Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

ENVIE SUA FOTO E COLABORE COM O CARIRICATURAS



... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
.....................
claude_bloc@hotmail.com

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Your song ...

Garimpando versos - Foto de Samuel de Araújo Gregório


Amanhã é o dia do INVENTOR ...


Invente uma palavra nova , um personagem, um receita culinária, uma fómula de vida ... Invente uma nova moda ... Invente , nem que seja, uma nova gíria !

Se possível, deixe o resultado nesse espaço de coleta e, tomara que amanhã ele esteja repleto !

4 de Novembro - Dia do Inventor


"A data é uma homenagem ao nascimento de Hedy Lamarr (1914-2000), criadora de um sofisticado aparelho capaz de interferir em freqüências radiofônicas. A invenção, patenteada em 1942, deu origem à comunicação via satélite e à tecnologia de telefones sem fio e celulares.

Austríaca, Hedy Lamarr também foi uma das mais marcantes atrizes de Hollywood, nas décadas de 30 e 40.

Seja em espaços improvisados ou em laboratórios profissionais, os inventores se diferenciam pelo raciocínio fora do comum e pela capacidade de comprovar suas teorias. Não fosse tal criatividade e ousadia, provavelmente ainda viveríamos nas cavernas! "

Quais os inventos brasileiros mais populares?- Tiago Jokura




Bina

Como foi criado: Saber a procedência de uma chamada era impossível, até que, em 1982, Nélio José Nicolai percebeu que a solução não estava no detector, mas nas centrais telefônicas e criou o B (o que recebe a chamada) Identifica o Número A (que a originou).

Como ganhou o mundo: A Bell, empresa canadense, enviou técnicos ao Brasil e convidou Nélio para reuniões. Em 1986, lançou o Bina violando a patente brasileira. Hoje, a tecnologia é usada em todo mundo.

Walkman

Como foi criado: Em 1977, entre uma festa e outra, o filósofo Andreas Pavel decidiu "levar o som para dentro do tímpano" e não incomodar ninguém com sua escolha musical. Ele modificou dezenas de fones de ouvido e gravadores até montar o aparelho.

Como ganhou o mundo: Em 1979, a Sony lançou o Walkman – sucesso mundial que atropelou as patentes internacionais de Andreas. O brasileiro, nascido na Alemanha, só foi indenizado e reconhecido em 2004.

Relógio de pulso

Como foi criado: Em 1904, a princesa Isabel deu ao aviador Santos Dumont, uma medalha de São João Batista e amarrou-a no pulso dele, para não atrapalhar nos vôos. Ele gostou da idéia e, em vez de continuar amarrando o relógio de bolso no braço com um lenço para contar os minutos no ar, encomendou o primeiro modelo de pulso a Louis Cartier.

Como ganhou o mundo: Na 1a Guerra Mundial, soldados usaram relógios similares. Logo depois, eles se popularizaram.

Cartão telefônico indutivo

Como foi criado: Os primeiros protótipos, feitos de papelão, foram produzidos na casa do engenheiro Nelson Guilherme Bardini, em 1976. Um dos métodos consistia em prensar um pedaço de solda em uma máquina de fazer macarrão.

Como ganhou o mundo: Diversas empresas, em várias partes do mundo, interessaram-se pelo sistema, considerando especialmente o baixo custo e a simplicidade na utilização.

Endereço desta matéria:
http://www.superinteressante.com.br/superarquivo/2005/conteudo_391730.shtml

Leonardo da Vinci- Ciência e criações


Leonardo não foi um pintor prolífico, mas foi o mais prolífico desenhista (projetista), mantendo diários cheios de pequenos rascunhos e desenhos detalhados registrando todas as coisas que lhe chamavam atenção. Juntamente com os diários, existem diversos estudos de pinturas, alguns dos quais podem ser identificados como preparações para trabalhos específicos como A Adoração dos Magos, a Madona das Rochas e A Última Ceia.

Talvez até mesmo mais impressionantes que os seus trabalhos artísticos sejam os estudos em ciências e engenhosas criações, registrados em cadernos que incluem umas 13 000 páginas de notas e desenhos que fundem arte e ciência.

Da Vinci tentou entender os fenômenos e descrevendo em detalhe extremo, e não enfatizou experiências ou explicações teóricas. Ao longo de sua vida, planejou uma enciclopédia baseado em desenhos detalhados de tudo. Como não dominava o latim e a matemática, o Leonardo da Vinci cientista era ignorado pelos estudiosos contemporâneos.

Ele participou em autópsias e produziu muitos desenhos anatômicos extremamente detalhados e planejou um trabalho inclusive com humanos e anatomia comparativa. Ao redor do ano 1490, ele produziu um estudo das proporções humanas baseado no tratado recém-redescoberto do arquiteto romano Vitruvius. Leonardo debruçou-se sobre o que foi chamado o Homem Vitruviano, o que acabou se tornando um dos seus trabalhos mais famosos e um símbolo do espírito renascentista. O desenho reproduz a anatomia humana conduzindo eventualmente ao desígnio do primeiro robô conhecido na história que veio a ser chamado de O Robô de Leonardo.

Fascinado pelo fenômeno de vôo, Da Vinci produziu detalhado estudo do vôo dos pássaros, e planos para várias máquinas voadoras, tentou aplicar seus estudos para os protótipos que desenhou, o primeiro batizado de SWAN DI VOLO (Cisne voador), segundo especialistas é de 1510, inclusive um helicóptero movimentado por quatro homens, e um planador cuja viabilidade já foi provada.

Em 1502 Leonardo da Vinci produziu um desenho de uma ponte como parte de um projeto de engenharia civil para Sultão Beyazid II de Constantinopla. Nunca foi construída, mas a visão de Leonardo foi ressuscitada em 2001 quando uma ponte menor, baseada no projeto dele, foi construída na Noruega.

Os seus cadernos também contêm várias invenções no campo militar: canhões, um tanque blindado movimentado por humanos ou cavalos, bombas de agrupamento, etc., embora considerasse a guerra como a pior das atividades humanas. Outras invenções incluem um submarino e um dispositivo de engrenagem que foi interpretado como a primeira calculadora mecânica. Nos anos dele no Vaticano, planejou um uso industrial de poder solar, empregando espelhos côncavos para aquecer água(inventou a primeira máquina a vapor).


O famoso homem vitruviano.Em astronomia, acreditou que o Sol e a Lua giravam ao redor da Terra, e que a Lua refletia a luz do Sol devido a ser coberta por água.

Outros desenhos de interesse incluem numerosos estudos de deformidades faciais que são freqüentemente referidas como caricaturas, enquanto que uma análise mais próxima da estrutura do esqueleto indica que a maioria foi baseada em modelos vivos. Há numerosos estudos do belo jovem Salaino com seu raro e admirável traço facial, o assim chamado “perfil grego”. Ele é frequentemente retratado usando fantasias.

Leonardo é conhecido por ter desenhado composições para carros alegóricos (quadros-vivos) com os quais podia estar associado. Outros desenhos, frequentemente meticulosos, mostram estudos para drapejamento (pano para cortina). Um desenvolvimento marcante na habilidade de Leonardo em drapejamento ocorreu em seus primeiro anos.


Modelos de máquinas voadoras planejados por LeonardoDa Vinci não publicou e nem distribuiu os conteúdos de seus cadernos. A maioria dos estudiosos acredita que Leonardo quis publicar os cadernos e fazer com que as sua observações fossem de conhecimento público. Eles permaneceram obscuros até o século XIX.

A influência de Leonardo na história da arte européia é bastante profunda. Algumas técnicas desenvolvidas por ele, destacadamente o sfummato e o chiaroscuro, tornaram-se uma regra para a pintura dos séculos vindouros.

É considerado por muitos como o arquétipo do Homem do Renascimento.

Grande inventor de sua época, Leonardo da Vinci era um homem à frente de seu tempo. Seu interesse e criatividade em vários campos de estudo deram origem a invenções como: salva-vidas, pára-quedas, bicicleta, entre outras
wikipédia

Apelidos

Sabidamente, o "apelido pessoal" é algo comum e rotineiro. Sim, pois, quase todos nós em algum momento de nossa vida fomos chamados por "um modo" distinto do nosso prenome. Na verdade, chamamos de "apelido", o que deveria ser intitulado como: Vulgo, Alcunha, Cognome, porque estes revelam esta forma distinta de tratamento, reservando ao título de "apelido" somente aquele destinado a designar os patronímicos de família.

Todavia, apesar da distinção supra demonstrada, e, como é de uso e costume, já nos acostumamos a denominá-los também de apelidos, assim, tal questão neste momento, não importa qualquer prejuízo a nossa exposição.

À parte estas questões momentaneamente de somenos importância, prosseguimos lembrando que, alguns apelidos surgem ainda na infância, e retratam a forma carinhosa com que somos tratados no seio da família, ressaltando que, a família é o nosso primeiro núcleo social. Outros apelidos porém, surgem no decorrer da vida, e nem sempre se correlacionam com carinho, e, algumas vezes, dizem respeito a uma característica física ou intelectual, noutras, simplesmente, viabiliza de forma prática o exercício de uma profissão.

No Brasil o uso do cognome é comum, e normativamente esta questão foi sedimentada através da Lei nº 9.708, de 18/11/1998 que Alterou o art. 58 da Lei nº 6.015, de 31 de dezembro de 1973, que dispõe sobre Registros Públicos, para possibilitar a substituição do prenome por apelidos públicos notórios.

A maior incidência de apelidos que substituem o prenome original é vista no âmbito da política, basta relembrarmos as campanhas eleitorais para verificarmos o grande número de candidatos que se filiam junto aos Partidos Políticos, conseqüentemente, se registram junto ao Tribunal Superior Eleitoral – (T.S.E) sob os mais variados "apelidos" . E, cumpre ressaltar que, o Código Eleitoral dispõe positivamente a este respeito, emprestando legalidade às variações nominais, tanto que, o Tribunal Superior Eleitoral, através da Súmula nº 4, não só reiterou a possibilidade da variação nominal, bem como resolveu o problema da homonímia, estabelecendo que:

"Não havendo preferência entre candidatos que pretendam o registro da mesma variação nominal, defere-se o do que primeiro o tenha requerido".

De fato, os "apelidos" são utilizados com muita freqüência no processo eletivo, e isto se dá por uma razão óbvia, porque são fáceis de serem lembrados, e em alguns casos, os eleitores sequer conhecem o nome civil de seu candidato, razão pela qual, os "apelidos" nesta área são cada vez mais utilizados.

E, como dito, no âmbito da política os exemplos não são poucos, porém, com toda certeza, alguns são memoráveis, o primeiro deles é o do Ex-Presidente João Goulart, que era chamado e notoriamente conhecido por "Jango"; o segundo, e também Ex-Presidente: José Sarney, cujo sobrenome pelo qual é conhecido surgiu em conseqüência de um apelido de infância. O pai de José Ribamar chamava-se Sarney de Araújo Costa. Logo, ele começaria a ser chamado de ‘‘Zé de Sarney’’ ; o terceiro nesta lista de celebridades políticas cujos apelidos superaram os prenomes, é o também Ex-Presidente Juscelino Kubistchek de Oliveira, que popularmente era conhecido pelas duas primeiras iniciais de seu nome civil, ou seja, JK . E por fim, temos um quarto nesta lista de Chefes de Estado, o atual Presidente da República, que popularmente ficou conhecido, e ainda hoje, é costumeiramente chamado somente como: "Lula". Sabendo-se que, foi através de Retificação de Registro, em face da notoriedade do "apelido", obteve sua inclusão ao nome civil em 1982, passando a ser: Luís Inácio "LULA" da Silva.

Não só no Brasil os grandes chefes políticos são conhecidos por apelidos, independentemente de serem boas ou ruins, grandes personalidades marcaram seu tempo e entraram para a história caracterizadas por este substituto hábil do prenome, vejamos: na Itália temos um grande exemplo, ou seja, "O Duce" (Benito Amilcare Andrea Mussolini); na Turquia temos Mustafá Kemal - líder militar que adota o codinome Atatürk, ou "pai dos turcos" - funda a República Turca nos domínios que restaram do Império Turco-Otomano.

Inobstante, haja outros setores da sociedade que também fazem uso deste sinal distintivo do indivíduo, e encontramos uma gama de "apelidos" utilizados pelos profissionais do Desporto, e também para os esportistas, assim como ocorre com os candidatos aos cargos eletivos, porque os apelidos são de mais fácil aceitação e memorização. E também nesta área, tivemos e ainda temos exemplos clássicos, tais como: Pelé (Edson Arantes do Nascimento); Mané Garrincha (Manoel dos Santos); Serginho Chulapa (Sérgio Bernardino); Dunga (Carlos Caetano Bledorn Verri); Vampeta (Marcos André Batista dos Santos); "Popó"(Acelino de Freitas), Maguila (Adílson Rodrigues), Guga (Gustavo Küerten), dentre outros.

Temos ainda um outro setor da sociedade que comumente faz adoção de "apelidos", que é o setor artístico, e como nos outros setores supramencionados, este também se expressa por inúmeros exemplos: ChicoAnysio (Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho); ChicoBuarque (Francisco Buarque de Holanda), Miucha(Heloísa Maria Buarque de Holanda), Tom Jobim (Antônio Carlos Jobim), Chacrinha (Abelardo Barbosa); Didi (Renato Aragão), Chitãozinho(José de Lima Sobrinho), Fafá de Belém (Maria de Fátima Palha de Figueiredo), Pepeu Gomes (Jorge Eduardo de Oliveira Gomes); Baby Consuelo (Consuelo Bernadete Dinorah de Carvalho); GalCosta (Maria da Graça Penha Burgos) e outros; sem nos esquecermos de Xuxa (Maria da Graça Xuxa Meneghel), que também por Retificação de Registro adotou de forma definitiva o "apelido" com inclusão ao nome civil.

Contudo, temos que observar que, no meio artístico, além das razões já explicitadas, o apelido por vezes, representa além do outros fatores, uma melhor fonética, uma melhor estética, uma melhor expressão, por isto, muitas das vezes, adota-se um apelido, tão-só porque o prenome ou o patronímico original não se enquadra com os preceitos da mídia.

Embora, tenhamos mostrado toda a utilidade e o pleno uso feito dos "apelidos", não podemos nos olvidar de mencionar que nem só os notáveis, tais como: DiCavalcanti (Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque e Mello) ; Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier); há um outro segmento em que há grande utilização de "acunhas", este segmento é o da marginalidade, pois, neste submundo da criminalidade todos se auto-intitulam por apelidos.

Por todo o exposto, verificamos que, os apelidos são parte de nossa cultura, e é usado sem distinção por notáveis, celebridades, ou simplesmente, pelos "anônimos" que compõem a sociedade. Mas, com toda certeza, é para todos de tamanha importância e de grande significado pessoal. Não obstante, não podemos aceitar passivamente que, as normas legais valorizarem os "apelidos" mais que os prenomes, tampouco, que a produção legiferante tenda colocá-los em destaque, como que em superioridade ou prioridade se comparado ao nome civil. Incabível constatar que o processo de inclusão de um apelido seja tão mais simples e célere do que um onde se visa à inclusão de um prenome, ou ainda, que seja possível acrescer sem muitas justificativas um apelido, quando o mesmo não ocorre com relação aos prenomes.

Enfim, os apelidos são mesmo de uso comum, retratam formas carinhosas ou especiais de tratamento, mas, com toda certeza, não podem galgar qualquer superioridade em face do nome civil, portanto, para este último, as normas deveriam doar o mesmo tratamento dispensado ao primeiro, ou seja, a lei deveria permitir ao indivíduo a mesma facilidade de inclusão ao prenome, porque as hipóteses legais, sequer abordam ou prevêem esta questão de acréscimo de prenome por vontade do titular do nome civil.



Suzana J. de Oliveira
Texto inserido no Jus Navigandi nº 219 (11.2.2004).


Claude Lévi-Strauss - Antropólogo francês


Antropólogo francês, nascido na Bélgica
Claude Lévi-Strauss
28/11/1908, Bruxelas, Bélgica.
01/11/2009, Paris, França.


Viagens ao Brasil central, relatadas em Tristes Trópicos, deram fama a Claude Lévi-Strauss

Um dos grandes pensadores do século 20, Lévi-Strauss tornou-se conhecido na França, onde seus estudos foram fundamentais para o desenvolvimento da antropologia. Filho de um artista e membro de uma família judia francesa intelectual, estudou na Universidade de Paris.

De início, cursou leis e filosofia, mas descobriu na etnologia sua verdadeira paixão. No Brasil, lecionou sociologia na recém-fundada Universidade de São Paulo, de 1935 a 1939, e fez várias expedições ao Brasil central. É o registro dessas viagens, publicado no livro "Tristes Trópicos" (1955) que lhe trará a fama. Nessa obra ele conta como sua vocação de antropólogo nasceu durante as viagens ao interior do Brasil.

Exilado nos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), foi professor nesse país nos anos 1950. Na França, continuou sua carreira acadêmica, fazendo parte do círculo intelectual de Jean Paul Sartre (1905-1980), e assumiu, em 1959, o departamento de Antropologia Social no College de France, onde ficou até se aposentar, em 1982.

O estudioso jamais aceitou a visão histórica da civilização ocidental como privilegiada e única. Sempre enfatizou que a mente selvagem é igual à civilizada. Sua crença de que as características humanas são as mesmas em toda parte surgiu nas incontáveis viagens que fez ao Brasil e nas visitas a tribos de índígenas das Américas do Sul e do Norte.

O antropólogo passou mais da metade de sua vida estudando o comportamento dos índios americanos. O método usado por ele para estudar a organização social dessas tribos chama-se estruturalismo. "Estruturalismo", diz Lévi-Strauss, "é a procura por harmonias inovadoras".

Suas pesquisas, iniciadas a partir de premissas lingüísticas, deram à ciência contemporânea a teoria de como a mente humana trabalha. O indivíduo passa do estado natural ao cultural enquanto usa a linguagem, aprende a cozinhar, produz objetos etc. Nessa passagem, o homem obedece a leis que ele não criou: elas pertencem a um mecanismo do cérebro. Escreveu, em "O Pensamento Selvagem", que a língua é uma razão que tem suas razões - e estas são desconhecidas pelo ser humano.

Lévi-Strauss não vê o ser humano como um habitante privilegiado do universo, mas como uma espécie passageira que deixará apenas alguns traços de sua existência quando estiver extinta.

Membro da Academia de Ciências Francesa (1973), integra também muitas academias científicas, em especial européias e norte-americanas. Também é doutor honoris causa das universidades de Bruxelas, Oxford, Chicago, Stirling, Upsala, Montréal, México, Québec, Zaïre, Visva Bharati, Yale, Harvard, Johns Hopkins e Columbia, entre outras.

Aos 97 anos, em 2005, recebeu o 17o Prêmio Internacional Catalunha, na Espanha. Declarou na ocasião: "Fico emocionado, porque estou na idade em que não se recebem nem se dão prêmios, pois sou muito velho para fazer parte de um corpo de jurados. Meu único desejo é um pouco mais de respeito para o mundo, que começou sem o ser humano e vai terminar sem ele - isso é algo que sempre deveríamos ter presente".

uoleducação

"Seu Lunga





Joaquim Rodrigues dos Santos nasceu em Caririaçu, 18 de agosto de 1927, mais conhecido como Seu Lunga, é um comerciante que se tornou conhecido no Brasil por seu temperamento forte.

Teve sete irmãos e viveu sua infância "no meio dos matos", afastado da cidade. O apelido lhe acompanha desde esta época, quando uma vizinha de sua família, que ele só identifica como preta velha, começou a lhe chamar de Calunga, que virou Lunga e pegou. Começou a trabalhar na roça aos oito anos de idade, e admira a criação rígida que teve de seu pai, o que marca um aspecto psicossocial do homem Lunga.

Aos 16 anos mudou-se para Juazeiro do Norte, passando a ser ourives por dois anos. Depois começou a comercializar no Mercado Público da cidade e a trabalhar no comércio com sua loja de sucata.

Casado em 1951, teve treze filhos, que, apesar da pouca instrução, conseguiu manter-lhes pelo menos com a educação básica. A pouca instrução de "Lunga", por outro lado, não o impediu de candidatar-se a vereador da cidade de Juazeiro em 1988, eleição que não ganhou.


Alguns de seus "causos" (não sei quais são apócrifos ou não):

Seu Lunga estava na sua casa com sede. E manda seu sobrinho lhe trazer um pouco de leite. Daí o pobre do garoto pergunta:
- No copo, Seu Lunga?
E seu Lunga responde:
- Não. Bota no chão vem empurrando com o rodo, fi de rapariga!!!

***************************

Seu Lunga estava num restaurante tomando sopa quando perguntam pra ele:
-Tomando sopa, Seu Lunga?
E Seu Lunga responde, levantando o prato de sopa e esborrando-o em cima dele mesmo:
-Não! Tô tomando banho!!!!!!
***************************

O funcionário do banco veio avisar:
- Seu Lunga, a promissória venceu.
- Meu filho, pra mim podia ter perdido ou empatado. Não torço por nenhuma promissória.
***************************
Seu Lunga vinha pela rua carregando um balde de leite quando na porta de sua casa a sua mulher pergunta:
- Home! É pra gente beber esse leite??
- NÃO! É pra lavar a calçada. Traz a vassoura, mulher! - E joga todo o leite no chão.
***************************

Um sujeito vai até a loja do Seu Lunga e pede uma porca de determinado tamanho. Seu Lunga responde:
- Procure naquela caixa.
E o sujeito começou a procurar, mas no meio de tantas peças nada de ele conseguir achar a porca que ele queria. Então, exausto, falou para Seu Lunga:
- Seu Lunga, não consegui achar a porca...
Indignado, Seu Lunga foi até a caixa, procurou a tal porca e a achou, então virou-se para o rapaz e respondeu:
- Eu não te disse que a porca tava aqui, fi duma égua!?! - e, jogando a porca novamente na caixa e misturando com as outras peças diz:
- Agora procura de novo, direito, que você acha!!!
***************************

O filho do Seu Lunga jogava futebol em um clube local e, um dia, Seu Lunga foi assistir a um jogo de seu filho no estádio. O sujeito sentado ao lado pergunta:
- Seu Lunga, qual dos jogadores ali é o seu filho.
Seu Lunga aponta e diz:
- É aquele ali...
- Aquele qual?
- Aquele ali!!!!
- Não tô vendo...
Então, Seu Lunga, "P" da vida, pega uma pedra, joga em cima de seu filho e diz:
- É aquele alí que começou a chorar!!!
*********************************

Seu Lunga entrando em uma agropecuária.
-Tem veneno pra rato?
-Tem! Vai levar? - Pergunta o balconista.
-Não, vou trazer os ratos pra comer aqui!!! - responde seu Lunga.
*********************************
Seu Lunga, no elevador (no subsolo-garagem). Alguém pergunta:
- Sobe?
Seu Lunga:
- Não, esse elevador anda de lado.
********************************

Seu Lunga fumando um cigarro.
A pergunta:
- Ora, ora! Mas você fuma?
- Não, é que eu gosto de bronzear os pulmões...
********************************
Seu Lunga, quando jovem, se apresentou à marinha para a entrevista:
- Você sabe nadar? - Pergunta o oficial.
- Sei não, senhor.
- Mas se não sabe nadar, como é que quer servir à marinha?
- Quer dizer que se eu fosse pra aeronáutica, tinha que saber voar??
********************************

Seu Lunga vai saindo da farmácia, quando alguém pergunta:
- Tá doente, Seu Lunga?
- Quer dizer que seu fosse saindo do cemitério, eu tava morto???
********************************

Seu Lunga, quando era motorista de ônibus urbano, é questionado por um passageiro:
- Esse ônibus vai para a praia?
- Pode até ir, se você arranjar um biquíni que dê nele!
*******************************

O cliente chega pra comprar um relógio na loja de Seu Lunga.
- Pode tomar banho com esse relógio, Seu Lunga?
- Ô corno! Isso é um relógio, não é um sabonete...
*******************************

Seu Lunga chega em casa e vê sua esposa concentrada na leitura de um livro e com as pernas atravessando o vão da porta de entrada. Após alguns minutos, ela levanta o olhar, vê Seu Lunga parado, com o celular na mão:
- Oh! Lunga, pelo amor de Deus, me desculpe! Venha! Passe!
- Pode ficar! Eu já chamei o pedreiro pra abrir outra porta!
*******************************

Seu Lunga espremendo um limão no copo de Coca-Cola, quando alguém pergunta:
- Isso é limão, seu Lunga?
- Não, é o meu colírio. - E pinga o limão no olho.
*******************************

Seu Lunga dava uma bela surra no filho e o menino gritava:
- Tá bom, pai! Tá bom, pai! Tá bom, pai!
- Tá bom? Quando tiver ruim, você me avisa, que eu paro.
******************************

O amigo de seu Lunga o cumprimenta:
- Olá, seu Lunga! Tá sumido! Por onde tem andado?
- Pelo chão, não aprendi a voar ainda...
******************************

Na cerimônia de casamento, Seu Lunga segura a mão da noiva e o padre pergunta:
- Você aceita Maria dos Prazeres como sua legítima esposa?
- Não, claro que não! Eu, minha noiva e os convidados viemos até a igreja pra jogar sinuca e tomar birita com o padre!...
******************************

Na década de 70, Seu Lunga chega num bar e fala pro atendente:
- Traz uma cerveja e bota o disco de Luiz Gonzaga pra eu ouvir!
- Desculpe seu Lunga, não posso botar música hoje...
- Mas por que??
- Meu avô morreu!
- E ele levou os discos, foi?
******************************

Durante a madrugada, a mulher do seu Lunga passa mal:
- Lunga! Ta me dando uma coisa...
- Receba!
- Mas é uma coisa ruim!
- Então devolva!!
******************************

O telefone toca. Seu Lunga:
- Alô!
- Bom dia! Mas quem está falando?
- Você! ********************************
*Recebido por e-mail.

Felinos "atacam" outra vez ! - Para Ana Cecília

Felinos, Felinis... e suas artes!

video

luvas postas sobre a cama

Deixo na calçada da minha primeira rua
meus sonhos ultrajantes, minha tolice humana,
meu cinismo, meus vícios, meus desgostos,
minha lânguida descrença.

Esqueço para sempre o espelho -
os olhos vagos, a mente canina.

Não mais reparto com os vizinhos
meus uivos e meu silêncio materno.

A lucidez que me busca
é uma morte mascarada.

Então que seja profundo o abismo
e tenra a queda.

Prometo que os pés tortos
um dia hão de voar.

E dos céus cairemos juntos:
eu, andorinhas e oitis maduros.

Joshua Bell no Metrô - Como é ser incógnito por um dia...

O escritor John Lane disse ao Washington Post que o que aconteceu não significa que "as pessoas não tenham a capacidade de compreender a beleza, mas sim que ela deixou de ser relevante para elas".

Numa experiência inédita, um dos mais famosos violinistas do mundo tocou incógnito durante quase uma hora numa estação de Metrô de Washington, despertando pouca ou nenhuma atenção.

Joshua Bell no Metrô - Pérolas a porcos ou falta de contexto?

Numa iniciativa do jornal Washington Post, o violinista Joshua Bell, com o seu Stradivarius de 1713 avaliado em 3,5 milhões de dólares, tocou recentemente durante 45 minutos na estação L`Enfant Plaza no centro de Washington entre as 07.15 e as 08:00.

Três dias antes, Bell tinha tocado no Symphony Hall em Boston, onde os melhores lugares custam cerca de cem dólares, mas na estação de Metro foi praticamente ignorado pela esmagadora maioria das 1.097 pessoas que passaram à sua frente durante esse período de tempo.

A exceção foram as crianças, que, inevitavelmente, e perante a oposição do pai ou da mãe, queriam parar para escutar Bell, algo que, diz o jornal, pode indicar que todos nascemos com poesia e esta é depois, lentamente, sufocada dentro de todos nós.
Bell, vestido de jeans e t-shirt branca e com boné de um clube de basebol local, começou por interpretar "Chaconne", de Johann Sebastian Bach, que é, na sua opinião, "não só uma das maiores peças musicais jamais compostas, mas também um dos grandes sucessos de qualquer homem na história".
Este fato, obviamente, não impressionou os transeuntes do Metrô, porquanto só passados três minutos e meio é que alguém decidiu recompensar o violinista deitando um dólar na caixa do violino.
E só passados seis minutos, assinalou o jornal, alguém parou para escutar Joshua Bell.
"Foi uma sensação muito estranha aperceber-me de que as pessoas me estavam a ignorar", disse Bell, habituado aos aplausos dos amantes da música.
"Num concerto eu fico irritado se alguém tosse ou se um celular toca. Mas na estação de Metro as minhas expectativas rapidamente diminuíram. Comecei a ficar agradecido pelo mínimo dos reconhecimentos, mesmo um simples olhar. E fiquei muito agradecido quando alguém punha um dólar na caixa e não apenas alguns trocos", acrescentou Bell.

Os resultados surpreenderam também o director nacional da Orquestra Sinfônica Nacional, Leonard Slatkin, que declarou ao jornal esperar que, em cada mil transeuntes, "35 ou 40 reconhecessem a qualidade e entre 75 e 100 parassem para escutar".

O próprio Post tinha adotado medidas para o caso de a presença de Bell provocar uma acumulação de transeuntes e "engarrafamentos" na estação de Metro, preocupações que provaram ser totalmente escusadas.

Para Bell, o pior foi quando acabou de tocar "Chaconne" e "nada aconteceu".

"As pessoas, que não notaram que eu estava a tocar, também não notaram que eu tinha acabado", disse Bell, que, como prodígio do violino, está habituado desde muito jovem a enormes aplausos.

Depois de "Chaconne", Joshua Bell tocou "Ave Maria", de Franz Schubert, e "Estrellita", de Manuel Ponce, e a indiferença foi quase que total. Apenas sete pessoas pararam por alguns poucos minutos para escutar.

Mas o "herói cultural" da experiência do Washington Post foi John Picarello, um inspector dos Correios que se dirigiu para o topo das escadas onde Bell estava quando este começou a tocar "Chaconne" para terminar o seu "espectáculo".

Picarello escutou Bell durante nove minutos e disse ao jornal ter notado imediatamente tratar-se de "um violinista soberbo".

"Nunca ouvi ninguém deste calibre, tecnicamente muito bom e com um violino bom, com excelente som", descreveu Picarello, que se mostrou "espantado" pelo fato de a música de Bell não " interessar a ninguém".

O inspetor dos Correios deu cinco dólares a Joshua Bell sem saber de quem se tratava.
Foi quase já no fim do "concerto" que alguém finalmente reconheceu o violinista. Stacy Furukawa, uma funcionária no Departamento do Comércio, tinha, três semanas antes, ido a um concerto de Bell na biblioteca do Congresso e não pôde acreditar no que estava ouvindo na estação de Metrô.
"Joshua Bell a tocar à hora de ponta e as pessoas passam, não olham e alguns atiram moedas de 25 cêntimos para dentro da caixa do violino. Vinte e cinco cêntimos! Que tipo de cidade é esta em que isto pode acontecer?", disse Furukawa ao jornal.

O sucedido motiva o debate: a presença de Bell no Metrô foi um caso de "lançar pérolas a porcos"? É a beleza um fato objetivo que se pode medir ou apenas uma opinião? Mark Leitahuse, um dos diretores da Galeria Nacional de arte, afirmou ao jornal não estar surpreendido, porque arte tem de estar "em contexto".
Para Leitahuse, pode-se tirar de um museu uma pintura famosa no valor de cinco milhões de dólares, levá-la para um restaurante e ó "ninguém notará". Mesmo um especialista poderá apenas observar que se trata de uma boa cópia e continuar a comer.

Tudo é, portanto, na sua opinião, uma questão de "contexto".
Para outros, como o escritor John Lane, a experiência é um indicativo da "perda da capacidade de se apreciar a beleza".

O escritor disse ao Washington Post que o que aconteceu não significa que "as pessoas não tenham a capacidade de compreender a beleza, mas sim que ela deixou de ser relevante para elas".

Bell assinalou ao jornal ter recebido dos transeuntes do Metrô um total de 32,17 dólares pelos 43 minutos que tocou. Não foi "muito mau", considerou.
"Isto dá 40 dólares à hora, pelo que penso que poderia viver sem ter de pagar a um agente", ironizou.

Na Terça-feira seguinte, em Nova Iorque, Joshua Bell recebeu o prêmio de melhor músico clássico dos Estados Unidos. Pelo que não há dúvidas de que alguém reconhece o seu valor e a beleza da sua música só contextualmente.

Vejam no video o comentário feito pela nipo-americana Stacy Furukawa que foi a única que reconheceu o violinista.


Veja o vídeo. É muito interessante!

Recebi por e-mail

Monsueto Campos Menezes





Monsueto Campos Menezes foi, essencialmente, um músico. Baterista de boate, atuou em diversos conjuntos na década de 1940, entre as quais a Orquestra de Copinha, no Copacabana Palace Hotel. Percussionista, cantor, ator comediante, foi também um excelente pintor naïf no fim de sua curta vida (Pablo Neruda, certa vez, adquiriu um quadro dele). Foi, sobretudo, um compositor popular da pesada, dos melhores que o Brasil já teve.

O auge da popularidade de Monsueto, como compositor, se deu por volta do fatídico ano de 1964, quando Helena de Lima, experimentadíssima cantora de boate, gravou (ao vivo) o vinil 'Uma Noite no Cangaceiro' (boate da moda na época) incluindo num eletrizante 'pout-pourri' de Sambas, duas músicas dele: 'Mora na filosofia' (também gravada por Caetano Veloso no disco 'Transa' de 1972) e 'A Fonte secou'.

Nascido no Rio de Janeiro em 4/11/1924, criado na Favela do Pinto, Monsueto perdeu os pais muito cedo, tendo sido criado por uma avó.

Quem é que se lembra da Favela do Pinto? Lugar muito especial nesta época, também chamada de Morro do Pinto, a favela onde Monsueto foi criado, era um gueto negro encravado na parte mais nobre da Zona Sul do Rio. Para os elegantes da área, um câncer a ser extirpado.

O Morro do Pinto

“De todas as favelas extintas nos anos 60, o caso mais polêmico foi a da Praia do Pinto, no Leblon. Os moradores souberam dos planos da Prefeitura de acabar com a comunidade ainda na década de 50, mas houve forte resistência. Segundo dados do Censo de Favelas de 1949, pelo menos 20 mil pessoas moravam no local. A remoção só foi concluída após um incêndio, em 1969, durante o mandato do governador Negrão de Lima. “Muitas pessoas não queriam sair. Apesar dos problemas, preferiam continuar morando na Zona Sul. O incêndio obrigou todo mundo a ir embora”, afirma Maria Rosa de Souza Noronha, de 62 anos, ex-moradora da Praia do Pinto, depois removida para o Complexo da Maré.

Praticamente todos os barracos da Praia do Pinto foram destruídos pelo fogo. No dia seguinte, policiais colocaram abaixo as poucas casas que sobraram de pé. Até hoje ninguém confirma se foi acidente ou uma última tentativa do Governo de expulsar os moradores. Mas todos os indícios apontam para um remoção forçada “.

A Chapa quente e a Guerra Fria.

Mesmo deixando de lado a crônica crua da destruição da Favela do Pinto, o contexto da época de Monsueto é, historicamente, muito rico. Na política, a chapa esquentava, devagarinho, numa, crise na conjuntura econômica (e ideológica) mundial, chamada, com certa ironia, de 'Guerra Fria' (a Guerra Quente há muito terminara na Europa).

É nesta época que, no bojo do intenso rebuliço que preparou o campo para uma nova ordem econômica mundial, nos anos 70, que as sangrentas ditaduras militares latino americanas chocaram seus ovos. CIA versus KGB, Comunismo versus Capitalismo, uma época de ismos diversos em conflito.

Cínico, irônico, Monsueto, por exemplo, devia ser adepto do Sambismo, nome possível para uma doutrina onde, evidentemente, só pontificavam os sambistas.

No aspecto cultural, a época no Brasil (e na área por onde Monsueto transitava, a elegante noite boêmia de Copacabana) também não era de brincadeira não. Sonâmbulos, sonhávamos ainda. Sem nos tocar que a Revolução Cubana significaria algum tipo de ruptura, de perigo para a estabilidade latino americana, vivíamos, tolamente, os últimos capítulos dos 'anos dourados', para entrar nos 'Anos de Chumbo'.

Um dos principais pólos desta efervescente letargia era Copacabana. Ali se fermentava, se destilava e, principalmente se bebia, uma música popular muito original e híbrida, em vários sentidos.

Nas boates de Copacabana se poderia ouvir tanto um Samba na praia de um Cyro Monteiro(figura rara em boates), swuingado, puxado à la Geraldo Pereira, como uma mescla do Samba canção, meloso, com aquele chiquê trágico das canções de Edit Piaf, marca aparente das composições de Dolores Duran e Antônio Maria. Os dois aliás, estiveram de algum modo presentes, na veia seminal de outro tipo de Samba, mais voltado para a inconseqüência burguesa da Côte D'Azur francesa: A Bossa Nova primordial de Jobim e sua turma que, logo em seguida, elegante que era, achou por bem embarcar na tal - e não menos burguesa - 'Influência do Jazz'.

O que não se fala muito, nesta crônica da música da Zona Sul do Rio de Janeiro, é que haviam outras tendências, tão ou mais, interessantes, como é o caso da corrente da qual, de certo modo, fazia parte Monsueto.

Esta corrente, muito rica, integrada por artistas negros oriundos, em sua grande maioria, do âmbito do Morro do Pinto, a partir das mesmas influências, digamos assim, 'pequeno-burguesas', que geraram mais tarde a Bossa Nova, desenvolvia um estilo mais calcado numa mistura entre o Samba 'de morro', como já se dizia na época, com lado mais 'africano' da música de jazz que nos chegava, mais diversificada, com os bons ventos do Desenvolvimentismo, avançando rumo ao que, mais tarde, se cristalizou no estilo sacudido da música de Jorge Bem (o Benjor de hoje) ou mesmo de Baden Powel e seus Afro Sambas.

Este estilo, ainda pouco estudado no Brasil, gerou nos anos subseqüentes muitas figuras emblemáticas de nossa música instrumental (muito populares em sua época, ali pelos idos dos anos 60) como, por exemplo, Erlon Chaves, um maestro muito popular na TV da época, o fabuloso Dom Salvador (e seu Grupo Abolição), Moacir Santos ('Ouro Negro') e tantos outros.

Monsueto Campos Menezes, cria desta fabulosa geração de artistas, atuou também como ator cômico no cinema (onde trabalhou em, pelo menos, 14 filmes, inclusive europeus) e na televisão. Excursionou para a Europa, a África e a América, falecendo em 17/2/1973.

Bem, vocês podem até dizer que eu 'viajei', que Monsueto não passava mesmo era de mais um bom sambista, mas, primeiro precisamos combinar uma coisa (como diria Paulinho da Viola) :

O Samba, 'não é só isto que se vê. É um pouco mais'.


As músicas de Monsueto

A primeira composição de Monsueto, gravada em 1951, foi o samba "Me deixe em paz", parceria com Aírton Amorim (gravada por Linda Batista) porém muito mais lembrada na antológica versão de Milton Nascimento no disco 'Clube da Esquina'.

Conheça melhor (e aprenda a cantar) a obra do homem:

Me deixe em paz

'Se você não me queria
não devia me procurar
não devia me iludir
nem deixar eu me apaixonar

Evitar a dor
é impossível
evitar este amor
é muito mais
você arruinou a minha vida
me deixa em paz'

O Couro do Falecido

Um minuto de silêncio
Para o cabrito que morreu
Se hoje a gente samba
É que o couro ele nos deu
Castigue o couro do falecido
Bate o bumbo com vontade
Que a moçada quer sambar
Castigue o couro do falecido
Morre um para bem de outros
A verdade é essa, não se pode negar...
(Tá bom? Tá...)

(Em 1954, a cantora Marlene estava preparada para gravar a deliciosa - e quase non sense- 'O Couro do falecido' mas teve que desistir na última hora por que Getúlio Vargas acabara de se suicidar e a letra do Samba poderia ser mal interpretada).


A fonte secou (1953, com Raul Moreno e Marcleo)

Eu não sou água pra me tratares assim
Só na hora da sede é que procuras por mim
A fonte secou
Quero dizer que entre nós tudo acabou

Seu egoísmo me libertou
Não deves mais me procurar
A fonte do nosso amor secou
mas os seus olhos nunca mais hão de secar.

Mora na filosofia (1955, com Arnaldo Passos)

Eu... vou lhe dar a decisão
botei na balança... e você não pesou
botei na peneira... e você não passou.
Mora, na filosofia... prá quê rimar
amor e dor?

Se seu corpo ficasse marcado
por lábios ou mãos carinhosas
eu saberia (ora vá mulher)...
a quantos você pertencia.
Não vou me preocupar em ver
seu caso não é de ver prá crer: tá na cara...

O lamento da lavadeira
(Nilo Chagas, Monsueto Menezes e João Vieira Filho)

Ô, dona Maria!
Olha a roupa, dona Maria
Ai, meu deus!
Tomara que não me farte água!

Sabão, um pedacinho assim
A água, um pinguinho assim
O tanque, um tanquinho assim
A roupa, um montão assim
Para lavar a roupa da minha sinhá
Para lavar a roupa da minha sinhá

Quintal, um quintalzinho assim
A corda, uma cordinha assim
O sol, um solzinho assim
A roupa, um montão assim
Para secar a roupa da minha sinhá
Para secar a roupa da minha sinhá

A sala, uma salinha assim
A mesa, uma mesinha assim
O ferro, um ferrinho assim
A roupa, um montão assim
Para passar a roupa da minha sinhá
Para passar a roupa da minha sinhá

Trabalho, um tantão assim
Cansaço, é bastante sim
A roupa, um montão assim
Dinheiro, um tiquinho assim
Para lavar a roupa da minha sinhá
Para lavar a roupa da minha sinhá

Larga Meu Pé

Nega larga o meu pé
Vá quando quiser
Pra você não falta homem
Pra mim não falta mulher

Eu quero essa mulher assim mesmo

Eu quero essa mulher assim mesmo
Eu quero essa mulher assim mesmo
Eu quero essa mulher assim mesmo
Eu quero
Quero essa mulher assim mesmo

Baratinada
Eu quero essa mulher assim mesmo
Alucinada
Eu quero essa mulher assim mesmo
Despenteada
Eu quero essa mulher assim mesmo
Descabelada
Eu quero essa mulher assim mesmo
Embriagada
Eu quero essa mulher assim mesmo
Intoxicada
Eu quero essa mulher assim mesmo
Desafinada
Eu quero essa mulher assim mesmo
Desentoada
Eu quero essa mulher assim mesmo


tags: Rio de Janeiro RJ musica spirito-santo monsueto-menezes bebeto-monsueto favela-do-pinto zona sul

PIANOS QUE NADA TOCAM (Rubem Alves)

Lembro-me do livro de contabilidade do meu pai. Ao lado esquerdo ficava a página do “Deve”, onde ele anotava os pagamentos feitos, dinheiro que não era mais seu. Ao lado direito estava a página do “Haver”, onde se registravam as “entradas”, sua pequena riqueza. Na alma também se encontra um livro de contabilidade. Tanto assim que o Vinícius escreveu um poema com o título “O Haver”. Ele já estava velho e fazia um balanço final do que restara. “Resta”: é assim que cada verso se inicia. “Resta essa intimidade perfeita com o silêncio... Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado... Resta essa vontade de chorar diante da beleza... Resta essa comunhão com os sons... Resta essa súbita alegria ao ouvir na madrugada passos que se perdem sem memória...”
Quem diria que o som de passos na madrugada poderia ser parte da herança de felicidade de um poeta! Os poetas são seres muito estranhos. Ficam felizes com nada. A poesia se faz com nadas... Bem disse o Manoel de Barros: “Todas as coisas cujos valores podem ser disputados no cuspe à distância servem para poesia. As coisas que não servem para nada têm grande importância”... Fernando Pessoa sofria da mesma peculiaridade auditiva do Vinícius. Lembro-me de um verso seu que não consegui encontrar, que é mais ou menos assim: “Por esse barulho de vento nos meus ouvidos valeu a pena eu ter nascido”. Se o verso não foi dele fica sendo meu porque eu já tive a mesma experiência várias vezes. Caminhando sozinho no silêncio das árvores o vento me sussurra segredos de felicidades: “Assim a brisa nos ramos diz sem o saber uma imprecisa coisa feliz...” (Fernando Pessoa).
Ouvir os sons do mundo é uma felicidade que somente os artistas recebem por nascimento. Os outros têm de aprender. Para isso há de haver os mestres da escuta. Como John Cage que compôs uma curiosa peça para piano. É assim: o pianista faz precisamente o que fazem todos os pianistas. Entra no palco, encaminha-se para o piano, assenta-se, regula a distância do banco, concentra-se – e não faz o que todo pianista faz. Ele não toca! Não, não! Não está certo! Eu errei! O pianista toca sim. Ao piano ele executa o silêncio. O piano toca uma grande pausa! Cage faz o piano tocar silêncio para que se ouçam os delicados sons do mundo que não seriam ouvidos se o piano tocasse: as batidas do coração, a respiração, o ranger de uma cadeira, uma tosse, um sussurro... “Há quem não ouça até que lhe cortem as orelhas”, disse Lichtenberg. O não fazer é a forma suprema de fazer, afirma a filosofia Tao. Fazer nada é estar à espera. Por isso se aconselha meditação, que nada tem a ver com a meditação ocidental. A meditação ocidental é falar baixo os próprios pensamentos de uma forma metódica. O piano toca. Mas a meditação oriental é silenciar os próprios pensamentos para que os sons do mundo possam ser ouvidos. O piano não toca. Pra que serve isso? Pra nada. Não é ferramenta. Não tem utilidade. É coisa de caixa de brinquedos. Só dá felicidade.
O mundo está cheio de música. Há os sons que não existem mais, que estão perdidos na memória. Meu amigo Severino Antônio, poeta de voz mansa, sugeriu aos seus alunos que um passo primeiro para a poesia seria chamar do esquecimento os sons que um dia ouviram e que não se ouvem mais. A música do realejo, o canto do carro de bois, o apito das fábricas, das locomotivas, o “din-din” dos bondes, o canto dos galos, o repicar fúnebre dos sinos, o crepitar do fogo nos fogões de lenha, a gaita do sorveteiro, a buzina das charretes... Parece que a poesia fica guardada nos sons que não mais se ouvem. Há também os sons da cidade, os gritos dos vendedores, o vozerio nas feiras, a algazarra das crianças ao sair das escolas, os bate-estacas das construtoras, o canto dos pardais, os rádios ligados dos trabalhadores, o latido ardido dos poodles... E há os sons da natureza: o assobio do vento, o barulho da chuva, os mantras das cachoeiras, o canto dos pássaros, dos sapos, dos grilos (tantos hai-kais sobre os grilos...), dos galos, o barulho das ondas...
“Todo homem – até mesmo o rico – é poeta entre os quinze e os vinte anos. A nova educação deverá fazer do homem um poeta em todas as idades, sem que lhe seja necessário escrever versos. Viver a poesia é muito mais necessário e importante do que escrevê-la” – assim disse Murilo Mendes. Poesia é música. A primeira poesia que se ouve é uma canção de ninar. Depois, é a música do mundo...
“Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram”, escreveu Cummings. Acordar os ouvidos! Não me consta que essa tarefa tenha sido jamais mencionada em mais tratados sobre a educação. É compreensível. Para isso os professores teriam que ser artistas, pianos que não tocam nada e que só fazem ouvir. Quando isso acontecer, quem sabe, os nossos jovens aprenderão a identificar o canto dos pássaros e ficarão subitamente alegres “ao ouvir na madrugada passos que se perdem sem memória...”

(Rubem Alves, psicanalista e escritor, é professor emérito da Unicamp.)

Sons de carrilhões.

Radio Educadora, décadas passadas, Suave é a noite. Programa do Dezinho - Dê uma volta ao tempo.

video

Postado por A.Morais

Porque também sou astro - por "Sempresoll"



Explosões, clarões, cachos de astros
No breu, raios gamas incandescentes;
Colisões, partículas tal qual mastros
Iluminam o céu de galáxias luzentes.

Além dessa cósmica dança de rastros
E longe de atmosferas efervescentes;
O azul celeste espalha-se num lastro
E brancas nuvens fluam indiferentes.

Quando a natureza expõe suas cores
Iluminada pelo sol que tão aquece
Os olhos firmam meu campo vasto.

Olhando o espaço sem ter divisores
Descortinada a visão que embrutece
Revelo-me que também sou astro!


Sempresoll


*Sempresoll é uma poetisa , amiga muito querida, seguidora do Cariricaturas, desde o seu início.

Abraços.

Carne louca ! Faça e tenha um lanche prontinho p/ a semana inteira.


Ingredientes


2 kg de lagarto

1 cebola cortada em duas partes

3 dentes de alho

1 folha de louro

Sal a gosto

1 xícara de chá de vinagre de vinho branco


Modo de Preparo


Em uma panela colocar todos os ingredientes e, juntar água quente o suficiente para cobrir bem a carne
Deixar cozinar por mais ou menos 2 horas, deixar ficar macia mas não muito cozida
Deixar esfriar e levar á geladeira de um dia para o outro
Cortar a carne em fatias bem finas e reservar
Fazer um molho, cortar 3 cebolas grandes em fatias bem finas no sentido do comprimento, colocar em uma vasilha e, regar com água quente, tampar e deixar por apenas um minuto coar, voltar para o recipiente e, juntar 200 g de azeitonas verdes picadas, orégano, salsinha e cebolinha picadinhas á gosto, 1/2 xícara de chá de azeite, 1/2 xícara de chá de vinagre branco sal
Misturar tudo muito bem
Em um refratário colocar uma camada da carne fatiada, por cima colocar uma camada do molho e regar com um pouco de azeite, alternar as camadas sendo por último a do molho
Deixar macerar pelo menos por 2 dias
Essa carne é ótima para sanduíches

Bolo engorda marido


Ingredientes:

1 lata de leite condensado
A mesma medida (lata) de leite de vaca
A mesma medida de leite de coco
A mesma medida de farinha de trigo
1/2 medida de açúcar
3 ovos inteiros
3 colheres de sopa de margarina
1 pacotinho de côco ralado


Bata bem todos os
ingredientes no liquidificador.

Coloque em uma forma untada e polvilha e leve ao forno
médio até que fique dourado.

Tem uma consistência de pudim e é delicioso.

Experimentem, é super prático e rápido.

Miss Imperfeita - Martha Medeiros- Colaboração de Vera Barbosa


Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes. Sou a Miss Imperfeita, muito prazer. A imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe, filha e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado, decido o cardápio das refeições, cuido dos filhos, marido (se tiver), telefono sempre para minha mãe, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos e ainda faço as unhas e depilação!
E, entre uma coisa e outra, leio livros.
Portanto, sou ocupada, mas não uma workholic.
Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.
Primeiro: a dizer NÃO.
Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO. Culpa por nada, aliás.
Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.
Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros....
Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho.
Você não é Nossa Senhora.
Você é, humildemente, uma mulher.
E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante.. Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável. É ter tempo.
Tempo para fazer nada.
Tempo para fazer tudo.
Tempo para dançar sozinha na sala.
Tempo para bisbilhotar uma loja de discos.
Tempo para sumir dois dias com seu amor.
Três dias..
Cinco dias!
Tempo para uma massagem.
Tempo para ver a novela.
Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza.
Tempo para fazer um trabalho voluntário..
Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto.
Tempo para conhecer outras pessoas..
Voltar a estudar.
Para engravidar.
Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado.
Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.
Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.
Existir, a que será que se destina?
Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.
A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem.
Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si.
Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo!
Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente.
Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.
Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C.
Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores.
E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante.

Martha Medeiros

Pensamento para Hoje: 03/11/09.


"Quem fosse como a Abelha,que sente o sol também através do céu nublado,que encontra o caminho para a flor e nunca perde o rumo,veria os campos em brilho eterno; por mais breve que fosse sua vida raramente choraria".

Do livro: Prazer na Vida(Anselmo Grun)

Interpretem e reflitam.

Liduina Vilar.

Leveza e beleza para o dia de hoje : Maria Alice, nossa top model mirim !




Dimas e Monalissa , o casal responsável por tanta graça !

A poesia de Geraldo Urano

meu sorriso é o sorriso
do mundo
mais lindo
é o sorriso da minha
alma
que veio de outros
mundos
sorrio por sorrir
porque sou feliz
sabendo que o desenho animado
é a vida além da vida
e que nunca
faltará café
nem chocolate

Carlos Marighella -

Carlos Marighella nasceu em Salvador, Bahia, em 5 de dezembro de 1911. Era filho de imigrante italiano com uma negra descendente dos haussás, conhecidos pela combatividade nas sublevações contra a escravidão.

De origem humilde, ainda adolescente despertou para as lutas sociais. Aos 18 anos iniciou curso de Engenharia na Escola Politécnica da Bahia e tornou-se militante do Partido Comunista, dedicando sua vida à causa dos trabalhadores, da independência nacional e do socialismo.

Conheceu a prisão pela primeira vez em 1932, após escrever um poema contendo críticas ao interventor Juracy Magalhães. Libertado, prosseguiria na militância política, interrompendo os estudos universitários no 3o ano, em 1932, quando deslocou-se para o Rio de Janeiro.

Em 1o de maio de 1936 Marighella foi novamente preso e enfrentou, durante 23 dias, as terríveis torturas da polícia de Filinto Müller. Permaneceu encarcerado por um ano e, quando solto pela “macedada” – nome da medida que libertou os presos políticos sem condenação -- deixou o exemplo de uma tenacidade impressionante.

Transferindo-se para São Paulo, Marighella passou a agir em torno de dois eixos: a reorganização dos revolucionários comunistas, duramente atingidos pela repressão, e o combate ao terror imposto pela ditadura de Getúlio Vargas.

Voltaria aos cárceres em 1939, sendo mais uma vez torturado de forma brutal na Delegacia de Ordem Política e Social (DOPS) de São Paulo, mas se negando a fornecer qualquer informação à polícia. Na CPI que investigaria os crimes do Estado Novo o médico Dr. Nilo Rodrigues deporia que, com referência a Marighella, nunca vira tamanha resistência a maus tratos nem tanta bravura.

Recolhido aos presídios de Fernando de Noronha e Ilha Grande pelo seis anos seguintes, ele dirigiria sua energia revolucionária ao trabalho de educação cultural e política dos companheiros de cadeia.

Anistiado em abril de 1945, participou do processo de redemocratização do país e da reorganização do Partido Comunista na legalidade. Deposto o ditador Vargas e convocadas eleições gerais, foi eleito deputado federal constituinte pelo estado da Bahia. Seria apontado como um dos mais aguerridos parlamentares de todas as bancadas, proferindo, em menos de dois anos, cerca de duzentos discursos em que tomou, invariavelmente, a defesa das aspirações operárias, denunciando as péssimas condições de vida do povo brasileiro e a crescente penetração imperialista no país.

Com o mandato cassado pela repressão que o governo Dutra desencadeou contra o comunistas, Marighella foi obrigado a retornar à clandestinidade em 1948, condição em que permaneceria por mais de duas décadas, até seu assassinato.

Nos anos 50, exercendo novamente a militância em São Paulo, tomaria parte ativa nas lutas populares do período, em defesa do monopólio estatal do petróleo e contra o envio de soldados brasileiros à Coréia e a desnacionalização da economia. Cada vez mais, Carlos Marighella voltaria suas reflexões em direção do problema agrário, redigindo, em 1958, o ensaio “Alguns aspectos da renda da terra no Brasil”, o primeiro de uma série de análises teórico-políticas que elaborou até 1969. Nesta fase visitaria a China Popular e a União Soviética, e anos depois, conheceria Cuba. Em suas viagens pôde examinar de perto as experiências revolucionárias vitoriosas daqueles países.

Após o golpe militar de 1964, Marighella foi localizado por agentes do DOPS carioca em 9 de maio num cinema do bairro da Tijuca. Enfrentou os policiais que o cercavam com socos e gritos de “Abaixo a ditadura militar fascista” e “Viva a democracia”, recebendo um tiro a queima-roupa no peito. Descrevendo o episódio no livro “Por que resisti à prisão”, ele afirmaria: “Minha força vinha mesmo era da convicção política, da certeza (...) de que a liberdade não se defende senão resistindo”.

Repetindo a postura de altivez das prisões anteriores, Marighella fez de sua defesa um ataque aos crimes e ao obscurantismo que imperava desde 1o de abril. Conseguiu, com isso, catalisar um movimento de solidariedade que forçou os militares a aceitar um habeas-corpus e sua libertação imediata. Desse momento em diante, intensificou o combate à ditadura utilizando todos os meios de luta na tentativa de impedir a consolidação de um regime ilegal e ilegítimo. Mas, mantendo o país sob terror policial, o governo sufocou os sindicatos e suspendeu as garantias constitucionais dos cidadãos, enquanto estrangulava o parlamento. Na ocasião, Carlos Marighella aprofundou as divergências com o Partido Comunista, criticando seu imobilismo.

Em dezembro de 1966, em carta à Comissão Executiva do PCB, requereu seu desligamento da mesma, explicitando a disposição de lutar revolucionariamente junto às massas, em vez de ficar à espera das regras do jogo político e burocrático convencional que, segundo entendia, imperava na liderança. E quando já não havia outra solução, conforme suas próprias palavras, fundou a ALN – Ação Libertadora Nacional para, de armas em punho, enfrentar a ditadura.

O endurecimento do regime militar, a partir do final de 1968, culminou numa repressão sem precedentes. Marighella passou a ser apontado como Inimigo Público Número Um, transformando-se em alvo de uma caçada que envolveu, a nível nacional, toda a estrutura da polícia política.

Na noite de 4 de novembro de 1969 – há exatos 30 anos -- surpreendido por uma emboscada na alameda Casa Branca, na capital paulista, Carlos Marighella tombou varado pelas balas dos agentes do DOPS sob a chefia do delegado Sérgio Paranhos Fleury.

Resumo biográfico

1911 - No dia 5 de dezembro, Carlos Marighella nasce na Rua do Desterro número 9, na cidade de São Salvador, Estado da Bahia. Seus pais são o casal Maria Rita do Nascimento, negra e filha de escravos, e o imigrante italiano, o operário Augusto Marighella. Carlos teve sete irmãos e irmãs.

1929 - Marighella começa a cursar engenharia civil na antiga Escola Politécnica da Bahia, depois de haver estudado no Ginásio da Bahia, hoje Colégio Central. Numa e noutra escola, destaca-se como aluno, pela alegria e criatividade. São famosas suas diversas provas em versos.

1932 - Ingressa na Juventude Comunista. O Partido Comunista havia sido criado em 1922. Com a revolução de 30 uma grande efervescência política varria o Brasil. Marighella participa de manifestações contra o regime autoritário e o interventor Juracy Magalhães. Inconformado com versos de Marighella que o ridicularizavam, Juracy manda prendê-lo e espancá-lo.

1936 - Abandona o curso de engenharia e vai para São Paulo a mando da direção, reorganizar o Partido Comunista, que havia sido gravemente reprimido após o levange de 1935. É, porém, novamente preso e torturado durante 23 dias pela Polícia Especial de Felinto Muller.

1937 - Marighella é libertado pela anistia assinada pelo ministro Macedo Soares e, quatro meses depois, Getúlio dá o golpe e instaura o Estado Novo. Na clandestinidade, Marighella é encarregado da difícil tarefa de combater as tendências internas dissidentes da linha oficial do PCB em São Paulo.

1939 - Preso pela terceira vez, é confinado em Fernando de Noronha. Na cadeia, os revolucionários presos organizam uma universidade popular e Marighella dá aulas de matemática e filosofia.

1942 - Os presos políticos vão para a Ilha Grande, no litoral do Rio de Janeiro, porque Fernando de Noronha passa a ser usada como base de apoio das operações militares dos aliados no Atlântico Sul.

1943 - Na Conferência da Mantiqueira, Marighella, mesmo preso, é eleito para o Comitê Central. O Partido Comunista adota linha de apoio ao governo Vargas em razão da entrada do Brasil na guerra, posição de que ele discorda, embora a cumpra, por dever de militância.

1945 - Anistia, em abril, devolve à liberdade os presos políticos. Com a vitória das forças antifascistas, o PCB vai à legalidade e participa da eleição para a Constituinte. Marighella é eleito como um dos deputados constituintes mais votados da bancada..

1946 - Apesar do apoio de Prestes, o general Dutra, eleito Presidente da República, desencadeia repressão aos comunistas. Marighella participa ativamente da Constituinte com um dos redatores do organismo parlamentar. Conhece Clara Charf.

1947 -Ainda no primeiro semestre é fechada a União da Juventude Comunista. Depois, é o próprio Partido que é posto na ilegalidade. Marighela coordena a edição da revista teórica do PCB, Problemas e vive um relacionamento com dona Elza Sento Sé, que resulta no nascimento, em maio de 1948, de seu filho Carlos.

1948 - No início do ano são cassados os mandatos dos parlamentares comunistas. Marighella volta à clandestinidade. Data desse ano seu romance com Clara Charf, sua companheira até o fim da vida.

1949/1954 - Em São Paulo, Marighella cuida da ação sindical do PCB. Sob sua direção o PC se vincula aos operários, participa da campanha "O Petróleo é nosso" e organiza a greve geral conhecida como "dos cem mil" em 1953. Considerado esquerdista pela direção do Partido, é mandado em viagem à China. Lá é internado em razão de uma pneumonia. Depois, vai à União Soviética e volta ao Brasil em 1954.

1955 - A morte de Getúlio Vargas e o início do governo de Juscelino Kubistchek permitem que os comunistas, embora na ilegalidade, atuem de modo mais visível.

1956/1959 - O XX Congresso do PC da União Soviética inicia a desestalinização. O PCB adota a linha da "coexistência pacífica" pregada pela União Soviética. A vitória da Revolução Cubana, porém, contraria frontalmente as posições do movimento comunista internacional.

1960/1964 - A renúncia de Jânio gera uma crise política. Jango toma posse e Marighella passa a divergir da linha oficial do PC, principalmente de sua política de moderação e subordinação à burguesia. Em 1962, divisão do PC dá origem ao Partido Comunista do Brasil - PC do B.

1964 - Com o golpe de abril, instaura-se a ditadura militar. Perseguido pela polícia, Marighella entra num cinema do bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, e lá resiste aos policiais até ser diversas vezes baleado, espancado e finalmente preso. Sua resistência transformou sua prisão em um ato político que teve repercussão nacional. É solto depois de 80 dias, depois de um habeas corpus pedido pelo advogado Sobral Pinto.

1965 - Escreve e publica o livro "Por que resisti à prisão", em que aponta sua opção por organizar a resistência dos trabalhadores brasileiros contra a ditadura e pela libertação nacional e o socialismo.

1966 - Publica "A Crise Brasileira", onde aprofunda suas posições críticas à linha do PCB, prega a adoção da luta armada contra a ditadura, fundada na aliança dos operários com os camponeses.

1967 - Na Conferência Estadual de São Paulo as idéias de Marighella saem vitoriosas por ampla maioria - 33 a 3 -, apesar da participação pessoal e contrária de Luiz Carlos Prestes. Vendo que a derrota no VI Congresso era iminente, Prestes inicia um processo de intervenções nos Estados, para impedir a participação de delegados ligados à corrente de esquerda. Marighella viaja a Cuba para participar da conferência da Organização Latino-Americana de Solidariedade-OLAS. O PCB envia telegrama desautorizando sua participação e ameaçando-o de expulsão. Disso resulta uma carta dele rompendo com o Comitê Central do PCB e afirmando que ninguém precisa pedir licença para praticar atos revolucionários. Como represália, é expulso do Partido Comunista. Retorna ao Brasil e funda a Ação Libertadora Nacional-ALN e dá início à luta armada contra a ditadura militar.

1968 - Marighella participa diretamente de diversas ações armadas recuperando fundos para a construção da ALN. No primeiro de maio, em São Paulo, os operários tomam o palanque de assalto, expulsam o governador Sodrée realizam comemorações combativas do dia internacional dos trabalhadores. O Movimento estudantil toma conta das ruas em manifestações contra a ditadura que chegaram a mobilizar cem mil pessoas. Em outubro, porém, o Congresso da UNE é descoberto pela polícia e os estudantes sofrem grave derrota. Também no final do ano, torna-se conhecido o fato de que Marighella comandava parte das ações guerrilheiras.

1969 - No início do ano, a descoberta de planos da Vanguarda Popular Revolucionária - VPR pela polícia antecipa a saída do capitão Carlos Lamarca de um quartel do exército em Osasco, levando um caminhão carregado com armamento para a guerrilha. Em setembro o embaixador norte-americano é feito prisioneiro por um destacamento unificado com integrantes da ALN e do MR-8 e trocado por quinze presos políticos. No dia 4 de novembro, às oito horas da noite, Carlos Marighella caiu numa emboscada armada pelos inimigos do povo brasileiro em frente ao número 800 da alameda Casa Branca, em São Paulo, e foi assassinado. Sua organização, a ALN sobreviveu até 1974.

http://www.carlos.marighella.nom.br/vida.htm

Carlos Marighella

Humberto Mauro - cineasta brasileiro





Humberto Mauro, pioneiro do cinema brasileiro, foi homenageado no Festival de Cannes

O século 19 estava a três anos de seu fim quando Humberto Duarte Mauro nasceu, numa fazenda, em Minas Gerais. Ninguém podia imaginar que o recém-nascido, filho do imigrante italiano Caetano Mauro e da mineira Tereza Duarte, seria um pioneiro em uma nova arte e o maior diretor dos primeiros tempos do cinema nacional. Cinema era uma novidade bem distante daquela fazenda em Volta Grande, na Zona da Mata: fazia apenas dois anos que os irmãos Lumière haviam exibido sua primeira sessão cinematográfica, em Paris, na França.

Nos seus primeiros anos de vida, Humberto mostrou interesse pela mecânica e pela música. Tocava violino e bandolim nas horas vagas - e estudava engenharia em Belo Horizonte.

Mauro deixou a escola no fim do primeiro ano e foi se juntar aos pais na nova casa, em Cataguases. A eletricidade começava a ser instalada nas cidades do interior: essa revolução tecnológica fascinou o rapaz. Seu primeiro trabalho foi instalar eletricidade em fazendas e sítios locais. Ele também construiu o primeiro aparelho de receptor rádio em Cataguases.

Foi para o Rio de Janeiro, a capital federal, em 1916, onde trabalhou como eletricista por quatro anos. Ao fim desse período, voltou para Cataguases e se casou com Maria Vilela de Almeida, a dona Bebê.

Interessado em fotografia, Mauro comprou uma câmara Kodak, em 1923, e conheceu Pedro Cornello, italiano que era o principal fotógrafo da cidade. Os dois logo descobriram um ponto em comum: a paixão pelo cinema. Juntos, compraram uma pequena filmadora Pathé-Baby de 9,5 mm. Foi com essa câmera doméstica que Mauro e Cornello filmaram "Valadião, o Cratera", um curta-metragem de aventura.

Sua intenção era convencer um empresário local a investir numa produtora em Cataguases. Na época isso era possível, pois o cinema brasileiro estava pulverizado em várias empresas regionais, não havia uma companhia grande que centralizasse a produção de filmes. Assim, o iniciante cinema brasileiro cresceu nos anos 1920, com a proliferação desses pequenos produtores.

Nesse clima, Mauro e Cornello conseguiram financiamento para seu projeto. Compraram uma filmadora 35 mm no Rio de Janeiro e centenas de metros de película: começaram a rodar "Os Três Irmãos" - filme que nunca foi terminado. Com mais dinheiro, de um novo financiador, fundaram a Phebo Sul América Filmes. O primeiro filme da Phebo, dirigido por Mauro, foi "Na Primavera da Vida", de 1926. Mauro não só dirigiu, mas escreveu e foi co-autor dos roteiros, atuou em pequenos papéis, operou a câmera, colaborou nos cenários e na iluminação.

Sua segunda produção foi "Tesouro Perdido", que teve sua primeira exibição em Cataguases, e depois foi apresentado no Rio, ganhando o prêmio de melhor filme do ano, em 1927. A Phebo cresceu e foi reorganizada, com o nome de Phebo Brasil Filmes. Agora Mauro tinha recursos para fazer filmes em que ele podia desenvolver sua criatividade. O primeiro dessa leva, "Brasa Dormida", foi distribuído pela Universal Pictures. Tornou-se um clássico que estimulou o cinema de arte no Brasil e colocou Mauro entre os melhores diretores do cinema mudo no mercado mundial.

Apesar do sucesso, a Phebo não tinha dinheiro suficiente para bancar a tecnologia sonora do novo cinema falado. Para sorte de Mauro, um colega convidou-o para dirigir na Cinédia, uma companhia formada no Rio de Janeiro. É dessa época a comédia romântica "Lábios Sem Beijos".
Seu último filme na Cinédia foi "A Voz do Carnaval", um musical de 1933 sobre o carnaval carioca, co-dirigido por Adhemar Gonzaga. Esse foi o primeiro filme falado de Mauro e lançou Carmen Miranda na carreira cinematográfica.

Mas eram poucas as oportunidades de trabalho no mercado cinematográfico. Assim, Mauro dirigiu documentários para sobreviver: "As Sete Maravilhas do Rio de Janeiro", "Inauguração da Sétima Feira Internacional de Amostras da Cidade do Rio de Janeiro", "General Osório" e "Pedro II".

O próximo filme, "Favela dos Meus Amores", teve trilha musical de astros renomados, hoje clássicos da MPB: Noel Rosa foi para um filme dirigido por Mauro, "Cidade Mulher", de 1936. No mesmo ano, o cineasta entrou para o Instituto Nacional do Cinema Educativo, fundado por Edgar Roquette-Pinto, e rodou mais de 300 documentários. Filmou ainda os longas-metragens "O Descobrimento do Brasil", "Argila", e "O Canto da Saudade", este de 1952.

Sua última realização foi "Carro de Bois", de 1974. Foi um documentário rodado em sua terra natal, Volta Grande.

Homenageado no Festival de Cannes, em seu último ano de vida, Mauro também serviu de inspiração para uma geração de cineastas brasileiros, como Glauber Rocha e Nelson Pereira dos Santos.
uoleducação

Dia do Cabeleireiro - 3 de Novembro


Desde os tempos antigos, a maneira de arrumar os cabelos denota uma civilização, com seus diferenciados sensos estéticos e gostos. Nos tempos da antiga Assíria, região do atual Oriente Médio, os cabeleireiros tornaram-se famosos pelos seus penteados, por cortarem o cabelo dando-lhe a forma de uma pirâmide egípcia, por exemplo.
No mundo ocidental, e mais especificamente no Brasil, a evolução das maneiras de cortar o cabelo, diversificando e popularizando a profissão de cabeleireiro, não foram diferentes. Nos anos 40, época em que começaram a surgir as primeiras cabeleireiras do sexo feminino, uma vez que grande parte dos homens alistavam-se na Segunda Guerra Mundial, era comum o uso do turbante, caracterizando uma moda tipicamente influenciada pelo contexto histórico. Na época, os produtos capilares eram escassos, pela baixa tecnologia e devido à guerra.
Nos anos 50, tornou-se comum o uso de reflexos nos cabelos, deixando-os mais claros e brilhantes. Nesta mesma época, era comum o estilo de penteado, influenciado por atrizes do cinema americano, conhecido como helmet (capacete), quando o cabelo era ajustado exatamente ao formato da cabeça fixando-o, com o uso de laquês. Passando para os anos 60, popularizou-se o uso dos chapéus, laços e dos fixadores de cabelo, modelando-os da maneira desejada, muitas vezes com franjas à mostra, modeladas com secador.
Com a eclosão dos movimentos jovens nos anos 60 e 70, os cabeleireiros passaram a fazer os cortes "black power", "punk" e "rastafari", que muitas pessoas usam até hoje. Nos anos 80, foi a vez dos permanentes, bastante cacheados e volumosos, virarem moda entre as pessoas, influenciadas pelo cinema e novelas.
Nos dias de hoje, com a globalização e o desenvolvimento da mídia, a velocidade da informação aumentou muito. Os centros da moda como Paris, Londres, Milão, Nova Iorque e Tóquio lançam duas coleções por ano, fazendo com que não haja apenas uma moda, mas tendências, em intervalos de tempo cada vez mais curtos. Porém pode-se ressaltar o uso cada vez mais freqüente do alisamento definitivo dos cabelos, que busca aproximar-se do natural, deixando-os com o mínimo de volume, muito desejado nos dias de hoje.

© Copyright 2007-2009 Brasil Profissões

Maria Luiza Alencar (Baysa)- por Socorro Moreira

Baysa, uma das grandes e inesquecíveis figuras cratenses !
A primeira vez que fui a um salão de beleza eu tinha 4 anos. Acabara de cortar meus cachos com uma tesoura, e teria feito o mesmo com o rabo de cavalo da minha irmã Verônica, se a minha mãe não tivesse chegado à tempo. Pra corrigir os estragos resolveram frisar o meu cabelo. Claro que ficou horrível, e eu fiquei com trauma de cabeleireiros.
Na adolescência, nos dias de festa , passávamos o dia inteiro, num salão de beleza. Baysa era lotada. Na minha timidez e quietude, esperava a minha vez ,horas e horas, vendo muita dondoca passar na minha frente. Mas eu gostava de ver os resultados, observar a arte de Baysa - arte incansável !
Quando fui crescendo , fui ficando mais próxima daquela figura humana, e nos tornamos grandes amigas.
Já não esperava tanto , e gozava de delicados privilégios , como lanchar na cozinha da casa ,uma tapioca quentinha com café , alem das boas conversas com uma das figuras mais humanas e sensíveis que conheci, em toda minha vida.
Profissionalizou muita gente. Muitos com ela, desenvolveu a própria arte. Coisa que , de vez em quando, lembro e discuto com o amigo e grande profissional :Welligton .
Baysa fazia política , naturalmente. Estava distante , por ocasião do seu mandato como vereadora da Câmara Municipal do Crato, mas tenho conhecimento de que ela o exerceu com propriedade .
Sua imagem ficou gravada como grande artista , e figura humana de valores especiais.
Nessa simples homenagem , minha enorme saudade, amiga Baysa !

Mais uma vez, a primeira vez ! - por Socorro Moreira


Deixei de curtir Roberto Carlos , na minha adolescência. Eu estava impregnada do repertório do meu pai, primos mais velhos, e até da minha avó..
Pois é...Passei batida pela Jovem Guarda.
Hoje escutei Roberto , e arrepiei-me. Descobri que as suas músicas sempre fizeram parte da minha vida, e vivem tocando dentro de mim.
A gente é um misto de todas as melodias que ouvimos.
Essa canção foi presente da minha mana Zélia.
Fomos criadas ouvindo a mesma radiola, e sabendo desde cedo, que o coração quando dispara não sabe o caminho de volta.
Interessante constatar que a música do passado , que eu nem escutei direito, hoje é presencial.


Não tenho da vida , senão a própria vida

e dela, nem sou guardiá.

A dor passou, não quis ficar

Achou o terreno encharcado

de alegria.

Ela rejeita o bem-estar.

Mas sempre volta ,

esperando lugar pra sentar

Tem sua cadeira cativa ,

mas uma cadeira vazia ,

como a canção de Lupicínio.

Não sei lidar, nem quero ...

Com o obscuro de alguns

Os meus hachurados

estão iluminados

pela consciência de que

não sou nenhum, nem algum

Sou uma simples intenção divina,

que um casal humano argamassou.

Tô aqui , na estrada.

Curtindo os encontros,

e aprendendo com os inversos,

em mim camuflados.
Socorro Moreira



Mil palavras - Fábio Brüggemann


Cafés, os sem cafeína. Carnes, as mal passadas. Pães, os que eu mesmo amasso. Doces, os com pouco açúcar.

Governos, os que apenas governam. Políticos, nenhum, porque, segundo o poeta negro norte-americano, e. e. cummings (assim mesmo, em caixa baixa, como ele assinava), por outras palavras, não são humanos. Juízes, os que não se vendem por R$ 2 milhões.

Cidades, as que ainda não têm meninos cheirando cola nas ruas. Bares, os quais eu posso fumar, beber, conversar em paz e encontrar meus amigos.

Amigos, os que podemos ficar em silêncio sem que o silêncio nos incomode. Escolas, as que a elite babaca abandonou.

Livros, os que usam letra com serifa e não se pretendem cheios de firulas, que têm margens grandes e que cheiram bem.

Regras, as que devem ser quebradas sempre. Leis, uma única, a de que ninguém tem o direito de amedrontar alguém. Trabalho, só os que dão prazer, que não têm horário fixo para cumprir e que remunerem com justiça.

Cheiros, o que abrem as gavetas da memória. Mate, os mais amargos. Frios, os secos. Calor, só quando estou próximo ao mar. Mar, todos eles.

Poemas, os que não têm tradução. Prosas, as mais poéticas. Filhos, os mais amigos. Fumos, os de baunilha. Paisagem, as planas e altas. Cabelos, os mais curtos. Casas, as mais amplas, ensolaradas, de janelas grandes e com varanda.

Conversas, as que dão vontade de apenas ouvir. Artista, o que não faz concessão.Esperas, as que nunca têm fim, porque alimentam como o pão que não mata a fome.

Amores, os impossíveis. Cachimbos, os feitos de brezo. Remédios, os que não preciso tomar. Bebidas, uísque para sair e vinho para ficar em casa. Sucos, os do limão. Chás, os de hortelã com cidreira.

Lua, a mais redonda. Rios, os limpos, em que a água corrente faz lembrar o rio de Heráclito. Árvores, a araucária. Futebol, o que jogo às segundas-feiras.Estradas, as mais vazias. Roupas, as de algodão.

Papéis, os mais rugosos. Comidas, as que eu mesmo invento. Flores, as que não temem sua memória genética e que mostram ao homem o que ele não consegue admitir: que têm de morrer pra germinar. Mulheres, as que gostam de medir minha mão na sua.

Fábio Brüggemann