elaborando e compreendendo experiências carregadas de afetos do nosso passado e que foram arquivadas nas nossas gavetas internas, fincadas no fundo da alma. E quem não se lembra do nosso pequeno grande zoológico da quadra Bi- centenário? Do cheiro dos eucaliptos, da chuva do verde da serra, do odor da Exposição, os cinemas, os shows na Rádio Educadora, a gruta de Nossa Senhora, a piscina das freiras, os passeios na nascente no Lameiro, os engenhos de rapadura. Andar de trole, lá no São José, subir o rio até o Pimenta, escalando as pedras. A queima do Judas, a leitura do testamento, os circos que chegavam na cidade, o parque Maia, os carnavais de rua...sendo dolorosas ou não, essas lembranças fazem parte do nosso crescimento e da edificação do nosso ser.
Maria Amélia

História da Música - Luiz Barbosa - por Norma Hauer

Foi na data de 8 de outubro de 1938 que faleceu, no Rio de Janeiro, um cantor que em sua época foi famoso, mas do qual poucos se lembram.Seu nome LUIZ BARBOSA.

Ele faleceu muito jovem, mas deixou duas marcas: foi o introdutor do breque no samba e cantava usando um chapéu de palha como acompanhamento.

Muitos julgam que o breque no samba foi criado por Moreira da Silva, mas o foi por Luiz Barbosa.

Ele teve dois irmãos também ligados à vida artística: Barbosa Júnior, cantor e humorista, que tinha um programa de nome "Picolino", na Rádio Mayrink Veiga e Paulo Barbosa, compositor, um dos autores de "Cortina de Veludo", o primeiro grande sucesso de Carlos Galhardo como intérprete de valsas.
.
Uma música que Luiz Barbosa cantava sempre na Rádio Mayrink Veiga e cantou no filme "Alô, Alô Carnaval", mas não gravou, era de Braguinha e tinha o nome de "Seu Libório", posteriormente gravada por Vassourinha e por Dilermando Pinheiro, que seguiam a linha de Luiz Barbosa.

Somente no filme citado existe registro de “Seu Libório” na voz de Luiz Barbosa.

Com Carmen Miranda gravou um samba de Ari Barroso, que obteve um sucesso tão grande, que "deu nome" ao ponto de bondes da Zona Sul, no Largo da Carioca:"Tabuleiro da Baiana".

Luiz Barbosa faleceu no dia 8 de outubro de 1938, com apenas 28 anos, vítima de tuberculose, o que era comum em seu tempo.
Norma Hauer

Resposta ao Desafio - Foto de Heládio Teles Duarte


Antonio Sávio disse ...

Lua de brumas e mistérios
Lua de corpo de mulher, de olhos níveos
Lua segue o espaço, que vigia impérios
Lua para a pena do poeta, para o cine no vídeo

Lua moderna coberta de cinzas
Lua antiga, teu esmalte a brilhar
Lua voraz, sôfrega sintila
Teus beijos em minha boca estalar

Lua de seios etéreos, de lábios dulcíssimos
Oh luar cai eterno em meus olhos e enfim
Apareça ao nascer do dia, uma lua de festim
Teu trabalho de arte inexorabilíssimos

Luar sobre o mar, sobre as relvas e selvas
Sobre as chapadas desce tua luz feito manto
Beija o Egito, o Saara, luar me leva
Leva este poeta neste luar sacrossanto.



Postado por Antonio Sávio no blog Cariricaturas em 8 de Outubro de 2009 08:25

Dia do Nordestino - 8 de Outubro - Foto de Pachelly Jamacaru


Mas que mancada!... Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Magali, minha mulher, costuma dizer que quando eu era criança bebi muito “água de chocalho”. Isto porque gosto de conversar com os amigos, contar os mais novos “causos”, enfim, jogar conversa fora. Principalmente quando ela deseja voltar para casa, após alguma reunião, ou mesmo na Igreja, terminada a missa. Com isto não me livro de pronunciar algumas besteiras, cometer algumas “gafes”, como diriam os mais grã-finos.

Há alguns dias, fomos convidados para jantar na casa do sogro de um dos meus filhos, que é caririense de Barbalha. A certa altura da conversa, o assunto enveredou sobre o famoso poeta cratense Zé de Matos, que no final do século XIX e inicio do século passado perambulava pelos pés de serra do Crato até Barbalha, bebendo cachaça e nos intervalos da bebedeira, trabalhando em tudo que era engenho de rapadura, pois era um dos melhores mestres do Cariri. Lembrei que meu pai, quando criança, conheceu Zé de Matos e sabia de cor muitos dos seus famosos diálogos versejados, como o que ele travou com o Quintiliano, acredito que no engenho de seu avô, o “Papai Zeco” dos Currais. Entre um verso e outro, relembrei um diálogo entre o famoso historiador cratense José Carvalho e Zé de Matos, contido em “O Matuto Cearense e Caboclo do Pará”. Quando passavam à cavalo pelo Sítio Brito, em Barbalha, o historiador era acompanhado por Zé de Matos. Ao avistarem uma bela casa na encosta da serra, o professor José Carvalho indagou: “De quem é aquela casa, tão bonita?” Então, eu declamei com voz um tanto quanto empostada, a resposta de Zé de Matos:

Você conhece os Coeios,
Proprietários do Brito,
Homens que são muito rico,
Mas são danados de feio?”

Essa casa é de um Coeio;
É do Coeio Vicente.
Que é de todos o mais feio
E tem um pézim doente!

Quando concluí, olhei para o meu anfitrião, e ele com muita serenidade, me respondeu: “Vicente Coelho era o meu avô.” Que mancada, havia esquecido que o homem era Coelho... Mordi a língua, como aconselhava minha mãe: “Quem muito abre a boca, termina mordendo a língua”

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

COMPOSITORES DO BRASIL



Por Zé Nilton

Fernando de Castro Lobo ou Fernando Lobo, um nordestino do Recife, tem uma obra musical e artística das mais expressivas no cenário cultural brasileiro.
Como todos os que emigraram para a capital federal, Rio de Janeiro, nas décadas de 1930 e 1940, trilharam caminhos parecidos. Aportaram na imprensa ou no serviço público e na boemia. Na boemia cuidaram de aprender com velhos mestres locais o segredo da música, da composição, da rima musical. Assim aconteceu com Fernando Lobo e outro seu conterrâneo, Antonio Maria.

No caso de Fernando Lobo, sua atividade profissional, no Rio, ficou dividida entre a música e o jornalismo. Esteve durante 25 anos na famosa Rádio Nacional e ali produziu musicais famosos. Como compositor, participou de uma das fases mais criativas da Música Popular Brasileira e só deixou de compor quando seu filho Edu Lobo começou a se projetar no cenário musical. Permaneceu, porém, ligado ao mundo artístico, como diretor musical da TVE do Rio.

Fez clássicos como “Chuva de Verão”, “Chofer de Praça” e “Ninguém me ama”, esta, com Antonio Maria. Sua musicalidade prima pela diversidade rítmica indo do frevo ao samba, do bolero ao samba canção, passando por vários ritmos nordestinos como o xote, baião, danças de terreiro etc. Foi parceiro de outros grandes mestres como Dorival Caymmi, Manezinho Araújo.

Hoje, em COMPOSITORES DO BRASIL, vamos homenagear Fernando Lobo, e falar e ouvir as suas belas canções que o faz permanecer no panteão da dignidade da Música Popular Brasileira.

Nega maluca. Fernando Lobo e Evaldo Rui - com Elza Soares
Siga. Fernando Lobo - com João Gilberto
A primeira umbigada. Fernando Lobo e Manezinho Araújo - com Jorge Veiga
Preconceito. Fernando Lobo Antonio Maria - com Nora Ney
Quanto tempo faz. Fernando Lobo - Paulo Soledade, com Nora Ney
Chuvas de verão - de Fernado Lobo, com Caetano Veloso
Saudade do samba. Fernando Lobo Paulo Soledade, com Mário Reis
Chegou vila Isabel. Fernando LoboManezinha Araújo, com Aracy de Almeida
Ninguém me ama. Fernando Lobo e Antonio Maria, com Dolores Duran
Chofer de praça - de Fernando Lobo e Evaldo Rui, com Luiz Gonzaga

Informação:
Programa Compositores do Brasil
Pesquisa, produção e apresentação de Zé Nilton
Sempre às quintas-feiras, às 14 horas
Rádio Educadora do Cariri- 1020 khz.

Se ética fosse matéria do ENEM a Rede Globo seria Reprovada - por José do Vale Pinheiro Feitosa

A televisão é a maior maravilha da ciência a serviço da imbecilidade humana.” A frase do Barão de Itararé se não envelheceu não é culpa do tempo. A própria televisão brasileira, especialmente a rede Globo, é o antioxidante da frase.

A imbecilidade é geral na mídia nacional. O problema, já dizia o barão: “O Brasil é feito por nós. Está na hora de desatar estes nós.” Os donos, líderes e empregados dos sistemas de comunicação apertam nós e camuflam os que existem.

A verdade é que nunca foram capitalistas no sentido anglo-saxônico. Aquele capitalismo de consumo cujo progresso se lastra no consumo das famílias. Os EUA fizeram um império e sustentaram o progresso do capitalismo mundial com esta estrutura: o consumo das famílias.

É que para as famílias consumirem precisam de renda. E os “coronéis” da mídia nacional funcionam como os velhos “barões do café.” Têm capitais, mas apenas para dourar seus negócios e o terreiro da fazenda. No máximo permitiram um sobrenadante a que chamam classe média e que representa menos de 30% da população.

A imbecilidade da mídia combate os “progressistas”, “desenvolvimentistas” ou que outro nome diga de melhoria no consumo das famílias. Por isso fazem “ideologia”, apregoam normas, ditam regras e baixam a ditadura do pensamento único.

O problema é que muitos partidos políticos, várias lideranças e a burocracia do Estado caíram no engodo desta mídia. “Venderam-se” para idéias esdrúxulas. Não viram que por trás daquele “neoliberalismo” todo se escondia uma “raposa” querendo mais nacos da riqueza social e da estrutura do Estado?

Os anos noventa foram anos de fantasias e de um discurso de excelência administrativa cujo mote central foi esquecer os objetivos políticos da sociedade e a eficiência social das políticas públicas. Por trás de discursos privatistas, de medidas “para inglês ver” nas práticas administrativas, enfraqueceram a burocracia do Estado e puseram as raposas no galinheiro.

O SUS tem a maior parte de sua rede privatizada. Isso sem contar com os fornecedores em sentido amplo e as arapucas das “cooperativas”. A educação passou por mudanças iguais. Agora vejamos este caso do vazamento da prova do ENEM.

A rede Globo faz propaganda contra o governo e defende uma candidatura paulista (José Serra?). Instiga os estudantes contra o governo Federal, abre o sorriso quando as “Universidades Paulistas” ficam fora do ENEM e atribuem todo o problema ao governo.

Mas espere aí meus queridos ventrículos da Globo! Não foram vocês que defenderam as privatizações. E não estamos falando a rigor de uma empresa privada que se mostrou inteiramente incompetente? Não foram de “gráficas públicas” que as provas se evadiram! As mãos e cuecas criminosas estavam na gráfica privada e o crime foi tão bem urdido que até parece coisa de “aloprado”.

Os ministros da Educação e o da Saúde deveriam aprender mais esta lição do Barão de Itararé: “Todo homem que se vende recebe mais do que vale.” E conheço bem o ministro Temporão para esclarecer que o “se vender” aqui do contexto da frase é a “venda” para os ideais dos fazedores de imbecis.

Aliás, o Jornal Nacional ontem era uma festa da oposição. Sobre o vazamento do ENEM e sobre a imbecilidade em escala maior de um grupo paulista que se autodenomina MST. Nunca vi nada mais parecido com as práticas do Cabo Anselmo. Se o MST não soltar uma nota sobre esta questão, estamos numa possibilidade enorme de se operar a favor da Senadora Kátia Abreu e sua CPI do MST.

Sobre jornalismo na Rede Globo em sentido sistemático a melhor frase é também do Barão de Itararé: “De onde menos se espera daí é que não sai nada.”

Cultura Nordestina

O maracatu, parte da cultura e folclore nordestino, reflete a miscigenação étnico-cultural entre africanos, indígenas e portugueses no Nordeste.Tendo sido a primeira região efetivamente colonizada por portugueses, ainda no século XVI, que aí encontraram as populações nativas e foram acompanhados por africanos trazidos como escravos, a cultura nordestina é bastante particular e típica, apesar de extremamente variada. Sua base é luso-brasileira, com grandes influências africanas, em especial na costa de Pernambuco à Bahia e no Maranhão, e ameríndias, em especial no sertão semi-árido.

A riqueza cultural dessa região é visível para além de suas manifestações folclórias e populares. A literatura nordestina tem dado contribuições para o cenário literário brasileiro, destacando-se nomes como Jorge Amado, José de Alencar, João Cabral de Melo Neto, Rachel de Queiroz, Clarice Lispector, Graciliano Ramos e Manuel Bandeira, dentre muitos outros. No Ceará, o movimento da Padaria Espiritual, no fim do século XIX, antecipou algumas das renovações trazidas com o modernismo, no anos 1920 do século seguinte.

Na literatura pode-se citar a literatura popular de cordel que remonta ao período colonial (a literatura de cordel veio com os portugueses e tem origem na Idade média européia) e numerosas manifestações artísticas de cunho popular que se manifestam oralmente, tais como os cantadores de repentes e de embolada.

Na música erudita, destacaram-se como compositores Alberto Nepomuceno e Paurillo Barroso, assim como o cearense Liduíno Pitombeira na atualidade, e Eleazar de Carvalho como maestro. Ritmos e melodias nordestinas também inspiraram compositores como Heitor Villa-Lobos (cuja Bachiana brasileia nº 5, por exemplo, em sua segunda parte - Dança do Martelo - alude ao sertão do Cariri).


O frevo, dança típica de Pernambuco, em sua forma mais autêntica.Na música popular, destacam-se ritmos tais como coco, xaxado, martelo agalopado, samba de roda, baião, xote, forró, Axé e frevo, dentre outros ritmos. O movimento armorial do Recife, inspirado por Ariano Suassuna, fez um trabalho erudito de valorização desta herança rítmica popular nordestina (um de seus expoentes mais conhecidos é o cantor Antônio Nóbrega).

Na dança, destacam-se o maracatu, praticado em diversas partes do Nordeste, o frevo (característico de Pernambuco) o bumba-meu-boi, o xaxado, diversas variantes do forró, o tambor-de-crioula (característico do Maranhão), etc. As músicas folclóricas quase sempre são acompanhadas de danças.

O artesanato é também uma parte relevante da produção cultural do Nordeste, sendo inclusive o ganha-pão de milhares de pessoas por toda a região. Devido à variedade regional de tradições de artesanato, é difícil caracterizá-los todos, mas destacam-se as redes tecidas e, às vezes, bordadas com muitos detalhes; os produtos feitos em argila, madeira (por exemplo, da carnaúba, árvore típica do sertão) e couro, com traços bastante particulares; além das rendas, que ganharam destaque no artesanato cearense. Outro destaque são as garrafas com imagens feitas manualmente em areia colorida, um artigo produzido para venda para turistas.

A culinária nordestina é variada, refletindo, quase sempre, as condições econômicas e produtivas das diversas paisagens geoeconômicas dessa região. Frutos do mar e peixes são bastante utilizados na culinária do litoral, enquanto, no sertão, predominam receitas que utilizam a carne e derivados do gado bovino, caprino e ovino. Ainda assim, há várias diferenças regionais, tanto na variedade de pratos quanto em sua forma de preparo (por exemplo, no Ceará, predomina o mugunzá - também chamado macunzá ou mucunzá - salgado, enquanto, em Pernambuco, predomina o doce). Algumas comidas típicas da região são: o baião-de-dois, a carne-de-sol, o queijo de coalho, o vatapá, o acarajé, a panelada e a buchada, a canjica, o feijão e arroz de coco, o feijão verde, cozido e o sururu, assim como vários doces feitos de mamão, abóbara, laranja, etc. Algumas frutas regionais - não necessariamente nativas da região - são a ciriguela, o cajá, o buriti, a cajarana, o umbú, a macaúba e a pitomba, além de outras também comuns em outras regiões.

Grupo de quadrilha de São João, a mais tradicional festa da cultura nordestina (quadrilha da Festa do São Pedro de Belém).E nas festividades, há destaques para as festas do carnaval de Salvador, o carnaval do Recife e o carnaval de Olinda, além de outras no interior dos estados. As micaretas, que são os carnavais fora de época, destacam-se o "Carnatal" em Natal, o "Fortal" em Fortaleza, o "Pré-Caju" em Aracaju, e a "Micarande" em Campina Grande. Há também o "bumba-meu-boi" em São Luís. Quando vai se aproximando o São João as cidades de Caruaru, em Pernambuco, e a de Campina Grande na Paraíba disputam pelo título de "Capital do Forró". Destacam-se também pelo seu São João as cidades de Juazeiro do Norte no Ceará e Mossoró no Rio Grande do Norte. Há também festivais de pop rock como o "Piauí Pop" em Teresina; e o Mada em Natal.
Wikipédia

O jeito de falar Nordestino



Acho de uma ignorância e de uma desinformação fora do normal quando as televisões e o cinema, em suas novelas, séries ou filmes, confundem (ou não se dão ao trabalho de pesquisar) os sotaques ou o jeito de falar das pessoas espalhadas por esses 8,5 milhões de km2 de um Brasil muito grande, principalmente quando tipos nordestinos são apresentados. Cansei de ver atores e atrizes representando pernambucanos com um sotaque não-sei-de-onde (baiano?). Aqui se fala “oxenti”, e não “oxentche”, como no Recôncavo ou no Sul da Bahia. E nós temos um inconfundível “visse”, que os baianos não falam e por aí vai.

Não sei o que pensam os filólogos, mas já andei todo esse Nordeste e posso garantir que o jeito de falar do baiano do sertão é diferente do baiano do Recôncavo e do baiano do Planalto, que é diferente do sergipano e do pernambucano do interior, que se assemelha ao alagoano e ao paraibano, que difere dos habitantes da região do Araripe, que lembra o piauiense, que é diferente do maranhense (esses têm a fama de falar o português mais correto do país), que não tem nada a ver com o cearense, que tem um certo parentesco com o potiguar, que recebeu muita influência pernambucana. Segundo os lingüistas, a região do Recife (aqui é “Ricife”, nunca “Récife”, que é baiano, nem “Rêcife”, como no Sul e Sudeste) tem um falar muito particular, no qual as pessoas às vezes falam com um “s” chiado, semelhante aos cariocas.

Acho que os brasileiros das mais diferentes regiões podem sim ser identificados pelo seu dialeto ou sotaque, sem falar que são tantos vocábulos, expressões da língua local e diferenças lexicais usadas que já deram origem até a dicionários de “baianês”, “pernambuquês”, “cearês” e “nordestinês”. É para prestar atenção!

O fato é que com essa dimensão continental fica até difícil um gaúcho da Campanha entender um nordestino do Cariri, todos brasileiros. E viva a pluralidade dos sotaques, dialetos e regionalismos que são partes da identidade cultural dos povos! Abaixo a dominação dos jeitos carioca e paulista de falar (nada contra os queridos nascidos no Rio e em São Paulo, pelo amor de Deus!) implantado pela televisão!

tags: Recife PE cultura-e-sociedade lingua-portuguesa sotaques dialetos
Por Josué

Vestígios - Ana Cecília S. Bastos


Estanha pulsão, esta:
derramar no caderno pulsões de alma.
A mão captando sinais invisíveis.
Lenta , no formigueiro e, marchar.
Absolutamente só,
enquanto todos percebem a sagrada hora do trabalho
e dos compromissos bancários.
E depois palavras escondidas em oculto caderno,
papel rasgado , para que dela não sobrem
vestígios.
Ana Cecília

Isso & Aquilo (vitrine fotográfica) - Por Claude Bloc

Todo dia é dia
De José e de Maria

Entre o sono e a vigília
Mora o sonho, a alegria

A vida tece seu fio
E entre isso ou aquilo
Vai rolando o desafio
Feito as águas de um rio

não deixarei pra amanhã
minha fome, meu fastio
Entre as varandas da noite
Nem no sereno macio

Não posso mais me esquecer
Nem do calor, nem do frio
Do olhar inquisidor
Desse silêncio vazio
.
Vou vivendo, vou vivendo
Sem mais isso ou aquilo.


Breve histórico:

Fui à cozinha ao chegar do trabalho, noite passada. Estava só em casa. Alguns objetos de repente me chamaram a atenção. Me instigaram. Peguei a câmera. Fiz fotografias. Não usei flash. A qualidade fica comprometida, claro. Mas, consegui fazer umas "telas" com o famigerado PhotoShop. Carreguei nos efeitos, mas o que é que tem? Gostei da brincadeira. Partilho com vocês.
>
Uma linda quinta-feira, cheia de muita paz e luz aos amigos e colaboradores do Cariricaturas.

Texto e imagens por Claude Bloc
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Engrenagens - Por Claude Bloc


A cortina se fecha em outra história.
Tudo o que resta sou eu
e minhas memórias.
Caminho entre engrenagens
tempo dividido
quando tudo parece unificado novamente
e o mundo não é mais o mesmo...
Ainda assim, continuarei procurando,
pelo sonho que ainda não tive
pelo sol que nunca houve
Ainda que não haja mais tempo
nem espaço.


Texto por Claude Bloc
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