Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

ENVIE SUA FOTO E COLABORE COM O CARIRICATURAS



... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
.....................
claude_bloc@hotmail.com

domingo, 31 de janeiro de 2010

Paz do meu Amor - Luiz Vieira

LUIZ VIEIRA - PRELUDIO PARA NINAR GENTE GRANDE

Bom sono
........ Belos sonhos aos amigos e colaboradores do Cariricaturas

A roca do tempo
- Claude Bloc -


Imensidão, vale aberto num abraço
Na roca do tempo, ponho-me a fiar
a brisa e o vento
pé na estrada
pó de estrada
sob meus pés, pedras e passos
e esse meu lapidar (in)diferente.

Acima das nuvens um nome
que distingo em mim
traços de minh’alma
sede em epitáfio,
riscos que o tempo
se encarregará de apagar.

Tempo breve,
série ininterrupta e (e)terna
de instantes
gritos e apelos
que eu lego ao tear dos sonhos.

Só então
eclodo em versos,
e nesse desabrolho (re)nasço
como raiz que exorta luz...
Nessa hora
reinvento-me a cada instante:
da bruma à brisa
da brisa ao vento
cada dia diferente.

E só então
liberto em mim
os pássaros da memória:
pois que em todos os caminhos
encontro teus passos
(que são tão meus)
e nada, enfim, em nós se ultima
e nada em nós desfia os sonhos
para além do tempo.

Claude Bloc

Branca no azul - por Socorro Moreira


Noitinha .
Angústia no peito
Dores...
uma cá
outra no Juazeiro
É a síndrome domingueira.
Parece que a cidade perdeu
uma semana de vida ,
e tem preguiça , no recomeço.
A Igreja recebe os fieis
A praça acolhe os rebeldes
E a nossa casa se entedia...
Até na cozinha
as panelas vadiam.
Hoje estou sem quereres
Sem afazeres
E com uma dorzinha de cotovelo.
II
Andei nas ruas enluaradas
silenciosamente azuis
Procurei não pensar
Apenas usei o olhar,
que vadiou no meu silêncio.
Perco o caminho do coração
Invento um caminho de paz
Sinto o vento
e desacelero os passos...
Minha casa é bem ali
Eu tenho a sua chave.

III

Ainda sem pensamentos
carregando no dorso
uns versos soltos ...
Deitam-se comigo
pra cantar um sonho
que eu imagino feliz !


E o sono não chega ...
Arrumo o travesseiro
sem confidenciar o que sinto
Sentimentos confusos
merecem a lixeira do esquecimento.
foto by Mônica Cabral

Maroca- autor desconhecido- Colaboração de Maria Amélia Castro

Maróca


Maróca, como tu vais?....
Que finzão levou você!!!!
Tomou um chá de sumisso....
Nas festas ninguem lhe vê?
Cadê seu vestido de Chita?
A sua saia rodada...
Você que era a primeira,
Nas quadrilhas bem marcadas...

Minha vida mudou
Minha sorte esta virada
Meu marido é um bruto
Já me deu ate pancada...

Tem pasciência mulher!
Para que tanto desengano...
O diabo atenta os casais
Mas só atenta sete anos...

Ora que conselho sem graça
Este que você me dá
Sete anos de pancada...
Quem é que pode aguentar!!!

abraços
Maria Amelia

apenas um crepúsculo

O raio de luz
que se derrama
sobre o teclado
é motivo de louca epifania.

O que mudou
é que agora
meus dedos brincam
de pular amarelinha.

Naquele tempo
na folha de papel
havia algo estranho

mediunidade
olhar perdido.

Hoje, sobre o teclado
os dedos rasgam as túnicas
enlouquecem trocando suspiros.

Enquanto o raio de luz
de final de tarde

continua o mesmo de outrora
sobre a folha de papel

e neste instante
parece milagre
nada muda sobre o teclado.

Bolo de Macaxeira



Ingredientes


- 1 kg de macaxeira (descascada e picada)
- 2 colheres (sopa) de margarina
- 3 ovos inteiros
- 2 xícaras de açúcar
- 1 lata de leite condensado
- 1 pacote de côco ralado
- 1 garrafa de leite de côco de 200ml
- 2 xícaras de leite de vaca
- 1 pacote de queijo ralado de 50gr
- 1 colher (chá) de sal


Modo de Preparo


Misture todos os ingredientes no liquidificador, juntamente com a macaxeira picadinha e bata aos poucos.
Unte uma forma e despeje a mistura. Leve ao fogo até dourar todo por igual. Está pronto!
Pulo do Gato

Use a macaxeira descascada e bem picadinha

O Livro do Cariricaturas





Um livro escrito por muitas mãos: uma coletânea com nossos escritores e artistas.

Detalhes :


. Release com fotografia de cada escritor ( 01 página)
• 4 textos por escritor (máximo de 7 páginas - fonte : garamond - altura : 12) - Temática livre ( crônicas, contos e poemas).
• Os textos serão escolhidos pelos próprios escritores;
• um contingente de 200,00 por escritor
• O pagamento poderá ser feito em 4 x 50,00 ( fev-mar-abr-maio)
. O livro será dedicado aos mestres de todos os tempos, representados por Dr. José Newton Alves de Sousa.
- A capa será a foto de Pachelly- essa que já caracteriza o Cariricaturas.
- O título é: "Cariricaturas em prosas e versos"
- Edição: Emerson Monteiro ( Editora de Sonhos - Crato-Ce)
- Dedicatória ( Assis Lima )
- Prefácio/ Apresentação ( José do Vale e Zé Flávio)

-Já estão confirmadas as seguintes adesões:

01. Claude Bloc *
02. Magali Figueirêdo *
03. Carlos Esmeraldo *
04. Maria Amélia de Castro#
05. Ana Cecília Bastos *
06. Assis Lima *
07. Socorro Moreira *
08. Stela Siebra de Brito *
09. Wilton Dedê *
10. João Marni *
11. Rejane Gonçalves *
12. Rosa Guerrera *
13. Heladio Teles Duarte *
14. Edilma Rocha *
15. Emerson Monteiro *
16. José Flávio Vieira *
17. João Nicodemos *
18. José do Vale Feitosa *
19. Liduina Vilar *
20. Elmano Rodrigues #
21. Carlos Rafael *
22. Armando Rafael #
23. Bernardo Melgaço *
24. Domingos Barroso *
25. Roberto Jamacaru *
26.Dimas de Castro *
27.Joaquim Pinheiro *
28.Edmar Lima Cordeiro*
29.Hermógenes Teixeira de Holanda #
30.Olival Honor *
31.José Nilton Mariano*
32.Marcos Barreto *
33.Isabela Pinheiro *
34.José Newton Alves de Sousa *
35 -Jorge de carvalho Alves de Sousa *
36.Vera Barbosa . #



* Escritores que já enviaram material para edição.
# Escritores que ainda não enviaram material para edição


Lembrem-se:

O envio dos textos será até 05.02.2010
Email : sauska_8@hotmail.com ou cbbloc@uol.com.br
Outras informações :
Tiragem : 1.000 exemplares
Distribuição entre autores : 20 para cada
Saldo : será transformados em ingressos para cobrir as despesas da festa de lançamento : coquetel, convites, divulgação, banda,decoração, etc
Se houver saldo de livros será redistribuído entre os autores.
Preço do livro por unidade : 20,00
A edição foi orçada em 6.000,00 ( já considerados todos os descontos possíveis).
Número de páginas : 260 ( aproximadamente).
O valor da contribuição por escritor ( 200,00) será depositado numa cta do Editor (Emerson Monteiro) a ser informada por e-mail. Em contrapartida será enviado respectivo recibo.
Atentar para as datas limite de envio do material ,e de pagamento :
Data limite para depósito : Até maio de 2010.

Claude e Socorro Moreira

AGRADECIMENTOS...

Nós que fizemos o MUSI(CA)MINHOS Show, agradecemos sem exceção a todos que marcaram presença ontem no SESC de Crato, e nos passaram toda aquela energia positiva que fluiu por lá.Tanta gente boa compareceu!

Obrigado aos meus convidados pra lá de especiais: Abidoral Jamacaru, Dihelson Mendonça, João do Crato, Nivando Ulisses e Luiz Carlos Salatiel.
Agradecimentos ao SESC do Crato, nas pessoas de Samuel, Sergio, Alexandre e ao Reginaldo técnico de som!

Gente, muito obrigado mesmo!

Agradecimento a minha galera!
Da esquerda para a direita: Danilo, Aminadaber, Isaias, Nivando e Jairo Starkey

ORGULHAMO-NOS DE SER CRATENSES

Pedro Esmeraldo

Prezados senhores: estamos num dilema que nos apavora enquanto observamos a mudez desse povo cratense em não reagir frente às ameaças descabidas pelos inimigos que procuram controlar o governador para rasgar em pedaços o bom da cidade do Crato, deixando toda a população desorientada, sem poder se pronunciar por falta de apoio moral dos nossos políticos.

Relembramos que, antigamente, Crato era prestigiado e vinha sendo controlada pelos políticos amicíssimos desta cidade que nos iluminavam com bons projetos de larga escala, perfazendo uma série de melhoramentos, deixando-nos glorificados com aquisição de boas ações administrativas.

Glorificávamos, pois éramos mais bem aquinhoados, porque tínhamos bom equilíbrio que satisfazia o bom procedimento justo e moral.

Nos dias atuais, meu Deus, vivemos no esquecimento, causando desespero, deixando o povo esmaecido, já que não temos a quem recorrer, porque os cratenses de agora são diferentes dos que existiam nos tempos passados, vez que aceitam calmamente a desigualdade e não partem para a luta.

Às vezes, o povo tem a mania de dizer que, quando o homem quer e luta com muita ânsia, consegue alguma coisa, isto quer dizer que os cratenses atuais não lutam mais e permanecem atrás de políticos incompetentes, sem nenhum designo administrativo, cruzam os braços, calam e se conformam em receber migalhas que não nos satisfazem.

Infelizmente, parece que o cratense pertence a uma escola fundada pelo filósofo grego Zenon, que dizia: “Um homem pode tornar sensível aos males físicos e morais”, isto é, a escola Estóica. Atualmente o cratense aceita esse pensamento dúbio, sendo que procura estar insensível aos danos provocados pela massa governamental.

O Crato está enquadrado numa microrregião do Cariri, localizada ao sopé da Serra do Araripe, pátria dos primeiros soldados da independência, visto que seus filhos ilustres, guerreiros por natureza, participaram de grandes eventos em defesa da pátria amada. A nosso ver, esta cidade deveria ser respeitada, porque já não suportamos mais esse descaso acometido por homens rudes e que se apossaram por meio da intriga e da perfídia, vem sendo desmoralizada e desmerecida, o que prejudica o crescimento da cidade, visto que os políticos tomam medidas manhosas tentando convencer ao povo que outro lugar é mais populoso e deve merecer melhores ganhos econômicos.

De fato, lá é realmente populoso, nota-se que a população vem sempre prevalecida com propaganda enganosa, “o que não deveria acontecer”, pois todos os cidadãos têm origem na mesma pátria, consideramos cidadãos brasileiros e devem também receber o seu quinhão com metas desenvolvimentistas.

Por isso, os cratenses deveriam praticar os mesmos atos e mostrarem à mídia a sua coragem e gritar que aqui é a verdadeira terra do padre Cícero e ele aqui foi batizado na Igreja da Sé. Relata-se então que parte dos grandes movimentos de romeiros devem ser também processados na cidade do Crato, pois o Crato também merece receber a sua vantagem populacional.

Constata-se, portanto, que permanece no pensamento do povo que alguns políticos só tem cabeça por que prego tem: isto é, só servem pra levar pancada.

Pessoal, parta para a luta, deixe de lado o comodismo, acabe com as picuinhas, trabalhe, mas trabalhe com muita coragem, grite, reclame, exija e diga ao governador que o Crato pertence ao Ceará deve ser respeitada.

Em tempo: todos os dias oramos com muita fé ao Divino Espírito Santo, pedindo que ilumine a esses fracos líderes (da Ponta da Serra) para que tomem decisões acertadas e que não venham prejudicar o Crato. Mudem de idéia e comunguem com toda população cratense. Não se deixem enganar pelos políticos astuciosos. Professor Figueiredo Filho, filho deste distrito, foi o maior defensor do Crato. Por que não o imitam?

Crato, 28.10.2010

Casa de Farinha - Por Marcos Barreto de Melo

CASA DE FARINHA


Farinhada no sertão
É um tempo de alegria
De namoro e de folia
E foi na casa de farinha
Que eu naquela tardinha
Lhe entreguei meu coração

Você peneirando a massa
Sacudia o seu corpinho
Mexeu com o meu sentimento
E o meu coração menino
No meu peito se bulindo
Logo encheu-se de paixão

Enquanto torrava a farinha
Ardia a minha paixão
Meu coração sonhador
Sonhava com o teu beijo
Em ter você, moreninha
Dona do meu coração


Marcos Barreto de Melo

VELHO LIVRO por Rosa Guerrera

Comparo a minha vida
a um velho livro
de contabilidade ...
Onde todos os prejuízos que tive
foram motivados
por um erro de cálculo :
Antecipei o coração á razão !

E sem pressentir ,
tropecei na minha própria sombra.

O Show de Pachelly sob meu olhar...

O show está para Pachelly assim como a música está para nossa emoção...
*****

Foi assim nesse clima "cult", ao mesmo tempo tão espontâneo e encantador, que sentamos na platéia para assistir à apresentação de Pachelly Jamacaru, no SESC.

O brilho era dele, mas com humildade soube agradecer e pontilhar seu momento com a luz da amizade e do reconhecimento para com amigos e parceiros de arte.
.
O Show foi lindo! Pachelly era pura emoção e alegria. Pleno em musicalidade!

Cantar...

Sentir...

Despir a alma, despojar-se ...

em ritmos & melodias.
.

Um trabalho perfeito!


O mano Abidoral, BARBARAmente arrebatador.

João: alegria pura, dinamismo pronto, vozeirão ecoando no ar...



E a parceria que tocava o passado tão presente, junto a Salatiel - o mestre!

A perfeita harmonia: música e interpretação

Quando Pachelly tira o chapéu para seu parceiro e amigo Dihelson


Depois, Nivando agita a sensibilidade e engrandece o som de Pachelly.
.
*****
Terminou o show, mas Pachelly trouxe a alegria de volta pra gente em forma de arte: a música que embala, tece, exalta, mexe e enternece e encanta seus amigos e fãs.
.
*****
.
Obrigado/a Pachelly!
Nosso abraço Cariricaturense!


Sábado de sol , na casa de João Marni e Fátima


João Marni e Roberto Jamacaru : irmandade por afinidade.

Maria Alice , nossa mascote , nossa alegria !



Claude transporta o Cariricaturas , na mochila .... A mochila das surpresas... Tem até novelo de linha , botões e alfinetes... Imaginem o resto !



A luminosidade da anfitriã ... Um sol no sorriso !



E esse Senhor de braços abertos ?
-É o João !
Perto do seu coração, todos os amigos , e a especialidade em servi-los, na seleção musical, no churrasco bem temperado, nos líquidos que matam a nossa sede, e na prosa inteligente e poética !

Uma pausa para o silêncio. Diabéticos não podem beliscar o tempo inteiro .


O flagra foi da Claude !


Isso é que é boa vida. Vida partilhada . Vida assenhorada por um casamento feliz .
João, quando olha e fala de Fátima , os olhos ficam cheios de rimas ( plageando Nicodemos).

sábado, 30 de janeiro de 2010

A poesia de João Nicodemos


POEMA DE GELO

O MAR
VIRÁ
SERTÃO
..........
O que hoje dói em mim
Sei já fiz doer alguém
Dor que num gesto vai
Gira volta e um dia vem
Sente quem o bem recebe
Sendo assim também percebe
Que o bem que vai
Vem.
.......
quando Nada e Tudo
era ainda Um
trovejou uma luz
no profundo vazio
então teve início
o princípio
e o precipício.

......


hoje acordei
com rimas
nos olhos. . .
........
se a vida é
uma viagem:
do berço à cova
da fralda à mortalha
bom mesmo é estar viajando
por mais que pese a cangalha.

Velho Livro - por Rosa Guerrera

COMPARO A MINHA VIDA

A UM VELHO LIVRO

DE CONTABILIDADE ...

ONDE TODOS OS PREJUIZOS QUE TIVE

FORAM MOTIVADOS POR UM ÊRRO DE CÁLCULO :

ANTECIPEI O CORAÇÃO À RAZÃO ...

E SEM PRESSENTIR

TROPECEI NA MINHA PRÓPRIA SOMBRA .

MUSI(CA)MINHOS - O Show de Pachelly Jamacaru

Foto by Claude Bloc

E como se não bastasse a maravilhosa Exposição de fotos "Águas Vivas " do consagrado artista Pachelly, o espetáculo musical desta noite firmou o seu céu : "Céu Azul" e a nossa reação foi "Da cor da Alegria" : " azul três vezes"!

Lindas parcerias, excelentes músicos !

Parabéns, Pachelly, pelo teu talento , pela arte que aflorou na gente , e embala os nosso sonhos , numa noite mágica de lua cheia !

Nivando Ulisses, Dihelson Mendonça, Salatiel, Abidoral, João do Crato,Jayro Starkey e o Trio Cariri, abrilhantaram o espetáculo !

Tudo pura energia , participação do auditório, aplausos e emoções ... Tudo lindamente azul !

Eu esqueci que estava no Sesc, esqueci que estava no Planeta Terra, adentrei na infinitude do universo ... O Palco se agigantou, e a música tirou o chapéu para um trabalho , no ensaio do improviso, e no exercício diário ... Sentimos a entrega plena e gloriosa entre músicos e música.

Teus caminhos, Pachelly, possuem marcas musicais.. .Companheiros e irmãos de viagem , teu público cativo, amigos Cariris , num grito de festa , cantaram e dançaram o teu sonho de arte !

Voltei iluminada de alegria... É uma pena que seja apenas por um dia, e a espera recomeça , por mais um encontro, momento vida !


Socorro Moreira

Ato Tresloucado

Feliz é a lâmpada do quarto
mesmo quando queima
morre feliz.

Nem fumaça
nem barulho.

Enraiveço.
Quebro o interruptor de plástico.

Lúdica é a lâmpada do quarto.
Brinca com minha ira.

Silenciosa,
do alto do teto,
manda-me um beijo.

Pego meu tênis,
o mais sujo,
lanço-lhe ao focinho.

Agora sim,
uma tragédia:

vapor de mercúrio
dentro dos meus olhos.

Lúcio Alves por Norma Hauer



Ele nasceu no dia 28 de janeiro de 1927,em Cataguases-MG, mas apenas com 7 anos já estava no Rio .
Nessa época já tocava violão, que aprendera com o pai, integrante da Banda de Guataguases.

Seu nome Lúcio Cinbelli Alves, que ficou conhecido como LÚCIO ALVES.

Fez parte, ainda com 14 anos, do grupo "Namorados da Lua", que se apresentava nos Cassinos Copacabana e Urca.

No Teatro República, cantando "Nós os Carecas" venceu um concurso de carnaval e
foi ainda premiado no programa de calouros de Ary Barroso, sendo, assim, convidado para atuar na Rádio Tupi.

Nessa época, com Haroldo Barbosa teve seu samba "De Conversa em Conversa", gravado por Isaurinha Garcia, obtendo seu primeiro grande sucesso.

Vários outros compositores deram sucessos para Lúcio Alves, como Caymmi; Dolores Duran; Alcyr Pires Vermelho;até Flávio Cavalcanti, co-oautor de "Manias", um samba que marcou sua carreira.

Em 1947 o grupo se desfês e sozinho passou a ser mais conhecido, obtendo, no decorrer de sua vida, inúmeros sucessos, como "Manias"; "Solidão" (versão do bolero Sim`Palabras"); "Bolinha de Papel"; "Nunca Mais";"Sábado em Copabcabana"; "Na Paz do Senhor"; "Tereza da Praia";"Nova Ilusão" e seu maior sucesso :"Valsa de Uma Cidade".

Nos anos 60, 70 fez parte das produções da TV Educativa, onde liderou um programa de entrevistas que, em, 1972, entrevistou Carlos Galhardo, ao lado de Nássara e Luiz Cláudio.

Gravou vários LPs, um de músicas só com nomes de mulhjeres,: "Rosa";"Carolina";"Maria": "Januária" e outros.

Em 1978 fez parte do Projeto Pixinguinha, ao lado de Doris Monteiro.

Em 1988 lançou outro LP denominado "Há Sempre um Nome de Mulher", em benefício do programa nacional de aleitamento, patrocinado pelo Banco do Brasil.

Lúcio Alves faleceu em 3 de agosto de 1993, aos 66 anos.
Norma

Roberto Martins por Norma Hauer


No dia 29 de janeiro de 1909 nascia, aqui no Rio de Janeiro o grande compositor ROBERTO MARTINS.
Dos compositores que engrandeceram nossa música popular, Roberto Martins foi dos mais expressivos.
Compôs,´preferencialmente, sambas e marchas, mas também engendrou por outros ritmos.
Um de seus grandes sucessos correu mundo, levado por Carmen Miranda para os Estados Unidos: “Cai,Cai”, inicialmente gravada aqui pela dupla Joel e Gaúcho, para o carnaval de 1940.
Ao conhecer o poeta e letrista Jorge Faraj, compôs sua primeira valsa: “Apenas Tu”, gravada por Carlos Galhardo em 1936, seguida por “Aliança Partida”, gravação de Orlando Silva no ano seguinte.

Os cantores que mais gravaram Roberto Martins foram Carlos Galhardo, Gilberto Alves e Nelson Gonçalves, cujo primeiro sucesso foi o fox “Renúncia”, feito em parceria com Mário Rossi, seu mais constante parceiro.
Enumerar tudo que Roberto fez é impossível. Sucessos constantes são “Beija-me”, gravação original de Ciro Monteiro em 1943, recentemente regravado por Zeca Pagodinho ; “Bodas de Prata”, “Apenas Tu”; “Cadê Zazá?”, “23 de Abril; “Dentro da Lua”; “De Quem é Essa Boquinha? algumas das gravações originais de Carlos Galhardo...
“Meu Consolo é você”; ”Dá-me Tuas Mãos” (co-autoria de Mário Lago) gravações originais de Orlando Silva...Renúncia;”Dorme, que eu Velo por Ti”; “Renuncia” ,gravações originais de Nelson Gonçalves; Cecília”; “Um Sonho Para Dois”; “Pertinho do Céu”; gravações de Gilberto Alves
“Quem mora em Santa Teresa,
Está pertinho do céu...”
Todos os cantores que passaram por nossa música até o fim dos anos 50 do século passado gravaram Roberto Martins,

Isso é uma pequena amostra dentre as mais de 500 músicas que Roberto Martins compôs ao longo de 4 décadas.

Roberto Martins faleceu em 14 de março de 1992, aos 83 anos, deixando uma enorme lacuna em nosso meio musical.
Norma

Herivelto Martins e o Trio de Ouro por Norma Hauer




No dia 30 de janeiro de 1912 nasceu, o compositor e cantor HERIVELTO MARTINS.
Aos que se interessarem por sua história aconselho o livro escrito por seu filho PERI RIBEIRO, de nome "Minhas Duas Estrelas" onde podemos saber tudo sobre a vida de Herivelto e Dalva de Oliveira.
O "Trio de Ouro", começou em 1938, como "Dalva de Oliveira e a Dupla Preto e Branco", composto por Dalva, Herivelto e Nilo Chagas. Quando foram contratados para atuar na Rádio Mayrink Veiga, César Ladeira os denominou "Trio de Ouro".
Não me estenderei sobre Herivelto porque o livro de seu filho diz tudo que possamos querer saber sobre essa figura importante em nosso meio musical.
E tivemos uma minissérie.
Como estamos perto da semana do carnaval, coloco aqui a letra de um de seus maiores sucessos carnavalescos:
PRAÇA ONZE"
Vão acabar com a Praça 11
Não vai haver mais escolas de samba, não vai.
Chora o tamborim, chora o morro inteiro
Favela, Salgueiro, Mangueira-Estação Primeira
Guardai os vossos pandeiros, guardai,
Porque a Escola de Samba não sai.

Adeus, minha Praça 11, adeus
Já sabemos que vais desaparecer.
Leva contigo a nossa recordação
Mas ficarás eternamente em nosso coração.
E algum dia nova praça nós teremos,
E o teu passado cantaremos.

Esse samba foi composto quando da abertura da Av. Presidente Vargas.
Baseado no mesmo assunto, Herivelto compôs:
BOM DIA, AVENIDA
Lá vem a nova avenida, remodelando a cidade
Rompendo prédios e ruas
O nosso patrimônio de saudade.
É o progresso e o progresso é natural
Lá vem a nova avenida, dizendo a sua rival:
Bom Dia, Avenida Central.
E ainda teve
:"NÃO ACABOU A PRAÇA ONZE"
Laurindo sobe o morro gritando:
Não acabou, a Praça Onze, não acabou.
Vamos esquentar os nossos tamborins.
E põe a turma e
E marca o ensaio pra 4ª feira
Quando a Escola de Samba chegou na Pça.11
Não encontrou mais ninguém.
Laurindo pega o apito
Apita a evolução
E toda a Escola de Samba
Jogou bateria no chão
E foi-se embora chorando
E daí a pirâmide foi aumentando.
Norma

David Nasser por Norma Hauer

Iniciando o ano novo de 1917, nasceu em Jaú,no interior de São Paulo , o jornalista e compositor David Nasser.

Ainda muito criança, mudou-se com sua família para São Paulo, viveu algum tempo em Mato Grosso e em 1935 já se encontrava no Rio, onde exerceu a função de jornalita no jornal "O Globo".

Mais tarde ingressou em "O Jornal", no "Diário da Noite e em "O Cruzeiro".

Como jornalista gostava de explorar as desavenças alheias numa verdadeira imprensa marrom.

Nessa posição, explorou dois casos rumurosos acontecidos com artistas conhecidos: o de Herivelto Martins com Dalva de Oliveira e o de Franscisco Alves , em relação a seus filhos. Pura "imprensa marrom".

Como compositor, teve sucesso logo em seu primeiro samba, composto em 1935, mas só gravado, por Aracy de Almeida, em 1939:"Chorei, Quando o Dia Clareou".

Daí partiu para "Canta Brasil"; "Minha Sombra"; Todo Mundo Reclama"; Camisola do Dia", Algodão"; "Mãe Maria"; "Coroa do Rei"; "A Mulher e a Rosa"; "Confete" e inúmeras outras música, quase sempre sucesso.

Gravou com todos os cantores famosos em sua época e fez parceria com quase todos os compositores, mas só vou destacar aqui a valsa "Exilado", lindíssima, gravada por Carlos Galhardo e feita em parceria com o compositor russo Georges Moran.

David Nasser faleceu em 10 de dezembro de 1980, aos 63 anos.


Norma

"Saudade" - Jayme Redondo ( 1929 )


Saudade mal-estar, e bem se diz
que fere, mas não deixa cicatriz.
*
Saudade, doce bem que nos tortura
e ao coração maltrata com doçura.
*
Saudade,
que me trouxe aqui
Saudade,
de beijar a ti.
*
Saudade de uma era passada
do tempo em que eu fui amada.
*
Saudade,
de rever os meus
Saudade,
dos sorrisos teus.
*
Saudade,
quem é que não tem ?
Só mesmo alguém
Que nunca quis bem.
*
Se habita lá distante o nosso amor,
nossa alma vai murchando como a flor.
*
Vivendo
quer no campo ou na cidade,
se sofre a angústia imensa da saudade.
*
Mas quando desse amor nos apossamos,
os dias correm,voam, jubilamos.
*
Se o lar for infeliz, então teremos
saudade das saudades que tivemos.
*
Saudade,
de rever os meus
Saudade,
dos sorrisos teus
*
Saudade,
Quem é que não tem ?
Só mesmo alguém
que nunca quis bem.
***
Composição e gravação original, em 1929 - Jayme Redondo ( 29 /10/1890- 05/12/1952 - São Paulo ) com o Trio Ghiraldini.

Video da gravação de 1950 com Paulo Tapajós.
A flauta é de João de Deus, o clarinete em dueto com o canto é de Abel Ferreira e os violões são de Carlos Lentini e Rubem Bergman.O cavaquinho é de Waldemar de Mello.

PS. Essa letra está de acordo com a gravação de Dalva de Oliveira, de 1961, que é linda, mas que infelizmente, não consegui o vídeo . Na gravação de Paulo Tapajós há uma estrofe que a Dalva não canta, como também a ordem das estrofes está diferente.

SAUDADE ......por Rosa Guerrera

Quando lembro você
tudo fica triste .
A própria natureza
perde toda a razão de ser!

E eu esqueço todos os beijos
que recebí ontem,
os carinhos,
as promessas escutadas
já não possuem nenhum valor para mim.
Só você me aparece nítido,
vivo, brilhante em meu coração.

Quando lembro você
sinto saudade de tudo.
Saudade da minha infância,
do meu primeiro abraço,
do primeiro beijo,
do primeiro pecado.

E na impaciência
das noites vazias ,
eu me entrego a essa saudade contínua
que insiste ,
que se debate ,
que implora
para ficar com você !

E por falar em saudade...Poemas de saudade !

Sorri quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos vazios

Sorri quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador

Sorri quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados doridos

Sorri vai mentindo a sua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz

Charles Chaplin

Vai, minha tristeza, e diz a ela
Que sem ela não pode ser
Diz-lhe, numa prece, que ela regresse
Porque eu não posso mais sofrer

Chega de saudade, a realidade é que sem ela
Não há paz, não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim, não sai de mim, não sai

Mas, se ela voltar, se ela voltar
Que coisa linda, que coisa louca
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos que eu darei na sua boca

Dentro dos meus braços
Os abraços hão de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim

Que é pra acabar com esse negócio de viver longe de mim
Não quero mais esse negócio de você viver assim
Vamos deixar desse negócio de você viver sem mim

Vinícius de Moraes

SAUDADE.
Por que sinto falta de você? Por que está saudade?
Eu não te vejo mas imagino suas expressões, sua voz teu cheiro.
Sua amizade me faz sonhar com um carinho,
Um caminhar, a luz da lua, a beira mar.
Saudade este sentimento de vazio que me tira o sono
me fazendo sentir num triste abandono, é amizade eu sei, será amor talvez...
Só não quero perder sua amizade, esta amizade...
Que me fortalece me enobrece por ter você.

Machado de Assis

PRESENÇA

É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas,
teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento
das horas ponha um frêmito em teus cabelos...
É preciso que a tua ausência trescale
sutilmente, no ar, a trevo machucado,
as folhas de alecrim desde há muito guardadas
não se sabe por quem nalgum móvel antigo...
Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela
e respirar-te, azul e luminosa, no ar.
É preciso a saudade para eu sentir
como sinto - em mim - a presença misteriosa da vida...
Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista
que nunca te pareces com o teu retrato...
E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te.

Mário Quintana

Reconstituição


Tive de repente
saudade da bebida que eu estava bebendo...
tive saudade e tentei me lembrar que gosto faltava,
qual era a bebida...
Fui procurando entre copos e móveis
e dei com sua boca.

A saudade era dela
A bebida era o beijo.

Elisa Lucinda

Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar

Chico Buarque

A saudade é um parafuso
que quando a rosca cai
só entra se for torcendo
porque batendo não vai.
Mas quando enferruja dentro
nem distorcendo não sai.

Raul Seixas

Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.

Clarice Lispector

Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

Martha Medeiros

A um Ausente - Carlos Drummond de Andrade

Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste

Carlos Drummond de Andrade

Saudade - Pablo Neruda

foto by Claude Bloc



Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...

Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...

Saudade é sentir que existe o que não existe mais...

Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.

E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.

Pablo Neruda

CONVITE

A Secretaria de Cultura da Prefeitura Municipal de Juazeiro do Norte, convida V. Sa. para participar do 1º Encontro de Escritores, Poetas, Cordelistas e Repentistas da Região Metropolitana do Cariri, no dia 04 de fevereiro do corrente ano, às 8h00, no Teatro Municipal Marquise Branca, com a seguinte programação:

8h00-Café da Manhã
8h30-Abertura.
8h50-Palestra: Registros de trabalhos literários na Biblioteca Nacional, ficha catalográfica, direitos autorais entre outros esclarecimentos para a área. Palestrante: Renato Casimiro.
9h30-Palestra: Centenário de Juazeiro do Norte. Palestrante: Daniel Walker
10h20-Reunião de grupos para debate em dois eixos:

a) Participação dos Escritores, Poetas, Cordelistas e Repentistas na elaboração do Plano Municipal de Cultura.

b) Participação do segmento nos Festejos do Centenário de Juazeiro do Norte.

Atenciosamente

Glória Maria Ramos Tavares
Secretária de Cultura de Juazeiro do Norte

Franco Barbosa
Gerência de Literatura

Hugo Rodrigues
Presidente do ICVC
Foto de Claude Bloc

Os caminhos de pedras nos levam ao pódio visual. O caminho alimenta o descortinar ...
E lá, tudo se fará com o olhar !
Depois de passar e morar em tantas praias e prados, repito uma frase tão nossa : "Só no Crato "...Encontro a plena beleza de um lugar !

Retrato de uma saudade - por Socorro Moreira

Ontem , na boca da noite , espreitamos a lua. Acendemos outras luzes, e tudo aceso ficou: cidade, saudade, e nuvens de lembranças.Senti falta do nada. O nada que comporta uma parte de mim que se foi.
Senti falta de tudo que de bom, já passou.
Não quis a volta de nada, mas quis a presença de tudo , mergulhando num nado de paz.
Estava serena , sem o mar do teu olhar. Estive serena , diante do caos, concentrado numa simples luz, que ilumina uma certa nuvem, num céu que ainda é azul, e azul sempre será.
Vejo o teu rosto refletido no espaço. Rosto desanuviado, inserido , nas palmas das carnaúbas. Agora que tudo é passado, te retiro , e te incrusto, num álbum de retratos.

texto : socorro moreira

foto: claude bloc


Convite por Armando Rafael



Encontro hoje a noite em Crato dará início a um intercâmbio cultural entre Crato e Sergipe


Numa iniciativa vitoriosa do jornalista Jurandy Temóteo será realizado hoje à noite – às 19h30m – no cine Teatro Salviano Arraes Saraiva um encontro para definir o início de um intercâmbio cultural entre o município de Crato e o Estado de Sergipe.


O evento é resultado de uma parceria entre a revista “A Província” - Departamento Histórico Diocesano Padre Antônio Gomes de Araújo, da Diocese de Crato - Secretaria de Cultura de Crato.

Para presidir o evento chegou ontem a Crato o advogado, historiador e escritor Luiz Eduardo Alves de Oliva, presidente da Imprensa Oficial do Estado de Sergipe, membro do Instituto Histórico e Geográfico daquele estado e vice-presidente da Associação Brasileira de Imprensas Oficiais.
Também veio de Cuiabá – para participar do encontro– o advogado, professor, escritor, historiador e jornalista cratense Pedro Rocha Jucá, membro da Academia Matrogrossense de Letras e diretor por vinte e cinco anos do jornal “O Estado de Mato Grosso”.


É pensamento do Dr. Luiz Eduardo Oliva reeditar o livro “As quatro sergipanas”, do Mons. Francisco Holanda Montenegro, numa edição para distribuição entre as entidades educacional-culturais do Brasil.

Como é do conhecimento geral, muitos dos primeiros desbravadores da região do Cariri, que aqui chegaram no início do século dezoito, eram oriundos da província de Sergipe, conforme ficou amplamente provado no livro “As quatro sergipanas’, fruto de pesquisas feitas pelo saudoso monsenhor Francisco Holanda Montenegro, cuja primeira edição encontra-se esgotada.



O meritório trabalho do Monsenhor Francisco Holanda Montenegro foi fruto de muita paciência e muito amor, pois ele compulsou documentos, alinhou fatos, buscando as raízes mais longínquas dentro de um dos ramos mais difíceis da história: a genealogia. devemos a ele um dos melhores tratados sobre as linhagens das “gens caririenses”.



Todos estão convidados para o evento:

Data: Neste sábado, 30 de janeiro de 2010

Horário: 19:30h

Local: Teatro Municipal Salviano Arraes

Calçadão da Rua José de Alencar - Crato

A Todos do Cariricaturas



LINDOS GIFS, MENSAGENS, SCRAPS, POEMAS, RECADOS

HOJE! As 19h, entrada Franca!



E, continua até 20 Fevereiro, visitem!

Para o dia da saudade ...

Um abraço no tempo
- Claude Bloc -


Olhei para a lua e abri um sorriso discreto. Será que a lua seria a mesma de qualquer ângulo pelo qual se olhasse? Olhei para o relógio. Olhei em volta... Os ponteiros eram insistentes, demoravam para se mexer. Ao redor, pessoas sorrindo, pessoas conversando. Chegadas e partidas. Cheiro de mato. Cheiro de saudade. Mas me resguardava no meu silêncio.

E amanhã como seria? Ainda teria a lua no meu olhar?

Fiquei quieta por instantes. Ensaiava quais seriam as primeiras palavras que eu diria depois... Tantas seriam as perguntas, tanta seria a ansiedade! Abri os braços, fechei os olhos e esperei sentir a brisa passar breve e suave pelos meus cabelos.

Depois, deitei-me desajeitadamente. Abracei aquele tempo guardado em meus braços. Prendi a emoção num sorriso ingênuo e brilhante. Quem era eu agora? A menina da foto ou aquela que me observava no espelho da moldura? Não sei, não sabia. Apenas sentia que me guardava inteira nessa saudade desmedida e terna ao mesmo tempo.

Sentei-me na cama. Espanei o pó naquelas velhas fotos. Contemplei numa das fotos minha face juvenil, ainda cheia de sonhos e de indecisões. Procurei um porta-retrato para encaixar aquela lembrança. No espelho, novamente encontrei meu próprio rosto, o passado refletido implacavelmente em cada marca do tempo. Num relance revi tudo pelo que passei, tudo o que a vida me fez. Isso estava escrito e pontuado no meu semblante cansado.

Olhei de novo para o retrato e me lembrei da lua. Linda e brilhante, flutuando lá fora pelo vale. Beijando as fronhas da serra. Banhando o Crato com a prata do tempo. Ouvi seu canto, meu canto. A lua clareando meu quarto, pousando nas fotos, entoando os sons da noite ao meu ouvido. Eram sons de outros tempos se misturando ao presente, pousando nos sonhos, sufocando a ausência, buscando alento.

E agora eu só via esse atropelo de lembranças espalhando saudades pela casa. Uma criança de cabelinhos pretos correndo, girando descendo os degraus da escada... Fitei, na foto, aquela menina, e me voltei para o espelho. No fundo de meus olhos castanhos a saudade ainda cintilava. Guardei as fotos. Dormi com a lua.

Claude Bloc

30 de Janeiro - Dia da Saudade !

Convido todas as minhas saudades para uma festa de música e lágrimas, e que tudo acabe em dança e sorrisos.
Eu sinto saudades de mim.
Saudades não é falta ...
Saudades são lembranças antigas, sempre no plural.
Minhas saudades são pares dançando valsas, e prontas para um frevo em Olinda.
Saudades do meu pai, avós...
De amigos que se foram
Saudades de uma rua, um cheiro, uma música, um assobio...
Saudades que já se esconderam de mim, mas ainda hoje, olho atrás das minhas portas, e pego uma delas encolhida, com vergonha de ser saudade... Mal vivida !

A paz do esquecimento - por Socorro Moreira

Sandoval foi a pessoa mais leal que conheci.
Quando se apercebeu do meu olhar, lembrou outro olhar.
Quando sentiu o gosto do meu beijo, lembrou outro beijo.
E , cada palavra dita , tinha o peso de um silêncio,
que dominava o instante seguinte ...

Sandoval foi fiel...
" mesmo em face do maior encanto" ,
ao seu amor de sempre !
.
Fechei meu olhar
Engoli palavras de ternura,
cruzei as mãos do carinho,
numa prece contrita ...
pela paz e pelo esquecimento !
...
E as minhas preces foram ouvidas !

Maktub - por Rosa Guerrera


Meio dia ! Sol a pino. Gente que se acotovela nos ônibus , nos taxis, nos metrôs e avenidas.
Gente tão próxima e ao mesmo tempo tão distante.
Caminho também desconhecida pela multidão. Vou soprando velas quase apagadas , deitando esperanças por entre os rios e as correntezas.
Sinto a tua presença ao meu lado! E num panorama vazio nossas lembranças se fundem.
A palavra "Maktub" surge na minha mente: "estava escrito"... "tinha que acontecer".
Exatamente como tudo que acontece mesmo na vida da gente . O encontro, o sorriso, a verdade, a ilusão ou até o mergulho no nada.
E o povo indiferente ao que penso segue se acotovelando, enfrentando o calor,o sol a pino,nos onibus, nos taxis, nos metrôs e avenidas ...
Continuam os encontros , os esbarros e as saudades também.
Maktub : aconteceu ! Estava escrito !
por Rosa Guerrera

Saudades do Rio , e de mim...


Aprendemos a dançar ao som de Waldir Calmon. O Rio só conhecíamos nas telas do cinema , com exceção de alguns , como a minha amiga Magali, cujo presente de 15 anos foi uma viagem ao Rio. Mas de tanto sonhar com a cidade maravilhosa, andei muitas vezes por lá . " Estudantina " , dançar ao som de Waldir Calmon... Pensa que é brincadeira? Pois foi!

Waldir Calmon

Herivelto Martins


"Herivelto Martins tem sua trajetória dividida em duas partes: antes e depois de Dalva de Oliveira, de 1936 até 1950, quando se separaram definitivamente.

Participou da Dupla Preto e Branco e, em seguida, do grupo Trio de Ouro, com a participação da cantora Dalva de Oliveira, dona de uma voz poderosa por quem Herivelto se apaixonou.

A vida conjugal de Herivelto e Dalva foi sempre muito tumultuada. Após 10 anos de casamento e dois filhos Pery (Ribeiro, que fez muito sucesso bem mais tarde) e Ubiratan, separaram-se, protagonizando um escândalo nacional, divulgado pela imprensa.

Esse episódio serviu para fortalecer a carreira de Herivelto, pois, diante do sofrimento da separação, fez letras que eram maravilhosas, retratando fielmente, a crise que estava vivendo.

A partir daí houve um verdadeiro duelo musical, ele de um lado, juntamente com David Nasser (jornalista e compositor) e Dalva de outro, sustentada por letras/músicas de Ataulfo Alves, Nelson Cavaquinho,Mário Rossi, J. Piedade e Marino Pinto.

Tudo começou com o samba de Herivelto "Cabelos Brancos", respondido por Dalva com o "Tudo acabado", de J. Piedade e Osvaldo Martins.

Herivelto respondia com outras canções como "Caminhemos", "Quarto Vazio", "Caminho Certo" e "Segredo".

Dalva rebatia com "Calúnia", "Errei sim" e "Mentira de Amor". E o público brasileiro era quem ganhava. A época era de viver uma boa fossa e as música embalavam os suspiros a favor, ora de Herivelto, ora de Dalva.

Mas, a vida não deixa barato e ele conheceu Lurdes Torelly, seu grande amor e companheira pelo resto da vida. A morena de olhos verdes viveu com ele por quase 40 anos e lhe deu três filhos: Fernando, Yaçanã e Herivelto Filho.

Para ela foi composta a música "Pensando em ti", que acirrou mais ainda o duelo musical com Dalva..

Algum tempo depois Dalva e Lurdes tornaram-se muito amigas, sendo Lurdes o esteio de Dalva até o fim de sua vida.

Herivelto teve duas mulheres muito especiais."

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Quirinos


“ Porque eu vim pôr em dissensão
o homem contra seu pai, a filha
contra sua mãe, e a nora contra sua
sogra; e assim os inimigos do homem
serão os da sua própria casa.”
Matheus 10:35-36





--- Padre Quirino foi arrastado para o hospício!
Esta notícia estapafúrdia ecoou na praça principal de Matozinho e, como um eco, reverberou por toda a cidade. Difícil acreditar numa loucura daquele tamanho. A reação da mor parte das pessoas era de total incredulidade , só podia ser mais uma fofoca de D. Filó, injetando veneno mundo a fora como uma cascavel de quinze guizos! Aos poucos, no entanto, as diversas versões da história foram confluindo para um ponto comum e -- aparadas as rebarbas e os penduricalhos acrescentados, de língua a língua -- , a notícia, infelizmente, procedia. Há de se convir que , na verdade, parecia muito improvável o ocorrido. Primeiro pela personagem ímpar que era o Padre Quirino, uma figura séria, compenetrada e que, a maior parte da vida, sempre fora mais cérebro que coração. Depois, pela fonte original, bem pouco fidedigna: Fubuia. Ele havia sido a única testemunha do fato ocorrido. Buscando, madrugada a dentro, uma bodega renitente que ainda lhe desse abrigo, testemunhara o fato: o padre retirado à força da casa Paroquial, enfronhado numa camisa de força, sendo arrastado para dentro de uma ambulância, por vários homens : alguns vestidos de branco e outros metidos numas batinas pretas. Confirmada a aparente história fantasiosa de Fubuia, a Vila caiu numa consternação profunda. Haviam aprendido a amar os dois padres Quirinos que viveram em Matozinho. Dois Quirinos? Que história mais atrapalhada é essa? Bem, paciência, vamos explicar detalhadamente, antes que vocês resolvam também meter este escritor no mesmo manicômio.
Pasmem leitores! Apesar do nome esdrúxulo , Matozinho conheceu dois padres Quirinos. Por incrível que possa parecer, para embananar ainda mais a história, estes dois quirinos eram, na verdade, uma só pessoa. Sei que parece coisa da Santíssima Trindade, mas vamos esclarecer definitivamente as coisas. Uns quinze anos antes do fato , o triste desenlace testemunhado por Fubuia, chega a Matozinho o Padre Quirino , recém ordenado e assumiu o cargo de pároco da cidade. Sério, rabugento, o pastor controlava seu rebanho com mão de ferro. Apesar da pouca idade, formara-se à luz da igreja alemã. Impingia penitências homéricas aos confidentes, não dava comunhão a mulheres vestidas de calça comprida ou com decotes e aos amancebados; enxotava meninos danados da igreja como se fossem vendilhões do templo. Nos sermões, pregava contra a ameaça do comunismo, do protestantismo, contra o uso de camisinhas, pílulas. Tinha , por outro lado, uma opção toda especial pelos ricos. As más línguas já haviam observado as diferenças marcantes das exéquias nos enterros de abastados e miseráveis. Segundo D. Filó, no batizado do neto do Cel Sinfrônio Arnaud, Quirino demorou tanto nas orações que quando banhou o menino já estava no tempo de crismá-lo. Politiqueiro, uniu-se ao prefeito Sinderval Bandalheira e , no período eleitoral, subia no palanque e transformava seus sermões em comícios pró-Bandalheira. Quirino cobrava ainda o dízimo dos fiéis e atrelava os serviços da paróquia à adimplência dizimal. Casamentos, missas, batizados, crisma, encomendações só para quem estivesse em dia . A paróquia parecia até um Plano de Saúde. O certo é que Quirino progrediu, contavam-se muitas fazendas já no seu nome, carro novo e várias casas alugadas na rua , pelo sacristão, comentavam serem suas. Boca-torta, o acólito, era apenas um laranja. Quirino tinha enorme prestígio junto ao bispado e à Cúria da capital. Durante dois anos, inclusive, foi enviado a Roma com fins de estudar Direito Canônico, havia propaladas histórias de que futuramente seria bispo. Durante a Ditadura Militar, Quirino fizera-se um grande informante da polícia e havia dedurado muitos estudantes, inclusive tendo sido o responsável direto pela prisão de Toinho Araguaia, um professor de história que perseguido escondeu-se na Casa de um tio em Matozinho, tenho ficado entocado até que a notícia chegou aos ouvidos de Quirino, durante a confissão de uma beata.
Os matozenses terminaram se acostumando com a fleugma quase britânica de Quirino e aprenderam a amá-lo , mesmo percebendo que no evangelho do nosso pároco, havia sido feita uma pequena correção : era mais fácil uma agulha entrar no fundo de um camelo do que um rico entrar no céu. Tanto que toda Matozinho se preocupou muito quando soube do acidente ocorrido com Quirino, quando seu carro sobrou numa curva, próximo à capital. Foram mais de três meses de orações pelo restabelecimento do padre que passara mais de um mês , em coma, na UTI . A vila só respirou aliviada quando soube que Quirino, uns seis meses depois do capotamento, estava voltando à sua paróquia.
Matozinho recebeu-o em festa, com retreta de banda cabaçal e salva de fogos de Juvenal fogueteiro. Só passada uma semana é que descobriu a verdade: o pároco era novo, se tratava do mesmo, mas de um outro : o segundo Quirino. A pancada no toitiço mudara o homem. Chegou bem mais liberal. Acabou com as restrições às vestimentas das mulheres e às brincadeiras dos meninos na missa. Passou a combater, abertamente, os maus políticos e a denunciá-los no púlpito. Nos sermões, pregava a igualdade entre os homens e que havendo amor, tudo era permitido. Casar mais de uma vez , por que não? Deus não haveria de desejar a infelicidade eterna de ninguém. Casar pessoas do mesmo sexo? Por que não? O amor é que importa, dizia ele, todos fomos feitos à imagem e semelhança do Criador e o amor pleno não tem limites , nem fronteiras de qualquer tipo. Os casais deviam determinar eles próprios o número suficiente de filhos para criá-los dignamente, assegurava. Passou, também, a viver, abertamente, com uma religiosa: Irmã Jovelina. O celibato era contra a natureza de Deus, ele dizia, apenas uma invenção para manter o patrimônio da Igreja. Se Deus quisesse o homem sozinho não teria extirpado aquela abençoada costela de Adão. Buscou ainda uma grande aproximação com outras igrejas da Vila, principalmente os kardecistas, a umbanda, os evangélicos. Quirino falava que todos trilhavam caminhos diferentes, a procura do mesmo objetivo e que, portanto, tinham que ter uma convivência fraterna . Quirino II ensinava aos fiéis a se relacionarem diretamente com o Criador: Deus está em tudo , meus filhos, na montanha, na pedra, no rio, na árvore, em vocês próprios, em tudo existe um templo montado para a celebração e adoração do divino. Ninguém precisa de intermediários! Quirino doou todos os seus bens aos pobres e miseráveis e citava Matheus : “ Não vos provereis de ouro, nem de prata, nem de cobre, em vossos cintos; nem de alforje para o caminho, nem de duas túnicas, nem de alparcas, nem de bordão; porque digno é o trabalhador do seu alimento.”
Consta que após a brusca transformação em de Quirino II , a Diocese mandou alguns padres para investigar a sua estranha conduta. Os matozenses, se aprenderam a amar o Quirino I, passaram à adoração ao Quirino II. Ainda hoje lembram quando em pleno sermão da Missa do Galo, ele prometeu que na semana seguinte iria ao Cartório passar um imenso terreno da sua igreja para o assentamento de mais de cem famílias da Serra da Jurumenha. Elas viviam como posseiros, miseravelmente. Dois dias depois, coincidentemente, Fubuia, testemunhou quando o arrastaram para o manicômio, sob a justificativa de que endoidara de vez.
O certo é que não mais se teve notícia do Padre Quirino. Alguns dizem que ainda se encontra interno num manicômio da capital; outros sustentam que não resistiu ao tratamento e já deixou o mundo dos vivos. Fubuia , no entanto, mantém sua própria versão. Naquele dia mesmo, uma luz fortíssima envolveu toda a ambulância, na saída da cidade e Padre Quirino , como Elias, alçou vôo aos céus, numa grande carruagem de fogo.

J. Flávio Vieira


O PASSADO DO MELHOR PRESENTE, NAS FOTOS DE CONCEIÇÃO ALMEIDA.

Wladimir Soares

Há toda uma geração de artistas brilhando na música popular brasileira. Muitas vezes esse brilho torna-se ocasional e dura pouco. Na hora de se mencionar os artistas importantes da MPB, os nomes citados são os que brilham há mais de 30 anos. Os nossos ídolos ainda são os mesmos. A fotógrafa Conceição Almeida guardou todos os negativos das importantes fotos que ela tirou registrando o nascimento de alguns desses ídolos. E mais uma vez ela abre o baú e traz essas relíquias ao Photozofia no mês de fevereiro em exposição da história fotográfica da MPB dos anos 70.

Conceição é um dos seres privilegiados que estava no lugar certo na hora certa. No começo de sua carreira, Conceição era fotógrafa de gravadoras e revistas. Sua missão: registrar o aparecimento de novas estrelas, de Raul Seixas a Marina, de Cazuza a Simone, de Zé Ramalho a Zizi Possi. Conceição não registrou o nascimento de estrelas como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Gal Costa e Elis Regina porque ela não é tão precoce assim. Mas, nos seus guardados Conceição tem fotos preciosas dessa turma que compõe a seleção titular da MPB. Impossível não se emocionar diante de tanta preciosidade.

Com esta exposição documental e descontraída Conceição se inspirou numa exposição de Linda Mc Cartney em Londres nos anos 70, com uma apresentação despojada esteticamente mas com conteúdo precioso. Salta aos olhos a simplicidade que reinava no período de ouro da moderna MPB, um deleite a espontaneidade de Chico Buarque trocando de camisa para as lentes de Conceição. Impossível não se encantar com o despojamento de Caetano Veloso em sua fase mais andrógena, que logo iria encontrar mais ressonância em Ney Matogrosso, também aqui exposto. E a beleza plástica do beijo assexuado entre Gal Costa e Sonia Braga revela ainda mais o talento e o senso de oportunismo da grande fotógrafa. Nove entre dez artistas que começaram seu reinado nos anos 70 foram captados pela objetiva da fotógrafa que já fez exposições individuais no MIS, Museu da Imagem e do Som com o seu acervo de Raul Seixas o que levou a Revista Rolling Stones fechar a sua edição em homenagem aos 20 anos de morte de Raul com suas fotografias em capa e interior da revista e revelar a atemporalidade da expressão do artista. Conceição soube ter paciência para aguardar o momento certo para expor suas fotos. Revelando ao mundo seu acervo, Conceição também inscreveu seu nome no panteão de importantes e famosos.

CONVITE !


Pandora - por Socorro Moreira




Um velho baú foi aberto com facilidade. Nem foi preciso forçar a fechadura. Embora enferrujada, cedeu ao primeiro tato. Um cheiro esquisito espalhou-se no ar. Os feixes de alfazema já tinham perdido a validade, e o baú estava completamente lotado de quinquilharias e/ou preciosidades... Impulsivamente, todos mergulharam suas mãos, pensamentos, olhares, naquele achado. Não podiam perder tempo... O jeito era explorá-lo. Os objetos eram todos identificáveis: um missal de madrepérola, terço de prata, pacote de cartas amarradas com fita de cetim azul, álbum de retratos, caderno de canções, livro de receitas, caixinha de música, um leque, brincos descasados, um crucifixo de prata e uma medalhinha de Nossa Senhora das Graças. Era a caixa de Pandora, com todas baratas e lagartas, em saltos olímpicos, ora despertadas! Na parede, um relógio centenário tictaqueava insistente. Um cheiro delicioso de café, no ar se espalhara... Chega Brigite, gata preta, de olhos verdes... Visão cinematográfica! Ela, e a rosa cor da tarde, esperando o luar de Janeiro ... No fundo, todos são loucos!-Eu, minha gata e o meu cachorro!

O Carnaval das nossas saudades - por Socorro Moreira


Na minha infância, dançar carnaval era pecado mortal. Meu pai comprava lança-perfume, e a gente aspergia no povo da rua, até o tubo secar... Até o cheiro ficar fora do ar!
Os corsos eram fantásticos. Corria para as esquinas... Era o desenho animado dos meus contos de fadas! Nos jipes e automóveis sem capotas, cabia mais gente, do que se podia contar! Máscaras... Elas permitiam a mistura, no mesmo espaço, de moças de vida presa, e moças de vida fácil... Achava o máximo!
Na década de 60, já adolescente, carnaval continuou proibido... Fugia para a concentração dos blocos, nas calçadas. Suspirava de vontade de brincar, mas só podia cantar e dançar um frevo, se pudesse imaginá-lo!
Em 70,80... Participei dos meus primeiros bailes, no Crato Tênis Clube. Meu pai, por anos seguidos, foi Diretor Artístico, e cabia-lhe a missão de decorar o clube. Pintava todas as paredes com imagens de colombinas, pierrôs, arlequins, ciganas, piratas... e o diabo a 4!
Ficava lindo! Era muito bom dançar com todos, e não ficar com nenhum!
Geralmente, debaixo de chuva, na quarta-feira de cinzas, acompanhávamos a orquestra até a Praça Siqueira Campos, dançando e cantando a marcha da quarta-feira ingrata, que chegara depressa demais!
Depois, ainda de fantasia, entrávamos na Igreja pra receber a "cinza". Nosso lado profano fora alimentado, até os pés ficarem cheios de calos, e a voz rouca, sem proferir som algum.
"Saudade é isso que a gente sente, saudade é falta que faz a gente alguém que partiu, alguém que morreu, alguém que o coração não esqueceu..."
Pois é... Carnaval comum, nos dias de hoje é ficar plantada na frente da televisão, e assistir o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro.
Pipocas, sem risos...!
" Vou beijar-te agora/ não me leve a mal... Hoje é Carnaval"!

29 de Janeiro - Dia do Jornalista

Homenagem aos profissionais que arriscam com a palavra , dufundir , formar e informar assuntos de interesse geral.
Abraços especiais nos colaboradores :Vera Barbosa , Rosa Guerrera e Herminia , jornalistas de carteirinha , que abraçaram com exclusividade essa nobre profissão.
Por oportuno lembramos alguns dos notáveis do Crato : Vicelmo, Jurandyr Timótheo e Lindemberg de Aquino .

OS GURIS DA RUA CORONEL SECUNDO Por João Marni


Didaticamente, a vida pode ser dividida em três fases: o passado - que já acabou; o presente - em extinção; e o futuro - mera expectativa. Sempre que a vida nos aborrece quando estamos já adultos, sentimos uma necessidade urgente de sorrir e aí recorremos ao passado, se tiver sido bom.


Felizmente, todos nós, da rua Coronel secundo, nos anos cinqüenta, dourados, mesmo os de poucos recursos, gozamos de uma infância feliz, pois tivemos o básico para acharmos a vida prazerosa: um teto, uma família, alimentação suficiente, ótimo ensino público e uma rua, berço e palco do talento de cada um.
Acordávamos cedo e nos recolhíamos pouco depois do anoitecer. Nada havia de mais interessante a fazer do que dormir e sonhar.
Quanto verde havia: o bosque (hoje a Praça Alexandre Arrais), as matas ciliares do rio Granjeiro (das piabas), a mata de Seu Jéferson e o Sítio Lameiro. Sob essas árvores, sombras queridas se foram e vozes se calaram. A beleza simples, suprema benção das coisas e das criaturas, encontramo-la na memória da infância, no areal do bosque e da nossa rua mais bonita, ainda descalça feito nós, local de matanças hoje inconcebíveis, de borboletas, com nossas camisas, e aos gritos de " alô boy, matalê um"!...
Que falta faz a lama e o cheiro desses lugares que pisamos e que nos inundaram até o espírito, a ponto de nenhum banho, ainda hoje, ser capaz de nos lavar. Vejo, admirado, que muitos meninos de agora não mancham as suas roupas com nódoas de caju... Que vida sem graça!
Nos reencontros dos amigos da rua não catamos os sinais de decadência do outro, mas procuramos amavelmente as marcas dos nossos pequenos pés na areia... Usamos a imaginação e viajamos ao tempo em que as águas do rio eram claras, onde lavávamos até nossas almas e voltávamos alegres e felizes pela rua da qual fizemos estribo para a vida.
Hoje as pessoas têm pressa. Não param mais para conversar, como fazem as formigas... mas nós da rua Coronel Secundo, não; pois sempre valorizamos o toque interpessoal, antenados que somos com base nos pilares da formação humana, quais sejam: o amor, o respeito e humildade, da grande família parquense pelo bom Deus.
O escritor João do Rio, em sua obra " A alma encantadora das ruas", faz uma citação belíssima: "...Eu amo a rua; e esse amor assim absoluto e assim exagerado é partilhado por todos nós. Nós somos irmãos, nos sentimos parecidos e iguais porque nos une, nivela e agremia o amor da rua. É este sentimento impertubável e indissolúvel, o único que , como a própria vida, resiste às idades e às épocas".
Assim somos os filhos da Coronel Secundo: Os Bantim, Correia, Figueirêdo, Lóssio, Dantas, Siebra, Martins, Paletó, Chagas, Alencar, Barbosa, Matos, Policarpo, Abath, Pinheiro, Jamacaru...

Jacques (Daniel) Boris - um artista plástico sediado em Crato

Para mim ele é Jacques (meu mano). Desde pequeno demonstrou o gosto pelo desenho e seguiu a tendência de alguns dos nossos familiares: a arte (desenho e pintura).

Jacques, porém, aprimorou e diversificou seu dom. Hoje faz trabalhos em MDF (madeira) e executa trabalhos belíssimos com cacos de cerâmica com os quais elabora desenhos diversificados aplicando-os a formatos diferentes.

É um artesão habilidoso e cuidadoso.
Seus trabalhos revelam sensibilidade e delicadeza

Capricha na realização da sua arte e recebe encomendas para trabalhos conforme o pedido.

Detalhe do ateliê - com mural apresentando alguns de seus trabalhos.


Trabalho em MDF (Madeira vazada)

Console sobre tronco. (Trabalho em ceâmica)

Tampo de mesa em cerâmica
Desenho abstrato de sua autoria produzido e MDF
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Jacques tem um ateliê - ARTESSETRA - em Juazeiro do Norte - CE - na Av. Leão Sampaio - 102
(Triangulo Juazeiro do Norte)
Trabalha em Crato na rua José Carvalho - 502 - Centro
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