Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

ENVIE SUA FOTO E COLABORE COM O CARIRICATURAS



... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
.....................
claude_bloc@hotmail.com

sábado, 17 de outubro de 2009

Poema de sábado para um dia de domingo - Por Claude Bloc

Seria verão ou outono?
o que vemos
nessas imagens
que acompanham nossos passos
nossa fome, nossa sede?

Seguimos devagarinho
amolecendo com o calor,
olhando a paisagem de um ano inteiro
já com as mãos cheias desses dias
que se colecionam na hora da prosa.

E...
Juntam-se também palavras
próprias para serem ditas.

Verde, ocre,azul
os olhos já dizem tudo
deslumbrados com a Serra
mantendo as partículas de ar
em toda extensão da nossa alma


Assim, eu venho aqui
e se eu saio, os dias passam

e apareço outra vez
delineando aquarelas...


Então eu saio e os dias passam.
Apareço. Aparecemos.
E o que nos resta são apenas letras?

Os dias passam.
Voltamos à prosa
aos verdadeiros poetas,
ao meu poema
quase acabado
onde eu ainda
nem sequer mencionei o Vale
colorindo sonhos
solfejando os sons da Chapada.

********************
Texto e fotos por Claude Bloc
.
Fotos Colhidas na casa de Fátima e João Marni
.
Foto 1: lago (junto à gruta)
Foto 2: Fátima
Foto 3: Frutas de casa
Foto 4: Vista para a Chapada
Foto 5: Almoço (olhem a diversidade)
Foto 6: Fanka
Foto 7: J. Marni e Monalisa
.

Lua Branca - Chiquinha Gonzaga


Ó lua branca de fulgores e de encanto,
Se é verdade que ao amor tu dás abrigo
Vem tirar dos olhos meus, o pranto
Ai vem matar essa paixão que anda comigo.

Ai! Por quem és, desce do céu, ó lua branca
Essa amargura do meu peito, ó vem, arranca
Dá-me o luar de tua compaixão
Ó vem, por Deus, iluminar meu coração.

E quantas vezes lá no céu me aparecias
A brilhar em noite calma e constelada,
Em tua luz então me surpreendias
Ajoelhado junto aos pés da minha amada

Ela a chorar, a soluçar, cheia de pejo
Vinha em seus lábios me ofertar, um doce beijo...
Ela partiu, me abandonou assim...
Ó lua branca,
por quem és, ...

tem dó de mim!...
Chiquinha Gonzaga
17/10/1847, Rio de Janeiro (RJ)28/2/1935, Rio de Janeiro (RJ)

Paradoxo do Nosso Tempo / George Carlin


Nós bebemos demais, gastamos sem critérios. Dirigimos
rápido demais, ficamos acordados até muito mais tarde,
acordamos muito cansados, lemos muito pouco, assistimos TV
demais e raramente estamos com Deus.

Multiplicamos nossos bens, mas reduzimos nossos valores.

Nós falamos demais, amamos raramente, odiamos
freqüentemente.

Aprendemos a sobreviver, mas não a viver; adicionamos anos
à nossa vida e não vida aos nossos anos.

Fomos e voltamos à Lua, mas temos dificuldade em cruzar a
rua e encontrar um novo vizinho. Conquistamos o espaço, mas
não o nosso próprio.

Fizemos muitas coisas maiores, mas pouquíssimas melhores.

Limpamos o ar, mas poluímos a alma; dominamos o átomo,
mas não nosso preconceito; escrevemos mais, mas aprendemos
menos; planejamos mais, mas realizamos menos.

Aprendemos a nos apressar e não, a esperar.

Construímos mais computadores para armazenar mais
informação, produzir mais cópias do que nunca, mas nos
comunicamos cada vez menos.

Estamos na era do 'fast-food' e da digestão lenta;
do homem grande, de caráter pequeno; lucros acentuados e
relações vazias.

Essa é a era de dois empregos, vários divórcios, casas
chiques e lares despedaçados.

Essa é a era das viagens rápidas, fraldas e moral
descartáveis, das rapidinhas, dos cérebros ocos e das
pílulas 'mágicas'.

Um momento de muita coisa na vitrine e muito pouco na
dispensa.

Uma era que leva essa carta a você, e uma era que lhe
permite dividir essa reflexão ou simplesmente clicar
'delete'.

Lembre-se de passar tempo com as pessoas que ama, pois elas
não estarão aqui para sempre.


Por isso, valorize sua familia e as pessoas que estão ao
seu lado, sempre!!!!!

Pensamento para o Dia 17/10/2009


“Aquele que pensa no Senhor com devoção pode superar qualquer tipo de conseqüências de ações passadas (Karma). Com a graça do Senhor, cada um pode experimentar até mesmo a bem-aventurança, que não pode ser alcançada de outro modo. Não duvide do benefício da prática espiritual (Sadhana). A inabalável devoção (Bhakti) conquistará a graça do Senhor. Se toda a fé for sempre depositada no Senhor, por que Ele deveria negar-lhe Sua graça? Geralmente os homens não confiam totalmente e firmemente no Senhor. A fé é produto de paz e paciência, não de precipitação e pressa.”
Sathya Sai Baba

MULHERES INDEPENDENTES E SOZINHAS - Por Edilma Rocha

Independentes, bem suscedidas, estudadas, malhadas, viajadas, elegantes e intelectualmente inquietas. Nas grandes cidades esse número é cada vez maior. Elas são de uma geração que recebem as conquistas da revolução feminina. Hoje são maioria nas Faculdades, atuam no mercado de trabalho e muitas ganham mais que os homens. Vivem numa crise de modelo de namoro que funcionou perfeitamente na geração passada.
Antes o casamento era com base no sustento financeiro, na geração de filhos e na relação afetiva. Agora o casamento não é mais necessário para os dois primeiros ítens. Querem maior segurança na capacidade de entrega do parceiro. Os seus pais que ficaram juntos há anos, isso se deu, porque a mulher cedeu. Hoje ela vai ficar com o homem que lhe agrade. A relação moderna com o nome de FICAR, mudou todos os conceitos do namoro. As mais novas não querem se entregar ao casamento e as com mais de 30 anos, entendem melhor o que buscam pois muitas vezes já têm filho e os principes encantados tambem já são de segunda mão.
Ainda não existe um sistema para substituir em nada os namoros sérios que acabavam em casamento, reultado das paqueras nas Escolas e Faculdades. Elas dedicam os primeiros anos da vida adulta para firmar-se profisionalmente, conquistar o próprio espaço e morar sozinhas.
Apesar dos avanços e da libertação sexual, a sociedade aceita a vida avulsa apenas como uma etapa. Consideram que há algo errado quando uma mulher não consegue arrumar marido, mas isso é uma escolha. Elas não querem mais ser definidas pelo casamento ou pela maternidade. Querem governar a própria vida, ter independência financeira. Estão exercendo o direito de escolha, e isso é muito atual. A dinâmica individual não exclui o amor, mas criou a reinvidicação da autonomia dentro dele. É o amor não sacrificial.
As mulheres querem intimidade e comunicação. São mais exigentes que os homens e dão mais pêso que eles a vida sentimental. Como não presisam mais casar para fazer sexo ou pagar as contas, as mulheres esperam algo mais que um relacionamento. Não querem um companheiro para ter segurança financeira, status ou mesmo filhos. Querem homens para suporte emocional, intimidade e amizade.
Dez anos atrás, buscar um parceiro na rede era sinal de desespero ou incompetência, hoje é comum. E há mais homens que mulheres na Internet, o que tráz uma vantagem, a mulher tem acesso a grupos fora de seus limites geográficos. É como voltar para o tempo das cartas de amor.
Existem outras emoções que superam a vida de casada e a possibilidade da rotina fica fora de probabilidade. Têm seus blogs para ocupar o tempo, a mente e o próprio ego, encontrar companherismo e troca de emoções. Reencontram amôres passados e amizades perdidas . Revivem emoções com maturidade e sonham acordadas. Querem amar novamente sem perder a vida própria. A participação do homem é que mudou. Querem um amante, um companheiro, as vezes virtual, mas que preencha o seu ego.
Habitantes de um passado que não existe mais e de um futuro que ainda não chegou. Homens e mulheres vivem nos relacionamentos amorosos os reflexos de um presente de regras definidas com papeis que sofreram mudanças consideráveis, visíveis em outras esferas das relações humanas.

Edilma Rocha

Meu Pé de Pequi Mora Comigo!





Entre 8 a 9 anos atrás quando nos mudamos para nossa casa definitiva, encontramos no quintal um pequeno sitio. E para minha alegria lá encontrei um famoso Pequizeiro. Fizemos a brincadeira de cada filho escolher sua fruteira preferida. Eu, por motivos óbvios e degustativos escolhi o Pé de Pequi. Suas ramagens ( algumas ) se arrastam pelo chão, invadem a casa do vizinho, as vezes faz disparar até a cerca.

Só não colho o próprio com a mão porque existe uma ciência que diz o seguinte: se arrancarmos o pequi antes dele cair naturalmente, ele vai “amargar”. Então tenho que esperar a “despencagem” de cima; ou que caiam dessa galha beirando o chão.

Resolvi gravá-la em fotos, pois pode-se ver as flores e os primeiros pequis ainda criança. Eles possuem o sabor do Pequi do Arisco, como falam os especialistas no assunto: Os ilustres Pequizeiros.

Gostar de pequi tem uma particularidade: ou você gosta definitivamente ou não gosta! Não existe a possibilidade de gostar mais ou menos, ou gostar só um pouquinho.

Eu sou uma autêntica apreciadora do fruto. Portanto, breve teremos Pequizada aqui em casa!

Quem são esses garotos?

Aleatoriamente, capturei esta imagem que reune uma então garotada do Crato. A época, deve ser início dos anos 80. Pela legenda, identifiquei três deles, irmãos entre si. Socorro Moreira sabe muito bem de quem se trata.

Crédito da foto: www.inovavox.com

Canção do Amanhecer

Cadeiras na calçada

Travessa da Penha
..."A ruazinha modesta
É uma paisagem de festa
É uma cascata de luz"
.
"Eu sou plebeu ela é nobre
Não vale a pena sonhar"...

"Mas se fui pecador
Condeno a lua
Que abandonou a rua
E fugiu com o luar"

"Nos cigarros que eu fumo
Te vejo nas espirais
Nos livros que eu tento ler
Em cada frase tu estás"


..."Eu não sei por que razão
a gente precisa acordar
Quando o sonho é tão bom"

Fotos por Claude Bloc e Socorro Moreira

"...vem olhar
Esta noite amanhe.....cer
Iluminar...
Aos nossos passos tão sozinhos
Todos os caminhos
Todos os carinhos
Vem raiando a madrugada
Música no céu... "

Balada na Calçada


Serenata...
Travessa da Penha para o Cariricaturas

video

Vale a pena esperar para ouvir e ver o vídeo. Demora um pouco a abrir .
.
**************
Rua enluarada
Vozes na calçada
Estrada da poesia...
.
Hugo Linard
Visão em todos os dedos
Tons em todas as cores
Ouvido absoluto.
.
Peixoto, voz de veludo
E o contraponto do grupo:
Socorro, Claude,
Rosineide, Edmar
Luiza, Ronaldo
Lourdes...
.
Vizinhos no silêncio
Música de acalanto
E a noite
foi passando.
.
*****************
.
Texto por Socorro Moreira
Vídeo por Claude Bloc

Respondendo ao desafio - foto por Claude Bloc

O que sentes ao olhar a imagem?


Ângela Lôbo disse...

Uma vontade enorme de cantar: "Senhor, meu Deus, quando eu maravilhado, fico a pensar nas obras de Tuas mãos: o céu azul, de estrelas pontilhado e o Teu poder mostrando a criação.

ENTÃO MINH’ALMA CANTA A TI, SENHOR, QUÃO GRANDE ÉS TU, QUÃO GRANDE ÉS TU!!!

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Maria Amélia Castro disse...


Uma sensação de protenção:Um vale coberto de nuvens brancas, cinzas e azuis protegendo o verde e o relevo.
maria amélia

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Corujinha Baiana disse...

Paz
Quietude
Meditação

Ilusão de Ótica .

Aquecimento global
Efeito estufa
Alterações climáticas
Elevação do nível dos mares
Tormentas
Extinção de espécies.

A “borboleta” ameaça
Nova Era Glacial.

A “Grande Estrela” apagará
Trevas
Um novo “Big Bang”
Luz.

“Gaia” pede socorro!

Será a Des – Ordem no Caos ?!!!

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ANTROPOFAGIA BANGUELA disse...

FOTOGRAMA I
PÉ DE MOLEQUE


Quando vejo uma nuvem
Pesando o azul do céu
Lembro-me da grande vaia
Que o sol levou ao léu
Na praça do Ferreira
Nunca vi tanta asneira
Ver na vaia um troféu

Sendo assim vou defender
O meu Astro Rei querido
Que sempre teima em nascer
Alheio a todo alarido
Do cearense moleque
Que teima em abrir oleque
Do alienar preferido

FOTOGRAMA II
ABOBRINHAS METAFÍSICAS

Montanhas são catedrais
Que deixam a gente miudinho
Na raridade da paz
Do nosso lindo mundinho
Flutuando no vazio
Enfrentando o desafio
De ser somente um pontinho

Ulisses Germano

Frédéric François Chopin




Chopin nasceu no dia primeiro de março de 1810 em Zelazowa Wola, cerca de 10 quilômetros de Varsóvia, capital da Polônia, recebendo o nome de Fryderyk Francizek.

Quando Chopin tinha dez meses, o pai mudou-se para Varsóvia, onde passou a lecionar no liceu da nobreza e numa escola militar.

A educação musical de Chopin começou em seu próprio lar, onde todos apreciavam cantar e tocar: sua mãe e sua irmã Luísa dedicavam-se ao piano; o pai , ao violino. Aos seis anos o menino tentava reproduzir o que ouvia e criar novos sons; aos sete, após receber algumas lições de sua irmã Luísa, pôde ter seu primeiro mestre: Wojciech Zywny. Um ano após, Chopin já se apresentava em público, dada a sua extraordinária facilidade para o piano. Desta época datam os seus primeiros trabalhos: duas polonaises, mazurcas, variações e um rondó.

Os estudos comuns foram feitos em casa até 1823, quando contava treze anos. Nesse ano seu pai o matriculou no liceu, onde seus interesses dirigiram-se para a História, Literatura e o Teatro. Mas o que mais lhe interessava era a música. Em 1826 ingressou no Conservatório de Varsóvia, tendo aulas de composição com Joseph Elsner.

Em 1829 viaja à Viena, onde faz sua estréia internacional, com grande sucesso, embora tenha causado certa surpresa pôr seu toque delicado.

Um mês depois, de volta a Varsóvia, apaixona-se pôr Constancia Gladkowska, estudante de canto do conservatório. Timidez e acanhamento fizeram-no cultivar esta paixão em segredo.

O movimento lento do Concerto para Piano e Orquestra N.2 foi composto com o pensamento voltado para Constancia. Mas, logo depois, ela desapareceria de sua vida.

Em 1830,a opressão do Czar Nicolau I sobre a Polônia chegara a um ponto insuportável, provocando a famosa insurreição de novembro. Seguiu-se uma guerra, com a vitória final dos russos. Milhares de poloneses foram obrigado a exilar, muitos do quais antes de estourar o conflito. Entre eles, Chopin.

Não tendo condições para continuar sua carreira em Varsóvia e aconselhado pôr seus amigos, o compositor deixou a terra natal. Parte para Viena e, na despedida, seus amigos lhe entregam uma taça com terra polonesa, gesto que o comove. Chopin não poderia supor que em breve estouraria uma guerra, impedindo-o de voltar para sempre. Em novembro de 1830 chegou a Viena, onde ficou até 1831.

Em Viena, sua tristeza por ter deixado Varsóvia foi agravada com o pouco caso dos vienenses em relação aos patriotas poloneses e o desinteresse dos editores em editar suas obras. Era obrigado a percorrer os gabinetes burocráticos na tentativa de obter passaporte para a França, onde acreditava poder viver bem melhor.

Finalmente consegue seu visto e parte para Paris, passando antes pela Alemanha, onde encontra Schumann. Contam que na primeira vez que visitou a casa do compositor ele não estava em casa. Sua esposa, Clara, o recebeu. Ela não falava francês, Chopin não falava alemão. Diz a história que ele se sentou ao piano e tocou algumas composições suas. Clara fez o mesmo com as músicas do marido.

Se isso é verdade ou não, não se sabe. O que há de concreto é um artigo e Schumann na Nova Gazeta Musical, que dizia, a respeito de Chopin: "Tirem os chapéus, senhores, um gênio".

Chegando em Paris em setembro de 1831, Chopin impressiona-se com o tamanho da cidade, seus contrastes. Respira-se em Paris uma atmosfera liberal, com a burguesia conduzindo as rédeas da nação

Em Paris, encontra rapidamente a fama e o sucesso. Fino, elegante, gentil, ele possui todos os predicados para ser aceito na sociedade francesa. Além disso, os poloneses contam com a simpatia do povo francês, o que lhe facilita ainda mais a estadia em seu novo país.

Bem recebido pôr sua condição de exilado polonês, Chopin trava contato com muitas personalidades do meio artístico. Seu ambiente mais chegado, no entanto, seria constituído pela nova geração de compositores, jovens como ele: List, Berlioz e Mendelsonhn.

Como professor, Chopin consegue logo se firmar, dando aulas para os filhos das famílias aristocráticas e fazendo desta atividade seu principal meio de sobrevivência. Ao mesmo tempo desenvolve-se como compositor.

Em 1835 visita seus pais, exilados em Karlsbad, Alemanha. Depois viaja para Dresden, a fim de visitar a família Wodzinska, e surpreende-se com a beleza e os dotes artísticos da jovem Maria Wodzinska, que conhecera ainda criança. Os dois se amam profundamente e planejam casar-se. Mas a mãe de Maria apavora-se com a saúde delicada do compositor e impede o noivado. Abatido com o término do romance, Chopin volta a Paris.

Chopin encontra George Sand pela primeira vez em 1836, junto a Liszt e outros membros de seu círculo de artistas e escritores. A primeira impressão é desfavorável:

"Como é antipática essa Sand! Será mesmo uma mulher? Estou começando a duvidar." Para Chopin, sempre tão educado e polido, os modos de George Sand eram horríveis: vestia roupas de homem, fumava charutos, chamava os desconhecidos pôr "tu", era separada do marido e desafiava os padrões da moral vitoriana; tinha idéias socialistas.

A escritora, no entanto, se apaixona imediatamente pôr aquele "pobre anjo muito triste", seis anos mais jovem que ela, carente de cuidados, doente, desamparado... Propõe -lhe viverem juntos. Durante muito tempo o compositor evita que isso aconteça, temia desagradar seus pais com uma ligação ilícita.

Entretanto, em 1838, os argumentos de George Sand contra os escrúpulos morais de Chopin - que considerava ingênuos , acabam pôr surtir efeito. Chopin escreve em seu diário:

" Vi-a três vezes. Ela olhava-me profundamente nos olhos, enquanto eu tocava. Era uma música um pouco triste, lendas do Danúbio; o meu coração dançava com o dela no país longínquo. E os seus olhos nos meus, olhos escuros, singulares, que diziam? Apoiava-se sobre o piano e os seus olhares abrasadores inundavam-me Flores à nossa volta. O meu coração estava preso. Voltei a vê-la duas vezes...".

George Sand preocupou, em primeiro lugar, com a precária saúde do pianista. Queria tratar do amante, viver com ele e, ao mesmo tempo, desejava afastar-se de seu ex-marido e seus amantes anteriores. Resolvem viajar para a ilha de Maiorca, no litoral da Espanha. Acompanham o casal os dois filhos da escritora: Maurice, de quinze anos e Solange, de oito.

Passam uma temporada idílica em uma casa simples, até que Chopin adoece. Rumores de que estava tuberculoso levaram o proprietário da casa a mandá-los embora. Procuram refúgio em um convento abandonado, em Valdemosa, nas montanhas da ilha, habitado unicamente pelo sacristão, um farmacêutico, um trabalhador braçal, varrido pêlos ventos da montanha e tendo como personagens principais uma romancista e um músico tuberculoso terrivelmente apaixonados, o local compõe um autêntico cenário do romantismo.

Aí George Sand inspira-se para escrever sua novela "Espiridião"e Chopin conclui seus 24 Prelúdios, o Scherzo em Dó sustenido menor e a Polonaise em Dó menor.

Contudo a umidade, o frio e a alimentação precária agravam o estado de saúde do compositor. Em março de 1839, Sand se convence de que só a imediata partida poderia salvar o amante. Durante a viagem de volta, Chopin teve uma hemorragia que quase lhe custou a vida. Viajam para Marselha, onde Chopin consegue se recuperar depois de três meses.

De volta a Paris, alugam dois apartamentos - nem muito perto, nem muito longe - de modo a possibilitar que Chopin e Sand se visitem à vontade, sem provocar mexericos. Seu ganha pão volta a ser a atividade de professor. Suas apresentações como pianista são raras: " Não tenho temperamento para dar concertos: o público intimida-me, sinto-me asfixiado pela impaciência, paralisado pêlos seus olhares curiosos, mudo perante essas fisionomias desconhecidas" - escreve a seu amigo Liszt.

De tempos em tempos sua saúde piora. Sand mostra-se cada vez mais maternal e, quase todos os verões, o leva para sua casa de campo. A tuberculose provocava nele mudanças apreciáveis de estado de espírito, que iam da mais viva excitação nervosa a um desânimo angustiante. O convívio com um ser tão sensível, doente, e, pôr vezes caprichoso não era fácil para a paciente Sand. Toda complicação vem de que ele ainda a ama com verdadeiro amor, ao passo que ela há muito tempo se aquartelou na afeição. Seu pequeno Chopin, ela o ama, o adora como, porém, a Solange e a Maurício. Nos meses em que vivem separados, pôr ocasiões de viagens, está sempre inquieta pela saúde dele: " Aí tem o meu pequeno Chopin" - escreve à dona de uma pensão - "confio-lho, cuide dele mesmo contra sua vontade. Quando não estou com ele, é de trato difícil". Escreve a uns e outros, recomendando-lhes uma vigilância discreta. Que não se esqueça de tomar seu chocolate pela manhã, seu caldo às dez horas. Que o obriguem a cuidar-se, a não sair sem agasalho...

Com o tempo, o caráter de Chopin tornou-se insuportável. A relação entre os dois começa, pouco a pouco a se deteriorar. Suspeitando de que a amante o trai com outro homem, Chopin torna-se cada vez mais petulante, mal humorado e desagradável. A esse quadro negativo, acrescentam-se problemas domésticos e brigas pôr causa dos filhos de George Sand. No verão de 1847,os dois resolvem se separar.

No ano seguinte, Chopin entra em fase de grande depressão. Desolado e abatido, aceita o convite da aluna Jane Stirling para visitar a Inglaterra e a Escócia, onde toca para a Rainha Vitória. Apresenta-se em Manchester, Edimburgo e Glasgow, mas o faz sem o menor prazer, apenas para ganhar seu sustento. Novamente em Londres dá um concerto beneficente para exilados poloneses, seu último concerto.

Seu estado de saúde é alarmante. Volta a Paris. À sua débil saúde vieram acrescentar-se os problemas econômicos, que se resolverão graças ao generoso donativo de Jane Stirling, que lhe enviou, anonimamente, 25.000 francos.

No princípio de 1849, chega sua irmã Luisa, que ele mandara chamar, provavelmente pôr sentir que o fim estava próximo: " Você sabe que os ciprestes têm seus caprichos: hoje, meu capricho é tê-la comigo."

Nos primeiros dias de outubro teve uma crise que anunciava a morte. Seus fieis amigos se revezavam junto a sua cama para cuidá-lo. A princesa Czartoryska e seu amigo fiel Gutmann são os seus enfermeiros. Na noite de 14 de outubro, murmurou: " Entretanto, ela me havia dito que eu não morreria senão em seus braços". Antes de falecer, quase sem poder respirar, escreveu: " Como esta terra me asfixiará, peço-vos que meu corpo seja aberto, a fim de não ser enterrado vivo".

Assim, ele morreu na madrugada de 17 de outubro. O corpo de Chopin foi enterrado no cemitério de Père-Lachaise, exceto seu coração, que foi enviado para Varsóvia e depositado na Igreja de Santa Cruz.

Nos minutos de recolhimento que se seguiram à descida do ataúde, foi vista uma certa mão amiga atirar sobre o caixão aquela terra polonesa que havia sido entregue a Chopin no dia em que deixara sua Pátria.

Obras

Falar em Chopin é falar em piano. A maioria esmagadora de suas obras são para esse instrumento, e mesmo suas obras orquestrais o incluem.

A música de Chopin é intensamente pessoal, pela grande força espiritual, pela extrema sensibilidade, pelo amor à sua Pátria. Foi mestre nas formas musicais breves.

Chopin foi menos feliz nas grandes formas tradicionais: seus dois concertos para piano e orquestra são obras da mocidade. Suas três sonatas não passam pôr impecáveis, o que não impediu a glória da Sonata em si bemol menor, cujo terceiro movimento é a conhecida Marcha Fúnebre.

Os Prelúdios:

Sabemos que O Cravo bem Temperado de J.S. Bach constituía para Chopin, um estudo diário. Passava as horas que antecediam a um concerto entregue a Bach.

Os prelúdios de Chopin nasceram como uma "reelaboração" do conceito de improvisação de Bach. São um conjunto de vinte e quatro peças, cuja duração dura entre meio e pouco mais de cinco minutos. Com estas peças, Chopin abriu um mundo inédito para o piano.

Os Estudos:

Chopin compôs os Estudos Op.10 dedicados a F .Liszt e os Estudos Op.25, dedicados a condessa D’Agoult, entre os anos de 1828 a 1836. Chopin não pretendia apenas ensinar a prática das oitavas, o trilo ou as escalas em terças. Os estudos são, acima de tudo, poemas musicais, e para os executar, o pianista deve recorrer a meios que ultrapassam o domínio puramente técnico. Para além da mera função didática, Chopin procurava um aperfeiçoamento que servisse para exprimir, para ajudar a cantar. A função técnica é transcendida nestas obras. Cortot caracterizou muito bem esses estudos ao dizer que o pianista não virtuoso tinha tão pouco acesso a eles como o virtuose que carecesse de sentido musical.

As Valsas:

Chopin foi um renovador que deu traços novos a gêneros já existentes, chegando pôr vezes a modificá-los. Os contemporâneos do autor não souberam encontrar nas valsas qualquer relação com as valsas de Strauss ou Schubert. Não se procuram, portanto, nestas peças, o caráter dançante.Todos os temas são possíveis nas íntimas e humaníssimas valsas do nosso músico, desde o amor, cantado na Valsa N.3 Op.70, dedicada a Constancia, ou a Valsa em lá bemol maior ( O Adeus), dedicada a Maria, até a ligeireza da N.1 Op.68,ou a melancolia da Valse du Regret (n.2 Op.38).

Os Noturnos:

Em Chopin, Noturno significa um canto livre da sua intimidade, pôr meio da qual conta uma história íntima que o músico não poderia exprimir de outra forma. Chopin baseou-se num modelo próximo, os noturnos do irlandês Field, mas submeteu-os a tal modificação que apenas poderemos notar um vago parentesco entre os dois músicos. Nos últimos noturnos encontramos sonoridades e uma escrita pianística próximas do impressionismo.

Os Scherzos:

Chopin escreveu quatro Scherzos. Separa o Scherzo da sonata e da sinfonia e dá-lhe um caráter autônomo. Não procuraremos nestas obras o caráter lúdico: do scherzo tradicional retira-se apenas a medida e não o conteúdo.

As Polonaises:

Inicialmente era uma dança tradicional da nobreza, de forma lenta e majestosa, surgida no século XVI. Estas polonaises eram totalmente desprovidas de ritmos e temas folclóricos. Chopin começou a cultivar este modelo, desde a infância, introduzindo-lhe temas populares do folclore polonês.

Chopin ainda compôs baladas, mazurcas, improvisos, fantasias e outras peças diversas. Na história da música é importante o papel de Chopin como inventor de novas harmonias e criador de uma nova técnica para o piano, revolucionária na época

Em suma, a obra de Chopin é muita mais extensa do que se imagina; ele escreveu um pouco mais de duzentos obras entre Baladas, Noturnos, valsas, Estudos, Mazurcas, Polonaises, Prelúdios, e Sonatas.



Chiquinha Gonzaga




Francisca Edwiges Neves Gonzaga era filha do militar José Basileu Neves Gonzaga e da mulata Rosa Maria de Lima. Ganhou um piano de seu pai aos 9 anos e compôs a sua primeira música aos 11 anos.

Casou-se com o oficial da Marinha Mercante Jacinto Ribeiro do Amaral aos 13 anos. Aos 16, nasceu o primeiro filho, João Gualberto. No ano seguinte, teve Maria.

Três anos depois, já seduzida pela música, decidiu separar-se do marido, o que provocou o rompimento das relações com o seu pai.

Chiquinha passou a viver com João Baptista de Carvalho, um bon-vivant com quem teve a filha Alice Maria. Em 1876, o casal decidiu mudar-se para o interior de Minas Gerais. Ao surpreender o amado com outra mulher, Chiquinha deixou-o, com a filha, que ainda não havia completado um ano, e partiu de vez para a carreira artística, compondo e dando aulas para se sustentar.

O flautista Antônio da Silva Calado a introduziu nas rodas de chorões do Rio de Janeiro. Num desses encontros de músicos, em 1877, ela compôs, de improviso, a polca "Atraente", seu primeiro sucesso. Depois musicou operetas e dirigiu concertos, tornando-se a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil.

Além da música, Chiquinha participava ativamente do movimento pela libertação dos escravos. Vendia de porta em porta suas partituras, a fim de angariar fundos para a causa. Com o dinheiro que conseguiu ao vender a partitura de sua música "Caramuru", Chiquinha Gonzaga comprou, em 1888, a alforria do escravo e músico José Flauta, antecipando-se poucos meses à Lei Áurea. Foi também uma participante ativa da campanha pela proclamação da República.

Em 1897, compôs o tango "Gaúcho", lançado na peça "Zizinha Maxixe", de Machado Careca que, quatro anos mais tarde, faria uma letra para a composição, que passaria a se chamar "Corta-Jaca". Essa música fez tanto sucesso que foi incluída na revista luso-brasileira Cá e Lá, encenada em Portugal e executada numa audição no Palácio do Catete, feita por Nair de Tefé, a esposa do presidente . O evento foi considerado uma quebra de protocolo e um escândalo nas altas esferas do poder brasileiro.

Enquanto ouvia o ensaio do Cordão Rosa de Ouro, no Andaraí, em 1899, Chiquinha compôs a sua primeira marcha carnavalesca, "Ó Abre Alas". Em 1902, fez uma viagem à Europa, mudando-se para Lisboa em 1906. Voltou acompanhada por João Batista (Joãozinho Gonzaga), um rapaz 36 anos mais jovem, que havia conhecido ainda no Rio.

Em 1912, Chiquinha assistiu à estréia de "Forrobodó", opereta que musicara, escrita por Luiz Peixoto e Carlos Bittencourt. Três anos depois, Chiquinha musicou a peça "A Sertaneja", de Viriato Correia.
Participou da fundação da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (SBAT), em 1917, e lançou campanha de fundos destinados à construção de uma nova sepultura para Francisco Manuel da Silva, compositor do Hino Nacional Brasileiro, dois anos depois.

Em 1933, aos 85 anos, escreveu sua última partitura, "Maria".
Chiquinha morreu em 1935. Durante a sua vida, musicou aproximadamente 77 peças de teatro. Sua obra reúne mais de 2.000 composições, entre valsas, polcas, tangos, maxixes, lundus, fados, serenatas, músicas sacras. Entre suas inesquecíveis criações estão "Ó Abre Alas", "Atraente", "Casa de caboclo", "Faceiro", "Falena" e "Lua branca", entre outras.



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Luiz Bonfá -grande músico brasileiro



Luiz Floriano Bonfá (Rio de Janeiro, 17 de outubro de 1922 — Rio de Janeiro, 12 de janeiro de 2001) foi um cantor, violonista, compositor brasileiro.

Bonfá nasceu no dia 17 de Outubro de 1922 no Rio de Janeiro. Aprendeu sozinho, quando criança, a tocar violão, quando completou 13 anos passou a ter aulas com o Uruguaio Isaías Sávio. Tais aulas se tornaram muitos cansativas para Bonfá, que tinha de sair de sua casa na periferia do Rio, andar uma grande porção do caminho a pé e depois pegar um bonde para santa teresa, onde morava o professor. devido à estraordinária dedicação de Bonfá, Isaías não lhe cobrava as aulas.
Um dos integrantes do primeiro grupo de músicos da bossa nova, compositor de clássicos como "Manhã de Carnaval" e "Samba do Orfeu" (ambas com Antônio Maria), Bonfá começou a tocar violão de ouvido, na infância, no Rio. Aos 12 anos passou a ter aulas de violão clássico com o uruguaio Isaias Savio. Na década de 40 tocou na Rádio Nacional, ao lado de Garoto. Participou de alguns conjuntos, como o Quitandinha Serenaders, até começar a carreira solo, como violonista. Teve atuação destacada como compositor, e seus primeiros sucessos foram gravados por Dick Farney, em 1953. A peça "Orfeu da Conceição", de Vinicius de Moraes, foi um marco em sua carreira. Tocou violão na gravação do disco da peça em 1956 e, três anos depois, compôs algumas das faixas que compunham a trilha sonora do filme de Marcel Camus ("Orfeu do Carnaval") inspirado na peça. Participou do Festival de Bossa Nova no Carnegie Hall em Nova York, 1962, sempre respeitado como compositor refinado e exímio violonista. Uma de suas características é tocar fazendo amplo uso do recurso das cordas soltas, o que confere uma sonoridade ampla e grandiosa. Gravou diversos discos nos EUA que não foram lançados no Brasil. Voltou a gravar no Brasil no fim dos anos 80 e anos 90, lançando discos bem-sucedidos também nos Estados Unidos. "Almost In Love", composição de Bonfá, foi a única música brasileira gravada por Elvis Presley. Frank Sinatra, Sarah Vaughan, George Benson, Tony Bennett, Julio Iglesias, Diana Krall e Luciano Pavarotti são outros intérpretes que já cantaram músicas de Bonfá. Outros sucessos são "De Cigarro em Cigarro", "Correnteza" (em parceria com Tom Jobim), "The Gentle Rain", "Menina Flor", "Mania de Maria" e "Sem Esse Céu".
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Artur Asher Miller



Arthur Asher Miller (Nova Iorque, 17 de Outubro de 1915 — Roxbury, 10 de Fevereiro de 2005) foi um dramaturgo norte-americano. Nasceu em Nova Iorque. Conhecido por ser o autor das peças Morte de um Caixeiro Viajante (Death of a Salesman) e de The Crucible (pt - As Bruxas de Salem; br - As Feiticeiras de Salem), e por se ter casado com Marilyn Monroe em 1956. Morreu de insuficiência cardíaca crónica, com 89 anos, em Roxbury, Connecticut.

Miller era filho de um casal de imigrantes judeus polacos: Isadore, um empresário têxtil, e Augusta, dona-de-casa. O casal teve ainda dois filhos, Kermit e Joan. A família vivia numa "penthouse", em Manhattan, com vista sobre Central Park até ao momento em que Isadore ficou arruinado com a Grande Depressão.

Em 1936, a sua primeira peça (que não foi "Todos os meus filhos", como é dito em diversas fontes), Honors at Dawn, com a qual ganhou o Prémio Hopwood, foi encenada na Universidade de Michigan. Dois anos mais tarde, graduou-se nesta mesma universidade em jornalismo. Em 1940, Miller casou-se com a sua namorada, desde o colégio, Mary Slattery. Tiveram dois filhos, Jane e Robert. Esteve isento do serviço militar durante a Segunda Guerra Mundial devido a uma lesão que contraíra num jogo de futebol americano.

A sua peça, de 1949, Morte de um Caixeiro Viajante venceu o Prémio Pulitzer e três Prémios Tony, bem como o prémio do Círculo de Críticos de Teatro de Nova Iorque. Foi a primeira peça a conseguir os três simultaneamente. A sua peça seguinte, The Crucible ("As Bruxas de Salém" ou as "Feiticeiras de Salém", na versão brasileira), inaugurou-se na Broadway a 22 de Janeiro de 1953. Em 1956 divorciou-se. Em Junho do mesmo ano, comparece perante a House Un-American Activities Committee ("Comité parlamentar das actividades antiamericanas"), depois de ter sido denunciado por Elia Kazan como tendo participado em reuniões do Partido Comunista. No final desse mesmo mês (29 de Junho), casa-se com Marilyn Monroe, que tinha conhecido oito anos antes, apresentado, exatamente, por Kazan.

A 31 de Maio de 1957, Miller é considerado culpado de desobediência ao Congresso por recusar-se a revelar os nomes dos membros de um círculo literário suspeito de pertencer ao Partido Comunista. A sua condenação foi anulada pelo Tribunal Federal de Apelação (U.S. Court of Appeals) a 8 de Agosto de 1958. No mesmo ano publica as suas peças na colectânea Collected Plays.

Divorcia-se de Marilyn a 24 de Janeiro de 1961. Casa-se, um ano mais tarde, com Inge Morath, a 17 de Fevereiro de 1962. Conheceram-se enquanto os fotógrafos da agência Magnum documentavam a realização do filme The Misfits ("Os Inadaptados" ou "Os Desajustados", na versão brasileira). Tiveram duas crianças, Rebecca e Daniel. De acordo com o biógrafo Martin Gottfried, Daniel nasceu a 1962 com Síndroma de Down. Miller pôs o filho à guarda de uma instituição em Roxbury, Connecticut, e nunca o visitou (ainda que a sua mulher o fizesse). Miller não fala de Daniel na sua autobiografia Timebends, de 1987.

Em 1985, Miller visitou a Turquia e foi homenageado na Embaixada Americana. Depois de o seu companheiro de viagem Harold Pinter ter sido expulso do país por discutir a tortura, Miller deixou o país em solidariedade para com o colega.

Inge Morath morreu a 30 de Janeiro de 2002. A 1 de Maio do mesmo ano, Miller venceu o prémio espanhol Príncipe Astúrias de Letras por ser, segundo os atribuidores do prémio "o mestre indiscutível do drama moderno". Entre os premiados anteriores encontravam-se, por exemplo, Doris Lessing, Günter Grass e Carlos Fuentes.

Em Dezembro de 2004, com 89 anos, anunciou que pretendia casar com uma artista de trinta e quatro anos chamada Agnes Barley com quem vivia desde 2002 na sua quinta em Roxbury. A 10 de Fevereiro de 2005, Arthur Miller morre em casa de insuficiência cardíaca crónica (é também referido, nalgumas fontes, que sofria de cancro, tendo o seu estado de saúde piorado devido a uma pneumonia).

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Rita Hayworth - Gilda !



Rita Hayworth (nome artístico de Margarita Carmen Cansino; Nova Iorque, 17 de outubro de 1918 — Nova Iorque, 14 de maio de 1987) foi uma atriz norte-americana de ascendência hispano-irlandesa, que atingiu o auge na década de 1940 e tornou-se um mito eterno do cinema.

Rita era filha de Eduardo Cansino, natural de Castilleja de la Cuesta, e Volga Hayworth, chefes de uma famosa família de dançarinos ciganos espanhóis. Treinada profissionalmente, Rita subiu aos palcos pela primeira vez com doze anos de idade. Ao longo da adolescência, ela se apresentou várias vezes em cassinos na fronteira dos Estados Unidos com o México.

Primeiramente atraindo a atenção de produtores de cinema como parte da "Família Cansino de Dançarinos", Rita (ainda Cansino) assinou contrato com a Fox em 1935. Estreiou como coadjuvante em Sob o Luar dos Pampas (Under the Pampas Moon, 1935), um faroeste passado na Argentina, estrelado por Warner Baxter. Foi escalada para vários outros papéis pequenos, nos quais se destacou por seus dotes para a dança e por sua beleza. São dessa fase diversos filmes B, como Charlie Chan no Egito (Charlie Chan in Egypt, 1935), policial estrelado Warner Oland e os faroestes Barulho no Texas (Trouble in Texas, 1937), com o cowboy-cantor Tex Ritter e Soberanos da Sela (Hit the Saddle, 1937) com os Three Mesquiteers.

Em 1937, Rita casou-se com Edward Judson, seu empresário. Judson trocou seu nome para Rita Hayworth, mudou a cor do seu cabelo, de castanho para um tom de ruivo (auburn) que ficaria famoso e, principalmente, levou-a para a Columbia Pictures, estúdio que tentava se firmar como um dos grandes de Hollywood e, por isso, necessitava ardentemente de estrelas importantes. No entanto, a Columbia parecia não saber o que fazer com ela: apesar de conseguir um papel importante em Paraíso Infernal (Only Angels Have Wings, 1939), de Howard Hawks, estrelado por Cary Grant e Jean Arthur, Rita continuou a aparecer em uma série infindável de produções B, ora como protagonista, ora como coadjuvante.

Por fim, sua sorte começou a mudar quando foi emprestada à MGM para fazer o terceiro papel feminino de Uma Mulher Original (Susan and God, 1940), de George Cukor, drama estrelado por Joan Crawford e Fredric March. No ano seguinte, novo empréstimo, agora para a Warner Bros., onde foi coadjuvante em dois filmes, um deles Uma Loura com Açúcar (The Strawberry Blonde, 1941), comédia de Raoul Walsh, com James Cagney e Olivia de Havilland. Ainda em 1941, foi emprestada à Fox para interpretar Doña Sol na superprodução Sangue e Areia (Blood and Sand, 1941), drama de Rouben Mamoulian, estrelado por Tyrone Power e Linda Darnell. Este filme lançou-a como o símbolo sexual por excelência de toda aquela década.

Nos anos que se seguiram, Rita brilhou em musicais da Columbia, como Ao Compasso do Amor (You'll Never Get Rich, 1941), Bonita Como Nunca (You Were Never Lovelier, 1942), ambos com Fred Astaire e Modelos (Cover Girl, 1944), com Gene Kelly, firmando-se como uma das maiores dançarinas das telas e a maior estrela romântica dos anos 1940. Porém, a chegada do sucesso profissional coincidiu com a crise em seu casamento, que acabou em divórcio em 1942.

Rita Hayworth como Gilda, papel que a imortalizouA fama de maior estrela da década e de uma das mulheres mais desejadas e famosas do mundo consolidou-se ao estrelar, no auge de sua beleza, o clássico noir Gilda (Gilda, 1946), de Charles Vidor, ao lado de Glenn Ford, com quem já atuara antes em Protegida do Papai (The Lady in Question, 1940), também de Vidor. O marcante, ainda que brevíssimo, striptease de Rita (na verdade o striptease é sugeirdo pois ela tira apenas a comprida luva de um dos braços) e a bofetada que ela recebe de Ford, ajudaram a engrossar a enorme bilheteria que o filme recebeu em todo o mundo.

Gilda, o filme mais importante de sua carreira, também marcou o início de seu lento declínio em Hollywood. Assim como, na frase precisa da campanha publicitária, "nunca houve uma mulher como Gilda", assim também nunca mais Rita conseguiu repetir esse êxito, apesar de ter continuado a trabalhar em produções de sucesso.

Com Orson Welles, com quem se casara em 1943, Rita estrelou A Dama de Xangai (The Lady from Shanghai, 1948). O filme não agradou nem aos fãs nem à crítica, em parte porque Welles pediu-lhe que cortasse o cabelo e o pintasse de louro, além de matar sua personagem no final. No mesmo ano, Os Amores de Carmen (The Loves of Carmen), também de Charles Vidor, reuniu-a novamente com Glenn Ford. A química funcionou outra vez e o filme foi sucesso. Em 1952, fez Uma Viúva em Trinidad (Affair in Trinidad), de Vincent Sherman, atuando pela quarta vez ao lado de Ford. Seus dois filmes do ano seguinte foram dois grandes escândalos, pelo seus temas: Salomé (Salome, 1953), de William Dieterle, com Stewart Granger, onde fez o personagem bíblico que pediu a execução de João Batista e A Mulher de Satã (Miss Sadie Thompson, 1953), de Curtis Bernhardt, com Jose Ferrer, em que Rita interpreta uma pecadora que seduz um reverendo. Seu último grande sucesso foi Meus Dois Carinhos (Pal Joey, 1957), de George Sidney, com Rita dividindo a cena com Frank Sinatra e Kim Novak, considerada a nova rainha da Columbia. Na hora de decidir quem encabeçaria o elenco, Sinatra resolveu a questão: "O direito de ter o nome em primeiro lugar pertence a Rita Hayworth. Ela é a Columbia Pictures e sempre será".

Rita ainda faria vários outros filmes, inclusive na Europa, mas seus dias de glória e sua época já eram coisa do passado. Trabalhou pela quinta vez com Glenn Ford, em O Dinheiro É a Armadilha (The Money Trap, 1966), de Burt Kennedy, e encerrou a carreira com A Ira Divina (The Wrath of God, 1972), ao lado de Robert Mitchum. Coincidentemente, este último é um faroeste, como seu primeiro trabalho, e assim o círculo se completa
Rita casou-se cinco vezes: a primeira com Edward C. Judson (1937- 1942); a segunda com Orson Welles (1943-1948), com quem teve uma filha, Rebecca; a terceira com o príncipe Aly Khan (1949-1953), com quem teve princesa Yasmin Aga Khan; a quarta com o cantor Dick Haymes (1953-1955), e a última com James Hill (1958-1961). Todos seus casamentos terminaram em divórcio. Considerada por muitos a mulher mais bonita da história do cinema, a despeito de Greta Garbo e Marilyn Monroe, a atriz definia seu insucesso no amor com a seguinte frase, que resiste à passagem do tempo: "A maioria dos homens se apaixona por Gilda, mas acorda comigo".

Morreu na casa de sua filha, Yasmin, em Nova Iorque, aos sessenta e nove anos, vítima do mal de Alzheimer, do qual padecia desde a década de 1960, mas que só foi diagnosticado em 1980. Está sepultada no Cemitério de Holy Cross em Culver City, California.

"Lembrei dos Amigos"- Colaboração de Stela Siebra de Brito

Dois pedaços de madeira que flutuam no oceano
encontram-se e se separam um instante depois.

Assim também tu e tua mãe, tu e teu irmão, tu e

tua mulher, teu filho e tu.

Chamas teu pai, tua mulher, teu amigo,

mas não é mais do que um encontro no caminho.

Esse mundo é uma roda que gira,

uma passagem no grande oceano do tempo, onde nadam

dois tubarões: a velhice e a morte.

Nada é permanente, nem teu corpo.

Nada retorna e nada permanece.

Prazer, dor, o destino tudo estabelece.

O que desejas, tens.

O que não desejas, tens.

Ninguém entende por quê.

Nada garante a felicidade do homem.

Onde estou? Para onde irei? Quem sou? Porque?

E porque deveria chorar?



Extraído do Mahabarata em adaptação do original

por Jean Claude Carrièrre.

Do livro: Índia, um olhar amoroso. Do mesmo Jean Claude.